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SUPRARRENAL A glândula suprarrenal apresenta duas regiões funcionalmente diferentes, com origem embriológica diferente. Na parte externa, com coloração amarelo-ouro, tem-se a camada cortical; no interior, com coloração acastanhada (graças a células cromoafins), apresenta-se a camada medular. A suprarrenal direita tem relação com a veia cava inferior e a esquerda têm com a aorta, calda do pâncreas e o baço. Adrenal direita drena para veia cava inferior e a squerda para veia renal esquerda. A medula é suprida por nervos simpáticos pré-glanglionares. O córtex é derivado do mesoderma e a medula da crista neural. Essa glândula é responsável por produção de 4 hormônios diferentes, por conter 4 camadas: 1. Camada glomerular produção de aldosterona responde ao gatilho da volemia, se há paciente em situação de hipovolemia, ela é secretada, aumentando a absorção de sódio em troca de potássio e próton. 2. Camada fasciculada (75% do córtex) produção de cortisol glicocorticide endógeno, hormônio do “estresse”, catabólico, de “luta e fuga”, liberando em situações de jejum, responsável pelo catabolismo (lipólise, gliconeogênese (quebra proteína e carbo para dar substrato ao fígado e ocorrer a gliconeogênese), aumento da glicose sanguínea, diminuição da imunidade celular por diminuir níveis de linfócitos e eosinófilos). 3. Camada reticular produção dos androgênios (DHEA e S-DHEA, ansdrostenediona) hormônios sexuais (controle da pilificação feminina, uma parte da libido). 4. Camada medular (10% da glandula) produção das catecolaminas séricas (adrenalina) controle cardiovascular (aumento do tônus vascular, provoca taquicardia) Hipotálamo libera o CRH e estimula a hipófise à liberar o ACTH (derivado da POMC - pro-opiomelanocortina), o qual chega ao córtex adrenal e estimula o cortisol e os androgênios. O cortisol faz feedback negativo na hipófise e no hipotalamo, regulando o eixo. A aldosterona é regulada pelo eixo RAA (renina (atua sobre o angiotensiniogênio secretado no fígado) → angiotensina I (sobre ação da ECA no endotélio pulmonar) → angiotensina II → aldosterona). Age nas células principais no segmento cortical do tubulo coletor, fazendo a excreção de K+ e regulação da volemia. Para cada Na+ absorvido = um K+ ou um H+ têm que ser secretado 50% circula na forma livre. *Cortisol urinário é 100% fração livre, pois a forma ligada não é filtrada nos glomérulos. DOENÇAS DE HIPERFUNÇÃO Glomerular hiperaldosteronismo Fascicular Síndrome de Cushing Medula Feocromocitoma A doença de HIPOFUNÇÃO é denominada insuficiência de adrenal (não é dividida por camadas). SÍNDROME DE CUSHING Eixo hipotalâmico-hipofisário: O hipotálamo libera CRH, que estimula os corticotróficos da hipófise a produzir ACTH (hormônio estimulador do córtex da adrenal) e clivar o POMC (o ACTH é um dos produtos da clivagem da POMC – proópio melanocortina; a parte “melano” dá origem a um hormônio estimulador dos melanócitos; quando há hiperprodução de ACTH, teremos hiperclivagem da POMC resultando em hiperpigmentação cutânea). Na adrenal (córtex) há produção de CORTISOL que, quando em elevados índices, faz feedback negativo com o hipotálamo e com a hipófise. Doença primária (problema da glândula): Aumento do cortisol e diminuição do ACTH principal etiologia tumor (adenoma – benigno; hiperplasia – maligno) Doença secundária (problema da hipófise): Aumento do cortisol e aumento do ACTH principal etiologia tumor de hipófise (principal causa de síndrome de Cushing endógena é o adenoma hipofisário hiperprodutor de ACTH, denominado de Doença de Cushing). A principal causa de síndrome de Cushing como um todo é o Cushing exógeno pacientes que necessitam tomar altas doses de corticoide por longo tempo, assumindo as funções do cortisol. Clínica: Cortisol consome músculo e gordura da periferia (membros, pernas), mas não altera a gordura central. O paciente com síndrome de Cushing engorda porque terá o cortisol alto com hormônio consumindo gordura e músculo da periferia, mas está comendo a insulina fica alta (glicemia elevada no sangue), fixando gordura no centro do corpo (menor consumo). Aspecto de fácies Cushingoide (fácies em lua cheia), gibosidade, pele sensível com estrias abdominais (pela distensão), hiperglicemia (DM), HAS, eosino/linfopenia (maiores chances de se ter infecção oportunista). ● O cortisol em altos níveis assume o papel de aldosterona, pelo efeito