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01 Parte geral (Prof ª Maitê Damé)

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Meus Amores!!!!!
Hoje vocês iniciam a caminhada da preparação no Direito Civil.
A parte geral será usada em todas as demais áreas. Procurei
elaborar um material completo, para, junto com as aulas virtuais
deixar o estudo de vocês mais tranquilo e mais sereno.
Além disto, utilizo meu Instagram para postar dicas e elas
podem auxiliar nesta intensa preparação. 
Ao final deste curso, vocês estarão preparados para encarar a
prova da OAB de frente. Que tenham um estudo tranquilo e
sereno! Abração.
 
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DIREITO CIVIL – PARTE GERAL 
01. Constitucionalização do Direito Privado. Pessoa natural: aquisição da personalidade, 
direitos do nascituro, diferença entre capacidade de fato e capacidade de direito, 
incapacidade absoluta e incapacidade relativa ............................................................................................ 1 
02. Cessação da incapacidade em razão da idade. Maioridade e emancipação. Tutela e 
curatela ................................................................................................................................................................................ 15 
03. Tomada de decisão apoiada e da capacidade plena da pessoa com deficiência. 
Extinção da personalidade e direitos de personalidade ....................................................................... 33 
04. Pessoa jurídica e domicílio ............................................................................................................................. 67 
05. Bens jurídicos e bem de família ................................................................................................................... 91 
06. Fato jurídico. Planos de existência, validade e eficácia do negócio jurídico ................. 109 
07. Aspectos gerais do negócio jurídico ........................................................................................................ 138 
08. Defeitos do negócio jurídico: erro, dolo, coação, lesão, estado de perigo, fraude 
contra credores e simulação ............................................................................................................................... 147 
09. Invalidade do negócio jurídico. Prescrição e decadência ......................................................... 169 
 
01. Constitucionalização do Direito Privado. Pessoa natural: 
aquisição da personalidade, direitos do nascituro, diferença entre 
capacidade de fato e capacidade de direito, incapacidade 
absoluta e incapacidade relativa 
1.1 Direito Civil e Constituição 
Apesar de o Direito Civil ser ramo do direito privado, em razão de ter 
utilidade particular, deve ser interpretado a luz das normas constitucionais. Os 
ramos do Direito não podem ser interpretados de forma isolada e estanque. Há, 
nesse sentido, a chamada constitucionalização do direito privado ou do direito 
civil. Este processo refere-se a aplicação das normas constitucionais na 
interpretação do direito privado. 
 
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Então, se houver a interpretação das leis civis de acordo com a Constituição 
e os direitos fundamentais haverá a possibilidade da permanente evolução do 
Direito Civil, adaptando-se, dessa maneira, à evolução da sociedade. 
No direito brasileiro, este processo ocorreu, especialmente, a partir da 
Constituição Federal de 1988, quando as normas garantidoras de direitos e 
garantias fundamentais passaram a ser aplicados e respeitados no âmbito civil. 
Com isto, o direito civil está, permanentemente sob a tutela constitucional e os 
direitos fundamentais, que já eram respeitados por parte do Estado, passam a 
ser, também, no âmbito privado, nas relações entre particulares. Exemplo disto 
são os direitos fundamentais da igualdade, liberdade, dignidade, devido 
processo legal, etc. 
 
1.2 Divisão da Parte Geral 
O Código Civil divide a parte geral em três partes. A teoria das pessoas, 
que trabalha com os sujeitos de direitos (pessoas naturais e jurídicas); a teoria 
dos bens, que se destina a estudar os objetos de direitos; e a teoria dos fatos, 
que são os eventos que criam, modificam, conservam, transferem ou 
extinguem direitos (negócios jurídicos, atos jurídicos – lícitos e ilícitos, prescrição 
e decadência, prova). 
Existe, portanto, uma lógica de estudo. 1) estudam-se as pessoas; 2) 
estudam-se os bens, que são os objetos dos direitos; 3) estuda-se os fatos 
jurídicos, ou seja, o meio pelo qual nascem, modificam-se e extinguem-se os 
direitos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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* Para todos verem: esquema 
 
 
 
 
1.3 Pessoas Naturais 
A função do Direito é regular a sociedade e esta última é formada de 
pessoas. A todo direito, corresponde um sujeito, que é, então, o titular. 
É nesse sentido o art. 1.º, CC: “Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na 
ordem civil”. 
Somente as pessoas podem ser sujeitos de Direito, sejam elas naturais ou 
jurídicas. Animais e coisas são objetos do Direito, mas não podem ser sujeitos 
dele. 
A questão, agora, é saber a partir de quando a pessoa pode ser considerada 
sujeito de Direito, ou seja, basta que uma pessoa nasça para que seja assim 
considerada e, dessa forma, adquira personalidade. 
 
1.3.1 Personalidade/ Aquisição da personalidade jurídica 
 
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Personalidade jurídica é a “aptidão genérica para titularizar direitos e 
contrair obrigações, ou, em outras palavras, é o atributo necessário para ser 
sujeito de direito”1. A partir do momento em que o sujeito tem personalidade, 
que ele se torna sujeito de direito, podendo praticar atos e negócios jurídicos. 
O art. 2.º, CC afirma que a personalidade civil começa com o nascimento 
com vida, mas traz a ressalva de que a lei protege os direitos do nascituro desde 
a concepção: 
Art. 2.º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; 
mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro. 
 
Dessa maneira, o marco inicial da personalidade é o nascimento com vida. 
O nascimento ocorre quando a criança é separada do ventre materno, seja por 
parto natural, seja por cesárea. O importante é que a unidade biológica seja 
desfeita, de forma que mãe e filho sejam dois corpos, cada um com uma vida 
biológica e orgânica própria. 
Mas como saber se houve nascimento com vida? Basta que a criança 
tenha respirado. Se respirou, viveu, mesmo que tenha morrido em seguida. 
Neste caso, lavra-se o assento de nascimento e o de óbito (art. 53, § 2.º, LRP). 
Qual o motivo de toda essa importância dada ao nascimento com vida, a 
saber se a criança respirou ou não? Traga-se um exemplo para clarificar. 
Ex.: casal João e Maria, casados pelo regime da separação de bens. João 
falece e Maria está grávida. Se o filho de Maria e João nascer com vida, respirar, 
tornar-se-á herdeiro do patrimônio junto com Maria. Assim, se ele falecer em 
seguida, Maria receberá todo o patrimônio, pois é herdeira do filho. Contudo, se 
a criança não tiver respirado, o patrimônio de João será transmitido a Maria e 
aos pais de João. 
Como é feita a constatação do nascimento com vida? Através de um 
exame chamado docimasia hidrostática de Galeno, que se baseia no princípio 
de que se o feto respirou, inflou de ar seus pulmões. Assim, retirando-se os 
pulmões do feto que veio a falecer, colocando-se em um recipiente com água, 
 
1 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil: parte geral. 
18.ed. v.1. São Paulo: Saraiva, 2016, p. 132. 
 
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se tiver havido respiração, o pulmão flutuará. Caso não tenha havido respiração, 
o pulmão, não tendo recebido ar, estando com as paredes alveolares unidas, 
afundará. Atualmente já existem outras formas de verificar a respiração, pois é 
possível, através de exame microscópio de fragmentos do pulmão verificar se 
possui bolhas de ar ou não. 
 
1.3.1.1 Nascituro 
Nascituro é aquele que está por nascer, ou seja, aquele que está se 
desenvolvendo no ventre materno, que foi concebido, mas não nasceu ainda.

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