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Planejando as aferições:
precisão, acurácia e validade
Arthur Gonzalez, Ayla Porto, Emanuel Domingos, Felipe Assis, Ian Dondoni e 
Pedro Affonso
Professores: Ben Hur Albergaria e Creuza Rachel Vicente
Universidade Federal Do Espírito Santo
Centro De Ciências Da Saúde
Graduação em Medicina
Disciplina de Epidemiologia I
INTRODUÇÃO
Aferições: descrevem fenômenos em termos que podem ser analisados 
estatisticamente;
Validade do estudo: depende da capacidade que as variáveis delineadas têm de 
representar os fenômenos de interesse;
Precisão: Livre de erros aleatórios;
Acurácia: Livre de erros sistemáticos.
ESCALAS DE 
MEDIDA
Escalas de medida
● Certos tipos de variáveis produzem estatísticas mais informativas, 
aumentando o poder do estudo e reduzindo necessidade de grandes 
amostras;
● Podem ser de dois tipos:
○ Numéricas, que são quantificadas em uma escala infinita de valores;
○ Categóricas, quando é mais fácil classificar algo em categorias do que o 
quantificar;
Variáveis numéricas
● Variáveis contínuas são muito informativas, delimitadas apenas pela 
sensibilidade do equipamento usado para as aferir. Podem conter várias 
casas decimais;
● Exemplo: peso corporal;
● Variáveis discretas são como as contínuas, mas limitadas a números inteiros;
● Exemplo: número de gestações;
Variáveis categóricas
● Podem ser de alguns tipos:
○ Nominais, quando as categorias não são ordenadas, como tipos 
sanguíneos;
■ As nominais podem ser dicotômicas, quando há apenas dois valores 
possíveis, como vivo ou morto;
○ Ordinais, quando há ordenação das categorias, como grau de dor;
Escolhendo uma escala de medida
● Dar prioridade a variáveis contínuas, por terem maior poder informativo, 
quando possível;
● Há casos que é mais interessante se achar um valor dicotômico, um valor a 
partir do qual a pessoa se enquadra numa variável de risco;
● Nesse caso, recomenda-se coletar as informações como contínuas, mas 
apresentá-las como nominais, pois se permite mais análises estatísticas;
Escolhendo uma escala de medida
● Quando há a opção de planejar o número de categorias num questionário, 
usar escala ordinal;
● A descrição de sintomas em variáveis é muito importante para o método 
científico, mas é complexo;
● Como exemplo, através do questionário sobre qualidade de vida, SF-36, se 
conseguem informações precisas e com menos vieses;
PRECISÃO
Precisão
- Precisão, reprodutibilidade, confiabilidade ou consistência.
- Uma medida de alta precisão é aquela que é reprodutível, isto é, cujos
valores são semelhantes em cada aferição. 
- Erros aleatórios: 
a- Variabilidade do observador
b- Variabilidade do instrumento
c- Variabilidade do sujeito
Avaliação da precisão
- Comparação da reprodutibilidade de aferições repetidas intra e 
interobservador ou intra e interinstrumento. 
- Variáveis contínuas: desvio-padrão intrassujeito ou coeficiente de 
variação
- Variáveis categóricas: percentual de concordância e coeficiente de 
correlação intraclasse
ACURÁCIA
A acurácia de uma variável é a sua capacidade de 
representar o valor verdadeiro.
Erro sistêmico
● Viés do observador: distorção consciente ou inconsciente na percepção ou 
no relato da medida pelo observador. Ex: arredondar PA para um valor menor
● Viés do instrumento: defeito de um instrumento mecânico. Ex: balança 
descalibrada
● Viés do sujeito: distorção da aferição originada pelo sujeito do estudo. Ex: 
Pacientes com câncer de mama que acreditam que o álcool seja uma casa 
do câncer que elas desenvolveram podem relatar uma quantidade exagerada 
de ingesta de álcool
Padrão-ouro
A acurácia de uma medida é mais bem avaliada comparando-a, quando possível, 
com. 
Grau de acurácia
● Medidas em escala contínua: diferença média entre a medida investigada e o 
padrão-ouro nos sujeitos do estudo
● Medidas em escala dicotômica: sensibilidade e especificidade
● Medidas em escala categórica: percentual de respostas corretas para cada 
categoria
VALIDADE
● A validade visa buscar qual medida é a mais adequada para um determinado 
fenômeno de interesse. 
● Ex: Creatinina e Cistatina C séricas são dois compostos eliminados pelos 
rins, e possuem acurácias relativamente altas e iguais. Porém, a cistatina C 
pode ter maior validade ao se medir a função renal, pois os níveis de 
creatinina também são influenciados pela quantidade de massa muscular. 
● É importante revisão à literatura e consulta a especialistas a fim de encontrar 
os melhores instrumentos para se determinar uma maior validade do objeto 
em estudo. 
Construtos qualitativos e quantitativos para avaliar a 
validade das medidas: 
● Validade de Conteúdo: avalia a capacidade da aferição de representar todos 
os aspectos do fenômeno sob estudo. 
