Logo Passei Direto
Buscar

Resumo de Farmacologia - Medusão de Farmacologia

Resumo de Farmacologia dividido por professor (partes referentes a Karina, Válter etc.) com anotações baseadas nas aulas. Aborda farmacologia geral, absorção, farmacocinética, farmacodinâmica, SNA, colinérgicos/adrenérgicos, TGI, dislipidemia, HAS, IC, prescrição, abuso de drogas, álcool, terapias antitrombóticas e anestésicos.

User badge image
resumosmedusa

em

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

~ 
 
E aí pessoal, tudo bem? 
Vamos às considerações sobre o Resumo de Farmacologia: 
 
1. Diferentemente das outras disciplinas do 5º período que têm vários 
professores (como Microbio, Imuno, Parasito, etc.), a Farmaco não divide 
os módulos entre os professores de maneira cronológica. Com isso, os 
professores não esperam que o outro dê todo o seu conteúdo para que o 
próximo comece o seu, de modo que muitas vezes vocês terão aulas de 
diferentes professores sobre diferentes assuntos na mesma semana (ex.: 
ao invés de a Karina dar todo o módulo dela para que depois outro 
professor comece, pode ser que em uma mesma semana vocês tenham 
uma aula da Karina sobre SNA na Segunda-feira, uma do Válter sobre 
abuso de drogas na Terça-feira, e uma da Patrícia sobre Sedativos e 
Hipnóticos na Quarta-feira). Considerando isso, achei melhor dividir o 
resumo em 4 partes, sendo que cada parte corresponde às aulas 
ministradas por cada professor. Acho que dessa forma pode facilitar para 
vocês encontrarem cada uma das aulas. 
 
2. Como o resumo está dividido de acordo com as aulas que cada 
professor costuma dar, se eles resolverem inverter algum tema, pode ser 
que as aulas de um estejam na parte de outro. Se atentem em relação a 
isso. 
 
3. Todas as aulas foram feitas de maneira bastante fiel às aulas. 
Entretanto, eu não consegui acompanhar muito bem as aulas do Válter a 
partir da aula 3, e por isso os resumos 3-8 da parte dele foram feitos 
baseados nas aulas do Sanarflix e no Katzung (e devido a isso, muitas 
vezes não estão semelhantes às aulas). 
 
Um beijo e bons estudos para vocês ♥ 
Medusa 
 
Sumário 
AULAS DA PROFESSORA KARINA .............................................. 1 
FARMACOLOGIA GERAL ............................................................................................................ 2 
ABSORÇÃO............................................................................................................................... 12 
FARMACOCINÉTICA – ELIMINAÇÃO ........................................................................................ 25 
ELIMINAÇÃO RENAL ................................................................................................................ 38 
FARMACODINÂMICA ............................................................................................................... 45 
SNA – REVISÃO FISIOLOGIA ..................................................................................................... 65 
FARMACOLOGIA COLINÉRGICA ............................................................................................... 78 
AGONISTAS COLINÉRGICOS OU COLINOMIMÉTICOS .............................................................. 83 
ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS OU ANTICOLINÉRGICOS ....................................................... 94 
FARMACOLOGIA ADRENÉRGICA ........................................................................................... 104 
AGONISTAS ADRENÉRGICOS OU SIMPATICOMIMÉTICOS..................................................... 117 
ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS OU SIMPATICOLÍTICOS ..................................................... 128 
FARMACOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO .......................................................................... 133 
PRINCIPAIS MECANISMOS DE FÁRMACOS DO TGI ............................................................... 141 
INTRODUÇÃO - DISLIPIDEMIA ............................................................................................... 153 
CLASSIFICAÇÃO DAS DISLIPIDEMIAS ..................................................................................... 164 
FÁRMACOS UTILIZADOS NAS DISLIPIDEMIAS - CONTINUAÇÃO ............................................ 176 
INTRODUÇÃO – HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA ........................................................... 187 
TRATAMENTO DA HAS .......................................................................................................... 196 
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA ..................................................................................................... 217 
AULAS DO PROFESSOR VALTER ............................................ 233 
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO ..................................................................................................... 234 
PRESCRIÇÃO MÉDICA ............................................................................................................ 241 
ABUSO DE DROGAS – USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS ................................................. 251 
ÁLCOOL ETÍLICO .................................................................................................................... 278 
TERAPIAS ANTITROMBÓTICAS .............................................................................................. 286 
ANESTÉSICOS ......................................................................................................................... 311 
GLICOCORTICOIDES ............................................................................................................... 327 
DIURÉTICOS ........................................................................................................................... 336 
AULAS DA PROFESSORA PATRÍCIA ........................................ 347 
FORMAS FARMACÊUTICAS E DESENVOLVIMENTO DE FÁRMACOS ...................................... 348 
INTRODUÇÃO À FARMACOLOGIA DO SISTEMA NERVOSO ................................................... 358 
file:///C:/Users/josej/Downloads/Medusão%20de%20Farmacologia%20(GRANDE).docx%23_Toc78212478
file:///C:/Users/josej/Downloads/Medusão%20de%20Farmacologia%20(GRANDE).docx%23_Toc78212499
file:///C:/Users/josej/Downloads/Medusão%20de%20Farmacologia%20(GRANDE).docx%23_Toc78212508
SEDATIVOS-HIPNÓTICOS ....................................................................................................... 375 
DEPRESSÃO E ANTIDEPRESSIVOS .......................................................................................... 380 
DOENÇA DE PARKINSON ....................................................................................................... 399 
ANTIPSICÓTICOS .................................................................................................................... 417 
AULAS DA PROFESSORA RAÍSSA ........................................... 434 
FARMACOLOGIA DA INFLAMAÇÃO – RESPOSTA INFLAMATÓRIA LOCAL ............................. 435 
ANTI-HISTAMÍNICOS ............................................................................................................. 451 
INFLAMAÇÃO SISTÊMICA ...................................................................................................... 467 
AINEs ..................................................................................................................................... 489 
ARTRITE REUMATOIDE E GOTA ............................................................................................. 503 
ASMA ..................................................................................................................................... 514 
IMUNOSSUPRESSÃO.............................................................................................................. 534 
MEDIADORES LIPÍDICOS PRÓ-RESOLUÇÃO ........................................................................... 550 
FARMACOLOGIA E TERAPÊUTICA DAS VITAMINAS ............................................................... 561 
FARMACOLOGIA DO SISTEMA ENDÓCRINO – DIABETES MELLITUS E INSULINAS ................ 587 
ANTIDIABÉTICOS ORAIS/ ANTI-HIPERGLICEMIANTES ........................................................... 608 
DIABETES INSIPIDUS .............................................................................................................. 630 
PRINCÍPIOS BÁSICOS DA ANTIBIOTICOTERAPIA .................................................................... 645 
INIBIDORESDE PAREDE CELULAR ......................................................................................... 664 
INIBIDORES DE REPLICAÇÃO E DE TRADUÇÃO ...................................................................... 680 
file:///C:/Users/josej/Downloads/Medusão%20de%20Farmacologia%20(GRANDE).docx%23_Toc78212515
1 
 
 
AULAS DA PROFESSORA KARINA 
2 
 
FARMACOLOGIA GERAL 
Medusa – 86 
A fármaco(droga)logia(estudo) consiste no estudo de substâncias 
químicas que interagem com organismos vivos e provocam alterações no 
organismo. A toxicologia é uma ciência que estuda as drogas que causam 
efeitos tóxicos (não farmacológicos) no organismo. 
Droga: Toda substância externa que provoca alterações fisiológicas. Pode ser 
terapêutica ou induzir a uma doença (ex.: uso exacerbado de anfetaminas pode 
causar depressão em períodos de abstinência). 
Fármaco: É uma substância utilizada para fins terapêuticos, curativos, 
preventivos ou de diagnóstico. 
 
Medicamento: Produto farmacêutico acabado com uma ou mais substâncias 
químicas (princípios ativos), utilizado com uma finalidade definida. 
Remédio: Tudo o que é utilizado para cura ou tratamento de uma doença (ex.: 
acupuntura, massagem, conversas, etc.). 
 
Dose: Quantidade de fármaco por kg corpóreo 
OBS: Medicina Alternativa – Plantas Medicinais 
• Medicamento fitoterápico: possui tantos testes quanto os medicamentos 
tradicionais (medicina alopática). A indústria garante a eficácia do produto. 
• Produto tradicional fitoterápico: a sua produção não possui tantos testes 
quanto os medicamentos tradicionais, mas já é usado há mais de 30 anos pela 
população com uma determinada finalidade. A única obrigação da indústria, 
neste caso, é garantir que está presente uma determinada concentração do 
composto no remédio. 
• Chá: Não há dosagem da substância 
3 
 
FARMACOCINÉTICA 
 A farmacocinética é definida como a atividade que o organismo exerce 
sobre a droga, em quanto tempo age e em que quantidade. Enquanto isso, a 
farmacodinâmica consiste na atividade que o fármaco exerce sobre o organismo. 
 
A dose administrada deve ir para a corrente sanguínea, sendo então 
distribuída e chegando ao sítio de ação. Depois, deve retornar à corrente 
sanguínea para ser excretada (estas etapas da movimentação do fármaco 
correspondem à farmacocinética). Após chegar em seu sítio de ação, o fármaco 
passará a exercer seu efeito e provocar uma resposta clínica (sendo esta ação 
ativa do fármaco, a farmacodinâmica) 
 
4 
 
O estudo da farmacologia é importante para: 
• Se saber qual a posologia adequada do remédio, para saber-se quanto 
da droga chegará no alvo de ação e quanto tempo a droga permanecerá 
no organismo antes de ser excretada 
• Realizar reajuste posológico em situações especiais em função da 
resposta clínica (ex.: saber adaptar a posologia para um paciente com 
uma insuficiência renal) 
• Realizar pesquisas de novos medicamentos 
• Aumentar o sucesso terapêutico e diminuir o risco de efeitos adversos 
A farmacocinética é dividida em etapas concomitantes (ADME): 
Absorção, Distribuição, Metabolização e Eliminação. 
 
 
 
5 
 
ABSORÇÃO 
 Consiste na passagem do fármaco do local de administração para a 
corrente sanguínea. Como a administração de um medicamento pode ocorrer 
por diferentes vias (1ª aula do Valter), a absorção de um fármaco pode possuir 
variações. 
As diferentes velocidades de absorção são influenciadas pela via de 
administração: influencia na velocidade, na % de absorção do fármaco e na 
biodisponibilidade. 
É também influenciada pelo local de absorção. Os vários locais de 
absorção do fármaco também proporcionam diferentes velocidades de absorção. 
Quanto mais rápida a absorção, mais facilmente se alcança a concentração 
necessária do fármaco no sítio de ação. Dentre os principais locais onde o 
medicamento pode ser absorvido, estão: 
• Trato respiratório 
• TGI 
• Trato geniturinário 
• Pele 
• Regiões subcutânea (SC) e intramuscular (IM) 
• Medula óssea 
• Peritônio 
• Mucosa conjuntival 
Para que ocorra a absorção, é necessário que o fármaco passe pelas 
membranas celulares. A membrana celular é constituída por uma bicamada 
lipídica com proteínas inseridas, sendo que, por estas, são transportados 
fármacos, neurotransmissores, íons, além de servirem para ação de alguns 
determinados fármacos. Substâncias lipossolúveis atravessam facilmente a 
bicamada lipídica, bem como pequenas moléculas (gases, pequenas 
substâncias hidrofóbicas, pequenas moléculas apolares e pequenas moléculas 
polares). Todavia, moléculas grandes (mesmo as apolares) ou com carga iônica 
possuem uma maior dificuldade de passagem pela bicamada, necessitando de 
transportadores. A maioria dos fármacos é absorvida por difusão (transporte 
passivo). 
 
6 
 
Pequenas moléculas hidrofílicas podem passar por canais aquosos. 
Todavia, grandes moléculas hidrofílicas entram no interior da célula por meio da 
difusão facilitada. Neste processo, a proteína da membrana envolve a 
substância de interesse, criando um complexo lipossolúvel com esta e 
atravessando a membrana. Para que isto ocorra, é necessário que: 
• A substância a ser transportada possua afinidade com a proteína 
• Não ocorra a saturação do transportador (o que causaria uma limitação 
na velocidade de absorção) 
 
Existe a possibilidade de diferentes fármacos competirem pela mesma 
proteína. Neste caso, será transportado o fármaco que possuir maior afinidade 
com a proteína. 
Os fármacos também podem ser transportados contra o gradiente de 
concentração, por meio do transporte ativo. No transporte ativo, também pode 
ocorrer saturação do transportador e a proteína transportadora também escolhe 
transportar o fármaco com que mais tem afinidade (em caso de haver mais do 
que um presente). 
Nos casos de grandes moléculas, o fármaco pode ser endocitado e 
trazido para o interior da célula. Pode também ocorrer a pinocitose (com 
pequenas partículas), e na maioria destes casos grande parte do fármaco está 
solubilizado. A endocitose e exocitose são processos importantes na liberação 
de neurotransmissores e na endocitose de receptores de fármacos. 
 
7 
 
 Para ser facilmente absorvido, o fármaco deve estar em sua forma não 
ionizada. Grande parte dos fármacos fica em sua forma ionizada no organismo, 
o que auxilia com que o fármaco atue em um local específico (não seja absorvido 
até chegar no seu destino). 
 
Principais fatores interferentes na velocidade de absorção: 
Químicos: 
1. Natureza química (forma farmacêutica) 
A forma farmacêutica é a forma que o medicamento está ao ser administrado 
(ex.: sólida, líquida, semissólida, etc.). A diferença entre um comprimido e uma 
cápsula está na forma de liberar o fármaco da forma farmacêutica: enquanto o 
comprimido consiste em um pó comprimido (que, quanto mais comprimido, 
mais lentamente libera o fármaco no organismo), a cápsula consiste em um 
revestimento que se dissolve no estômago e libera o princípio ativo em forma de 
pó contido em seu interior. 
O comprimido desintegra-se em grânulos, os quais são desintegrados em 
pequenas partículas. As pequenas partículas podem ser melhor dissolvidas, 
deixando o fármaco em solução e, assim, ele pode ser absorvido. 
 
 Amassar comprimidos antes de ingeri-los nem sempre é algo que auxiliará 
em um efeito mais rápido. Por vezes, amassar o fármaco pode fazer com que 
ele seja absorvido mais rapidamente e, com isso, atinja o pico de toxicidade 
rapidamente. Além disso, se o comprimido possuir um revestimento 
gastroresistente, ele perde esta capacidade ao ser triturado. 
 Por vezes, realizar a medicação na forma de comprimidos garante que o 
fármaco seja absorvido mais lentamente e eliminado mais lentamente do que 
nas outras vias, fazendo com que o efeito no organismo seja prolongado. 
 Tablet revestido é uma forma farmacêutica gastroresistente que possui 
umacobertura que será dissolvida apenas no intestino. Os fármacos também 
8 
 
podem ser administrado na forma de solução, a qual não possui a necessidade 
de ser desintegrada, apenas dissolvida. 
OBS: não confundir forma farmacêutica (comprimido, capsula, tablet revestido, 
etc) com via de administração (oral, subcutânea, intravenosa, etc.) 
 
 A absorção de medicamentos administrados por via oral normalmente 
ocorre em nível intestinal, visto que o intestino possui maior variação de pH, 
maior tempo de permanência do alimento e maior área de absorção 
2. Peso molecular (tamanho da molécula) 
Caso a molécula seja muito grande, o seu transporte para dentro da célula é 
realizado por proteínas que possuam afinidade com o fármaco. 
3. Grau de solubilidade 
Nem todo fármaco é solúvel e estável. Devido a isso, por vezes ele pode ser 
alterado pela indústria farmacêutica para que alcance esse objetivo. O princípio 
ativo do medicamento pode estar ou não na forma de sal, podendo haver 
também aglutinantes, espessantes, açúcares, corantes, etc. Todos estes são 
excipientes que não possuem efeito no organismo (são inertes, mas estão ali 
para auxiliar que o princípio ativo tenha efeito). 
9 
 
Também deve-se atentar se as enzimas digestivas não vão digerir o princípio 
ativo do medicamento. Para isso, pode ser necessária a presença de uma 
película gastro-resistente. 
4. pH e grau de ionização 
Os fármacos são geralmente ácidos fracos ou bases fracas (os quais se 
dissociam parcialmente; ácidos e bases fortes são aqueles que se dissociam 
100%). 
O pKA consiste em uma constante de dissociação da molécula. É o pH no 
qual onde 50% do fármaco está em sua forma ionizada (I) e 50% na forma não 
ionizada (NI). A forma que atravessa as membranas plasmáticas é a forma não 
ionizada. 
Durante o TGI, há proporções diferentes entre a forma I e a NI, o que ocorre 
devido à variação de pH que ocorre no tubo digestório e também porque o 
medicamento vai sendo progressivamente absorvido (reduzindo a forma NI) 
Se o fármaco está fora de seu pKA, prevalece uma das formas (I ou NI): 
• Se o fármaco é um ácido fraco: se está em um pH inferior a seu pKA, o 
ácido HA fica predominante em sua forma não ionizada HA (não precisa 
liberar seu H+ pois já há muitos circulantes) 
 
• Se o fármaco é uma base fraca: se está em um pH superior a seu pKA, a 
base B fica predominantemente em sua forma não ionizada B (e não BH+, 
visto que há poucos H+ para receber os do meio) 
 
 A ingestão de antiácidos pode causar uma maior ou menor excreção de 
algum medicamento. Se for objetivada uma maior excreção, deve-se manter o 
medicamento em sua forma ionizada (para que assim ele não consiga ser 
absorvido, já que a forma absorvida é a não ionizada). Devido a isso, para se 
realizar uma maior excreção de um medicamento ácido, deve-se alcalinizar a 
urina do paciente com bicarbonato de sódio (para que assim a forma 
predominante seja a ionizada – linha azul). O contrário acontece ao se comparar 
a ingestão de aspirina (pKA ácido) e de aspirina C (com vitamina C): a vitamina 
C (ácido ascórbico) acidifica a urina, fazendo com que o fármaco ácido (pKA) 
10 
 
fique em sua forma não ionizada, sendo assim reabsorvido e permanecendo 
mais tempo no organismo. 
 Os diferentes pHs encontrados no sistema digestório fazem com que os 
diferentes fármacos sejam absorvidos em locais distintos (sendo o intestino o 
sítio de maior absorção). Há também a influência da solubilidade, do tempo de 
contato do órgão com o fármaco e também da quantidade da irrigação do local: 
 
 Apesar de ter influencia na absorção do medicamento, o pH não deve ser 
modulado visando uma melhor absorção. Para isso, deve-se escolher uma via 
que possibilite uma maior % de absorção do fármaco. A via de administração 
está relacionada com a área e com a velocidade de absorção do medicamento. 
 
Fisiológicos: 
1. Motilidade gástrica e intestinal 
Se o trânsito do esvaziamento gástrico for mais acelerado, o medicamento 
chega mais rapidamente no intestino e é melhor absorvido. Há alguns fármacos 
que aceleram e outros que desaceleram o esvaziamento gástrico. Alimentos 
líquidos exercem uma maior pressão na parede do estômago, favorecendo o 
esvaziamento gástrico. Enquanto isso, alimentos sólidos e gordurosos dificultam 
o esvaziamento gástrico. 
Como a grande maioria dos medicamentos é absorvida no intestino delgado, 
um menor trânsito intestinal faz com que o alimento permaneça durante mais 
tempo no intestino, ocasionando uma maior absorção. Um trânsito intestinal 
aumentado, portanto, causa uma menor absorção (que é o que ocorre, por 
exemplo, durante uma diarreia). 
 
2. Presença de alimento no estômago 
Enquanto os alimentos líquidos favorecem o esvaziamento gástrico (e com 
isso favorecem a absorção, já que o fármaco chegará mais facilmente ao 
intestino), alimentos sólidos e gordurosos retardam o esvaziamento. 
 
 
11 
 
3. Fluxo sanguíneo 
Quanto maior o fluxo sanguíneo, maior a absorção (o fármaco passa mais 
rápido do meio mais concentrado (luz intestinal) para o menos concentrado 
(sangue)). Massagens aumentam o fluxo sanguíneo, podendo ajudar a 
absorção. 
4. pH no sítio de absorção 
Determinados fármacos são projetados para que sejam absorvidos em um 
local ou em outro, dependendo do pH da região. 
 
 
Há medicamentos para determinada finalidade (ex.: alguns para retocolite 
ulcerativa) que são parcialmente degradados por bactérias do cólon para agir 
especificamente lá (elas quebram uma ligação do fármaco e assim ele é 
absorvido). 
 
 
Efeito Local x Efeito Sistêmico 
Efeito Local: Não é absorvido e não entra na corrente sanguínea, agindo apenas 
no local (ex.: antiácido para queimação estomacal – o paciente engole o 
medicamento, que não é absorvido e então é eliminado nas fezes). 
Efeito Sistêmico: É absorvido, caindo na corrente sanguínea e afetando então 
diversos tecidos 
12 
 
ABSORÇÃO 
Medusa – 86 
(continuação da aula anterior) 
Os fatores interferentes podem interferir na velocidade e na quantidade 
de absorção do fármaco. 
Pacientes que possuem doenças que ocasionem alteração do fluxo 
sanguíneo (acamados, choque, IC) possuem defasagens na absorção. 
 
Efeito de primeira passagem 
É a perda do fármaco antes da chegada na circulação sistêmica. Neste 
processo, o fígado é um órgão importante. Como a via oral é a mais comumente 
utilizada, o fígado normalmente faz parte do trajeto do fármaco: do intestino, o 
fármaco vai para a circulação portal, indo ao fígado e depois para a circulação 
sistêmica. 
 
Além disso, pode haver perda da droga ativa sem ser via sistema 
hepático: se as enzimas digestivas degradam o medicamento (ex.: omeoprazol, 
que tem que ser gastroresistente para não ser degradado). Na via endovenosa, 
não há perdas da droga ativa, visto que ela já está na corrente sanguínea e não 
precisa ser absorvida. 
 
Biodisponibilidade 
É a quantidade de fármaco que chega intacto na circulação sistêmica, 
após a degradação local (se houver). O fármaco ingerido pela via oral nunca é 
13 
 
100% biodisponível, já que chega primeiro no sistema porta-hepático, sendo 
parte degradado e parte liberado para seguir na corrente sanguínea. 
A biodisponibilidade é medida pela relação entre a quantidade de fármaco 
que estaria presente na corrente sanguínea se fosse administrado pela via 
endovenosa (quando 100% da droga está na corrente sanguínea) e a 
disponibilidade dos fármacos ao se administrar por outra via (quantos % chega 
na corrente sanguínea por esta via). A que mais se aproxima da endovenosa é 
a sublingual (após passar pela mucosa, já cai na corrente sanguínea, possuindo 
uma biodisponibilidade próxima de 100%) 
 
 
• A administração por via IM pode doer porque demora para o musculo (que 
tem muita agua) absorver o medicamento lipossolúvel. 
14 
 
• Apesar da transdérmica não ter efeitode primeira passagem, não é 100% 
por outros motivos. 
Cálculo da biodisponibilidade: é mensurada por meio de um gráfico da 
quantidade do fármaco no organismo pelo tempo. Mede-se quanto tempo após 
a ingestão é necessário para chegar na concentração máxima (tmax e Cmax) e 
quanto tempo ele leva para ser eliminado. O cálculo da biodisponibilidade 
acontece através da área sob a curva explicada anteriormente, comparando as 
suas características na via ministrada e na via intravenosa (na qual se há certeza 
de que tudo foi biodisponibilizado). 
 
Bioequivalência 
Este cálculo é importante para testar a efetividade de medicamentos 
genéricos ou similares. Genéricos e similares possuem a mesma concentração 
e princípio ativo que o medicamento de referência (“originador”, que possui a 
patente de sua fabricação), mas podem possuir variações. 
Para se estudar a bioequivalência entre os medicamentos, deve-se levar 
em consideração três variáveis do gráfico da biodisponibilidade: a área sob a 
curva, a concentração máxima e o tempo máximo. Além disso, o 
medicamento deve possuir o mesmo princípio ativo que o de referência. 
15 
 
 
Um medicamento bioequivalente é aquele que possui o mesmo princípio 
ativo que o de referência, a área sob a curva semelhante em 80 a 125% da área 
do medicamento de referência, bem como a cmax semelhante e o tmax 
semelhante em 80 a 125% do medicamento de referência. 
 
O medicamento genérico consiste em um medicamento que deve ser 
bioequivalente ao medicamento de referência. O medicamento similar, 
entretanto, pode possuir algumas diferenças, não possuindo por vezes o tmax, 
a cmax ou a área sob a curva semelhantes ao de referência. Há na lista na 
ANVISA quais medicamentos similares são bioequivalentes e passam pelos 
mesmos testes que o de referência – mas nem todos os similares passaram por 
todos os testes como o de referência. 
Se o medicamento similar estiver na lista da ANVISA, pode-se trocar um 
de referencia por um similar. É permitida a troca de um de referência por um 
genérico. Todavia, não se pode trocar de um medicamento genérico para um 
similar e nem de um similar para outro similar. 
16 
 
 
Faixa de ação terapêutica: É uma faixa presente no gráfico da biodisponibilidade 
que mostra um intervalo entre uma concentração efetiva mínima e uma 
concentração máxima tolerada. A concentração plasmática deve estar dentro da 
faixa para que o fármaco tenha o efeito desejado. 
 
Se o medicamento estiver na faixa, tiver a mesma área sob a curva, mas 
não ter a cmax no tmax como descrito anteriormente, NÃO É BIOEQUIVALENTE 
– o medicamento fará efeito no paciente (podendo ser similar), mas não será 
bioequivalente. 
17 
 
 
 
 
Todavia, isso depende do fármaco, pois altas doses podem alcançar a 
concentração de intoxicação. Isto ocorre se a dose for superior à capacidade de 
eliminação (ultrapassa a cmáx tolerada). Deve-se trabalhar preferencialmente 
com fármacos que não fiquem tão próximos da cmax tolerada, pois a 
proximidade dela faz com que, se ocorrer qualquer problema na excreção do 
fármaco, seja alcançada uma concentração de intoxicação. 
18 
 
 
Ao atingir a cmax tolerada, há efeitos colaterais indesejáveis não 
toleráveis (ex.: uso de antineoplásicos – ultrapassa, por isso tem efeitos como 
quedas de plaqueta e imunossupressão, mas a dose acaba sendo necessária 
para evitar a morte do paciente pelo CA). Os efeitos colaterais que estão abaixo 
da cmax são os toleráveis (ex.: constipação devido ao uso de buscopan). 
 
19 
 
FARMACOCINÉTICA – DISTRIBUIÇÃO 
 Ao chegar na corrente sanguínea, o fármaco em seguida será distribuído 
para todo o organismo. Distribuição é o transporte reversível e dinâmico do 
fármaco absorvido para os diversos compartimentos do organismo. A 
distribuição vai do sangue para o tecido e do tecido para o sangue (para ser 
excretada) – por isso é um processo dinâmico e reversível. 
 
Do peso total de um ser humano, 60% é água. Desta água, 20% está no 
liquido extracelular, sendo 14% no interstício, 4% no plasma e 2% nos outros 
locais. O compartimento central do organismo é o plasma (é ele quem está no 
centro e distribui substâncias para os outros tecidos do organismo). O 
compartimento periférico são os outros tecidos do organismo. Há 
aproximadamente 4 litros de plasma em uma pessoa de 70 kg. 
 
20 
 
Como o sangue do plasma tem que ir para os tecidos novamente, é 
necessário que sejam tomadas todas as considerações acerca da passagem por 
membranas. Quando o fármaco chega na corrente sanguínea, parte do fármaco 
fica livre e parte fica na sua forma ligada à albumina ou à alfa-1-glicoproteína 
ácida. O fármaco na forma ligada é chamado de fármaco inerte (não consegue 
sair do vaso porque ficou muito grande – funciona como uma reserva da 
substância). 
FATORES INTERFERENTES NA DISTRIBUIÇÃO: 
1. Fluxo sanguíneo 
2. Taxa de perfusão 
3. Permeabilidade através da membrana 
a. Peso molecular 
i. Ex.: Ao se ligar com a albumina, não consegue atravessar a 
parede do vaso 
b. Coeficiente de partição óleo-água 
i. É necessário que o fármaco possua hidrossolubilidade para 
se dissolver no líquido intersticial e características 
lipossolúveis para atravessar as membranas – se é muito 
lipo, atravessa a membrana, mas não o interstício (a não ser 
que tenha um transporte que não a difusão passiva). 
c. pH e grau de ionização 
i. O ph intracelular e extracelular são diferentes: isso faz com 
que a ionização vá variando conforme o fármaco vai 
passando pelos locais. Pode acontecer o aprisionamento de 
um fármaco em determinado compartimento (se ele ficar 
muito ionizado no local, é difícil de sair de lá). 
4. Ligação dentro do compartimento (organotropismo) 
a. Alguns fármacos ficam concentrados em determinados 
órgãos/tecidos 
5. Ligação a proteínas plasmaticas 
6. Volume de distribuição 
 
1. FLUXO SANGUÍNEO 
O fluxo sanguíneo está diretamente relacionado à velocidade de distribuição: 
se aumenta-se o fluxo, aumenta-se a distribuição (assim como a absorção). Há 
alguns órgãos que são mais perfundidos (como os rins, fígado, pulmão, coração 
e cérebro – mas este tem a barreira hematoencefálica). As menores perfusões 
estão na pele, músculo em repouso e no tecido adiposo. 
Barreira hematoencefálica: nela, há zonas de oclusão (células estão 
extremamente unidas), dificultando a passagem do fármaco. É formada pela 
estrutura capilar: seu endotélio de células muito juntas e sua membrana basal. 
Um fármaco ionizado não é capaz de passar por ela, um lipossolúvel é capaz e 
os mediados por transportadores também. Se a proteína responsável pelo 
transporte do fármaco para fora do capilar se esgotar, ou houver alguma 
21 
 
substancia que compete com o fármaco em sua ligação, podem haver falhas no 
transporte (não transportar ou transportar errado). Como o espaço para 
passagem é muito pequeno, apenas a forma livre consegue passar (a inerte é 
muito grande). 
O mesmo ocorre na membrana placentária (também há seletividade dos 
fármacos) e na zona de gatilho quimiorreceptora. A zona de gatilho 
quimiorreceptora é uma região no SNC anterior à chegada ao centro do vômito; 
ela apresenta uma falha da barreira hematoencefálica – há fármacos que não 
atravessam a barreira, mas atuam no SNC (nesta zona). Nesta zona, há 
receptores dopaminérgicos, os quais também estão presentes em outras áreas: 
área nigroestriatal e área mesolímbica e mesocortical. Devido a isso, se for 
ministrado um fármaco que se liga a um receptor dopaminérgico, ele se ligará às 
3 áreas, agindo nas 3. Ex.: Se é ministrado um fármaco para Parkinson para agir 
na área nigroestriatal, o medicamento pode causar vômitos também. Isto pode 
ser controlado ao se ministrar medicamentos antihemeticos que não passam 
pela barreira hematoencefálica, porque assim vão passar apenas pela falha e 
agir só na zona de gatilho. 
Alguns antimicrobianose antifúngicos não atravessam a barreira 
hematoencefálica em pacientes saudáveis, mas em algumas doenças 
conseguem atravessar (como em meningites). Durante o processo infeccioso, 
há a passagem de células de defesa pela parede dos vasos, deixando frestas 
pelas quais o fármaco passa. No gráfico, é possível observar que a concentração 
do fármaco em pacientes com meningite é semelhante à encontrada no sangue, 
mostrando que o medicamento é capaz de atravessar a barreira. 
 
Forma livre e forma ligada 
22 
 
A quantidade que vai estar na forma ligada depende da característica do 
fármaco e da afinidade que ele possui com as proteínas plasmáticas. Se for 
ligado 90% ou mais com a proteína plasmática, é considerado um fármaco de 
ligação forte. Quando esta ligação é inferior a 90%, se considera que o fármaco 
se liga fracamente às proteínas plasmáticas. 
Exemplo (supondo um fármaco com ligação forte): como a parte livre é a 
parte distribuída, após ela entrar no tecido, os 90% que ficaram ligados e não 
entraram no tecido agora mudam o equilíbrio para que esteja 10% livre e 90% 
ligado novamente – por isso a parte ligada é chamada de reserva. Isso é 
importante pois a parte que será metabolizada no fígado e excretada é a parte 
livre. Quanto mais fortemente ligada, mais tempo demora para a droga ser 
distribuída e metabolizada. 
 
O ph dos fármacos interfere na afinidade com a albumina. Se houver 2 
fármacos com afinidade com a albumina, mas um deles tiver mais afinidade, o 
outro será “deslocado” e ficará livre, sendo mais facilmente absorvido. Este fator 
pode causar um efeito tóxico se o fármaco que ficar livre possuir uma pequena 
janela terapêutica (que é a diferença entre a concentração mínima efetiva e a 
concentração máxima tolerada) e ele for fortemente ligado às proteínas. 
Exemplo: 
 
 
 
 
Fatores que interferem na relação de o fármaco estar livre ou ligado 
23 
 
• Saturação proteica: raramente acontece, pois a quantidade de fármaco 
tem que ser muito alta para acabar com a albumina. Apenas ocorre em 
casos de hipoalbuminemia, como na síndrome nefrótica, em intensas 
proteinúrias, na cirrose, no CA, em queimaduras, em desnutrição, etc. 
• Concentração de proteínas plasmáticas em situações patológicas (como 
na síndrome nefrótica mencionada acima) 
• Interações farmacológicas (ex.: acido acetilsalicílico acetila um 
aminoácido da albumina, de modo que ela muda sua estrutura e fica mais 
difícil de outros fármacos ligarem). 
Volume aparente de distribuição 
Consiste na quantidade de fármaco que não está presente na corrente 
sanguínea, mas sim distribuída nos tecidos. Avalia a extensão da distribuição do 
fármaco além do plasma (nos tecidos) – não é possível saber em que tecido 
está, mas sim que não está no plasma. Isso é importante para a determinação 
da dose e da posologia (se ele está muito no tecido, tem muita forma livre – se 
tem muita forma livre, pode ser muito excretado: o que é importante para o 
estabelecimento da faixa de ação terapêutica). 
É entendido como o volume necessário para conter a quantidade total do 
fármaco no organismo na mesma concentração presente no plasma (o tanto 
dissolvido nos tecidos tem que ser igual ao do plasma). É calculado se dividindo 
a dose no tecido (em mg) pelo tanto de fármaco que está no plasma. 
 
Exemplo: Se a concentração do plasma é 5 mg/l, e dentro do tecido há 20g, ele 
tem que estar em 4l (20/5 = 4). Quanto maior o volume de distribuição, mais ele 
está distribuído (mais entrou no tecido e menos ficou no sangue - mesmo se 
estiver acumulado em apenas um local, só interessa que não está no plasma). 
 
24 
 
Exemplo 2: Se há 600 mg no tecido e a concentração plasmática é de 120 mg/l, 
o tanto de volume que deveria ter é 5Litros (600/120 = 5l). 
 O volume de distribuição não é necessariamente o quanto em litros há 
dentro do corpo, mas é uma informação que diz sobre quão rápida é a 
distribuição do fármaco (ex.: o do diazepan é 140 L, querendo dizer que 
rapidamente ele vai pra dentro do tecido – se houver 10g dentro do tecido, quer 
dizer que há apenas 0,07g/L no plasma, mostrando que quase nada fica no 
plasma e a maioria é rapidamente absorvida). 
Para alcançar um alto volume de distribuição aparente, o fármaco deve 
possuir fraca ligação com proteínas, possuir uma grande fração não ionizada 
e/ou ser lipossolúvel, estando mais no tecido do que no vaso, possuindo uma 
distribuição rápida. Para um baixo volume de distribuição aparente, o fármaco 
deve possuir alta ligação com proteínas, ser hidrossolúvel, ser uma grande 
molécula (alto peso molecular) e/ou possuir uma grande fração ionizada – nestes 
casos, está mais no vaso que no tecido, possuindo uma distribuição lenta. 
Pode haver proteínas nos tecidos que também se ligam com os fármacos 
(ex.: no tecido adiposo há uma proteína que segura o fármaco nesse 
compartimento). Neste caso, para voltar para a corrente sanguínea, ele também 
tem que estar livre. Esse armazenamento pode ocorrer no tecido ósseo, adiposo, 
etc. Estes locais funcionam como um depósito farmacológico. 
 Se há muito do fármaco no tecido, há pouco no sangue: desta forma, há 
pouco para ser eliminado – conclui-se que o volume de distribuição interfere no 
tempo de meia vida do fármaco, pois influencia se ele será mais facilmente ou 
mais dificilmente eliminado. 
 
 
 
 
25 
 
FARMACOCINÉTICA – ELIMINAÇÃO 
Medusa - 86 
 A eliminação abarca dois processos farmacocinéticos: 
• Biotransformação: Consiste na eliminação da ação do fármaco no 
organismo (da sua capacidade em provocar alterações fisiológicas – o 
fármaco é modificado estruturalmente e a sua ação tem fim). Pode 
acontecer em diversos locais, mas ocorre principalmente no fígado 
• Excreção: A retirada (saída) do fármaco do organismo. Pode acontecer 
em diversos locais, mas ocorre principalmente no rim. 
 
BIOTRANSFORMAÇÃO 
 A capacidade das moléculas de ser parte hidrossolúvel e parte 
lipossolúvel também é importante para a excreção. O fármaco deve ser 
lipossolúvel para sair do tecido (passar pela membrana) e hidrossolúvel (para 
ser eliminado pelos rins). A conversão das características lipossolúveis da 
substância para hidrossolúveis ocorre no fígado (devem estar mais hidrofílicas 
para serem eliminadas). Normalmente, conforme vão ocorrendo estas 
transformações, os metabólitos são modificados para uma menor atividade 
farmacológica. 
 Conforme estes processos vão acontecendo, vai havendo perda da 
atividade do fármaco, ou a atividade vai sendo modificada para uma menor 
resposta farmacológica. 
 
REAÇÕES DE FASE 1 E 2 
 Estas reações ocorrem com um fármaco lipofílico, para se tornar 
hidrofílico. As reações de fase 1 são mais simples e acabam 
expondo/revelando um grupo funcional da molécula do fármaco. São 
reações enzimáticas (hidrólise, oxidação ou redução) em que a enzima deixa 
aparente uma hidroxila, um grupamento sulfeto ou um grupamento amina, para 
que, na reação de fase 2 ocorra a adição de um grupamento a essa nova 
molécula (processo de conjugação). 
 
26 
 
 Certos grupamentos também podem ser conjugados na fase 1, mas 
geralmente isto ocorre na fase 2. Há fármacos que vão diretamente sofrer a fase 
2. Há outros que não passam por nenhuma das fases e são eliminados – este 
último caso ocorre se o fármaco for de característica hidrossolúvel. Como os 
fármacos são eliminados pelo rim, se o paciente tiver uma insuficiência renal, 
deve-se ajustar a dose e a posologia. 
 
 Estas fases podem ocorrer concomitantemente. Há determinadas 
enzimas que participam de cada uma das fases: 
• Fase 1: oxidases da família do citocromo P450 (CYP450), que são 
enzimas microssomais 
• Fase 2: há 2 enzimas importantes: a que adiciona o grupamento 
glicuronideo e a glutationa transferase. 
 Normalmente, o fármaco vai ficando cada vez mais polar para ser 
eliminado. 
A formação de um metabólito glicuronideo(conjugação com um ácido 
glicurônico) normalmente resulta em perda total da atividade do fármaco. Há 
exceções (ex.: a morfina com ácido glicurônico fica até mais potente). 
 
Enzimas da reação de fase 1: 
 Há aproximadamente 12 famílias do citocromo P450 e também as suas 
subfamílias. As famílias são o nome (ex.: na 2D/6, é a região 2D) e as subfamílias 
são a região após a barra (ex.: na 2D/6, a região /6). São todas oxidases, sendo 
que a maioria delas não é tão especifica (metabolizam diversas substâncias). 
São enzimas microssomais (vêm do retículo endoplasmático e ficam retidas 
em um microssomo). 
27 
 
As principais formas (que metabolizam cerca de 75% dos fármacos) são: 
• Isoforma 3A4/5: Quase metade dos fármacos disponíveis no mercado são 
metabolizados por esta enzima. 
• Isoforma 2D/6 
• Isoforma 2C8/9 
Se houver alteração no conteúdo enzimático, haverá alteração na 
metabolização dos fármacos (podendo ser tanto favorecendo o metabolismo – e 
assim eliminando mais rápido e não atingindo o efeito desejado – ou diminuindo 
o metabolismo – acumulando-se a droga, fazendo com que seja atingida a cmax 
tolerada e causando quadro de intoxicação). 
Além das enzimas microssomais, há as enzimas não microssomais 
responsáveis pela fase 1 também: 
• MAO (monoaminoxidase): enzima responsável pela degradação de 
catecolaminas 
o Há fármacos que modulam a MAO (ex.: antidepressivos - são 
inibidores de MAO) 
• Álcool desidrogenase: realiza metabolismo do álcool 
• Pseudocolinesterase: degrada acetilcolina; está presente na corrente 
sanguínea. 
o Inseticidas interferem na pseudocolinesterase. Medicamentos para 
o Alzheimer também interferem. 
 
Enzimas da reação de fase 2: 
• Glutationa transferase: É importante na detoxificação 
• Enzima que faz adição do grupamento do glicuronídeo. A adição de 
um glicuronideo diminui a atividade do fármaco na maioria das vezes. 
 
Ex.: Biotransformação do ácido acetilsalicílico: Já no estômago, há a hidrolise 
(tornando-se ácido salicílico) (1). Parte dele será absorvido e parte será ligada a 
proteínas plasmáticas para ser distribuída (2). 90% de sua concentração está na 
forma ligada. Parte dele já será excretada na urina (10%, dependente de pH) em 
sua forma inalterada (3). Do ácido salicílico, há a formação de metabólitos 
glicuronideos (4) e adição do grupamento glicina (4) (que facilita a eliminação do 
ácido acetilsalicílico). 
28 
 
 
 A alimentação pode interferir no pH urinário, interferindo no processo de 
reabsorção de fármacos nos rins (visto que o pH influencia em que fração estará 
predominantemente o fármaco, ionizada – não sendo reabsorvida – ou não 
ionizada – sendo reabsorvida). 
Ex2: Biotransformação do paracetamol. A dose normal causa a formação do 
metabólito sulfeto, de um glicuronideo e de um intermediário reativo (1). A 
glutationa transferase é a principal enzima responsável por realizar a 
detoxificação (retirada dos intermediários reativos produzidos no metabolismo 
do oxigênio), de modo que a glutationa transferase desativa este intermediário 
reativo, eliminando-o nos rins (2). O paracetamol pode causar hepatotoxicidade 
se tomado excessivamente (dose alta ou constantemente), pois forma em 
excesso os glicuronideos, o sulfato, e o intermediário reativo. Se houver 
diminuição da concentração da glutationa ou a sua saturação (3) (todas estas 
enzimas estarem sendo utilizadas devido a um uso prolongado de paracetamol), 
demorará mais tempo para que os intermediários reativos sejam eliminados. 
Acumula-se então um metabolito reativo em excesso (4), não havendo glutationa 
suficiente para eliminá-lo: culmina em uma hepatotoxicidade (5). 
29 
 
 
A hepatotoxicidade pode ocorrer também devido a um consumo 
exacerbado de álcool combinado com o paracetamol. Isto ocorre pois no 
30 
 
metabolismo de ambas as substâncias está envolvida uma mesma isoforma de 
uma enzima do citocromo P450: a isoforma 2E1. Com isso, ambas as vias de 
metabolização vão concorrer pela mesma enzima, fazendo com que seja 
alcançada uma saturação dela e a depuração do intermediário reativo do 
paracetamol demore mais para ocorrer, culminando em um efeito hepatotóxico. 
 
 
 
FATORES QUE AFETAM A BIOTRANSFORMAÇÃO 
• Idade 
o Redução do volume hepático 
o Redução do fluxo sanguíneo hepático (15-45%) 
o Redução na atividade de algumas enzimas microssomais 
(CYP450) 
• Fatores genéticos e características metabolizadoras individuais 
• Fatores patológicos relacionados ao fígado e desnutrição 
• Fatores ambientais (exposição a poluentes) 
• Interação medicamentosa (+ importante) 
o Indução enzimática 
o Inibição enzimática 
Idade 
 Deve-se levar em consideração RNs e pacientes idosos. Idosos vão tendo 
diminuição do tamanho do fígado, do fluxo sanguíneo (em 15-45%) e da 
capacidade de produção de enzimas metabolizadoras (é um processo natural do 
organismo). A TFG também vai sendo diminuída (aos 50 anos – há uma redução 
de 25%; aos 75 anos – 50%). 
 Em um RN a termo, demora-se aproximadamente 8 semanas para que 
ocorra o metabolismo semelhante/parecido com o adulto. Com 6 meses, a 
eliminação do recém nascido é o dobro da do adulto (e depois se altera 
novamente). 
 Como nestes casos é diminuída a metabolização do medicamento, se ele 
ficar muito no organismo, pode passar a interferir em outros locais. 
31 
 
Ex.: Diazepan: se o paciente utiliza o medicamento há vários anos, é necessário 
realizar a adaptação da dose conforme a idade vai avançando, pois a 
metabolização pode estar menor, e com isso o fármaco estar se acumulando no 
organismo. Quando em excesso, um dos efeitos do diazepan é o acometimento 
da memória. 
 
Fatores genéticos e características metabolizadoras individuais 
 Há isoformas em que há polimorfismos genéticos. Devido a isso, há 
pacientes classificados como metabolizadores rápidos ou metabolizadores 
lentos. Como consequência, alguns pacientes podem precisar de uma dose 
maior ou menor do medicamento (dependendo do polimorfismo da enzima). 
Ex.: Polimorfismo na 2D6 em um paciente que faz uso de codeína. A codeína 
precisa ser biotransformada para ter efeito analgésico – no caso em que há o 
polimorfismo, ela não consegue ser biotransformada, de modo que ela não causa 
o efeito desejado no paciente. 
 
Fatores patológicos relacionados ao fígado e desnutrição 
 Doenças como cirrose, insuficiência hepática e desnutrição (influencia 
também na distribuição) influenciam na metabolização dos fármacos. 
 
Fatores ambientais 
 A fumaça do cigarro e o CO (monóxido de carbono) modificam o 
metabolismo hepático na quantidade de enzimas produzidas. 
 
Interação Medicamentosa 
 Ocorre quando um fármaco A interfere na concentração de uma enzima 
que metaboliza um fármaco B, aumentando ou diminuindo a concentração desta. 
• Indução enzimática: 
Imagine um fármaco ativo A e um B. Um fármaco A induz a maior 
formação de determinada enzima, a qual metaboliza o fármaco B. Se ingerir 
o fármaco B, ele será metabolizado mais rápido (porque o A fez ter mais 
enzimas) e eliminado mais rápido – necessita aumentar a dose ou a sua 
frequência de administração para que ele tenha efeito (alcance a 
concentração desejada). Isso só acontece se a enzima que A induziu o 
aumento seja a que metaboliza B. 
32 
 
 
• Inibição enzimática 
 Pode acontecer por uma competição; por um fármaco que se liga/inibe a 
enzima de degradar outro; e em situações nas quais o fármaco interfere em 
fatores ou cofatores enzimáticos. 
 Suponha-se um fármaco A e um fármaco B. O fármaco A, por um dos 
mecanismos citados acima, realiza a inibição enzimática do fármaco B. A 
diminuição de enzimas capazes de metabolizarem B faz com que o fármaco B 
não seja metabolizado e fique mais tempo no organismo (podendo até mesmo 
alcançar a Cmax tolerada). Neste caso, deve-se diminuir a dose e diminuir a 
frequência de administração (tomar mais distanteum do outro). O fármaco que 
vai ser metabolizado mais rapidamente é o que tem maior afinidade pela enzima. 
 
Ex.: Ciclosporina é imunossupressor, sendo utilizado, por exemplo, em casos de 
transplantes (para evitar a rejeição). Com este efeito, o organismo fica 
susceptível a ter um quadro infeccioso (por fungos, por exemplo). 
33 
 
• Ao se tomar um antifúngico (itraconazol), que é um inibidor enzimático da 
enzima que metaboliza a ciclosporina, há uma diminuição da 
metabolização da ciclosporina e seu acumulo no organismo, o que pode 
levar a um quadro indesejável de nefrotoxicidade. 
• Se for utilizada Erva de São Joao, que é um indutor enzimático da enzima 
que metaboliza a ciclosporina, aumenta-se o metabolismo da 
ciclosporina, de modo que ela é rapidamente degradada e eliminada, 
havendo então uma suspensão do efeito imunossupressor e causando-
se uma rejeição ao transplante (que foi o motivo que levou ao uso da 
ciclosporina). 
 
 Há alguns anticonvulsivantes que aumentam a sua própria metabolização 
(exigem reajuste periódico). Nestes casos, o próprio fármaco realiza indução 
para si mesmo (normalmente isso não acontece, sendo geralmente um fármaco 
A que interfere na concentração da enzima que metaboliza um fármaco B). 
• A enzima que A induz o aumento da produção não necessariamente é a 
que o metaboliza ex.: droga A induz o aumento de 2D6 mas é 
metabolizada pela enzima 3A4/5. 
 Em nem toda indução ou inibição enzimática haverá a necessidade de 
adaptação da posologia: se ainda estiver dentro da faixa terapêutica, não há a 
necessidade de adaptação. 
 
 
34 
 
PRÓ-FARMACO 
 É uma substancia inativa que, ao ser metabolizada no organismo, dará 
origem ao fármaco/forma ativa. Dentre os motivos que levam o fármaco a ser 
ministrado assim, estão as possibilidades de o fármaco não atravessar a barreira 
hemato-encefálica em sua forma ativa ou não ser solúvel na forma ativa, sendo 
ministrado então na forma de pró-fármaco. 
 A questão de inibição e indução enzimática será o contrário com o pró-
fármaco. A indução levará a um aumento do efeito: causará um aumento da 
metabolização que causa a transformação da pró-droga em droga ativa (levando 
a um aumento da concentração plasmática e chegando a um efeito exagerado e 
tóxico). Nestes casos, é necessário diminuir a dose ou a frequência (é o 
contrário). 
 
 No processo de inibição enzimática, não é possível que ocorra a 
transformação do pró-farmaco na forma ativa, havendo pouca concentração da 
forma ativa na corrente sanguínea e menor efeito. Para corrigir, deve-se trocar 
de fármaco utilizado, dando um fármaco ativo ao invés de uma pró-droga. 
 
35 
 
A dopamina não é capaz de atravessar a barreira hematoencefálica. Por 
isso, é ministrada a pro-droga (levodopa), pois ela consegue atravessar a 
barreira, sendo convertida em dopamina no SNC (é utilizada em casos de 
Doença de Parkinson). 
Se o paciente possuir um problema hepático, é preferível se prescrever 
um fármaco em forma ativa (para que não seja necessária a sua metabolização 
hepática e se alcance melhor efeito no organismo). Ex.: Prednisona → 
Prednisolona (se houvesse insuficiência hepática, prescrever a prednisolona 
diretamente por ser a droga ativa). 
 
 
CLEARANCE – ELIMINAÇÃO: DEPURAÇÃO DE FÁRMACOS E 
METABÓLITOS 
 A depuração é o parâmetro farmacocinético fundamental que descreve a 
eliminação. A eliminação pode ser feita por meio da: 
• Eliminação biliar e circulação entero-hepática 
• Excreção fecal 
• Excreção renal (a principal) 
• Eliminação pulmonar 
• Outras formas: saliva, leite materno, suor, lágrimas. 
 
CL total = CL hepático + CL renal + CL pulmonar + CL outros 
(a eliminação total considera as diferentes formas de eliminação de fármaco) 
 
A depuração define a taxa de eliminação do fármaco. É calculada por: 
Depuração = Cp (concentração plasmática) x CL total 
 
O clearance é o principal parâmetro na administração de fármacos a 
longo prazo. É calculado da seguinte forma: 
 
O volume de distribuição interfere no tanto que será eliminado (se Vd é 
maior, tem pouco no sangue, sendo menos eliminado). OBS: a fórmula é 
invertida, não dá para tratar como grandezas diretamente proporcionais como 
está mostrando (ex.: se aumenta o Vd, o CL diminui, e não aumenta). 
 
36 
 
Eliminação biliar e circulação entero-hepática 
 Há fármacos que não são metabolizados no fígado e são eliminados pela 
bile. Primeiramente, o fármaco é ingerido por VO (1), e, ao chegar ao intestino 
(2), é absorvido e levado para o fígado (metabolismo de 1ª passagem) (3). Por 
vezes, o fármaco que chega ao fígado é então transformado em uma substância 
polar para ser excretado pelos rins (7). Todavia, outros são conjugados com 
ácido glicurônico (3) e parte é eliminada pela bile (4), voltando para o intestino 
em seguida (5). 
Ao chegar ao cólon, o fármaco fica novamente apolar (6). Isso ocorre pois 
algumas enzimas produzidas por bactérias enterais quebram o grupamento 
glicuronideo, de modo a fazer com que o fármaco volte a ter uma certa atividade 
e se torne lipofílico. Deste modo, o fármaco é reabsorvido e continua a fazer feito 
no organismo durante mais tempo. 
 
