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SBCM I – Pneumologia – Michelle Del Nery Espirometria SBCM - Pratica Introdução A espirometria avalia a capacidade pulmonar do paciente. Quantifica o volume de ar que o paciente é capaz de inspirar e expirar durante a respiração. Em outras palavras, mede a quantidade de ar que entra e sai dos pulmões, além da velocidade com que isso ocorre. O exame serve para identificar possíveis doenças pulmonares restritivas ou obstrutivas. O aparelho é chamado de espirômetro. Coloca- se um clip nasal no paciente para que ele não elimine ar pela cavidade nasal. Para realizar este exame, é necessário que o paciente esteja perpendicular ao medico para que a expiração dele não atinja o medico. A SBP proibiu o exame em março de 2020, até a produção e utilização do filtro que impede a contaminação, devido à pandemia de Covid-19. A espirometria é utilizada para: ▪ Identificação da doença – é possível identificar quando o quadro é obstrutivo, restritivo, inespecífico ou pseudo restritivo - ou envolvimento pulmonar ▪ Quantificação da doença: pois é possível analisar percentualmente a evolução da doença. ▪ Diagnostico: utilizada para fechar o diagnostico e não propriamente diagnosticar, pois deve-se analisar o quadro clinico do paciente. ▪ Detecção de doença precoce: principalmente quando for obstrutiva pois no inicio da doença o que esta reduzido é o fluxo expiratório. O fluxo é o volume sendo deslocado por uma unidade de tempo. Ou seja, fluxo=velocidade, que estará reduzida. ▪ Prognostico funcional: por exemplo, se é observado quadro obstrutivo grave, é fato que o paciente estará funcionalmente em mau estado ▪ Acompanhamento e resposta ao tratamento ▪ Avaliação da incapacidade: Obs: quando verificamos que a espirometria da um resultado de quadro obstrutivo ou outro, por exemplo, de acordo com a clinica é possível chegar ao diagnostico. Isto é possível mediante o conhecimento da fisiopatologia das doenças. Mas, quando for um padrão restritivo a dificuldade aumenta pois há mais doenças que têm este padrão: pneumotórax, derrame pleural,; são quadros que dificultam a entrada de ar nos pulmões: a complacência – poder de distensão do parênquima pulmonar - . Volumes e Capacidades Volume corrente: quantidade de ar que entra e sai dos pulmões durante o ato inspiratório ou expiratorio normal. Ou seja, é o volume de ar inspirado ou expirado em cada respiração normal. Volume de reserva inspiratório: volume máximo de ar que pode ser inspirado após uma inspiração espontânea, ou seja, volume extra de ar inspirado além do volume corrente normal. Volume de reserva expiratório: máximo volume extra de ar que pode ser expirado em uma expiração forçada após a expiração espontânea. Volume residual: é o volume de ar que fica nos pulmões após uma expiração forçada máxima. Capacidade é soma de volumes e a mais importante é a Capacidade Vital. Capacidade pulmonar total: é a soma dos quatro volumes pulmonares. Ou seja, é a quantidade total de ar presente nos pulmões na inspiração SBCM I – Pneumologia – Michelle Del Nery máxima. Em outras palavras, é o volume máximo a que os pulmões podem ser expandidos com o maior esforço. Capacidade Vital: representa o maior volume de ar mobilizado, podendo ser medida tanto na inspiração quanto na expiração. É a quantidade total de ar que pode ser mobilizado entre a inspiração máxima e a expiração máxima, ou seja, reflete a soma entre o volume de reserva inspiratória, o volume de reserva expiratória e o volume corrente. Obstrução x Restrição Quadros Obstrutivos: A característica