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Exame físico do abdômen: 
O exame físico do abdômen é dividido em partes, assim 
como o do sistema respiratório e o do sistema 
cardiovascular. 
Ele é composto por: Inspeção; Ausculta; Percussão; 
Palpação (superficial e profunda). 
**Podemos perceber que a ausculta, diferentemente dos outros aparelhos, é 
feita no momento inicial do exame, após a inspeção e antes da palpação, pois 
a palpação pode influenciar nos sons hidroaéreos (peristálticos) auscultados, 
ou seja, ela estimula o peristaltismo, podendo alterar a hipótese e sua 
conduta. 
Para que este seja feito de maneira adequada, 
proporcionando a investigação clínica dos órgãos 
internos, dividimos o abdômen em 9 regiões: 
 
 
Vamos por partes então: 
INSPEÇÃO: Composta por classificação do tipo abdominal 
(escavado, globoso, plano, avental, batráquio e 
assimétrico), verificação de cicatrizes, retrações, 
movimentos, abaulamentos, assimetrias (em caso de 
assimetria por massa abdominal, devemos sempre avaliar 
a localização, o volume, a mobilidade respiratória, a 
pulsação e se desaparecem com a contração da 
musculatura), escoriações, esquimoses, circulação 
colateral (pode ser em 2 padrões: Cava superior -> 
circulação verticalizada; e portal -> circulação saindo do 
centro, formando a cabeça de medusa) e hematomas. 
A semiotécnica propõe que a inspeção seja feita sempre 
com o paciente deitado, com o dorso apoiado na maca, 
sem cruzar nenhum dos membros. 
IMAGENS REPRESENTANDO INSPEÇÕES: 
 
 
IMAGENS MOSTRANDO CIRCULAÇOES COLATERAIS: 
 
**Além disso, devemos reparar se possui peristaltismo visível no momento da 
inspeção. 
AUSCULTA ABDOMINAL: Na ausculta abdominal podemos 
perceber o som dos ruídos hidroaéreos (interação do 
peristaltismo com os líquidos e gases), que ocorrem, em 
condições normais (euperistalse -> 3 a 6 ruídos por 
minuto), a cada 5-10 segundos com timbre agudo e 
localização variável (aparecimento imprevisível). 
Em casos de diarreia ou oclusão intestinal, os ruídos 
podem estar aumentados (hiperperistalse), diante do 
aumento do peristaltismo gastrintestinal -> válido 
destacar que na oclusão intestinal, esse aumento do 
peristaltismo é na fase inicial “PERISTALTISMO DE LUTA”, 
na tentativa de combater a oclusão, porém com o tempo, 
os ruídos tendem a diminuir (hipoperistalse) e 
posteriormente evoluir com o silêncio (aperistalse -> deve 
Faculdade Ciências Médicas MG // Patologia Médica II Luísa Trindade Vieira (@luisatrindadev) – 72D 
Diástase 
Cicatrizes (flanco 
esquerdo, hipocôndrio 
esquerdo e epigastro) Abdômen globoso 
Flacidez (avental: 
emagrecimento rápido) Abdômen globoso 
Distendido (gás) com 
hérnia umbilical 
ter silêncio por no mínimo 5 minutos em todas as 9 regiões 
abdominais). 
Para que seja feita de maneira adequada, assim como na 
inspeção, a semiotécnica propõe que o paciente esteja 
deitado em decúbito dorsal no momento da ausculta e 
devemos colocar o estetoscópio nas 9 regiões para a 
conferência dos ruídos hidroaéreos. 
Além destes ruídos, em alguns casos, podemos auscultar 
sopros abdominais, em regiões específicas, sendo elas: 
 