 A eliminação biliar geralmente acontece quando o fármaco é muito 
lipossolúvel – passa pelo fígado, não sendo capaz de ocorrer uma modificação 
para que ele alcance uma hidrossolubilidade suficiente para ser eliminado na 
corrente sanguínea, sendo então excretado com a bile. Apenas uma pequena 
fração fica na forma polar (hidrossolúvel), sendo que o restante fica na forma 
lipofílica. 
37 
 
 O fármaco fica nesta circulação e vai sendo eliminado aos poucos, 
possuindo efeito prolongado no organismo. 
 
Excreção renal 
 É dividida em 3 etapas: 
1. Filtração glomerular: só é filtrado o fármaco em sua forma livre. Há 
influencia também do peso molecular (tamanho) – moléculas muito 
grandes não são filtradas. 
2. Secreção ativa do fármaco: no TCP. Há gasto de energia contra um 
gradiente de concentração – utiliza-se proteínas de transporte (devido a 
isso, pode haver problemas de competição entre os fármacos). 
3. Reabsorção passiva do fármaco: no TCD e no TCP. Vai do local mais 
concentrado (lúmen em que forma a urina) para o local menos 
concentrado (sangue). Substâncias lipossolúveis são as que conseguem 
ser reabsorvidas, assim como o fato de ser ionizada ou não ionizada (o 
que é influenciado pelo pH da urina). 
 
Eliminação do fármaco = metabolismo + excreção 
Principais fatores interferentes na eliminação renal: próxima aula. 
OBS: Contraceptivos orais podem passar por este processo. Ao se tomar 
antibióticos e atacar as bactérias da micorbiota intestinal, não é produzida a enzima 
para quebrar o glicuronideo, de modo que o contraceptivo não consegue voltar a ser 
ativo, sendo eliminado ao invés de voltar para a circulação (perde seu efeito). 
 
38 
 
ELIMINAÇÃO RENAL 
Medusa - 86 
Fatores interferentes: 
1. Filtração Glomerular 
a. Fração livre do fármaco 
• Só é filtrado o que está na forma livre 
b. Peso molecular 
• A molécula não pode ser muito grande (senão não 
consegue ser filtrada) 
c. Fluxo sanguíneo 
• Se está diminuído (ex.: em uma ICC), há menor TFG. Se 
está aumentado, há maior TFG. 
d. TFG – Clearance de creatinina (variável com a idade). Levar em 
consideração que: 
• Começa a diminuir com 20 anos, chegando a 50% da 
efetividade aos 75 anos. Está aumentada na gestante. 
• Creatinina: praticamente totalmente filtrada e quase não 
reabsorvida. Realiza-se a relação entre a creatinina urinária 
e a plasmática para se obter o clearence da creatinina 
• Idosos vão possuindo a sua concentração de creatinina 
diminuída naturalmente 
• Se alterada a TFG, há alteração na eliminação do fármaco. 
 
2. Secreção Tubular Ativa 
a. Transportadores (OCT, OAT) – proteínas que possibilitam que 
substâncias com determinada carga sejam eliminadas. 
i. OCT: Transportadoresde cátions orgânicos 
ii. OAT: Transportadores de ânions orgânicos 
b. Saturação e Competição (fármaco excretado ou reabsorvido) 
i. Problemas sobre as proteínas transportadoras dos íons: 
1. A proteína pode ficar saturada (limitando a 
eliminação do fármaco) 
2. Quando há competição entre substâncias/fármacos 
que são eliminados pela mesma proteína. 
a. Ex.: ácido úrico é constantemente eliminado 
por OAT. Se começa a tomar diurético como 
Furosemida, ela começa a competir pela 
mesma proteína (OAT), de modo que o ácido 
úrico passe a ser retido na corrente sanguínea 
para que a furosemida seja eliminada. Há 
urocemia como efeito colateral. 
 
3. Reabsorção tubular passiva 
a. pH da urina 
39 
 
i. Como para ser absorvido o fármaco deve estar na forma NI, 
para ser eliminada a molécula deve estar ionizada. O pH 
influencia nessa dinâmica de mudar a quantidade ionizada 
e não ionizada 
ii. Ex.: Se o medicamento possui um pKA ácido (como o 
Fenobarbital mostrado abaixo), ao ser colocado em um pH 
alcalino, ele ficará mais em sua fração ionizada, possuindo 
uma maior depuração e eliminação 
 
Doenças que interferem na eliminação renal: 
1. ICC, choque cardiogênico e choque séptico: devido à diminuição do fluxo 
sanguíneo, há diminuição na eliminação renal 
2. Insuficiência Renal: Importante ser considerada no momento de administrar o 
fármaco, analisando se ele possui majoritariamente excreção renal. Deve-se 
levar em consideração a TFG do paciente e se o fármaco possui uma pequena 
janela terapêutica (se possuir, qualquer pequena alteração na concentração para 
cima leva a um efeito tóxico). Além disso, se o fármaco for de grande fração 
polar, há eliminação direta pelo rim (não passa pelas fases 1 e 2 da 
biotransformação) – se estiver comprometido por uma insuficiência renal, não 
vai ser eliminado e vai começar a ser acumulado. Deve haver um ajuste da 
dosagem de acordo com a função renal (observada pelo clearance da creatinina, 
que diz sobre a TFG). Um exemplo de fármaco que possui eliminação direta pelo 
rim (em grande parte) é a digoxina. 
 
Tempo de meia vida 
 Tempo necessário para que uma grandeza se reduza à metade. É 
importante para saber quando se vai alcançar a concentração plasmática de 
equilíbrio e para contar o período de tempo necessário para que o fármaco seja 
eliminado do organismo. 
40 
 
 
 Em 3,3 tempos de meia vida, há 90% do fármaco eliminado do organismo 
(1 tempo:50%;2 tempos:75%; 3 tempos:87,5%, e assim por diante). Um fármaco 
geralmente é eliminado totalmente do organismo em média após 4 a 6 meia-
vidas. 
 Toda vez que se altera o tempo de ½ vida, altera-se o tempo para ser 
alcançada a concentração de equilíbrio plasmático (equilíbrio na quantidade 
entre o fármaco que está entrando e o fármaco que está saindo – mantido dentro 
da faixa terapêutica) e o tempo para eliminação. 
 Na concentração de equilíbrio plasmático, o gráfico da eliminação é igual 
ao da absorção (se for invertido). Isso ocorre pois também se leva de 4 a 6 meia 
vidas para se chegar na concentração de equilíbrio plasmático. Isso ocorre 
seguindo-se a seguinte lógica do exemplo abaixo: 
• Dia 1: se ingere 100g do fármaco, mas ao decair a ½ vida, o saldo total é 
de 50g. 
• Dia 2: se ingere mais 100g do fármaco, que se somarão aos 50g do dia 
anterior, resultando em 150g. Ao decair a ½ vida, o saldo total é de 75g. 
• Dia 3: se ingere mais 100g do fármaco, que se somarão aos 75g do dia 
anterior, resultando em 175g. Ao decair a ½ vida, o saldo é de 87,25g, e 
assim por diante. 
 
41 
 
 Isso descrito acima só ocorre se for mantida a ingestão do fármaco. Se 
ela for cessada, o fármaco será eliminado em 4-6 tempos de ½ vida 
A concentração plasmática de equilíbrio é inversamente proporcional à 
depuração (se diminui a eliminação do fármaco, a concentração plasmática de 
equilíbrio aumenta). A depuração é o Clearance total: considera todas as formas 
de eliminação do fármaco, não só a renal. 
 
Fatores que afetam o tempo de meia vida: interferem no tempo para se 
alcançar a concentração plasmática de equilíbrio. A concentração plasmática de 
equilíbrio é o que é objetivado nos tratamentos a longo prazo (se for menos do 
que ela, não tem a ação terapêutica; se for mais do que ela, tem efeito tóxico). 
1. Volume de distribuição 
a. Envelhecimento causando diminuição da massa muscular: distribui 
menos o fármaco, ficando mais no sangue e sendo eliminado mais 
rapidamente: diminui a meia-vida. 
b. Obesidade: há mais tecido adiposo. Se o fármaco for lipossolúvel, 
ficará mais distribuído e menos no sangue, aumentando o volume 
de distribuição. Como não está no sangue, não é eliminado: 
aumenta o tempo de meia vida 
c. Presença de líquido patológico: Há mais um líquido para que o 
fármaco seja distribuído: aumenta o volume de distribuição. Se não 
está no sangue, tem dificuldade para ser eliminado, aumentando o 
tempo de meia vida 
2. Depuração 
a. Indução do p450: fármaco é metabolizado mais rapidamente, 
sendo eliminado mais rápido e diminuindo o tempo de ½ vida 
b. Inibição do p450: contrário do acima, aumenta o tempo de ½ vida 
c. ICC: Relacionado ao aporte de fluxo sanguíneo: quanto menos 
sangue estiver chegando ao fígado e aos rins, menos fármaco 
estará sendo metabolizado – há portanto maior tempo de meia vida 
d. Insuficiencia hepática e renal: o mesmo do acima 
Todos estes fatores interferem no ajuste posológico, necessitando 
alteração da dose e da frequência de acordo com a alteração do tempo de ½ 
vida. 
 
PROCESSO DE DEPURAÇÃO 
A depuração permite calcular a velocidade de administração necessária 
para atingir a dose alvo (concentração plasmática de equilíbrio: quando a taxa 
de entrada do fármaco é igual à taxa de saída). A depuração consiste na retirada 
de toda ação e de toda concentração de fármaco no organismo. 
Depuração = (metabolismo + excreção)/fármaco no plasma 
42 
 
REGIMES POSOLÓGICOS 
 
A – Dosagem ideal: começa a tomar as doses, sendo que apenas a partir da 
segunda começa a ter o efeito terapêutico. Apenas a partir da terceira começa a 
estar dentro da faixa terapêutica totalmente. Em média de 4 a 6 meia-vidas (após 
4 a 6 doses), é alcançada a concentração de equilíbrio plasmático. 
C - Dosagem tóxica: A concentração ultrapassa a faixa terapêutica, trazendo 
efeito tóxico. Pode ocorrer, por exemplo, em pacientes com alguma doença que 
interfira na eliminação (ex.: insuficiência hepática/renal/cardíaca) 
D – Dosagem subterapêutica: não se alcança a faixa terapêutica com as 
dosagens administradas. Pode estar havendo uma indução enzimática 
B - Dose de ataque: é utilizada em fármacos de tempo de meia vida longo, 
quando se é desejado que o medicamento possua ação rápida em determinada 
situação. A dose de ataque é usada para se chegar mais rápido na 
concentração plasmática de equilíbrio. Após ela, deve-se manter a 
concentração plasmática de equilíbrio por meio de doses de manutenção. 
• A velocidade de administração não interfere no tempo de 1/2 vida do 
fármaco, mas faz com que se chegue mais rapidamente ou mais 
lentamente à concentração de equilíbrio plasmático. Se for administrada 
a mesma quantidade, mas em um indivíduo administra lentamente e no 
outro mais rapidamente: será mudada a concentração plasmática de 
equilíbrio, e não a meia vida – o que está sendo administrado mais 
lentamente, está sendo eliminado em uma velocidade semelhante à da 
administração, o que faz com que ele demore mais para se alcançar a 
concentração plasmática de equilíbrio. O que está sendo administrado 
43 
 
mais rapidamente não consegue ser eliminado na mesma velocidade, 
chegando na concentração plasmática de equilíbrio mais rapidamente. 
Dose de ataque = (Vd x Conc plasmática desejada)/biodisponibilidade do 
fármaco. 
 
Após se realizar a dose de ataque e se chegar na faixa terapêutica, há as 
doses de manutenção (o que é necessáriopara se manter o fármaco na faixa 
terapêutica – são dadas em menor concentração do que na de ataque). Na dose 
de ataque, é administrado em maior concentração para não se esperar todo o 
tempo de meia vida necessário para se chegar na faixa terapêutica. 
 
REGIMES POSOLÓGICOS 
 Esquemas específicos: 
• Semelhantes a infusões contínuas: estratégia em que se visa dar 
menores doses da medicação em mais do que uma vez ao dia, para evitar 
grandes oscilações na concentração. 
o Em vermelho, foi dada uma dose maior, mas apenas 1 vez ao dia: 
causou uma maior variação, podendo ultrapassar a concentração 
máxima tolerada e causar efeitos tóxicos. Em azul, foi dada uma 
menor dose, mas 2 vezes ao dia: houve menor variação, havendo 
menor chance de se atingir a concentração máxima tolerada. No 
caso azul, houve uma situação semelhante a uma infusão 
contínua, causando menores oscilações. 
o O problema do esquema azul é que menores doses mais vezes ao 
dia normalmente significam menor adesão ao tratamento. Para 
solucionar este problema, deve-se ministrar fármacos de liberação 
44 
 
prolongada (precisando tomar apenas 2 vezes ao dia, não 
causando grandes oscilações) 
 
• Dose simples fixa: casos em que se toma um medicamento em dose 
única devido a algum desconforto esporádico, não sendo objetivado que 
o fármaco permaneça durante um maior período de tempo no organismo. 
Resulta em um único pico na concentração (linha azul abaixo). É o que 
acontece com medicamentos que tomamos em apenas uma dose devido 
a uma dor de cabeça, cólica menstrual, etc. 
 
45 
 
FARMACODINÂMICA 
Medusa – 86 
 
 A farmacodinâmica estuda o mecanismo de ação dos fármacos e seus 
efeitos no organismo. Trabalha a interação do fármaco com o alvo de ação. 
 Não existem fármacos 100% ideias. O fármaco ideal apresentaria: 
• Seletividade: se ligaria apenas a um alvo de ação específico. 
• Eficácia: é a capacidade de produzir um efeito terapêutico. A partir do 
momento que o fármaco se liga ao seu alvo de ação, deve provocar uma 
resposta no organismo e produzir o efeito desejado. Como os fármacos 
não possuem 100% de seletividade, muitas vezes há reações adversas. 
O ideal seria que estas reações adversas não ocorressem. 
• Segurança: quanto menos efeitos adversos provocados, maior a 
segurança do fármaco. 
• Efeito reversível: o ideal seria que todos os fármacos possuíssem um 
antídoto para que, caso houvesse um efeito adverso tóxico/prejudicial, 
houvesse um antídoto para se retornar o organismo à normalidade. 
• Fácil administração: os pacientes não aderem facilmente a um 
tratamento se a via de administração for difícil. A VO é uma das vias de 
maior comodidade para a administração dos fármacos 
• Baixa interação: com outros fármacos, alimentos, etc. Quando a 
interação for baixa, haverá maior biodisponibilidade do fármaco também. 
 
AFINIDADE E EFICÁCIA 
• Afinidade: tendência de ligação do fármaco ao seu alvo. Quanto maior a 
afinidade, mais fácil será a ligação do fármaco ao alvo e mais facilmente 
ocorrerá uma resposta farmacológica. 
• Eficácia: capacidade do fármaco, uma vez ligado ao seu alvo 
farmacológico, de ativar ou inibir uma resposta, ou seja, de produzir o 
efeito terapêutico desejado. 
 
TIPOS DE AÇÃO DOS FÁRMACOS 
Fármacos de ação inespecífica 
 Não há ligação a um alvo molecular, de modo que o seu efeito depende 
das propriedades físico-químicas da substância (como solubilidade, grau de 
ionização, poder de oxirredução e tensão superficial). 
Ex.: mecanismo de ação de anti-ácidos. Este medicamento simplesmente altera 
o pH estomacal, mas não se liga a nenhum alvo em específico. 
 
46 
 
Fármacos de ação semi—específica 
 Possuem alvo de ação, mas ele não é tão diferenciado como nos 
fármacos de ação específica. 
Ex.: ação sobre íons. Há alguns fármacos que agem sobre alguns íons, mas 
muitas vezes não especifica o íon em si, e sim apenas a sua valência. Exemplo 
disso é o quelante de cálcio. Este medicamento possui especificidade por cátions 
divalentes (com isso, ele não quela apenas o cálcio, mas também o magnésio e 
qualquer outro cátion divalente). Age sobre íons divalentes, mas não diferencia 
exatamente qual o íon. 
 
Fármacos de ação específica: 
 São os mais estudados e mais comuns. Estes fármacos possuem alta 
seletividade pelo alvo. A atividade farmacológica depende da interação da 
substância com o sítio de ligação. 
 
ALVOS FARMACOLÓGICOS 
 Há 4 tipos de alvos farmacológicos proteicos para a ação dos 
fármacos: 
 
A. Receptores 
São os alvos mais importantes. Os fármacos que se ligam a receptores são 
divididos em agonistas ou antagonistas. 
• Agonista: fármaco que provoca determinados efeitos intracelulares ao se 
ligar ao receptor. 
47 
 
• Antagonista: fármaco que não provoca efeitos intracelulares ao se ligar ao 
receptor. Normalmente é administrado para impedir o efeito de um 
agonista (ocupa o receptor para o agonista não se ligar). 
o Ex.: Buscopan (principio ativo: escopolamina) 
 
B. Canais iônicos 
Há tanto fármacos que são bloqueadores de canais iônicos, quanto fármacos 
que modulam a abertura e o fechamento de canais iônicos. 
 
C. Enzimas 
Há fármacos que se ligam a enzimas e fazem com que elas parem as suas 
atividades (inibem a enzima). 
Ex.: Aspirina (se liga na ciclo-oxigenase de maneira irreversível e a enzima 
fica inibida, não conseguindo mais ter a sua ação de transformar ácido 
araquidônico em prostaglandina, prostaciclina e tromboxano) 
Há fármacos que funcionam como um falso substrato, de modo que passam 
a agir como inibidores competitivos da enzima. Assemelha-se a um substrato, 
mas quando se liga à enzima, inibe-a. Alguns fármacos se ligam a enzimas e a 
enzima acaba produzindo outro metabólito diferente (que não é utilizado pelo 
organismo ou que possui outra ação farmacológica). 
Há também os pró-fármacos: substâncias inativas que, ao serem 
metabolizadas no organismo, produzirão o fármaco ativo. 
Ex.: Enalapril vira enalaprilat, que inibe a ECA. 
 
D. Transportadores 
A partir da ligação do fármaco no transportador, ele deixa de transportar o 
que estava normalmente transportando. 
Ex.: Diuréticos de alça se ligam à proteína transportadora responsável pela 
excreção de ácido úrico. Devido a isso, os pacientes que tomam diuréticos de 
alça acabam tendo a excreção de ácido úrico prejudicada. 
 
 
 
 
 
 
48 
 
RECEPTORES 
Há 4 subtipos de receptores: 
 
 
Tipo 1: Canais iônicos controlados por ligantes 
Os receptores de tipo 1 são os canais iônicos controlados por ligantes. É 
um receptor de membrana. A partir do momento em que há a ligação do princípio 
ativo ou do neurotransmissor, há processos de hiperpolarização ou 
despolarização, levando aos efeitos celulares. 
Ex.: Receptor nicotínico e acetilcolina. A transmissão de impulso nervoso 
rapidamente libera acetilcolina, que se liga ao receptor nicotínico na placa motora 
e causa despolarização, causando a contração do músculo esquelético. Os 
canais iônicos possuem mecanismos de ação extremamente rápidos (ocorrendo 
em cerca de milissegundos). O receptor nicotínico é um receptor pentamérico 
(formado por 5 subunidades) 
 
49 
 
Os receptores são formados por subunidades (ex.: o receptor nicotínico é 
formado por 5, sendo então pentamérico). As subunidades podem ser α, β, γ ou 
ε. A grande maioria dos receptores possui a subunidade alfa e a subunidade 
beta. Há alguns receptores nicotínicos que apenas apresentam a subunidade 
alfa. 
A acetilcolina se liga à subunidade alfa. Se o receptor for formado por 
duas subunidades alfa, são necessárias 2 acetilcolinas para abri-lo. Quando o 
canal é aberto, entra sódio e sai potássio. Isto leva a célula a um processo de 
despolarização, causando uma excitação neuronal. Estes receptores nicotínicos 
estão presentes na placa motora, nos gânglios, na adrenal e no SNC. 
 
Há tanto canais iônicos controladospor ligantes (que são os receptores) 
quanto os controlados por voltagem (controlados por variações no potencial de 
membrana – não são receptores). 
 
Tipo 2: Receptores acoplados à proteína G (metabotrópicos) 
Os receptores acoplados à proteína G estão muito presentes no SNA. São 
também conhecidos como metabotrópicos devido a utilizarem sistemas com a 
presença de segundos mensageiros. O receptor também está presente na 
membrana. É heptahelicoidal (passa 7 vezes pela membrana). 
Próximo ao receptor, há a proteína G. Quando o fármaco se liga ao 
receptor, este último sofre uma mudança conformacional, ativando a proteína G. 
Quando ativada, a proteína G pode agir sobre canais iônicos (que alteram a 
excitabilidade e levam a efeitos celulares) ou sobre enzimas (que vão levar à 
ativação ou à modulação da atividade do segundo mensageiro, provocando a 
fosforilação de proteínas, a liberação de cálcio, ou outras atividades, que levam 
a efeitos celulares). 
50 
 
 
Toda a cascata de reações e segundos mensageiros demora um pouco 
mais para ocorrer, se comparado aos receptores de tipo 1. Enquanto os do tipo 
1 demoram milissegundos para ter o efeito final, os de tipo 2 demoram segundos 
para alcança-lo. 
Após ser ativada, a proteína G pode ter ação sobre canais iônicos ou 
sobre enzimas. Ao agir sobre um canal iônico, ela pode tanto ativar quanto 
inibir um canal. Ex.: Ativar abertura de canal de K+, causando hiperpolarização/ 
inibir a abertura de um canal de cálcio. 
 
O mecanismo geral da proteína G ocorre da seguinte forma: o receptor 
está inicialmente em estado de repouso. A partir do momento em que há um 
agonista se ligando ao receptor, há uma mudança conformacional no receptor, 
que faz com que ative a proteína G. Esta mudança consiste na troca do GDP 
pelo GTP. A partir do momento em que ocorre esta mudança, a proteína G passa 
por um processo de dissociação: ela é composta por 3 subunidades (alfa, beta 
e gama), e quando ocorre a troca do GDP pelo GTP, ocorre a separação de 
subunidades. A subunidade alfa se solta e vai então ativar a enzima. Quando 
51 
 
ocorre esta ativação, a subunidade alfa provoca a hidrolise do GTP, de modo 
que ele volte a ser GDP e todo o receptor volte a ficar no estado de repouso. A 
proteína G é recomposta após a lise do GTP. A subunidade alfa pode tanto ativar 
quanto inibir a enzima. 
 
Subtipos da subunidade alfa: 
O que define qual é a enzima que será ativada/inibida é o tipo da 
subunidade alfa (pois é ela que se desloca para ativar a enzima). 
 
• Alfa GI: inibe a adenilato ciclase, diminuindo o AMPc e levando a 
determinadas ações no organismo 
• Alfa GS: ativa a adenilato ciclase, aumentando AMPc e ativando a 
proteína cinase de tipo A, levando à fosforilação de proteínas. 
52 
 
 
• Alfa GQ: ativa a fosfolipase C, que quebra o bi-fosfato inositol, gerando o 
tri-fosfato inositol e o diacilglicerol. O tri-fosfato inositol atua sobre o 
retículo endoplasmático, abrindo canais de cálcio intracelulares. O 
diacilglicerol ativa proteína cinase do tipo C ativa (a qual, junto do cálcio, 
realiza a fosforilação de algumas proteínas). 
o Cálcio intracelular: leva à contração da musculatura lisa 
parassimpática. 
▪ Acetilcolina, ao se ligar em receptor muscarínico, causa 
contração da musculatura lisa visceral via esse sistema 
▪ Mediadores adrenérgicos, ao se ligarem em receptores alfa-
1 adrenérgicos presentes no sistema simpático, causam 
vasoconstrição por meio desse mecanismo. 
 
 
53 
 
 Muitas vezes, um mesmo mediador/fármaco causa ações opostas. 
Exemplo disso é a adrenalina, que causa efeitos diferentes ao se ligar a um 
receptor alfa-2 e ao se ligar a um receptor beta-1. Ao se ligar no alfa-2, causa 
inibição da adenilato ciclase, e ao se ligar no receptor beta-1 causa ativação da 
adenilato ciclase. Muitas vezes, o organismo é controlado por uma ação 
integrada de receptores que têm efeitos opostos. 
 
 
Tipo 3: Receptores ligados a quinases 
Este tipo de receptor também está ancorado à membrana. Todavia, ele 
possui 2 domínios: um domínio extracelular (onde se liga o fármaco), que está 
conectado a um domínio intracelular (normalmente, é o domínio intracelular que 
leva ao desenvolvimento de uma cascata de reações bioquímicas que provocam 
os efeitos celulares). Este tipo de receptor está conectado a uma enzima. 
Ex.: receptores da insulina, de fatores de crescimento e de citocinas 
 
Este mecanismo pode demorar horas para atingir o seu efeito final. 
54 
 
O mecanismo geral dos receptores ligados a quinases ocorre da 
seguinte forma: primeiramente, um fármaco/mediador se liga ao domínio 
extracelular. Depois disso, ocorre a dimerização do complexo receptor + ligante. 
A partir do momento em que há a duplicação, ocorre uma auto-fosforilação de 
resíduos de tirosina. Quando ocorre essa fosforilação, há a ligação de uma 
proteína aceptora ao domínio intracelular. A partir do momento em que ocorre a 
ligação do aceptor (que possui domínio SH2) ao resíduo fosforilado, o aceptor 
passa a ser fosforilado e há o desencadeamento de uma cascata de reações, as 
quais levam ao processo de transcrição gênica e de síntese de proteínas. 
 
 
Tipo 4: Receptores nucleares 
Diferentemente dos outros receptores que estão na membrana, este está 
dentro da célula. Para o fármaco chegar até o receptor, ele deve ter 
características de lipossolubilidade para atravessar a membrana plasmática. 
Ex.: receptores relacionados com hormônios da tireoide, com estrogênio e 
esteróides. 
Pode demorar horas, dias ou semanas para ter o efeito. O principio ativo 
precisa possuir característica de lipossolubilidade e não pode ser muito grande, 
já que ele se difunde através da membrana para encontrar receptor intracelular 
(o qual pode estar tanto no citoplasma quanto no interior do núcleo). 
O mecanismo geral dos receptores nucleares ocorre da seguinte 
forma: a partir do momento em que ocorre a ligação do princípio ativo com o 
receptor, ocorre uma mudança conformacional no receptor (uma proteína 
55 
 
repressora do processo de transcrição gênica se solta dele). Ao se soltar, o 
receptor agora é capaz de ir para o núcleo, sofrer um processo de dimerização, 
se conectar ao DNA e conseguir alterar ou positivamente ou negativamente o 
processo de transcrição gênica. 
 
 
 
 
(saindo agora dos tipos de receptores e voltando a outras características dos 
receptores em si) 
INTERAÇÃO FÁRMACO-RECEPTOR 
 O gráfico abaixo é de dose-efeito ou dose-resposta. A partir do momento 
em que o fármaco se liga ao seu receptor, causa um determinado efeito no 
organismo. 
Esse efeito pode sofrer influência de outras substâncias. Pode haver uma 
resposta aumentada se, junto do agonista, estiver sendo ministrado um ativador 
alostérico. O ativador possui o seu próprio sítio de ligação na molécula. Quando 
ele se liga, facilita a ligação do agonista. Juntos, eles aumentam ou melhoram a 
resposta farmacológica no organismo. 
Todavia, há também os inibidores alostéricos. Ao se ligarem aos 
receptores, os inibidores alostéricos provocam uma mudança conformacional 
que diminui a afinidade do agonista pelo receptor. Os inibidores competitivos 
são substâncias que competem com o agonista pelo mesmo sítio de ligação no 
receptor, e sua ligação causa uma resposta diferente no organismo. 
56 
 
 
 
Agonistas e antagonistas 
 O agonista é um ligante (um fármaco) que, ao se ligar ao receptor, é 
capaz de ativar os mecanismos celulares e produzir um efeito (resposta). 
 O antagonista é um ligante (um fármaco) que, ao se ligar ao receptor, 
não é capaz de ativar os mecanismos celulares e produzir um efeito (resposta 
intracelular). Ele reduz a ação do agonista. 
 Quem promove o efeito é o agonista. Quem impede o efeito é o 
antagonista. 
 
57 
 
Sobre a imagem acima: 
• No primeiro desenho observa-se a situação fisiológica: um químico 
natural, intrínsecoao organismo, se liga a um receptor, causando uma 
atividade celular normal. 
• No segundo desenho, observa-se a administração de uma droga 
agonista. Esta droga também se liga ao receptor, provocando um 
aumento da atividade celular. A droga agonista pode ter sido prescrita, 
por exemplo, caso a via fisiológica do primeiro desenho estivesse 
comprometida ou com algum déficit dos químicos naturais intrínsecos. 
o Agonista = atividade intrínseca (constitutiva) > 0 
• No terceiro desenho, observa-se a administração de um antagonista. 
Diferente do agonista, esta droga se liga ao receptor, mas não 
desencadeia resposta celular com a sua ligação. Com isso, o antagonista 
impede a ação do agonista e diminui o funcionamento da via fisiológica 
em questão. Pode ser prescrito em situações em que o químico intrínseco 
do indivíduo esteja em uma quantidade aumentada ou apresentando 
efeito muito exacerbado, visando normalizar a resposta. 
o Antagonista = atividade intrínseca (constitutiva) = 0. Isso quer dizer 
que o antagonista em si não causa nenhum efeito na célula, e não 
que ele vai zerar a atividade intrínseca 
 
AGONISTAS 
Tipos de agonistas: 
• Agonista total: é aquele que, ao se ligar ao receptor, produz o efeito 
máximo 
• Agonista parcial: é aquele que, ao se ligar ao receptor, produz uma 
resposta submáxima (não é capaz de produzir o efeito máximo) 
• Agonista inverso: é aquele que, ao se ligar ao receptor, produz uma 
diminuição no nível de ativação do receptor, diminuindo o efeito celular, 
e, por consequência, o efeito biológico 
 
No gráfico, o antagonista se mantém em uma linha reta pois ele causa nenhuma 
atividade celular ao se ligar, de modo que o metabolismo celular permanece 
58 
 
inalterado após a sua ligação (o gráfico não mostra efeito sistêmico, mas sim 
efeito celular). 
 A existência dos diferentes tipos de agonistas se deve à presença de 2 
tipos de estados de receptores: Receptores no estado inativo e receptores no 
estado ativo. 
• O agonista total possui alta afinidade pelo receptor no estado ativo (e 
por isso ele alcança o efeito máximo). 
• O agonista parcial possui ação sobre o receptor ativo e sobre o receptor 
inativo, possuindo uma preferência maior por se ligar ao receptor ativo 
(e com isso ainda apresenta efeito aumentado, só não é máximo). 
• O agonista inverso possui uma preferência em se ligar ao receptor em 
estado inativo (mas ainda se liga um pouco ao ativo, que é o que causa 
esse pequeno efeito e faz com que ele não zere). 
 O antagonista pode se ligar tanto no ativo quanto no inativo (possui 
igual afinidade), mas ele não vai provocar alteração no receptor ao se ligar (não 
vai nem aumentar os mecanismos intracelulares, como o total e o parcial, nem 
diminuí-los, como o inverso). 
 
A parte superior do esquema acima mostra que, o receptor ativo, mesmo sem a 
presença do fármaco, já possui um pequeno efeito. Mas, quando o fármaco se 
liga, esse efeito aumenta. 
59 
 
Em alguns gráficos, a curva do antagonista pode apresentar uma pequena 
inclinação, mas sempre fica próximo de uma linha reta. Depende da atividade 
constitutiva. 
Eficácia x Potência 
• Eficácia: capacidade do fármaco em ativar ou inibir uma resposta após a 
ligação do fármaco ao receptor. Termo que expressa o grau em que 
diferentes agonistas produzem respostas variadas, mesmo ocupando a 
mesma proporção de receptores 
• Potência: está relacionada à dose ou à concentração do fármaco que 
produz aquele determinado efeito. Termo que expressa a quantidade 
necessária do fármaco para produzir determinado efeito. 
o Quanto menor a concentração do fármaco necessária para 
produzir certa resposta, maior a potência do mesmo. 
 
o No gráfico, o fármaco A alcançou o efeito biológico máximo (100% 
da resposta). O mesmo ocorre com o fármaco B (por isso ambos 
possuem a mesma eficácia). Tanto o A quanto o B são fármacos 
eficazes. Eles diferem entre si na potência: o fármaco B precisa de 
uma quantidade maior para ter a mesma eficácia que o fármaco A. 
o Ao se analisar a potência, é determinado o CE50. O CE50 é a 
concentração do fármaco capaz de produzir 50% do efeito máximo 
(sendo que o efeito máximo varia para cada fármaco, podendo ser 
100% como em A ou 50% como em C). 
o Para o fármaco A produzir 50% do efeito máximo, ele precisa de 
uma menor concentração do que o fármaco B precisa para produzir 
50% de seu efeito máximo. Devido a isso, o fármaco A é mais 
60 
 
potente do que o fármaco B, apesar de ambos possuírem a mesma 
eficácia. 
o O fármaco C possui menor potência e menor eficácia tanto em 
relação ao fármaco A quanto em relação ao fármaco B. 
ANTAGONISTAS 
 De maneira geral, os antagonistas impedem a ação dos agonistas. Há 
dois tipos de antagonistas: os antagonistas competitivos e os antagonistas não 
competitivos. 
 
 
 
• Antagonista competitivo: tanto o agonista quanto o antagonista 
competem pelo mesmo sítio de ligação. O antagonista se liga no sítio, e 
como ele fica ocupado, o agonista não consegue se ligar. Os antagonistas 
competitivos podem ser: 
o Reversíveis: a partir do momento em que se aumenta a 
concentração do agonista, é possível se deslocar o antagonista do 
receptor e reestabelecer a ligação do agonista e, 
consequentemente, o efeito biológico. 
o Irreversíveis: mesmo com o aumento da concentração, não é 
possível se deslocar o antagonista do receptor. Isto ocorre pois o 
antagonista possui maior afinidade pelo receptor do que o 
agonista; 
 
• Antagonista não competitivo: este tipo de antagonista não compete 
com o agonista pelo mesmo sítio de ação, se ligando a um sítio diferente. 
Todavia, esta ligação impede que ocorra uma resposta biológica. Pode 
acontecer que a ligação do antagonista impeça a mudança 
conformacional do receptor quando o agonista se liga, ou que o 
antagonista, ao se ligar, mude a conformação do receptor, de modo a 
dificultar a ligação do agonista ao seu sítio de ligação. 
O gráfico dose-resposta de um agonista na presença de um antagonista 
fica da seguinte forma: 
61 
 
 
No primeiro gráfico, mostra-se o efeito de um antagonista competitivo 
reversível. A primeira curva é a curva que mostra a ação somente do agonista. 
A segunda curva é a curva que mostra o efeito do agonista + antagonista. A 
segunda curva só consegue alcançar a mesma % de resposta do que a primeira 
curva se for aumentada a concentração do agonista (pois assim ele vai conseguir 
deslocar o antagonista do receptor e continuar com o efeito biológico). A curva 
dose-resposta é deslocada para a direita, sem alteração da inclinação ou do 
efeito máximo. Diminui-se a potência do agonista, sem afetar a eficácia. 
No segundo gráfico, mostra-se o efeito de um antagonista não 
competitivo. A primeira curva mostra novamente o efeito do agonista na 
ausência do antagonista. A segunda curva mostra o efeito do agonista + 
antagonista não competitivo. Com a presença do antagonista não competitivo, 
ocorre uma redução da eficácia: não adianta se aumentar a dose do agonista, 
pois ele não vai ter efeito sobre a ligação do antagonista (já que eles estão 
ligados a sítios diferentes). Há uma redução da eficácia, mas há a mesma 
potência (lembrando que o CE50 é sempre calculado em função do efeito 
máximo que o fármaco produz, e observe que o efeito máximo mudou na 
segunda curva). 
O gráfico de um antagonista competitivo irreversível ficaria semelhante 
ao segundo gráfico, visto que mesmo com o aumento da concentração do 
agonista, não seria possível se deslocar o antagonista do sítio de ligação e se 
reestabelecer o efeito. 
62 
 
 
 
Estes antagonistas mencionados acima são os referentes ao 
antagonismo de receptores. Todavia, há outros tipos de antagonismo 
farmacológico. Estes outros tipos não envolvem os receptores, mas pode haver 
atuação direta sobre o agonista. São eles: 
A. Antagonismo químico: fármaco que inativa a estrutura doagonista antes 
mesmo de ele atuar sobre seu alvo de ação. 
a. Ex.: substâncias quelantes. 
 
B. Antagonismo farmacocinético: há interferência em um dos processos 
farmacocinéticos, levando a uma redução da ação do agonista. Pode 
ocorrer: 
a. Redução da velocidade de absorção: se retardar a absorção, 
dificulta a ação do fármaco 
b. Aumento no metabolismo hepático: o fármaco vai ser degradado 
mais rapidamente, diminuindo a sua ação 
c. Aumento da velocidade de eliminação renal do fármaco: o fármaco 
ficará em menor concentração, tendo menor efeito biológico 
 
C. Antagonismo fisiológico ou funcional: interações entre fármacos que 
têm ações fisiológicas opostas. 
a. Ex.: histamina x adrenalina no pulmão. Enquanto a histamina, ao 
se ligar a um receptor H1, leva à broncoconstrição, a adrenalina, 
em receptor Beta2-adrenérgico, leva à broncodilatação. 
b. Ex.: histamina x omeoprazol. A histamina, ao se ligar em receptor 
H2, causa aumento da secreção gástrica, enquanto o omeoprazol 
causa uma diminuição da secreção gástrica 
c. Agem sobre alvos diferentes, mas causam efeitos antagônicos no 
órgão 
 
63 
 
CONCEITOS: DOSE LETAL, DOSE EFETIVA E ÍNDICE TERAPÊUTICO 
Dose Letal Mediana (DL50): 
 Dose que mata 50% dos animais em experimento. É um parâmetro 
utilizado para se determinar a toxicidade de um fármaco. É a dose que causa 
toxicidade em metade da população. 
Dose efetiva mediana (DE50): 
 Dose que causa efeito terapêutico em 50% dos animais. É a dose que é 
eficaz/possui efeito clinicamente desejável em metade da população. 
Índice terapêutico/ Janela terapêutica 
É estabelecido pela relação entre a DL50/DE50. É utilizado para 
determinar a segurança de um fármaco. O fármaco ideal deve ser seguro e 
produzir o mínimo de efeitos colaterais possível. 
 
 No gráfico, o índice terapêutico fica localizado na faixa entre a dose letal 
mediana e a dose efetiva mediana. Quanto maior a diferença entre a dose 
terapêutica e a dose tóxica, mais seguro é o fármaco (há uma faixa maior de 
doses que podem ser utilizadas sem ser atingido o efeito tóxico). 
 Fármacos com índice terapêutico muito pequeno também podem ser 
utilizados. Nestes casos, normalmente os benefícios do uso do medicamento, 
mesmo com estes riscos, são melhores do que deixar o paciente sem o seu uso. 
Exemplo de fármacos de pequena janela terapêutica são a digoxina e a varfarina. 
 
 
CONCEITOS: DESSENSIBILIZAÇÃO/TAQUIFILAXIA, TOLERÂNCIA E 
REFRATARIEDADE 
Dessensibilização ou taquifilaxia 
 Consiste uma redução espontânea do efeito do fármaco quando 
administrado continuamente e repetidamente. Pode acontecer em poucos 
minutos. 
64 
 
Tolerância 
 Consiste na perda gradual da responsividade do fármaco, havendo 
necessidade de aumento de dose para obter efeito terapêutico. A tolerância é 
um processo mais lento do que a dessensibilização. 
Refratariedade 
 Perda da eficácia terapêutica. Ocorre quando o paciente não responde a 
um determinado tratamento (paciente é refratário ao tratamento com 
determinado fármaco). 
 
 Há diversos mecanismos que podem levar aos 3 conceitos supracitados. 
Dentre eles, estão: 
• Alteração dos receptores 
o Alteração conformacional de canais iônicos – faz com que seja 
dificultada a ligação do agonista 
o Fosforilação de proteínas receptoras que compõem o receptor 
o Fosforilação de proteínas que participam da cascata de segundos 
mensageiros (receptores acoplados à proteína G) 
• Translocação de receptores 
o Diminuição no número de receptores na superfície – devido à 
internalização dos receptores por meio de endocitose. Pode 
ocorrer com alguns receptores de hormônios e beta adrenérgicos 
• Depleção de mediadores 
o Ex.: Uso de anfetamina leva à tolerância pois a anfetamina leva ao 
esgotamento de aminas, as quais não conseguem mais ser 
liberadas 
• Aumento da degradação metabólica 
• Extrusão ativa de drogas 
o A droga chega a entrar na célula, mas a célula de alguma forma a 
exocita e o fármaco não exerce o efeito. 
o Este mecanismo é comumente realizado pelas bactérias, sendo 
observado nos processos de resistência a antibióticos e a 
antimicrobianos. O termo “resistência” está relacionado à perda da 
eficácia, quando se fala de antibióticos. 
• Adaptação fisiológica 
o O efeito do fármaco é diminuído em função de uma resposta 
homeostática do organismo, de modo que ele vai se adaptando. 
o Ex.: ação de diuréticos tiazídicos. Com o passar do tempo, ela 
passa a ser limitada devido á ativação do sistema renina-
angiotensina como maneira de se manter a homeostasia do 
organismo. 
 
65 
 
SNA – REVISÃO FISIOLOGIA 
Medusa – 86 
 
DIVISÃO DO SISTEMA NERVOSO 
 O Sistema Nervoso é dividido em Sistema Nervoso Central (SNC) e em 
Sistema Nervoso Periférico, sendo este último dividido em Sistema Nervoso 
Autônomo (SNA) e Sistema Nervoso Somático (SNS). O SNA é dividido em 
SNA simpático, SNA parassimpático e SNA entérico (parte do entérico será 
estudada dentro do parassimpático devido à ação da acetilcolina). 
 
 A acetilcolina está presente tanto no SNA quanto no SNS, mas se liga a 
diferentes tipos de receptores em cada sistema. 
 O Sistema Nervoso Somático controla as funções motoras, e funciona 
de forma extremamente rápida. Possui receptores do tipo canal iônico (tipo 1). 
O Sistema Nervoso Autônomo possui certa autonomia, visto que as 
fibras do SNA partem do SNC. O SNA controla os processos vitais que são 
automáticos no nosso organismo, como: digestão, respiração, secreção 
glandular e batimentos cardíacos. 
 Apesar de parecerem opostos, o SNA simpático e o SNA 
parassimpático são complementares. Dependendo da situação em que 
estamos submetidos e dependendo da condição do organismo, ora um está mais 
ativado, ora o outro está mais ativado. Eles estão sempre em flutuação para que 
ocorra um equilíbrio ou um ajuste neste equilíbrio (o equilíbrio não precisa ser 
necessariamente de 50% - ora há um mais ativado, ora há outro mais ativado). 
 Exemplos dos efeitos dos dois sistemas: 
66 
 
• Simpático dilata a pupila, parassimpático contrai a pupila 
• Simpático aumenta a frequência cardíaca, parassimpático diminui a 
frequência cardíaca 
• Simpático aumenta a frequência respiratória, parassimpático diminui a 
frequência respiratória 
• Simpático diminui peristaltismo, parassimpático aumenta o peristaltismo 
 
 
 Nem todos os tecidos possuem a dupla inervação (simpática e 
parassimpática em um mesmo órgão). Isso implica na aplicação de determinado 
fármaco. 
 O parassimpático está mais ativado em situações de repouso e digestão. 
Devido a isso, provoca efeitos como a ativação das glândulas salivares, aumento 
67 
 
do peristaltismo, e ativação das glândulas lacrimais. O parassimpático está muito 
relacionado com o sistema digestório. 
O simpático está mais ativado em situações de luta, fuga e medo. Devido 
a isso, causa efeitos como aumento da frequência cardíaca (para mandar maior 
quantidade de sangue para a musculatura esquelética), aumento da frequência 
respiratória (para chegar mais oxigênio aos músculos esqueléticos), dilatação 
das pupilas (para enxergar melhor), aumento da glicogenólise (quebra do 
glicogênio em glicose para que ela esteja disponível para o músculo). O 
simpático está muito relacionado com o sistema cardiovascular. 
 A principal função do SNA é manter a homeostasia, que consiste no 
controle e manutenção de um ambiente interno estável, em resposta a flutuações 
nas condições internas e a variações induzidas por estímulos externos. 
 
Sistema nervoso periférico 
 É subdividido em Sistema Nervoso Somático e em Sistema Nervoso 
Autônomo 
Sistema nervoso somático 
No SN somático, há uma fibra única que comunica o SNC à placa motora 
(musculatura esquelética). Não há gânglios envolvidos na transmissão do 
impulso. 
 
Sistema nervoso autônomo 
68 
 
 No SNA, na grande maioria das vezes há um gânglio até chegarao órgão 
efetor. Um gânglio consiste em um conjunto de corpos celulares neuronais. 
 Na maioria das vezes, há a participação de duas fibras: uma pré-
ganglionar (que liga o SNC ao gânglio) e uma pós-ganglionar (que liga o 
gânglio ao órgão efetor). 
No SNA simpático, o gânglio está mais próximo do SNC, de modo que a 
fibra pré-ganglionar é curta. No SNA parassimpático, o gânglio está mais próximo 
do órgão efetor (estando muitas vezes inserido em seu interior), de modo que a 
fibra pré-ganglionar é mais longa. 
 Os gânglios do SNA simpático estão próximos ao SNC, formando a 
coluna paravertebral (= cadeia ganglionar simpática). Estes gânglios formam 
uma espécie de cadeia paralela à coluna vertebral. 
 
 O que define se as fibras são simpáticas ou parassimpáticas é a origem 
da fibra na coluna vertebral. As de origem de vértebras toraco-lombares são 
simpáticas. As de origem de vértebras crânio-sacrais são parassimpáticas. 
 
 
NEUROTRANSMISSORES 
69 
 
Neurotransmissor liberado no gânglio pela fibra pré-ganglionar 
 O neurotransmissor liberado no gânglio pela fibra pré-ganglionar, seja ela 
simpática ou parassimpática, é sempre a acetilcolina. 
 No gânglio, a acetilcolina se liga a receptores nicotínicos. A passagem 
no gânglio precisa ser rápida para ativar a fibra pós-ganglionar, e o receptor 
nicotínico permite essa rapidez, visto que é um receptor do tipo canal iônico 
(possui rápida ativação). 
 Sempre a fibra que parte do SNC libera acetilcolina, e o receptor que esta 
acetilcolina encontra é um receptor nicotínico. 
 O receptor nicotínico é um canal iônico que permite a entrada de sódio 
na célula. A entrada de sódio na célula permite o início do processo de 
despolarização da fibra pós-ganglionar (faz com que seja atingido um potencial 
no qual os canais de sódio voltagem-dependentes sejam abertos, causando 
realmente a despolarização), sendo responsável por conduzir o estímulo 
nervoso. O receptor nicotínico permite tanto a entrada de sódio quanto a saída 
de potássio, mas o sódio se difunde em maior quantidade (e por isso é possível 
que ocorra o início da despolarização). 
 
Neurotransmissores liberados pela fibra pós-ganglionar 
 Dependendo do caso, as fibras pós-ganglionares podem liberar 
acetilcolina, adrenalina, noradrenalina ou dopamina. Fibras que liberam 
acetilcolina são chamadas de fibras colinérgicas; fibras que liberam 
noradrenalina são chamadas de fibras noradrenérgicas; fibras que liberam 
dopamina são chamadas de fibras dopaminérgicas. 
Parassimpático: 
 Há sempre a liberação de acetilcolina tanto pela fibra pré-ganglionar 
quanto pela pós-ganglionar. Devido a isso, a acetilcolina é o único 
neurotransmissor do SNAP. 
 
Simpático 
 A fibra pré-ganglionar libera acetilcolina, e a pós ganglionar libera 
noradrenalina (na maioria das vezes), mas também pode liberar acetilcolina 
(em glândulas sudoríparas e em alguns vasos da musculatura esquelética), 
adrenalina ou dopamina. 
70 
 
 
TRANSMISSÃO DO IMPULSO NERVOSO 
 Há a geração de um estímulo (um potencial de ação) no SNC, que 
provoca a abertura de canais de sódio voltagem-dependentes e a consequente 
entrada de sódio na célula da fibra pré-ganglionar, provocando o processo de 
despolarização (o interior da membrana, que antes era negativo, passa a se 
tornar positivo). Conforme vai sendo transmitido o impulso nervoso, há o 
reestabelecimento da polaridade da membrana por onde o estímulo já 
passou. Para que esse reestabelecimento ocorra, são abertos canais de 
potássio voltagem-dependentes, promovendo a saída de potássio da célula 
(quando o sódio entra, a célula fica positiva em seu interior – ao se sair potássio, 
essa positividade é perdida, se reestabelecendo a negatividade no interior da 
membrana). Com a saída do potássio, ocorre a hiperpolarização. 
 
 No gânglio, há os receptores nicotínicos, que são receptores do tipo 1 
(canal iônico controlado por ligante – este último, no caso, é a acetilcolina). 
71 
 
 A despolarização provocada pela abertura de canais de Na voltagem-
dependentes provoca a abertura de canais de cálcio dependentes de 
voltagem. O cálcio intracelular é necessário para que ocorra o processo de 
exocitose e liberação do neurotransmissor (acetilcolina). 
Após ser liberada na fenda sináptica, a acetilcolina encontra o receptor 
nicotínico. Como o receptor nicotínico é um canal iônico controlado por ligante, 
a ligação da acetilcolina promove a sua abertura, de modo que entre sódio na 
célula e cause a despolarização inicial para que sejam abertos os canais de Na+ 
voltagem dependentes, dando continuidade ao processo de despolarização e 
transmissão do impulso nervoso. O impulso continua a ser transmitido até chegar 
ao fim da fibra pós-ganglionar, fazendo com que os canais de cálcio dependentes 
de voltagem presentes em seu terminal se abram, para que o cálcio entre na 
célula e auxilie a liberar os neurotransmissores na fenda sináptica que está em 
ligação com o órgão. 
 
72 
 
 A modulação de canais iônicos e a ação de fármacos sobre canais iônicos 
também é importante no SNC: em casos de convulsões, o SNC está em um 
quadro de hiperexcitabilidade. Os fármacos bloqueiam os canais de cálcio 
para que não ocorra a exocitose desse neurotransmissor. Os fármacos também 
podem agir inibindo canais de sódio, para não ocorrer a despolarização. 
Podem agir também sobre canais de K+ para que eles fiquem abertos por 
mais tempo (para sair mais) ou abrindo canais de cloreto (em ambos os 
casos, para causar hiperpolarização – quanto mais negativo interior da 
membrana, mais difícil de abrir o canal de cálcio). 
TIPOS DE RECEPTORES 
 
Receptores colinérgicos: 
 Os receptores colinérgicos são os receptores nicotínicos e os receptores 
muscarínicos. 
Nicotínico: 
 Está presente tanto no sistema nervoso simpático quanto no 
parassimpático. Está presente no sistema nervoso periférico: no gânglio 
(tanto no simpático quanto no parassimpático, recebendo a acetilcolina 
proveniente da fibra pré-ganglionar que veio do SNC), na placa motora (no 
sistema nervoso somático) e na glândula adrenal (que libera adrenalina, a qual 
atua no SNA simpático). 
 O receptor colinérgico nicotínico sempre realiza uma sinapse excitatória. 
 O receptor nicotínico é pentamérico, está ancorado à membrana e possui 
2 subunidades alfa. Para que seja ativado, é necessário que uma molécula de 
acetilcolina se ligue a cada subunidade alfa. Com a Ach se ligando, há a abertura 
do receptor (que é um canal), permitindo a entrada de sódio e causando o início 
da despolarização. 
 
