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SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................................................................ 2 UNIDADE 1 – O SETOR DE ALIMENTOS NO BRASIL ............................................ 4 1.1 O crescimento do setor de alimentos................................................................. 4 1.2 Breve história do campo de alimentação e nutrição dentro da Saúde Coletiva . 6 1.3 O setor de alimentação coletiva no Brasil e os cenários competitivos ............. 11 UNIDADE 2 – OS MACROSSEGMENTOS DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA .......... 15 2.1 UAN e UPR ...................................................................................................... 16 2.2 A terceirização do segmento de alimentação coletiva no Brasil ...................... 20 2.3 O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) ........................................ 22 UNIDADE 3 – PLANEJAMENTO FÍSICO DE UMA UAN ......................................... 27 UNIDADE 4 – BOAS PRÁTICAS EM UAN .............................................................. 32 UNIDADE 5 – GESTÃO DE PESSOAS EM UAN ..................................................... 35 5.1 Teorias da Administração ................................................................................ 35 5.2 Os profissionais da alimentação coletiva e o trabalho em equipe ................... 38 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 41 GLOSSÁRIO BÁSICO .............................................................................................. 45 2 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. INTRODUÇÃO De acordo com a Resolução nº 380/2005 do Conselho Federal de Nutrição, uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) é uma unidade gerencial do serviço de nutrição e dietética onde são desenvolvidas todas as atividades técnico- administrativas necessárias para a produção de alimentos e refeições, até a sua distribuição para coletividades sadias e enfermas, além da atenção nutricional a pacientes na internação e em ambulatórios. Este sistema é nosso foco de estudo ao longo deste curso, que de imediato podemos afirmar: muito mais do que simplesmente um local onde se realizam refeições para a coletividade ou o local apropriado para que se obtenha a manipulação adequada de alimentos, uma Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) é um complexo sistema operacional com procedimentos que devem ser tão padronizados, claros e precisos, de maneira tal, que todos os operadores (aqui considerado funcionários ou manipuladores) possam executá-los com presteza (FONSECA; SANTANA, 2012). Num primeiro momento, falaremos sobre o setor de alimentação coletiva de maneira geral, as Unidades Produtoras de Refeições (UPR) e as propriamente ditas Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN). Na sequência, contemplaremos o planejamento físico-funcional e suas relações com as inovações tecnológicas. Daremos atenção especial neste módulo à gestão de pessoas, uma vez que, em qualquer espaço que vamos atuar, a gestão de pessoas é e sempre será um desafio e por vários motivos, dentre eles porque, muitas vezes, no curso de graduação, essa “matéria” é vista sem muito aprofundamento. Outro motivo é que os profissionais que atuam nesses locais, geralmente possuem remuneração baixa e são pouco valorizadas socialmente, além de ser uma área que apresenta alta rotatividade e absenteísmo. É preciso que você, futuro gestor de uma UAN e/ou UPR entenda que as pessoas se constituem no maior capital de uma organização e sempre vale a máxima de Chiavenato: as empresas são feitas de pessoas e para pessoas. Ressaltamos em primeiro lugar que embora a escrita acadêmica tenha como premissa ser científica, baseada em normas e padrões da academia, fugiremos um pouco às regras para nos aproximarmos de vocês e para que os temas abordados 3 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. cheguem de maneira clara e objetiva, mas não menos científicos. Em segundo lugar, deixamos claro que este módulo é uma compilação das ideias de vários autores, incluindo aqueles que consideramos clássicos, não se tratando, portanto, de uma redação original e tendo em vista o caráter didático da obra, não serão expressas opiniões pessoais. Ao final do módulo, além da lista de referências básicas, encontram-se muitas outras que foram ora utilizadas, ora somente consultadas e que podem servir para sanar lacunas que por ventura surgirem ao longo dos estudos. 4 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. UNIDADE 1 – O SETOR DE ALIMENTOS NO BRASIL O mercado de alimentação cresceu paralelo à evolução do processo urbano- industrial, no qual o fluxo e uma rotina intensa de trabalho restringem cada vez mais a possibilidade do trabalhador realizar refeições em sua residência. Este mercado de alimentação pode ser dividido em alimentação comercial e de coletividades, e os estabelecimentos produtores e fornecedores são caracterizados como Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), além de abrangerem empresas fornecedoras de alimentação coletiva, restaurantes comerciais e similares, hotelaria, cozinhas de estabelecimentos de assistência à saúde, alimentação escolar, bem como a alimentação do trabalhador (SILVA; BATISTA, 2015). 1.1 O crescimento do setor de alimentos O setor de alimentos é um dos que mais crescem no Brasil a despeito de toda crise enfrentada por governos e cidadãos. Segundo notícias do SEBRAE/RJ, com a incorporação de novos contingentes populacionais ao mercado consumidor, a demanda por alimentos cresce cada vez mais no mundo. No Brasil, os estabelecimentos formais que têm como principal atividade a produção no setor de alimentos somam 667,5 mil, representando 19% do total de estabelecimentos em 2011, segundo os dados do Relatório Anual de Informações Sociais (RAIS/MTE). Dados mais recentes, também do SEBRAE Nacional (2015), apontam que o consumo de alimentos saudáveis no Brasil vem crescendo nos últimos anos. De acordo com um estudo da agência de pesquisa Euromonitor, o mercado de alimentação ligado à saúde e ao bem-estar cresceu 98% no país de 2009 a 2014. O setor movimenta US$ 35 bilhões por ano no Brasil, que é o quarto maior mercado do mundo. A abrangência do segmento se justifica pelo fato de que, para 28% dos brasileiros, consumir alimentos nutricionalmente ricos é muito importante. Além disso, 22% da população opta por comprar alimentos naturais e sem conservantes. São fatores que contribuem para este crescimento, segundo o Estudo Mercado de Alimentação Fora de Casa, elaborado pelo Sebrae (2015): 5 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimentopor escrito do Grupo Prominas. � a crescente urbanização faz com que mais pessoas morem, estudem e trabalhem em grandes cidades, o que dificulta e/ou inviabiliza fazer refeições em casa; � o aumento da participação da mulher no mercado de trabalho, de forma que lhe sobra menos tempo para continuar a desempenhar a tradicional função de cozinhar para a família; � o ganho real na renda dos brasileiros, principalmente aqueles das classes econômicas C e D; � a oferta cada vez maior de serviços de alimentação fora de casa (restaurantes tradicionais, restaurantes por quilo, lanchonetes, lojas de fast food, entre outros) em todo o País. Também para o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o hábito de se alimentar fora do lar tem sido cada vez mais incorporado ao dia a dia dos brasileiros. Comum nas grandes cidades, a variedade de refeições, lanches, petiscos e culinárias agradam todos os tipos de paladares, inclusive dos empreendedores que atuam nessa área e visualizam variadas oportunidades para expandir os negócios nesse segmento (ABRASEL, 2015). Para endossar a favorável perspectiva, alguns dados chamam atenção, entre eles do IBGE, que revela que o brasileiro gasta cerca de 25% de sua renda com alimentação fora do lar. A Associação de Bares e Restaurantes (ABRASEL) estima que o setor represente, hoje, 2,7% do PIB brasileiro. Já a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA) destaca que o setor tem crescido a uma média anual de pujantes 14,2%. Para aqueles que têm “certa queda” e habilidades com a área de estatística, vale a pena conferir o trabalho realizado por Queiroz e Coelho (2015) que buscou investigar os fatores determinantes dos gastos per capita com alimentação fora do domicílio para diferentes categorias de alimentos no Brasil. O estudo foi o primeiro a identificar as variáveis que influenciaram este consumo para o total de domicílios brasileiros e estratificados por classe de renda. Além disso, o estudo considerou o plano amostral da POF 2008-2009 para estimar um sistema de equações de dispêndio. 6 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. De maneira resumida, os autores encontraram os seguintes resultados: 1) Aumentos na renda per capita afetam positivamente os gastos per capita com alimentação fora do domicílio e influenciam, principalmente, aumentos na demanda das categorias que incluíram almoço (e/ou jantar) fora do domicílio, bebidas alcóolicas e alimentação na escola. Isso é um indicativo de que setores ofertando quaisquer uns destes serviços podem se beneficiar com aumentos na renda dos domicílios brasileiros. 2) Outra conclusão importante sobre a renda per capita domiciliar é que parece existir um threshold (limite) de renda para o consumo de alimentação fora de casa. Em outras palavras, a renda, além de apresentar uma relação não linear com os gastos per capita com alimentos fora do domicílio, parece ter influência significativa somente a partir de um patamar, indicando que a classe intermediária é a que mais responde a aumentos da renda neste tipo de consumo alimentar. 3) Encontrou-se também que há diferenças regionais na propensão à consumir e nos gastos per capita dos alimentos fora do domicílio, que, de modo geral, diminuem para as regiões do país quando comparadas à região Sudeste. Isso sugere que o mercado de Food Service tem ainda um grande potencial de crescimento em algumas regiões. Ao contrário de outros países, o consumo brasileiro de alimentos fora do domicílio está pouco relacionado ao custo de oportunidade da mulher medido por seus salários. A inserção da mulher no mercado de trabalho ainda não tem impactos significativos no aumento do consumo de alimentos fora do domicílio no caso brasileiro, porém há uma tendência de que essa variável passe a exercer maior influência ao longo dos anos. O consumo de alimentação fora de casa parece ser característica de domicílios com chefes mais jovens e escolarizados. Ter um empregado doméstico no domicílio e/ou consumir alimentos prontos diminuem a necessidade de gastar com alimentos fora do lar. 1.2 Breve história do campo de alimentação e nutrição dentro da Saúde Coletiva No cenário mundial, a emergência do campo da Nutrição, seja como ciência, política social e/ou profissão, é um fenômeno relativamente recente, característico do início do século XX. Entretanto, é possível sustentar que as condições históricas 7 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. para a constituição deste campo científico, acumuladas ao longo da história da humanidade, foram estimuladas a partir da revolução industrial europeia, ocorrida no século XVIII, e desencadearam-se entre 1914 e 1918, quando ocorreu a Primeira Guerra Mundial. Neste sentido, no período entre as duas Guerras Mundiais, tanto em países da Europa (Inglaterra, França, Itália, Alemanha, Dinamarca, entre outros), como da América do Norte (Estados Unidos e Canadá) e, posteriormente, da América Latina (Argentina e Brasil), foram criados os primeiros centros de estudos e pesquisas, os primeiros cursos para formação de profissionais especialistas e as primeiras agências condutoras de medidas de intervenção em Nutrição (VASCONCELOS, 2002). Na América