Prévia do material em texto
Farmacodinâmica Efeito colateral é diferente de efeito adverso. Sempre um fármaco produz dois tipos de efeito, os desejáveis (terapêuticos) – lembrando que nenhum fármaco é direcionado apenas para o local desejado- e também os indesejáveis, dentro deles temos os efeitos adversos, que são esperados com a terapêutica. Dependendo da dose ou de uma interação medicamentosa esse efeito vai além do adverso, pode ser tóxico. Esses efeitos tóxicos não são previstos na dose terapêutica. Para ter o efeito tóxico = ou a dose está aumentada ou tem uma interação. Efeitos Adversos= são todos aqueles relacionados com o uso do medicamento, mas que não necessariamente tem relação com o mecanismo de ação; que é a diferença do efeito colateral, é um efeito indesejável, mas ele é explicado pela ação do fármaco. EX: Propanolol (arritmia cardíaca) receptor beta1, mas existem os receptores beta2, principalmente no pulmão. Quando o propranolol é administrado ele deve bloquear a ação da adrenalina (diminuindo a FC – em beta1) mas beta1 e beta2 são muito parecidos, por isso o fármaco entra nos dois receptores, por isso, no mínimo, uma discreta diminuição da ventilação vai ocorrer. Isso é um efeito colateral, pois é inerente à ação do fármaco. O papel dele é bloquear receptores beta, mas ele não consegue distinguir beta1 de beta2. Agora DOR DE CABEÇA, alguns vão sentir, mas não se sabe explicar o porque disso. Várias ações dos medicamentos são desconhecidas. Então, os efeitos adversos são normalmente aqueles que não são explicáveis. Na bula = “muito frequente “é o colateral e os “raros; raríssimos “são os adversos. Idiossincrasia: é literalmente uma ação nociva inesperada pelo uso do medicamento, é uma sensibilidade particular de uma pessoa. EX1: Dramin – efeito colateral é sonolência por diminuir a ação da histamina no cérebro, diminuindo a vigília e causando sono. Porém algumas pessoas quando tomam dramin não dormem de jeito nenhum e isso é uma idiossincrasia. EX2: Benzodiazepínicos (clonazepam, diazepam) em algumas pessoas causa excitação, alucinações e até convulsão. Portanto a idiossincrasia é sempre uma resposta nociva devido à uma particularidade do usuário. AS ALERGIAS NÃO ENTRAM AQUI, pois é esperada. Intolerância ou sensibilidade a um fármaco: doses que podem produzir diferentes respostas. As vezes não respondem ao medicamento. EX: Parcetamol e Dipirona – não alivia por exemplo a dor de cabeça. Ambos têm o mesmo mecanismo de ação, são também particularidades. Tolerância: A longo prazo, a utilização repetitiva de um mesmo fármaco pode causar redução do efeito farmacológico (neuroadaptação) EX: Morfina; Rivotril. Pacientes oncológicos sofrem muito com o desenvolvimento de tolerância à morfina. O organismo desenvolve mecanismos para viver com esse efeito, gerando a tolerância e o fármaco, portanto não faz mais efeito. Dessensibilização: curto prazo – também é uma perda ou diminuição da ação do fármaco, mas a hora que o paciente para de usar por um tempo logo já recupera a efetividade. Ex: Bloqueadores neuromusculares (anestésicos). Refratariedade: é quando ocorrem falhas terapêuticas ocasionadas por inúmeras razões como por exemplo polimorfismo genético relacionado à metabolização. EX: Codeína (analgésico opióide) algumas pessoas têm uma resposta ótima a por exemplo 15 mg de codeína, outras não. Por que isso? Pois a codeína tem um efeito analgésico muito fraco, só que é metabolizada em morfina e é isso que faz o efeito. Algumas pessoas, por polimorfismo genético não usam essa rota metabólica, e transforma codeína em norcodeína que não faz efeito. EX2: Inalapril – pacientes com genes da etinia africana tem polimorfismo genético que afeta um determinado gene e o