Prévia do material em texto
Tricomoníase ou Tricomonose INTRODUÇÃO · É a doença sexualmente transmissível (DST) não-viral mais comum do mundo; · O agente etiológico da tricomonose é o Trichomonas vaginalis. ETIOLOGIA E MORFOLOGIA · O T. vaginalis habita o trato urogenital do homem e da mulher, onde produz a infecção e não sobrevive fora desse sistema; · T. vaginalis não possui forma cística, apenas trofozoítica; · O protozoário é polimorfo, formato elipsoide, piriforme ou oval, tem capacidade de formar pseudópodes; · As condições físico-químicas afetam o aspecto dos tricomonas: pH, temperatura, tensão de oxigênio e força iônica; · Apresenta quatro flagelos anteriores livres, desiguais em tamanho e têm origem no complexo granular basal anterior: complexo citossomal; · Esse protozoário é desprovido de mitocôndrias, mas apresenta grânulos densos paraxostilares ou hidrogenossomos; · Axóstilos, flagelos e corpos parabasais; · Reprodução por divisão binária longitudinal; · NÃO há formação de cistos; · T. vaginalis é um organismo anaeróbio facultativo e cresce bem em meios de cultura com pH entre 5-7,5 e temperaturas entre 20-400; CICLO BIOLÓGICO T. vaginalis localiza-se no trato genital feminino e na uretra e próstata do trato genital masculino, onde se reproduz por divisão binária. O parasito não apresenta a forma cística, somente o trofozoíto e, portanto, não sobrevive no ambiente externo. A transmissão de T. vaginalis ocorre entre humanos (único hospedeiro) primariamente por relação sexual. EPIDEMOLOGIA A incidência da infecção depende de vários fatores, incluindo idade, atividade sexual, número de parceiros sexuais, outras DSTs, fase do ciclo menstrual, técnicas de diagnóstico e condições socioeconômicas. No recém-nascido, pode ocorrer a infecção durante a passagem pelo canal de parto, em consequência da infecção materna (transmissão vertical); TRANSMISSÃO A tricomonose é uma doença venérea- sexualmente transmissível. T. vaginalis é transmitido através de relações sexuais- DST. PATOGENIA A infecção por T. vaginalis faz surgir uma agressiva resposta imune celular local com inflamação do epitélio vaginal e exocérvice em mulheres e uretra em homens; Resposta inflamatória infiltração de leucócitos TCD4+ e macrófagos (células-alvo do HIV) HIV pode se ligar e ganhar acesso. Muitos pacientes são assintomáticos e mantendo-se sexualmente ativos propagam ainda mais a infecção; O estabelecimento do T. vaginalis na vagina se inicia com o aumento do pH, já que o pH normal é ácido (3,8-4,5) e o organismo cresce em pH maior que 5,0. SINAIS E SINTOMAS T. vaginalis apresenta alta especificidade de localização, sendo capaz de produzir infecção apenas no trato urogenital humano. Na mulher: vaginite caracterizada por um corrimento vaginal fluido abundante de cor amarelo-esverdeado, bolhoso, de odor fétido, com mais frequencia no período pos menstrual. O processo infeccioso é acompanhado de prurido ou irritação vulvovaginal de intensidade variável e dores no baixo ventre. O pH vaginal tende a tornar-se alcalino. A mulher apresenta dor e dificuldade para relações sexuais (dispareunia de intróito), desconforto nos genitais externos, dor ao urinar (disúria) e aumento da frequencia miccional (poliúria). A vagina e a cérvice podem ser edematosas e eritematosas, com erosão e pontos hemorrágicos na parede cervical (cérvice com aspecto de morango). No homem: a tricomonose no homem é assintomática. Em alguns casos, a infecção pode se apresentar como uretrite com fluxo leitoso ou purulento e causar uma leve sensação de prurido na uretra. Pela manhã, antes da passagem da urina, pode ser observado um corrimento claro, viscoso e pouco abundante, com desconforto ao urinar (ardência miccional) e hiperemia do meato uretral. DIAGNÓSTICO O diagnóstico não pode ter como base somente a apresentação clínica, pois a infecção poderia ser confundida com outras DSTs. · A investigação laboratorial é necessária e essencial para o diagnóstico da tricomoníase, uma vez que leva ao tratamento apropriado e facilita o controle da propagação da infecção. São os procedimentos laboratoriais mais empregados no diagnóstico da tricomoníase urogenital: a) Exame microscópico convencional de preparações a fresco; b) Exame de esfregaços fixados e corados; c) Métodos culturais; · O imunodiagnóstico, por meio de reações de aglutinação, métodos de imunofluorescência (direta e indireta) e técnicas imunoenzimáticas (ELISA) tem contribuído para aumentar o índice de certeza dos resultados. Essas técnicas não substituem exames parasitológicos (microscópico e cultura), mas podem completa-los quando negativos. · O teste imunocromatográfico (OSOM) tem sido usado para diagnostico da tricomoníase, com maior sensibilidade que o exame direto a fresco e resultado em dez minutos. PROFILAXIA E TRATAMENTO O mecanismo de contágio é a relação sexual, por isso o controle é constituído de medidas preventivas que são tomadas no combate às outras ISTs; a) Prática do sexo protegido, que inclui aconselhamentos que auxiliam a população a fazer as escolhas sexuais mais apropriadas para a redução do risco de contaminação com os agentes infecciosos; b) Uso de preservativos; c) Abstinência de contatos sexuais com pessoas infectadas; d) Administração de um tratamento imediato e eficaz; · Metronidazol: fármaco efetivo contra as infecções pelo tricomonas do trato urogenital; · Metronidazol, tinidazol, ornidazol, nimorazol, carnidazol e secnidazol.