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Acidentes com animais peçonhentos ofídicos

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de suporte;
➢ Tratar as complicações locais.
Específico:
➢ Soro antilaquético (SAL) ou antibotrópico-laquético (SABL), por via
intravenosa, deverá ser utilizado de acordo com a presença de manifestações
vagais.
CROTÁLICO
● Espécies mais comuns
Agrupa várias subespécies, pertencentes à espécie Crotalus durissus. Popularmente
são conhecidas por cascavel, cascavel-quatro-ventas, boicininga, maracambóia,
maracá e outras denominações populares.
● características do animal
Fosseta loreal presente, cauda com chocalho ou guizo. Coloração marrom-amarelada
e corpo robusto, medindo aproximadamente 1 metro. Não tem por hábito atacar e,
quando ameaçada, vibra o chocalho emitindo ruído. São encontradas em campos
abertos, áreas secas, arenosas, pedregosas e, raramente, na faixa litorânea. Não se
localizam em florestas e no Pantanal.
● Epidemiologia
Responsáveis por cerca de 7,7% dos acidentes ofídicos registrados no Brasil e da
maior taxa de letalidade entre os acidentes ofídicos.
● Ação do veneno
○ Neurotóxica - Produzida principalmente pela fração crotoxina, uma
neurotoxina de ação pré-sináptica que atua nas terminações nervosas
inibindo a liberação de acetilcolina. Esta inibição é o principal fator
responsável pelo bloqueio neuromuscular do qual decorrem as
paralisias motoras apresentadas pelos pacientes.
○ Miotóxica - Produz lesões de fibras musculares esqueléticas
(rabdomiólise) com liberação de enzimas e mioglobina para o soro e
que são posteriormente excretadas pela urina. Não está identificada a
fração do veneno que produz esse efeito miotóxico sistêmico. Há
referências experimentais da ação miotóxica local da crotoxina e da
crotamina. A mioglobina, e o veneno como possuindo atividade
hemolítica “in vivo”. Estudos mais recentes não demonstram a
ocorrência de hemólise nos acidentes humanos
○ Coagulante - age na atividade da trombina que converte o
fibrinogênio diretamente em fibrina. O consumo de fibrinogênio pode
levar à incoagulabilidade sanguínea, porém as manifestações
hemorrágicas, quando presentes, são discretas.
● Quadro clínico
Manifestações locais:
➢ A dor pode estar ausente ou ser de pouca intensidade. Pode ocorrer
parestesia local ou regional, que pode persistir por tempo variável,
associado ou não a edema e eritema discretos no local da picada;
Manifestações sistêmicas:
➢ Gerais: sudorese, vômitos, mal-estar, cefaléia, secura de boca,
sonolência ou inquietação;
➢ Neurológicas: surgem nas primeiras horas após a picada e regridem
3 a 5 dias após o acidente. Caracterizada pela fácies miastênica
evidenciada por ptose palpebral uni ou bilateral, flacidez da
musculatura da face; oftalmoplegia, visão turva e/ou diplopia e
midríase. Paralisia velopalatina, com dificuldade de deglutição,
diminuição do reflexo do vômito, alterações do paladar e olfato,
ocorrem com menor frequência;
➢ Musculares: mialgias generalizadas, rabdomiólise com
mioglobinúria, que leva à necrose tubular aguda e, consequentemente,
insuficiência renal aguda (principal complicação e causa de morte dos
acidentes crotálicos); Distúrbios da coagulação: pode ocorrer aumento
do tempo de coagulação ou incoagulabilidade sanguínea (40% dos
acidentes), sangramentos são raros e, geralmente, restritos à
gengivorragia.
❏ Laboratorial
➢ CK, LDH, AST e ALT elevadas devido à rabdomiólise;
➢ Leucocitose com neutrofilia;
➢ Ureia, creatinina, ácido úrico e potássio elevados e hipocalcemia na
presença de insuficiência renal aguda;
➢ Tempo de coagulação alargado.
