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A herança das características
	As informações genéticas passadas de pais para filhos podem gerar nos descendentes características físicas diferentes das esperadas.
Olhos claros é característica dominante em relação a olho escuro. 
As contribuições de Mendel para a Genética
	Nascido no ano de 1822, em Heinzendorf bei Odrau, na Áustria, Gregor Mendel era filho de pequenos e pobres fazendeiros. Por esse motivo, ingressou como noviço no mosteiro de agostiniano da cidade de Brünn em 1843, onde foi ordenado monge.
	Posteriormente, ingressou na Universidade de Viena em 1847. Ali, estudou matemática e ciências, realizando estudos meteorológicos sobre a vida das abelhas e o cultivo de plantas.
	A partir de 1856, iniciou seu experimento procurando explicar as características hereditárias.
	Seu estudo fora apresentado à "Sociedade de História Natural de Brünn", em 1865. Todavia, os resultados não foram compreendidos pela sociedade intelectual da época.
	Mendel morreu em Brünn, em 1884, amargurado por não obter reconhecimento acadêmico de sua obra, a qual só foi valorizada décadas depois. 
	Um dos principais organismos utilizados por Mendel em suas investigações foi a ervilha-de-cheiro, espécie que apresenta características que facilitavam seu estudo, entre elas:
· Fácil cultivo e crescimento rápido, possibilitando obter várias gerações em um intervalo de tempo de tempo relativamente curto;
· Variedades com características facilmente observáveis, como a cor das flores, a forma das vagens, a textura das sementes etc;
· É hermafrodita, ou seja, apresenta as estruturas masculina e feminina em uma mesma flor, o que permite tanto a reprodução por autopolinização (quando se usam os gametas da mesma flor na reprodução), como a fertilização das flores por fecundação cruzada (quando se utilizam gametas de flores de plantas diferentes na reprodução).
	A reprodução por autopolinização foi um importante mecanismo para controle das características que Mendel queria analisar, uma vez que era possível obter o que ele chamou de linhagens puras, ou seja, plantas cuja característica selecionada não sofria variação por muitas gerações.
	Em seus experimentos, Mendel analisou os resultados de cruzamentos entre plantas de ervilhas-de-cheiro tentando encontrar respostas para o fato de uma mesma planta com flores e pétalas púrpura produzir sementes que originavam plantas com flores de pétalas púpura e plantas com flores de pétalas brancas. Ele também fez cruzamentos para observar outras características, como altura da plantas, o formato das vagens e a cor e a textura das sementes.
Detalhe de um arbusto da ervilha-de-cheiro.
Os experimentos de Mendel
	No início de seus experimentos, Mendel selecionou plantas com flores de pétalas brancas que, quando cruzadas entre si, sempre produziam descendentes com flores de pétalas brancas e plantas com flores de pétalas púrpura que, quando cruzadas entre si, produziam apenas plantas com flores de pétalas púrpura. Isto é, ele selecionou linhagens que determinou serem puras (segundo os seus critérios).
	Mendel realizou cruzamentos entre as plantas puras com flores de pétalas púrpuras e as com flores de pétalas brancas. Esses cruzamentos iniciais, denominado geração parental, produziam somente descendentes, denominados de primeira geração flilial F1), que apresentavam flores de pétalas púpura. O cruzamento entre plantas da F1 gerava, na segunda geração filial (F2), tanto plantas com flores de pétalas púpura como plantas com flores de pétalas brancas.
	Analisando cuidadosa e matematicamente o que era observado, Mendel constatou que na geração F2 a proporção de plantas com flores púpura era diferente da proporção de plantas com flores brancas, mas sempre seguia um padrão: para cada três plantas de flores púrpura havia uma planta de flores brancas
Cruzamento entre ervilhas-de-cheiro, considerando a cor das pétalas das flores.
