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COPYRIGHT © 2007 by@ MUNDI LTDA. PROPRIEDADE INTELECTUAL PROTEGIDA. PROIBIDA SUA REPRODUÇAO TOTAL OU PARCIAL
Máquinas
Elétricas I
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CAPÍTULO 01
ELEMENTOS DE MÁQUINAS SIMPLES
A habilidade de um engenheiro, de um projetista, de um
inventor, é a característica pessoal capaz de fazer com que
a necessidade de uma aplicação seja satisfeita através de
uma máquina. Essa máquina é a realização de uma ideia
através de um projeto construtivo.
Para que esse projeto seja realizado em uma máquina
é preciso que seus componentes sejam devidamente
dimensionados, de forma a garantir seu funcionamento,
mas que também não haja excesso de material ou de
investimento na sua construção.
No dimensionamento dos componentes de uma máquina
é que está a disciplina de elementos de máquinas,
sendo responsável pelo estudo de cada componente de
forma detalhada, indicando o tamanho, a localização, e
a forma como serão montadas. O dimensionamento dos
elementos de máquinas passa por várias etapas e revisões,
de forma a garantir o dimensionamento adequado e a
melhor opção para cada elemento.
Dentre os elementos mais comuns serão vistos:
• Roscas e Pinos;
• Cabos de Aço;
• Tambores;
• Polias;
• Ganchos;
• Suportes;
• Eixos;
• Árvores;
• Barramentos;
• Guias Lineares;
• Mancais de Deslizamento;
• Mancais de Rolamento;
• Acoplamentos;
• Correias;
• Engrenagens;
• Correntes de Transmissão.
Os elementos de máquinas são classificados de acordo
com sua função, sendo divididos em elementos de
máquina para fixação e elementos de máquinas de
transmissão.
No dimensionamento de elementos de máquinas são
consideradas algumas características que irão determinar
o dimensionamento e a seleção do elemento escolhido.
Algumas características são: Confiabilidade; Resistência;
Utilidade; Peso; Custo.
Para a correta escolha dos elementos é preciso que o
projetista tenha o conhecimento técnico básico para
os cálculos de resistência e dos conceitos básicos de
mecânica aplicada para compreender os esforços
envolvidos nos elementos e dessa maneira determinar a
forma, dimensões e materiais de cada elemento. Também
é preciso as propriedades fisicas dos materiais. Também
não se prescinde do bom senso, como em qualquer
atividade humana, especialmente para a tomada de
decisão de que fonte será usada e de que tipo de cálculo
será feito, podendo ser feito com o simples uso de um
catálogo ou uma forma mais aprofundada.
Os cuidados com os custos estão sempre presentes no
projeto, já que um dos objetivos é também um projeto
econômico.
Os processos de fabricação envolvidos são conhecimentos
que serão utilizados igualmente no projeto de um
componente ou de uma máquina.
De toda forma é necessário ter em mente que o elemento
deve resistir aos esforços envolvidos de modo a garantir o
bom funcionamento da máquina de uma forma segura e
com um custo adequado.
Grandezas vetoriais e escalares
Segundo Máximo e Alvarenga (2006), toda e qualquer
grandeza que fica completamente definida quando se
fornece seu valor é uma grandeza Escalar. Isso acontece,
por exemplo, quando citamos o volume de um recipiente
ou a temperatura em um determinado ambiente.
• Direção e sentido: Fazendo a análise das se guintes
retas, podemos tirar algumas con clusões a respeito
de seu sentido e direção (uma em relação à outra):
Figura 1.1 - Retas. Fonte: etb®, 2016.
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• R2 não é paralela a R1;
• R2 tem direção diferente de R1;
• R3 é paralela a R1, portanto ambas têm a mesma
direção.
Podemos concluir que toda reta parale la tem a mesma
direção e que se duas retas possuírem qualquer inclinação
que seja entre si, tem direções diferentes. Tendo agora
uma direção definida, segue análise da reta:
Figura 1.2 - Dois sentidos na mesma direção. Fonte: etb®,
2016.
Nesta reta podemos deslocar tanto de A para B, quanto
de B para A. Portanto, podemos definir que temos dois
sentidos possíveis nesta direção. Sendo assim, só é
admissível concluir que se tratando de traçar sentidos
opostos, só podemos estar falando de uma mesma
direção. Por exemplo: se em algum momento tratarmos
da direção horizontal, existem duas direções possíveis
(direita e esquerda).
Os conceitos de direção e sentido são muito importantes
quando se fala de grandezas vetoriais, pois uma grandeza
vetorial só está plenamente definida quando informamos
seu módulo, sentido e direção em que atua. As grandezas
vetoriais podem estar relacionadas a:
• Deslocamento;
• Força;
• Velocidade;
• Aceleração.
Figura 1.3 - Vetor de uma força. Fonte: etb@, 2016.
Representação de uma grandeza vetorial: Considerando
um veículo que se desloca de uma cidade A até B, sabemos
que, por uma questão geográfica e de características da
estrada, não há como traçar uma linha reta de uma cidade
até outra, então dizemos que esse caminho traçado se
trata da distância que o carro percorreu para chegar em
seu destino, e que essa distância é uma grandeza escalar,
pois as direções que o carro tomou para alcançá-la não
têm importância.
Entretanto, podemos dizer que a linha reta que existe
entre essas cidades representa o deslocamento de uma
a outra, e essa é uma grandeza vetorial, pois precisamos
definir uma direção e sentido para traçar essa reta de A
até B.
Existe uma forma correta de representar uma grandeza
vetorial e escalar. A flecha sob a letra que representa a
grandeza indica se ela é escalar ou vetorial:
: representa o vetor (módulo, direção e sentido)
d: representa apenas o módulo do vetor
Vínculos Estruturais
Segundo Hasse (2012), vínculos estruturais são apoios
para os elementos de construção que impedem os
movimentos de uma estrutura. Existem três tipos
diferentes de vínculos:
• Vínculo Simples ou Móvel:
O vínculo simples impede somente a movi mentação na
direção normal ao plano de apoio, fornecendo assim
uma única reação (normal ao plano de apoio), como o
exemplo a seguir:
Figura 1.4 - Representação gráfica do vínculo simples ou
móvel. Fonte: etb®, 2016.
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• Vínculo Duplo ou Fixo:
Impossibilita o movimento de translação em duas
direções: na normal e paralela ao plano de apoio,
podendo desta forma fornecer duas reações de apoio,
como mostrado na figura a seguir referente a esse tipo
de apoio:
Figura 1.5 - Representação gráfica do vínculo duplo ou
fixo. Fonte: etb®, 2016.
• Engastamento:
Esse tipo de vínculo impede a translação da estrutura
para qualquer direção, assim como a rotação, gerando um
contramovimento, que não permite que o plano gire em
torno de um ponto fixo, como mostra o exemplo da figura
a seguir:
Figura 1.6 - Representação gráfica do engastamento.
Fonte: etb®, 2016.
A partir dos tipos de vínculos conhecidos anteriormente,
podemos montar estruturas, que podem ser de três tipos:
• Estruturas Hipostáticas: são muito instáveis, levando
a uma estaticidade por possuírem mais incógnitas do
que equações, sendo assim muito pouco estudadas.
• Estruturas Isostáticas: Possuem as equações
necessárias para restringirem quaisquer movimentos
da estrutura, ou seja, a estrutura encontra-se estática,
ideal para o estudo das reações.
• Estruturas Hiperestáticas: Não possuem reações da
estática suficientes para calcularem as reações nos
apoios.
ESFORÇOS MECÂNICOS
Equilíbrio de forças e momento
Momento
Segundo Antônio Máximo e Beatriz Alva renga (2008),
supondo quetenhamos um pon to fixo “O” em um corpo
rígido, aplicando uma força “F” em um ponto a uma
distância “d” desse mesmo ponto fixo, fica claro que
haverá rotação desse corpo em torno do ponto fixo.
Figura 1.7 - Força “F” aplicando torque em relação ao
ponto “O”. Fonte: etb@, 2016.
Em experimentos, podemos verificar que quanto maior a
distância entre o ponto fixo e o ponto de aplicação das
forças ou a força aplicada, mais acentuada será a rotação do
corpo rígido. Tendo essa situação, os físicos denominaram
essa grandeza como torque ou momento. Para medir o
efeito de rotação de uma força, foi descoberta a seguinte
relação:
M = F . d
Considera-se nessa equação que o momento M de uma
força “F’’, atuante em um corpo rígido, é igual ao módulo
dessa força multiplicado pela distância “d” entre o ponto
fixo de rotação e o ponto de aplicação da força.
Equílíbrio de forças
Na física clássica, o equilíbrio de forças é entendido como
a soma de forças atuantes sobre determinado corpo em
repouso, considerando que a resultante dessas forças tem
módulo igual a zero. Isso significa que qualquer corpo que
possua movimento acelerado ou não está desprovido de
forças atuando em si, ou as mesmas se anulam, levando
em conta o sen tido e direção em que atuam no dado
corpo.
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A figura anterior exemplifica uma situação de equilíbrio
de rotação pela atuação das forças F1 e F2, opostas entre
si. A força F2 produz rotação da barra em torno do ponto
“O’’, em contrapartida a força F1 e em direção e sentido
oposto a F2, que tende a anular o torque pro duzido,
mantendo assim a barra parada e em equilíbrio.
No entanto, as distâncias entre os pontos nos quais as
forças são aplicadas são diferentes. Isso se justifica pelo
fato de que não necessariamente as forças devem ser
iguais para se anularem, e sim os momentos gerados
por cada uma. Apesar da distância d1 ser menor que d2,
certamente F1 é maior que F2. Veja o esquema:
M = F . d;
M1 = M2;
M1 = F1 .d1 e M2 = F2 . d2;
Portanto:
F1 .d1 = F2 . d2
Segundo Máximo e Alvarenga (2008), quando um
corpo rígido está em equilíbrio, as forças que atuam
nele possuem módulo e di reções que devem obedecer
as seguintes con dições: ∑Fx = 0, ∑Fy = 0 e ∑M = 0,
conside rando:
∑Fx = Somatório das forças no eixo x do pla no cartesiano
∑Fy = Somatório das forças no eixo y do pla no cartesiano
∑M = Somatório dos momentos gerados no corpo rígido
Figura 1.8 - Equilíbrio de rotação em uma barra. Fonte:
etb®, 2016.
Figura 1.9 - Condição de Equilíbrio de um corpo rígido:
Fl, F2, F3 e F4 se anulam segundo as regras de equilíbrio.
Fonte: etb®, 2016.
Com o estudo dos momentos de força, foram
possíveis vários avanços na utilização de ferramentas,
principalmente com o princípio de alavanca, que
determina que é possível reduzir os esforços aplicados em
uma atividade. Um exemplo de utilização de alavancas é
o içamento de matérias pesados, como mostra a figura a
seguir:
Figura 1.10 - Forças em içamento de bloco. Fonte: etb®,
2016.
Como é possível observar, a força F1 utilizada pelo homem
é menor que F2 (que representa o peso do bloco), porém
a sustentação do bloco torna-se possível pelo fato do
homem estar usando uma alavanca, que vai aumentar a
distância entre o ponto fixo “O” e o ponto no qual ele aplica
a força. Assim, o homem consegue produzir um momento
de módulo suficiente para igualar o momento gerado pelo
bloco, ou até mesmo superá-lo e gerar rotação na haste e
fazer com que o bloco adquira movimento e suba.
TRAÇÃO
A tração pode ser definida como sendo a força aplicada
sobre um corpo numa direção perpendicular à sua
superfície de corte que provavelmente resultará em sua
ruptura.
Figura 1.11 - Barra sujeita a forças de tração F (em
vermelho) nas duas extremidades (na direção X). Fonte:
etb®, 2016.
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A tração faz com que a peça tenda a se alongar no sen-
tido da força, aumentar seu comprimento e diminuir a
área de sua seção transversal. Observe na figura a seguir
a ten dência de alongamento do material em função da
tração exercida:
Figura 1.12 - Alongamento em função da Tração. Fonte:
etb®, 2016.
Como mostra a figura anterior, após aplicação das forças
F, o comprimento L sofre variação, aumentando de
tamanho. Em contrapartida, ocorre a redução da seção
transversal.
Na maioria das situações, são cabos de aço, cordas e
demais produtos semelhantes que são submetidos a
esforços de tração. Nesse caso, segundo Domiciano
Marques, outra forma de medir a força de tração de um
objeto ou corpo é igualando a tração com o peso. Sob um
corpo suspenso, atua somente a força de tração e a força
peso.
Figura 1.13 - Forças de Tensão e Peso. . Fonte: etb®, 2016.
De acordo com a segunda Lei de Newton, temos:
FR=m.a
Como o corpo se encontra equilibrado, a aceleração
é zero.
FR=0
T-P=O => T=P => T=m.g
Assim, concluímos que a tração é o próprio peso do corpo
nesse caso.
Um exemplo simples de corpo submetido aos esforços de
tração é o do cabo dos elevado res, tracionado pelo peso
do elevador e de seus ocupantes e pelo motor e aparatos
que o puxam ou o mantém estático em determinada
posição.
Podemos verificar a atuação das forças de tração nos mais
diversos tipos de construções, máquinas e ferramentas.
Existem meios de testar a resistência de um material em
relação à tração, verificando se ele pode realmente ser
submetido a determinado esforço e se resiste sem romper
ou deformar ao ser submetido a um esforço. Chamados
de Ensaios de Tração, esses testes podem ainda mensurar
e registrar em forma de gráfico a resistência à tração de
vários materiais.
ENSAIO DE TRAÇÃO
No ensaio de tração, submete-se um corpo de prova
de geometria padronizada por normas a um esforço
crescente na direção axial do corpo de prova, levando-o
a se romper. Os esforços utilizados para realização do
ensaio são medidos na própria máquina.
O equipamento utilizado para a realização do ensaio de
tração possui basicamente um dispositivo de fixação
do corpo de prova acoplado a uma máquina, dotada de
sistema eletromecânico ou hidráulico para aplicação de
forças crescentes de tração.
O ensaio de tração é feito em corpos de prova de dimensões
padronizadas por normas nacionais e internacionais.
Confira a seguir modelos comuns de corpos de prova para
ensaio de tração.
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Figura 1.14 - Corpos de Prova. Fonte: etb@, 2016.
A capacidade do equipamento de ensaio influencia
diretamente na escolha das dimensões do corpo de prova.
O corpo de prova é constituído de cabeças (uma em cada
extremidade) e parte útil.
As cabeças são utilizadas para fixar o corpo de prova no
equipamento de ensaio. A parte útil é a secção reduzida
do corpo de prova na qual acontece o “afinamento” do
material até sua ruptura na parte útil serão feitas as
diversas medições para obtenção dos resultados.
Obtém-se como resultado do ensaio a curva tensão/
deformação por meio de medições da força aplicada e da
variação do corpo de prova.
Figura 1.15 - Curva Tensão/Deformação. Fonte: etb®,
2016.
A tensão a é calculada dividindo a força F (ou carga
aplicada) pela área da secção inicial da parte útil do corpo
de prova, S0.
σ = F
S0
A deformação ou alongamento é a variação de
comprimento entre dois pontos do corpo de prova.
Geralmente, é expressa em porcentagem e seu cálculo
se dá dividindo a variação de comprimento inicial e final
medido entre dois pontos (A€) pelo próprio comprimento
inicial(L0).
ϵ=Δl= L-L0
L0 L0
A avaliação dos resultados é feita pela comparação entre
os valores das proprieda des mecânicas do material
obtidos no ensaio de tração e os valores mínimos
especificados pelas normas vigentes. Quando os valores
das propriedades atenderem aos valores mínimos
conforme determinam as normas, o material testado é
considerado aprovado.
COMPRESSÃO
A compressão é resultado da aplicação de uma força de
compressão a um material, resultando em uma redução
em seu volume quando a força utilizada for suficiente.
Sendo exatamente o contrário da tração, quando aplicada
uma força axial, o material tende a aumentar sua seção
transversal e reduzir seu comprimento.
Um exemplo característico de objeto submetido a esforços
de compressão são as colunas dos prédios, que recebem,
com a mesma direção de seu eixo, as cargas acima delas.
A compressão ocorre quando a força axial aplicada estiver
atuando com o sentido dirigido para o interior da peça.
Por exemplo: uma pequena chapa de aço engastada em
uma morsa, sendo gradativamente comprimida pelos dois
engastes, estará recebendo forças com direções opostas
apontando para seu interior.
Quando submetemos um corpo de prova à compressão,
nos primeiros instantes ocorrerá a deformação, período
no qual pode haver deformação tanto da tração quanto da
compressão, podendo o material após essa fase retornar
à sua forma original.
No entanto, quando atinge sua tensão de escoamento,
a peça passará a entrar em sua deformação plástica
e o material será deformado permanentemente. A
compressão acontece quando a peça estiver sendo
"empurrada", ao contrário da tração, situação em que ela
está sendo "puxada".
Os cálculos para obtenção da tensão e da deformação
são muito parecidos com os do en saio de tração. Observe
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a seguir uma tabela com cálculos para obtenção desses
cálculos.
Tabela 1.1 - Cálculos de Tensão e Deformação.
Fórmula Significado
T = F
S
T - tensão de compressão
F - força de compressão
S - área da seção do corpo
ϵ=L0 - Lf
L0
- deformação
Lo - Lf - variação do
comprimento do corpo
Lo - comprimento inicial do
corpo
Fonte: Adaptado de Curso Técnico de Mecânica 2005.
O ensaio de compressão possui algumas limitações.
Ele não é muito utilizado para os metais em razão das
dificuldades para medir as propriedades desejadas. Os
valores possuem interpretação complexa, podendo levar
a erros. O atrito entre o corpo de prova e as placas da
máquina de ensaio é um problema comum, barrando a
deformação lateral do corpo de prova. As faces superior
e inferior do corpo de prova são revestidas com materiais
de baixo atrito (como parafina e teflon) para minimizar ao
máximo esse problema.
Outra questão é a possível ocorrência do encurvamento do
corpo de prova, a flambagem, decorrente da instabilidade
na compressão do metal dúctil. O encurvamento
dependerá da forma como a peça for comprimida.
Figura 1.16 - Curva Tensão/Deformação. Fonte: etb®,
2016.
Os cientistas podem utilizar máquinas para induzir a
compressão. Esse tipo de experimento é chamado de
ensaio de compressão, sendo utilizado para comprovar as
características mecânicas de uma peça, descobrindo assim
a que tensão ela sofrerá uma ruptura. Caracterizam-se
como ensaios destrutivos, considerando que a peça fica
normalmente inutilizada após o ensaio.
ENSAIO DE COMPRESSÃO
Quando se deseja especificar características de um
determinado material (como resistência à compressão)
que não se deforme facilmente e garanta boa precisão
dimensional, deve-se recorrer ao ensaio de compressão,
principalmente quando se trata de materiais frágeis,
como ferro fundido, madeira, pedra e concreto. Esse
procedimento é também recomendado para produtos
acabados, como molas e tubos.
Figura 1.17 - Ensaio de compressão Fonte: etb®, 2016.
Nos ensaios de compressão, é necessário que sob os
corpos de prova seja aplicada uma força axial para dentro,
distribuída de modo uniforme em toda a seção transversal
do corpo de prova.
O ensaio de compressão pode ser executado na máquina
universal de ensaios com a adaptação de duas placas. É
entre elas que o corpo de prova é apoiado e fixo para que
haja adequada compressão do mesmo.
Um corpo submetido à compressão também sofre uma
deformação elástica e, em seguida, uma deformação
plástica, assim como na tração. Na fase de formação
elástica, o corpo volta ao tamanho original quando se
retira a carga de compressão.
Na fase de deformação plástica, o material ficará
permanentemente deformado depois de ser descarregado.
As figuras a seguir demonstram respectivamente os
efeitos do ensaio de compressão deformando o material
elasticamente e plasticamente:
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Figura 1.18 - Deformação elástica. Fonte: Adaptado de
Curso Técnico de Mecânica do SENAI, 2005.
Figura 1.19 - Deformação plástica. Fonte: Adaptado de
Curso Técnico de Mecânica do SENAI, 2005.
O Ensaio de compressão é mais indicado em determinadas
situações e para determinados materiais, tais como:
• Materiais frágeis: ferro fundido, madeira, concreto,
etc.;
• Materiais cerâmicos: construção civil (concreto,
tijolos, etc.);
Cerâmicos possuem maior resistência a compressão do
que atração em até 100 vezes, sendo também utilizados
para materiais plástico e compósitos.
No ensaio de compressão, o corpo de prova pode se
comportar de maneira diferente, de acordo com a situação
na qual esteja submetido. Observe a seguir algumas
deformações características decorrentes do ensaio:
Figura 1.20 - Tipos de deformação. Fonte: do autor, adaptação etb@, 2015.
O ensaio de compressão pode ser feito em um equipamento
universal de ensaios ou ter um equipamento específico.
CISALHAMENTO PURO
No caso de metais, podemos praticar o cisalhamento
com tesouras, prensas de corte, dispositivos especiais ou
simplesmente aplicando esforços que resultem em forças
cortantes. Ao ocorrer o corte, as partes se movimentam
paralelamente, por escorregamento e uma sobre a
outra, separando-se. A esse fenômeno damos o nome de
cisalhamento.
A resistência ao cisalhamento é uma característica que
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todo material possui, e conhecer o quanto o material
resiste é importantíssimo para atividades como recorte
de metais, estamparia, caldeiraria e utilização de rebites,
pois essas atividades são bons exemplos de situações nas
quais a força cisalhante é o esforço mais importante.
A força de cisalhamento é aplicada no plano da seção
transversal (plano de tensão, e em resposta ao esforço de
corte, haverá uma resistência ao cisalhamento).
Ensaio de cisalhamento - Trata-se de todo processo de
conformação que for imposto a um material e que causará
variações na resistência ao cisalhamento do mesmo. Por
esse motivo é mais comum que materiais já acabados
(como pinos, rebites, parafusos, cordões de solda, barras
e chapas) sejam submetidos ao ensaio de cisalhamento.
Sendo assim, não faz sentido existirem normas que ditem
diretrizes para o ensaio, pois cada empresa define o seu
próprio procedimento e critérios de aceitação.
Na execução do ensaio (como no ensaio de tração e
compressão), a força cisalhante que atingirá o corpo de
prova deverá ser aplicada lentamente para não afetar os
resultados do ensaio. Normalmente, o ensaio é realizado
na máquina universal de ensaios, que permite a adaptação
de alguns dispositivos dependendo do tipo de produto a
ser ensaiado. Normalmente, são ensaiados pinos, rebitese parafusos. Vejamos o esquema representado na figura
a seguir:
Figura 1.21 - Esquema de cisalhamento de pino. Fonte: do
autor, adaptação etb®, 2016.
Para calcular a tensão de cisalhamento (TC) usamos a
seguinte fórmula:
TC = F
S
Nessa operação, a força F cortante deve ser dividida pela
área S da seção transversal do corpo de prova.
FLEXÃO
A flexão é definida como a ação de uma ou mais forças
atuando sob um determinado corpo, tendendo a
deformá-lo em função da forma como esse corpo está
apoiado, conforme observado no exemplo a seguir de
corpos apoiados, respectivamente, sob dois e um ponto.
Figura 1.22 - Flexão em corpos. Fonte: do autor, adaptação
etb®, 2016.
A força F que atua sob um corpo causando flexão tenderá
a comprimir uma região desse corpo, fazendo ainda com
que a área seja tracionada. Entre essas duas regiões,
uma linha neutra não sofrerá alteração nenhuma de suas
dimensões. Em materiais homogêneos, a linha neutra
fica a igual distância das superficies externas inferior e
superior a do corpo ensaiado.
Figura 1.23 - Flexão em corpos. Fonte: do autor, adaptação
etb®, 2016.
A flexão e dobramento de um material são duas etapas de
um mesmo processo, pois se durante o esforço o material
deformar apenas elasticamente, quando ele ainda pode
retornar às suas dimensões originais, se encontra em
processo de flexão, e se o material deformar plasticamente,
há a deformação permanente das dimensões do corpo.
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Esse processo tem o nome de dobramento.
Existem algumas diferenças básicas quanto a aplicação
de ensaio de tração e de dobramento, como podemos
observar a seguir:
• Ensaio de Flexão - materiais de alta resistência.
• Ensaio de dobramento - materiais dúcteis.
O ensaio de flexão e o ensaio de dobramento utilizam
praticamente a mesma montagem, adaptada à máquina
universal de ensaios:
Dois roletes, com diâmetros determinados em função
do corpo de prova e que funcionam como apoios estão
afastados entre si a uma distância preestabelecida. Um
cutelo semicilíndrico é ajustado na parte superior da
máquina de ensaios.
• Ensaio de dobramento: O ensaio consiste em
dobrar um corpo de prova de eixo retilíneo e seção
circular (maciça ou tubular), retangular ou quadrada,
assentado em dois apoios afastados a uma distância
especificada, de acordo com o tamanho do corpo de
prova e por meio de um cutelo, que aplica um esforço
perpendicular ao eixo do corpo de prova, até que seja
atingido um ângulo desejado.
• Ensaio de flexão: É realizado em materiais frágeis
e resistentes, como o ferro fundido, alguns aços,
estruturas de concreto e outros materiais que em seu
uso são submetidos a situações nas quais o principal
esforço é o de flexão.
A diferença em relação ao ensaio de dobramento é que se
coloca um extensômetro no centro e embaixo do corpo
de prova para fornecer a medida de formação flecha
correspondente à posição de flexão máxima.
Nos materiais frágeis, as flechas medidas são muito
pequenas. Consequentemente, para determinar a tensão
de flexão, utilizamos a carga que provoca a fratura do
corpo de prova.
MOMENTO FLETOR
Aplicando um esforço próximo a um dos apoios de
uma barra, a flexão da barra será pequena. Porém, se
nos aproximarmos do centro da barra, a flexão vai ser
máxima, pois estaremos na distância média entre os
pontos de apoio, fazendo com que a tendência de girar a
barra em torno dos pontos fixos seja máxima. O momento
alcançará seu maior valor nesse sistema.
Figura 1.24 - Momento fletor. Fonte: do autor, adaptação etb®, 2016.
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O produto da força pela distância do ponto de aplicação
da força ao ponto de apoio origina o que chamamos de
momento, que no caso da flexão é o momento fletor (Mf).
Nos ensaios de flexão, a força é sempre aplicada na região
média do corpo de prova e se distribui uniformemente
pelo corpo. Na fórmula para calcular o momento fletor,
considera-se a metade do valor da força e a metade
do comprimento útil do corpo de prova. A fórmula
matemática para calcular o momento fletor é:
Mf= F x L → Mf = FL
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Outro elemento é o momento de inércia da seção
transversal. Deve-se ressaltar que as dimensões do
material influenciam muito sua resistência à flexão. O
exemplo a seguir auxilia a entender melhor esse conceito:
Figura 1.25 - Régua apoiada. Fonte: do autor;
adaptação etb®, 2016.
Figura 1.26 - Régua apoiada. Fonte: do autor,
adaptação etb®, 2016.
Existem momentos de inércia diferentes em relação à
forma com que a régua foi apoia da. Podemos perceber isso
quando a variação da flexão da régua no primeiro caso foi
mui to maior do que no segundo. O momento de inércia
(J) é calculado pelas seguintes fórmulas matemáticas:
• Corpos de seção circular:
• Corpos de seção retangular:
TORÇÃO
Diferente da compressão, da tração e do cisalhamento,
que são esforços aplicados no sentido longitudinal ou
transversal, a torção é um esforço aplicado no sentido de
rotação.
Figura 1.27 - Torção em um corpo. Fonte: do
autor, adaptação etb®, 2016.
Para obter as propriedades do material através do
ensaio de tração, são necessários cálculos matemáticos
complexos.
Na torção, uma parte do material está sendo tracionada e
outra parte é comprimida. Geralmente, podemos usar os
dados do ensaio de tração para prever o comportamento
de um material em um ensaio de tração.
O corpo tenderá a girar no sentido da força e, como
a outra extremidade está fixa, ele sofrerá uma torção
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sobre seu próprio eixo. Se um certo limite de torção for
ultrapassado, o corpo se romperá.
Momento de uma força é o produto da intensidade da
força (F) pela distância do ponto de aplicação ao eixo do
corpo sobre o qual a força está sendo aplicada (C).
Em linguagem matemática, o momento de uma força (Mf)
pode ser expresso pela fórmula.
Mf = F X C
De acordo com o Sistema Internacional de Unidades (SI),
Figura 1.28 - Torção em um corpo. Fonte: do autor, adaptação etb®, 2016.
O ensaio de torção é bastante utilizado para verificar
o comportamento de eixos de transmissão, barras de
torção, partes de motor e outros sistemas sujeitos aos
esforços de torção. É interessante, para se obter melhores
resultados, que sejam ensaiados os próprios produtos
acabados.
Para melhor precisão do ensaio, utilizam-se corpos de
prova de seção circular cheia ou va zada, isso é, barras
ou tubos. Esses últimos de vem ter um mandril interno
para impedir ambos samentos pelas garras do aparelho
de ensaio.
Não são somente peças com seção circular que são
ensaiadas, pois em situações diferen ciadas são utilizadas
peças com outras formas de seção.
Normalmente, as dimensões não são pa dronizadas,
pois raramente se escolhe esse en saio como critério
de qualidade de um material, a não ser em situações
especiais, como para verificar os efeitos de vários tipos de
tratamentos térmicos em aços, principalmente naqueles
em que a superfície do corpo de prova ou da peça é a mais
atingida.
a unidade de momento é o newton metro (Nm). Quando
se trata de um es forço de torção, o momento de torção
(ou mo mento torsor) é também chamado de torque.
Semelhante ao ensaio de tração, o ensaio de torção
determina as seguintes propriedade do material, porém
todos em relação ao esfor ço de tração:
• Momento máximo;
• Momento de ruptura;
• Limite de escoamento;
• Limite de proporcionalidade.
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CAPÍTULO 02
MAGNETISMO
Introdução
Os gregos já sabiam, há mais de 2000 anos, que certas
pedras da região da Magnésia (na Ásia Menor) se atraíam
e também atraíam pedaços de ferro.
Essas pedras são conhecidas hoje como Magnetista.
As primeiras experiências com o magnetismo
referiam-se, principalmente, ao comportamento dos
ímãs permanentes. Na China, observou-se durante o
século I a.c. que um imã suspenso por um fio, alinha-se,
aproximadamente, na direção norte-sul terrestre. Isso
deu origem à bússola.
A bússola é simplesmente um ímã permanente em forma
de agulha, suspenso no seu centro de gravidade e que
pode girar livremente sobre um eixo para indicar a direção
geográfica norte-sul. O lado da agulha que aponta para
o norte geográfico convencionou-se a ser chamado de
norte magnético. Não se sabe quando a bússola foi usada
pela primeira vez na navegação, mas existem referências
escritas sobre esse uso que datam do século XII.
Em 1260, o francês Petrus Peregrinus observou que as
extremidades de um imã pos suem um poder maior de
atração pelo ferro: são os polos magnéticos. Ele também
obser vou que os polos não existem separadamente.
Em 1269, Pierre de Maricourt fez uma im portante
descoberta ao colocar uma agulha so bre um ímã esférico
natural em várias posições e marcou as direções de
equilíbrio da agulha. Descobriu então que as linhas
envolviam o ímã, da mesma forma que os meridianos
en volviam a Terra, e passavam por dois pontos situados
sobre as extremidades de um diâme tro da esfera.
Em virtude da analogia com os meridianos terrestres,
esses dois pontos foram denomi nados de polos do ímã.
Muitos observadores verificaram que, qualquer que fosse
a forma do ímã, sempre existiam dois polos: um polo norte
e um polo sul, no qual a força do ímã era mais intensa.
Os polos de mesmo nome de dois ímãs repeliam-se e os
de nome oposto atraiam-se. A figura a seguir ilustra essa
situação observada.
Figura 2.1 - Atração e repulsão magnética. Fonte: etb®, 2016.
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Em 1600, William Gilbert, fisico e médico da corte da
rainha Elizabeth IdaInglaterra, descobriu a razão pela qual
a agulha de uma bússola orienta-se em direções definidas:
a própria Terra era um ímã permanente. Quando o polo
norte da agulha da bússola é atraído para o polo norte
geográfico, esse polo norte geográfico da Terra é, na
realidade, um polo sul magnético.
Os polos geográficos e magnéticos da terra não coincidem
exatamente. O ângulo entre eles é chamado de declinação
magnética. A declinação magnética e a intensidade do
campo magnético terrestre variam lentamente ao longo
de milhões de anos.
A atração e a repulsão dos polos magnéticos foram
estudadas quantitativamente em 1750 por John Michell.
Usando uma balança de torção, Michell mostrou que a
atração e a repulsão dos polos de dois ímãs tinham igual
intensidade e variavam inversamente com o quadrado
da distância entre os polos. Esses resultados foram
confirmados pouco depois por Coulomb.
A lei da força entre dois polos magnéticos é semelhante a
existente entre duas cargas elétricas, mas há uma diferença
importante: os polos magnéticos ocorrem sempre aos
pares. É impossível isolar um único polo magnético. Se
um ímã for quebrado ao meio, aparecem polos iguais
e opostos no ponto de fratura, de modo que se formam
dois novos ímãs, com polos iguais e opostos. Coulomb
explicou esse resultado, admitindo que o magnetismo
estava contido em cada molécula do ímã.
Em 1920 foram desenvolvidos ímãs de maior capacidade
com ligas de alnico (compostas por alumínio, níquel e
cobalto), que retêm um magnetismo muito intenso e
são usados na fabricação de alto-falantes, por exemplo.
Vinte anos depois, grandes avanços foram feitos no
desenvolvimento de ímãs cerâmicos orientados (ferrites)
feitos com ligas de Manganês e Zinco (MnZn), níquel e
zinco (NiZn).
No ano de 1970 foram obtidos impressionantes aumentos
de forças magnéticas a partir de ligas de samário cobalto
(terras raras), mas com custos elevados. Em 1980, da
família das terras raras, os ímãs de neodímio-ferro-boro
surgiram com capacidades magnéticas ainda maiores
e com custos menores, porém muito sensíveis a
temperaturas elevadas.
Hoje, o magnetismo tem importância fundamental em
quase todos os equipamentos eletroeletrônicos mais
usados na indústria, no comércio, nas residências e
na pesquisa. Geradores de energia, motores elétricos,
transformadores, disjuntores, televisores, computadores,
videocassetes, discos rígidos de computadores
(HDs), telefones, cartões magnéticos e muitos
outros equipamentos usam efeitos magnéticos para
desempenhar uma série de funções importantes. (Texto
extraído e adaptado de: TIPLER, P. A.; Física vol. 2, 2a ed.,
Ed. Guanabara Dois, 1982).
A ORIGEM DO MAGNETISMO
O magnetismo é a expressão de uma forma de energia,
normalmente associada a forças de atração e de repulsão
entre alguns tipos particulares de materiais, chamados
de ímãs. Os ímãs naturais encontrados na natureza,
chamados de magnetitas, são compostos por óxido de
ferro (Fe304).
Os ímãs artificiais são materiais geralmente compostos
de metais e ligas cerâmicas, aos quais se transmitem as
propriedades magnéticas e que podem ser temporários
ou permanentes. Os temporários são fabricados com
ferro doce (mais puro), e os permanentes são produzidos
com ligas de aço (ferro e carbono), geralmente contendo
níquel ou cobalto.
