Sociologia J. - Anotação (5)
20 pág.

Sociologia J. - Anotação (5)

Disciplina:Sociologia Jurídica E Judiciária1.407 materiais13.020 seguidores
Pré-visualização8 páginas
Professora: Dâmares Ferreira

Aula 6
Contribuições Sociais Destinadas à

 Securidade Social Incidentes
sobre o Faturamento

Direito Previdenciário - Custeio

Coordenação: Dr. Wagner Ballera

01

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

TEXTOS DE APOIO

Competência Legislativa Condicionada
Relativamente, à competência legislativa condicionada cita-se trechos do art. 149, caput, bem como do
art. 195, caput, da CF/88:

Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais..., como
instrumento de sua atuação ...

Art. 195. A Seguridade Social será financiada ..., de forma direta ..., mediante recursos
provenientes ...das seguintes contribuições sociais:

No primeiro dispositivo, recortado apenas para se identificar melhor as contribuições sociais sob estudo,
ressalta-se que o seu modal deôntico decorre da interdefinição dos modais permitir e obrigar, resultando
no permitido obrigar, típico das normas atributivas de poderes legislativos. O dispositivo seguinte
apresenta-se do mesmo modo, apesar de o verbo nele veiculado estar expresso em conjugação futura.
Os trechos transcritos compõem uma norma de estrutura, ou de competência, que autoriza o Poder
Legislativo Federal a criar contribuições sociais destinadas à Seguridade Social.

Além da atribuição de competência, depreende-se dos textos constitucionais transcritos um
condicionamento para o exercício desta autorização legislativa. Tal condicionamento encontra-se
representado especialmente pela expressão "como instrumento de sua atuação" e pela palavra
"mediante", presentes no art. 149 e 195, respectivamente; sendo que destes termos nasce a idéia de
vínculo, de relação, entre a permissão para obrigar e a finalidade da imputação, ou, em outra palavras:
a permissão para tributar e a finalidade da tributação.

O constituinte permitiu ao legislador criar contribuições sociais para financiar a Seguridade Social. Esta é
a medida da competência dada ao legislador inferior. Interdefinindo o modal permitido obrigar, com o
auxílio do conectivo negador, teremos proibido obrigar, que indica "afirmação ostensiva e peremptória de
incompetência"¹. Assim, não havendo a Seguridade Social para ser financiada, incompetente será o
legislador para criar as contribuições sociais reguladas pelos artigos supra-referidos.

Nessa medida, vislumbramos um vínculo entre a criação da contribuição social, em tela, e a finalidade à
qual ela se destina, interferindo, tal vínculo, diretamente no regime jurídico aplicável à exação².

O legislador ordinário somente terá competência para criar a contribuição social
destinada à Seguridade Social se houver um sistema protetivo para ser financiado
pelas referidas exações.

É cada vez maior o número de juristas que anuem a este condicionamento constitucional. Este é o
entendimento de Marçal Justen Filho, ao dizer: "A 'contribuição especial' se individualiza e se identifica

 ¹ Paulo de Barros Carvalho. Curso de direito tributário, 9 ed, São Paulo: Saraiva, 1997. p.117.
 ² Ressalvada, entretanto, a publicação da EC n. 27/00, de 22/03/2000.

02

não apenas pela natureza do 'fato gerador', mas pela vinculação entre a exação e o atendimento a um
3específico encargo estatal" . O autor completa seu raciocínio ponderando: "A peculiaridade maior não

está na simples vinculação. Reside em que a própria competência tributária é outorgada
4constitucionalmente mediante comando determinante da vinculação" .

A professora Mizabel Derzi também leciona: "a destinação, discriminada na Constituição é que define o
5conteúdo e a extensão da norma de competência federal" . "Inexistindo o fundamento constitucional,

legitimador do exercício da faculdade legislativa, o contribuinte pode opor-se à cobrança, pois, indevido
6o tributo que nasce de norma sem validade" .

Igualmente, o escólio José Eduardo Soares de Melo pontua: "é da essência do regime jurídico específico
da contribuição para a Seguridade Social a sua destinação constitucional. Não a destinação legal do
produto da arrecadação, mas a destinação constitucional. Vale dizer, o vínculo estabelecido pela própria
Constituição entre a contribuição e o sistema de Seguridade Social, como instrumento do financiamento

7direto desta pela sociedade, vale dizer, pelos contribuintes" .

A destinação constitucional vinculação também indica os sujeitos passivos
possíveis da contribuição social destinada à Seguridade Social.

Ou seja, serão atingidos por estas exações aqueles que, mesmo de maneira indireta e pressuposta,
forem beneficiados pela existência da Seguridade Social. É o que a doutrina chama de círculo específico
de sujeitos passivos, outra peculiaridade das contribuições sociais.

Em trabalho inédito elaborado, conjuntamente, pela professora Mizabel e os professores José Arthur
Lima Gonçalves e Estevão Horvath, foi asseverado: "a característica diferencial mais marcante das
contribuições em relação aos impostos e taxas reside na circunstância de ser ela contribuição
necessariamente relacionada com uma despesa ou vantagem especial referida aos sujeitos passivos

8 respectivos (contribuintes)" (grifo nosso).

Os beneficiados diretos da Seguridade Social são aqueles que se utilizam efetivamente do sistema de
proteção. Já os beneficiários indiretos são, por exemplo, os empregadores. A vantagem especial
pressuposta deferida indiretamente ao empregador está fundamentada na própria criação do regime
jurídico de proteção social deferido diretamente ao empregado deste. Esta vantagem especial justifica o
dever de contribuição. Também atua como causa de justificação do dever de contribuir, a provocação de
uma especial despesa, pelo sujeito passivo-empregador, ao sistema protetivo. Mas, olhando de perto,
parece-nos que em ambas situações, ao empregador será deferida uma vantagem especial, vez que,
mesmo provocando uma situação de risco social, causadora de maior despesa ao sistema protetivo e

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A
violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do
material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

www.r2direito.com.br

3JUSTEN FILHO, Marçal. Contribuições sociais. In Caderno de Pesquisa Tributária nº 17, São Paulo: Co-edição CEU e
 Resenha Tributária, 1992, p.152.
4 Idem, ibidem, p.156 (destaque no original).
5DERZI, Mizabel Abreu Machado. Contribuições sociais. In Caderno de Pesquisa Tributária nº 17, São Paulo: Co-edição
 CEU e Resenha Tributária, 1992, p.133.
6Idem, ibidem, p.133.
7Melo, José Eduardo Soares de. Contribuições sociais, 3 ed., São Paulo: Malheiros, 2000, p. 83-84.
8Apud Melo, José Eduardo Soares de. Contribuições sociais, 3 ed., p. 82.

autorizadora da incidência da contribuição, contará com a cobertura da seguridade à situação por ele
provocada, o que não deixa de ser o recebimento de uma especial vantagem.

As decisões do STF no RE 146.733-9/SP e na ADC 1-1/93 dão conta que as contribuições sociais não
se confundem com os impostos e, no que concerne às destinadas à Seguridade Social, possuem um
regramento constitucional específico. Este é o nosso entendimento.

Princípio (ou regra) da contrapartida (art. 195, § 5º, da CF/88)
Além da competência condicionada e seus reflexos, outra peculiaridade das contribuições destinadas à
Seguridade Social é o princípio da contrapartida, também chamado de regra da contrapartida constante do
art. 195, § 5º, da CF/88. Este princípio é fundamental