 
 
73 
 
Muscarínico: 
 Está presente no órgão efetor (ex.: olhos, glândulas, musculatura lisa 
visceral, TGI, vasos, etc). Há 5 tipos de receptores muscarínicos, que são 
separados em receptores estimulatórios e inibitórios. 
Receptores M1, M3 e M5 
 Os receptores M1, M3 e M5 são estimulatórios. Funcionam através do 
sistema que ativa a fosfolipase C, formando o trifosfato inositol. 
A ligação da acetilcolina a receptores muscarínicos, na musculatura lisa 
visceral, causa contração (promove peristaltismo intestinal e esvaziamento 
gástrico): quando ativado, o trifosfato inositol age no reticulo endoplasmático, 
aumentando a concentração de cálcio intracelular - sendo que este íon é utilizado 
na contração da musculatura lisa em questão. O cálcio também é importante no 
processo de secreção de vesículas (exocitose) em órgãos glandulares. 
Receptores M2 e M4 
 Os receptores M2 e M4 são inibitórios. O receptor M2 está presente no 
coração. Quando há uma ativação parassimpática no coração, a acetilcolina se 
liga ao receptor M2, que está ligado a uma proteína GI (inibitória). A ativação 
da proteína GI acaba por diminuir a adenilatociclase e o AMPc, levando a uma 
diminuição da frequência cardíaca. 
 
 Tirando algumas exceções, o receptor muscarínico normalmente possui 
ação contrária ao receptor alfa 1 adrenérgico.Receptores adrenérgicos: 
Os neurotransmissores que se ligam aos receptores adrenérgicos são a 
adrenalina e a noradrenalina. Estes receptores são acoplados a proteína G. Os 
receptores adrenérgicos são divididos em receptores alfa e receptores beta. 
 
 
74 
 
Receptor alfa 
 Existem 2 tipos de receptores alfa: alfa 1 e alfa 2. 
• Alfa 1: atua via proteína GQ (ativando fosfolipase C). Causa 
vasoconstrição. Muito relacionado ao controle dos vasos. 
• Alfa 2: atua via proteína GI (inibe adenilato ciclase, permitindo o 
fechamento de canais de cálcio e havendo uma menor liberação de 
neurotransmissores). Na farmacologia, os receptores alfa-2 mais 
importantes são os pré-sinapticos (são importantes em ações de alguns 
medicamentos), mas também existem receptores alfa-2 pós-sinápticos. 
Desta forma, o receptor alfa-2 normalmente é pré-sináptico e inibitório: 
inibe a liberação de mais neurotransmissores (feedback negativo - 
principalmente adrenalina e noradrenalina) 
 
 
Receptor beta 
 Existem 3 tipos de receptores beta: beta 1, beta 2 e beta 3. Estes 
receptores estão associados à proteína GS: é estimulatória (aumenta adenilato 
ciclase, aumentando AMPc). Causam efeitos como aumento da frequência 
cardíaca e força de contração, glicogenólise e relaxamento da musculatura lisa. 
• Beta 1: principalmente associado ao coração 
• Beta 2: associado principalmente a pulmão (principalmente; causa 
broncodilatação) e útero (causa relaxamento da musculatura lisa uterina) 
75 
 
 
 Não confundir subunidade de receptor nicotínico (alfa e beta) com 
receptor adrenérgico alfa e beta. A dopamina também pode se ligar aos 
receptores alfa e beta. 
 
Exceções de onde, no sistema autônomo simpático, não há liberação de 
noradrenalina no final: 
• Glândulas sudoríparas: a fibra pós-ganglionar libera acetilcolina, que se 
liga a receptor muscarínico presente na glândula sudorípara. Faz parte do 
SNA simpático. 
• Medula suprarrenal: também faz parte do SNA simpático, mas não há um 
gânglio para a transmissão do impulso: as células cromafins presentes na 
medula suprarrenal se assemelham a um gânglio rudimentar. Estas 
células são neurônios pós-ganglionares modificados. 
o A acetilcolina se liga a receptores nicotínicos presentes na medula 
da adrenal (da mesma forma que faria no gânglio). A adrenal libera 
então adrenalina na corrente sanguínea. Através do sangue, a 
adrenalina chegará aos receptores beta adrenérgicos. 
o Libera adrenalina (85%) e noradrenalina (15%) 
76 
 
 
 
 
 
 
 
 
Resumindo os receptores explicados: 
 
 Se é realizado um aumento ou diminuição na concentração de acetilcolina 
no organismo, há interferência no sistema parassimpático, no sistema simpático 
77 
 
e no sistema somático. Devido a isso, para minimizar os efeitos adversos de um 
fármaco, deve-se atuar nos receptores. Ex.: se o fármaco estiver atuando no 
sistema digestório, mexe no receptor muscarínico; se estiver atuando no 
cardiovascular, mexe nos receptores adrenérgicos (beta ou alfa). 
 Cada tecido possui certa predominância de receptor adrenérgico. Com 
isso, para se regular aquele órgão em específico, modula-se mais em um ou em 
outro tipo de receptor adrenérgico. 
 
 
EXCEÇÕES À DUPLA INERVAÇÃO: 
 Os locais do nosso corpo que não possuem inervação simpática E 
parassimpática simultaneamente são: 
• Locais que possuem somente inervação parassimpática: glândulas 
lacrimais e musculo ciliar dos olhos 
• Locais que possuem somente inervação simpática: Glândulas 
sudoríparas (controladas por acetilcolina), a medula suprarrenal e a 
grande maioria dos vasos. 
 
 
 
 
78 
 
FARMACOLOGIA COLINÉRGICA 
Medusa - 86 
 
SINTESE, LIBERAÇÃO E DEGRADAÇÃO DE ACH 
 Dependendo de onde o fármaco atuar, ele funcionará como agonista ou 
antagonista da acetilcolina. 
 A acetilcolina é originada a partir da junção da colina com a acetil-
coenzima A. Esta junção ocorre sob a ação da enzima colina-acetil transferase. 
 Após ser formada, a acetilcolina fica dentro de vesículas. Quando há a 
presença de um potencial de ação, são abertos canais de sódio que 
despolarizam a célula e, por consequência, são abertos canais de cálcio 
dependentes de voltagem, causando o aumento do cálcio intracelular. Com o 
aumento do cálcio intracelular, há o processo de exocitose da vesícula de Ach. 
Ao cair na fenda sináptica, parte da acetilcolina se ligará aos receptores lá 
presentes (pode ser nicotínico ou muscarínico, depende de qual sinapse está 
sendo analisada). 
 A acetilcolina que cai na fenda sináptica é degrada por uma enzima 
chamada de acetilcolinesterase. Ela quebra a acetilcolina em acetato e colina. 
O acetato é utilizado em outras reações bioquímicas, sendo reaproveitado pelo 
organismo. A colina retorna ao neurônio pré-sinaptico via uma proteína 
carreadora, sendo utilizada para a geração de mais acetilcolina. 
 
79 
 
Onde a farmacologia pode atuar: 
A. Sobre os receptores na fenda sináptica: para atuar sobre o receptor, o 
fármaco precisa ter afinidade pelo receptor. Quando o fármaco tem 
afinidade e se liga ao receptor, ele pode ativar ou não ativar o receptor. 
Se ativá-lo, é um agonista; se não o ativar, é um antagonista. 
 
B. Impedindo a liberação do neurotransmissor: ao se ligar ao receptor, o 
neurotransmissor ativa o receptor (é sempre um agonista). Ao ser 
ministrado um fármaco que impede a liberação do neurotransmissor, 
provoca uma ação antagônica. 
a. A toxina botulínica (botox) impede a liberação de acetilcolina na 
placa motora. Como a acetilcolina não se liga ao receptor 
nicotínico, a musculatura esquelética não contrai, não formando 
linhas de expressão. A toxina botulínica, portanto, é um 
antagonista da acetilcolina. É reversível (tempo médio de ação: 4-
6 meses). Ela interfere em proteínas de ancoragem. 
 
C. Sobre a proteína carreadora que transporta a colina para dentro da 
fibra pré-sináptica: normalmente, quem atua sobre esta proteína são 
ferramentas farmacológicas (substâncias que não são empregadas 
terapeuticamente, mas ajudam no estudo de outros fármacos; essas 
substâncias não são normalmente empregadas por causa de efeitos 
colaterais, por possuir uma via de administração inviável, posologia 
inviável (ex.: 6x ao dia), pois há fármacos mais baratos ou com formas 
mais adequadas de administração no mercado, etc - é um fármaco, mas 
é preferencialmente não utilizado). Se esta ferramenta terapêutica agir 
sobre a proteína que leva a colina para dentro da célula, não haverá nova 
síntese de acetilcolina, diminuindo-se a quantidade de 
neurotransmissores: causa efeito antagônico. 
 
 
D. Inibindo a acetilcolinesterase: se for inibida a enzima que degrada a 
acetilcolina, há mais acetilcolina disponível na fenda, favorecendo a ação 
do neurotransmissor: funciona como agonista. 
a. Anticolinesterásico: fármaco que inibe a acetilcolinesterase, sendo 
um agonista colinérgico. 
b. Anticolinérgico: antagonista da acetilcolina 
80 
 
 
 
RECEPTORES COLINÉRGICOS 
 Normalmente, a farmacologia atua sobre os receptores muscarínicos. 
Existem fármacos que atuam sobre os receptores nicotínicos, mas apenas em 
situações muito específicas de utilização (se o fármaco atua sobre os receptores 
nicotínicos, atua não só sobre o sistema simpático, mas também sobre o 
parassimpático (causando assim mais efeitos colaterais)). Os fármacos que 
atuam sobre receptores nicotínicos normalmente atuam sobre os receptores da 
placa motora (no sistema nervoso somático). 
 
Origem dos nomes: 
• Receptor nicotínico: é assim chamado pois é o receptor onde a nicotina 
(substância isolada do tabaco) se liga; 
• Receptor muscarínico: é assim chamado pois é o receptor onde a 
muscarina (substância isolada de fungos do gênero Amanita) se liga. 
 
Tipos de receptores muscarínicos 
 Há 5 tipos de receptores muscarínicos. Os de número ímpar possuem 
efeito excitatório, e os de númeropar possuem efeito inibitório. São eles: 
• M1 – “Neuronal”. É encontrado no SNC, em glândulas gástricas e em 
glândulas salivares 
• M2 – “Cardíaco”. É encontrado no coração e na musculatura lisa visceral 
• M3 – “Glandular”. É encontrado em glândulas gástricas e salivares, e 
também exerce ação importe sobre a musculatura lisa do TGI 
81 
 
• M4 – Age no SNC 
• M5 – Age no SNC, nas glândulas salivares e na íris/músculo ciliar. 
Há poucos fármacos que possuem ação específica sobre um tipo de 
receptor muscarínico (não precisa decorar onde cada tipo de receptor está 
presente). Tirando poucas exceções, se um fármaco atua sobre um receptor 
muscarínico, ele atua sobre todos os tipos. Os fármacos adrenérgicos, todavia, 
possuem maior seletividade pelos subtipos de receptores. 
 
Receptor nicotínico - subunidades 
O receptor nicotínico da junção neuromuscular apresenta 2 
subunidades α, uma β, uma γ e uma δ (sendo que alguns divergem deste padrão, 
apresentando subunidade ε). Os receptores presentes nos gânglios possuem 
apenas subunidades α e β. No SNC, as subunidades se combinam de diversas 
formas para formar os receptores nicotínicos. 
 
 É importante a busca pelo desenvolvimento de medicamentos que 
tenham ação específica sobre as subunidades dos receptores. Se um dos tipos 
de subunidade tiver maior concentração em uma área cerebral, ao se ministrar 
o medicamento específico para esta subunidade, impede-se que ele cause 
efeitos colaterais em outras áreas. Este efeito adverso é o que ocorre no 
tratamento tanto da Doença de Parkinson quanto da Esquizofrenia. Ambas as 
doenças estão envolvidas em circuitos dopaminérgicos, apesar de acometerem 
locais diferentes: a doença de Parkinson conta com o acometimento (morte de 
neurônios dopaminérgicos) da região nigro-estriatal, e a Esquizofrenia conta com 
o acometimento (hiperatividade) da via mesolímbica-mesocortical. Devido ao 
fato de ambas as vias utilizarem a dopamina, ao se utilizar um agonista 
dopaminérgico para tratar a Doença de Parkinson, o fármaco pode agir sobre a 
via mesolímbica-mesocortical, causando sinais de alucinações no paciente 
(relativos à esquizofrenia). Da mesma forma, ao se tratar um paciente com 
Esquizofrenia com antagonistas dopaminérgicos, os fármacos também vão agir 
na região nigro-estriatal, causando quadros de Parksonismo/Pseudo-
Parksonismo. Todo este quadro de efeitos colaterais seria evitado se fossem 
utilizados fármacos específicos para as subunidades dos receptores (ela deu o 
exemplo de um recemptor dopaminérgico, mas vale para os adrenérgicos a ideia 
da pesquisa pelos novos fármacos) 
82 
 
PRINCIPAIS AÇÕES FISIOLÓGICAS – RECEPTORES MUSCARÍNICOS 
 Quando a acetilcolina se liga a receptor muscarínico, promove: 
• Miose e acomodação visual à curta distância (M3) 
• Secreção glandular (de glândulas exócrinas – sudoríparas, mucosas, 
lacrimais), secreção gástrica, intestinal, pancreática (M1 e M3) 
o Apesar de a secreção salivar ser promovida tanto pelo simpático 
(saliva mais espessa) quanto pelo parassimpático (saliva mais 
fluida), o controle da secreção salivar por meio da farmacologia 
ocorre apenas sobre receptores colinérgicos (parassimpático) 
• Bradicardia (M2) 
• Vasodilatação mediada por NO 
o Não há inervação parassimpática direta sobre a musculatura do 
vaso. As células endoteliais liberam NO, que faz a vasodilatação 
• Estimulação da contração da musculatura lisa nos brônquios, TGI, 
vesícula biliar, bexiga e ureteres, e motilidade intestinal (M3) 
• Relaxamento dos esfíncteres do TGI, vesícula biliar e urinário (M2) 
Ao ser ministrado um agonista muscarínico, essas ações estarão sendo 
favorecidas no organismo. Ao ser administrado um antagonista muscarínico, 
essas ações serão diminuídas. 
• Paciente que possui asma: deve se dar um antagonista de receptor 
muscarínico (pois ele está em um quadro de broncoconstrição) 
• Para uma pessoa com cólica intestinal, dar um antagonista 
muscarínico. 
o Como efeito colateral, pode ter boca seca, constipação 
intestinal ou retenção urinária 
• Paciente com ressecamento dos olhos: ministrar um agonista 
muscarínico (para estimular a secreção lacrimal) 
 
PRINCIPAIS AÇÕES FARMACOLÓGICAS – RECEPTORES NICOTÍNICOS 
 A farmacologia praticamente não age sobre receptores nicotínicos, salvo 
algumas exceções, como dentro do centro cirúrgico - como em anestesias, que 
proporcionam o relaxamento da musculatura esquelética do paciente. Para 
promover o relaxamento dessa musculatura, é necessário se administrar um 
antagonista (para assim bloquear o receptor nicotínico da placa motora). 
 Apesar de existirem fármacos que agem sobre receptores nicotínicos 
ganglionares, eles são usados apenas em situações muito específicas e dentro 
de ambiente hospitalar. 
 Em relação aos anestésicos, deve ser analisado o tempo para se realizar 
a ação do bloqueio e o tempo necessário para se realizar a manutenção deste 
bloqueio. 
 
83 
 
AGONISTAS COLINÉRGICOS OU COLINOMIMÉTICOS 
Medusa - 86 
 
 Os agonistas/colinomiméticos imitam a ação da acetilcolina. São 
ministrados para pacientes que possuem algum problema fisiológico no qual se 
é necessário se aumentar o efeito da acetilcolina. 
 Dentro os colinomiméticos, há os de: 
• Ação direta: o fármaco se liga ao receptor colinérgico (normalmente 
muscarínico), causando efeitos biológicos 
 
• Ação indireta: o fármaco não atua diretamente no receptor, e sim na 
enzima acetilcolinesterase (agem inibindo a enzima – são 
anticolinesterásicos). Ao agir sobre essa enzima, há um aumento da 
disponibilidade de acetilcolina na fenda sináptica, de modo que esta 
última possa atuar sobre os receptores colinérgicos. 
o Esta ação anticolinesterásica pode ser reversível ou irreversível. 
As irreversíveis ocorrem normalmente em quadros de intoxicação: 
há inatividade total da enzima e o organismo só reestabelecerá o 
funcionamento quando sintetizar novas enzimas. As ações 
reversíveis são provocadas por fármacos de ação mais curta – até 
um determinado tempo de ação do medicamento, é possível se 
reestabelecer a ação da enzima quando os fármacos são 
eliminados (mas depois de um determinado tempo, a enzima fica 
envelhecida, sendo perdida e necessitando que o organismo 
sintetize novas enzimas) 
 
 
AGONISTAS MUSCARÍNICOS DE AÇÃO DIRETA AO RECEPTOR 
 Os 3 agonistas muscarínicos de ação direta ao receptor que serão 
estudados são Betanecol, Pilocarpina e Cevimelina. 
 
Betanecol 
O Betanecol também é chamado de Liberan. É um fármaco que está em 
desuso. Realiza relaxamento de esfíncteres e contração da musculatura 
lisa, proporcionando assim o esvaziamento da bexiga e o aumento da motilidade 
intestinal. Este medicamento é seletivo para receptores muscarínicos. Era 
utilizado para a realização de sigmoidoscopia. É um hibrido de carbacol e 
matacolina. 
Os fármacos mais utilizados hoje em dia para o aumento da motilidade 
intestinal agem mais especificamente sobre o lúmen do intestino, sem agir sobre 
outros receptores muscarínicos. Todos os fármacos utilizados para 
84 
 
colonoscopias, por mecanismos diferentes, aumentam a quantidade de água no 
lúmen intestinal, proporcionando a expulsão das fezes e a limpeza do intestino 
para a realização do exame. 
 
 
O esvaziamento da bexiga é muitas vezes realizado com sondas (também 
não se usa mais o Betanecol para isso). 
 
Pilocarpina 
A pilocarpina é uma substância isolada de uma planta (gênero 
Pilocarpus). Uma das plantas das quais a pilocarpina pode ser extraída é a 
Pilocarpus jaborandi. Por ser um agonista colinérgico, a pilocarpina se liga a 
receptores muscarínicos, promovendo efeitos como vasodilatação e aumento da 
secreção glandular. Os shampoos feitos a base de jaborandi possuem 
pilocarpina, e apresentam como efeitos a diminuição da queda do cabelo (que 
fica mais nutrido devido a este maior aporte sanguíneo no couro cabeludo) e demenor ressecamento (devido à estimulação à secreção glandular). 
Na terapêutica, a pilocarpina é utilizada no tratamento do glaucoma. O 
glaucoma consiste no aumento da pressão intraocular. Este aumento pode estar 
acontecendo devido a um aumento na produção de humor aquoso ou devido a 
uma deficiência na drenagem do humor aquoso. A drenagem do humor aquoso 
é feita pelo canal de Schelemm, e muitas vezes a musculatura do músculo 
constrictor da pupila está posicionada de modo a dificultar o acesso do humor 
aquoso a este canal. 
A pilocarpina auxilia no tratamento do glaucoma pois atua no músculo 
constritor da pupila (a acetilcolina atua sobre este músculo, contraindo-o – e 
como a pilocarpina é um agonista, também tem esse efeito sobre o músculo). 
Quando este músculo está em um processo de contração, o acesso ao canal de 
Schelemm é facilitado. Se o músculo constricitor da pupila está contraído, ele 
fica mais horizontalizado em relação ao canal, facilitando a drenagem; se ele 
está relaxado, fica mais verticalizado (cerca de 45ºC), bloqueando em parte o 
acesso ao canal. 
85 
 
 
 
 
Outra ação que ajuda no controle dessa pressão intraocular é a ação da 
pilocarpina sobre o músculo ciliar. Quando o músculo ciliar se contrai, ele 
diminui a tensão do cristalino, de modo que ele fique mais abaulado (traciona 
para frente e para trás), diminuindo a pressão intraocular. O músculo ciliar possui 
inervação exclusiva parassimpática, e é utilizado para a acomodação da visão 
de perto 
 
 
86 
 
 
 
Se o fármaco atuar no sistema simpático, ele vai alterar apenas midríase 
e miose, não interferindo na acomodação da visão para perto. Se o fármaco atuar 
no sistema parassimpático, ele vai alterar midríase e miose e também a 
acomodação visual para perto. Colirios para dilatar a pupila agem sobre o 
simpático, e não sobre o parassimpático (senão interfeririam na acomodação 
visual também). 
 A pilocarpina é utilizada na forma de colírio (apresenta efeito local). 
 
Cevimelina: 
A cevimelina é um fármaco utilizado na Síndrome de Sjogren. Esta 
síndrome é uma doença auto-imune na qual há uma perda de atividade do 
sistema nervoso parassimpático, principalmente sobre glândulas lacrimais e 
glândulas salivares. Esta síndrome apresenta estes efeitos pois anticorpos 
bloqueiam receptores muscarínicos dessas duas glândulas, além causarem a 
obstrução do ducto das glândulas em questão (tanto anticorpos quanto outros 
mediadores causam este último efeito). 
 Com a presença destes anticorpos, a acetilcolina não consegue se ligar 
ao receptor (visto que o sítio de ligação já está ocupado), de modo a não causar 
a secreção glandular. 
Em doenças autoimunes, o paciente normalmente faz uso de 
imunossupressores (sendo que os mais comumente utilizados são os 
glicocorticóides). Os imunossupressores são importantes pois, ao diminuirem a 
quantidade de anticorpos, deixam os receptores livres para que a acetilcolina 
consiga se ligar, além de permitir que os agonistas (no caso, a cevimelina) se 
liguem também. 
87 
 
 
 
 
AGONISTAS NICOTÍNICOS DE AÇÃO DIRETA AO RECEPTOR 
 Os agonistas nicotínicos normalmente não são utilizados. Alguns 
exemplos deles são: 
• Nicotina: utilizada no abandono ao tabagismo. Discos de nicotina 
transdérmicos são utilizados para se realizar uma redução gradual da 
necessidade de nicotina pelo organismo 
• Lobelina: não utilizada na terapêutica 
• DimetilfenilpIperazínio (DMPP): não utilizado na terapêutica 
• Epibatidina: substância proveniente da pele de sapos que possui alto 
poder analgésico. Não utilizada na terapêutica devido à atuação em 
receptores ganglionares e produção de muitos efeitos colaterais. 
Vareniclina: 
Substância que também é utilizada no abandono ao tabagismo. É um 
agonista, mas na presença da nicotina, se torna um antagonista. 
Quando a nicotina (proveniente do cigarro) se liga ao receptor nicotínico, 
libera dopamina (neurotransmissor responsável por trazer a sensação de bem-
estar) no núcleo accumbens. A vareniclina também se liga ao receptor nicotínico, 
provocando a liberação de dopamina (por isso é um agonista). Se o paciente faz 
uso de vareniclina e fuma, a nicotina não consegue se ligar ao receptor (já que 
está sendo ocupado pela vareniclina – nesta ocasião, o fármaco se torna um 
antagonista). 
 Se o paciente que faz uso de vareniclina fumar, o medicamento provocará 
um gosto muito desagradável na boca (o que estimula o paciente a abandonar o 
tabagismo). A vareniclina possui grande quantidade de efeitos colaterais. 
 
 
 
88 
 
Suxametônio/Succinilcolina: 
Normalmente, fármacos agonistas da acetilcolina causam contração 
muscular ao se ligarem ao receptor nicotínico da placa motora. Todavia, o 
suxametônio causa relaxamento muscular. Ele possui este efeito porque causa 
um bloqueio por despolarização prolongada (o suxametônio é a única 
substancia na terapêutica que causa esse efeito). Este fármaco se liga ao 
receptor, promove uma contração transitória, mas depois de 1-2 minutos, ocorre 
o bloqueio por despolarização prolongada. 
A estrutura do suxametônio é semelhante a 2 moleculas de acetilcolina 
interligadas, e ele é dificilmente degradado pela acetilcolinesterase. Essa 
semelhança estrutural possibilita a ligação do suxametônio a receptores 
nicotínicos, gerando um potencial de ação devido à entrada de sódio na célula. 
Essa pequena alteração no potencial proporcionada pela abertura dos canais 
nicotínicos faz com que o potencial da membrana passe de -70 mv (quando em 
repouso) para -55 mv, voltagem que é capaz de abrir os canais de sódio 
voltagem-dependentes, causando a despolarização da célula. Ao ser alcançado 
o potencial por volta de +40 mv, os canais de sódio voltagem-dependentes se 
fecham e os canais de potássio voltagem-dependentes se abrem, visando 
repolarizar a célula. Todavia, esse efeito de repolarização não é atingido de 
imediato, visto que, como o suxametônio continua no receptor nicotínico, ele 
continua a causar a liberação contínua de sódio para o interior da célula, 
dificultando o processo de repolarização. Com isso, os canais de potássio ficam 
abertos por mais tempo, causando um aumento da concentração de potássio 
extracelular. Como a célula não consegue ser repolarizada, ela não pode passar 
por um novo processo de contração, permanecendo relaxada. O relaxamento 
dura cerca de 5 minutos, tempo necessário para que a butirilcolinesterase 
degrade o suxametônio. 
A despolarização que ocorre no início do processo é capaz de abrir os 
canais de cálcio e gerar uma contração inicial e passageira das fibras 
musculares, a chamada fasciculação. Todavia, este cálcio é rapidamente 
absorvido para o interior do retículo endoplasmático em seguida, o que faz com 
que a célula não entre em um processo de tetanização. Para que ocorra a 
tetanização, é necessário que ocorram vários potenciais de ação subsequentes, 
e não apenas um. 
Conclui-se portanto que o bloqueio por despolarização prolongada é 
provocado por um fármaco agonista (visto que se liga no receptor e causa 
contração), mas ele provoca no organismo um efeito antagônico. 
O suxametônio é o fármaco utilizado para o relaxamento traqueal 
necessário para a intubação. O efeito do medicamento dura cerca de 5 minutos 
(é degradado pela butirilcolinesterase). 
 
 
89 
 
AGONISTAS INDIRETOS - ANTICOLINESTERÁSICOS 
 Os agonistas indiretos (anticolinesterásicos) são divididos em reversíveis 
e irreversíveis. 
 
Reversíveis 
 Possuem ação mais curta. 
Neostigmina e Piridostigmina 
 Um dos usos dos agonistas indiretos anticolinesterásicos é no tratamento 
da miastenia gravis. A miastenia gravis é uma doença autoimune na qual o 
organismo produz anticorpos contra os receptores nicotínicos da placa motora 
(não confundir com a Síndrome de Sjogren, que os anticorpos atuam nos 
receptores muscarínicos). Nesta síndrome, a acetilcolinanão consegue se ligar 
ao receptor, visto que o anticorpo está presente no sítio de ligação. O paciente 
pode apresentar sorriso frouxo, ptose e perda gradativa da capacidade de 
contrair a musculatura esquelética. 
 
 
 A presença dos anticorpos na junção neuromuscular leva a um processo 
inflamatório, causando destruição da junção muscular e prejudicando cada vez 
mais a contração da musculatura esquelética deste paciente. 
90 
 
 
 Para se realizar o tratamento desta doença, é necessário o uso de 
imunossupressores ou de plasmaferese (retirada de anticorpos circulantes do 
plasma) e de anticolinesterásicos (que vão atuar sobre a acetilcolinesterase, 
causando maior disponibilidade de acetilcolina na junção neuro-muscular) 
Há alguns fármacos anticolinesterásicos que causam efeito não apenas 
na junção neuromuscular, mas também na ganglionar (aumentando-se a 
quantidade de acetilcolina em ambos os sítios). A neostigmina e a 
piridostigmina são fármacos que causam menores efeitos colaterais, pois se 
ligam mais especificamente à junção neuromuscular. 
Os principais fármacos utilizados no tratamento da miastenia gravis são: 
• Edrofônio*: apresenta duração mais curta (tempo de ação de 2-10 
minutos). É mais utilizado no diagnóstico da miastenia gravis 
• Neostigmina*: realiza inversão do bloqueio da junção neuromuscular 
• Piridostigmina* 
 
Os fármacos com terminação “tigmina” possuem tempo de ação de 30 
minutos a 6 horas. A Fisostigmina também é um anticolinesterásico reversível, 
e é utilizado em forma de colírio para o tratamento do glaucoma (possui 
capacidade de atuar localmente). 
Casos em que ocorre um aumento excessivo da presença da acetilcolina 
(devido a interações medicamentosas ou a erros na posologia) podem levar ao 
aparecimento de quadros de fraqueza muscular nos pacientes com miastenia 
gravis, os quais ocorrem devido ao fenômeno de despolarização prolongada (só 
ocorre se estiver sobrando muita acetilcolina na fenda sináptica). 
 
91 
 
*Alguns fármacos conseguem ser estruturalmente modificados pela indústria 
farmacêutica, dificultando ou facilitando a passagem pela barreira hemato-
encefálica. Ao se falar da miastenia, precisa que o fármaco atue sobre o SN 
periférico, e não no SNC. Para isso, a indústria farmacêutica modifica 
estruturalmente estes fármacos, adicionando um grupamento de amônio 
quaternário para dificultar a passagem destes medicamentos pela barreira 
hemato-encefálica. Outros anticolinesterásicos, todavia, atuam no SNC, como 
os utilizados na Demência do tipo Alzheimer (DAT). Na DAT, o paciente possui 
dificuldade de formação de memória recente devido à morte de neurônios 
colinérgicos no hipocampo. Nesta doença, a farmacologia age tentando 
reestabelecer a transmissão colinérgica no SNC: mantém a ação da acetilcolina 
mais tempo na fenda sináptica nos neurônios que ainda são capazes de liberar 
acetilcolina. Os fármacos para DAT (que agem no SNC) podem causar efeitos 
colaterais no SNP, como crise colinérgica (aumento da salivação, de cólicas, no 
lacrimejamento), despolarização prolongada gerando fraqueza muscular (se 
houver acetilcolina sendo acumulada na fenda sináptica), dessensibilização e 
paralisia muscular (sendo estes 2 últimos sintomas muito frequentes em quadros 
de intoxicação por organofosforados). 
 
Irreversíveis 
Organofosforados 
• Paration e Melation: veneno utilizado para se matar o mosquito da dengue 
• Diflos 
• Gás do nervo e Gás Sarin 
• Ecotiofato 
• Aldicarbe (chumbinho): é um inibidor irreversível de acetilcolinesterase. 
Sua ingestão provoca crise colinérgica no organismo, levando a paralisia 
muscular. Causa intoxicação. 
 
Efeitos dose-dependentes 
 Em baixas doses, a acetilcolina causa efeitos mais leves, como a 
contração da musculatura lisa visceral, provocando desconforto abdominal. 
Conforme a dosagem vai aumentando, passa a provocar efeitos como diurese e 
defecação involuntária (devido à contração da musculatura lisa visceral e 
relaxamento dos esfíncteres), miose e contração da musculatura esquelética. 
Em altas doses, a acetilcolina leva à parada respiratória: causa um bloqueio por 
despolarização prolongada no diafragma. 
 O paciente intoxicado por Aldicarbe vem a óbito devido a uma parada 
respiratória. Esta parada ocorre porque o excesso de acetilcolina causa intensa 
broncoconstrição e aumento da atividade glandular (causando um aumento da 
secreção no pulmão), dificultando assim as trocas gasosas. Associado a esta 
dificuldade em realizar as trocas gasosas, está um quadro de bradicardia. Antes 
92 
 
de ocorrer a parada do funcionamento do diafragma, o paciente vem a óbito por 
dificuldade respiratória e bradicardia. 
 No pulmão e no coração, há receptores M2 e M3. É possível salvar o 
paciente intoxicado por Aldicarbe com a administração de atropina, um 
antagonista do receptor muscarínico. 
 
Em um quadro inicial de intoxicação, o que ocorre são os efeitos 
muscarinicios: aumento de secreção glandular, cólicas, broncoconstrição e 
bradicardia. Em um quadro de intoxicação aguda, os sintomas são bradicardia 
grave, hipotensão e dificuldade respiratória. Em concentrações mais altas, há 
espasmos musculares e bloqueio por despolarização prolongada. 
Estas substâncias tóxicas normalmente são lipossolúveis, o que faz com 
que elas facilmente acometam o SNC. 
Trabalhadores rurais que trabalham com organofosforados têm que 
fazer exames com periodicidade para que seja avaliada a atividade da 
acetilcolinesterase. Se a atividade desta enzima estiver muito baixa, o 
profissional deve ser afastado do trabalho por alguns meses para que os níveis 
sejam reestabelecidos 
Não se sabe ao certo porque Neostigmina e a Piridostigmina têm ação 
sobre a acetilcolinesterase da junção neuromuscular. A Fisostigmina e os 
organofosforados agem mais sobre o SN autônomo. 
O gás do nervo é uma substância que leva a pessoa a óbito em menos 
de 5 minutos. É um gás extremamente lipossolúvel, sendo devido a isso capaz 
de atravessar a pele e chegar rapidamente à corrente sanguínea, levando as 
Infecção por Gás Sarin: há alguns anos, em um ataque na Síria, diversas 
pessoas morreram infectadas por Gás Sarin. Durante o ataque, muitas 
pessoas foram para os abrigos subterrâneos. Todavia, o Gás Sarin é um gás 
pesado, de modo que ele se acumulou nestes abrigos subterrâneos, levando 
a uma intoxicação ainda maior dos indivíduos que ali estavam abrigados. Os 
primeiros indivíduos que foram encontrados em quadros iniciais de 
intoxicação conseguiram ser salvos (foi administrada atropina; todavia, a 
grande quantidade de indivíduos acometidos foi excedente para o estoque de 
atropina disponível, levando muitas pessoas a óbito). As pessoas intoxicadas 
que foram encontradas ainda com vida apresentavam salivação constante, 
muitas cólicas, não enxergavam (em função da miose) e fraqueza (muitas já 
haviam entrado no quadro de despolarização prolongada, de modo que não 
conseguiam correr nem fugir). No quadro de intoxicação mais severa pelo 
Gás Sarin, a respiração fica muito comprometida (devido ao aumento 
exagerado da secreção glandular e à constrição brônquica) e ocorre também 
intensa bradicardia. Estes dois quadros associados levam o indivíduo a óbito 
por parada respiratória. 
 
93 
 
pessoas a óbito em poucos minutos. Este gás era utilizado nas câmaras de gás 
durante o holocausto. 
Há substâncias que são reativadores da acetilcolinesterase, chamados de 
PAM e DAM. Em função do envelhecimento rápido da enzima, nem sempre estes 
reativadores são utilizados (a partir do momento em que a enzima envelhece, 
ela não consegue mais ser reativada). Devido a isso, a atropina ainda é o 
fármaco mais utilizado no tratamento de intoxicações por anticolinesterásicos. 
 
 
 
 
• Parassimpatomimético: fármaco que imita a ação da acetilcolina, sendo 
um agonista 
• Parassimpatolítico: fármaco que causa a lise da acetilcolina,sendo um 
antagonista 
 
 
 
 
 
 
94 
 
ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS OU ANTICOLINÉRGICOS 
Medusa - 86 
 
 Os antagonistas da acetilcolina podem agir de duas formas: bloqueando 
receptores muscarínicos (que estão no órgão efetor) ou bloqueando 
receptores nicotínicos. Apenas em algumas situações muito específicas se é 
realizado o bloqueio de receptores nicotínicos (visto que, se ocorrer o bloqueio 
de um receptor nicotínico ganglionar, serão acarretados tanto efeitos simpáticos 
quanto parassimpáticos). 
BLOQUEADORES DE RECEPTORES MUSCARÍNICOS 
 Os antagonistas muscarínicos são: 
• Alcalóides naturais: são aminas terciárias que foram isoladas de plantas 
medicinais. Possuem ação no SNC e no SNP. 
o Atropina: foi isolada da planta Atropa belladona 
o Escopolamina: foi isolada das plantas Datura stramonium e 
figueira do diabo. A escopolamina utilizada na terapêutica no Brasil 
é modificada estruturalmente, se tornando Butilbrometo de 
escopolamina (fármaco que possui ação periférica). 
 
• Aminas terciárias: também possuem ação no SNC. 
o Homatropina 
o Pirenzepina: pouco utilizada atualmente. Este fármaco apresenta 
seletividade para receptor M1. A chegada dos inibidores de bomba 
de prótons ao mercado fez com que este fármaco não fosse mais 
tão utilizado 
o Dicilomina, Ciclopentolato e Tropicamida: são fármacos utilizados 
em oftalmologia 
o Benztropina e Triexifenidil: anticolinérgicos utilizados no tratamento 
inicial da doença de Parkinson (visto que a falha na via 
dopaminérgica ocasionada na Doença de Parkinson faz com que 
uma via colinérgica ser disparada). 
 
• Aminas quaternárias: estas moléculas possuíram sua estrutura 
modificada para se diminuir a passagem destes fármacos pela barreira 
hematoencefálica. Estas substâncias agem sobre SNA 
o Ipratrópio 
 
95 
 
(Os antagonistas muscarínicos que devemos decorar: Atropina, 
Escopolamina, Ipratrópio e Tiotrópio. Estes 4 agem sobre receptores 
muscarínicos). 
 Os antagonistas muscarínicos bloqueiam receptores muscarínicos. 
Com isso, as ações fisiológicas da acetilcolina em receptor muscarínico 
serão bloqueadas. Os efeitos do bloqueio de receptor muscarínico são: efeito 
espasmolítico (antiespasmódico), boca seca, constipação intestinal, retenção 
urinária, diminuição da secreção glandular, midríase e paralisia da acomodação 
visual. Se for objetivado causar midríase e paralisia da acomodação ocular, 
utiliza-se um antagonista muscarínico; se for objetivado causar midríase, mas 
não causar paralisia da acomodação ocular, deve ser ministrado um agonista 
adrenérgico (visto que a acomodação ocular possui inervação apenas 
parassimpática). Os antagonistas muscarínicos também são utilizados para 
alivio de cólica biliar e de cólica renal. 
 
ATROPINA 
 Os principais usos da atropina são: 
• Como antiespasmódico 
• Como antídoto em casos de envenenamento por anti-colinesterásicos 
• No tratamento da bradicardia, visto que a acetilcolina, ao se ligar a 
receptor muscarínico M2, provoca bradicardia. A atropina inibe este 
receptor para que ocorra um aumento da frequência cardíaca 
• Como adjuvante anestésico para causar a redução de secreção 
glandular e a broncodilatação (visto que a acetilcolina, em receptor 
muscarínico, provoca aumento da secreção glandular e 
broncoconstrição). 
o Alguns relaxantes musculares podem levar a broncoconstrição 
decorrente da liberação de histamina e leucotrienos. O uso da 
atropina para causar broncodilatação não reverte a 
broncoconstrição mediada por estas duas substâncias. 
 A dose terapêutica utilizada vai de 0,3 a 1,2 mg, de modo que quase 
não há efeitos desta substância no SNC. 
 A atropina também é utilizada no controle da sialorreia (secreção salivar 
aumentada). 
 
ESCOPOLAMINA 
 Chás de figueira do diabo (uma das plantas das quais a escopolamina é 
extraída) eram utilizados para tratar problemas respiratórios por povos 
indígenas. Este efeito era alcançado pois a escopolamina contida no chá 
bloqueava receptores muscarínicos, causando broncodilatação e diminuição 
da secreção glandular. 
96 
 
 A escopolamina causa efeitos no SNC como sonolência, amnésia e 
diminuição do sono REM (efeitos semelhantes a o que ocorre na doença de 
Alzheimer, visto que neste quadro há uma diminuição na liberação de acetilcolina 
no SNC. A escopolamina funciona como um antagonista colinérgico, e por isso 
causa estes efeitos semelhantes à doença de Alzheimer). Devido a este efeito 
de provocar amnésia, a escopolamina era utilizada quando não existiam 
procedimentos anestésicos, para que assim o paciente não se lembrasse do 
procedimento cirúrgico que ocorreu. 
 Atualmente, a escopolamina é vendida comercialmente na forma de 
Butilbrometo de escopolamina (fármaco que possui ínfima lipossolubididade, 
e devido a isso, dificilmente atravessa a barreira hematoencefálica (enquanto a 
escopolamina isolada das plantas é capaz atravessar a barreira 
hematoencefálica, sendo devido a isso efetiva no tratamento da cinetose)). O 
Buscopam é um medicamento que contém em sua formulação o Butilbrometo 
de escopolamina, sendo utilizado principalmente como antiespasmódico. 
 A cinetose (enjoos e êmese ocasionada por um desequilíbrio no labirinto 
provocado pelo movimento) pode ser tratada com adesivos transdérmicos de 
escopolamina (os quais não possuem venda permitida no Brasil). 
 
IPRATRÓPIO E TIOTRÓPIO 
O Ipratrópio e o Tiotrópio são fármacos utilizados no tratamento da asma 
e da DPOC. 
O Ipratrópio é o princípio ativo do Atrovent, fármaco bastante utilizado 
como broncodilatador. O Tiotrópio possui a mesma finalidade terapêutica que 
o Ipratrópio, mas é um fármaco inalado. O Tiotrópio possui tempo de ação maior 
no organismo em relação ao Ipratrópio. 
 
OUTROS ANTAGONISTAS MUSCARÍNICOS 
 (Não precisa decorar o nome destes fármacos e a função de cada um, só 
saber que antagonistas muscarínicos podem ser usados nas finalidades a 
seguir): 
• Citopentolato e Tropicamida: dilatação da pupila e cicloplegia (paralisia 
da acomodação visual) 
• Oxibutinina, Tolterodina e Darifenacina: tratamento da incontinência 
urinária (o antagonista ajuda no tratamento da incontinência, visto que a 
acetilcolina causa relaxamento de esfíncteres) 
• Glicopirrolato: inibe a formação de saliva 
Efeitos colaterais do uso de antagonistas muscarínicos: boca seca, 
visão turva, constipação intestinal e retenção urinária 
 
97 
 
OUTROS MECANISMOS DE ANTAGONISTAS COLINÉRGICOS 
 Até então, foram citados fármacos que agem sobre receptores 
muscarínicos. Todavia, existem outros mecanismos para que seja causado o 
efeito antagonista dos fármacos colinérgicos: 
A. INTERFERÊNCIA NA LIBERAÇÃO DE ACH 
 Os fármacos que interferem na liberação de acetilcolina podem agir de 
duas formas: 
• Inibindo o sistema de captação de colina (o Hemicolínio, que não é 
utilizado na terapêutica, possui este efeito) 
• Bloqueando canais de cálcio (e impedindo assim a exocitose). Não há 
nenhum fármaco que realize o bloqueio do canal de cálcio: ele ocorre 
normalmente devido ao uso de alguns antibióticos ou devido à ação de 
algumas toxinas. 
 
B. DESPOLARIZAÇÃO PROLONGADA 
A Nicotina é capaz de causar despolarização prolongada ao agir sobre 
receptores nicotínicos 
 
C. INTERFERÊNCIA NA AÇÃO PÓS-SINÁPTICA 
 
• Trimetafana: era utilizado para reduzir a PA em procedimentos cirúrgicos, 
objetivando se controlar um quadro de hemorragia. Este fármaco é 
raramente utilizado na terapêutica, visto que causa um bloqueio de 
receptores nicotínicos ganglionares. É mais utilizado em pesquisas. 
 
• Toxina botulínica: interfere na liberação de acetilcolina. A acetilcolina, ao 
se ligar ao receptor nicotínico da placa motora, causa contração da 
musculatura esquelética. A toxina botulínica bloqueia o processo de 
exocitose, não permitindo a liberação da acetilcolina na fenda. 
o Para que ocorra a liberação do neurotransmissor,a vesícula deve 
conseguir se ancorar à membrana da célula pré-sináptica. Para o 
processo de exocitose acontecer, é necessária a presença de 
cálcio e de proteínas SNARE (três proteínas que formam um 
complexo que permite a ancoragem da vesícula na membrana pré-
sináptica). A toxina botulínica degrada essas proteínas do 
complexo SNARE, de forma que não seja possível ocorrer a 
ancoragem das vesículas e liberar mais neurotransmissores. 
o Acreditava-se que a toxina botulínica ocasionava apenas um 
bloqueio da junção neuromuscular, mas atualmente sabe-se que a 
toxina botulínica pode ser utilizada para outras aplicações clínicas, 
visto que ela pode atuar também sobre junções neuronais ou sobre 
junções neuro-glandulares. Alguma das suas aplicações são: 
tratamento da sudorese excessiva (hiperidrose), correção do 
98 
 
estrabismo, correção de ptose, tratamentos estéticos, tratamento 
do bruxismo, tratamento da incontinência urinária, tratamento de 
cefaleia e enxaqueca crônica (na enxaqueca, ocorrem descargas 
colinérgicas; nos quadros de enxaqueca crônica, a pessoa possui 
mais de 15 dias de enxaqueca no mês – e devido a isso, o fármaco 
deve ser tomado de forma preventiva). 
o Com o passar do tempo, o organismo vai progressivamente 
eliminando a toxina e reestabelecendo as proteínas de ancoragem, 
devendo ser realizada nova aplicação da toxina botulínica para que 
os efeitos citados acima sejam mantidos. 
 
 
 
 
99 
 
BLOQUEADORES DE RESCEPTORES NICOTÍNICOS (DA JUNÇÃO 
NEUROMUSCULAR) 
 Estes fármacos são utilizados como coadjuvantes anestésicos. São 
classificados em bloqueadores não despolarizantes competitivos e 
bloqueadores despolarizantes. 
(Não precisa decorar qual fármaco é de ação intermediária, rápida ou ultra-
rápida. Precisa saber a finalidade dos medicamentos e o seu mecanismo de 
ação). 
 
Bloqueadores não despolarizantes competitivos 
 Estes fármacos se ligam ao receptor nicotínico presente na junção 
neuromuscular, bloqueando-o e impedindo assim a ligação da acetilcolina 
(mecanismo clássico de antagonistas em receptores). Como resultado, ocorre 
relaxamento da musculatura esquelética. Estes fármacos são chamados de 
bloqueadores pois bloqueiam a ligação da acetilcolina e competitivos pois o 
fármaco e o receptor competem pelo mesmo sítio de ligação. 
 Para se retornar à fisiologia normal após o procedimento cirúrgico, 
aumenta-se a concentração de acetilcolina na fenda sináptica por meio da 
administração de um anti-colinesterásico, como a Neostigmina (para que 
assim a acetilcolina consiga deslocar o bloqueador do receptor). 
Conjuntamente ao fármaco anti-colinesterásico, é administrada atropina. 
Isto é feito pois a acetilcolina pode agir no pulmão, causando broncoconstrição 
e aumento da secreção glandular (a atropina age impedindo estes efeitos da 
acetilcolina sobre os receptores muscarínicos). 
 Os bloqueadores não despolarizantes competitivos são: 
• Tubocurarina: é um fármaco proveniente do curare (substância utilizada 
por povos indígenas em caçadas – ao ser injetado no animal, o curare 
bloqueia receptores nicotínicos da placa motora, e com isso os animais 
atingidos não conseguem fugir). Atualmente, a Tubocurarina não é mais 
100 
 
utilizada, visto que além de bloquear receptores nicotínicos da placa 
motora, ela também bloqueia receptores nicotínicos ganglionares 
(causando hipotensão), além de causar também a liberação de histamina 
(que causa ainda mais hipotensão e broncoconstrição). 
• Atracúrio, Doxacúria, Cisatracúrio e Mivacúrio: são derivados da 
isoquinolina 
o Atracúrio e Mivacúrio promovem a liberação de histamina, mas os 
outros derivados da isoquinolina não. O Atracúrio é bastante 
utilizado, visto que a sua eliminação independe de o paciente 
apresentar função renal e função hepática preservadas. 
• Pancurônio, Vecurônio e Rocurônio: são derivados esteróides. 
 Todos estes fármacos citados acima podem ter o seu mecanismo de ação 
revertido com anticolinesterásicos. Os derivados de esteroides também 
conseguem ser inativados pelo Sugamadex (o qual não consegue inativar os 
derivados da tubocurarina). O Sugamadex causa menos efeitos colaterais do 
que os anticolinesterásicos. É uma substância que consegue encapsular o 
fármaco (o bloqueador neuromuscular), de modo que ele não consiga mais atuar 
sobre o receptor e seja possível se reestabelecer a contração muscular. 
 Os efeitos causados belos bloqueadores competitivos não 
despolarizantes são (em ordem crescente de doses): relaxamento dos olhos, do 
maxilar e da laringe; relaxamento de membros e tronco; relaxamento do 
diafragma. Na recuperação após o uso destes fármacos, os efeitos vão sumindo 
de forma contrária à citada (o primeiro a se recuperar é o diafragma, seguido por 
membros e tronco, sendo recuperados por fim os olhos, o maxilar e a laringe). 
 
Bloqueadores despolarizantes 
 A succinilcolina se liga aos receptores nicotínicos da placa motora 
possui menor hidrólise pela acetilcolinesterase, do modo que permanece por 
mais tempo ligada ao receptor nicotínico, levando a um quadro de 
despolarização prolongada. No primeiro minuto após a administração da 
succinilcolina, o paciente apresenta contrações musculares (fasciculações – as 
quais podem transmitir dor para alguns pacientes). Depois de 1-2 minutos, ocorre 
o bloqueio por despolarização prolongada e a musculatura relaxa. Após isso, a 
succinilcolina é degradada pela butirilcolinesterase (a colinesterase circulante na 
corrente sanguínea). 
É um fármaco bastante utilizado para procedimentos de intubação. 
 Os principais efeitos colaterais relativos ao uso da succinilcolina são: 
• Bradicardia, que acontece devido à ação sobre receptores muscarínicos. 
• Arritmia cardíaca devido a uma hipercalemia (este quadro normalmente 
não ocorre em pacientes saudáveis, mas sim em pacientes com algum 
tipo de traumatismo ou queimaduras) 
• Aumento de pressão intraocular 
101 
 
• Paralisia prolongada em determinadas situações (quando a atividade da 
butirilcolinesterase está diminuída, como em pacientes em contato com 
organosfosforados, pacientes que fazem uso de anticolinesterásicos, em 
RNs e em pacientes cuja atividade enzimática é diminuída). 
• Hipertemia maligna (podem ocorrer espasmos intensos da musculatura, 
causando um aumento de temperatura corporal). 
 
Classificação dos bloqueadores da JNM em relação ao tempo 
(Não precisa decorar qual é qual) 
• Fármacos de longa duração: Pancurônio e Doxacúrio são fármacos de 
longa duração, mas que demoram um tempo para ter início de ação. São 
fármacos extremamente potentes, e a sua demora no início de ação 
acontece pois as doses ministradas são extremamente baixas. 
• Fármacos de ação intermediária: Vecurônio e Atracúrio. possuem tempo 
de ação um pouco mais rápido. 
• Fármacos de curta duração: Mivacúrio (Rapacurônio também era, mas 
não é mais) 
• Fármacos de ação ultra curta: Succinilcolina 
O Rocurônio é um fármaco de ação intermediária, mas é considerado de 
ação curta. (?) 
Os fármacos de ação curta e ultra curta sofrem ação da butirilcolinesterase. 
Atualmente, muitos procedimentos não usam mais succinilcolina, pois têm 
começado a utilizar o Rocurônio devido a este provocar menos efeitos colaterais 
do que a succinilcolina. 
102 
 
 
A imagem abaixo mostra os principais mecanismos que interferem na 
transmissão de acetilcolina: 
103 
 
 
 
104 
 
FARMACOLOGIA ADRENÉRGICA 
Medusa - 86 
 
A farmacologia adrenérgica age principalmente sobre o sistema nervoso 
simpático. As glândulas sudoríparas são uma exceção, pois apesar de fazerem 
parte do sistema nervoso simpático, são controladas pela liberação de 
acetilcolina. 
 
 
Na farmacologia adrenérgica, os fármacos podem atuar aumentando o 
conteúdo de adrenalina e noradrenalina na fenda sináptica ou se ligando 
aos receptores adrenérgicos. 
Outra exceção que faz parte do SNA Simpático,mas não libera adrenalina 
ou noradrenalina, são as fibras pós-ganglionares que atuam sobre o controle 
dos vasos renais, as quais liberam dopamina. A dopamina, quando 
relacionada ao sistema nervoso periférico, está muito envolvida no quadro de 
Insuficiência Cardíaca e em quadros de sepse. Além disso, este 
neurotransmissor é bastante importante no SNC. A dopamina normalmente se 
liga a receptores dopaminérgicos, mas dependendo da dose em que for 
administrada, ela pode passar a atuar em receptores noradrenérgicos 
também. Devido a isso, drogas que objetivam fazer com que a dopamina atue 
no sistema nervoso periférico devem ser administradas em doses adequadas, 
de modo que possibilite que a dopamina passe a se ligar a receptores alfa e beta 
adrenérgicos também. 
105 
 
 
 
SÍNTESE, LIBERAÇÃO E DEGRADAÇÃO DA NORADRENALINA 
Síntese das catecolaminas 
Tanto a adrenalina quanto a noradrenalina são catecolaminas, moléculas 
que apresentam o grupamento catecol em sua estrutura. O catecol consiste um 
grupamento formado por duas hidroxilas na posição orto. A COMT, uma enzima 
que degrada as catecolaminas, ataca o grupamento catecol. 
 