Não é ainda completamente conhecida a natureza das
forças magnéticas de atração e repulsão, embora
conheçamos as leis que orientam suas ações e como
utilizá-las.
Assim como qualquer forma de energia, o magnetismo
é originado na estrutura física da matéria, ou seja, no
átomo. O elétron gira sobre seu eixo (spin eletrônico) e ao
redor do núcleo de um átomo (rotação orbital).
Na maioria dos materiais, a combinação entre direção e
sentido dos efeitos magnéticos gerados pelos seus elétrons
tem um resultado nulo, originando uma compensação e
produzindo um átomo magneticamente neutro.
No entanto, pode acontecer uma resultante magnética
quando uma quantidade de elétrons gira em um sentido
e um número menor de elétrons giram em outro. É o caso
do átomo de ferro. Embora exista, de fato, um movimento
de cargas elétricas em nível atômico, a corrente elétrica
(fluxo ordenado de elétrons) não está presente nos ímãs.
Não devemos confundir esses dois fenômenos.
Figura 2.2 - Movimentos dos elétrons no
átomo. Fonte: etb®, 2016.
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Assim, muitos dos elétrons dos átomos dos ímãs, girando
ao redor de seus núcleos em direções determinadas e
em torno de seus próprios eixos, produzem um efeito
magnético em uma mesma direção. Resulta, então,
na expressão magnética externa. Essa expressão é
conhecida como campo magnético permanente e é
representado pelas linhas de campo, como será estudado
posteriormente.
Figura 2.3 - Átomo de ferro magnetizado.
Fonte: etb®,2016.
Teoria de Weber
Em 1260, o francês Petrus Peregrinus observou que os
polos de um imã não existem separadamente. Cortando-se
um imã em duas partes iguais, que por sua vez podem ser
divididas novamente em outras, observa-se que cada uma
dessas partes constitui um novo imã que, embora menor,
tem sempre dois polos.
É possível continuar esse processo de divisão, até que
chega-se a um ponto em que encontra-se o átomo ou
molécula do material de que ele é feito. Cada átomo ou
molécula do imã possui propriedades magnéticas devido
à orientação dosseus spins. Esses átomos ou moléculas
reúnem-se em pequenos conjuntos de mesma orientação,
denominados imãs elementares.
A teoria mais popular do magnetismo considera este
alinhamento atômico ou molecular do material. Isso é
conhecido como teoria de Weber. Esta teoria assume que
toda substância magnética é composta de ímãs muito
pequenos, chamados de ímãs elementares.
Qualquer material não magnetizado tem as forças
magnéticas de seus ímãs elementares neutralizados pelos
ímãs elementares adjacentes, eliminando assim algum
efeito magnético possível.
Figura 2.4 - Inseparabilidae dos polos de um
imã (a) e outro imã elementar (b). Fonte: etb®,
2016.
Um material magnetizado terá a maioria de seus ímãs
elementares organizados em fileiras, com o polo norte de
cada átomo ou molécula apontando em uma direção e
a face do polo sul em direção oposta. Um material com
átomos ou moléculas alinhadas dessa maneira terá polos
magnéticos efetivos.
Uma ilustração da teoria de Weber é mostrada na figura a
seguir, na qual uma barra de ferro é magnetizada quando
submetida a um campo magnético externo, resultando no
alinhamento de seus ímãs elementares.
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Figura 2.5 - Barra de ferro sendo magnetizada.
Fonte: etb®, 2016.
Um material apresenta propriedades magnéticas quando
há uma predominância de imãs elementares orientados
sobre os não orientados. Assim, genericamente, pode-se
dizer que:
• Materiais magnéticos: são aqueles que permitem a
orientação dos seus imãs elementares. Exemplos:
ferro, níquel e algumas ligas metálicas, como o aço.
• Materiais não-magnéticos: não permitem a orientação
dos seus imãs elementares. Exemplos: alumínio,
madeira e plástico.
Teoria dos domínios magnéticos
Nos materiais com melhores características magnéticas de
estrutura cristalina, além de alguns átomos apresentarem
resultante magnética, eles se concentram em regiões
de mesma direção magnética. Isso é chamado de
acoplamento de troca.
Isso significa que um exame microscópico revela que um
imã é, na verdade, composto por pequenas regiões, na
sua maioria com 1mm de largura ou comprimento, que
se comportam como um pequeno ímã independente com
os seus dois polos. Essas regiões são conhecidas como
domínios magnéticos. Num material desmagnetizado,
os domínios estão desalinhados, ou seja, estão numa
disposição aleatória. Os efeitos de um domínio cancelam o
de outro e o material não apresenta um efeito magnético
resultante.
Quando submetidos a campos magnéticos externos
(aproximação de um ímã, por exemplo), esses materiais
têm a maioria de seus domínios alinhados ao campo
externo.
Na verdade, existe um aumento daqueles domínios que
se encontravam inicialmente em direções próximas à
direção do campo em detrimento daqueles domínios que
apresentavam direções opostas, com a diminuição de
tamanho desses últimos.
CAMPO MAGNÉTICO
Campo magnético é a região ao redor de um imã na qual
ocorre um efeito magnético. Esse efeito é percebido pela
ação de uma força magnética de atração ou de repulsão. O
campo magnético pode ser definido pela medida da força
que o campo exerce sobre o movimento das partículas de
carga, tal como um elétron.
A representação visual do campo magnético é feita através
de linhas de campo magnético, também conhecidas por
linhas de indução magnética ou ainda por linhas de fluxo
magnético, que são linhas envoltórias imaginárias. As
linhas de campo magnético são linhas fechadas que saem
do polo norte e entram no polo sul.
A figura a seguir mostra as linhas de campo representando
visualmente o campo magnético. Na imagem seguinte, as
linhas de campo são visualizadas com limalha de ferro
sobre um vidro.
Figura 2.6 - Representação das linhas de fluxo
magnético de um ímã. Seu fluxo é sempre do
polo norte para o paio sul, como indicam as
setas. Fonte: do autor, adaptação etb®, 2016.
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Figura 2.7 - Na figura podem ser observadas
as limalhas de ferro sobre uma falha. Elas se
posicionaram conforme o campo magnético do
ímã, posto na versa na falha.Fonte: Publicado
por Windell Oskay, "Magnetic Fields-11",
20101 Ftickr®, sob a licença Creative Commons
Attribution 2.0 Generlc. link da página: ftickr.
com/phatos/oskay/4581190922. Acesso em:
25/02/2016.
As características das linhas de campo magnético são:
• São sempre linhas fechadas: saem e voltam a um
mesmo ponto;
• As linhas nunca se cruzam;
• Fora do ímã, as linhas saem do polo norte e se dirigem
ao polo sul;
• Dentro do ímã, as linhas são orientadas do polo sul
para o polo norte;
• Saem e entram na direção perpendicular às superfícies
dos polos;
• Nos polos, a concentração das linhas é maior: quanto
maior concentração de linhas, mais intenso será o
campo magnético numa dada região;
Uma verificação das propriedades das linhas de campo
magnético é a chamada inclinação magnética da bússola.
Nas proximidades da linha do equador, as linhas de campo
são praticamente paralelas à superfície.
Na medida que nos aproximamos dos polos, as linhas vão
se inclinando até se tornarem praticamente verticais na
região polar. Assim, a agulha de uma bússola acompanha
a inclinação dessas linhas de campo magnético e pode -se
verificar que na região polar a agulha da bússola tenderá
a ficar praticamente na posi ção vertical.
Se dois polos diferentes de ímãs são aproximados, haverá
uma força de atração entre eles e as linhas de campo
se concentrarão nessa região, e seus trajetos serão
completados através dos dois ímãs. Se dois polos iguais
são aproximados, haverá uma força de repulsão e as linhas
de campo divergirão, ou seja, serão distorcidas e haverá
uma região entre os ímãs na qual o campo magnético será
nulo.
No caso de um imã em forma de ferradura, as linhas
de campo entre as superficies paralelas dispõem-se
praticamente paralelas, originando um campo magnético
uniforme. No campo magnético uniforme, todas as linhas
de campo têm a mesma direção e sentido em qualquer
ponto. Na prática, dificilmente encontra-se um campo
magnético perfeitamente uniforme. Entre dois polos
planos e paralelos, o campo é praticamente uniforme
se a área dos polos for maior que a distância entre eles.
Nas bordas de um elemento magnético existem sempre
algumas linhas de campo que não são paralelas às outras.
Essas distorções são chamadas de "espraiamento", como
mostra a figura a seguir.
Figura 2.8 - Espraiamento de linhas num
campo magnético praticamente uniforme.
Fonte: etb®, 2016.
Densidade de campo magnético ou densidade de fluxo
magnético
O fluxo magnético, simbolizado por φ, é definido como
o conjunto de todas as linhas de campo que atingem
perpendicularmente uma dada área, como mostra a
figura a seguir. A unidade de fluxo magnético é o weber
(Wb). Um weber corresponde a 1 x 108 linhas do campo
magnético [Giancoli].
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Figura 2.9 - Fluxo magnético - quantidade de
linhas de campo numa área. Fonte: etb®, 2016.
A densidade de campo magnético (também conhecida
como densidade de fluxo magnético ou simplesmente
campo magnético) é uma grandeza vetorial representada
pela letra B, cuja unidade é o Teslal (T) e é determinada
pela relação entre o fluxo magnético ϕ e a área de
uma dada superfície perpendicular à direção do fluxo
magnético. Assim:
B = φ
A
Considerando:
B - Densidade de campo magnético ou densidade de fluxo
magnético, tesla (T);
φ- fluxo magnético, em Weber (Wb);
A - área da seção perpendicular ao fluxo magnético,expressa em m2.
A partir dessa equação, podemos verificar que
1T = 1Wb/m2.
A direção do vetor densidade de campo magnético B
é sempre tangente às linhas de campo magnético em
qualquer ponto, como mostra a figura a seguir. O sentido
do vetor densidade de campo magnético é sempre o
mesmo das linhas de campo.
O número de linhas de campo magnético que atravessam
uma dada superfície perpendicular por unidade de área é
proporcional ao módulo do vetor B na região considerada.
Assim sendo, nos locais em que as linhas de indução estão
muito próximas umas das outras, B terá alto valor. Caso as
linhas estiverem muito separadas, B será pequeno.
Observação: se as linhas de campo não forem
perpendiculares à superfície considerada, devemos
tomar a compo nente perpendicular,como será estuda
do posteriormente.
Figura 2.10 - Vetor densidade de campo
magnético tengente às linhas de campo. fonte:
etb@, 2016.
Nikola Tesla (1856-1943) foi um inventor e engenheiro
eletricista croata-americano que desenvolveu o motor de
corrente alternada e vários outros inventos, entre os quais
a Bobina de Tesla, indutores, transformadores, sistemas
polífásicos e sistemas de iluminação.
No interior de um ímã, as linhas de campo encontram-se
mais concentradas e, portanto, a intensidade do campo
magnético é elevada. Há, portanto, alta densidade de
fluxo magnético.
Externamente ao ímã, as linhas de campo encontram-se
mais dispersas ao longo dos caminhos entre os polos,
como mostra claramente a figura. Podemos concluir que
a intensidade do campo magnético nessa região é menor,
ou seja, há menor densidade de fluxo magnético.
No entanto, percebemos que o número de linhas de campo
no interior do ímã e no exterior é exatamente o mesmo,
já que são linhas fechadas. Assim, o fluxo magnético no
interior e no exterior de um ímã é exatamente o mesmo,
porém percebemos que a densidade de fluxo magnético
é maior no interior do ímã que no exterior, pois o mesmo
número de linhas está concentrado numa área menor.
A densidade de fluxo magnético também pode ser medida
em Gauss, no sistema CGS: 1T=104 Gauss.
B = dφ
dA
dφ = B x dA
ʃ dφ = ʅ B x dA
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INDUÇÃO MAGNÉTICA - IMANTAÇÃO
Indução magnética é o fenômeno de imantação de um
material provocado pela proximidade de um campo
Figura 2.11- Este é um processo típico de Imantação, onde o ímã está em contato com o
primeiro clips e este passa a possuir propriedades magnéticas passando de um para o outro.
Fonte: Publicado por Waifer X, "20100325499", 2010, Flickr®, sob a licença Creative Commons
Attribution 2.0 Generic. Link da página: flickr.com/photos/walferx/4463902740. Acesso em:
25/02/2016.
Quando o ferro encontra-se próximo de um imã, o campo
magnético faz com que a barra de ferro se transforme
temporariamente em um imã. Isso acontece porque na
presença de um campo magnetizante (ou campo indutor)
os domínios magnéticos do ferro, que normalmente estão
orientados em todas as direções ao longo da barra, ficam
orientados em uma direção predominante, como num
imã.
Quando afastamos o ímã indutor, a maioria dos domínios
magnéticos do ferro volta ao estado de orientação
desorganizada, fazendo com que o material praticamente
perca as suas propriedades magnéticas. Materiais com
esse comportamento, como o ferro puro, são chamados
de materiais magneticamente moles.
Os materiais nos quais os domínios magnéticos não perdem
a orientação obtida com a aproximação de um campo
magnético são chamados de materiais magneticamente
duros, como o aço e o ferrite. Isso acontece porque
nessas ligas os átomos de ferro, uma vez orientados sob
a ação do campo magnético, são impedidos de voltar à
sua orientação inicial pelos átomos do outro do material
da liga, permanecendo magnetizados. É assim que são
fabricados os ímãs permanentes.
Porém, aquecendo-se uma barra de ferro sob a ação de
um campo magnético acima de uma certa temperatura,
no caso 770ºC, ela deixa de ser atraída pelo imã. Essa
temperatura é denominada ponto Curie. Isso acontece
pois o aquecimento provoca uma agitação nos átomos de
ferro, de tal maneira que eles se desorganizam e a barra
de ferro perde as suas propriedades magnéticas. Quando
a barra de ferro é esfriada, ela novamente será atraída
pelo imã.
magnético. Como pode-se observar na figura a seguir,
o ímã induz magneticamente (imanta) os pregos, que
sucessivamente imantam uns aos outros e atraem-se.
Figura 2.12 - Saturação magnética. Fonte: etb®, 2016.
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Um material também pode perder suas propriedades
magnéticas quando submetido a choques mecânicos que
propiciem a desorien tação dos seus átomos.
É possível que um material tenha seus átomos orientados
até um determinado limite. O efeito devido à limitação
na orientação e alinhamento dos átomos do material,
mesmo sob a ação de campos magnéticos intensos, é
chamado de saturação magnética.
Classificação das substãncias quanto ao comportamento
magnético
As substâncias são classificadas em quatro grupos quanto
ao seu comportamento magnético: ferromagnéticas,
paramagnéticas, diamagnéticas e ferrimagnéticas.
Substâncias ferromagnéticas:
Seus ímãs elementares sofrem grande influência do campo
magnético indutor. Assim, eles ficam majoritariamente
orientados no mesmo sentido do campo magnético
aplicado e são fortemente atraídos por um ímã. Exemplos:
ferro, aços especiais, cobalto, níquel, algumas ligas (alloys)
como Alnico e Permalloy, entre outros.
Substâncias paramagnéticas:
Seus ímãs elementares ficam fracamente orientados no
mesmo sentido do campo magnético indutor. Surge, então,
uma força de atração fraca entre o imã e a substância
paramagnética. Exemplos: alumínio, manganês, estanho,
cromo, platina, paládio, oxigênio líquido, etc.
Substâncias diamagnéticas:
As substâncias diamagnéticas são aquelas que, quando
colocadas próximas a um campo magnético indutor
proveniente de um imã, fazem com que os ímãs
elementares sofrem uma pequena influência, de modo
que eles ficam fracamente orientados em sentido
contrário ao campo externo aplicado. Surge então entre
o imã e a substância diamagnética uma força de repulsão
fraca. Exemplos: cobre, água, mercúrio, ouro, prata,
bismuto, antimônio, zinco, etc.
Substâncias ferrimagnéticas:
O ferrimagnetismo permanente ocorre em sólidos cujos
campos magnéticos associados com átomos individuais
se alinham espontaneamente, alguns de forma paralela,
ou na mesma direção (como no ferrimagnetismo) e
outros geralmente antiparalelos, ou ainda emparelhados
em direções opostas, como ilustra a próxima figura.
O comportamento magnético de cristais de materiais
ferrimagnéticos pode ser atribuído ao alinhamento
paralelo; o efeito desses átomos no arranjo antiparalelo
mantém a força magnética desses materiais geralmente
menor do que a de sólidos puramente ferromagnéticos
como o ferro puro.
O ferrimagnetismo ocorre principalmente em óxidos
magnéticos conhecidos como ferrítas. O alinhamento
espontâneo que produz o ferrimagnetismo também é
completamente rompido acima da temperatura de Curie,
característico dos materiais ferromagnéticos. Quando a
temperatura do material está abaixo do ponto Curie, o
ferrimagnetismo aparece novamente.
Se um material não magnético como vidro ou cobre
for colocado na região das linhas de campo de um ímã,
haverá uma imperceptível alteração na distribuição das
linhas de campo.
Entretanto, caso um material magnético, como o ferro,
for colocado na região das linhas de campo de um ímã,
elas passarão através do ferro em vez de se distribuírem
no ar ao seu redor porque elas se concentram com maior
facilidadenos materiais magnéticos.
Este princípio é usado na blindagem magnética de
elementos e instrumentos elétricos sensíveis e que podem
ser afetados pelo campo magnético. A figura mostra um
exemplo de blindagem magnética, pois as linhas de campo
ficam concentradas na carcaça metálica não atingindo o
instrumento no seu interior.
Portanto, um material na proximidade de um ímã pode
alterar a distribuição das linhas de campo magnético. Se
diferentes materiais com as mesmas dimensões físicas são
usados, a intensidade com que as linhas são concentradas
varia. Essa variação se deve a uma grandeza associada aos
materiais chamada permeabilidade magnética (µ).
A permeabilidade magnética de um material é uma
medida da facilidade com que as linhas de campo podem
atravessar um dado material. Podemos entender a
permeabilidade magnética como um conceito similar ao
con ceito da condutividade elétrica dos materiais.
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Figura 2.13 - A imagem ilustra a situação em que dois
materiais, um ferromagnético e outro diamagnético,
são submetidos a um campo magnético o material
ferromagnético atrai as linhas de fluxo do campo para sua
estrutura, já o material diamagnético não causa nenhuma
alteração. Fonte: do autor, adaptação etb®, 2016.
A unidade de permeabilidade também pode ser expressa
por Tesla-metro por Ampère (Tm/A) ou ainda Henry por
metro (H/m). As sim: H=Wb/A.
A permeabilidade magnética de todos os materiais não
magnéticos, como o cobre, alumínio, madeira, vidro e ar
é aproximadamente igual à permeabilidade magnética do
vácuo.
Os materiais que têm a permeabilidade um pouco inferior
à do vácuo recebem o nome de materiais diamagnéticos.
Aqueles que têm a permeabilidade um pouco maior que
a do vácuo são chamados de materiais paramagnéticos.
Materiais magnéticos como o ferro, níquel, aço, cobalto
e ligas desses materiais (alloys) têm permeabilidade
centenas e até milhares de vezes maiores que a do
vácuo. Esses materiais são conhecidos como materiais
ferromagnéticos.
A relação entre a permeabilidade de um dado material e
a permeabilidade do vácuo é chamada de permeabilidade
relativa, obtida a partir da seguinte fórmula:
Considerando:
• µr - permeabilidade relativa de um material
(adimensional);
• µm - permeabilidade de um dado material;
• µo - permeabilidade do vácuo.
Geralmente, µr 2: 100 para os materiais ferromagnéticos,
valendo entre 2.000 e 6.000 nos materiais de máquinas
elétricas e podendo chegar até a 100.000 em materiais
especiais. Para os não-magnéticos, µr é = 1.
A tabela a mostra uma relação simplifica da dos valores
de permeabilidade relativa dos materiais, e a tabela b
apresenta valores de permeabilidade magnética relativa
para alguns materiais ferromagnéticos utilizados em
dispo sitivos eletroeletrônicos.
Observação: devemos ter em men te que a
permeabilidade de um mate rial ferromagnético não é
constante e que seu valor depende da densidade de
campo magnético ao qual está submeti do. Esse assunto
será estudado no item sobre curvas de magnetização.
Tabela 2.1- Materiais quanto a permeabilidade
relativa
Permeabilidade
relativa(µr)
Tipo de Material
>>1 Ferromagnéticos
≈1 Paramagnéticos
<1 Diamagnéticos
Fonte: do autor, 2016.
Tabela 2.1- Permeabilidade relativa de materiais
ferromagnéticos
Tipo de Material Permeabilidade
relativa(µr)
Ferro comercial 9.000
Ferro purificado 200.000
Ferro silicio 55.000
Permalloy 1x106
Supermalloy
Permendur
Ferrite
Fonte: do autor, 2016.
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Relutância magnética
A relutância magnética é uma medida da oposição que
um meio oferece ao estabele cimento e concentração das
linhas de campo magnético. A relutância magnética é
determi nada pela seguinte equação:
Considerando:
- relutância magnética, em reis ou Ae/Wb (Amperes-
espiras por Weber);
l - comprimento médio do caminho magné tico das linhas
de campo no meio, m;
µ - permeabilidade magnética do meio
A unidade Amperes-espiras está associada ao número
de espiras de uma bobina eletro magnética. Esse assunto
será estudado poste riormente.
A relutância magnética é uma grandeza análoga à
resistência elétrica que pode ser de terminada pela
seguinte equação que relaciona a resistividade e as
dimensões de um material:
Podemos notar que a resistência elétrica R e a relutância
magnética R são inversamente proporcionais à área A, ou
seja, quanto maior a área, menor será a resistência ao
fluxo de cargas elétricas e ao fluxo de linhas de campo.
Essas grandezas são diretamente proporcionais ao
comprimento l do material. Entretanto a relutância é
inversamente proporcional à permeabilidade magnética,
enquanto a resistência é diretamente proporcional à
resistividade elétrica p.
Materiais com alta permeabilidade, como os
ferromagnéticos, têm relutâncias muito baixas e,
portanto, proporcionam grande concentração das linhas
de campo magnético.
Quando dois materiais de permeabilidades diferentes
apresentam-se como caminho magnético para as linhas do
campo, elas se dirigem para o de maior permeabilidade.
Isso é chamado de princípio da relutância mínima. Esse
princípio pode ser aplicado quando se necessita uma
blindagem magnética, ou seja, liberar um dispositivo das
influências magnéticas.
Na próxima imagem podemos perceber que o ferro,
de alta permeabilidade, represen ta um caminho
magnético de menor relutância para as linhas de campo,
concentrando-as. Já o vidro, de baixa permeabilidade, não
propor ciona grande concentração das linhas de cam po.
Isso representa um caminho magnético de alta relutância.
Figura 2.14- Caminhos magnéticos de alta e baixa
relutância. Fonte: etb®, 2016.
ELETROMAGNETISMO
Descobertas de Oersted
Até o início do século XIX, acreditava-se que não existia
relação entre os fenômenos elétricos e magnéticos. Em
1820, o professor e físico dinamarquês chamado Hans
Christian Oersted observou que uma corrente elétrica era
capaz de alterar a direção de uma agulha magnética de
uma bússola.
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Figura 2.15 - A imagem ilustra a situação em que dois
materiais, um ferromagnético e outro diamagnético,
são submetidos a um campo magnético. O material
ferromagnético atrai as linhas de fluxo do campo para sua
estrutura, já o material diamagnético não causa nenhuma
alteração. Fonte: etb®, 2016.
Quando havia corrente elétrica no fio, Oersted verificou
que a agulha magnética movia-se, orientando-se numa
direção perpendicular ao fio, evidenciando a presença
de um campo magnético produzido pela corrente, como
mos tra a figura anterior. Esse campo originava uma força
magnética capaz de mudar a orientação da bússola.
A esse campo magnético de origem elétrica chamamos de
campo eletromagnético. Interrompendo-se a corrente, a
agulha retornava a sua posição inicial ao longo da direção
norte-sul. Observou-se, então, a existência de uma relação
entre a eletricidade e o magnetismo.
Oersted concluiu que todo condutor percorrido
por corrente elétrica cria em torno de si um campo
eletromagnético. Surge, a partir daí, o estudo do
eletromagnetismo. Em decorrência dessas descobertas,
foi possível estabelecer o princípio básico de todos os
fenômenos magnéticos. Quando duas cargas elétricas
estão em movimento, manifesta-se entre elas uma força
magnética além da força elétrica (ou força eletrostática).
Fenômenos do eletromagnetismo
A partir da Lei da ação e reação de Newton, podemos
concluir que, se um condutor percorrido por corrente
provocauma força de origem magnética capaz de mover
a agulha da bússola, que é um ímã, então um imã deve
provocar uma força num condutor percorrido por
corrente.
Além disso, os cientistas concluíram que, se uma corrente
elétrica é capaz de gerar um campo magnético, então o
contrário é verdadeiro, ou seja, um campo magnético é
capaz de gerar corrente elétrica.
São três os principais fenômenos eletromagnéticos
que regem todas as aplicações tecnológicas do
eletromagnetismo:
I. Condutor percorrido por corrente elétrica produz campo
magnético.
II. Campo magnético provoca ação de uma força magnética
sobre um condutor percorrido por corrente elétrica.
lll. Fluxo magnético variante sobre um condutor gera
(induz) corrente elétrica.
Campo magnético criado por corrente elétrica
Um campo magnético pode ser criado por meio do
movimento de cargas elétricas, tal como o fluxo de
corrente num condutor. Esse campo magnético é
originado pelo momento de giro do dipolo magnético
(referente ao spin do elétron) e pelo momento da órbita
do dipolo magnético de um elétron dentro de um átomo.
A esse campo magnético originado por uma corrente
elétrica dá-se o nome de campo eletromagnético.
No mesmo ano que Oersted comprovou a existência de
um campo magnético produzido pela corrente elétrica,
o cientista francês André Marie Ampere preocupou-se
em descobrir as características desse campo. Nos anos
seguintes, outros pesquisadores como Michael Faraday,
Karl Friedrich Gauss e James Clerk Maxwell continuaram
investigando e desenvolveram muitos dos conceitos
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básicos do eletromagnetismo.
Quando o condutor retilíneo da figura é percorrido por
uma corrente elétrica, pode-se observar pela orientação
das agulhas das bússolas a existência de um campo
que o envolve longitudinalmente (ao longo de seu
comprimento), e as linhas de campo magnético que o
representam são círculos concêntricos.
As linhas de campo magnético são linhas envoltórias
concêntricas e orientadas. O sentido das linhas de campo
Figura 2.16 - A imagem ilustra a regra da mão direita. Percebe-se que o polegar está no mesmo sentido da corrente e
os demais dedos Indicam o sentido do campo magnético, B. A Imagem também demonstra como o campo magnético
se comporta ao redor do condutor. Fonte: etb®, 2016.
Regra de Ampere - regra da mão direita
Utilizando a regra de Ampere, a mão direita envolve
o condutor com o polegar, apontando-o para o sentido
convencional da corrente elétrica, enquanto os demais
dedos indicam o sentido das linhas de campo que
envolvem o condutor.
Para a representação do sentido das linhas de campo ou
de um vetor qualquer perpendicular a um plano (como
o plano do papel), podemos usar a seguinte simbologia:
representa um fio, uma linha de campo ou um vetor com
direção perpendicular ao plano da figura (papel), com
sentido de saída deste plano.
magnético produzido pela corrente no condutor é dado
pela regra de Ampere.
A regra de Ampere, também chamada de regra da
mão direita é usada para determinar o sentido das
linhas do campo magnético con siderando-se o sentido
convencional da corren te elétrica. Com a mão direita
envolvendo o condutor e o polegar apontando para o
sentido convencional da corrente elétrica, os demais
dedos indicam o sentido das linhas de campo que
envolvem o condutor.
representa um fio, uma linha de campo ou um vetor com
direção perpendicular ao plano da figura (papel), com
sentido de entrada neste plano.
Figura 2.17a - Simbologia para representação do sentido
das linhas de campo no plano do papel. Fonte: do autor,
2016.
O campo magnético gerado por um condutor percorrido
por corrente pode ser representado por suas linhas
desenhadas em perspectiva, ou então com a simbologia
estudada, como ilustra a figura a seguir.
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Figura 2.17b - Campo eletromagnético produzido por
um condutor em perspectiva (a) e indicado no plano (b).
Fonte: do autor, 2016.
FONTES DO CAMPO MAGNÉTICO
Além dos ímãs naturais (magnetita) e os ímãs permanentes
feitos de materiais magnetizados, podemos gerar campos
magnéticos através da corrente elétrica em condutores. Se
esses condutores tiverem a forma de espiras ou bobinas,
podemos gerar campos magnéticos muito intensos.
Campo magnético gerado em torno de um condutor
retilíneo
A intensidade do campo magnético gerado em torno de
um condutor retilíneo percorrido por corrente elétrica
depende da intensidade dessa corrente. Uma corrente
intensa produzirá um campo intenso, com diversas linhas
de campo que se distribuem até regiões bem distantes do
condutor. Uma corrente menos intensa produzirá poucas
linhas numa região próxima ao condutor. A figura a seguir
ilustra essa situação.
Figura 2.18 - Representação do campo magnético em
função da intensidade da corrente. Fonte: do autor, 2016.
Na próxima figura, o vetor B que representa a densidade
de campo magnético ou densidade de fluxo em qualquer
ponto apresenta direção sempre tangente às linhas de
campo no ponto considerado.
Isso pode ser comprovado pela observação da orientação
da agulha de uma bússola em torno de um condutor
percorrido por corrente elétrica. O vetor densidade
de campo magnético B é sempre tangente às linhas de
campo.
Figura 2.19 - Vetor campo magnético tangente às linhas
de campo. Fonte: etb®, 2016.
A densidade de campo magnético B num ponto p
considerado é diretamente proporcional à corrente no
condutor, inversamente proporcional à distância entre
o centro do condutor e o ponto e depende do meio.
Matematicamente, tem-se que:
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Considerando:
B = Densidade de campo magnético (ou densidade de
fluxo magnético) num ponto p [T, Tesla];
r = distância entre o centro do condutor e o ponto p
considerado [m];
I= intensidade de corrente no condutor [A].
µ = permeabilidade magnética do meio [T.m/A]
A permeabilidade magnética do vácuo (µ0) é igual a 4 .
n . 10-7 (T.m/A). Esta equação é válida para condutores
longos, ou seja, quando a distância for bem menor que o
comprimen to do condutor (r<<Ɩ).
Campo magnético gerado no centro de uma espira
circular
Um condutor em forma de espira circular, quando
percorrido por corrente elétrica, é ca paz de concentrar
as linhas de campo magné tico no interior da espira. Isso
significa que a densidade de campo magnético resultante
no interior da espira é maior que a produzida pela mesma
corrente no condutor retilíneo.
Para a determinação do campo magnético no centro de
uma espira circular, a regra da mão direita também é
válida. O polegar indi ca o sentido da corrente elétrica na
espira, e os demais dedos da mão direita o sentido das
linhas de campo magnético que envolvem o condutor da
espira circular.
Assim, para os campos magnéticos repre sentados na
figura a seguir temos:
Considerando:
B = densidade de campo magnético no cen tro da espira
circular [T, Tesla]
R = raio da espira [m]
I= intensidade de corrente na espira circu lar [A]
µ = permeabilidade magnética do meio [T.m/A]
Na figura, podemos verificar que as linhas de campo
geradas no condutor são concentradas no interior da
espira.
Figura 2.20 a- A corrente ao circular por uma espira faz
surgir um campo magnético ao redor do condutor que
forma a espira. Este campo magnético possui linhas
concêntricas ao condutor, e, no centro da espira, há a
interseção de campos magnéticos. Isto faz com que a
intensldade do campo magnético seja maior. Fonte: do
autor, adaptaçãoetb®, 2016.
Campo magnético gerado no centro de uma bobina
longa ou Solenoide
Um solenoide é uma bobina longa obtida por um fio
condutor isolado e enrolado em espiras iguais, lado a
lado, e igualmente espaçadas entre si.
Quando a bobina é percorrida por corrente, os campos
magnéticos criados em cada uma das espiras que formam
o solenoide somam-se, e o resultado final é idêntico a
um campo magnético de um imã permanente em forma
de barra. Podemos observar que as linhas de campo são
concentradas no interior do solenoide.
Figura 2.20b - Quando a corrente passa pela bobina,
as espiras do solenoide formam um campo magnético
equivalente ao de um imã permanente com formato de
barra. Fonte: do autor, adaptação etb®, 2016.
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Figura 2.21 - Campo magnético de um imã em barra e de um solenoide são semelhantes. Fonte: do autor, 2016.
Na figura a seguir, podemos observar uma bobina
cujas espiras estão afastadas umas das outras. Entre
duas espiras, os campos anulam -se pois têm sentidos
opostos. No centro do solenoide, os campos somam-se.
Podemos ob servar que no interior do solenoide o campo
é praticamente uniforme. O radical "solen" se origina do
grego e significa tubo.
Quanto mais próximas estiverem as espi ras umas das
outras, mais intenso e mais uni forme será o campo
magnético, como mostra a figura seguinte.
Figura 2.22 - Campo magnético no solenoide com espiras esparadas (à esquerda) e justapostas (à direita). Fonte: do
autor, 2016.
Para solenoides suficientemente longos (nos quais o
comprimento longitudinal é bem maior que o diâmetro
das suas espiras), pode-se considerar o campo magnético
constante e uniforme em praticamente toda a extensão
do interior do solenoide. Portanto, a densidade do campo
magnético (densidade de fluxo magnético) no centro de
um solenoide é expressa por:
Considerando:
B = é a densidade de campo magnético no centro do
solenoide [T, Tesla]
N = número de espiras do solenoide
I= é a intensidade de corrente elétrica que percorre o
solenoide [A]
1 = comprimento longitudinal do solenoide [m]
µ = permeabilidade magnética do meio (nú cleo do
solenoide) [T.m/A]
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Observação: O comprimento l é o comprimento longitudinal do solenoide e não deve ser confundido com o
comprimento do condutor do solenoide. O sentido das linhas de campo pode ser determinado por uma adaptação
da regra da mão direita, como ilustra a figura a seguir.
Figura 2.22 - Regra da mão direita aplicada a uma bobina. Fonte: do autor, 2016.
A figura 2.22 mostra a semelhança entre os campos
magnéticos produzidos por um solenoide e por um ímã
permanente em forma de barra. A principal diferença
entre eles é que a densidade de fluxo é maior no ímã
permanente que no solenoide. A densidade de fluxo
no solenoide pode ser sensivelmente aumentada pela
inclusão de materiais ferromagnéticos no núcleo da
bobina.
Figura 2.23 - Sentido do campo eletromagnético crtado
por uma bomba perconida por corrente. Fonte: do autor,
2016.
Um eletroímã é composto por uma bobina enrolada em
torno de um núcleo de material ferromagnético de alta
permeabilidade (ferro doce, por exemplo) para concentrar
o campo magnético. Cessada a corrente, ele perde a
magnetização, pois o magnetismo residual é muito baixo.
CAMPO MAGNÉTICO GERADO POR UM TOROIDE
Uma bobina toroidal (ou simplesmente toroide) é um
solenoide em forma de anel, como mostra a figura 2.24.
Seu núcleo pode ser de ar ou de material ferromagnético.
