Sociologia J. - Anotação (8)
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Sociologia J. - Anotação (8)

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PREPARATÓRIO PARA OAB

Professora: Dra. Claudia Tristão

DISCIPLINA: DIREITO CIVIL

Capítulo 9 Aula 3

REGIME DE BENS NO CASAMENTO

Coordenação: Dr. Flávio Tartuce

01

Regime de Bens no Casamento

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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Regime de bens: é o conjunto de princípios e normas que regulam os interesses econômicos oriundos do

casamento referentes ao patrimônio dos cônjuges. Muito embora o casamento não possua conteúdo

econômico direto, essa união traz reflexos patrimoniais para ambos os cônjuges, inclusive após desfeito o

vínculo conjugal.

Assim, o regime de bens compreende uma das conseqüências jurídicas do casamento, em que são

estabelecidas as formas de contribuição do marido e da mulher para o lar, a titularidade e administração dos

bens comum e particular e em que medida esses bens respondem por obrigações perante terceiros.

O Código de 1916 estabeleceu a imutabilidade do regime de bens, afirmando que a escolha do regime

deveria necessariamente anteceder ao casamento.

O Novo Código Civil inovou ao permitir a liberdade de escolha do regime patrimonial mesmo após o

casamento, conforme prevê o art. 1.639, § 2º, do Código Civil. Contudo, a modificação do regime de bens

deve ser feita em conjunto pelos interessados e somente decorrerá de autorização mediante decisão judicial,

em que deve ser resguardado o direito dos cônjuges e de terceiros. Porém, há uma exceção a esse princípio,

prevista no art. 1.641, do Código Civil, e Incisos, na qual deve imperar o regime obrigatório de separação

total de bens, como ocorre nos casos de casamento de pessoa maior de sessenta anos, podendo ser

sancionado pela nulidade (art. 1.655, do Código Civil).

Outro princípio é o da variedade de regimes. No antigo eram quatro: comunhão universal, comunhão

parcial, separação e dotal. Já o Novo Código Civil prevê a comunhão parcial, a comunhão universal, a

participação final nos aqüestos e a separação de bens. O regime dotal foi suprimido, pois praticamente não

tinha utilização no nosso País.

É válido aos cônjuges escolher o regime de sua preferência, combiná-lo ou estipular cláusulas de sua livre

escolha e redação, como ocorre, por exemplo, no pacto antenupcial, desde que não atentem contra

princípios de ordem pública e não contrariem a natureza e os fins do casamento. O pacto como contrato

solene, será nulo se não feito por escritura pública e condicional, e só terá eficácia se o casamento se realizar

para valer contra terceiros, devendo o instrumento ser registrado no Registro de Imóveis no domicílio dos

cônjuges. Caso não seja feito o pacto ou seja ele declarado nulo ou ineficaz, vigorará o regime da

comunhão parcial, como prevê o art. 1.640, do Código Civil.

SEPARAÇÃO OBRIGATÓRIA DOS BENS

Por imposição legal, em determinados casos, o regime obrigatório do casamento é o de separação de bens.

Esses casos estão mencionados no art. 1.641, do Código Civil, e seus Incisos, tais como:

Capítulo 3

02

I) Pessoas que se casarem com inobservância das causas suspensivas da celebração de casamento. Eram as

hipóteses conhecidas como impedimentos impedientes do Código revogado, e atualmente chamadas de

causas suspensivas. No campo da eficácia, o casamento é valido, mas a Lei impõe algumas restrições, como

o regime obrigatório de bens. Como dissemos são causas suspensivas, previstas no art. 1.523, do Código

Civil, já estudado na aula sobre CASAMENTO.

II) da pessoa maior de 60 anos

III) De todos que dependerem, para casar, de suprimento judicial.

