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Patologia da Sífilis

Material sobre patologia da sífilis: definição e formas de transmissão; classificação (primária, secundária, tardia); sinais clínicos e lesões (cancro duro, erupção palmo-plantar, condiloma lata, alopecia); achados histológicos e diagnósticos.

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PATOLOGIA DA SÍFILIS
São sinônimos: cancro e LUES. É uma doença infecciosa sistêmica, bacteriana, de transmissão quase sempre sexual (95%) e sistêmica, causada pelo Treponema pallidum spp, que é uma espiroqueta.
Essa bactéria penetra no corpo por meio de pequenas lesões durante a relação sexual (portas de entrada). Depois da penetração, a bactéria atinge o sistema linfático e hematogênico, podendo assim acessar todo o organismo. 
A transmissão pode ser sexual (adquirida) e vertical (congênita). Também pode ser por objetos contaminados e transfusão sanguínea (bem mais raras).
A sífilis adquirida pode ser classificada em: primária (altamente contaminante), sífilis secundária (altamente contaminante) e sífilis terciária.
CARACTERÍSTICAS:
· Cursa com períodos de atividades intercalados com períodos de latência
· Sífilis recente – diagnosticada em até 1 ano após a infecção
· Sífilis tardia – diagnóstico acima de 1 ano de infecção
As características presentes no paciente ajudam a identificar em qual período da doença ele se encontra.
SÍFILIS PRIMÁRIA:
· Mucosa levemente lesionada através de pequena abrasão durante o ato sexual
· Logo após a infecção, podem ser identificadas células de fase aguda tentando fagocitar a espiroqueta junto com os neutrófilos polimorfonucleares e macrófagos. Mas só é possível ver isso por microscopia eletrônica!
· Alguns treponemas são eliminados, e os outros se multiplicam e dão continuidade ao processo patológico, sendo drenados para os gânglios locais
· Existência de lesões prévias próximas à área de contato sexual é um fator facilitador para doença
· No local na inoculação, depois de 2 a 3 semanas, surge uma lesão (pode ser até de 3 a 90 dias), chamada de cancro duro
· Essa lesão geralmente ocorre no pênis, boca ou ânus no homem, e na mulher na vagina, colo uterino, boca, ânus e mamas
· Características do cancro duro:
· Úlcera única que desaparece em 3 a 12 semanas sem sequelas
· Tem fundo limpo, bordos elevados, é brilhante e indolor (o paciente geralmente não procura ajuda por isso)
· Pode haver linfadenopatia regional nessa fase
· Esses pontos caracterizam o complexo primário da sífilis
· Caso o paciente procure atendimento nessa fase e a lesão por biopsiada, a principal característica encontrada é a presença de um infiltrado linfoplasmocitário intenso constituído por linfócitos e plasmócitos. Também é desprovida de revestimento epitelial (como toda úlcera)
· O infiltrado inflamatório linfoplasmocitário possui algumas peculiaridades:
· Predomina em torno de vasos
· É bastante extenso e difuso
· Nesse estágio, a infecção é facilmente transmitida
· Pode haver falso negativo em testes sanguíneos até 7 dias de evolução do cancro
· O cancro cura-se em 3 a 6 semanas com ou sem terapia
SÍFILIS SECUNDÁRIA:
· Depois de 6 a 8 semanas de latência, a sífilis secundária já está disseminada
· As lesões podem surgir em qualquer lugar do corpo
· Existem muitos sinais relacionados a essa doença, mais do que sintomas. Por isso, a doença acaba progredindo já que o paciente vê alterações, mas não “sente nada”
· Aspectos clínicos – emagrecimento, perda de apetite, quadro gripal, rouquidão, dor de cabeça, dor de garganta, dor no corpo, aumento dos gânglios
· Vários achados podem ser referidos nessa fase, como lesões palmo-plantares arredondadas e violáceas, roséolas (lesões puntiformes que podem formar pústulas), queda de cabelo e condiloma latum
· A erupção maculopapular difusa e indolor que acontece na região palmo-plantar tem como característica ter uma delaminação prateada. O paciente pode ter ela disseminada por todo corpo 
· O condiloma lata/plano é uma lesão que lembra papilomas virais. Ao encontrar na região genital, é chamado de condiloma acuminado. São lesões verrucosas com aspecto de microlesões bolhosas de superfície acinzentada que predominam na cavidade oral e região genital
· O condiloma plano é a lesão mais infectante da sífilis, podendo estar presente na pele e nas mucosas. Tem bordos pálidos e superfície verrucosa. É uma lesão rica em espiroquetas