No organismo humano, há 3 catecolaminas naturais: dopamina, 
adrenalina e noradrenalina 
O início da síntese das catecolaminas começa a partir da tirosina, que 
sofre ação da tirosina hidroxilase, gerando dopa. A dopa, sob a ação da dopa 
descarboxilase gera dopamina. A dopamina é levada para o interior de uma 
vesícula (por meio de uma proteína transportadora) e sofre ação da dopamina 
beta-hidroxilase, gerando noradrenalina. A noradrenalina, sob ação da 
feniletanoamina N-metil transferase (FENT) gera adrenalina. 
106 
 
 
O motivo que faz com que alguns neurônios sejam dopaminérgicos e 
outros noradrenérgicos é que alguns neurônios não possuem a dopamina 
beta-hidroxilase, e por isso liberam dopamina (já que não conseguem sintetizar 
norepinefrina). 
 
Liberação 
 Para que ocorra a liberação, é necessário que ocorra um potencial de 
ação e a abertura de canais de Ca+2. Com a presença de cálcio intracelular, 
ocorre a exocitose, liberando o neurotransmissor na fenda sináptica. 
 Ao serem liberados na fenda sináptica, parte dos neurotransmissores se 
liga aos receptores adrenérgicos, parte é recaptada pelo sistema de captação 
1 (uma proteína que leva o neurotransmissor para dentro do neurônio pré-
sinaptico) e parte é recaptada pelo sistema de captação 2 (que leva o 
neurotransmissor para dentro da célula pós-sináptica). O sistema de recaptação 
1 é o mais efetivo na retirada dos neurotransmissores da fenda. São estes 
sistemas que são responsáveis por retirar a noradrenalina da fenda, visto que 
as enzimas que a degradam ficam presentes no interior das células (tanto pré 
quanto pós-sinápticas), e não na fenda sináptica em si (como era o caso da 
acetilcolinesterase) 
 Em relação aos receptores aos quais a noradrenalina pode se ligar, há 
tanto receptores pós-sinápticos quanto um receptor pré-sináptico. O 
receptor alfa 2 é um receptor normalmente pré-sináptico e inibitório: quando 
107 
 
a noradrenalina se liga a ele, o receptor sinaliza para que o neurônio pré-
sináptico iniba a liberação de mais noradrenalina (realiza um feedback negativo). 
 O receptor alfa 2 pré-sinaptico é um receptor como os outros, e não uma 
proteína transportadora. A noradrenalina é retirada da fenda sináptica pelos 
sistemas de captação, e não pelo receptor alfa 2. 
 
Degradação 
 Há 2 enzimas que degradam as catecolaminas: MAO (monoaminoxidase) 
e COMT (catecol-orto-metil-transferase). A MAO está localizada no citoplasma 
neuronal, e a COMT está no citoplasma do tecido extra-neuronal (no citoplasma 
da célula pós-sináptica) e pode estar ancorada na membrana da célula pós-
sináptica. 
 A noradrenalina é degradada no interior de ambas as células (tanto pré 
quanto pós-sinaptica, e por isso precisa dos sistemas de captação). As enzimas 
praticamente não ficam na fenda, mas sim no interior das células . 
 O término de ação da noradrenalina e da adrenalina ocorre pela 
retirada destes neurotransmissores da fenda, e não pela sua degradação 
pelas enzimas (como ocorre com a acetilcolina). O sistema de captação 1 tem 
alta capacidade de captação de noradrenalina. O de captação 2 tem maior 
capacidade de captação de adrenalina. 
 Grande parte da adrenalina é liberada pela adrenal diretamente na 
corrente sanguínea (indo por meio dela atuar nos receptores adrenérgicos) 
 
MECANISMOS QUE INTERFEREM NOS PROCESSOS DE SINTESE E 
DEGRADAÇÃO – AGONISTAS E ANTAGONISTAS 
 Há cerca de 8-9 mecanismos que interferem no processo de síntese e 
degradação das catecolaminas. Alguns serão vistos no estudo do SNC (são 
utilizados para se aumentar o conteúdo dopaminérgico ou adrenérgico devido a 
algumas doenças que acometem o SNC). 
108 
 
 Os principais mecanismos que os fármacos podem adotar para 
interferir nos processos de síntese e degradação das catecolaminas são: 
 
1. Agindo sobre os receptores pós-sinápticos 
 Os fármacos podem atuar como agonistas ou como antagonistas sobre 
os receptores adrenérgicos. 
Se o fármaco imita a ação da adrenalina e da noradrenalina ao se ligar 
aos receptores adrenérgicos, é um agonista. É possível se prescrever os 
próprios neurotransmissores (noradrenalina, adrenalina e dopamina) para o 
paciente (diferentemente do que ocorre com a acetilcolina, que não é prescrita 
devido à presença da acetilcolinesterase circulante). 
Se o fármaco atua sobre os receptores, se ligando a eles e impedindo a 
ligação da noradrenalina e da adrenalina, e não desencadeando efeito celular, é 
um antagonista. 
 
2. Inibindo os sistemas de recaptação 
Alguns fármacos e algumas drogas inibem os sistemas de recaptação. 
Ao serem inibidos estes sistemas de recaptação, há um aumento do 
neurotransmissor na fenda sináptica, de modo que ele possa se ligar mais aos 
receptores. Desta forma, fármacos que inibem sistemas de recaptação 
funcionam como agonistas. 
Anti-depressivos tricíclicos atuam desta forma: interferem na recaptação 
de noradrenalina, serotonina e dopamina. Os antidepressivos tricíclicos, como 
Nortriptilina, Amitriptlina e Imipramina, demoram um tempo para manifestar os 
efeitos de melhora do quadro depressivo (aproximadamente 1 mês). Esta 
demora no começo do efeito ocorre pois quando os neurotransmissores ficam 
em excesso na fenda sináptica, eles se ligam tanto aos receptores pós-sinapticos 
quanto aos pré-sinapticos (que são inibitórios). A ligação aos receptores pré-
sinápticos inibitórios faz com que não seja liberada a quantidade adequada do 
neurotransmissores na fenda sináptica. Depois cerca de 1 mês de uso dos 
antidepressivos tricíclicos, ocorre a dessensibilização dos receptores pré-
sinápticos, sendo possível se obter o efeito desejado. 
 
3. Inibidores da MAO 
 Há fármacos que inibem a MAO. A MAO é uma enzima que fica no interior 
dos neurônios e que degrada as monoaminas quando elas são recaptadas. Se 
a MAO está inibida, sobra noradrenalina sem ser degradada no interior do 
citoplasma neuronal. Esta noradrenalina excedente no citoplasma acaba 
escapando pela fenda do transportador de recaptação. Desta forma, observa-se 
109 
 
que a utilização dos iMAO causa um aumento da disponibilidade de 
neurotransmissores na fenda, causando um efeito agonista. 
Há 2 tipos de MAO no organismo: MAO-A e MAO-B. A MAO-A degrada 
NE e serotonina, enquanto a MAO-B degrada dopamina. No mecardo, há 
fármacos que não são seletivos sobre qual MAO atuam; há apenas um fármaco 
no mercado que é seletivo para a MAO-A e apenas um fármaco que é seletivo 
para a MAO-B 
Os fármacos que não são seletivos e o fármaco que inibe a MAO-A 
eram utilizados no tratamento da depressão, mas estão em desuso. Estes 
fármacos estão em desuso pois causam muitos efeitos colaterais, visto que a 
MAO tem ação no intestino (principalmente no metabolismo da tiramina).Devido 
a este efeito intestinal, o paciente que faz uso de iMAO deve passar por uma 
restrição alimentar de vários alimentos que contenham tiramina ou tirosina. A 
tiramina, ao ser ingerida e não degradada, desloca a noradrenalina da vesícula, 
fazendo com que ela se acumule no citoplasma. Como a MAO está inibida, a 
noradrenalina não é degradada e escapa para a fenda sináptica, passando a se 
acumular e a causar uma intensificação dos efeitos noradrenérgicos no 
organismo. Com isso, o paciente que faz uso de iMAO, se ingerir alimentos ricos 
em tiramina, pode apresentar um quadro de hipertensão fatal. 
Inibidores da MAO-B (Selegilina) são fármacos utilizados para o 
tratamento da Doença de Parkinson (a associação de um inibidor de MAO-B 
com um inibidor de COMT é uma das últimas possibilidades terapêuticas para o 
paciente que tem Parkinson). 
 
4. Fármacos que inibem a entrada do neurotransmissor na vesícula 
 Há fármacos que inibem a entrada dos neurotransmissores nas 
vesículas para serem exocitados, de modo que os neurotransmissores fiquem 
dispersos no citoplasma e sejam degradados pela MAO. Devido a isso, estes 
fármacos causam efeito antagonista. Também são fármacos em desuso. 
 
5. Inibidores de síntese 
 Há fármacos, como a alfa-metil-dopa, que inibem a síntese dos 
neurotransmissores. A alfa-metil-dopa, ao ser metabolizada, gera alfa-metil-
dopamina, que ao ser metabolizada, gera alfa-metil-noradrenalina. A alfa-metil-
noradrenalina é um composto que não consegue se ligar ao receptor alfa 1, beta 
1 e beta 2, mas consegue se ligar ao receptor alfa 2 pré-sinaptico, que é inibitório. 
Ao se ligar a este receptor, este fármaco age como um falso transmissor de que 
há um excesso de neurotransmissores na fenda, de modo que a produção de 
noradrenalina seja diminuída (sendo devido a isso chamado de inibidor de 
síntese). Os inibidores de síntese são, portanto, fármacos antagonistas (visto 
que diminuem a liberação dos neurotransmissores). 
110 
 
6. Inibição da dopa-descarboxilase 
 A dopamina é um fármaco que pode ser utilizado no tratamento da doença 
de Parkinson, visto que esta doença conta com um déficit de dopamina na região 
nigro-estriatal. Em estágios iniciais, o tratamento da doença é realizado com 
anticolinérgicos. Todavia, conforme ela vai progredindo, passam a ser utilizados 
agonistas dopaminérgicos, e por fim, utiliza-se a associação de levodopa com 
carbidopa. Se mesmo a administração de levodopa com carbidopa não for 
efetiva, passam a ser administrados inibidores de MAO ou de COMT. 
A dopamina não é capaz de atravessar a barreira hemato-encefálica. 
Devido a isso, é utilizada a levodopa, substância que é capaz de atravessar a 
barreira e ser convertida em dopamina já no interior do SNC. 
A administração da levodopa no tratamento da Doença de Parkinson é 
retardada ao máximo (visto que após um tempo, ela começa a perder a sua 
eficácia também). 
Perifericamente, a levodopa é convertida em dopamina pela dopa-
descarboxilase. Para que a levodopa não seja degradada perifericamente por 
essa enzima, administra-se conjuntamente a carbidopa, que é um inibidor de 
dopa-descarboxilase periférico (se esta enzima for inibida, uma maior 
quantidade de levodopa fica disponível para atravessar a barreira 
hematoencefálica e se transformar em dopamina já no interior do SNC). Se a 
levodopa for administrada sozinha, apenas cerca de 2% da levodopa chega ao 
SNC para ser transformada em dopamina. Com a administração conjunta de 
carbidopa, chega ao SNC cerca de 10% da levodopa administrada, podendo 
assim ser transformada em dopamina no SNC. A carbidopa é um fármaco não 
atravessa a barreira hematoencefálica. 
 
DEGRADAÇÃO METABÓLICA 
 As catecolaminas são metabolizadas tanto pela MAO quanto pela COMT. 
O metabólito final da dopamina é o ácido homovanílico. O metabólito final da 
noradrenalina e da adrenalina é o ácido vanilmandélico. Antes de se chegar ao 
metabólito final da noradrenalina e da adrenalina, há mais 2 metabólitos 
importantes: metanefrina e normetanefrina. 
 Em algumas doenças ou algumas situações, é realizada a determinação 
destes metabolitos na urina e no sangue do indivíduo: 
• Dosagem do ácido homovanílico: utilizada na avaliação do turnover da 
dopamina no organismo. 
• Dosagem de metanefrina, normetanefrina e ácido vanilmandélico: 
utilizada para o diagnóstico de feocromocitoma (tumor da adrenal que 
libera grandes quantidades de noradrenalina e adrenalina). 
o Se o paciente estiver tomando inibidores da MAO ou da COMT ou 
antidepressivos tricíclicos, haverá interferência nesta dosagem. 
111 
 
 
RECEPETORES ADRENÉRGICOS 
RECEPTORES ALFA 
 
• Alfa 1: Importante nos vasos. São receptores pós-sinapticos e 
excitatórios (possuem proteína Gq acoplada). Suas ações fisiológicas 
geralmente são o contrário das causadas pelo receptor muscarínico, com 
exceção da broncoconstrição (que ambos causam). As suas principais 
ações fisiológicas são: 
o Contração uterina 
o Broncoconstrição 
112 
 
o Vasoconstrição – aumenta resistência vascular periférica e a PA 
o Fechamento de esfíncteres do sistema digestório e do sistema 
genitourinário 
o Relaxamento da musculatura lisa intestinal 
o Midríase 
o Glicogenólise 
 
• Alfa 2: Importante nas terminações adrenérgicas (controla a liberação 
de mais neurotransmissores) e no SNC. São receptores pré-sinápticos e 
inibitórios (possuem proteína Gi acoplada). Seus principais efeitos 
fisiológicos são: 
o Diminuição da secreção de insulina 
o Agregação plaquetária 
o Diminuição da liberação de noradrenalina e acetilcolina 
o Vasoconstrição (lembrando que o receptor mais influente nos 
vasos é o alfa 1!) 
o Diminuição da atividade simpática por meio da diminuição da 
pressão arterial via SNC. Quem realiza isto são receptores alfa 2 
pós-sinápticos. Este efeito da diminuição da PA ocorre a longo 
prazo (visto que a administração crônica de agonistas dos 
receptores alfa 2 causa a diminuição da liberação de adrenalina e 
noradrenalina) 
o O uso crônico de fármacos agonistas do receptor alfa 2 faz com 
que seja diminuída a liberação dos neurotransmissores 
noradrenérgicos. Desta forma, um fármaco agonista causa efeito 
antagônico no organismo (visto que se liga no receptor e 
desencadeia reação, mas diminui a disponibilidade dos 
neurotransmissores). 
A adrenalina e a noradrenalina possuem maior afinidade pelos receptores 
adrenérgicos do que a isoprenalina. Existe uma divergência entre os livros sobre 
qual o neurotransmissor se liga com maior afinidade a cada tipo de receptor 
adrenérgico. Segundo a Karina, a adrenalina possui maior afinidade por 
receptores beta-adrenérgicos e a noradrenalina possui maior afinidade por 
113 
 
receptores alfa 1-adrenérgicos (ambas se ligam em ambos, mas apresentam 
esta maior afinidade). 
Pode ser que dois receptores adrenérgicos possuam efeitos antagônicos 
em um mesmo órgão. Para se considerar qual será o efeito biológico obtido, 
deve-se saber qual o receptor mais “importante” para o órgão (qual 
encontra-se em maior quantidade e é mais influente no funcionamento 
órgão). Exemplo: se o paciente está em um quadro asmático de emergência, 
administra-se adrenalina, a qual age sobre todos os receptores adrenérgicos. 
Apesar de agir sobre todos os receptores, o que realmente causa o efeito 
objetivado de broncodilatação é o beta 2, já que ele é o receptor mais influente 
no pulmão. Ou seja, apesar de haver tanto receptores alfa 1 (que promovem 
broncoconstrição) quanto receptores beta 2 (que promovem broncodilatação) no 
pulmão, há mais receptores beta 2, de modo que a sua ação é predominante no 
órgão. 
 
RECEPTORES BETA 
 
São sempre pós-sinapticos e excitatórios. Todos são acoplados a 
proteínas Gs (ativam adenilato ciclase e aumentam AMPc). 
• Beta 1: Importante para o coração e para o rim (principalmente no 
controle da pressão arterial) 
o Aumenta aforça de contração do coração e a FC 
o Aumenta a liberação de mais adrenalina pelas terminações 
nervosas 
o Aumenta a liberação de renina 
o Realiza lipólise 
o Promove a secreção de amilase 
114 
 
 
• Beta 2: Importante para pulmões, musculatura lisa do trato 
respiratório e musculatura lisa uterina 
o Relaxamento da musculatura lisa do útero, intestino e dos órgãos 
do sistema genitourinário 
o Dilatação dos brônquios 
o Vasodilatação de vasos que irrigam a musculatura esquelética. 
▪ Há receptores beta 2, beta 1 e alfa 1 nos vasos. Todavia, se 
for ministrada adrenalina para o indivíduo, a resposta que se 
sobressai é a do alfa 1 (pois há uma quantidade maior 
destes receptores nos vasos) 
o Aumento da massa muscular e da velocidade de contração 
muscular 
o Glicogenólise 
o Promove a liberação de histamina por mastócitos 
Os medicamentos utilizados para o tratamento da asma são agonistas 
do receptor beta 2, que é o predominante no pulmão. Além disso, se este 
quadro de broncoconstrição for relacionado a um quadro alérgico, o uso dos 
agonistas dos receptores beta 2 causará uma diminuição na liberação de 
histamina. 
 
• Beta 3 – é um receptor descoberto há pouco tempo. Está presente no 
tecido adiposo (estando envolvido no processo de lipólise), na bexiga e 
está envolvido com o estresse oxidativo. Quase não há medicamentos 
que atuam sobre este receptor. 
 
 
115 
 
 
 
Algumas considerações clínicas (não relacionadas entre si kkk): 
Se o paciente está com hipertensão, uma das possíveis terapêuticas é 
agir sobre receptores adrenérgicos presentes no coração. Como os receptores 
presentes no coração são receptores alfa 1, alfa 2 e beta 1, poderiam ser 
administrados antagonistas de alfa 1, agonistas de alfa 2 ou antagonistas de beta 
1. A escolha para o tratamento da hipertensão deve ser utilizar antagonistas 
de receptores beta 1 adrenérgicos, visto que ele é o receptor predominante no 
coração e também interfere na liberação de renina. A administração de fármacos 
que atuassem sobre receptores alfa 1 e alfa 2 causaria muito mais efeitos 
colaterais do que efeitos terapêuticos. A pressão arterial é controlada ou pelo 
débito cardíaco (Volume sistólico x Frequência cardíaca) ou pela resistência 
vascular periférica. 
 
Os fármacos que agem sobre os receptores adrenérgicos podem possuir 
diferentes seletividades. Entre eles, estão: 
• Bloqueadores alfa 
• Bloqueadores alfa e beta 
• Bloqueadores alfa 1 e alfa 2 
• Bloqueadores seletivos de alfa 1 
• Beta-bloqueadores não cardiosseletivos: bloqueiam tanto beta 1 quanto 
beta 2. São os “beta-bloqueadores de primeira geração” 
o Os beta-bloqueadores não cardiosseletivos não devem ser 
utilizados em pacientes hipertensos que sejam asmáticos (visto 
que agirão sobre receptores beta-2 também). 
116 
 
• Beta-bloqueadores cardiosseletivos: bloqueiam apenas beta 1. São os 
“beta-bloqueadores de segunda geração”. 
• Beta-bloqueadores que promovem vasodilatação por mecanismos 
diferenciados (indução de óxido nítrico ou bloqueio do receptor alfa 1). 
São os “beta-bloqueadores de terceira geração”. São fármacos utilizados 
no tratamento da Insuficiência cardíaca e da hipertensão arterial. 
 
No caso de uma gestante entrando em trabalho de parto prematuro, 
deve ser administrado um agonista de receptor beta 2, visto que ele promoverá 
o relaxamento da musculatura lisa uterina. 
 
 Clembuterol é um agonista de beta-2 recomendado para uso 
veterinário, sendo utilizado para melhorar a performance de cavalos de corrida. 
As pessoas inadequadamente fazem uso deste fármaco pois ele é capaz de 
aumentar a massa muscular, melhorar a capacidade respiratória (causa 
broncodilatação), proporcionar um maior aporte de sangue na musculatura 
esquelética (causa vasodilatação destes vasos), aumentar a velocidade de 
contração muscular e favorecer a glicogenólise (dando energia para a 
musculatura). Com isso, o indivíduo cria condições muito melhores para se 
realizar atividades físicas. 
 
 A efedrina (um dos princípios ativos do Franol) se liga a receptores alfa 1 
e beta 1. É utilizada por frequentadores de academia. É um fármaco de ação 
mista: atua sobre receptores e atua promovendo a liberação de mais 
neurotransmissores, os quais acabam atuando também sobre receptores beta 2, 
aumentando a performance atlética. O seu uso promove vasoconstrição, 
aumento da PA, aumento da FC e lipólise. Se a pessoa tem algum problema 
cardiovascular e faz uso dessa substância, causa parada cardíaca ou IAM. 
 
Quanto mais seletivo um fármaco for para um determinado tipo de receptor, 
menos efeitos colaterais haverá. 
 
 
117 
 
AGONISTAS ADRENÉRGICOS OU SIMPATICOMIMÉTICOS 
Medusa - 86 
 
 Os fármacos agonistas ou simpaticomiméticos imitam a ação dos 
neurotransmissores adrenérgicos, estimulando os efeitos da ativação do sistema 
nervoso simpático. 
 
Relação estrutura-atividade 
A relação estrutura-afinidade é o que faz com que alguns fármacos 
tenham maior afinidade por receptor β, outros por receptor α (ou por ambos). A 
molécula do fármaco também pode conter características que façam com que 
ele seja degradado pela MAO, degradado pela COMT, e que contenha maior ou 
menor facilidade em atravessar a barreira hematoencefálica. 
Portanto, a potência global e a especificidade dos fármacos aos 
receptores dependem e diversos fatores, como: 
• Afinidade pelos receptores adrenérgicos e sua eficácia sobre estes 
receptores 
o A afinidade dos neurotransmissores pelos receptores varia entre 
as referências bibliográficas 
• Interação com sistemas de captação neuronal 
• Interação com a MAO 
• Interação com a COMT 
 
Estrutura da catecolamina: 
As catecolaminas são formadas por um grupo catecol e por um grupo 
amina. Fármacos que apresentam o grupo catecol possuem afinidade tanto pelo 
receptor α quanto pelo β. A questão de ter um pouco mais de afinidade por α ou 
por β é influenciada principalmente pelo radical R3 presente no grupamento 
amina da molécula. 
 
118 
 
 Fármacos que possuem grupamento R3 grandes possuem maior 
afinidade por receptores β-adrenérgicos. Fármacos que possuem o 
grupamento R3 menor possuem maior afinidade pelos receptores α-
adrenérgicos. 
 
 A COMT (Catecol orto-metil-transferase) atua no grupamento catecólico 
(duas hidroxilas em azul no esquema acima). A MAO (monoaminoxidase) atua 
quando na molécula há um hidrogênio no grupamento R2. 
Os 3 primeiros fármacos do esquema abaixo apresentam grupamento 
catecol, e devido a isso são degradados pela COMT. Todos os fármacos do 
esquema, com exceção da Efedrina, possuem um H no grupamento R2, e devido 
a isso são degradados pela MAO. 
 
119 
 
Na tabela a seguir, os 3 primeiros fármacos são degradados pela MAO e 
os 3 últimos não são, devido à presença e à ausência de H no grupamento R2, 
respectivamente. 
 
O grupamento R1 define se o fármaco apresenta maior ou menor 
polaridade e hidrossolubilidade, facilitando ou dificultando que ele atravesse a 
barreira hematoencefálica. 
• Quando R1 = H, há ação da catecolamina no SNC (fica mais hidrofóbica, 
conseguindo atravessar a barreira hematoencefálica) 
• Quando R1 = OH, não há ação da catecolamina no SNC (fica mais 
hidrossolúvel, não conseguindo atravessar a barreira hematoencefálica) 
Os fármacos que atuam nos receptores adrenérgicos apresentam uma 
visível semelhança estrutural com as catecolaminas. 
Há fármacos que não possuem nem grupamento catecólico nem H no 
radical R2 (como a Metoxamina no quadro acima). Com isso, estes fármacos 
não são degradados nem pela MAO nem pela COMT. Estes fármacos são 
metabolizados (passam pelo processo de biotransformação) 
 
AGONISTAS ADRENÉRGICOS 
Os agonistas adrenérgicos são separados em 3 ou 2 maneiras: alguns 
livros dividem-nos em fármacos de ação direta, fármacos de ação indireta e 
fármacos de ação mista, enquanto outros autores dividem-nos emfármacos de 
ação direta e fármacos de ação indireta (que englobam também os fármacos de 
ação mista). 
120 
 
 
• Fármacos de ação direta: atuam diretamente sobre o receptor 
adrenérgico. 
o Agonista seletivo de alfa1 
▪ Fenilefrina 
o Agonista seletivo de alfa 2 
▪ Clonidina, alfa-metildopa (sendo esta um antagonista) 
o Agonista de alfa 1 e alfa 2 
o Agonista seletivo de beta 1 
▪ Dobutamina 
o Agonista seletivo de beta 2 
▪ Salbutamol e Terbutalina 
o Agonista de beta 1 e beta 2 
o Agonista de alfa1, alfa2, beta 1 e beta2 
▪ Exemplo: adrenalina. Ao ser ministrado no caso de uma 
parada cardíaca objetiva-se agir sobre beta 1, mas age 
sobre os demais receptores também (causando efeitos 
colaterais) 
 
• Fármacos de ação indireta: agem principalmente no SNC. Eles podem 
agir das seguintes maneiras: 
o Fármacos que aumentam a liberação de NA 
▪ Ex.: uso de anfetaminas 
▪ Ingestão de tiramina associada a iMAO 
o Fármacos que diminuem a captação de NA 
▪ Ex.: cocaína e antidepressivos tricíclicos 
 
• Fármacos de ação mista: possuem tanto ação direta quanto indireta. 
Atua por meio dos dois mecanismos: tanto sobre receptores, quanto 
aumentando a liberação de neurotransmissor 
o Efedrina 
121 
 
Os principais agonistas de ação direta a serem estudados encontram-se 
no quadro abaixo: 
 
Dependendo da concentração em que a dopamina é administrada, ela 
passa a se ligar a receptores alfa e beta, além dos dopaminérgicos. A 
Isoprenalina está em desuso, e foi substituída por outros agonistas de receptores 
beta-2. 
 
AGONISTAS ADRENÉRGICOS DE AÇÃO DIRETA 
ADRENALINA 
A Adrenalina é um fármaco que se liga tanto a receptores alfa quanto a 
receptores beta. Possui afinidade maior pelo receptor beta adrenérgico, 
enquanto a NA se liga mais a receptores alfa adrenérgicos. 
Quando a adrenalina se liga a receptores beta 2 adrenérgicos, causa 
broncodilatação. Quando se liga a receptor beta 1, aumenta a força de 
contração do coração e a frequência cardíaca. A adrenalina é utilizada 
visando estes efeitos em quadros de emergência asmática, choque anafilático e 
parada cardíaca. 
Alguns anestésicos vêm associados à adrenalina, para que ela atue em 
receptor alfa 1 adrenérgico para causar vasoconstrição e o anestésico fazer 
efeito por mais tempo no local onde foi aplicado. Quando há a vasoconstrição, 
há diminuição do fluxo sanguíneo e da velocidade de distribuição do fármaco, 
fazendo com que ele fique durante mais tempo no local. 
Como efeitos colaterais, quando a adrenalina se liga a receptores beta 2, 
pode aumentar a velocidade de contração do músculo esquelético e causar 
tremores finos das mãos. Ao se ligar a receptores alfa 1, pode haver 
122 
 
vasoconstrição. Ao se ligar a receptores alfa 2, pode haver diminuição da 
secreção de insulina. 
Outros efeitos colaterais que podem ser causados são: taquicardia (se liga 
a receptor beta 1, aumentando a FC), palidez e extremidades frias (devido à 
vasoconstrição), hipertensão (PA = DC x RVP, e DC = FC x VS. A RVP é 
aumentada na vasoconstrição e a FC é aumentada com a ligação aos receptores 
beta 1), hiperglicemia (devido à diminuição da liberação de insulina e ao 
processo de glicogenólise) e ansiedade (sintomas físicos da ansiedade) 
Os vasos são geralmente controlados por receptores alfa 1. Devido a isso, 
mesmo que a adrenalina aja sobre receptores beta 2 presentes nos vasos, o 
efeito dominante será o causado por receptores alfa 1 (vasoconstrição). 
 
 No choque anafilático, é interessante se ministrar adrenalina tanto para 
ela agir nos pulmões (por meio de receptores beta 2) quanto devido ao efeito de 
vasoconstrição (ao agir sobre receptores alfa 1 dos vasos), visto que a liberação 
de histaminas no choque anafilático pode levar a quadros de hipotensão – a 
vasoconstrição pode levar a um aumento da resistência vascular periférica, 
contribuindo para equilibrar a PA novamente. 
 
NORADRENALINA 
A NA é utilizada é principalmente em casos de choque hipovolêmico. A 
aplicação da noradrenalina causa vasoconstrição intensa no local da injeção 
(podendo levar à necrose neste sítio). A Noradrenalina se liga tanto a receptores 
alfa quanto a receptores beta, sendo que possui maior afinidade com 
receptores alfa 1 adrenérgicos. 
Causa vasoconstrição (ao agir sobre receptores alfa 1 e alfa 2 dos 
vasos), diminuição da liberação de insulina (ao agir sobre receptores alfa 2 
do pâncreas), aumento da frequência cardíaca e da força de contração do 
coração (ao agir sobre receptores beta 1 do coração) 
123 
 
 
Causa os mesmos efeitos colaterais que o uso da adrenalina. 
 
DOBUTAMINA 
É um fármaco agonista beta 1 adrenérgico (por isso está principalmente 
relacionada ao coração). Este fármaco é administrado em casos de IC aguda 
(para se aumentar a força de contração do coração) ou de bradicardia (devido 
ao aumento da FC). 
 
É também utilizado no IAM, em quadros de descompensação cardíaca, 
em quadros de choque cardiogênico e em quadros de sepse. 
 
SALBUTAMOL E TERBUTALINA 
 Ambos os fármacos atuam sobre receptores beta 2 adrenérgicos. 
Causam broncodilatação (sendo devido a isso utilizados no tratamento da asma) 
e relaxamento de musculatura uterina (utilizado para prevenir parto prematuro). 
• Choque cardiogênico: o paciente está em um quadro de hipotensão 
profunda, de modo que a pressão sistólica seja menor do que 90 
mmHg. Neste caso, o paciente tem sintomas de hipoperfusão dos 
órgãos, mesmo com o volume de sangue intravascular adequado. 
Ocorre devido a uma falha na bomba cardíaca. 
• Choque séptico: há falência circulatória aguda relacionada a uma 
infecção. A infecção leva a uma produção exagerada de citocinas e 
toxinas, que levam a uma intensa vasodilatação, de modo que o 
paciente não consegue controlar a PA. Para controlar este quadro, o 
paciente precisa utilizar alguma substancia vasoativa ou dobutamina. 
 
124 
 
 
Os efeitos colaterais são taquicardia e arritmia (visto que há também 
receptores beta 2 no coração), tremor fino das mãos, tolerância (uso crônico via 
sistêmica) e hiperglicemia (devido ao aumento da glicogenólise). 
 
Os agonistas beta 2 são (os que precisa decorar estão em negrito): 
• Salbutamol 
• Terbutalina 
• Metaproterenol 
• Fenoterol 
• Albuterol 
• Formoterol 
• Salmeterol: é o fármaco que mantém a broncodilatação por mais tempo, 
apesar de ser o fármaco que demora mais tempo para começar a sua 
ação. É um fármaco de ação prolongada. 
• Ritrodina 
• Clembuterol 
 
FENILEFRINA 
 É um agonista de receptor alfa 1 adrenérgico. Funciona como 
descongestionante nasal. Só deveria ser utilizado por no máximo 5 dias, mas 
as pessoas acabam utilizando por muito mais tempo. Este fármaco é um potente 
vasoconstritor: ao causar a vasoconstrição dos vasos da mucosa nasal, faz com 
que o muco tenha a sua produção diminuída, causando alívio praticamente 
imediato. Se utilizado continuamente, causa vasoconstrição prolongada, 
diminuindo a perfusão sanguínea da mucosa e com o tempo leva à necrose 
tecidual, podendo evoluir para a perda do olfato. Muitas pessoas utilizam 
descongestionantes nasais para dormir – deveria ser utilizado soro fisiológico, e 
125 
 
não fenilefrina. O uso de maior quantidade de fenilefrina como 
descongestionante nasal pode causar taquicardia. 
 
 Metaraminol e midodrina são agonistas do receptor alfa 1 utilizados no 
tratamento do priapismo e para tratamento e prevenção de estados hipotensivos. 
 
CLONIDINA 
 É um fármaco agonista, mas que causa efeito antagônico a longo 
prazo. É um agonista do receptor alfa 2. Quando este fármaco se liga a um 
receptor pós-sináptico, causa aumento da PA (é uma resposta transitória que 
ocorre apenas se o fármaco é aplicado EV; na VO, não é visto este efeito) e 
diminuição da PA (de forma prolongada). Quando ele se liga a um receptor pré-
sináptico, causa diminuição da secreção de noradrenalina e consequentediminuição da PA (efeito prolongado). 
 
 A clonidina é utilizada para o tratamento da hipertensão via SNC (age 
no núcleo do trato solitário). É um fármaco agonista, mas causa efeito 
antagonista a longo prazo no organismo. 
 Também é utilizada em outras duas ocasiões: 
• Tratamento preventivo da enxaqueca: no quadro enxaquecoso, há a 
liberação de noradrenalina, e esta liberação está relacionada com os 
distúrbios visuais que acontecem na enxaqueca (como fotofobia). As 
pessoas que têm enxaqueca possuem pródromos (a pessoa pressente 
que vai ter enxaqueca no dia), sendo um destes pródromos distúrbios 
visuais que decorrem de descarga adrenérgica. Como a clonidina 
diminui a descarga adrenérgica a longo prazo, pode ser utilizada no 
tratamento da enxaqueca crônica. 
o A toxina botulínica também é utilizada no tratamento preventivo de 
cefaleias e enxaquecas (visto que descargas colinérgicas também 
126 
 
estão envolvidas com o desencadeamento do quadro 
enxaquecoso) 
 
• Diagnóstico do feocromocitoma: feocromocitoma é um tumor da 
adrenal que provoca a liberação de grande quantidade de adrenalina e 
noradrenalina diretamente na corrente sanguínea. O paciente com 
feocromocitoma apresenta picos intermitentes de hipertensão arterial, 
associados a quadros de cefaleia e sudorese. A presença deste excesso 
de NA e adrenalina na corrente sanguínea causa um aumento da 
presença de metabólitos adrenérgicos (metanefrina, normetanefrina 
e ácido vanilmandélico) tanto na urina quanto na corrente sanguínea. O 
diagnóstico diferencial do feocromocitoma utilizando a clonidina é feito da 
seguinte forma: o paciente vai ao laboratório e realiza a coleta de 
sangue/urina para a determinação destes metabólitos. Depois de ter sido 
feita a primeira coleta, administra-se clonidina ao paciente e se espera 3 
horas. Se a concentração dos metabólitos reduzir em 50% ou mais 
depois dessas 3h, o diagnóstico do caso não é feocromocitoma. 
Os efeitos colaterais do uso da Clonidina são: sonolência, secura na boca, 
edema, hipotensão ortostática, hipertensão de rebote (este último caso ocorre 
quando o paciente está em tratamento e o fármaco é retirado de uma vez). 
 
AGONISTAS ADRENÉRGICOS DE AÇÃO INDIRETA 
 Os fármacos de ação indireta ou aumentam a liberação de noradrenalina 
(como anfetaminas e tiramina) ou bloqueiam a recaptação de noradrenalina 
(como cocaína, imipramina e amitriptilina) 
 
TIRAMINA (associada ao uso de iMAO) 
 Está contida na classificação de substâncias que aumentam a liberação 
de noradrenalina. A tiramina é uma substância presente em alguns alimentos e 
pode ser produzida no nosso organismo por meio no metabolismo da tirosina 
realizado por bactérias. 
Em um quadro normal, ao se ingerir alimentos ricos em tiramina ou 
tirosina (que é metabolizada pela descarboxilase das bactérias e vira tiramina), 
grande parte destas moléculas é degradada pela MAO presente no fígado e no 
TGI, e apenas parte da tiramina entra no neurônio. Ao entrar no neurônio, a 
tiramina ocupa a vesícula em que estava a noradrenalina, A noradrenalina que 
estava no interior da vesícula é então dirigida para o citoplasma, sendo em 
seguida degradada pela MAO presente neste sítio. Se escapar NA pela fenda do 
sistema de recaptação, é muito pouco (visto que a MAO degrada a maioria das 
moléculas de NA que saem das vesículas). 
 Todavia, se o paciente estiver fazendo uso de um inibidor da MAO e 
ingerir alimentos ricos em tiramina/tirosina, ocorre uma reação adversa, 
127 
 
denominada de “reação do queijo”. Com a presença dos iMAO a tiramina não 
vai ser degradada no fígado e no TGI, de forma que uma grande quantidade 
desta substância entre na vesícula neuronal e desloque a NA para o citoplasma. 
Todavia, esta NA não será degradada no citoplasma neuronal, visto que a MAO 
está inibida. Com isso, um grande conteúdo de NA será jogado na fenda 
sináptica e se ligará a receptores alfa e beta. levando o paciente a um quadro de 
hipertensão fatal. 
 Queijos fermentados (amarelos), cerveja, vinho, embutidos, chocolate e 
shoyu são exemplos de alimentos que possuem tiramina. Estes alimentos não 
podem ser ingeridos quando o paciente faz uso de iMAO, visto que pode levar 
ao quadro de hipertensão fatal descrito. Os iMAO atualmente são fármacos em 
desuso. 
 
 
AGONISTAS ADRENÉRGICOS DE AÇÃO MISTA 
EFEDRINA 
 É um dos princípios ativos presentes no Franol. A Efedrina atua tanto nos 
receptores adrenérgicos quanto aumenta a liberação de neurotransmissores (e 
por isso é um fármaco de ação mista). É um fármaco indevidamente utilizado 
com finalidade de emagrecimento e aumento da performance atlética, visto 
que esses medicamentos são perigosos pois aumentam a FC e promovem 
vasoconstrição – se o paciente tiver algum problema cardiovascular, o uso da 
efedrina pode levar a óbito. 
 A efedrina possui uso adequado no tratamento da hipotensão 
(relacionada a anestesias), mas uso inadequado na finalidade de 
emagrecimento e doping. Causa como efeitos colaterais taquicardia, insônia e 
midríase. 
 
128 
 
ANTAGONISTAS ADRENÉRGICOS OU SIMPATICOLÍTICOS 
Medusa - 86 
 
Os antagonistas adrenérgicos são divididos em bloqueadores de 
receptores adrenérgicos e bloqueadores de neurônios adrenérgicos. Os 
bloqueadores de neurônios adrenérgicos são utilizados principalmente no 
tratamento da hipertensão via SNC. 
Os principais mecanismos utilizados por bloqueadores de neurônios 
adrenérgicos são: 
• Inibição da liberação de neurotransmissores 
• Inibição da síntese dos neurotransmissores 
• Interferência no armazenamento intravesicular dos neurotransmissores. 
Os mecanismos utilizados pelos bloqueadores de receptores 
adrenérgicos são: 
• Bloqueio de receptores alfa (seletivos ou não seletivos) 
• Bloqueio de receptores beta (há 3 subdivisões dos beta bloqueadores: 
beta-bloqueadores de 1ª, 2ª ou 3ª geração) 
• Bloqueio simultâneo tanto de receptores alfa quanto de receptores beta. 
 
BLOQUEADORES DOS RECEPTORES ADRENÉRGICOS 
 Com este mecanismo, o neurotransmissor não consegue se ligar ao 
receptor, não causando o seu efeito. 
 
Fenoxibenzamina 
 É um fármaco de uso exclusivo no tratamento do feocromocitoma (tumor 
de células cromafins que causa liberação de grandes quantidades de adrenalina 
e noradrenalina na corrente sanguínea). O principal sintoma causado pelo 
feocromocitoma é a elevação súbita, intermitente e inexplicada da PA. O único 
fármaco que é capaz de controlar esta variação de PA súbita e intermitente é a 
Fenoxibenzamina. 
 A Fenoxibenzamina é um antagonista não seletivo, visto que bloqueia 
tanto receptores alfa 1 quanto alfa 2. Este medicamento é utilizado pois este 
fármaco tem uma ligação covalente com o receptor: mesmo que o tumor libere 
grandes quantidade de noradrenalina e adrenalina, estes neurotransmissores 
não conseguem deslocar o fármaco do receptor. O paciente faz uso deste 
medicamento até ocorrer a retirada do tumor. 
 Como apenas os receptores beta ficam disponíveis, a noradrenalina 
disponível passa a se ligar mais a estes receptores, levando a um quadro de 
129 
 
taquicardia no paciente. Devido a isso, pode ser ministrado conjuntamente à 
Fenoxibenzamina um beta 1 bloqueador. 
 Além de haver o tumor secretando mais adrenalina e noradrenalina, a 
concentração destas catecolaminas fica bem alta devido ao fato de que a 
Fenoxibenzamina atua também sobre os receptores alfa 2 pré-sinápticos, 
fazendo com que não ocorra uma diminuição da produção destes 
neurotransmissores (que seria proporcionada se a adrenalina e noradrenalina se 
ligassem ao receptor alfa 2). 
 A partir do momento em que há a remoção do tumor, a PA do paciente 
tende a voltar à normalidade. 
 
Bloqueadores adrenérgicos seletivos do receptor alfa (“-sina”): 
A. Fármacos bloqueadores seletivos dos receptores alfa 1 
 Os bloqueadores seletivos de alfa 1 são utilizados como medicamentos 
anti-hipertensivos(não são fármacos que estão entre a primeira linha de 
tratamento farmacológico para a hipertensão, visto que podem trazer muitos 
efeitos colaterais) e no tratamento da hiperplasia prostática benigna. Para o 
tratamento da hipertensão, estes fármacos objetivam bloquear os receptores alfa 
1 dos vasos (causando vasodilatação e diminuindo a RVP). 
• Prazosina e Terazosina: utilizados para o tratamento da hipertensão. 
São bloqueadores alfa 1 seletivos. 
o Efeitos adversos: hipotensão, taquicardia, congestão nasal e 
rubores 
• Tansulosina e Alfuzosina: são fármacos urosseletivos, também sendo 
bloqueadores alfa 1 seletivos. Possuem especificidade por um subtipo 
de receptor alfa 1 utilizado no tratamento da hiperplasia prostática 
benigna 
o Ao se realizar o bloqueio do receptor alfa 1, reduz-se a tensão da 
musculatura da próstata e da uretra, permitindo o aumento do fluxo 
urinário 
o Efeitos adversos: falha na ejaculação, hipotensão e congestão 
nasal 
 
B. Fármacos bloqueadores seletivos do receptor alfa 2 
 
• Ioimbina: não é utilizado na terapêutica. É específico para receptor alfa 2. 
 
C. Fármacos bloqueadores de receptores alfa não seletivos 
 
• Fentolamina e Tolazolina (não são mais utilizados). Eram utilizados para 
a disfunção erétil (causavam vasodilatação). São agonistas não seletivos 
130 
 
(se ligam a alfa 1 e alfa 2). Atualmente, utiliza-se inibidores da 
fosfodiesterase para o tratamento da disfunção erétil. 
 
Bloqueadores adrenérgicos seletivos do receptor beta (beta-bloqueadores) 
 São fármacos que agem principalmente sobre o sistema cardiovascular. 
Os beta bloqueadores são divididos em 3 gerações: 
• Primeira geração: fármacos não seletivos. São fármacos que se ligam 
bloqueando tanto receptores beta 1 quanto receptores beta 2 
o Ex.: Propanolol, Alprenolol e Nadolol 
• Segunda geração: cardiosseletivos. São fármacos que atuam 
bloqueando seletivamente apenas o receptor beta 1 adrenérgico 
o Ex.: Atenolol e Metoprolol 
• Terceira geração: são fármacos que, além de bloquear o receptor beta, 
também causam vasodilatação por um bloqueio de receptor alfa 1 (ex.: 
Carvedilol) ou por um aumento da liberação de NO (ex.: Nebivolol). 
 
Uso dos beta-bloqueadores 
 Os beta-bloqueadores são utilizados para: 
• Tratamento da hipertensão: Como o débito cardíaco influencia na PA 
(PA = DC x RVP), utiliza-se fármacos que interferem na frequência 
cardíaca (visto que o débito cardíaco é o volume de sangue ejetado por 
minuto; DC = FC x VS). 
• Angina: No quadro de angina, está faltando oxigênio para o tecido 
cardíaco: ou a demanda está alta demais ou o suprimento está baixo. O 
beta bloqueador atua diminuindo a demanda, visto que atua sobre a força 
de contratilidade do coração. 
• Disfunção sistólica do VE ou quadros iniciais de insuficiência 
cardíaca: Os beta bloqueadores são utilizados apenas nos quadros 
iniciais de IC, visto que o seu efeito de diminuir a força de contração do 
coração pode ser prejudicial quando a doença já está avançada. Eles 
podem ser utilizados em quadros iniciais da IC pois esta doença causa 
uma ativação constante do sistema nervoso simpático, e a constante 
ligação de adrenalina e a noradrenalina nos receptores beta adrenérgicos 
causa o estresse dos cardiomiócitos, levando à morte destas células. 
Conforme vai havendo a morte dos cardiomiócitos, vai ocorrendo a 
substituição por tecido fibroso. Portanto, este fármaco é utilizado na IC em 
estágios iniciais para se prevenir a morte dos cardiomiócitos 
(impedindo assim a doença de avançar). 
• Arritmias e prevenção do IAM: os beta-bloqueadores são utilizados para 
estas finalidades pois controlam a FC. Se o paciente já tiver tido um IAM 
e for hipertenso, ele deve fazer o uso de beta-bloqueadores para evitar a 
ocorrência de um novo infarto. 
131 
 
• Controle dos sintomas físicos da ansiedade: O Propanolol é o 
fármaco utilizado no tratamento dos sintomas físicos da ansiedade. É um 
fármaco lipossolúvel, e devido a isso consegue atravessar a barreira 
hemato-encefálica. 
• Tratamento de tremores finos das mãos: Para tratar os tremores finos 
das mãos, pode ser utilizado qualquer beta bloqueador não 
cardiosseletivo. Esta especificação ocorre pois o aumento da velocidade 
de contração muscular das mãos está relacionado aos receptores beta 2 
adrenérgicos. 
• Tratamento preventivo da enxaqueca: O Propranolol também é 
utilizado para esta finalidade devido à sua lipossolubilidade, que permite 
que a sua atuação no SNC. 
 
Restrições para o uso de beta-bloqueadores não cardiosseletivos 
Beta-bloqueadores não cardiosseletivos não podem ser prescritos nas 
seguintes condições: 
• Pacientes com asma: como o receptor beta 2 promove broncodilatação, 
os beta-bloqueadores impediriam este efeito, piorando o quadro do 
paciente 
• Pacientes hipertensos negros: pessoas negras possuem maior 
expressão de receptores beta adrenérgicos e, devido a isso, seria 
necessária uma dose muito alta destes fármacos para bloquear estes 
receptores 
• Pacientes gestantes: os beta bloqueadores não devem ser prescritos 
para gestantes, visto que o bloqueio dos receptores beta 2 da musculatura 
uterina pode causar um efeito de contração (já que normalmente eles 
estão relacionados ao relaxamento da musculatura). Além disso, beta 
bloqueadores diminuem o crescimento ósseo fetal e interferem na 
vascularização placentária. Devido a este motivo, estes fármacos apenas 
podem ser utilizados por gestantes se for feito um grande 
acompanhamento, realizando ultrassons para se verificar o crescimento 
ósseo fetal e utilizando doppler para avaliar a vascularização placentária. 
Devido a isso, são utilizados outros fármacos para o controle da 
hipertensão em gestantes, os quais causam menos efeitos sobre o feto. 
A utilização de beta bloqueadores não cardiosseletivos pode levar à 
presença de cansaço nas pernas – principalmente ao fim da tarde. Isso ocorre 
pois o bloqueio de receptores beta 2 adrenérgicos presentes na musculatura 
causa uma vasoconstrição. 
 
BLOQUEADORES DE NEURÔNIOS ADRENÉRGICOS 
 Os mecanismos que podem ser utilizados por fármacos que são 
bloqueadores de neurônios adrenérgicos são: 
132 
 
• Inibição da síntese de catecolaminas 
o Alfa-metil-dopa: é um fármaco que inibe a síntese de 
catecolaminas. A alfa-metil-dopa, ao ser metabolizada, dá origem 
à alfa-metil dopamina, que ao ser metabolizada, dá origem à alfa-
metil noradrenalina. A alfa-metil noradrenalina é um falso 
neurotransmissor, visto que ela não se liga adequadamente aos 
receptores pós-sinápticos. Todavia, ela é capaz de se ligar ao 
receptor alfa-2 pré-sináptico, que, ao ser ativado, inibe a síntese de 
catecolaminas. Devido a isso, a alfa-metil-dopa é um inibidor da 
síntese das catecolaminas. 
o Este fármaco atua via SNC, interferindo na ação da via simpática 
e nos níveis de dopamina, adrenalina e noradrenalina 
 
• Interferência no armazenamento intravesicular 
o Reserpina (está totalmente em desuso): este fármaco impede que 
o neurotransmissor fique dentro da vesícula, de modo que ele fique 
localizado no citoplasma do neurônio. Ao ficar localizado no 
citoplasma, o neurotransmissor acaba sendo degradado pela 
MAO, causando assim uma diminuição na liberação dos 
neurotransmissores. 
 
• Inibição da liberação de noradrenalina 
o Clonidina: é na verdade um agonista do receptor alfa 2 pré-
sináptico, mas ele causa efeito antagonista, visto que promove a 
diminuição da liberação de NA. 
 
Imagem mostrando a ação de diversos fármacos que atuam na farmacologia 
adrenérgica: 
 
133 
 
FARMACOLOGIA DO SISTEMA DIGESTÓRIO 
Medusa - 86 
 
A farmacologia pode intervir em 3 ações fisiológicas do TGI: 
• Secreção gástrica 
• Êmese (vômito) 
• Motilidade do intestino e expulsão das fezes 
 
SECREÇÃO GÁSTRICA 
 O SN parassimpático controla a secreção de substâncias e a 
contração da musculatura lisa visceral.A inervação simpática age na 
vascularização das células secretoras, fazendo com que elas tenham seu 
funcionamento adequado. 
 Desta forma, acetilcolina, ao se ligar a receptor muscarínicos do 
estômago, causa secreção gástrica e contração estomacal. 
 
Células estomacais e secreções gástricas: 
 
• Células da mucosa: secretam muco e bicarbonato. Esta secreção é 
controlada pela acetilcolina e pelas prostaglandinas. A função deste 
134 
 
muco e do bicarbonato é formar um gel protetor, que protege a mucosa 
da ação do suco gástrico (que possui pH muito ácido). 
 
• Células parietais: secretam o HCl. Estas células realizam a secreção do 
ácido gástrico (HCl) frente aos seguintes estímulos: a acetilcolina se 
ligando a receptores muscarínicos, a histamina se ligando a receptor H2 
e a gastrina se ligando a receptores de gastrina. Há, portanto, 3 vias de 
ativação das células parietais para realizar a liberação do HCl. A acidez 
é importante para a ativação do pepsinogênio em pepsina, para a 
eliminação de muitos micro-organismos que são ingeridos por VO e para 
a absorção de algumas vitaminas e alguns cofatores. 
o Indivíduos que utilizam medicamentos para o controle da secreção 
gástrica em grande quantidade e por tempo prolongado podem 
possuir estas funções prejudicadas 
 
• Célula semelhante a enterocromafim: libera histamina quando 
estimulada por acetilcolina ou por gastrina. 
 
• Célula G: libera gastrina quando estimulada por acetilcolina e quando 
ela detecta a presença do alimento (pela detecção de peptídeos e 
aminoácidos). 
 
• Células principais: liberam pepsinogênio. São controladas pela 
acetilcolina e pelo meio ácido liberado pela célula parietal 
 
• Células D: liberam somatostatina, que realiza um feedback negativo da 
secreção gástrica quando há um grande aumento da acidez. 
 
 
A acetilcolina liberada nos receptores muscarínicos do estômago é 
proveniente do nervo vago. 
Algumas pessoas têm o costume de tomar leite quando estão com dor 
estomacal. Essa ação causa uma sensação de alívio a um primeiro momento 
135 
 
(pois a presença do leite eleva o pH estomacal), mas depois todas essas vias 
são ativadas, causando um aumento da secreção ácida e piorando a dor. 
 