Geralmente, as bobinas toroidais são feitas com núcleos
de ferrite.
Figura 2.24 a- Exemplo de um toraide. Fonte: do autor,
2016.
Os toroides são o tipo de bobinas capaz de proporcionar
a maior concentração das linhas de campo magnético.
Pode ser provado matematicamente que a densidade de
campo mag nético no interior das espiras (no núcleo) do
toroide é dada por:
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Considerando:
B - densidade de campo magnético no interior do núcleo
do toroide, [T]
µ - permeabilidade magnética do meio no interior das
espiras do toroide (núcleo)
N - número de espiras da bobina toroidal
I- intensidade de corrente no condutor da bobina, [A]
R - raio médio do toroide, [m]
Observação: o raio médio é o raio da circunferência
no meio do núcleo do toroide, como mostra a figura
seguinte. É importante não confundir com o raio externo
ou interno e nem com o raio das espiras.
Figura 2.24b- Identificação do raro médio de um toroíde.
Fonte: do autor, 2016.
Também pode ser demonstrado matematicamente
[Giancoli] que a densidade de campo magnético fora do
núcleo do toroide, tanto na região externa como interna
é nulo, pois como o núcleo tem forma circular, é capaz
de produzir um caminho magnético enlaçando todas as
linhas de campo.
Usando a regra da mão direita aplicada à bobina toroidal,
podemos determinar o sentido das linhas de campo
confinadas no núcleo do toroide, como mostra a figura
a seguir.
Medições de características de comportamento de
materiais magnéticos são, geralmente, feitas usando-se
núcleos toroidais (toroide), pois eles são capazes de
concentrar praticamente todas as linhas de campo.
Vetor campo magnético indutor - força magnetizante
Se para uma dada bobina mantivermos a corrente constante
e mudarmos o material do núcleo (permeabilidade µ
do meio), a densidade de fluxo magnético no interior
da bobina será alterada em função da permeabilidade
magnética do meio.
Podemos chamar de vetor campo magnético indutor
ou vetor força magnetizante (H) ao campo magnético
induzido (gerado) pela corrente elétrica na bobina,
independentemente da permeabilidade magnética do
material do núcleo (meio). O vetor densidade de campo
magnético na bobina pode ser dado pela seguinte
equação:
Figura 2.25-Figura ao Sentido das linhas de campo no
núcleo da bobina toroidal. Fonte: do autor, 2016.
Simplificando a equação:
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O módulo do vetor campo magnético indutor ou vetor
força magnetizante H numa bobina pode ser dado por:
O vetor h tem as mesmas características de orientação
do vetor densidade de campo magnético (densidade de
fluxo) b, porém independe do tipo de material do núcleo
da bobina. A unidade do vetor campo magnético indutor
é expressa por ampere-espira por metro (ae/m).
Podemos, portanto, concluir que os vetores densidade
de campo magnético e campo magnético indutor se
relacionam pela equação:
B = µ x H
Isso significa que uma dada bobina percorrida por uma
dada corrente produz uma dada força magnetizante
ou campo magnético indutor. Se variarmos o valor da
permeabilidade magnética do meio (alterando o material
do núcleo da bobina, por exemplo), a densidade de campo
magnético varia para esta mesma bobina.
Quanto maior a permeabilidade magnética µ do meio, o
efeito da força magnetizante (campo magnético indutor)
h no núcleo será tanto maior, ou seja, maior a densidade
de campo magnético induzida no núcleo.
Podemos, portanto, entender a densidade de campo
magnético (densidade de fluxo magnético) como o
efeito de uma determinada força magnetizante (de
um campo magnético indutor) num determinado meio
de permeabilidade magnética µ. A densidade de fluxo
magnético B é o efeito da força magnetizante H num dado
meio µ.
Por analogia, podemos determinar por meio das fórmulas
a seguira força magnetizante H produzida por um
condutor retilíneo, para uma espira circular e para uma
bobina toroidal.
• Para um condutor retilíneo:
H = I
2 x π x r
• Para uma espira circular:
H = I
2 x r
• Para uma bobina toroidal:
H = N x I
2 x π x r
Devemos ter em mente que a permeabilidade magnética
de um material ferromagnético não é constante. É uma
relação entre a força magnetizante e a densidade de fluxo
magnético resultante. Essa relação é dada por:
π = B
H
Conclusão: genericamente falando, o campo
eletromagnético resultante num dado ponto depende:
• da intensidade da corrente
• da forma do condutor (reto, espira ou solenoide)
• do meio (permeabilidade magnética)
• das dimensões
• do número de espiras
FORÇA MAGNETO-MOTRIZ
A intensidade de um campo magnético indutor (força
magnetizante) H numa bobina depende da intensidade
da corrente que flui numa dada quantidade de espiras.
Quanto maior a corrente, mais forte o campo magnético.
Além disso, quanto mais espiras, mais concentradas
estarão as linhas de campo.
Podemos definir força magneto-motriz (FMM) como
a causa da produção do fluxo no núcleo de um circuito
magnético, analogamente à força eletromotriz que
produz o fluxo de cargas elétricas (corrente) em um
circuito elétrico. A força magneto-motriz produzida por
uma bobina é dada pelo produto:
FMM = Nx1
Considerando:
FMM - Força magneto-motriz, em Ampere -espira [Ae]
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N - Número de espiras
I-Intensidade da corrente elétrica, em Amperes [A]
Se uma bobina, com um certo número de Ampere-espira
(FMM), for esticada até atingir o dobro do seu
comprimento original (estaremos dobrando o valor de 1),
a força magnetizante H e a densidade de fluxo B terá a
metade do seu valor original, pois:
B = µ x N x I
Ɩ
E
H = N x I
Ɩ
Como FMM = N . I, então:
H = FMM
Ɩ
Finalmente:
FMM = Hx Ɩ
Considerando:
FMM - Força magneto-motriz, [Ae]
H - Força Magnetizante ou campo magnético Indutor,
[Ae/m]
I - Comprimento médio do caminho do
cir cuito magnético, [m]
Observação: O comprimento mé dio do caminho do circuito magnético é o
comprimento total de uma linha de campo posicionada no centro do núcleo,
como mostra a linha de campo grifada na figura a seguir:
Figura 2.26 - Comprimento médio do caminho do circuito magnético. Fonte:
etb®, 2016.
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Sabemos que a relutância magnética é dada por:
R = 1
µ x A
E que:
µ = B
H
Substituindo uma na outra, temos:
R = H x 1
B x A
Como o Fluxo Magnético é dado por:
φ = B x A
Temos, portanto:
R = FMM
φ
Ou ainda:
φ = FMM
R
Essa equação é análoga à Lei de Ohm, na qual a resistência
elétrica é dada pela relação entre a tensão e a corrente,
ou seja:
I = V
R
Pois:
Efeito = Causa
Oposição
A causa é a força magneto-motriz (análoga à tensão
elétrica). O efeito que ela provoca é o fluxo magnético
(análogo ao fluxo de cargas, a corrente elétrica) e a
oposição ao efeito é a relutância magnética (análoga à
resistência elétrica).
Através desse entendimento, os circuitos magnéticos
(ou caminhos magnéticos) podem ser analisados como
circuitos elétricos. Esse estudo será desenvolvido
posteriormente.
Figura 2.27 - Representação de um circuito magnético
fechado com material ferromagnético em seu núcleo
com um equivalente de circuito elétrico. Fonte: do autor,
adaptação etb®, 2016.
Observação: Apesar da analogia entre circuitos
elétricos e magnéticos, devemos ter em mente que o
fluxo magnético ϕ é estabelecido no núcleo através
da alteração da estrutura atômi ca do núcleo devido à
pressão externa da força magneto-motriz (FMM), e não
é uma medida do fluxo de partículas car regadas como
a corrente elétrica.
Lei de Ampere
A Lei de Ampere dá uma relação geral entre uma corrente
elétrica em um condutor de qualquer forma e o campo
magnético por ele produzido. Essa lei foi proposta logo
após a descoberta de Oersted.
Considere um condutor percorrido por uma dada
corrente através de uma área relativa a uma linha de
campo. Se considerarmos um vetor da linha de campo
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de comprimento infinite-simal 7 dƖ , este será paralelo ao
vetor densidade de campo magnético B.
A relação da Lei de Ampere é dada por:
Considerando:
B - vetor densidade de campo magnético, [T]
dƖ- vetor de comprimento infinitesimal pa ralelo ao vetor
B, [m]
Ienv - corrente passando na área do condu tor envolvida
pela linha de campo magnético em análise, [A]
Essa fórmula é válida para qualquer situa ção na qual
os condutores e os campos magné ticos são constantes
e Invariantes no tempo e sem a presença de materiais
magnéticos.
Se considerarmos um condutor retilíneo como o da figura
a seguir, podemos aplicar a Lei de Ampere:
A equação anterior é a mesma que determina a densidade
de campo magnético em um dado ponto p em torno de
um condutor retilíneo.
FORÇA EEETROMAGNÉTICA
Cargas elétricas em movimento (corrente elétrica) criam
um campo eletromagnético. Vimos que esse campo
exerce uma força magnética na agulha de uma bússola,
por exemplo.
Pela terceira lei de Newton, podemos esperar que o
reverso seja verdadeiro, ou seja, que um campo magnético
de um ímã exerça uma força em um condutor conduzindo
corrente, o que foi confirmado por Oersted.
Estando as cargas elétricas em movimento e inseridas
em um campo magnético, há uma interação entre esse
campo e o campo originado pelas cargas em movimento.
Essa interação manifesta-se por forças que agem na
carga elétrica. Essas forças são chamadas de forças
eletromagnéticas e são conhecidas como o segundo
fenômeno eletromagnético.
Força eletromagnética sobre um condutor retilíneo
Seja, por exemplo, um condutor retilíneo colocado entre
os polos de um imã em forma de ferradura, como mostra
a figura seguinte. Quando esse condutor for percorrido
por corrente, uma força é exercida sobre ele. Essa força
não age na direção dos polos do ímã, mas na direção
perpendicular às linhas do campo magnético. Se o sentido
da corrente for invertido, a direção da força continua a
mesma, mas há uma inversão no sentido da força exercida
sobre o condutor.
Figura 2.28 - Representação do sentido da força de um
condutor. Fonte: do autor; adaptação etb@, 2016.
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Um condutor percorrido por corrente elétrica submetido
a um campo magnético sofre a ação de uma força
eletromagnética.
Experimentalmente, podemos conferir que, se
aumentarmos a intensidade da correnteI, aumentaremos
a intensidade da força F exercida sobre o condutor. Da
mesma forma, um campo magnético mais intenso (maior
densidade B) provoca uma intensidade de força maior.
Também pode ser comprovado que se o comprimento I
ativo do condutor sob a ação do campo (atingido pelas
linhas de campo) for maior, a intensidade da força sobre
ele será maior.
A intensidade da força eletromagnética exercida sobre
o condutor também depende do ângulo entre a direção
da corrente e a direção do vetor densidade de campo
magnético.
Quando o campo for perpendicular à corrente, a força
exercida sobre o condutor será máxima. Quando o campo
e a corrente tiverem a mesma direção,a força sobre o
condutor será nula.
Isso significa que a intensidade da força eletromagnética
F exercida sobre o condutor é diretamente proporcional
à densidade do campo magnético B que atinge o
condutor, à intensidade de corrente elétrica que percorre
o condutor,ao comprimento longitudinal do condutor
atingido pelas linhas do campo e ao ângulo de incidência
dessas linhas na superficie longitudinal do condutor.
Portanto, considerando-se um condutor retilíneo de
comprimento I sob a ação de um campo magnético
uniforme B percorrido por uma corrente elétrica de
intensidade Ie sendo e o ângulo entre B e a direção do
condutor, o módulo do vetor força magnética que age
sobre o condutor pode ser dado por:
F = B x I x Ɩ x senƟ
Considerando:
F -Intensidade do vetor força eletromag nética [N]
B - Densidade de campo magnético ou den sidade de fluxo
magnético [T]
I - Comprimento ativo do condutor sob efeito do campo
magnético [m]
8 - Ângulo entre as linhas de campo e a su perfície
longitudinal do condutor [o ou rad.]
Observação: devemos lembrar que o comprimento
l não é necessariamente o comprimento total do
condutor, mas apenas a parte ativa, ou seja, o com
primento que está sob a ação do campo magnético
uniforme.
Figura 2.29 - Força magnética sobre um condutor
retilíneo. Fonte: do autor, 2016.
Figura 2.30 - A força magnética depende do ângulo de
incidência do campo magnético. Fonte: do autor, 2016.
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Se a direção da corrente é perpendicular à direção
do campo (Ɵ = 90°), a força é máxima. Se a direção da
corrente e do campo forem paralelas (Ɵ = 0°), a força será
nula, como mostra a figura.
A direção da força é sempre perpendicular à direção da
corrente e também perpendicular à direção do campo
magnético. A direção e o sentido da força que o condutor
sofre são determinados pela regra de Fieming para a mão
esquerda - ação motriz, pois o resultado é uma força que
tende a provocar movimento.
Considerando:
dF - força infinitesimal atuando no comprimento
diferencial dƖ do condutor [N]
dƖ - comprimento diferencial [m]
B - vetor densidade de campo magnético [T]
A força total que age sobre o condutor deverá, neste caso,
ser determinada por integração.
Regra de Fleming
Quando um condutor percorrido por corrente, é
submetido a um campo magnético e com isso surge uma
ação motriz devido à força magnética resultante. Por outro
lado, quando um condutor em movimento é submetido
a um campo magnético, surge nesse condutor uma ação
geradora devido à indução magnética (esse fenômeno
será estudado posteriormente).
A regra de Fleming é usada para determinar a relação
entre os sentidos da força magnética, do campo magnético
e da corrente elétrica, cujas direções são ortogonais
(perpendiculares entre si), como mostra a figura seguinte.
Para usarmos a regra de Fleming, devemos posicionar
os dedos polegar, indicador e médio de tal forma que
fiquem ortogonais entre si. Os dedos envolvidos na ação
motriz - regra da mão esquerda exercem as seguintes
funções:
• O dedo polegar indica o sentido da força magnética
(F).
• O dedo indicador representa o sentido do vetor
campo magnético (B).
• O dedo médio indica o sentido da corrente (I).
As figuras a seguir mostram a aplicação da regra de
Fleming para ação motriz.
Observação: se quisermos analisar o comportamento de cargas elétricas em particular (e não a corrente), devemos
lembrar que as cargas elétricas nega tivas têm movimento real contrário ao sentido convencional para a corrente
elétrica.
Regra da mão esquerda - ação motriz
• O dedo polegar indica o sentido da força magnética
(F).
• O dedo indicador representa o sentido do vetor
campo magnético (B).
• O dedo médio indica o sentido da corrente (I).
Se o campo magnético não for uniforme ou se o condutor
não for retilíneo (ou seja, 8 variável), temos:
Figura 2.31 - Regra de Fleming. Fonte: do autor, 2016.
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Força eletromagnética sobre uma partícula carregada
No estudo anterior, vimos que um condutor percorrido
por corrente elétrica e inserido num campo magnético
sofre a ação de uma força eletromagnética. Como a
corrente é provocada pelo movimento de cargas elétricas,
podemos verificar que um movimento livre de partículas
carregadas eletrostaticamente também sofre a ação de
forças eletromagnéticas quando atravessa um campo
magnético.
Uma partícula carregada eletrostaticamente e em
movimento dentro de um campo magnético sofre a ação
de uma força eletromagnética. Dependendo da situação,
essa força pode desviar a trajetória da partícula carregada,
como mostra a figura seguinte.
Figura 2.32 - Desvio da trajetória de pertículas em
movimento na direção transversal à do campo. Fonte: do
autor, 2016.
Sabemos que a corrente elétrica pode ser dada pela
relação entre carga e tempo:
Conhecemos também que a distância é dada pela relação
I = v . t:
I = q
t
Substituindo:
F = B x l x Ɩ x senƟ
Assim, a intensidade da força magnética sobre uma
partícula carregada em movimento dentro de um campo
magnético pode ser dada pela expressão:
F = B x q x v x senƟ
Considerando:
F - módulo do vetor força magnética resultante sobre a
partícula carregada [N]
B - módulo da densidade de campo magnético ou
densidade de fluxo (T)
q - quantidade de carga elétrica da partícula (C)
v - velocidade de deslocamento (m/s)
Ɵ - ângulo entre a direção de deslocamento e as linhas de
campo [o ou rad.]
Dessa equação, podemos depreender que a força
eletromagnética será máxima quando as partículas
incidirem perpendicularmente às linhas de campo (v B).
Quando as partículas se deslocam na mesma direção das
linhas de campo, a força eletromagnética será nula (Ɵ=0°
ou Ɵ=180°).
Considerando-se uma partícula carregada positivamente,
são três as possíveis situações:
a) Partícula com carga positiva em deslocamento
constante na direção do campo: nesse caso, como
a partícula se desloca na mesma direção do campo
magnéti co, não há interação entre os campos, e
consequentemente a trajetória da partí cula não sofre
alterações, mesmo que a partícula esteja se deslocando
em sentido contrário ao do campo. O movimento será
retilíneo uniforme (MRU). A figura seguinte mostra essa
situação.
Figura 2.33 - Partícula positiva em movimento retilíneo
uniforma na mesma direção do campo. Fonte: do autor,
2016.
Como a força é sempre perpendicular ao deslocamento
e a velocidade não varia, a partícula muda a direção do
deslocamento caracterizando um movimento circular
com aceleração centrípeta constante, pois a força aponta
sempre para o centro do movimento. As figuras a seguir
ilustram essa situação.
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Figura 2.34a - Força exercida sobre uma pertícuta em
deslocamento transversal à direção do campo. Fonte: do
autor, 2016.
Figura 2.34b - Partícula em movimento circular uniforme
(MCU). Fonte: do autor, 2016.
e) Partícula com carga positiva em deslocamento oblíquo
à direção do campo: nesse caso, a partícula executará um
MRU pois a componente da velocidade está na mes ma
direção do campo, e um MCU devido a componente
da velocidade transversal ao campo. O resultado será
um movimento helicoidal. A figura a seguir ilustra essa
situação.
Figura 2.35 - Partícula em movimento heliciodal. Fonte:
do autor, 2016.
É importante ressaltar que se a partícula for carregada
negativamente, as forças serão de sentidos opostos e a
trajetória será oposta nos casos analisados para uma carga
positiva.A regra de Fleming para a mão esquerda (efei to
motriz) auxilia na determinação do sentido da força e da
trajetória das partículas.
Força magnética entre condutores paralelos
Quando dois condutores próximos e paralelos são
percorridos por corrente elétrica, surge uma força devido
à interação entre os campos eletromagnéticos por eles
gerados.
Essa força poderá ser de atração ou de repulsão conforme
os sentidos das correntes nos condutores. Aplicando
da regra de Fleming para ação motriz (regra da mão
esquerda), podemos verificar que a força é de atração
quando os condutores são percorridos por correntes de
mesmo sentido e de repulsão quando percorridos por
correntes de sentidos contrários.
Sabemos que um condutor percorrido por corrente
elétrica cria um campo magnético de intensidade dada
por:
B = µ x 1
2 x π x r
No condutor 1, a corrente I1 cria um cam po magnético
B1 que atua no condutor 2, que por sua vez está a uma
distância d12 do pri meiro e pode ser dado por:
Figura 2.36 - Dois condutores parlelos percorridos por
corrente sofrem interação de seus campos magnéticos.
Fonte: do autor, 2016.
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Figura 2.37 - Força eletromagnética entre condutores paralelos nas situações de atração (a) e repulsão (b). Fonte: do
autor, 2016.
Figura 2.38 - O vetor densidade de campo é perpendicular
à superfície do condutor. Fonte: do autor, 2016.
Na figura podemos verificar que as linhas de campo
geradas por um condutor atingem o outro condutor.
Como o vetor densidade de campo é sempre tangente às
linhas de campo, esse vetor é perpendicular à superficie
longitudinal do condutor. Dessa forma, a força elétrica
que atua no condutor 2 devido ao campo gerado pelo
condutor 1, é dada pela seguinte equação:
Substituindo o valor de B1 na equação da força, temos:
A força que age no condutor 1 devido ao campo gerado
pelo condutor 2 é análoga, devi do à lei da ação e da
reação de Newton. Assim:
Genericamente:
Considerando:
F - Força elétrica mútua de interação entre condutores
paralelos [N]
µ - Permeabilidade magnética do meio
I1, I2 - corrente elétrica nos condutores [A]
I - comprimento dos condutores [m]
d12 - distância entre os centros dos condutores [m]
Da equação anterior, também podemos ex pressar a
intensidade da força por unidade de comprimento em
newton por metro (N/m):
Torque de giro numa espira
Uma espira condutora fixada por um eixo que a permita
girar (pivot), quando submetida a um campo magnético e
percorrida por corrente elétrica, sofre um torque de giro.
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Figura 2.39 a- Torque de giro numa espira percorrida por
corrente e dentro de um campo magnético - vista lateral
(a), superior (b) e composição vetorial. Fonte: do autor,
2016.
Na figura anterior, podemos observar que nas situações a
e b os condutores da espira percorridos por corrente I (no
sentido horário na espira) e submetidos a uma densidade
de campo magnético B (no sentido indicado, para a
direita) sofrem a ação de forças magnéticas cujos sentidos
são dados pela regra de Fleming (mão esquerda - ação
motriz).
A composição dos vetores produz um torque girante. Na
imagem c, verificamos a composição vetorial em função
do ângulo e da posição da face da espira com relação
à direção do campo magnético. A partir do estudo da
mecânica, sabemos que torque é dado pela se guinte
equação:
A força eletromagnética sobre o segmento 1 da espira é
a mesma sobre o segmento 2 e pode ser dada por:
O torque total é a soma dos torques nos dois segmentos:
Substituindo a equação da força:
Assim:
A área da espira pode ser dada pelo pro duto A = a . b.
Assim, o torque em uma espira fica sendo:
Se a espira faz um ângulo e com o campo magnético, a
força não varia, mas o braço do torque varia para:
Então, o torque total para uma bobina de N espiras
percorrida por corrente e girando em um campo
magnético é dado por:
Considerando:
T - torque de giro [N.m]
N - número de espiras
B - densidade de campo magnético [T]
I- corrente elétrica na(s) espira(s) [A]
A - área das espiras (a x b) [m2]
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Ɵ - ângulo da face da espira com a direção das linhas de campo [o ou rad.]
Observação: essa equação obtida de uma espira retangular serve para qualquer forma de espira
plana, como pode ser comprovado matematicamente [Giancoli].
Fazendo µ = N.I.A, determinamos o momento do dipolo magnético da espira, que é considerado um vetor com direção
perpendicular à área A, como mostra a parte c figura anterior. Assim, temos o produto vetorial:
O princípio do torque de giro em uma espira tem várias
aplicações práticas, tais como: motores elétricos,
instrumentos de medição analógicos (voltímetros,
amperímetros, ohmímetros, etc.), entre outros
dispositivos.
A figura a seguir mostra o princípio de funcionamento de
Figura 2.39b - Amperímetro básico - vistas lateral (a) e superior (b). Fonte: do autor, 2016.
Para desenvolver o aprendizado, a parte a da figura
a seguir apresenta o esquema básico de todo motor
de corrente contínua. Na parte b da figura, há um
um amperímetro (medidor de corrente elétrica) baseado
no torque girante sobre uma bobina. Quanto maior a
corrente, maior o torque girante capaz de vencer o
contra-torque da mola, indicando assim uma dada escala
pré-calibrada para a intensidade da corrente.
detalhamento do chamado comutador. Pesquise e utilize
seus conheci mentos para explicar o funcionamento de
um motor de corrente contínua básico.
Figura 2.40 - Motor de corrente contínua - estrutura básica (a) e detalhe do comutador (b). Fonte: do autor,2016.
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Variação do fluxo magnético
De maneira simples, podemos dizer que o fluxo magnético
é quantificado pelo número de linhas de campo que
atravessam a área de uma superficie. Quanto mais linhas,
maior o fluxo magnético, como mostra a próxima figura.
O fluxo magnético é, genericamente, dado pela equação:
Consideremos uma superficie plana de área A, num local
em que há um campo magnético uniforme (linhas de
campo paralelas). As linhas de campo incidem nessa área,
fazendo um ângulo e com o plano. A componente vertical
do campo magnético B é o cateto oposto ao ângulo de
incidência Ɵ, ou seja:
O Fluxo Magnético φ, como sabemos, é dado pelo produto
da componente vertical do campo magnético B pela área
de incidência das linhas de campo. Matematicamente,
φ = B x A x sen Ɵ
Considerando:
B - vetor densidade de campo magnético [T]
A - área de incidência das linhas [m2]
Ɵ - ângulo de incidência das linhas de campo com a
superfície [o ou rad.]
φ - Fluxo Magnético [Wb]
A unidade do Fluxo Magnético é o Weber (Wb). Um Weber
é equivalente a um campo magnético de intensidade
de um Tesla (T), incidindo em uma área de um metro
quadrado (m2). Assim: 1Wb = 1T.m2.
Figura 2.41 - Unhas de campo magnético atingindo uma
superfície produzem fluxo magnético. Fonte: do autor,
2016.
Figura 2.42 - Componentes vertical e paralela das linhas
de campo atingindo uma superfície. Fonte: do autor, 2016.
Figura 2.43 - Fluxo Máximo - linhas de campo magnético
incidindo perpendicularmente em relação à superfície.
Fonte: do autor, 2016.
Casos limites
Se as linhas de campo incidirem perpendi cularmente
à superfície, o ângulo de incidência será de 90° (seno
de 90° = 1), e o fluxomag nético será máximo. A figura
seguinte mostra essa situação.
Se as linhas de campo incidirem paralela mente à
superfície, o ângulo de incidência será de O° (seno de
O°=O), e o fluxo magnético será nulo. A próxima figura
mostra essa situação.
Figura 2.44 - Fluxo Máximo - linhas de campo magnético
incidindo perpendicularmente em relação à superfície.
Fonte: do autor, 2016.
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Figura 2.45 - Variação de fluxo magnético pela redução da área. Fonte: do autor, 2016.
O fluxo magnético também pode variar devido a um movimento relativo entre a su perfície e as linhas de campo, como
na bobina girando com relação ao campo magnético, de monstrado na figura a seguir.
Figura 2.46 - Variação do fluxo magnético numa bobina girando. Fonte: do autor, 2016.
A variação do fluxo magnético na área de uma bobina
é importante para o estudo da indução magnética. A
experiência mostra que, variando-se o fluxo magnético ϕ
num circuito elétrico, surge uma corrente elétrica induzida
devido a uma tensão elétrica induzida. A esse fenômeno
dá-se o nome de indução eletromagnética. Esse fenômeno
será estudado em detalhes na aula a seguir.
Figura 2.47 - Ângulo y entre a normal ao plano a as linhas de campo. Fonte: do autor, 2016.
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Observação: muitas bibliografias assumem o ângulo y
da normal ao plano (linha perpen dicular) com as linhas
de campo magnético, como mostra a figura anterior.
Com essa consi deração, o fluxo magnético é dado por:
INDUÇÃO ELETROMAGNÉTICA
Em 1820, Oersted descobriu que uma corrente elétrica
produz campo magnético. A partir dessa descoberta,
o inglês Michael Faraday e o americano Joseph Henry
dedicaram-se a obter o efeito inverso, ou seja, obter
corrente elétrica a partir do campo magnético.
Figura 2.48 - Representação do circuito utilizado nos
experimentos de Faraday. Fonte: do autor, adaptação
etb®, 2016.
A figura anterior mostra um dos dispositivos usados
por Faraday. O enrolamento 1, chamado de primário, é
uma bobina com N1 espiras de condutor isolado e está
conectado, através de uma chave interruptora, à bateria
(fonte de tensão contínua), fazendo circular uma corrente
contínua que gera um campo magnético. Esse campo
magnético é intensificado, pois as linhas de campo são
concentradas pelo efeito caminho magnético do núcleo
de material ferromagnético de alta permeabilidade.
As linhas de campo geradas pelo enrolamento 1 passam
por dentro do enrolamento 2, chamado de secundário,
que é uma bobina com N2 espiras de condutor isolado.
O secundário está monitorado por um galvanômetro, que
detectará qualquer corrente que circular no enrolamento.
É importante ressaltar que não há contato elétrico entre
os enrolamentos primário e secundário e nem destes com
o material do núcleo, pois são bobinas de condutores
isolados.
Durante 10 anos, Faraday tentou detectar corrente
dessa forma, utilizando campos cada vez mais intensos e
galvanômetros mais sensí veis, porém não obteve sucesso.
Em 1831, ao acionar sucessivas vezes a chave interruptora
no circuito do enrolamento primário, Faraday resolveu o
problema e fez as seguintes observações:
• No momento em que a chave é fechada, o
galvanômetro acusa uma pequena corrente de curta
duração, como indica a figura se guinte;
• Após a corrente cessar e durante o tempo em que a
chave permanecer fechada, o galvanômetro não mais
acusa corrente;
• Ao abrir-se a chave, o galvanômetro volta a indicar
uma corrente de curta duração, em sentido oposto,
conforme observado na próxima figura.
Figura 2.49 - Representação do circuito utilizado nos
experimentos de Faraday. Fonte: do autor, adaptação
etb®, 2016.
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Esses três momentos podem ser explica dos da seguinte
maneira:
• Enquanto o campo magnético criado pela corrente no
enrolamento primário cresce, é gerada uma corrente
no enrolamento secun dário. Isso ocorre logo após
a chave ser fe chada, pois a corrente é crescente.
Quando o campo no enrolamento primário se esta
biliza (se torna constante), a corrente cessa no
enrolamento secundário.
• Enquanto o campo magnético permanece constante
no enrolamento primário, não há corrente no
enrolamento secundário.
• Enquanto o campo magnético diminui no en rolamento
primário, é gerada uma corren te no enrolamento
secundário, com sentido oposto à anterior. Isso
ocorre logo após a chave ser aberta e cessa logo
após o campo magnético se anular no enrolamento
primá rio.
Diante disso, Faraday concluiu que a simples presença do
campo magnético não gera corrente elétrica. Para gerar
correnter seria necessário variar o fluxo magnético.
A esse fenômeno dá-se o nome de indução
eletromagnética. A indução eletromagnética é o terceiro
fenômeno eletromagnético.
Figura 2.50 - Representação dos comportamentos
do fluxo magnético e da corrente demonstrados pelo
galvanômetro. Fonte: do autor, adaptação etb®, 2016.
O experimento de Faraday mostra que se numa região
próxima a um condutor, bobina ou circuito elétrico houver
uma variação de fluxo magnético, aparecerá nos seus
terminais uma diferença de potencial (ddp), chamada
de força eletromotriz induzida (fem), ou simplesmente
tensão induzida. Caso o circuito elétrico esteja fechado,
essa força eletromotriz induzida fará circular uma corrente
elétrica induzida.
Michael Faraday enunciou a lei que rege este fenômeno,
chamado de indução eletro magnética e que relaciona
a tensão elétrica in duzida (fem) devida à variação do
fluxo mag nético num circuito elétrico. A Lei de Faraday
determina que em todo condutor sujeito a uma variação
de fluxo magnético, é estabelecida uma força eletromotriz
(tensão) induzida.
A Lei de Faraday demonstra que a tensão induzida em um
circuito é igual ao resultado da taxa de variação do fluxo
magnético no tempo e é dada pela divisão da variação do
fluxo mag nético pelo intervalo de tempo em que ocorre,
com sinal trocado. Ou seja: quanto mais o flu xo variar
num intervalo de tempo, maior será a tensão induzida:
e = - dφ
dt
Numa bobina, a tensão induzida é direta mente
proporcional ao número de espiras.
Considerando:
e - força eletromotriz induzida (tensão in duzida) [V]
dφ/dt - taxa de variação do fluxo magnético no tempo
[Wb/s)
N - número de espiras
Observação: para intervalos de va riações lineares
do fluxo magnético, te remos uma força eletromotriz
induzida média no intervalo, dada por:
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Com essa conclusão, podemos entender o que ocorre
no circuito do experimento de Faraday. O enrolamento
secundário envolve linhas do campo magnético produzido
pela corrente no enrolamento primário.
Sendo assim:
• Mantendo a chave interruptora aberta, não há
corrente nem campo magnético e, portanto, não
existem linhas de campo. O fluxo magnético no
núcleo é nulo. Sem variação de fluxo no enrolamento
secundário, não há força eletromotriz induzida e,
portanto, o galvanômetro não indica corrente.
• Quando a chave interruptora é fechada (no instante
t1), a fonte de tensão (bateria) faz circular corrente
no enrolamento primário. O número de linhas
de campo magnético no núcleo passa a crescer
exponencialmente num curto intervalo de tempo,
pois a intensidade do campo vai aumentando em
função da corrente imposta ao enrolamento primário.
Nesse intervalode tempo há, portanto, variação do fluxo
magnético no núcleo. Essa variação de fluxo magnético
atinge o enrolamento secundário, produzindo uma força
eletromotriz induzida no enrolamento secundário. Há,
por tanto, corrente induzida no enrolamento secun dário
e o galvanômetro indica corrente.
Como a variação do fluxo é máxima nos instantes iniciais,
a corrente induzida no enrolamento secundário é máxima
nesses instantes. A corrente induzida observada no
galvanômetro tem um pico inicial. À medida em que a
variação do fluxo diminui, com estabilização da corrente
no enrolamento primário, a corrente induzida no
secundário diminui.
• Após o instante t2, a corrente imposta pela fonte de
tensão contínua (bateria) está estabilizada. O campo
magnético produzido pelo enrolamento primário
torna-se constante e não há variação de fluxo
magnético no núcleo. Como não há variação de fluxo
magnético no núcleo e no enrolamento secundário,
não há força eletromotriz induzida. O galvanômetro
não indica corrente induzida no enrolamento
secundário. No gráfico observamos que, a partir do
instante t2, há fluxo magnético constante no núcleo e
a corrente no galvanômetro é nula.
• No instante t3, quando a chave interruptora é
novamente aberta, a corrente no enrolamento
primário, que estava estabilizada, começa a diminuir
exponencialmente, provocando a diminuição do
campo e do fluxo magnético no núcleo.
O fluxo magnético varia no enrolamento secundário.
Esta variação produz uma força eletromotriz induzida
no enrolamento secundário e, portanto, o galvanômetro
indica corrente induzida.
Uma observação importante é que o galvanômetro indica
uma corrente com sentido contrário ao anterior. Esse
fenômeno é conhecido como Lei de Lenz e será explicado
a seguir. Logo após o instante t3, a variação do fluxo
magnético no enrolamento secundário é máxima e a
corrente induzida tem um pico.
No gráfico da figura este pico é negativo pois o sentido
da corrente é contrário ao anterior. À medida que o
fluxo magnético vai-se anulando, a corrente induzida no
enrolamento secundário vai diminuindo.
• Após o instante t4, o fluxo magnético anu lou-se
e não há mais corrente induzida no enrolamento
secundário.
A indução eletromagnética é regida por duas leis: Lei
de Faraday e Lei de Lenz. Pela análise do experimento
de Faraday observa mos que quando o fluxo magnético
variante era crescente a corrente induzida tinha
um sentido. Quando o fluxo magnético variante era
decrescente a corrente induzida assumiu um sentido
contrário. Esse fenômeno observa do é explicado pela Lei
de Lenz.