fármaco não tem efeito. Afrodescendentes têm a enzima ECA diferenciada e por isso o inalapril não funciona. ALVOS FARMACOLÓGICOS 1.Receptores Ionotrópicos: são proteínas com canais iônicos, se subst. Se ligarem nos sítios alostéricos a esse canal pode ser que esse canal se abra ou se feche, produzindo respostas diferentes. EX: nas fibras nervosas o GABA é o aminoácido inibitório do sistema nervoso central que controla algumas células para que não fiquem superexcitadas por ação de GLUTAMATO. O GABA tem um local muito específico, quando se liga numa determinada porção do receptor gabaérgico de uma proteína ele promove uma alteração desse canal que se abre e o cloro entra e célula hiperpolariza, a célula então relaxa, não libera neurotransmissores e a pessoa se acalma, dorme. Só que a interação do GABA com o receptor não é perfeita, por isso que medicamentos como por exemplo os benzodiazepínicos são moléculas que quando se ligam ao sítio alostérico (não é o mesmo sítio de ligação do GABA) promove uma mudança na proteína, o GABA continua encaixando perfeitamente em seu sítio ativo portanto a ativação é forte e perfeita, inúmeras moléculas de cloro entram na célula, que hiperpolariza e relaxa. Por isso se diz que o ALVO FARMACOLÓGICO DOS BZN são os receptores ionotrópicos, e quando se ligam ao lado do sítio ativo do GABA, favorecem a ação desse neurotransmissor. CARACT DESSES RECEPTORES: respostas rápidas. 2.Receptores Metabotrópicos: têm uma maior complexidade de resposta. São receptores acoplados à proteína G (subunidades: alfa, beta e gama) e ativam uma cascata de eventos intracelulares, essa cascata pode ser inibitória ou excitatória e isso vai depender do receptor. SEROTONINA -> receptor 5HT2 -> ativa receptor -> ativa proteína G-> cascata de resposta ativa -> ativa adenilatociclase e forma AMP cíclico (2º mensageiro). O evento acontece apenas enquanto o 2º mensg existir. OUTROS 2º MENSG: guanilatociclase (GMP cíclico) e se for fosfolipase (IP3 e W). De acordo com a enzima que a subunidade alfa ativa diferentes 2º mens vão surgir. Enzimas que degradam o 2ºm - fosfodiesterases (1-7) então são alvos interessantes para a ação de medicamentos. EX: Viagra é apenas um vasodilatador que inibe a fosfodiesterase 5 fazendo com que as artérias fiquem dilatadas por mais tempo. ÓXIDO NÍTRICO -> ativa guanilatociclase-> forma GMP cíclico que sequestra o cálcio-> dilata a artéria-> mais sangue-> ereção O tipo de receptor a ser ativado depende da área de ação no cérebro. SEROTONINA -> 5HT1-> ligado à proteína G inibitória-> cascata inibitória. A maioria das proteínas G do nosso corpo são estimulantes. As auto reguladoras e as do SNC são inibitórias. 3.Receptores Nucleares: Estão relacionados com a transcrição gênica normalmente são os hormônios, ou seja, medicamentos cujo fármaco ativo é um hormônio que tem que entrar na célula, se ligar a um transportador e ser levado para dentro do núcleo onde vai promover ou inibir a transcrição do que é desejado naquele momento. São receptores de AÇÃO LENTA, porém são respostas impactantes, principalmente a nível metabólico. 4. Canais Iônicos: direto, sem envolvimento de receptores. EX: anestésicos locais (bloqueadores de canais de sódio). 5.Enzimas: importantes pois normalmente estão mediando a produção de algo que está exagerado no organismo e que, portanto, deve ser diminuído. EX: AAS bloqueia o sítio ativo da enzima. EX2: enzima hidroximetil responsável pela síntese de colesterol. Várias pessoas que tem dislipidemia têm hipercolesterolemia primária porque tem essa enzima com atividade super aumentada. Então o bloqueio dessa enzima deve ser feito para diminuir a produção de colesterol. 