Controle da secreção ácida gástrica 
A célula parietal é a célula secretora de ácido gástrico (H+ e Cl-), sendo 
estimulada por acetilcolina em receptor muscarínico, histamina em receptor 
H2 e pela gastrina em receptor de gastrina. A secreção do HCl ocorre por meio 
de 2 transportadores: um que libera H+ para o lúmen e traz K+ para o interior da 
célula, e outro que libera K+ e Cl- no lúmen. 
A secreção gástrica é inibida pela via do ácido aracdônico. Nesta via, 
sob a ação da ciclo-oxigenase, há a produção de prostaglandinas e 
prostaciclinas que, ao se ligarem a seus respectivos receptores na célula 
parietal, inibem a liberação de HCl e estimulam a produção de muco e 
bicarbonato pelas células da mucosa. 
 
Os anti-histaminicos que podem ser utilizados no controle da secreção 
gástrica são os que agem sobre receptor H2. Os que são utilizados como anti-
alérgicos e anti-eméticos atuam sobre receptor H1. 
Citoprotetores gástricos são substâncias que inibem a liberação de HCl e 
promovem a secreção de muco e bicarbonato. Exemplos de citoprotetores 
gástricos são prostaglandinas e prostaciclinas. 
O uso exagerado de anti-inflamatórios não esteroidais (como aspirinas, 
Ibuprofeno, Paracetamol, Cataflam, Piroxican e ácido mefenámico) podem 
causar alterações na secreção gástrica. Estes fármacos inibem as ciclo-
oxigenases, diminuindo a liberação de prostaglandinas, prostaciclinas e 
tromboxano. Consequentemente, o efeito de citoproteção estomacal é 
inibido. Dependendo do anti-inflamatório utilizado, do tempo de uso e da dose 
136 
 
deste fármaco, a pessoa passa a ter que fazer uso de um “protetor estomacal” 
- fármacos que são protetores de mucosa e atuam na via das prostaglandinas. 
Inibidores da bomba de prótons (como Omeprazol) atuam sobre as 
bombas de prótons (transportador que leva o H+ para o lúmen estomacal e traz 
um K+ para dentro da célula estomacal). 
Anti-histamínicos bloqueadores de H2 (como Ranitidina, Famotidina e 
Cimetidina) também podem ser utilizados no controle da secreção gástrica. 
Inibidores de receptores muscarínicos (como a Atropina) não são utilizados 
com a finalidade de se reduzir a acidez estomacal, visto que eles apresentam 
muitos efeitos colaterais (os inibidores de bomba de prótons e de receptores H2 
são muito mais específicos e causam menos efeitos colaterais). 
Os bloqueadores da bomba de prótons são os fármacos mais efetivos 
para se realizar o controle da secreção gástrica. Se for utilizado apenas o anti-
histamínico bloqueador de H2, a célula parietal continua a receber estimulos da 
gastrina e da acetilcolina, e por isso não reduz tanto a secreção gástrica quanto 
quando se utiliza os inibidores da bomba de prótons (que bloqueiam a secreção 
de ácido independentemente de quais substâncias ainda estejam estimulando a 
célula). 
Anti-inflamatórios não esteroidais inibem as ciclo-oxigenases. Anti-
inflamatórios esteroidais (glicocorticóides) inibem a síntese das ciclo-
oxigenases. Antigamente, não existiam muitas opções de anti-inflamatórios além 
do ácido acetilsalicílico (princípio ativo da Aspirina). Em doses baixas, a 
aspirina possui efeito antiplaquetário; em doses intermediárias (de 500mg-1g), 
possui efeito analgésico; em doses maiores (4-6g), possui efeitos anti-
inflamatórios. Todavia, ao ser utilizada nestas doses altas, o paciente 
desenvolvia úlceras (pois não havia a produção de prostaglandinas). Devido a 
isso, os pacientes que faziam o uso da aspirina utilizavam também o Misoprostol, 
um análogo de prostaglandinas. O Misoprostol é o princípio ativo do Cytotec, 
fármaco utilizado com finalidade abortiva (apesar de ter sido criado com a 
finalidade de se repor as prostaglandinas durante o uso da aspirina, ao ser 
aplicado em altas contrações e localmente, causa intensas contrações da 
musculatura uterina e a expulsão do feto). 
 
DISTÚRBIOS GÁSTRICOS 
Dispepsia: 
A dispepsia consiste em uma indisposição estomacal. Neste quadro, a 
pessoa fica com a sensação de que o alimento não foi digerido e ainda está no 
estômago. Muitas vezes, isso acontece devido a um desequilíbrio do 
funcionamento SNA, visto que quem faz a contração da musculatura lisa visceral 
favorecendo o esvaziamento gástrico é o sistema nervoso parassimpático. O 
esvaziamento gástrico é lentificado em situações de estresse, alterações no 
137 
 
SNC e ingestão de alimentos gordurosos. O quadro de gastrite e a infecção por 
H. pylori também podem levar à dispepsia. 
 
Gastrite: 
Na gastrite, ocorre a inflamação do terço superior da mucosa gástrica. 
Pode ser causada pela infecção por H. pylori. 
 
 
Úlcera: 
A úlcera é uma lesão com escavação que pode comprometer toda a 
mucosa. Grande parte das úlceras é causada pelo H. pylori, bactéria que 
sobrevive ao pH ácido do estômago. Esta bactéria se adere à mucosa, passando 
a desencadear um processo inflamatório. Para que ele consiga se aderir à 
mucosa, o H. pylori precisa atravessar a camada de muco que recobre o órgão 
(devido a isso, se esta camada estiver íntegra e mais espessa, é mais difícil de 
realizar esta colonização). Quando o H. pylori se adere à mucosa, ele começa a 
liberar urease, enzima que quebra a ureia em amônia, neutralizando o pH do 
local onde está aderido. Com isso, o H.pylori cria um ambiente favorável para a 
sua adesão e a sua proliferação. 
 
138 
 
 Algumas cepas de H. pylori produzem fatores de virulência como 
mucinase (enzima que degrada o muco). Com esta degradação do muco, o suco 
gástrico é capaz de agir sobre as células da mucosa, piorando a lesão. 
 Para o tratamento de úlceras e gastrites causadas por H. pylori, realiza-
se o uso de claritromicina + amoxicilina + inibidorde bomba de prótons. Os 
antibióticos devem ser utilizados por 15 dias e o inibidor da bomba de prótons 
deve ser utilizado durante 1 mês. Se o paciente for alérgico a um dos 2 
antibióticos, pode-se usar o metronidazol e a tetraciclina. 
 
Esofagite de refluxo: 
Há situações em que há retorno do suco gástrico para o esôfago. Este 
retorno do suco gástrico provoca lesões na parede esofagiana, podendo levar à 
formação de úlceras ou processos inflamatórios no esôfago. 
 
Dentre as causas para a esofagite de refluxo, estão: 
• Defeito na válvula cardia 
• Ingestão exagerada de alimentos 
• Gestantes 
• Obesidade 
• Quadros de herniação do estômago 
Em muitos casos, a intervenção deve ser cirúrgica (como no caso da 
herniação e do relaxamento da válvula cardia). 
 
 
 
 
 
139 
 
FARMACOLOGIA ATUANDO SOBRE O SISTEMA DIGESTÓRIO 
 
 Os antiácidos são fármacos que não possuem alvo de ação específico: 
apenas alteram o pH, sem se ligar a nenhum alvo de ação. 
 
 
 Tabagistas possuem propensão ao desenvolvimento de úlceras pois 
o seu organismo apresenta uma menor ativação do parassimpático e uma maior 
ativação do simpático (o que causa vasoconstrição sobre as células 
estomacais). O mesmo ocorre com pessoas estressadas (o estresse causa 
ativação simpática e liberação de cortisol, que inibe COX, diminuindo a 
quantidade de prostaglandinas e prostaciclinas, que são mediadores que fazem 
citoproteção; além disso, o cortisol pode levar à diminuição da imunidade, 
ocasionando cistites, candidíase, micoses, etc.) O organismo comprometido 
140 
 
imunologicamente não consegue combater satisfatoriamente a infecção por H. 
pylori. 
 
141 
 
PRINCIPAIS MECANISMOS DE FÁRMACOS DO TGI 
Medusa – 86 
 
FÁRMACOS QUE ATUAM NO CONTROLE DA SECREÇÃO GÁSTRICA 
 
INIBIDORES DE BOMBA DE PRÓTONS 
 São os fármacos mais utilizados e mais conhecidos, sendo que um 
exemplo deles é o Omeprazol. Os inibidores de bomba de prótons terminam 
em “prazol”. Estes fármacos atuam inibindo a bomba de prótons que libera 
o H+ e o Cl-. 
 Os inibidores da bomba de prótons são administrados, passam pelo 
estômago e são absorvidos apenas no intestino. Após serem absorvidos, 
chegam então à corrente sanguínea, sendo levados para a célula parietal e se 
acumulando no canalículo destas células. 
 Estes fármacos possuem um revestimento gastrorresistente, visto que 
seriam degradados se entrassem em contato com o suco gástrico (são 
aciduláveis). O processo de desintegração e dissolução ocorre apenas no 
intestino. Antigamente, os inibidores de bomba de prótons que eram 
manipulados nem sempre apresentavam um revestimento gastrorresistente (e 
devido a isso pedia-se que o paciente tomasse o medicamento em jejum), mas 
hoje em dia quase sempre estes medicamentos apresentam este revestimento 
(não precisando, portante, ser tomado em jejum). Durante o jejum, as bombas 
de prótons estão em um estado basal e praticamente não há secreção gástrica. 
 
142 
 
 O Omeprazol é um pró-fármaco, e devido a isso, ele precisa ser ativado 
para se tornar a droga ativa. O que faz com que ele se torne ativo é o contato 
com o pH ácido dentro dos canaliculos. Após ser absorvido no intestino e cair 
na corrente sanguínea, este pró-fármaco chega à célula parietal e se acumula 
no canalículo destas células, onde o pH é ácido. Com isso, a molécula sofre uma 
mudança conformacional no interior do canalículo, passando a inibir a bomba de 
prótons e a controlar a secreção gástrica. Apesar de ser acidulável, o Omeprazol 
precisa deste contato com o meio ácido para se transformar em droga ativa 
(precisa estar no canalículo para que consiga se transformar – se houver o 
contato com o ácido gástrico no lúmen estomacal sem estar no canalículo, o 
omeprazol não consegue ser transformado e é degradado). 
 Os inibidores da bomba de prótons são fármacos eficazes, seguros e 
inibem a secreção gástrica pela bomba de prótons em 90-100%. 
Os fármacos inibidores da bomba de prótons são: 
• Omeprazol 
• Lansoprazol 
• Pantoprazol 
• Rabeprazol 
• Esomeprazol 
• Dexlansoprazol: bastante utilizado no tratamento da esofagite de refluxo. 
A escolha do fármaco vai de acordo com o tempo necessário para a 
cicatrização da úlcera e da necessidade de se manter o pH mais elevado por 
mais tempo. 
Todos estes fármacos têm o mesmo mecanismo de ação e tempo de 
meia-vida relativamente curto (1-2h), mas fazem efeito por um tempo maior do 
que a sua meia-vida: ao se tomar 1 comprimido de inibidor de bomba de prótons, 
as bombas ficam inativas por 14-16 horas (conforme o fármaco vai sendo 
eliminado, vão sendo produzidas novas bombas). Todavia, ao se realizar um 
tratamento contínuo por 3-4 dias, causa-se um acúmulo significativo da 
quantidade de fármacos no canalículo, e as bombas tendem a voltar à 
normalidade após cerca de 72h. 
Estes fármacos possuem grande diferença de preço, a qual nem sempre 
é justificada pelo mecanismo de ação que eles apresentam. A escolha do 
fármaco ocorre como resultado de um melhor retorno observado pelo médico em 
relação a fatores como a qualidade e tempo da cicatrização da úlcera, a 
manutenção de um pH mais elevado, o controle da doença mais rapidamente, 
etc. 
 
Omeprazol x Esomeprazol 
O Omeprazol é uma mistura racêmica (o fármaco apresenta isômeros L e 
S em mesma quantidade). O Esomeprazol é o isômero S isolado do Omeprazol 
143 
 
(deve ser purificado para ser obtido, e por isso pode ser mais caro do que o 
Omeprazol). 
O Esomeprazol atinge uma concentração máxima plasmática maior do 
que a atingida pelo Omeprazol. A forma R omeprazol é a forma que apresenta 
menor concentração máxima plasmática quando administrada isoladamente. 
Devido a isso, o Esomeprazol realiza maior controle da secreção gástrica se 
comparado ao Omeprazol. Todavia, estes resultados diferentes obtidos por 
estudos farmacêuticos são na ordem de mmol/L, de modo que não há diferença 
realmente significativa na eficácia destes fármacos (visto que todos controlam 
de 90-100% da secreção gástrica) 
 
A principal diferença entre o Esomeprazol e o Omeprazol é o tempo que 
o esomeprazol fica no organismo (principalmente após administrações 
repetidas). O esomeprazol, ao ser ministrado em doses repetidas, acaba por 
produzir um metabolito que inibe uma isoforma do CYP450 que degrada ele 
mesmo (demorando mais tempo para ser eliminado no organismo). O 
Esomeprazol produz um metabólito que inibe o seu próprio metabolismo. 
 
 
Os inibidores da bomba de prótons deveriam ser tomados durante 4-8 
semanas (no tratamento da úlcera) ou durante um tempo um pouco mais 
prolongado (no tratamento de refluxo). O uso contínuo e crônico destes 
medicamentos (principalmente por idosos) faz com que a acidez estomacal seja 
drasticamente diminuída, o que faz com que não ocorra o controle sobre micro-
144 
 
organismos ingeridos, tornando estas pessoas mais propensas ao 
desenvolvimento de infecções no TGI. Esta diminuição da acidez causa 
também uma diminuição na absorção da vitamina B12 e de cálcio. Além disso, 
a acloridria (ausência de HCl no estômago) pode propiciar a hipertrofia das 
células parietais, a qual pode levar ao desenvolvimento de cânceres. Alguns 
estudos sugerem que a diminuição de vitamina B12 poderia levar a quadros de 
demência (não comprovado ainda). A diminuição de cálcio poderia levar a 
fraturas ósseas. Devido a todos estes fatores, se o paciente faz uso contínuo de 
inibidores da bomba de prótons, deve ser feito um acompanhamento para 
sempre se avaliar o desenvolvimento destes possíveis efeitos colaterais. 
O omeprazol pode alterar as enzimas do CYP450. Devido a isso, o uso 
deste fármaco pode provocar interação medicamentosa com anticoagulantes 
(causando inibição ou indução enzimática). Deve-se avaliar qual enzima 
metaboliza o anticoagulante a ser utilizado, para assim se assegurar que não 
haverá nenhuma interaçãomedicamentosa com o Omeprazol. 
 
 
ANTI-HISTAMÍNICOS H2 
 Todos terminam em “tidina”. Os principais fármacos são: 
• Cimetidina: foi o primeiro anti-histamínico desenvolvido. É um fármaco 
de potencia 1 (a potencia dos outros fármacos é relativa a ele) 
• Ranitidina: potência 4-10 vezes maior do que a cimetidina 
• Famotidina: potência 20-50 vezes maior do que a cimetidina 
• Nizatidina: potência 4-10 vezes maior do que a cimetidina 
Quanto mais potente o fármaco, menor a dose necessária para se 
causar o efeito. Dentre estas drogas, a mais potente é a Famotidina, e a 
Nizatidina é a mais biodisponível, A mais utilizada é a Ranitidina. 
A cimetidina realiza inibição enzimática sobre as isoformas do CYP450. 
Os outros fármacos praticamente não realizam estes efeitos sobre enzimas. 
Devido a esta possibilidade de interação medicamentosa, a Cimetidina não é o 
fármaco de escolha para o controle da secreção gástrica. 
O controle de secreção gástrica por estes fármacos é de 70-90%. Não 
se sabe o porquê, mas os anti-histamíicos controlam muito bem a secreção 
basal noturna. Devido a isso, muitas vezes estes fármacos são utilizados no 
tratamento de quadros de esofagite de refluxo. Para este paciente, quanto mais 
tempo o alimento está no estômago, maior a sua possibilidade de ter o refluxo. 
O processo de cicatrização de uma úlcera ao se utilizar anti-
histamínicos dura cerca de 6 semanas. 
 
 
145 
 
ANTI-ÁCIDOS 
 Dentre os antiácidos, estão: 
• Hidróxido de Mg 
• Hidróxido de Al 
• Bicarbonato de sódio 
• Carbonato de sódio 
• Carbonato de cálcio: não é tão utilizado por ser pouco solúvel 
• Trissilicato de magnésio e associação 
Há antiácidos que são absorvidos e antiácidos que não são absorvidos. 
 
Antiácidos não absorvidos: 
Os antiácidos que não são absorvidos são hidróxido de magnésio, 
hidróxido de alumínio e trissilicato de magnésio e associação. Como não 
são absorvidos, estes fármacos são eliminados nas fezes. 
O hidróxido de magnésio possui ação bastante rápida, visto que 
rapidamente neutraliza o ácido clorídrico. Ao chegar no intestino, a presença do 
magnésio no lúmen intestinal causa a migração de água para o lúmen (para que 
seja mantido o equilíbrio osmótico). Com isso, o paciente que faz uso de 
hidróxido de magnésio pode apresentar quadro de diarreia. Devido a isso, 
soluções salinas e hidróxido de magnésio são alternativas utilizadas no controle 
de um quadro de constipação intestinal. 
 O hidróxido de alumínio atua mais lentamente, e gradativamente 
provoca o alívio da sensação de queimação. Ao chegar ao intestino, o alumínio 
é absorvido, de modo que um pouco de água migra do lúmen para o interior das 
células, causando constipação intestinal. 
A associação destes dois antiácidos (hidróxido de magnésio + 
hidróxido de alumínio) garante que não ocorram estes desbalanços na 
motilidade intestinal. Exemplos desta associação são os medicamentos Maalox 
(hidróxido de alumínio + hidróxido de magnésio) e Kolantil (hidróxido de alumínio 
+ hidróxido de magnésio + trissilicato de magnésio; este último causa uma 
manutenção do pH elevado por mais tempo). 
 
Os antiácidos não controlam secreção gástrica. Não se deve administrar 
antiácidos com antibióticos (visto que os antiácidos podem quelar antibióticos, 
prejudicando a sua absorção). Também não devem ser administrados para 
pacientes hipertensos, visto que estes medicamentos contêm sódio. Também 
não devem ser administrados de maneira concomitante (no mesmo horário 
146 
 
ou com intervalo muito próximo), com outros medicamentos, visto que o pH é 
um dos fatores interferentes na absorção. O hidróxido de magnésio, além de 
alterar o pH, também pode fazer com que o fármaco não fique tempo suficiente 
no intestino e não seja absorvido adequadamente (devido às diarreias). 
O uso prolongado de medicamentos à base de alumínio pode levar a um 
esgotamento de fósforo e cálcio no organismo, o que pode leva à debilidade 
dos ossos. O hidróxido de alumínio também pode influenciar na concentração de 
sais de lítio quando o paciente faz tratamento com lítio (como no TAB). 
Se o paciente utilizar algum outro medicamento, ele deve utilizá-lo 1h 
antes de utilizar o antiácido ou 2-4h após o seu uso. 
 
Antiácidos absorvidos 
Os antiácidos que são absorvidos são o bicarbonato e carbonato de 
sódio. Estes fármacos são eliminados na urina, e interferem no pH urinário. 
Com essa alteração de pH da urina, o uso de antiácidos pode alterar o processo 
de excreção de outros fármacos (tanto aumentando-a quanto diminuindo-a). 
Uma das maneiras de se diminuir um quadro de intoxicação por ácido 
acetilsalicílico é utilizando bicarbonato de sódio, o qual causa uma alcalinização 
da urina e faz com que o fármaco seja eliminado. 
Os carbonatos também produzem bastante CO2, causando eructações. 
 
Antiácidos são fármacos paliativos: não controlam secreção gástrica e 
têm tempo de ação curto. Além disso, o uso de antiácidos proporciona grandes 
chances de ocorrer interação medicamentosa. 
O Alginato é um fármaco que não é mais tão utilizado, mas era utilizado 
no tratamento da esofagite. Este fármaco forma uma espuma coloidal sobre o 
suco gástrico, uma espécie de camada mais espessa que boia sobre o conteúdo 
gástrico. Quando a pessoa tem o refluxo, o primeiro conteúdo a passar para o 
esôfago é esta espuma (já que ela estava boiando), e a partir disso ela vai se 
aderindo à parede do esôfago, protegendo-a da ação do suco gástrico. O 
Alginato está entrando em desuso pois atualmente os fármacos mais utilizados 
no tratamento da esofagite de refluxo são inibidores de bomba de prótons e anti-
histamínicos. 
 
PROTETORES DE MUCOSA 
 Também são fármacos que controlam a secreção gástrica. Protetores de 
mucosa são fármacos que vão aumentar a produção de prostaglandinas, as 
quais inibem secreção gástrica e promovem a secreção de muco e bicarbonato. 
 São eles: 
147 
 
• Sucralfato: forma uma camada protetora sobre a úlcera, criando um 
ambiente que protege a mucosa da ação do suco gástrico. 
• Quelatos de bismuto: um dos mais utilizados é o Subsalicilato de 
bismuto. 
o É a segunda opção terapêutica no tratamento de úlcera causada 
por H. pylori (a primeira é inibidor de bomba de prótons + 
claritromicina + amoxicilina), sendo utilizada se as bactérias são 
resistentes a estes dois antibióticos. Além de realizar a proteção da 
mucosa, o Quelato de Bismuto impede a adesão do H.pylori à 
membrana mucosa (este fármaco apresenta característica 
antimicrobiana devido a isso). 
o O quelato de bismuto deixa a língua e as fezes enegrecidas (as 
quais podem ser confundidas quadros de melena). 
• Misoprostol (Cytotec): foi desenvolvido para essa finalidade de controle 
da secreção gástrica, mas depois descobriu-se o seu efeito abortivo. Este 
fármaco precisava ser administrado 4 vezes ao dia, o que dificultava a 
adesão ao tratamento. É um análogo de prostaglandinas 1. 
 
TRATAMENTO CONTRA HELICOBACTER PYLORI 
Há várias opções (não precisa decorar): 
• Omeprazol + claritromicina + amixicilina = associação clássica. Há 
alterativas aos 2 antibioticos e alternativa para recidivas da doença 
• Lanzoprazol + claritromicina + amoxicilina 
• Omeprazol + amoxicilina + metronizdazol 
• Tetraciclina + metronidazol + subsalicilato de bismuto 
• Anti-H2 + tetraciclina + metronidazol + subsalicilato de bismuto 
 
 
ANTI-EMÉTICOS 
 São vários os gatilhos que podem desencadear a êmese, como: 
• Ingestão excessiva de algum tipo de alimento ou bebida 
• Fatores emocionais 
• Sensações dolorosas 
• Distúrbios de visão 
• Cheiros 
• Distúrbios de labirinto (cinetose). 
• Doenças que produzem prostanoides 
• Uso de alguns medicamentos 
 
Vias de ativação do centro do vômito 
148 
 
Os diferentes estímulos que são capazes de causar o vômito possuem 
diferentes vias para alcançar esta finalidade. 
 
A – Uma das formas paraocasionar a êmese é por meio de dor, visões e 
odores repulsivos, ou por fatores emocionais. Estes diferentes estímulos 
ativam diferentes vias sensitivas aferentes e vias do SNC, e esta informação 
segue para centros/regiões superiores que integram esta mensagem. Estes 
centros integradores realizam a liberação de acetilcolina em receptores 
muscarínicos no centro do vômito, o qual desencadeia o estimulo para que 
ocorra a contração visceral que permite a êmese. 
B - No caso da cinetose, o acometimento do labirinto ativa receptores H1 e 
receptores muscarínicos presentes nos núcleos vestibulares. Os núcleos 
vestibulares são ativados e liberam dopamina e serotonina em receptores D2 e 
5-HT3 presentes na zona de gatilho quimiorreceptora. Por fim, a zona de gatilho 
quimiorreceptora libera Ach no centro do vômito. Se o paciente está com 
náuseas ou vômitos devido a um processo de cinetose, utiliza-se fármacos para 
impedir essa transmissão já nos núcleos vestibulares (utilizando-se para isso 
anti-histamínicos ou anticolinérgicos). 
C – Outros agentes que podem provocar o vômito são toxinas endógenas, 
fatores emetogênicos liberados por doenças no sangue, bebidas alcoólicas e 
determinados fármacos que estão no sangue. Todos estes fatores presentes 
no sangue ativam diretamente os receptores D2 e 5-HT3 da zona de gatilho 
quimiorreceptora. A zona de gatilho quimiorreceptora, em seguida, ativa o centro 
do vômito, que provoca a êmese. 
C.1 – Algumas doenças inflamatórias causam a liberação de prostanóides, 
substâncias que ativam vias aferentes viscerais, as quais ativam receptores H1 
e receptores muscarínicos presentes no núcleo do trato solitário. Em seguida, o 
NTS libera acetilcolina no centro do vômito, ativando-o. Além disso, as vias 
149 
 
aferentes viscerais também são capazes de ativar a zona de gatilho 
quimiorreceptora, a qual também ativa o centro do vômito. 
D - Estímulos provenientes da faringe e do estômago ativam vias viscerais 
que ativam a zona de gatilho quimiorreceptora. A zona de gatilho 
quimiorreceptora causa então a ativação do centro do vômito, que provoca a 
êmese. 
 De uma maneira geral, os fármacos atuam sobre os receptores dos 
núcleos vestibulares ou sobre os receptores da zona de gatilho 
quimorreceptora. Os anti-histamínicos de primeira geração (que são utilizados 
para se bloquear os núcleos vestibulares) acabam bloqueando também os 
receptores muscarínicos contidos nesta região (anti-histamínicos de primeira 
geração possuem também efeitos anticolinérgicos). 
 
 Baseando-se nestas vias que induzem à êmese citadas acima, os 
fármacos que podem ser utilizados no tratamento do vômito são: 
• Anti-histamínicos de primeira geração 
• Anticolinérgicos (antimuscarínicos de ação central) 
• Bloqueadores dopaminérgicos 
• Bloqueadores serotoninérgicos (de 5-HT3) 
 
 
ANTAGONISTAS DE H1 (ANTI-HISTAMÍNICOS DE PRIMEIRA GERAÇÃO) 
 São os fármacos terminados em “ina” e o dimenidrato 
150 
 
• Cinarizina: utilizada no tratamento da labirintite. É um bloqueador de 
canal de cálcio 
• Meclizina: é classificada como um anti-histamínico. Todavia, em sua 
bula, ela é considerada como anticolinérgico 
• Dimenidrato (Dramin): é o mais utilizado 
• Prometazina (Fenergan - antialérgico) 
Alguns dos anti-histaminicos de primeira geração não provocam sono, 
mas o Dramin e a Prometazina possuem 2 grupamentos na molécula que 
acabam provocando efeito de sedação e sonolência (devido a característica 
própria da molécula). Devido a este efeito de sonolência e depressão do SNC, 
estes medicamentos não devem possuir uso concomitante com álcool (visto que 
o álcool também é um depressor do SNC, podendo intensificar o efeito dos 
fármacos). Os anti-histamínicos de segunda geração (ex.: Loratadina e 
Fenoxefenadina) não possuem efeito anticolinérgico e nem causam sonolência. 
Os de primeira geração são lipossolúveis, e devido a isso conseguem atravessar 
a barreira hemato-encefálica e provocar essa depressão do SNC. 
 
ANTAGONISTAS SEROTONINÉRGICOS (5-HT3) 
 Estes fármacos atuam na zona de gatilho quimiorreceptora, visto que a 
serotonina, ao atuar sobre receptores 5-HT3, causa vômito. Estes fármacos 
eram inicialmente utilizados em pacientes passando por QT (visto que a QT pode 
causar náuseas e vômitos). Terminam em “setron(a)” 
• Ondansetron(a) (Vonau) 
• Dolasetron(a) 
• Tropisetron(a) 
• Granisetron(a) 
Estes fármacos normalmente não causam muitos efeitos colaterais, sendo 
o principal deles a cefaleia. Alguns destes fármacos podem alterar o conteúdo 
da ALT e da AST (enzimas hepáticas). 
Algumas doenças autoimunes são tratadas com quimioterápicos. 
Os pacientes podem fazer o uso destes medicamentos cerca de 1h30 
antes das aplicações de QT (se for um esquema de QT mais espaçado) ou 
recebem medicações em que já vêm junto os quimioterápicos + os antagonistas 
serotoninérgicos no mesmo frasco. 
 A serotonina, ao agir sobre receptor 5-HT3, causa vômito; ao agir sobre 
receptor 5-HT4, possui efeito anti-hemético. 
 
ANTAGONISTAS DOPAMINÉRGICOS 
 Estes fármacos são considerados pró-cinéticos: ao se bloquear o receptor 
dopaminérgico, uma via colinérgica é ativada, provocando contração da 
151 
 
musculatura lisa visceral. Os principais antagonistas dopaminérgicos utilizados 
são: 
• Metoclopramida (Plasil): utilizada para diminuir náuseas e vômitos 
provocados pelo quadro enxaquecoso e ajuda no esvaziamento gástrico, 
fazendo com que o fármaco anti-enxaquecoso chegue mais rapidamente 
ao intestino e passe a provocar o seu efeito de maneira mais rápida. 
• Bromoprida (Plamet) 
• Domperidona (Motilium): causa contração da musculatura lisa. Pode ser 
associada aos inibidores da bomba de prótons utilizados no tratamento 
do paciente que tem esofagite de refluxo: ao bloquear os receptores 
dopaminérgicos, este fármaco promove a contração da musculatura lisa 
e o consequente aumento da velocidade do esvaziamento gástrico. Para 
o paciente com esofagite de refluxo, quanto menos tempo o alimento ficar 
no estômago, melhor (visto que enquanto há alimento no estômago, 
continua a ser promovida a secreção gástrica). 
A Domperidona é utilizada no tratamento de náuseas e vômitos de 
pacientes que realizam tratamento da Doença de Parkinson com agonistas 
dopaminérgicos. A Domperidona é utilizada porque ela não atravessa a barreira 
hematoencefálica – atua na falha da barreira hematoencefálica presente na zona 
de gatilho quimiorreceptora. Com isso, ela atua na zona de gatilho, mas sem 
afetar outras regiões neuronais que também contêm circuitos dopaminérgicos 
(como a mesolímbica, a mesocortical e a nigroestriatal – sendo que é nesta 
última que os agonistas dopaminérgicos utilizados na Doença de Parkinson 
atuam). A Metoclopramida e a Bromoprida não são prescritas para este uso pois 
ela atravessam a barreira hematoencefálica e bloqueiam receptores da região 
nigroestriatal também. 
As Fenotiazinas são antagonistas dopaminérgicos que podem ser 
utilizados para o controle de náuseas e vômitos, mas são mais utilizadas no 
tratamento da esquizofrenia. Podem ser utilizadas por algumas gestantes no 
controle da êmese. 
 
ANTAGONISTAS MUSCARÍNICOS 
• Escopolamina: é um anticolinérgico que possui efeito anti-hemético pois 
atua no SNC. A escopolamina atua sobre núcleos vestibulares, NTS e 
sobre o centro do vomito. 
o O M-metil-brometo de escopolamina (produto deste fármaco 
utilizado no tratamento de cólicas) possui ação periférica apenas. 
 
 
ESTERÓIDES 
• Dexametasona: possui efeito anti-hemético. 
152 
 
• Metilprednisolona: também possui efeito anti-hemetíco. Pode ser 
utilizado por pacientes que fazem tratamento quimioterápico e 
apresentam náuseas 
 Estes fármacos diminuem prostanóides. Estes corticoides inibem a 
síntese da COX, levando a uma diminuição de produção de prostanoides, 
que, quando presentes na corrente sanguínea, podem ativar o NTS e a zonade gatilho quimiorreceptora. 
 
 
153 
 
INTRODUÇÃO - DISLIPIDEMIA 
Medusa - 86 
 
 As doenças cardiovasculares são a principal causa de mortes no Brasil. A 
estimativa é de que cerca de 400.000 pessoas morrerão devido a estas doenças 
em 2021. 
 Uma questão bastante importante em relação ao desenvolvimento da 
dislipidemia é o padrão alimentar de cada indivíduo. 
 
ARTERIOSCLEROSE x ATEROSCLEROSE 
 A arteriosclerose é um processo natural do envelhecimento. Consiste no 
enrijecimento dos vasos, que vai ocorrendo devido a diversos fatores. Dentre os 
fatores que levam à arteriosclerose está a aterosclerose. A aterosclerose é uma 
arteriosclerose, mas nem toda arteriosclerose ocorre devido a aterosclerose. 
 A aterosclerose é uma doença inflamatória que está muito relacionada 
aos níveis de lipídeos circulantes, principalmente aos níveis de LDL-colesterol. 
É uma doença inflamatória na qual há acúmulo de gordura no vaso, o que leva 
ao enrijecimento deste vaso e à diminuição do fluxo sanguíneo na região. 
 
 A formação da placa aterosclerótica ocorre da seguinte forma: a partir de 
uma lesão na parede do vaso, ocorre a deposição de colesterol no local (o qual 
foi trazido pelo LDL-colesterol). Este colesterol passa a ser oxidado, sendo em 
seguida captado por macrófagos. Por estarem oxidados, o macrófago não é 
capaz de digerir e degradar adequadamente estes lipídios. A não degradação do 
colesterol causa a formação de estrias gordurosas na parede do vaso, as quais 
vão progressivamente evoluindo e formando a placa aterosclerótica 
 A hipertensão é uma das condições que podem provocar lesões na 
parede dos vasos, levando ao depósito de colesterol e desencadeando a 
formação da placa aterosclerótica. 
 Após ser formada a placa de gordura, ocorre uma diminuição do fluxo 
sanguíneo no interior do vaso. Se estes vasos que estiverem sendo obstruídos 
forem os vasos que irrigam o coração, pode haver o quadro de angina. 
 Progressão das doenças cardiovasculares: a dislipidemia pode levar à 
angina, a qual pode levar a um IAM. o qual pode levar ao desenvolvimento de 
uma IC. 
154 
 
PLACA INSTÁVEL E PLACA ESTÁVEL 
• Instável: pode facilmente se romper. Apresenta núcleo lipídico grande, e 
a capa que o recobre é muito fina. Frente ao rompimento desta placa, tem 
início um processo de agregação plaquetária, o qual vai obstruindo cada 
vez mais a luz do vaso, de modo que a irrigação sanguínea vai sendo 
comprometida. Este comprometimento da irrigação pode levar ao IAM. 
 
• Estável: apresenta núcleo lipídico pequeno e capa fibrosa mais espessa, 
o que dificulta o seu rompimento. Mesmo assim, o fluxo sanguíneo fica 
obstruído com a presença desta placa. Além disso, o vaso em si pode se 
romper, podendo causar AVCs hemorrágicos (visto que a camada que 
envolve o ateroma é mais espessa). 
 
155 
 
ESTRUTURA DAS LIPOPROTEÍNAS 
 As lipoproteínas são: 
 
• Quilomicron: é a maior lipoproteína. Apresenta ApoC, ApoE, ApoA e 
ApoB48 (sendo que esta última só está presente no quilomícron). Se a 
pessoa não tiver nenhum problema genético relacionado à síntese dos 
QM e ficar em jejum durante o tempo solicitado pelo laboratório (10-12h) 
antes de realizar a coleta do seu sangue, ela não apresentará 
quilomícrons em sua circulação. Se os QMs estiverem presentes, ou o 
paciente não respeitou o jejum corretamente ou ele apresenta deficiência 
na produção da lipase lipoproteica. 
o Em seu interior há uma grande quantidade de triglicerídeos (é a 
lipoproteína que mais apresenta triglicerídeos em seu interior) 
• VLDL: assim como o QM, apresenta muitos triglicerídeos em seu interior. 
Todavia, o VLDL carrega também um pouco de colesterol. Apresenta 
ApoB100, ApoC e ApoE. É a primeira lipoproteína que participa do 
metabolismo endógeno das lipoproteínas, visto que é a primeira a sair do 
fígado (carregando triglicerídeos e colesterol em seu interior). 
• IDL: carrega principalmente colesterol. Apresenta ApoB100, ApoC2 e 
ApoE. 
• LDL: apresenta apenas ApoB100. Carrega em seu interior principalmente 
colesterol 
• HDL: apresenta ApoA, ApoC e ApoE. Esta molécula recebe a ApoC e a 
ApoE do VLDL. O HDL já nasce com a ApoA (sendo chamado de HDL 
nascente), e quando recebe as outras apoproteínas, é transformado em 
156 
 
HDL maduro. Seu principal constituinte são proteínas. É chamado de 
“colesterol bom”, visto que faz o transporte do colesterol do tecido extra-
hepático para dentro do fígado. Pode realizar transporte direto ou via IDL. 
 
As apoproteínas são importantes pois funcionam como cofatores 
enzimáticos no metabolismo lipídico e proque se ligam a receptores 
envolvidos no metabolismo das lipoproteínas. As apoproteínas podem tanto 
ativar quanto inibir enzimas. 
 Deve-se sempre relacionar a lipoproteína com o que ela carrega em seu 
interior: ao se observar o lipidograma de um paciente e notar que os triglicerídeos 
estão aumentados, deve-se relacionar este resultado com um aumento de VLDL 
ou com um aumento de quilomícrons. 
 
METABOLISMO LIPÍDICO 
 Há a via exógena e a via endógena do metabolismo dos lipídios. 
Via endógena 
 Ocorre a síntese dos lipídios a partir do fígado. 
Via exógena 
 Os lipídios presentes nesta via são provenientes da alimentação. 
Ao se ingerir um alimento, há a liberação de sais biliares. Os sais biliares 
são formados a partir do colesterol. O colesterol é necessário para várias ações 
fisiológicas do organismo (não sendo responsável apenas por efeitos danosos). 
O colesterol participa da síntese de: 
• Hormônios 
• Vitaminas 
• Sais biliares 
• Constituição da membrana plasmática 
157 
 
O organismo constantemente sintetiza colesterol no fígado, além de 
ingeri-lo a partir da dieta. 
Após se ingerir um alimento rico em gorduras, os sais biliares são 
secretados passam a emulsificar as gorduras presentes neste alimento. Em 
seguida, o quilomícron é formado nos intestinos. 
O QM é formado a partir de triglicerídeos e pelas apoproteínas ApoE, 
ApoC (provenientes da degradação do HDL), ApoA e ApoB48. O quilomícron 
formado passa pelo sistema linfático e cai na corrente sanguínea. 
A ApoC2 do quilomícron ativa uma enzima chamada de lipase 
lipoproteica, a qual quebra os triglicerídeos presentes no QM e os transforma 
em ácido graxo + glicerol. Estes ácidos graxos são levados ao tecido adiposo, 
ao músculo, etc, sendo utilizado em outras funções. Após sofrer ação da lipase 
lipoproteica, o QM se transforma em QM remanescente, visto que grande parte 
do seu conteúdo de triglicerídeos foi degradado. Este QM remanescente (que 
contém um pouco de colesterol e de triglicerídeos e as apoproteínas) é levado 
ao fígado por meio da ligação da ApoE a receptores hepáticos. 
O QM também possui a ApoC3, uma apoproteína que, ao invés de ativar 
a lipase lipoproteica, inibe-a (fazendo com que o paciente passe a apresentar 
uma grande quantidade de triglicerídeos circulantes). 
 
 Ao chegar ao fígado, o QM remanescente é metabolizado, de modo que 
o seu colesterol passa a formar a molécula de VLDL. Esta síntese de VLDL 
ocorre normalmente à noite. 
158 
 
 O VLDL carrega consigo alta quantidade de triglicerídeos, mas também 
transporta um pouco de colesterol (proveniente do fígado). O VLDL possui Apo-
E, ApoC2 e ApoB100. 
Ao chegar na corrente sanguínea, a ApoC2 ativa a lipase lipoproteica. 
Com isso, boa parte dos triglicerídeos presentes no VLDL são degradados em 
ácido graxos + glicerol. Após esta degradação pela lipase lipoproteica, o VLDL é 
convertido em IDL. IDL é uma molécula intermediária entre VLDL e LDL. O IDL 
carrega principalmente colesterol em seu interior. 
A partir da sua síntese, o IDL pode ter dois destinos: 
• Retornar ao fígado (sendo reconhecido por um receptor B/E) 
• Ser convertido em LDL e doar sua ApoE e sua ApoC para o HDL, (o que 
contribui com a transformação do HDL nascente em HDL maduro). 
Após o LDL ser formado, ou elevolta para o fígado (por meio de um 
receptor para ApoB) para ser processado e formar novas moléculas de 
colesterol, ou ele passa a se depositar nos tecidos extra-hepáticos, como nos 
vasos. 
Para combater esta deposição de colesterol nos tecidos extra-hepáticos, 
o HDL possui uma enzima chamada de LCAT (lecitina-colesterol 
acetiltransferase), a qual esterifica o colesterol depositado em tecido extra-
hepático. A partir disso, o HDL passa a carrear este colesterol esterificado, sendo 
chamado de HDL maduro. Este HDL maduro pode voltar para o fígado (para 
que assim o colesterol extra-hepático seja processado) ou pode transferir parte 
do colesterol presente no seu interior para o IDL. O transporte do colesterol do 
HDL para o IDL é feito pela CETP (proteína transferidora de ester colesteril) 
 
Algumas situações: 
• Se há deficiência de lipase-lipoproteica: há detecção de alto nível de 
triglicerídeos. O alto nível de triglicerídeos pode levar ao desenvolvimento 
de pancreatite, diabetes, aumento de ácido úrico e AVCs. 
• Se há níveis elevados de colesterol: há predisposição para que ocorra 
aterosclerose. A aterosclerose pode levar à ocorrência de angina, que 
pode levar a IAM ou AVC. O IAM pode desencadear uma IC. 
• Deficiência de receptor ApoB: Há aumento de LDL circulante. Isso 
ocorre na hipercolestererolemia familiar, doença que apresenta formas 
heterozigota ou homozigota. Na forma heterozigota, o indivíduo produz 
50% dos receptores para ApoB, mas na forma homozigota há uma severa 
deficiência na produção destes receptores. O paciente com a forma 
homozigota da hipercolesterolemia familiar pode vir a óbito precocemente 
pois o colesterol presente na circulação não pode ser reprocessado pelo 
fígado. 
 
 
159 
 
Alguns mecanismos farmacológicos (alguns já utilizados e outros em 
estudos): 
• Inibição da CETP: a CETP é a enzima que transfere o colesterol do HDL 
para o IDL. Com a inibição desta enzima, todo o HDL é levado diretamente 
para o fígado. A inibição desta enzima impede que parte do colesterol vá 
para o IDL (o qual pode gerar LDL, que pode levar ao acúmulo de lipídeos 
no organismo novamente). 
• Fármaco que inibem a enzima que degrada o receptor B/E: Quando o 
colesterol se liga a este receptor, o complexo receptor + colesterol é 
invaginado, de modo que o colesterol é liberado e reprocessado no interior 
do hepatócito. Depois disso, o receptor B/E é expresso na membrana do 
hepatócito novamente – sendo que este processo ocorre cerca de 150 
vezes para cada receptor. Há uma enzima que não permite essa 
reciclagem do receptor, de modo que ela o degrada assim que ele é 
endocitado. Sem este receptor, a o transporte do colesterol periférico para 
o interior do fígado fica impossibilitado, o que é maléfico para o organismo 
e predispõe os fenômenos ateroscleróticos. Frente a isso, há fármacos 
que atuam inibindo esta enzima, de modo que os receptores não sejam 
degradados assim que são endocitados e consigam realizar a sua 
reciclagem diversas vezes. 
 
AVALIAÇÃO LABORATORIAL DO PERFIL LIPÍDICO 
 A solicitação do jejum fica a critério do médico que está solicitando o 
exame. Todavia, é uma obrigatoriedade se fazer o jejum se os triglicerídeos do 
paciente estiverem acima de 440 mg/dl. 
160 
 
 Há alguns anos atrás, o LDL era calculado pela seguinte fórmula: 
colesterol total – HDL – triglicerídeos/5. 
 
 Esta fórmula não poderia ser utilizada se o valor dos triglicerídeos era 
superior a 400 mg/dl, visto que com isso o cálculo do LDL acabava tendo um 
resultado errôneo. Hoje em dia, substituiu-se Triglicerídeos/5 por 
Triglicerídeos/X na fórmula. Esta fórmula alterada é chamada de Fórmula de 
Martin (LDL = CT – HDL – TG/x). O X é uma relação entre o que não é HDL 
(colesterol total – HDL) e os níveis de triglicerídeos, sendo observada na tabela 
abaixo: 
 
Ex.: se o paciente tem 200 de colesterol total e 80 de HDL, o seu colesterol não 
HDL é 120. Procura-se então onde o não-HDL=120 converge com o valor de 
triglicerídeos do paciente. Este valor será o valor de X, que deve ser empregado 
na fórmula de Martin. 
161 
 
 Antes de se realizar a coleta do sangue para a realização do lipidograma, 
o paciente deve estar há 72h sem ingerir bebida alcoólicas e pelo menos 24h 
sem fazer exercício físico. 
Outros marcadores diagnósticos da dislipidemia: 
• Relação entre ApoB e ApoA: o aumento da ApoB está sempre 
relacionado ao aumento dos níveis de triglicerídeos e colesterol (LDL, 
VLDL e QM), enquanto níveis aumentados da ApoA estão relacionados 
ao aumento do HDL. 
• Cálculo da fração não-HDL colesterol (CT-HDL) 
• Relação entre lipoproteína A e fosfolipídios oxidados: a formação da 
placa de aterosclerose está relacionada com a oxidação do LDL 
colesterol. Quanto mais o LDL é oxidado, mais ocorre o acúmulo de 
gordura e a formação da aterosclerose. 
• Homocisteína: está relacionada com a proliferação de células 
musculares vasculares (estando, portanto, relacionada a processos 
aterogênicos e trombogênicos). 
• PCR ultra-sensível: a determinação da PCR não ultra-sensível mostra 
apenas que o paciente tem alguma inflamação (mas não especifica onde). 
Já a determinação da PCR ultra-sensível mostra que a inflamação está 
relacionada à presença de placa aterosclerótica. Quando está acima de 2 
mg/L, sinaliza para um alto risco de doença cardiovascular. 
• Espessura das carótidas: pode ser avaliada por meio de ultrassons. 
Está relacionada com a ocorrência de AVCs. 
• Quantidade de cálcio coronariano: é dosado a partir de tomografias. 
 
Determinação da hipercolesterolemia 
 
Pode-se considerar que um paciente está com colesterol acima do normal 
quando a sua dosagem de colesterol é acima de 190 mg/dL. Todavia, para se 
dizer que o paciente realmente tem colesterolemia importante, deve-se avaliar 
os níveis de HDL (que podem aumentar os níveis de colesterol total). 
162 
 
O HDL acaba funcionando como um fator de contabilização negativa 
para o risco cardiovascular. Realiza-se a somatória dos níveis dos demais 
colesteróis, mas os níveis de HDL são adicionados de forma negativa, visto que 
abatem os níveis positivos dos outros tipos de colesterol (diminuem a somatória). 
Os níveis adequados do lipidograma são: 
• Colesterol total menor de 190 mg/dl 
• HDL acima de 40 mg/dl (diabéticos e mulheres: acima de 50 mg/dl) 
• Triglicerídeos menor do que 150 mg/dl (para os pacientes em jejum). 
Para os pacientes que não fizeram o exame em jejum, muda apenas a 
quantidade de triglicerídeos (pois o jejum interfere apenas na quantidade de QM 
circulantes). 
Os níveis de LDL desejáveis são baseados no risco do paciente em 
desenvolver doenças cardiovasculares. Se o paciente apresenta: 
• Risco baixo: o LDL deve ser menor do que 130 mg/dl 
• Risco intermediário: menor do que 100 mg/dl 
• Risco alto: menor do que 70 mg/dl 
• Risco muito alto: menor do que 50 mg/dl 
As quantidades desejáveis de colesterol sanguíneo vêm diminuindo ao 
passar dos anos, de modo que tem se tornado cada vez mais difícil de se 
controlar os níveis destes lipídios no organismo (ainda mais ao se observar o 
padrão alimentar atual rico em lipídios e sódio). Frente a esta maior dificuldade 
em se enquadrar os pacientes nos limites desejáveis, o quadro destes indivíduos 
é normalmente controlado por medicações (mesmo frente a pequenas 
alterações no lipidograma), e não por mudanças nos hábitos de vida. Os 
principais fármacos utilizados para se realizar o controle dos níveis de colesteróis 
são as estatinas. Estes fármacos possuem efeitos colaterais em 30% dos 
pacientes (mesmo sendo efeitos colaterais leves, como mialgias). A primeira 
tentativa de se corrigir um quadro de hipercolesterolemia deve ser sempre por 
meio do tratamento não farmacológico. 
Quadros em que o colesterol total está maior ou igual a 310 mg/dl 
podem estar relacionados à hipercolesterolemia familiar. Indivíduoscom 
hipercolesterolemia familiar possuem 20 vezes mais risco de ter mortes precoces 
do que os indivíduos que têm os níveis de colesterol dentro dos padrões normais. 
 
FATORES DE RISCO 
• Histórico familiar de doença cardiovascular prematura, principalmente se 
este parente faleceu prematuramente devido a esta condição 
o Homens abaixo de 55 anos e mulheres abaixo de 65 anos 
o Frente a este fator, o paciente é automaticamente classificado 
como o risco seguinte (ex.: se as minhas características apontam 
para baixo risco, eu sou classificado como risco intermediário). 
163 
 
• Idade (homem 45 anos; mulher 55 anos) 
• Dislipidemia (relacionada aos níveis de HDL – se for menor do que 40 
para homens ou do que 50 para mulheres e diabéticos) 
• Tabagismo 
• Sedentarismo 
• Síndrome metabólica: está relacionada com um aumento da 
circunferência abdominal (mulheres acima de 80 cm, homens acima de 
94cm) mais 2 fatores dos citados abaixo: 
o Glicemia aumentada (acima de 99) 
o Hipertensão 
o HDL diminuído 
o Triglicerídeos aumentado (acima de 150 mg/dl) 
• Hipertensão 
• Diabetes 
• Aterosclerose 
• Hipertrofia do VE (devido a um quadro de HAS mal controlado) 
• Micro ou macroalbuminúria: é adequado que a pessoa tenha até 150 mg 
de proteínas na urina/24h 
• PCR acima de 2mg 
• Evidência de doença aterosclerótica subclínica. É evidenciada através de: 
o Cálcio coronariano acima de 100 
o Espessamento da carótida (detectado por ultrassom) 
o Índice tornozelo-braquial menor do que 0,9. Este índice é dosado 
por oscilometria ou pela aferição da PA no tornozelo e no braço. 
 
 
 
164 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS DISLIPIDEMIAS 
Medusa - 86 
 
CLASSIFICAÇÃO FENOTIPICA 
 Baseia-se no que o laboratório mostra de resultado ao se solicitar a 
avaliação do perfil lipídico do paciente: 
• Hipercolesterolemia isolada: há aumento apenas de LDL colesterol. Para 
o quadro ser considerado como hipercolesterolemia isolada, os níveis de 
LDL colesterol devem estar acima de 160 mg/dl 
• Hipertrigliceridemia isolada: os triglicerídeos encontram-se acima de 150 
mg/dl (quando o paciente está em jejum) ou acima de 175 mg/dl 
• Hiperlipidemia mista: há tanto um aumento dos níveis de LDL quanto um 
aumento nos níveis de triglicerídeos. Neste caso, os níveis de colesterol 
não HDL encontram-se acima de 190 mg/dl 
• Diminuição de HDL: pode ser isolada ou relacionada ao aumento de 
triglicerídeos e/ou de LDL 
 
CLASSIFICAÇÃO GENOTÍPICA 
 São dislipidemias que ocorrem devido a síndromes genéticas. 
• Monogênicas 
• Poligênicas 
 
CLASSIFICAÇÃO DE FREDERIKSON 
 Possui 6 subtipos, que estão relacionados a diferentes fenótipos: 
• Fenotipo do tipo 1: apresenta QM aumentado, de modo que os níveis de 
triglicerídeos encontram-se elevados. Ou o paciente não ficou em jejum 
para realizar o exame ou tem algum distúrbio genético, como uma 
deficiência da lipase lipoproteica (que quebra o triglicerídeo em ácido 
graxo e glicerol) 
• Fenotipo do tipo 2A: apresenta LDL aumentado, de modo que os níveis 
de colesterol encontram-se elevados 
• Fenotipo do tipo 2B: apresenta LDL e VLDL aumentado, de modo que os 
níveis de colesterol e triglicerídeos encontram-se elevados 
• Fenotipo do tipo 3: apresenta IDL aumentado, de modo que os níveis de 
colesterol e triglicerídeos (principalmente) encontram-se elevados 
• Fenotipo do tipo 4: apresenta VLDL aumentado, de modo que os níveis 
de triglicerídeos encontram-se elevados 
• Fenotipo do tipo 5: apresenta VLDL e QM aumentados, de modo que os 
níveis de triglicerídeos encontram-se muito elevados. 
165 
 
É necessário saber o que cada lipoproteína carrega e o que o paciente 
pode apresentar como consequência deste quadro (ex.: aumento de colesterol 
leva a aterogenicidade; aumento de triglicerídeos pode levar ao desenvolvimento 
de pancreatite, diabetes, acúmulo de ácido úrico e AVEs). 
 