Latina, a emergência da Nutrição foi fortemente influenciada pelo médico argentino Pedro Escudero, criador do Instituto Nacional de Nutrição em 1926, da Escola Nacional de Dietistas, em 1933, e do curso de médicos “dietólogos” da Universidade de Buenos Aires. As concepções de Escudero sobre este campo do saber foram difundidas em toda a América Latina, em função, inclusive, da concessão anual a cada país latino-americano de bolsas de estudos para a realização de Cursos de Dietética no referido instituto (VASCONCELOS, 2002). Vasconcelos e Batista Filho (2011), ao citar renomados estudiosos da Nutrição como Maurício (1964), Coimbra et al. (1982) e L'Abbate (1988), também ponderam que é consenso na literatura científica afirmar que o campo da Alimentação e Nutrição, dentro de três grandes dimensões (ciência, profissão e política pública do Estado brasileiro), teve sua emergência no final da década de 1930, no decorrer do primeiro Governo Vargas. Como ciência, a origem do campo encontra-se associada à disciplina “Higiene Alimentar”, área de estudo constituída a partir de meados do século XIX nas faculdades de medicina e que, na década de 1930, possibilitaria a institucionalização acadêmica deste novo campo científico. A partir da década de 1930, duas principais vertentes de conhecimento confluíram para a conformação desse campo científico. A primeira, vertente biológica, congregava cientistas preocupados com aspectos clínico-fisiológicos e individuais relacionados ao consumo e à utilização biológica dos nutrientes. A segunda, vertente social, reunia 8 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. aqueles cuja atenção voltava-se para os aspectos econômico-sociais e populacionaisrelacionados à produção, à distribuição e ao consumo de alimentos. Nesta segunda vertente, encontra-se a matriz para a constituição do campo da Alimentação e Nutrição na Saúde Coletiva (ANSC) (L’ABBATE, 1988; VASCONCELOS, 1999, 2002). Como profissão, a partir de 1939, identifica-se a criação dos primeiros cursos para formação de profissionais em Alimentação e Nutrição (nutrólogos, nutricionistas/dietistas, auxiliares de alimentação, economistas domésticas, entre outros). A partir de então, começa a ser estabelecida a demarcação das fronteiras definidoras dos limites de competência, de autonomia e de poder entre as distintas especialidades profissionais conformadoras do complexo e interdisciplinar campo da Alimentação e Nutrição que se constituía no país (VASCONCELOS, 1999, 2002). Como política pública, nas distintas conjunturas compreendidas no período 1930-1963, entre o Estado Novo de Getúlio Vargas (1937-1945), o Plano SALTE (saúde, alimentação, transporte e energia) de Gaspar Dutra (1946-1950), o retorno do populismo de Getúlio Vargas (1951-1954), o desenvolvimento rápido do Plano de Metas de Juscelino Kubitschek (1955-1960) e as reformas de base de João Goulart (1961-março de 1964), o campo materializou-se no Brasil a partir da instituição da “ração essencial mínima” (Decreto-Lei nº 399, de 30 de abril de 1938) e do salário mínimo (Decreto-Lei nº 2.162, de 1º de maio de 1940); da criação do Serviço de Alimentação da Previdência Social – SAPS (Decreto-Lei nº 2.478, de 5 de agosto de 1940) e da Comissão Nacional de Alimentação – CNA (Decreto-Lei nº 7.328, de 17 de fevereiro de 1945); da instituição da Campanha Nacional de Merenda Escolar (Decreto nº 37.106, de 31 de março de 1955), embrião do atual Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), entre outras intervenções estatais. Ou seja, no período em apreço, a intervenção estatal em Alimentação e Nutrição materializou-se a partir de ações e programas de assistência alimentar e nutricional voltados aos trabalhadores vinculados à previdência social; às gestantes, nutrizes e crianças menores de cinco anos de idade e aos escolares (VASCONCELOS; BATISTA FILHO, 2011). Ressalta-se a íntima articulação desses programas brasileiros de assistência alimentar e nutricional com as organizações internacionais e os programas 9 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. internacionais de ajuda alimentar, criados no pós-Segunda Guerra Mundial, tais como a FAO (Food and Agriculture Organization), o Unicef (United Nations International Children Emergency Fund), o Programa de Alimentos para a Paz da USAID (Agency for International Development, dos Estados Unidos da América) e o Programa Mundial de Alimentos (PMA) (L’ABBATE, 1988; ARRUDA; ARRUDA, 2007; VASCONCELOS, 2005). Continuando a percorrer os caminhos da história, podemos falar num segundo momento que se concentra no período de 1964 a 1984, período este da ditadura militar quando identificam-se: � a emergência das pesquisas nutricionais de base populacional com amostras representativas de todas as regiões geográficas do país; � as tentativas de incorporação de técnicas de planejamento nutricional ao planejamento econômico, conduzidas sob a direção do então Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN); � a expansão do número de cursos de graduação de nutrição; � a criação de cursos superiores para formação de novas categorias profissionais do campo (tecnólogos e engenheiros de alimentos); e, � o início dos primeiros cursos de pós-graduação em Alimentação e Nutrição lato sensu (especialização) e stricto sensu (mestrado e doutorado) (VASCONCELOS, 2002; ARRUDA; ARRUDA, 2007). Verdade seja dita, no Brasil, a degradação das condições de vida das massas trabalhadoras excluídas do processo de crescimento econômico foi atestada por vários estudos, particularmente pelo Estudo Nacional de Despesas Familiares (ENDEF), realizado em 1974/1975. A partir dessa conjuntura, organismos internacionais como a OMS, a FAO e o Unicef passaram a defender a necessidade da incorporação do planejamento nutricional ao planejamento econômico dos países do Terceiro Mundo, em particular dos países latino-americanos. No Brasil, surgem o I e o II Planos Nacionais de Desenvolvimento (PNDs), incorporando ao planejamento econômico instrumentos de políticas sociais. Nesse contexto, por meio da Lei nº 5.829, de 30/11/72, foi criado o Instituto Nacional de Alimentação e Nutrição (INAN). Sob a tutela do INAN, em fevereiro de 10 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1976, foi instituído o II Programa Nacional de Alimentação e Nutrição (II PRONAN), que deveria ter duração coincidente com o II PND (1975-1979), mas teve prorrogada sua execução até 1984 (L’ABBATE, 1988; VASCONCELOS, 2002; ARRUDA; ARRUDA, 2007). Passado o período da ditadura, por volta de 1985 até os dias atuais, mais precisamente nas duas últimas décadas temos observado que o perfil epidemiológico nutricional que caracterizou a sociedade brasileira no período 1930- 1980, constituído pelas doenças relacionadas às carências nutricionais (desnutrição proteico-calórica, hipovitaminose A, pelagra, anemia ferropriva, bócio, entre outras), sobrepuseram-se as doenças relacionadas ao excesso nutricional (obesidade, diabetes, dislipidemias, hipertensão, certos tipos de câncer, entre outros). Este processo reconhecido como transição nutricional brasileira tem imprimido a necessidade de construção de novos enfoques explicativos e intervencionistas (VASCONCELOS, 2007; CANESQUI, 2009). Segundo análises de Vasconcelos (2005), em relação à intervenção social do Estado brasileiro no corte proposto por ele (1985-2010), correspondente aos governos José Sarney, Fernando Collor/Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso e Luís Inácio Lula da Silva, observou-se que a política pública de alimentação e nutrição transitou do planejamento autoritário ao participativo; da centralização à descentralização administrativa; da universalização à focalização de benefícios; do controle estatal ao social; dos programas de distribuição de alimentos em espécie aos de tíquetes e aos de transferência de renda em dinheiro; do financiamento público às parcerias entre público e privado, entre sociedade civil e Estado, entre instituições governamentais e não governamentais; das ações emergenciais ou assistenciais às mediatas ou estruturais; das ações compensatórias às de emancipação. Contada um pouco da história, vamos caminhar em direção ao setor de alimentação coletiva, aproximando-nos dos nossos objetivos, ou seja, entender a gestão de UAN. 11 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 1.3 O setor de alimentação coletiva no Brasil e os cenários competitivos Como vimos acima, a área da alimentação coletiva surgiu, no Brasil, em meio ao conjunto das políticas trabalhistas do governo de Getúlio Vargas, com a criação dos restaurantes populares nas principais cidades do País,via decreto nº 2478, de 05 de agosto de 1940. Esses restaurantes eram mantidos pelo Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), que procurou garantir, por preços acessíveis, refeições mais dignas aos trabalhadores em geral. Segundo Aguiar, Kraemer e Menezes (2013), a dimensão e a importância dessa área na economia nacional podem ser medidas a partir dos números gerados pelo segmento de alimentação. Até o fim do ano de 2011, a Associação Brasileira de Refeições Coletivas (ABERC), que reúne as empresas prestadoras de serviços de alimentação, estimava que o fornecimento de 16,65 milhões de refeições por dia, para instituições públicas ou privadas, gerasse 180 mil empregos diretos e obtivesse um faturamento aproximado de 35,5 bilhões de reais. Para 2016, o mercado potencial teórico de refeições está estimado em 24 milhões/dia para empregados de empresas, e em 19 milhões nas escolas, hospitais e Forças Armadas (ABERC, 2016). Segundo Leite (1994), não há dúvida que as empresas atuam em cenários muito competitivos forçando-se a procurar novas técnicas de produção e organização do trabalho, que possibilitem maior qualidade e competitividade e propiciem uma aproximação dos trabalhadores aos objetivos das organizações. Nos dias atuais, buscam-se filosofias de produção que garantam uma vantagem competitiva às organizações. Uma maneira de investigar a forma como esses novos sistemas de gerenciamento da produção são aplicados, é estudá-los através das atividades de Planejamento e Controle da Produção – o PCP, que veremos em outro momento do curso (ALVES, 2005). Fato é que as mudanças ocorridas na organização da produção nas indústrias nacionais também têm afetado o Setor de Alimentação Coletiva, em particular na produção de refeições coletivas. Essas mudanças representam a tentativa do setor em acompanhar as modificações que se processam no mercado, tanto nacional quanto internacional. De acordo com Marcon (1997), nas últimas décadas esse setor sofreu modificações em sua tecnologia, representada por 12 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. equipamentos, técnicas e métodos operacionais, resultando em mudanças no modo de organizar o trabalho desenvolvido nas Unidades de Alimentação e Nutrição – UANs. Evolutivamente, desde a Pré-História, a história da alimentação vem modificando-se progressivamente. O surgimento do fogo, o aperfeiçoamento dos instrumentos de caça e cocção e a emergência do comércio proporcionaram uma maior variedade na alimentação humana. O refinamento da culinária, na Idade Antiga, e a alteração dos hábitos alimentares, na Idade Média, caracterizaram mudanças significativas nos hábitos alimentares dos europeus e americanos (RIBEIRO, 2002). Segundo Lobo (1999), na Idade Contemporânea, surgiram os conceitos alimentares e de prestação de serviços na área de alimentação que permanecem até os dias atuais. A partir da abertura do primeiro restaurante em Paris, em 1765, esses se espalharam pelo mundo, atualizando-se com as várias fases da gastronomia universal. Uma das principais alterações na área de alimentação ocorreu no seu processo produtivo. A inovação é uma constante no setor que, segundo Lobo (1999), busca transformar-se num local aprazível e centro de acontecimentos sociais. Para