	No experimento foram selecionadas plantas de linhagens puras com as características desejadas, cor das flores, para o primeiro cruzamento. Essas plantas constituem a geração parental. As estruturas masculinas das plantas com flores púrpura foram cortadas para evitar autopolinização. O pólen das plantas com flores brancas foi colocado artificialmente sobre as estruturas femininas das flores púrpuras. 
	As sementes obtidas foram então semeadas, dando origem às plantas da geração F1. Todas as plantas dessa geração tinham flores de pétala púrpura.
	As plantas da geração F1 foram cruzadas entre si, gerando sementes que deram origem a novas plantas, pertencentes à geração F2. Nessa geração, apareceram plantas com flores púrpura e plantas com flores brancas, na proporção de 3 púrpura para 1 branca.
As conclusões de Mendel
	Gregor Mendel verificou que, embora na geração F1 não tenham aparecido plantas com flores de pétalas brancas, elas surgiam na geração F2, o que indicava que, por alguma razão, o caráter “pétalas brancas” desaparecia na primeira geração, mas aparecia na outra.
	Com base nessa observação e nos resultados de outros experimentos, Mendel elaborou a hipótese de que cada característica, como a cor das pétalas das flores, é determinada por um par de fatores que se encontram nos gametas. Um desses fatores, de alguma maneira, era dominante em relação ao outro pois suas observações mostravam que plantas com flores de pétalas púrpura, quando cruzadas com plantas de pétalas brancas, faziam com que as plantas de flores brancas “desaparecessem” em uma geração. Ele denominou variedade dominante ao fator cujas características se mantinham na geração F1 e variedade recessiva áquele que só reaparecia na geração F2.
	Além disso, ele observou que a geração F2 apresentava, consistentemente, uma razão de 3 indivíduos com características dominantes para 1 indivíduo com características recessivas. Isto é, 75% dos indivíduos eram da variedade dominante com flores de pétala púrpura e 25% da variedade recessiva, com flores de pétalas brancas.
Lei da segregação
	Para explicar a razão 3:1 observada na F2, Mendel propôs que apenas uma das cópias de um fator é distribuída para cada gameta e que quando essas cópias se unem, durante a fertilização, há formação de um novo organismo que combina os fatores contidos nos gametas, proposta que ficou conhecida como lei da segregação.
	A primeira letra da característica dominante é grifada em maiúscula para representar a variedade dominante e em minúscula para a variedade recessiva. Todos os indivíduos da geração F1 têm os fatores Pp, pois são o resultado do cruzamento de linhagens puras de pétalas púrpura (PP) e de pétalas brancas (pp). Cada gameta transporta apenas um tipo de fator (P ou p). Portanto, há três combinações possíveis de fatores: PP, Pp e pp. A razão esperada para essas é de 75% das sementes é PP ou Pp (flores púrpuras) e 25% é pp (flores brancas).
Os fatores de Mendel: alelos de um gene
	Hoje se entende que o conceito de genes veio a cumprir, no conhecimento da genética, o papel que o conceito de fatores cumpria no pensamento de Mendel.
	Os genes localizavam-se nos cromossomos e são transmitidos de uma geração para outra. Os genes ocorrem aos pares, pois existe uma cópia em cada um dos cromossomos homólogos. Essas cópias, denominadas alelos, podem ser definidas como as diferentes versões de um gene que ocupam a mesma posição nos cromossomos homólogos. Isso significa que cada alelo pode conter uma informação alternativa para a mesma característica, como cabelo liso e cabelo ondulado. A interação entre alelos determina qual deles, ou qual parte de suas informações, será expressado.
	No exemplo das flores púrpura e brancas de Mendel, um dos alelos contém a informação para a produção de flor de pétalas brancas (alelo p), mas a característica que ele determina não se manifesta na presença de um alelo para cor púrpura, caracterizando um alelo recessivo.