**Os sopros abdominais, podem ser indicativos de isquemia intestinal, ou 
obstrução parcial de vasos ou de aneurismas (devem ser caracterizados em 
sopros sistólicos, de origem arterial, ou sopros contínuos, de origem venosa). 
PERCUSSÃO ABDOMINAL: A partir dela, podemos 
identificar a presença de ar (timpanismo -> alça 
intestinal ou pneumoperitônio), líquidos ou massas intra-
abdominais (macicez -> víscera parenquimatosa, ou 
muscular, líquido ou massa abdominal). 
A semiotécnica indica que a percussão abdominal seja 
feita com o paciente deitado em decúbito dorsal, 
iniciando-se na linha hemiclavicular do hemitórax direito 
e descendo até a região do flanco direito, para que seja 
feita a hepatimetria do paciente (medir o tamanho do 
fígado, identificando se ele ultrapassa o rebordo costal, 
para classificarmos a hepatomegalia, em caso positivo -> 
o normal é som claro pulmonar, transferindo para som 
maciço do fígado e abaixo do rebordo costal o timpanismo 
abdominal). Posteriormente deve-se fazer a percussão por 
todo o abdômen do paciente, também dando uma 
atenção maior a linha hemiclavicular do hemitórax 
esquerdo, pois podemos identificar esplenomegalia 
(avaliação do espaço semilunar de traube -> o normal 
seria transferência de som claro pulmonar para som 
timpânico do fundo gástrico, porém em casos de 
esplenomegalia, temos a transferência de som claro 
pulmonar para macicez e posteriormente timpanismo). 
PALPAÇÃO ABDOMINAL: Momento em que colhemos 
informações fundamentais para a elaboração do 
raciocínio, pois avaliamos as características da parede 
abdominal e seu conteúdo, reconhecemos as condições 
das vísceras abdominais e consistências (é importante 
dizer que, em condições normais, não conseguimos 
distinguir todas as vísceras pela palpação) e exploramos 
a sensibilidade abdominal. 
A semiotécnica propõe que o examinador deve realizar o 
exame se posicionando ao lado direito do paciente (que 
está em decúbito dorsal), e devemos sempre avisar para 
o paciente se manifestar em caso de dor ou desconforto. 
**Devemos sempre ficar atentos as fácies que o paciente fizer no momento 
da palpação abdominal (observar fácie de dor/desconforto). 
A PALPAÇÃO É DIVIDIDA NA SEGUINTE ORDEM: Palpação 
superficial, palpação profunda e manobras especiais de 
palpação -> Pode ser feita monomanual (avaliação de 
parede abdominal -> tonicidade de musculatura, 
sensibilidade...), bimanual (avaliar conteúdo abdominal), 
com as mãos superpostas (avaliar conteúdo abdominal em 
pessoas obesas) ou bidigital (localizar pontos sensíveis na 
parede abdominal e localizar orifícios herniários). 
SOBRE AS PALPAÇÕES: 
• PALPAÇÃO SUPERFICIAL: Avaliamos a tensão, 
sensibilidade e integridade da parede abdominal, 
sendo que em condições normais, a tensão é 
ligeiramente maior no centro do abdome do que nos 
flancos (músculos retos abdominais) -> Caso o 
paciente chegue com queixa de dor abdominal, 
devemos pedir para que ele localize a dor, para que 
comecemos o exame em outra região abdominal. Além 
disso, devemos pedir para que ele diga se a dor é 
localizada ou difusa (caso seja localizada, devemos 
identificar se ela se localiza em algum dos pontos 
relacionados ao compartimento de algum órgão); 
 
**Devemos sempre diferenciar se a dor é sentida no momento da palpação 
profunda ou no momento da palpação superficial. 
• PALPAÇÃO PROFUNDA: Tem como objetivo a 
investigação de órgãos contidos na cavidade 
abdominal e de possíveis massas presentes nela, e 
para que ela seja feita com sucesso, a musculatura 
parietal deve estar relaxada -> em condições normais 
não se consegue sentir o estômago, duodeno, 
intestino delgado, vesícula biliar, baço, cólon 
ascendente e descendente. É DENTRO DA PALPAÇÃO 
PROFUNDA QUE REALIZAMOS: 
- Palpação do fígado: Existem várias técnicas de 
palpação do fígado, mas o procedimento básico e 
fundamental, consiste na palpação profunda do 
hipocôndrio direito e do epigastro, junto ao rebordo 
costal direito, coordenada com os movimentos 
respiratórios (expiração ajusta-se a mão à parede 
abdominal e inspiração comprime-se a parede 
buscando detectar a borda hepática) -> são 3 
métodos: 
 