Ex: Questões sobre o funcionamento social, físico, 
emocional e intelectual para avaliar a qualidade de vida
● Validade Aparente (Face validity): descreve se as aferições parecem 
razoáveis. 
Ex: Aferição da dor usando usando uma escala de 
10 pontos ou da classe social por meio da renda familiar
Construtos qualitativos e quantitativos para avaliar a 
validade das medidas: 
● Validade de Construto: refere-se à capacidade de uma aferição de se 
encaixar dentro da concepção teórica (construto) sobre o fenômeno em 
estudo.
Ex: Um teste de QI deveria distinguir entre pessoas que, segunda teoria ou 
outras medidas, teriam níveis diferentes de inteligência.
Construtos qualitativos e quantitativos para avaliar a 
validade das medidas: 
● Validade Preditiva: refere-se a capacidade da medida de predizer a 
ocorrência futura de um desfecho.
Ex: a capacidade de um questionário desenvolvido para avaliar depressão em 
predizer a perda do trabalho ou o risco de suicídio.
● Validade de Critério: é o grau em que a medida se correlaciona com medidas 
já existentes e bem aceitas. 
OUTRAS 
CARACTERÍSTICAS 
DE ABORDAGENS 
DE AFERIÇÃO
Medidas sensíveis, específica e adequadas
● Sensíveis - necessário para detectar diferenças que são importantes para o 
investigador;
● Específica - representa apenas a característica de interesse;
● Adequadas - aos objetivos do estudo. Por exemplo: decidir qual tipo de 
estresse a ser analisado como causa de IAM antes de iniciar o estudo.
Ampla distribuição de respostas 
● Uma medida do estado funcional tem utilidade máxima quando produz 
valores que variam de alto, em alguns sujeitos, a baixo, em outros;
● Realização de um pré-teste: garantir que as respostas reais não se 
concentrem em um extremo da faixa de respostas possíveis.
Objetividade 
● Minimiza julgamentos subjetivos;
● É alcançada reduzindo-se o envolvimento do observador e utilizando 
instrumentos automatizados;
● No entanto, pode limitar o objetivo das observações e a capacidade de 
descobrir fenômenos não antecipados;
● Resolvendo esse problema: incluir algumas questões abertas e adquirir 
dados subjetivos e qualitativos para complementar o conjunto principal de 
medidas objetivas e quantitativas.
Eficiência e parcimônia 
● Evitar acrescentar itens que não são centrais à questão da pesquisa;
● Medições adicionais aumentam a probabilidade de encontrar achados 
interessantes, mas é importante ter em mente o valor da eficiência e da 
parcimônia;
● O conjunto das aferições deve ser delineado para incluir dados relevantes a 
um custo acessível em termos financeiros e de tempo a ser despendido.
MEDIÇÕES EM 
MATERIAIS 
ARMAZENADOS 
As aferições podem ser feitas:
● Durante o contato com o sujeito do estudo;
● Posteriormente em bancos de amostras biológicas armazenadas para 
análise química ou genética;
● Ou quando imagens de radiografia e de outros procedimentos são 
armazenadas eletronicamente.
Vantagens 
● Oportunidade de reduzir o custo fazendo aferições apenas em indivíduos que 
desenvolvem a condição de interesse durante o estudo;
● Permitir que avanços científicos que ocorremanos após o início do estudo 
possam levar a novas ideias e técnicas de aferição.
Utilização dos materiais armazenados:
● Consultar especialistas para selecionar os tubos adequados para coleta;
● Implementar as condições adequadas de armazenamento, de modo a 
preservar a qualidade das amostras e permitir que estejam disponíveis para 
o maior leque possível de usos subsequentes;
● Importante obter o consentimento dos participantes, informando sobre os 
objetivos dos potenciais usos das amostras armazenadas. 
RESUMO
● As variáveis podem ser numéricas contínuas ou discretas e categóricas 
nominais e ordinais. Se a variável possuir duas categorias é chamada de 
dicotômicas;
● As variáveis contínuas são as mais informativas e as menos informativas são 
as nominais e dicotômicas;
● A precisão é reduzida pelo erro aleatório, e a acurácia pelo erro sistemático, 
ambos a partir de três fontes: o observador, sujeito e instrumento. Elas são 
aumentadas a partir da padronização e definição dos métodos, treinamento e 
certificação dos observadores, otimização e automatização dos 
instrumentos, aferições repetidas (exceto para acurácia), aferições não 
intrusivas, calibração e cegamento (essas três exceto para precisão);
● A validade é o grau em que uma medida representa os fenômenos que ela 
deveria medir;
● As pesquisas devem ser amplas e parcimoniosas;
● Estocar imagens e outros materiais deve ser considerado.
Referência Bibliográfica
Delineando a Pesquisa Clínica - Uma Abordagem Epidemiológica - 4ª Ed. 
Capítulo 4
OBRIGADO!

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