6.Moléculas Transportadoras: EX: Fluxetina - bloqueia o transporte de serotonina a ser recaptada. Fármacos podem ser AGONISTAS ou ANTAGONISTAS. Agonistas: ativam o receptor, e podem ser totais se quando ativam o receptor produzem uma resposta máxima daquele receptor (=1), a grande maioria dos fármacos de ação agonista são totais. EX: Salbutamol (asma) molécula que tem que ser parecida com a adrenalina (liga e ativa beta2 e broncodilata). Raros fármacos atuam como agonistas parciais EX: Buspirona (ansiedade) e Veramiclina (Xanpix)usado na terapêutica anti-tabagista. Como funciona? Quando a pessoa fuma a nicotina se liga ao receptor nicotínico que endógenamente é ativado pela Ach, ao fumar é ativado pela nicotina, dando a resposta de prazer etc. Esse fármaco quando administrado também ativa o receptor, mas tem interação fraca. Ao longo do tratamento a quantidade de fármaco disponível no organismo será maior que a quantidade de nicotina, havendo uma competição pelo receptor e a chance da veramicluna se ligar é maior, o prazer diminui, porém, não ocorre abstinência. O processo todo leva cerca de 3 meses. O agonista parcial ativou receptor mas a resposta não foi 100%, o <1 e tem comportamento de antagonista diante do agonista total, pois se o sítio em que a nicotina deviria atuar está sendo ocupado por algo mais fraco significa que está bloqueado para a nicotina, não se pode dizer que o xanpix é um antagonista pois ele está ativando o receptor. EX de questão: A representação gráfica se refere a dois fármacos que quando se ligam ao receptor produzem a ativação ou estímulo desse receptor. PERGUNTAS: 1. Qual o fármaco mais eficaz? 2.Quem é o agonista total e o parcial? Pelo eixo Y (resposta) o mais efetivo é o agonista total. Antagonistas: são aqueles que tem afinidade pelo receptor, entram no sítio ativo mas a resposta não acontece. Eles ocupam aquele espaço por um certo período de tempo. Os antagonistas são bloqueadores (=0 - justamente por ao se ligar no receptor não produzir a resposta). Existem 3 tipos de antagonistas: 1.Antagonista Competitivo Reversível: mais comum de todos; a maioria dos bloqueadores competem com o agonista pelo receptor. EX1: Propanolol e Atenolol para arritmia - antagonista de receptor beta (BB de adrenalina). EX2: Sinvastatina (para reduzir o colesterol). A intensidade da resposta depende da dose do medicamento. Numa competição, se ambos estiverem com concentrações mais ou menos iguais hora é um que se liga hora é outro, mas se aumentar a dose de sinvastatina ela provavelmente vai se ligar mais ao substrato. No entanto é preciso sempre tem um equilíbrio para não haver uma resposta exagerada, por isso todos os tratamentos sempre se iniciam com as menores doses. EX1 de questão: a curva representada em azul refere-se a um fármaco cujo =1 ( ou seja é um agonista total - então a medida que a dose foi aumentada a resposta aumentou). A curva vermelha refere-se a uma avaliação de um determinado fármaco adm em animal em que foi dada uma dose fixa de um fármaco B cujo =0 (ou seja antagonista) e depois de 5 min foi adm o fármaco A (azul) em doses crescentes. Nesse caso a resposta vai aparecer apenas quando o agonistas estiver em maior concentração no organismo que o antagonista, fazendo a resposta desejada. EX2: Paciente em parada cardíaca. O fármaco em azul é a adrenalina (epinefrina) adm em concentrações diferentes, à medida que a concentração é aumentada maior é a FC. Situação em vermelho: primeiramente foi adm propranolol em dose fixa (bloqueia beta1 e diminui a FC pois há muito propranolol competindo com a adrenalina nos receptores cardíacos) ao rato, então mesmo quando pequenas doses de adrenalina são adm, a FC cardíaca não aumenta pois existe uma quantidade muito maior de moléculas de propranolol do que de adrenalina, à medida que a dose de adrenalina é aumentada os a FC começa a subir. Quando se adm um fármaco de =1 junto com um de =0 e no final a resposta foi a mesma (de um agonista sozinho) isso é chamada de Antagonismo competitivo reversível. 