Obs: Na vigência do Código de 1.916, a jurisprudência constatou que o regime de separação legal não

estava protegendo realmente aqueles a quem devia, e passou a entender que, nesse regime, comunicavam-

se os bens adquiridos a título oneroso na constância do casamento, como inclusive previa a Súmula nº 377

do STF. O STJ, posteriormente, passou a aplicar esta Súmula para aqueles bens adquiridos pelo esforço

comum dos cônjuges, reconhecendo a existência de uma verdadeira sociedade de fato. Porém, o Código de

2002 retroagiu ao estabelecer que no regime de separação legal não haverá comunhão de aqüestos.

PACTO ANTINUPCIAL

Como dissemos anteriormente, o Pacto Antinupcial é negócio jurídico de cunho patrimonial, não admitindo

estipulação às relações pessoais. Decorre da livre escolha dos nubentes do regime de bens que melhor lhe

convier, podendo, inclusive, mesclá-los entre si formando um regime misto ou especial, estipulando

cláusulas nesse sentido, desde que respeitados princípios de ordem pública, os fins e a natureza do

casamento.

Tem natureza institucional, ou seja, de ordem pública, visto que aos nubentes, uma vez realizado o

casamento, é proibido alterar suas cláusulas a seu bel-prazer, devendo manter-se na sua integralidade até a

dissolução da sociedade conjugal, salvo se houver autorização judicial para sua alteração, baseada em

pedido motivado de ambos os cônjuges mediante apuração da procedência dos motivos invocados,

conforme estabelece o § 2º, do art. 1.639, do Código Civil.

É requisito de sua substancialidade, ou seja, de validade que o pacto antenupcial seja realizado por meio de:

a) Escritura pública

b) Realizado antes do casamento

c) Firmado por ambos os nubentes e que

d) Estes estejam aptos a estipulá-lo, ou seja, deverão ter habilitação, inclusive no campo da capacidade

matrimonial.

Por ser contrato solene, não pode ser estipulado por simples instrumento particular ou no termo lavrado em

seguida ao casamento celebrado. E ainda, para valer perante terceiros, deverá ser transcrito em livro

especial no Registro de Imóveis do domicílio dos cônjuges, pois somente se operará erga omnis, ou seja,

somente será dada publicidade ao ato a partir do registro.

"Proibida a reprodução total ou parcial, por qualquer meio ou processo, assim como a inclusão em qualquer sistema de processamento de dados. A

violação do direito autoral é crime punido com prisão e multa (art. 184 do Código Penal), sem prejuízo da busca e apreensão do

material e indenizações patrimoniais e morais cabíveis (arts. 101 a 110 da lei 9.610/98 - Lei dos Direitos Autorais).”

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03

Orientados pela regra de que o acessório segue o principal e sendo o pacto antenupcial contrato acessório

ao contrato de casamento, caso este último não se realize, as convenções antenupciais serão ineficazes, vez

o pacto tem por objetivo disciplinar o regime de bens durante o matrimônio, não produzindo efeitos

enquanto os nubentes não se casarem.

Caso o pacto antenupcial seja considerado ineficaz ou esteja eivado de nulidade ou ainda, que os nubentes

não tenham optado por qualquer dos regimes matrimoniais, deverá prevalecer o regime legal de bens, qual

seja, o da separação parcial, regime este que dispensa as formalidades previstas no pacto antenupcial,

bastando apenas ser transcrito por simples termo no assento de Registro Civil.

COMUNHÃO PARCIAL DOS BENS

O Código Civil, no art. 1.640, tal como fez a Lei do Divórcio (Lei nº 6.515/77) considera a comunhão

parcial como regime legal, no qual cada esposo guarda para si, em seu próprio patrimônio, os bens trazidos

antes do casamento. Já os bens adquiridos após o casamento, os chamados aqüestos, formam a comunhão

de bens do casal. Neste regime, existem três massas de bens:

1) Os bens do marido,

2) Os bens da mulher trazidos antes do casamento e

3) Os bens comuns, estando estes últimos sujeitos à meação entre os cônjuges após o matrimônio.

Dissolvida a união, cada cônjuge ficará com seus bens particulares, e serão divididos os bens comuns.

Como dito, é o regime