	O alelo de cor púrpura (alelo P) manifesta-se mesmo que se encontre apenas um dos cromossomos homólogos, não permitindo a manifestação do alelo recessivo, sendo, dessa forma, um alelo dominante.Quando, em um indivíduo, os alelos de um gene são idênticos entre si, eles estão em homozigose, e o indivíduo é chamado homozigoto ou puro para a característica em questão. A homozigose é representada por um par de letras iguais, ambas maiúsculas ou minúsculas: AA, aa, BB, bb, por exemplo.
	Quando, em um indivíduo, os alelos de um gene são diferentes, eles estão em heterozigose, e o indivíduo é chamado heterozigoto ou híbrido. 
	A heterozigose é representada por um par da mesma letra, sendo uma maiúscula e outra minúscula: Aa, Bb.
	Na formação de gametas, os cromossomos homólogos se duplicam, e cada célula gera quatro gametas. Se os alelos de um gene forem iguais (homozigose), todos os gametas serão iguais para esse gene. Se eles forem diferentes (heteozigose), haverá diferentes gametas, como mostra a imagem a seguir:
	Na formação dos gametas, os cromossomos homólogos se separam, o que faz com que cada gameta receba apenas um alelo de cada parental. Portanto, o zigoto formado após a fecundação apresenta um alelo recebido do pai e outro da mãe.
O que são ondas eletromagnéticas?
Ondas eletromagnéticas são oscilações formadas por campos elétricos e magnéticos variáveis, que se propagam tanto no vácuo quanto em meios materiais. Elas são ondas tridimensionais e transversais que viajam na velocidade da luz, transportando exclusivamente energia. Apresentam-se na forma de ondas de rádio, micro-ondas, infravermelho, luz visível, ultravioleta, raios x e raios gama, em ordem crescente de frequência e energia.
Campo elétrico: O campo elétrico é uma grandeza física vetorial usada para definir a força elétrica que uma carga é capaz de produzir em outras cargas elétricas.
Campo magnético: O campo magnético é uma região do espaço onde as cargas elétricas em movimento são sujeitas à ação de uma força magnética, capaz de alterar as suas trajetórias.
Ondas eletromagnéticas e tecnologias do dia a dia
Os telefones celulares atuais, que possibilitam o uso da internet, são chamados smartphones. Os smartphones são, basicamente, pequenos transmissores e receptores de ondas eletromagnéticas. Eles se conectam a rede de uma operadora por meio de antena direcional das estações de rádio mais próximas. Para garantir que haja sinal de celular independentemente da localização do usuário e da maneira como ele esteja se movendo dentro da área de cobertura, são instaladas várias estações-base de radiofrequência, dispostas em células. Daí vem o nome que recebeu: rede celular.
O sistema de telefonia celular recebe esse nome porque as áreas de cobertura são divididas em células. O sinal dos aparelhos móveis utiliza ondas de rádio para se comunicar com a antena mais próxima.
Antes de darmos sequência aos conteúdos, elabore um pequeno texto tentando responder os seguintes questionamentos:
· Como evoluíram os telefones ao longo da história? 
· Você consegue imaginar a importância desses aparelhos para a humanidade?
Se for necessário peça informações para alguém da sua família sobre como era à utilização deste aparelho antigamente e escreva no texto as informações coletadas.
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Os avanços na comunicação
	Hoje em dia muitas pessoas dependem de telefones celulares do tipo smartphones para diversas finalidades. São tantas as funções que esses aparelhos possuem que uma ligação telefônica acaba sendo apenas uma delas entre várias opções. Apensar dessa evolução, a telefonia celular mantém o mesmo princípio de funcionamento de quando foi criada, a transmissão das informações (sinal) por meio de ondas de radiofrequência.
