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@salinhadoiluminismo 1 Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 2 • • • • • • • Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 3 QUESTÃO 1 Pode-se viver sem ciência, pode-se adotar crenças sem querer justificá-las racionalmente, pode-se desprezar as evidências empíricas. No entanto, depois de Platão e Aristóteles, nenhum homem honesto pode ignorar que uma outra atitude intelectual foi experimentada, a de adotar crenças com base em razões e evidências e questionar tudo o mais a fim de descobrir seu sentido último. ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2002. Platão e Aristóteles marcaram profundamente a formação do pensamento Ocidental. No texto, é ressaltado importante aspecto filosófico de ambos os autores que, em linhas gerais, refere-se à a) adoção da experiência do senso comum como critério de verdade. b) incapacidade de a razão confirmar o conhecimento resultante de evidências empíricas. c) pretensão de a experiência legitimar por si mesma a verdade. d) defesa de que a honestidade condiciona a possibilidade de se pensar a verdade. e) compreensão de que a verdade deve ser justificada racionalmente. QUESTÃO 2 Lembremos a figura de Sócrates. Dizem que era um homem feio, mas, quando falava, exercia estranho fascínio. Podemos atribuir a Sócrates duas maneiras de se chegar ao conhecimento. Essas duas maneiras são denominadas de: a) doxa e ironia. b) ironia e maiêutica. c) maiêutica e doxa. d) maiêutica e episteme. QUESTÃO 3 Leia a letra da canção a seguir. Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa Tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente Viu há um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo […] Fonte: SANTOS, Lulu; MOTTA, Nelson. Como uma onda. In: Álbum MTV ao vivo. Rio de Janeiro: Sony-BMG, 2004. Da mesma forma como canta o poeta contemporâneo, que vê a realidade passando como uma onda, assim também pensaram os primeiros filósofos conhecidos como Pré-socráticos que denominavam a realidade de physis. A característica dessa realidade representada, também, na música de Lulu Santos é o(a) a) fluxo b) estática. c) infinitude d) desordem e) multiplicidade QUESTÃO 4 De um modo geral, o conceito de physis no mundo pré-socrático expressa um princípio de movimento por meio do qual tudo o que Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 4 existe é gerado e se corrompe. A doutrina de Parmênides, no entanto, tal como relatada pela tradição, aboliu esse princípio e provocou, consequentemente, um sério conflito no debate filosófico posterior, em relação ao modo como conceber o ser. Para Parmênides e seus discípulos: a) A imobilidade é o princípio do não-ser, na medida em que o movimento está em tudo o que existe. b) O movimento é princípio de mudança e a pressuposição de um não-ser. c) Um Ser que jamais muda não existe e, portanto, é fruto de imaginação especulativa. d) O Ser existe como gerador do mundo físico, por isso a realidade empírica é puro ser, ainda que em movimento. QUESTÃO 5 Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas. RACHELS. J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009. O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana. b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais. c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas. d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes. e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas. QUESTÃO 6 No século V a.C., Atenas vivia o auge de sua democracia. Nesse mesmo período, os teatros estavam lotados, afinal, as tragédias chamavam cada vez mais a atenção. Outro aspecto importante da civilização grega da época eram os discursos proferidos na ágora. Para obter a aprovação da maioria, esses pronunciamentos deveriam conter argumentos sólidos e persuasivos. Nesse caso, alguns cidadãos procuravam aperfeiçoar sua habilidade de discursar. Isso favoreceu o surgimento de um grupo de filósofos que dominavam a arte da oratória. Esses filósofos vinham de diferentes cidades e ensinavam sua arte em troca de pagamento. Eles foram duramente criticados por Sócrates e são conhecidos como a) maniqueístas (bem ou mal) b) hedonistas (busca pelo prazer) c) epicuristas d) sofistas e) Contratualistas QUESTÃO 7 De onde vem o mundo? De onde vem o universo? Tudo o que existe tem que ter um começo. Portanto, em algum momento, o universo também tinha de ter surgido a partir de uma outra coisa. Mas, se o universo de repente tivesse surgido de alguma outra coisa, então essa outra coisa também devia ter surgido de alguma outra coisa algum dia. Sofia entendeu que só tinha transferido o problema de lugar. Afinal de contas, algum dia, alguma coisa tinha de ter surgido do nada. Existe uma substância básica a partir da qual tudo é feito? A grande questão para os primeiros filósofos não era saber como tudo surgiu do nada. O que os instigava era saber como a água podia se transformar em peixes vivos, ou como a terra sem vida podia se transformar em árvores frondosas ou flores multicoloridas. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 5 Adaptado de: GAARDER, J. O Mundo de Sofia. Trad. de João Azenha Jr. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. p.43-44. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o surgimento da filosofia, assinale a alternativa correta. a) Os pensadores pré-socráticos explicavam os fenômenos e as transformações da natureza e porque a vida é como é, tendo como limitador e princípio de verdade irrefutável as histórias contadas acerca do mundo dos deuses. b) Os primeiros filósofos da natureza tinham a convicção de que havia alguma substância básica, uma causa oculta, que estava por trás de todas as transformações na natureza e, a partir da observação, buscavam descobrir leis naturais que fossem eternas. c) Os teóricos da natureza que desenvolveram seus sistemas de pensamento por volta do século VI a.C. partiram da ideia unânime de que a água era o princípio original do mundo por sua enorme capacidade de transformação. d) A filosofia da natureza nascente adotou a imagem homérica do mundo e reforçou o antropomorfismo do mundo dos deuses em detrimento de uma explicação natural e regular acerca dos primeiros princípios que originam todas as coisas. e) Para os pensadores jônicos da natureza, Tales, Anaxímenes e Heráclito, há um princípio originário único denominado o ilimitado, que é a reprodução da aparência sensível que os olhos humanos podem observar no nascimento e na degeneração das coisas. QUESTÃO 8 O sofista é um diálogo de Platão do qual participam Sócrates, um estrangeiro e outros personagens. Logo no início do diálogo, Sócrates pergunta ao estrangeiro, a que método ele gostaria de recorrer para definir o que é um sofista. Sócrates: – Mas dize-nos [se] preferes desenvolver toda a tese que queres demonstrar, numa longa exposição ou empregar o método interrogativo? Estrangeiro: – Com um parceiro assim agradável e dócil,Sócrates, o método mais fácil é esse mesmo; com um interlocutor. Do contrário, valeria mais a pena argumentar apenas para si mesmo. (Platão. O sofista, 1970. Adaptado.) É correto afirmar que o interlocutor de Sócrates escolheu, do ponto de vista metodológico, adotar a) a maiêutica, que pressupõe a contraposição dos argumentos. b) a dialética, que une numa síntese final as teses dos contendores. c) o empirismo, que acredita ser possível chegar ao saber por meio dos sentidos. d) o apriorismo, que funda a eficácia da razão humana na prova de existência de Deus. e) o dualismo, que resulta no ceticismo sobre a possibilidade do saber humano. QUESTÃO 9 Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente. ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado). O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427–346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação? a) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 6 b) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles. c) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis. d) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não. e) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão. QUESTÃO 10 Platão: A massa popular é assimilável por natureza a um animal escravo de suas paixões e de seus interesses passageiros, sensível à lisonja, inconstante em seus amores e seus ódios; confiar-lhe o poder é aceitar a tirania de um ser incapaz da menor reflexão e do menor rigor. Quanto às pretensas discussões na Assembleia, são apenas disputas contrapondo opiniões subjetivas, inconsistentes, cujas contradições e lacunas traduzem bastante bem o seu caráter insuficiente.CHATELET, F. História das Ideias Políticas. Rio de Janeiro: Zahar, 1997, p. 17 Os argumentos de Platão, filósofo grego da antiguidade, evidenciam uma forte crítica à: a) oligarquia b) república c) democracia d) monarquia e) plutocracia GABARITO 1) E 2) B 3) A 4) B 5) B 6) D 7) B 8) A 9) D 10) C 1. (Unioeste 2013) “Quando dizemos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, ao escolher-se a si próprio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, não há de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser. Escolher isto ou aquilo é afirmar ao mesmo tempo o valor do que escolhemos, porque nunca podemos escolher o mal, o que escolhemos é sempre o bem, e nada pode ser bom para nós sem que o seja para todos. Se a existência, por outro lado, precede a essência e se quisermos existir, ao mesmo tempo em que construímos a nossa imagem, esta imagem é válida para todos e para a nossa época. Assim, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, porque ela envolve toda a humanidade”. Sartre. Considerando o texto citado e o pensamento sartreano, é INCORRETO afirmar que a) o valor máximo da existência humana é a liberdade, porque o homem é, antes de mais nada, o que tiver projetado ser, estando “condenado a ser livre”. b) totalmente posto sob o domínio do que ele é, ao homem é atribuída a total responsabilidade pela sua existência e, sendo responsável por si, é também responsável por todos os homens. c) o existencialismo sartreano é uma moral da ação, pois o homem se define pelos seus atos e atos, por excelência, livres, ou seja, o “homem não é nada além do conjunto de seus atos”. d) o homem é um “projeto que se vive subjetivamente”, pois há uma natureza humana previamente dada e predefinida, e, portanto, no homem, a essência precede a existência. e) por não haver valores preestabelecidos, o homem deve inventá-los através de escolhas livres, e, como escolher é afirmar o valor do que é escolhido, que é sempre o bem, é o homem que, através de suas Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 7 escolhas livres, atribui sentido a sua existência. 2. (Ufu 2012) Leia o excerto abaixo e assinale a alternativa que relaciona corretamente duas das principais máximas do existencialismo de Jean- Paul Sartre, a saber: “a existência precede a essência” “estamos condenados a ser livres” Com efeito, se a existência precede a essência, nada poderá jamais ser explicado por referência a uma natureza humana dada e definitiva; ou seja, não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Por outro lado, se Deus não existe, não encontramos já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. […] Estamos condenados a ser livres. Estamos sós, sem desculpas. É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz. SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo. 3ª. ed. S. Paulo: Nova Cultural, 1987. a) Se a essência do homem, para Sartre, é a liberdade, então jamais o homem pode ser, em sua existência, condenado a ser livre, o que seria, na verdade, uma contradição. b) A liberdade, em Sartre, determina a essência da natureza humana que, concebida por Deus, precede necessariamente a sua existência. c) Para Sartre, a liberdade é a escolha incondicional, à qual o homem, como existência já lançada no mundo, está condenado, e pela qual projeta o seu ser ou a sua essência. d) O Existencialismo é, para Sartre, um Humanismo, porque a existência do homem depende da essência de sua natureza humana, que a precede e que é a liberdade. 3. (Ufsj 2012) A angústia, para Jean-Paul Sartre, é a) tudo o que a influência de Shopenhauer determina em Sartre: a certeza da morte. O Homem pode ser livre para fazer suas escolhas, mas não tem como se livrar da decrepitude e do fim. b) a nadificação de nossos projetos e a certeza de que a relação Homem X natureza humana é circunstancial, objetiva, e pode ser superada pelo simples ato de se fazer uma escolha. c) a certificação de que toda a experiência humana é idealmente sensorial, objetivamente existencial e determinante para a vida e para a morte do Homem em si mesmo e em sua humanidade. d) consequência da responsabilidade que o Homem tem sobre aquilo que ele é, sobre a sua liberdade, sobre as escolhas que faz, tanto de si como do outro e da humanidade, por extensão. 4. Até os doze anos a menina é tão robusta quanto os irmãos e manifesta as mesmas capacidades intelectuais; não há terreno em que lhe seja proibido rivalizar com eles. Se, bem antes da puberdade e, às vezes, mesmo desde a primeira infância, ela já se apresenta como sexualmente especificada, não é porque misteriosos instintos a destinem imediatamente à passividade, ao coquetismo, à maternidade: é porque a intervenção de outrem na vida da criança é quase original e desde seus primeiros anos sua vocação lhe é imperiosamente insuflada. (BEAUVOIR, Simone. O segundo sexo (Vol. 2). Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1980, p. 9-10.) Os estudos de Simone de Beauvoir (1908-1986) contribuíram incontestavelmente para os debates acerca da situação da mulhere a luta para a igualdade de gênero. A partir do trecho acima, assinale a opção que melhor demonstra o problema apresentado pela filósofa. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 8 a) Beauvoir afirma a distinção entre os sexos e inaugura o pensamento de uma feminilidade que faz parte da condição humana da mulher. A natureza feminina é que compõe seu ser enquanto mulher. b) Beauvoir discute a consolidação da posição social da mulher, pois, biológica e psiquicamente suas distinções se apresentam de forma clara para um tratamento diferenciado em relação aos homens. c) Não há, para Beauvoir, qualidades, valores, modos de vida especificamente femininos. Esse é um mito inventado pelos homens para prender as mulheres na sua condição de oprimidas. d) A ideia de que “ninguém nasce mulher: torna-se mulher” representa o ápice da filosofia feminista presente em O segundo sexo, afirmando que, por natureza, qualquer um pode-se tornar mulher socialmente. 5. (ENEM 2016) Ser ou não ser — eis a questão. Morrer – dormir.—Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo Os sonhos que hão de vir no sono da morte quando tivermos escapado ao tumulto vital nos obrigam a hesitar: e é essa a reflexão Que dá à desventura uma vida tão longa. SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre, L&PM, 2007 Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre a) consciência de si e angústia humana. b) inevitabilidade do destino e incerteza moral. c) tragicidade da personagem e ordem do mundo. d) racionalidade argumentativa e loucura iminente. e) dependência paterna e impossibilidade de ação. 6. (ENEM 2014) “Uma norma só deve pretender validez quando todos os que possam ser concernidos por ela cheguem (ou possam chegar), enquanto participantes de um discurso prático, a um acordo quanto à validade dessa norma”. (Habermas, J. Consciência moral e agir comunicativo. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1989) Segundo Habermas, a validez de uma norma deve ser estabelecida pelo (a) a) Liberdade humana, que consagra a vontade. b) Razão comunicativa, que requer um consenso. c) Conhecimento filosófico, que expressa a verdade. d) Técnica científica, que aumenta o poder do homem. e) Poder político, que se concentra no sistema partidário. 7. (ENEM 2012) regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada — em tudo isso reflete-se amiúde apenas o autoentendimento ético- político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 9 HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002. A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que se alcança a) a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional. b) a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de uma cultura política nacional. c) a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de autoentendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão vinculados à coerção do melhor argumento. d) a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições de se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional. e) o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser compartilhada. 8. (ENEM 2017) O Conceito de democracia, no pensamento de Habermas, é construído a partir de uma dimensão procedimental, calcada no discurso e na deliberação. A legitimidade democrática exige que o processo de tomada de decisões políticas ocorra a partir de uma ampla discussão pública, para somente então decidir. Assim, o caráter deliberativo corresponde a um processo coletivo de ponderação e análise, permeado pelo discurso, que antecede a decisão. VITALE. D. Jugen. Habermas, modernidade el democracia deliberativa Cadernos do CRH (UFBA), v. 19, 2006 (adaptado) O Conceito de democracia proposto por Jürgen Habermas pode favorecer processos de inclusão social. De acordo com o texto, é uma condição para que isso aconteça o(a) a) participação direta periódica do Cidadão. b) debate livre e racional entre Cidadãos e Estado. c) interlocução entre os poderes governamentais. d) eleição de lideranças políticas com mandatos temporários. e) controle do poder político por cidadãos mais esclarecidos. 9. (Enem PPL 2016) Quando refletimos sobre a questão da justiça, algumas associações são feitas quase intuitivamente, tais como a de equilíbrio entre as partes, princípio de igualdade, distribuição equitativa, mas logo as dificuldades se mostram. Isso porque a nossa sociedade, sendo bastante diversificada, apresenta uma heterogeneidade tanto em termos das diversas culturas que coexistem em um mundo interligado como em relação aos modos de vida e aos valores que surgem no interior de uma mesma sociedade. CHEDIAK, K. A pluralidade como ideia reguladora: a noção de justiça a partir da filosofia de Lyotard. Trans/Form/Ação, n. 1, 2001 (adaptado). A relação entre justiça e pluralidade, apresentada pela autora, está indicada em: a) A complexidade da sociedade limita o exercício da justiça e a impede de atuar a favor da diversidade cultural. b) A diversidade cultural e de valores torna a justiça mais complexa e distante de um parâmetro geral orientador. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 10 c) O papel da justiça refere-se à manutenção de princípios fixos e incondicionais em função da diversidade cultural e de valores. d) O pressuposto da justiça é fomentar o critério de igualdade a fim de que esse valor tome-se absoluto em todas as sociedades. e) O aspecto fundamental da justiça é o exercício de dominação e controle, evitando a desintegração de uma sociedade diversificada. 10. (Enem 2016) A promessa da tecnologia moderna se converteu em uma ameaça, ou esta se associou àquela de forma indissolúvel. Ela Vai além da constatação da ameaça física. Concebida para a felicidade humana, a submissão da natureza, na sobremedida de seu sucesso, que agora se estende à própria natureza do homem, conduziu ao maior desafio já posto ao ser humano pela sua própria ação. O novo continente da práxis coletiva que adentramos com a alta tecnologia ainda constitui, para a teoria ética, uma terra de ninguém. JONAS, H. O princípio da responsabilidade. Rio de Janeiro: Contraponto; Editora PUC-Rio, 2011 (adaptado). As implicações éticas da articulação apresentada no texto impulsionam a necessidade de construção de um novo padrão decomportamento, cujo objetivo consiste em garantir o(a) a) pragmatismo da escolha individual. b) sobrevivência de gerações futuras. c) fortalecimento de políticas liberais. d) valorização de múltiplas etnias. e) promoção da inclusão social. 11. (Enem 2013) TEXTO I Não é sem razão que o ser humano procura de boa vontade juntar–se em sociedade com outros que estão já unidos, ou pretendem unir–se, para a mútua conservação da vida, da liberdade e dos bens a que chamo de propriedade. LOCKE, J. Segundo tratado sobre governo: ensaio relativo à verdadeira origem, extensão e objetivo do governo civil. São Paulo: Abril Cultural, 1978 (adaptado). TEXTO II Para que essas classes com interesses econômicos em conflitos não destruam a si mesmas e à sociedade numa luta estéril, surge a necessidade de um poder que, na aparência, esteja acima da sociedade, que atenue o conflito, mantenha–o dentro dos limites da ordem. ENGELS, F. In: GALLINO, L. Dicionário de sociologia. São Paulo: Paulus, 2005 (adaptado). Os textos expressam duas visões sobre a forma como os indivíduos se organizam socialmente. Tais visões apontam, respectivamente, para as concepções: a) Liberal, em defesa da liberdade e da propriedade privada — Conflituosa, exemplificada pela luta de classes. b) Heterogênea, favorável à propriedade privada — Consensual, sob o controle de classes com interesses comuns. c) Igualitária, baseada na filantropia — Complementar, com objetivos comuns unindo classes antagônicas. d) Compulsória, na qual as pessoas possuem papéis que se complementam — Individualista, na qual as pessoas lutam por seus interesses. e) Libertária, em defesa da razão humana — Contraditória, na qual vigora o estado de natureza. 12. (Enem PPL 2015) Na sociedade democrática, as opiniões de cada um não são fortalezas ou castelos para que neles nos encerremos como forma de Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 11 autoafirmação pessoal. Não só temos de ser capazes de exercer a razão em nossas argumentações, como também devemos desenvolver a capacidade de ser convencidos pelas melhores razões. A partir dessa perspectiva, a verdade buscada é sempre um resultado, não ponto de partida: e essa busca inclui a conversação entre iguais, a polêmica, o debate, a controvérsia. SAVATER, F. As perguntas da vida. São Paulo: Martins Fontes, 2001 (adaptado). A ideia de democracia presente no texto, baseada na concepção de Habermas acerca do discurso, defende que a verdade é um(a) a) alvo objetivo alcançável por cada pessoa, como agente racional autônomo. b) critério acima dos homens, de acordo com o qual podemos julgar quais opiniões são as melhores. c) construção da atividade racional de comunicação entre os indivíduos, cujo resultado é um consenso. d) produto da razão, que todo indivíduo traz latente desde o nascimento, mas que só se firma no processo latente educativo. e) resultado que se encontra mais desenvolvido nos espíritos elevados, a quem cabe a tarefa de convencer os outros GABARITO 1. D 2. C 3. D 4. C 5. A 6. B 7. C 8. B 9. B 10. B 11. A 12. C TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: “O homem nasce livre, e por toda a parte encontra-se a ferros. O que se crê senhor dos demais não deixa de ser mais escravo do que eles. (...) A ordem social, porém, é um direito sagrado que serve de base a todos os outros. (...) Haverá sempre uma grande diferença entre subjugar uma multidão e reger uma sociedade. Sejam homens isolados, quantos possam ser submetidos sucessivamente a um só, e não verei nisso senão um senhor e escravos, de modo algum considerando-os um povo e seu chefe. Trata-se, caso se queira, de uma agregação, mas não de uma associação; nela não existe bem público, nem corpo político.” (Jean-Jacques Rousseau, Do Contrato Social. [1762]. São Paulo: Ed. Abril, 1973, p. 28,36.) 1. (Unicamp 2012) No trecho apresentado, o autor a) argumenta que um corpo político existe quando os homens encontram-se associados em estado de igualdade política. b) reconhece os direitos sagrados como base para os direitos políticos e sociais. c) defende a necessidade de os homens se unirem em agregações, em busca de seus direitos políticos. d) denuncia a prática da escravidão nas Américas, que obrigava multidões de homens a se submeterem a um único senhor. 2. (Enem PPL 2012) O homem natural é tudo para si mesmo; é a unidade numérica, o inteiro absoluto, que só se relaciona consigo mesmo ou com seu semelhante. O homem civil é apenas uma unidade fracionária que se liga ao denominador, e cujo valor está em sua relação com o todo, que é o corpo social. As boas instituições sociais são as que melhor sabem desnaturar o homem, retirar-lhe sua existência absoluta para dar-lhe uma relativa, e transferir o eu para a unidade comum, de sorte que cada particular não se julgue mais como tal, e sim como uma parte da unidade, e só seja percebido no todo. ROUSSEAU, J. J. Emílio ou da Educação. São Paulo: Martins Fontes, 1999. A visão de Rousseau em relação à natureza humana, conforme expressa o texto, diz que a) o homem civil é formado a partir do desvio de sua própria natureza. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 12 b) as instituições sociais formam o homem de acordo com a sua essência natural. c) o homem civil é um todo no corpo social, pois as instituições sociais dependem dele. d) o homem é forçado a sair da natureza para se tornar absoluto. e) as instituições sociais expressam a natureza humana, pois o homem é um ser político. 