de DPOC sempre sera por fator obstrutivo, como secreção nas vias aéreas, no caso da bronquite crônica. A bronquite crônica é uma tosse com expectoração mucopurolenta que ocorre pela hipertrofia e hiperplasia das glândulas mucosas. Também pode ser Enfisema Pulmonar, devido à destruição da elastina pela enzima elastase. Outro quadro importante de Obstrução é a Asma, que ocorre devido ao broncoespasmo. Quando temos estes quadros patológicos obstrutivos, o paciente faz retenção aérea. A DPOC demora cerca de 40 anos para evoluir, tem inicio insidioso. Assim, o volume residual aumenta e empurra todos os outros volumes para cima, ocasionando aumento da Capacidade pulmonar total. Isto causa quadro obstrutivo que tem como característica a retenção aérea, pois vai apresentar dificuldade para expirar, isto é, para o ar sair.. No caso disparador, o individuo tem 56 anos, é fumante de longa data e evoluiu para quadro respiratório crônico, que pode agudizar. Quadros Restritivos: Em indivíduos com tumores, fibrose, pneumolobotomia, têm redução da Capacidade pulmonar total. Nesses casos, ao contrario da obstrução, o ar vai ter dificuldade para entrar. A dificuldade é inspiratória, pois os pulmões não se distendem muito. Principais resultados da Espirometria ✓ Capacidade vital CV ✓ Volume expiratório forçado no primeiro segundo VEF1: o paciente faz expiração máxima, forçada. Deve-se analisar o primeiro segundo, pois é nele que o paciente vai eliminar 75-80% do ar que ele inspirou. ✓ Razão VEF1/CVF ou %VEFt: Indice de Tiffeneau: ou seja, o percentual de ar que saiu no primeiro segundo, em relação ao total do volume expiratório. Em outras palavras, quanto percentualmente representa o VEF1 em relação ao VEF total. ✓ FEF25-75%/CVF: é o fluxo expiratório forçado entre 25-75%, que é exatamente no meio da inspiração, se refere ao ar que esta nos alvéolos. Eliminar esses 25% iniciais pois é o ar que está no espaço morto. Já os 25% finais são eliminados pois, quando se realiza inspiração máxima esse percentual final é realizado por musculatura acessoria, e não queremos analisar a ação dessa musculatura, por isto também eliminados os 25% finais. Obs: Espaço morto: O ar passa pela cavidade nasal, faringe, laringe, traqueia, brônquios principais, bronquios lobares, brônquios segmentares, bronquíolos e bronquíolos terminais: é uma área normoventilada, mas não há perfusão – pois não há troca gasosa, por isso é chamado de Espaço Morto. Só depois dos bronquíolos respiratórios e alvéolos é que acontecerão as trocas gasosas. SBCM I – Pneumologia – Michelle Del Nery Disturbios Ventilatorios Pode ocorrer: Distúrbio Ventilatório Obstrutivo: Sempre que for obstrutivo, tenho alterações do VEF1. A dificuldade é expiratória. VEF1: estará reduzido CVF: não sofre alteração pois ela condiz com padrões restritivos e não obstrutivos. Pode estar normal ou reduzida Indice de Tiffeneau: obrigatoriamente reduzido FEF25-75%/CVF: velocidade com que o ar penetra estará reduzida. Disturbio Ventilatório Restritivo Sempre que for restritivo, tem alterações da CVF. VEF1: reduzida ou normal CVF: obrigatoriamente CVF reduzida Indice de Tiffeneau: obrigatoriamente aumentado pois é restritiva FEF25-75%/CVF: obrigatoriamente aumentada pois é restritiva Obs: estas duas ultimas situações ocorrem pois, como entrou pouco ar, isto é, a inspiração foi reduzida, esse pouco ar será todo expirado no primeiro segundo. Disturbio Ventilatório Inespecífico/Pseudo-restritivo: VEF1: reduzido CVF: reduzido Indice de Tiffeneau: normal FEF25-75%/CVF: normal Distúrbio Ventilatório Misto Quando for