Devemos lembrar que a corrente induzida circula num
determinado sentido devido à po laridade da força
eletromotriz induzida (tensão induzida).
Em um condutor imerso em um fluxo mag nético variável
chamado de fluxo magnético in dutor, é induzida uma
força eletromotriz. A po laridade da força eletromotriz
induzida será tão intensa que, se o circuito elétrico for
fechado, circulará uma corrente que criará um próprio
fluxo magnético, chamado de fluxo magnético induzido,
que irá se opor à variação do fluxo magnético indutor
causador da tensão (fem) induzida.
Leí de Lenz
O sentido da corrente induzida origina um fluxo magnético
induzido, que se opõe à varia ção do fluxo magnético
indutor. A Lei de Lenz é expressa pelo sinal negativo na
equação da Lei de Faraday.
Na figura a seguir, um campo magnético de intensidade
crescente atinge uma espira circu lar condutora. O fluxo
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magnético que a atinge é, portanto, variável e crescente.
Como esse fluxo magnético é variável, ocorre uma indu ção
de força eletromotriz que proporciona a circulação de
uma corrente elétrica na espira.
Essa corrente induzida que circula na espira cria, por
sua vez, um fluxo magnético induzido que deve opor
se à variação do fluxo magnético indutor. Como o
fluxo magnético indutor está crescendo, a oposição
será por meio de um fluxo magnético induzido e de
sentido contrário, que irá enfraquecer o fluxo magnético
indutor,tentando impedir o seu crescimento (variação
positiva).
Para que haja esse fluxo magnético induzido contrário,
a corrente induzida deve ter, segundo a regra da mão
direita, o sentido anti-horário.
Na figura seguinte, o campo magnético que atinge a espira
circular condutora é decrescente. O fluxo magnético que a
atinge é, portanto, variável, decrescente e induz na espira
uma força eletromotriz que proporciona a circulação de
uma corrente elétrica induzida. Essa corrente induzida
que circula na espira cria, por sua vez, um fluxo magnético
induzido que deve opor-se à variação do fluxo magnético
indutor.
Como o fluxo magnético indutor está agora decrescendo,
a oposição será feita por meio de um fluxo magnético
induzido de mesmo sentido, de tal forma que reforce o
fluxo magnético indutor, tentando impedir sua redução
(variação negativa). Para que haja esse fluxo magnético
induzido de mesmo sentido, a corrente induzida deve
ter,segundo a regra da mão direita, o sentido horário.
Figura 2.51a - A Imagem representa o fluxo indutor primeiramente crescente, que induz uma corrente a produzir fluxo
induzido oposto e, depois, o decrescente, que induz uma corrente a produzir fluxo induzido com sentido Igual. Fonte:
do autor, adaptação etb®, 2016.
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O fenômeno da indução eletromagnética também pode
ser verificado no experimento apresentado na figura a
seguir. Nela, a aproximação do imã provoca um aumento
do fluxo magnético perto da bobina.
Consequentemente, começa a circular na bobina uma
Figura 2.51b - Representação da indução eletromagnética através da utilização de um ímã e uma bobina. Fonte: do
autor, adaptação etb®, 2016.
Enquanto a chave interruptora S estiver desligada, não há
corrente na bobina 1 e nem fluxo magnético no núcleo
do sistema. Portanto, não há força eletromotriz induzida
e não circula corrente induzida na bobina 2. Na figura
b, quando a chave interruptora S for ligada, a corrente
proporcionada pela fonte de tensão (VCC) passa a circular
na bobina 1, criando um campo magnético crescente
e portanto gerando uma variação de fluxo magnético
crescente no núcleo do sistema.
Essa variação de fluxo atinge a bobina 2, induzindo uma
força eletromotriz que propor ciona a circulação de uma
corrente induzida. Essa corrente tem um sentido que
origina um fluxo magnético na bobina 2, que por sua vez
se opõe ao fluxo crescente gerado pela bobina
1. Circula na resistência R2 uma corrente com o sentido
indicado na imagem b.
Após certo tempo, a corrente na bobina 1 se estabiliza
devido à fonte de tensão contínua. O campo magnético
torna-se constante e a variação de fluxo é nula.
A corrente na bobina 2 se extingue. Quando, na imagem
c, a chave for aberta, o campo magnético estabilizado
devido à corrente constante na bobina 2 passa a decrescer,
provocando novamente uma variação de fluxo magnético
no núcleo do sistema.
Uma força eletromotriz é induzida na bobina 2 e circula
uma corrente induzida, cujo sentido provoca a criação
de um fluxo induzido na mesma direção do fluxo indutor,
tentando impedir a sua variação. Após um certo tempo, a
corrente se extingue juntamente com o campo magnético
na bobina 1. Com isso, a corrente na bobina 2 também se
extingue.
corrente que cria um campo magnético com polaridade
inversa a do imã. O campo criado tenta impedir a
aproximação do imã e interromper a ação do imã para
manter o fluxo magnético constante (variação de fluxo
nula). Quando o ímã se afasta, o efeito é contrário.
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Figura 2.52 - Experimento de Faraday. Fonte: do autor, 2016.
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TRANSFORMADOR MONOFÁSICO
Introdução
O primeiro equipamento a ser estudado, largamente
empregado na vida moderna, tanto nas indústrias corno
no comércio, distribuição de energia e nas residências,
é o transformador. Muitas vezes a aplicação a que ele
se destina acompanha o nome, como, por exemplo,
transformador de medição, trans formador de corrente,
transformador de RF, transformador de pulso etc. Além
disso, o transformador pode ser isolador ou não.
CAPÍTULO 03
Transformador elementar
Um transformador é um equipamento utilizado
para redução ou aumento de tensão. Segundo esta
aplicabilidade, ele pode ser definido como trans formador
abaixador ou elevador (de tensão). Um transformador é
constituído normalmente de um enrolamento primário
(em que aplicamos a tensão de entrada), um enrolamento
secundário (em que obtemos a tensão de saída desejada)
e um caminho otimizado para o fluxo magnético, que é o
grande responsável pela transformação , Figura 3.1.
Figura 3.1
Funcionamento do transformador
O funcionamento do transformador baseia-se nos
fundamentos do eletromagnetismo, especialmente
os estudados por Faraday e Lenz. Constata-se que, ao
movimentar um campo magnético diante de um condutor,
surge uma conente induzida. Em outras palavras, um
campo magnético variável produz um fluxo magnético
variável, que é responsável pela conente induzida.
De imediato não conseguimos ligar o fundamento
eletromagnético ao transformador da Figura 3.1, mas
se fizermos algumas observações, chega remos a uma
conclusão satisfatória. Primeiramente observe que o
primário e o secundário são duas bobinas com núcleo
comum. Se são bobinas, se alimen tarmos o primário ou o
secundário com sua respectiva tensão nominal, teremos
um fluxo magnético no núcleo de ferro. Se a fonte
utilizada para a alimentação do primário, por exemplo, for
de corrente contínua, não teremos uma transformação de
tensão constante no secundário, pois o fluxo magnético
gerado pela corrente contínua não é variável ao longo do
tempo.
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Se alimentarmos o primário com tensão alternada, ele
produz um fluxo magnético variável, já que a corrente
alternada oscila em 60 Hz. Esse fluxo magnético variável,
ao agir no interior do núcleo, atinge o secundário,
provocando o aparecimento de uma tensão alternada
nesse emolamento por conta da indução magnética. A
tensão que aparece no secundário por conta do fluxo
magnético variável gerado pelo primário recebe o nome
de tensão induzida.
A tensão induzida é sempre proporcional ao número de
espiras da bobina e de acordo com a indução magnética
que a provocou, podendo ser calcu lada pela relação de
transformação a seguir:
Uprim = Nprim
U sec N sec
Sendo:
• Uprim =tensão no primário
• N sec = número de espiras do secundário
Analisando a equação, podemos concluir que quanto
maior o número de espiras, maior a tensão. Se não temos
o número de espiras dos enrolamentos, podemos calcular
o número de espiras do primário com a equação:
Np = Upx 1 00000000
4,44 x 60 x SL x B
Sendo:
• Up = tensão no primário
• f = frequência
• SL =seção líquida do núcleo
• B = densidade magnética do núcleo (gauss)
As densidades mais aplicadas a núcleos de ferro são:
• 8.000 = 2% de silício
• 10.000 = 3% de silício
• 12.000 = 4% de silício
Nota
A equação está adaptada para receber gauss e cm2
tabelas de chapas para núcleos, por Isso os 100000000.
A relação entre o número de espiras e a corrente que
circula no enrola mento é inversamente proporcional, isto
é, quanto menor o número de espiras, maior a corrente.
A equação a seguir pode confirmar isso:
Iprim = Nsec
Isec Nprim
Podemos concluir que o transformador não funciona em
corrente contínua, pois precisamos de um fluxo magnético
variável, portanto é preciso alimentá-lo com CA. A
relação entre número de espiras e tensão é diretamente
proporcio nal e a relação entre número de espiras e
corrente é inversamente proporcional. A relação entre
corrente e tensão está associada à potência aparente do
trans formador, S=UxI, que deve ser aproximadamente a
mesma para primário e secundário (desconsiderando as
perdas).
Uma forma de ligar o transformador adequadamente
pode ser vista na Figura 1.2.
Figura 3.2
Tipos de núcleo
Os dois tipos de núcleo mais utilizados em transformadores
monofásicos são: núcleo envolvente em anel, "core",
Figura 3.2, e núcleo envolvido, "shell" ou encouraçado,
Figura 3.3.
Figura 3.3
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Existem transformadores especiais com outras formas
de núcleo, por exemplo, transformadores de isolação
com núcleo em toroide, mas para construção dos
transformadores de núcleo envolvido ou envolvente
normalmente são utilizadas as chapas representadas na
Figura 1.4.
Figuras 3.4 - Chapas para transformadores.
Os valores constantes na tabela são importantes no
projeto de um transformador por constituírem a seção
do núcleo do transformador, conse quentemente com
participação direta na sua potência, como veremos.
Correntes de parasitas
Nem tudo são flores no funcionamento de um
transformador. O mesmo fluxo magnético variável,
responsável pela tensão induzida no secundário, traz com
ele efeitos indesejado s nesse tipo de máquina. O núcleo
do transformador monofásico normalmente é constituído
de material ferromagnético. Se construirmos um núcleo
maciço com esse material, teremos um enorme problema.
O fluxo magnético variável, responsável pela indução
magnética, age também sobre o núcleo de ferro maciço
e produz correntes induzidas nesse ferro, que produzem
campos magnéticos contrários ao campo que deu origem
a essas correntes. Quanto menor a resistência elétrica
desse núcleo, maiores os efeitos provocados pelas
correntes parasitas, que são perda de rendimento e
aquecimento.
Essa característica da corrente induzida foi descoberta
pelo fisico russo Heinricb Lenz e pode ser aproveitada
em alguns equipamentos, como, por exemplo, medidores
de energia. Quando úteis, chamamos essas correntes
de correntes de Foucault, afinal não ficaria bem chamar
o fundamento de trabalho de um equipamento de
"correntes parasitas".
Para minimizar os efeitos das correntes parasitas, não
se utiliza um núcleo maciço para o transformador. São
utilizadas chapas de ferro magnético, de espessura
reduzida, isoladas eletricamente uma da outra e
montadas em forma de núcleo. Por estarem isoladas
eletricamente, não facilitam a circulação das correntes
parasitas, reduzindo o aquecimento e a influência
negativa no campo magnético dessa origem. Isso explica,
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de forma simples, por que o núcleo dos transformadores
e o interior dos motores não são fabricados com material
maciço.
Perdas no transformador
Um transformador, além das perdas devido às correntes
parasitas, possui outras perdas. A primeira que veremos é
em úmção do enrolamento das bobinas. Como as bobinas
são feitas de fio de cobre esmaltado e esse fio possui
certa resistência, é justo assumir que a resistência total
de uma bobina,sob influência de uma corrente elétrica,
provoque aquecimento, e aquecimento significa potência
desperdiçada. Essas perdas são chamadas de perdas no
cobre.
Outra perda no transformador está relacionada à histerese
magnética, que estudamos no capítulo 1. Ela provoca o
atraso entre o campo magnético e a indução magnética.
Como essa perda está relacionada com a qualidade do
material utilizado na montagem do núcleo, é parte das
perdas no ferro.
O total das perdas deve ser considerado no projeto de
transformadores. Quando isso não é feito, temos um
transformador que na teoria fornece urna potência e na
prática a potência que ele é capaz de suprir é bem menor.
Alguns chegam a ter rendimentos absurdos de apenas
60%.
Cálculo de pequenos transformadores
Agora que temos o conhecimento básico necessário sobre
o transformador, vamos utilizar um método de cálculo para
o projeto de pequenos transformadores. Não é um cálculo
científico de precisão indiscutida, mas um cálculo prático
que permite construir transform adores até 1000VA, baixa
tensão, sem problemas. Para projetar um transformador
, é preciso definir sua aplicação, regime de trabalho e
potência máxima fornecida. Para exemplificar, suponha
que necessitamos de um transformador para reduzir a
tensão de 220 V para 24 V com I=5A. Adotando cosφ =1,
temos como potência ativa e aparente no secundário:
Ps = Us x ls x cosφ = 24 V x 5 x 1 = 120 W e Ss = 120 VA
Em seguida calculamos a potência no primário, com base
na do secundário, acrescentando 10% devido a perdas
no transformador, considerando um rendimento de 90%.
Esse valor de rendimento pode aumentar conforme a
qualidade da chapa utilizada. Vamos utilizar chapa com
densidade magnética de 10.000 gauss.
Pp = Ps x 1,1 = 132 W e Sp = 132 VA
Pela potência do primário determinamos a seção líquida
do núcleo do transformador, isto é, a seção teórica
necessária para que ele atinja a potência desejada para
o secundário.
Para construir o núcleo do transformador, aplicamos um
fator de 20% sobre a seção líquida, para compensar as
perdas eventuais na construção do núcleo com as chapas
comercia is disponiveis, chegando a uma seção bruta:
SB = SL x 1,2 = 13,787 cm2 , aproximadamente 14 cm2
Para construir esse núcleo, utilizamos um conjunto
de chapas E I, cujas dimensões devem ser capazes
de formar a seção necessária para o transformador.
Na tabela de chapas para transformadores citada
anteriormente, encontramos uma coluna em que temos
a potência aparente ligada a um determinado número
de chapa. Pode-se selecionar a chapa a partir dos dados
obtidos ou aplicar um cosφ < 1(por exemplo, 0,9) à
unidade transformadora, como segue:
Sp = 132 w/COSφ => Sp = 132 W/0,9 = 146,6 VA
A linha que atende a esta potência é a de 150 VA, chapa
n° 4. Agora precisamos calcular o número de chapas
necessárias para construção do núcleo que será retangular
e com a medida "a" em um dos lados; "a" da chapa n° 4
é igual a 3,5 cm. Com o seguinte cálculo determinamos a
medida do outro lado do núcleo :
14 / 3,5 = 4 cm
Para atingirmos 4 cm, necessitamos de uma quantidade
"x" de chapas com espessura igual a 0,3556 mm:
4 cm / 0,03556 cm= 113 chapas E e 113 chapas I para o
conjunto E I.
Agora vamos calcular o número de espiras para o
enrolamento primário utilizando a fórmula dada
anteriormente:
Np= Up X 100000000 = 220 X 100000000 = 718,79=
4,44 X BxfxSL 4,44 X 10000X 60 X 11,489
719 espiras no primário
Para o secundário pode ser utilizada a relação de
igualdade:
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Uprim = Nprim = 220V = 719 → Nsec = 78,436 = 79 espiras
U sec N sec 24V Nsec
Calculado o número de espiras, o próximo passo é
determinar a seção do fio magnético esmaltado a ser
utilizado para cada enrolamento. Para efetuar esse
cálculo, necessitamos da corrente disponível dos dois
enrolamentos e a densidade de corrente do condutor a ser
utilizado. A densidade de corrente trata da condução de
corrente por seção do condutor de acordo com a condição
de trabalho do transformador. Quanto mais ventilado e
limpo o ambiente, maior a densidade de corrente desse
fio magnético.
Tabela de densidades de corrente D
Sem ventilação 2 A/mm2
Má ventilação 4 A/mm2
Ventilação regular 6 A/mm2
Boa ventilação 8 A/mm2
Para o projeto aplicaremos uma densidade de 4 A/ mm2.
A seção do fio do enrolamento primário pode ser calculada
da seguinte manetra:
O condutor que possui seção igual ou superior a 0,15 mm2
é o de 25 AWG, segundo a tabela de condutores dada a
seguir.
Os mesmos cálculos devem ser efetuados para determinar
a seção do fme para o enrolamento secundário:
Is = Ps = 120W= 5A seção secudário= Is = 5A = 1,25 mm2
Us 24V D 4
O condutor que possui seção igual ou superior a 1,25
mm2 é o de 16 AWG.
Precisamos determinar se há possibilidade de
enrolamento ou teremos de alterar a forma prevista
para o núcleo do transformador. Verificar a possibilidade
de enrolamento significa calcular a área ocupada pelas
bobinas sobrepostas e conferir se o espaço em volta
do núcleo montado comporta as bobinas. O espaço em
volta do núcleo é estabelecido em cumplicidade com
a medida "b" da chapa. O empilhamento máximo de
espiras não deve atingir esse valor em nenhuma hipótese.
O enfileiramento de espiras não deve exceder a altura do
núcleo que é determinada pela subtração ("d"- "c").
Colocando no papel:
"b" = 1,8 cm
("d"-"c") = (5,3 - 1,8) = 3,5 cm
Área disponível = 6,3 cm2
Da tabela de fios podemos extrair os diâmetros dos
condutores utilizados:
25 AWG = 0,45 mm = 0,045cm 16AWG = 1,29 mm = 0,129 cm
Multiplicando os respectivos diâmetros pelas quantidades
de espiras calculadas e depois novamente pelos mesmos
diâmetros, temos, aproximadamente, a área ocupada
pelo enrolamento:
Aep = 0,045 x 719 x 0,045 = 1,456cm2
Aes = 0,129 x 79 x O,129 = 1,315cm2
Atotal = 2,77 cm2
2,77 cm2 cabem em 6,3 cm2 ;
agora temos de nos preocupar apenas com o espaço
ocupado pelos materiais isolantes utilizados durante o
enrolamento.
Além do enrolamento, há também o espaço ocupado pelo
material isolante instalado no carretel antes de iniciarmos
o enrolamento e o material isolante normalmente
colocado entre camadas. Deve ser uma preocupação se a
área ocupada pelos enrolamentos estiver muito próxima
da área disponível entre o ferro e o carretel.
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Bitola do
fio AWG
n°
Diâmetro
em mm
Seção em
mm2
Resistência em
�/Km a 20°C
Correntes admissíveis para as densidades
1A/mm2 2A/mm2 3A/mm2 4A/mm2 5A/mm2
6 3,21 8,37 2,07 8,37 16,74 25,11 33,48 41,85
9 2,91 6,63 2,59 6,63 13,26 19,89 26,52 33,15
10 2,59 5,26 3,27 5,26 10,52 15,72 21,04 26,30
11 2,30 4,17 4,15 4,17 8,34 12,51 16,06 20,85
12 2,05 3,31 5,22 3,31 6,62 9,93 13,24 16,55
13 1,83 2,62 6,56 2,62 5,24 7,86 10,46 13,10
14 1,63 2,06 8,26 2,06 4,16 6,24 8,32 10,40
15 1,45 1,65 10,40 1,65 3,30 4,95 6,60 8,25
16 1,29 1,31 13,20 1,31 2,62 3,93 5,24 6,55
17 1,15 1,04 16,60 1,04 2,08 3,12 4,16 5,20
18 1,02 0,82 21,10 0,82 1,64 2,46 3,28 4,10
19 0,91 0,653 26,50 0,653 1,306 1,959 2,612 3,265
20 0,81 0,518 33,50 0,518 1,036 1,554 2,072 2,590
21 0,72 0,40 42,30 0,410 0,620 1,230 1,640 2,050
22 0,64 0,326 53,60 0,326 0,652 0,978 1,250 1,630
23 0,57 0,2552 57,60 0,2552 0,5104 0,7658 1,0206 1,2760
24 0,51 0,2043 84,40 0,2043 0,4086 0,6129 0,8172 1,0215
25 0,45 0,1590 108,40 0,1509 0,3180 0,4770 0,6360 0,7950
26 0,40 0,1258 137,0 0,1258 0,2512 0,3768 0,5024 0,6280
27 0,38 0,1018 169,0 0,1018 0,2036 0,3054 0,4072 0,5090
28 0,32 0,0604 214,0 0,0804 0,1608 0,2412 0,32160,4020
29 0,29 0,0660 261,0 0,0660 0,1320 0,1980 0,2640 0,330
30 0,25 0,0491 351,0 0,0491 0,0982 0,1473 0,1964 0,2455
31 0,23 0,0415 415,0 0,0415 0,0830 0,1245 0,1660 0,2075
32 0,20 0,0314 549,0 0,0314 0,0628 0,0942 0,1256 0,1570
33 0,18 0,0254 679,0 0,0254 0,0508 0,0762 0,1016 0,1270
34 0,16 0,0201 858,0 0,0201 0,0402 0,0603 0,0804 0,1005
35 0,14 0,0154 1119,0 0,0154 O,0308 0,0462 0,06 16 0,0770
36 0,13 0,0132 1306,0 0,0132 0,0261 0,0396 0,0528 0,0660
37 0,11 0,0095 1815,0 0,0095 0,0190 0,0285 0,0360 0,0475
38 0,10 0,0078 2210,0 0,0078 0,0156 0,0234 0,0312 0,0390
39 0,09 0,0063 2737,0 0,0063 0,0126 0,0189 0,0252 0,0315
40 0,08 0,0050 3446,0 0,0050 0,0100 0,0150 O,0200 0,0250
Tabela de Bitola de Fio Magnético Esmaltado
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Considerações sobre isolantes e impregnação
Para enrolar um transformador, não basta apenas fio
magnético esmaltado, centenas de espiras, chapas de ferro
e um carretel para enrolamento das bobinas e montagem
das chapas. Outros materiais se fazem necessários para
viabilizar seu uso e melhorar a resistência de isolação. O
próprio FME deve ser escolhido, tendo como critérios as
condições de trabalho do transformador, temperatura
máxima etc.
Pelos menos dois tipos de papel isolante serão utilizados
para construir o enrolamento. O papel "cinza" (Kraft) de
maior espessura serve para forrar o carretel e cobrir o
enrolamento todo quando tudo estiver pronto. Um papel
mais fino (Cristal) deve ser utilizado como isolante entre
as camadas de espiras.
Espaguetes podem ser necessários para dar proteção
mecânica aos fios que ligarem o enrolamento às conexões
externas, se eles não forem soldados a cabos flexíveis ao
terminar a última camada. Se isso ocorrer, a solda deve
ser bem feita e isolada da camada de espiras elétrica e
mecanicamente.
Após realizar todas as ligações e fechar o transformador,
um banho de verniz pode ser aplicado para a completa
impregnação do transformador. Geralmente esse banho
é feito mergulhando o transformador em verniz aquecido
a uma temperatura que melhore sua impregnação ao
enrolamento.
Circuito Equivalente
Figura 3.5 - Transformador real.
Um transformador, visto pelos profissionais da área de
máquinas, não se resume a apenas duas bobinas e um
núcleo de ferro. Existem parâmetros "escondidos", que
muitas vezes necessitam ser mapeados, e o controle
desses parâmetros determina o funcionamento
adequado de uma máquina. O transformador real está
longe do modelo ideal, como mostra a Figura 3.5. Todas as
variáveis expostas têm uma razão de existir e para iniciar
precisamos conhecer cada uma delas pelo nome:
• r1 = resistência do enrolamento primário;
• x1= reatância indutiva do emolamento primário;
• Rm= resistência de magnetização, que retrata as
perdas no ferro;
• Xm = reatância indutiva de magnetização;
• r2 = resistência do enrolamento secundário;
• x2 = reatância indutiva do enrolamento secundário.
Com o nome das variáveis em mãos precisamos utilizar
os métodos (ensaios) para determinação de cada uma
delas.
Considerações sobre ensaios
Os ensaios e testes em transformadores estão previstos
em normas, como, por exemplo, NBR5380: Transfonnador
de Potência- Método de Ensaio.
Por meio de ensaios e testes verifica-se se os parâmetros
reais do transformador não estão fora do escopo do
projeto ou se algum parâmetro vai comprometer a sua
vida útil quando em funcionamento. Além disso, os
ensaios permitem dar dimensões às variáveis definidas no
modelo do transformador real, Figura 3.5,possibilitando a
utilização do modelo em simulaçõe-s.
O primeiro teste normalmente realizado é medir a
resistência de isolação com um megôhmetro. A medição
deve ser feita entre as bobinas do primário e do secundário
e entre as bobinas e o núcleo de ferro. Em seguida,
medimos a resistência ôhmica dos enrolamentos,
marcando nesse momento o lado de maior resistência
como primário.
Rendimento, perdas e parâmetros para o modelo
do transformador são obtidos por meio de ensaios
específicos, os quais veremos a seguir.
Perdas no ferro
Ao realizar ensaio para determinar as perdas no ferro,
ensaio em vazio, além de mensurarmos as perdas em si,
conseguimos calcular os parâmetros magnéticos para a
construção do circuito equivalente do transformador.
Esses parâmetros são:
• Rm =resistência do circuito magnético;
• Xm= indutância do circuito magnético;
• Zm = impedância do circuito magnético;
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• Cosφ = fator de potência do transformador .
Serão medidos no ensaio:
• P0 = potência ativa em vazio;
• U0 = tensão de alimentação em vazio;
• I0 = corrente em vazio .
Equações utilizadas:
Perdas no cobre
Como perdas no cobre, entenda as perdas por ocasião
da resistividade do cobre utilizado para a fabricação do
fio magnético esmaltado. Com o ensaio em curto-circuito
determinamos o valor da resistência, a impedância e a
reatância indutiva do enrolamento primário e do secundário
com cálculos e auxilio da leitura dos instrumentos, além
do fator de potência dos enrolamentos.
As equações utilizadas são as seguintes:
Quando são conhecidos os valores precisos de r1, r2, x1
e x2, pode-se utilizar o conceito de impedância refletida
para determinar os valores Rcc e Xcc:
Como Z1 = V1/I1, podemos fazer
Z1 = a x U2= a2 x U2 = a2 x Z2
I2 / a I 2
em que a2 x Z2 é a impedância do secundário refletida no
primário.
A partir dessa dedução temos: Rcc=r1+a2 xr2 e Xcc= x1+a2
xx2
Como nessa aproximação não estão previstos métodos
para separação de r1 e a2.r2, se obtivermos Rcc,
podemos separar os termos usando dois métodos
conhecidos:
é levada em consideração a relação de transformação a.
Desta maneira obtemos a separação dos valores embutidos
em Rcc e Xcc mais facilmente e essa aproximação se
adapta melhor a determinadas condições de ensaio,
mostrando valores mais próximos a medições efetuadas
com instrumentos de baixa precisão ou que, por exemplo,
não levem em consideração o efeito pelicular da CA.
No segundo método encontrado, Rcc é dividido igualmente
entre primário e secundário, refletindo ao primário ou
secundário, conforme a necessidade.
2.13. lmpedância Percentual
Outro dado de extrema importância nos transformadores
e que também pode ser determinado no ensaio de curto-
circuito é a impedância percentual ou tensão de curto-
circuito percentual. Essa irnpedânci a está relacionada
com a tensão aplicada ao primário para fazer circular a
corrente nominal secundária, com o secundário em curto.
Esse valor vem como dado de placa do transformador,
pois é extremamente importante e deve ser considerado
na associação paralela de transformadores. O valor fica
em tomo de 3% a 9%.
Olhando de outro modo, com o secundário em curto, se
não houvesse resistividade do cobre e reatância indutiva
da bobina , a tensão de curto-circuito seria 0V, resultando
uma impedância percentual de 0%. Como existe
resistividade do cobre e reatância indutiva por parte da
bobina, podemos esperar que, em curto, a sorna vetorial
da resistência do enrolamento e da reatância resulte uma
impedância e seja parte da carga encontrada para o nível
de tensão de curto-circuito que aplicamos ao primário do
transformador.
Como o secundário está em curto e seu enrolamento foi
calculado com base em uma máxima potência fornecida,
deve-se iniciar a inserção da tensão no primário em 0V e ir
aumentando até que a In do transformador seja atingida.
É óbvio que há necessidade de instrumentos conectados o
tempo todo ao secundário e, principalmente, ao primário
do transformador, como veremos na seção de ensaios.
Se tivermos a tensão de curto-circuitoe a tensão nominal
do primário, podemos calcular a impedância percentual,
que é uma relação entre as duas:
Z% = Ucc x 100
Up
• Ucc = tensão de curto-circuito para atingir In no
primário
• Up = tensão nominal do primário
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Podemos utilizar a impedância percentual para determinar
a corrente de curto-circuito do transformador:
Icc = 100 x In
Z%
In = corrente nominal atingida no ensaio de curto-circuito
Rendimento do transformador
Rendimento sempre foi uma relação entre resultado
e gasto. Em um transformador dimensionamos o
rendimento estabelecendo uma relação entre a potência
fornecida pelo secundário e a potência absorvida pelo
primário para fornecer a potência no secundário.
A equação primária do rendimento, isto é, a 20°C, é
apresentada a seguir:
Re nd = Ps
Ps + Pcu + Pfe
Ensaios
Atenção
As atividades seguintes devem ser realizadas sob a orientação e
supervisão de um profissional habilitado, seguindo as normas de
segurança com relação a equipamentos de proteção individual, como
calçados e óculos de proteção, entre outros, e respeitando as normas
técnicas e os limites dos equipamentos. Um procedimento altamente
profissional é recomendado,pois ao trabalhar com eletricidade,o risco
de morte é reale constante.
Instrumentos e equipamentos: megôhmetro, multímetro,
voltímetro, am perímetro e wattímetro. A escala dos
instrumentos depende do equipamento ensaiado.
Anote os dados de placa do transformador monofásico a
ser ensaiado.
Teste de continuidade e isolação do transformador
Objetivo: Verificar se o transformador está em condições
de uso e pode ser utilizado para realização dos ensaios
elétricos. É necessário o cálculo da resistência de isolação
mínima do transformador utilizando a seguinte equação:
Risol= Un + 1 (equação adotada da NBR 5383- Máquinas
Girantes)
Sendo: Risol em M�, Un em KV
Observação
Consulte as normas NBR5380 e NBR10295 para obter equações e
tabelas de correção normatizadas para o respectivo transformador
ensaiado.
1. Com um megôbmetro meça a resistência de isolação
entre os emola mentos primário e secundário e
registre.
2. Meça a resistência de isolação entre o primário e a
carcaça e registre.
3. Meça a resistência de isolação entre o secundário
e a carcaça e registre.
4. Calcule a resistência de isolação mínima para um
transformador de 220V/110V e compare com os
valores encontrados. Qual a sua avaliação técnica do
transforma dor testado?
Relação de Transformação
Objetivo: Determinar a relação de transformação e
verificar o funcio namento do transformador. Serão
efetuados cálculos aproximados dos valores mecânicos e
elétricos do transformador.
1. Anote os dados de placa do transformador.
2. Meça com o ohmímetro a resistência dos enrolamentos
e identifique o primário e o secundário.
3. Alimente o primário com baixa tensão e anote a
tensão medida no secundário. Qual a relação de
transformação?
4. Meça a seção do núcleo de ferro com uma régua e
anote.
5. Calcule a potência do primário e do secundário do
transformador a partir da seção medida.
6. Calcule a corrente nominal do primário e a corrente
nominal do secundário a partir do valor da potência
calculada no item 5.
7. Qual a quantidade aproximadade chapas utilizadas no
transformador?
8. Com o valor da seção, para uma densidade magnética
na chapa de 12.000 gauss, calcule o número de espiras
do enrolamento primário.
9. Calcule o número de espiras do enrolamento
secundário.
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10. Calcule a bitola do condutor utilizado no primário e
a bitola do condutor utilizado no secundário.
11. Meça o ângulo de defasagem entre a tensão no
primário e a tensão no secundário do transformador
com um osciloscópio.
Ensaio a vazio
Objetivo: Determinar as perdas no ferro e obter
parâmetros elétricos para a construção do circuito
equivalente do transformador real.
Nota
O ensaio seguinte, devido à complexidade por utilizar muitos
instrumentos, tem uma conotação demonstrativa. Ele foi realizado
com um determinado transformador e os resultados registrados.
Foram efetuados os cálculos e anotados os resultados, portanto repita
o ensaio com outro transformador e refaça os passos. Elabore um
relatório com os resultados encontrados e suas observações .
Características do transformador utilizado:
220 V/ 110+110 V 2 A 440 VA, Figura 3.6.
Figura 3.6 Figura 3.7
Monte o circuito da Figura 3.7. Preocupe-se em ligar os
instrumentos corretamente, principalmente o wattímetro.
Com o secundário aberto, a vazio, execute os seguintes
procedimentos:
1. Conecte os terminais 1 e 2 a urna fonte CA ajustável.
2. Arrume a fonte CA ajustável para tensão nominal,
neste caso 220 V.
3. Meça a potência ativa absorvida com a leitura do
wattimeto e registre.
Po = 20W
4. Meça a tensão no primário com a ajuda do voltímetro
e registre.
Upo = 220 V
5. Meça a corrente no primário com o amperímetro e
anote.
Ipo = 160mA
6. Calcule a potência aparente absorvida pelo primário
com os valores:
So = Uo x lo = 35,2 VA
7. Utilize as equações seguintes para calcular os
parâmetros de magneti zação do transformador:
Cos φ = Po IRm = Io x Cos φ Im ag = Io x Sen φ
Vo x Io
Zm= Vo Rm = Vo Xmag = Vo Q var = Vo2
Io IRm Imag Xmag
• IRm = corrente através da resistência de magnetização
do ferro
• Imag = corrente através da reatância de magnetização
Calculando os valores:
Cosφ = 0,57 Irm = 91,2 mA Imag = 132 mA
Xm = 1666,7 Ω Rm = 2412,3 Ω Zm = 1375Ω
Calcule a potência reativa gasta pelo transformador:
Qvar = 29 VAr
Ensaio em curto - circuito
Objetivo: Determinar as perdas no cobre nos enrolamentos
primário e secundário pelo ensaio em curto-circuito,
Figura 3.8.
Atenção
É possível conectar um amperímetro também no secundário. A tensão
inicial no primá rio deve ser 0V. Desligue a fonte de tensão no primário
antes de posicionar o amperí metro para medir a Icc no secundário.
Figura 3.8
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1. Com uma fonte de tensão alternada ajustável,
alimente o primário do transformador como na figura.
Certifique-se de que a tensão de saída inicial da fonte
seja O V.
2. Aumente gradativamente a tensão aplicada ao
primário através da fonte até que a corrente
indicada no amperímetro seja a corrente nominal do
transformador.
3. Anote os valores da Pcc,Vccp e In medidos.
Pcc = 12 W Vccp = 12 V In= 2 A
Observação
In é a corrente de curto nesta condição.