3. (Unesp 2014) A China é a segunda maior economia do mundo. Quer garantir a hegemonia no seu quintal, como fizeram os Estados Unidos no Caribe depois da guerra civil. As Filipinas temem por um atol de rochas desabitado que disputam com a China. O Japão está de plantão por umas ilhotas de pedra e vento, que a China diz que lhe pertencem. Mesmo o Vietnã desconfia mais da China do que dos Estados Unidos. As autoridades de Hanói gostam de lembrar que o gigante americano invadiu o México uma vez. O gigante chinês invadiu o Vietnã dezessete. (André Petry. O Século do Pacífico. Veja, 24.04.2013. Adaptado.) A persistência histórica dos conflitos geopolíticos descritos na reportagem pode ser filosoficamente compreendida pela teoria a) iluminista, que preconiza a possibilidade de um estado de emancipação racional da humanidade. b) maquiavélica, que postula o encontro da virtude com a fortuna como princípios básicos da geopolítica. c) política de Rousseau, para quem a submissão à vontade geral é condição para experiências de liberdade. d) teológica de Santo Agostinho, que considera que o processo de iluminação divina afasta os homens do pecado. e) política de Hobbes, que conceitua a competição e a desconfiança como condições básicas da natureza humana. 4. (Unioeste 2013) “Através dos princípios de um direito natural preexistente ao Estado, de um Estado baseado no consenso, de subordinação do poder executivo ao poder legislativo, de um poder limitado, de direito de resistência, Locke expôs as diretrizes fundamentais do Estado liberal.” Bobbio. Considerando o texto citado e o pensamento político de Locke, seguem as afirmativas abaixo: I. A passagem do estado de natureza para a sociedade política ou civil, segundo Locke, é realizada mediante um contrato social, através do qual os indivíduos singulares, livres e iguais dão seu consentimento para ingressar no estado civil. II. O livre consentimento dos indivíduos para formar a sociedade, a proteção dos direitos naturais pelo governo, a subordinação dos poderes, a limitação do poder e o direitoà resistência são princípios fundamentais do liberalismo político de Locke. III. A violação deliberada e sistemática dos direitos naturais e o uso contínuo da força sem amparo legal, segundo Locke, não são suficientes para conferir legitimidade ao direito de resistência, pois o exercício de tal direito causaria a dissolução do estado civil e, em consequência, o retorno ao estado de natureza. IV. Os indivíduos consentem livremente, segundo Locke, em constituir a sociedade política com a finalidade de preservar e proteger, com o amparo da lei, do arbítrio e da força comum de um corpo político unitário, os seus inalienáveis direitos naturais à vida, à liberdade e à propriedade. V. Da dissolução do poder legislativo, que é o poder no qual “se unem os membros de uma comunidade para formar um corpo vivo e coerente”, decorre, como consequência, a dissolução do estado de natureza. Das afirmativas feitas acima a) somente a afirmação I está correta. b) as afirmações I e III estão corretas. c) as afirmações III e IV estão corretas. d) as afirmação II e III estão corretas. e) as afirmações III e V estão incorretas. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 13 5. (Ufsm 2013) Sem leis e sem Estado, você poderia fazer o que quisesse. Os outros também poderiam fazer com você o que quisessem. Esse é o “estado de natureza” descrito por Thomas Hobbes, que, vivendo durante as guerras civis britânicas (1640-60), aprendeu em primeira mão como esse cenário poderia ser assustador. Sem uma autoridade soberana não pode haver nenhuma segurança, nenhuma paz. Fonte: LAW, Stephen. Guia Ilustrado Zahar: Filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2008. Considere as afirmações: I. A argumentação hobbesiana em favor de uma autoridade soberana, instituída por um pacto, representa inequivocamente a defesa de um regime político monarquista. II. Dois dos grandes teóricos sobre o estado de natureza”, Hobbes e Rousseau, partilham a convicção de que o afeto predominante nesse “estado” é o medo. III. Um traço comum da filosofia política moderna é a idealização de um pacto que estabeleceria a passagem do estado de natureza para o estado de sociedade. Está(ão) correta(s) a) apenas I. b) apenas II. c) apenas III. d) apenas I e II. e) apenas II e III. 6. (Ufsj 2013) “A soberania é a alma do Estado, e uma vez separada do corpo os membros deixam de receber dela seu movimento”. Esse fragmento representa o pensamento de a) Hume em sua memorável defesa dos valores do Estado e da sua ligação direta com a sua “alma”, tomada aqui por intransferível soberania. b) Hume e a descrição da soberania na perspectiva do sujeito em termos de impressões e ideias, que a partir daí cria um Estado humanizado que dá movimento às criações dos que nele estão inseridos. c) Nietzsche, em sua mais sublime interpretação do agón grego. Ao centro daquilo que ele propôs como sendo a alma do Estado e onde a indagação sobre o lugar da soberania, no permanente desafio da necessária orquestração das paixões, se faz urgente. d) Hobbes e o seu conceito clássico de soberania, entendido como o princípio que dá vida e movimento ao corpo inteiro do Estado, por sua vez criado pelo artifício humano para a sua proteção e segurança. 7. (Ufsj 2013) Thomas Hobbes afirma que “Lei Civil”, para todo súdito, é a) “construída por aquelas regras que o Estado lhe impõe, oralmente ou por escrito, ou por outro sinal suficiente de sua vontade, para usar como critério de distinção entre o bem e o mal”. b) “a lei que o deixa livre para caminhar para qualquer direção, pois há um conjunto de leis naturais que estabelece os limites para uma vida em sociedade”. c) “reguladora e protetora dos direitos humanos, e faz intervenção na ordem social para legitimar as relações externas da vida do homem em sociedade”. d) “calcada na arbitrariedade individual, em que as pessoas buscam entrar num Estado Civil, em consonância com o direito natural, no qual ele – o súdito – tem direito sobre a sua vida, a sua liberdade e os seus bens”. 8. (Unioeste 2013) “Com isto se torna manifesto que, durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição que se chama guerra; e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. [...] E os pactos sem a espada não passam de Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 14 palavras, sem força para dar segurança a ninguém. Portanto, apesar das leis da natureza (que cada um respeita quando tem vontade de respeitá-las e quando pode fazê- lo com segurança), se não for instituído um poder suficientemente grande para nossa segurança, cada um confiará, e poderá legitimamente confiar apenas em sua própria força e capacidade, como proteção contra todos”. Hobbes. Considerando o texto citado e o pensamento político de Hobbes, seguem as afirmativas abaixo: I. A situação dos homens, sem um poder comum que os mantenha em respeito, é de anarquia, geradora de insegurança, angústia e medo, pois os interesses egoísticos são predominantes, e o homem é lobo para o homem. II. As consequências desse estado de guerra generalizada são as de que, no estado de natureza, não há lugar para a indústria, para a agricultura nem navegação, e há prejuízo para a ciência e para o conforto dos homens. III. O medo da morte violenta e o desejo de paz com segurança levam os indivíduos a estabelecerem entre si um pacto de submissão para a instituição do estado civil, abdicando de seus direitos naturais em favor do soberano, cujo poder é limitado e revogável por causa do direito à resistência que tem vigência no estado civil assim instituído. IV. Apesar das leis da natureza, por não haver um poder comum que mantenha a todos em respeito, garantindo a paz e a segurança, o estado de natureza é um estado de permanente temor e perigo da morte violenta, e “a vida do homem é solitária, pobre, sórdida, embrutecida e curta”. V. O poder soberano instituído mediante o pacto de submissão é um poder limitado, restrito e revogável, pois no estado civil permanecem em vigor os direitos naturais à vida, à liberdade e à propriedade, bem como o direito à resistência ao poder soberano. Das afirmativas feitas acima a) somente a afirmação I está correta. b) as afirmações I e III estão corretas. c) as afirmações II e IV estão incorretas. d) as afirmação III e V estão incorretas. e) as afirmações II, III e IV estão corretas. 9. (Ufu 2013) Porque as leis de natureza (como a justiça, a equidade, a modéstia, a piedade, ou, em resumo, fazer aos outros o que queremos que nos façam) por si mesmas, na ausência do temor de algum poder capaz de 14eva-las a ser respeitadas, são contrárias a nossas paixões naturais, as quais nos fazem tender para a parcialidade, o orgulho, a vingança e coisas semelhantes. HOBBES, Thomas. Leviatã. Cap. XVII. Tradução de João Paulo Monteiro e Maria Beatriz Nizza da Silva. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p. 103. Em relação ao papel do Estado, Hobbes considera que: a) O seu poder deve ser parcial. O soberano que nasce com o advento do contrato social deve assiná-lo, para submeter-se aos compromissos ali firmados. b) A condição natural do homem é de guerra de todos contra todos. Resolver tal condição é possível apenas com um poder estatal pleno. c) Os homens são, por natureza, desiguais. Por isso, a criação do Estado deve servir como instrumento de realização da isonomia entre tais homens. d) A guerra de todos contra todos surge com o Estado repressor. O homem não deve se submeter de bom grado à violência estatal. 10. (Enem 2013) O edifício é circular.Os apartamentos dos prisioneiros ocupam a circunferência. Você pode chamá-los, se quiser, de celas. O apartamento do inspetor ocupa o centro; você pode chamá-lo, se quiser, de alojamento do inspetor. A moral reformada; a saúde preservada; a indústria Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 15 revigorada; a instrução difundida; os encargos públicos aliviados; a economia assentada, como deve ser, sobre uma rocha; o nó górdio da Lei sobre os Pobres não cortado, mas desfeito — tudo por uma simples ideia de arquitetura! BENTHAM, J. O panóptico. Belo Horizonte: Autêntica, 2008. Essa é a proposta de um sistema conhecido como panóptico, um modelo que mostra o poder da disciplina nas sociedades contemporâneas, exercido preferencialmente por mecanismos a) religiosos, que se constituem como um olho divino controlador que tudo vê. b) ideológicos, que estabelecem limites pela alienação, impedindo a visão da dominação sofrida. c) repressivos, que perpetuam as relações de dominação entre os homens por meio da tortura física. d) sutis, que adestram os corpos no espaço- tempo por meio do olhar como instrumento de controle. e) consensuais, que pactuam acordos com base na compreensão dos benefícios gerais de se ter as próprias ações controladas. (ENEM 2017) QUESTÃO 1 Uma sociedade é uma associação mais ou menos autossuficiente de pessoas que em suas relações mútuas reconhecem certas regras de conduto com obrigatórias e que, na maioria das vezes, agem de acordo com elas. Uma sociedade é bom ordenada não apenas quando está planejada para promover o bem de seus membros, mas quando é também efetivamente regulada por uma concepção pública de justiça. Isto é, trata-se de uma sociedade na qual todos aceitam, e sabem que os outros aceitam, o mesmo princípio de justiça. RAWLS, J. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 1997. Adaptado. A visão expressa nesse texto do século XX remete a qual aspecto do pensamento moderno? a) A relação entre liberdade e autonomia do Liberalismo. b) A independência entre poder e moral do Racionalismo. c) A convenção entre cidadãos e soberano do Absolutismo. d) A dialética entre indivíduo e governo autocrata do Idealismo. e) A contraposição entre bondade e condições selvagem do Naturalismo. (ENEM 2015) QUESTÃO 2 A filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matriz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisálida, está contido o pensamento: Tudo é um. NIETZSCHE. F. Crítica moderna. In: GABARITO 1 – A 2 – A 3 – E 4 - E 5 -C 6 – D 7 – A 8 - D 9 – B 10 - D Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 16 Os pré-socráticos. São Paulo: Nova Cultural. 1999 O que, de acordo com Nietzsche, caracteriza o surgimento da filosofia entre os gregos? a) O impulso para transformar, mediante justificativas, os elementos sensíveis em verdades racionais. b) O desejo de explicar, usando metáforas, a origem dos seres e das coisas. c) A necessidade de buscar, de forma racional, a causa primeira das coisas existentes. d) A ambição de expor, de maneira metódica, as diferenças entre as coisas. e) A tentativa de justificar, a partir de elementos empíricos, o que existe no real. (ENEM 2012) QUESTÃO 3 Na regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada – em tudo isso refere-se amiúde apenas o autoentendimento ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria. HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002. A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que se alcança a) a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional. b) a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de uma cultura política nacional. c) a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de autoentendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão vinculados à coerção do melhor argumento. d) a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições de se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional. e) o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser compartilhada. (ENEM 2016) QUESTÃO 4 TEXTO I Até aqui expus a natureza do homem (cujo orgulho e outras paixões o obrigaram a submeter-se ao governo), juntamente com o grande poder do seu governante, o qual comparei com o Leviatã, tirando essa comparação dos dois últimos versículos do capítulo 41 de Jó, onde Deus, após ter estabelecido o grande poder do Leviatã, lhe chamou Rei dos Soberbos. Não há nada na Terra, disse ele, que se lhe possa comparar. HOBBES, T. O Leviatã. São Paulo: Martins Fontes, 2003. TEXTO II Eu asseguro, tranquilamente, que o governo civil é a solução adequada para as inconveniências do estado de natureza, que devem certamente ser grandes quando os Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 17 homens podem ser juízes em causa própria, pois é fácil imaginar que um homem tão injusto a ponto de lesar o irmão dificilmente será justo para condenar a si mesmo pela mesma ofensa.LOCKE, J. Segundo tratado sobre o governo civil . Petrópolis: Vozes, 1994. Thomas Hobbes e John Locke, importantes teóricos contratualistas, discutiram aspectos ligados à natureza humana e ao Estado. Thomas Hobbes, diferentemente de John Locke, entende o estado de natureza como um(a) a) condição de guerra de todos contra todos, miséria universal, insegurança e medo da morte violenta. b) organização pré-social e pré-política em que o homem nasce com os direitos naturais: vida, liberdade, igualdade e propriedade. c) capricho típico da menoridade, que deve ser eliminado pela exigência moral, para que o homem possa constituir o Estado civil. d) situação em que os homens nascem como detentores de livre-arbítrio, mas são feridos em sua livre decisão pelo pecado original. e) estado de felicidade, saúde e liberdade que é destruído pela civilização, que perturba as relações sociais e violenta a humanidade. (ENEM 2018) QUESTÃO 5 O filósofo reconhece-se pela posse inseparável do gosto da evidência e do sentido da ambiguidade. Quando se limita a suportar a ambiguidade, esta se chama equívoco. Sempreaconteceu que, mesmo aqueles que pretenderam construir uma filosofia absolutamente positiva, só conseguiram ser filósofos na medida em que, simultaneamente, se recusaram o direito de se instalar no saber absoluto. O que caracteriza o filósofo é o movimento que leva incessantemente do saber à ignorância, da ignorância ao saber, e um certo repouso neste movimento. MERLEAU- PONTY, M. Elogio da filosofia. Lisboa; Guimarães, 1998 (adaptado). O texto apresenta um entendimento acerca dos elementos constitutivos da atividade do filósofo, que se caracteriza por a) reunir os antagonismos das opiniões ao método dialético. b) ajustar a clareza do conhecimento ao inatismo das ideias. c) associar a certeza do intelecto à imutabilidade da verdade. d) conciliar o rigor da investigação à inquietude do questionamento. e) compatibilizar as estruturas do pensamento aos princípios fundamentais. (ENEM 2014) QUESTÃO 6 É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida. SILVA, F. l. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado). Apesar de questionar os conceitos da tradição, a dúvida radical da filosofia cartesiana tem caráter positivo por contribuir para o(a) a) dissolução do saber científico. b) recuperação dos antigos juízos. c) exaltação do pensamento clássico. d) surgimento do conhecimento inabalável. e) fortalecimento dos preconceitos religiosos. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 18 (ENEM 2015) QUESTÃO 7 Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas. RACHELS, J. Problemas da Filosofia. Lisboa: Gradiva, 2009. O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana. b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais. c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas. d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes. e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas. (ENEM 2013) QUESTÃO 8 Os produtos e seu consumo constituem a meta declarada do empreendimento tecnológico. Essa meta foi proposta pela primeira vez no início da Modernidade, como expectativa de que o homem poderia dominar a natureza. No entanto, essa expectativa, convertida em programa anunciado por pensadores como Descartes e Bacon e impulsionado pelo Iluminismo, não surgiu “de um prazer de poder”, “de um mero imperialismo humano”, mas da aspiração de libertar o homem e de enriquecer sua vida, física e culturalmente. CUPANI, A. A tecnologia como problema filosófico: três enfoques, Scientiae Studia. São Paulo, v. 2 n. 4, 2004 (adaptado). Autores da filosofia moderna, notadamente Descartes e Bacon, e o projeto iluminista concebem a ciência como uma forma de saber que almeja libertar o homem das intempéries da natureza. Nesse contexto, a investigação científica consiste em a) expor a essência da verdade e resolver definitivamente as disputas teóricas ainda existentes. b) oferecer a última palavra acerca das coisas que existem e ocupar o lugar que outrora foi da filosofia. c) ser a expressão da razão e servir de modelo para outras áreas do saber que almejam o progresso. d) explicitar as leis gerais que permitem interpretar a natureza e eliminar os discursos éticos e religiosos. e) explicar a dinâmica presente entre os fenômenos naturais e impor limites aos debates acadêmicos. GABARITO 1A, 2C,3C,4A, 5D,5D,7D,8C Questão 1 (CEPERJ – 2011) Em sua Investigação acerca do entendimento humano, David Hume fala daquele que considera ser “o único princípio que torna útil nossa experiência e nos faz esperar, no futuro, uma série de eventos semelhantes àqueles que apareceram no passado”. Segundo Hume, esse princípio, que seria o grande guia da vida humana, é: a) a fé b) a razão c) a imaginação d) o costume e) o entendimento Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 19 Questão 2 (SP – CAIP – USCS) “Todas as nossas ideias derivam de uma ou de outra fonte. Parece que o entendimento não tem o menor vislumbre sobre quaisquer ideias se não as receber de uma das duas fontes. Os objetos externos suprem a nossa mente com as ideias das qualidades sensíveis, que são todas as diferentes percepções produzidas em nós, e a mente supre o entendimento com ideias através das próprias operações”. O texto citado retrata o empirismo de Jonh Locke. Para ele, existem duas fontes básicas de experiência: a) Percepção e idealização. b) Percepção e internalização. c) Sensação e reflexão. d) Sensação e memorização. Questão 3 TEXTO I Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez. (DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979). TEXTO II Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita. (HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado).). Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume a) defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo. b) entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica. c) são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento. d) concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos. e) atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento. Questão 4 O empirismo de Locke se opõe ao racionalismo de Descartes. Entre as divergências entre esses dois pensadores, é INCORRETO dizer que a) Descartes acreditava que Deus era uma ideia inata, já Locke pensava que essa era uma ideia oriunda da sensação. b) Descartes acreditava que a ideia de perfeição era uma ideia inata, já Locke acreditava que tinha origem na sensação. c) Locke afirmava que a mente humana não possui ideias inatas, pois é uma tábula rasa; Descartes, por outro lado, defendia a existência de ideias inatas. d) Locke defendia que, como o conhecimento tem origem na experiência, não podemos saber da existência de Deus; Descartes, como acreditava que a razão por si só é capaz de produzir conhecimento sobre o mundo, ela é capaz de demonstrar a existência de um ser perfeito. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 20 Questão 5 (UNICAMP 2015) A maneira pela qual adquirimos qualquer conhecimento constitui suficiente prova de que não é inato. LOCKE, John. Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Nova Cultural, 1988, p.13.O empirismo, corrente filosófica da qual Locke fazia parte, a) afirma que o conhecimento não é inato, pois sua aquisição deriva da experiência. b) é uma forma de ceticismo, pois nega que os conhecimentos possam ser obtidos. c) aproxima-se do modelo científico cartesiano, ao negar a existência de ideias inatas. d) defende que as ideias estão presentes na razão desde o nascimento. Questão 6 (Universidade da Amazônia) Para combater os erros provocados pelos ídolos, Francis Bacon propôs o método indutivo de investigação, que cumpriria algumas etapas consecutivas, como é o caso da alternativa: a) Observação da natureza, organização racional, explicações gerais (hipóteses) e experimentações. b) Observação da natureza, organização racional, explicações gerais (hipóteses) e introspecção. c) Concepção mística da natureza, organização racional, explicações gerais (hipóteses) e experimentações. d) Concepção emocional da natureza, organização racional, explicações gerais (hipóteses) e experimentações. Questão 7 (Pucpr 2009) “Ciência e poder do homem coincidem, uma vez que, sendo a causa ignorada, frustra-se o efeito. Pois a natureza não se vence, se não quando se lhe obedece. E o que à contemplação apresenta-se como causa é regra na prática.” Fonte: BACON. Novum Organum…, São Paulo: Nova Cultural, 1999, p.40. Tendo em vista o texto acima, assinale a alternativa correta: a) Bacon estabelece que a melhor maneira de explicar os fenômenos naturais é recorrer aos princípios inatos da razão. b) Através do conhecimento científico, o homem aprende a aceitar o domínio dos princípios metafísicos de causalidade sobre a natureza. c) O conhecimento da natureza depende do poder do homem. Assim um rei conhece mais sobre a natureza do que um pobre estudante. d) Através da contemplação – observação – da natureza o homem aprende a conhecê-la e, então, reúne condições para dominar a natureza. e) Devemos ser práticos e obedecer à natureza, pois o conhecimento das relações de causa e efeito é impossível e sempre frustrante. Questão 8 (ENEM 2015) Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar ou diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência. Quando pensamos em uma montanha de ouro, não fazemos mais do que juntar duas ideias consistentes, ouro e montanha, que já conhecíamos. Podemos conceber um cavalo virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nossos próprios sentimentos, e podemos unir a isso a figura Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 21 e a forma de um cavalo, animal que nos é familiar. HUME, D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1995. Hume estabelece um vínculo entre pensamento e impressão ao considerar que a) os conteúdos das ideias no intelecto têm origem na sensação. b) o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível. c) as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso. d) os sentimentos ordenam como os pensamentos devem ser processados na memória. e) as ideias têm como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos na empiria. Questão 9 (UEL 2009) O pensamento moderno caracteriza-se pelo crescente abandono da ciência aristotélica. Um dos pensadores modernos desconfortáveis com a lógica dedutiva de Aristóteles – considerando que esta não permitia explicar o progresso do conhecimento científico – foi Francis Bacon. No livro Novum Organum, Bacon formulou o método indutivo como alternativa ao método lógico-dedutivo aristotélico. Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Bacon, é correto afirmar que o método indutivo consiste a) na derivação de consequências lógicas com base no corpo de conhecimento de um dado período histórico. b) no estabelecimento de leis universais e necessárias com base nas formas válidas do silogismo tal como preservado pelos medievais. c) na postulação de leis universais com base em casos observados na experiência, os quais apresentam regularidade. d) na inferência de leis naturais baseadas no testemunho de autoridades científicas aceitas universalmente. e) na observação de casos particulares revelados pela experiência, os quais impedem a necessidade e a universalidade no estabelecimento das leis naturais. GABARITO 1 - D 2 - C 3 - E 4 - D 5 - A 6 - A 7 - E 8 - E 9 – C 1. (Ufu 2013) A dialética de Hegel a) envolve duas etapas, formadas por opostos encontrados na natureza (dia-noite, claro-escuro, frio-calor). b) é incapaz de explicar o movimento e a mudança verificados tanto no mundo quanto no pensamento. c) é interna nas coisas objetivas, que só podem crescer e perecer em virtude de contradições presentes nelas. d) é um método (procedimento) a ser aplicado ao objeto de estudo do pesquisador. 2. (Ufu 2007) Qual é a diferença entre o conceito de movimento histórico, em Hegel, e o de processo histórico, em Marx? Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 22 a) Para Hegel, através do trabalho, os homens vão construindo o movimento da produção da vida material e, assim, o movimento histórico. Para Marx, a consciência determina cada época histórica, desenvolvendo o processo histórico. b) Para Hegel, a História pode sofrer rupturas e ter retrocessos, por isso utiliza-se do conceito de movimento da base econômica da sociedade. Marx acredita que o modo de produção encaminhe para um objetivo final, que é a concretização da Razão. c) Para Hegel, a História tem uma circularidade que não permite a continuidade. Para Marx, a História é construída pelo progresso da consciência dos homens que formam o processo histórico. d) Para Hegel, a História é teleológica, a Razão caminha para o conceito de si mesma, em si mesma. Marx não tem uma visão linear e progressiva da História, sendo que, para ele, ela é processo, depende da organização dos homens para a superação das contradições geradas na produção da vida material, para transformar ou retroceder historicamente. 3. (Ufu 2005) Hegel, em seus cursos universitários de Filosofia da História, fez a seguinte afirmação sobre a relação entre a filosofia e a história: “O único pensamento que a filosofia aporta é a contemplação da história”. HEGEL, G. W. F. Filosofia da História. 2 ed. Brasília: Editora da UnB, 1998, p. 17. De acordo com a reflexão de Hegel, é correto afirmar que I. a razão governa o mundo e, portanto, a história universal é um processo racional. II. a ação dos homens obedece a vontade divina que preestabelece o curso da história. III. no processo histórico, o pensar está subordinado ao real existente. IV. a ideia ou a razão se originam da força material de produção e reprodução da história. Assinale a alternativa que contém somente assertivas corretas. a) III e IV. b) I e II. c) II e III. d) I e III. 4. (ENEM 2017) A moralidade, Bentham exortava, não é uma questão de agradar a Deus, muito menos de fidelidade a regras abstratas. A moralidade é a tentativa de criar a maior quantidade de felicidade possível neste mundo. Ao decidir o que fazer, deveríamos, portanto, perguntar qual curso de conduta promoveria a maior quantidade de felicidade para todos aqueles que serão afetados. (RACHELS, J. Os elementos da filosofia moral. Barueri-SP: Manole, 2006.) Os parâmetros da ação indicados no texto estão em conformidade com uma a) fundamentação científica de viés positivista. b) convenção social de orientação normativa. c) transgressão comportamentalreligiosa. d) racionalidade de caráter pragmático. e) inclinação de natureza passional. 5. Nietzsche identificou os deuses gregos Apolo e Dionísio, respectivamente, como a) complexidade e ingenuidade: extremos de um mesmo segmento moral, no qual se inserem as paixões humanas. b) movimento e niilismo: polos de tensão na existência humana. c) alteridade e virtu: expressões dinâmicas de intervenção e subversão de toda moral humana. d) razão e desordem: dimensões complementares da realidade. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 23 6. (UEG) No século XIX, o filósofo alemão Friedrich Nietzsche vislumbrou o advento do “super-homem” em reação ao que para ele era a crise cultural da época. Na década de 1930, foi criado nos Estados Unidos o Super-Homem, um dos mais conhecidos personagens das histórias em quadrinhos. A diferença entre os dois “super- homens” está no fato de Nietzsche defender que o super-homem a) agiria de modo coerente com os valores pacifistas, repudiando o uso da força física e da violência na consecução de seus objetivos b) expressaria os princípios morais do protestantismo, em contraposição ao materialismo presente no herói dos quadrinhos c) abdicar-se-ia das regras morais vigentes, desprezando as noções de “bem”, “mal”, “certo” e “errado”, típicas do cristianismo d) representaria os valores políticos e morais alemães, e não o individualismo pequeno burguês norte-americano 7. UFSJ – De acordo com a discussão que Nietzsche realiza sobre a origem dos valores morais, pode-se afirmar que: a) na avaliação reativa, os fracos primeiro avaliam a si mesmos como bons e daí decorre a avaliação do outro, o forte, como mau. b) os gestos úteis foram inicialmente valorados como bons, tendo se tornado hábito passar a considerá-los como bons em si c) a moral escrava tem sua origem no cristianismo, religião na qual a oposição entre bem e mal foi primeiramente constituída d) a filologia mostra que as palavras usadas para designar a nobreza social adquiriram progressivamente o sentido de nobreza de espírito 8. O utilitarismo é uma teoria moral que procura oferecer uma forma de diferenciar ações corretas e incorretas. Qual das alternativas abaixo define melhor o princípio básico do utilitarismo? a) Uma ação moralmente correta é aquela que está de acordo com a regra “não faça aos outros aquilo que não gostaria que fizessem para ti”. b) Uma ação moralmente correta é aquela que produz o maior saldo positivo de prazer ou bem-estar para todos os afetados pela ação, considerados imparcialmente. c) Uma ação moralmente correta é aquela está de acordo com o imperativo categórico. d) Uma ação moralmente correta é aquela que gera mais felicidade para o agente. e) Uma ação moralmente correta é aquela em que a pessoa age com honestidade. 9. A aplicação do princípio utilitarista que diz que devemos maximizar o bem-estar ou as preferências dos envolvidos na ação exige que o agente utilize, para avaliar se está agindo corretamente, a)a fé. b)a razão. c)a intuição. d)o imperativo categórico. e)a emoção. 10. Um dos argumentos geralmente utilizados pelos defensores dos direitos dos animais é de que a criação e abate de animais gera uma quantidade muito grande de sofrimento desnecessário. Se considerarmos imparcialmente, por exemplo, o saldo de prazer que temos ao comê-los e o desprazer gerado aos animais Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 24 para satisfazer esse nosso desejo, concluiremos que usar animais para alimentação é, claramente, uma ação imoral. Qual teoria moral está por trás desse tipo de raciocínio? a) A teoria do bem-estar animal. b) O relativismo moral. c) O utilitarismo. d) A ética kantiana. GABARITO 1 - A 2 - D 3 - D 4 - D 5 - D 6 - C 7 - D 8 - B 9 – B 10 – C 1. Se, pois, para as coisas que fazemos existe um fim que desejamos por ele mesmo e tudo o mais é desejado no interesse desse fim; evidentemente tal fim será o bem, ou antes, o sumo bem. Mas não terá o conhecimento, porventura, grande influência sobre essa vida? Se assim é, esforcemo-nos por determinar, ainda que em linhas gerais apenas, o que seja ele e de qual das ciências ou faculdades constitui o objeto. Ninguém duvidará de que o seu estudo pertença à arte mais prestigiosa e que mais verdadeiramente se pode chamar a arte mestra. Ora, a política mostra ser dessa natureza, pois é ela que determina quais as ciências que devem ser estudadas num Estado, quais são as que cada cidadão deve aprender, e até que ponto; e vemos que até as faculdades tidas em maior apreço, como a estratégia, a economia e a retórica, estão sujeitas a ela. Ora, como a política utiliza as demais ciências e, por outro lado, legisla sobre o que devemos e o que não devemos fazer, a finalidade dessa ciência deve abranger as das outras, de modo que essa finalidade será o bem humano. ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. In: Pensadores. São Pauto: Nova Cultural, 1991 (adaptado). Para Aristóteles, a relação entre o sumo bem e a organização da pólis pressupõe que a) o bem dos indivíduos consiste em cada um perseguir seus interesses. b) o sumo bem é dado pela fé de que os deuses são os portadores da verdade. c) a política é a ciência que precede todas as demais na organização da cidade. d) a educação visa formar a consciência de cada pessoa para agir corretamente. e) a democracia protege as atividades políticas necessárias para o bem comum. 2. Uma sociedade é uma associação mais ou menos autossuficiente de pessoas que em suas relações mútuas reconhecem certas regras de conduto com obrigatórias e que, na maioria das vezes, agem de acordo com elas. Uma sociedade é bom ordenada não apenas quando está planejada para promover o bem de seus membros, mas quando é também efetivamente regulada por uma concepção pública de justiça. Isto é, trata-se de uma sociedade na qual todos aceitam, e sabem que os outros aceitam, o mesmo princípio de justiça. RAWLS, J. Uma teoria da justiça. São Paulo: Martins Fontes, 1997. Adaptado. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 25 A visão expressa nesse texto do século XX remete a qual aspecto do pensamento moderno? a) A relação entre liberdade e autonomia do Liberalismo. b) A independência entre poder e moral do Racionalismo. c) A convenção entre cidadãos e soberano do Absolutismo. d) A dialética entre indivíduo e governo autocrata do Idealismo. e) A contraposição entre bondade e condições selvagem do Naturalismo 3. Hoje, a indústria cultural assumiu a herança civilizatória da democracia de pioneiros e empresários, que tampouco desenvolvera uma fineza de sentido para os desvios espirituais. Todos são livres para dançar e para se divertir do mesmo modo que, desde a neutralização histórica da religião, são livres para entrar em qualquer uma das inúmeras seitas. Mas a liberdade de escolha da ideologia, que reflete sempre a coerção econômica, revela-se em todos os setores como a liberdade de escolher o que é sempre a mesma coisa. ADORNO, T; HORKHEIMER, M. Dialética do esclarecimento: fragmentos filosóficos. Rio de Janeiro; Zahar, 1985 A liberdade de escolha na civilização ocidental, de acordo com a análise do texto, é um(a) a) legado social. b) patrimônio politico. c) produto da moralidade. d) conquista da humanidade. e) ilusão da contemporaneidade. 4. Ser ou não ser — eis a questão. Morrer — dormir — Dormir! Talvez sonhar. Aí está o obstáculo! Os sonhos que hão de vir no sono da morte Quando tivermos escapado ao tumultovital Nos obriguam a hesitar: e é essa a reflexão Que dá à desventura uma vida tão longa. SHAKESPEARE, W. Hamlet. Porto Alegre: L&PM, 2007 Este solilóquio pode ser considerado um precursor do existencialismo ao enfatizar a tensão entre a) consciência de si e angústia humana. b) inevitabilidade do destino e incerteza moral. c) tragicidade da personagem e ordem do mundo. d) racionalidade argumentativa e loucura iminente. e) dependência paterna e impossibilidade de ação. 5. Para Platão, o que havia de verdadeiro em Parmênides era que o objeto de conhecimento é um objeto de razão e não de sensação, e era preciso estabelecer uma relação entre objeto racional e objeto sensível ou material que privilegiasse o primeiro em detrimento do segundo. Lenta, mas irresistivelmente, a Doutrina das Ideias formava-se em sua mente. ZINGANO, M. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. São Paulo: Odysseus, 2012 (adaptado). O texto faz referência à relação entre razão e sensação, um aspecto essencial da Doutrina das Ideias de Platão (427 a.C.-346 a.C.). De acordo com o texto, como Platão se situa diante dessa relação? a) Estabelecendo um abismo intransponível entre as duas. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 26 b) Privilegiando os sentidos e subordinando o conhecimento a eles. c) Atendo-se à posição de Parmênides de que razão e sensação são inseparáveis. d) Afirmando que a razão é capaz de gerar conhecimento, mas a sensação não. e) Rejeitando a posição de Parmênides de que a sensação é superior à razão. 6. TEXTO I Experimentei algumas vezes que os sentidos eram enganosos, e é de prudência nunca se fiar inteiramente em quem já nos enganou uma vez. DESCARTES, R. Meditações Metafísicas. São Paulo: Abril Cultural, 1979. TEXTO II Sempre que alimentarmos alguma suspeita de que uma ideia esteja sendo empregada sem nenhum significado, precisaremos apenas indagar: de que impressão deriva esta suposta ideia? E se for impossível atribuir-lhe qualquer impressão sensorial, isso servirá para confirmar nossa suspeita. HUME, D. Uma investigação sobre o entendimento. São Paulo: Unesp, 2004 (adaptado). Nos textos, ambos os autores se posicionam sobre a natureza do conhecimento humano. A comparação dos excertos permite assumir que Descartes e Hume a) defendem os sentidos como critério originário para considerar um conhecimento legítimo. b) entendem que é desnecessário suspeitar do significado de uma ideia na reflexão filosófica e crítica. c) são legítimos representantes do criticismo quanto à gênese do conhecimento. d) concordam que conhecimento humano é impossível em relação às ideias e aos sentidos. e) atribuem diferentes lugares ao papel dos sentidos no processo de obtenção do conhecimento. 7. Na regulação de matérias culturalmente delicadas, como, por exemplo, a linguagem oficial, os currículos da educação pública, o status das Igrejas e das comunidades religiosas, as normas do direito penal (por exemplo, quanto ao aborto), mas também em assuntos menos chamativos, como, por exemplo, a posição da família e dos consórcios semelhantes ao matrimônio, a aceitação de normas de segurança ou a delimitação das esferas pública e privada – em tudo isso reflete-se amiúde apenas o auto entendimento ético-político de uma cultura majoritária, dominante por motivos históricos. Por causa de tais regras, implicitamente repressivas, mesmo dentro de uma comunidade republicana que garanta formalmente a igualdade de direitos para todos, pode eclodir um conflito cultural movido pelas minorias desprezadas contra a cultura da maioria. HABERMAS, J. A inclusão do outro: estudos de teoria política. São Paulo: Loyola, 2002. A reivindicação dos direitos culturais das minorias, como exposto por Habermas, encontra amparo nas democracias contemporâneas, na medida em que a) a secessão, pela qual a minoria discriminada obteria a igualdade de direitos na condição da sua concentração espacial, num tipo de independência nacional. b) a reunificação da sociedade que se encontra fragmentada em grupos de diferentes comunidades étnicas, confissões religiosas e formas de vida, em torno da coesão de uma cultura política nacional. c) a coexistência das diferenças, considerando a possibilidade de os discursos de auto entendimento se submeterem ao debate público, cientes de que estarão vinculados à coerção do melhor argumento. d) a autonomia dos indivíduos que, ao chegarem à vida adulta, tenham condições Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 27 de se libertar das tradições de suas origens em nome da harmonia da política nacional. e) o desaparecimento de quaisquer limitações, tais como linguagem política ou distintas convenções de comportamento, para compor a arena política a ser compartilhada 8. Nasce daqui uma questão: se vale mais ser amado que temido ou temido que amado. Responde-se que ambas as coisas seriam de desejar; mas porque é difícil juntá- las, é muito mais seguro ser temido que amado, quando haja de faltar uma das duas. Porque dos homens que se pode dizer, duma maneira geral, que são ingratos, volúveis, simuladores, covardes e ávidos de lucro, e enquanto lhes fazes bem são inteiramente teus, oferecem-te o sangue, os bens, a vida e os filhos, quando, como acima disse, o perigo está longe; mas quando ele chega, revoltam-se. MAQUIAVEL, N. O Príncipe. Rio de Janeiro: Bertrand, 1991. A partir da análise histórica do comportamento humano em suas relações sociais e políticas, Maquiavel define o homem como um ser a) munido de virtude, com disposição nata a praticar o bem a si e aos outros. b) possuidor de fortuna, valendo-se de riquezas para alcançar êxito na política. c) guiado por interesses, de modo que suas ações são imprevisíveis e inconstantes. d) naturalmente racional, vivendo em um estado pré-social e portando seus direitos naturais. e) sociável por natureza, mantendo relações pacíficas com seus pares. 9. TEXTO I Há já algum tempo eu me aprecebi de que, desde meus primeiros anos, recebera muitas falsas opiniões como verdadeiras, e de que aquilo que depois eu fundei em princípios tão mal assegurados não podia ser senão mui duvidoso e incerto. Era necessário tentar seriamente, uma vez em minha vida, desfazer-me de todas as opiniões a que até então dera crédito, e começar tudo novamente a fim de estabelecer um saber firme e inabalável. DESCARTES, R. Meditações concernentes à Primeira Filosofia. São Paulo: Abril Cultural, 1973 (adaptado). TEXTO II É o caráter radical do que se procura que exige a radicalização do próprio processo de busca. Se todo o espaço for ocupado pela dúvida, qualquer certeza que aparecer a partir daí terá sido de alguma forma gerada pela própria dúvida, e não será seguramente nenhuma daquelas que foram anteriormente varridas por essa mesma dúvida. SILVA, F. L. Descartes: a metafísica da modernidade. São Paulo: Moderna, 2001 (adaptado). A exposição e a análise do projeto cartesiano indicam que, para viabilizar a reconstrução radical do conhecimento, deve-se a) retomar o método da tradição para edificar a ciência com legitimidade. b) questionar de forma ampla e profunda as antigas ideias e concepções. c) investigar os conteúdos da consciência dos homens menos esclarecidos. d) buscar uma via para eliminar da memória saberes antigos e ultrapassados. e) encontrar ideias e pensamentos evidentes que dispensam ser questionados. 10. Até hoje admitia-se que nosso conhecimento se devia regular pelos objetos; porém, todas as tentativas para descobrir, mediante conceitos, algo que ampliasse nosso conhecimento,malogravam-se com esse pressuposto. Tentemos, pois, uma vez, experimentar se não se resolverão melhor as tarefas da metafísica, admitindo que os objetos se deveriam regular pelo nosso conhecimento. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 28 KANT, I. Crítica da razão pura. Lisboa: Calouste-Gulbenkian, 1994 (adaptado). O trecho em questão é uma referência ao que ficou conhecido como revolução copernicana na filosofia. Nele, confrontam- se duas posições filosóficas que a) assumem pontos de vista opostos acerca da natureza do conhecimento. b) defendem que o conhecimento é impossível, restando-nos somente o ceticismo. c) revelam a relação de interdependência entre os dados da experiência e a reflexão filosófica. d) apostam, no que diz respeito às tarefas da filosofia, na primazia das ideias em relação aos objetos. e) refutam-se mutuamente quanto à natureza do nosso conhecimento e são ambas recusadas por Kant. GABARITO 1. C 2. A 3. E 4. A 5. D 6. E 7. C 8. C 9. B 10. A 1. (Uel 2013) Leia o texto a seguir. O modo de comportamento perceptivo, através do qual se prepara o esquecer e o rápido recordar da música de massas, é a desconcentração. Se os produtos normalizados e irremediavelmente semelhantes entre si, exceto certas particularidades surpreendentes, não permitem uma audição concentrada, sem se tornarem insuportáveis para os ouvintes, estes, por sua vez, já não são absolutamente capazes de uma audição concentrada. Não conseguem manter a tensão de uma concentração atenta, e por isso se entregam resignadamente àquilo que acontece e flui acima deles, e com o qual fazem amizade somente porque já o ouvem sem atenção excessiva. (ADORNO, T. W. O fetichismo na música e a regressão da audição. In: Adorno et all. Textos escolhidos. São Paulo: Abril Cultural, 1978, p.190. Coleção Os Pensadores.) As redes sociais têm divulgado músicas de fácil memorização e com forte apelo à cultura de massa. A respeito do tema da regressão da audição na Indústria Cultural e da relação entre arte e sociedade em Adorno, assinale a alternativa correta. a) A impossibilidade de uma audição concentrada e de uma concentração atenta relaciona-se ao fato de que a música tornou-se um produto de consumo, encobrindo seu poder crítico. b) A música representa um domínio particular, quase autônomo, das produções sociais, pois se baseia no livre jogo da imaginação, o que impossibilita estabelecer um vínculo entre arte e sociedade. c) A música de massa caracteriza-se pela capacidade de manifestar criticamente conteúdos racionais expressos no modo típico do comportamento perceptivo inato às massas. d) A tensão resultante da concentração requerida para a apreciação da música é uma exigência extramusical, pois nossa sensibilidade é naturalmente mais próxima da desconcentração. e) Audição concentrada significa a capacidade de apreender e de repetir os elementos que constituem a música, sendo Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 29 a facilidade da repetição o que concede poder crítico à música. 2. (Uel 2013) Leia o texto a seguir. A utilização da Internet ampliou e fragmentou, simultaneamente, os nexos de comunicação. Isto impacta no modo como o diálogo é construído entre os indivíduos numa sociedade democrática. (Adaptado de: HABERMAS, J. O caos da esfera pública. Folha de São Paulo, 13 ago. 2006, Caderno Mais!, p.4- 5.) A partir dos conhecimentos sobre a ação comunicativa em Habermas, considere as afirmativas a seguir. I. A manipulação das opiniões impede o consenso ao usar os interlocutores como meios e desconsiderar o ser humano como fim em si mesmo. II. A validade do que é decidido consensualmente assenta-se na negociação em que os interlocutores se instrumentalizam reciprocamente em prol de interesses particulares. III. Como regra do discurso que busca o entendimento, devem-se excluir os interlocutores que, de algum modo, são afetados pela norma em questão. IV. O projeto emancipatório dos indivíduos é construído a partir do diálogo e da argumentação que prima pelo entendimento mútuo. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 3. (Ufpa 2013) “Originalmente concebida e acionada para emancipar os homens, a moderna ciência está hoje a serviço do capital, contribuindo para a manutenção das relações de classe. A ciência e a técnica nas mãos dos poderosos [...] controlam a vida dos homens, subjuga-os ao interesse do capital. A produção de bens segue uma lógica técnica, e não à lógica das necessidades reais dos homens.” FREITAG, B. A teoria Crítica ontem e hoje, São Paulo: Brasiliense, 1986, p.94. A autora nos apresenta a visão da Escola de Frankfurt acerca do papel desempenhado pela ciência e pela tecnologia na moderna economia capitalista. Sobre este papel, considere as afirmativas abaixo: I. A ciência e a técnica, além de serem forças produtivas, funcionam como ideologias para legitimar o sistema capitalista. II. Nas mãos do poder econômico e político, a tecnologia e a ciência são empregadas para impedir que as pessoas tomem consciência de suas condições de desigualdade. III. A dimensão emancipadora e crítica da racionalidade moderna foi valorizada na economia capitalista, pois muitas das reivindicações dos trabalhadores foram atendidas a partir do advento da tecnologia. IV. Na economia capitalista, produz-se com eficácia o que dá lucro e não aquilo que os homens necessitam e gostariam de ter ou usar. Estão corretas as afirmativas: a) I e III b) II e III c) III e IV d) I, II e IV e) II, III e IV 4. (Ufsj 2013) “Não que acreditemos que Deus exista; pensamos antes que o Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 30 problema não está aí, no da sua existência [...] os cristãos podem apelidar-nos de desesperados”. Essa afirmação revela o pensador a) Thomas Hobbes, defendendo o seu pensamento objetivo de que “o homem deve ser tomado como um elemento de construção da monarquia”. b) Nietzsche, perseguindo o direito do homem de tomar posse do seu reino animal e da sua superação e de reconduzir-se às verdades implícitas nele próprio. c) Jean-Paul Sartre, desenvolvendo um argumento, no qual chega à conclusão de que o existencialismo é um otimismo. d) David Hume, criticando as clássicas provas a favor da existência de Deus. 5. (Ufsj 2013) Na obra “O existencialismo é um humanismo”, Jean-Paul Sartre intenta a) desenvolver a ideia de que o existencialismo é definido pela livre escolha e valores inventados pelo sujeito a partir dos quais ele exerce a sua natureza humana essencial. b) mostrar o significado ético do existencialismo. c) criticar toda a discriminação imposta pelo cristianismo, através do discurso, à condição de ser inexorável, característica natural dos homens. d) delinear os aspectos da sensação e da imaginação humanas que só se fortalecem a partir do exercício da liberdade. 