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ATIVIDADES ESTRUTURADAS

	NOME DA DISCIPLINA:
	 PSICOLOGIA APLICADA AO DIREITO

	 
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	 
	 

	CÓDIGO:
	CCJ0004

	TÍTULO DA ATIVIDADE ESTRUTURADA: 

	Psicologia científica e senso comum.

Objetos de estudo da Psicologia. Fenômenos psicológicos.

Por: Adelmo Senra Gomes(1)

	OBJETIVO:

	
Compreender a importância do estudo da Psicologia para os futuros profissionais do Direito;

	

	

	

	

	COMPETÊNCIAS/HABILIDADES:

	Identificar as diferenças entre a Psicologia científica e o senso comum e alguns conceitos desta Ciência

	

	

	DESENVOLVIMENTO:

	Psicologia científica e senso comum.

Objetos de estudo da Psicologia. Fenômenos psicológicos.

Este ensaio tem por objetivo introduzir uma reflexão sobre a psicologia e o seu status de ciência. Contudo, para atingirmos tal objetivo, importa que, inicialmente, examinemos os principais conceitos do que se convencionou chamar ciência, bem como suas principais diferenças em relação ao senso comum.

O conhecimento científico fundamenta-se sobre os seguintes pressupostos: 1º. “A ciência é uma estrutura construída sobre fatos.” (DAVIES apud CHALMERS, 1993, p.24); 2º O processo de obtenção, justificação e transmissão do conhecimento científico orienta-se por uma rigorosa metodologia de pesquisa. Ou seja: observação, experimentação (ou outra qualquer técnica científica de pesquisa); análise lógica, crítica e meticulosa dos fatos (é comum, inclusive, o emprego de instrumentos matemáticos).(2)

Enquanto o senso comum habitualmente cinge-se aos dados imediatos, ou, então, procura explicações nem sempre profundas, o conhecimento científico procura bases sólidas, justificações claras e exatas. Isso não é possível em todos os casos. A tendência do cientista, porém, é se aproximar gradativamente de fundamentos fortes para seus conhecimentos. (LUNGARZO, 1993, p.12)

3º. O conhecimento científico é sistêmico, organizado. As teorias científicas não devem ser contraditórias em si e entre si. Diferentemente, o senso comum, não preza por tal rigor, sendo, normalmente, fragmentado, desorganizado e, por vezes, até contraditório. 4º. O conhecimento científico constrói explicações gerais e não particulares ou casuísticas. Não se faz ciência de casos particulares, mas sim, do que há de regular e comum numa determinada classe de eventos. 5º. O conhecimento científico busca prognosticar futuras ocorrências dos fatos estudados. Tais prognósticos científicos têm um caráter probabilístico e não determinísticos(3).

A ciência, em seu labor pelo conhecimento, desenvolve modelos explicativos(4) sobre os fatos estudados. Por serem modelos são aproximações e não a “verdade” sobre os fatos.

Finalmente, as explicações científicas necessitam ser submetidas, regularmente, a um constante e rigoroso processo de verificação e testes ou, como propõe Popper (1993, p.41), a um constante esforço de falsificação, pois, se de fato forem falseadas, isto provará que o que os cientistas tinham por “conhecimento”, não o era...

Estabelecidos tais pressupostos sobre a ciência, passemos ao exame da psicologia.

A história da psicologia enquanto ciência inicia-se em 1879 quando na Universidade de Leipzig, Alemanha, o médico, filósofo e psicólogo alemão, Wilhelm Wundt (1832-1920), funda o primeiro laboratório de pesquisa experimental em psicologia. Antes de Wundt a psicologia era tida, simplesmente, como um ramo da filosofia.

Em sentido lato, a psicologia tem por objetos de pesquisa o comportamento e os processos mentais de todos os seres vivos. (DAVIDOFF, 2001; MORRIS; MAISTO, 2004; MYERS, 2000)

Define-se por comportamento toda forma de “[...] resposta ou atividade observável realizada por um ser vivo.” (WEITEN, 2002, p. 520) Por seu turno, processos mentais aludiriam às “[...] experiências subjetivas que inferimos através do comportamento(5) – sensações, percepções, sonhos, pensamentos, crenças, sentimentos.” (MYERS, 1999, p.2).