4. Calcule os dados do circuito equivalente com os valores
registrados anteriormente utilizando as equações:
Observação
Np relação de transformação
Ns
Cálculo: Rcc = _3Ω_Zcc = _6Ω_Xcc = _5,2Ω_ Cosφ=_0,5_
r1 = r2 x 220V → r1= r2→ como Rcc = r1+r2 e r1=r2
220V
então → r1= Rcc
2
r1 = r2 = 1,5Ω
O mesmo raciocinio aplicamos para a reatância: x1=x2=
Xcc = 2,6 Ω.
2
Calcule o total de perdas no cobre:
O total das perdas no cobre, a 20°C, pode ser calculado
pela equação:
Pcu = r1 x I12 + r2 x I22 Pcu = 12 W
Notas
Considerar I1 e I2 iguais à corrente nominal
de curto-circuito no ensaio 2A.
Note que a relação de transformação é de 1:1, isolador, o
que facilitou os cálculos.
1) Com os dados encontrados com os cálculos, desenhe o
circuito equi valente do transformador com os valores dasrespectivas resistências e reatâncias anotadas.
Valores em ohms
2. Observe o cálculo da impedância percentual do
transformador e da corrente em um eventual curto-circuito
no secundário.
3. Cálculo do rendimento da unidade transfomadora a
20°C (adotar cosφ = 1 para rendimento máximo):
Noções de enrolamento de transformadores
Objetivo: Fornecer noções de como é executado o
enrolamento amador de transformadores de baixa
tensão, os chamados pequenos transformadores.
Atenção
É recomendável que procure uma escola especializada em enrolamento
de máquinas, se este for um assunto de seu interesse. Essas escolas
possuem professores com longa experiência nesta arte que podem lhe
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passar algumas técnicas.
Para enrolar um transformador, alguns materiais e
ferramentas precisam estar disponíveis e em quantidade
suficiente. A lista seguinte traz as ferramentas e materiais
básicos que podem ser utilizados no enrolamento do um
transformador.
1. FME com as seções calculadas para o primário e
secundário em quantidade suficiente. Normalmente
para estabelecer essa quantidade, ao desenrolar um
transformador queimado, os profissionais pesam o fio
magnético descartado para ter uma base de quanto
vão gastar.
2. Papel kraft e papel cristal para isolação externa e
entre camadas respectivamente.
3. Barbante ou cadarço para enrolamento para travar as
terminações das bobinas no carretel.
4. Ferramentas: alicate, canivete, ferro de solda,
bobinadeira com conta-voltas.
Para emolar o transformador , acompanhe os seguintes
passos:
a) Primeiramente devemos preparar o carretel para o
enrolamento, cobrindo a base interna com papel isolante
cinza.
b) Em seguida instalamos o carretel na bobinade ira e
preparamos o rolo de fio magnético esmaltado n° 25,
para enrolarmos as camadas das bobinas do primário .
Deixe uma sobra de fio para realizar as conexões elétricas
posteriores com a bobina.
c) Não se esqueça de colocar uma camada de papel
isolante mais fino entre as camadas de espiras do primário,
aumentando a isolação.
d) Terminado o primário, deixamos uma sobra de fio para
ligação externa e cobrimos o primário com papel isolante
cinza.
e) Preparamos o rolo de fio n°19 para enrolarmos o
secundário.
f) Novamente é necessário colocar uma camada de papel
cristal entre as camadas de fio no secundário.
g) Terminado o secundário,cobrimos com papel kraft,
soldamos cabos flexíveis às pontas de FME de saída e
entrada do transformador.
h) A última etapa inclui testes mínimos para verificar
se seu transformador pode receber tensão e realizar a
função a que ele se destina Para isso realizamos testes
como isolação, continuidade, resistência ôhmica das
bobinas e ensaio de relação de transformação.
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CAPÍTULO 04
TRANSFORMADOR TRIFÁSICO
Introdução
Largamente empregado na indústria e em sistemas
de distribuição, o transformador trifásico merece um
capítulo especial. Vamos estudar os aspectos construtivos
mais importantes, polarização do transformador, ligações
e aplicações.
Aspectos construtivos
Os transformadores trifásicos podem ser vistos como um
conjunto de três transformadores monofásicos, figura 4.1.
Temos então três primários e ao menos três secundários
que devem trabalhar juntos. Para trabalharem juntos,
existem alguns cuidados a serem tomados e observações
a serem feitas, e a partir destas podemos estabelecer
padrões de ligação para o transformador trifásico e
chamá-los de ligação estrela, ligação triângulo etc.
Três enrolamentos primários
e três secundários, cada qual
em uma coluna do entreferro
do transformador. Os terminais
do primário foram identificados
com a letra H (alta tensão), o
secundário com a letra X (baixa
tensão).
Sendo o transformador trifásico um conjunto de três
transformadores monofásicos, inseridos no mesmo núcleo
de ferro, é correto presumir que esses transformadores
deveriam ter as mesmas características construtivas,
número de espiras, seção dos condutores, potência e
principa lmente a irnpedância percentual, que deve ser
igual para os três. Em conjunto eles formam um único
transformador trifásico.
Para calcular a potência de uma unidade trifásica formada
por três transformadores de potência nominal Sn,
utilizamos a seguinte equação:
Sn3F = 3 . Sn
Um transfonnador trifásico pode apresentar-se de diversas
formas, Figura 4.2, mas sempre teremos o cuidado de
dissipar, de alguma maneira, o calor desenvolvido pelo
equipamento em trabalho. Para dissipação de calor em
transformadores de grande e médio portes, geralmente
o enrolamento permanece mergulhado em óleo isolante
que está em contato com as aletas externas, melhorando
a dissipação de calor. Transformadores menores têm seus
enrolamentos em contato com o ar, que é suficiente para
dissipar o calor gerado.
Figura 4.2- Transformadores trifásicos.
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Normalmente os transfonnadores trifásicos possuem
uma caixa de ligações ou bomes em que podemos efetuar
as conexões e ligações. Para identificar os terminais do
primário, é utilizada a letra H seguida do número do
terminal e para identificar os terminais secundários, é
utilizada a letra X, também seguida do número do terminal.
Em transformadores de alta e média tensões, os bornes
de ligação são sustentados por isoladores que os mantêm
a uma distância adequada da carcaça do transformador.
Classes de proteção
É importante salientar que, além das características
elétricas, os transformadores devem ser projetados ou
escolhidos de acordo com uma classe de proteção. O
que vem a ser classe de proteção? As características de
trabalho do transformador são importantíssimas, mas de
igual importância é o ambiente em que esse transformador
vai desenvolver esse trabalho e as proteções operacionais
que deve possuir.
Para mensurar essas características temos as classes
de proteção indicadas pelo índice de proteção IP, que é
construído com dois algarismos, o primeiro da Tabela 1 e
o segundo da Tabela 2.
Numeral Descrição sucinta do grau de proteção
0 Não protegido
1 Protegido contra objetos sólidos de Ø 50 mm e mais
2 Protegido contra objetos sólidos de Ø 12 mm e mais
3 Protegido contra objetos sólidos de Ø 2,5 mm e mais
4 Protegido contra objetos sólidos de Ø 1,0 mm e mais
5 Protegido contra poeira
6 Totalmente protegido contra poeira
Tabela 4.1 - Graus deproteção contra apenetração de objetos sólidos estranhos indicados pelo primeiro numeral
característico.
Numeral Descrição sucinta do grau de proteção
0 Não protegido
1 Protegido contra gotas-d'água caindo verticalmente
2 Protegido contra queda de gotas-d'água caindo
verticalmente com invólucro inclinado até 15°
3 Protegido contra aspersão de água
4 Protegido contra projeção de água
5 Protegido contra jatos de água
6 Protegido contra jatos potentes de água
7 Protegido contra efeitos de imersão temporária em água
8 Protegido contra efeitos de imersão contínua em água
Tabela 4.2 - Graus de proteção contra a penetração de água indicados pelo segundo numeral característico.
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Transformadores trifásicos em paralelo
Existem situações, geralmente em sistemas de potência
para fornecimento de energia, em que são associados
dois ou mais transformadores em paralelo, para aumentar
a potência fornecida.Para que isso seja possível, é
necessário que os projetistas, técnicos e engenheiros
tenham um profundo conhecimento de máquinas
elétricas e de sistemas de potência.
Algumas regras devem ser seguidas. Para associarmos
dois transformadores em paralelo, eles devem ter a
mesma impedância percentual e a mesma defasagem
angular. Quando duas fases R de dois transformadores
não têm a mesma defasagem angular, há uma diferença
de potencial entre elas e isso ocasiona um curto-circuito.
Se dois transformadores possuem impedâncias
percentuais diferentes, um enxerga o outro como carga e
há desperdício de potência.
Grupos de transformadores
Os dois grupos mais conhecidos de transformadores são o
A e o B. A defasagem angular do transformador determjna
a que gmpo ele pertence. Os transformadores do grupo A
possuem defasagem angular 0° e os do grupo B possuem
defasagem angular 30°.
Como visto anteriormente, não podemos ligar
transformadores com defasagens angulares diferentes em
paralelo, portanto não podemos ligar transformadores de
grupos diferentes em paralelo. A defasagem depende de
como foi enrolado o transformador e do tipo de ligação
do primário e do secundário. O fabricante determina as
ligações para o transformador de acordo com o grampo.
Além das defasagens de 0° e 30°, são encontrados no
mercado transfor madores com defasagem angular de
180° e 210°.
Polarização do Transformador
Polarizar o transformador é organizar todas as suas
bobinas, tanto as do primário quanto do secundário, de
forma que elas tenham polaridade defmida e conhecida,
evitando que, ao executarmos uma ligação, haja
inversão de polaridade não planejada, o que provocaria
subtração de tensão entre as bobinas. Eristem algumas
formas conhecidas de executarmos a polarização de
um transformador. A primeira delas é conhecida como
golpe indutivo e a outra como polarização em CA. As
diferenças entre os dois métodos de polarização estão na
complexidade de execução do método, necessidades de
instrumentos incomuns e risco de descargas na execução
do ensaio.
O golpe indutivo é o método mais simples e rápido de
polarizar um transformador e é aplicado separadamente
em cada um dos três enrolamentos que formam o
transformador trifásico. Se o secundário tiver mais de um
enrolamento, esse ensaio deve ser executado para cada
um dos enrolamentos do secundário. O golpe indutivo
consiste em aplicar uma tensão CC no primário e observar
a resposta em um galvanômetro conectado no secundário.
O mesmo padrão de resposta deve ser considerado para
os três enrolamentos que são marcados de acordo com
esta resposta.
A polarização em CA é mais complexa e trabalhosa,
mas exige menos instrumentos e recursos de bancada,
bastando uma fonte CA ajustável para sua realização.
Deve-se ter extremo cuidado, pois trabalhamos com o
transformador energizado a maior parte do tempo. Esse
método consiste em alimentar um dos enrolamentos
com tensão reduzida e ligar os outros enrolamentos em
série até que tenhamos a soma das tensões de cada
enrolamento. A cada etapa marcamos os terminais dos
enrolamentos já polarizados.
Felizmente, os transformadores vêm de fábrica com
todos os enrolamentos organizados e com polaridade
definida. Os terminais são marcados e basta seguir as
orientações do fabricante para efetuar a ligação desejada.
Apenas em situações especiais, fábricas, ensaios e
em transfonnadores sem identificação, realiza-se a
polarização do transformador.
Para auxiliá-lo no ensaio que está por vir, vamos fazer
algumas reflexões teóricas com relação à polaridade, que
é a base do ensaio por golpe indutivo. Consideremos o
transformador monofásico das Figuras 4.3 e 4.4:
Ospequenos pontos nos
enrolamentos indicam
apolaridade do enrolamento.
Um transfonnador com a
polaridade indicada reagiria
como nafigura, se aplicada
uma corrente no sentido
indicado. Supondo que esse
transformador tivesse um
primário as com Un - 110 V e
as bobinas do secundaria com
Un = 55 V cada, poderíamos
obter vários níveis de tensão
a partir de umafonte 110 V.
Exemplo: 55 V, 110 V e 220.
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Para obter 110 volts, é relativamente simples. Basta
seguir os sinais depolaridade das bobinas do primário e
ligar a entrada de uma na saída da outra. Considerando
o lado marcado como a entrada da bobina ou lado
''positivo", igualmente simples é perceber quando ligamos
erradamente o secundário, pois se ligamos entrada com
entrada, teremos O V de tensão resultante.
Até agora pode não ser novidade, mas como fazer para
obter 220 V de um transformador 110/55+55 V?
Se observada a montagem de um transformador,
percebe-se que temos enrolamentos de primário e de
secundário cuja conversão de energia é realizada por
entreferro. Pelo desenho notamos que estão em posição
oposta, portanto, para conseguir 220 V, é preciso associar
os potenciais dos dois enrolamentos.
Observe a ligação para conseguirmos 220 V nos terminais
do transformador. As colunas de tensão do primário e do
secundário foram somadas de maneira a obter o nível de
tensão desejado. Na prática obteríamos a soma das duas
colunas ou a subtração delas (leitura próxima de zero).
Se a marcação de polaridade foi feita sem inversão (0"),
conectando saída do primário (sem ponto) com entrada
do secundário (ponto), temos 220V entre os terminais 1
e 2.
Este raciocínio é usado constantemente na polarização e
identificação dos terminais do transformador.
Ensaios físicos-químicos
Os transformadores imersos em óleo isolante passam
periodicamente por ensaios incomuns para os estudantes
de máquinas elétricas, que são os ensaios físico-químicos.
Com certa frequência a rigidez dielétrica do óleo isolante
deve ser testada, pois esse óleo tem um tempo de vida
útil. O teste geralmente é executado por empresas
especializadas em testes de laboratório em que são
verificadas as condições do óleo isolante para determinar
uma possível troca.
Normalmente as empresas retiram uma amostra do óleo
por um dreno, com o transformador desligado, e enviam
para análise. De acordo com os resultados, o óleo deve ou
não ser substituído.
Ligações em transformadores trifásicos
Os transformadores trifásicos possuem enrolamentos
primário e secun dário preparados para serem ligados
de acordo com o esquema de ligações fornecido pelo
fabricante. Os esquemas de ligações do fabricante
geralmente trazem a identificação dos terminais de alta
e baixa tensões com as letras H e X, respectivamente,
mas além disso, as bobinas componentes das fases são
identificadas com a numeração normalizada. Para fase
R:(1;4),(7;10); fase S:(2;5),(8; 11);fase T:(3;6),(9; 12).
Para reequilibrar as correntes desequilibradas no
secundário, os transfor madores trifásicos de distribuição
têm o enrolamento primário conectado em triângulo. De
acordo com a defasagem angular, o fabricante recomenda
um grupo de ligações para o transformador. Nos esquemas
seguintes temos uma ligação típica, triângulo/estrela,
para transformadores do grupo B.
Figura 4.6
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As ligações devem ser efetuadas de acordo com os
padrões de ligação e respeitar a numeração nos terminais
das bobinas. Seguem os esquemas de ligação para
transformadores com mais de seis terminais:
Figura 4.7 - Transformador Trifásico
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Qualquer máquina elétrica industrial, antes de ser
conectada à rede de energia, deve passar primeiramente
por um teste de isolação elétrica. O transformadornão é diferente e devemos executar o teste medindo a
isolação entre bobinas e entre bobinas e carcaça. Deve-se
também verificar a continuidade das bobinas e sua
resistência ôhmica, procurando anomalias ou diferenças
entre enrolamentos.
Se passar pela fase de testes de isolação e resistência, em
ensaios de laboratório, devemos testar o transformador
para todas as possibilidades de ligação indicadas pelo
fabricante. Na atividade industrial, após ensaios de
isolação, testa-se o transformador no futuro ambiente
de trabalho, ligando-o conforme a necessidade e para as
condições previstas.
Isolação mínima a 75°C de transformadores trifásicos a
óleo:
Sendo:
• R em MΩ
• U em KV
• F em HZ
Uma consulta à NBR5380 deve ser realizada para obtenção dos
fatores de ajuste de temperatura e para detalhes na determinação
daresistência de isolação de transformadores a óleo e a seco.
Ensaio: transformador trifásico
Atenção
Este ensaio deve ser executado sob a supervisão de um
profissional experiente e habilitado, pois os riscos estão
presentes. Se você já é um profissional habilitado, deve
entender o que tentamos esclarecer e tomar todas as
medidas preventivas necessárias para redução de risco,
evitando acidentes.
Ensaio de polarização por tensão CA
Objetivo: Organizar as bobinas do transformador trifásico
de modo que possam ser executadas as ligações previstas,
mantendo o equilibrio entre as tensões e correntes do
Figura 4.8 - Transformador Trifásico
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primário e do secundário, em que acontecem as respos
tas de tensões desejadas. Novamente este ensaio é um
exemplo de aplicação, devendo o aluno tomá-lo como
base para seu ensaio e reflexões. Anote seus resultados;
não copie os do livro.
Dados iniciais: Para polarização por tensão CA, o único
dado de que necessitamos é a tensão nominal de cada
bobina no primário. Sabendo que a tensão de alimentação
do primário para ligação triângulo é de 220 V, podemos
concluir que cada bobina primária suporta no máximo
220 V. A relação de transformação individual das colunas
do transformador em teste é aproxi madamente 3/1 (1V no
secundário para cada 3V aplicado à bobina do primário).
Fórmula para o ensaio: UL = UF * √3
As Figuras 4.9 e 4.10 mostram, respectivamente, o
transformador experi mental e o esquema elétrico do
transformador depois da polarização. Note que após a
polarização temos todos os enrolamentos com sentido
marcado por ponto e números nos terminais.
Figura 4.9 Figura 4.10
1. Desenhe a vista frontal dos bomes de ligação do
transformador trifásico, Figura 4.11. Com o auxílio
de um multímetro, identifique todas as bobinas
do enrolamento primário e as do enrolamento
secundário e marque no desenho. Anote o valor da
resistência ôhmica das bobinas. No exemplo foram
encontradas uma bobina secundária e três bobinas
primárias. Registre todas as etapas de identificação
e, se for necessário, faça vários desenhos como na
Figura 4.11.
No exemplo observamos a medição e a identificação de
algumas bobinas doprimário e do secundário. As bobinas
do lado de maior tensão têm maior resistência. Como a
resistência das bobinas é muito baim, podemos esperar
erros de medição, portanto o valor medido aproxima-se
do real. O transformador ensaiado tem relação
220 V/36+36 V.
Figura 4.11
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2. Se não for possível saber quais são as bobinas do
enrolamento central, coluna 2, você precisa fazer esse
teste antes de continuar. Alimente um dos enrolamentos
primários com tensão aproximadade 60V (30% de
220 V). Meça a tensão nas seis bobinas do secundário.
Se o enrolamento primário energizado for o enrolamento
central, as tensões medidas terão a seguinte configuração:
• Bobina 1:8,9 V
• Bobina 2:9 V
• Bobina 3:9 V
• Bobina 4:18 V
• Bobina 5:8,9 V
• Bobina 6:18 V
Temos duas bobinas com valores iguais e superiores
ao valor das outras quatro bobinas que também são
aproximadamente iguais. Isso configura que alimentamos
o enrolamento primário central e o fluxo magnético
variável atinge primeiro o secundário central, por isso a
maior tensão é encontrada nas bobinas do secundário
desse enrolamento.
O fluxo variável atinge as outras colunas com a mesma
intensidade, pois elas têm praticamente a mesma distância
do centro, por isso os valores são iguais nas outras bobinas.
O mesmo procedimento pode ser utilizado para achar
as bobinas das colunas direita e esquerda. Se alimentar
o primário dessas colunas com 60 V, encontram-se
18 V apenas no secundário das bobinas das respectivas
colunas. Apenas tenha o cuidado de alimentar e testar
uma coluna de cada vez.
Organizando:
• Bobinas da coluna 2 central: bobinas 4 e 6→ 18 V
• Bobinas da coluna 3 direita: bobinas 2 e 3 → 9 V
• Bobinas da coluna 1 esquerda: bobinas 1 e 5→ 8,9 V
3. Com o auxílio dos desenhos faça as conexões entre
os enrolamentos primários das colunas 2 e 3 do seu
transformador, conforme a Figura 4.12. Alimente o
primário da coluna 3 à esquerda com uma tensão
equivalente a 30% da tensão nominal.
Conecte um voltímetro entre as bobinas
das colunas 2 e 3. Se a polaridade estiver
correta, o valor da tensão medida deve
ser próximo à tensão aplicada. Se o valor
medidofor muito menor, inverta aspontas
da terceira coluna e refaça a medição.
Vaplicada = _60 V_
Vmedida= _60 V_
4. Se a tensão medida ficou próxima da tensão aplicada, então marque os enrolamentos conforme a Figura 4.13.
Figura 4.12
As colunas seguem a numeração padrão
para as bobinas das fases , considerando
coluna 2 - fase 2, coluna 3 - fase 3.
Lembre-se de que é um exemplo.No seu
caso uma das pontas do voltímetro estará
conectada ao 2 (entrada da coluna 2) e a
outra ao 6 (saida da coluna 3).
Figura 4.13
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5. O mesmo procedimento deve ser seguido com relação ao enrolamento da coluna 1. Conforme a Figura 4.14 ,
alimente o enrolamento da coluna 3 com tensão de 30% da tensão nominal e meça a tensão entre os enrolamentos
das colunas 1 e 2.
Ligue os enrolamentos dos primários das colunas
1 e 2 conforme o desenho. A tensão no voltímetro
deve estar próxima da tensão indicada. Se for
muito menor, inverta as bobinas da coluna
1.Anote o valor da tensão medida:
Vmedida= _60 V_
6. Se a tensão medida ficou próxima da tensão aplicada, então marque os enrolamentos conforme a Figura 4.15.
O enrolamento primário está todo identificado
com a numeração das bobinas de acordo com
asfases. Execute o teste 6.a para ter certeza
de que está tudo corretamente polarizado no
primário antes de passarmos ao secundário.
a) Para ter certeza de que o primário está polarizado
e numerado corretamente, feche-o em estrela, com o
secundário sem ligação nenhuma. Aplique 220 V trifásico
no primário e meça as tensões de fase e de linha. Se o
primário estiver corretamente polarizado e numerado, a
relação das tensões deve ser a seguinte:
• UF = 127 V das três fases para o neutro
• UL = 220 V entre as três fases
Se algo estiver errado, isto é, alguma bobina estiver
invertida (S, por exemplo), você encontra as seguintes
tensões de fase e de linha:
UF_R= 190 V, UF_S = 318 V, UF_T = 190 V
Nota-se 1,5 x UF em duas fases e 2,5 x UF na fase invertida.
Quando uma fase está invertida no primário, é assim que
as tensões se apresentam. Na linha temos:
U_RS = 220 V, U_ST =220 V, U_RT = 220 V
Se a maior tensão se apresenta na fases, a bobina invertida
é a da fase S. Reverta a bobina da fasee normalize a
situação.
Registre nos desenhos a mudança.
Figura 4.14
Figura 4.15
Figura 4.16
Como o primário está ligado àfonte, é dificil enxergar a
soma das tensões de fase (que deveria ser zero) com uma
fase invertida.
Do ponto de vista do secundário, fica maisfácil entender o
que ocorre quando há umafase invertida.
Se estiverem corretamente polarizadas, as três fases
aplicadas.flcam 120° defasadas entre si. Como a fase S
está invertida, a defasagem entre R e S, S e T fica menor,
60°. Consequentemente, a tensão de linha entre essa.fase
é menor.
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7) Alimente o enrolamento central, com tensão reduzida, como na figura:
Meça a tensão em cada uma das bobinas do secundário,
com o enrolamento primário da coluna central alimentado
com tensão reduzida. Anote os valores noformato:
• Coluna 1
• Bobina secundária 1:_8,9_Volts
• Bobina secundária 2: _8,9_Volts
• Coluna 2
• Bobina secundária 1: _18_Volts
• Bobina secundária 2: _18_Volts
• Coluna 3
• Bobina secundária 1: _9_Volts
• Bobina secundária 2: _9_Volts
Figura 4.17
8. Ligue as bobinas do secundário em série, conforme a Figura 4.18, e meça a tensão no secundário de cada coluna.
Figura 4.18
A tensão indicada no voltimetro deve ser superior às
tensões individuais das bobinas. Se isso não ocorrer,
inverta a ligação das bobinas, ligue entrada com entrada
ou saída com saída e meça novamente. Anote o valor
medido.
Coluna 1 => Vmed = _17 V_
9. Repita o procedimento anterior para as bobinas
do secundário das colunas 2 e 3, anotando os valores
encontrados.
• Coluna2 → Vmed = _36 V_
Meça a tensão nas extremidades das colunas conforme
indicado. A tensão indicada deve ser próxima da soma
das tensões medidas nos secundários das colunas
separadamente. Se nãofor, inverta a ligação entre as
colunas. Anote o valor da tensão medida.
Vmedida = _53 V_
• Coluna3 → Vmed = _18,3 V_
10. Ligue em série os conjuntos de bobinas do secundário
da primeira e segunda colunas de acordo com a Figura
4.19.
Figura 4.19
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Nota
Nesse momento numere as pontas dos secundários, tendo em mente que, como estamos interligando colunas,
devemos ligar saída com saída, pois há defasagem de 120° de uma coluna para a outra.
11. Interligue as colunas 1 e 2 já polarizadas com a coluna 3, como demonstra a Figura 4.20.
Figura 4.20
Meça a tensão entre as colunas 2 e 3, conforme afigura ao
lado. Obviamente o resultado deve aproximar-se da soma
das tensões individuais das duas colunas. Se houver uma
diferença significativa, inverta os terminais do conjunto
da coluna 3.
Anote o valor da tensão medida.
Vmedida = _54,3 V_
12. Numere os enrolamentos em sequência de acordo com o resultado obtido e como exemplificado em seguida.
Após marcadas todas as bobinas com os
respectivos números, é hora de testar os esquemas
de ligações para o tran formador. Não se esqueça
de que, após realizada a ligação no primário, os
terminais passarão a ser identificados como H1,
H2 e H3. O secundário como X1, X2 e X3.
Para verificar se está rudo ligado corretamente, utilize
a ligação estrela 12 pontas para o secundário, ligue o
primário em estrela e ali mente com 220 V. Meça as
tensões de fase e de linha no secundário. Se houver
diferenças, proceda como exemplificado no item 6, Figura
3.13, aplicando ao secundário. Os resultados dos testes
no secundário podem ser vistos a seguir:
UF_R = 72V, UF_S = 72 V, UF_T = 72V
U_RS = 124 V, U_ST = 124 V, U_RT = 124 V
Testar ligações e relações de transformação
Objetivo: Verificar as possibilidades de ligações para
o transformador trifá sico disponível. Anotar todos os
valores de tensão de fase e de linha possíveis.
Atenção
Sempre que for realizar alteração nas ligações do
transformador, desligue a alimentação. Mantenha o
transformador energizado apenas enquanto estiver
realizando medições.
1) Teste cada um dos esquemas de ligação, anote a tensão
de linha medida para as ligações triângulo e as tensões
de linha e de fase para as ligações estrela no secundário.
Figura 4.21
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Primário Δ Δ Δ Δ
Secundário λ λλ Δ ZZ
Tensões de
linha e de fase
medidas nas
fases R, S e T
respectivam ente
em volts
UL = 220 UL = 111 UL=127 UL = 190
UF = 127 U F= 63
Uf =127/63 UF = 111/64
UL = 220 UL = 111V UL = 127 UL = 190
UF = 127 UF = 63V UF = 127/63 UF = 111/64
UL = 220 UL = 111 UL = 127 UL = 190
UF = 127 UF = 63 UF = 127/63 UF = 111/64
Primário λ λ λ λ λ
Secundário Δ ΔΔ λλ ZZ λ
Tensões de
linha e de fase
medidas nas
fases R, S e T
respectivam ente
em volts
UL= 74 UL=36 UL =63 UL=111 UL= 128
UF= 74/37 UF=36 UF =36 UF=62/37 UF=74
UL=74 UL=36 UL =63 UL=111 UL= 128
UF=74/37 UF=36 UF =36 UF=62/37 UF=74
UL =74 UL=36 UL =63 UL=111 UL= 128
UF=74/37 UF=36 UF =36 UF=62/37 UF=74
2) Construa duas tabelas semelhantes às anteriores
e anote os valores calculados para as ligações. Utilize
a relação de transformação encontrada e considere
para ligação triângulo UF = UL e para ligação estrela
UL = UF x √3.Para ligação ZZ considerar UL = UF x √3 nas
extremidades e UL = UF x 3 no joelho. Compare seus
cálculos com os valores medidos.
Ensaio de polarização por golpe indutivo
Objetivo: Determinar a polaridade das bobinas do
transformador através de golpe indutivo aplicado no lado
de tensão mais alta.
Importante
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O golpe indutivo deve ser aplicado do lado de alta
para o lado de baixa tensão. Desobedecida esta regra, o
risco de descarga elétrica é altissimo.
Figura 4.22
O ensaio de polaridade por golpe indutivo é mais
simples de ser realizado, mas exige um instrumento não
convencional para indicar o sentido da corrente do golpe,
o galvanômetro. Além disso, são necessários uma fonte
de corrente contínua e um botão de pulso em série para
comandar o pulso de tensão aplicado no primário.
O galvanômetro deve supmiar o golpe refletido no
secundário e o pulso de tensão deve ser aplicado sempre
no enrolamento de tensão mais alta com tensão contínua
calculada. O procedimento desse ensaio é ligar o positivo
da bateria a determinado terminal do enrolamento e
marcar esse terminal com um ponto (como na figura
anterior).
Aplicado o golpe, o sentido da corrente refletida no
galvanômetro deve ser positivo e o mesmo para todos
os enrolamentos do lado de tensão mais baixa, sendo
marcado com ponto também.
Banco de transformadores monofásicos
Aplicando os conhecimentos adquiridos, é possível
montar uma unidade transformadora trifásica com
três transformadores monofásicos. O aspecto geral da
montagem fica como representado na Figura 4.23.
Temos três transformadores monofásicos compolaridades
iguais trabalhandojuntos em um sistema trifásico. O
primário e o secundárioforam fechado sem estrela no
exemplo.
Figura 4.23
Se houver disponibilidade de três transformadores
monofásicos com relação de transformação, impedância
percentual e defasagem angular seme lhantes, é possível
realizar o experimento. No exemplo citado temos três
trans formadores monofásicos 220/127 V fechados em
estrela e ligados a uma rede de 380 V. Na saída temos uma
rede trifásica de 220 V com tensão de fase 127V.
Outros Transformadores
Autotransformador
Para reduzir custos ou em situações específicas,
pode-se optar pela utilização ou construção de um
autotransformador.Ele não difere muito de um
transformador monofásico no que diz respeito ao
ferromagnético desse equipamento. A grande diferença
e, consequentemente, o segredo está no sistema de
bobinas. No autotransforrnador não há mais primário e
secundário como dois enrolamentos distintos, na verdade
temos apenas um enrolamento que serve como primário
e corno secundário ao mesmo tempo, Figura 4.24.
Com isso se esperam menos perdas no cobre e consequente
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aumento no rendimento. O aspecto comercial de um
autotransformador para uso domiciliar pode ser visto na
Figura 4.25.
Figura 4.24
Figura 4.25
Obviamente há uma economia, já que não temos mais
dois enrolamentos, mas tudo tem um preço. Perdemos
a isolação elétrica entre entrada e saída, pois o mesmo
caminho elétrico que constitui a entrada constitui a saída.
Outro fator importantíssimo que deve ser levado em
consideração antes da opção por um autotransformador
é a potência do equipamento.
Pode-se observar que não circula a mesma corrente
nas duas seções do enrolamento; por exemplo, um
autotransformador de 210 V/70 V fornece uma corrente
de 10 A para uma determinada carga com 70 V através do
secundário, então temos 700 VA e 10 A fornecidos à carga.
Se há uma carga de 700 VA, o primário deve garantir esses
700 VA; a 21O V temos uma corrente fornecida de 3,33 A.
A corrente fornecida percorre o segmento do enrolamento
superior primário, descendo, encontrando-se com os
6,66 A produzidos por indução no segmento do secundário
e suprindo a necessidade da carga. Passando pela carga,
esse total de 10A retoma a fonte pelo fio comum da forma
apresentada na Figura 4.26.
Figura 4.26
Em outro exemplo, se desejamos uma potência de 300 VA
na saída, a entrada deve suprir a futura demanda. Portanto,
para um transformador de 300 VA/ 110 V no primário
e 48 V no secundário, temos I primária = 2,73 A. Para o
secundário, de mesma potência, desconsiderando perdas,
temos uma corrente I secundário = 300 VA/48 V = 6,25 A.
Conclusão: Se fabricarmos o autotransformador com o
condutor dimen sionado segundo a corrente primária,
ocorrem perdas enormes, aquecimento e possível queima
(S = 48 V x 2,73 A = 131,4 VA) se ultrapassada a potência
máxima com esse condutor, o que não é raro de ser
observado em transforma dores e autotransformadores
de procedência duvidosa.
Figura 4.27
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A aplicação de autotransformadores é indicada quando
não há necessidade de isolação elétrica entre primário e
secundário e a redução de tensão não ultrapassa 50% da
tensão primária, como, por exemplo, o autotransformador
trifásico para sistemas de compensação de partida de
motores (chave compensadora), que possui taps de 50%,
65% e 85% da tensão de entrada, Figura 4.27.
Existem situações em que encontramos a filosofia do
autotransformador aplicada em outros dispositivos. Em
aplicações CC em que se deseja uma elevada tensão CC
de saída a partir de pulsos de entrada, pode-se utilizar
autotransformadores desenhados e projetados para esse
fim. Exemplos: bobinas de ignição, flybacks etc.
Autotransformador ajustável
Em equipamentos industriais, em que existe uma fonte
de CA ajustável, é comum encontrar como elemento ativo
dessa fonte um simples autotrans formador ajustável.
Como dito anteriormente, uma razão forte para isso é a
economia, outra a simplicidade de um autotransformador
ajustável, Figura 4.28. Normalmente, por questão física
do equipamento, o enrolamento é bobinado sobre um
núcleo em forma de toroide.
Figura 4.28
Aproveita-se o mesmo enrolamento primário como
secundário, mas desta vez a saída funciona selecionando o
número de espiras necessárias para produzir determinada
tensão na saída do transformador. Em laboratórios
encontramos autotransformadores ajustáveis que operam
em equipamentos como o VARIAC. Um ponto importante
e que mesmo em equipamentos comercializados não se
leva em consideração é que o fusível de proteção nesses
equipamentos, por ser indutivo, não deveria ser de ação
rápida.
Transformador de potencial
As aplicações para transformadores são muitas, mas
em alguns casos esses equipamentos têm papel
tão importante em uma aplicação que recebem um
sobrenome. O transformador de potencial, Figura 4.29,
por exemplo, é utilizado em sistemas de proteção para
sistemas de potência.
Figura 4.29
Suponhamos um sistema de potência em 13,8 KV que
necessite de sinalização de nível de tensão na porta do
seu painel de comando. É óbvio que não podemos instalar
um voltímetro de painel que meça diretamente os 13,8 KV.
O transformador de potencial, neste caso, participa do
sistema de medição, abaixando o nível de tensão para
ser aplicado ao voltímetro. O voltímetro possui escala de
0 a 13,8 KV proporcional à baixa tensão aplicada.
O transformador de potencial também pode ser usado
para acionar as bo binas de gatilho de disjuntores de alta
tensão, pois seria inviável comandá-las em alta tensão,
sendo aplicados em sistemas de proteção.