6. (Unioeste 2012) “O que significa aqui o dizer-se que a existência precede a essência? Significa que o homem primeiramente existe, se descobre, surge no mundo; e que só depois se define. O homem, tal como o concebe o existencialista, se não é definível, é porque primeiramente não é nada. Só depois será alguma coisa e tal como a si próprio se fizer. (...) O homem é, não apenas como ele se concebe, mas como ele quer que seja,como ele se concebe depois da existência, como ele se deseja após este impulso para a existência; o homem não é mais que o que ele faz. (...) Assim, o primeiro esforço do existencialismo é o de por todo o homem no domínio do que ele é e de lhe atribuir a total responsabilidade de sua existência. (...) Quando dizemos que o homem se escolhe a si, queremos dizer que cada um de nós se escolhe a si próprio; mas com isso queremos também dizer que, ao escolher- se a si próprio, ele escolhe todos os homens. Com efeito, não há de nossos atos um sequer que, ao criar o homem que desejamos ser, não crie ao mesmo tempo uma imagem do homem como julgamos que deve ser”. Sartre. Considerando a concepção existencialista de Sartre e o texto acima, é incorreto afirmar que a) o homem é um projeto que se vive subjetivamente. b) o homem é um ser totalmente responsável por sua existência. c) por haver uma natureza humana determinada, no homem a essência precede a existência. d) o homem é o que se lança para o futuro e que é consciente deste projetar-se no futuro. e) em suas escolhas, o homem é responsável por si próprio e por todos os homens, porque, em seus atos, cria uma imagem do homem como julgamos que deve ser. 7. (Ufsj 2012) “Subjetividade” e “intersubjetividade” são conceitos com os quais Sartre pontua o seu existencialismo. Nesse contexto, tais conceitos revelam que a) o cogito cartesiano desabou sobre o existencialismo na mesma proporção com que a virtu socrática precipitou-se sobre o materialismo dialético do século XX. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 31 b) “Penso, logo existo” deve ser o ponto de partida de qualquer filosofia. Tal subjetividade faz com que o Homem não seja visto como objeto, o que lhe confere verdadeira dignidade. A descoberta de si mesmo o leva, necessariamente, à descoberta do outro, implicando uma intersubjetividade. c) o Homem é dado, é unidade, é união e é intersubjetividade; portanto, a sua existência é agregadora e desapegada da tão apregoada subjetividade clássica, por isso mesmo tão crucial para Sartre. d) não há um só lampejo de subjetividade que não tenha se reinaugurado na intersubjetividade, isto é, na idealidade que instrui as prerrogativas para se instalarem as escolhas do sujeito, definindo-o. 8. (Unimontes 2012) A Escola de Frankfurt foi fundada em 1923, sob o nome de Instituto para a Pesquisa Social. Marque a alternativa que contempla os principais pensadores da Escola de Frankfurt. a) Theodor Adorno, Platão, Herbert Marcuse e Walter Benjamin. b) Tomás de Aquino, Marx Horkheimer, Herbert Marcuse e Walter Benjamin. c) Theodor Adorno, Marx Horkheimer, Herbert Marcuse e Tobias Barreto. d) Theodor Adorno, Marx Horkheimer, Herbert Marcuse e Walter Benjamin. 9. (Uncisal 2012) Observe o trecho da música “Admirável Gado Novo”, de Zé Ramalho, e perceba que sua análise pode nos levar a discutir o conceito de alienação. O povo foge da ignorância Apesar de viver tão perto dela E sonha com melhores tempos idos Contemplam essa vida numa cela... Espera nova possibilidade De ver este mundo se acabar A Arca de Noé, o dirigível Não voam nem se pode flutuar Seguindo o pensamento de Karl Marx, veremos que a alienação se dá em uma situação determinada que gera toda uma gama de desdobramentos e consequências. Tal situação ocorre na esfera a) religiosa, por meio das concepções escatológicas. b) cientifica, com a ampliação do conhecimento. c) política, por meio da organização partidária. d) cultural, com o avanço da cultura de massa. e) produtiva, a partir das relações de produção. 10. (Ufu 2012) Leia o excerto abaixo e assinale a alternativa que relaciona corretamente duas das principais máximas do existencialismo de Jean-Paul Sartre, a saber: i. “a existência precede a essência” ii. “estamos condenados a ser livres” Com efeito, se a existência precede a essência, nada poderá jamais ser explicado por referência a uma natureza humana dada e definitiva; ou seja, não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Por outro lado, se Deus não existe, não encontramos já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. [...] Estamos condenados a ser livres. Estamos sós, sem desculpas. É o que posso expressar dizendo que o homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz. SARTRE, Jean-Paul. O Existencialismo é um Humanismo. 3ª. ed. S. Paulo: Nova Cultural, 1987. a) Se a essência do homem, para Sartre, é a liberdade, então jamais o homem pode ser, em sua existência, condenado a ser livre, o que seria, na verdade, uma contradição. b) A liberdade, em Sartre, determina a essência da natureza humana que, Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 32 concebida por Deus, precede necessariamente a sua existência. c) Para Sartre, a liberdade é a escolha incondicional, à qual o homem, como existência já lançada no mundo, está condenado, e pela qual projeta o seu ser ou a sua essência. d) O Existencialismo é, para Sartre, um Humanismo, porque a existência do homem depende da essência de sua natureza humana, que a precede e que é a liberdade. 11. (Ueg 2012) “Uma moral racional se posiciona criticamente em relação a todas as orientações da ação, sejam elas naturais, auto evidentes, institucionalizadas ou ancoradas em motivos através de padrões de socialização. No momento em que uma alternativa de ação e seu pano de fundo normativo são expostos ao olhar crítico dessa moral, entra em cena a problematização. A moral da razão é especializada em questões de justiça e aborda em princípio tudo à luz forte e restrita da universalidade.” (HABERMAS, Jürgen. Direito e democracia: entre facticidade e validade. v. I. Trad. Flávio Beno Siebeneichler. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1997. p. 149.) Com base no texto e nos conhecimentos sobre a moral em Habermas, é correto afirmar: a) A formação racional de normas de ação ocorre independentemente da efetivação de discursos e da autonomia pública. b) O discurso moral se estende a todas as normas de ações passíveis de serem justificadas sob o ponto de vista da razão. c) A validade universal das normas pauta-se no conteúdo dos valores, costumes e tradições praticados no interior das comunidades locais. d) A positivação da lei contida nos códigos, mesmo sem o consentimento da participação popular, garante a solução moral de conflitos de ação. e) Os parâmetros de justiça para a avaliação crítica de normas pautam-se no princípio do direito divino. 12. (Ueg 2012) O filósofo judeu Ludwig Wittgenstein (1889-1951) afirmava que “tudo que podia ser pensado podia ser dito”. Para ele, “nada pode ser dito sobre algo, como Deus, que não podia ser pensado direito” e “sobre o que não se pode falar, deve-se ficar calado”. Com base nessas teses fundamentais do pensamento de Wittgenstein, pode-se interpretar sua filosofia como a) a busca pela clareza na filosofia, evitando-se temas metafísicos. b) o fundamento da censura no mundo moderno, uma vez que inibe o livre pensamento. c) uma tentativa de combater o nazismo e suas ideias absurdas, indizíveis. d) uma tentativa de transformar o debate filosófico num debate retórico. 1. A 2. B 3. D 4. C 5. B 6. C 7. B 8. D 9. E 10. C 11. B 12. A QUESTÃO 01 Leia o texto e responda à pergunta a seguir. "Muitas têm sido as explicações das causas históricas para a origem da filosofia na Jônia. Alguns consideram que as navegações e as transformações técnicas tiveram o poder dedesencantar o mundo e forçar o surgimento de explicações racionais sobre a realidade. Outros enfatizam a invenção do calendário (tempo abstrato), da moeda (signo abstrato para a ação de troca) e da escrita alfabética (transcrição abstrata da palavra e do pensamento), que teriam propiciado o desenvolvimento da capacidade de abstração dos gregos, abrindo caminho para a filosofia. Sem dúvida, esses fatores foram importantes e não podem ser desconsiderados e minimizados, mas não foram os principais" (CHAUÍ, M. Introdução à história da filosofia Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 33 - dos pré-socráticos a Aristóteles. São Paulo: Brasiliense, 1994 - p. 35). A principal determinação histórica para o nascimento da filosofia é: (A) política: o nascimento, simultâneo a ela, da Cidade-Estado, isto é, da polis, pois, com esta, desaparece a figura que foi a do antecessor do filósofo, o Mestre da Verdade (o poeta, o adivinho e o rei-da-justiça). (B) ética: na Grécia arcaica a palavra verdadeira ou alétheia nasce simultaneamente à filosofia, pois é esta palavra eficaz que dá origem ao logos em oposição à doxa. (C) mitológica: o nascimento, simultâneo a ela, do oráculo de Delfos, marcando, de forma decisiva, a vinculação entre a filosofia e mitologia. (D) épica: o nascimento, simultâneo a ela, de uma nova classe de homens, aqueles que têm direito à palavra, os guerreiros; no entanto, não se trata mais daquela palavra religiosa, solitária e unilateral, própria dos iniciados, mas sim da palavra compartilhada, dita em público, de maneira leiga e humana. (E) teórica: a filosofia nasce da contemplação desinteressada, ela é simultânea ao nascimento da ontologia ou metafísica, isto é, à pretensão do logos em atingir o universal (o Ser). QUESTÃO 02 O fato científico (A) consiste em um método de interpretação conceitual-filosófico, posterior ao procedimento analítico. (B) é o procedimento analítico por excelência das ciências humanas, encarregado de vincular os elementos subjetivos e objetivos de um fenômeno. (C) ou o objeto científico são dados empíricos espontâneos de nossa experiência cotidiana, arrolados pelos cientistas para verificação e classificação estatísticas. (D) ou o objeto científico são dados empíricos construídos pela investigação científica. (E) demonstra, prova e prevê uma teoria científica. QUESTÃO 03 Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta. ( ) O trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da Filosofia, mesmo que o cientista não seja filósofo. ( ) Admiração e espanto são atitudes filosóficas que significam: tomamos distância do nosso mundo costumeiro e, mediante nosso pensamento, como se estivéssemos acabando de nascer para o mundo e para nós mesmos, perguntamos o que é, por que é, e como é o mundo. ( ) A Filosofia pode ser considerada Ciência, é assim desde a antiguidade clássica; ambas trabalham com enunciados rigorosos, buscam encadeamento lógico entre os enunciados, operam com conceitos obtidos por procedimentos de demonstração e prova. Por isso, a Filosofia, assim como as Ciências, exige a fundamentação racional e sistemática do que é enunciado e pensado. ( ) A reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de questões: O que é pensar, falar e agir? E elas pressupõem a seguinte pergunta: nossas crenças cotidianas são ou não são um saber verdadeiro, um conhecimento? ( ) A atitude científica depende de nossos saberes cotidianos, por isso, ela não se distingue da atitude costumeira ou do senso comum. Não podemos negar ao menos duas características pressupostas a ambas as atitudes: objetividade - isto é, procuram as estruturas necessárias das coisas Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 34 investigadas - e generalização - tendem a reunir numa ideia coisas e fatos julgados semelhantes, procurando estabelecer relações de causa e efeito. (A) V - V - F - V - F. (B) F - V - V - V - V. (C) F - V - F - F - F. (D) V - F - V - V - V. (E) V - F - F - V - V. QUESTÃO 04 Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a seguir e assinale a alternativa com a sequência correta. ( ) No Mito da Caverna, de Platão, aquele que atingiu a contemplação da luz e saiu da caverna, o filósofo, deve a ela retornar para libertar aqueles que ficaram e têm as sombras como única realidade. Esse retorno é voluntário e é aqui que podemos inserir a pergunta pela função social do filósofo: a interferência no social, simbolizada pela volta à caverna, caracteriza-se principalmente pela educação. ( ) É interessante notar que, ao contrário de Sócrates, e mesmo ao contrário de Platão, Descartes não manifesta nenhuma intenção expressa de interferência na sociedade. A partir da certeza absoluta de que encontrou o método e o fundamento da verdadeira filosofia. E, no entanto, em termos da significação da sua obra, mesmo de sua atitude filosófica, o que temos nele são os fundamentos da civilização moderna. ( ) Sabemos que o Brasil é um país com uma débil tradição filosófica. Desde sua implantação, em meados do século XVIII, a filosofia foi ensinada de forma dogmática, carregada de uma forte filosofia tomista - tanto no ensino médio quanto posteriormente nas universidades. Dessa forma, o papel social do filósofo brasileiro tem sido, desde sua origem, meramente pedagógico, sem nenhuma envergadura política de peso. ( ) Lemos claramente nos PCNs (1999) que a função social do filósofo no ensino médio é formar futuros filósofos. Essa proposta parte do pressuposto de que o ensino médio deve ser uma transposição reduzida do currículo acadêmico. No entanto, esse documento é enfático em afirmar que, ainda que se deva partir dos conhecimentos acadêmicos, deve-se evitar o academicismo. (A) F - V - F - V. (B) V - V - F - F. (C) F - V - V - V. (D) V - F - F - F. (E) V - V - F - V. QUESTÃO 05 O Método Dedutivo nasce com René Descartes e progressivamente vai sendo utilizado por todos os campos do saber. Embora sua definição seja aparentemente fácil, equívocos podem ser cometidos em sua conceituação. Das características ou definições do Método Dedutivo, a partir de Descartes, marque somente a incorreta: a) Método dedutivo é a modalidade de raciocínio lógico que faz uso da dedução para obter uma conclusão a respeito de determinada premissa. b) É um método que utiliza variações do pensamento para fazer afirmações supostamente verdadeiras dentro de um contexto, tópico, assunto ou colocação. c) É um método que parte do geral para o particular para descobrir verdades não explicitadas. d) Em certo sentido, o método dedutivo segue um caminho inverso ao do método indutivo. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 35 Leia o texto para responder às questões de números 06 e 07. "A caverna (...) é o mundo sensível onde vivemos. O fogo que projeta as sombras na parede é um reflexo da luz verdadeira (do Bem e das ideias) sobre o mundo sensível. Somos os prisioneiros. As sombras são as coisas sensíveis, que tomamos pelas verdadeiras, e as imagens ou sombras dessas sombras, criadas por artefatos fabricadores de ilusões. Os grilhões são nossos preconceitos, nossa confiança em nossos sentidos, nossas paixões e opiniões. O instrumento que quebra os grilhões e permite a escalada do muro é a dialética. O prisioneiro curioso que escapa é o filósofo. A luz que ele vê é a luz plena do ser, isto é, o Bem, que ilumina o mundo inteligívelcomo o Sol ilumina o mundo sensível. O retorno à caverna para convidar os outros a sair dela é o diálogo filosófico, e as maneiras desajeitadas e insólitas do filósofo são compreensíveis, pois quem contemplou a unidade da verdade já não sabe lidar habilmente com a multiplicidade das opiniões nem mover-se com engenho no interior das aparências e ilusões. Os anos despendidos na criação do instrumento para sair da caverna são o esforço da alma para libertar-se. Conhecer é, pois, um ato de libertação e de iluminação. A Paideia filosófica é uma conversão da alma voltando-se do sensível para o inteligível. Essa educação não ensina coisas nem nos dá a visão, mas ensina a ver, orienta o olhar, pois a alma, por sua natureza, possui em si mesma a capacidade para ver." [Marilena Chauí] QUESTÃO 06 De acordo com o texto, pode-se afirmar que: a) O conhecimento filosófico é o único que pressupõe o acesso ao mundo sensível. b) Filosofar é um instrumento de alienação para quem sai da caverna. c) O filósofo, por sua busca, tem uma visão mais abrangente do conhecimento. d) A unidade da verdade não permite divagações metafísicas. QUESTÃO 07 Ainda sobre o texto, pode-se afirmar que: a) O processo de esclarecimento por meio da filosofia pressupõe a iluminação das coisas sensíveis pelos fabricadores de ilusões. b) A Paidéia filosófica é um processo de dissolução de preconceitos e de ideias ligadas ao senso comum. c) A alegoria da caverna não se adequa às realidades contemporâneas. d) Convidar as pessoas para saírem da caverna é um contrassenso, pois somente o filósofo pode sair da caverna. QUESTÃO 08 Sobre as relações entre Ciência e Senso Comum, marque a alternativa FALSA, ou seja, aquela que não descreve adequadamente essa relação ou alguns de seus termos. a) "O senso comum e a ciência são expressões da mesma necessidade básica, a necessidade de compreender o mundo, a fim de viver melhor e sobreviver. E para aqueles que teriam a tendência de achar que o senso comum é inferior à ciência (...), por dezenas de milhares de anos os homens sobreviveram sem coisa alguma que se assemelhasse a essa nossa ciência". b) "O bom senso [ou senso comum] é simplesmente o depósito intelectual indiferenciado resultante da série de experiências fecundas da espécie, do grupo social e do indivíduo, que se transmite em forma não-sistemática, por herança racional, e não em caráter de conhecimento refletido". Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 36 c) "O senso comum é marcado pela falta de qualquer conteúdo racional, não se constituindo em nenhum momento uma construção cognitiva válida. A ciência representa uma ruptura radical com o senso comum, ao substituí-lo por uma compreensão do real racionalmente construída. O senso comum é irracional e a ciência representa a racionalidade do ser humano". d) "Enquanto o saber comum observa um fato a partir do conjunto de dados sensíveis que formam a nossa percepção imediata, pessoal e efêmera do mundo, o fato científico é um fato abstrato, isolado do conjunto em que se encontra normalmente inserido e elevado a um grau de generalidade (...). Isso supõe uma capacidade de racionalização dos dados recolhidos, que nunca aparecem como dados brutos, mas sempre passíveis de interpretação". e) "A ciência não é um órgão novo do conhecimento. A ciência é a hipertrofia de capacidades que todos têm. Isto pode ser bom, mas pode ser muito perigoso. Quanto maior a visão em profundidade, menor a visão em extensão. A tendência da especialização [na ciência] é conhecer cada vez mais de cada vez menos. [Nesse sentido], a aprendizagem da ciência é um processo de desenvolvimento progressivo do senso comum. Só podemos ensinar e aprender partindo do senso comum de que o aprendiz dispõe". QUESTÃO 09 Sobre a caracterização, conceituação e importância da Filosofia na contemporaneidade, marque a alternativa FALSA. a) "A filosofia, contrariamente às diversas ciências, não pretende explicar fatos. [Da perspectiva dos filósofos] a questão "O que é, em geral, um fato?" é, ao contrário, um verdadeiro problema. Mesmo que um filósofo chegue a elucidar, a seu modo, a noção de "fato", não terá contudo determinado nenhum fato que pudesse explorar, à maneira do cientista". b) "Aceitar o pluralismo como condição inelutável da filosofia não é resignar-se a um ecletismo bendito. Reconhece-se, então, simplesmente que a própria ideia de trabalho filosófico marcado estilisticamente conduz a aceitar a presença simultânea e a permanência, no tempo, de sistemas irreconciliáveis entre si e que não poderiam mutuamente se refutar do exterior, por assim dizer. Cada um deles só pode ser realmente atacado, modificado, transformado do interior". c) "Uma filosofia que não integre ou integre mal no seu sistema de significados uma etapa suficientemente contemporânea de ciência, não poderia satisfazer-nos totalmente. (...) Observaremos, a propósito disso, que nenhuma das grandes filosofias do passado furtou-se à necessidade de assimilar um sentido - mesmo minimizado - à obra científica. Do ponto de vista que apresentamos, uma filosofia da ciência aparece, pois, não como elemento determinante e dominador, mas certamente como elemento crítico e revelador, como um dos pontos mais sensíveis cuja exploração pode revelar, melhor que outros, o grau de validade de um conhecimento científico". d) "Se nós considerarmos que a filosofia é, em primeiro lugar, um trabalho para transformar uma experiência imediatamente vivida numa experiência compreendida e, portanto, a filosofia é um trabalho para transformar uma experiência em um saber a respeito dessa mesma, o campo da filosofia é vastíssimo. É o campo de todas as experiências possíveis...". e) "O trabalho filosófico é um trabalho essencialmente técnico, na medida em que exige formação técnica específica para ser levado a cabo em sua especificidade epistêmica. Assim como a ciência, a filosofia representa uma ruptura integral com as determinações do senso comum, escapando da dimensão existencial e alçando voo para um patamar reflexivo marcado pela completa neutralidade e a- historicidade de suas formulações". Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 37 Leia o fragmento para responder às questões 10 E 11. "Lembremos a figura de Sócrates. Dizem que era um homem feio, mas que, quando falava, exercia estranho fascínio. Procurado pelos jovens, passava horas discutindo na praça pública. Interpelava os transeuntes, dizendo-se ignorante, e fazia perguntas aos que julgavam entender determinado assunto: "O que é a coragem e a covardia?", "O que é a beleza?", "O que é a justiça?", "O que é a virtude?". Desse modo, Sócrates não fazia preleções, mas dialogava. Ao final, o interlocutor concluía não haver saída senão reconhecer a própria ignorância. A discussão tomava outro rumo, na tentativa de explicitar melhor o conceito". (ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. MARTINS, Maria Helena Pires. Filosofando: Introdução à Filosofia, 2009, p.21). QUESTÃO 10 A partir do fragmento acima exposto, é correto afirmar sobre o pensamento socrático: I. que se define enquanto saber inacabado, porque é dinâmico e está em construção; II. que é por natureza dogmático, já que o próprio Sócrates é detentor de um saber; III. que não faz de Sócrates "um ser que ilumina", já que o caminho por ele proposto é o da discussão intersubjetiva e dialogal. É correto o que se afirma em: (A) I e III, apenas. (B) I, II, e III. (C) II e III, apenas. (D) I e II, apenas. QUESTÃO 11 Por meio dodiálogo, Sócrates construía com seus interlocutores uma relação pautada em perguntas, respostas e novas perguntas. Tal método também ficou conhecido como maiêutica, e sobre ele é correto afirmar que: (A) tem como finalidade uma conclusão efetiva, ainda que seu interlocutor não abandone a doxa. (B) a verdade descoberta por seu interlocutor consiste em uma novidade ontológica. (C) enquanto dizia saber apenas que não sabia, Sócrates propunha o "não saber" como termo à sua filosofia. (D) possibilitava Sócrates ajudar seus interlocutores a dar à luz ideias que já estavam neles. QUESTÃO 12 Muito já se disse acerca das relações entre mito e filosofia. Há aqueles, como o inglês Francis Macdonald Cornford, que, ainda que tenham suas diferenças, há vínculos do mito na filosofia. Porém, ao contrário desta teoria da continuidade, estudiosos do assunto, como Jean-Pierre Vernant, defendem a ruptura entre mito e filosofia. Considerada esta última hipótese, pode- se afirmar que a ruptura entre mito e filosofia se dá porque: (A) o mito tem caráter cosmológico, enquanto a filosofia explica o universo a partir de bases racionais. (B) a inteligibilidade do mito é dada, enquanto a filosofia busca a definição rigorosa de conceitos. (C) o mito possui uma relação crítica com seu conteúdo, enquanto a filosofia jamais é crítica de si mesma. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 38 (D) o mito é narrativo, enquanto que a filosofia é descritiva. QUESTÃO 13 Sobre as origens da Filosofia, é correto afirmar: a) Surgiu na Grécia, em torno do século VI a.C., quando os gregos perceberam que as explicações míticas não eram suficientes para explicar os fenômenos da natureza. b). Está relacionada com as conquistas gregas do Oriente por Alexandre Magno, em torno do século III a.C., e o fenômeno denominado Helenismo pelos conquistadores. c). Tornou-se uma disciplina de reflexão e crítica proporcionada pela conquista da Grécia pelos romanos, em torno do século II a.C., e a transferências de sábios para a cidade de Roma. d). Está vinculada à publicação do livro a República de Platão, em torno do século IV a.C., quando as diferentes formas de conhecimento foram impressas em pergaminhos. e). Surgiu com os primeiros relatos do historiador Heródoto, em torno do século V a.C., ao refletir sobre o significado da vitória contra os persas na Batalha de Maratona. QUESTÃO 14 "Quem são os verdadeiros filósofos? Aqueles que amam a verdade" (Platão). "A crença forte só prova a sua força, não há a verdade daquilo em que se crê" (Nietzsche). "Não há verdade primeira, só há erros primeiros" (Bachelard). Para a atitude crítica ou filosófica, a verdade nasce da decisão e da deliberação de encontrá-la, da consciência da ignorância, do espanto, da admiração e do desejo de saber. Nessa busca, a Filosofia é herdeira de três grandes concepções da verdade: a) Evidência - conservador - verificação. b) Dogmática - sintaxe - semântica. c) Prática-coerência - juízo-real - uso-valor. d) Ver-perceber - falar-dizer - crer-confiar. QUESTÃO 15 Em filosofia, o conceito de "mundos possíveis" é usado para expressar: a) Princípios de permanência e transformação. b) Dependências e processos sociais (trabalho e facticidade). c) Modalidades (possibilidade, necessidade e contingência). d) Ideologia, identidade e utopia. QUESTÃO 16 Filósofo, matemático e fisiologista, o francês René Descartes é considerado o pai da matemática e da filosofia moderna. Em 1637, publica três pequenos tratados científicos: A Dióptrica, Os Meteoros e A Geometria, mas o prefácio dessas obras é que faz seu futuro reconhecimento: o Discurso sobre o método. O propósito inicial era encontrar um método seguro que o conduzisse a verdade indubitável. Assinale a opção correta quanto as quatro regras básicas do método. A) 1º Da dúvida/evidência / 2º Da divisão/simplificação / 3º Revisão/exatidão/ 4º Do ordenamento/enumeração B) 1º Princípio: Da dúvida/evidência / 2° consistia em dividir cada uma das dificuldades que examinava em tantas parcelas quantas fosse possível e fosse necessário, para melhor as resolver. 