Tomazi (1993 apud RIBEIRO, 2002), o sistema de alimentação tradicional caracterizava-se pela pequena escala de produção, produções localizadas e focadas em produtos básicos e uma população agrícola. Já no sistema atual, a produção é feita em larga escala, não localizada, altamente especializada, industrializada e dependente do poder de compra. Ainda falando em números, Petrof (2015) cita que o setor de alimentação no Brasil é crescente e, de acordo com a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação (ABIA), registrou um faturamento de R$ 529,6 bilhões no ano passado, sendo que uma das expoentes desse segmento é o mercado de refeições coletivas e das cozinhas industriais. Conforme a Associação Brasileira das Empresas de Refeições Coletivas (ABERC), o mercado de refeições coletivas movimentou R$ 18,3 milhões, no ano de 2014. A estimativa para 2015 também era de crescimento e que o faturamento do setor se aproximasse de R$ 19,5 milhões. A ABERC ressalta que o mercado potencial teórico de refeições está estimado em 24 milhões/dia para 13 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. empregados de empresas e em 19 milhões nas escolas, hospitais e Forças Armadas. De 11,7 milhões de refeições coletivas preparadas por empresas prestadoras de serviços em 2013, o mercado avançou para 12,2 milhões em 2014, o que representa um crescimento de 4,2%. A perspectiva é que em 2015 o avanço seja de 3,2%, chegando a 12,6 milhões de refeições coletivas diárias servidas. Além do avanço em relação ao volume, o setor de refeições coletivas cresceu também no número de colaboradores. Os cerca de 195 mil postos de trabalhos diretos gerados pelas empresas cresceu para 205 mil, de acordo com a ABERC. O mercado de refeições coletivas vive seu momento de glória e isso acontece porque é cada vez mais comum as empresas terem restaurantes próprios ou terceirizarem a alimentação de seus funcionários. Essa tendência empresarial contribuiu para o aquecimento do setor e possibilitou o desenvolvimento de um mercado milionário. Em pleno desenvolvimento, o mercado de refeições coletivas cresce aproximadamente 10% ao ano. Em Goiás, existem cerca de 400 empresas de refeições coletivas e cozinhas industriais. Conforme o Sindicado dos Trabalhadores nas Empresas de Refeições Coletivas de Brasília e do Estado de Goiás (Sinterc DF/GO), são aproximadamente 20 mil trabalhadores que atuam neste setor. Um dos fatores importantes que deve ser levantado em relação ao setor das refeições coletivas é a estruturação de uma cozinha industrial, que necessita estar apta a preparar refeições para um grande quantitativo de trabalhadores. A cozinha industrial é um local de produção, por isso também é necessário que haja uma observação dos fluxos de trabalho que serão realizados no espaço (PETROF, 2015). Certo é que a globalização com suas novas formas de agir, pensar e atuar vem transformando também o mercado brasileiro, desencadeando novos desafios e novas exigências às empresas, que necessitam fazer cada vez mais, a fim de preservar seus clientes. Com a alta competitividade, evidencia-se uma necessidade de eficiência das atividades administrativas, dando às etapas de planejamento e desenvolvimento importância de decisão (RIBEIRO, 2002). 14 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Estar preparados para a concorrência, organizar o trabalho, praticar eficácia em processos e produtos e buscar a qualidade são caminhos que levam a assegurar seu espaço no mercado. 15 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzidaou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. UNIDADE 2 – OS MACROSSEGMENTOS DE ALIMENTAÇÃO COLETIVA Segundo Popolim (2012), há diversas definições para os termos Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) e Unidade Produtora de Refeições (UPR). Lembramos que alguns dos que serão abordados aqui, são utilizados, em alguns casos, de forma errônea ou inconsistente em relação aos propósitos do tipo de serviço prestado pelo estabelecimento. Vamos trabalhar com alguns destes termos, salientando que dada sua complexidade não pretendemos esgotar o tema. A segmentação inicial, no mercado de alimentação, refere-se às refeições feitas em casa ou fora de casa. Na Europa, o termo utilizado na língua inglesa é catering, derivado do verbo to cater, que significa fornecer todos os alimentos necessários. Define-se o termo como sendo a preparação e distribuição de comida e bebida a grupos de pessoas que estão reunidos em um local. Nos Estados Unidos da América (EUA), a designação para a provisão de alimentação, incluindo produção e serviço, é food service. Nos países de idioma francês, o termo genérico utilizado é restauration. Ocorre, porém, a especificação mais precisa em restauration commerciale e restauration collective. O primeiro termo engloba os estabelecimentos que atendem indivíduos ou grupos, clientela ocasional ou regular, abertos a qualquer tipo de público. O segundo termo refere-se ao atendimento de uma clientela definida, comunidade de direito ou de fato, com o restaurante geralmente localizado no seio da mesma. Situa-se no setor do trabalho (empresas), do ensino (escolas públicas e privadas nos diversos níveis), da saúde e do social (hospitais públicos e privados, asilos, orfanatos) e outros (prisões, comunidades religiosas, forças armadas). No Brasil, a designação acompanha a do idioma francês com os termos alimentação comercial e alimentação coletiva. Os estabelecimentos que trabalham com produção e distribuição de alimentação para coletividades recebiam a denominação de Serviço de Alimentação e Nutrição (SAN), se ligados às coletividades sadias e Serviço de Nutrição e Dietética (SND), se ligados às coletividades enfermas. Ambos fundiram-se em uma denominação comum, ou seja, Unidade de Alimentação e Refeição (UAN) (PROENÇA, 1999). 16 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Teixeira et al. (1990) identificam esses estabelecimentos como Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), considerando um subsistema que poderá desempenhar atividades-fim ou atividades-meio. Nos hospitais e centros de saúde em que a alimentação corresponde a um dos bens destinados a prevenir, melhorar e/ou recuperar a população que atende, estamos diante do caso de realização da atividade-fim. Como órgão-meio pode-se citar os serviços que atendem a clientela definida de uma organização (empresas, escolas públicas e privadas, presídios, comunidades religiosas, Forças Armadas, offshores). As UAN conjugam a produção de refeições à responsabilidade com a saúde de seus clientes, com cardápios ajustados às recomendações nutricionais e aos hábitos alimentares. 2.1 UAN e UPR O nome Unidade Produtora de Refeições (UPR) vem sendo utilizado para designar todos os estabelecimentos integrantes do segmento da alimentação fora do lar, sejam eles comerciais ou coletivos (UAN). Basicamente, o que diferencia as UPR comerciais das coletivas é o grau de fidelidade do cliente associado ao escopo do serviço, que no caso da UPR coletiva deve aproximar-se, ou igualar-se, aos objetivos da UAN de fornecer uma refeição equilibrada nutricionalmente e que seja adequada ao cliente (TEIXEIRA et al., 1990). Sob a perspectiva de identificação de núcleos de saberes que conformam o campo científico de Alimentação e Nutrição, englobando unidades comerciais e coletivas, é proposta a denominação Alimentação e Nutrição em Produção de Refeições (PROENÇA et al., 2005). Já considerando a profissionalização da Nutrição, Bosi e Prado (2011) citam que a área é “correntemente denominada de Administração de Serviços de Alimentação, Produção de Refeições ou Alimentação de Coletividades”. O Conselho Federal de Nutricionistas (2005) adota a expressão alimentação coletiva para designar a área de atuação do nutricionista, considerando as: [...] atividades de alimentação e nutrição realizadas nas Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), como tal entendidas as empresas fornecedoras de serviços de alimentação coletiva, serviços de alimentação autogestão, restaurantes comerciais e similares, hotelaria marítima, serviços 17 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. de buffet e de alimentos congelados, comissárias e cozinhas dos estabelecimentos assistenciais de saúde; atividades próprias da Alimentação Escolar e da Alimentação do Trabalhador (art. 2º - Res. 380/2005). Assim, compreende a atuação em todas as empresas que prestam serviços na área de produção de refeições para a alimentação fora do lar, com gestão própria ou mediante serviços concedidos a terceiros, denominada alimentação coletiva, e a alimentação comercial, mantendo o objetivo em comum de preparar e fornecer refeições com nível de sanidade exigido pela legislação vigente no País. Em 2012, com a criação da área de Pós-Graduação Stricto Sensu de Nutrição pela Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior (Capes), surgiu a necessidade de categorizar os estudos sobre o campo da alimentação e nutrição e, para tanto, o Fórum Nacional de Coordenadores de Programas de Pós- Graduação em Alimentação e Nutrição propôs que os estudos sobre produção e consumo de refeições em Unidades de Alimentação e Nutrição coletivas e comerciais fossem enquadrados no núcleo de saberes Alimentação e Nutrição em Produção de Refeições. No que se refere ao segmento de alimentação comercial, impulsionado principalmente pelo crescimento da frequência da alimentação fora do lar, tipos de serviços oferecidos, despesas com alimentação, qualidade do serviço e, principalmente, pela exigência do consumidor, a atuação do nutricionista está mais valorizada e encontra-se em franca expansão, com o objetivo de garantir a produção segura de alimentos e a necessidade de adequar-se às legislações sanitárias supracitadas. O trabalho técnico nesse segmento destaca-se na realização do controle de qualidade das refeições por intermédio da supervisão do processo produtivo, elaboração de Manuais de Boas Práticas de Fabricação (MBPF) e Procedimentos Operacionais Padronizados (POP) e, treinamento da equipe. Contudo, percebe-se que a atuação profissional vem ganhando mais espaço, e nutricionistas são requisitados em razão de suas habilidades na padronização das preparações culinárias, por meio da elaboração das fichas técnicas e da determinação da informação nutricional (AGUIAR; KRAEMER; MENEZES, 2013). 18 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenageme recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Segundo as mesmas autoras, outros horizontes vêm se sedimentando, e observa-se a incorporação da gastronomia na atuação profissional, uma vez que conhecer a arte de cozinhar propicia ampliar as competências do nutricionista ao possibilitar a associação do prazer da alimentação às exigências nutricionais recomendadas a uma vida saudável. Em artigo publicado na revista Nutrição em Pauta, Magnoni et al. (2000) já inferiam que o conhecimento da arte de cozinhar para proporcionar maior prazer a quem come é um poderoso instrumento de trabalho do qual o nutricionista deve lançar mão para aumentar a adesão dos pacientes e clientes a uma dieta. Assim, estaremos todos cultivando o saber de nutrir o paladar, o prazer gustativo e não cumprindo uma penitência. E a gastronomia faz-se presente não somente nos segmentos comerciais, igualmente está na alimentação coletiva. Guarde... As UANs são restaurantes industriais que, ao produzir refeições em grande quantidade, desempenham atividades relacionadas à alimentação e à nutrição. Assim, elas podem ser comparadas a uma indústria que, a cada ciclo produtivo e a cada dia, produz um novo produto, que necessita seguir padrões de higiene e segurança alimentar e tem uma organização de produção relativamente dificultosa (SANTANA, 1996). O objetivo de uma UAN é satisfazer seu cliente, fornecendo-lhe uma refeição nutricionalmente equilibrada, com bom nível sanitário e adequada para a manutenção e/ou recuperação de sua saúde (PROENÇA, 2000). Para tanto, essas empresas são responsáveis por comprar, receber e armazenar alimentos in natura ou semiprocessados e processá-los para distribuir refeições a diferentes tipos de clientes (RIBEIRO, 2002). De acordo com Silva Filho (1996), as características operacionais próprias das UANs, tais como alto custo de instalação e operacionalização, equipamentos dispendiosos, oscilações diárias no fornecimento de refeições e falta de especialização do pessoal, dificultam o atingimento desses objetivos acima descritos. 