Transformador de corrente
O transformador de corrente também é um equipamento
de extrema importância em sistemas de potência. Assim
como o transformador de potencial, podemos encontrar
transformadores de corrente para medição, Figura 4.30,
e para proteção, Figura 4.31. Sua aplicação pode ser
deduzida da necessidade de indicação da corrente de
linha em um sistema cuja corrente instantânea é 2000 A.
Como podemos ter essa indicação de corrente em um
painel de comando?
É neste caso que entra o transformador de corrente. Com
relação de 2.000 A para 5 A temos uma conente reduzida
em sua saída, mas equivalente à corrente real medida.
Existem outras relações de transformação. Para ter acesso
a elas consulte os diversos fabricantes de TCs presentes
no mercado.
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Figura 4.30 Figura 4.31
Há uma diferença entre os transformadores de corrente
para medição e os transformadores de corrente para
proteção, principalmente no aspecto cons trutivo.
Primeiramente veremos a máxima corrente de secundário
em regime permanente, que deve ser igual à nominal
descrita no manual do transformador , por exemplo, 5A. Em
regime transitório, isto é, em situações em que a corrente
ultrapassa a nominal por algum tempo, deve-se consultar
o fabricante a respeito do tempo que o transformador
pode suportar uma determinada sobrecorrente.
Em transformadores para proteção, a tensão de isolação
do TC é maior e a corrente transitória suportada mais
ampla. Os manuais de fabricante geralmente vêm com
todas as especificações necessárias ao projeto e é possível
notar isso.
Alguns aspectos importantes com relação ao TC só são
entendidos com uma pequena análise matemática do
dispositivo. A Figura 4.32 mostra o modelo matemático
do TC.
Sendo:
• IP =corrente primária
• I1 = corrente secundária total
• Is = corrente secundária
• Xmag =reatância de magnetização
• Xd = reatância do amperímetro
• E = tensão nos terminais do TC
Supondo um TC com relação 500/5 A, instalado em um
sistema com Ip = 500 A e corrente secundária = 5 A,
temos a seguinte situação: I1= 5 A, E = 10 V, Imag = 0,1 A,
Is = 4,9 A, lido no amperímetro.
Calculando, temos: Xt = Xd // Xmag = E / Is = 2,04 Ω
Se o transformador de corrente for aberto, isto é, o
amperímetro for retirado dos terminais de medição, a
tensão nesses terminais sobe consideravel mente, pois a
reatância de magnetização,que é alta, é o único caminho
para a conente de 5 A:
Xt = Xmag
Aplicando essa corrente à curva de magnetização do TC,
Figura 4.33, temos uma tensão de 800 V. O TC pode não
resistir a essa tensão e haverá uma ruptura dielétrica.
Figura 4.32
Observe a tensão nos terminais do TC de acordo com a
corrente de magnetização. Fica claro que essa corrente
deve ser mantida baixa, portanto nada de abrir os terminais
do TC enquanto ele trabalha. A curva de magnetização é
fornecida pelo fabricante .
Figura 4.33
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A instalação correta de um instrumento de medição de
corrente eventual ligado a um TC pode ser observada na
Figura 4.34.
Figura 4.34
Sendo bl um botão de leitura que, ao ser pressionado,
permite que a corrente do secundário do TC chegue ao
amperímetro, possibilitando a leitura. Para instrumentos
que realizam medidas constantes, deve-se ligar o
amperímetro direto ao TC, com o cuidado de realizar a
conexão com o sistema desligado. Se não for possível,
feche os terminais do TC em curto, conecte o amperímetro
e então retire o curto.
Ensaio: regulação de tensão em transformadores
Objetivo: Estudar o comportamento da tensão de saída
do transformador com o aumento de corrente para os três
principais tipos de carga: resistiva, indutiva e capacitiva.
Equipamentos utilizados: transformador isolador
120/120 V, fonte CA ajustável de 0 a 220 VCA, conjunto
de capacitares, conjunto de indutores e conjunto de
resistências , todos com reatância equivalente às indicadas
nas tabelas de ensaio e dissipação de potência adequada.
São necessários dois amperímetros CA e dois voltímetros
CA que façam a leitura dos níveis de tensão utilizados com
segurança.
Nota
Podem ser utilizados outros transformadores com valores
diferentes e reatâncias também diferentes como carga.
Apenas refaça as tabelas e os gráficos de acordo com seus
equipamentos. A análise final deve levá-lo às mesmas
conclusões.
Procedimentos
1) Monte o circuito representado na Figura 4.35.
Mantenha a fonte CA desligada.
Figura 4.35
2) Monte inicialmente a tabela para cargas puramente
resistivas , Tabela 4.1. Com o secundário aberto, sem carga,
ligue a fonte e ajuste-a para 120 VCA. Anote os valores
lidos no voltímetro, no amperímetro do secundário e no
amperímetro do primário na Tabela 4.1.
ZL(ohms) I primário (mA) I secundário (mA) V secundário (V)
Sem carga 20 0 120
1200 100 100 119
600 200 190 117
400 290 285 115
300 395 380 112,5
240 480 475 110
Tabela 4.1
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3) Desligue a fonte, aplique a carga de 1.200 Ω, religue
a fonte, execute as medições e preencha a tabela como
foi feito na Tabela 4.1. Repita o procedimento para os
outros valores de impedância de carga constantes na
tabela. Ao terminar, desligue a fonte.
4) Construa um gráfico que expresse a variação de corrente
e tensão no secundário em função da carga puramente
resistiva aplicada.
5) Repita os procedimentos dos itens 2 e 3, agora para cargas indutivas, e preencha a Tabela 4.2.
ZL(ohms) I primário (mA) I secundário (mA) V secundário (V)
Sem carga 20 0 120
1200 105 100 118
600 202 197 115
400 300 290 112
300 375 370 110
240 460 450 108
Tabela 4.2
6) Construa um gráfico que expresse a variação de corrente e tensão no secundário em função da carga indutiva
aplicada.
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7) Repita os procedimentos constantes nos itens 2 e 3, agora para cargas capacitivas, e preencha a Tabela 4.3.
ZL(ohms) I primário (mA) I secundário (mA) V secundário (V)
Sem carga 20 0 120
1200 105 100 122
600 202 230 125
400 300 330 127
300 375 445 130
240 460 530 132
Tabela 4.3
8) Construa um gráfico que expresse a variação de corrente e tensão no secundário em função da carga capacitiva
aplicada.
9) Analise os dados obtidos e os gráficos construídos e
responda às questões a seguir com relação ao ensaio:
a) Calcule a regulação de tensão em % do transformador
para cada tipo de carga, utillzando os dados do ensaio
com carga puramente resistiva, puramente indutiva e
puramente capacitiva. Utilize a fórmula:
R% = UsaídaSC - UsaídaCC x 100
UsaídaCC
Sendo:
• UsaídaSC = tensão de saída sem carga
• UsaídaCC = tensão de saída com carga
b) Por que a tensão na carga elevou-se com a elevação da
impedância da carga capacitiva?
c) Pense bem! Se tivermos as mesmas condições de
carga em potência (VA) para carga resistiva, indutiva e
capacitiva, qual desses tipos de carga produziria menos
aquecimento do trans formador? Por quê?
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CAPÍTULO 05
INTRODUÇÃO ÀS MÁQUINAS ROTATIVAS
Conceitos Elementares
A Equação 1.27, e = dλ/dt pode ser usada para determinar
as tensões induzidas por campos magnéticos variáveis no
tempo. A conversão eletromagnética de energia ocorre
quando alterações no fluxo concatenado λ decorrentes
do movimento mecânico. Nas máquinas rotativas, as
tensões são geradas nos enrolamentos ou grupos de
bobinas quando esses giram mecanicamente dentro de
um campo magnético, ou quando um campo magnético
gira mecanicamente próximo aos enrolamentos, ou ainda
quando o circuito magnético é projetado de modo que a
relutância varie com a rotação do rotor. Por meio desses
métodos, o fluxo concatenado em uma bobina específica
é alterado ciclicamente e uma tensão variável no tempo
é gerada.
Um grupo dessas bobinas, conectadas em conjunto, é
referido comumente com o enrolamento de armadura. Em
geral, o termo enrolamento de armadura de uma máquina
rotativa é usado para se referir a um enrolamento ou grupo
de enrolamentos que conduzam corrente alternada. Em
máquinas CA, tais como as síncronas ou as de indução,
os enrolamentos de armadura alojam-se tipicamente na
parte estacionária do motor conhecida como estator,
caso em que esses enrolamentos podem ser referidos
também como enrolamentos de estator. A fig. 5.1 mostra,
em construção, o enrolamento de estator de um motor
síncrono trifásico multipolos de grande porte.
Em uma máquina CC, o enrolamento de armadura
encontra-se na parte rotativa conhecida como rotor.
A Figura 5.2 mostra o rotor de uma máquina CC. Como
veremos, o enrolamento de armadura de uma máquina
CC consiste em muitas bobinas conectadas entre si para
formar um laço fechado. Quando o rotor está girando, um
contato mecânico rotativo é usado para fornecer corrente
ao enrolamento de armadura.
Tipicamente, as máquinas síncronas e CC apresentam um
segundo enrolamento (ou conjuto de enrolamentos) que
conduz corrente contínua e que é usado para produzir o
fluxo principal de operação da máquina. Tal enrolamento
é referido tipicamente como enrolamento de campo. O
enrolamento de campo em uma máquiga CC encontra-se
no estator, ao passo que, no caso de uma máquina
síncrona, ele é encontrado no rotor, caso em que a
corrente deve ser fornecida ao enrolamento de campo por
meio de um contato mecânico rotativo. Como ja vimos,
os imãs permanentes também produzem fluxo magnético
constante e, em algumas máquinas, são usados no lugar
dos enrolamentos de campo.
Figura 5.1 - Estator de um gerador hidrelétrico trifásico de 190 MVA, 12 kV e 375 rpm. Os condutores contêm passagens
ocas para a circulação da água de refrigeração. (Brown Boveri Corporation)
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Na maioria das máquinas rotativas, o estator e o rotor são
feitos de aço elétrico e osenrolamentos são instalados
em ranhuras alojadas nessas estruturas. O uso de um
material como esse, de alta permeabilidade maximiza o
acoplamento entre as bobinas e aumenta a densidade
de energia magnética associada com a interação
eletromecânica. Também permite que o projetista de
máquinas dê forma aos campos magnéticos e distribua-os
de acordo com as exigências de projeto de cada máquina
em par ticular.
O fluxo variável no tempo, presente nas estruturas da
armadura dessas máquinas, tende a induzir correntes,
conhecidas como correntes parasitas, no aço elétrico. As
corren tes parasitas podem ser uma grande fonte de perdas
nessas máquinas e podem reduzir sig nificativamente
o seu desempenho. Para minimizar os efeitos das
correntes parasitas, a estrutura da armadura é construida
tipicamente de chapas delgadas de aço elétrico isoladas
entre si. Isso está ilustrado na figura 5.3, em que se mostra
para um motor CA, o núcleo do estator sendo construído
como um empilhamento ou pacote de chapas individuais.
Em algumas máquinas tais como máquinas de
retulância variável e motores de passo, o rotor não tem
enrolamentos. A operação dessas máquinas depende da
não uniformidade da retulância entreferro, associada as
variações de posição do rotor, e também das correntes
no tempo que são aplicadas aos seus enrolamentos de
estator. Em tais máquinas, tanto as estruturas do estator
como as do rotor estão sujeitas a um fluxo magnético
variável no tempo e, como resultado, ambas podem
necessitar de chapas para reduzir as perdas por correntes
parasitas.
Figura 5.2 - Armadura de um motor CC. (General Electric Company)
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Figura 5.3 - Núcleo de um estator pacialmente terminado de um motor CA. ( Westinghouse Electric Company).
As máquinas elétricas rotativas assumem diversas formas
e são conhecidas por diversos nomes: CC, síncronas,
de imã permanente, de indução, de relutância variável,
de histerese, sem escovas, e assim por diante. Embora
essas máquinas aparentem ser bastante diferentes,
os princípios físicos que regem o seu comportamento
são bastante similares e freqüentemente é útil pensar
nelas em termos de um mesmo ponto de vista físico. Por
exemplo, a análise de máquina CC mostra que, associadas
tanto ao rotor como ao estator, há distribuições fixas
do fluxo magnético no espaço e que as características
de produção de conjugado da má quina CC provêm da
tendência desses fluxos a se alinhar entre si. Uma máquina
de indução, apesar de muitas diferenças fundamentais,
trabalha exatamente de acordo com o mesmo prin cipio.
Épossível identificar distribuições de fluxo associadas ao
rotor e o estator. Embora não estacionárias, mas estejam
na realidade girando em sincronismo, como no motor CC,
elas estão distanciadas entre si por uma separação angular
constante, e o conjugado é produ zido pela tendência
dessas distribuições de fluxo a se alinhar entre si.
Certamente, modelos analíticos são essenciais à análise
e ao projeto de máquinas elétricas e, ao longo deste
livro, tais modelos serão desenvolvidos. Entretanto, é
importante tam bém reconhecer que um insight físico
do desempenho desses dispositivos é igualmente útil.
Um dos objetivos deste capítulo e dos subseqüentes é
conduzir o leitor no desenvolvimentode tal insight.
Introdução às Máquinas CA e CC
Máquinas CA
As máquinas CA tradicionais classificam-se em duas
categorias: síncronas e de indução. Nas máquinas síncronas,
as correntes do enrolamento do rotor são fornecidas
através de contatos rotativos fixados diretamente na
parte estacionária do motor. Nas máquinas de indução as
correntes são induzidas nos enrolamentos do rotor por
meio da combinação da variação, no tempo, de correntes
no estator e do movimento do rotor em relação ao estator.
Máquinas Sincronas Uma descrição prelimiar do
desempenho de uma máquina síncrona pode ser obtida
discutindo a tensão induzida na armadura do gerador
síncrono CA de pólos salientes, muito simplificado,
que está mostrado esquematicamente na figura 5.4. O
enrolamento de campo dessa máquina produz apenas
um par de pólos magnéticos (como os de uma barra
imantada), e por essa razão essa máquina é referida como
máquina de dois pólos.
Com raras exceções, o enrolamento de armaduta de uma
máquina síncrona localiza-se no estator, e o enrolamento
de campo, no rotor, esse também é o caso da máquina
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simplificada na figura 5.4. O enrolamento de campo é
excitado por uma corrente contínua que é levada até ele
por meio de escovas estacionárias de carvão que fazem
contato com anéis coletores ou anéis deslizantes girantes.
Usualmente, essa disposição para os dois enrolamentos
é ditada por fato res de ordem prática: é vantajoso ter o
enrolamento de campo, único e de baixa potência, no
rotor e enrolamento de armadura, de potência elevada e
geralmente polifásico no estator.
O enrolamento de armadura consiste aqui em uma única
bobina de N espiras. Está mos trada por meio de uma
vista transversal dos seus dois lados a e -a que estão
alojados em ranhuras estreitas, diametralmente opostas,
localizadas na periferia interna do estator da Fig. 5.4.
Os condutores que formam esses lados da bobina são
paralelos ao eixo da máquina e são ligados em série por
terminais de conexão (não mostrados na figura). O rotor
é girado a velo cidade constante a partir de uma fonte de
potência mecânica conectada ao seu eixo. Supõe-se que
o enrolamento de armadura esteja em circuito aberto e,
portanto, o fluxo dessa máquina será produzido apenas
pelo enrolamento de campo. Os caminhos de fluxo estão
mostrados es quematicamente por linhas tracejadas na
Fig. 5.4.
Figura 5.4 - Vista esquemática de um gerador síncrono
monofásico com um único enrolamento e dois pólos.
Em uma análise altamente idealizada dessa máquina
será assumido que a distribuição do fluxo magnético no
entreferro é senoidal. A distribuição radial resultante da
densidade do fluxo B é mostrada na figura 5.5a como
função do angulo espacial θ (medido em relação ao eixo
magnético do enrolamento da armadura) ao longo da
periferia do rotor. Na prática moldando-se as faces dos
pólos de forma adequada, pode-se conseguir com que a
densidade do fluxo, no entreferro de máquinas reais de
pólos salientes, esteja muito próxima de uma distribuição
senoidal.
À medida que o rotor gira, o fluxo concatenado do
enrolamento da armadura varia tempo. Tendo em vista as
suposições de distribuição senoidal da densidade de fluxo
e de velocidade constante do rotor, a tensão resultante na
bobina será senoidal no tempo, como está mostrado na
Fig. 5.5b. A tensão da bobina passa por um ciclo completo
a cada revolução da máquina de dois pólos da Fig. 5.4.
Sua freqüência em ciclos por segundo (Hz) é a mesma
que a velocidade do rotor em rotações por segundo: a
freqüência elétrica da tensão gerada está sincronizada
com a velocidade mecânica; sendo essa a razão para a
expressão máquina "síncrona". Assim, uma máquina
síncrona de dois pólos deve girar a 3600 rotações por
minuto para produzir uma tensão de 60 Hz.
Um número bem elevado de máquinas síncronas tem
mais de dois pólos. Como exemplo específico, a Fig.
5.6 mostra esquematicamente um gerador monofásico
de quatro pólos. As bobinas de campo estão ligadas de
modo que os pólos tenham polaridades alternadas.
Há dois comprimentos de onda completos, ou ciclos,
na distribuição de fluxo ao longo da periferia, como se
mostra na figura5.7.
Figura 5.5 - (a) Distribuição espacial da densidade de
fluxo e (b) a forma de onda pondente da tensão gerada
no gerador monofásico da Fig. 5.4.
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O enrolamento de armadura consiste agora em duas
bobinas a1, -a1, -a e, -a2 ligadas em série pelos seus
terminais de conexão. A cada bobina corresponde um
comprimento de onda de fluxo. Agora a tensão gerada
passa por dois ciclos completos a revolução do rotor. A
freqüência em hertz será assim o dobro da velocidade em
rotações por segundo.
Quando uma máquina tem mais de dois pólos, é
conveniente concentrar-se em apenas um par de pólos e
assegurar-se de que as condições elétricas, magnéticas e
mecânicas asso ciadas aos demais pares de pólos sejam
repetições das do par considerado. Por essa razão, é
conveniente expressar os ângulos em graus elétricos ou
radianos elétricos em vez de unidades mecânicas. Um
par de pólos em uma máquina de múltiplos pólos, ou um
ciclo de distri buição de fluxo, é igual a 360 graus elétricos
ou 2π radianos elétricos. Por exemplo, como há pólos/2
comprimentos de onda, ou ciclos, a cada revolução
completa, resulta, que
θae = (pólos) θa (4.1)
2
onde θae é o ângulo em unidades elétricas e θa é o ângulo
espacial. Essa mesma relação apli ca-se a todas as medidas
angulares de uma máquina de múltiplos pólos; seus
valores em unidades elétricas serão iguais a (pólos/2)
vezes seus valores espaciais reais.
A tensão de um a bobina de uma máquina de múltiplos
pólos passa por um ciclo comple to toda vez que um par
de pólos passa pela bobina ou (pólos/2) vezes a cada
revolução. A frequencia elétrica fe da tensão gerada em
uma máquina síncrona é portanto
fe = (pólos) n Hz (4.2)
2 60
onde n é a velocidade mecânica em rotações por minuto,
e portando n/60 é a velocidade em por segundo. A
freqüência elétrica da tensão gerada em radianos por
segundo é ωe = (pólos/2)ωm onde ωm é a velocidade
mecânica em radianos por segundo.
Os rotores mostrados nas Figs. 5.4 e 5.6 têm pólos salientes
com enrolamentos concen trados. A Fig. 5.8 mostra
esquematicamente um rotor de pólos não salientes,
referidos tam bém cilíndricos ou lisos. O enrolamento de
campo é um enrolamento distribuído de dois pólos; os
lados da bobina estão distribuídos em múltiplas ranhuras
ao longo da periferia do rotor e posicionados de modo tal
que uma distribuição aproximadamente senoidal de fluxo
radial, no entreferro, seja produzida.
Figura 5.6 - Vista esquemática de um gerador simples,
síncrono monofásico e de quatro.
Figura 5.7 - Distribuição espacial da densidade de fluxo de
entreferro em um gerador sincrono ideal de quatro pólos.
A relação entre a freqüência elétrica e a velocidade de um
rotor, dada pela Equação 5.2 pode servir de base para se
compreender a razão pela qual alguns geradores síncronos
têm rotores com estruturas de pólos salientes, ao passo
que outros têm rotores cilíndricos. A maioria dos sistemas
de potência do mundo operam com freqüência de 50 ou
60 Hz. Uma estrutura de pólos salientes é característica
de geradores hidrelétricos porque as turbinas hidráulicas
operam em velocidades relativamente baixas e, portanto
um número relativamente elevado de pólos é necessário
para produzir a freqüência desejada; a estrutura de
pólos salientes é mecanicamente melhor adaptada a
essa situação. O rotor de um gerador hidrelétrico de
grande porte está mostrado na Fig. 5.9. Entretanto, as
turbinas a vapor ou a gás operam melhor em velocidades
relativamente elevadas. Como conseqüência, os
alternadores acionados por turbinas ou geradores a
turbina, são comumente máquinas de rotor cilíndrico de
dois ou quatro pólos. Os rotores são feitos a partir de uma
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única peça forja da de aço, ou de diversas peças como
mostrado nas Figs. 5.10 e 5.11.
A maioria dos sistemas de potência do mundo é trifásica e,
consequentemente, os geradores síncronos são máquinas
trifásicas com pouquíssimas exceções. Para se produzir
um conjunto de três tensões defasadas de 120 graus
elétricos no tempo, devem ser usadas no mínimo três
bobinas defasadas de 120 graus elétricos no espaço. Uma
Figura 5.8 - Enrolamento de campo elementar de um
rotor cilíndrico de dois pólos.
vista esquemática simplificada de uma máquina trifásica
de dois pólos, com uma bobina por fase, está mostrada na
Fig. 5.12a. As três fases são indicadas pelas letras a, b e c.
Em uma máquina elementar de quatro pólos, um mínimo
de dois conjuntos de bobinas como esse deve ser usado,
como ilustra na Fig. 5.12b; em uma máquina elementar
com múltiplos pólos, o número mínino de conjuntos de
bobinas é dado pela metade do número de pólos.
Figura 5.9 - Rotor refrigerado a água pertencente ao
gerador hidrelétrico 190 MVA cujo estator está mostrado
na Fig. 5.1 (Brown Boveri Corporation)
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Figura 5.10 - Rotor de um gerador a turbina de dois pólos e 3600 rpm.(Westinghouse Eletric Corporation).
Figura 5.11 - Partes de um rotor composto por diversas peças, pertencente a um g trifásico a turbina de 1333 MVA
e 1800 rpm. As peças forjadas ainda quentes são introduzidas no eixo e, durante o resfriamento, elas contraem-se
firmando-se sobre o mesmo. Após é feita a usinagem final e a fresagem das ranhuras dos enrolamentos. A massa total
do rotor é de aproximadamente 197.300 kg. (Brown Boveri Corporation)
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As duas bobinas de cada fase da Fig. 5.12b são concetadas
em série de modo que suas tensões são somadas, e as três
fases podem então ser ligadas em Y ou em Δ. A fig. 5.12c
mostra como as bobinas podem ser interligadas para
formar uma ligação em Y. No entanto, observe que, como
as tensões de cada fase são idênticas, uma conexão em
paralelo também é possível, por exemplo, a bobina (a, -a)
em paralelo com a bobina (a', -a'), e assim por diante.
Quando um gerador síncrono fornece potência elétrica
a uma carga, a corrente de armadura cria no entreferro
uma onde de fluxo magnético que vira na velocidade
síncrona, como mostra a Seção 5.5. Esse fluxo reage ao
fluxo criado pela corrente de campo, resultando um
conjugado eletromecânico apartir da tendência desses
dois campos magnéticos a se alinhar entre si.
Figura 5.12 - Vistas esquemáticas de geradores trifásicos: (a) dois pólos, (b) quatro pólos, (c) ligação em Y
dos enrolamentos.
Em um gerador, esse conjugado opõe-se à rotação, e
então um conjugado mecânico deve ser aplicado a partir
de acionador mecânico primário para que a rotação seja
mantida. Esse conjugado eletromecânico é o mecanismo
através do qual o gerador síncrono converte a energia
mecânica em elétrica.
Por outro lado, um gerador síncrono pode funcionar
também como motor síncrono. Uma vista em corte
longitudinal de um motor trifásico síncrono de 60 Hz
está mostrada na Fig. 5.13. Uma corrente alternada
é aplicada ao enrolamento de armadura do estator, e
uma excitação CC, ao enrolamento de campo do rotor.
O campo magnético produzido pelas correntes de
armadu ra gira em velocidade síncrona. Para produzir
um conjugado eletromecânico constante, os cam pos
magnéticos do estator e do rotor devem ser constantes
em amplitude e estacionáriosum em relação ao
outro. Em um motor síncrono, a velocidade de regime
permanente é determinada pelo número de pólos e pela
freqüência da corrente de armadura. Portanto, um motor
síncrono, operado a partir de uma fonte CA de freqüência
constante, funciona com velocidade constan te em regime
permanente.
Em um motor, o conjugado eletromecânico tem o sentido
da rotação e contrabalança o conjugado oposto necessário
para movimentar a carga mecânica. O fluxo produzido
pelas correntes, na armadura de um motor síncrono, gira
à frente do fluxo produzido pelo campo. Portanto, arras ta
esse último (e conseqüentemente o rotor) fazendo
trabalho. O oposto ocorre em um gerador síncrono,
onde o campo faz trabalho quando seu fluxo arrasta o da
armadura, que vem atrás. Tanto em geradores como em
motores, são produzidas um conjugado eletromecânico e
uma tensão rotacional. Esses são os fenômenos essenciais
da conversão eletromecânica de energia.
Figura 5.13 - Vista em corte longitudinal de um motor
síncrono de alta velocidade. A excitatriz mostrada no
lado esquerdo do rotor é um pequeno gerador CA com
um conjunto rotativo de retificadores semicondutores
acoplado ao eixo. (General Electric Company)
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Máquinas de Indução Um segundo tipo de máquina CA
é a máquina de indução. Como na máquina síncrona, o
enrolamento do estator de uma máquina de indução é
excitado com correntes alternadas. Contrastando com
uma máquina síncrona, onde o enrolamento de campo do
rotor é excitado com corrente CC, correntes alternadas
fluem nos enrolamentos do rotor de uma máquina
de indução. Nas máquinas de indução, as correntes
alternadas são aplicadas diretamente aos enrolamentos
do estator, e, então, correntess do rotor são produzidas
por indução, isto é, por ação de transformador. Desse
modo, a máquina de indução pode ser vista como um
transformador generalizado em que potência elétrica é
transformada entre o rotor e o estator juntamente com
uma mudança de freqüência e um fluxo de potência
mecânica. Embora o motor de indução seja o mais
comum de todos os motores, raramente é usado como
gerador, pois as suas características de desempenho como
gerador, na maioria das aplicações não são satisfatórias.
No entanto, em anos recentes tem-se constatado que
ele é bem adequado em aplicações envolvendo energia
eólica. A máquina de indução também pode ser usada
como conversor de freqüência.
No motor de indução, os enrolamentos de estator
são essencialmente os mesmos de motor síncrono.
Entretanto, os enrolamentos de rotor são eletricamente
curto-circuitados e freqüentemente não têm conexões
externas; as correntes são induzidas por ação de
transformador. Uma vista em corte longitudinal de um
motor de indução do tipo gaiola de esquilo está mostrada
na Fig. 5.14. Aqui, os "enrolamentos" são na realidade
barras sólidas de alumínio que são fundidas nas ranhuras
do rotor e colocadas em curto circuito por anéis de
alumínio fundido localizados em cada extremidade do
rotor. Esse tipo de construção de rotor resulta em motores
de indução que são relativamente baratos e altamente
confiáveis, fatores esses que contribuem à sua imensa
popularidade e ampla aplicação.
Como em um motor síncrono, o fluxo de armadura do
motor de indução adianta-se em relação ao do rotor e
produz um conjugado eletromecânico. De fato, como na
máquina síncrona, veremos que há um sincronismo entre
os fluxos do rotor, e do estator, quando esses giram, e que o
conjugado está relacionado com o deslocamento relativo
entre eles. Diferentemente de uma máquina síncrona,
entretanto, o rotor em si de uma máquina de indução não
gira em sincronismo; há um "escorregamento" do rotor
em relação ao fluxo síncrono da armadura, dando origem
as correntes induzidas no rotor e, portanto, ao conjugado.
Figura 5.14 - Vista em corte longitudinal de um motor de indução do tipo gaiola de esquilo. (Westinghouse Electric
Corporation)
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Os motores de indução operam em velocidades inferiores
à velocidade mecânica síncrona. Uma cur va característica
típica de velocidade versus conjugado para um motor de
indução está mostrada na Fig. 5.15.
Figura 5.15- Curva característica de velocidade versus
conjugado de um motor de indução tipico.
Máquinas CC
Como já foi discutido, o enrolamento de armadura de um
gerador CC está no rotor com a cor rente saindo dele por
meio de escovas de carvão. O enrolamento de campo está
no estator e é excitado por corrente contínua. Uma vista
em corte longitudinal de um motor CC está mos trada na
Fig. 5.16.
Figura 5.16- Vista em corte longitudinal de um típico
motor CC de potência elevada. (ASEA Brown Boven).
Um gerador CC de dois pólos muito elementar está
mostrado na Fig. 5.17. O enrolamento de armadura,
consistindo em uma única bobina de N espiras, está
indicado pelos dois lados da bobina a e -a colocados em
pontos diametralmente opostos sobre o rotor com os
condutores paralelos ao eixo. O rotor gira normalmente
a velocidade constante a partir de uma fonte de potência
mecânica conectada ao eixo. Usualmente, a distribuição
de fluxo no entreferro aproxima-se de uma onda de picos
achatados, ao ínvés da onda senoidal encontrada nas
máquinas CA como se mostra na Fig. 5.18a. A rotação da
bobina gera uma tensão de bobina que é uma função de
tempo tendo a mesma forma que a da onda de distribuição
da densidade de fluxo espacial.
Embora o propósito final seja a geração de uma tensão
contínua, a tensão induzida em uma bobina individual de
armadura é uma tensão alternada que, portanto, deve ser
retificada. A tensão de saída de uma máquina CA pode ser
retificada usando retificadores semicondutores externos.
Isso é diferente da máquina CC convencional, na qual a
retificação é produzida mecanicamente por meio de um
comutador. Esse é um cilindro formado de segmentos de
cobre isolados entre si por mica, ou algum outro material
altamente isolante, e montado, mas isolado, sobre o
eixo do rotor. Escovas estacionárias de carvão, mantidas
apoiadas contra a superfície do comutador, conectam
o enrolamento aos terminais externos da armadura. O
comutador e as escovas podem ser vistos facilmente na
Fig. 5.16. A necessidade de comutação é a razão pela
qual os enrolamentos de armadura das máquinas CC são
colocados no rotor.
No caso do gerador CC elementar, o comutador assume
a forma mostrada na Fig. 5.17. Para o sentido de rotação
mostrado, o comutador em qualquer instante conecta
o lado da bobina que está próximo do pólo sul à escova
positiva, e o que está próximo do pólo norte, à escova
negativa. O comutador executa uma retificação de onda
completa, transformando a forma de onda de tensão,
presente entre as escovas, na forma de onda da Fig. 5.18b,
e tornando disponível uma tensão unipolar para o circuito
externo. Naturalmente, a máquina CC da Fig.5.17 foi
simplificada até o ponto de estar fora da realidade
em termos práticos e, posteriormente, será essencial
examinar a ação de comutadores mais realísticos.
O efeito da corrente contínua no enrolamento de campo
de uma máquina CC é a criação de uma distribuição de
fluxo magnético estacionária em relação ao estator. De
modo similar, o efeito do comutador é tal que, quando uma
corrente contínua flui através das escovas, a armadura
cria uma distribuição de fluxo magnético que também
é fixa no espaço e cujo eixo, determinado pelo projeto
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da máquina e pela posição das escovas,é tipicamente
perpendicular ao eixo do fluxo de campo.
Assim, exatamente como nas máquinas CA discutidas
anteriormente, é a interação dessas distribuições de
fluxo que cria o conjugado da máquina CC. Se a máquina
estiver atuando como gerador, esse conjugado opõe-se
à rotação. Se estiver atuando como motor, o conjugado
eletromecânico atua no sentido da rotação. Comentários
semelhantes aos já feitos em relação aos papéis
desempenhados, no processo de conversão de energia
das máquinas síncronas, pela tensão gerada e pelo
conjugado eletromecânico aplicam-se igualmente bem às
máquinas CC.
FMM de Enrolamentos Distribuídos
A maioria das armaduras tem enrolamentos distribuídos,
isto é, enrolamentos que se estendem por diversas
ranhuras ao redor da periferia do entreferro, como nas
Figs. 5.2 e 5.1. As bobinas individuais são conectadas
entre si de modo que resulte um campo magnético com
o mesmo número de pólos que o enrolamento de campo.
Os campos magnéticos dos enrolamentos distribuídos
podem ser estudados examinando-se o campo magnético
prouzido por um enrolamento que tenha uma única
bobina de N espiras compreendendo 180 graus elétricos,
como se mostra na Fig. 5.19a. Uma bobina que se estende
por 180 graus elétricos é conhecida como bobina de passo
pleno. Os pontos e cru zes indicam fluxos de corrente que se
aproximam ou se afastam do leitor, respectivamente. Por
simplicidade, o rotor cilíndrico mostrado é concêntrico.
As linhas tracejadas da Fig.5.19a. mostram, de forma
genérica, a natureza do campo magnético produzido pela
corrente na bobina. Como as permeabilidades do ferro
da armadura e do campo são muito maiores que a do ar,
podemos supor com exatidão suficiente para os propósitos
aqui presentes que toda a retulância do circuito magnético
encontra-se no entreferro. Pela simetria da estrutura, é
evi dente que a intensidade do campo magnético Hg de
entreferro na posição angular θa, sob um pólos, é a mesma
em módulo que aquela localizada no ângulo θa + π, sob o
pólo oposto. Entretanto, os campos apresentam sentidos
opostos.
Figura 5.17- Máquinas CC elementar com comutador.
Figura 5.18 - (a) Distribuição espacial da densidade de
fluxo no entreferro de uma máquina CC elementar; (b)
forma de onda da tensão entre as escovas.
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Figura 5.19 - (a) Vista esquemática do fluxo produzido por um enrolamento concentrado de passo pleno em uma
máquina de entreferro uniforme. (b) A FMM produzida no entreferro por uma corrente nesse enrolamento.
Ao longo de qualquer dos caminhos fechados, mostrados
pelas linhas de fluxo na Fig. 5. 19a, a FMM é Ni. A
suposição de que toda a relutância do circuito magnético
esteja no entreferro leva ao resultado de que a integral
de linha H dentro do ferro é muito pequena podendo ser
desprezada. Assim, é razoável desprezarmos as quedas de
FMM que ocorrem nas partes do circuito magnético que
estão dentro do ferro. Por simetria, podemos argumentar
que os campos Hg no entreferro nos lados opostos do rotor
são iguais em módulo mas oposto em sentido. Segue-se
que a FMM no entreferro deve estar distribuída de modo
uniforme. Como cada linha de fluxo cruza o entreferro
duas vezes, a queda de FMM no entreferro deve ser igual
à metade do total ou Ni/2.
