05 John Locke e o individualismo liberal
9 pág.

05 John Locke e o individualismo liberal


DisciplinaIntrodução Às Ciências Sociais425 materiais1.684 seguidores
Pré-visualização2 páginas
John Locke e o individualismo liberal
John Locke, o individualista liberal
Defensor da liberdade e tolerância religiosa
Fundador do empirismo: todo conhecimento deriva da experiência
Teoria da tábula rasa: contrária a ideia de que certas idéias, princípios e noções são inerentes ao homem.
Dois tratados sobre o governo civil
Primeiro tradado: Robert Filmer defende o direito divino dos reis com base no princípio da autoridade paterna de Adão, supostamente o primeiro pai e o primeiro rei, e que os monarcas são descendentes de Adão.
Segundo tratado: origem, extensão e objetivo do governo civil. Nem força nem tradição, apenas o consentimento dos governados são a fonte de poder político legítimo.
O estado de natureza
Jusnaturalismo, teoria dos direitos naturais:
Oposição à doutrina aristotélica: a sociedade não precede ao indivíduo, mais o indivíduo precede a sociedade.
Estado de natureza: pré-social, pré-político, total liberdade e igualdade, os homens eram dotados de razão (vida, liberdade e propriedade = direitos naturais do homem) (diferente de Hobbes, insegurança e violência)
A teoria da propriedade
O direito a propriedade já existe antes do estado, sendo um direito natural, não pode ser violado pelo estado. (Diferente de Hobbes, propriedade instituida pelo Leviatã)
Moeda possibilita a acumulação, e com isso, a propriedade ilimitada e a desigualdade. O trabalho provoca diferença de valor em tudo quanto existe. (idéia precursora da teoria do valor do trabalho de Smith e Ricardo)
O contrato social
Diferente de Hobbes, onde há a troca da liberdade pela segurança, em Locke o contrato social é um pacto de consentimento onde os homens concordam livremente em formar uma sociedade para consolidar ainda mais os direitos de possuiam no estado de natureza.
A sociedade política ou civil
Passo 1: Indivíduos dão seu consentimento unânime para a entrada do estado civil
Passo 2: escolha da forma de governo. Unanimidade cede lugar ao princípio da maioria.
Todo governo não possui outra finalidade além da conservação da propriedade.
3 poderes: Legislativo (poder supremo), Executivo e Federativo.
O direito de resistência
Quando o governo viola lei estabelecida e atenta contra a propriedade, ele deixa de cumprir sua função, torna-se tirania. O uso da força sem amparo legal coloca o governo em guerra contra a sociedade, conferindo ao povo, legítimo direito de resistência à tirania e à opressão.
Conclusão
Locke, pai do individualismo liberal: Direitos naturais (Vida, liberdade e propriedade) como cerne do estado civil. Expos as diretrizes fundamentais do Estado Liberal.
A posteriori, jutificou moralmente a Revolução Gloriosa.
Influenciou a revolução norte-americana, ruptura com o sistema colonial brutânico: direitos naturais e direito de resistência.
Influenciou filósofos iluministas franceses: Voltaire e Montesquieu
Textos de Locke
Introdução
Distinguir o poder de um governante de comunidade do poder de pai de família, senhor de escravo, marido... Todos esses poderes podem estar numa mesma pessoa, por isso é importante distingui-los.
Poder político: direito de fazer leis com pena de morte ou penalidades menores, para regular e preservar a propriedade. Dever de defender a comunidade de agressão estrangeira. Tudo isso em prol do bem público.
Do estado e natureza
Compreensão do poder político
Do estado de guerra
Aquele que tenta colocar a outrem sob seu poder absoluto, põe-se por causa disto num estado de guerra com ele.
Quando homens vivem juntos, sem autoridade superior que possa julgar eles, verifica-se o estado de natureza.
Porém, o uso da força em outra pessoa, sem que haja superior a quem possa recorrer, constitui o estado de guerra.
Evitar o estado de guerra: razão para que os homens se reúnam em sociedade.