19 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Uma UAN conta, geralmente, com uma série de equipamentos e utensílios visando otimizar as operações, a fim de torná-las mais rápidas e confiáveis do ponto de vista da conformidade do produto final. Ressalta-se, porém, que um grande número dessas operações ainda não dispõem de tecnologia de automatização adequada à produção de refeições, caracterizando assim o setor como extremamente dependente de pessoal especializado (PROENÇA, 2000). O termo UPR vem sendo utilizado mais recentemente para designar todos os estabelecimentos integrantes do segmento da alimentação fora do lar (catering, food service, restauration), sejam eles comerciais (restaurantes, bares e similares) ou coletivos (UAN). Basicamente, o que diferencia as UPR comerciais das coletivas é o grau de fidelidade do cliente ao serviço associado ao escopo do serviço que, no caso da UPR coletiva, deve aproximar-se, ou igualar-se, aos objetivos da UAN como preconizado por Gandra & Gambardella (1983 apud POPOLIM, 2012). Segundo Franco (2001), no terreno específico dos hábitos alimentares e dos estabelecimentos de fast food (UPR comercial), pode-se identificar os seguintes traços de mudança: a) desritualização da refeição; b) simplificação e homogeneização dos processos culinários e dos alimentos servidos; c) referência enfática ao tamanho e quantidade dos produtos vendidos, quase nunca à qualidade; d) atendimento da clientela com o mínimo de comunicação verbal, com fórmulas despersonalizadas e estereotipadas; e) emprego de mão de obra jovem, cujo treinamento se resume em aprender gestos simplificados, repetitivos e automáticos; f) alta rotatividade da mão de obra, em decorrência do trabalho tão totalmente racionalizado; g) desumanização das relações entre os membros do staff e destes com a clientela; h) esvaziamento da refeição de seus elementos de ritual de comunicação e intercâmbio humano, transformando-se esta, em mera operação de reabastecimento; 20 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. i) generalização paulatina de refeições domésticas calcadas no modelo fast food, até mesmo em ocasiões festivas; j) substituição dos tradicionais utensílios de mesa por equivalentes descartáveis ou simplesmente pela criação de maneira que os dispensem; k) preferência pela previsibilidade de uma refeição ao invés da surpresa que ela possa oferecer. 2.2 A terceirização do segmento de alimentação coletiva no Brasil Para Proença (2000), foi a substituição de mão de obra masculina por feminina nas fábricas, durante a Primeira Guerra Mundial que estimulou o desenvolvimento da alimentação coletiva, haja vista que também por essa razão, as atividades domésticas realizadas pelas mulheres foram compulsoriamente abandonadas. No início da Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha passou por um período de escassez dos alimentos, fazendo com que seu governo primasse pela sua racionalização. Para que fosse possível atender a demanda de consumo da época, com a reduzida produção existente, o governo induziu as cantinas e os restaurantes a produzirem alimentos de maneira a que todos os civis tivessem ao menos uma refeição quente por dia. Iniciaram-se, dessa forma, as atividades dos Sistemas de Alimentação Coletiva. A partir de então, surgiram restaurantes de todas as classes e de vários tipos, incentivados, inclusive financeiramente, pelo governo (SILVA FILHO, 1996). De acordo com Proença (2000), um dos efeitos da guerra foi a implantação de alguns princípios de produção em massa na produção de refeições coletivas, através do aperfeiçoamento de equipamentos e dos processos de produção. O êxodo rural decorrente da industrialização ocasionou um crescimento de aglomerações populacionais, tendo como consequência o desenvolvimento de serviços de apoio, entre eles os relacionados com a Alimentação Coletiva (PROENÇA, 2000). No Brasil, o desenvolvimento industrial também acarretou um rápido e ‘desplanejado’ crescimento das cidades. A instalação de parques industriais em regiões afastadas do centro e das áreas domiciliares, a adoção de novos horários de 21 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. trabalho e o índice crescente de ocupação feminina fora de casa dificultaram o deslocamento da força de trabalho até seu domicílio para fazer suas refeições, reforçando a necessidade de alimentação nos locais de trabalho (SILVA FILHO, 1996; PROENÇA, 2000). A industrialização e a modificação do mercado de trabalho, acrescidas de incentivos governamentais, fizeram surgir, dentro das organizações brasileiras, locais apropriados para a alimentação dos trabalhadores, tanto que, em 1939, pelo decreto-lei n° 1.238, o então presidente Getúlio Vargas instituiu que empresas com mais de 500 funcionários deveriam instalar refeitórios paraseus trabalhadores (BRASIL, 1999). Em 1940, foi criado o Serviço de Alimentação da Previdência Social (SAPS), o primeiro órgão de política de alimentação instituído no Brasil. Segundo Marcon (1997), os SAPS gerenciavam os Serviços de Alimentação Coletiva (SAC), que por sua vez foram desenvolvidos com o objetivo de disciplinar o processo de trabalho nas indústrias, amenizar as constantes manifestações realizadas pelos trabalhadores e manter a tranquilidade social, política e econômica necessária para a reestruturação que o país enfrentava. Além disso, os SAPS selecionavam e reduziam os preços dos gêneros alimentícios, forneciam alimentos básicos a preço de custo aos trabalhadores e tentavam resolver problemas de abastecimento alimentar no país (COUTINHO, 1988 apud ALVES, 2005). Alguns empresários, seguindo o exemplo do Estado, adotaram a distribuição de refeições a seus funcionários. Os primeiros grandes empreendimentos construídos com objetivo de alimentar trabalhadores foram as unidades de produção de refeições coletivas da Companhia Siderúrgica Nacional, que datam de 1941. Em 1947, houve a inauguração, em São Paulo, dos restaurantes industriais do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Social do Comércio (SESC). Eles visavam, no primeiro caso, fornecer refeições transportadas para trabalhadores industriais, e, no segundo, elaborar refeições em refeitório central para comerciados (COZINHA INDUSTRIAL, 1995 apud ALVES, 2005). Proença (2000) ainda afirma que na década de 50, a concessão de benefícios do governo possibilitou um crescimento no parque industrial do país. Muitas das novas indústrias instaladas apresentavam inovações no processo produtivo ou na gestão da mão de obra, como, por exemplo, o fornecimento de 22 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. alimentação aos operadores. Este item tornou-se especialmente importante com a tendência das empresas de se instalarem fora da área central das cidades, aumentando o trajeto entre casa e local de trabalho e diminuindo a possibilidade dos operadores realizarem as refeições no intervalo da jornada de trabalho em casa. Na década de 70, através de estímulo do Estado e devido ao crescimento da economia, grandes projetos relacionados com a alimentação no trabalho foram implantados. Foi nessa época que surgiram as primeiras empresas especializadas no atendimento de serviços de refeições coletivas, denominadas concessionárias de alimentação. Desde então, esse mercado terceirizado de alimentação coletiva está em constante evolução (PROENÇA, 2000). 2.3 O Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) Para Aguiar; Kraemer e Menezes (2013), a adoção de serviços de terceiros, no Brasil, começou de maneira discreta, no final da década de 1960, e obteve acelerada expansão na década de 1970, com o crescimento da ideia da terceirização das atividades-meio das empresas, como os setores de segurança, limpeza e alimentação, entre outros. Essa expansão aconteceu durante um contexto social desenvolvimentista, com o Estado brasileiro implantando uma série de intervenções no subsetor Alimentação e Nutrição, dentre elas a instituição do PAT, em 1976. O objetivo principal do PAT é a melhoria das condições nutricionais dos trabalhadores de baixa renda, de forma a promover sua saúde e a diminuir o número de casos de doenças relacionadas à alimentação e à nutrição. Dentre seus resultados positivos, merecem destaque: a. melhoria da capacidade e da resistência física dos trabalhadores; b. redução da incidência e da mortalidade de doenças relacionadas a hábitos alimentares; c. maior integração entre trabalhadores e empresa, com a consequente redução das faltas e da rotatividade; d. aumento na produtividade e na qualidade dos serviços; e. promoção de educação alimentar e nutricional, e divulgação de conceitos relacionados a modos de vida saudável; 23 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. f. fortalecimento das redes locais de produção, abastecimento e processamento de alimentos (BRASIL, 2014). Nesse programa, considera-se como empresas beneficiárias aquelas que concedem o benefício da alimentação ao trabalhador por elas contratado; enquanto que as empresas fornecedoras são as empresas que preparam e vendem a alimentação, as cestas de alimentos ou os tíquetes para a empresa beneficiária fornecer ao trabalhador. Os benefícios citados pelo MTE podem ser divididos em benefícios para o trabalhador, para a empresa e para o governo. Os benefícios para o trabalhador são: melhoria de suas condições nutricionais e de qualidade de vida, aumento de sua capacidade física, aumento de resistência à fadiga e a doenças, redução de riscos de acidentes de trabalho. Para as empresas, os benefícios são: aumento de produtividade, maior integração entre trabalhador e empresa, redução do absenteísmo (atrasos e faltas) e da rotatividade, isenção de encargos sociais sobre o valor da alimentação fornecida e incentivo fiscal. Por fim, para o governo, os benefícios são: redução de despesas e investimentos na área da saúde, crescimento da atividade econômica e bem-estar social. Segundo a Legislação do PAT, o benefício concedido ao trabalhador não poderá ser dado em espécie (dinheiro), tendo a empresa beneficiária que optar por uma das seguintes modalidades: autosserviço ou serviço terceirizado. Na alimentação coletiva, o Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT – BRASIL, 1991) reconhece duas modalidades de serviços para esse segmento: � serviços próprios de refeições ou distribuição de alimentos ou autosserviços – modalidade em que a empresa assume toda a responsabilidade, inclusive técnica, pela elaboração das refeições, desde a contratação de pessoal até a distribuição das refeições aos clientes; � prestadoras de serviços de alimentação coletiva ou serviço de terceiros ou contratado – o fornecimento de refeições é formalizado por meio de um contrato firmado entre a empresa beneficiária e a prestadora de serviço (concessionária de alimentação). 