 
**Imagem retirada do livro “MANUAL DE SEMIOLOGIA MÉDICA” SANAR 
- Palpação do baço: Somente palpável em condições 
patológicas, quando atinge de 2x até 3x o seu 
tamanho habitual -> Classificados em tipo I (palpável 
sob rebordo costal esquerdo), II (baço palpável logo 
abaixo do rebordo costal esquerdo), III (baço 
palpável até o plano horizontal ao nível da cicatriz 
umbilical) e IV (baço palpável abaixo do plano 
horizontal do nível da cicatriz umbilical). 
 
**Além do tamanho devemos identificar se a palpação esplênica é 
dolorosa, pois dor pode ser indicativo de processo inflamatório de 
cápsula ou vigência de infarto esplênico. 
- Palpação da vesícula biliar: Normalmente não é 
palpável, e só será em caso deaumento de volume, da 
tensão da parede e da pressão em seu interior, pela 
dificuldade de esvaziamento -> pode ser palpada pelo 
método de lemos torres (caso esteja palpável, indolor 
e acompanhada de icterícia, temos a presença do 
sinal de Courvoisier-Terrier). 
- Palpação dos rins: Normalmente não são palpáveis, 
sendo que rins aumentados em apenas um dos flancos 
sugerem tumores, cistos ou hidronefrose. Já o 
aumento de ambos os rins, sugerem doença 
policística. 
 
• MANOBRAS ESPECIAIS DE PALPAÇÃO: 
- Sinal de Blumberg: Pesquisa de irritação peritoneal, 
quando o paciente possui dor ou piora da dor, quando 
fazemos a compressão e à descompressão no ponto de 
McBurney -> Descompressão súbita é um sinal de 
irritação peritoneal; 
 
- Sinal de Torres-homem: Dor aguda na região de projeção 
hepática no momento da percussão -> indicativo de 
abcesso hepático; 
- Sinal do obturador: Sinal de inflamação pélvica (várias 
causas, gerando a inflamação do obturador interno) -> 
flexão da perna sob a coxa e da coxa sob a pelve, fazendo 
rotação interna (presença de dor hipogástrica em caso 
positivo); 
 
- Sinal do psoas: Irritação do músculo psoas 
(comprometimento inflamatório retroperitoneal -> 
apendicite ou pancreatite); 
 
- Sinal de Giordano: Punho-percussão na altura da fossa 
lombar do paciente, com o ele sentado e com as pernas 
pendentes -> Caso o paciente sinta dor aguda o sinal é 
considerado positivo e pode indicar litíase renal ou 
pielonefrite aguda; 
 
- Sinal do piparote: Paciente deitado em decúbito dorsal 
aplica-se um peteleco de um lado da barrica dele, caso 
tenha a transmissão de uma onde mecânica de um lado 
para o outro o sinal é positivo -> indica ascite. 
 
- Semicírculos de Skoda: Quando no momento da 
percussão temos timpanismo acima da macicez (em caso 
de distensão abdominal), indicando ascite em caso de 
macicez móvel (paciente se deita e a macicez se move, 
não fica localizada no mesmo local -> LÍQUIDO LIVRE NA 
CAVIDADE ABDOMINAL). 
 
 
VÍDEOS PARA COMPLEMENTAR O APRENDIZADO: 
https://www.youtube.com/watch?v=j-LPOnz0bX4 
https://www.youtube.com/watch?v=sORlblD608Q

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