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Diretrizes PCH

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para o fato de que a forma simples, prática e objetiva que se procurou adotar não deve 
ser entendida como estímulo ao excesso de simplificação, muito menos ao seu uso por leigos, e sim 
como um esforço de obtenção de tecnologia que conduza a um custo baixo, compatível com a 
realidade e as necessidades do país. 
Admite-se que os possíveis interessados em implantar PCH poderão consultar estas Diretrizes 
para terem uma idéia do empreendimento que pretendam realizar, mas dele não deverão fazer uso 
sem a assistência de engenheiro com experiência comprovada no desenvolvimento de estudos e
projetos de obras dessa natureza. 
Os tipos de PCH considerados neste documento são apresentados no Capítulo 2. 
O empreendedor interessado em estudar e implantar uma PCH deverá conhecer: 
• a legislação sobre o assunto, listada no Capítulo 8 e no Anexo 4 destas Diretrizes; 
• o Plano Decenal de Expansão do Setor Elétrico, anualmente atualizado; 
o mercado de energia e as regulamentações de comercialização do seu produto; 
• o roteiro de atividades necessárias e obrigatórias para os estudos e projetos de PCH (Capítulo 3), 
que incluem, evidentemente, a análise técnico-econômica e ambiental da viabilidade do negócio. Um 
roteiro para a elaboração inicial dessa análise é apresentado no Capítulo 4. Caso o resultado seja 
positivo, os estudos e projetos devem ser desenvolvidos segundo as diretrizes apresentadas nos 
demais Capítulos (5 ao 9). O Relatório Final deve ser elaborado segundo a itemização 
apresentada no Capítulo 10. 
É bastante importante, também, que o empreendedor tenha ciência da necessidade de proceder 
a consultas aos Planos Diretores de Recursos Hídricos estaduais e municipais, prontos ou em
elaboração, onde são estabelecidos os critérios de uso da água. Devem ser consultados, para tal, os 
órgãos gestores estaduais ou nacional (Secretaria de Recursos Hídricos do Ministério do Meio 
Ambiente) ou os próprios Comitês de Bacias Hidrográficas que já estiverem implantados. 
Observa-se que, para grande parte das bacias brasileiras, existem Estudos de Inventário já 
realizados ou em realização pela ELETROBRÁS-ANEEL e também por companhias privadas, os 
quais devem ser rigorosamente analisados. 
Em bacias não inventariadas não se deverá inserir uma PCH sem antes realizar-se um Estudo 
de Inventário Hidrelétrico, que pode ser feito de forma simplificada em bacias cuja vocação 
hidrenergética seja para aproveitamentos com até 50 MW de potência instalada(RES-393/ANEEL) 
Para se conhecer, em detalhes, a gama dos Estudos de Inventário existentes, recomenda-se, ao 
interessado, consultar o Relatório Anual do GTIB - ELETROBRÁS (Grupo de Trabalho de 
Informações Básicas para o Planejamento da Expansão da Geração) e o SIPOT – Sistema de 
Informação do Potencial Hidrelétrico Brasileiro. A ELETROBRÁS mantém um "site" na Internet onde 
se pode encontrar e/ou solicitar todas as informações. O endereço é http://www.eletrobras.gov.br/ 
Para os Estudos de Inventário Autorizados, em Andamento e Aprovados, recomenda-se 
consultar o site da ANEEL (http://www.aneel.gov.br/), “Ações Governamentais Relacionadas aos 
Empreendimentos de Geração” de energia elétrica, o qual é atualizado periodicamente. 
Recomenda-se, ainda, no que diz respeito à Legislação, que os usuários se mantenham 
atualizados quanto às Portarias, Resoluções, etc., através da página da ANEEL. 
Além disso, deverão ser considerados os seguintes aspectos importantes, para o bom
entendimento destas Diretrizes: 
- não se deve querer adaptar a elas a tecnologia usual das grandes usinas hidrelétricas. Uma PCH 
não é uma usina grande em escala reduzida. Quando determinado item de projeto assumir porte
significativo, ou uma complexidade acima da prevista nestas Diretrizes, ou ainda quando as
características físicas do empreendimento extrapolarem as das PCH, definidas no Capítulo 2, o 
responsável pelos estudos deverá se valer da bibliografia especializada, relacionada ao final destas 
Diretrizes. Em qualquer caso, repete-se, será necessário consultar especialistas no assunto; 
- este documento foi previsto para estudos, projetos e construção de novas PCH. No entanto, pode e 
deve ser usado para estudos de reativação, recapacitação e/ou ampliação de PCH existentes; 
- evitaram-se as justificativas dos critérios e fórmulas utilizadas. A consulta à bibliografia relacionada
no Anexo 7 esclarecerá as dúvidas suscitadas; 
- todas as fórmulas necessárias são fornecidas, bem como são devidamente explicadas suas 
grandezas e coeficientes; 
- foram adotadas as normas da ABNT, sempre que existentes. 