● Tratamento
Geral:
➢ Limpeza e antissepsia local para evitar infecção secundária;
➢ Manter segmento picado elevado;
➢ Analgésico para alívio da dor
➢ Hidratação adequada: fundamental para evitar insuficiência renal aguda,
mantendo a diurese de 30 a 40 mL/hora no adulto e de 1 a 2 mL/kg/hora na
criança;
➢ Diurese osmótica, induzida com manitol a 20% (5 mL/kg na criança e 100 mL
no adulto) e alcalinização da urina com bicarbonato de sódio, mantendo o pH
urinário acima de 6,5 com monitorização da gasometria arterial, estão
indicados na presença de mioglobinúria, com o objetivo de diminuir a
toxicidade renal e prevenir a insuficiência renal aguda;
➢ Na presença de oligúria está indicado o uso de diuréticos de alça, como a
furosemida. E, na presença insuficiência renal aguda, deve se instalar um
tratamento dialítico precoce;
➢ Antibioticoterapia na presença de infecção local;
➢ Tratamento de suporte.
Específico:
➢ Soro anticrotálico (SAC), por via intravenosa, deve ser administrado o mais
precocemente possível de acordo com a classificação do acidente.
➢ Na falta do SAC poderá ser utilizado soro antibotrópico-crotálico (SABC).
➢ A frequência de reações à soroterapia parece ser menor quando o antiveneno é
administrado diluído. A diluição pode ser feita, a critério médico, na razão de
1:2 a 1:5, em soro fisiológico ou glicosado 5%, infundindo-se na velocidade de
8 a 12 mL/min, observando, entretanto, a possível sobrecarga de volume em
crianças e em pacientes com insuficiência cardíaca.
ELAPÍDICO
● Espécies mais comuns
O gênero Micrurus compreende animais de pequeno e médio porte, com tamanho
em torno de 1,0m, conhecidos popularmente por coral, coral verdadeira ou boicorá.
Apresentam anéis vermelhos, pretos e brancos em qualquer tipo de combinação. As
falsas-corais são serpentes não peçonhentas, porém sem dentes inoculadores, e os
anéis que, em alguns casos, não envolvem toda a circunferência do corpo.
● características do animal
Fosseta loreal ausente, apresentam anéis vermelhos, pretos e brancos em qualquer
tipo de combinação. As falsas-corais são serpentes não peçonhentas, porém sem
dentes inoculadores, e os anéis que, em alguns casos, não envolvem toda a
circunferência do corpo. Na região Amazônica e áreas limítrofes, são encontradas
corais de cor marrom-escura (quase negra), com manchas avermelhadas na região
ventral. Não são agressivas e raramente causam acidentes. No entanto, são
consideradas graves pelo alto risco de insuficiência respiratória.
● Ação do veneno
○ Ação neurotóxica pós-sináptica: presentes em todos os venenos
elapídicos, são rapidamente absorvidas e difundidas para todos os
tecidos. As neurotoxinas competem com a acetilcolina nos receptores
nicotínicos pós-sinápticos atuando de maneira semelhante ao curare. O
uso de inibidores da acetilcolinesterase pode prolongar a meia-vida do
neurotransmissor levando a uma melhora da sintomatologia;
○ Ação neurotóxica pré-sináptica: bloqueia a liberação de
acetilcolina impedindo a deflagração do potencial de ação. Esse
mecanismo não pode ser antagonizado por substâncias
anticolinesterásicas. Presente em apenas algumas corais (M. coralinus)
● Quadro clínico
Os sintomas podem surgir precocemente, em menos de uma hora após a picada.
Paciente assintomático deve permanecer em observação clínica no ambiente
hospitalar por 24 horas, pois há relatos de aparecimento tardio dos sinais e sintomas.
Manifestações locais:
➢ Costumam ser discretas tendo em vista que o veneno é essencialmente
neurotóxico.
➢ Marca das presas: podem ser encontrados dois ou mais pontos de
inoculação, às vezes com o aspecto de arranhadura. É comum não
encontrar marcas das presas, o que não afasta a possibilidade da
inoculação da peçonha; Dor local discreta, geralmente acompanhada de
parestesia com tendência à progressão proximal; Edema local é raro e,
quando presente, costuma ser leve.
Manifestações sistêmicas:
➢ O início das manifestações é variável e, de maneira geral, surgem
poucas horas após o acidente (1-3 horas). Uma vez iniciadas, tendem a
progredir e agravar caso não se institua o tratamento adequado.
➢ Caracterizada por síndrome miastênica aguda, semelhante à observada
na miastenia gravis.
➢ Ptose palpebral bilateral, simétrica ou assimétrica, com ou sem
limitação dos movimentos oculares, evoluindo para presença de fácies
miastênica ou “neurotóxica”;
➢ Dificuldade da acomodação visual, visão turva, podendo evoluir para
diplopia;

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