Aulas de Geologia 2012

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Universidade Federal de Uberlândia
Instituto de Geografia

GEOLOGIA
1º Semestre de 2012

Professor:
Luiz Nishiyama

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1 – INTRODUÇÃO A GEOLOGIA
1.1- Definições e conceituações
1.2- Breve histórico da geologia como ciência
1.3- Objetivos da disciplina

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1.1 - Definições e conceituações
Termo GEOLOGIA:

do Grego Ge ou Geo = Terra Logos = Ciência ou pensamento A GEOLOGIA É A CIÊNCIA QUE ESTUDA A TERRA

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Segundo Bubnoff (1959)

 “A principal diferença entre a geologia e demais ciências físicas e naturais reside no fato de que a geologia não só deve explicar as situações contemporâneas pelo estudo de processos atuais como também observar e apontar uma gênese, ou seja, uma investigação que se desenvolve no tempo, onde não se percebe as diferentes etapas por meio de observação direta”.

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Bradley (1963)

 “Apesar de a geologia ser uma ciência derivada da Química, Física e Biologia, ela possui uma“espinha dorsal” ou um núcleo independente, que fornece suas qualidades distintivas e determina a sua forma particular de abordagem dos problemas”.
Explica que:
“De um extremo a outro dessa “espinha dorsal”, situa-se a linha do tempo ligando todos os eventos terrestres. A investigação da sucessão e inter-relação dos eventos, em conjunto com os processos geodinâmicos que operaram e continuam a operar no tempo geológico, constitui a Ciência da Geologia”.

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Segundo Potapova (1968):

 “A geologia é uma ciência que investiga todos os processos naturais em suas inter-relações históricas (temporais). É a única dentre as ciência naturais que estuda os processos geológicos por meio de suas formas fixadas (registros geológicos) que atuaram em diferentes momentos do tempo pretérito. Os processos contemporâneos nada mais são do que um elemento no longo processo de evolução material da crosta terrestre”.

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Segundo Amaral (1985):

“A geologia, assim como todos os ramos das ciências físicas e naturais, ocupa-se em observar, descrever, explicar e prognosticar o comportamento da natureza terrestre (forma, constituição, estrutura, processos e transformações e outras propriedades). No entanto, a geologia se particulariza no aspecto de uma perspectiva de evolução histórica da Terra, enquanto que as demais ciências estão interessadas na natureza atual e/ou no estabelecimento de propriedades universais, ou seja, naquelas propriedades que se manifestam sempre da mesma forma, em qualquer lugar e época (leis genéricas)”.

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1.2 – BREVE HISTÓRICO DA GEOLOGIA

O estudo da geologia (sentido amplo) iniciou-se com a utilização dos minerais.

A noção dos antigos gregos acerca dos conhecimentos geológicos era influenciada pelo local em que viviam.

TALES DE MILETO (663 -548 a.C.) acreditava que a água era o agente formador de toda a Terra.

ANAXÍMINES (m. em 480 a.C.) atribuía ao ar.

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HERÁCLITO (576 – 480 a.C.) - o fogo seria responsável pela formação de todas as coisas.

ARISTÓTELES (384 – 322 a.C.) - em sua obra Meteorica interpretou os terremotos como fenômenos produzidos por fortes ventos dentro da terra, produzidos pelo calor do sol e ao calor interno da Terra. O escape desses ventos produziria as erupções vulcânicas.

ANAXÍMENES - atribuía a origem deste mesmo fenômeno ao desabamento de grandes blocos terra adentro.

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SÊNECA (2 – 63 d.C.) - a fricção produzida pelos ventos internos determinaria o aumento da temperatura e, como conseqüência inflamaria os depósitos de enxofre e outros combustíveis, originando-se então os fenômenos vulcânicos.
 
ESTRABÃO (63 a.C – 20 d.C.) – geógrafo do princípio da nossa era:
Reconheceu o Vesúvio como um vulcão dormente.
Afundamento e ressurgimento de ilhas, reconhecendo muito delas como vulcânicas.

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DINÂMICA EXTERNA – maiores conhecimentos

HERÓDOTO (484 – 425 a.C.)
Reconheceu o delta formado pela sedimentação do rio Nilo.
Descrição topográfica do baixo Nilo.
Observações sobre as rochas dos arredores e as compara com as das pirâmides.