A Fig. 5.19b mostra o entreferro e o enrolamento em
forma desenvolvida, isto é, dispostos em forma plana.
A distribuição da FMM no entreferro é mostrada pela
distribuição de amplitude Ni/2 semelhante a degraus.
Supondo que as aberturas das ranhuras sejam estreitas,
a FMM um salto abrupto de Ni ao se passar de um lado a
outro da bobina. Essa distribuição de FMM será discutida
novamente na Seção 4.4, onde os campos magnéticos
resultantes serão calculados.
Máquinas CA
A análise de Fourier pode mostrar que a FMM produzida
no entreferro por uma única bobina, como a de passo
pleno da Fig. 5. 19, consiste em uma componente espacial
harmônica fundamental mais uma série de componentes
harmônicas de ordem mais elevada. No projeto de
máquinas CA, sérios esforços são feitos para distribuir
as bobin as construindo-se os enrolamentos de modo a
minimizar as componentes harmônicas de ordem mais
elevada e a produzir uma onda de FMM de entreferro
que é constituída predominantemente pela componente
espacial fundamental senoidal. Assim, é adequado
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assumir que isso foi feito e concentrar a nossa atenção na
componente fundamental.
A onde retangular da FMM de entreferro da bobina
concentrada de dois pólos e passo pleno da Fig. 5.19b pode
ser decomposta em uma serie de Fourier compreendendo
uma componente fundamental e uma série de harmonicas
ímpares. A componete fundamental Fg1 é
Fg1 = 4 (Ni) cos θa (4.3)
π 2
onde é medido a partir do eixo magnético da bobina
do estator, como mostrado pela senói de tracejada na
Fig. 5.19b. É uma onda senoidal espacial de amplitude
( Fg1 ) = pico = 4 (Ni) (4.4)
π 2
com seu pico alinhado com o eixo magnético da bobina.
Agora considere um enrolamento distribuído, consistindo
em bobinas distribuídas por di versas ranhuras. Por
exemplo, a Fig.5.20a mostra a fase a do enrolamento de
armadura de uma máquina CA trifásica de dois pólos que
foi um tanto simplificada. As fases b e c ocupam as ranhuras
vazias. Os enrolamentos das três fases são idênticos
e estão posicionados tendo os seus eixos magnéticos
separados de 120 graus entre si. Vamos dar nossa atenção
apenas à FMM de ferro da fase a. Deixaremos a discussão
dos efeitos das três fases para a Seção 4.5. O enrolamento
está disposto em duas camadas. Cada bobina de passo
pleno de Nb espiras tem um lado no topo de uma ranhura
e o outro lado no fundo de uma ranhura distanciada de
um pólo. Em máquinas reais, essa disposição de duas
camadas simplifica o problema geométrico de se passar
as espiras dos terminais das bobinas individuais umas
pelas outras.
A Fig. 5.20b mostra um pólo desse enrolamento
desenvolvido no plano. Com as bobinas conectadas em
série e, desse modo, conduzindo a mesma corrente, a onda
de FMM é uma de degraus de altura 2Nbia cada um (igual
aos ampéres-espiras na ranhura), onde ia, é a corrente de
enrolamento. Sua componente fundamental espacial é
mostrada pela senóide. Pode-se ver que o enrolamento
distribuído produz uma onda que se aproxima mais de
uma on da de FMM senoidal do que a bobina concentrada
da Fig. 5.19.
A amplitude da componente harmônica fundamental
espacial da onda de FMM de um enrolamento distribuído
é menor do que a soma das componentes fundamentais
das bobinas individuais porque os eixos magnéticos das
bobinas individuais não estão alinhados com a resultante.
A forma modificada da Equação 5.3 para um enrolamento
distribuído de múltiplos pólos tendo Nfase espiras por fase
em série é
(4.5)
em que o fator 4/π surge da análise da série de Fourier
da onda retangular da FMM de uma bo bina concentrada
com passo pleno, como na Equação 4.3, e o fator de
enrolamento kenr leva em consideração a distribuição do
enrolamento. Esse fator é necessário porque as FMMs
produzidas pelas bobinas individuais de qualquer grupo
de uma fase têm eixos magnéticos diferentes. Quando
elas são ligadas em série para formar o enrolamento de
fase, a sua soma fasorial é então menor do que a sua
soma numérica. (Veja o Apêndice B para detalhes.) Para
a maioria dos enrolamentos trifásicos, o valor de kenr, está
tipicamente no intervalo de 0,85 a 0,95.
O fator kenr Nfase é o número efetivo de espiras porfase em
série para a FMM fundamen tal amplitude de pico dessa
onda de FMM é
(4.6)
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Figura 5.20 - A FMM de uma fase de um enrolamento trifásico distribuído de dois pólos bobinas de passo pleno.
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O enrolamento da fase a da armadura de dois pólos da
Fig. 5.20a pode ser considerado consistindo em 8 bobinas,
de passo pleno e Nb espiras, ligadas em série, com cada
ranhura contendo duas bobinas. Há um total de 24
bobinas de armadura, e assim cada ranhura está separada
por 360°/24 = 15°. Suponha que o ângulo θ3 seja medido a
partir do eixo magnético da fase a de modo que as quatro
ranhuras contendo os lados indicados por a das bobinas
em θ3= 67,5°, 82,5°, -97,5° e 112,5°. Os lados opostos
das bobinas estão assim nas ranhuras localizadas em
-112,5°,-97,5°, -82,5° e -67,5°, respectivamente. Assuma
que esse enrolamento está conduzindo uma corrente ia.
(a) Escreva uma expressão para a FMM espacial
fundamental produzida pelas duas bobinas cujos lados
estão nas ranhuras em θa= 112,5° e -67,5°. (b) Escreva
uma expressão a FMM espacial fundamental produzida
pelas duas bobinas cujos lados estão nas ranhuras em
θa= 67,5° e -112,5°. (c) Escreva uma expressão para a
FMM espacial fundamental do enrolamento completo da
armadura. (d) Determine o fator de enrolamento kenr para
esse enrolamento distribuído.
Solução
Observando que o eixo magnético desse par de bobinas
está em θa= (112,5° - 67,5°)/2 = 22,5° e que o total de
ampères-espiras na ranhura é igual a 2Nbia, a FMM
produzida por es se par de bobinas pode ser obtido em
analogia com a Equação 4.3, obtendo-se
b. Esse par de bobinas produz a mesma FMM espacial
fundamental que o par da parte (a) com a exceção de que
essa FMM está centrada em θa= -22,5°. Assim
Em analogia com as partes (a) e (b), a FMM espacial
fundamental total pode ser escrita como
Verificando que, para esse enrolamento, Nfase = 8Nb, a
FMM total da parte (c) pode ser rees crita como
Uma comparação com a Equação 4.5 mostra que, nesse
enrolamento, o fator de enrolamento é kenr = 0,958.
A Equação 4.5 descreve a componente espacial
fundamental da onda de FMM produzida pela corrente
da fase a de um enrolamento distribuído. Se a corrente
da fase a for senoidal tempo, por exemplo, ia= lm cos ωt,
o resultado será uma onda de FMM que é estacionária
espaço e varia senoidalmente em relação a θa e ao tempo.
Na Seção 4.5, estudaremos o efeito das correntes em
todas as três fases e veremos que a aplicação de correntes
trifásicas produzirá uma onda girante de FMM.
De modo semelhante, freqüentemente os enrolamentos
do rotor são distribuídos nas ranhuras para reduzir os
efeitos das harmônicas espaciais. A Fig. 5.21a mostra o
rotor de um pico de dois pólos e rotor cilíndrico. Embora
o enrolamento seja simétrico em re lação ao eixo do rotor,
o número de espiras por ranhura pode ser variado para
controlar as diversas harmônicas.
Figura 5.21 - A FMM de entreferro do enrolamento
distribuído do rotor de um gerador de rotor cilíndrico.
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Na Fig. 5.21b, pode-se ver que há menos espiras nas
ranhuras próximas da face do pólo. Além disso, o
projetista pode variar o distanciamento entre as ranhuras.
Em relação aos enrolamentos distribuídos de armadura,
a onda fundamental de FMM no entreferro de um
enrolamento de rotor de múltiplos pólos pode ser obtida
a partir da Equação 4.5 em termos do número total N, de
espiras em série, a corrente de enrolamento Ir, e um fator
de enrolamento kr, obtendo-se
(4.7)
onde θr é o ângulo espacial medido em relação ao eixo
magnético do rotor, como mostrado na Fig. 5.21b. Sua
amplitude de pico é
(4.8)
Máquinas CC
Devido às restrições impostas pelo comutador à colocação
do enrolamento, a onda de FMM da armadura de uma
máquina CC aproxima-se mais da forma de onda em dente
de serra do que da forma de onda senoidal das máquinas
CA. Por exemplo, a Fig. 5.22 mostra esquematicamente
em corte transversal a armadura de uma máquina CC de
dois pólos. (Na prática, em todas as máquinas CC, com
exceção das muito pequenas, um número mais elevado
de boninas e ranhuras seria provavelmente usado.) Os
sentidos das correntes são mostrados por pontos e cruzes.
As conexões da bobina do enrolamento da armadura são
tais que esse enrolamento produz um campo magnético
cujo eixo é vertical, sendo assim perpendicular ao eixo
do en rolamento de campo. À medida que a armadura
gira, as conexões entre as bobinas e os circui tos externos
são alteradas pelo comutador de modo tal que o campo
magnético da armadura permaneça vertical. Assim,
o fluxo da armadura está sempre perpendicular ao
produzido pe lo enrolamento de campo, resultando um
conjugado unidirecional contínuo. A ação do comutador
será discutida com algum detalhe na Seção 7.2.
A Fig. 5.23a mostra esse enrolamento desenvolvido no
plano. A onda de FMM está mostrada na Fig. 5.23b.
Assumindo que as ranhuras sejam estreitas, ela consistirá
em uma série de de degraus. Supondo-se um enrolamento
de duas camadas e bobinas de passo pleno, a altura de
cada degrau será igual ao número de ampères-espiras
2Nbib em um a ranhura, onde Nb é o número de espiras em
cada bobina e ib é a corrente da bobina. O valor de pico
da onda de FMM ocorre na direção do eixo magnético
da armadura, a meio caminho entre os pólos do campo.
Esse enrolamento é equivalente a uma bobina de 12Nbib
ampères-espiras distribuídos ao redor da armadura.
Supondo-se que os pólos sejam simétricos, o valor de
pico da onda de FMM em cada pólo de armadura é 6Nbib
ampères-espiras.
Figura 5.22 - Corte transversal de uma máquina CC de
dois pólos.
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Figura 5.23 - (a) Desenvolvimento no plano da máquina CC da Fig. 5.22; (b) onda de FMM; (c) onda equivalente em
dente de serra da FMM, sua componente fundamental, e a corrente retangular laminar equivalente.
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Essa onda de FMM pode ser aproximada pela forma
de onda em dente de serra da Fig. 5.23b e repetida na
Fig. 5.23c. Em um enrolamento mais realístico, com um
número mais elevado de ranhuras de armadura por pólo,
a distribuição triangular torna-se uma aproximação muito
satisfatória. Essa onda de FMM seria produzida por uma
distribuição retangular da densidade de corrente na
superfície da armadura, como mostrado na Fig. 5.23c.
Neste nosso estudo preliminar, é conveniente decompor
as ondas de FMM dos enrolamentos distribuídos em
suas componentes de série de Fourier. A componente
fundamental da forma de onda em dente de serra da
FMM da Fig. 5.23c é mostrada pela onda senoidal. Seu
valor de pico é 8/π2 = 0,81 vezes a altura da onda em
dente de serra. Essa onda fundamental de FMM é a que
seria produzida pela componente harmônica espacial
fundamental da distribuição retangular de densidade de
corrente da Fig. 5.23c. Essa lâmina de corrente distribuída
senoidalmente está mostrada em forma tracejada na
Fig. 5.23c.
Observe que a distribuição de FMM nos entreferros
depende apenas da disposição dos enrolamentos e
da simetria das estruturas magnéticas em cada pólo.
Entretanto, a densidade de fluxo magnético nos
entreferros dependenão apenas da FMM mas também
(4.9)
onde
Ca = número total de condutores no entreferro de
armadura
m = número de caminhos paralelos no enrolamento de
armadura
ia= corrente de armadura, A
Essa equação leva em consideração o fato de que em
alguns casos a armadura pode estar en rolada com
(4.10)
das condições magnéticas nos contornos, principalmente
o comprimento do entreferro, o efeito das abertu ras
das ranhuras, e a forma das faces dos pólos. O projetista
leva em consideração esses efeitos por meio de análises
detalhadas com as quais, no entanto, não precisamos nos
ocupar aqui.
As máquinas CC têm freqüentemente uma estrutura
magnética com mais de dois pólos. Por exemplo, a
Fig. 5.24a mostra esquematicamente uma máquina
CC de quatro pólos. O enrolamento de campo produz
alternadamente polaridades norte-sul-norte-sul, e os
condutores da armadura são distribuídos em quatro feixes
nas ranhuras conduzindo correntes alternadamente em
direção, e para longe do leitor, como se simboliza pelas
áreas hachuradas. Essa má quina está mostrada em forma
desenvolvida na Fig. 5.24b. A onda correspondente da
FMM em forma de dente de serra também está mostrada.
Supondo que haja simetria nos enrolamen tos e pólos do
campo, cada par sucessivo de pólos é igual a qualquer
outro par. Então, as con dições magnéticas no entreferro
podem ser determinadas examinando-se um par qualquer
de pólos adjacentes, isto é, de 360 graus elétricos.
O valor de pico da onda em dente de serra da FMM de
armadura pode ser escrito em termos do número total de
condutores nas ranhuras da armadura como
múltiplos caminhos de corrente em paralelo. Essa é a
razão pela qual freqüente mente é mais conveniente
pensar na armadura em termos do número de condutores
(sendo que cada condutor corresponde a um único
caminho que conduz corrente dentro de uma ra nhura.
Assim, ia/m é a corrente em cada condutor. Essa equação
vem diretamente da integral de linha calculada ao longo
do caminho fechado tracejado da Fig. 5.24b, que cruza
o entreferro duas vezes e envolve Ca/pólos condutores,
cada um desses conduzindo a corrente ia/m no mesmo
sentido. Em forma mais compacta,
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Figura 5.24 - (a) Seção transversalde uma máquina CC de quatro pólos; (b) planificação da corrente laminar e da onda
de FMM.
onde Na = Ca/(2m) é o número de espiras em série da
armadura. Da série de Fourier da onda de FMM, em
forma de dente de serra, da Fig. 5.24b, o valor de pico da
fundamental espacial é dado por
(4.11)
Campos Magnéticos em Máquinas Rotativas
Nossas investigações preliminares de máquinas CA e
CC estão baseadas na suposição de que as distribuições
espaciais de FMM sejam senoidais. Constataremos que
essa suposição levará a resultados muito satisfatórios
na maioria dos problemas que envolvem máquinas CA,
porque comumente seus enrolamentos estão distribuídos
de modo a minimizar os efeitos das harmônicas espaciais.
Inerentemente, devido às restrições impostas pelo
comutador em relação à disposição dos enrolamentos,
as ondas de FMM das máquinas CC aproximam-se mais
de perto de uma onda em forma de dente de serra. No
entanto, a teoria baseada no modelo senoidal evidencia
as características fundamentais da teoria das máquinas
CC. Sempre que necessário, os resultados podem ser
prontamente modificados para explicar quaisquer
discrepâncias significativas.
Freqüentemente é mais fácil começar examinado-se uma
máquina de dois pólos, na qual os ângulos e as velocidades
elétrica e mecânica são iguais. Os resultados podem ser
extrapolados imediatamente a máquinas de múltiplos
pólos lembrando que ângulos elétricos e velocidades
angulares estão relacionados com os ângulos mecânicos
e as velocidades angulares pelo fator pólos/2 (veja, por
exemplo, a Equação 4.1).
O comportamento das máquinas elétricas é determinado
pelos campos magnéticos criados por correntes nos
diversos enrolamentos da máquina. Essa seção discute
como esses campos magnéticos e correntes se relacionam.
Máquinas com Entreferros Uniformes
A Fig. 5.25a mostra uma bobina, de N espiras e passo
pleno, alojada em uma estrutura magnética de alta
permeabilidade (µ →∞), e um rotor cilíndrico concêntrico.
A FMM Fg de entreferro dessa configuração está plotada,
em função do ângulo θa, na Fig. 5.25b. Para essa estrutura,
com um entreferro uniforme de comprimento g e raio rr,
(muito maior que g), pode-se supor com boa exatidão que
o campo magnético H no entreferro está orientado apenas
radialmente e que seu módulo é constante no entreferro.
A distribuição de FMM no entreferro da Fig.5.25b é igual
à integral de linha de Hg através do entreferro. Nesse caso
de Hg radial constante, essa integral é simplesmente igual
ao produto do campo magnético radial Hg no entreferro
vezes o comprimento g do entreferro, e assim Hg pode ser
obtido dividindo-se simplesmente a FMM do entreferro
pelo comprimento deste:
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Hg = Fg (4.12)
g
Assim, na Fig. 5.25c, pode-se ver que o campo radial Hg e
a FMM apresentam forma idêntica, relacionando-se entre
(4.13)
si simplesmente pelo fator 1/g .
A componente harmônica espacial fundamental de Hg
pode ser obtida diretamente componente fundamental
Fg1, dada pela Equação 4.3,
Figura 5.25 - A FMM de entreferro e a componente radial de Hg para um enrolamento concentrado de passo pleno.
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É uma onda espacial senoidal de amplitude
(4.14)
Para um enrolament o distribuído, como o da Fig. 5.20, a
intensidade do campo magné tico de entreferro é obtida
facilmente, tão logo a FMM de entreferro seja conhecida.
Assim, a componente fundamental de Hg pode ser
encontrada dividindo-se a componente fundamental da
FMM de entreferro (Equação 4.5) pelo comprimento de
entreferro g
(4.15)
Essa equação foi escrita para o caso geral de uma máquina
de múltiplos pólos, e Nfase é o nú mero total de espiras em
série por fase.
Observe que a FMM espacial fundamental de entreferro
Fg1 e o campo magnético entreferro Hg1 produzidos por
um enrolamento distribuído com fator de enrolamento
Kenr e Nfase /pólos espiras em série por pólo, são iguais
aos produzidos por um enrolamento contrado de passo
pleno com (Kenr Nfase)/pólos espiras por pólo. Na análise
de máquinas com enrolamentos distribuídos, esse
resultado é útil porque, quando se consideram grandezas
fundamentais espaciais, permite que a solução distribuída
seja obtida a partir da solução para única bobina de N
espiras e passo pleno, simplesmente substituindo N
pelo número efetivo espiras, Kenr Nfase, do enrolamento
distribuído.
Exemplo 4.2
Um gerador CA síncrono de quatro pólos com um entreferro
uniforme tem um enrolamento de rotor distribuído com
263 espiras em série, um fator de enrolamento de 0,935
e um entreferro de comprimento 0,7 mm. Supondo que a
queda de FMM no aço elétrico seja despresível, encontre
a corrente de enrolamento de rotor necessária para
produzir uma densidade fluxo magnético fundamental
espacial de pico de 1,6 T no entreferro da máquina.
Solução
A densidade de fluxo magnético fundamental espacial
no entreferro pode ser obtida multiplicando-se a
permeabilidade do vácuo µ0 pelo campo magnético
do entreferro, que por sua vez pode ser encontrado a
partir da componente fundamental espacial da FMM no
entreferro dividida pelo comprimento de entreferro g.
Assim, da Equação 4.8
e Ir pode ser obtidade
Problema prático 4.2
Uma máquina síncrona de dois pólos tem um comprimento
de entreferro de 2,2 cm e um enrolamento de campo com
um total de 830 espiras em série. Quando excitada por
uma te de campo de 47 A, a densidade de fluxo magnético
fundamental espacial de pico no entreferro da máquina é
medida como sendo 1,35 T.
Com base na densidade de fluxo medida, calcule o fator
de enrolamento kr do enrolamento de campo.
Solução
kr = 0,952
Máquinas com Entreferros Não Uniformes
A Fig. 5.26a mostra a estrutura de uma máquina CC típica e
a Fig. 5.26b mostra a estrutura de uma máquina síncrona
típica de pólos salientes. Ambas as máquinas consistem
em estruturas magnéticas com entreferros extremamente
não uniformes.
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Figura 5.26 - Estrutura de máquinas típicas de pólos salientes: (a) máquina CC e (b) máqui na síncrona de pólos salientes.
Nesses casos, a distribuição de campo magnético no
entreferro é mais complexa do que a de máquinas de
entreferro uniforme.
A análise detalhada das distribuições de campo magnético
nessas máquinas requer so luções completas para o
problema do campo. Por exemplo, a Fig. 5.27 mostra a
distribuição de campo magnético em um gerador CC
de pólos salientes (obtida por uma solução baseada
em elementos finitos). No entanto, a experiência tem
mostrado que, por meio de diversas sim plificações,
pode-se desenvolver técnicas analíticas que produzem
resultados com exatidão razoável. Essas técnicas serão
ilustradas em capítulos posteriores, onde os efeitos das
saliên em máquin as CC e CA são discutidos.
Ondas Girantes de FMM em Máquinas CA
Para se compreender a teoria e a operação das máquinas
CA polifásicas, é necessário estudar a natureza da onda de
FMM produzida por um enrolamento polifásico. A atenção
estará foca da em uma máquina de dois pólos ou em um
par de pólos de um enrolamento de múltiplos pólos. Para
desenvolver um insight do caso polifásico, é útil começar
com a análise de um enrolamento monofásico.
Onda de FMM de um Enrolamento Monofásico
A Fig. 5.28a mostra a componente fundamental espacial
da distribuição de FMM de um en rolamento monofásico,
onde, a partir da Equação 4.5,
(4.16)
Quando esse enrolamento é excitado por uma corrente
que varia de forma senoidal no tempo com a freqüência
ωe segundo a equação
ia = Ia cos ωet
Figura 5.27 - Solução baseada em elementos finitos para
a distribuição do campo magnétio em um gerador CC de
pólos salientes. Bobinas de campo excitadas: bobinas de
armadura sem corrente.(General Electric Company)
(4.17)
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a distribuição da FMM é dada por
(4.18)
A Equação 4.18 foi escrita de forma a enfatizar o fato de
que o resultado é uma distribuição de FMM de amplitude
máxima
(4.19)
Essa distribuição de FMM permanece fixa no espaço com
uma amplitude que varia de forma senoidal no tempo com
a freqüência ωe, como se mostra na Fig.5.28a. Observe
(4.20)
mostrando que a FMM de um enrolamento monofásico
pode ser decomposta em duas ondas girantes de FMM,
cada uma de amplitude igual à metade da amplitude
máxima de Fg1 com uma delas, Fg1, deslocando-se no
sentido +θa e a outra, Fg1, deslocando-se no sentido -θa
, ambas com velocidade angular elétrica ωe (igual a
velocidade angular mecânica de 2ωe/pólos):
que, para simplificar a notação, a Equação 4.1 foi usada
para expressar a distribuição de FMM da Equação 4.18
em termos do ângulo elétrico θae.
O uso de uma identidade trigonométrica comum1 permite
reescrever a Equação 4.18 na forma
Figura 5.28 - FMM espacial fundamental de entreferro para um enrolamento monofásico: (a) distribuição de FMM para
um enrolamento de uma fase em vários tempos; (b) FMM total Fg1 decomposta em duas ondas progressivas F- e F ⁺; (c)
decomposição fasorial de Fg1.
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(4.21)
(4.22)
Esta decomposição está mostrada graficamente na Fig.
5.28b e em representação fasorial na figura 5.28c.
O fato de que a FMM no entreferro de um enrolamento
monofásico, excitado por uma fonte corrente alternada,
pode ser decomposta em duas ondas progressivas
girantes, posi tiva e negativa, é um passo conceitual
importante na compreensão das máquinas CA. Como
mostrado na Seção 4.5.2, em máquinas CA polifásicas, os
enrolamentos estão deslocados igualmente em fase no
espaço, e as correntes de enrolamento estão deslocadas
de modo similar em termos de fase no tempo, com a
conseqüência de que as ondas progressivas negativas de
fluxo dos vários enrolamentos somam-se anulando-se,
ao passo que as ondas progressivas positivas de fluxo
reforçam-se, resultando uma única onda progressiva
positiva de fluxo.
Em máquinas elétricas monofásicas, a onda progressiva
positiva de fluxo produz conjugado útil ao passo que a onda
progressiva negativa de fluxo produz conjugado negativo
pulsante e perdas. Essas máquinas são projetadas de
modo a minimizar os efeitos da onda progressiva negativa
de fluxo, embora, diferentemente do caso de máquinas
polifásicas, esses efeitos não possam ser totalmente
eliminados.
4.5.2 Onda de FMM de um Enrolamento Polifásico
Nesta seção, estudaremos as distribuições de FMM em
enrolamentos trifásicos, como as encontradas no estator
de máquinas trifásicas síncronas e de indução. As análises
apresentadas podem ser prontamente estendidas para
um enrolamento polifásico com qualquer número fases.
Novamente, a atenção estará focada em uma máquina de
dois pólos ou em um par pólos de um enrolamento de
múltiplos pólos.
Em uma máquina trifásica, os enrolamentos das fases
individuais estão afastados entre si por 120 graus elétricos
no espaço ao redor da circunferência de entreferro, como
mostrado pelas bobinas a,-a, b, -b e c, -c na Fig.5.29.
As bobinas concentradas de passo pleno mostradas
aqui podem ser consideradas como representando
enrolamentos distribuídos que produzem ondas senoidais
de FMM centradas nos eixos magnéticos das respectivas
fases. As ondas senoidais fundamentais espaciais de
FMM das três fases estão afastadas respectivamente de
120 graus elétricos no espaço. Cada fase é excitada por
uma corrente alternada que varia de forma senoidal no
tempo. Sob condições de equilíbrio trifásico, as correntes
instantâneas são
(4.23)
(4.24)
(4.25)
onde Im é o valor máximo de corrente e a origem do tempo
é tomada arbitrariamente como sendo o instante em que
a corrente da fase a é máxima positiva. Assume-se que
seqüência de fases seja abc. As correntes instantâneas
estão mostradas na Fig. 5.30.
Figura 5.29 - Enrolamento de estator trifásico simplificado
de dois pólos.
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Figura 5.30 - Correntes de fase instantâneas sob condições
de equilíbrio trifásico.
Os pontos e cruzes nos lados das bobinas (Fig. 5.29)
indicam os sentidos de referência para cor rentes positivas
de fase.
Foi mostrado anteriormente que a FMM da fase a é
onde
(4.26)
(4.28)
(4.27)
e
(4.29)
Observe que para evitar uma complexidade excessiva de
notação, o subscrito g foi des cartado. Aqui o subscrito a1
indica a componente espacial fundamental da FMM da
fase a no entreferro.
Do mesmo modo, para as fases b e c, cujos eixos estão em
θa= 120° e θa= -120°, res pectivamente,
(4.30)
(4.31)
(4.32)
e
(4.33)
(4.34)
(4.35)
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A FMM total é a soma das contribuições de cada uma das
três fases
(4.36)
Essa soma pode ser realizada bem facilmente em termos
de ondas progressivas positivas e negativas. A soma das
ondas progressivas negativas resulta em zero
(4.37)
ao passo que as ondas progressivas positivas reforçam-se
(4.38)
Assim, o resultado de se deslocar os três enrolamentos de
120° em termos de fase espacial e de 120° em termos de
fase temporal é um a onda progressiva positiva de FMM
(4.39)
A onda de FMM de entreferro, descrita pela Equação
4.39, é uma função senoidal fundamental espacial do
ângulo espacial elétrico θae (e conseqüentemente do
ângulo espacial θa = (2/pólos)θae). Ela tem uma amplitude
constante de (3/2)Fmax, isto é, 1,5 vezes a amplitude da onda
de FMM de entreferro, produzida pelas fases individuais
sozinhas, e apresenta um pico positivo no ângulo θa = (2/
pólos)ωet. Assim, sob condições de equilíbrio trifásico,
o enrolamento fásico produz uma onda de FMM de
entreferro que gira na velocidade angular síncrona ωs,
(4.40)
onde
ωe= freqüência angular da excitação elétrica aplicada
[rad/s]
ωs= velocidade angular espacial síncrona da onda de FMM
de entreferro [rad/s]
A correspondente velocidade síncrona ns, em rpm
(rotações por minuto), pode ser expressa em termos da
freqüência elétrica aplicada fe = ωe/(2π), em Hz, como
(4.41)
Em geral , um campo girante de amplitude constante será
produzido por um enrolamento de q fases excitado por
q correntes de fase equilibradas de freqüência fe, quando
os respctivos eixos de fase estiverem afastados de 2π/q
radianos elétricos no espaço. A amplitude dessa onda de
fluxo será q/2 vezes a contribuição máxima de qualquer
fase em particular, e a velocidade angular síncrona
permanecerá ωs = (2/pólos) ωe radianos por segundo.
Nessa seção, vimos que um enrolamento polifásico
excitado por correntes polifásicas equilibradas produz
uma onda de FMM girante. A produção de uma onda de
FMM girante e o fluxo magnético girante correspondente
é a chave da operação das máquinas elétricas rotativas
polifásicas. É a interação dessa onda de fluxo magnético
com o fluxo do rotor que produz conjugado. Conjugado
constante é produzido quando o fluxo magnético
produzido pelo rotor gira em sincronismo com o do
estator.
Análise Gráfica de FMM Polifásica
Para correntes trifásicas equilibradas, como dadas pelas
Equações 4.23 a 4.25, a produção de uma FMM girante
também pode ser mostrada graficamente. Considere a
situação em t = 0 Fig. 5.30), instante em que a corrente
de fase a está em seu valor máximo Im. Então, a FMM
da fase a está com o seu valor máximo Fmax, como
mostrado pelo vetor Fa= Fmax desenhado ao longo do eixo
magnético da fase a na máquina de dois pólos, mostrada
esquematicamente na Fig. 4.31a. Nesse momento, as
correntes ib e ic são ambas Im/2 no sentido negativo, como
está mostrado pelos pontos e cruzes na Fig. 5.31a
indicando os sentidos reais instantâneos. As FMMs
correspondentes das fases b e c são mostradas pelos
vetores Fb e Fc, ambos de módulo Fm/2 desenhados no
sentido negativo ao longo dos eixos magnéticos das fases
b e c, respec tivamente. A resultante, obtida pela soma
das contribuições individuais das três fases, é um vetor
de módulo F= 3/2 Fmax centrado no eixo da fase a. Ela
representa uma onda senoidal es pacial com o seu pico
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positivo centrado no eixo da fase a e tendo uma amplitude
3/2 vezes a da contribuição da fase a sozinha.
Em um tempo posterior ωet = π/3 (Fig. 5.30), as correntes
das fases a e b são a meta de do máximo positivo, e a da
fase c é um máximo negativo. As componentes de FMM
in dividuais e suas resultantes estão mostradas agora na
Fig. 5.31b. A resultante tem a mesma amplitude que em
t = 0, mas agora ela girou 60 graus elétricos no espaço
em sentido anti- horário. Do mesmo modo, em ωet = 2π/3
(quando a corrente de fase b é um máximo positivo e as
correntes de fase a e c são a metade do máximo negativo),
a mesma distribuição de FMM resultante é novamente
obtida, mas ela girou ainda mais 60 graus elétricos além
em sentido anti-horário e agora está alinhada com o eixo
magnético da fase b (veja a Fig. 5.31c). À medida que o
tempo passa, então, a onda da FMM resultante retém a
forma senoi dal e a amplitude, mas gira progressivamente
ao redor do entreferro; pode-se ver que o resultado
líquido é uma onda de FMM de amplitude constante
girando com uma velocidade angular uniforme.
Depois de um ciclo, a FMM resultante deve estar de volta
à posição da Fig.5.31a. Por tanto, a onda de FMM executa
uma revolução por ciclo elétrico em uma máquina de dois
pó los.
Em uma máquina de múltiplos pólos, a onda progride
um par de pólos a cada ciclo elétri co e, portanto, uma
revolução em pólos/2 ciclos elétricos.
Figura 5.31 - A produção de um campo magnético girante por meio de correntes trifásicas.
Exemplo 4.3
Considere um estator trifásico excitado com correntes
equilibradas de 60 Hz. Obtenha a velocidade angular
síncrona em rad/s e a velocidade em rpm para estatores
com dois, quatro e seis pólos.
Solução
Para uma freqüência de fe = 60 Hz, a freqüência angular
elétrica é igual a
ωe = 2π fe = 120π ≈ 377rad/s
Usando as Equações 4.40 e 4.41, a seguinte tabela pode
ser construída:
Pólos ns rpm ωs (rad/s)
2 3600 120π ≈ 377
4 1800 60π
6 1200 40π
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Problema Prático 4.3
Repita o Exemplo 4.3 para um estator trifásico excitado
por correntes equilibradas de 50 Hz
Solução
Pólos ns rpm ωs (rad/s)
2 3000 100π
4 1500 50π
6 1000 100π/3
TENSÃO GERADA
A natureza geral da tensão induzida já foi discutida na
Seção 4.2. Agora, expressões quantita tivas para a tensão
induzida serão determinadas.
Máquinas CA
Uma máquina CA elementar está mostrada em corte
(4.42)
transversal na Fig. 5.32. As bobinas do rotor e também
as do estator estão ilustradas como sendo concentradas,
de múltiplas espiras e de passo pleno. Como vimos,
uma máquina com enrolamentos distribuídos pode ser
repre sentada desse modo simplesmente multiplicando
o número de espiras em série no enrolamen to por um
fator de enrolamento. Supondo um entreferro pequeno,
pode-se assumir que o en rolamento de campo produz um
fluxo radial espacial fundamental com uma densidade de
flu xo de pico Bpico no entreferro. Embora a Fig. 5.32 mostre
uma máquina de dois pólos, a análi se apresentada aqui
é para o caso geral de uma máquina de múltiplos pólos.
Como foi dedu zido no Exemplo 4.2, se o entreferro for
uniforme, o valor de Bpico poderá ser obtido de
Figura 5.32 -Vista em seção transversal de uma máquina elementar CA trifásica.
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onde
g = comprimento do entreferro
Nr = total de espiras em série no enrolamento de campo
kr = fator de enrolamento do enrolamento de campo
Ir= corrente de campo
Quando os pólos do rotor estão alinhados com o eixo
magnético de uma fase do estator, o fluxo concatenado
com o enrolamento de uma fase do estator é kenr Nfase
,ɸp onde ɸp é o fluxo de entreferro por pólo [Wb]. Para
a densidade de fluxo senoidal de entreferro, que foi as
sumida, tem-se
(4.43)
ɸp pode ser obtido como sendo a integral da densidade
de fluxo sobre a área do pólo
(4.44)
Aqui,
θr= ângulo medido a partir do eixo magnético do rotor
r= raio até o entreferro
l = comprimento axial do ferro do estator/rotor
À medida que o rotorgira, o fluxo concatenado varia
senoidalmente com o ângulo en tre os eixos magnéticos
das bobinas do estator e do rotor. Com o rotor girando a
uma veloci dade angular constante ωm, o fluxo concatenado
com a bobina de estator da fase a é
(4.45)
onde o tempo t é escolhido arbitrariamente como sendo
zero quando o pico da onda de densidade de fluxo coincide
com o eixo magnético da fase a. Aqui,
(4.46)
é a velocidade mecânica do rotor expressa em radianos
por segundo elétricos. Pela lei de Faraday, a tensão
induzida na fase a é
(4.47)
A polaridade dessa tensão induzida é tal que, se a bobina
do estator for colocada em curto-circuito, a tensão
induzida dará origem a uma corrente que fluirá em um
sentido que se oporá a quaisquer alterações no fluxo
concatenado da bobina do estator. Embora a Equação
4.47 tenha sido deduzida supondo-se que apenas o
enrolamento de campo estivesse produzindo fluxo de
entreferro, a equação aplica-se igualmente bem ao caso
geral em que ɸP é o fluxo líquido por pólo no entreferro,
produzido por correntes tanto no rotor como no estator.