24 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. A modalidade de serviços de terceiros dispõe ainda das seguintes opções: a) Administração de cozinha e refeitório: a empresa beneficiária do PAT contrata os serviços de uma terceira, que utiliza as instalações da beneficiária para o preparo e distribuição de refeições. b) Refeição transportada: a refeição é preparada em cozinha industrial e transportada até o local de trabalho. c) Refeição-convênio: os trabalhadores da empresa beneficiária fazem suas refeições em restaurantes conveniados com empresas operadoras de vales, tíquetes, cupons, cheques, entre outras. d) Alimentação-convênio: a empresa beneficiária fornece senhas, tíquetes entre outras, para aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais. e) Cestas de alimentos: a empresa beneficiária fornece os alimentos em embalagens especiais, garantindo ao trabalhador ao menos uma refeiçãodiária (BRASIL, 1991). Em 2010, os restaurantes geridos sob concessão produziram 14,7 milhões de refeições ao dia, ao passo que os de serviço próprio produziram 0,19 milhão de refeições ao dia (ABERC, 2012). Embora não tenhamos intenção de entrar em questões políticas que são polêmicas, é importante entender que o fenômeno da terceirização enquanto modo gerencial de recursos materiais e humanos se institucionalizou com objetivos de beneficiar o rendimento e a produtividade das empresas, por meio da redução dos custos e concentração de esforços dos tomadores de serviços nas suas atividades- fim (AGUIAR; KRAEMER; MENEZES, 2013). No entanto, esse modelo de gestão empresarial tem sido adotado em grande parte no Brasil de maneira predatória, caracterizada pela redução de custos, em função de exploração de relações precárias de trabalho, sem controle de qualidade e envolvimento nos projetos, além de não se basear no aumento da eficiência e produtividade (DRUCK, 1999; FRANCO, 2002). As consequências políticas, no plano da ação coletiva, têm sido de fragilizar cada vez mais as representações e as práticas sindicais, reforçando as identidades corporativas em prejuízo das identidades de classe, o que enfraquece os laços de 25 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. solidariedade entre trabalhadores e estimula a desunião, a dispersão e a concorrência entre eles (DRUCK, 1999). Os estudos da terceirização em alimentação coletiva no Brasil são incomuns. Como exemplo, Aguiar; Kraemer e Menezes (2013) citam trabalho de Lanzillotti (1996) que apresenta uma série de questões a respeito desse processo, dentre elas a deficiência referente ao insumo máquina, tanto na adequação quantitativa quanto na utilização da manutenção preventiva. Balchiunas (2002) em estudo analítico-comparativo das UAN hospitalares que adotaram a terceirização com as que não adotaram, aponta diversos aspectos negativos no que diz respeito à terceirização, dentre os quais estão: diminuição da qualidade dos serviços, questionamento da qualidade da mão de obra em função dos baixos salários, mão de obra menos motivada e dificuldade de relacionamentos, menor integração, falta de agilidade e maior custo das refeições dos pacientes/dia e maior custo médio das refeições principais aos funcionários. Antes, as relações empregador-empregado que giravam em torno de um pacto no qual, de um lado, oferecia-se bom salário, benefícios e garantias de emprego e, de outro, lealdade, assiduidade e pontualidade, hoje estão bem diferentes, o que nos leva a refletir sobre essa restrição à qualidade de vida dos trabalhadores, consequentemente com sua alimentação. Daí nossa atenção especial à gestão de pessoas ainda neste módulo. Guarde: No Brasil, o setor de alimentação coletiva compreende seis macrossegmentos: 1 Alimentação em empresas: indústria, comércio e serviço. 2. Alimentação em serviços de saúde ou refeições dietoterápicas: hospitais e Spas. 3. Catering de bordo: refeições servidas em aviões, navios, trens, plataformas marítimas, e outros. 4. Alimentação em instituições de educação ou alimentação escolar em creches, ensino infantil e até universidades. 26 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 5. Alimentação das Forças Armadas: Exército, Marinha. Aeronáutica e polícias militares. 6 Alimentação comercial: restaurantes, bares, fast-foods, hotéis, buffets, resorts (SANT’ANA, 2012). 27 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. UNIDADE 3 – PLANEJAMENTO FÍSICO DE UMA UAN Um ponto-chave para que as Boas Práticas de Fabricação (BPF), enquanto normas e procedimentos definidos previamente para atingir o padrão de qualidade de um serviço sejam efetivadas, relaciona-se com a estrutura física das UANs, pois ela interfere na produção final do alimento, além de proporcionar um ambiente mais adequado para realizar um bom trabalho (TEIXEIRA; OLIVEIRA; REGO, 2003; MONTE, 2004, SANT’ANA, 2012). Sobre as BPF, falaremos na próxima unidade. Esta reservamos para discorrer um pouco sobre a construção e montagem de Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), com base em um planejamento físico adequado, fundamentais para atender às expectativas de clientes cada vez mais exigentes e cientes de seus direitos, assim como aos anseios dos profissionais da área de alimentação e nutrição. De acordo com Della Lúcia e Sant’Ana (2012), além da grande diversificação dos cardápios, desejada por clientes e profissionais da área, existe atualmente uma grande preocupação com a qualidade nas suas mais diferentes dimensões, com o atendimento ao cliente e sua saúde. O planejamento físico-funcional de UAN, elaborado de forma adequada, é uma ferramenta indispensável para garantir a conformidade com a legislação vigente, contribuindo de forma ímpar para a implementação e utilização das boas práticas. Além disso, a segurança, o conforto e a redução de agravos à saúde dos funcionários da UAN não podem ser esquecidos dentro desse contexto. Segundo Arruda (2002), é de extrema importância a participação de profissionais qualificados, como nutricionistas, na etapa do planejamento físico de uma UAN, pois possuem experiência tanto na área administrativa quanto na operacionalização das atividades de um restaurante. Proença (1993), por sua vez, cita que as instalações devem ser projetadas de forma a facilitar os procedimentos operacionais por meio de fluxos contínuos, sem o cruzamento de etapas e linhas do processo de produção, além de satisfazer o comensal com o serviço oferecido. Isso engloba desde o ambiente físico, incluindo tipo, conveniência e condições de higiene de instalações e equipamentos 28 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. disponíveis, até o contato pessoal entre funcionários da UAN e os clientes, nos mais diversos momentos. No que se refere aos aspectos ligados ao oferecimento de refeições adequadas, as UAN também têm como objetivo satisfazer o cliente com relação ao serviço oferecido. Este item engloba a estrutura física destinada aos clientes, incluindo decoração, espaços, instalações, ambiência, que quando bem planejada pode proporcionar mais conforto (DELLA LÚCIA; SANT’ANA, 2012). Se pensarmos na qualidade total, um layout funcional deve proporcionar: a) Aos funcionários: conforto, bem-estar, satisfação e segurança no trabalho. b) Aos clientes: melhores produtos e serviços, um ambiente saudável, aconchegante e confortável. c) Às operações: fluxo de trabalho mais racional, menor tempo de produção, diminuição dos custos com recursos materiais e humanos, aumento dos níveis de eficiência administrativa e operacional. d) Aoespaço físico: flexibilidade na disposição dos equipamentos, móveis e áreas físicas, além da possibilidade de ampliação dessas áreas e aproveitamento do espaço da melhor maneira possível. e) À empresa: integração dos processos e elementos envolvidos em sua execução, com resultados no aumento dos níveis de qualidade, produtividade e eliminação dos desperdícios. O planejamento físico-funcional das UAN é um trabalho de natureza abrangente e complexa, pois inclui: • o dimensionamento e planejamento dos diferentes setores; • o planejamento da ambiência e das instalações hidráulicas e de energia; • a seleção, dimensionamento e aquisição de equipamentos, móveis e utensílios; • a elaboração do projeto arquitetônico, além de outras atividades. Dessa forma, deve ser realizado por uma equipe multiprofissional, incluindo o nutricionista e outros profissionais da área de alimentação e nutrição, o engenheiro civil, o arquiteto, o engenheiro eletricista, entre outros. Destaca-se a participação do nutricionista com experiência na área de alimentação coletiva, visto que esse profissional possui vivência nos processos de trabalho, conhecendo as 29 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. necessidades e características desse tipo de estabelecimento e, portanto, apresenta condições para orientar a equipe de forma a realizar um planejamento dentro dos padrões legais e de qualidade, assim como voltado pata o atendimento adequado aos clientes (DELLA LUCIA; SANT’ANA, 2012). A participação do nutricionista no planejamento físico-funcional das UAN está prevista na legislação. De acordo com a Lei nº 8.234/91, que regulamenta a profissão do nutricionista, e com a Resolução CFN 380/2005, que dispõe sobre a definição das áreas de atuação desse profissional e suas atribuições, destacam-se as seguintes atividades em relação à área de alimentação coletiva: • participar do planejamento, implantação e execução de projetos de estrutura física das UAN; • planejar e supervisionar a execução da adequação de instalações físicas, equipamentos e utensílios de acordo com as inovações tecnológicas e planejar e supervisionar o dimensionamento, a seleção, a compra e a manutenção de equipamentos e utensílios. Quanto ao dimensionamento dos setores de Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), Sant’Ana e Campos (2012) dizem que este inclui o cálculo da área necessária para cada setor e a definição das dimensões dos diferentes setores, sendo um processo trabalhoso que exige o envolvimento do nutricionista junto à equipe de planejamento para que os diversos setores não sejam projetados e construídos de forma sub ou superestimada, dificultando futuramente no dia a dia a execução das tarefas. Espaços adequados proporcionam conforto aos funcionários e clientes, além de minimizarem o desgaste dos funcionários da UAN, contribuindo para melhorar a produtividade. Setores com área maior do que a necessária podem exigir deslocamentos desnecessários dos funcionários e levar à necessidade de manter espaços ociosos organizados e limpos, além de onerar desnecessariamente a construção e a montagem de uma UAN. Por outro lado, setores com áreas subdimensionadas podem aumentar o risco de acidentes, dificultar a execução de cardápios equilibrados e variados e levar à falta de espaços para instalação dos equipamentos, superfícies de trabalho e móveis na variedade e quantidade necessária. 