· Nessa fase, o paciente pode apresentar áreas de alopecia arredondadas no couro cabeludo ou sobrancelhas
· Podem surgir placas na mucosa, elevadas, indolores, branco-acinzentadas com base eritematosa. Essas placas podem ser encontradas na cavidade oral e genitália
· Microscopicamente, essas placas na mucosa possuem hiperplasia epitelial, neutrófilos polimorfonucleares na parte apical lesionando o epitélio (exocitose neutrofílica), erosões, infiltrado linfoplasmocitário na parte mais basal
· A coloração específica para sífilis pode ser histoquímica ou imuno-histoquímica. Com essas colorações, podemos identificar a espiroqueta, que fica numa cor marrom
· Depois do desaparecimento desse quadro, é iniciado outro período de latência, que pode ser temporário ou definitivo
· Em 25% dos casos há recidiva, 90% em até 1 ano
SÍFILIS TERCIÁRIA
· Pode surgir de 1 até 30 anos após a infecção
· Numa quantidade menor de pacientes, demora muito para aparecer ou pode até não aparecer
· Esse período é muito destrutivo, porém não é mais infectante
· As complicações da sífilis terciária podem ser isoladas ou associadas, sendo reunidas em 3 grandes grupos
· Sífilis tardia benigna
· Sífilis nervosa – lesões no cérebro, meninges ou medula. É chamada de neurossífilis
· Sífilis cardiovascular – lesões no coração e aorta (a aortite sifilítica é a lesão patológica mais comum)
· Neurossífilis – paralisia generalizada, psicose, demência, paresia e morte, atrofia de meninges, giros e sulcos. Os pacientes apresentam tabes dorsalis, que é uma lenta degeneração de neurônios que carregam informação sensorial para o cérebro. Os nervos que se degeneram nesta doença estão localizados nas colunas dorsais da medula espinhal
· Alterações cardiovasculares – na aortite, existe um infiltrado inflamatório linfoplasmocitário na adventícia do vaso, além de espessamento da íntima e redução da luz dos vaso vasorum. Essas alterações podem levar à necrose de pequenos vasos. Quando existe uma necrose nesses vasos, suas paredes ficam esgarçadas e tendem a ocorrer aneurismas
· Fatores de risco para desenvolvimento de aneurismas – endoartrite e diminuição dos vasa vasorum. A translucidez traduz a fragilidade da parede do vaso, grande possibilidade de ruptura
· Existe uma destruição considerável das partes moles e do tecido óssea por conta das gomas. Começam a surgir alterações do tipo granaulomatosas no palato, cavidade oral e septo nasal desses pacientes, que são indolores, mas vão perfurando e destruindo os tecidos
· Hepar lobatum – extensas áreas de fibrose após goma. O tecido hepático passa a apresentar insuficiência hepática
SÍFILIS CONGÊNITA
· Quais são as chances de ocorrer a contaminação do feto? 100% no período primário (fase do cancro), 90% na sífilis secundária e 30% na fase tardia
· A contaminação do feto pode ocasionar aborto, óbito fetal e morte neonatal
· 50% das crianças são assintomáticas no nascimento
· A doença deve ser pesquisada caso ocorra suspeita de a mãe estar infectada
· Se a mãe estiver na fase primária ou secundária, a chance de contaminar o bebê é muito maior
· Sífilis congênita precoce (menor que 2 anos) – pênfigo palmoplantar, exantema acobreado, condiloma plano, placas mucosas, rinite serossanguinolenta, lesões ósseas (pseudoparalisia de Parrot), anemia hemolítica com Coombs negativo
· Sífilis congênita tardia (maior que 2 anos) – bossa frontal (fronte olímpica), tíbia em sabre, alterações dentárias (dentes de Hutchinson e molares em amora), nariz em sela, rágades, ceratite intersticial, articulação de Clutton e surdez
· As lesões mucocutâneas não são biopsiadas no caso da sífilis congênita, vai direto para o tratamento do bebê
· Precisamos ter atenção principalmente ao cancro duro (lesão que desaparece, o paciente pode contaminar outras pessoas) e às lesões da fase secundária
· As complicações da sífilis congênita podem levar o bebê à óbito ou causar muitas sequelas
· Tríade de Hutchinson – ceratite intersticial, dentes de Hutchinson e molares em amorae surdez do 8º nervo
EXAMES
· VDRL (teste não treponêmico) – positivo 25% na sífilis primária, 100% na secundária e acompanhado através de titulação nas fases latentes. É importante para controle de cura
· FTA-ABS – é treponêmico, permanece positivo e indica que o paciente já teve a doença
· A patologista analisa biópsia do cancro duro ou das lesões da sífilis secundária