Da propriedade
Embora a terra e todas as criaturas inferiores sejam comuns a todos os homens
Podemos dizer que o \u201ctrabalho\u201d do seu corpo e a \u201cobra\u201d de suas mãos são propriamente seus. Assim o homem tem em si mesmo a base da propriedade.
Limite da propriedade??
Dinheiro permite acumulação de trabalho excedente, e permite a troca de algo perecível por algo não perecível, na medida em que as pessoas atribuem valor à moeda, e indiretamente concordam com desigualdade.
Da sociedade política ou civil
A sociedade política não pode existir sem ter o poder de preservar a propriedade. Haverá sociedade política somente quando cada um dos membros dessa sociedade renunciar ao próprio poder natural, passando-o às mãos da comunidade.
Os que estão unidos em um corpo, tendo lei comum estabelecida e judicatura para a qual apelar, com autoridade para decidir controvérsias e punir os ofensores estão em sociedade civil.
Nesse estado a sociedade é capaz de estabelecer qual castigo cabe a cada transgressão cometida (poder de fazer leis), bem como possui o poder de castigar qualquer dano praticado contra qualquer dos membros da sociedade por alguém que não pertence a ela (poder de fazer guerra e paz). Aqui deparamos com a origem dos poderes legislativo e executivo.
Do começo das sociedades políticas
Sendo os homens iguais e independentes, ninguém pode ser expulso de sua propriedade e submetido ao poder político de outrem sem dar consentimento.
Mas todo homem que consentir em formar um corpo político sob um governo, assume a obrigação para com todos os membros da sociedade a se submeter à vontade da maioria.
Uma vez consentindo em participar dessa sociedade, está obrigado perpetuamente a ser súdito dela.
Dos fins da sociedade política e do governo
Se no estado natural o homem é livre, senhor absoluto de sua própria pessoa e posses, por que abrirá mão dessa liberdade, e sujeitar-se ao domínio de outro?
Pois esse direito é incerto, está constantemente exposto à invasão de terceiros, sendo todos reis, tanto quanto ele, todos iguais a ele e em sua maioria, pouco observadores da equidade e da justiça.
Para a preservação da propriedade, alguns requisitos são necessários, e inexistentes no estádo natural:
1°: Falta uma lei estabelecida: aceita mediante consentimento comum, como padrão do justo e injusto.
2°: No estado natural falta um juiz indiferente e com autoridade para resolver dissensões de acordo com a lei estabelecida.
3°: No estado natural frequentemente falta poder que apóie e sustente a sentença quando justa.
Sendo o único motivo da existência do governo garantir a segurança e a propriedade da população por meio de leis de consentimento geral, o governo não teria serventia se não garantise a manutenção dessas leis, sendo assim o poder supremo obriga-se a governar mediante leis estabelecidas e não por meio de decretos expontâneos ou por vontade própria.
Das formas de uma comunidade
Democracia
Oligarquia
Monarquia
Hereditária
Eletiva
Da extensão do poder legislativo
Lei fundamental para a formação de um consentimento e criação do poder legislativo: O poder legislativo é supremo, sagrado e inalterável. Sem isto a lei não teria o que é absolutamente necessário à natureza da lei: o consentimento da sociedade sobre a qual ninguém tem o poder se fazer leis, se não o próprio poder legislativo.
Encargos conferidos ao poder legislativo pela sociedade:
1°: Tem de governar por leis estabelecidas e promulgadas, que não poderão variar em casos particulares, instituindo a mesma regra a ricos e pobres...
2°: Tais leis devem ter como único fim o bem do povo.
3°: Não devem lançar impostos sobre a propriedade do povo sem consentimento deste, dado diretamente ou por meio de deputados.
4°: O legislativo não deve nem pode transferir o poder de elaborar leis a ninguém mais, ou colocá-lo em qualquer outro lugar que não o indicado pelo povo.
Dos poderes legislativo, executivo e federativo da comunidade
Como as leis podem ser elaboradas em curto prazo, há necessidade do poder legislativo manter-se em exercício permanentemente? Pois nem sempre teria com que se ocupar.
Todavia, como as leis elaboradas têm força constante e duradoura, precisam de perpétua execução e observância. Também torna-se necessário um poder permanente