A terapêutica nas dislipidemias é voltada principalmente para o controle 
dos níveis de colesterol ou para o controle dos níveis de triglicerídeos. Se o 
paciente possuir uma hiperlipidemia mista, o que define qual alteração será 
tratada primeiramente é o nível de triglicerídeos (se for acima de 500 mg/dl, trata-
se o aumento de triglicerídeos primeiro; se for abaixo de 500 mg/dl, trata-se o 
aumento de colesterol primeiramente). O aumento dos níveis de triglicerídeos 
está muito relacionado à alimentação. 
 
CAUSAS GENÉTICAS 
As disfunções genéticas são mais dificilmente tratadas. Alguns tipos de 
disfunções genéticas que levam às dislipidemias são: 
• Deficiência na lipase lipoproteica: aumenta-se a quantidade de QM e 
de VLDL. Há aumento da quantidade de triglicerídeos. 
• Superprodução de ApoB (encontrada no VLDL ou no LDL) 
• Anormalidades na ApoE: a ApoE é importante para que o QM 
remanescente e o IDL voltem ao fígado 
• Deficiência/alteração/ausência do receptor de LDL: impossibilita o 
retorno do LDL ao fígado 
• Hiper Lipoproteina A: pode estar relacionada ao risco de 
aterogenicidade para algumas pessoas, mas para outras não. A 
lipoproteína A é muito semelhante ao LDL, mas tem a ApoA em sua 
superfície. Não se sabe ao certo a sua função. 
 
CAUSAS SECUNDÁRIAS DAS DISLIPIDEMIAS 
• Devido ao uso de alguns medicamentos: alguns medicamentos podem 
levar à alteração do perfil lipídico dos pacientes 
• Devido a algumas doenças 
o Obesidade 
166 
 
o Hipotireoidismo: aumenta as concentrações de colesterol, pode ou 
não influenciar no HDL e tem pequena influência nos triglicerídeos. 
• Devido ao estilo de vida 
o Sedentarismo 
o Etilismo: se o paciente tem triglicerídeos aumentado, é importante 
se suspender o uso da bebida alcoólica. 
▪ O uso social do álcool (1 dose para mulheres e 2 para 
homens) pode aumentar os níveis de HDL, sendo benéfico 
nestes casos 
o Alimentação inadequada (ingestão excessiva de gorduras) 
• Devido a condições fisiológicas 
o Menopausa: aumenta os níveis de colesterol e diminui os níveis de 
HDL 
 
 
TRATAMENTO E FARMACOLOGIA 
 Deve-se considerar o tratamento não farmacológico em todas as 
doenças cardiovasculares. Além de ser capaz de resolver a situação do paciente 
em alguns casos, este tipo de tratamento também auxilia o tratamento 
farmacológico. 
 A maior causa de mortes no Brasil decorre de doenças cardiovasculares. 
Este índice está muito relacionado à dieta inadequada dos indivíduos, que 
normalmente é muito rica em gorduras e sódio. 
 Quando a pessoa apresenta níveis de LDL elevados e apresenta 
comorbidades, há a indicação de restrição da ingestão de ácidos graxos 
saturados. No caso dos triglicerídeos, o indivíduo já deve apresentar restrição no 
consumo dos ácidos graxos saturados mesmo frente aos níveis limítrofes de 
triglicerídeos (e frente a níveis mais elevados, esta restrição tende a ser maior). 
 Conforme o paciente vai diminuindo a ingestão de ácidos graxos 
saturados, deve-se aumentar a ingestão de ácidos graxos poli-insaturados, 
como ômega 3. 
167 
 
 O IMC ainda é o padrão utilizado na determinação se a pessoa está obesa 
ou não. 
 
 As modificações de hábitos alimentares e do estilo de vida que podem 
ser realizados frente ao quadro de hipertrigliceridemia são: 
• Redução de peso 
• Redução da ingestão de bebidas alcóolicas 
• Redução de ingestão de açúcares simples 
• Redução da ingestão de carboidratos 
• Substituição (parcial) dos ácidos graxos saturados por ácidos graxos 
mono e poli-insaturados 
• Atividade física regular: também ajuda a aumentar os níveis sérios de 
HDL. 
 
 
 
 
 
168 
 
TERAPIA NUTRICIONAL 
 Alguns dos alimentos que ajudam muito no controle dos níveis de lipídios 
são as fibras (presentes em cereais, grãos integrais, farelos, verduras, etc), 
sendo que a ingesta de água deve ocorrer juntamente à ingestão destes 
alimentos para que o efeito de diminuição dos níveis de lipídios ocorra. 
As fibras acabam sequestrando o colesterol, fazendo com que ele sejaeliminado nas fezes. Alguns dos alimentos ricos em fibras são: 
• Psyllium: é utilizada no tratamento da constipação intestinal. Ela também 
ajuda a reduzir de 5 a 20% dos níveis de LDL colesterol e 15% do 
colesterol total. 
• Farelo de aveia: causa cerca de 5% de diminuição dos níveis de LDL-
colesterol. 
• Proteína de soja: causa cerca de 11% de diminuição dos níveis de 
triglicerídeos. 
 
FITOSTEROIS/FITOSTANOIS 
 Os fitosteróis/fitostanois são outra classe que pode ser utilizada para se 
controlar os níveis de LDL-colesterol. Os fitoesteróis/fitostanois podem estar 
presentes tanto em medicamentos fitoterápicos quanto em alimentos funcionais. 
 Os fitosteróis fazem com que a micela os englobe ao invés de englobar 
o colesterol no momento da alimentação, de modo que os fitoesteróis sejam 
trazidos para o interior do organismo e o colesterol não. Ocorre uma 
competição pela ocupação do interior da micela (ao invés de ter apenas 
colesterol, passa a ter também fitosteróis, de modo que grande parte do 
colesterol não consegue ser absorvida e é então eliminada nas fezes). 
 
 Chegando menos colesterol no organismo, o organismo ou tem que 
aumentar a produção endógena de colesterol ou tem que tirar o que está na 
circulação. Frente a isso, normalmente o organismo passa a ter que tirar o 
colesterol da circulação para suprir as suas necessidades fisiológicas, 
diminuindo assim os níveis de colesterol circulante. 
169 
 
QUITOSANA 
 É uma substância que parece ajudar a controlar os níveis de colesterol 
também. É normalmente administrada junto às fibras de Psyllium para 
emagrecimento. É uma substância isolada de crustáceos e que funciona como 
uma resina (ao ser ingerida com água, incha e dá sensação de saciedade, 
realizando também o sequestro de colesterol e sais biliares). 
 
EXERCÍCIO FÍSICO 
 É extremamente importante, visto que aumenta os níveis de HDL 
colesterol e ativa algumas enzimas que levam a uma redução de estresse 
oxidativo no organismo (diminuindo-se assim a oxidação do LDL-colesterol, o 
que diminui as chances de se desenvolver placas ateroscleróticas). 
 
ANTIOXIDANTES E ÁCIDO FÓLICO 
 Além da oxidação do LDL, a oxidação da homocisteína é também um 
fator agravante na ocorrência da aterosclerose. Quando está em excesso e é 
oxidada, a homocisteína leva aos fenômenos de trombogênese e aterogênese. 
 Parte do excesso de homocisteína é retirado da circulação através da via 
do folato. Desta forma, a manutenção de ácido fólico e o uso de alguns 
antioxidantes ajuda a evitar a presença de um excesso de homocisteína oxidada, 
diminuindo assim as chances de se desenvolver os processos de aterogênese e 
trombogênese. 
 Alguns medicamentos que são utilizados no controle dos níveis de 
colesterol podem reduzir as quantidades de ácido fólico, o que causa um 
distúrbio no metabolismo da homocisteína e da via do folato. 
 
CLASSES FARMACOLÓGICAS UTILIZADAS PARA O TRATAMENTO DAS 
DISLIPIDEMIAS 
Há 6 classes farmacológicas utilizadas no tratamento das dislipidemias. 
Há fármacos que são utilizados para tratar hipercolesterolemia visando a 
diminuição de LDL, mas que acabam também diminuindo um pouco a 
quantidade de triglicerídeos. 
As classes farmacológicas utilizadas no tratamento da hipertensão são: 
• Estatinas: são os fármacos mais efetivos na redução dos níveis de LDL 
colesterol e colesterol total 
• Ezetimiba 
• Resinas 
• Ácido nicotínico/Niacina 
170 
 
• Fibratos: são os fármacos com maior potencial de reduzir os níveis de 
triglicerídeos 
• Ômega 3 
Os fitosteróis são utilizados como adjuvantes ou preventivos no 
tratamento. O Monaless é outro fármaco alternativo que pode substituir as 
estatinas, não produzindo os efeitos colaterais que elas produzem. 
As três primeiras classes são utilizadas principalmente para o controle dos 
níveis de colesterol total, visando principalmente a redução dos níveis de LDL 
colesterol. As três últimas classes são utilizadas principalmente para a 
diminuição dos níveis de triglicerídeos. O ácido nicotínico e o fibrato (quando 
associado ao ácido nicotínico) ajudam também a aumentar os níveis de HDL-
colesterol. 
 
ESTATINAS 
 São os fármacos com maior potencial de redução dos níveis de LDL-
colesterol e colesterol total. 
 As estatinas inibem uma enzima chamada de 3-
hidroximetilglutarilcoenzimaA-redutase (HMG-CoA redutase). Esta enzima é 
uma das enzimas que participa da síntese de colesterol. Com a inibição desta 
enzima, a síntese de colesterol fica diminuída. Como o organismo precisa de 
colesterol para as suas necessidades fisiológicas, os hepatócitos passam a 
aumentar a expressão de receptores para LDL colesterol, de modo que o LDL 
passa a entrar mais no fígado, sendo então processado. Este mecanismo, 
portanto, acaba por retirar mais colesterol da circulação. 
 
 Esta maior expressão de receptores de LDL acontece também frente 
ao uso de outros medicamentos empregados no controle dos níveis de LDL. 
171 
 
Por mecanismos diferentes, o hepatócito passa a estar com o seu nível de 
colesterol intracelular diminuído, de modo que ele passa a aumentar a expressão 
dos receptores para colesterol em sua membrana. 
 As estatinas também diminuem a oxidação do LDL colesterol (papel 
secundário). Com isso, as estatinas também promovem um aumento na 
estabilidade da placa aterosclerótica, reduzem a inflamação e agregação 
plaquetária, etc. Desta forma, a estatina acaba por estabilizar as placas instáveis. 
 As estatinas também atuam sobre as células ósseas, aumentando a 
atividade de osteoblastos e diminuindo a ação de osteoclastos. 
As estatinas diminuem de 15-55% dos níveis de LDL colesterol. Além 
disso, diminuem até 28% dos níveis de triglicerídeos, e ajudam a aumentar de 2 
a 10% dos níveis de HDL. Com isso, as estatinas acabam melhorando muito o 
perfil lipídico do paciente, visto que atuam tanto sobre o LDL quanto sobre os 
triglicerídeos e sobre o HDL. O aumento do HDL é decorrente do aumento de 
ApoA. 
 As principais estatinas são (“-statina”): 
• Lovastatina 
• Sinvastatina 
• Pravastatina 
• Fluvastatina 
• Atorvastatina 
• Rosuvastatina 
• Pitavastatina 
 
Pró-fármacos e fármacos ativos 
Lovastatina e Sinvastatina são pró-fármacos, enquanto as demais são 
fármacos ativos. As estatinas podem provocar várias interações 
medicamentosas. Se houver indução ou inibição enzimática, pode haver o 
acumulo destas substâncias no organismo, de modo que o paciente passa a ter 
maior chance de ter efeitos colaterais (que são normalmente efeitos musculares 
e hepáticos). Dependendo do resultado da análise laboratorial em relação às 
funções musculares e hepáticas, o medicamento deverá ser suspenso. 
 
Tempo de meia-vida 
Em relação ao tempo de meia vida, estes fármacos: 
• Atorvastatina, Rosuvastatina e Pitavastatina: são fármacos com maior 
meia-vida (10-30h), tendo tempo de ação mais prolongado. Devido a 
isso, podem ser administrados a qualquer hora do dia. 
• Lovastatina, Sinvastatina, Pravastatina e Fluvastatina: são fármacos de 
meia-vida mais curta. Devido a isso, estes fármacos devem ser 
172 
 
administrados à noite (visto que a síntese de colesterol no organismo 
ocorre principalmente à noite). 
A Sinvastatina é indicada no SUS: deve-se orientar o paciente em relação 
ao horário de se tomar (à noite). O SUS também recomenda o uso de alcachofra 
em associação à Sinvastatina para auxiliar no controle dos níveis de colesterol. 
 
Potência e eficácia 
A Atorvastatina e a Rosuvastatina são as mais efetivas, visto que 
reduzem em cerca de 50% os níveis de LDL-colesterol. A Sinvastatina também 
possui efeito de reduzir cerca de 50% dos níveis de colesterol se administrada 
em grandes doses. É necessário o dobro de Sinvastatina para ser causado o 
mesmo efeito da Atorvastatina 
Desta forma, observa-se que além da Atorvastatina e da Rosuvastatina 
serem os fármacos com maior potência, tambémsão os que podem ser 
administrados em qualquer horário do dia, o que indica o seu uso. 
.A mais potente das estatinas é a Pitavastatina: 2-4 mg dela já são 
capazes de causar estes efeitos de redução dos níveis de LDL em 50% 
(enquanto a Atorvastatina e a Rosuvastatina só causam estes efeitos com a 
administração de 40-80 mg). 
A Pitavastatina foi a última estatina a ser colocada no mercado. Ela parece 
melhorar ou corrigir algumas anomalias metabólicas, principalmente em 
pacientes pré-diabéticos. Ela não é metabolizada pelo fígado, visto que possui 
metabolismo biliar. Com isso, a Pitavastatina não causa tantas interações 
medicamentosas, causando menos efeitos colaterais. Ela apresenta boa 
biodisponibilidade e é administrada por VO. Também provoca a estabilização da 
placa aterosclerótica. Apesar destas vantagens, a Pitovastatina não chega na 
proporção de redução de LDL que a Rosuvastatina e a Atorvastativa chegam. 
 
Efeitos colaterais: 
173 
 
 Os principais efeitos colaterais estão relacionados a alterações no fígado 
e nos músculos. 
• Queixas musculares: 10%. 
o Vão desde mialgias até à rabdomiólise (o fármaco que mais 
causava a rabdomiólise era a Cerivastatina, o qual não é mais 
encontrado no mercado atualmente devido a este efeito colateral. 
A rabdomiólise é caracterizada pela degradação muscular com 
perda de hemoglobina na urina. Atualmente, apenas 1% dos 
pacientes chega a desenvolver a rabdomiólise) 
• Efeitos colaterais leves: 30% 
• Elevação da creatina quinase 
• Elevação de ALT e AST (TGP e TGO) 
• Hepatotoxicidade 
• Desconfortos intestinais: constipação e náuseas 
• Insônia 
Como as estatinas causam alterações hepáticas, antes de começar a 
tomar estes medicamentos, o paciente deve realizar a dosagem de TGP e TGO 
e da creatina quinase. Se for observado que após o início do tratamento com 
as estatinas os níveis destas enzimas aumentarem (creatina quinase: acima de 
10x; aminotransferases: acima de 3x), o tratamento deve ser suspenso. Além 
disso, se o paciente estiver se queixando muito de efeitos colaterais musculares, 
deve-se avaliar as outras alternativas farmacológicas. 
Gestantes e pessoas com hepatopatias não devem fazer uso de estatinas. 
Grande parte das estatinas podem levar ao desenvolvimento de diabetes. Isto 
ocorre pois estes medicamentos diminuem a fosforilação dos receptores de 
insulina (que são receptores de tirosina cinase). Se não há esta fosforilação, não 
há a expressão dos receptores GLUT (responsáveis por reduzir os níveis 
glicêmicos). As estatinas que não induzem o diabetes são a Pitavastatina e a 
Pravastatina. 
 
Monaless 
Uma das alternativas farmacológicas para o uso das estatinas é o 
Monaless, um fitoterápico que atua inibindo a HMG-CoA redutase de 
maneira muito mais branda. É o único fitoterápico voltado para a redução da 
hipercolesterolemia. Ele é proveniente do arroz vermelho, um arroz fermentado 
por um fungo (chamado de Monascus purpureus), o qual produz metabolitos que 
deixam este arroz avermelhado. Estes metabolitos inibem a HMG-CoA redutase, 
ajudando a diminuir os níveis de colesterol plasmáticos. Este fármaco apenas é 
indicado para pacientes com níveis moderados de hipercolesterolemia (200-240 
mg/dl). 
174 
 
 
 
Interações medicamentosas: 
Se há inibição enzimática, os fármacos ativos demoram mais tempo para 
serem degradados, ficando mais tempo no organismo, o que pode aumentar a 
chance de serem desenvolvidos efeitos colaterais musculares e hepáticos. Ao 
se dobrar a dose das estatinas, dobra-se a chance de serem desenvolvidos 
efeitos colaterais, mas não se dobra a % de redução de LDL colesterol. 
Interação com suco de toranja: possui uma substância que causa inibição 
enzimática. 
Se o paciente que estiver fazendo uso de estatina também estiver fazendo 
uso de anticoagulantes, há a necessidade de se realizar o reajuste da dose do 
anticoagulante. Isto ocorre pois como as estatinas são os fármacos que possuem 
maior potencial de redução do colesterol, elas acabam por alterar a viscosidade 
sanguínea. Esta necessidade de ajuste da dose dos anticoagulantes não ocorre 
com o uso da Ezetimiba (outro fármaco utilizado no controle dos níveis de 
colesterol). 
Não se deve realizar a associação de Fibratos com Estatinas, de modo 
que esta associação apenas deve ser feita em condições específicas e frente ao 
monitoramento constante da função hepática e muscular. Também não se deve 
associar o uso do Monaless com o uso das Estatinas (visto que como estes 
medicamentos atuam na mesma via, podem potencializar os efeitos colaterais 
de seu uso). 
 
EZETIMIBA 
 É um fármaco que inibe um transportador de colesterol, chamado de 
NPC1L1. Este transportador de colesterol encontra-se na membrana dos 
enterócitos. Ao se inibir este transportador, a absorção de colesterol é diminuída 
175 
 
(de modo que os QMs que passam a chegar ao fígado são QMs pobres em 
colesterol). 
 Diferentemente das Resinas (outra classe de fármacos utilizada no 
controle das dislipidemias), que não são absorvidas, o Ezetimiba é absorvido, 
caindo na corrente sanguínea e depois vindo a se localizar nos enterócitos. 
Este fármaco é utilizado de maneira isolada (em pacientes com 
intolerância às estatinas) ou associado à Sinvastatina. 
 
 
 Não é notada diferença significativa na diminuição de placas 
ateroscleróticas ao se comparar a administração de Ezetimiba e Sinvastatina de 
forma junta ou de forma isolada. A administração conjunta destes fármacos 
apenas aumenta ainda mais a diminuição da quantidade de colesterol circulante 
(mas não causa uma maior diminuição das placas já formadas). 
 A Ezetimiba sozinha causa uma redução de 10-25% dos níveis de LDL 
circulantes, enquanto a Sinvastatina sozinha causa uma redução de 50% destes 
níveis. Ao serem associadas, esta redução dos níveis plasmáticos de LDL 
aumenta para cerca de 60% (mas esta associação não leva a um aumento da 
capacidade de se reduzir placas ateroscleróticas já formadas). 
 A Ezetimiba produz um metabolito glicuronideo que é ativo: mesmo 
após a sua metabolização hepática, o fármaco não deixa de perder a sua 
atividade 
 É um fármaco que possui tempo de meia vida considerado longo (28-
30h), podendo ser maior em pacientes idosos. 
 Este fármaco não interfere na absorção de gorduras e de vitaminas. 
Apesar de ser um fármaco que atua em nível intestinal na membrana do 
enterócito, ele não interfere na absorção de outras substâncias. 
176 
 
FÁRMACOS UTILIZADOS NAS DISLIPIDEMIAS - 
CONTINUAÇÃO 
Medusa - 86 
 
RESINAS 
As resinas também atuam nos intestinos. Diferentemente da Ezetimiba, 
que é absorvida, as Resinas não são absorvidas. Devido a isso, as resinas são 
prescritas para pacientes com risco de hepatotoxicidade ou para gestantes (visto 
que estes pacientes não podem utilizar as estatinas ou a Ezetimiba). 
As resinas se ligam aos ácidos biliares e causam um aumento da 
eliminação fecal destes compostos. Como os ácidos biliares são formados a 
partir do colesterol, quando eles não são reabsorvidos após serem liberados no 
fígado, é necessário se realizar a síntese de novos ácidos biliares. Para se 
realizar esta síntese, o fígado passa a expressar mais receptores para colesterol, 
para que assim consiga retirar mais deste lipídio da corrente sanguínea. Desta 
forma, as resinas acabam estimulando a retirada de colesterol do sangue, 
reduzindo assim os níveis séricos deste lipídio. 
 
Os três fármacos utilizados para se reduzir os níveis de LDL colesterol 
agem por mecanismos diferentes, mas todos resultam em um mesmo efeito final: 
aumentam a expressão de receptores para colesterol na membrana dos 
hepatócitos. 
177 
 
A única resina disponível no mercado é a Colestiramina. A resina 
apresenta um Cl- em sua estrutura e o sal biliar possui um Na+, de modo que a 
ligação da resina com o sal biliar se dá a partir da ligação do Na+ com o Cl-.A 
estrutura formada é tão grande que não consegue ser reabsorvida, sendo 
eliminada nas fezes. 
 
A Colestiramina não possui boa tolerabilidade, visto que a sua forma 
farmacêutica apresenta certa resistência pelos pacientes. Ela vem na forma de 
pó e deve ser hidratada por algum liquido para ser ingerida. Recomenda-se que 
o líquido utilizado seja algum suco, visto que ao ser hidratada, a resina se 
transforma em um líquido viscoso (espécie de gel), o qual tem a ingestão muito 
desagradável se misturado com água. Deve ser administrada no momento da 
refeição (visto que é neste momento que ocorre a liberação dos ácidos biliares). 
Os esquemas posológicos para a administração da Colestiramina 
dependem dos níveis séricos de colesterol do paciente. Se os níveis forem muito 
altos, a dose vai sendo aumentada semanalmente (e com isso o líquido a ser 
ingerido torna-se cada vez mais viscoso). 
• 1ª semana – 4g em 150 ml de água 1-2x/dia 
• 2ª semana – 8g em 150 ml de água 2x/dia 
• 3ª semana – 12g em 150 ml de água 2x/dia 
Se o paciente toma algum outro medicamento, ele deve passar a toma-
lo cerca de 1h antes ou 2-4h depois da administração da Colestiramina, visto 
que a resina pode sequestrar o medicamento e interferir na sua absorção. 
As resinas também podem ser utilizadas no tratamento da intoxicação 
digitálica. 
A Colestiramina também pode ser utilizada como co-adjuvante das 
estatinas, desde que seja administrada em horários diferentes. Pode ser 
prescrita para crianças ou gestantes. Possui baixa toxicidade sistêmica (visto 
que não é absorvida). 
 
Efeitos colaterais 
• Distúrbios gastrointestinais 
• Esteatorreia 
• Constipação 
O principal efeito colateral das resinas é o aumento dos triglicerídeos. 
Frente ao menor retorno dos sais biliares, o fígado passa a ter que sintetizar mais 
colesterol. Este colesterol sai do hepatócito na forma de VLDL, lipoproteína cujo 
principal constituinte são triglicerídeos. Devido a isso, a resina corrige os 
níveis de colesterol (carregados pelo LDL), mas, como efeito colateral, causa 
um aumento dos níveis de triglicerídeos (devido ao aumento da síntese de 
178 
 
VLDL). Se o paciente fizer uso de resina e passar a apresentar aumento de 
triglicerídeos, pode-se associar as resinas à niacina. 
Frente ao uso das resinas, pode ocorrer um aumento na excreção de sais 
biliares em até 10x (como os ácidos biliares não estão retornando aos 
hepatócitos, o fígado passa a sintetizar mais intensamente estes compostos). 
A resina interfere na absorção de vitaminas lipossolúveis e de ácido 
fólico. Este efeito colateral é importante principalmente nas crianças, e devido a 
isso deve-se monitorar os níveis de vitaminas destes pacientes. Este efeito 
colateral não está tão presente nas gestantes, visto que elas realizam a 
suplementação de ácido fólico durante a gestação. O ácido fólico possui função 
de evitar o excesso de homocisteína. 
 
FÁRMACOS REDUTORES DE TRIGLICERIDEOS 
 
NIACINA/ÁCIDO NICOTÍNICO 
A niacina é uma vitamina. Este fármaco interfere na lipase sensível ao 
hormônio. A lipase sensível ao hormônio é uma enzima que retira ácidos 
graxos do tecido adiposo e leva para o fígado, para que assim seja realizada 
a síntese de triglicerídeos. 
A niacina diminui a atividade da lipase sensível ao hormônio. Desta 
forma, a este fármaco é capaz de diminuir a mobilização de ácidos graxos para 
fígado, diminuindo a síntese de triglicerídeos – o que leva a uma diminuição dos 
níveis plasmáticos de VLDL. 
O VLDL passa a ser menos formado pois, quando há poucos triglicerídeos 
disponíveis no fígado, ocorre uma dificuldade de acoplamento da APO-B100 
com os triglicerídeos para a formação do VLDL. 
 
179 
 
Como os níveis de VLDL estão diminuídos, há também uma 
diminuição nos níveis de LDL (visto que o VLDL forma IDL, que se transforma 
em LDL). A diminuição dos níveis plasmáticos de LDL leva a uma diminuição da 
deposição de colesterol no tecido extra-hepático. 
 
A Niacina também diminui a degradação da ApoA, levando a um 
aumento de HDL no plasma 
Portanto, a Niacina possui a função de aumentar HDL e diminuir 
triglicerídeos, que estão dentro do VLDL. A niacina consegue diminuir de 20-
50% dos níveis de triglicerídeos, e consegue aumentar de 15-35% dos níveis de 
HDL colesterol. 
Ao se associar a niacina a um fibrato, há um aumento de 
aproximadamente 50% dos níveis de HDL colesterol. Estes níveis podem ser 
aumentados ainda mais por meio da atividade física. 
 
Efeitos colaterais da Niacina 
A Niacina deve ser administrada principalmente no período noturno, visto 
que ela deixa o paciente com o rosto avermelhado e causa calor. Devido a estes 
efeitos, recomenda-se ao paciente que 30 minutos antes de fazer o uso da 
niacina, ele tome AAS ou ibuprofeno (para que assim sejam diminuídas as 
quantidades de PGs liberadas, as quais são responsáveis pela vasodilatação). 
Estes efeitos colaterais ocorrem pois a Niacina, ao cair no estômago, se 
transforma em ácido nicotinúrico, o qual induz a produção de PGs. A niacina 
deve ser tomada neste horário pois a síntese de colesterol ocorre à noite e 
porque o paciente toma o medicamento e vai dormir (não sentindo tanto os 
efeitos colaterais provocados pela liberação das PGs). 
O Laropipranto é um fármaco que bloqueia os receptores de PGs 
(podendo ser, desta forma, útil para controlar os efeitos colaterais causados pela 
niacina). Além disso, o Laropipranto também possui capacidade de inibir uma 
enzima chamada de escaleno sintase, a qual participa do processo de síntese 
de colesterol. Desta forma, além de evitar o rubor e o calor, o Laropipranto 
também ajuda a diminuir a síntese de colesterol no fígado. 
As niacinas podem provocar: 
180 
 
• Erupções cutâneas 
• Náuseas e desconforto abdominal 
• Aumento de aminotransferases e fosfatase alcalina 
• Hepatotoxicidade grave (evento raro) 
• Aumento de glicose 
• Aumento de ácido úrico: pode estar relacionado com o aumento de 
triglicerídeos. Deve-se avaliar a indicação de realmente se prescrever 
estes fármacos para pacientes com diabetes (devido ao aumento da 
glicose) ou para pacientes com gota. 
 
Formulações da Niacina 
 Há três formulações da niacina: 
• Niacina de liberação imediata: é a que mais causa efeitos colaterais 
relacionados à vasodilatação cutânea 
• Niacina de liberação intermediária 
• Niacina de liberação lenta: são as que são capazes de provocar 
hepatotoxicidade 
 
FIBRATOS 
 Os fibratos são a principal classe de fármacos utilizada no controle 
dos níveis de triglicerídeos. Os fibratos aumentam a atividade da lipase 
lipoproteica, que quebra os triglicerídeos do QM e os do VLDL. Desta forma, 
chega uma quantidade melhor de triglicerídeos no hepatócito. 
 
181 
 
 Além disso, o fibrato atua ativando o receptor PPARα (receptor alfa 
ativado da proliferação de peroxissomos). Este receptor, ao ser ativado, diminui 
a síntese de ApoC3, aumentando a atividade e a expressão da lipase nos 
vasos. Isto ocorre pois a ApoC3 inibe a lipase lipoproteica (e quando o receptor 
PPARα é ativado, ele inibe a ApoC3 – inibe o inibidor, aumentando a atividade a 
expressão da lipase lipoporteica). Como a lipase lipoproteica está mais ativada, 
ocorre uma maior quebra dos triglicerídeos em ácidos graxos+ glicerol, o que 
causa uma diminuição do nível plasmático de triglicerídeos. 
 
 Os Fibratos também aumentam HDL, visto que aumentam a síntese 
ApoA nos hepatócitos. 
Estes fármacos causam um aumento de 7 a 11% dos níveis de HDL, e 
reduzem de 30 a 60% os níveis de triglicerídeos (dependendo da dieta; a 
ingestão de bebida alcóolica influencia muito nos níveis dos triglicerídeos). 
Ao se realizar a associação da Niacina com Fibratos, observa-se que, 
por mecanismos diferentes, ambos reduzem os níveis plasmáticos de 
triglicerídeos e ambos aumentam os níveis de HDL. 
 
Principais fármacos 
Os principais fibratos (“-fibrato”e genfibrozila) são: 
• Bezafibrato 
• Ciprofibrato 
182 
 
• Genfibrozila: é o fármaco que tem maior potencial na redução dos 
níveis de triglicerídeos. É também o fármaco que mais apresenta 
interação medicamentosa com as estatinas (principalmente com a 
Sinvastatina). Desta forma, estes fármacos não devem ser associados 
(mas se forem, favorecem a ocorrência de efeitos colaterais relacionados 
ao fígado e aos músculos). 
• Fenofibrato: ajuda a diminuir níveis de ácido úrico (que podem ser 
aumentados pela Niacina). Desta forma, se for necessário se associar o 
uso de fibratos com o uso da niacina, a melhor opção é se associar a 
Niacina com o Fenofibrato. 
• Clofibrato: é o mais relacionado com o desenvolvimento de litíase vesical. 
• Etofibrato 
 
Efeitos colaterais e precauções 
• Evitar a associação entre Fibratos e Estatinas (principalmente a 
Sinvastatina) 
• Se o paciente está fazendo uso de anticoagulantes junto ao uso do 
Fibrato, deve-se alterar a dose dos anticoagulantes (visto que a redução 
da circulação dos lipídeos causada pelos fibratos leva a alterações na 
viscosidade sanguínea) 
• Distúrbios gastrointestinais, miopatias, arritmias, hipocalemia, aumento 
das aminotransferases e da fosfatase alcalina (devido a isso, antes de se 
iniciar o tratamento com os fibratos, deve-se fazer dosagens da CK, das 
aminotransferases e da fosfatase alcalina). 
• Deve-se evitar a administração de fibratos para pacientes com disfunção 
hepática, renal e biliar. 
• O Clofibrato pode levar a uma maior propensão ao desenvolvimento de 
cálculos biliares 
 
ÔMEGA 3 
 É utilizado para controle dos triglicerídeos, mas pode aumentar os 
níveis de LDL. 
 Possui outras propriedades que são benéficas para o paciente com 
doenças cardiovasculares, como atividade anti-inflamatória e efeito anti-
trombótico (diminui agregação plaquetária) – efeitos que são benéficos para 
pacientes com placas ateroscleróticas. 
 Não reduz triglicerídeos tão eficientemente quanto a Genfibrosila. 
Todavia, ao se comparar a capacidade de redução dos triglicerídeos causada 
pelo ômega 3 com a redução provocada pelo Etofibrato e pelo Fenofibrato, esta 
capacidade de redução é bastante similar. 
 
183 
 
Posologia: 
• 250 mg/dia: redução em 35% da ocorrência de morte súbita 
• 500 mg/dia: redução em 39-46% da ocorrência de doença 
aterocoronariana e doenças cardiovasculares 
 
Efeitos anti-inflamatórios e anti-trombóticos 
Relembrando: PGE2 e PGI2 são substâncias que possuem propriedades 
vasodilatadoras. Tromboxano A2 é responsável por realizar agregação plaquetária. 
 O ômega 3 leva a um desvio na síntese das PGs e do tromboxano A2. Ao 
invés de estimular a produção de PGE2 e PGI2, o ômega 3 estimula a produção 
de PGE3, que mantém a propriedade vasodilatadora. Além disso, o ômega 3 
atua também na via das lipoxigenases, estimulando a produção de leucotrieno 
B5 (e não de leucotrieno B4). Além disso, deixa de formar tromboxano A2, 
passando a formar tromboxano A3 (o qual não possui atividade plaquetária). 
Desta forma, o ômega 3 realiza um bloqueio nas vias do ácido araquidônico, o 
que leva a um efeito anti-inflamatório, manutenção da vasodilatação e 
inibição da agregação plaquetária (o que leva a um efeito anti-trombótico). 
 
 
 
 
184 
 
NOVOS FÁRMACOS 
 Ainda não são uma realidade no Brasil, visto que são muito caros. São 
anticorpos monoclonais. 
 
ALIROCUMABE E EVOLOCUMABE 
 Após o LDL se ligar ao seu receptor na membrana do hepatócito, este 
receptor é fagocitado e levado para o interior desta célula. Em seguida, este 
receptor volta para a membrana do hepatócito, e repete este ciclo 
aproximadamente 150 vezes. Há uma enzima que degrada parte dos receptores 
de LDL após serem fagocitados, a qual é chamada de PCSK9. Se esta enzima 
possui atividade muito alta, há uma grande degradação dos receptores de LDL, 
de modo que não há receptores para serem expressos na membrana do 
hepatócito. Com isso, apenas uma pequena quantidade de colesterol consegue 
ser retirada da circulação, causando um quadro de hipercolesterolemia. 
 Alirocumabe e o Evolocumabe são anticorpos que se ligam a esta 
enzima, inibindo o seu funcionamento. Isto faz com que os receptores consigam 
ser reciclados por cerca de 150 vezes, de modo que sempre haverá uma alta 
quantidade de receptores na membrana, os quais serão capazes de retirar o 
colesterol do sangue e diminuir os seus níveis plasmáticos. 
 
Este medicamento é injetado 1-2x ao mês. Cada caneta (forma que aplica 
este medicamento) custa cerca de 1.300 reais. Devido a isto, este fármaco 
somente é indicado para pacientes com risco cardiovascular muito elevadi (como 
pacientes com hipercolesterolemia familiar). 
 
185 
 
Efeitos colaterais 
São leves, como nasofaringite, náuseas, fadiga e reações no local da 
aplicação. 
 
LOMITAPIDA 
 Inibe a proteína de transferência de triglicerídeos microssomais. 
Para que o VLDL seja formado, é necessário se acoplar o triglicerídeo à ApoB. 
A Lomitapida inibe este acoplamento, fazendo com que o VLDL não seja 
formado. 
 
 A Lomitapida apenas é indicada para pacientes com dislipidemia grave. 
Este fármaco consegue reduzir cerca de 50% dos níveis de LDL. 
 
Efeitos adversos 
Provoca esteatose hepática (visto que os triglicerídeos ficam localizados 
no interior dos hepatócitos), alterações de transaminases e alterações na 
absorção de vitamina E. 
 
MIPOMERSEN 
 É um oligonucleotideo antissenso (ASO): consiste em uma sequência 
de nucleotídeos que se liga ao RNAm responsável pela síntese de ApoB100, 
inibindo esta síntese. Se não é formada a ApoB100, não é possível que seja 
formado o VLDL nem o LDL, diminuindo-se os níveis destas lipoproteínas 
circulantes. 
 Este fármaco (sequência de nucleotídeos) é complementar à fita de 
RNAm que codifica a ApoB100, de modo que se liga a esta fita. Ao ser formada 
186 
 
uma dupla fita de RNAm, esta estrutura é eliminada (visto que o organismo 
apenas reconhece como normais as fitas simples de RNAm). 
 Este medicamento ainda está em desenvolvimento. Causa redução de 25-
37% dos níveis de LDL circulantes. 
 
INIBIDORES DA PROTEINA DE TRANSFERENCIA DE ESTER DE 
COLESTEROL (CETP) 
A CETP é a enzima responsável por transferir o colesterol que está no 
interior do HDL (o qual foi esterificado pela LCAT) para o IDL. Ao se inibir esta 
proteína, não é possível se realizar a transferência do colesterol do HDL para o 
IDL. Com isso, o HDL leva todo o colesterol diretamente para o fígado, 
favorecendo o transporte reverso de colesterol pelo HDL via receptor SRB1. 
 Os fármacos desta classe são o Torcetrapib, Dalcetrapib, Evacetrapib e 
Anacetrapib. Apenas o Anacetrapib está ainda em estudo clínico. 
 
 
 
187 
 
INTRODUÇÃO – HIPERTENSÃO ARTERIAL SISTÊMICA 
Medusa - 86 
 
 A grande maioria dos fármacos utilizados no tratamento da hipertensão 
são utilizados também no tratamento de outras doenças cardiovasculares, como 
na angina e na IC. 
 A hipertensão é uma doença crônica não transmissível, de natureza 
multifatorial (95% dos casos são de natureza inespecífica, resultando de um 
conjunto de fatores; em 5% dos casos é possível identificar a causa exata da 
hipertensão), de adaptação (o organismo se adapta a novas situações, as quais 
comprometem a irrigação tecidual), assintomática (na grande maioria dos 
casos) que compromete, fundamentalmente, o equilíbrio do sistema vascular, 
levando a um aumento da tensão sanguínea nos vasos, capaz de 
comprometer a irrigação tecidual e provocar danos aos órgãos por eles 
irrigados. 
 O fato de a hipertensão ser uma doença assintomática faz com que muitas 
vezes o paciente não tenha adesão ao tratamento. Isto ocorre pois muitas vezes 
o paciente não apresentava nenhum sintoma antes de passar a tomar os 
medicamentos, mas após iniciar o tratamento, ele passa a apresentar efeitos 
colaterais. 
 
HIPERTENSÃO PRIMÁRIAA hipertensão primária apresenta causas inespecíficas, visto que não é 
possível se identificar o motivo que está levando ao desenvolvimento da 
hipertensão. O quadro de hipertensão primária normalmente resulta de uma 
somatória de fatores, como: 
• Estresse: aumenta a liberação de cortisol, de noradrenalina e de 
adrenalina 
• Desequilíbrio do SNA: o SN simpático passa a estar mais ativado, de 
modo que há uma maior liberação de adrenalina, a qual causa 
vasoconstrição e aumento da FC. 
• Herança genética: se o indivíduo apresenta pais, irmãos ou tios com HAS, 
há um aumento da chance de ser desenvolvida a doença 
• Dieta: alto consumo de gorduras e sódio predispõe o desenvolvimento da 
HAS (é permitido o consumo de 5g de sódio/dia, e o brasileiro consome 
cerca de 11,4g/dia) 
• Obesidade: além da obesidade (que é definida pelo IMC), o aumento da 
circunferência da cintura também é um fator bastante importante para o 
desenvolvimento da HAS. O aumento da circunferência da cintura está 
diretamente associado à presença de infartos, AVEs, distúrbios 
metabólicos, etc. 
188 
 
o Para latino-americanos, a medida da circunferência abdominal 
deve ser: 
▪ Homens: até 94 cm 
▪ Mulheres: até 80 cm 
• Bradicinina: provoca vasodilatação e ativa a via das PGs, que também 
são substâncias vasodilatadoras. Desta forma, é capaz de atuar na RVP, 
diminuindo-a. A bradicinina possui tempo de meia-vida muito curto (18 
segundos) 
• Mediadores envolvidos na alteração da RVP – endotelinas e NO: estes 
mediadores são responsáveis por causar vasoconstrição e vasodilatação, 
respectivamente. Estes mediadores interferem na resistência vascular 
periférica: quanto mais contraído o vaso está, mais resistência ele impõe 
à passagem de sangue. 
• Raça: pessoas da etnia negra possuem maior tendência de desenvolver 
a HAS devido a uma menor síntese de NO e devido a uma maior 
expressão de receptores beta-adrenérgicos 
 
HIPERTENSÃO SECUNDÁRIA 
 Neste caso, a hipertensão possui causas específicas. Se for tratado o 
problema de base que está levando ao desenvolvimento da hipertensão, a PA 
tende a voltar à normalidade. 
 As causas da hipertensão secundária são: 
• Apneia do sono: a alteração da quantidade de O2 e CO2 circulante pode 
levar a alterações na liberação de adrenalina. Além disso, o indivíduo com 
apneia do sono não dorme adequadamente, o que pode levar a um 
quadro de estresse. 
• Aldosterismo primário: a aldosterona é um hormônio que retem água e 
sódio. Desta forma, um aumento da quantidade de aldosterona causa um 
aumento do volume de líquido circulante no organismo, o que leva a um 
aumento da PA. 
• Doenças renovasculares: também aumentam a quantidade de líquido 
circulante 
• Feocromocitoma: tumor de adrenal que libera de maneira intermitente 
altas quantidades de catecolaminas. Ao se ligar em receptor alfa-1, a 
adrenalina causa vasoconstrição, e ao se ligar ao receptor beta-1, causa 
aumento da FC. 
• Coarctação da aorta: faz com que ocorra diferença na medida da PA em 
diferentes locais do corpo: aumenta nas artérias cerebrais e nas artérias 
dos braços e diminui nas artérias das vísceras e das pernas 
• Doença tireoidiana e paratireoidiana: 
o Quadro de hipertireoidismo aumenta a FC. 
o O paratormônio está relacionado ao aumento da liberação de 
ACTH, o qual causa a liberação de mineralocorticodies. Os 
189 
 
mineralocorticoides causam um aumento da retenção hídrica, o 
aumento de cálcio e o aumento da liberação de renina. 
• Síndrome de Cushing: o uso de grande quantidade de glicocorticoides é 
um dos fatores que leva ao desenvolvimento da Síndrome de Cushing. 
Neste quadro, o paciente acaba desenvolvendo várias modificações 
fisiológicas e físicas, como rosto em forma de lua cheia, corcova de búfalo 
(acúmulo de gordura na região dos ombros), acúmulo de gordura na 
região abdominal, estrias avermelhadas, equimoses, glaucoma, HAS, 
alterações no metabolismo de proteínas, lipídios e glicídios, etc. 
 
o Os glicocorticoides aumentam a liberação de adrenalina e 
noradrenalina. Além disso, induzem os macrófagos a liberarem 
lipocortinas, que inibem a fosfolipase A2, inibindo a síntese de 
PGE2 e PGI2, que são substâncias vasodilatadoras (o que 
contribui com o aumento da PA) 
• Uso de algumas drogas: 
o Uso de anti-inflamatórios (sejam eles esteroidais ou não 
esteroidais): causa a diminuição de PGs e prostaciclinas, que são 
substâncias vasodilatadoras. Se um paciente hipertenso precisar 
tomar um AINE, ele precisará ter um acompanhamento na aferição 
da PA quando estas duas drogas forem associadas. Se ocorrer um 
aumento da PA, será necessário se reajustar a dose do anti-
hipertensivo. 
o Fármacos agonistas de receptores alfa 1: como 
descongestionantes nasais e antigripais (são normalmente 
compostos por AINE, anti-histamínico (a histamina também 
provoca vasodilatação) e agonista de receptor alfa 1). 
o Fármacos agonistas de receptores beta 1: levam ao aumento da 
FC, predispondo o desenvolvimento da HAS. 
o Derivados anfetamínicos 
o Anorexígenos (ex.: sibutramina) 
190 
 
o Anticoncepcionais orais: podem levar ao aumento do 
desenvolvimento de trombose (principalmente nas pessoas que 
possuem histórico familiar de trombose) 
 
 
CLASSIFICAÇÃO DA HAS 
 Para se classificar um paciente como hipertenso, ele deve apresentar no 
mínimo a PA de 140/90 mmHg, com a confirmação deste resultado. 
 
 Há estágios da HAS: 
• Estágio 1: 140-159/90-99 mmHg 
• Estágio 2: 160-179/100-109 mmHg 
• Estágio 3: ≥ 180/110 mmHg 
 A pressão que estiver no estágio maior (seja a diastólica ou a sistólica), é 
a que é considerada para a classificação (ex.: Se o paciente tiver PA confirmada 
de 140/100 mmHg, está no estágio 2). 
 A PA de 120/80 mmHg é o limite para que a PA do paciente seja 
considerada normal. O paciente com pré-hipertensão apresenta PA que varia 
de 121/81 mmHg até 139/89 mmHg. 
 Para se realizar a confirmação da PA, pode-se realizar a medição 
ambulatorial ou a medição residencial (sendo que esta última deve ser feita 5 
vezes na semana, e as aferições devem ser realizadas durante três períodos 
diferentes; a confirmação também pode ser obtida a partir da média das 
aferições realizadas durante 7 dias, sendo aferidas em 2 períodos distintos ao 
longo do dia). Também pode ser realizado o exame de Holter, que realiza o 
monitoramento da PA durante um dia todo. 
 Síndrome do jaleco branco: a PA do paciente pode subir frente à 
aferição realizada no consultório. Neste caso, é indicada a aferição residencial. 
 
FATORES DE RISCO MAIORES PARA O DESENVOLVIMENTO DA HAS 
• Tabagismo: causa ativação prolongada do SN simpático 
• Sedentarismo 
191 
 
• Estresse 
• Ingestão de bebida alcoólica 
• Obesidade 
• Ingestão de alta quantidade de sódio 
• Herança genética 
• Envelhecimento: com o passar dos anos, ocorre uma perda da 
elasticidade vascular 
• Etnia 
 Apenas 3 fatores não são possíveis de serem controlados: a herança 
genética, o envelhecimento e a etnia. Deste modo, a grande maioria dos fatores 
de risco maiores para o desenvolvimento da HAS dependem de ações do 
paciente. A modificação de estilo de vida para o tratamento das doenças 
cardiovasculares é tão importante quanto o tratamento medicamentoso. 
 
FISIOLOGIA DA HAS 
 Em termos fisiológicos, a PA é definida como o produto do DC pela RVP 
(PA = DC x RP). Desta forma, se é aumentada a RVP ou o DC, a PA aumenta. 
 O débito cardíaco é definido como o volume de sangue ejetado do coração 
por minuto. Devido a isso, o DC é calculado pelo produto do VS (volume sistólico) 
pela FC (DC = VS x FC). Se a FC for aumentada, aumenta-se o DC, aumentando 
a PA. De forma semelhante, se há um aumento do o volume de liquido circulante 
no organismo, aumenta-se o DC, aumentando a PA. 
 Desta forma, três fatores importantes devem ser controlados no 
tratamento da HAS: 
• FC 
• VS: relacionado com o volume desangue circulante no organismo 
• RVP: relacionada com vasoconstrição e vasodilatação 
 Devido a isso, algumas das classes farmacológicas que podem ser 
utilizadas no tratamento da hipertensão são: 
• Diuréticos: diminuem o volume sistólico, diminuindo o DC 
• Beta-bloqueadores: diminuem a FC 
• Antagonista alfa 1: diminuem a RVP 
 
RELAÇÃO ENTRE SN SIMPÁTICO E SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA-
ALDOSTERONA 
 Os barorreceptores são estruturas presentes no seio carotídeo que 
modulam o SNA a partir de oscilações na PA. Frente a qualquer variação de PA, 
os barorreceptores desencadeiam um arco-reflexo, o qual é responsável por 
enviar informações para o SNC acerca desta oscilação na pressão. A partir 
disso, o SNC ativa ou inativa o SNA. 
192 
 
 Frente a uma diminuição da PA, há a detecção desta queda da pressão 
pelos barorreceptores, que estimulam o aumento da atividade do SNA simpático. 
Esta maior ativação no SNA simpático causa a liberação de adrenalina, a qual 
passa a se ligar a receptores beta-1 e alfa-1 adrenérgicos. A ligação aos 
receptores beta-1 causa um aumento da FC, e a ligação aos receptores alfa-1 
leva à vasoconstricção, o que causa um aumento do retorno venoso e um 
aumento da resistência vascular periférica. Estes 3 efeitos levam a um aumento 
da PA. 
 Frente à queda da PA, ocorre também uma diminuição do fluxo sanguíneo 
que chega aos rins, causando uma menor TFG. A partir desta menor TFG, passa 
a ocorrer uma maior retenção de sódio e água no organismo, o que leva a um 
aumento do volume sanguíneo, causando um aumento do VS e 
consequentemente um aumento do DC. 
 Além disso, a diminuição do fluxo sanguíneo renal causa a liberação de 
renina. A renina é responsável por transformar o angiotensinogênio em 
angiotensina 1. Em seguida, a ECA (enzima conversora de angiotensina) 
transforma a angiotensina 1 em angiotensina 2. Quando a angiotensina 2 se 
liga a receptores AT1, ela causa vasoconstrição, levando a um aumento da 
RVP. Além disso, a angiotensina 2 também promove um aumento na liberação 
de aldosterona, hormônio que atua nos rins causando a retenção de água e 
sódio – o que leva a um aumento do volume sanguíneo e do DC. 
 Desta forma, a ativação do SRAA causa um aumento da RVP e do DC, 
o que leva a um aumento da PA. 
 
 
CONTROLE VASCULAR E RVP 
 Tanto a endotelina quanto a angiotensina 2 são substâncias que 
provocam vasoconstricção ao se ligar a seus respectivos receptores (receptor 
de endotelina e AT1). Este efeito de vasoconstricção ocorre por meio de um 
aumento dos níveis de cálcio no interior das células musculares. A endotelina e 
a angiotensina promovem a abertura de canais de cálcio, e este aumento de 
193 
 
cálcio intracelular ativa o sistema cálcio-calmodulina, que ativa a miosina 
quinase de cadeia leve, proteína responsável por fosforilar a miosina. A miosina 
fosforilada é capaz de causar vasoconstrição. 
 Além das endotelinas e da angiotensina, agonistas do receptor alfa-1 
também são capazes de causar vasoconstrição. Estes agonistas se ligam aos 
receptores alfa-1 e causam a abertura de canais de cálcio, o que leva à 
vasoconstrição. 
 O elemento central que leva à vasoconstrição nas vias citadas acima é 
o aumento do cálcio intracelular. Desta forma, se algum fármaco agir 
bloqueando os canais de cálcio, esta vasoconstrição será interrompida. Devido 
a isso, os bloqueadores dos canais de cálcio são uma das classes utilizadas 
no tratamento da HAS. 
 
 Além de inibir a vasoconstrição, a farmacologia também pode atuar 
intensificando a vasodilatação. Alguns dos vasodilatadores causam este efeito 
por meio do processo de hiperpolarização. Os vasodilatadores 
hiperpolarizantes promovem a abertura do canal de potássio, que fica aberto 
por mais tempo, levando a um estado de hiperpolarização, que dificulta ou 
impede a abertura do canal de cálcio, impedindo a vasoconstrição. Os 
vasodilatadores hiperpolarizantes são fármacos utilizados apenas frente a crises 
hipertensivas, não sendo utilizados no tratamento crônico da HAS. 
 Alguns dos elementos que naturalmente levam à vasodilatação são as 
Prostaciclinas e o NO. O NO atua na guanilato ciclase, aumentando GMPc, que 
ativa uma proteína cinase, a qual inibe a vasoconstrição. O NO consegue ter os 
seus níveis aumentados por meio da administração de nitratos (visto que os 
nitratos são convertidos em NO no organismo). Os nitratos são utilizados apenas 
frente a crises hipertensivas, não sendo utilizados no tratamento a longo prazo 
da HAS (visto que a sua posologia exige que o paciente fique por no mínimo 8h 
194 
 
sem ingerir o medicamento – isto ocorre pois a conversão de nitrato em NO 
demanda a ação de grupamentos sulfidrilas, que se esgotam ao longo do dia ao 
fazer esta conversão. O período sem utilizar o medicamento visa o 
reestabelecimento dos níveis de grupamentos sulfidrilas). 
 