30 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Não é incomum encontrar UAN com áreas inadequadas. Isso está relacionado, muitas vezes, à falta de um profissional que conheça as necessidades da UAN durante o planejamento da edificação. Em outros casos, os locais de funcionamento foram apenas adaptados, não tendo sido inicialmente planejados para a produção de refeições. Os profissionais envolvidos na etapa do planejamento físico precisam conhecer os processos de trabalho nessas UAN, assim como possuir total conhecimento sobre os parâmetros que influenciam o dimensionamento, usando também do bom senso para adequar as estimativas feitas à necessidade real (SANT’ANA; CAMPOS, 2012). Dentre os vários parâmetros que devem ser levados em consideração no planejamento, teremos os tipos de sistema de produção de refeições, os números de refeições diárias e com certeza, a capacidade máxima de atendimento, não esquecendo até mesmo da organização e decoração da área de distribuição das refeições, de maneira a torná-la mais atrativa e aconchegante. Além da escolha adequada dos equipamentos e utensílios com cores e design atrativos e modernos, a decoração das preparações e a utilização de arranjos naturais preparados com frutas, hortaliças, cereais, leguminosas, massas secas ou arranjos artificiais, constituem alternativas interessantes para compor a área de distribuição. Apesar de mais prática, a utilização de arranjos artificiais deve ser monitorada, visto que pode haver acúmulo de poeira e outras sujidades ao longo do tempo, podendo levar a contaminação dos alimentos. Teixeira et al. (2004) relembram que, quanto à estrutura física, o planejamento de uma UAN é importante tanto na questão econômica, como na funcionalidade da cozinha, pois evita cruzamentos desnecessários de gêneros alimentícios e funcionários; má utilização de equipamentos ou a falta dos mesmos limitando o cardápio; localização desapropriada e falta de ventilação. Há alguns fatores que interferem diretamente na produção, como iluminação, ventilação, temperatura e umidade, sonorização e a cor do ambiente (ABERC, 2003). A estrutura física da UAN, bem como o seu processo de manipulação, deve seguir um “fluxo higiênico” adequado e ininterrupto. O dimensionamento da edificação e das instalações, segundo Akutsu et al. (2005) e a RDC 216 (BRASIL, 31 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 2004), deve ser compatível com todas as operações, devendo existir separação entre as diferentes atividades por meios físicos ou por outros meios eficazes, a fim de evitar a contaminação cruzada. O teto, a parede e o piso devem possuir revestimento liso, impermeável e lavável, sendo mantidos íntegros, conservados, livres de rachaduras, trincas, vazamentos, infiltrações, bolores, descascamentos e outros que não devem transmitir contaminantes aos alimentos. As áreas de uma UAN incluem aquelas destinadas ao recebimento de mercadorias, armazenamento à temperatura ambiente e à temperatura controlada (câmaras frigoríficas e refrigeradores), ao pré-preparo e preparo, à cocção, à expedição das preparações, à higienização de utensílios, à distribuição das refeições, refeitório, higienização de bandejas, ao depósito de lixo, à guarda de botijões de gás, ao depósito e higienização do material de limpeza, às instalações sanitárias e vestiários e à administração. A área de processamento ou produção é dividida em unidades operacionais de pré-preparo, preparo e cocção. Cada tipo de preparação deve possuir uma área distinta.(ABERC, 2003; TEIXEIRA, 2004). De acordo com a RDC 216 (BRASIL, 2004), a iluminação da área de preparação deve proporcionar a visualização de forma que as atividades sejam realizadas sem comprometer a higiene e as características sensoriais dos alimentos. As luminárias localizadas sobre a área de preparação dos alimentos devem ser apropriadas e estar protegidas contra explosão e quedas acidentais. A ventilação, a temperatura e a umidade estão implicitamente interligadas. Segundo Teixeira (2004), a ventilação deve ser adequada para propiciar a renovação do ar, garantindo o conforto térmico. A circulação do ar deve ser assegurada por meios naturais ou por equipamentos devidamente direcionados, não sendo permitido uso de ventiladores nas áreas de processamento e manipulação de alimentos. A ABERC (2003) ressalta a importância das cores no local de trabalho, recomendando a utilização de cores claras, como branco, creme, areia e outras, pois estas facilitam a identificação de sujidades e bolores. Há também os fatores que proporcionam condições favoráveis ao ambiente de trabalho, como a localização, a configuração geométrica, o piso, as paredes e divisórias, as portas e janelas, os forros e tetos e as instalações (TEIXEIRA, 2004). 32 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. UNIDADE 4 – BOAS PRÁTICAS EM UAN Que as refeições/alimentação fora de casa já se tornaram hábito de grande parcela da população é fato! Igualmente que este setor tem movimentado a economia de maneira sempre crescente nós também já sabemos. No entanto, é preciso atentarmos para questões que envolvem competitividade e a qualidade sanitária e nutricional dos alimentos, sendo essencial que os estabelecimentos busquem se destacar justamente por meio da melhoria da qualidade dos produtos e serviços oferecidos. É na Resolução da Diretoria Colegiada, RDC nº 216, de 16 de setembro de 2004, que também buscaremos respaldo para falar das boas práticas, que são um conjunto de procedimentos higiênico-sanitários instituídos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) do Ministério da Saúde (MS), órgão fiscalizador e regulador das atividades realizadas em estabelecimentos produtores de alimentos. Ressalte-se que essas práticas vão muito além do planejamento físico de uma UAN. Uma vez que as UANs são responsáveis pelo fornecimento de refeições balanceadas, dentro de condições higiênico-sanitárias satisfatórias e adequadas para a manutenção e/ou recuperação da saúde de seus clientes, o setor de alimentação deve estar preparado para assegurar/implementar as boas práticas previstas na legislação. Esses estabelecimentos devem seguir os procedimentos higiênico-sanitários na produção dos alimentos, mas é necessário irem além, implantando e mantendo as Boas Práticas e os Procedimentos Operacionais Padronizados (POP). Um programa de Boas Práticas bem elaborado, implantado e monitorado é dotado de um Manual de Boas Práticas, POP e também de Controles Operacionais Essenciais (COE). Os estabelecimentos devem planejar, implantar, implementar e manter as Boas Práticas, incluindo os POP e os COE (ERNESTO, 2014). O Manual de Boas Práticas tem por objetivo orientar os gestores nos processos produtivos e correlatos, com foco em boas práticas de produção, visando a segurança alimentar dos produtos servidos. 33 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. As ferramentas do Manual de Boas Práticas contemplam as premissas básicas de boas práticas e segurança alimentar, estabelecidas pelas legislações sanitárias para avaliação dos pontos de risco e monitoramento de processos. O item 4 da RDC 216 traz justamente o passo a passo e todas as orientações para as BPF para os serviços de alimentação. Uma vez que os alimentos preparados em UAN são relacionados a casos de doenças de origem alimentar, faz-se necessário o controle das condições higiênico- sanitárias nos locais em que os alimentos são manipulados, o que constitui um ponto crítico, uma vez que contaminações de diferentes fontes podem ser introduzidas nas diversas etapas do preparo do alimento (DIAS; AREVABINI, 2008 apud SÃO JOSÉ; COELHO; FERREIRA, 2011). A presença de microrganismos patogênicos nos alimentos está associada à ocorrência de Doenças de Origem Alimentar (DOA), portanto, a segurança dos alimentos, que está associada à qualidade higiênico-sanitária, tem sido amplamente estudada e discutida, uma vez que patógenos veiculados por alimentos são um dos principais fatores que contribuem para os índices de morbidade nos países da América Latina e do Caribe. O Comitê da WHO/FAO reconheceu que as doenças causadas pelo consumo de alimentos contaminados são, possivelmente, o maior problema de saúde no mundo contemporâneo. Assim, com o aumento no número de refeições fornecidas, torna-se maior a preocupação com a qualidade dos alimentos para garantir a saúde dos usuários, o que tem nas BPFs um suporte essencial. Ferramentas simples como uma lista de verificação, registro de temperatura de equipamentos e preparações fazem a diferença para garantia da qualidade final da refeição que é oferecida ao cliente. Nos quadros abaixo temos alguns itens que podem ser verificados para uma classificação de risco sanitário em UAN. Itens para classificação do risco sanitário, adaptada e atribuída à higiene pessoal dos funcionários de uma UAN: � lavagem e higiene das mãos corretamente; � presença de adornos; � unhas curtas e limpas; � presença de pessoas estranhas; 34 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. � uniforme padrão; � utilização de calçados antiderrapantes; � má postura ao levantar peso; � organização para desempenho do trabalho. Itens para classificação do risco sanitário, adaptada e atribuída à higiene e estrutura do ambiente e área física de uma UAN: � ambiente; � equipamentos; � utensílios; � acessórios; � estado de conservação das instalações; � ventilação e iluminação; � organização; � limpeza de bancadas, balcões e pias; � retirada do lixo; � controle de roedores e insetos. Itens para classificação do risco sanitário, adaptada e atribuída à higiene, manipulação e armazenamento de alimentos em uma UAN: � hortifrútis lavados corretamente; � arroz e feijão escolhidos e lavados corretamente; � conversar, tossir ou espirrar sobre a preparação; � realização do descongelamento; � separação dos alimentos por categorias; � controle de validade dos alimentos; � produtos abertos sendo utilizados e não identificados; � organização da geladeira; � reaproveitamento de alimentos; � armazenamento de carnes; � risco de contaminação cruzada; � temperatura e condições gerais dos produtos. Fonte: Adaptado de Lopes et al. (2015). 35 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusivefotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. UNIDADE 5 – GESTÃO DE PESSOAS EM UAN A gestão de pessoas em uma UAN envolve uma gama de profissionais dos mais variados matizes. De nutricionistas a encarregados de limpeza, todos são importantes para que a unidade funcione dentro das normas sanitárias e ofereça alimentação de qualidade. Segundo Aguiar; Kraemer e Menezes (2013), compreender a área de alimentação coletiva, dos pontos de vista do mercado e de ação social, assume importância vital. Segundo o Conselho Federal de Nutrição, o segmento responde pela segunda maior empregabilidade dos nutricionistas (32,2%), mesmo com a escassa disponibilidade de material didático para apoio de suas atividades como gestor. Igualmente, a afirmação de que as pessoas constituem o maior capital das organizações, que se tornou lugar-comum na gestão de pessoas, implica preparar bem os gestores para atuarem também nessa área, tanto que a ciência da Administração já dispõe de um conjunto considerável de métodos e técnicas aplicáveis à gestão de pessoas que vem sendo oferecido aos profissionais por meio de manuais e tratados de Administração de Recursos Humanos. No entanto, na Nutrição, tendo em vista a formação profissional predominantemente biologicista, observa-se nítida dificuldade de associar conteúdos de outras ciências à sua prática profissional. É de suma importância, então, articular conhecimentos que passam pela Educação, Psicologia e Administração, pois este conjunto leva a uma formação profissional crítica e ao mesmo tempo social que possibilita uma atuação efetiva no local de trabalho e para atingir os objetivos propostos por uma UAN. 5.1 Teorias da Administração Em se tratando das teorias da Administração, cada área de conhecimento foca no que lhe é mais peculiar e no caso da Nutrição também podemos fazer algumas analogias. Mas o que é uma teoria? Simplesmente uma ideia que começou por ser uma hipótese que foi testada cientificamente, pela experiência, pela observação no mundo real e se tornou um conjunto de proposições gerais ligadas de forma lógica e 36 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. ordenada, visando explicar uma zona de realidade mediante a formulação das leis que a regem. Quando uma teoria falha, logo ela é substituída por outra, melhor, mais completa. E assim acontece no mundo da administração. Os estudiosos veem elaborando teorias desde o início do século XX, mais precisamente nos EUA, em 1911, Frederick Taylor propôs os princípios da Administração Científica e Henry Fayol, na França, publicou em 1916 a sua Administração Industrial Geral onde dava atenção às funções administrativas. No decorrer das próximas décadas vimos surgir a Escola das Relações Humanas pelas mãos de Elton Mayo, bem como outras teorias: a Teoria dos Sistemas, a Teoria da Contingência, entre outras, sendo que dentro de cada uma delas temos implícito um valor de natureza humana e mediante as suas formulações, focando no nutricionista, este pode afastar ou aproximar o profissional do seu objeto de trabalho, daí a importância de conhecer tais teorias. Voltando um pouco a Fayol, a Administração foi definida por ele, como um processo dinâmico que compreenderia cinco funções interligadas: planejar, organizar, comandar, coordenar e controlar e ainda nos dias de hoje, livros e manuais de administração são organizados de acordo com essas funções, tendo como única diferença a fusão das funções comandar e coordenar para formar uma nova função denominada direção, que está associada aos processos de gestão de pessoas na organização (SOBRAL, 2008). Segundo Dias e Zavaglia (2008), direcionar adequadamente os recursos organizacionais faz parte de um conjunto maior de funções, denominado processo administrativo. Da atribuição de atividades a um funcionário à elaboração do orçamento de investimento e desenvolvimento de uma empresa, o administrador exerce diversas funções que lhe são próprias. Mezomo (2002) afirma que a estrutura administrativa de uma UAN revela uma filosofia e uma atitude que precisam ser discutidas e reformuladas para que a qualidade seja seu produto ou resultado normal. Sendo que o sucesso de qualquer empresa depende das pessoas que nela trabalham. Empresa e pessoas são interdependentes, tanto a empresa, quanto os empregados, que devem ser preparados para produzirem qualidade, pois a mesma é função de todos. 