misto, obrigatoriamente precisa ser obstrutivo com redução da CVF CVF: reduzido VEF1: reduzido Indice de Tiffeneau: reduzido Disturbio Ventilatorio Obstrutivo Disturbio Ventilatorio Restritivo Disturbio Ventilatorio Inespecifico ou Pseudo-Obstrutivo Disturbio Ventilatorio Misto DVOVEF1s ↓ CVF ↓ ou normal iT ↓ FEF25- 75%/CVF: ↓ DVR VEF1s ↓ ou normal CVF ↓ iT ↑ FEF25- 75%/CVF: ↑ DVI/P VEF1s ↓ CVF ↓ iT normal FEF25- 75%/CVF: normal SBCM I – Pneumologia – Michelle Del Nery FEF25-75%/CVF: reduzido Quando houver Disturbio Misto, preciso analisar se a % da CVF é maior do que a % de VEF1, através de subtração: %CVF - %VEF1, para saber se é ou não Disturbio Obstrutivo. O resultado obtido deve ser analisado juntamente à tabela que varia de 0-12: ▪ 0-12, é um distúrbio misto. ▪ 12-24, evolução. ▪ >24, o paciente esta em hiperinsuflação pulmonar – como em indivíduos enfisematosos de longa data Valores Preditivos ou Previstos Para realizar a Espirometria, há cinco variáveis a serem consideradas: ✓ Peso ✓ Altura ✓ Raça ✓ Sexo ✓ Idade Mediante isto, o software já da resultados referenciais. Para toda a população, cada um terá um valor de referencia próprio, que indica o que é normal, denominado de predito ou previsto, bem como o mínimo normal e o máximo normal. Resposta Broncodilatadora – Prova Pós BD Após exame, utilizar 400mcg de broncodilatador, como por exemplo Aerolin – 4 borrifadas. A Prova Pós BD pode ser Positiva ou Negativa. Avaliar VEF1 e CVF, é positiva se: VEF1: ➢ Aumento> 7% ou 12% ➢ Aumento > 200ml CVF: ➢ Aumento > 350ml Se houver valores de “Pós BD” na Espirometria, independente do caso devemos avaliar se é ou não positiva por VEF1 e/ou CVF. Se for um quadro de DPOC, para ser Pós BD positiva: ➢ VEF aumento de 200ml e variação pré prova de 12% ➢ OU CVF acima de 350ml Grau de Gravidade Mas também é importante avaliar o Grau de Gravidade para Obstrução e Restrição: ➢ Obstrução: verificar no VEF1 ➢ Restrição: verificar no CVF Obstrução ➢ Leve: VEF1 no limite inferior até 60% ➢ Moderado: VEF1 59-40% ➢ Grave: < 40% Restrição e Pseudo Restrição: ➢ Leve: CVF limite inferior ate 60% ➢ Moderado: CVF vai de 59-50% ➢ Grave: < 50% DV Misto VEF1s ↓ CVF ↓ iT ↓ FEF25- 75%/CVF: ↓ SBCM I – Pneumologia – Michelle Del Nery Obs: isto é utilizado em indivíduos Não-DPOC. Em indivíduos com DPOC, utiliza-se Gold para classificar a gravidade Gold É o padrão ouro para diagnostico de DPOC. O parâmetro principal é o Indice de Tiffenaud, que deve estar obrigatoriamente <70%. O exame com Indice de Tiffeneaud entre 60- 80% deve ser repetido para melhor avaliação e desconsidera a resposta broncodilatadora, tanto para diferenciar DPOC de Asma, como para prever resposta ao tratamento com corticoide. Indice de Tiffenaud < 70% deve-se avaliar os sintomas e decidir pelo tratamento. Por melhor que seja a resposta ao broncodilatador, a DPOC não irá ultrapassar 70%. Enquanto que, no asmático, a melhora será percentualmente muito maior. Podemos caracterizar o quadro como sendo DPOC em pacientes com histórico sugestivo, fumantes, etc, nesses casos devemos utilizar o Gold. Classificação baseada na gravidade da limitação de vias aéreas na DPOC – baseado no VEF1 pós broncodilatador: ▪ Leve: VEF1 >/80% do valor preditivo ▪ Moderado: VEF1 50-80% do valor preditivo ▪ Grave: VEF1 30-50% do valor preditivo ▪ Muito Grave: VEF1 </30% do valor preditivo Classificar a Gravidade Paciente sem quadro sugestivo de DPOC Classificar a Gravidade com os valores da tabela geral - individuos não-DPOC Paciente com quadro sugestivo de DPOC Classificar a Gravidade com valores da GOLD