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PSICOPATOLOGIA E FUNÇOES PSÍQUICAS Profa. Alessandra Scherer CASOS CLÍNICOS A partir dos dados fornecidos nas narrativas, apontem a(as) alteração(ões) das funções psíquicas, justificando-as. 1. Um jovem de 21 anos é trazido ao serviço de saúde mental por um vizinho, após ter sido encontrado sentado no meio de uma rua de grande movimento. A guisa de explicação o paciente fala “as vozes me disseram para fazer isso”. Relata que no último ano sentiu que “as pessoas não são quem elas dizem ser”. Começou a se isolar em seu quarto e largou os estudos. Afirma que ouve vozes lhe dizendo para fazer coisas más, e que geralmente existem 2 ou 3 vozes falando e que comentam entre si o seu comportamento. Relata ter fumado maconha ocasionalmente tendo interrompido essa prática nos últimos 6 meses porque “deixa as vozes mais altas”. Nega qualquer problema médico e não está tomando medicamento. Percebeu-se que o paciente estava visivelmente em condição de higiene prejudicada. Mostrou-se um pouco agitado no ambiente, caminhando em torno da sala da entrevista. Afirma que seu humor “está OK”, não expressando qualquer tipo de afeto. Sua fala tem velocidade, ritmo e tom sem alterações. Seus processos de pensamento são tangenciais e ocasionalmente não é possível compreender com clareza o seu discurso, pois apresenta-se com ideias desorganizadas, com palavras incompreensíveis. *Delirium, afrouxamento dos nexos/associações de ideias, alucinação auditiva, alteração de pensamento, conteúdo, delírio persecutório, agitação psicomotora, embotamento afetivo. 2. Uma mulher de 37 anos ao ser atendida relata que nas últimas 4 semanas teve o sentimento de “não conseguir dar conta”. Afirma que o marido abandonou a família (ela e 2 filhos) há 1 mês sem aviso. Desde essa época não tem conseguido dormir mais de 3 ou 4 horas por noite, perdeu cerca de 7 kg sem tentar e seu apetite diminuiu. Diz que nada a interessa e que não consegue se concentrar o tempo suficiente nem para ler um jornal. Seu nível de energia é muito baixo. Comenta que seu humor está “muito pra baixo”, atribuindo 2 em uma escala de 1 a 10. Admite que ouve uma voz dizendo que ela “não presta”, tenho ouvido essa voz diariamente na última semana, e afirma ter a convicção de que não é uma boa pessoa. Reconhece que nos últimos dias pensou muitas vezes em suicídio, mas afirma que não transformará em atos esses pensamentos, pois tem filhos para cuidar. Não tem plano de suicídio. *Não dorme, perda de peso, sem interesse nas coisas, humor reativo, rupturas psicóticas = reatividade de momento estressor, delirium depreciativo, humor deprimido, anedonia, hipotenaz (sem concentração), hipobulia. 3. Um homem de 45 anos procura seu médico clínico com a queixa principal de fadiga. Nos últimos 6 meses ele afirma que adormece com facilidade, mas acorda várias vezes durante a noite e acaba não tendo um sono reparador. Diz que desde que sua esposa o deixou há 6 meses, tem esse problema para dormir. Ele também bebe de 6 a 12 cervejas por dia, assim como algumas doses de bebida de alto teor alcoólico. Relata que agora precisa de mais álcool do que antes para relaxar. O paciente teve vários blackouts provocados pela bebida nos últimos meses. Admite que muitas vezes “a primeira coisa que eu faço pela manhã é beber para não sentir tremores”. Tentou parar de beber algumas vezes, mas não conseguiu, mesmo depois de ter sido deixado pela esposa e de ter recebido várias advertências no trabalho por atraso e desempenho prejudicado. Mostrou-se orientado para pessoa, lugar e tempo. Parece abatido, mas sua higiene está preservada. Sua fala tem ritmo e tom normais, e ele coopera com o médico. Seu humor é percebido como rebaixado e o afeto é congruente, embora apresente alterações de humor visíveis. *alcoolismo, síndrome de korsakov, memória amnesia anterógrada, orientação autopsiquica, humor rebaixado e afeto congruente, humor hipotimico ou distimia hipotimica. 4. Um homem de 35 anos é trazido ao serviço de saúde mental por um amigo, porque desde o desastre que matou sua mulher tem estado “fora do seu normal”. O paciente conta que há uma semana um tornado atingiu a cidade onde mora. Sua casa foi destruída e sua esposa com quem estava casado há 2 anos, foi morta. Diz que sente como se “estivesse vivendo em um sonho e isso não pode ser real”. Relata que se sente desconectado de tudo e de todos. Sabe que estão tentando ajudá-lo, mas se sente anestesiado. Diz que quando fecha os olhos tudo o que vê é a imagem da esposa sendo enterrada pelos pedaços de pedra e entulho, e ouve o ruído estrondoso do tornado. Segundo ele, desde aquele momento isolou-se das demais pessoas o máximo possível para não ter de falar sobre o que aconteceu. Não dorme bem há vários dias, e quando ouve um barulho alto acha que o tornado está voltando, o que o deixa apavorado e muito agitado. *hipoprosexia, estresse pós traumático, dissociação da consciência (dificuldade de entrar em contato com a realidade, hipervigil, distanciamento afetivo (propicio pro caso) menos que a apatia.