Constituiçao comentada - STF
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(CF, art. 62, § 6º), a própria integridade do sistema de poderes, notadamente o exercício, pelo Congresso Nacional, da
função primária que lhe foi constitucionalmente atribuída: a função de legislar. Ao julgar a ADI 2.213-MC/DF, de que sou
relator, salientei, então, a propósito da anômala situação institucional que resulta do exercício compulsivo do poder
(extraordinário) de editar medidas provisórias, que o postulado da separação de poderes, que impõe o convívio harmonioso
entre os órgãos da soberania nacional, atua, no contexto da organização estatal, como um expressivo meio de contenção
dos excessos, que, praticados por qualquer dos Poderes, culminam por submeter os demais à vontade hegemônica de um
deles apenas.\u201d (MS 27.931-MC, Rel. Min. Celso de Mello, decisão monocrática, julgamento em 27-3-2009, DJE de 1º-
4-2009.)
 
"É absolutamente incompossível ao Poder Legislativo, por meio de decreto legislativo, interferir em ato espontâneo de
adesão dos servidores ao PDV previsto na Lei 4.865, de 1996. Na verdade, o decreto legislativo invade competência
específica do Poder Executivo que dá cumprimento à legislação própria instituidora desse programa especial de
desligamento espontâneo dos servidores públicos.\u201d (RE 486.748, voto do Rel. Min. Menezes Direito, julgamento em
17-2-2009, Primeira Turma, DJE de 17-4-2009.) No mesmo sentido: RE 598.340-AgR, Rel. Min Cármen Lúcia,
julgamento em 15-2-2011, Primeira Turma, DJE de 18-3-2011.
 
\u201cFidelidade partidária. Ação direta de inconstitucionalidade ajuizada contra as Resoluções 22.610/2007 e 22.733/2008, que
disciplinam a perda do cargo eletivo e o processo de justificação da desfiliação partidária. Síntese das violações
constitucionais arguidas. Alegada contrariedade do art. 2º da Resolução ao art. 121 da Constituição, que ao atribuir a
Constituição e o Supremo - Versão Completa :: STF - Supremo Tribunal Federal
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competência para examinar os pedidos de perda de cargo eletivo por infidelidade partidária ao TSE e aos TREs, teria
contrariado a reserva de lei complementar para definição das competências de Tribunais, Juízes e Juntas Eleitorais (art.
121 da Constituição). Suposta usurpação de competência do Legislativo e do Executivo para dispor sobre matéria eleitoral
(art. 22, I; arts. 48 e 84, IV, da Constituição), em virtude de o art. 1º da Resolução disciplinar de maneira inovadora a perda
do cargo eletivo. Por estabelecer normas de caráter processual, como a forma da petição inicial e das provas (art. 3º), o
prazo para a resposta e as consequências da revelia (art. 3º, caput e parágrafo único), os requisitos e direitos da defesa
(art. 5º), o julgamento antecipado da lide (art. 6º), a disciplina e o ônus da prova (art. 7º, caput e parágrafo único; e art. 8º),
a Resolução também teria violado a reserva prevista no art. 22, I, e arts. 48 e 84, IV, da Constituição. Ainda segundo os
requerentes, o texto impugnado discrepa da orientação firmada pelo STF nos precedentes que inspiraram a Resolução, no
que se refere à atribuição ao Ministério Público eleitoral e ao terceiro interessado para, ante a omissão do Partido Político,
postular a perda do cargo eletivo (art. 1º, § 2º). Para eles, a criação de nova atribuição ao MP por resolução dissocia-se da
necessária reserva de lei em sentido estrito (art. 128, § 5º, e art. 129, IX, da Constituição). Por outro lado, o suplente não
estaria autorizado a postular, em nome próprio, a aplicação da sanção que assegura a fidelidade partidária, uma vez que o
mandato \u2018pertenceria\u2019 ao Partido.) Por fim, dizem os requerentes que o ato impugnado invadiu competência legislativa,
violando o princípio da separação dos Poderes (arts. 2º e 60, §4º, III, da Constituição). O STF, por ocasião do julgamento
dos MS 26.602, 26.603 e 26.604 reconheceu a existência do dever constitucional de observância do princípio da fidelidade
partidária. Ressalva do entendimento então manifestado pelo ministro relator. Não faria sentido a Corte reconhecer a
existência de um direito constitucional sem prever um instrumento para assegurá-lo. As resoluções impugnadas surgem em
contexto excepcional e transitório, tão somente como mecanismos para salvaguardar a observância da fidelidade partidária
enquanto o Poder Legislativo, órgão legitimado para resolver as tensões típicas da matéria, não se pronunciar. São
constitucionais as Resoluções 22.610/2007 e 22.733/2008 do TSE.\u201d (ADI 3.999 e ADI 4.086, Rel. Min. Joaquim
Barbosa, julgamento em 12-11-2008, Plenário, DJE de 17-4-2009.)
 