Com relação a esses objetos há que se ressaltar que o comportamento, por ser um dado objetivo, possibilita observações, mensurações, análises e interpretações quantitativas e qualitativas. Contudo, os processos da mente, por serem experiências subjetivas, não são passíveis à observação direta. Como então pesquisar e estudar dados subjetivos? São dois os caminhos possíveis: 1º Como já dito anteriormente, pela observação de determinados comportamentos – estes últimos entendidos como conseqüências ou manifestações dos processos mentais; 2º Pela análise e interpretação do desempenho em algum instrumento psicológico de mensuração (os testes psicológicos são exemplos) e; 3º Pela associação dessas duas primeiras formas.

Por ser uma ciência, a psicologia também desenvolve enunciados probabilísticos em relação aos seus objetos de pesquisa; tais enunciados são construídos a partir de uma rigorosa metodologia de pesquisa. As teorias psicológicas são organizadas e sistêmicas e, por serem teorias científicas, são de cunho generalista.

Destaque-se neste ponto que os objetos de pesquisa da psicologia ocorrem em circunstâncias e momentos diversos. Do ponto de vista epistemológico(6), portanto, em face a essa diversidade, considera-se mais adequado pluralizar a própria psicologia. De fato, não seria uma só psicologia, mas várias psicologias(7). Analise o esquema abaixo:

Ciências psicológicas: objetos e suas principais especialidades

Por fim, falta-nos comentar que ao longo do processo histórico de desenvolvimento do pensamento e da pesquisa psicológica, várias escolas (ou, correntes) da psicologia foram surgindo. Na verdade, o que vai diferenciar uma escola da outra é a maneira como cada uma irá definir o fenômeno (ou, os fenômenos) psicológico(s) estudado(s), bem como a metodologia de pesquisa a ser utilizada. Neste ensaio citaremos somente as duas mais conhecidas: o behaviorismo e a psicanálise(8).

1ª. A escola behaviorista (ou, comportamental) da psicologia – Essa escola surge nos EUA no início do século passado com o psicólogo John Watson (1878-1958). Para os behavioristas o comportamento é um conjunto de respostas adquiridas (ou, aprendidas(9)) que visa permitir ao organismo uma melhor adaptação ao mundo exterior. Esta resposta aparecerá progressivamente, através de uma série de ajustamentos, por tentativas e erros.

A causalidade comportamental (Estímulo Ambiental→Resposta Comportamental, ou, na sua forma simplificada, E→R), base do pensamento behaviorista, possibilitará àquela escola da psicologia a construção de explicações objetivas sobre as origens do comportamento, sua previsão e, sob determinadas condições, até mesmo o seu controle. Explicação, previsão e controle, lembremo-nos, são os principais objetivos das ciências.

O Dr. B.F. Skinner (1904-1990) destacou-se como um dos mais profícuos pesquisadores e teóricos behavioristas do último século. Suas pesquisas com cobaias levaram-no ao desenvolvimento de uma teoria da aprendizagem conhecida como modelagem. Skinner verificou que as conseqüências de um dado comportamento funcionavam como estímulos a sua fixação ou extinção. Em resumo: quando as conseqüências de um comportamento aumentam a freqüência desse mesmo comportamento diante do estímulo que o eliciou, Skinner chamou tais conseqüências de reforços. De forma contrária, quando as conseqüências diminuem a freqüência do comportamento diante do estímulo que o eliciou, Skinner chamou tais conseqüências de punições. Esquemas de reforços e punições são, segundo aquele pesquisador, as forças modeladoras de quaisquer comportamentos. Analise o esquema abaixo:

Esquema simplificado do processo de modelagem de comportamentos, segundo Skinner

Por fim, para a visão behaviorista uma criança ao nascer é provida unicamente de um certo número de reflexos, puramente fisiológicos. Tudo o mais, em termos comportamentais, ela terá que aprender a partir dos estímulos ambientais que receber.

2ª A escola psicanalítica – A psicanálise surgiu no final do século XIX e início do século XX com o médico austríaco Sigmund Schlomo Freud (1856-1939). A principal tese