de mineralocorticoide, reabsorvendo sódio. Diagnóstico: Algoritmo – 4 passos: 1º passo: clínica (anamnese e exame físico) 2º passo: confirmar a síndrome (confirmar o hipercortisolismo; ele não tem uma liberação fixa, então, é difícil, por isso temos vários exames): ● Teste da DEXA (manhã) de manhã o cortisol precisa estar alto. Antes de dosar, às 23h administra-se uma dose de dexametasona, suprimindo o eixo durante a noite toda. O cortisol pela manhã deve estar baixo (se tiver alto pela manhã estará positivo). ● Cortisol urinário 24h ● Cortisol salivar noite o Por ser o hormônio do jejum, pela manhã estará mais alto; o nadir (mais baixo) é à noite, às 23h. Logo, se dosar à noite e estiver alto é positivo. Como os testes erram muito, precisa ter 2 testes positivos para passar ao 3º passo. 3º Passo: dosar o ACTH (para diferenciar de primária ou secundária). ● ACTH alto doença central (secundária) ● ACTH baixo doença glandular (primária) 4º Passo: exame de imagem. ● Se doença secundária RNM de sela túrcica; ● Se doença primária TC abdome. Clínica confirma a síndrome define se é primária ou secundária exames de imagem. Tratamento: Doença secundária ressecção transesfenoidal da hipófise. Doença primária adrenalectomia. HIPERALDOSTERONISMO Não respeita o sistema H-H. Respeita o SRAA. Renina angiotensina I angiotensina II aldosterona Aldosterona troca Na+ por H+ ou K+ Doença primária: aumento da aldosterona com diminuição da renina/angio I/ angio II ● Principal causa: adenoma (“Síndrome” de Conn) / hiperplasia bilateral (é a principal de todas) (câncer é raro) ● Mulheres ● 30-50 anos Doença secundária: hiperprodução de renina (o rim hiperproduz renina na hipovolemia), estimulando o restante do sistema até culminar com hiperaldoesteronismo. ● Principal causa: condições de hipovolemia ou diminuição do fluxo arterial (estenose bilateral de artéria renal) Clínica: HAS (refratária - reabsorve Na+ e água), hipocalemia com alcalose metabólica nos túbulos renais, absorve Na+ e joga K+ e H+ para fora. Observar hipocalemia em paciente hipertenso, sem explicação. Diagnóstico: 1º Passo: dosar aldosterona e renina plasmática. Na primária, aldosterona alta e renina baixa. ● A relação aldosterona/atividade renina plasmática precisa estar ELEVADA. 2º Passo: exame de imagem TC de abdome. Tratamento: Hiperplasia começa com espironolactona (inibidor de aldosterona); Eplerenona (antogonista especifico do receptor de aldosterona) é uma alternativa caso o pct tenha intolerância à espiro → caso não haja melhora e o pct evolua com hipopotassemia refratária, avançar para cirurgia (adrenalectomia). Adenoma adrenalectomia. Para identificar hiperplasia aumento do volume esperado da glândula (não há hipercaptação de sinal). FEOCROMOCITOMA Tumor benigno que está produzindo catecolamina. É uma causa de hipertensão secundária. O sistema simpático adrenal durante a embriogênese nasce de uma célula chamada simpatogônia localizada na crista neural, a simpatogônia se diferencia em simpatoblastos, que formam os glânglios simpáticos (neurônios simpáticos), e em feocromoblastos, que migram para a suprarrenal e original as células cromoafins que originam a medula da suprarrenal. Os grupamentos dessas células são chamados de paraglanglios e somem após o nascimento, porém alguns indivíduos podem ter ainda e formar os feocromotomas. Não têm preferência por sexo, acima de 50 anos. Relacionado à NEM tipos 2A (feomocromocitoma + carcinoma medular de tireóide + hiperpara primário) e 2B (feocromocitoma+ carcinoma medular de tireóide + neuromas de mucosa), D. Von Hippel-Lindau e Neurofibromatose → bilaterais, benignos, adrenais, produz adrenalina. Feocromocitoma familiar → indivíduos mais jovens, multifocais, malignos, extra-adrenais Regra dos 10: Coincidentemente, todas as estatísticas de exceção do feocromocitoma se aproximam de 10%. Pensa-se no paciente tradicional e, o que foge a isso, está em 10% dos casos. 