\u201cEm conclusão, o Tribunal, por maioria, julgou procedente pedido formulado em ação declaratória de constitucionalidade,
proposta pelo presidente da República e pelas Mesas do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, para declarar a
constitucionalidade do art. 1º da Lei 9.494/1997 (...). Entendeu-se, tendo em vista a jurisprudência do STF no sentido da
admissibilidade de leis restritivas ao poder geral de cautela do juiz, desde que fundadas no critério da razoabilidade, que a
referida norma não viola o princípio do livre acesso ao Judiciário (CF, art. 5º, XXXV). O Ministro Menezes Direito,
acompanhando o relator, acrescentou aos seus fundamentos que a tutela antecipada é criação legal, que poderia ter vindo
ao mundo jurídico com mais exigências do que veio, ou até mesmo poderia ser revogada pelo legislador ordinário.
Asseverou que seria uma contradição afirmar que o instituto criado pela lei oriunda do Poder Legislativo competente não
pudesse ser revogada, substituída ou modificada, haja vista que isto estaria na raiz das sociedades democráticas, não
sendo admissível trocar as competências distribuídas pela CF. Considerou que o Supremo tem o dever maior de interpretar
a Constituição, cabendo-lhe dizer se uma lei votada pelo Parlamento está ou não em conformidade com o Texto Magno,
sendo imperativo que, para isso, encontre a viabilidade constitucional de assim proceder. Concluiu que, no caso, o fato de o
Congresso Nacional votar lei, impondo condições para o deferimento da tutela antecipada, instituto processual nascido do
processo legislativo, não cria qualquer limitação ao direito do magistrado enquanto manifestação do Poder do Estado,
presente que as limitações guardam consonância com o sistema positivo. Frisou que os limites para concessão de
antecipação da tutela criados pela lei sob exame não discrepam da disciplina positiva que impõe o duplo grau obrigatório
de jurisdição nas sentenças contra a União, os Estados e os Municípios, bem assim as respectivas autarquias e fundações
de direito público, alcançando até mesmo os embargos do devedor julgados procedentes, no todo ou em parte, contra a
Fazenda Pública, não se podendo dizer que tal regra seja inconstitucional. Os Ministros Ricardo Lewandowski,
Joaquim Barbosa, Ellen Gracie e Gilmar Mendes incorporaram aos seus votos os adendos do Min. Menezes
Direito.\u201d (ADC 4, Rel. p/ o ac. Min. Celso de Mello, julgamento em 1º-10-2008, Plenário, Informativo 522.)
 
"Formação de quadrilha e gestão fraudulenta de instituição financeira. Competência. Especialização de vara por resolução
do Poder Judiciário. Ofensa ao princípio do juiz natural e à reserva de lei (Constituição do Brasil, art. 5º, XXXVII e LIII; art.
22, I; art. 24, XI; art. 68, § 1º, I; e art. 96, II, alíneas a e d). Inocorrência. Princípio da legalidade e princípio da reserva da
lei e da reserva da norma. Função legislativa e função normativa. Lei, regulamento e regimento. Ausência de delegação de
função legislativa. Separação dos Poderes (CB, art. 2º). Paciente condenado a doze anos e oito meses de reclusão pela
prática dos crimes de formação de quadrilha (CP, art. 288) e gestão fraudulenta de instituição financeira (Lei 7.492/1986).
Inquérito supervisionado pelo juiz federal da Subseção Judiciária de Foz do Iguaçu, que deferiu medidas cautelares.
Especialização, por resolução do