	 O que mudou nos últimos anos foram o tipo e a banda (faixa usada para as frequências de radiocomunicação. Por exemplo: FM e AM) desse sinal. Atualmente, uma quantidade imensa de dados trafega pela rede de telefonia celular. Com o avanço da banda de internet móvel, é possível assistir filmes e conversas por chamadas de vídeo sem que o usuário se dê conta de que há ondas eletromagnéticas sendo empregadas nessas tarefas. É um avanço impressionante, principalmente quando pesquisamos como o sistema de telefonia era feito em meados do século passado. Naquela época, era necessário que um profissional, o telefonista, conectasse manualmente as linhas de cabos entre os bairros e as cidades. Hoje é possível acessar a internet com dois toques em uma pequena tela e realizar conversas via satélite, por vídeo, com alguém do outro lado do mundo, em tempo real.
Estação telefônica no início do século XX. As ligações eram feiras por meio de uma central onde as telefonistas conectavam os fios para que houvesse contato entre o telefone chamador e o telefone receptor.
Ondas eletromagnéticas e comunicação
	 No início do século XIX, por volta de 1830. O telégrafo era o que havia de mais avançado em termos de comunicação. Por meio de impulsos elétricos entre dois pontos distantes e conectados por fios, era possível passar uma mensagem criptografada, utilizando um código chamado Morse (1791- 1872), baseava-se em cliques ouvidos pelo receptor, divididos em pontos (sinais curtos) e traços (sinais longos).
	Esse sistema de comunicação, apesar de funcional, tinha a desvantagem de manter uma conexão física entre os locais de emissão e de recepção de mensagens. Se o fio fosse cortado, por exemplo, os pontos de emissão e recepção deixavam de se comunicar. Sinais elétricos podem viajar grandes distâncias, mas precisam de um meio físico, como um fio ou um cabo, pra conectar o transmissor ao receptor.
	Sistemas de comunicação que utilizam ondas eletromagnéticas não sofrem tais limitações. No ar, uma onda eletromagnética viaja a velocidades muito próximas à da luz, fazendo com que os sistemas de comunicação modernos sejam praticamente instantâneos. Além de não dependerem de um meio físico para serem transmitidos, ondas eletromagnéticas podem ser refletidas ou não (de acordo com seu comprimento) pelas camadas da atmosfera terrestre, e, desse modo, possibilitam uma transmissão a longa distâncias. Com a tecnologia de hoje, são geradas ondas eletromagnéticas empregadas como portadores de informação. O rádio é um exemplo de como ocorre a transmissão por ondas eletromagnéticas (nesse caso, ondas do rádio), que permitem estabelecer comunicação inclusive com aparelhos localizados fora da órbita terrestre.
a) Representação gráfica do código de Morse. b) O uso do telégrafo e código Morse como meio de comunicação perdurou por mais de cem anos após sua invenção.
Ondas eletromagnéticas podem transportar informações
	As ondas eletromagnéticas (EM) são portadoras eficazes de sinais modulares (sinais que variam uma ou mais propriedades de uma onda periódica com o intuito de transmitir informações). A estação de rádio codifica a informação sonora que quer reproduzi (música ou voz) em ondas de rádio e as transmite utilizando determinada frequência AM (modulação em amplitude) ou FM (modulação em frequência). A transmissão dessas ondas de rádio é feita por uma antena para todas as direções necessárias. Mesmo assim, o fato de as ondas eletromagnéticas sempre viajarem em linha reta faz com que seja impossível a recepção em qualquer ponto da Terra. O aparelho receptor do rádio recebe essas ondas eletromagnéticase as decodifica em uma corrente elétrica, que produz o som que ouvimos por meio de um alto-falante. Ondas de rádio transmitidas em AM são refletidas pela ionosfera por causa do seu grande comprimento de onda, mas seu alcance é limitado a poucas centenas de quilômetros.
Ionosfera: A ionosfera é uma das camadas da atmosfera característica por sofrer ionização da radiação solar.
Como é feita a transmissão por uma estação de rádio
1. O microfone cria uma corrente elétrica que é um sinal analógico do som original.
2. O transmissor de rádio combina o sinal analógico amplificado e o converte em ondas de rádio com uma frequência específica.