37 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Para Teixeira et al. (2000), a administração realizada através do processo administrativo, envolve atividades administrativas, técnicas e operacionais. Sendo evidente que os objetivos da UAN devem sempre ser considerados com atenção especial, a fim de que a atuação profissional esteja sempre voltada à sua consecução. Ressaltando a importância do processo administrativo para o alcance dos objetivos da UAN. Outra teoria da administração veio da Escola de Relações Humanas que foi uma reação à orientação da administração e sua concepção do ator social como homo economicus, a qual não considerava a realidade da organização informal. A publicação do livro Problemas Humanos de uma Civilização Industrial, de Elton Mayo, resultado das experiências de Hawthorne, chamou a atenção para os fatores sociais da empresa-organização e alertou que o rendimento não depende apenas de variáveis físicas, ou de uma meticulosa especialização e controle de tarefas. A realidade do grupo e de sua estrutura (organização informal) deve ser levada em conta para se obter maior eficácia. A Teoria dos Sistemas, por sua vez, compreende a empresa como um todo organizado ou complexo; uma combinação de elementos ou partes que interagem e exercem influência entre si, considerando um ponto de vista holístico. O foco da Teoria dos Sistemas é a interação da organização com o ambiente. A Teoria das Contingências postula que variações nos fatores contingentes – tecnologia, situação mercadológica, diversidade e tamanho – conduzem a variações na estrutura organizacional. A estrutura e a dinâmica da empresa são, entre outros, meios para se obter a máxima eficácia da tecnologia adotada. Assim, não existe uma única maneira certa de montar a estrutura organizacional; existem sempre várias alternativas, e a melhor depende de cada caso. Administradores e organizações são resultados de seus tempos históricos e sociais. Assim, pode-se entender a evolução das Teorias da Administração em termos de como as pessoas tratavam o assunto em determinado momento da história (AGUIAR; KRAEMER; MENEZES, 2013). 38 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. 5.2 Os profissionais da alimentação coletiva e o trabalho em equipe Nutricionista, técnico em nutrição, chefe de cozinha, cozinheiro, padeiro, confeiteiro e afins, os auxiliares, os estoquistas, garçons, barman, copeiro e auxiliar de limpeza pertencemao conjunto de trabalhadores que fazem parte do processo produtivo de refeições. A descrição destes cargos encontram-se na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO) que os reconhece, nomeia e codifica os títulos e descreve as características das ocupações do mercado de trabalho brasileiro. Entretanto, fazer parte desse conjunto não é suficiente para que seja caracterizada uma equipe e é aqui que entram algumas das habilidades e competências do Nutricionista! Para haver uma equipe precisamos de um elemento de identidade, elemento de natureza simbólica que una as pessoas, uma vez ser importante lidar com as diferenças existentes entre elas. Aguiar, Kraemer e Menezes (2013) explicam que as empresas estão inseridas em culturas diferentes (conjunto de valores, crenças e produção) em que os traços da nossa cultura podem facilitar ou criar obstáculos ao trabalho em equipe. Por exemplo, a grande distância do poder, que talvez explique nosso gosto pela hierarquia burocrática, é um dificultador da formação de equipes autogerenciadas. No entanto, a feminilidade ajuda na comunicação entre os membros da equipe. Os membros da equipe são pessoas com visões de mundo e motivações diferentes, que possuem funções psíquicas (sensação, sentimento, razão, intuição), de caráter e temperamento presentes de maneiras diferentes em cada um. Conviver com essas diferenças, dentre outras, no sentido de trabalhar em equipe, não é tarefa fácil e requer descobrir a melhor maneira de lidar com elas. Outro ponto importante a ser destacado na área da alimentação coletiva é a consolidação das equipes de trabalho, tendo em vista a presença do absenteísmo e da rotatividade em algumas empresas, portanto, cabe aos nutricionistas e gestores buscar sempre pela harmonia, integração e pelo trabalho em equipe para que tenhamos efetividade do trabalho desenvolvido nas UANs. Fonseca e Santana (2012) são enfáticos ao afirmarem que no planejamento dos recursos humanos de uma UAN, é importante pensar na sua complexidade, na qualidade do serviço prestado, da motivação do funcionário, segurança do trabalho e 39 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. saúde do trabalhador, bem como clima organizacional e política de qualificação / promoção. Quando se contrata um funcionário, deve-se ter em mente que mais um membro está sendo agregado à rotina da UAN e não somente mais um funcionário, mais uma mão de obra. É preciso conhecer bem o funcionamento da unidade, tipo de serviço e especificidades dessa UAN para dimensionar racionalmente a sua mão de obra. Acertar os horários da distribuição também auxilia no dimensionamento. Inicialmente, tendo o layout em mãos, horários de jornada de trabalho e da distribuição, alocam-se os funcionários nas devidas funções necessárias ao desenvolvimento das atividades que antecedem a distribuição, aqui considerado como exemplo a etapa de pré-distribuição. É imprescindível que nesse horário tenham-se funcionários responsáveis pela limpeza, em número suficiente para higienizar toda a área interna da unidade, não somente o salão de distribuição das refeições, pois, nesse período há grande geração de resíduos nas áreas de pré-preparo, sobremesa e cocção. No período pré-distribuição, os principais itens do cardápio são preparados e tem-se intensa higienização nas áreas de distribuição das preparações. Em geral, esse momento é o mais agitado na UAN, pois, todos os funcionários precisam trabalhar com o binômio atividade versus tempo, para que tudo esteja pronto até o momento da distribuição. Toda a atenção está voltada para a produção do cardápio. O estoquista geralmente recebe os gêneros durante a etapa de pré-distribuição e acondiciona-os nas câmaras, refrigeradores e freezer específicos. O nutricionista acompanha a produção, e faz a degustação de todas as preparações do cardápio antes de serem distribuídos. A degustação é muito importante para que se tenha garantia de que as preparações estejam adequadas de acordo com o padrão de identidade de cada uma. É importante que algum funcionário seja treinado para proceder na degustação na ausência do Nutricionista. Na oportunidade, observam- se todas as características sensoriais da preparação (FONSECA; SANTANA, 2012). Caso a UAN tenha os padrões de preparo preservados, dificilmente haverá alguma inadequação durante a degustação. Mesmo na existência de fichas técnicas atualizadas e per capitas bem definidos, a degustação é importante, pois, é sabido 40 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. que as matérias-primas sofrem influência da safra, época do ano, temperatura do ambiente, evaporação da água entre outros. Na etapa de pré-distribuição, geralmente preparasse 70% de todo o quantitativo planejado para a refeição em questão (FONSECA; SANTANA, 2012). Pois bem, cabe ao nutricionista reconhecer os talentos de sua unidade, valorizá-los, bem como não se deve medir esforços para discutir com os funcionários formas de melhorias no trabalho, bem como ouvi-los é também uma tarefa muito importante na gestão dos recursos humanos. Buscar sempre motivá-los, reconhecendo o quanto são importantes no processo produtivo, permite que o ambiente de trabalho seja agradável e que todos sintam que desempenhar o trabalho em equipe pode ser sempre satisfatório (FONSECA; SANTANA, 2012). 41 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. REFERÊNCIAS REFERÊNCIAS BÁSICAS AGUIAR, Odaleia Barbosa de; KRAEMER, Fabiana Bom; MENEZES, Maria Fátima Garcia de. Gestão de pessoas em UAN. Rio de Janeiro: Rubio, 2013. ROSA, Carla de Oliveira Barbosa; MONTEIRO, Márcia Regina Pereira. Unidades produtoras de refeições: uma visão prática. Rio de Janeiro: Rubio, 2014. SANT’ANA, H. M. P. 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Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. saudavel-apresenta-oportunidades-de- negocio,f48da82a39bbe410VgnVCM1000003b74010aRCRD SILVA FILHO, A. R. A. da. Manual Básico para Planejamento e Projeto de restaurantes e cozinhas industriais. São Paulo: Varela, 1996. SILVA, Tarick Elias e; BATISTA, Leandro Gosling. A importância do processo administrativo para garantia da qualidade em unidades de alimentação e nutrição (2013). Disponível em: http://www.atenas.edu.br/Faculdade/arquivos/NucleoIniciacaoCiencia/REVISTAS/RE VIST2013/1%20A%20IMPORT%C3%82NCIA%20DO%20PROCESSO%20ADMINIS TRATIVO%20PARA%20GARANTIA%20DA%20QUALIDADE%20EM%20UNIDADE S%20DE%20ALIMENTA%C3%87%C3%83O%20E%20NUTRI%C3%87%C3%83O. pdf SOBRAL, Filipe. Administração: teoria e prática no contexto brasileiro. 1. ed. 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GLOSSÁRIO BÁSICO Alimentação Coletiva – atividades de alimentação e nutrição realizadas nas Unidades de Alimentação e Nutrição (UAN), como tal entendidas as empresas fornecedoras de serviços de alimentação coletiva, serviços de alimentação autogestão, restaurantes comerciais e similares, hotelaria marítima, serviços de buffet e de alimentos congelados e cozinhas dos estabelecimentos assistenciais de saúde; atividades próprias da Alimentação Escolar e da Alimentação do Trabalhador. Nutrição Clínica – atividades de alimentação e nutrição realizadas nos hospitais e clínicas, nas instituições de longa permanência para idosos, nos ambulatórios e consultórios, nos bancos de leite humano, nos lactários, nas centrais de terapia nutricional, nos SPA e quando em atendimento domiciliar. Saúde Coletiva – atividades de alimentação e nutrição realizadas em políticas e programas institucionais, de atenção básica e de vigilância sanitária. Docência – atividades de ensino, extensão, pesquisa e coordenação relacionadas à alimentação e à nutrição. Indústria de Alimentos – atividades de desenvolvimento e produção de produtos relacionados à alimentação e à nutrição. Alimentação Escolar – é toda a alimentação realizada pelo estudante durante o período em que se encontra na escola. Alimentos para Fins Especiais – são alimentos especialmente formulados ou processados, nos quais se introduzem modificações no conteúdo de nutrientes adequados à utilização em dietas diferenciadas e ou opcionais, atendendo necessidades de pessoas em condições metabólicas e fisiológicas específicas. 