OBS.: Nitratos e angina 
 O nitrato pode ser utilizado de forma crônica por pacientes com angina, 
visto que, diferentemente dos pacientes com HAS, estes pacientes podem ficar 
por um período do dia sem o medicamento, já que não necessitam de controle 
constante como na HAS. 
 Há 3 tipos de angina, e cada uma delas tem um período de maior 
probabilidade de ocorrência: 
• Angina clássica/estável/de esforço: ocorre quando o paciente está 
fazendo esforço. Devido a isso, o paciente pode ficar sem usar os nitratos 
quando está dormindo. 
• Angina instável 
• Angina variante: normalmente ocorre no início da madrugada e no início 
da manhã. Devido a isso, este paciente deve ingerir o nitrato antes de se 
deitar, passando a noite e a manhã sob o seu efeito. O período que ele 
fica sem o medicamento é ao decorrer da tarde. 
 
SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA E FÁRMACOS 
 O angiotensinogênio, sob ação da renina, é convertido em 
angiotensina 1. A angiotensina 1, sob ação da ECA, é convertida em 
angiotensina 2. 
 Quando a angiotensina 2 se liga ao receptor AT1, ela causa os 
seguintes efeitos: 
• Vasoconstrição direta 
• Aumento da liberação de adrenalina e noradrenalina: estas catecolaminas 
se ligam a receptores alfa 1, causando vasoconstrição. Estas 
catecolaminas também se ligam a receptores beta 1, causando aumento 
da FC e aumento da liberação de renina. 
• Hipertrofia e hiperplasia de vasos: causa um remodelamento dos vasos 
• Liberação de aldosterona: aumenta a reabsorção de água e sódio, 
aumentando o DC e consequentemente elevando a PA. A aldosterona 
também participa da deposição de fibras colágenas nos vasos e no 
coração. 
 Desta forma, a angiotensina 2 causa tanto um aumento da resistência 
vascular periférica quanto um aumento do débito cardíaco. Há fármacos que 
atuam apenas no controle da RVP, fármacos que atuam apenas no controle do 
DC e fármacos que atuam tanto no controle da RVP quanto no controle do DC. 
195 
 
 Os fármacos que atuam diretamente sobre o SRAA são: 
• Inibidores de renina: diminuem a conversão do angiotensinogênio em 
angiotensina 1 
• Inibidores da ECA: diminuem a conversão de angiotensina 1 em 
angiotensina 2 
• Bloqueadores de receptor AT1: fazem com que a angiotensina 2 não 
tenha onde se ligar, inibindo os efeitos por ela provocados. 
• Espironolactona: inibe o receptor ao qual a aldosterona se liga. É um 
diurético fraco, poupador de potássio. 
 
 No esquema acima, é possível se visualizar praticamente todos os alvos 
ou mecanismos de ação sobre os quais os fármacos que atuam no controle 
da HAS agem: 
• Diuréticos: causam diminuição dos efeitos de retenção hídrica 
• Bloqueadores de canal de cálcio (“-dipino”), bloqueadores de receptor 
alfa-1 adrenérgico (“-sina”), e Nitratos (possuem a terminação “nitro” em 
alguma parte do nome do medicamento): causam a diminuição da 
vasoconstrição. 
• Beta bloqueadores específicos para receptor beta-1 adrenérgicos (“-
lol”): causam diminuição do DC 
• Inibidores de renina (“-quireno”), inibidores de ECA (“-pril”)e 
bloqueadores de receptor de angiotensina (AT1) (“-sartan(a)”): atuam 
diminuindo tanto a RVP quanto o DC. 
 
196 
 
TRATAMENTO DA HAS 
Medusa - 86 
 
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
 
 
 Está relacionado a: 
• Controle de peso: para cada 5% de perda de peso, ocorre de 20-30% de 
diminuição da PA 
o Se uma criança de 2 anos de idade está acima do peso, ela tem 
15% de chance de se tornar um adulto hipertenso. Se esta criança 
está obesa aos 5 anos, ela tem 35% de chance. Se está aos 7 
anos, tem 50%. Se está aos 10 anos, tem 80% de chance de se 
tornar um adulto hipertenso. 
• Padrão alimentar: as dietas DASH, mediterrânea e vegetariana estão 
relacionadas com a diminuição da HAS 
o Restrição do consumo de sódio e a moderação no consumo de 
álcool: são dois pontos importantes que contribuem com o não 
desenvolvimento da HAS. 
o Ômega 3: possui propriedades anti-inflamatórias, antiplaquetárias, 
antitrombóticas e antioxidantes. Alguns dos alimentos ricos em 
ômega 3 são nozes, alguns cereais, azeite de oliva e peixes. 
o Ingestão de fibras (tanto solúveis quanto insolúveis): são 
importantes na diminuição do colesterol. A ingestão de fibras deve 
ser acompanhada da ingestão de grandes quantidades de água 
o Uso de laticínios com baixo teor de gordura 
o Alho: também ajuda no controle da PA. 
o Café e chá verde em quantidades moderadas: são benéficos 
devido à ação antioxidante que apresentam nestas doses (e desde 
que sejam ingeridos assim que preparados) 
o Vitamina D 
o Ingestão de chocolate com alta % de cacau (mínimo 70%) 
197 
 
• Atividade física e exercício físico: atividade física é todo tipo de ação que 
coloca o corpo em movimento; exercício físico é a atividade física 
realizada de forma mais organizada, com duração, intensidade, 
frequência e ritmo bem definidos. 
o Benefícios: 
▪ Diminuição da atividade simpática 
▪ Diminuição da liberação de renina 
▪ Eliminação de sódio pela transpiração 
▪ Vasodilatação: o exercício físico libera PGs e NO 
▪ Liberação de peptídeo natriurético atrial 
▪ Liberação de endorfinas e encefalinas: são liberadas após 
um tempo de realização do exercício físico. Trazem 
sensação de bem-estar à pessoa, o que leva à diminuição 
do estresse. 
▪ Promove interação entre as pessoas 
• Controle do estresse 
• Abandono ao tabagismo: altera o funcionamento do SNA (tanto do 
sistema nervoso simpático quanto do parassimpático). Existe a certeza de 
que o abandono ao tabagismo traz benefícios à saúde, mas atualmente 
questiona-se se este abandono realmente causaria a redução dos níveis 
da PA do indivíduo. 
• Respiração lenta: recomenda-se que o paciente realize exercícios de 
respiração lenta durante 15-20 min/dia. Durante este período de tempo, o 
paciente deve realizar de 6 a10 inspirações por minuto. Este hábito é 
capaz de reduzir a PAS em 6 mmHg. 
 
 
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO 
 
Quando inserir o tratamento farmacológico 
 O momento adequado para se iniciar o tratamento farmacológico depende 
do risco do paciente e do estágio de avanço da HAS. 
 Se o paciente se encontra com a PA confirmada em 140/90 mmHg, não 
tiver nenhuma comorbidade e for um paciente de risco baixo a moderado, é dado 
um prazo de 3-6 meses para serem realizadas modificações no estilo de vida. 
 Todavia, se o paciente for de alto risco e apresentar a PA confirmada de 
140/90 mmHg, o clínico deve iniciar o tratamento farmacológico. 
 Os tratamentos farmacológicos devem ser inseridos quando se notar 
que as mudanças de estilo de vida não foram suficientes para reduzir a PA. 
 
Medidas que aumentam a adesão ao tratamento 
198 
 
 O medicamento a ser utilizado deve ser eficaz por VO e bem tolerado. 
Quanto menor o número de doses diárias, maior a adesão do paciente ao 
tratamento. Os tratamentos devem ser sempre iniciados com a menor dose 
possível. 
 Caso o medicamento não esteja fazendo efeito, o clínico pode 
aumentar a dose, associar um segundo fármaco ou trocar a classe 
farmacológica. A conduta a ser adotada depende se o paciente apresentará 
efeitos colaterais ou não frente ao aumento de dose ou à associação. 
 O tratamento deve ser realizado por no mínimo 4 semanas, salvo em 
situações especiais (como frente à necessidade de alteração do tratamento). 
 A diretriz de hipertensão é contra a manipulação dos medicamentos 
anti-hipertensivos. Isto ocorre pois a manipulação destes fármacos é feita na 
forma de cápsulas, forma farmacêutica que libera o princípio ativo de forma mais 
rápida do que um comprimido (ainda mais se o comprimido utilizado for um de 
liberação prolongada). Se o anti-hipertensivo for manipulado, deve-se realizar o 
controle da PA do paciente (visto que a rápida liberação do fármaco pode levar 
a situações de hipotensão logo após a administração e à menor duração do 
efeito de controle da PA). Um dos anti-hipertensivos que nunca deve ser 
manipulado é a Indapamida, visto que é um fármaco de liberação prolongada. 
 
CLASSES FARMACOLÓGICAS 
• Fármacos de escolha: são utilizadas como primeira opção no tratamento 
da HAS 
o Diuréticos 
o iECA (“-pril”) 
o Bloqueadores de receptor AT1 
o Bloqueador de canal de cálcio (“-dipino”) 
o Betabloqueadores (“-lol”): a última diretriz traz a informação de 
que os betabloqueadores devem ser prescritos como primeira 
escolha apenas quando o paciente apresentar outras doenças que 
também empregam o uso de beta bloqueadores (ex.: HAS+ 
enxaqueca; HAS+ tremores finos das mãos; HAS+ arritmias; HAS+ 
sintomas físicos de ansiedade). Se o paciente não apresentar 
estas comorbidades, utiliza-se os outros fármacos mencionados 
acima. Todavia, se o paciente já faz uso de betabloqueadores 
mesmo sem estas comorbidades e está bem, não é necessário se 
alterar esta medicação. 
 
• Outros: alfa-1 bloqueadores, vasodilatadores diretos (hiperpolarizantes) 
e fármacos de ação de central (são bloqueadores de neurônios 
adrenérgicos, como a Clonidina (inibe a liberação de catecolaminas), Alfa-
metildopa (é um inibidor de síntese, visto que produz um falso 
neurotransmissor) e Reserpina (interfere no armazenamento intra-
vesicular de catecolaminas)) e inibidores de renina. 
199 
 
o Em relação aos inibidores de renina, não se sabe se o seu uso 
causa ausência de benefícios ou malefícios no controle da HAS. 
Até a última diretriz, estes fármacos eram inseridos no grupo de 
fármacos de 1ª escolha para o tratamento da HAS. Depois, foi 
verificado que estes fármacos não apresentam tantos benefícios 
em relação aos demais fármacos. Também houve o 
questionamento se este medicamento não poderia provocar algum 
maleficio, principalmente em relação aos pacientes diabéticos. 
Devido a isso, nesta última diretriz, os inibidores de renina são 
classificados como “outros fármacos”. 
 
ESQUEMA DE TRATAMENTO DA HAS DE ACORDO COM OS RISCOS 
 
 Se o paciente estiver no estágio 1 da HAS e apresentar risco baixo ou 
moderado, tenta-se realizar a modificação do estilo de vida. Se estas 
modificações não forem capazes de normalizar o quadro, realiza-se a 
associação de modificação do estilo de vida com apenas um fármaco 
(monoterapia), podendo este fármaco ser um diurético, um iECA, um 
bloqueador de canal de cálcio, um BRA ou um betabloqueador (em casos 
específicos). 
200 
 
 Se o paciente estiver no estágio 1 da HAS e com risco cardiovascular alto, 
ou nos estágios 2 e 3, realiza-se uma associação do tratamento não 
medicamentoso com algumas combinações de fármacos. 
 Em ambos os casos, se as metas não forem atingidas ou se os efeitos 
colaterais forem intoleráveis, pode-se realizar o aumento da dose, associar um 
novo medicamento ou trocar o fármaco atual. 
 
DIURÉTICOS 
 Há 5 classes de diuréticos. Os diuréticos possuem a função de aumentar 
a excreção de água e sódio no organismo. 
 Dentre as 5 classes de diuréticos, apenas três delas são importantes no 
tratamento das doenças cardiovasculares:• Diuréticos de alça: inibem o co-transportador Na+2Cl-K+, presente na 
porção grossa da alça de Henle ascedente 
• Diuréticos tiazídicos: atuam no túbulo contorcido distal. Inibem um co-
transportador de Na+ e Cl- 
• Diuréticos poupadores de potássio: são considerados diuréticos fracos. 
Atuam no ducto coletor. 
 
Diuréticos de alça (“-ida”) 
201 
 
 Os principais diuréticos de alça são: 
• Furosemida 
• Bumetanida 
• Piretanida 
• Torasemida 
 Os diuréticos de alça não são utilizados a longo prazo no tratamento da 
HAS, sendo utilizados apenas em crises hipertensivas. 
 Existem os quadros de urgência e emergência hipertensiva: 
• Urgência hipertensiva: o paciente apresenta PA diastólica superior a 120 
mmHg, Na urgência, o paciente não apresenta lesão de órgãos alvo. Para 
se normalizar a pressão deste paciente, é administrado captopril e 
espera-se 30 minutos. Se a pressão não diminuir, administra-se captopril 
novamente e espera-se mais um determinado período. Se a pressão não 
diminuir mesmo assim, deve ser administrada a Clonidina. 
• Emergência hipertensiva: neste caso, além da pressão diastólica estar 
acima de 120 mmHg, há lesões de órgãos alvo. Realiza-se a 
administração de medicamentos por via parenteral (sendo que uma das 
medicações administradas são os diuréticos de alça) 
 Os diuréticos de alça não são utilizados a longo prazo pois eles possuem 
tempo de meia-vida mais curto do que os tiazídicos. Devido a isso, os diuréticos 
utilizados no tratamento da HAS a longo prazo são os tiazídicos. Como estes 
fármacos possuem maior tempo de meia-vida, demandam um menor número de 
doses diárias, facilitando a adesão do paciente ao tratamento. 
 
Mecanismo de ação dos diuréticos de alça 
 Os diuréticos de alça bloqueiam o co-transportador Na+2Cl-K+, de 
modo que o sódio, o cloreto e o potássio permanecem na urina, sendo 
excretados. 
 Em um quadro fisiológico normal (sem o uso destes fármacos), após o 
Na+, os 2 Cl- e o K+ entrarem na célula por meio deste cotransportador, o K+ 
volta a ser liberado na urina. A volta deste K+ para a urina causa a formação de 
um gradiente eletropositivo na urina, o que faz com que ocorra a reabsorção de 
Ca+2, Mg+2 e Na+ para o interior das células. 
 Ao se utilizar o diurético de alça, permanecem na urina 1 Na+, 2 Cl- e 1 
K+, de modo que não é criado um gradiente eletropositivo. A ausência deste 
gradiente faz com que não ocorra a reabsorção de Ca+2, Mg+2 e Na+, de modo 
que estes eletrólitos também são eliminados na urina. 
 Devido a isso, além da perda de água, o uso de diuréticos de alça pode 
levar a quadros de hipocalemia, hipomagnesemia, hipocalcemia, perda de sódio 
e de cloreto. 
202 
 
 
 
Efeitos colaterais dos diuréticos de alça 
 Os efeitos colaterais do uso dos diuréticos de alça são: 
203 
 
• Hipocalemia 
• Hipovolemia 
• Alcalose metabólica 
• Perda de Mg+2 e Ca+2 na urina (pode levar ao desenvolvimento de 
arritmias cardíacas) 
• Efeitos diabetogênicos (devido à perda de potássio) 
• Hiperuricemia (visto que estes fármacos competem com o transportador 
que excreta o ácido úrico) 
• Hipotensão postural 
• Cãibras (devido à redução dos níveis de K+). 
 Para se minimizar a perda de potássio e magnésio, pode-se ingerir 
alimentos ricos nestes minerais, como: 
• Alimentos ricos em magnésio: leguminosas (feijão, lentilha, grão de bico), 
beterraba, verduras de coloração escura, etc. 
• Alimentos ricos em potássio: banana, laranja, abacate, tomate, batata, 
nectarina, damasco, etc. 
 Também pode-se associar o uso dos diuréticos de alça com diuréticos 
poupadores de potássio para se minimizar os efeitos colaterais. 
 
Diuréticos tiazídicos 
 
 São diuréticos utilizados para o tratamento a longo prazo da HAS. Os 
principais diuréticos tiazídicos são: 
• Hidroclorotiazida: é o fármaco mais associado a outros fármacos no 
controle da HAS 
• Indapamida 
• Clortalidona: é o fármaco mais indicado no tratamento a longo prazo da 
HAS (mas a hidroclorotiazida ainda é a mais prescrita) 
 
204 
 
Mecanismo de ação 
 Inibem o cotransportador de Na+Cl-, de modo que tanto o Na+ quanto o 
Cl- ficam na urina, sendo excretados. 
 
Efeitos colaterais 
 Ocorre a perda de potássio, que pode levar à ocorrência de hipocalemia. 
Também podem provocar hiperuricemia, diminuição da excreção de cálcio, 
aumento dos níveis de colesterol, impotência e possuem potencial 
diabetogênico. 
 Seus efeitos colaterais são muito semelhantes aos causados pelos 
diuréticos de alça, com exceção da diminuição da excreção de cálcio (os 
diuréticos de alça causam aumento da excreção de cálcio, e não a diminuição, 
como os tiazídicos). Como os diuréticos tiazídicos inibem o transporte de sódio 
para o interior da célula, é necessário que mais sódio passe a entrar no interior 
da célula a partir da corrente sanguínea para que assim esta célula seja mantida 
em condição isotônica. Este processo só é possível por meio de um 
transportador que troca sódio por cálcio. A partir disso, o cálcio é reabsorvido 
(caindo na corrente sanguínea), enquanto o sódio entra na célula. 
 
Diuréticos poupadores de potássio 
 Raramente estes medicamentos são utilizados de maneira isolada: na 
HAS, normalmente estão associados a outros diuréticos; na IC, normalmente 
são administrados em associação com iECA e betabloqueadores (esta 
associação é chamada de “terapia tripla”, sendo utilizada no quadro de IC com 
fração de ejeção reduzida). 
205 
 
 Os principais diuréticos poupadores de potássio são: 
• Amilorida: bloqueador de canais de sódio 
• Triantereno: bloqueador de canais de sódio 
• Espironolactona: é um bloqueador de receptor de aldosterona 
 
Mecanismo de ação da Espironolactona 
A aldosterona é responsável pela síntese de uma proteína que reabsorve 
sódio e excreta potássio. Ao se utilizar a Espironolactona, a aldosterona não 
se liga ao seu receptor, de modo que esta proteína não é sintetizada. Com isso, 
o sódio não consegue ser absorvido (sendo excretado na urina) e o potássio não 
consegue ser excretado na urina (sendo poupado). 
Este efeito de poupar o potássio devido a uma menor ação da Aldosterona 
também é provocada pelo ao uso de fármacos que inibem o funcionamento do 
SRAA (fazendo com que a Aldosterona não seja liberada), como os inibidores 
de renina, iECA e BRAs. 
A Espironolactona também possui ação sobre algumas vias hormonais (e 
devido a isso ela pode provocar atrofia testicular, impotência, distúrbios 
menstruais e ginecomastia). 
 
Espironolactona e IC 
 É um dos fármacos utilizados na IC e que ajudam a reduzir a progressão 
da doença. Isto ocorre pois pacientes com IC podem ter os níveis de aldosterona 
aumentados em até 20x, e a aldosterona atua também na deposição de fibras 
colágenas sobre os vasos e sobre o coração. 
BLOQUEADORES DE RECEPTORES ADRENÉRGICOS – BLOQUEADORES 
DE RECEPTOR ALFA-1 
206 
 
 Não são fármacos de primeira escolha no tratamento da hipertensão, visto 
que há outros fármacos que também atuam sobre a RVP e produzem menos 
efeitos colaterais. Estes efeitos colaterais ocorrem pois há outros tecidos além 
dos vasos que apresentam receptores alfa-1 adrenérgicos. Devido a isto, estes 
fármacos são fármacos de 4ª-5ª escolha na linha de tratamento da HAS. 
 
 
BLOQUEADORES DE RECEPTORES ADRENÉRGICOS – 
BETABLOQUEADORES 
 Os betabloqueadores estão entre os fármacos de primeira escolha para o 
tratamento da HAS, desde que o paciente apresente alguma outra situação ou 
comorbidade que justifique o uso de betabloqueadores (como IC, arritmias, 
angina, tremores finos das mãos, quadros de enxaqueca crônica, sintomas 
físicos de ansiedade, etc). Se não houver nenhuma contraindicação, todo 
indivíduo hipertenso que já teve um infarto agudo do miocárdio tem indicação de 
uso de betabloqueadores como droga de escolha. 
 A escolha de qual betabloqueador empregar depende da comorbidade 
associada. Ex.:se a comorbidade é enxaqueca crônica, o fármaco terá que ser 
lipossolúvel para atuar no SNC, como o propranolol; se o paciente tem tremores 
finos das mãos (que estão relacionados com receptores beta 2), deve-se usar 
um fármaco não cardiosseletivo, etc. Se a comorbidade for relacionada ao 
coração (ex.: arritmias e IC), recomenda-se o uso de um betabloqueador 
cardiosseletivo. 
 
Contraindicações do uso dos betabloqueadores 
• Pessoas da etnia negra 
• Pessoas com asma 
• Gestantes: controverso. 
o Atuam sobre o receptor beta-2 da musculatura uterina 
o Podem levar ao acometimento cardíaco e ósseo fetal 
o Podem alterar a vascularização da placenta 
o Fármaco de escolha para o tratamento de HAS em gestantes: alfa-
metildopa 
207 
 
• Pacientes insulino-dependentes: caso o paciente entre em uma crise 
hipoglicêmica com queda da PA, o reestabelecimento da pressão 
depende da ativação do SNA simpático (e o receptor beta-adrenérgico 
estaria bloqueado). 
Alguns pacientes sentem cansaço nas pernas com o uso de beta-
bloqueadores não cardiosseletivos. Este efeito é decorrente da diminuição da 
vasodilatação das artérias que irrigam a musculatura das pernas. 
 
BLOQUEADORES ADRENÉRGICOS DE AÇÃO CENTRAL – INIBIÇÃO DA 
SÍNTESE DAS CATECOLAMINAS 
 A alfa-metildopa é um fármaco que é considerado como um bloqueador 
de neurônios adrenérgicos, visto que interfere na síntese de catecolaminas 
(adrenalina, noradrenalina e dopamina). 
 É o fármaco de escolha para gestantes com HAS. 
 
Mecanismos de ação 
 A alfa-metildopa gera um falso neurotransmissor (alfa-
metilnoradrenalina), o qual possui alta afinidade por receptor alfa-2 adrenérgico. 
Como este receptor é um receptor inibitório, quando ele é estimulado, ocorre a 
inibição da liberação de mais catecolaminas, o que diminui a ativação do sistema 
nervoso simpático. 
 
Efeitos colaterais 
208 
 
 Hipotensão ortostática, congestão nasal, boca seca, impotência, 
depressão (visto que atua via SNC), galactorreia (devido à diminuição dos níveis 
de dopamina), diarreia, sonolência e ganho de peso. 
A interrupção abrupta do uso deste medicamento leva aos efeitos 
colaterais de agitação e sudorese (que ocorrem devido à redução dos níveis de 
dopamina). 
 
BLOQUEADORES ADRENÉRGICOS DE AÇÃO CENTRAL – AGONISTAS DE 
RECEPTOR ALFA-2 
 Estes fármacos possuem efeito muito semelhante aos causados pela alfa-
metildopa, mas não interferem no funcionamento da dopamina. 
 Estes fármacos atuam se ligando diretamente aos receptores alfa-2, 
estimulando o feedback negativo da síntese de catecolaminas, o que leva a uma 
redução da síntese de adrenalina e noradrenalina. 
 Alguns agonistas de alfa-2 são: 
• Clonidina: pode ser utilizado como fármaco de segunda escolha frente a 
uma urgência hipertensiva (tenta-se utilizar o captopril, e se a PA não 
reduzir mesmo assim, utiliza-se a clonidina). Também é utilizado no 
diagnóstico do feocromocitoma. 
• Moxonidina 
• Rilmendina 
 
CLASSES QUE ATUAM SOBRE O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA – 
INIBIDORES DE RENINA 
 O único fármaco que faz parte desta classe é o Alisquireno. Até a última 
diretriz, era um dos fármacos de primeira escolha, mas a última diretriz mostrou 
que ele não traz tantos benefícios em relação a outros fármacos (e também que 
ele poderia causar alguns malefícios em pacientes diabéticos). Devido a isso, 
deixou de fazer parte dos fármacos de primeira linha de tratamento da HAS. 
 Pode provocar tosse seca, diarreia e hipercalemia. 
 
CLASSES QUE ATUAM SOBRE O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA – 
INIBIDORES DA ECA (iECA) 
 A ECA atua no SRAA convertendo angiotensina 1 em angiotensina 2, 
angiotensina 1-9 em angiotensina 1-7, e a angiotensina 1-7 na angiotensina 1-5. 
Desta forma, ao se utilizar um iECA, todas estas vias ficam inibidas. 
209 
 
 
 Todavia, após cerca de 1 mês de uso dos iECA, parte dos níveis de 
angiotensina 2 retornam à normalidade. Isto ocorre pois a angiotensina 2 
passa a ser sintetizada por outras duas vias: 
• Via das cinases: angiotensina 1 sob efeito de cinases leva à formação de 
angiotensina 2 
• Transformação do angiotensinogênio em angiotensina 2 através da via da 
tonina e da catepsina G. 
Esta angiotensina 2 formada por outras vias e a angiotensina 1 que não 
está sendo mais metabolizada pela ECA se transformam em angiotensina 1-7, 
a qual passa a ficar acumulada, atuando sobre o receptor MAS. Além disso, 
parte da angiotensina 1 que deixou de ser convertida pela ECA é transformada 
em angiotensina 1-9, atuando sobre receptor AT2. 
Mesmo com o aumento das quantidades de angiotensina 2, a PA continua 
controlada. Isto ocorre pois tanto o receptor AT2 quando o receptor MAS 
provocam efeitos que ajudam no controle da progressão da IC e da HAS: 
provocam vasodilatação, natriurese, efeito anti-fibrótico, efeito anti-apoptótico 
(na IC há morte de cardiomiócitos por apoptose) e efeito anti-inflamatório. 
Além disso, os inibidores da ECA também atuam na via das calicreínas. 
Estes fármacos causam um bloqueio paralelo de uma enzima chamada de 
cininase, a qual é responsável por degradar a bradicinina. Desta forma, como a 
degradação da bradicinina é interrompida, passa a ocorrer o acúmulo desta 
210 
 
substância no organismo. A bradicinina possui propriedades vasodilatadoras e 
aumenta a síntese de PGs (que também são substâncias vasodilatadoras). 
 O principal efeito colateral do uso dos iECA é a tosse seca persistente. 
Isso ocorre pois a bradicinina estimula a produção de muco nasofaríngeo. 
 
 Todo paciente com IC ou comprometimento da função do VE possui a 
indicação de fazer uso de um iECA. 
 Os iECA são indicados também para indivíduos com quadro de 
proteinúria. 
 Os principais iECA (“-pril”) são: 
• Enalapril 
• Captorpil 
• Ramipril 
• Cilazapril 
• Perindopril 
• Quenapril 
A maioria dos iECA são pró-fármacos (ex.: não é o Enalapril que vai inibir 
a ECA, mas sim o seu metabólito, o Enalaprilat; não é o Ramipril que inibe a 
ECA, mas simé o Ramiprilat, etc). Os únicos dois fármacos que são 
administrados na forma de droga ativa são o Captopril e o Lisinopril. O Captopril 
deve ser administrado longe das refeições, visto que ele interage com alimentos. 
Efeitos colaterais dos iECA 
211 
 
 Podem provocar hipercalemia, não devem ser administrados durante a 
gestação (podem provocar a má-formação fetal) e podem causar ageusia 
(alteração ou perda de paladar – principalmente no início do tratamento), 
hipotensão e tosse seca persistente. 
 Contraindicação: quando o paciente apresenta estenose bilateral renal. 
 
CLASSES QUE ATUAM SOBRE O SISTEMA RENINA-ANGIOTENSINA – 
BLOQUEADORES DE RECEPTOR AT1 (BRA) 
 São utilizados como substitutos dos iECA (preferencialmente se 
prescreve os iECA, mas se o paciente apresentar muitos efeitos colaterais, troca-
se a medicação por um BRA). Apesar desta recomendação, atualmente muitos 
clínicos já têm preferencialmente prescrito os BRA. 
 Os efeitos colaterais e usos clínicos dos BRA são muito semelhantes aos 
dos iECA, com exceção de que os BRA não provocam tosse persistente (visto 
que não atuam na via das calicreínas) e não provocam alteração de paladar. 
 Os principais BRA são: 
• Losartana: é uricosúrica. Muitas vezes, tanto os BRA quanto os iECA são 
associados a diuréticos tiazídicos para o tratamento da HAS ou aos 
diuréticos de alça para o controle de edema ou IC (neste último caso, os 
diuréticos apenas são prescritos se o paciente apresentar quadros de 
edema ou retenção hídrica). 
o Enquanto o diurético provoca hipocalemia, o BRA e o iECA 
provocam hipercalemia (equilibrando o quadro) 
o Enquanto os diuréticos retêm ácido úrico, a Losartana promove a 
liberação do ácido úrico (equilibrando o quadro) 
• Valsartana 
• Olmesartana 
Os BRA, assim como os iECA, são fármacos de primeira escolha no 
tratamento de pacientes diabéticos. 
 
 Todos estes fármacos que atuam sobre o SRAA inibem asecreção de 
aldosterona, levando a quadros de hiperpotassemia. Nenhuma das 3 classes 
que atuam sobre o SRAA deve ser administradas para gestantes. 
 
BLOQUEADORES DO CANAL DE CÁLCIO 
 Estes fármacos são indicados principalmente para pacientes da etnia 
negra. 
 Os bloqueadores de canal de cálcio são as diidropiridinas (terminam em 
“-dipino/dipina”), o Verapamil e o Ditiazen. As diidropiridinas são bloquedoras 
212 
 
de canais de cálcio específicos dos vasos. O Verapamil e o Ditiazen são 
fármacos que bloqueiam em maior intensidade os canais de cálcio do coração 
(sendo que o Verapamil é bastante cardiosseletivo, mas o Ditiazen nem tanto – 
este último bloqueia tanto canais de cálcio do coração (preferencialemnte) 
quanto canais de cálcio dos vasos). 
 Os bloqueadores de canal de cálcio utilizados no tratamento da HAS 
são: 
• Nifedipina 
• Amlodipino 
• Lacidipina 
• Lercadipina 
• Manidipina 
• Verapamil 
• Ditiazen 
Muitos destes fármacos são fármacos de liberação lenta, visto que 
também são utilizados em outras doenças cardiovasculares (ex.: Verapamil e 
Ditiazen são utilizados nos quadros de arritmia cardíaca). 
 
Bloqueadores de canal de cálcio e angina 
Os bloqueadores de canais de cálcio são utilizados no tratamento da 
angina, principalmente no tratamento da angina variante. 
A angina é uma situação caracterizada por dor no peito, a qual é 
decorrente da falta de aporte de oxigênio para o tecido cardíaco. A falta de 
O2 ocorre por dois motivos: ou porque o fluxo sanguíneo está comprometido ou 
porque a demanda de O2 está muito alta. 
Há três tipos de angina (que podem ou não estar relacionadas à 
ocorrência de aterosclerose): 
• Angina clássica/de esforço: normalmente relacionada à aterosclerose. 
• Angina instável: paciente precisa ser socorrido rapidamente, visto que ela 
pode levar a um IAM. Pode estar relacionada ao rompimento da placa 
aterosclerótica 
• Angina variante: ocorre o desequilíbrio entre substâncias vasoconstritoras 
e vasodilatadoras. É onde os bloqueadores de canal de cálcio atuam, visto 
que são capazes de promover efeitos vasodilatadores. 
Os fármacos que podem ser utilizados no controle da angina são: 
• Nitratos: apresentam efeito vasodilatador. Podem ser utilizados a longo 
prazo. Podem ser utilizados nos três tipos de angina, sendo utilizados 
durante o dia na clássica/de esforço e à noite na variante. 
• Bloqueadores de canal de cálcio: podem ser utilizados tanto as 
diidropiridinas quanto o Verapamil e o Ditiazen 
213 
 
• Betabloqueadores: são utilizados no casos em que a FC está muito 
aumentada (de modo que o coração passa a ter uma maior demanda de 
O2, causando a angina) 
 
Efeitos colaterais do uso dos bloqueadores de canal de cálcio 
 Dor de cabeça (latejante), palpitação (devido ao aumento da FC; hoje em 
dia este efeito colateral é muito minimizado em decorrência do uso de fármacos 
de liberação prolongada – e devido a isso os BCC não devem ser manipulados), 
sudorese, tremores, enrubescimento, constipação (Verapamil) e efeitos 
inotrópicos negativos em pacientes com IC (ocorrem principalmente pelo uso dos 
BCC que agem sobre o coração) 
 
VASODILATADORES 
Vasodilatadores de ação direta/hiperpolarizantes 
 São fármacos utilizados frente a crises hipertensivas. São fármacos 
hiperpolarizantes: causam a abertura de canais de potássio nas células 
musculares dos vasos, levando à hiperpolarização destas células, o que dificulta 
a abertura de canais de cálcio, de modo que o vaso não consegue se contrair e 
é mantido relaxado. 
 Os principais vasodilatadores hiperpolarizantes são: 
• Hidralazina 
• Diazóxido 
• Minoxidil 
 
Nitratos 
 Também são fármacos utilizados frente a crises hipertensivas. Também 
são utilizados para o tratamento da angina. 
 Os principais nitratos são: 
• Nitroglicerina 
• Propatilnitrato 
• Nitoprussiato de sódio 
 A associação de nitratos com inibidores de 5-fosfodiesterase 
(fármacos utilizados para o tratamento da impotência, como Viagra, Levitra e 
Cialis) causa uma queda brusca da PA, visto que ambos os fármacos atuam na 
via da guanilato ciclase (mas de maneiras diferentes). Os nitratos ativam a 
guanilato ciclase, aumentando GMPc, que causa vasodilatação. Os inibidores da 
fosfodiesterase inibem a 5-fosfodiesterase, enzima responsável por degradar o 
GMPc. Com essa inibição da degradação, ocorre um acúmulo de GMPc no 
214 
 
interior da célula, o que leva a um efeito vasodilatador. O paciente que realiza a 
associação de nitratos e inibidores da 5-fosfodiesterase pode vir a óbito: a queda 
brusca da PA provocada pelo uso destes fármacos causa a ativação do SN 
simpático e do SRAA, que promovem um aumento da FC. Este aumento da FC 
é capaz de acentuar ainda mais o quadro de angina do paciente, sendo muito 
perigoso. Devido a este efeito colateral, deve sempre existir um intervalo (de 24h, 
ou 36h no caso do Cialis) entre a administração destes medicamentos. 
 Quando o paciente chega ao serviço de emergência com quadro de 
angina instável, o protocolo mais adotado é a utilização de nitratos. Todavia, se 
o paciente fez uso de inibidor de 5-fosfodiesterase, o nitrato não poderá ser 
administrado. A alternativa nesta situação é o uso de um beta-bloqueador. 
 
ASSOCIAÇÕES MEDICAMENTOSAS QUE PODEM SER FEITAS PARA O 
CONTROLE DA HAS 
 
 
• Diurético tiazídico: é um fármaco que apresenta muitas possibilidades de 
associação 
215 
 
 
NÃO devem ser administrados de maneira conjunta: 
• iECA com BRA: acreditava-se que esta associação era benéfica devido à 
síntese de angiotensina 2 por outras vias, mas posteriormente foi 
constatado que esta associação causa uma sobreposição de efeitos 
colaterais (visto que estes fármacos apresentam efeitos colaterais 
semelhantes, com exceção da tosse seca e da alteração de paladar) 
 
ANTI-HIPERTENSIVOS DISTRIBUÍDOS GRATUITAMENTE NA REDE 
PÚBLICA 
• Captopril 25 mg 
• Maleato de enalapril 10 mg 
• Cloridrato de propranolol 40 mg (é um beta-bloqueador não 
cardiosseletivo) 
• Atenolol 25 mg (é um beta-bloqueador cardiosseletivo) 
• Hidroclorotiazida 25 mg (é o mais associado a outros fármacos) 
• Losartana potássica 50 mg 
Como não há bloqueadores de canais de cálcio distribuídos 
gratuitamente, o tratamento de pessoas negras é realizado a partir da 
associação de Hidroclortiazida com Captopril ou com Losartana. 
 
 
 
 
 
216 
 
INDICAÇÕES TERAPEUTICAS EM FUNÇÃO DE OUTRAS COMORBIDADES 
QUE O PACIENTE POSSA APRESENTAR 
 
• Se o paciente é hipertenso e apresenta IC: iECA 
• Se o paciente possui IC com fração de ejeção reduzida: iECA + 
betabloqueador + espironolactona 
• Se o paciente apresenta IC e não apresenta contraindicações: iECA (a 
não ser que o paciente precise tomar um INRA) 
• Se o paciente é hipertenso e teve um IAM: betabloqueadores 
• Paciente o paciente é diabético e apresenta HAS: iECA ou BRA 
• Pacientes o paciente é da etnia negra: BCC (bloqueador de canal de 
cálcio) ou tiazídico + iECA/BRA 
 
 
217 
 
INSUFICIÊNCIA CARDÍACA 
 Medusa - 86 
 
 É uma disfunção clínica progressiva que leva à diminuição da fração 
de ejeção do coração ou a alterações no enchimento ventricular, o que 
acaba comprometendo a capacidade de bombeamento do sangue do 
coração. Causa como consequência uma dificuldade de suprimento de O2 
para as necessidades do organismo. 
 É uma doença progressiva: com o passar do tempo, vai ocorrendo um 
processo de remodelamento do coração. Este remodelamento ocorre devido à 
morte dos cardiomiócitos e à proliferação de tecido conjuntivo. Os cardiomiócitos 
que ainda não morreram vão ficando cada vez mais estressados. 
A IC é uma condição que leva a uma diminuição qualidade de vida do 
paciente. Devido a isso, é extremamente importante o uso de medicamentos que 
lentifiquem a progressão desta doença. 
 Alguns dos fármacos utilizados na IC são utilizados para diminuir 
sintomas, e outros sãoutilizados para diminuir sintomas e para diminuir a 
velocidade de progressão da doença 
 
FISIOPATOLOGIA 
 Na IC, como a fração de ejeção está diminuída, ocorre um prejuízo na 
irrigação dos tecidos. Com o DC reduzido, os barorreceptores detectam que a 
PA está reduzida, causando um aumento da ativação do SN simpático. A 
liberação de adrenalina e noradrenalina leva à vasoconstrição e ao aumento da 
força de contração cardíaca, ações que tentam aumentar o DC que estava 
diminuído (tentando reverter este quadro). 
 
218 
 
Na IC ocorre também uma menor perfusão renal, de modo que acaba 
ocorrendo a ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, causando 
vasoconstrição e liberação de aldosterona, que retém água e sódio (para 
conseguir assim elevar a pré-carga). A liberação de aldosterona causa também 
a produção de edema no paciente. 
Além de a angiotensina 2 por si só já ser capaz de causar vasoconstrição, 
ela também promove a liberação de adrenalina e noradrenalina, que causam 
vasoconstrição e aumento da força de contração cardíaca. 
 Desta forma, conclui-se que na IC há uma maior ativação do sistema 
renina-angiotensina-aldosterona e do sistema nervoso simpático. Desta 
forma, alguns dos fármacos utilizados na IC são os que atuam inibindo o sistema 
renina-angiotensina e fármacos que atuam sobre os receptores adrenérgicos 
(betabloqueadores – os quais diminuem o estresse dos cardiomiócitos). 
 
SINAIS E SINTOMAS DA IC 
• Falta de ar 
• Edema de MMII 
• Cansaço crônico 
• Dificuldade para dormir devido a problemas respiratórios 
• Dor abdominal e diminuição de apetite 
• Confusão e diminuição da memória 
• Tosse/hemoptise 
• Aumento da vontade de urinar a noite 
 
 
CLASSIFICAÇÃO FUNCIONAL DA IC 
 Não é mais utilizada atualmente. Esta classificação era utilizada para se 
classificar em que grau da IC o paciente estava. A classificação utilizada 
atualmente leva em consideração a morfologia cardíaca. 
219 
 
A classificação funcional é muito subjetiva, visto que leva em 
consideração apenas os sintomas do paciente para se realizar a classificação da 
IC (não considerando a capacidade de contração cardíaca e as condições 
morfofuncionais do coração para se realizar esta classificação). 
• Classe I: assintomático em atividades habituais 
• Classe II: assintomático em repouso, mas apresenta sintomas leves (falta 
de ar) diante de grandes esforços 
• Classe III: apresenta sintomas nas atividades menores que as habituais 
(tomar banho, escovar os dentes, trocar de roupa, etc). 
• Classe IV: apresenta sintomas mesmo em repouso. São pacientes 
graves. 
Esta classificação também é utilizada na angina, mas os sintomas 
apresentados são diferentes: enquanto na angina o principal sintoma é a dor 
torácica, na IC é o cansaço e falta de ar. 
 
CLASSIFICAÇÃO DA IC EM RELAÇÃO À FRAÇÃO DE EJEÇÃO 
A última diretriz alterou a forma de se realizar a classificação da IC em 
relação à fração de ejeção: na edição anterior, o paciente era classificado em 
dois grupos: ou apresentava fração de ejeção <40% ou apresentava FE > 40%. 
Atualmente, a classificação ocorre da seguinte maneira: 
• Paciente com fração de ejeção preservada: apresenta fração de ejeção 
> 50% 
• Paciente com fração de ejeção intermediária: apresenta fração de 
ejeção entre 40% e 50% 
• Paciente com fração de ejeção reduzida: apresenta fração de ejeção < 
40%. 
Todos os pacientes (dos 3 grupos) possuem alterações estruturais 
cardíacas e/ou disfunção diastólica ou sistólica (todos os pacientes com IC 
apresentam estas condições). 
 
PEPTÍDEO NATRIURÉTICO DO TIPO B/CEREBRAL 
O peptídeo natriurético do tipo B é uma substância vasodilatadora, a qual 
promove a diurese e natriurese do paciente. É um marcador que auxilia tanto 
no diagnóstico quanto no prognóstico da IC. Esta substância é produzida por 
células do coração. Quanto maior o nível deste peptídeo, pior o prognóstico do 
paciente. 
Muitas vezes, os sintomas de um quadro de ansiedade podem ser 
confundidos com sintomas de um quadro de angina ou IC (visto que em todos 
os casos há intensa falta de ar e dor no peito como principais sintomas). A 
realização da dosagem do peptídeo natriurético cerebral, a realização de um 
220 
 
eletrocardiograma ou de uma radiografia podem ajudar a diferenciar estas 
condições. 
Há casos em que o próprio peptídeo natriurético cerebral (obtido por 
tecnologia de DNA recombinante) é administrado para o paciente – isto ocorre 
em situações de IC aguda e descompensada. 
Uma classe de medicamentos (chamados de INRA – inibidor da 
neprilisina e do receptor da angiotensina) interfere nos níveis do peptídeo 
natriurético cerebral. Devido a isso, este peptídeo deixa de funcionar como um 
marcador frente ao uso dos INRAs e frente à sua administração para pacientes 
em situações de IC aguda e descompensada 
 
ESTÁGIOS DA IC EM ADULTOS 
• A: paciente com risco para o desenvolvimento da IC. Este paciente ainda 
não apresenta alteração estrutural do coração, mas se ele não controlar 
a doença de base que possui (HAS, diabetes, coronariopatas, 
dislipidemias, tabagismo, obesidade, etilismo, etc), acabará 
desenvolvendo a IC. 
• B: Paciente com cardiopatia estrutural, mas sem sintomas. As alterações 
estruturais que podem ocorrer são a hipertrofia do VE, dilatação do VE, 
fração de ejeção menor do que 40%, dano resultante de quadro isquêmico 
ou IAM, etc. 
• C: Paciente com cardiopatia estrutural e com sintomas: apresenta 
dispneia e cansaço. Se for realizado o tratamento farmacológico, estes 
pacientes se tornam assintomáticos. Mesmo em tratamento, o paciente 
pode evoluir para o próximo estágio (IC refratária) 
• D: quadro de IC refratária. A qualidade de vida deste paciente é muito 
baixa, visto que ele apresenta hospitalizações frequentes e muitas vezes 
precisa fazer o tratamento com substâncias inotrópicas dentro do 
ambiente hospitalar. Dependendo da gravidade do quadro, o paciente 
apenas apresentará melhoras dos sintomas após um transplante cardíaco 
 
221 
 
Se os sintomas do paciente não forem controlados mesmo com o 
tratamento farmacológico indicado, inicia-se a administração de digoxina, A 
digoxina é o único fármaco glicosídeo cardiotônico administrado por VO. A 
digoxina é um fármaco que não controla a progressão da doença e que 
apresenta pequena janela terapêutica, de modo que alterações eletrolíticas 
podem desencadear um quadro de intoxicação digitálica. Dependendo de quais 
outros medicamentos este paciente está utilizando e se algum eletrólito está em 
desequilíbrio, o paciente pode apresentar quadros de arritmia cardíaca ou 
bloqueio atrioventricular. 
 
MECANISMOS RESPONSÁVEIS PELA IC 
 Os mecanismos responsáveis pelo desenvolvimento da IC são: 
 
• Ativação neuro-hormonal: consiste na ativação do sistema renina-
angiotensina e do sistema nervoso simpático. Acontece nos pacientes 
com disfunção do VE, mas que são assintomáticos; nos pacientes com IC 
incluída nas classes funcionais de I a IV, e também nos pacientes que 
apresentam hipoperfusão sistêmica 
o Utiliza-se iECA ou BRA para controlar esta situação 
• Retenção de sódio: ocorre devido à liberação de aldosterona. Ocorre 
nos pacientes com IC incluída nas classes funcionais de I a IV e também 
nos pacientes que apresentam hipoperfusão sistêmica 
o Utiliza-se diuréticos para controlar esta situação. 
▪ Os diuréticos só são utilizados em pacientes com IC se este 
paciente apresentar sinais de edema. Se ele não 
apresentar, não se deve administrar diuréticos. 
▪ O uso de diuréticos pode desencadear alterações nas 
concentrações de eletrólitos. Deve-se estar atento em 
relação à associação de diuréticos com digoxina, visto que 
222 
 
este desequilíbrio de eletrólitos pode causar intoxicações 
digitálicas. 
• Vasoconstrição: é um mecanismo compensatório para se realizar o 
aumento da pré-carga e da pós-carga. Acontece nos pacientescom IC 
incluída nas classes funcionais de II a IV e também nos pacientes que 
apresentam hipoperfusão sistêmica 
o Quando se controla a ativação neuro-hormonal, em parte já se 
controla a vasoconstrição também. Se o paciente não pode utilizar 
iECA ou BRA, é administrada uma associação de hidralazina 
(vasodilatador hiperpolarizante) com nitrato. 
• Falha de bomba: ocorre nos pacientes com IC incluída na classe 
funcional IV e também nos pacientes que apresentam hipoperfusão 
sistêmica 
o Há a necessidade de uso de fármacos inotrópicos 
Muitas vezes, os pacientes que se encontram nos quadros de 
hipoperfusão sistêmica têm necessidade de permanecer hospitalizados 
aguardando por um transplante. 
 
TRATAMENTO DA IC 
 
TRATAMENTO NÃO FARMACOLÓGICO 
 É baseado na prática de exercícios físicos, no controle do estresse, na 
alimentação com menor teor de sódio, na maior ingestão de água, etc. Além 
disso, deve-se evitar o uso de alguns medicamentos que podem interferir no 
sistema nervoso simpático. Manter a vacinação em dia também é importante, 
visto que algumas vacinas evitam o desenvolvimento de doenças pulmonares 
(se o indivíduo não for vacinado e passar a apresentar alguma destas doenças 
pulmonares, o seu quadro de IC pode afetar ainda mais a saúde dos pulmões, 
visto que muitas vezes o quadro de IC pode estar relacionado com congestão 
pulmonar). 
 Se as atividades de trabalho do paciente demandarem esforços, ele terá 
que ser afastado dependendo do estágio da IC. 
 
TRATAMENTO FARMACOLOGICO DA IC 
 Os principais fármacos utilizados no tratamento da IC são: 
• iECA 
• BRA 
• Betabloqueadores 
• Diuréticos 
• Antagonista da aldosterona (Espironolactona) 
223 
 
• Digitálicos (Digoxina) 
• Vasodilatadores (nitratos e hiperpolarizantes, como a hidralazina) 
• Ivabradina (é utilizado em substituição ao uso dos betabloqueadores) 
• Inotrópicos: são fármacos que aumentam a força de contração do 
coração, como iPDE-3, agonistas adrenérgicos e sensibilizadores de 
cálcio (estes últimos melhoram a ligação do cálcio com a troponina C, 
aumentando a força de contração cardíaca). 
Os fármacos que lentificam a progressão da doença são: iECA, BRA, 
betabloqueadores, antagonistas dos receptores de aldosterona e Ivabradina. 
Os demais são utilizados para a diminuição dos sintomas: não 
lentificam a progressão da doença. 
Os principais objetivos do tratamento da IC são 
• Controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida do paciente 
• Controlar a retenção hídrica do paciente 
• Controlar a ativação neuro-hormonal (relacionada ativação do SRAA e do 
SNAS): diminui o estresse sobre a parede ventricular, diminui o 
remodelamento cardíaco, diminui a progressão da doença e diminui 
também as taxas de morbidade e mortalidade. 
 
ESTRATÉGIAS TERAPÊUTICAS NA IC 
 
 
• Paciente com disfunção do VE e assintomático: utiliza-se iECA ou 
BRA e betabloqueadores (interessante nesta fase pois ajuda a evitar a 
progressão da doença) 
224 
 
• Paciente em classe funcional 1: utiliza-se iECA ou BRA e 
betabloqueadores (interessante nesta fase pois ajuda a evitar a 
progressão da doença) 
• Paciente em classe funcional 2: utiliza-se iECA ou BRA, 
betabloqueadores (interessante nesta fase pois ajuda a evitar a 
progressão da doença), diuréticos (apenas se o paciente apresentar 
edema; tiazídicos) e antagonistas de aldosterona 
• Paciente em classe funcional 3: utiliza-se iECA ou BRA, 
betabloqueadores (interessante nesta fase pois apresenta efeito 
inotrópico negativo e ajuda no remodelamento reverso), diuréticos 
(apenas se o paciente apresentar edema; diuréticos de alça), 
antagonistas de aldosterona e digitálicos (se o paciente permanece 
sintomático frente ao uso dos outros fármacos) 
• Paciente em classe funcional 4: utiliza-se iECA ou BRA, 
betabloqueadores (interessante nesta fase pois apresenta efeito 
inotrópico negativo e ajuda no remodelamento reverso), diuréticos 
(apenas se o paciente apresentar edemas; diurético de alça) antagonistas 
de aldosterona e digitálicos (se o paciente permanece sintomático frente 
aos outros fármacos) 
Pode ser realizado o uso de Hidralazina + Nitrato nas Classes II e III em 
substituição aos iECA. Pode-se utilizar a Ivabradina em substituição aos 
betabloqueadores. 
Para pacientes negros, realiza-se a associação: Hidralazina + Nitrato + 
iECA/BRA. 
 
TRATAMENTO DA ICFEr (INSUFICIENCIA CARDIACA DE FRAÇÃO DE 
EJEÇÃO REDUZIDA) 
A associação de betabloqueadores + iECA + bloqueador de receptor 
de aldosterona é a primeira escolha para pacientes com ICFEr. É chamada 
de “terapia tripla”. 
Os fármacos mais utilizados no tratamento da ICFr são: 
• iECA 
• BRA: normalmente são utilizados nos pacientes intolerantes aos iECA 
• Diuréticos poupadores de potássio (Bloqueadores de receptor de 
Aldosterona - Espironolactona e Eplerenona): 
• Betabloqueadores (Carvedilol, Metoprolol ou Bisoprolol): 
o O Carvedilol é um beta-bloqueador de terceira geração: além de 
causar o bloqueio de receptor beta-1, também tem propriedades 
vasodilatadoras (pois bloqueia o receptor alfa-1). O Carvedilol é um 
fármaco lipofílico, de modo que atua também no SNC. Apresenta 
também propriedades antioxidantes. Também realiza o bloqueio de 
receptores beta-2 adrenérgicos. 
225 
 
 
INRAs (inibidor da neprilisina e receptor de angiotensina) 
O INRA é um fármaco que atua no SRA bloqueando o receptor AT1 e 
também inibe a neprilisina/vasopeptidase/endopeptidase – enzimas que 
degradam o peptídeo natriurético do tipo B. 
 