3º Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 39 Princípio: do ordenamento/enumeração / 4° consistia em fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais, que tivesse a certeza de nada omitir. C) 1° Nunca aceitar coisa alguma por verdadeira, sem que a conhecesse evidentemente como tal/ 2° consistia em conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, gradualmente, até ao conhecimento dos mais complexos, não deixando de supor certa ordem entre aqueles que não se sucedem naturalmente uns aos outros/ 3º Princípio: Da divisão/simplificação / 4º Princípio: Revisão/exatidão. D) 1° Consistia em fazer sempre enumerações tão completas e revisões tão gerais, que tivesse a certeza de nada omitir / 2º Da divisão/simplificação / 3º Revisão/exatidão / 4° consistia em conduzir por ordem os meus pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, pouco a pouco, gradualmente, até ao conhecimento dos mais complexos, não deixando de supor certa ordem entre aqueles que não se sucedem naturalmente uns aos outros. E) 1º Da dúvida/evidência/ 2° consistia em dividir cada uma das dificuldades que examinava em tantas parcelas quantas fosse possível e fosse necessário, para melhor as resolver/ 3º Da divisão/simplificação / 4º Do ordenamento/enumeração. QUESTÃO 17 "O principio primordial deveria ser algo que transcendesse os limites do observável, ou seja, não se situaria em uma realidade ao alcance dos sentidos, como a água, seria, portanto, o indeterminado...". CHÂTELET, História da filosofia. "a filosofia grega parece começar com uma ideia absurda, com a proposição: a água é a origem e a matiz de todas as coisas. Será mesmo necessário deter-nos nela e levá-la a sério? Sim, e por três razões: em primeiro lugar, porque essa proposição enuncia algo sobre a origem das coisas; em segundo lugar, porque o faz sem imagem e fabulação; e, enfim, em terceiro lugar, porque nela, embora apenas em estado de crisália, está contido o pensamento: "Tudo é um".NIETZSCHE, A filosofia na época trágica dos gregos. "Como nossa alma, que é o ar, soberanamente nos mantém unidos, assim também todo o cosmo sopro e ar o mantém". Pré-socráticos. No vasto mundo grego, a filosofia teve como berço a cidade de Mileto. Caracterizada por múltiplas influências culturais e por um rico comércio, Mileto abrigou os três primeiros pensadores da história ocidental, que tentaram descobrir, com base na razão e não na mitologia, o principio substancial. Sendo assim, a partir dos conhecimentos sobre a filosofia Pré-socrática, os trechos acima se referem respectivamente aos filósofos: A) Anaxímenes, Tales e Anaximandro. B) Anaxímenes, Anaximandro e Tales. C) Anaximandro, Tales e Parmênides. D) Anaxímenes, Tales e Parmênides. E) Anaximandro, Tales e Anaxímenes. QUESTÃO 18 O momento histórico da passagem do mito ao nascimento da filosofia da Grécia antiga teve como um dos fatores a: A) A condição geográfica do território grego proporcionou a expansão em direção ao exterior, favorecendo o comercio marítimo, Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 40 contribuindo para o processo de desmistificação. B) A reinvenção de uma escrita, estimulando o pensamento crítico, enquanto as leis escritas foramresponsáveis pela permanência no poder da classe rica já existente. C) A organização política relacionada aos limites geográficos do território grego permitiu a formação de um grande e único império. D) O ambiente da polis estimulava o debate em praça pública, fazendo nascer a política e o cidadão, mesmo sendo suas decisões ainda sob o poder da vontade dos deuses. E) Todas as alternativas anteriores estão corretas QUESTÃO 19 O mito é a forma mais remota de crença, narrativas sobre a origem do mundo, dos homens e das coisas da natureza. Sobre o mito, assinale a alternativa INCORRETA. A) Procura explicar de forma narrativa e simbólica, uma realidade "misteriosa" para o homem. B) O mito está impregnado do desejo humano de afugentar a insegurança, os temores e a angustia diante do desconhecido. C) O mito formava para os gregos um sistema fácil, onde os fenômenos naturais ocorrem de forma objetiva. D) Explica a realidade, como também acomoda e tranquiliza o ser humano em seu mundo assustador. E) O mito grego "As moiras", eram as divindades irmãs que regulavam a duração da vida dos seres humanos desde o nascimento até a morte. QUESTÃO 20 Quanto ao pensamento filosófico ou simplesmente o filosofar, nasce do desejo de perguntar, de conhecer, de investigar, de encontrar soluções que o incentivem o homem a evoluir, sendo assim podemos afirmar que a filosofia: A) Interessa-se pela própria inteligência e pela realidade de uma forma geral. B) Não se satisfaz apenas com os resultados apresentados pelas ciências e sempre procura ir além, mas sem discutir com seus propósitos políticos e sociais. C) Usa-se de argumentos por vezes inválidos para justificar seus conhecimentos. D) Tem como método também utilizado, as opiniões pessoais. E) Todas as alternativas anteriores estão incorretas. QUESTÃO 21 Observe o exemplo: O mercúrio é um metal. Ora, o mercúrio não é sólido. Logo, algum metal não é sólido. O exemplo é uma argumentação composta por três proposições, em que a última, a conclusão, derivam logicamente das duas anteriores, chamadas de premissas. Aristóteles denomina esse tipo de argumento como: A) Silogismo B) Dedução Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 41 C) Inferência D) Sofisma E) Analogia QUESTÃO 22 Descartes inicia sua obra filosófica fazendo um balanço de tudo o que sabia, ao final, conclui que tudo quanto aprendera tudo quanto sabia e tudo quanto conhecera pela experiência era duvidoso e incerto e acaba não aceitando nenhum dos conhecimentos aprendidos, a menos que pudesse provar racionalmente que eram certos e dignos de confiança. Enfim, submete todos os conhecimentos existentes em sua época e os seus próprios a um exame crítico que ficou conhecido como: A) Dúvida metódica B) Dúvida socrática C) Dúvida existente D) Dúvida filosófica E) Dúvida existente QUESTÃO 23 As indagações fundamentais da atitude filosófica e da reflexão filosófica não se realizam ao acaso. A filosofia não é feita de "achismos" nem é pesquisa de opinião à maneira dos meios de comunicação de massa. As indagações filosóficas se realizam de modo sistemático. Sabendo disso, é correto afirmar que o conhecimento filosófico é um trabalho intelectual onde: A) As respostas estejam relacionadas entre si e esclareçam umas às outras. B) Contenta-se exclusivamente em obter respostas para as questões que se apresentam. C) As respostas formem conjuntos coerentes de ideias. D) As respostas sejam provadas e demonstradas racionalmente. E) As respostas formem conjuntos coerentes de significações. QUESTÃO 24 Ao se estudar filosofia, somos levados a buscar o que ela é e descobrimos que não há apenas uma definição de filosofia, mas várias. Considerando as concepções de filosofia existentes é correto afirmar que: I - Platão mostra que o espanto é a fonte da dúvida e que muitas vezes é causado de forma natural ou de forma forçada causada pelo próprio filósofo que deseja abrir uma discussão sobre o assunto a ser tratado. II - Aristóteles mostra que os homens vão à busca de sabedoria e que quando começam a filosofar se deparam com a dúvida deixando-os perplexos diante das dificuldades, mas que com passar do tempo, vão conseguir enfrentar problemas bem maiores do que aqueles que os deixaram perplexos no início. III - Descartes mostra que nós precisamos desconfiar de tudo que pode nos causar alguma dúvida e que nos devemos considerar que coisas que nos parecem verdadeiras podem ser certas e mais fáceis de desvendar. IV - Kant mostra que o filosofar só é possível quando exercitando a razão, fazendo-a seguir os princípios universais. A) As afirmativas I,II e III estão corretas. B) As afirmativas II e IV estão corretas C) As afirmativas I, III e IV estão corretas Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 42 D) As afirmativas I e IV estão corretas E) As afirmativas I, II, III e IV estão corretas. QUESTÃO 25 "A Filosofia é uma reflexão crítica a respeito do conhecimento e da ação, a partir da análise dos pressupostos do pensar e do agir e, portanto, como fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas." (Fonte: MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais do Ensino Médio Mais (PCN+EM)). Sobre a reflexão crítica, assinale a alternativa INCORRETA. a) A Filosofia indaga sobre o significado e realidade das coisas. b) A Filosofia questiona como as coisas e a realidade se estruturam. c) A Filosofia pergunta o que são as coisas, suas origens, causas e efeitos. d) A Filosofia é um processo de reflexão, um "conhece-te a ti mesmo". e) Para a Filosofia não é necessário compreender nossa capacidade de conhecer. QUESTÃO 26 "A reflexão filosófica é o movimento pelo qual o pensamento, examinando o que é pensado por ele, volta-se para si mesmo como fonte desse pensamento" (CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Editora Ática, 2005, p. 20). A esse respeito assinale a alternativa INCORRETA. a) A reflexão filosófica é radical, isso significa que ela vai à raiz do problema. b) A base da reflexão filosófica encontra-se exclusivamente no mundo objetivo, na realidade exterior dos homens. c) Podemos dizer que a reflexão filosófica é o pensamento interrogando a si mesmo. d) A reflexão filosófica é questionamento, "por quê?", "o quê?" e "para quê?". e) A crítica faz parte do processo de reflexão filosófica. QUESTÃO 27 (ENEM) Apesar de seu disfarce de iniciativa e otimismo, o homem moderno está esmagado por um profundo sentimento de impotência que o faz olhar fixamente e, como que paralisado, para as catástrofes que se avizinham. Por isso, desde já, salienta-se a necessidade de uma permanente atitude crítica, o único modo pelo qual o homem realizará sua vocação natural de integrar-se, superando a atitude do simples ajustamento ou acomodação, aprendendo temas e tarefas de sua época. FREIRE. P. Educação como prática da liberdade. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 2011. Paulo Freire defende que a superação das dificuldades e a apreensão da realidade atual será obtida pelo(a) a) desenvolvimento do pensamento autônomo. b) obtenção de qualificação profissional. c) resgate de valores tradicionais. d) realização de desejos pessoais. e) aumento da renda familiar. QUESTÃO 28 (ENEM) Todo o poder criativo da mente se reduz a nada mais do que a faculdade de compor, transpor, aumentar ou diminuir os materiais que nos fornecem os sentidos e a experiência. Quando pensamos em uma montanha de ouro, não fazemos mais do que juntar duasideias consistentes, ouro e a montanha, que já conhecíamos. Podemos conceber um cavalo virtuoso, porque somos capazes de conceber a virtude a partir de nossos próprios sentimentos, e podemos unir a isso a figura e a forma de um cavalo, animal que nos é familiar. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 43 HUME. D. Investigação sobre o entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural, 1995. Hume estabelece um vínculo entre pensamento e impressão ao considerar que a) os conteúdos das ideias no intelecto tem origem na sensação. b) o espírito é capaz de classificar os dados da percepção sensível. c) as ideias fracas resultam de experiências sensoriais determinadas pelo acaso. d) os sentimentos ordenam como os pensamentos devem ser processados na memória. e) as ideias têm como fonte específica o sentimento cujos dados são colhidos de forma empírica. QUESTÃO 29 (ENEM) Trasímaco estava impaciente porque Sócrates e os seus amigos presumiam que a justiça era algo real e importante. Trasímaco negava isso. Em seu entender, as pessoas acreditavam no certo e no errado apenas por terem sido ensinadas a obedecer às regras da sua sociedade. No entanto, essas regras não passavam de invenções humanas. RACHELS, J. Problemas da filosofia. Lisboa: Gradva, 2009. O sofista Trasímaco, personagem imortalizado no diálogo A República, de Platão, sustentava que a correlação entre justiça e ética é resultado de a) determinações biológicas impregnadas na natureza humana. b) verdades objetivas com fundamento anterior aos interesses sociais. c) mandamentos divinos inquestionáveis legados das tradições antigas. d) convenções sociais resultantes de interesses humanos contingentes. e) sentimentos experimentados diante de determinadas atitudes humanas. QUESTÃO 30 (ENEM) Ora, em todas as coisas ordenadas a algum fim, é preciso haver algum dirigente, pelo qual se atinja diretamente o devido fim. Com efeito, um navio, que se move para diversos lados pelo impulso dos ventos contrários, não chegaria ao fim do destino, se por indústria do piloto não fosse dirigido ao porto; ora, tem o homem um fim, para o qual se ordenam toda a sua vida e ação. Acontece, porém, agirem os homens de modos diversos em vista do fim, o que a própria diversidade dos esforços e ações humanas comprova. Portanto, precisa o homem de um dirigente para o fim. AQUINO. T. Do reino ou do governo dos homens: ao rei do Chipre. Escritos políticos de Santo Tomás de Aquino. Petrópolis: Vozes, 1995 (adaptado). No trecho citado, Tomás de Aquino justifica a monarquia como o regime de governo capaz de a) refrear os movimentos religiosos contestatórios. b) promover a atuação da sociedade civil na vida política. c) unir a sociedade tendo em vista a realização do bem comum. d) reformar a religião por meio do retorno à tradição helenística. e) dissociar a relação política entre os poderes temporal e espiritual. 1-A / 2-D / 3-A / 4-B / 5-B /6-C /7- B /8-C /9-E /10-A /11-D /12- B /13-A / 14-D /15-C /16-B /17- E /18-A /19-C /20-A /21-A /22- A /23-B /24-E /25-E /26-B /27 - A/ 28 - E/ 29 - D/ 30 – C Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 44 01. Para Santo Tomás, filosofia e teologia são ciências distintas porque: a) A filosofia se funda no exercício da razão humana e a teologia na revelação divina. b) A filosofia é uma ciência complementar à teologia. c) A filosofia nos traz a compreensão da verdade que será comprovada pela teologia. d) A revelação é critério de verdade, por isso não se pode filosofar. e) A teologia é a mãe de todas as ciências e a filosofia serve apenas para explicar pontos de menor importância. 02. Na triplicidade das faculdades da alma, Santo Agostinho descobre um vestígio da Trindade. A unidade da pessoa, que tem essas três faculdades intimamente entrelaçadas, mas não é nenhuma delas, é a do eu, que recorda, entende e ama, como perfeita distinção, mas mantendo a unidade da vida, da mente e da essência. Quais são as três faculdades da alma para Santo Agostinho? a) memória, inteligência e vontade. b) memória, inteligência e imortalidade. c) generacionismo, inteligência e vontade. d) imortalidade, generacionismo e vontade. e) generacionismo, imortalidade e inteligência. 03. Santo Tómas de Aquino demosntra a existência de Deus de cinco maneiras, que são conhecidas como cinco vias. 1. Pelo movimento. 2.Pela causa eficiente. 3.Pelo contingente e pelo necessário. 4.Pelos graus da perfeição. 5.Pelo ontologia. 6.Pela finalidade do ser. 7.Pela contingência dos entes. Os argumentos que pertencem à prova apresentada por São Tómas de Aquino são: a) Apenas os argumentos 1,2,3,4 e 5. b) Apenas os argumentos 1,2,3,5 e 6. c) Apenas os argumentos 1,2,3,4 e 6. d) Apenas os argumentos 2,3,4,5 e 6 e) Apenas os argumentos 3,4,5,6 e 7. 04.O trecho que segue foi extraído das Confissões, de Santo Agostinho: "Quem nos mostrará o Bem? Ouçam a resposta: está gravada dentro de nós a luz do vosso rosto Senhor. Nós não somos a luz que ilumina a todo homem, mas somos iluminados por Vós." A partir dos seus conhecimentos sobre as filosofias de Santo Agostinho e Tomás de Aquino, identifique qual das afirmações abaixo está CORRETA: a) As cinco vias de Tomás de Aquino são argumentos diretos e evidentes da existência de Deus. Partem de afirmações gerais e racionais sobre a existência, para chegar a conclusões sobre as coisas sensíveis, particulares e verificáveis sobre o mundo natural. b) Os argumentos de Santo Agostinho que provam a existência de Deus denotam a influência direta que ele teve do pensamento de Aristóteles, principalmente da Metafísica. c) Para Santo Agostinho, a irradiação da luz divina faz com que conheçamos imediatamente as verdades eternas em Deus. Essas verdades eternas e necessárias não estão no interior do homem, porque seu intelecto é mutável e contingente. d) Tomás de Aquino construiu uma argumentação para provar a existência de Deus à luz das ideias de Platão e de vários fragmentos da Bíblia. e) Para Santo Agostinho, a irradiação da luz divina atua imediatamente sobre o intelecto humano, deixando-o ativo para o conhecimento das verdades eternas. Essas verdades, necessárias e imutáveis, estão no interior do homem. 05. Durante a Idade Média, a questão dos universais foi um dos grandes problemas debatidos pelos filósofos da época. Realismo, conceitualismo e nominalismo foram as soluções típicas do problema. Outra preocupação da época foi o da possibilidade ou impossibilidade de conciliar fé e razão. Santo Agostinho, sobre a relação fé e razão, protagonizou uma tese que se Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 45 pode resumir na frase: "Credo ut intelligam" (Creio para entender). A partir dos seus conhecimentos sobre a questão dos universais e da filosofia medieval, identifique as proposições verdadeiras: I - O apogeu da patrística aconteceu no século XIII com Santo Tomás de Aquino (1225-1274), que, retomando o pensamento de Platão, fez a síntese mais bem elaborada da filosofia com o cristianismo durante a Idade Média. II - O pensamento filosófico medieval, a partir do século IX, é chamado de escolástica. A filosofia escolástica tinha por problema fundamental levar o homem a compreender a verdade revelada pelo exercício da razão, contudo apoiado na Auctoritas, seja da Bíblia, seja de um padre da Igreja. III - Para os nominalistas, o universal é apenas um conteúdo da nossa mente, expresso por um nome. O que significa dizer que os universais são apenas palavras,sem nenhuma realidade específica correspondente. IV - No conceitualismo de Pedro Abelardo, os universais são conceitos, entidades mentais, que não existem na realidade, nem são meros nomes. V - De acordo com a teoria da iluminação de Santo Agostinho, o ser humano recebe de Deus o conhecimento das verdades eternas. Tal como o sol, Deus ilumina a razão e torna possível o pensar correto. Em verdade, Santo Agostinho não conflita a fé com a razão, sendo esta última auxiliar e subordinada da fé. Assinale a alternativa que contém as afirmativas VERDADEIRAS: a) I, II e III b) I, III e V c) II e V d) I, II e IV e) II, III, IV e V 06. Pedro Abelardo foi um filosofo medieval que participou de uma acirrada disputa filosófica no século XII. Essa disputa centrava-se sobre: a) a existência de Deus. b) o predomínio da fé sobre a razão. c) a questão da existência dos universais. d) a presença do mal no mundo. e) a morte da alma. 07. O filosofo grego que maior influência exerceu sobre Santo Tómas de Aquino foi: a) Platão. b) Aristóteles. c) Sócrates. d) Heráclito. e) Parmênides. 08. Para Santo Tómas de Aquino, um dos princípios do conhecimento humano era o princípio da causa eficiente. Esse princípio da causa eficiente exigia que o ser contingente: a) não exigisse causa alguma. b) fosse causado pelo intelecto humano. c) fosse causado pelo ser necessário. d) fosse causado por acidentes casuais e) fosse causado pelo nada. 09. Assinale a alternativa que responde CORRETAMENTE à pergunta abaixo: Sabemos das lutas de Santo Agostinho contra as heresias, especialmente no que tange às suas interpretações do sentido histórico da religião cristã. Uma destas heresias foi o Pelagianismo. Segundo Santo Agostinho, em que consiste o erro a que essa heresia conduz? a) Todos os seres humanos são hereges. b) Se não há pecado original, então tampouco pode haver a missão salvadora de Jesus Cristo. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 46 c) O ser humano é mau por natureza, não por escolha. d) Deus, ao criar o ser humano, também criou o mal. e) Não há como superar o mal. 10. A Patrística é o primeiro momento da filosofia cristã. Sobre esta tendência filosófica, leia as seguintes afirmativas: I. A Patrística é um movimento de pensadores cristãos que procura justificar teórica e filosoficamente a concepção de vida e de mundo depreendida da Bíblia. II. Boécio não é considerado um pensador da Patrística. III. Plotino é um pensador considerado como participante da patrística. IV. A Patrística sempre rejeitou a filosofia Greco-romana em seu todo. V. Santo Agostinho é considerado o maior pensador da Patrística latina. VI. Um dos temas fundamentais da Patrística é a discussão do sentido da Santíssima Trindade. Assinale a alternativa CORRETA: a) Somente as afirmativas I,II e IV são corretas. b) Somente as afirmativas I,II,V e VI são corretas. c) Somente as afirmativas III, V e VI são corretas. d) Somente as afirmativas I,V e VI são corretas. e) Somente as afirmativas II, V e VI são corretas. GABARITO 1. A 2. A 3. C 4. E 5. E 6. C 7. A 8. C 9. B 10. D 1. (Ueg 2013) A sociologia nasce no séc. XIX após as revoluções burguesas sob o signo do positivismo elaborado por Augusto Comte. As características do pensamento comtiano são: a) a sociedade é regida por leis sociais tal como a natureza é regida por leis naturais; as ciências humanas devem utilizar os mesmos métodos das ciências naturais e a ciência deve ser neutra. b) a sociedade humana atravessa três estágios sucessivos de evolução: o metafísico, o empírico e o teológico, no qual predomina a religião positivista. c) a sociologia como ciência da sociedade, ao contrário das ciências naturais, não pode ser neutra porque tanto o sujeito quanto o objeto são sociais e estão envolvidos reciprocamente. d) o processo de evolução social ocorre por meio da unidade entre ordem e progresso, o que necessariamente levaria a uma sociedade comunista. 2. (Ufu 2013) Na parte mais tardia de sua carreira, Comte elaborou planos ambiciosos para a reconstrução da sociedade francesa em particular, e para as sociedades humanas em geral, baseado no seu ponto de vista sociológico. Ele propôs o estabelecimento de uma “religião da humanidade”, que abandonaria a fé e o dogma em favor de um fundamento científico. A Sociologia estaria no centro dessa nova religião. GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 28. Com base nessa assertiva, Comte aponta para o papel da Sociologia como ciência fundamental para a compreensão a) da ideia da revolução, como solução para sanar as questões da desigualdade social. b) da crença na ação dos indivíduos, como fator de intervenção na realidade. c) do consenso moral, como solução para regular e manter unida a sociedade. d) dos elementos subjetivos da sociedade, tendo em vista a pluralidade social. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 47 3. (ENEM 2014) Considerando-se a dinâmica entre tecnologia e organização do trabalho, a representação contida no cartum é caracterizada pelo pessimismo em relação à a) ideia de progresso. b) concentração do capital. c) noção de sustentabilidade. d) organização dos sindicatos. e) obsolescência dos equipamentos. 4. (Ufrgs 2012) Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx identificam imperfeições na sociedade industrial capitalista, embora cheguem a conclusões bem diferentes: para o positivismo de Comte, os conflitos entre trabalhadores e empresários são fenômenos secundários, deficiências, cuja correção é relativamente fácil, enquanto, para Karl Marx, os conflitos entre proletários e burgueses são o fato mais importante das sociedades modernas. A respeito das concepções teóricas desses autores, é CORRETO afirmar: a) Comte pensava que a organização científica da sociedade industrial levaria a atribuir a cada indivíduo um lugar proporcional à sua capacidade, realizando- se assim a justiça social. b) Comte considera que a partir do momento em que os homens pensam cientificamente, a atividade principal das coletividades passa a ser a luta de classes que leva necessariamente à resolução de todos os conflitos. c) Marx acredita que a história humana é feita de consensos e implica, por um lado, o antagonismo entre opressores e oprimidos; por outro lado, tende a uma polarização em dois blocos: burgueses e proletários. d) Para Karl Marx, o caráter contraditório do capitalismo manifesta-se no fato de que o crescimento dos meios de produção se traduz na elevação do nível de vida da maioria dos trabalhadores embora não elimine as desigualdades sociais. e) Tanto Augusto Comte quanto Karl Marx concordam que a sociedade capitalista industrial expressa a predominância de um tipo de solidariedade, que classificam como orgânica, cujas características se refletirão diretamente em suas instituições. 