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Apostila Profª Nilma Bastos

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Lopes Meirelles elenca dois parâmetros de identificação, sendo que um deles caducou com a EC 19/98. Afirma o renomado autor que a autarquia de regime especial é aquela que tem maior liberdade de atuação, sendo este o seu objetivo. O que caracteriza esta liberdade é difícil definir. O parâmetro trazido é a escolha de seu dirigente maior e regime do pessoal. 
Quanto aos conselhos das profissões regulamentares, mesmo após a lei 8112/90, até atualmente são celetistas. Quanto a escolha de seu dirigente maior, diz Hely Lopes Meirelles que existem algumas entidades autárquicas, cuja escolha do dirigente maior não é feita pela administração direta, e nem pode ser exonerada ad nutum por ela. São escolhidos por eleições de seus integrantes, como os reitores das universidades, em lista tríplice submetida ao ministério correspondente. Por esta razão, tais dirigentes terão maior liberdade de atuação. Só poderá ser destituído do cargo caso haja intervenção. Para fins de concurso público, não se deve falar que autarquia de regime especial é aquela que tem autonomia, pois assim ela transformaria-se em ente federativo. Deve-se dizer que ela tem maior liberdade de atuação, assim como menciona o saudoso mestre. 
 As leis criadoras das agências reguladoras, cada qual de per si, menciona a denominação “autarquia de regime especial”. Não temos, atualmente, uma lei trazendo regras que especifiquem requisitos genéricos para agências reguladoras, pois o que tivemos foram várias leis criando estas agências. Em razão desta polarização, aconselha-se que nos baseemos na lei da ANATEL ao versar questões sobre a matéria, por ser repleta de conteúdo. Diz o artigo 8º da Lei 9472/97, que trata sobre a criação desta agência: “Fica criada a agência nacional de telecomunicações, entidade integrante da administração pública federal indireta, submetida a regime autárquica especial, vinculada ao ministério das telecomunicações (...)” §2º A natureza de autarquia especial conferida à Agência é caracterizada: por independência administrativa, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes e autonomia financeira”.
 Agências Executivas: 
Curiosamente, tem lei genericamente dispondo suas características. A lei 9649/98, em seu artigo 51 define que: “O Poder Executivo poderá qualificar como Agência Executiva a autarquia ou fundação que tenha cumprido os seguintes requisitos: I - ter um plano estratégico de reestruturação e de desenvolvimento institucional em andamento; II - ter celebrado Contrato de Gestão com o respectivo Ministério supervisor. Como exemplo de agência executiva, Caio Tácito menciona o INMETRO. 
Agências Reguladoras:
A idéia na criação destas entidades é o gerenciamento sobre determinada área do Estado Brasileiro, ao contrário da agência executiva, que tem por objetivo executar determinado serviço, notadamente nas áreas sociais. O aprofundamento do estudo desta modalidade de agência poderá ser feito com base na Lei da ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), de conteúdo extenso e elaborado. 
Caracteriza-se tais agências pela independência administrativa, ausência de subordinação hierárquica e o mandato fixo e autonomia financeira, conforme o artigo 8º da referida lei, em seu parágrafo 2º: “A natureza de autarquia especial conferida à Agência é caracterizada por independência administrativa, ausência de subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes e autonomia financeira”. Assim, podemos dizer que o objetivo em instituir-se um órgão regulador é o de ele atue com isenção política. Frise-se o aparente conflito entre o caput do artigo, onde diz que este é vinculado ao Ministério, e o §2º, onde menciona sua ausência de subordinação hierárquica. Esta vinculação diz respeito apenas a forma, inserindo as agências reguladoras na estrutura a que diz respeito sua área de atuação, mantendo a autonomia quanto as decisões técnicas, objetivo-fim destas entidades.
 
Poder Regulamentar:
 As autarquias, mesmo que de regime especial, estão obrigadas a respeitar o princípio da legalidade. Quando a administração pública dispõe-se a normatizar, deverá, necessariamente, respeitar a lei. Estas agências, em sua grande maioria, estão expedindo resoluções (a ANP utiliza-se da portaria). A discussão se dá em torno da possibilidade ou não destes atos normativos criarem direitos e obrigações para terceiros. 
Ora, se nem o chefe maior do executivo poderá fazê-lo, quando menos entidades autárquicas. Logo, só poderão expedir atos para a fiel execução de lei. Porém, aqueles que defendem a legitimidade destas agências reguladoras dizem que, na verdade, elas não estão criando direitos e obrigações para terceiros, ou, em outras palavras, usurpando competência do poder legislativo. Estão sim normatizando dentro de sua área de atuação, denominada “área de reserva administrativa”, ou, de acordo com Diogo F. Moreira Neto, “deslegalização”. Quer isso dizer que estas agências não estão ferindo o princípio da legalidade. 
Ex. Algumas resoluções da ANATEL interferem nos direitos dos consumidores, ou no direito societário de empresas comerciais, interferindo no ramo do direito comercial. Nestes casos, caberá ao poder judiciário inibir esta extrapolação da discricionariedade técnica, usurpando competências do legislativa. 
Entidades Estatais: 
A Administração Pública para atender os anseios da coletividade vêem adotando uma série de métodos modernos, pessoalmente ou por terceiro. Visando a instituição, organização e manutenção dos serviços públicos ou de interesse público. O primeiro método que vem sendo exercido ocorre por meio de entes direito privado - público ou genuinamente público, enquanto o outro método mais utilizado, se dá por meio dos permissionários ou concessionários. 
Empresas Públicas:
As empresas públicas ou governamentais se subordinam a regimes jurídicos diversos conforme forem exploradoras de atividade econômica ou prestadora de serviço públicos, nos termos do artigo5º, incisos II e III do Decreto Lei 200/67 e do artigo 173 da Constituição Federal. Exemplo de empresas estatais Caixa Econômica Federal e a Empresa de correios e telégrafos, sob o controle do Estado. (Art.71, II, 165, §5º, III, 173, §1º da CR).	
Atividade exercida pela Estatal: 
Quanto à natureza jurídica a estatal pode ser de direito privado, quando exerce atividade econômica de natureza privada ou de direito privado prestando serviço público genuinamente público, deixando para o juiz auferir tal competência dentro do caso concreto. Devido a isso, grande parte da doutrina não explora essa diferença como o faz a doutrinador e professor José Maria Pinheiro Madeira, assinalando que:
Quando se trata de atividade econômica exercida pelo Estado com fundamento no artigo 173, haverá sujeição ao direito privado, no silêncio da norma pública;
Quando o Estado fizer gestão privada do serviço público, ainda que de natureza comercial ou industrial, aplicam-se, no silêncio da lei, os princípios de direito público, inerentes ao regime jurídico administrativo (princípios). A grande divergência da doutrina hoje, decorre da intenção do Poder Público ao iniciar o processo de descentralização (Lei nº 9491/97,art. 2º) que era alienar ou transferir todas as atividades estatais ao regime jurídico de direito privado (retirando todas prerrogativas e privilégios). 
Características:
As empresas públicas são pessoas jurídicas de direito privado, submentendo-se a esse tipo de regime com o fim de organizar e explorara as atividades econômicas, levando alguns doutrinadores a entender que o artigo 173, § 1º da Constituição da República só vale para atividade econômica desempenhada pela a Administração Pública, em face de imperativo de segurança nacional ou relevante interesse coletivo. Seu regime de pessoal é celetista, nos termos do artigo 173, §1º, inciso II da Constituição da República. 
Embora com a mesma termologia as empresa ditas no artigo 175 da Constituição da República estão diretamente relacionadas com o serviço público propriamente