Os INRAs consistem em uma mistura do Sacubitril com a Valsartana. O 
Sacubitril é um inibidor de neprilisina, a enzima que degrada o peptídeo 
natriurético de tipo B. É interessante que este peptídeo não seja degradado, 
226 
 
visto que assim ele fica mais tempo no organismo, promovendo natriurese, 
diurese e vasodilatação. 
 Recomenda-se o uso dos INRAs em pacientes com ICFEr que 
continuam com sintomas mesmo com o uso de iECA ou BRA. Nestas 
situações em que o paciente está sintomático mesmo com o uso dos iECA, 
administra-se o INRA ou adiciona-se a digoxina à terapia. Ao se adicionar a 
digoxina, é necessário se suspender o uso dos iECA por 36h antes de ser 
introduzida a nova medicação. 
 Este medicamento foi inserido há pouco tempo no mercado, de modo que 
ainda está em farmacovigilância. Há indícios de que o seu uso possa promover 
a deposição de placas amiloides no SNC, predispondo o desenvolvimento da 
Doença de Alzheimer. 
 É melhor do que o iECA para a diminuição da mortalidade e das 
internações. 
 
IVABRADINA 
 É um fármaco que interfere na corrente de marcapasso. Deve ser 
administrado em substituição ao uso de betabloqueadores. Não é tão 
comumente utilizado. 
 
HIDRALAZINA + DINITRATO DE ISOSSORBIDA 
 Esta associação é indicada para pacientes que não podem utilizar iECA 
ou BRA. Pode ser prescrita para pacientes afrodescendentes e para pacientes 
nas classes funcionais III e IV. 
 A Hidralazina é um vasodilatador hiperpolarizante e que também atua 
produzindo o ânion superóxido (uma ROS). Ao se associar o Dinitrato de 
isossorbida à hidralazina, há uma potenciação do efeito vasodilatador e uma 
potencialização do efeito oxidante das ROS produzidas pela Hidralazina: 
este último efeito ocorre pois o NO (proveniente do uso do nitrato) se liga ao 
ânion superóxido, formando uma substância chamada de peroxinitrito, a qual é 
extremamente tóxica para as nossas células e leva à peroxidação lipídica 
(evento importante que influencia na formação de placas ateroscleróticas). Além 
disso, a formação do peroxinitrito deixa o organismo com baixa disponibilidade 
de NO, de modo que não há quantidades suficientes de NO para que os efeitos 
vasodilatadores e anti-agregantes plaquetários ocorram adequadamente. Este 
efeito da produção de peroxinitrito ressalta a importância da ingestão alimentos 
anti-oxidantes. 
 Dois nitratos importantesno controle da Angina são o Dinitrato de 
isossorbida e o Mononitrato de isossorbida. O Mononitrato de isossorbida possui 
tempo de meia-vida relativamente curto (45 minutos) e o Dinitrato de isossorbida 
227 
 
possui tempo de meia-vida mais longo (de 4-6 horas). Além disso, ao ser 
metabolizado no organismo, o Dinitrato gera o Mononitrato. 
 
DIGITÁLICOS 
 O principal representante dos digitálicos é a digoxina. A digoxina foi 
descoberta a partir da planta dedaleira. 
A digoxina é um fármaco que inibe bomba de Na+/K+ cardíaca. Por meio 
desta bomba, 2 K+ entram no carbiomiócito e 3 Na+ saem dele. Como a bomba 
fica inibida, o sódio não consegue sair da célula, ficando acumulado em seu 
interior. 
 Em paralelo à Na+K+ ATPase, há outro transportador presente no 
cardiomiócito, o qual realiza o transporte de um Na+ para dentro da célula e de 
um Ca+2 para fora da célula. Como com a inibição da NA+K+ ATPase houve um 
aumento da quantidade de sódio intracelular, este segundo transportador 
também para de funcionar, de modo que o cálcio passa a se acumular no 
interior dos cardiomiócitos. Cada novo potencial de ação permite a entrada 
mais cálcio no interior da célula, o que contribui com o acúmulo de cálcio 
intracelular. Com este acúmulo do cálcio, ocorre um aumento da força 
contração cardíaca. 
 
 A Digoxina é um fármaco prescrito para pacientes que continuam 
sintomáticos mesmo com o tratamento com iECA, BRA e 
betabloqueadores. É normalmente utilizada por pacientes que se encontram 
nas Classes funcionais 3 e 4. 
 Além de apresentar este efeito de aumentar a força de contratilidade do 
coração, a digoxina é um fármaco com potencial antiarrítmico, podendo ser 
utilizada em situações de taquicardia (160-200 bpm), flutter (250-350 bpm) ou 
fibrilação atrial (400-460 bpm). Todavia, ela também pode desencadear 
arritmias se for administrada frente a situações de diminuição de potássio e 
magnésio e aumento de cálcio. 
228 
 
Farmacocinética da digoxina 
 A digoxina é um fármaco que possui pequena janela terapêutica, visto 
que a sua concentração plasmática terapêutica vai de 0,5 a 2 ng/ml, e a sua dose 
tóxica começa a partir de 2 ng/ml. 
 A digoxina pode ser encontrada nas formas farmacêuticas de elixir, 
cápsula com interior liquido ou comprimidos. Dependendo da forma farmacêutica 
utilizada, este fármaco é liberado de forma mais rápida ou mais lenta. O elixir e 
a cápsula são formas que liberam o princípio ativo mais rapidamente, podendo 
causar quadro de intoxicação digitálica. 
 A dose de digoxina a ser administrada é calculada em função da massa 
magra do paciente, e também deve-se considerar o funcionamento renal do 
indivíduo antes de se realizar a prescrição (visto que cerca de 66% da digoxina 
é excretada de forma inalterada pelos rins). 
 Possui boa biodisponibilidade. 
 Alguns pacientes possuem em sua microbiota intestinal uma bactéria 
chamada de Eubacterium lentum, a qual degrada a digoxina. Devido a isso, por 
vezes alguns pacientes começam o tratamento com uma determinada dose de 
digoxina, mas não sentem os seus efeitos terapêuticos (visto que parte do 
fármaco está sendo degradada por estas bactérias). Frente a esta situação, é 
necessário se aumentar a dose do medicamento para estes indivíduos. Todavia, 
se estes pacientes fizerem uso de antibióticos de amplo espectro, pode ocorrer 
um quadro de intoxicação digitálica (visto que a bactéria que degrada a digoxina 
não estará mais presente em grande quantidade, causando um acúmulo do 
fármaco no organismo). 
 
INTOXICAÇÃO DIGITÁLICA: 
 Ocorre devido às seguintes situações: 
• Erros do paciente: ocorre quando os indivíduos não seguem a posologia 
adequada 
• Erros do profissional: ocorre quando o profissional prescreve a forma 
farmacêutica inadequada ou realiza associações medicamentosas 
inadequadas 
• Idade avançada: há diminuição da eliminação renal, o que pode levar a 
um acúmulo de digoxina no organismo 
• Hipocalemia 
• Hipomagnesemia 
• Hipercalcemia 
• Interações medicamentosas: podem levar a um quadro de intoxicação 
digitálica, podendo disparar arritmias cardíacas ou levar ao bloqueio 
atrioventricular 
 
229 
 
Atividade deflagrada/pós despolarizações 
Os baixos níveis de potássio e de magnésio e os altos níveis de 
cálcio podem levar a intoxicações digitálicas. Isto ocorre pois o potássio e o 
cálcio são íons essenciais na condução do potencial de ação da fibra de Purkinje: 
 
• Fase 0: há abertura dos canais de sódio, permitindo o início da 
despolarização 
• Fase 1: começa a haver o fechamento dos canais de sódio 
• Fase 2: ocorre a abertura de canais de cálcio 
• Fase 3: ocorre o fechamento dos canais de cálcio e a abertura de canais 
de potássio 
• Fase 4: há a manutenção da corrente de potássio 
Se está faltando potássio no organismo (quadro de hipopotassemia), a 
fase 3 não ocorre adequadamente, de modo que a célula não é repolarizada e 
pode acontecer um novo potencial de ação (o que gera uma arritmia). Este 
fenômeno é chamado de atividade deflagrada/pós-despolarização precoce 
pois não chega a ocorrer o processo de repolarização. Esta atividade deflagrada 
precoce ocorre tanto frente a quadros de hipopotassemia quanto frente a 
quadros de hipomagnesemia (o Mg+2 é utilizado como cofator da Na+K+ 
ATPase cardíaca). 
Frente a quadros de hipercalcemia, ocorre a atividade deflagrada 
tardia. Neste caso, é alcançada a fase 4, mas como há um excesso de cálcio no 
interior da célula, este cálcio é capaz de disparar um novo potencial de ação 
(causando arritmias). 
230 
 
 
 
Interações medicamentosas 
 As interações medicamentosas com a Digoxina podem levar ao 
desenvolvimento de arritmias ou até mesmo a um bloqueio atrioventricular. São 
divididas em interações positivas e interações negativas: 
• Interações positivas: são causadas por: 
o Diminuição dos níveis plasmáticos de K+: promovida por diuréticos. 
o Ingestão de cálcio além do necessário 
o Uso de alguns antibióticos (macrolídeos – eritromicina, 
azitromicina, claritromicina, etc: são fármacos que diminuem o 
clearance da digoxina) 
o Uso de antiarrítmicos que interferem na excreção da digoxina, 
piorando ainda mais o quadro de intoxicação digitálica: 
▪ Amiodarona (um dos antiarrítmicos mais utilizados): é um 
bloqueador de canal de Na+, K+ e Ca+2 
▪ Quinidina: é um bloqueador de canal de Na+ 
▪ Verapamil: é um bloqueador de canal de Ca+2 
▪ Os fármacos que realmente devem ser utilizados frente a 
arritmias causadas por intoxicações digitálicas são a 
Lidocaína e Procainamida (são bloqueadores de canal de 
Na+) 
o Uso de betabloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio 
frente a intoxicações digitálicas: leva a um bloqueio atrioventricular 
 
231 
 
Manifestações cardíacas das intoxicações digitálicas: 
• Arritmias 
• Bloqueios 
• Exacerbação dos sintomas de ICC 
 
Manifestações extra-cardíacas das intoxicações digitálicas: 
• Náuseas, vômitos e diarreias 
• Depressão, desorientação e parestesias 
• Visão borrada e escotomas 
• Mudanças na percepção de cores 
• Ginecomastia e galactorreia: efeitos raros 
 
Tratamento de intoxicações digitálicas 
 Frente a intoxicações por digitálicos, deve-se realizar os seguintes 
passos: 
1. Suspender o digitálico 
2. Verificar se os níveis de potássio, magnésio e cálcio estão dentro da 
normalidade. Se não estiverem, corrigi-los 
3. Tratar as arritmias ou os bloqueios na condução dos impulsos (obrigatória 
a realização de ECG) 
4. Se o paciente tiver administrado digoxina há pouco tempo (e deste modo 
ainda apresentar digoxina no TGI), deve-se utilizar resinas 
(Colestiramina) ou carvão ativado para a retirada/inativação deste 
fármaco. 
Também podem ser utilizados anticorpos anti-digitálicos, que são 
administrados por via parenteral. Estes anticorpos se ligam à digoxina e 
inativam-na. 
 
DROGAS INOTRÓPICAS 
São utilizadas no tratamento de ICsdescompensadas. Alguns destes 
fármacos são a Dobutamina, Inibidores de fosfodiesterase 3 (Anrirona e 
Milrirnona - inibem a degradação de AMPc, aumentando a força de contração 
cardíaca) e Levosimendana (é um sensibilizador de cálcio: deixa-o mais 
sensível à troponina C, favorecendo a contração do músculo cardíaco; nos vasos 
promove vasodilatação por meio de um efeito hiperpolarizante – pode provocar 
hipotensão e arritmias). 
232 
 
 
 
 
Progressão das doenças cardiovasculares até à IC: 
 
 
 
Lembrar que uma mesma classe farmacológica pode tratar mais do que 
um distúrbio cardiovascular. 
233 
 
 
 
 
AULAS DO PROFESSOR VALTER 
 
234 
 
VIAS DE ADMINISTRAÇÃO 
Medusa – 86 
 A via escolhida para se administrar um medicamento é chamada de via 
de administração. Há dois principais tipos de vias: vias enterais e parenterais. 
Os fármacos administrados pelas vias enterais possuem absorção pelo TGI, 
principalmente no estômago e nos intestinos. Os medicamentos administrados 
por estas vias possuem primeira passagem pelo fígado. As vias parenterais são 
aquelas que não possuem a absorção dos medicamentos realizada pelos 
intestinos, sendo feita de maneira paralela a eles. 
 
Passagem pelo fígado 
 Após serem absorvidos, alguns medicamentos tendem a passar pelo 
fígado antes de cair na circulação sistêmica (dependendo da via de 
administração que for utilizada). Esta primeira passagem pelo fígado pode ser 
total ou parcial. Para os fármacos que apresentam primeira passagem total, 
100% do medicamento segue o seguinte caminho: é absorvido no TGI, dirige-se 
ao Sistema Porta e passa pela primeira fase da metabolização. O efeito de 
primeira passagem total acontece quando a droga é administrada por via oral ou 
via intraperitoneal. Há também os fármacos que apresentam primeira 
passagem parcial, na qual apenas uma % do medicamento vai para o fígado – 
é o que acontece com os medicamentos administrados por via retal, visto que 
por esta via 70-80% do medicamento administrado não passa pelo fígado após 
ser absorvido. 
 
Droga ativa x Pró-droga 
 Droga ativa é um fármaco que possui ação farmacológica assim que é 
administrado, não sendo necessária a sua metabolização para que ele comece 
a ter efeito no organismo. Ao entrar em contato com o fígado, a droga ativa 
possui parte da sua 1ª metabolização realizada. Um exemplo de droga ativa é a 
Prednisolona. Já uma pró-droga é um fármaco que, ao ser administrado, não 
possui efeito no organismo, sendo necessário que este fármaco seja 
metabolizado para se tornar uma droga ativa. Desta forma, ao passar pelo fígado 
pela primeira vez, a pró-droga normalmente recebe um radical e se torna uma 
droga ativa. Um exemplo de pró-droga é a Prednisona, que ao passar pelo fígado 
se transforma em Prednisolona. Se o indivíduo possui uma boa condição 
hepática, é preferível que, ao se administrar um medicamento por via oral, seja 
uma pró-droga. 
 
Ordem de metabolização 
 Metabolização de primeira ordem: Uma porcentagem constante da 
droga é metabolizada a cada período de tempo. Ex.: antibióticos: a cada 6h, 
235 
 
metaboliza-se 50% da concentração administrada. Não há efeito cumulativo 
significativo, visto que no período de tempo seguinte a concentração já cairá pela 
metade novamente (não sofre saturação). 
 Metabolização de ordem zero: neste tipo de metabolização, uma 
quantidade constante da droga é metabolizada a cada período de tempo. A 
metabolização do álcool etílico é um exemplo de metabolização de ordem zero: 
não é uma % da dose que foi administrada que decai por cada período de tempo, 
mas sim uma quantidade constante – há uma velocidade constante de 
metabolização (no caso do álcool etílico, 7-10g/ hora). Devido a isto, esta 
metabolização é linear: se o indivíduo ingeriu 10g de álcool etílico, em 1 hora 
estarão presentes no organismo de 0-3g; se o indivíduo ingeriu 100g, em 1h 
ainda estarão presentes no organismo de 90-93g, só sendo totalmente depurado 
após cerca de 9 horas. Este tipo de metabolização pode ser saturada. 
 
VIAS ENTERAIS 
Via oral 
 Possui menor custo, e por isso pode ser considerada a via mais viável. É 
a via mais segura, visto que é mais fácil de se diminuir a absorção de um fármaco 
que foi administrado por VO caso ocorra algum erro na administração (utilizando-
se para isso antiácidos ou realizando-se lavagens gástricas com carvão ativado 
(substância que adsorve os medicamentos e que depois é aspirada por uma 
sonda, levando consigo a medicação)). 
 A VO também é considerada uma via mais fisiológica, visto que o 
medicamento administrado segue o trajeto natural da alimentação. Devido a este 
fato, deve-se saber as especificidades do medicamento, visto que alguns 
fármacos devem ser tomados com o estômago vazio (como medicações para 
hipotireoidismo), enquanto outros devem ser tomados após uma refeição – e 
outros são indiferentes neste quesito. 
 A absorção do medicamento no TGI depende também da velocidade de 
dissolução de cada droga, sendo que esta velocidade está relacionada ao pH do 
órgão e ao pKa do medicamento. Exemplo: a aspirina (pKa=3), é absorvida no 
estômago e na primeira porção do duodeno; todavia, ao se analisar um 
medicamento com pKa alcalino, este fármaco provavelmente será melhor 
absorvido no restante do intestino. 
 As medicações administradas por via oral podem ser administradas em 
diversas formas farmacêuticas, como líquida, comprimidos, drágeas, etc. 
 A prescrição pode ser feita a pequenos, médios e grandes volumes 
(variável). 
 Podem ser administradas substâncias hidro ou lipossolúveis. 
 
236 
 
Via retal 
 É uma via antifisiológica (visto que se insere o medicamento em sentido 
contrário ao da saída das fezes). 
 Possui absorção parcial, o que faz com que as doses dos fármacos 
administrados por via retal sejam de 1,5 a 2 vezes maior do que as doses 
administradas via oral. 
 Utiliza-se uma forma farmacêutica própria e adequada às condições do 
meio: supositórios a base de lanolina (substância graxa que se dissolve a 37ºC, 
liberando o princípio ativo). 
 Podem ser administradas substâncias hidro ou lipossolúveis. 
 
VIAS PARENTERAIS 
Via tópica/local 
 Os fármacos utilizados nas aplicações tópicas sempre devem ser drogas 
ativas, e não pró-drogas. Os medicamentos administrados por via tópica 
apresentam a menor possibilidade de causar efeitos colaterais. É uma via de uso 
mais limitado, sendo utilizada principalmente por dermatologistas, 
oftalmologistas e otorrinolaringologistas. 
 Utiliza-se cremes em feridas úmidas (as quais não devem ser 
friccionadas) e pomadas em feridas secas (as quais podem ser friccionadas). Os 
colírios devem ser sempre administrados 1 gota por olho. 
 Podem ser administradas substâncias hidro ou lipossolúveis. 
 
Via intradérmica 
 A administração de medicamentos por via intradérmica é feita sempre em 
pequenos volumes (como em vacinas). Podem ser administradas substâncias 
hidro ou lipossolúveis. 
 
Via subcutânea 
 O único local do corpo humano no qual não há tecido subcutâneo sob a 
pele é na região das pálpebras. São administrados apenas pequenos volumes, 
visto que a injeção pode provocar muita dor local. Podem ser administradas 
substâncias hidro ou lipossolúveis. 
 
 
 
237 
 
Via sublingual 
 Nesta via, as medicações podem ser administradas na forma líquida ou 
de comprimidos. A sua absorção não conta com a passagem pelo fígado 
diretamente. A medicação deve possuir um sabor neutro, para que assim não 
seja provocada muita salivação e a pessoa não engula o medicamento (que deve 
permanecer na mucosa oral até ser absorvido). É necessário que o paciente seja 
disciplinado para utilizá-la (visto que os fármacos não podem ser engolidos). 
 É uma via de administração que faz com que os fármacos cheguem 
rapidamente ao coração e ao SNC (com isso, a via sublingual é uma boa opção 
para o tratamento decasos de angina, mas os fármacos podem causar como 
efeito colateral intensa cefaleia). 
 Devem ser administrados pequenos volumes. Podem ser administradas 
substâncias hidro ou lipossolúveis. 
 
Via intramuscular 
 Podem ser administradas substâncias hidro ou lipossolúveis, em 
pequenos ou médios volumes (até 5 ml). As medicações ministradas por essa 
via possuem tempo de duração variável (ex.: enquanto a benzetacil ainda está 
presente no organismo em até 21 dias após a injeção, a dexametasona é 
absorvida em 8 horas). 
 Possui uma absorção uniforme e total, havendo a necessidade de rodízio 
dos músculos (se forem feitas diversas administrações de medicamentos em um 
mesmo local, é possível que seja causado um processo inflamatório, o qual pode 
prejudicar a absorção). 
 
Via intra/endovenosa 
 Podem ser administrados volumes variáveis, e as substâncias devem ser 
hidrossolúveis (a administração de substâncias lipossolúveis pode causar 
embolias gordurosas e a administração de substâncias gasosas pode causar 
embolias gasosas). Não existe absorção nesta via, visto que todo o fármaco já é 
administrado diretamente no interior da veia. 
 É uma via pouco segura, visto que é difícil de se controlar os efeitos 
indesejados e colaterais (não é possível se retirar o fármaco de dentro do corpo 
como na via oral, por exemplo, sendo necessária a utilização de um 
medicamento antagonista para se reverter o efeito destes fármacos). 
 Esta via não deve ser usada corriqueiramente, sendo utilizada apenas em 
casos de urgência ou emergência (como em um choque anafilático, durante uma 
reação alérgica, etc.). 
 
238 
 
Via intra-arterial 
 Esta via praticamente não é utilizada para a administração de 
medicamentos, sendo utilizada principalmente para a realização de exames (ex.: 
gasometria arterial). Isto ocorre pois a artéria é muito mais reativa do que a veia, 
causando mais facilmente uma inflamação (arterite) frente ao seu 
puncionamento. 
 
Via transdérmica 
 As substâncias administradas por via transdérmica devem ser 
preferencialmente lipossolúveis, visto que assim pode ser mantido o contato com 
a pele por um maior período de tempo. Esta via é utilizada em casos de 
reposições hormonais, por exemplo. 
 
 
Via intramedular 
 É a via utilizada para se acessar o interior de um osso, sendo utilizada 
apenas para exames diagnósticos. 
 
Via intratecal/intraraquidiana 
 É utilizada para a realização de anestesias locais, sendo a agulha inserida 
no espaço subaracnóideo. 
 Para a realização desta punção, o paciente deve estar sentado e curvado 
anteriormente, e a agulha deve ser inserida até o momento em que comece a 
gotejar um pouco de líquor. Este mesmo procedimento pode ser utilizado tanto 
com finalidade diagnóstica (analisando-se o líquor que goteja) quanto para a 
realização de raquianestesias. 
 Ao realizar anestesias, deve-se atentar à possibilidade de movimentação 
do fármaco pelo líquido raquidiano, de modo que diferentes plexos nervosos 
podem ser afetados. As fibras mais sensíveis às anestesias são as simpáticas, 
239 
 
as quais podem provocar uma hipotensão arterial severa se anestesiadas. Para 
evitar esta movimentação do fármaco, são utilizadas substâncias hiperosmóticas 
(chamadas de anestésicos pesados). Além disso, o paciente anestesiado deve 
permanecer deitado, para que assim estas substâncias não sejam tão 
disseminadas longitudinalmente. 
 Este tipo de anestesia causa retenção urinária. 
 
 
Via peridural 
 Neste caso, a agulha é inserida no espaço epidural, sendo percebida uma 
pressão negativa na agulha ao alcançar este sítio. Não há tanta disseminação 
da medicação administrada como na via intraraquidiana. 
 Este tipo de anestesia também causa retenção urinária. 
 
Via inalatória 
 A substância utilizada em questão deve ser volátil ou volatilizada através 
de oxigênio. Os fármacos administrados por via inalatória possuem absorção 
muito rápida, já que os alvéolos são muito vascularizados. 
 Se a frequência respiratória aumenta, há uma maior dificuldade em se 
realizar a absorção (visto que o sangue começa a passar muito rapidamente 
pelos alvéolos e não é possível se absorver a medicação). Se a amplitude 
respiratória aumenta, há uma maior facilidade na absorção. 
 
Via intraperitoneal 
 
Via intravaginal 
 O medicamento pode ser hidro ou lipossolúvel, e o fármaco administrado 
pode ter efeito tópico (ex.: antibiótico para vaginite) ou sistêmico (ex.: reposição 
240 
 
hormonal). A velocidade de absorção desta via é variável, sendo a administração 
de hormônios um dos modos de absorção mais lentos. 
 
Vias oculares – Colírios 
 O uso de medicação na via ocular possui efeito tópico. Algumas das vias 
são: 
• Via subconjuntival 
o Administra-se o medicamento abaixo da conjuntiva bulbar (que 
está em contato com o bulbo do olho) com uma agulha. Esta via de 
administração substitui a utilização contínua de colírios, visto que 
cada vez que a pessoa pisca ela comprime a bolha onde está a 
medicação, fazendo com que o medicamento saia pelo furo pelo 
qual a agulha entrou e fique sobre a superfície ocular. 
• Via peribulbar 
o Administra-se o fármaco ao redor do globo ocular, como nos casos 
de correção de catarata. 
• Via retrobulbar 
o Administra-se o fármaco atrás do bulbo do olho com uma agulha 
reta ou curva. 
 
• Via intrabulbar/intravítrea 
o Administra-se o fármaco no interior do bulbo (ex.: medicamentos 
anti-angiogênicos utilizados por pacientes diabéticos). 
 
241 
 
PRESCRIÇÃO MÉDICA 
Medusa – 86 
 
Há diferentes tipos de receituários, os quais são utilizados com 
diferentes finalidades de prescrição. São eles: 
• Receituário comum: é usado para a maioria dos medicamentos. 
• Receituário branco em dupla via 
• Notificações de receituário amarelo 
• Notificações de receituário azul 
• Prescrição hospitalar 
 
Em relação à necessidade da prescrição médica para a compra, há dois tipos 
de medicamentos: 
• OTC – Medicamentos sem receituário (cerca de 50% dos medicamentos). 
Estes medicamentos não demandam a presença de receita para compra. 
Não há nenhuma tarja na embalagem destes medicamentos (ex.: 
vitaminas, antitérmicos, antigripais e analgésicos) 
• Controlados: são os medicamentos que demandam uma prescrição 
médica para serem comprados 
É possível saber através da embalagem dos medicamentos se é necessária 
a presença de um receituário para a sua compra ou não. Isto é feito por meio da 
observação da presença de uma tarja na embalagem e a cor desta. As 
respectivas tarjas são: 
• Receituário comum: Tarja vermelha 
• Receituário branco em dupla via/ 2 receituários comuns: Tarja vermelha 
com os dizeres “Só pode ser prescrito com a retenção da receita” 
• Receituário amarelo: Tarja branca 
• Receituário azul: Tarja preta 
 
242 
 
 
Quando o médico for prescrever o medicamento, ele deve indicar qual o 
tipo de uso: 
• Uso interno (uso int.): faz referência apenas à via oral 
• Uso externo (uso ext.): faz referência às demais vias. 
Na prescrição, apenas se deve escrever uso int/ uso ext, e não a via 
específica de administração (oral/retal/vaginal, etc). 
A prescrição médica é uma ordem médica para que seja aviada a receita. 
Cada receituário deve idealmente conter de 1-3 medicamentos. Em caso de 
urgência/emergência, os medicamentos podem ser prescritos em qualquer papel 
(é um ato legal), mas a prescrição deve conter todos os elementos de uma 
receita. 
A receita pode ser manuscrita, datilografada ou impressa. 
É importante que tanto o médico quanto o paciente participem do 
processo de prescrição, visto que deve-se saber se o paciente possui alergias, 
sensibilidades e condições de comprar o fármaco em questão. 
 
TIPOS DE MEDICAMENTOS: 
• Oficinais: fórmulas fixas que constam em textos oficiais (farmacopeias, 
formulários). São os medicamentos manipulados tradicionais. 
• Magistrais: fórmulasconfeccionadas pelo médico (o médico cria uma 
fórmula a partir de seus conhecimentos) 
• Especialidades farmacêuticas: a indústria farmacêutica vende uma 
fórmula específica com nomes fantasias/comerciais, seja o medicamento 
de referência ou o semelhante. 
• Genéricos: são fármacos que possuem a mesma bioequivalência que o 
medicamento de referência. O nome dos medicamentos genéricos é 
sempre o nome do princípio ativo do medicamento. 
243 
 
No Brasil, os medicamentos controlados são classificados em: 
• A1 e A2: Entorpecentes – Receita azul. Tarja preta. 
• A3, B1 e B2: Psicotrópicos – Receita amarela. 
• C1, C2, C3 e C5: Comuns (substâncias retinóicas, imunossupressoras e 
anabolizantes) - Branco em dupla via 
• C4: Antirretrovirais – Receita amarela especial 
• D1: Precursores de entorpecentes e psicotrópicos 
• D2: Insumos químicos utilizados como precursores de 
entorpecentes e psicotrópicos 
• E: Plantas que podem originar substâncias (Ex.: canabinóides da 
Cannabis sativa). 
• F: Substâncias de uso proscrito no Brasil (ex: cocaína) 
 
OBS sobre a prescrição de antibióticos: pode ser realizada tanto no receituário 
branco em dupla via quanto em 2 vias do receituário comum (sendo que uma 
destas vias fica retida na farmácia). A prescrição de antibióticos tem validade de 
10 dias. 
 
RECEITUÁRIO COMUM 
• Com exceção dos antibióticos, as medicações são prescritas em via única 
(para os antibióticos, prescreve-se em 2 vias) 
• Tarja vermelha escrito VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA 
• A receita prescrita em receituário comum é válida em todo território 
nacional 
• A validade destas receitas não é normatizada, valendo de 6 meses-1 ano 
(as receitas para retirada de medicamentos que são entregues 
gratuitamente pelo serviço público possuem validade de 3 meses). A 
validade das prescrições para antibióticos vale 10 dias. 
244 
 
 
 
245 
 
RECEITUARIO BRANCO EM DUPLA VIA 
• Os medicamentos que exigem este receituário só podem ser vendidos 
com retenção de receita 
o Vem escrito na caixa: VENDA SOB PRESCRIÇÃO MEDICA (Só 
pode ser vendido com retenção da receita) 
• C1, C2, C5 
• Tarja vermelha 
• Imunossupressores, retinóides de uso sistêmico e anabolizantes. 
• Se o médico em questão estiver prescrevendo o medicamento em um 
serviço público, deve-se sempre prescrever o medicamento genérico 
 
 
• Comprimido D: Dispersível (deve ser diluído em água) 
• Se o médico for prescrever soluções, deve-se colocar como como 
observação para o paciente agitar bem o vidro antes de usar 
• Se não for escrito na receita a observação de “não substituir a medicação 
por genérico”, pode ser substituído 
• Colírio: deve-se agitar todas as vezes antes de ser administrado 
246 
 
NOTIFICAÇÃO DE RECEITA AMARELO 
• Utilizada em medicamentos de Tarja branca 
• O talonário é fornecido pela Vigilância Sanitária Municipal gratuitamente, 
mediante solicitação através de formulário específico. 
• Validade da receita: 30 dias após emissão. A validade pode ser 
prolongada se o diagnóstico do paciente (ou o CID da doença) e a 
posologia do medicamento justificarem este prolongamento. 
• É válida em todo território nacional 
• Fica retida na farmácia 
• Modelo antigo: 
 
• Modelo atual: 
 
 
NOTIFICAÇÃO DE RECEITA AZUL 
• Tarja preta 
o Sobre a tarja, está escrito “VENDA SOB PRESCRIÇÃO MÉDICA – 
O ABUSO DESTE MEDICAMENTO PODE CAUSAR 
DEPENDÊNCIA” 
• Pode causar dependência física e/ou psicológica 
• Não pode haver qualquer tipo de rasura neste tipo de receituário 
• É numerada pela Vigilância Sanitária 
• Fica retida na farmácia 
247 
 
• Pode-se prescrever no máximo 5 ampolas ou 3 caixas por receituário 
o Se a prescrição for de 1 comprimido ao dia (ex.: ao se deitar), a 
prescrição se limita a 2 caixas. Só permite 3 caixas se for mais do 
que 1 comprimido ao dia 
• Este receituário vale por 30 dias e apenas na unidade da federação em 
que ele foi prescrito (se prescreveu em MG, não vai poder ser utilizada 
em SP) 
o Se precisar comprar em outro estado, o paciente deve ir à 
Vigilância Sanitária para que seja trocada a receita 
• Modelo: 
 
 
• Na receita azul ou amarela, deve-se escrever a dose em numeral e por 
escrito: tomar 1 (um) comprimido. 
 
PRESCRIÇÃO HOSPITALAR 
 No modelo da UFTM, devem constar os seguintes dados: 
• Nome: Antônio Carlos da Silva 
• Diagnóstico: Pneumonite 
• Leito: 121C 
Primeira coisa a se escrever na prescrição hospitalar é a dieta e suas 
ressalvas. Se for livre, escrever “Dieta livre” (se a dieta for livre, já se sabe que 
248 
 
a via de administração da dieta é a via oral). Em seguida, são escritos os 
fármacos que estão sendo administrados, a dose, a via e a posologia. Por fim, 
podem vir algumas observações. 
Algumas siglas que podem aparecer: 
• SG – Soro glicosado 
• SF – Soro fisiológico 
• EV – Endovenosa 
• VO – Via oral 
• AD – Água destilada 
• SV – Sinais vitais 
• CG – Cuidados gerais 
 
MEDICAMENOS MANIPULADOS 
O princípio ativo pode ser administrado isoladamente ou com 
componentes que vão manter a sua estabilidade/efeito/pH por mais tempo. 
• Coadjuvantes terapêuticos: são duas drogas ativas que possuem efeito 
potencializador ou aditivo. São associadas para que uma intensifique o 
efeito da outra. 
• Coadjuvantes técnicos: consistem em um ou mais ingredientes da fórmula 
cuja função é estabilizar e/ou conservar o aspecto físico-químico do 
medicamento. Atuam fisicamente (ex.: tamponando pH, espessando o 
meio, favorecendo a dispersão da base do medicamento) ou 
249 
 
quimicamente (protegendo o princípio ativo de oxigenação, oxidação e 
contaminação). 
• Coadjuvante corretivo (edulcorante): Visa corrigir o medicamento em suas 
propriedades organolépticas. Corrige cor e sabor. Não causa nenhum 
efeito terapêutico, mas pode causar efeitos colaterais, como alergias 
devido ao corante. 
• Veículo ou Excipiente: substância utilizada para suspender, dissolver ou 
misturar homogeneamente o princípio ativo, afim de facilitar a sua 
administração e tornar possível a sua confecção. 
• Veículo: possui função de dar volume/forma ao medicamento, 
possibilitando o transporte do fármaco. 
o Excipiente: São ingredientes inertes que misturados ao princípio 
ativo, servem para dar volume e/ou peso à formula, a fim de que 
ela possa ser dosada ou confeccionada. 
▪ Ex.: Vaselina, fenolftaleína, ágar, etc. 
 
EFEITO PLACEBO 
 Se for prescrito um medicamento que não é adequado para um 
determinado fim, o paciente acometido que toma este medicamento possui 30% 
de chance de melhorar, mesmo este fármaco não sendo próprio para a sua 
condição. Isto ocorre devido ao efeito placebo. Se há um princípio ativo no 
medicamento que o paciente tomou, é chamado de efeito placebo impuro. Se 
não há nenhum princípio ativo ou efeito farmacológico na medicação, é chamado 
de efeito placebo puro. 
 
EXEMPLOS DE PRESCRIÇÕES DE MEDICAMENTOS MANIPULADOS 
Exemplo 1: 
Carbonato de cálcio ------- 1g 
Para 1 papel. Mande 20 
(quer dizer que provavelmente o paciente é alérgico à cápsula, e devido a isso 
precisa que o medicamento seja feito dentro de envelopes (“papel”). Para tomar 
o medicamento, o paciente deve diluir o conteúdo de dentro do envelope em um 
pouco de água e beber. Cada envelope (papel) deve ter 1 grama de carbonato 
de cálcio, mas a receita está solicitando a manipulação de 20 papéis.) 
 
 
Exemplo 2: 
Dipirona ----------------------- 5g 
Para 1 cápsula amilácea. Mande 20 
250 
 
(quer dizer que cada cápsula deve conter 5g. Está sendo solicitada a 
manipulação de 20 cápsulas) 
 
Exemplo 3: 
Para Fulano de Tal 
Uso externo 
Hidroquinona -------5% 
Tretinoina ----------- 0,025% 
Hidrocortisona ------------ 1% 
Creme hidratante qsp --------- 30g 
Mande 1 pote. Usar pela manhã e pela noite 
(qsp = quantidade suficiente para completar o peso. A porcentagem dos demais 
fármacos é baseada nos 30g,e o que faltar para completar os 30g, coloca-se de 
creme hidratante) 
 
 
• Se o medicamento a ser manipulado tiver algum componente controlado 
(ex.: que precisa de receita azul), deve-se colocar o componente 
controlado na receita azul e todo o resto (assim como o componente 
controlado, que deve ser escrito novamente) na receita normal, e entrega-
las junto. Quando se for escrever o componente controlado na receita 
azul, deve-se escrever a dose total que vai ser utilizada em todos os 
papeis/cápsulas (ex.: Se precisa de 15 mg de Diazepam em 30 cápsulas, 
deve-se escrever Diazepam 450 mg). 
 
• No caso da prescrição hospitalar, se a medicação for dada pela manhã 
antes de o médico ter feito a passagem pelo leito, a medicação deve ficar 
registrada na prescrição do dia anterior. Se for feita após o médico ter 
passado pelo leito, a administração da medicação deve ser anotada no 
dia atual (ex.: se a medicação era às 6h o médico passou às 7h, deixa no 
receituário do dia anterior; se o médico passou às 5h, deixa no receituário 
do dia atual). 
 
251 
 
ABUSO DE DROGAS – USO DE SUBSTÂNCIAS PSICOATIVAS 
Medusa - 86 
 
 Primeiramente, deve-se ter em mente que dependência química é uma 
doença! A droga é FEITA para ser viciante, e ela é capaz de mudar a percepção 
do indivíduo sobre a própria vida. Desta forma, deve-se abandonar a visão 
moralista sobre o problema das drogas e deve-se adotar um tratamento 
multifatorial para que o vício seja abandonado. 
 Normalmente, o processo que leva um indivíduo a buscar o uso de drogas 
ilícitas também é um processo multifatorial, o qual envolve questões sociais, o 
contexto em que o indivíduo vive, questões biológicas individuais, questões 
morais, o próprio efeito da droga e a via de uso utilizada. 
 
NEUROBIOLOGIA DAS DROGAS 
 Todas as drogas, de alguma maneira, agem em alguma região cerebral. 
As principais regiões afetadas pelo uso das drogas são: 
• Sistema de recompensa: localizado no núcleo accumbens. É formado 
pela via mesolímbica e pela via mesocortical. É responsável por trazer as 
sensações de desejo sexual, prazer e prazer obtido a partir da 
alimentação. É um circuito dopaminérgico. Toda droga que vicia libera 
dopamina na via mesolímbica de alguma forma. 
• Região da motivação no córtex orbitofrontal 
• Circuito da memória e aprendizagem: localizado na amígdala e no 
hipocampo 
• Região de controle e planejamento: localizada no córtex pré-frontal e 
no giro do cíngulo anterior. 
Além de agir em uma região principal, as drogas são capazes de agir em 
outras áreas do cérebro e em outras regiões periféricas. 
 
252 
 
MACONHA 
 A Maconha é a droga ilícita mais consumida no mundo. É uma planta 
utilizada há milênios pelo ser humano, sendo utilizada tanto para a finalidades 
recreacionais quanto para fins terapêuticos. 
Há três diferentes espécies de plantas da qual a maconha pode ser 
obtida: 
• Cannabis sativa: é a mais utilizada para o uso recreativo 
• Cannabis indica 
• Cannabis ruderalis 
A maconha não pode ser considerada um produto homogêneo, visto que 
diferentes espécies podem estar contidas em um mesmo produto vendido. Além 
disso, a maneira pela qual a maconha é utilizada também influencia nos efeitos 
que esta droga traz ao organismo (se é fumada, ingerida, inalada, etc). 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 Há cerca de 180 milhões de usuários de maconha do mundo. 1 a cada 10 
homens adultos já experimentou maconha na vida. Os homens usam 3 vezes 
mais do que as mulheres. Mais de 1% da população masculina brasileira é 
dependente de maconha. 
 1 em cada 10 adolescentes que usa maconha é dependente. 17% dos 
adolescentes que realizaram o uso da maconha no último ano tiveram acesso à 
droga por meio da escola. 
 
CANNABINOIDES 
 O efeito psicoativo da maconha é proveniente de substâncias 
genericamente chamadas de cannabinoides. São conhecidos mais de 80 
cannabinoides diferentes, os quais possuem diferente capacidade de causar os 
efeitos da maconha. 
 Os dois principais cannabinoides são: 
• THC (delta-9-tetrahidrocanabinol): causa mais efeitos psicogênicos e 
alucinógenos. Gera ansiedade, sintomas psicóticos e maior dependência 
• CDB (canabidiol): é o cannabinoide que possui mais efeitos terapêuticos. 
Possui efeitos opostos ao THC, causando efeitos ansiolíticos e 
antipsicóticos. 
A proporção da quantidade de THC e CDB presente na maconha 
comercializada vem sido progressivamente alterada com o passar dos anos. 
Exemplo disso é que enquanto na década de 60-70 a concentração de THC era 
de 2 a 3%, atualmente esta concentração chega a 22,6% em alguns casos. 
253 
 
 
SISTEMA ENDOCANABINOIDE 
 Existe no organismo humano uma série de canabinóides endógenos, os 
quais são derivados do ácido araquidônico. Estes canabinoides endógenos 
agem sobre dois tipos de receptores presentes no nosso organismo, chamados 
de receptores cannabinoides: 
• CB1: mais presente no SNC 
• CB2: mais presente em órgãos periféricos, principalmente em células 
imunológicas 
Enquanto o THC é um agonista parcial dos receptores CB1, o CDB é um 
antagonista dos receptores CB1 e CB2 (o que explica o fato de estes 
canabinóides terem efeitos opostos no organismo). 
 
 
EFEITOS DA MACONHA 
 Os efeitos proporcionados pelo uso da maconha dependem de diversas 
variáveis, como: 
• Ambiente de uso 
• Estado emocional do indivíduo 
• Personalidade do usuário 
• Condições genéticas 
• Idade 
• Características da planta 
Os principais efeitos provocados pelo uso agudo da maconha são: 
• Emoções: relaxamento e leve euforia 
• Intensificação de experiências sensoriais 
• Alterações de memória, cognição e atenção 
• Alterações de percepção e da avaliação do tempo 
• Alterações fisiológicas 
o Taquicardia e aumento da PA 
o Enrubescimento de conjuntivas 
254 
 
o Boca seca e sede intensa 
o Aumento do apetite: normalmente ocorre quando o efeito da 
maconha começa a diminuir 
• Pode gerar crise de ansiedade ou quadros psicóticos transitórios 
 
LOCAL DE AÇÃO DA MACONHA 
Os efeitos causados pelo uso da maconha dependem dos locais nos quais 
a droga é capaz de agir. Os principais locais do SNC que contêm o receptor CB1 
são: 
• Córtex: explica a alteração da cognição 
• Amígdala: explica a alteração das emoções 
• Hipocampo: explica a alteração da memória 
• Matéria cinzenta periaquedutal: explica a alteração das emoções e 
analgesias 
• Cerebelo: explica as alterações no movimento 
• Núcleos da base: também explica as alterações de movimento 
• Núcleo accumbens: explica os efeitos hedônicos (relacionados ao prazer) 
 
MALEFÍCIOS DO USO 
 Os principais malefícios do uso da maconha são: 
• Efeito de adicção (causa desenvolvimento de vício): toda substância que 
age liberando dopamina na via mesolímbica causa adição, inclusive a 
maconha. 
• Malefícios do uso crônico: 
o Pode ser porta de entrada para o uso de outras drogas (não é 
regra, mas pode acontecer) 
o Alterações em bocas e dentes: devido à ação da fumaça quente 
o Alterações pulmonares e cardiovasculares: predispõe o 
desenvolvimento de inflamações e pode haver a liberação de 
substâncias cancerígenas, predispondo desta forma o 
desenvolvimento de DPOC e cânceres. Estes efeitos são 
estudados, não sendo ainda muito bem esclarecidos e definidos. 
o Pode predispor quadros de psicose: pode ser um fator de risco e 
um complicador das psicoses. Em alguns casos, o paciente possui 
a genética propensa ao desenvolvimento de psicoses, e o uso da 
maconha é o fator desencadeador do primeiro episódio psicótico. 
o Pode trazer diversos prejuízos cognitivos em relação à memória, 
atenção e função executiva (lentificação). 
 
 
255 
 
Uso na adolescência 
 62% dos pacientes que usam maconha tiveram o primeiro contato com a 
droga antes dos 18 anos. Este fato é especialmente preocupante pois durante a 
adolescência o indivíduo ainda se encontra na fase de neurodesenvolvimento,e o uso da maconha pode prejudicar este desenvolvimento. 
Além disso, o uso precoce da maconha na adolescência aumenta as 
chances do desenvolvimento de dependência. 
 
 
TRANSTORNOS PELO USO 
 Há sempre 3 fases do uso de qualquer droga: Intoxicação, Abstinência 
e Dependência. Estas fases podem ocorrer em períodos alternados em um 
mesmo paciente. 
 
Intoxicação 
 Esta fase tem relação com os efeitos agudos da maconha (os quais 
muitas vezes motivam o uso da droga). Em alguns pacientes, os sintomas 
fisiológicos podem ser mais exacerbados (apresentando taquicardia intensa, 
aumento da PA e sintomas psiquiátricos mais intensos), mas não é possível se 
alcançar uma overdose de maconha. Estes quadros de sintomas mais 
exacerbados são chamados de “bad trip”. 
 
 
 
256 
 
Tratamento da intoxicação 
 O tratamento dos casos de intoxicação mais exacerbados consiste em um 
tratamento sintomático: utiliza-se betabloqueadores (para controlar os 
sintomas de taquicardia, aumento da PA e tremores das mãos) e 
benzodiazepínicos ou antipsicóticos (para se controlar os sintomas 
psiquiátricos). Esta conduta de tratamento deve ser adotada se o paciente estiver 
intoxicado EXCLUSIVAMENTE pelo uso de maconha (se tiver usado cocaína e 
maconha, não pode usar beta-bloqueador; se tiver utilizado álcool e maconha, 
não pode usar BZD, etc.). 
 
Abstinência 
 A síndrome de abstinência ao uso da maconha é considerada um quadro 
raro, que normalmente ocorre após um uso muito pesado e/ou prolongado da 
droga. 
 O paciente com abstinência pode apresentar vários sintomas, como: 
• Raiva, agressividade, irritabilidade 
• Nervosismo ou ansiedade 
• Problemas com sono 
• Redução do apetite ou perda de peso 
• Humor deprimido 
• Sintomas físicos: dor abdominal, sudorese, tremores, febre e cefaleia 
Estes sintomas podem aparecer de maneira mais leve e podem durar 
poucos dias. Estas variações no efeito dependem da quantidade e do tipo de 
maconha que o indivíduo normalmente usava. 
 
Tratamento da abstinência 
O tratamento é sintomático combinado com a observação do paciente. 
Podem ser utilizados sedativos e hipnóticos para auxiliar no controle da 
ansiedade e na indução do sono. Nos quadros mais graves, podem ser utilizadas 
terapias substitutivas com derivados canabinoides, canabinoides sintéticos ou 
agonistas do receptor CB1. 
 
Dependência 
 Os pacientes usuários crônicos de maconha normalmente apresentam 
pouca crítica em relação ao uso, o que pode dificultar questões de tratamento e 
abandono do uso da droga. 
 Os padrões de uso patológico são classificados pelas seguintes 
características (segundo o DSM-5 de 2013): 
257 
 
• Critérios de baixo controle: 
o Se a droga é consumida em maior quantidade ou por um maior 
período de tempo do que o pretendido 
o Se há desejo persistente de se realizar o uso ou esforços 
malsucedidos no sentido de reduzir o uso da maconha 
o Se o indivíduo gasta muito tempo realizando a aquisição, o uso e 
a recuperação dos efeitos da droga 
o Se o paciente apresente fissura, um forte desejo ou necessidade 
de usar Cannabis 
 
 
• Critérios de prejuízo social: 
o Se o paciente passa a apresentar fracasso em desempenhar 
papéis importantes 
o Se o paciente passa a utilizar a droga apesar de problemas sociais 
ou interpessoais persistentes ou recorrentes 
o Se o paciente passa a abandonar atividades sociais, profissionais 
ou recreacionais devido ao uso da maconha (estreitamento de 
repertório) 
• Critérios de uso arriscado: 
o Se o indivíduo passa a utilizar a maconha mesmo em situações em 
que o uso representa perigo (ex.: está doente e precisaria ficar sem 
fumar (ex.: devido a uma infecção no pulmão), mas mesmo assim 
não consegue ficar sem) 
o Se o uso é mantido apesar de a consciência de ser um problema 
para o indivíduo 
• Critérios farmacológicos: presença de: 
o Tolerância: o paciente passa a necessitar de quantidades maiores 
de droga para apresentar os mesmos efeitos 
o Abstinência: a interrupção do uso passa a apresentar uma série de 
sintomas ao paciente 
 
258 
 
 Se o paciente apresenta 2 destes critérios, ele já pode ser caracterizado 
como quem apresenta uso patológico leve. Se o paciente apresenta de 4 a 5, 
classifica-se como uso patológico moderado. Se o paciente apresenta acima 
de 6 critérios, classifica-se como uso patológico grave (o qual provavelmente 
demandará um tratamento mais efetivo). 
 O paciente não necessariamente precisa realizar o uso diário da maconha 
para que o uso seja caracterizado como patológico. 
 
Tratamento da dependência 
 O tratamento da dependência é baseado na combinação de mediadas 
não farmacológicas e medidas farmacológicas. As medidas não 
farmacológicas são muito mais importantes e muito mais efetivas do que as 
medidas farmacológicas. 
• Medidas não farmacológicas: consistem principalmente na 
conscientização e convencimento do paciente de que ele se encontra em 
um quadro de uso patológico, e que o uso pode levar a prejuízos em sua 
saúde, sendo necessária a redução/extinção deste uso. As seguintes 
estratégias podem ser adotadas: 
o Manejo de contingências 
o Terapia cognitivo-comportamental 
o Entrevista motivacional 
o Estratégias de redução de danos 
 
• Medidas farmacológicas: os estudos relacionados ao tratamento 
farmacológico da maconha são bem controversos e muitos estão na fase 
inicial. Alguns dos fármacos que estão em teste são: 
o Rimonabanto 
o Sativex ou Dronabinol ou CDB/THC (terapias substitutivas) 
o Naltrexona 
o Buspirona 
o Clonidina 
o Ácido Valpróico 
o Lítio 
o Bupropiona 
o Atomoxetina 
o N- acetilcisteína 
 
259 
 
 
USO MEDICINAL DA MACONHA 
 As substâncias obtidas a partir da maconha podem ser utilizadas no 
tratamento de diversas doenças ou condições, como: 
• Esclerose múltipla 
• Epilepsia 
• Dor neuropática 
• Doença de Crohn 
• Artrite reumatoide 
• Anorexia associada ao HIV 
• Alzheimer 
• Efeito anti-inflamatório 
• Enjoos e náuseas 
• Efeito ansiolítico 
• Efeito antipsicótico 
O uso da maconha para estas finalidades citadas acima ainda é estudado, 
sendo controverso em alguns casos. Os quadros de esclerose múltipla e 
epilepsia (principalmente casos de epilepsia infantil refratária) são os que mais 
comprovadamente aproveitam-se do efeito medicinal da maconha. 
 
LEGALIZAÇÕES 
 O uso de medicamentos a base de maconha era permitido desde 2016, e 
a partir de 2019 a Anvisa permitiu a compra, a fabricação e a venda destes 
produtos à base de maconha no Brasil. A venda da erva, do cigarro, de alimentos 
à base de maconha ou de outros formatos da droga não foram permitidos. O 
cultivo não foi permitido, de modo que a planta deve ser importada para que os 
produtos sejam fabricados em território nacional. 
260 
 
 
 
 
261 
 
OPIOIDES 
 Não será abordado o uso terapêutico dos opioides para intubação, 
anestesia e analgesia. 
 Opioides são drogas derivadas do ópio (substância obtida a partir da 
Papaver somniferum, popularmente conhecida como papoula do Oriente). 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 A prevalência do uso de opioides no Brasil é muito baixa (0,09 a 0,23%). 
A dependência de opioides no Brasil é mais significativa em relação às drogas 
prescritas do que em relação aos opioides ilegais. 
 Nos EUA e em outros países, todavia, a dependência de opioides é um 
problema grave de saúde pública. Há uma forte relação entre o uso de opioides 
e a disseminação de doenças, visto que o uso desta droga é realizado 
principalmente por via endovenosa. 
 Os opioides são drogas que desenvolvem os fenômenos dependência e 
tolerância de maneira muito rápida. A diferença entre uma dose terapêutica e 
uma dose tóxica destas drogas é muito sutil. 
 
Uso entre os profissionais de saúde 
 No Brasil, a dependência de opioides entre os médicos é de 5% a 22%, 
ocorrendo principalmente entre os médicos que trabalham em UTIs e entre 
cirurgiões, devido

Mais conteúdos dessa disciplina