3. A antena de rádio transmite as ondas moduladas pela atmosfera.
4. A antena do aparelho receptor é ajustada para receber as ondas modulares na frequência escolhida.
5. O aparelho receptor filtra as ondas de rádio da informação transmitida no sinal analógico.
6. O aparelho converte o sinal analógico em corrente elétrica, que o alto-falante transforma em som.
O desenvolvimento científico e tecnológico presente em nosso cotidiano
· A antena parabólica: Em locais remotos de difícil acesso, a comunicação via-satélite é de fundamental importância, pois a comunicação por sinal de telefonia celular tende a ser precária se não houver antenas repetidoras de sinal nas proximidades. É comum nessas localidades o acesso ao sinal de televisão seja por antena parabólica, que capta os sinais via satélite. Assim como receptores de televisão, outros equipamentos que possibilitam a comunicação remota via satélite são utilizadas, tais como telefones e rádio-comunicadores.
Essas antenas são miniestações de recepção via satélite, com decodificadores individuais que tornam possível a recepção do sinal de televisão em áreas muito afastadas.
· Micro-ondas: Outro uso muito comum de ondas de rádio nos dias atuais é o emprego de micro-ondas para fornos elétricos. Micro-ondas são ondas mais energéticas que as ondas de rádio utilizadas em comunicação e conseguem penetrar alguns centímetros da superfície dos alimentos. As moléculas de água estão contidas nos alimentos vibram, ou seja, sua energia cinética aumenta, aquecendo a comida e fazendo com que cozinhe. 
Princípio de funcionamento de um forno de micro-ondas. As micro-ondas são geradas pela aceleração de partículas do magnétron e são refletidas para os alimentos pelo ventilador.
· A televisão: Se ondas de radiofrequência AM/FM podem transmitir sons, frequências maiores são capazes de transmitir também imagens. As ondas sonoras captadas por um microfone e as imagens capturadas por uma câmera são convertidas em impulsos elétricos e, depois, em sinais para transmissão. O primeiro sistema de televisão foi desenvolvido na Grã-Bretanha na década de 1920, mas a Segunda Guerra Mundial interrompeu momentaneamente a popularização do sistema. As imagens que você na tela da televisão são resultado da separação do sinal de três emissões eletrônicas, cada uma com uma cor primária (vermelho, azul e verde). 
Os primeiros aparelhos de televisão produzidos para consumo eram muito diferentes dos atuais, apresentavam tela bem pequena e uma grande lente de aumento para facilitar a visualização das imagens transmitidas.
As informações genéticas
	A semelhança entre pais e filhos nos faz imaginar que parte das informações é passada de uma célula para a outra. A chave de grande parte dessa semelhança é o material genético encontrado, na maioria dos casos, em uma molécula chamada DNA. 
Mesma informação genética, células diferentes
	As células apresentam, em seu interior, as informações genéticas de um ser vivo. Com raras exceções, qualquer célula de um macaco, por exemplo, tem as mesmas informações genéticas relacionadas às características que fazem do macaco, e não um rinoceronte ou uma alface.
	Apesar de conterem a mesma informação genética, as células dos organismos multicelulares são de diversos tipos e realizam funções bastante diversas entre si. Por exemplo, há tipos capazes de se contrair e de relaxar, como as células musculares; ou de secretar certa substância, como algumas células do estômago, que liberam suco gástrico.
	Apesar de toda célula de um organismo ter a mesma informação genética, quase nenhuma delas pode se diferenciar em, ou produzir outros tipos celulares que não o dela própria. Isto é, uma célula muscular, por exemplo, apesar de ter a informação para produzir uma célula nervosa e para funcionar como tal, não se diferencia em célula nervosa. Essa habilidade de se diferenciar em qualquer tipo celular de um organismo só existe nos estágios bem iniciais do desenvolvimento, nas células-tronco, depois, ela é perdida por quase todas as células. Algumas, no entanto, mantêm certa capacidade de diferenciação, como as células-tronco hematopoiéticas, precursoras das células do sangue.