Estas Diretrizes se aplicam aos tipos de PCH listados no Capítulo 2 - Tipos de Pequenas 
Centrais Hidrelétricas. Outras limitações são ressaltadas ao longo do texto. 
RETROSPECTO SOBRE OS ESTUDOS E PROJETOS DE PCH 
A ELETROBRÁS, Centrais Elétricas Brasileiras S. A., em convênio com o DNAEE, 
Departamento Nacional de Águas e Energia Elétrica, hoje ANEEL - Agência Nacional de Energia
Elétrica, publicou em 1982 a primeira versão do Manual de Pequenas Centrais Hidrelétricas do qual 
estas Diretrizes constituem uma revisão e atualização. 
Um dos objetivos destas "Diretrizes" é o de consolidar a experiência e a tecnologia nacional 
mais atualizada sobre os estudos, projetos e construção dessas centrais. Essa tecnologia existe no 
país há um século, aproximadamente, e foi desenvolvida através da implantação de um grande 
número de PCHS. O Manual de 1982 cita as informações relacionadas a seguir. 
- O Boletim no 2 do DNPM – Departamento Nacional de Produção Mineral, intitulado “Utilização de 
Energia Elétrica no Brasil”, 1941, já registrava a existência de 888 PCHS e 1.128 pequenas 
unidades geradoras, com até 1.000 kW de potência. 
- A Companhia Federal de Fundição publicou, na década de 40, uma relação de 727 pequenas 
turbinas hidráulicas, de fabricação própria e de outras indústrias, fornecida pela empresa Herm 
Stoltz & Cia., para usinas com capacidade de até 200 kW. 
- A Hidráulica Industrial S.A. - Indústria e Comércio - HISA, Joaçaba (SC), tem fornecido pequenas 
turbinas desde 1950. 
- A WIRZ Ltda., Estrela (RS), funcionando desde a década de 20, até 1981 já tinha fabricado mais 
de mil pequenas turbinas. 
- Da mesma forma, ocorreu com a JOMECA Ltda., de São Paulo, que iniciou suas atividades em 
1925. 
Hoje, no SIPOT/ELETROBRÁS - Sistema de Informação do Potencial Hidrelétrico Brasileiro, 
existem registrados cerca de 286 aproveitamentos com potência menor que 10 MW. 
Atualmente, o interesse de investidores privados por este tipo de empreendimento é grande. 
Essa tendência decorre das mudanças institucionais que vêm ocorrendo no país, com a privatização 
das empresas do Setor Elétrico e, sobretudo, com as mudanças na legislação no que diz respeito à 
produção e comercialização de energia. 
A Diretoria Executiva da ELETROBRÁS instituiu, em 1996, o Programa Nacional de Pequenas
Centrais Elétricas - PNCE, com o objetivo de viabilizar a implantação de usinas de geração elétrica, 
de pequeno porte, de forma a suprir carências de energia em todo o território nacional, com 
eficiência, relação custo/benefício otimizada e com tecnologia que permita o estudo, o projeto, a
construção/instalação, a operação e a manutenção dessas centrais de forma segura e acessível. 
Detalhes do PNCE (conceitos, definições, escopo, objetivo, prioridades e diretrizes), bem como
os Aspectos Legais, Institucionais e Linhas de Ação do Programa, podem ser obtidos junto à 
ELETROBRÁS. O Programa possui uma Política Operacional para Financiamento de Projetos que
define questões tais como a origem e destinação dos recursos, seleção e prioridade dos projetos, 
habilitação de empresas, condições financeiras e de liberação de recursos. 
Finalmente, cabe fazer referência ao CERPCH – Centro Nacional de Referência em Pequenos 
Aproveitamentos Hidroenergétricos, criado sob os auspícios do Fórum Permanente de Energias 
Renováveis, do Ministério da Ciência e Tecnologia,

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