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Moluscos Carlos Henrique, Luiz, Natan De oliveira, Nathan Franco e Maisa São animais invertebrados; Filo Mollusca; Podem ser encontrados em ambiente terrestre e também em ambiente aquático; Todos os moluscos: Apresentam simetria bilateral; São triblásticos (apresentam três folhetos embrionários); São celomados (possuem uma cavidade corporal revestida por mesoderme e denominada de celoma); São protostômios (o blastóporo origina a boca). A organização corporal dos moluscos envolve três partes básicas: pé, massa visceral e manto. O pé é uma estrutura que ajuda o animal a se movimentar, escavar e se fixar no substrato. A massa visceral é a região onde estão localizados os órgãos internos do animal. O manto, por sua vez, é uma dobra de tecido que recobre a massa visceral, sendo responsável por produzir a concha naqueles moluscos que a possuem. Os moluscos na zooterapia: medicina tradicional e importância clínico-farmacológica Informações e Resumo do artigo Eraldo Medeiros Costa Neto Universidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Ciências Biológicas Setembro de 2006 Introdução Este artigo discute a participação dos moluscos como partedos elementos básicos nas práticas e crenças médicastradicionais. Também chama atenção para a importância clínico-farmacológica desses animais e para a pesquisa etnofarmacológica, que deve ser vista como umaferramenta útil na detecção de novos compostos bioativos,levando-se em consideração as formas tradicionais depreparo e administração dos medicamentos Os moluscos e as práticas tradicionais de cura: Malacoterapia Aruá: (Pomacea sp.), No Nordeste os ovos desse gastrópode são usados no tratamento da luxação dos pés, disenteria e doenças respiratórias. Quando aplicados como emplastro, ajudam na cicatrização de feridas. Ajuda no tratamento da asma quando consumido. Se for cozido, pode também auxiliar no tratamento de Hemorroidas, se aplicado no local Os ovos, quando feito uma massa, pode tratar acessos de tosse Sururu (Mytella falcata): O caldo feito a base das cascas era utilizado contra surdez Pomacea lineata: A desova pode ser usada para tratar “carnegão” Strophocheilus sp.: Parte mole pode tratar verrugas, dermatoses nos pés e, provavelmente, erisipela Cassis tuberosa: Utilização para “puxado do peito e cansaço” (afecções das vias respiratórias). Mytella charruana: Uso no tratamento de enfermidades oculares Ostra (Cassostrea rhizophorae): Propriedades medicinais em relação a ação cicatrizante, coagulante, fortificante e afrodisíaca Os caldos feitos de lambreta (L. pectinata) e tapu (Turbinella laevigata), a moqueca e o caldo feitos do taguari (Strombus pugilis), do rochelo (Pugilina morio) e da taioba (espécie não identificada) são tomados como afrodisíaco; A lesma (Strophocheilus sp.): É usada contra verrugas e rachaduras nos pés. Polvo (Octopus sp.): O defumador feito com o “couro” do polvo serve para tratar dores de cabeça, enquanto que o chá feito com o pó dos tentáculos torrados é indicado para casos de asma. Importância clínico-farmacológica A química de produtos naturais de duas classes de Mollusca, Amphineura (quítons) e Scaphopoda (dentes-de-elefante), ainda não foi explorada em nenhum nível. Entretanto, classes como Pelecypoda ou Bivalvia (ostras, mexilhões e mariscos) e Gastropoda (caracóis, caramujos e lesmas) foi consideravelmente investigada, sendo que a maioria dos estudos sobre produtos naturais de Mollusca se concentra nos Gastropoda. No grupo dos Gastropoda, a maior parte das pesquisas vem sendo realizada com a subclasse Opisthobranchia, que é constituída pelos caracóis sem concha. A espécie Dolabella auricularia, por exemplo, é fonte de mais de 15 peptídeos citotóxicos conhecidos como dolastatinas. Esses compostos apresentaram atividade antineoplásica em células leucêmicas linfocíticas, ou seja, são fármacos quimioterápicos utilizados no tratamento de algumas doenças, entre elas o câncer, que tem o papel de destruir células tumorais, com ação direta e indireta sobre elas. Já na subclasse Neogastropoda, as pesquisas se concentram em Conus, cujo "veneno" testado em camundongos tem toxinas proteicas que bloqueiam seletivamente diferentes subtipos e canais de íons de cálcio. Como exemplos de usos atuais de químicos originados de Moluscos, temos a Hapalochlaena maculosa, da classe Cephalopoda, que possui substâncias que atuam como bloqueadoras de impulsos nervosos, a espécie Perna canaliculus, da classe Bivalvia, mostrou atividade antiartrítica e anti-inflamatória. Além dessas espécies, também temos como exemplo de químico a ziconotida, extraída das toxinas de Conus, citada anteriormente, que é usada no tratamento de dor crônica. Por fim, temos os bivalves Arca inflata e Arca granosa, cujas conchas são usadas após serem fervidos, ou cozidos, aos pedaços ou na forma de pó, apresentaram bons resultados clínicos no tratamento de úlcera péptica, no entanto, episódios de infecção urinária, presença de hematúria e edema foram observados em alguns pacientes, que podem ter sidos causados através de uma obstrução renal em pacientes sensíveis devido ao alto teor de cálcio destes malacoterápicos. Conclusão O registro dos conhecimentos e práticas populares de saúde possibilita uma melhor compreensão da interação do ser humano com o meio ambiente, além de permitir a elaboração de estratégias adequadas para a conservação dos recursos naturais. É importante que os pesquisadores/cientistas parem com seu etnocentrismo e encarem a zooterapia sem preconceitos. Eles também devem considerar a pesquisa etnofarmacológica uma ferramenta na detecção de novos compostos bioativos. A zooterapia deve ser mais discutida em fins sustentáveis, com a taxa de extração não sendo superior à de renovação, dando preferência a utilização de recursos sintéticos no lugar de dizimar populações inteiras na natureza.