5. (UNICENTRO 2011) Para Augusto Comte, uma das funções da Sociologia ou Física Social era encontrar leis sociais que conduzissem o progresso da humanidade. Sobre os estágios do progresso social discutidos pelo autor, é correto afirmar: a) O estágio teológico nega a existência de apenas uma explicação divina para os fenômenos naturais e sociais. b) O positivismo é o estágio superior do progresso social, porque se sustenta nos métodos científicos. c) O estágio mais simples é o mítico, seguido pelo teológico e pelo científico, que é o mais elaborado. d) O primeiro estágio do conhecimento é o metafísico, em que conceitos abstratos explicam o mundo. e) A Europaexemplificava uma sociedade em estado de desenvolvimento teológico. 6. UFU 2010 A Sociologia surge em um período em que o fazer científico encontrava-se influenciado por algumas teses desenvolvidas durante o século XIX. Herbert Spencer, Charles Darwin e Auguste Comte, por exemplo, tiveram grande importância para o pensamento sociológico. O primeiro, por aplicar às ciências humanas o evolucionismo, Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 48 mesmo antes das teses revolucionárias sobre a seleção das espécies do segundo. Com relação a Comte, houve a influência de seu “espírito positivo” na formação dos muitos intelectuais do período. Sobre as ideias de evolução e progresso e seu impacto no pensamento sociológico, podemos afirmar que: a) A ideia de progresso, apesar de ter grande influência na área das ciências naturais, não teve impacto decisivo na constituição da sociologia. b) A ideia de evolução foi uma das palavras de ordem do período, mas a sociologia rejeitou a sua adoção, assim como qualquer comparação entre seus efeitos no reino natural e no mundo social. c) A explicação sociológica procurou, desde o seu início, afastar-se de qualquer forma de determinismos, fossem biológicos ou geográficos, pois se contrapunha fortemente às explicações de cunho evolucionista. d) Em sua busca por constituir-se como disciplina, a Sociologia passou pela valorização e incorporação dos métodos das ciências da natureza, utilizando metáforas organicistas, assim como conferindo ênfase à noção de função. 7. UFU 2003 Auguste Comte foi quem deu origem ao termo Sociologia, pensada como uma física social, capaz de pôr fim à anarquia científica que vigorava, em sua opinião, ainda no século XIX. A respeito das concepções fundamentais do autor para o surgimento dessa nova ciência, todas as alternativas abaixo são corretas, exceto: a) O objetivo era conhecer as leis sociais para se antecipar, racionalmente, aos fenômenos e, com isso, agir com eficácia, na direção de se permitir uma organização racional da sociedade. b) As preocupações de natureza científica, presentes na obra de Comte, não apresentavam relação prática com a desorganização social, moral e de ideias do seu tempo. c) Era necessário aperfeiçoar os métodos de investigação das leis que regem os fenômenos sociais, no sentido de se descobrir a ordem inscrita na história humana. d)Entre ordem e progresso há uma necessidade simultânea, uma vez que a estabilidade (princípio estático) e a atividade (princípio dinâmico) sociais são inseparáveis. 8. UNIMONTES 2009 O positivismo, primeira corrente teórica sistematizada de pensamento sociológico, derivou do “cientificismo”, isto é, da crença no poder exclusivo e absoluto da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis. Essas leis seriam a base da regulamentação da vida social. Sobre o positivismo, é incorreto afirmar: a) Os positivistas buscaram analisar a vida social, constituindo o objeto de estudo, métodos e conceitos, procurando chegar à mesma objetividade alcançada pelas ciências naturais. b) O positivismo inspirava-se no método de investigação das ciências da natureza e procuravam identificar, na vida social, as mesmas relações e princípios com os quais os cientistas explicavam a vida natural. c) Os princípios do evolucionismo e do organicismo aplicados à vida social foram amplamente criticados e recusados pelos positivistas, pois ignoravam as particularidades das diversas sociedades. d) A evolução dos conhecimentos das ciências naturais – física, química e biologia – e o sucesso das suas descobertas, principalmente no século XIX, atraíram os primeiros cientistas sociais para o seu método de investigação. 9. UEL 2015 Leia o texto a seguir. Até o século XVIII, a maioria dos campos de conhecimento, hoje enquadrados sob o rótulo de ciências, era ainda, como na Antiguidade Clássica, parte integral dos grandes sistemas filosóficos. A Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 49 constituição de saberes autônomos, organizados em disciplinas específicas, como a Biologia ou a própria Sociologia, envolverá, de uma forma ou de outra, a progressiva reflexão filosófica, como a liberdade e a razão. Adaptado de: QUINTANEIRO, T.; BARBOSA, M. L. O.; OLIVEIRA, M. G. M. Um Toque de Clássicos: Marx, Durkheim e Weber. Belo Horizonte: UFMG, 2002. p.12. Com base nos conhecimentos sobre o surgimento da Sociologia, assinale a alternativa que apresenta, corretamente, a relação entre conhecimento sociológico de Auguste Comte e as ideias iluministas. a) A ideia de desenvolvimento pela revolução social foi defendida pelo Iluminismo, que influenciou o Positivismo. b) A crença na razão como promotora do progresso da sociedade foi compartilhada pelo Iluminismo e pelo Positivismo. c) O Iluminismo forneceu os princípios e as bases teóricas da luta de classes para a formulação do Positivismo. d)O reconhecimento da validade do conhecimento teológico para explicar a realidade social é um ponto comum entre o Iluminismo e o Positivismo. e) Os limites e as contradições do progresso para a liberdade humana foram apontados pelo Iluminismo e aceitos pelo Positivismo. 10. UNIOESTE 2012 A filosofia da História – o primeiro tema da filosofia de Augusto Comte – foi sistematizada pelo próprio Comte na célebre “Lei dos Três Estados” e tinha o objetivo de mostrar por que o pensamento positivista deve imperar entre os homens. Sobre a “Lei do Três Estados” formulada por Comte, é correto afirmar que a) Augusto Comte demonstra com essa lei que todas as ciências e o espírito humano desenvolvem-se na seguinte ordem em três fases distintas ao longo da história: a positiva, a teológica e a metafísica. b) na “Lei dos Três Estados” a argumentação desempenha um papel de primeiro plano no estado teológico. O estado teológico, na sua visão, corresponde a uma etapa posterior ao estado positivo. c) o estado teológico, segundo está formulada na “Lei dos Três Estados”, não tem o poder de tornar a sociedade mais coesa e nenhum papel na fundamentação da vida moral. d) o estado positivista apresenta-se na “Lei dos Três Estados” como o momento em que a observação prevalece sobre a imaginação e a argumentação, e na busca de leis imutáveis nos fenômenos observáveis. e) para Comte, o estado metafísico não tem contato com o estado teológico, pois somente o estado metafísico procura soluções absolutas e universais para os problemas do homem. 11. UFU 1998 Sobre o positivismo, como uma das formas de pensamento social, podemos afirmar que I. é a primeira corrente teórica do pensamento sociológico preocupada em definir o objeto, estabelecer conceitos e definir uma metodologia. II. derivou-se da crença no poder absoluto e exclusivo da razão humana em conhecer a realidade e traduzi-la sob a forma de leis naturais. III. foi um pensamento predominante na Alemanha, no século XIX, nascido principalmente de correntes filosóficas da Ilustração. IV. nele, a sociedade foi concebida como um organismo constituído de partes integradas e coisas que funcionam harmoniosamente, segundo um modelo físico ou mecânico. a) II, III e IV estão corretas. b) I, II e III estão corretas. c) I, II e IV estão corretas. d) I e III estão corretas. e) Todas as afirmativas estão corretas. 1A 2C 3A 4A 5B 6D 7B 8C 9B 10D 11C Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 50 Questão 01 FGV De acordo com Émile Durkheim, o fato social NÃO se caracteriza por (A) ser considerado um fenômeno inerente às representações (ideias) individuais. (B) ser uma totalidadedas relações das quais o indivíduo é apenas um dos elementos. (C) condicionar a personalidade individual. (D) exercer um poder coercitivo sobre os indivíduos. (E) ser considerado como coisas exteriores, desligadas dos indivíduos conscientes. Questão 02 De acordo com Émile Durkheim, ao realizar uma investigação científica, o sociólogo deve apreender (A) o objeto de investigação com base em suas noções prévias sobre o fenômeno a ser estudado. (B) o fato social com base nas ideias e concepções subjetivas dos indivíduos. (C) o fenômeno a ser estudado por meio de suas propriedades exteriores. (D) os fatos sociais de modo que eles se apresentem relacionados com as representações dos indivíduos. (E) o fenômeno a ser estudado com base em uma atitude de subjetividade. Questão 03 - FGV Em sua obra O Suicídio, Émile Durkheim afirma que há um tipo de suicídio no qual “se o homem se mata não é porque reivindique esse direito, mas é porque tem esse dever”. Seriam exemplos desse tipo de suicídio os japoneses camicases e os vários tipos de homens-bomba. Qual é esse tipo de suicídio? (A) O suicídio egoístico. (B) O suicídio anômico. (C) O suicídio fatalista. (D) O suicídio mecânico. (E) O suicídio altruístico. Questão 04 - FGV Um conceito importante na obra de Durkheim é o de anomia. O suicídio anômico é provocado pelo(a) (A) perda da dimensão normativa ocasionada por rápidas mudanças sociais. (B) isolamento e baixa integração do indivíduo na sociedade. (C) forte integração do indivíduo na sociedade. (D) forte regulação exercida pela sociedade no indivíduo. (E) melancolia adquirida por doenças hereditárias. Questão 05 Em seu estudo sobre a Divisão do Trabalho Social, Durkheim investiga a função da divisão do trabalho no mundo moderno. É correto afirmar que um dos principais objetivos do autor nessa obra foi investigar (A) como a divisão do trabalho proporciona o desenvolvimento econômico na sociedade moderna. (B) o efeito moral da divisão do trabalho na sociedade moderna. (C) as consequências negativas da divisão de gênero provocada pela divisão do trabalho na sociedade moderna. (D) o enfraquecimento da divisão do trabalho na sociedade moderna. (E) como a divisão do trabalho contribui para a igualdade de condições entre os indivíduos na sociedade moderna. Questão 06 - FGV O conceito usado por Emile Durkheim para explicar a coesão social na sociedade moderna, caracterizada pelo individualismo é o de (A) sistema orgânico. (B) solidariedade orgânica. (C) solidariedade mecânica. (D) norma social. (E) cooperação social. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 51 Questão 07 - Acerca da sociologia como ciência, segundo Emile Durkheim, assinale a opção correta. A) As ciências já constituídas devem servir de referência para uma ciência próxima a nascer, como é o caso da sociologia. B) A sociologia deve decidir se apoia a liberdade ou o determinismo. C) A ciência sociológica rejeita a solução dos problemas práticos da sociedade. D) A sociologia é dependente de doutrinas práticas como o individualismo, o socialismo e o comunismo. E) Os cálculos utilitários ou os raciocínios de algum tipo servem para explicar os fatos sociais. Questão 08 - Antes de propor o método adequado para o estudo dos fatos sociais, em seu livro As Regras do Método Sociológico, Emile Durkheim aponta quais são os fatos que podem receber essa denominação. De acordo com Durkheim: A) o pensamento que se repete nas consciências particulares e o movimento mecânico que todos os indivíduos fazem constituem fatos sociais. B) o fato social é um fenômeno que ocorre na sociedade e que possui, de forma geral, interesse social. C) o indivíduo cumpre funções regulares, como comer, beber, dormir, as que constituem os fatos sociais. D) os fatos sociais se diferenciam dos fenômenos orgânicos, por serem representações e ações, e dos psíquicos, porque estes existem apenas na consciência individual. E) a consciência individual constitui a origem dos grandes movimentos de entusiasmo ou indignação que frequentemente acontecem nas assembleias das diferentes categorias de profissionais. Questão 09 - Segundo Emile Durkheim, o método a ser utilizado na sociologia A) considera que a descrição objetiva do fato social exige sua concordância com uma ideia do que se pretende. B) exige que o indivíduo tome consciência das ideias acerca da realidade em que vive, analise-as e combine-as de acordo com o próprio entendimento. C) determina que os indivíduos recorram aos fatos para confirmar as ideias, ou as conclusões que são tiradas delas. D) permite estabelecer se uma representação social, que desempenha seu papel de harmonizar os atos dos indivíduos e o mundo que os rodeia, é comprovada, cientificamente, como falsa ou verdadeira. E) exige ir além da separação entre o sujeito que conhece e o seu objeto de conhecimento na produção do conhecimento científico. GABARITO 1A, 2C, 3E, 4A, 5B, 6B, 7A, 8D, 9D QUESTÃO 1 (Unimontes) A questão das classes sociais ocupa um papel fundamental na teoria de Karl Marx. Para ele, existem condicionantes e determinantes na complexa relação entre indivíduo e sociedade e entre consciência e existência social. Considerando as reflexões de Karl Marx sobre esse tema, marque a alternativa incorreta. a) A luta de classes desenvolve-se no modo de organizar o processo de trabalho e no modo de se apropriar do resultado do trabalho humano. b) A luta de classes está presente em todas as ações dos trabalhadores quando lutam para diminuir a exploração e a dominação. c) Em meio aos antagonismos e lutas sociais, o indivíduo pode repensar a realidade, reagir e até mesmo transformá-la, unindo-se a outros em movimentos sociais e políticos. d) As classes sociais sustentam-se em equilíbrios dinâmicos e solidários, sendo a Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 52 produção da solidariedade social o resultado necessário à vida em sociedade. QUESTÃO 2 (Uema) As sociedades modernas são complexas e multifacetadas. Mas é com o capitalismo que as divisões sociais se tornam mais desiguais e excludentes. Marx já observara que só o conflito entre as classes pode mover a história. Assim sendo, para o referido autor, em qual das opções se evidencia uma característica de classe social? a) O status social e cultural dos indivíduos. b) A função social exercida pelos indivíduos na sociedade. c) A ação política dos indivíduos nas sociedades hierarquizadas. d) A identidade social, cultural e coletiva. e) A posição que os indivíduos ocupam nas relações de produção. QUESTÃO 3 É a condição material dos indivíduos que determinaria os demais aspectos de sua vida. A importância dada por Marx a esse quesito de nossas vidas é justificada, segundo sua teoria, em razão do impacto que a situação econômica de um sujeito tem em sua trajetória de formação. Essa linha de pensamento é chamada de: a) Evolucionismo material. b) Capitalismo selvagem. c) Contratualismo. d) Materialismo histórico. QUESTÃO 4 Para Marx, o capital era o principal ponto a ser investigado para que fosse possível entender as mudanças sociais que surgem em um dado momento. Entende- se por capital: a) a mais-valia absoluta. b) qualquer bem que possa ser investido para gerar mais lucro. c) o sistema econômico que surgia naquele momento. d) o sistema de exploração do homem pelo homem. QUESTÃO 5 (Unimontes) A questão das classes sociais ocupa um papel fundamental na teoria de Karl Marx. Para ele, existem condicionantes e determinantes na complexa relação entre indivíduo e sociedade e entre consciência e existênciasocial. Considerando as reflexões de Karl Marx sobre esse tema, marque a alternativa INCORRETA. a) As classes sociais sustentam-se em equilíbrios dinâmicos e solidários, sendo a produção da solidariedade social o resultado necessário à vida em sociedade. b) A luta de classes desenvolve-se no modo de organizar o processo de trabalho e no modo de se apropriar do resultado do trabalho humano. c) A luta de classes está presente em todas as ações dos trabalhadores quando lutam para diminuir a exploração e a dominação. d) Em meio aos antagonismos e lutas sociais, o indivíduo pode repensar a realidade, reagir e até mesmo transformá-la, unindo-se a outros em movimentos sociais e políticos. QUESTÃO 6 (UEM – Inverno 2008) Em termos sociológicos, assinale o que for correto sobre o conceito de classes sociais: a) Sua utilização visa explicar as formas pelas quais as desigualdades se estruturam e se reproduzem nas sociedades. b) De acordo com Karl Marx, as relações entre as classes sociais transformam-se ao longo da história conforme a dinâmica dos modos de produção. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 53 c) As classes sociais, para Marx, definem- se, sobretudo, pelas relações de cooperação que se desenvolvem entre os diversos grupos envolvidos no sistema produtivo. d) A formação de uma classe social, como os proletários, só se realiza na sua relação com a classe opositora, no caso do exemplo, a burguesia. e) A afirmação “a história da humanidade é a história das lutas de classes” expressa a ideia de que as transformações sociais estão profundamente associadas às contradições existentes entre as classes. QUESTÃO 7 Diante de sua visão materialista da história, Karl Marx descreve a luta de classes como: a) Consequência direta do fenômeno de individualização do sujeito moderno. b) Fenômeno fundamental para que uma democracia possa existir. QUESTÃO 8 Para entendermos a ideia de lutas de classes e todos os desdobramentos que Marx atribuiu a esse importante aspecto social, devemos primeiro entender o que são as classes sociais a que tanto ele se referiu. Nesse sentido, Karl Marx defendia a ideia de classes a partir da noção de que: a) as classes sociais são o conjunto de sujeitos unidos sob uma mesma ideologia política. b) as classes sociais são entendidas como os diferentes grupos que se formam em função de sua condição material e social. c) Fenômeno social inevitável diante das desigualdades materiais que existem entre as classes. d) Parte essencial do processo de transição de monarquias no mundo feudal. c) as classes sociais estão ligadas pelo conceito de solidariedade orgânica. d) as classes sociais existem apenas em espaços específicos e em sociedades altamente desenvolvidas. --------------------------------------------------------- GABARITO 1D 2E 3D 4B 5A 6E 7C 8B 1. (Uel 2014) Weber compreende a cidade como uma expressão tipicamente ligada à racionalidade ocidental. Com base nos conhecimentos da sociologia weberiana sobre a racionalidade ocidental, considere as afirmativas a seguir. I. A compreensão da cidade ocidental moderna é possível quando se considera uma sequência causal universal na história. II. A existência do capitalismo como sociedade específica do mundo ocidental moderno explica o surgimento das cidades. III. A explicação da cidade no Ocidente exige compreender a existência de diferentes formas do poder e da dominação. IV. Um dos traços fundamentais da cidade no Ocidente é a constituição de um corpo burocrático administrativo regular. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 54 Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e II são corretas. b) Somente as afirmativas I e IV são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 2. (Uel 2014) Leia o texto a seguir. Antigamente nem em sonho existia tantas pontes sobre os rios, nem asfalto nas estradas. Mas hoje em dia tudo é muito diferente com o progresso nossa gente nem sequer faz uma ideia. Tenho saudade de rever nas currutelas as mocinhas nas janelas acenando uma flor. Por tudo isso eu lamento e confesso que a marcha do progresso é a minha grande dor. Cada jamanta que eu vejo carregada transportando uma boiada me aperta o coração. E quando olho minha traia pendurada de tristeza dou risada pra não chorar de paixão. (Adaptado de: Nonô Basílio e Índio Vago. Mágoa de Boiadeiro.) O texto aproxima-se sociologicamente da leitura teórica de a) Comte, que defende a necessidade de formas tradicionais de vida em detrimento da desilusão do progresso. b) Durkheim, que analisa o progresso como elemento desagregador da vida social ao provocar o enfraquecimento das instituições. c) Marx, que condena o desenvolvimento das forças produtivas por seus efeitos alienantes sobre o homem. d) Spencer, que tem uma leitura romântica da sociedade e vê o passado como mais rico culturalmente. e) Weber, para quem a modernização e a racionalização é acompanhada pelo desencantamento do mundo. 3. (Ufu 2013) Ao contrário de outros pensadores sociológicos anteriores, Weber acreditava que a Sociologia deveria se concentrar na ação social e não nas estruturas. GIDDENS, Anthony. Sociologia. 4.ed. Porto Alegre: Artmed, 2005. p. 33. De acordo com esta assertiva, Weber considera que a) as ideias, os valores e as crenças têm o poder de ocasionar transformações. b) o conflito de classes é o fator mais relevante para a mudança social. c) as estruturas existem externamente ou independentemente dos indivíduos. d) os fatores econômicos são os mais importantes para as transformações sociais. 4. (Ufu 2013) Em artigo intitulado “Clientelismo ainda domina política no interior do Brasil”, da BBC, de 27 de outubro de 2002, o jornalista Paulo Cabral desenha o painel de parte da política nacional. Ele destaca que, em comício de uma certa deputada, um grande churrasco foi oferecido para os eleitores de uma vila: "Sob um sol escaldante, um caminhão de som tocava o jingle – forró da candidata a todo o volume, a população sentia o cheiro da carne sendo assada trancada dentro de uma casa. Comida, só quando chegasse a candidata”. BBC. Disponível em: <http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/ 2002/021027_seriedb.shtml>. Acesso: 11 mar. 2013. A relação descrita entre os eleitores e a candidata aproximasse, na matriz teórica weberiana, de um tipo puro de relação de dominação, uma vez que a) inscreve-se como relação de poder em que a candidata aproveita-se de uma probabilidade de impor sua vontade, ainda que sem legitimidade. b) estabelece-se, retirando das relações os elementos não racionais, isto é, em evidente processo de desencantamento do mundo. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 55 c) sua natureza remonta uma tradição inimaginavelmente antiga e conduz ou orienta a ação habitual do eleitor para o conformismo. d) expõe características típicas das formas carismáticas de dominação, demonstrada pelo dom da graça extraordinário e pessoal manifesto nas práticas clientelistas. 5.(Uema 2012) No conjunto da sua Sociologia compreensiva, o sociólogo alemão Max Weber define ação social como ação a) racional em que o agente associa um sentido objetivo aos fatos sociais. b) desprovida de sentido subjetivo e motivacional. c) humana associada a um sentido objetivo. d) cuja intenção fomentada pelos indivíduos se refere à conduta de outros, orientando-se por ela. e)não orientada significativamente pela conduta do outro em prol de um bem comum. 6. (Unioeste 2013) A Sociologia de Max Weber é considerada uma ciência compreensiva e explicativa. Na sua concepção, compete ao sociólogo compreender e interpretar a ação dos indivíduos, assim como os valores pelos quais os indivíduos compreendem suas próprias intenções pela introspecção ou pela interpretação da conduta de outros indivíduos. Sobre a sociologia compreensiva de Max Weber, é correto afirmar que a) segundo o método da sociologia compreensiva de Max Weber, há uma ênfase metodológica sobre a sociedade como a unidade inicial da explicação para se chegar a significados objetivos de ação social. b) na sociologia compreensiva de Max Weber, a primeira tarefa da sociologia é reformar a sociedade ou gerar algum tipo de teoria revolucionária. Weber herda efetivamente um ponto de vista sociológico compreensivo imputado à escola marxista. c) para Max Weber, a sociologia está voltada unicamente para a compreensão dos fenômenos sociais. Na sociologia compreensiva, o homem não consegue compreender as intenções dos outros em termos de suas intenções professadas. d) no método compreensivo de Weber, os fenômenos sociais são considerados como a simples expressão de causas exteriores que se impõem aos indivíduos. Weber define a sociologia compreensiva em termos de fatos sociais e não em termos de atividade ou ação. e) Max Weber entende por sociologia compreensiva uma ciência que se propõe a compreender a atividade social e, deste modo, explicar causalmente seu desenrolar e seus efeitos. Para explicar o mundo social, importa compreender também a ação dos seres humanos do ponto de vista do sentido e dos valores. 7. (Uel 2013) Os documentos de identificação individual podem ser analisados sob a perspectiva dos estudos weberianos a respeito da sociedade moderna. Sobre essa análise, assinale a alternativa correta. a) A ação racional com relação a valores é o tipo conceitual que explica o uso do CPF, uma vez que se refere às riquezas do indivíduo. b) A adoção de documentos de identificação pessoal corresponde aos interesses dos indivíduos pelo prestígio social. c) A identificação pelo CPF é um exemplo de imitação e de ação condicionada pelas massas, fenômenos comuns na sociedade moderna. d) CPF e documentos pessoais fortalecem o processo de desburocratização das estruturas racionais de dominação. e) O uso do CPF é uma ação dotada de sentido, isto é, compreensível pelos demais indivíduos envolvidos na situação. 