As células-tronco hematopoiéticas só conseguem se diferenciar em alguns tipos celulares presentes no sangue, como as hemácias (que não tem núcleo nem DNA), as plaquetas (que são fragmentos de certos tipos celulares) e os leucócitos (células especializadas, envolvidas da defesa do organismo).
Onde estão as informações genéticas?
	As informações genéticas encontram-se em moléculas chamadas DNA que estão presentes nas células.
	Nas células procariontes, o material genético está disperso no citoplasma, uma vez que elas não apresentam núcleo delimitado por membranas.
O DNA dos procariontes como as bactérias, está disperso no citoplasma.
	Nas células eucariontes, o DNA do organismo está restrito ao núcleo celular. Organoide, como cloroplastos e as mitocôndrias, têm DNA próprio disperso no citoplasma, portanto, fora do núcleo das células do organismo.
	A maioria das células eucariontes contém um único núcleo, porém existem algumas células com vários núcleos, como as células musculares esqueléticas dos seres humanos. Também há células eucariontes que perdem o núcleo durante seu amadurecimento e diferenciação, como as hemácias de mamíferos. 
Fibra muscular esquelética mostrando a presença de diversos núcleos.
DNA
	No século XX, com o avanço da Ciência, especialmente nas áreas da Citologia (estudo da célula) e da Química, foi descoberto o comporto que contém a informação genética hereditária, isto é, aquela que é passada de geração em geração e que é responsável pela transmissão do potencial para o desenvolvimento de diversas características dos seres vivos: o ácido desoxirribonucleico ou DNA, também chamado de material genético ou material hereditário.
	O DNA é uma molécula constituída de subunidade chamadas de nucleotídeos, que podem ser de quatro tipos: Adenina (A) guanina (G), citosina (C) e timina (T). Esses compostos formam duas cadeias enroladas uma sobre a outra em um arranjo helicoidal (dupla hélice), como uma escada de caracol. As duas cadeias mantêm-se unidas por ligações químicas, que forma os “degraus da escada”. A adenina interage com a timina, formando um par; enquanto a guanina interage com a citosina, formando outro. Toda a informação genética de um organismo está codificada na sequência dessas quatro bases nitrogenadas. O conjunto de todas as moléculas de DNA de um organismo é denominado genoma.
Modelo de uma molécula de DNA, mostrando sua estrutura em dupla hélice.
Os cromossomos
	Nas células eucariontes, os filamentos de DNA se associam a certas proteínas e formam um complexo de macromoléculas chamada de cromatina.
	No processo de divisão celular, a cromatina se condensa e forma a estrutura chamada cromossomo, que pode ser observada com microscópio.
	Ao estudar as mais variadas espécies de seres vivos, os pesquisadores perceberam que o número de cromossomos encontrados em qualquer célula dos organismos multicelulares era sempre o mesmo. Além disso, esse número era constante para cada espécie. Isto é, todo indivíduo que pertence à espécie A, possui o mesmo número de cromossomos em cada uma de suas células (seja a espécie A multicelular ou unicelular).
	Na espécie humana, por exemplo, o número de cromossomos das células que não são gametas é geralmente 46.De acordo com suas características, são agrupados em 23 pares distintos e pode-se montar um cariótipo.
Cariótipo: É o conjunto de cromossomos de um organismo. Em uma espécie, apresentam forma, tamanho e número (varia, nos casos de alteração cromossômica) característicos constantes, no geral.
	Os cromossomos de um mesmo par são denominados cromossomos homólogos. Esse número de pares é válido para todas as células do corpo, exceto para os gametas (células reprodutivas).