10% dos casos: ● Tumor bilateral; ● Tumores extra-adrenais (fora da glândula, pela origem embriológica distinta – vem da crista neural e, no trajeto de formação embrionária, algumas células cromoafins podem se perder e, ao virar adenoma, são denominadas para-gangliomas); ● Jovens (abaixo de 20 anos de idade); ● Malignos (com metastização); ● Sem hipertensão; ● Recidivam; ● Incidentalomas. Clínica: Sintomas da síndrome adrenérgica! Esse é um tumor sensível ao estímulo mecânico, portanto, libera catecolamina ao se mexer. Os sintomas são em paroxismo. A clínica terá, portanto, HAS (90%) (fixa) + paroxismos (cefaleia (90%), palpitações, sudorese (60-70%)). Outros: tremor, palidez, dispneia, ataques de pânico, fraqueza generalizada Diagnóstico: 1º Passo: dosagem de catecolaminas e metanefrinas urinárias fracionadas (ambos têm a função de estimular os receptores adrenérgicos) se alto, confirmou a síndrome! A melhor forma de coletar é pela urina (só libera adrenalina quando há estímulo mecânico). ● Para melhorar a acurácia, pode-se dosar apenas uma das frações das catecolaminas ou metanefrinas, porque na média pode haver falso-negativo, mas olhando cada uma por si tem maior acurácia. 2º Passo: Localizar com TC abdome (em 90% dos casos). Nos 10% extra-adrenais, utilizamos a Cintilografia com MIBG (capta apenas em células cromoafins, sendo capaz de localizar). Tratamento: Realizar adrenalectomia com preparo bloqueio dos receptores alfa-adrenérgicos com alfa-bloqueador durante 14 dias (Prasozin). O paciente pode complicar durante a indução anestésica pela liberação de grande quantidade de catecolaminas → crise hipertensiva, arrtimia. E na manipulação do tumor também pode ocorrer. Alfa = aumento de PA e FC; Beta = divididos em 1 e 2; B1 = taquicardia; B2 = vasodilatação. Assim, o ideal é BLOQUEAR O ALFA (porque, se bloquear o beta, como tem a fração de vasodilatação, e perde uma compensação boa; no alfa, ele só acelera a FC e aumenta a PA, sem compensação). Se necessário, pode bloquear o beta depois. Pós-op: volume + animas vasopressoras OBS: são raros os pacientes que apresentam todos os sintomas de feocromocitoma. INSUFICIÊNCIA ADRENAL Causas: Doença primária (glândula com problema) (epônimo: Doença de Addison) cortisol baixo, ACTH alto ● Principais etiologias: infecção (no BR – tuberculose) / doença autoimune. ● Na causa primária, há destruição da glândula inteira! O resto dos hormônios também estarão baixas (aldosterona baixa) distúrbios eletrolíticos! ● Também teremos hiperpigmentação pela hiperprodução de ACTH. Doença secundária (hipófise com problema) cortisol baixo, ACTH baixo ● Principais etiologias: Paciente com uso crônico de corticoide que interrompe abruptamente seu uso (principal etiologia de insuficiência adrenal) ● Aqui a aldosterona estará normal, sem hiperpigmentação da pele. Clínica: Doença primária hipercalemia, acidose metabólica, hiponatremia/hipotensão, hipoglicemia, linfofilia/eosinofilia, hiperpigmentação em determinadas regiões (cicatrizes, mucosas, ponta dos dedos). Addison ● Frqueza, astenia, perda de peso ● Astenia ● Sintomas gastrointestinais ● avidez por sal ● sintomas posturais ● mialgias e artralgias ● amenorreia ● perda de peso (100%) ● hiperpigmentação ● hipotensao Doença secundária Diminuição de pelos/libido, hipotensão, hipoglicemia, eosinofilia/linfofilia. Diagnóstico: 1º Passo: dosagem sérica de cortisol pela manhã (deveria estar alto e está baixo). ● Dúvida? Teste rápido do ACTH (cortrosina). Administra ACTH exógeno e há ação rápida da estimulação do cortisol (15 min), se deu alto está funcionando bem a glândula (não tem a síndrome); se deu baixo confirma a síndrome esse é o exame com melhor acurácia. Tratamento: 1º: Estabilização hemodinâmica (repor soro e corrigir distúrbios hidroeletrolíticos, além da glicemia). 2º: Na síndrome aguda hidrocortisona (em altos níveis, cumprindo papel tanto do cortisol quanto da aldosterona). Na síndrome crônica prednisona (compensa cortisol – efeito glicocorticoide) + fludrocortisona (compensa aldosterona – efeito mineralocorticoide) INCIDENTALOMAS Massas na adrenal > 1 cm assintomáticas, encontradas ao acaso. 15% são metástase de outro tumor, sendo assim maligno e os principais são de mama e pulmão. Maioria benigna (adenoma) e clinicamente não funcionante (60-85%). Os funcionantes são: - adenoma produtor de cortisol - feocromocitoma - adenoma produtor de aldosterona É funcionante? 1. Dosar metanefrina e catecolaminas urinárias; 2. Costisol pós 1 mg de dexa; 3. Relação CAP/ARP É maligna? - Lesões maiores que 4-6 cm → sugere carcinoma - Imagem irregular - Calcificações tumorais - Valores de atenuação > 20 UH na TC - Atraso na lavagem (wash-out) do contraste e intensidade aumenta da imagem em T2 (RNM) Tratamento: ● Não funcionante > 4 cm = adrenaledectomia ● < 4 cm + maliginidade = adrenaledectomia ● Massas císticas = aspira sob guia de TC ● < 4 cm sem maliginidade = acompanhar