8. (Unicentro 2012) Do ponto de vista do agente, o motivo é o fundamento da ação; para o sociólogo, cuja tarefa é compreender essa ação, a reconstrução do motivo é fundamental, porque, da sua Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 56 perspectiva, ele figura como a causa da ação. Numerosas distinções podem ser estabelecidas e Weber realmente o faz. No entanto, apenas interessa assinalar que, quando se fala de sentido na sua acepção mais importante para a análise, não se está cogitando da gênese da ação, mas sim daquilo para o que ela aponta, para o objetivo visado nela; para o seu fim, em suma. COHN, Gabriel (Org.). Max Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 1979. A categoria weberiana que melhor explica o texto em evidência está explicitada em a) A ação social possui um sentido que orienta a conduta dos atores sociais. b) A luta de classes tem sentido porque é o que move a história dos homens. c) Os fatos sociais não são coisas, e sim acontecimentos que precisam ser analisados. d) O tipo ideal é uma construção teórica abstrata que permite a análise de casos particulares. e) O sociólogo deve investigar o sentido das ações que não são orientadas pelas ações de outros. 09. (Ufu 2012) Nas Ciências Sociais, particularmente na Ciência Política, definir o Estado sempre foi uma tarefa prioritária. As tentativas nesta direção fizeram com que vários intelectuais vissem o Estado de formas diferentes, com naturezas diferentes. Numa palestra intitulada Política como vocação, Max Weber nos adverte, por exemplo, que o Estado pode ser entendido como uma relação de homens dominando homens. No trecho da canção d´O Rappa, Tribunal de Rua, dominação é o que se percebe, também, na relação entre cidadãos e policiais (braço armado do Estado). A viatura foi chegando devagar. E de repente, de repente resolveu me parar Um dos caras saiu de lá de dentro Já dizendo, aí compadre, você perdeu Se eu tiver que procurar você tá fodido Acho melhor você ir deixando esse flagrante comigo [...]. O Rappa. Lado A Lado B. Warner, 1999. A partir da perspectiva weberiana, relacionada ao trecho da canção acima, evidencia-se que a dominação do Estado a) é exercida pela autoridade legal reconhecida, daí caracterizar-se fundamentalmente como dominação racional legal. b) é estabelecida por meio da violência prioritariamente exercida contra grupos e classes excluídos social e economicamente. c) ocorre a partir da imposição da razão de Estado, ainda que contra as vontades dos cidadãos que, normalmente, àquela resistem. d) a exemplo da dominação de outras instituições, opera de forma genérica, exterior e coercitiva. GABARITO 1C, 2E, 3A, 4C, 5D, 6E, 7E, 8A, 9A 1. (Ufu 2012) A tirinha de Quino abaixo ilustra a concepção de fato social, segundo Durkheim. Para o autor, é característica do fato social. a) ser geral e igual em todas as sociedades. Quem foi que espalhou que eu não gosto dos Beatles? Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 57 b) dar liberdade ao indivíduo, em uma dada sociedade, de praticar ações e atitudes ligadas ao seu senso crítico. c) ser particular de cada indivíduo, sem interferência do grupo social no qual está inserido. d) exercer sobre o indivíduo uma coerção exterior. 2. (Uncisal 2012) O modo de vestir determina a identidade de grupos sociais, simboliza o poder e comunica o status dos indivíduos. Seu caráter institucional assume grande importância à medida que inclui ou exclui indivíduos de categorias ou estratos sociais. Ele exemplifica bem aquilo que Durkheim afirmava ser o objeto de estudo dos sociólogos: uma representação coletiva que além de ser válida para todos os indivíduos que fazem parte de um determinado grupo, expressa a exterioridade e a coercitividade. Assinale nas opções a seguir aquela que apresenta o objeto de estudo da Sociologia segundo Durkheim. a) Fatos sociais. b) Expressões culturais. c) Ações sociais. d) Estruturas políticas. e) Relações sociais. 3. (Unioeste 2012) Émile Durkheim é considerado um dos fundadores das Ciências Sociais e entre as suas diversas obras se destacam “As Regras do Método Sociológico”, “O Suicídio” e “Da Divisão do Trabalho Social”. Sobre este último estudo, é correto afirmar que: a) a divisão do trabalho possui um importante papel social. Muito além do aumento da produtividade econômica, a divisão garante a coesão social ao possibilitar o surgimento de um tipo específico de solidariedade. b) a solidariedade mecânica é o resultado do desenvolvimento da industrialização, que garantiu uma robotização dos comportamentos humanos. c) a solidariedade orgânica refere-se às relações sociais estabelecidas nas sociedades mais tradicionais. O nome remete ao entendimento da harmonia existentes nas comunidades de menor taxa demográfica. d) indiferente dos tipos de solidariedade predominantes, o crime necessita ser punido por representar uma ofensa às liberdades e à consciência individual existente em cada ser humano. e) a consciência coletiva está vinculada exclusivamente às ações sociaisfilantrópicas estabelecidas pelos indivíduos na contemporaneidade, não tendo nenhuma relação com tradições e valores morais comuns. 4. (Uel 2011) Leia o texto a seguir. De acordo com Susie Orbach, “Muitas coisas feitas em nome da saúde geram dificuldades pessoais e psicológicas. Olhar fotos de corpos que passaram por tratamento de imagem e achar que correspondem à realidade cria problema de autoimagem, o que leva muitas mulheres às mesas de cirurgia. Na geração das minhas filhas, há garotas que gostam e outras que não gostam de seus corpos. Elas têm medo de comida e do que a comida pode fazer aos seus corpos. Essa é a nova norma, mas isso não é normal. Elas têm pânico de ter apetite e de atender aos seus desejos”. (Adaptado: “As mulheres estão famintas, mas têm medo da comida”, Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 ago. 2010, Saúde.Disponível em: <http://www1.folha.uol.com.br/fsp/saude/sd 1508201001.htm>. Acesso em: 15 out. 2010). Com base no texto e nos conhecimentos sobre o pensamento de Émile Durkheim, é correto afirmar: a) O conflito geracional produz anomia social, dada a incapacidade de os mais velhos compreenderem as aspirações dos mais novos. b) Os padrões do que se considera saudável e belo são exemplos de fato social e, portanto, são suscetíveis de exercer coerção sobre o indivíduo. c) Normas são prejudiciais ao desenvolvimento social por criarem Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 58 parâmetros e regras que institucionalizam o agir dos indivíduos. d) A consciência coletiva é mais forte entre os jovens, voltados que estão a princípios menos individualistas e egoístas. e) A base para a formação de princípios morais e de solidez das instituições são os desejos individuais, visto estes traduzirem o que é melhor para a sociedade. 5. (Uncisal 2012) A Escola Marxista tem na teoria do conflito um dos seus fundamentos mais importantes em termos sociológicos. Tal teoria, pela óptica marxista, defende que: a) os conflitos sociais são culturais, sendo expressões do embate entre a tradição e a inovação. b) os conflitos nascem das contradições, sendo estas resultantes do acesso desigual aos meios de produção. c) as sociedades mais avançadas são aquelas que melhor se adaptaram ao longo do processo histórico, sendo as menos aptas extintas. d) os conflitos sociais são observados apenas nas sociedades anteriores à Revolução Industrial. e) todas as relações sociais estão desvinculadas da esfera econômica, sendo os conflitos políticos o alicerce da vida em sociedade. 6. (Uel 2005) “Cascavel – Uma pequena cidade no interior do Paraná está provando que machismo é coisa do passado. Com 15 mil habitantes, conforme o IBGE, Ampére (a 150 quilômetros de Cascavel), no Sudoeste, tem fartura de emprego para as mulheres. Ex-donas de casa partiram para o trabalho fixo, enquanto os homens, desempregados ou não, passaram a assumir os serviços domésticos. Assim, elas estão garantindo mais uma fonte de renda para a família, além de eliminar antigos preconceitos. A situação torna-se ainda mais evidente quando os homens estão desempregados e são as mulheres que pagam as contas básicas da família. Conforme levantamento informal, em Ampére, o número de homens sem vínculo empregatício é maior do que o de mulheres. Para driblar as dificuldades, eles fazem bicos temporários e quando não há serviço, tornam-se donos de casa. O motivo para essa mudança de comportamento é a [...] Industrial Ltda., uma potência no setor de confecções que dá emprego a 1200 pessoas, das quais 80% são mulheres. Com a fábrica, famílias migraram do interior para a cidade. As mulheres abandonaram o posto de donas de casa ou de empregadas domésticas, aprendendo a apostar na capacidade de competição”. (Costa, Ilza Costa. Papéis trocados. Gazeta do Povo,Curitiba, 01 out. 1999. p. 14.) O fenômeno da troca de papéis sociais, relatado no texto, ilustra a base da tese usada por Karl Marx (1818-1883) na explicação geral que formula sobre a relação entre a infraestrutura e a superestrutura na sociedade capitalista. Com base no texto e nos conhecimentos sobre essa tese de Karl Marx, é correto afirmar: a) Na explicação das mudanças ocorridas no comportamento coletivo, deve-se privilegiar o papel ativo do indivíduo na escolha das ações, ou seja, o que importa é a motivação que inspira suas opções. b) É a imitação que constitui a sociedade, enquanto a invenção abre o caminho das mudanças e de seu progresso. A invenção, produtora das transformações sociais, é individual, dependendo de poucos; enquanto a imitação, coletiva, necessita sempre de mais de uma pessoa. c) A família é a verdadeira unidade social; é a célula social que, em seu conjunto, compõe a sociedade. Portanto, a sociedade não pode ser decomposta em indivíduos, mas em famílias. É a família a fonte espontânea da educação moral, bem como a base natural da organização política. d) Há uma relação de determinação entre a maneira como um grupo concreto estrutura suas condições materiais de existência – chamada de modo de produção – e o formato e conteúdo das demais organizações, instituições sociais e ideias gerais presentes nas relações sociais. e) A organização social deve fundar-se na separação dos ofícios, inerente à divisão do Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 59 trabalho social e na combinação dos esforços individuais. Sem divisão do trabalho social, não há cooperação e, portanto, a coesão social entre as classes tornasse impossível. 7. (Uem 2012) A sociologia marxista propõe uma interpretação da sociedade que toma as condições materiais de existência dos homens como fator determinante dos fenômenos sociais. Sobre essa concepção, assinale o que for correto. I - Forças produtivas e relações sociais de produção são os dois componentes básicos da infraestrutura que determinam em última instância as demais dimensões da vida social. II - Instituições como a Escola, o Estado e a Igreja fazem parte da superestrutura social, dotada de autonomia frente às determinações econômicas de cada momento histórico. III - Mudanças na estrutura social são desencadeadas quando se desenvolvem incongruências entre a infraestrutura produtiva e a superestrutura, com predomínio da primeira sobre a última. IV - As instituições que compõem a superestrutura desempenham importantes funções de controle social e ideológico que contribuem para a manutenção das relações produtivas vigentes. V - As classes sociais são definidas segundo a posição que ocupam nas instituições que compõem a dimensão superestrutural das sociedades. Estão corretas: a) I, II, V b) II, III, IV c) I, IV, V d) II, III, V e) I, III, IV 8. (Uem 2012) Escrito há quase duzentos anos, por Karl Marx e Friedrich Engels, o Manifesto Comunista denunciava as desigualdades sociais vividas pelos homens na sociedade capitalista. Leia trecho dessa obra, reproduzido a seguir, e assinale o que for correto sobre o desenvolvimento econômico. “A sociedade burguesa moderna, que brotou das ruínas da sociedade feudal, não aboliu os antagonismos das classes. Estabeleceu novas classes, novas condições de opressão, novas formas de luta no lugar das antigas [...] A manufatura já não era suficiente. Em consequência disso, o vapor e as máquinas revolucionaram a produção industrial. O lugar da manufatura foi tomado pela indústria gigantesca moderna, o lugar da classe média industrial, pelos milionários da indústria, líderes de todo o exército industrial, os burgueses modernos” (MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. O Manifesto do Partido Comunista. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1998, 10ª Edição,p.09 e 11 – Coleção Leitura). I- A passagem da manufatura para indústria gerou um processo de modificação do espaço natural que foi bastante equilibrado, sem prejuízos ao meio ambiente. II - O trecho acima se refere ao contexto de formação da sociedade capitalista e à composição dos antagonismos de classe, os quais opõem proprietários dos meios de produção e proprietários da força de trabalho. III - As relações estabelecidas pelas classes sociais na sociedade burguesa moderna são pautadas pela cooperação, a qual conduz ao desenvolvimento econômico gerador de melhor condição de vida para todos. IV - As relações de troca se revolucionaram em virtude de o crescimento da burguesia moderna ter ocorrido na mesma proporção do crescimento da produção industrial. V - O desenvolvimento da indústria está assentado no emprego do trabalho humano, o único detentor de conhecimento para alterar a matéria-prima, a partir do uso de instrumentos que ele mesmo produz. Estão corretas: a) II, IV, V b) I, II, V c) III, IV, V Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 60 d) I, IV, V e) I, II, III 9. (Unicentro 2011) Os sociólogos Karl Marx e Marx Weber se detiveram na análise da modernidade europeia, embora com métodos diferentes. Assinale como verdadeira a afirmativa que corresponde às análises de Max Weber sobre a sociedade. a) A vida moderna estimula a formação de um indivíduo calculista, racional e impessoal, refletindo a tendência da exploração dos trabalhadores e da transformação do trabalho em mercadoria. b) A dimensão cultural é fundamental para compreender a modernidade, pois o capital e seu acúmulo são tidos como um dever moral que deve ser perseguido de forma racional e disciplinada. c) A divisão social é um fenômeno da modernidade e sua função moral é integrar funções diferentes e complementares que, de outra forma, causariam a perda dos laços comunitários. d) A ação social, na sociedade moderna, é motivada apenas por interesses econômicos, porque os meios para produzir estão concentrados nas mãos de apenas uma classe social. e) A expansão da produção capitalista teve como base a separação entre trabalhadores e os meios de produção, assim como a disseminação da propriedade privada. 10. (Unicentro 2012) Do ponto de vista do agente, o motivo é o fundamento da ação; para o sociólogo, cuja tarefa é compreender essa ação, a reconstrução do motivo é fundamental, porque, da sua perspectiva, ele figura como a causa da ação. Numerosas distinções podem ser estabelecidas e Weber realmente o faz. No entanto, apenas interessa assinalar que, quando se fala de sentido na sua acepção mais importante para a análise, não se está cogitando da gênese da ação, mas sim daquilo para o que ela aponta, para o objetivo visado nela; para o seu fim, em suma. COHN, Gabriel (Org.). Max Weber: sociologia. São Paulo: Ática, 1979. A categoria weberiana que melhor explica o texto em evidência está explicitada em: a) A ação social possui um sentido que orienta a conduta dos atores sociais. b) A luta de classes tem sentido porque é o que move a história dos homens. c) Os fatos sociais não são coisas, e sim acontecimentos que precisam ser analisados. d) O tipo ideal é uma construção teórica abstrata que permite a análise de casos particulares. e) O sociólogo deve investigar o sentido das ações que não são orientadas pelas ações de outros. GABARITO 1D, 2A, 3A, 4B, 5B, 6D, 7E, 8A, 9B, 10A 01. UEPA 2015 A metamorfose Uma barata acordou um dia e viu que tinha se transformado num ser humano. Começou a mexer suas patas e viu que só tinha quatro, que eram grandes e pesadas e de articulação difícil. Não tinha mais antenas. Quis emitir um som de surpresa e sem querer deu um grunhido. As outras baratas fugiram aterrorizadas para trás do móvel. Ela quis segui-las, mas não coube atrás do móvel. O seu segundo pensamento foi: "Que horror… Preciso acabar com essas baratas…" Pensar, para a ex-barata, era uma novidade. Antigamente ela seguia seu instinto. Agora precisava raciocinar. Fez uma espécie de manto com a cortina da sala para cobrir sua nudez. Saiu pela casa e encontrou um armário num quarto, e, nele, roupa de baixo e um vestido. Olhou-se no espelho e achou- se bonita para uma ex-barata. Maquiou-se. Todas as baratas são iguais, mas as mulheres precisam realçar sua personalidade. Adotou um nome: Valdirene. Mais tarde descobriu que só um nome não bastava. A que classe pertencia? … Tinha educação? … Referências?... Conseguiu a Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 61 muito custo um emprego como faxineira. Sua experiência de barata lhe dava acesso a sujeiras mal suspeitadas. Era uma boa faxineira. Difícil era ser gente... Precisava comprar comida e o dinheiro não chegava. As baratas se acasalam num roçar de antenas, mas os seres humanos não. Conhecem-se, namoram, brigam, fazem as pazes, resolvem se casar, hesitam. Será que o dinheiro vai dar? Conseguir casa, móveis, eletrodomésticos, roupa de cama, mesa e banho. Valdirene casou-se, teve filhos. Lutou muito, coitada. Filas no Instituto Nacional de Previdência Social. Pouco leite. O marido desempregado…Finalmente acertou na loteria. Quase quatro milhões! Entre as baratas ter ou não ter quatro milhões não faz diferença. Mas Valdirene mudou. Empregou o dinheiro. Mudou de bairro. Comprou casa. Passou a vestir bem, a comer bem, a cuidar onde põe o pronome. Subiu de classe. Contratou babás e entrou na Pontifícia Universidade Católica. Valdirene acordou um dia e viu que tinha se transformado em barata. Seu penúltimo pensamento humano foi: "Meu Deus!… A casa foi dedetizada há dois dias! …". Seu último pensamento humano foi para seu dinheiro rendendo na financeira e que o safado do marido, seu herdeiro legal, o usaria. Depois desceu pelo pé da cama e correu para trás de um móvel. Não pensava mais em nada. Era puro instinto. Morreu cinco minutos depois, mas foram os cinco minutos mais felizes de sua vida. (Luis Fernando Veríssimo) (http://espirall- ltda.blogspot.com.br/2011/05/fome- depende-do-desperdicio.html. Acesso em 23/09/2014) Observe a charge a seguir para responder à questão. Com base no texto e na charge acima, afirma-se que: a) a distribuição de bens e renda é igualitária em todas as classes sociais brasileiras. b) não há falta de alimentos no Brasil e nem há diferenças sociais. c) não há desperdício, nem má distribuição de alimentos, bens e serviços no Brasil. d) a diferença de classes sociais é consequência da má distribuição de bens e) as relações sociais ocorrem de forma harmônica e igualitária na sociedade. 02. ENEM 2013 TEXTO I A nossa luta é pela democratização da propriedade da terra, cada vez mais concentrada em nosso país. Cerca de 1% de todos os proprietários controla 46% das terras. Fazemos pressão por meio da ocupação de latifúndios improdutivos e grandes propriedades, que não cumprem a função social, como determina a Constituição de 1988. Também ocupamos as fazendas que têm origem na grilagem de terras públicas. Disponível em: www.mst.org.br. Acesso em: 25 ago. 2011 (adaptado). Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 62 TEXTO II O pequeno proprietário rural é igual a um pequeno proprietário de loja: quanto menor o negócio mais difícil de manter, pois tem de ser produtivo e os encargos são difíceis de arcar. Sou a favor de propriedades produtivas e sustentáveis e que gerem empregos. Apoiar uma empresa produtiva que gere emprego é muito mais barato e gera muito mais do que apoiar a reforma agrária. LESSA, C. Disponível em: www.observadorpolitico.org.br. Acesso em: 25 ago.2011 (adaptado). Nos fragmentos dos textos, os posicionamentos em relação à reforma agrária se opõem. Isso acontece porque os autores associam a reforma agrária, respectivamente, à: a) redução do inchaço urbano e à crítica ao minifúndio camponês. b) ampliação da renda nacional e à prioridade ao mercado externo. c) contenção da mecanização agrícola e ao combate ao êxodo rural. d) privatização de empresas estatais e ao estímulo ao crescimento econômico. e) correção de distorções históricas e ao prejuízo ao agronegócio. 03. ENEM 2013 TEXTO I Ela acorda tarde depois de ter ido ao teatro e à dança; ela lê romances, além de desperdiçar o tempo a olhar para a rua da sua janela ou da sua varanda; passa horas no toucador a arrumar o seu complicado penteado; um número igual de horas praticando piano e mais outras na sua aula de francês ou de dança. Comentário do Padre Lopes da Gama acerca dos costumes femininos [1839] apud SILVA, T. V. Z. Mulheres, cultura e literatura brasileira. Ipotesi — Revista de Estudos Literários, Juiz de Fora, v. 2. n. 2, 1998. TEXTO II As janelas e portas gradeadas com treliças não eram cadeias confessas, positivas; mas eram, pelo aspecto e pelo seu destino, grandes gaiolas, onde os pais e maridos zelavam, sonegadas à sociedade, as filhas e as esposas. MACEDO, J. M. Memórias da Rua do Ouvidor [1878]. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 20 maio 2013 (adaptado). A representação social do feminino comum aos dois textos é o(a) a) submissão de gênero, apoiada pela concepção patriarcal de família. b) acesso aos produtos de beleza, decorrência da abertura dos portos. c)ampliação do espaço de entretenimento, voltado às distintas classes sociais. d) proteção da honra, mediada pela disputa masculina em relação às damas da corte. e) valorização do casamento cristão, respaldado pelos interesses vinculados à herança. 04. UPE(SSA) 2016 Observe a charge a seguir: Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 63 A estrutura social é um tema presente nos estudos sociológicos. Com base na charge, é CORRETO afirmar que: a) a desigualdade social fundamenta-se na habitação, pois a obtenção de outros elementos de sobrevivência depende, exclusivamente, dos indivíduos. b) os movimentos sociais funcionam como mecanismos que incentivam a criação de espaços sociais, a exemplo do apresentado na charge. c) a estratificação da sociedade brasileira é dividida em classes sociais, que são determinadas por condições econômicas e sociais de vida. d) o morador de uma das casas da charge compara sua residência com a de uma classe social superior. Esse fato o deixa satisfeito com sua condição social. e) a classe média no Brasil é caracterizada por possuir grande acúmulo de dinheiro que a torna uma estrutura social frágil, se comparada a outras organizações sociais. 05. ENEM 2017 A fotografia, datada de 1860, é um indício da cultura escravista no Brasil, ao expressar a: a) ambiguidade do trabalho doméstico exercido pela ama de leite, desenvolvendo uma relação de proximidade e subordinação em relação aos senhores. b) integração dos escravos aos valores das classes médias, cultivando a família como pilar da sociedade imperial. c) melhoria das condições de vida dos escravos observada pela roupa luxuosa, associando o trabalho doméstico a privilégios para os cativos. d) esfera da vida privada, centralizando a figura feminina para afirmar o trabalho da mulher na educação letrada dos infantes. e) distinção étnica entre senhores e escravos, demarcando a convivência entre estratos sociais como meio para superar a mestiçagem. 06. UERJ 2016 Há dinamite de pavio aceso no Orçamento O ponto central, que já deveria ser tema de um amplo debate no Congresso, no Executivo e fora deles, é que a crise fiscal implodiu os alicerces da Constituição de 1988. A ideia de um Estado que seria capaz de eliminar a miséria, reduzir a pobreza e ainda fornecer serviços básicos como saúde e educação com eficiência faliu. Aceite-se ou não. O Globo, 13/12/2015. De acordo com a reportagem, o modelo político de Estado que estaria inviabilizado no atual contexto brasileiro é denominado: a) bem-estar social b) liberal-federativo c) democrático-nacionalista d) unitário-desenvolvimentista 07. ENEM 2017 Com a Lei de Terras de 1850, o acesso à terra só passou a ser possível por meio da compra com pagamento em dinheiro. Isso limitava, ou mesmo praticamente impedia, o acesso à terra para os trabalhadores escravos que conquistavam a liberdade. OLIVEIRA, A. U. Agricultura brasileira: transformações recentes. In: ROSS, J. L. S. Geografia do Brasil. São Paulo: Edusp, 2009. O fato legal evidenciado no texto acentuou o processo de: a) reforma agrária. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 64 b) expansão mercantil. c) concentração fundiária. d) desruralização da elite. e) mecanização da produção. 