	Simbolizamos por 2n o número de cromossomos presentes nas células do corpo de um organismo eucariótico, pois os cromossomos homólogos encontram-se em pares. Dizemos que uma célula é diploide quando ela apresenta 2n cromossomos. 
	Não existe uma relação entre o número de cromossomos e grau de complexidade da espécie ou tamanho do organismo. Seres humanos, por exemplo, são mais complexas que as amebas, mas têm menor número de cromossomos em suas células.
	Número diploide (2n) de algumas espécies
	Espécie
	2n
	Mosca-das-frutas
	8
	Ervilha
	14
	Arroz
	24
	Rã
	26
	Minhoca
	36
	Camundongo
	40
	Ser humano
	46
	Chimpanzé
	48
	Ameba
	50
	Cão
	78
	
Na espécie humana, dos 23 pares de cromossomos, 22 são chamados de autossomos. O outro par é constituído pelos cromossomos sexuais, que podem ser de dois tipos: X ou Y. Quando os cromossomos sexuais homólogos são XX, o sexo biológico do indivíduo é feminino. Quando os cromossomos sexuais homólogos são XY, o sexo biológico é masculino.
Genes
	O gene pode ser entendido como um trecho ou mais de DNA com informações para produzir molécula de RNA mensageiro, que carrega informações sobre uma característica hereditária específica. O RNA, sigla em inglês para ácido ribonucleico, é uma molécula constituída geralmente de cadeia única, formada pelos nucleotídeos: adenina (A), uracila (U), citosina (C) e guanina (G).
	As moléculas de RNA participam da produção de proteínas, substâncias com diversos papéis nas células e que auxiliam no controle de suas atividades. 
	Em conjunto, os genes apresentam uma espécie de “instrução” que pode influenciar o metabolismo celular e condicionar parcial ou totalmente certas características genéticas do indivíduo, como a cor dos olhos ou o tipo de cabelo.
A influência do meio nas características dos seres vivos
	O conjunto de genes que um organismo apresenta constitui seu genótipo. Nos seres humanos, o genótipo é formado por uma combinação entre os genes do pai e da mãe.
	Quando notamos as semelhanças entre pais e filhos, estamos observando o fenótipo de cada indivíduo, ou seja, suas características físicas ou fisiológicas. Entre as características fenotípicas visíveis, podemos citar a cor de uma flor, a cor dos olhos de uma pessoa, a textura do cabelo, a cor do pelo de um animal etc. Um mesmo fenótipo pode, entretanto, estar associado a diferentes genótipos, porque as características genéticas podem ser expressas de maneiras diferentes.
Irmãs gêmeas fraternas têm DNA bastante semelhantes, mas, mesmo assim, os fenótipos podem ser bastante distintos, como se vê na fotografia.
	O fenótipo de um indivíduo sobre transformações com o passar do tempo. Isso significa dizer que o meio ambiente também exerce influência sobre as características dos seres vivos. Por exemplo, à medida que uma pessoa envelhece, seu corpo se modifica, podem aparecer manchas causadas pela exposição ao sol e cicatrizes decorrentes de ferimentos. 
	As alterações que o ambiente causa no fenótipo de um indivíduo podem ser passageiras ou definitivas. Se uma pessoa toma sol muitas horas seguidas, seu tom de pele escurecerá. Esse é um exemplo de alteração passageira. No entanto, uma alteração definitiva ocorre, por exemplo, quando a altura de um indivíduo é influenciada pela sua nutrição durante a infância: indivíduos mal nutridos tendem a crescer menos do que indivíduos que recebem uma alimentação com todos os nutrientes dos alimentos. Nos dois casos, como as características foram adquiridas por uma interferência do meio, elas não podem ser transmitidas ás próximas gerações.
A coloração das penas dos flamingos é determinada por um fator ambiental: o tipo de alimento disponível. Quando o alimento é rico em carotenoides (um pigmento presente em vários seres vivos), suas penas ficam avermelhadas. Quando há pouco desse pigmento, a coloração das penas fica esbranquiçada.