2. Antagonismo Competitivo Irreversível: o fármaco se liga no alvo e não desliga mais. A minoria dos fármacos faz isso. EX: AAS se liga de forma irreversível com a COX1, o efeito deixa de existir quando a plaqueta for destruída. Sempre que houver um bloqueio competitivo irreversível JAMAIS a eficácia máxima será atingida novamente, independente da dose do agonista, e quanto maior a dose do bloqueador menor é a resposta. 3.Antagonista Não Competitivo: não há disputa pelo receptor. Que informação deverá ter no enunciado para diferenciar de um gráfico de antagonista competitivo reversível? PARA SER COMPETITIVO TEM QUE DISPUTAR O MESMO SÍTIO. EX: Anlodipidino (BCC) - O vaso não contrai mesmo na presença de adrenalina. A molécula de adrenalina continua se ligando ao seu receptor alfa 1, mas a resposta não acontece porque o canal de cálcio está bloqueado e não há entrada desse íon para dentro da célula Salbutamol-> receptores beta2-> ativa prot. G->ativa adenilato ciclase->AMP cíclico-> efeito celular. Se qualquer medicamento for adm bloquear a conversão da enzima em AMP cíclico ou que promova a destruição dele. O bloqueio não é competitivo pois o outro fármaco não está disputando o mesmo receptor, mas sim impedindo sua ação. Se o antagonismo é não competitivo não importa a dose do medicamento, pois não há competição. A resposta nunca chega a 100%. SE ELE FOR APENAS COMPETITIVO REVERSÍVEL, A CURVA DO GRÁFICO DESLOCA PARA A DIRETA. Análise de Potência e Eficácia: Potência: relacionada com a dose. É considerado potente um fármaco que com uma pequena dose já realiza a ação máxima esperada. Não se pode comprara doses de fármacos diferentes e de classes diferentes. Eficácia: relacionada com a resposta. Clonazepam produz a sedação em uma dose de 0,5 mg, já o diazepam produz o efeito com uma dose de 5mg, ou seja, o clonazepam é mais POTENTE, mas ambos têm a mesma EFICÁCIA. Fase subclínica ou pré-clínica: Sempre que um medicamento é estudado para ser liberado no mercado, serão feitos testes em animais primeiramente Testes clínicos: realizados em humanos. Fase1: São recrutadas pessoas saudáveis. Todos tomam o medicamento, não há placebo. Serão reportados dados para a farmacocinética, posologia e efeitos indesejáveis. Curta. Fase2: Recruta doentes, mas que tenham APENAS a doença alvo do fármaco. Estudo randomizado duplo cego (nem o pesquisador ou o paciente sabem o que cada um está tomando) nessa fase deve ter o placebo obrigatoriamente. Fase3: Parte mais longa e mais cara, muitos pacientes. Nessa fase deve ser avaliado: diferentes polimorfismos genéticos, hábitos, etc. Ou seja, os testes serão realizados em diversos locais para avaliação da eficácia do fármaco. Fase4: conhecida como fármaco vigilância. Representante da indústria apresenta o medicamento para os médicos. A medida que o paciente retorna com queixas sobre o medicamento e ANVISA deve ser reportada. Prováveis problemas devido ao uso contínuo podem surgir. Para estar no mercado o medicamento deve ter o seguinte gráfico: Uma mesma dose para a maioria da população, o fármaco foi efetivo. EX: codeína - maioria transforma em morfina, mas uma parte transforma em norcodeína que não tem efeito nenhum. Fármacos com baixa margem de segurança podem ter interações medicamentosas relevantes. A interação pode ser farmacocinética ou farmacodinâmica. Sinérgico ou Antagônica. EX: Sinvastatina é um medicamento de baixa margem de segurança (faz quebra de proteína muscular podendo levar à falência renal).