08. UEPB 2013 A charge e o texto abaixo retratam um dos temas trabalhados pela Geografia: Questão de Gênero. “O direito a uma vida livre de violência é um dos direitos básicos de toda mulher. É pela garantia desse direito que marchamos hoje e marcharemos sempre, até que todas sejamos livres”. Esse texto constava entre os inúmeros cartazes na Segunda Marcha das Vadias no Distrito Federal. Com base nas informações da charge, do texto e seus conhecimentos sobre o tema, são verdadeiras as afirmativas, EXCETO: a) A violência física contra a mulher é o estágio de uma série de violências verbais, simbólicas, psicológicas que atingem mulheres todos os dias. A discriminação histórica contra a mulher não é fruto de uma concepção patriarcal que ainda impera, mesmo inconscientemente, na sociedade. b) A marcha das vadias objetiva conscientizar a sociedade de que a culpa do estupro não é da mulher e o estupro não dever estar associado ao modo como ela se veste. Protestam contra a culpabilização das vítimas nos casos das violências sofridas. Criticam também as instituições que sustentam a dominação e a exploração contra a mulher. c) A mercantilização do corpo da mulher, do prazer e a banalização da exploração sexual são dimensões da globalização econômica. A mulher é considerada alvo estratégico do consumismo e o apelo sexual o elemento central nesse método. d) Mulheres trabalhadoras assalariadas, depois do trabalho nas fábricas, no comércio, no campo ou como empregadas domésticas, são subordinadas à dupla jornada de trabalho ao realizarem as tarefas domésticas ao chegarem em casa. Já as mulheres burguesas ou de classe média alta, mesmo que trabalhem, relegam as mulheres mais pobres a essa segunda atividade. Logo, em sua grande maioria são as mulheres pobres e trabalhadoras exploradas e oprimidas que lutam de forma consciente contra a opressão. e) A opressão ao sexo feminino nas empresas se dá na prática do assédio e abuso sexual em troca da manutenção do emprego e das promoções de cargos. As mulheres que não aceitam esses “pré- requisitos” têm que se desdobrar e demonstrar capacidade e superioridade para se manter em seus empregos. 09. UPE 2012 Observe as fotos a seguir: Essas imagens refletem as desigualdades sociais existentes no Recife, que também podem ser encontradas em outras grandes cidades do Brasil. Em relação às desigualdades sociais, assinale a alternativa CORRETA. a) As diferenças sociais vêm diminuindo significativamente no país, ao longo dos anos, com a divisão igualitária das riquezas. Entretanto, essas transformações só foram possíveis graças aos movimentos contra a Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com@salinhadoiluminismo 65 corrupção, que permitiram o acúmulo de bens no Brasil. b) As péssimas condições de habitação revelam que o Estado não está voltado nem preparado para a aplicação da riqueza social (oriunda dos impostos arrecadados), que possibilita o bem-estar da maioria da população. c) O processo de industrialização em curso no nosso país vem favorecendo todos os setores da população, considerando seus problemas básicos. d) As palafitas, em contraposição aos prédios luxuosos, demonstram como as desigualdades entre as classes sociais são baseadas numa hierarquização rígida. e) O que determina as desigualdades sociais nas sociedades são as relações de classe, exceto nas sociedades rurais. 10. UNESP 2016 A escola que se auto intitula a primeira colocada no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ocupa, ao mesmo tempo, a 1ª e a 569ª posição no ranking que a imprensa faz com os resultados do Enem. A escola separou numa sala diferente os alunos que acertavam mais questões em suas provas internas. Trouxe, inclusive, alguns alunos de suas franquias pela Grande São Paulo. E “criou” uma outra escola (abriu outro CNPJ), mesmo estando no mesmo espaço físico. E de lá pra cá esta ‘outra escola’ todo ano é a primeira colocada no Enem. A 569ª posição é a que melhor reflete as condições da escola. O 1º lugar é uma farsa. A primeira colocada no Enem NÃO é uma escola, é uma artimanha jurídica que faz com que os alunos tenham suas notas computadas em duas listas diferentes. Todos estudam no mesmo prédio, com os mesmos professores, com o mesmo material, no mesmo horário, convivendo no mesmo pátio e no mesmo horário de intervalo. No Brasil todo temos centenas de escolas que trabalham com a regra na mão para tentar parecer que são a melhor e depois divulgar, em suas propagandas, que são a melhor escola do país, do estado, da região, da cidade e, em cidades grandes, como várias capitais, até mesmo que é a melhor escola de um determinado bairro. (Mateus Prado. “Escola campeã do Enem ocupa, ao mesmo tempo, o 1º e o 569º lugar do ranking”. O Estado de S.Paulo, 26.12.2014. Adaptado.) O fato relatado pode ser explicado em função da: a) hegemonia dos critérios instrumentais da empresa capitalista em alguns setores da educação. b) falência da meritocracia como critério de acesso ao ensino superior na sociedade atual. c) priorização de aspectos humanísticos, em detrimento da preparação para o mercado de trabalho. d) resistência dos educadores à transformação da escola em instrumento de reprodução ideológica. e) separação rigorosa entre os âmbitos da educação e da publicidade na sociedade capitalista. GABARITO 1D, 2E, 3A, 4C, 5A, 6A, 7C, 8A, 9B, 10A. Questão 01 - IFB 2017 - A teoria da democracia racial, derivada a partir da hipótese de pesquisa desenvolvida por Gilberto Freyre, principalmente com sua obra “Casa-Grande e Senzala”, pode ser relacionada à política de cotas implementada nos institutos federais a partir da Lei 12.711 de 29 de agosto de 2012. Dentre as opções abaixo, marque a CORRETA em relação aos conteúdos do enunciado acima. A) A teoria desenvolvida por Gilberto Freyre contribui para explicar a diferença entre os níveis de violência racial ocorridos nos EUA e no Brasil, bem como sustenta teoricamente a política de cotas raciais adotada em nosso país. B) A teoria da democracia racial, derivada da obra de Freyre, sustenta uma suposta convivência pacífica e democrática entre os Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 66 negros, indígenas e brancos europeus, de modo a sustentar a política de cotas raciais. C) A teoria desenvolvida por Freyre atribui uma visão romantizada da realidade, tornando invisíveis várias formas de violência praticadas por brancos europeus em relação aos negros. A política de cotas raciais, nesse sentido, visa validar a teoria de Freyre. D) A teoria da democracia racial, derivada da obra de Freyre, mascara em grande medida a violência praticada por brancos contra negros no Brasil, sustentando de certo modo parte das críticas atribuídas à adoção de cotas raciais no país. E) A teoria da democracia racial de Freyre tem por princípio desvelar todas as formas de violência de brancos contra negros no Brasil, amparando teoricamente a adoção de cotas raciais como forma de compensação histórica. Questão 02 - CCV-UFC - 2012 - SEDUC- CE - A sociologia no Brasil, criada e desenvolvida a partir de núcleos institucionais e autorais diversos, se voltou desde o princípio a um exame de nossa formação histórica. Entre as mais respeitadas (e ao mesmo tempo controversas) interpretações desse processo, está a contribuição de Gilberto Freyre e seu entendimento de nossa realidade social de fundo colonial. Para esse autor, era fundamental redimensionar a leitura de nossa construção política inicial: A) alternando as pesquisas entre exercícios de exame cultural e estudos de antropologia física. B) negligenciando o papel da política portuguesa para criar um foco de pesquisa adequado ao Brasil. C) criticando a diferença dos grupos humanos brasileiros no que toca nosso desenvolvimento econômico. D) buscando reforçar a validade dos estudos promovidos por Euclydes da Cunha e Nina Rodrigues sobre a ideia de cultura. E) valorizando o aspecto cultural e histórico do brasileiro em detrimento de análises raciais simplistas e biologizantes. Questão 03 - IDECAN - 2016 - SEARH - RN -“A Casa‐grande completada pela senzala representa todo um sistema econômico, social e político: de produção, de trabalho, de transporte, de família, de vida sexual, de higiene do corpo e da casa; de política.” (Dimenstein, 2008‐Excerto do prefácio de Casa Grande e Senzala‐1933.) A referida obra, “Casa‐grande e Senzala”, tanto quanto seu autor são ícones da sociologia do Brasil. Dentre as grandes contribuições dessa obra de Gilberto Freyre, aponta‐se a disseminação da ideia de: A) “Homem Cordial.” C) “Mito da democracia racial.” B) “Jeitinho brasileiro.” D) “Indolência indígena e africana.” Questão 04 - CESPE - 2005 - SEAD-PA - Gilberto Freyre é um autor estimulante para a análise da sociedade brasileira. Com referência às teses desenvolvidas por esse pensador, assinale a opção correta. A) A preocupação com a miscigenação levou Freyre a elaborar a teoria do tropicalismo, na qual ele procura discutir a essência do ser brasileiro, independentemente de suas origens africanas, portuguesas ou indígenas. B) A problemática da alimentação encontra- se difusa em vários capítulos de Casa Grande & Senzala e Sobrados e Mocambos. O interesse de Gilberto Freyre pela alimentação está articulado à sua concepção de cultura como formada por uma totalidade que é capaz de explicar as particularidades. C) Entre os estudiosos da sociedade brasileira, há divergência sobre o papel da família patriarcal presente na obra de Gilberto Freyre na medida em que é impossível conceber uma imagem única de família aplicável ao longo do tempo aos vários segmentos sociais. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 67 D) Na obra de Gilberto Freyre, há divergências estruturais entre as raças que compõem a sociedade brasileira, e estariam aí as bases intelectuais do futuro movimento negro nos fins do século XX. E) Ao analisar a ação lusitana nos trópicos, Gilberto Freyre salienta as dificuldades enfrentadas pelos portugueses em razão de eles não estarem habituados ao clima e de terem tido dificuldades de se relacionar com os árabes e mouros durante a ocupação da Península Ibérica. Questão 05 - CESPE - 2009 - SEDUC-CE - No Brasil, a estrutura social marcada pelo paternalismo,ainda que tenha evoluído para certo aristocracismo político, permitiu a democratização das relações raciais. A esse respeito e considerando o pensamento de Gilberto Freyre, assinale a opção correta. A) No Brasil, o ideal de mestiçagem foi representado, de modo exemplar, por Gilberto Freyre, em sua obra clássica — Os Sertões. B) Para Freyre, o conceito de apartheid permite entender as relações raciais no Brasil. C) A ideia de Freyre é que no Brasil a discriminação e o preconceito raciais existentes são de caráter coletivo. D) Para Freyre, as relações entre brancos e negros sempre foram íntimas, carregadas de afeições, ainda que às vezes violentas e brutais. Questão 06 - 2012 - SEE-MG - A importância da obra de Gilberto Freyre, Casa Grande & Senzala, para a análise do comportamento dos diferentes grupos raciais na sociedade brasileira, consiste na (A) afirmação da existência de uma democracia racial na sociedade brasileira. (B) substituição de uma explicação biológica das diferenças raciais por uma interpretação cultural. (C) elaboração de uma interpretação biológica das diferenças raciais por oposição a uma ênfase nos elementos culturais. (D) ênfase nas diferenças socio estruturais por oposição às diferenças culturais. Questão 07 - 2012 - SEE-MG - O processo que superaria a divisão da nação em raças e promoveria alguma democracia social é chamado por Gilberto Freyre de (A) democracia racial. (B) resgate da cidadania. (C) mestiçagem. (D) antirracismo. Questão 08 - NUCEPE - 2009 - SEDUC-PI - “A autonomia da Sociologia – insistamos nesse ponto – baseia-se cada vez mais no fato de que a estrutura social não é puro efeito de condições econômicas; nem das predominantemente políticas ou religiosas; nem de determinações geográficas. Resulta de interações: interação entre o grupo social e o meio físico; entre os fatores políticos e os religiosos; ou entre os econômicos e os psíquicos. Às vezes de tal modo se Inter condicionam que é difícil dizer qual a condição predominante”. O fragmento anterior foi extraído do livro Sociologia: introdução ao estudo dos seus princípios, de Gilberto Freyre. Na sua programação, um curso introdutório da referida disciplina DEVE conter: I. Referência aos limites da sociologia, relacionando o natural, o social e o cultural. II. A posição da sociologia entre os estudos do homem considerado unidade biossocial. III. A ausência das sociologias especiais, como a sociologia histórica. IV. O consenso de teoria dentro da sociologia geral V. A valorização da diversidade e complexidade da realidade social. A respeito das afirmações constantes dos itens I a V, marque a alternativa CORRETA. a) Apenas as afirmações constantes dos itens III e V estão corretas. b) Apenas as afirmações constantes dos itens I e IV estão corretas. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 68 c) Apenas as afirmações constantes dos itens I, II e V estão corretas. d) Apenas as afirmações constantes dos itens IV e V estão corretas. e) Apenas as afirmações constantes dos itens I, II e III estão corretas. Questão 09 - UPENET-2008-SEDUC-PE - A obra de Gilberto Freyre foi pioneira na abordagem cultural no estudo da formação da sociedade brasileira. Nesta perspectiva, é CORRETO citar como exemplo desta contribuição a(o) A) utilização do materialismo histórico como base teórica para a compreensão da sociedade brasileira. B) estudo sobre a família patriarcal no Brasil em sua obra Casa-Grande & Senzala. C) negação da Antropologia, em especial, a norte-americana como influência na sua obra. D) pioneirismo nos estudos sobre o operariado e sua contribuição na formação da sociedade urbana brasileira. E) diálogo constante com a obra e as contribuições teóricas de Florestan Fernandes. Questão 10 - FUNCAB - 2010 - No pensamento sociológico dos anos 1930 despontam os nomes de Gilberto Freyre e Sérgio Buarque de Holanda, autores dos clássicos Casa Grande & Senzala e Raízes do Brasil, respectivamente. Essas obras têm como foco temático comum: A) a luta de classes na sociedade rural. B) a formação do Estado nacional. C) a democratização do ensino. D) a escravidão do negro. E) a estrutura patriarcal brasileira. Questão 11. De acordo com Darcy Ribeiro, dois movimentos caminharam concomitantemente ao longo do processo de formação do povo brasileiro: A) a produção de uma unidade étnica nacional e a conformação de uma cultura nacional homogênea. B) a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a coexistência de culturas regionais em extinção. C) a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a conformação de culturas regionais transplantadas de outros países. D) a produção de uma unidade étnica nacional e a conformação de diversidades socioculturais regionais. E) a produção de uma sociedade nacional multiétnica e a coexistência de culturas regionais fragmentadas. Questão 12. É um grande erro comparar culturas diferentes. Por exemplo, há indígenas que caçam, pescam, coletam e para isso precisam de uma grande área, enquanto nós podemos escolher nossos produtos industrializados e com conservantes nas prateleiras de qualquer supermercado. SAKAMOTO, Leonardo. Se os índios estão com fome e não têm terras, que comam brioches!. . Acesso em 26 jul. Blog do Sakamoto. 25 jul. 2012. Disponível em: 2012. A sugestão metodológica do texto para o estudo antropológico é analisar as culturas a partir da ótica A) artística, para entender a diversidade estética. B) estatística, para manter o rigor científico. C)etnográfica, para se conhecer a especificidade de cada povo. D) política, para desvendarmos a rede de poder em cada tribo. E) salutar, para avaliar qual estilo de vida é mais saudável. Questão12. ENEM 2014 O cidadão norte- americano desperta num leito construído Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 69 segundo padrão originário do Oriente Próximo, mas modificado na Europa Setentrional antes de ser transmitido à América. Sai debaixo de cobertas feitas de algodão cuja planta se tornou doméstica na Índia. No restaurante, toda uma série de elementos tomada de empréstimo o espera. O prato é feito de uma espécie de cerâmica inventada na China. A faca é de aço, liga feita pela primeira vez na Índia do Sul; o garfo é inventado na Itália medieval; a colher vem de um original romano. Lê notícias do dia impressas em caracteres inventados pelos antigos semitas, em material inventado na China e por um processo inventado na Alemanha. LINTON, R. O homem: uma introdução à antropologia. São Paulo: Martins, 1959 (adaptado). A situação descrita é um exemplo de como os costumes resultam da A) assimilação de valores de povos exóticos. B) experimentação de hábitos sociais variados. C) recuperação de heranças da Antiguidade Clássica. D) fusão de elementos de tradições culturais diferentes. E) valorização de comportamento de grupos privilegiados. Questão 13. ENEM 2012 Ao final do Ano da França no Brasil, aconteceu na Bahia um encontro único entre a bossa nova brasileira e a música francesa, no show do cantor e compositor baiano radicado na França, Paulo Costa. O show se chama “Toulouse em Bossa” por conta da versão da música “Toulouse”, de Claude Nougaro, que é uma espécie de hino deles, tal como é para nós “Garota de Ipanema”, explica Paulo Costa. Nougaro é famoso na França e conhecido por suas versões de músicas brasileiras, como “O Que Será que Será” e “Berimbau”. Disponível em http://anodafrancanobrasil.cultura.gov.b r. Acesso em: 27 abr. 2010. Adaptado. O que representam encontros como o ocorrido na Bahia em 2009 para opatrimônio cultural das sociedades brasileira e francesa? A) Ocasião para identificar qual das duas culturas é mais cosmopolita e deve ser difundida entre os demais países. B) Oportunidade de se apreciar a riqueza da diversidade cultural e a possibilidade de fazer dialogar com as culturas diferentes. C) .Mostra das diferenças entre as duas culturas e o desconhecimento dos brasileiros em relação à cultura francesa. D) Demonstração da heterogeneidade das composições e da distância cultural entre os dois países. E) Tentativa de se evidenciar a semelhança linguística do francês e do português, com o intuito de unir as diferentes sociedades. GABARITO 01 - D 02 - E 03 - C 04 - C 05 - D 06 - B 07 - C 08 – C 09 – B 10 – E 11 – D 12 – D 13 - B 1. (ENEM 2013) O sociólogo espanhol Manuel Castells sustenta que a comunicação de valores e a mobilização em torno do sentido são fundamentais. Os movimentos culturais (entendidos como movimentos que têm como objetivo defender ou propor modos próprios de vida e sentido) constroem-se em torno de sistemas de comunicação – essencialmente a internet e os meios de comunicação – porque esta é a principal via que esses movimentos encontram para chegar àquelas pessoas que podem eventualmente partilhar os seus valores, e a partir daqui atuar na consciência da sociedade no seu conjunto. Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 70 ”Disponível em: www.compolitica.org. Acesso em: 2 mar. 2012 (adaptado). Em 2011, após uma forte mobilização popular via redes sociais, houve a queda do governo de Hosni Mubarak no Egito. Esse evento ratifica o argumento de que a) a internet atribui verdadeiros valores culturais aos seus usuários. b) a consciência das sociedades foi estabelecida com o advento da internet. c) a revolução tecnológica tem como principal objetivo a deposição de governantes antidemocráticos. d) os recursos tecnológicos estão a serviço dos opressores e do fortalecimento de suas práticas políticas. e) os sistemas de comunicação são mecanismos importantes, de adesão e compartilhamento de valores sociais 2. (ENEM 2014) Opportunity é o nome de um veículo explorador que aterrissou em Marte com a missão de enviar informações à Terra. A charge apresenta uma crítica ao (à) a) gasto exagerado com o envio de robôs a outros planetas. b) exploração indiscriminada de outros planetas. c) circulação digital excessiva a autorretratos. d) vulgarização das descobertas espaciais. e) mecanização das atividades humanas. 3. (ENEM 2013) CAULOS. Disponível em: www.caulos.com. Acesso em 24 set. 2011. O cartum faz uma crítica social. A figura destacada está em oposição às outras e representa a a) a opressão das minorias sociais. b) carência de recursos tecnológicos. c) falta de liberdade de expressão. d) defesa da qualificação profissional. e) reação ao controle do pensamento coletivo. 4. (Enem 2010) A hibridez descreve a cultura de pessoas que mantêm suas conexões com a terra de seus antepassados, relacionando-se com a cultura do local que habitam. Eles não anseiam retornar à sua “pátria” ou recuperar qualquer identidade étnica “pura” ou absoluta; ainda assim, preservam traços de outras culturas, tradições e histórias e resistem à assimilação. CASHMORE, E. Dicionário de relações étnicas e raciais. São Paulo: Selo Negro, 2000 (adaptado). Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com http://s3-sa-east-1.amazonaws.com/descomplica-blog/wp-content/uploads/2015/07/QO.jpg http://s3-sa-east-1.amazonaws.com/descomplica-blog/wp-content/uploads/2015/07/enem-2013-1.png @salinhadoiluminismo 71 Contrapondo o fenômeno da hibridez à ideia de “pureza” cultural, observa-se que ele se manifesta quando: a) criações originais deixam de existir entre os grupos de artistas, que passam a copiar as essências das obras uns dos outros. b) civilizações se fecham a ponto de retomarem os seus próprios modelos culturais do passado, antes abandonados. c) populações demonstram menosprezo por seu patrimônio artístico, apropriando-se de produtos culturais estrangeiros. d) elementos culturais autênticos são descaracterizados e reintroduzidos com valores mais altos em seus lugares de origem. e) intercâmbios entre diferentes povos e campos de produção cultural passam a gerar novos produtos e manifestações. 5. (ENEM - 2013) A recuperação da herança cultural africana deve levar em conta o que é próprio do processo cultural: seu movimento, pluralidade e complexidade. Não se trata, portanto, do resgate ingênuo do passado nem do seu cultivo nostálgico, mas de procurar perceber o próprio rosto cultural brasileiro. O que se quer é captar seu movimento para melhor compreendê-lo historicamente. MINAS GERAIS. Cadernos do Arquivo 1: Escravidão em Minas Gerais. Belo Horizonte: Arquivo Público Mineiro, 1988. Com base no texto, a análise de manifestações culturais de origem africana, como a capoeira ou o candomblé, deve considerar que elas a) permanecem como reprodução dos valores e costumes africanos. b) perderam a relação com o seu passado histórico. c) derivam da interação entre valores africanos e a experiência histórica brasileira. d) contribuem para o distanciamento cultural entre negros e brancos no Brasil atual. e) demonstram a maior complexidade cultural dos africanos em relação aos europeus. 6. Os movimentos extremistas que surgiram na Europa, no século XX, pautavam-se pelo ideal de pureza e superioridade cultural de um grupo étnico. Entre eles, o nazismo é o mais lembrado em virtude do enorme impacto das atrocidades associadas a ele. Se os planos do regime nazista fossem concretizados e o extermínio da população judaica fosse uma realidade, todo e qualquer traço da cultura judaica estaria também exterminado. A afirmação anterior está: a) correta, já que nenhuma cultura permanece sem um povo para mantê-la. b) correta, uma vez que o extermínio da população judaica estava ligado ao expurgo dos traços culturais que cultivavam. c) errada, já que era impossível exterminar todos os judeus que existiam no território alemão. d) errada, pois sempre existirão traços remanescentes de uma cultura embebida em outra em razão do processo de troca e assimilação cultural. 7. Uma das maiores preocupações da Antropologia brasileira é justamente a possibilidade da destruição das culturas indígenas que ainda resistem, em certa medida, no país. Em certos aspectos, o processo de aculturação, que de várias maneiras culminou na mudança cultural e na assimilação dessas culturas indígenas, pode ser visto na mudança da forma como se vestem, na construção de suas casas ou no gradual abandono de suas línguas. Com base no trecho acima, podemos afirmar que a aculturação é equivalente à destruição completa de uma cultura? Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com @salinhadoiluminismo 72 a) Sim, já que as mudanças que uma cultura original sofre tornam-na impura e completamente diferente do que naturalmente era. b) Não, já que a aculturação equivale à absorção recíproca de traços culturais entre culturas diferentes mediante a convivência. c) Sim, uma vez que a aculturação só é possível mediante a imposição absoluta e sistemática de uma cultura sobre outra. d) Não, pois vestimenta, construção de casas e a língua de um grupo não são traços culturais. 8. ENEM 2018 O texto literário evidencia uma percepção dual sobre a cidade e o campo, fundamentada na ideia de a) progresso científico. b) evolução da sociedade. c) valorização da natureza. d) racionalidade econômica. e) democratização do espaço. 9. ENEM 2017 O casamento, conforme é tratado no texto, possui como característica o(a) a) consolidação da igualdade sexual.b) ordenamento das relações sociais. c) conservação dos direitos naturais. d) superação das tradições culturais. e) questionamento dos valores cristãos. 10. ENEM 2017 A persistência das reivindicações relativas à aplicação desse preceito normativo tem em vista a vinculação histórica fundamental entre a) etnia e miscigenação racial. b) sociedade e igualdade jurídica. c) espaço e sobrevivência cultural. d) progresso e educação ambiental. e) bem-estar e modernização econômica. GABARITO: 1E, 2C, 3E, 4E, 5C, 6D, 7B, 8C, 9B, 10C Licensed to Felipe de Oliveira Santos - felipeos92@gmail.com