Como as informações genéticas passam de pais para filhos?
	Se todas as células de um ser vivo, mesmo as que têm características e funções diferentes, apresentam a mesma informação genética, e se, em geral, todos os organismos de uma mesma espécie contêm a mesma quantidade de cromossomos, como ocorre a passagem do material genético de pais para filhos? 
A reprodução sexuada
	A maioria dos animais e das plantas pode se reproduzir e gerar descendentes que são muito parecidos com os organismos parentais. Esse tipo de reprodução ocorre com a união de células especializadas que são formadas no interior do corpo da geração parental. No caso dos seres humanos, por exemplo, essas células especializadas que se forma no interior do corpo da mãe recebem o nome de óvulos; as que se formam no interior do corpo do pai chamam-se espermatozoides.
	A união dessas células responsáveis pela reprodução de diversos organismos chama-se fecundação. Durante o processo de fecundação, essas células especializadas na reprodução, chamadas gametas, formam uma célula ovo, ou zigoto, que poderá se desenvolver gerando um novo indivíduo.
	Á reprodução que se dá pela união de gametas, chamamos de reprodução sexuada.
	A fecundação pode ser interna, ou seja, o encontro dos gametas masculino e feminino ocorre no interior do corpo da fêmea, como em mamíferos e aves, ou pode ser externa, quando o encontro dos gametas ocorre no ambiente, como em muitos peixes e anfíbios, que lançam os gametas na água.
	Nos animais, o desenvolvimento do zigoto, dando origem ao embrião, pode ocorrer dentro do corpo da mãe (animais vivíparos) ou pode ocorrer dentro de ovos no interior do corpo da mãe (ovovivíparos), ou no ambiente (ovíparos). 
A formação de gametas
	Os gametas são células especializadas relacionadas com a reprodução sexuada. Nesse tipo de reprodução, os núcleos dos gametas femininos e masculino se fundam no processo de fecundação.
	Para que o número de cromossomos da espécie se mantenha sempre o mesmo, a formação dessas células deve ocorrer por meio de um tipo de divisão celular diferente da mitose. Para que a célula-ovo formada no processo de fecundação tenha o mesmo número de cromossomos das células dos pais, a formação dos gametas deve envolver uma divisão celular chamada meiose.
	Na meiose, uma célula-mãe dá origem a quatro células-filhas com metade do número de cromossomos dela. 
Comparação entre os processos de divisão celular de uma célula hipotética com 2n. Repare que na mitose, a célula mãe origina duas células-filhas idênticas a ela, com o mesmo número de cromossomos cada uma. Na meiose, a célula-mãe origina quatro células-filha com metade do material genético, ou seja, com um cromossomo cada uma.
	Durante a meiose, ocorre a duplicação dos cromossomos, seguida da separação dos cromossomos homólogos na primeira divisão celular, Nas segunda divisão da meiose, ocorre a separação dos cromossomos duplicados. Como resultado, são formadas quatro células-filhas com metade do número de cromossomos da célula-mãe, ou seja, são formadas quatro células haploides. 
Fecundação: Combinação do material genético das células-mães parentais
		Durante a fecundação, ocorre o encontro dos gametas masculino e feminino. Nesse processo, há fusão dos núcleos dessas células sexuais e a união do material genético das células-mães parentais, que são as células haploides. Há formação da célula-ovo, que apresenta metade da informação genética materna e metade da informação genética paterna. 
	Na fecundação, é restabelecido o número de cromossomos da espécie. A reprodução sexuada possibilita variabilidade genética, uma vez que o indivíduo é geneticamente diferente dos pais, apesar de guardar metadeda informação genética de cada um dos parentais.
	Essa característica da meiose e da fecundação durante a reprodução sexuada possibilita que os filhos tenham características semelhantes às dos pais.

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