46 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Assessoria em Nutrição – é o serviço realizado por nutricionista habilitado que, embasado em seus conhecimentos, habilidades e experiências, assiste tecnicamente a pessoas físicas ou jurídicas, planejando, implantando e avaliando programas e projetos em atividades específicas na área de alimentação e nutrição, bem como oferecendo solução para situações relacionadas com a sua especialidade, sem, no entanto, assumir responsabilidade técnica. Atribuições – conjunto de atividades ou ações cujas execuções são inerentes ao cumprimento das prerrogativas do nutricionista. Auditoria em Nutrição – exame analítico ou pericial feito por nutricionista, contratado para avaliar criteriosamente, dentro da sua especialidade, as operações e controles técnico-administrativos inerentes à alimentação e nutrição, finalizando com um relatório circunstanciado e conclusivo. Avaliação Nutricional – é a análise de indicadores diretos (clínicos, bioquímicos, antropométricos) e indiretos (consumo alimentar, renda e disponibilidade de alimentos, entre outros) que têm como conclusão o diagnóstico nutricional do indivíduo ou de uma população. Características Organolépticas – são os atributos presentes nos alimentos que impressionam os órgãos do sentido, e que dificilmente podem ser medidos por instrumentos, envolvendo uma apreciação resultante de uma combinação de impressões visuais, olfativas, gustativas e táteis. Cesta de Alimentos – composição com diferentes tipos de alimentos in natura ou embalados por processo industrial, definida a partir de requisitos nutricionais básicos, conforme legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Complemento Nutricional – produto elaborado com a finalidade de complementar a dieta cotidiana de uma pessoa saudável, que deseja compensar um possível déficit de nutrientes, a fim de alcançar os valores da Dose Diária Recomendada (DDR). 47 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Comunidade Escolar – conjunto formado por alunos, pais ou responsáveis pelos alunos e pelos profissionais da educação em efetivo exercício das respectivas atividades no estabelecimento de ensino. Consultoria em Nutrição – serviço realizado por nutricionista que, quando solicitado, analisa, avalia e emite parecer sobre assuntos e serviços relacionados à sua especialidade, com prazo determinado. Degustação – arte de analisar e apreciar todas as nuances da composição dos alimentos e preparações, utilizando-se dos sentidos naturais do ser humano, podendo ser objeto de prazer ou desprazer. DemonstraçãoTécnica do Produto – qualquer forma de expor um produto de modo a destacá-lo ou diferenciá-lo dos demais dentro de estabelecimento comercial ou não, ilimitado à vitrine. Empresas Fornecedoras de Alimentação Coletiva – aquelas definidas pela legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), quais sejam, operadoras de cozinhas industriais e fornecedoras de refeições preparadas e/ou transportadas, administradoras de cozinhas e refeitórios institucionais (concessionárias de alimentação) e fornecedoras de cestas de alimentos para transporte individual. Empresas Prestadoras de Serviços de Alimentação Coletiva – aquelas definidas pela legislação do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), quais sejam, administradoras de documentos de legitimação para aquisição de refeições (vales- refeições, tickets e similares) ou de gêneros alimentícios (vales-alimentação e similares) na rede de estabelecimentos credenciados. Ficha Técnica de Preparações – formulário de especificação de preparações dietéticas, destinado aos registros dos componentes da preparação e suas quantidades per capita, das técnicas culinárias e dietéticas empregadas, do custo 48 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. direto e indireto, do cálculo de nutrientes e de outras informações, a critério do serviço ou unidade de alimentação e nutrição. Ficha Técnica de Produto – formulário de especificações do produto, constando as características gerais e nutricionais, como descrição do produto, finalidade, composição, embalagem, validade, informação nutricional, registro no Ministério da Agricultura ou da Saúde, entre outros dados. Grande Refeição – refeição com maior aporte calórico e fornecida em horários que correspondem ao almoço, jantar ou ceia-jantar. ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idoso) – instituições governamentais ou não governamentais, de caráter residencial, destinada a domicílio coletivo de pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, com ou sem suporte familiar, em condição de liberdade, dignidade e cidadania. Manual de Boas Práticas de Produção e de Prestação de Serviços na Área de Alimentos (MBP) – documento formal da unidade ou serviço de alimentação e nutrição, elaborado pelo nutricionista responsável técnico, no qual estão descritos os procedimentos para as diferentes etapas de produção de alimentos e refeições e prestação de serviço de nutrição e registradas as especificações dos padrões de identidade e qualidade adotados pelo serviço, devendo seu cumprimento ser supervisionado por nutricionista. Marketing – conjunto de ações, estrategicamente formuladas, que visam influenciar o público quanto à determinada ideia, instituição, marca, pessoa, produto, serviço, entre outros. Necessidades Nutricionais Específicas – quantidade de nutrientes e de energia biodisponíveis nos alimentos que um indivíduo sadio deve ingerir para satisfazer suas necessidades fisiológicas e prevenir sintomas de deficiências, ou para recuperar um estado de saúde em que a nutrição se torna fator principal ou coadjuvante do tratamento. 49 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Parâmetros Nutricionais – são indicadores utilizados para monitorar o estado nutricional de um indivíduo, de um grupo ou população, sendo ainda considerados outros fatores que interferem na saúde, como os sociais, psicológicos, culturais e econômicos, que podem ser concorrentes ou agravantes. Parecer em Nutrição – opinião fundamentada, emitida por nutricionista, sobre assunto específico da área de alimentação e nutrição. Perfil Epidemiológico da População – perfil resultante de estudos dos determinantes das condições de saúde da população em geral ou de grupos populacionais, com o desenvolvimento de indicadores para monitorar as políticas públicas de saúde e avaliar o impacto destas ações, com mecanismos permanentes de vigilância aos principais agravos de saúde dessa população. Planilha de Custos – instrumento utilizado para apurar detalhadamente os custos, considerando todos os itens e elementos envolvidos na produção de bens ou prestação de serviços. Plano de Trabalho Anual – descrição de metas, projetos de trabalho ou diretrizes da instituição a serem desenvolvidos no decorrer do ano vindouro, com os respectivos objetivos e metodologia de execução, prevendo prazos para a sua realização e orçamentos para a sua execução. Políticas e Programas Institucionais – regulamentação da execução de propostas e projetos governamentais de atendimento específico à população. Porção – quantidade per capita referente a um alimento in natura ou preparado, ou, ainda, a uma preparação. 50 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Preparações Culinárias – produtos provenientes de técnicas dietéticas aplicadas em alimentos in natura e em alimentos e produtos industrializados, resultando em pratos simples ou elaborados que irão compor as refeições. Procedimentos Operacionais Padronizados – procedimentos escritos de forma objetiva que estabelecem instruções sequenciais para a realização de operações rotineiras e específicas na produção, armazenamento e transporte de alimentos e preparações, podendo ser parte integrante, ou não, do Manual de Boas Práticas do Serviço. Profissional Habilitado – nutricionista devidamente inscrito no Conselho Regional de Nutricionistas da Região onde o mesmo atua, conforme legislação reguladora das atividades profissionais e do funcionamento das entidades do Sistema CFN/CRN. Programa de Alimentação Escolar (PAE) – é o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) executado pelos Estados, Municípios e Distrito Federal. Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) – programa institucional federal instituído pela Lei n° 6.321, de 1977, com o objetivo de promover a melhoria do estado nutricional do trabalhador, oferecendo incentivos às empresas participantes do programa. Protocolo Técnico – conjunto de procedimentos técnicos do nutricionista, destinados ao atendimento nutricional de clientes e pacientes, adequado a cada unidade de alimentação e nutrição, e devidamente aprovado pela instituição onde está inserida a UAN. Receituários – conjunto de formulários que contêm ingredientes, método de preparo, rendimento e tempo de preparo, de receitas específicas utilizadas na produção culinária, em conformidade com os cardápios. 51 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Recomendações Nutricionais – quantidade de nutrientes necessários para satisfazer as necessidades de 97,5% dos indivíduos de uma população sadia; em se tratando de calorias,diz-se necessidades nutricionais. Empresa de Refeição Convênio – empresa administradora de documentos de legitimação para aquisição de refeições em restaurantes e estabelecimentos similares ou para aquisição de gêneros alimentícios em estabelecimentos comerciais em rede credenciada. Resto-ingestão – relação entre o resto devolvido nas bandejas e pratos pelos clientes e a quantidade de alimentos e preparações oferecidas, expressa em percentual, sendo aceitáveis taxas inferiores a 10%. Suplementos Nutricionais – alimentos que servem para complementar, com calorias, e ou nutrientes a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos nos quais sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente, ou quando a dieta requerer suplementação. Suplementos Vitamínicos e/ou Minerais – alimentos que servem para complementar, com outros nutrientes, a dieta diária de uma pessoa saudável, em casos em que sua ingestão, a partir da alimentação, seja insuficiente, ou quando a dieta requerer suplementação; devem conter um mínimo de 25% e no máximo 100% da ingestão diária recomendada (IDR) de vitaminas e/ou minerais, na porção diária indicada pelo fabricante, não podendo substituir os alimentos, nem serem considerados como dieta exclusiva. Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) – unidade gerencial do serviço de nutrição e dietética na qual são desenvolvidas todas as atividades técnico- administrativas necessárias para a produção de alimentos e refeições, até a sua distribuição para coletividades sadias e enfermas, além da atenção nutricional a pacientes na internação e em ambulatórios. 52 Todos os direitos reservados ao Grupo Prominas de acordo com a convenção internacional de direitos autorais. Nenhuma parte deste material pode ser reproduzida ou utilizada seja por meios eletrônicos ou mecânicos, inclusive fotocópias ou gravações, ou, por sistemas de armazenagem e recuperação de dados – sem o consentimento por escrito do Grupo Prominas. Segurança Alimentar e Nutricional – conjunto de princípios, políticas, medidas e instrumentos que se proponham a assegurar condições de acesso a alimentos seguros e de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais e com base em práticas alimentares saudáveis, contribuindo, assim, para uma existência digna em um contexto de desenvolvimento integral do ser humano. Serviço Centralizado – considera-se como tal a empresa que administra a produção e a distribuição de refeições na própria unidade ou cliente. Serviço Descentralizado – considera-se como tal a empresa que possui uma cozinha central, com distribuição de refeições, do tipo transportada, às unidades e clientes. Serviço Misto – considera-se como tal a empresa que utiliza os dois sistemas descritos nos itens imediatamente antecedentes para atendimento aos seus clientes.