ARISTÓTELES
Reconhece a importância das montanhas na condensação das chuvas e acúmulo de neves.
Observou o fenômeno da sedimentação no Mar Negro.

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PITÁGORAS ( séc. IV a.C.)

Afirmava que a terra convertia em mar e vice-versa.
 Relatou sobre a existência de fósseis no alto das montanhas.
Comentou sobre a extinção e formação de fontes graças aos terremotos.
Atribuiu a submersão de terras à ação de terremotos.

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QUANTO A ORIGEM DOS FÓSSEIS
 
HERÓDOTO Interpretava a origem de numulites fossilizados encontrados nos calcários das pirâmides como sendo lentilhas petreficadas.

XANTO DE SARDIS (500 a.C.) dizia que os fósseis se formaram em regiões cobertas por antigos mares.

ARISTÓTELES em seu tratado De Respiratione dizia que muitos peixes viveram na terra

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CAIO PLINIO SEGUNDO Além de escritor, um grande observador da natureza. Escreveu a obra História Natural com 37 volumes, destes, os 5 últimos volumes são dedicados ao reino mineral

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IDADE MÉDIA – Pequeno progresso nas ciências geológicas
 
AVICENA (979 – 1073) - médico e filósofo árabe e profundo conhecedor da filosofia aristotélica.
Discorda de Aristóteles na interpretação da origem dos meteoritos (pedras provindas da própria crosta terrestre lançadas aos céus por fortes ventos).
Discorda dos alquimistas sobre a transmutação dos metais.
Observa e estuda a diagênese das argilas e formação de estalactites e estalagmites.

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Procurou explicar a origem das montanhas com base na erosão diferencial provocada pelos ventos e águas correntes das grandes enchentes.
Concorda com Aristóteles quanto a origem dos terremotos (ventos subterrâneos) e atribui a eles a origem de outros tipos de montanhas.

LEONARDO DA VINCI (1452 – 1519)- muitas idéias antigas são corrigidas e criadas.
Origem correta dos fósseis
O papel da erosão na formação das montanhas e a origem dos rios
Observação de campo como principal fundamento das teorias

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GREGÓRIO AGRICOLA (1494 – 1555) - médico

Publicou a obra De Re Metallica – um tratado sobre técnica da mineração e da metalurgia
Primeiro manual de mineralogia
Conceitos modernos sobre a mineralogênese
Cimentação na formação das rochas sedimentares e reconheceu a origem clástica e por precipitação química
O calor interno da Terra provocado por combustão de substâncias carbonosas presentes no seu interior.

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NICOLAS STENO (1631 – 1687)

No livro De Solidum Naturaliter Contendo estuda as rochas, versa problemas referentes a geologia física, estratigrafia e história geológica da Terra.
Reconhece o fenômeno da perturbação de camadas não horizontais como resultado de colapso de camadas.
Indica a importância do lugar e da sua natureza geológica no estudo de fósseis.
Representa por meio de perfis a evolução geológica de uma área.

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GIOVANI ARDUINO (1714 – 1795)
Novo impulso à estratigrafia ao subdividir os terrenos segundo a sua idade, em primário (o núcleo cristalino de sistemas montanhosos), secundário (camadas dobradas ao redor do núcleo), terciário (camadas horizontais de arenitos, conglomerados e argilas, estratigraficamente superiores às camadas secundárias) e alúvio.

BUFFON (1707 – 1788) dividiu a história geológica da Terra em 7 grandes épocas (influenciado pela Bíblia).

O primeiro mapa geológico da região norte da Inglaterra foi elaborado por William Smith (1769 – 1839).

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Com WERNER (1749 – 1815) e HUTTON (1726 – 1797) – As ciências geológicas tomam a orientação moderna (considerados os pais da geologia atual).

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WERNER

defendia a teoria denominada Netunismo - todas as rochas teriam sido formadas num oceano de águas espessas e turvas que cobria a superfície da Terra). Os granitos teriam sido as primeiras rochas precipitadas dessa água, enquanto que as rochas vulcânicas teriam originado de refusão de sedimentos pré-existentes.

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HUTTON
Suas idéias advêm da escola denominada plutonismo: defendia ser o magma o agente formador das rochas, sem contudo, desprezar a água como o agente formador de outras rochas
Reconheceu a importância geológica das discordâncias angulares