O primeiro termo do segundo membro da Equação 4.47
é uma tensão de transformador e está presente apenas
quando a amplitude da onda de fluxo de entreferro varia
no tempo. O segundo termo é tensão de velocidade
gerada pelo movimento relativo da onda de fluxo de
entreferro em relação à bobina de estator. Na operação
normal em regime permanente maioria das máquinas
rotativas, a amplitude da onda de fluxo de entreferro é
constante. Nessas condições, o primeiro termo é zero e
a tensão gerada é simplesmente a tensão de velocidade.
O termo força eletromotriz (abreviado FEM) é usado
freqüentemente para a tensão velocidade. Assim, para
um fluxo constante de entreferro,
(4.48)
Exemplo 4.4
A chamada equação de cruzamento de fluxo exprime que
a tensão v induzida em um fio comprimento l (no quadro
do fio), movendo-se em relação a um campo magnético
constante com uma densidade de fluxo de módulo B, é
dada por
onde v˔ é a componente da velocidade do fio perpendicular
à direção da densidade de fluxo magnético.
Considere a máquina trifásica elementar de dois pólos da
Fig. 5.32. Suponha que a densidade de fluxo de entreferro
produzida pelo rotor seja da forma
Bg(θr) = Bpico sen θr
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e que o rotor gire a uma velocidade angular constante ωe.
(Como trata-se de uma máquina dois pólos, observe que
ωm = ωe). Supondo que os lados da bobina do enrolamento
de armadura estejam no entreferro e não nas ranhuras,
mostre que, para uma fase, a tensão induzida em uma
bobina concentrada de armadura, de passo pleno
e N espiras, pode ser calculada a partir da equação
de cruzamento de fluxo e que é idêntica à calculada
usando-se a Equação 4.48. O raio médio do entreferro é r
e o comprimento do entreferro é g (g «r).
Solução
Começamos observando que a equação de cruzamento
de fluxo exige que o condutor esteja se movimentando e
que o campo magnético não varie no tempo. Assim, para
que ela seja aplicada no cálculo do campo magnético,
devemos passar o nosso quadro de referên cia para o rotor.
No quadro de referência do rotor, o campo magnético
é constante e os lados da bobina do estator, quando
movendo-se em relação ao centro do entreferro no raio
r, aparenta estar se movimento com uma velocidade
ωmer, perpendicular ao fluxo de entreferro orientado
radial mente. Se assumirmos que os eixos magnéticos das
bobinas de rotor e de fase estejam alinha dos no tempo
t = 0, a posição de um lado da bobina em função do tempo
será dada por θr= -ωmet. A tensão induzida em um lado de
uma espira pode, portanto , ser calculada como
Há N espiras por bobina e dois lados por espira. Assim, a
tensão total na bobina é dada por
Da Equação 4.48, a tensão induzida na bobina de estator,
de passo pleno e dois pólos, é dada por
Usando ɸP = 2BpicoIr da Equação 4.44 e substituindo,
obtém- se
que é idêntica à tensão determinada usando-se a equação
de cruzamento de fluxo.
Na operação normal de máquinas CA em regime
permanente, estamos usualmente interessados nos
valores eficazes de tensões e correntes ao invés de seus
valores instantâneos. Da Equação 4.48, o valor máximo da
tensão induzida é
Emax = ωmekenrNfase ɸP = 2πfmeKenrNfaseɸP (4.49)
(4.50)
Onde fme é a velocidade elétrica do rotor medida em Hz,
que também é igual à freqüência elétrica da tensão gerada.
Observe que essas equações são idênticas em forma às
equações corres pondentes de FEM de um transformador.
Em uma máquina rotativa, o movimento relativo en tre
uma bobina e uma onda de densidade de fluxo espacial
e amplitude constante produz ten são da mesma forma
que um fluxo variável no tempo o faz em associação com
as bobinas es tacionárias de um transformador. A rotação
introduz o elemento de variação no tempo e transforma
a distribuição espacial de densidade de fluxo em uma
variação de tensão no tempo.
A tensão induzida em um único enrolamento é uma tensão
monofásica. Para a produção de um conjunto de tensões
trifásicas equilibradas, resulta que três enrolamentos
deslocados de 120 graus elétricos no espaço devem ser
usados, como mostrado de forma elementar na Fig. 5.12.
A máquina da Fig. 5.12 está mostrada em ligação Y e,
assim, cada tensão de enrolamento é uma tensão de fase.
Assim, a Equação 4.50 fornece a tensão eficaz de fase
produzida nessa máquina quando Nfase é o número total
de espiras em série por fase. Para uma máquina ligada em
Δ, a tensão de enrolamento calculada a partir da Equação
4.50 seria uma tensão de linha da máquina.
Exemplo 4.5
Um gerador de 60 Hz síncrono trifásico de dois pólos ligado
em Y e rotor cilíndrico tem um enrolamento de campo
com Nr espiras distribuídas e um fator de enrolamento kr.
O enrolamento de armadura tem Na, espiras por fase e
fator de enrolamento ka. O comprimento do entreferro é
g, e o raio médio do entreferro é r. O comprimento ativo
do enrolamento de armadura é L. As dimensões e os
dados do enrolamento são
Nf = 68 espiras em série kf = 0,945
Na = 18 espiras em série/fase ka = 0,933
r = 0,53 m g = 4,5 cm
l = 3,8 m
O rotor é acionado por uma turbina a vapor a uma
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velocidade de 3600 rpm. Para uma corrente contínua
de campo de Ir= 720 A, calcule (a) a FMM fundamental
de pico (Fg1)pico produzida pelo enrolamento de campo,
(b) a densidade de fluxo fundamental de pico (Bg1)pico no
entreferro, (c) o fluxo fundamental por pólo ɸP, e (d) o
valor eficaz da tensão gerada em circuito aberto na
armadura.
Solução
a. Da Equação 4.8,
b. Usando a Equação 4.12, obtemos
Devido ao efeito das ranhuras que contêm o enrolamento
de armadura, a maioria do fluxo de entreferro está
confinada aos dentes do estator. A densidade de fluxo
dos dentes no centro de um pólo é mais elevada que o
valor calculado na parte (b), provavelmente cerca 2 vezes
mais. Em um projeto detalhado, essa densidade de fluxo
deve ser calculada para se determinar se os dentes estão
excessivamente saturados.
c. Da Equação 4.44
d. Da Equação 4.50, com fme =60Hz, a tensão de fase é
A tensão de linha é, portanto,
Problema Prático 4.4
O rotor da máquina do Exemplo 4.5 deve ser reenrolado.
O novo enrolamento de campo terá um total de 76 espiras
em série e um fator de enrolamento de 0,925. (a) Calcule
a corrente campo da qual resultará uma densidade
de fluxo de pico no entreferro de 0,83 T. (b) Calcule a
correspondente tensão eficaz de linha de circuito aberto
que resultará se essa máquina modificada for operadacom esse valor de corrente de campo e 3600 rpm.
Solução
a. Ic =696A
b. Eef,linha = 26,0 kV eficazes
Máquinas CC
Em uma máquina CC, embora o objetivo final seja a
geração de tensão CC, tensões CA são produzidas nas
bobinas do enrolamento de armadura à medida que
essas bobinas giram através da distribuição de fluxo CC
do enrolamento de campo estacionário. Portanto, a
tensão alternada do enrolamento de armadura deve ser
retificada. A retificação mecânica é obtida por meio do
comutador, como foi discutido na Seção 4.2.2.
Considere uma das bobinas de armadura de N espiras
da máquina elementar de dois pó los da Fig. 5.17. O
comutador simples de dois segmentos proporciona
a retificação de onda completa da tensão de bobina.
Embora tipicamente a distribuição espacial do fluxo de
entreferro em máquinas CC esteja muito longe de ser
senoidal, podemos aproximar o valor da tensão gerada
supondo uma distribuição senoidal. Como vimos, uma tal
distribuição de fluxo produzirá uma tensão CA senoidal na
bobina de armadura. A ação de retificação do comuta dor
produzirá uma tensão CC sobre as escovas, como na
Fig. 5.33. O valor médio, ou CC, dessa tensão pode ser
encontrado obtendo-se a média da Equação 4.48,
Em máquinas CC, usualmente é mais conveniente
expressar a tensão Ea em termos da velocidade mecânica
ωm (rad/s) ou n (rpm). A substituição da Equação 4.46
na Equação 4.51, para uma máquina de múltiplos pólos,
fornece
(4.51)
(4.52)
Em sentido prático, o enrolamento de bobina CC
subentendido aqui está, naturalmente fora da realidade.
Mais adiante será essencial examinar com mais cuidado a
ação dos comutadores. Na realidade, em termos práticos,
a Equação 4.52 também fornece resultados corretos para
o caso de enrolamentos distribuídos CA de armadura,
desde que N seja tomado como sendo o número total
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de espiras em série entre os terminais de armadura.
Usualmente, a tensão é expressa em termos do número
total de condutores ativos Ca do número m de caminhos
paralelos no enrola mento de armadura. Como são
necessários dois lados de uma bobina para perfazer uma
espira e 1/m dessas estão conectadas em série, o número
de espiras em série é Na= Ca/(2m). Então, subs tituindo na
Equação 4.52, obtém-se
(4.53)
Figura 5.33- Tensão entre as escovas da máquina
elementar CC da Fig. 5.17.
Conjugado em Máuinas de Pólos não Salientes
O comportamento de qualquer dispositivo
eletromagnético, atuando como componente de um
sistema eletromecânico, pode ser descrito em termos
de suas equações de terminais elétricos e de seu
deslocamento e conjugado eletromecânico. O objetivo
desta seção é deduzir as equações de tensão e conjugado
para uma máquina elementar ideal. Os resultados
podem ser prontamente estendidos posteriormente para
máquinas mais complexas. Deduziremos essas equações
dede dois pontos de vista e mostraremos que basicamente
elas originam-se das mesmas idéias.
O primeiro ponto de vista é essencialmente o mesmo da
Seção 3.6. A máquina será vista como um elemento de
circuito cujas indutâncias dependem da posição angular
do rotor. O fluxo concatenado λ e a co-energia do campo
magnético serão expressos em termos das correntes e
indutâncias. Então, o conjugado pode ser encontrado
a partir da derivada parcial energia ou co-energia em
relação à posição do rotor, e as tensões de terminal, a
partir da soma das quedas de tensão Ri nas resistências
e as tensões da lei de Faraday dλ/dt. O resultado será
um conjunto de equações diferenciais não-lineares que
descrevem o desempenho dinâmico da máquina.
O segundo ponto de vista considera a máquina como
dois grupos de enrolamentos produzem fluxo magnético
no entreferro: um grupo no estator e o outro no rotor.
Fazendo suposições adequadas em relação a esses
campos (similares às usadas para se deduzir expressões
analíticas para as indutâncias), expressões simples podem
ser desenvolvidas para o fluxo concatenado e a co-energia
de entreferro em termos das grandezas de campo. O
conjugado e a tensão gerada podem ser encontrados então
a partir dessas expressões. Desse modo, o conjugado pode
ser expresso explicitamente como a tendência de dois
campos magnéticos a se alinhar, do mesmo modo que
imãs permanentes tendem a se alinhar, e a tensão gerada
de ser expressa em termos do movimento relativo entre
um campo e um enrolamento. Essas expressões levam a
uma descrição física simples do comportamento normal
das máquinas elétricas em regime permanente.
Ponto de Vista de Circuito Acoplado
Considere a máquina elementar de entreferro uniforme
da Fig. 5.34 com um enrolamento no estator e um no
rotor, em que Ɵm é o ângulo mecânico entre os eixos
dos dois enrolamentos. Esses enrolamentos estão
distribuídos por um dado número de ranhuras de modo
que suas ondas de FMM possam ser aproximadas por
senóides espaciais. Na Fig. 5.34a, os lados das bobinas
s,-s e r, -r marcam as posições dos centros dos feixes de
condutores constituídos pelos enrolamentos distribuídos.
Um outro modo de se desenhar esses enrolamentos
está mostrado na Fig.5.34b também mostra os sentidos
de referência para as tensões e as correntes. Assume-se
aqui que uma corrente com o sentido da seta produz um
campo magnético no entreferro também com o sentido
da seta, de modo que uma única seta define os sentidos
de referência da corrente e do fluxo.
O estator e o rotor são cilindros concêntricos e as aberturas
das ranhuras são desprezadas. Conseqüentemente,
o nosso modelo elementar não inclui os efeitos dos
pólos salientes, que serão investigados em capítulos
posteriores. Supomos também que as relutâncias dos
ferros do estator e do rotor são desprezíveis. Finalmente,
embora a Fig. 5.34 mostre uma máquina de dois pólos,
escreveremos os desenvolvimentos seguintes para o caso
geral de uma máquina de múltiplos pólos, substituindo
Ɵm pelo ângulo elétrico do rotor
(4.54)
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Com base nessas suposições, pode-se ver que as
indutâncias próprias Lee e Lrr do estator e do rotor são
constantes, mas a indutância mútua entre o estator e
o rotor depende do ângulo elétrico Ɵme entre os eixos
magnéticos dos enrolamentos do estator e do rotor.
Figura 4.34 - Máquina elementar de dois pólos com entreferro uniforme: (a) distribuição de enrolamentos e (b)
representação esquemática.
A indutância mútua está em seu máximo positivo
quando Ɵme = 0 ou 2π , é zero quando Ɵme = ±π/2, e está
em seu máximo negativo quando Ɵme= ±π. Supondo
ondas senoidais de FMM e um entrefer ro uniforme, a
distribuição espacial do fluxo de entreferro é senoidal, e a
indutância mútua se rá da forma
Ler (Ɵme )= Ler cos (Ɵme) (4.55)
�nde a letra manuscrita L denota uma indutância que
é função do ângulo elétrico Ɵme . A letra maiúscula em
itálico L denota um valor constante.Assim, Ler é o valor da
indutância mútua; seu valor quando os eixos magnéticos
do estator e do rotor estão alinhados (Ɵme = 0).Em ter mos
de indutâncias, os fluxos concatenados λe e λr do estator
e do rotor são
(4.56)
(4.57)
onde as indutâncias podem ser calculadas como no
Apêndice B . Em notação matricial
(4.58)
As tensões ve e vr dos terminais são
(4.59)
(4.60)
ode Re e Rr são as resistências dos enrolamentos do estator
e do rotor respectivamente.
Quando o rotor está girando, Ɵme deve ser tratado como
uma variável. A diferenciação Equações 4.56 e 4.57,
substituindo os resultados nas Equações 4.59 e 4.60, leva
a
(4.61)
(4.62)
onde
(4.63)
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é a velocidade instantânea em radianos elétricos por
segundo. Em uma máquina de dois pólos ( como a da
Fig. 5.34), Ɵme e ωme são iguais aos valores instantâneos
do ângulo Ɵm no eixo, e da velocidade ωm no eixo,
respectivamente. Em uma máquina de múltiplos pólos,
eles estão relacionados entre si por meio das Equações
4.54 e 4.46. Os segundos e terceiros termos, nos segundos
membros das Equações 4.61 e 4.62, são tensões induzidas
L(di/dt) como as induzidas em circuitos estacionários
acoplados tais como enrolamentos de transformadores. Os
quartos termos são causados pelo movimento mecânico
e são proporcionais à velocidade instantânea. São os
termos das tensões de velocidade que correspondem à
troca de potência entre os sistemas elétrico e mecânico.
O conjugado eletromecânico pode ser obtido a partir da
co-energia. Usando a Equação 3.70, tem-se
(4.64)
Observe que a co-energia da Equação 4.64 foi expressa
especificamente em termos do ângulo no eixo Ɵm, porque
a expressão do conjugado da Equação 3.68 exige que o
conjugado seja obtido a partir da derivada da co-energia
em relação ao ângulo espacial Ɵm e não em relação ao
ângulo elétrico Ɵme. Assim , da Equação 3.68,
(4.65)
onde T é o conjugado eletromecânico que atua acelerando
o rotor (isto é, um conjugado positivo atua aumentando
Ɵm). O sinal negativo na Equação 4.65 significa que o
conjugado eletromecânico atua em um sentido tal que
leva os campos magnéticos do estator e do rotor ao
alinhamento.
As Equações 4.61, 4.62 e 4.65 são um conjunto de três
equações que relacionam as variáveis elétricas ve, ie, vr,
ir, com as variáveis mecânicas T e Ɵm. Essas equações,
junto com as restrições impostas às variáveis elétricas
pelas redes conectadas aos terminais (fontes ou cargas e
impedâncias externas), e as impostas ao rotor (conjugado
aplicado e conjugados inercial, elástico e de atrito),
determinam o desempenho do dispositivo e as suas
características como dispositivo de conversão entre os
sistemas externos elétricos e mecânicos. Essas equações
diferenciais são não-lineares e de difícil solução exceto em
circunstâncias especiais. Não estamos interessados em
sua solução aqui; estamos usando-as meramente como
degraus do desenvolvimento da teoria das máquinas
rotativas.
Exemplo 4.6
Considere a máquina elementar de dois pólos e dois
enrolamentos da Fig. 5.34. Seu eixo está acoplado a um
dispositivo mecânico que pode ser levado a absorver
ou entregar conjugado mecânico dentro de um amplo
intervalo de velocidades. Essa máquina pode ser conectada
e operada de diversos modos. Para esse exemplo, vamos
considerar a situação em que o enrolamento do rotor é
excitado com corrente contínua Ir, e o enrolamento do
estator é conectado a uma fonte de corrente CA que pode
tanto absorver como entregar potência elétrica.
Seja a corrente de estator
ie = Ie cos ωet
onde t = 0 é escolhido arbitrariamente como sendo o
momento em que a corrente de estator tem seu valor de
pico.
a. Deduza uma expressão para o conjugado magnético
desenvolvido pela máquina quando a sua velocidade é
variada sob controle do dispositivo mecânico conectado
a seu eixo.
b. Encontre a velocidade para a qual produz-se conjugado
médio quando a freqüência do es tator é 60 Hz.
c. Com as excitações assumidas para as fontes de corrente,
que tensões são induzidas nos en rolamentos de estator e
de rotor na velocidade síncrona ( ωm = ωe)?
Solução
a. Da Equação 4.65 para uma máquina de dois pólos
Para as condições dadas neste problema, com Ɵm = ωmt + ᴕ,
onde ωm é a velocidade angular em sentido horário
aplicada ao rotor pelo acionamento mecânico e ᴕ é a
posição angular do rotor em t =0. Usando uma identidade
trigonomé trica,2 temos
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O conjugado consiste em dois termos senoidais, variáveis
no tempo, de freqüências ωm + ωe e ωm - ωe. Como foi
mostrado na Seção 4.5, uma corrente CA aplicada ao
enrolamento mo nofásico do estator de dois pólos da
máquina da Fig.4.34 cria duas ondas de fluxo, uma
des locando-se no sentido de Ɵm positivo com velocidade
angular ωe e a segunda, no sentido de Ɵm negativo
também com velocidade angular ωe.É da interação do
rotor com essas duas on das de fluxo que resultam as duas
componentes da expressão do conjugado.
b. Exceto quando ωm = ± ωe, o conjugado médio em
um intervalo de tempo suficientemente longo é zero.
Entretanto, quando ωm = ωe, o rotor está girando em
sincronismo com a on da de fluxo de estator que se desloca
em sentido positivo, e o conjugado torna-se
O primeiro termo de seno é um componente de freqüência
dupla cujo valor médio é zero. O segundo termo é o
conjugado médio
Um conjugado médio diferente de zero também será
produzido quando ωm= - ωe, o que sim plesmente
significa rotação em sentido anti-horário; o rotor está se
deslocando agora em sin cronismo com a onda de fluxo
do estator que se desloca em sentido negativo. O sinal
negativo na expressão de Tmédio significa que um valor
positivo de Tmédio atua diminuindo ᴕ.
Trata-se de uma máquina síncrona monofásica ideal.
Com uma freqüência de estator de 60 Hz, produzirá um
conjugado médio diferente de zero para velocidades de
±ωm = ωe= 2π60 rad/s, correspondendo a velocidades de
±3600 rpm, como se pode ver na Equação 4.41.
c. A partir dos segundo e quarto termos da Equação 4.61
( com Ɵe = Ɵm = ωmt + ᴕ), a tensão induzida no estator,
quando ωm = ωe, é
A partir do(s) terceiro e quarto termos da Equação 4.62, a
tensão induzida no rotor é
A componente de rotação para trás do fluxo no estator
induz uma tensão de freqüência dupla no rotor, ao
passo que a componente de rotação para frente, que
está girando em sincronismo com o rotor, aparece como
um fluxo CC ao rotor, e conseqüentemente não induz
nenhuma tensão no enrolamento do rotor.
Agora considere um a máquina de entreferro uniforme
com diversos enrolamentos de estator e rotor. Os mesmos
princípios gerais, que se aplicam ao modelo elementar
da Fig. 5.34, aplicam-se também à máquina de múltiplos
enrolamentos. Cada enrolamento tem a sua indutância
própria em particular assim como indutâncias mútuas
com outros enrolamentos. As indutâncias próprias e
mútuas entre pares de enrolamentos do mesmo lado
do entreferro são constantes, supondo-se um entreferro
uniforme e saturação magnética desprezível. Entretanto
as indutâncias mútuas entre pares de enrolamentos de
estator e rotor variam proporcionalmente ao co-seno do
ângulo entre os seus eixos magnéticos. O conjugado resulta
da tendência do campo magnético dos enrolamentos do
rotor a se alinhar com o dos enrolamentos estator. Pode
ser expresso pela soma de termos como o da Equação
4.65.
Exemplo 4.7
Considere uma máquina síncrona trifásica de quatro pólos
com um entreferro uniforme. Suponha que as indutâncias
próprias e mútuas do enrolamento de armadura sejam
constante.
Laa=Lbb=Lcc
Lab=Lbc=Lca
Do mesmo modo, suponha que a indutância própria Lf
do enrolamento de campo seja constante, ao passo que
as indutâncias mútuas entre o enrolamento de campo e
os três enrolamentos de fase da armadura variem com o
ângulo Ɵm entre os eixos magnéticos do enrolamen to de
campo e o da fase a
Laf = Laf cos2Ɵm
Lbf = Laf cos (2Ɵm - 120°)
Lcf = Laf cos(2Ɵm + 120°)
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Mostre que, quando o campo é excitado com corrente
constante If e a armadura é exci tada com correntes
trifásicas equilibradas da forma
ia= Ia cos (ωet +ᴕ)
ib = Iacos (ωet - 120° +ᴕ)
ic = Ia cos (ωet + 120° + ᴕ)
então o conjugado será constante se o rotor girar na
velocidade síncrona, como dadopela Equação 4.40.
Solução
O conjugado pode ser calculado a partir da co-energia
como foi descrito na Seção 3.6. Essa máquina em
particular é um sistema de quatro enrolamentos. Assim,
a co-energia consistirá em quatro termos envolvendo
metade da indutância própria multiplicada pelo quadrado
da correspondente corrente de enrolamento, assim
como termos de produtos que consistem em indutâncias
mútuas entre pares de enrolamentos multiplicadas pelas
correspondentes corren tes de enrolamento. Observando
que apenas os termos que envolvem as indutâncias mútuas
entre o enrolamento de campo e os três enrolamentos de
fase da armadura conterão termos que variam com Ɵm,
podemos escrever a co-energia na forma
O conjugado pode ser encontrado agora a partir da
derivada parcial de Wcampo em rela ção a Ɵm
Dessa expressão, vemos que o conjugado será constante
quando o rotor girar na velocidade síncrona ωs tal que
em cujo caso o conjugado será igual a
T = 3LafIaIf sen ᴕ
Observe que, diferentemente do caso da máquina
monofásica do Exemplo 4.6, o conjugado dessa máquina
trifásica, operando na velocidade síncrona sob condições
trifásicas equilibra das, é constante. Como vimos, isso é
devido ao fato de que a onda de FMM do estator consis te
em uma única onda de fluxo girante, ao contrário do caso
monofásico em que a corrente de fase do estator produz
duas ondas de fluxo, uma para frente, e outra para trás.
Essa onda de fluxo para trás não está em sincronismo com
o rotor e portanto é responsável pela componen te de
conjugado variável no tempo de freqüência dupla vista no
Exemplo 4.6.
Problema Prático 4.5
Para a máquina de quatro pólos do Exemplo 4.4.7,
encontre a velocidade síncrona na qual um conjugado
constante será produzido se as correntes do rotor forem
da forma
Solução
No Exemplo 4.7, encontramos que, sob condições
equilibradas, uma máquina síncrona de quatro pólos
produz conjugado constante quando a velocidade angular
de rotação é igual à metade da freqüência elétrica de
excitação. Esse resultado pode ser generalizado para
mostrar que, sob condições equilibradas de operação,
uma máquina síncrona multifásica e de múltiplos pólos
produzirá conjugado constante na velocidade de rotor
em que este gira em sincro nismo com a onda girante de
fluxo produzida pelas correntes do estator. Por isso, ela
é conhecida como velocidade síncrona da máquina. Das
Equaçõe s 4.40 e 4.41, a velocidade síncrona é igual a
ωs = (2/pólos)ωe em rad/s ou ns= (120/pólos)fe em rpm.
Ponto de Vista do Campo Magnético
Na discussão da Seção 4.7.1, as características de uma
máquina rotativa vista de seus tenru nais elétricos e
mecânicos foram expressas em termos de suas indutâncias
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de enrolamento. Esse ponto de vista dá pouco insight dos
fenômenos físicos que ocorrem dentro da máquina. Nesta
seção, iremos explorar uma formulação alternativa em
termos dos campos magnéticos interatuantes.
Como vimos, as correntes nos enrolamentos da máquina
criam fluxo magnético entre o estator e o rotor, sendo
que os caminhos de fluxo são completados através do
ferro do estator e do rotor. Essa condição corresponde ao
surgimento de pólos magnéticos em ambos o estator e
o rotor, centrados em seus respectivos eixos magnéticos,
como mostrado na Fig. 5.35a para uma máquina de dois
pólos com entreferro uniforme. O conjugado é produzido
pela tendência dos dois campos magnéticos componentes
a alinhar os seus eixos magnéticos. Uma visão física útil é
que isso é muito semelhante à situação de duas barras
magnéticas pivotadas em seus centros no mes mo eixo.
Haverá um conjugado, proporcional ao deslocamento
angular entre as barras magné ticas, que atuará de modo
a alinhá-los. Na máquina da Fig. 5.35a, o conjugado
resultante é proporcional ao produto das amplitudes das
ondas de FMM do estator e do rotor e é também uma
função do ângulo ᴕer medido desde o eixo da onda de
FMM do estator até o do rotor. De fato mostraremos que,
em uma máquina de entreferro uniforme, o conjugado é
proporcional a ᴕer.
Em uma máquina típica, a maioria do fluxo produzido
pelos enrolamentos de estator e rotor cruzam o entreferro
e acoplam ambos os enrolamentos. Isso é chamado de
fluxo mútuo em analogia direta com o fluxo mútuo ou
de magnetização de um transformador. Entretanto uma
parte do fluxo produzido pelos enrolamentos do rotor e
do estator não cruzam o entreferro, em analogia ao fluxo
de dispersão de um transformador.
Figura 5.35 - Máquina de dois pólos simplificada: (a) modelo elementar e (b) diagrama ve torial das ondas de FMM. O
conjugado é produzido pela tendência a se alinhar dos campos magnéticos do rotor e do estator. Observe que essas
figuras são desenhadas com ᴕer, positivo, isto é, com a onda de FMM do rotor Fr, à frente da Fe do estator.
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Esses componentes de fluxo são conhecidos como fluxo
de dispersão do rotor e fluxo de dispersão do estator. Os
componentes desse fluxo de dispersão incluem fluxos
dispersivo de ranhura e de topo de dente, fluxo dispersivo
de terminação de espira, e harmônicas espaciais no
campo de entreferro.
Apenas o fluxo mútuo é de interesse direto para a produção
de conjugado. Entretanto, os fluxos de dispersão afetam
de fato o desempenho das máquinas, devido às tensões
que eles induzem em seus respectivos enrolamentos. Seus
efeitos sobre as características elétricas são explicados
por meio de indutâncias, de forma análoga ao uso da
inclusão de indutâncias de dispersão nos modelos de
transformadores.
Quando se expressa o conjugado em termos de correntes
de enrolamento ou de suas FMMs correspondentes,
as expressões resultantes não incluem termos que
contenham indutâncias de dispersão. Nossa análise
aqui será então em termos do fluxo mútuo resultante.
Iremos desenvolver uma expressão para a co-energia
magnética armazenada no entreferro em termos das
FMMs de estator e rotor e do ângulo ᴕer, entre seus eixos
magnéticos. O conjugado pode então ser obtido a partir
da derivada parcial da co-energia em relação ao ângulo
ᴕer.
Para simplificar a análise, iremos supor que o comprimento
radial g do entreferro (o espaço livre entre o rotor e o
estator) seja pequeno, quando comparado com o raio
do rotor ou do estator. Em uma máquina com entreferro
uniforme, construída com aço elétrico de permeabilidade
magnética elevada, é possível mostrar que resultará um
fluxo de entreferro orientado basicamente em forma
radial, e que há uma diferença relativamente pequena
entre as densidades de fluxo na superfície do rotor,
na superfície do estator, ou a qualquer distância radial
intermediária no entreferro. O campo no entreferro
pode então ser representado como um campo radial Hg
ou Bg cuja intensidade varia com o ângulo ao redor da
periferia. A integral de linha de Hg através do entreferro
é então simplesmente Hgg e é igual à FMM resultante Fer,
de entreferro produzida pelos enrolamentos de estator e
rotor; assim
Hgg = Fer (4.66)
onde F denota a onda de FMM em função do ângulo ao
redor da periferia.
As ondas de FMM do estator e do rotor são ondas
senoidais espaciais nas quais ᴕer, é o ângulo de fase entre
seus eixos magnéticos em graus elétricos. Elas podem ser
representadas pelos vetores espaciais Fe Fr, desenhadas
ao longo dos eixos magnéticos das ondas de FMM do
estator e do rotor respectivamente, como na Fig. 5.35b.
A FMM resultante Fer, também uma onda senoidal que
atua no entreferro, é a soma vetorial delas. Da fórmula
trigonométri ca da diagonal de um paralelogramo, o valor
de pico é obtidode
F2er = F2e + F2r + 2FeFr cos ᴕer (4.67)
em que os Fs são os valores de pico das ondas de FMM. O
campo radial resultante Hg é uma onda senoidal espacial
cujo valor de pico Hg,pico é, da Equação 4.66,
(Hg)pico = Fer (4.68)
g
Agora, considere a co-energia do campo magnético
armazenada no entreferro. Da Equa ção 3.49, a densidade
de co-energia em um ponto, em que a intensidade de
campo magnético é H, é (µ0/2)H2 em unidades do SI.
Assim, a densidade média de co-energia em todo o
volume do entreferro é µ0/2 vezes o valor médio de H2g.
O valor médio do quadrado de uma onda senoidal é a
metade de seu valor de pico. Assim,
A co-energia total é obtida então como sendo
w'campo = (densidade média de co-energia)(volume de
entreferro)
(4.70)
onde I é o comprimento axial do entreferro e D é o seu
diâmetro médio.
Da Equação 4.67, a co-energia armazenada no entreferro
pode ser expressa agora termos das amplitudes de pico
das ondas de FMM de estator e rotor e do ângulo de fase
espacial entre elas; assim
(4.71)
Verificando que manter uma FMM constante é equivalente
a manter uma corrente constante, uma expressão para
o conjugado eletromecânico T pode ser obtida agora,
em termos dos campos magnéticos interatuantes,
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calculando-se a derivada parcial da co-energia do campo
em relação ao ângulo. Para uma máquina de dois pólos
(4.72)
A expressão geral para o conjugado de uma máquina de
múltiplos pólos é
(4.73)
Nessa equação, ᴕer é o ângulo elétrico de fase espacial
entre as ondas de FMM do rotor e do estator e o
conjugado T atua no sentido em que o rotor é acelerado.
Assim, quando o ᴕer é positivo, o conjugado é negativo
e a máquina está funcionando como gerador. De modo
semelhante, um valor negativo de ᴕer, corresponde a um
conjugado positivo e, correspondentemente, funciona
como motor.
Essa importante equação exprime que o conjugado é
proporcional aos valores de pico das ondas de FMM Fe
e Fr do estator e do rotor, e ao seno do ângulo elétrico
de fase espacial ᴕer, entre elas. O sinal de menos significa
que os campos tendem a se alinhar entre si. Conjugados
iguais e opostos são exercidos sobre o estator e o rotor.
O conjugado sobre o estator é transmitido através da
carcaça da máquina à fundação.
Agora, pode-se comparar os resultados da Equação 4.73
com os da Equação 4.65. Verificando que Fe é proporcional
a ie e Fr é proporcional a ir, pode-se ver que são semelhantes
na forma. De fato, eles devem ser iguais, como pode
ser verificado substituindo-se Fe,Fr, (Seção 4.3.1) e Ler,
(Apêndice B) por expressões apropriadas. Observe
que esses resultados foram deduzidos supondo que a
relutância do ferro fosse desprezível. No entanto, as duas
técnicas são igualmente válidas para uma permeabilidade
finita do ferro.
Referindo-se à Fig. 5.35b, pode-se ver que Fr senᴕer, é a
componente da onda Fr em quadratura elétrica espacial
com a onda Fe. De modo semelhante, Fe senᴕer é a
componente da onda Fe em quadratura com a onda Fr.
Assim, o conjugado é proporcional ao produto de campo
magnético pela componente do outro em quadratura
consigo, muito semelhante ao produto vetorial da análise
vetorial. Observe também que, na Fig. 5.35b,
Fe sen ᴕer = Fer senᴕr (4.74)
e
Fr sen ᴕer = Fer senᴕe (4.75)
O conjugado, que atua acelerando o rotor, pode então
ser expresso em termos da onda de FMM resultante.
Substituindo-se a Equação 4.74 ou a Equação 4.75 na
Equação 4.73, obtêm-se
(4.76)
(4.77)
A comparação das Equações 4.73, 4.76 e 4.77 mostra que
o conjugado pode ser expresso em termos dos campos
magnéticos componentes devidos a cada corrente
isoladamente, como na Equação 4.73, ou em termos do
campo resultante e de qualquer um dos componentes,
como nas Equações 4.76 e 4.77, desde que usemos o
ângulo correspondente entre os eixos dos campos. A
capacidade de pensar em qualquer uma dessas formas é
útil na análise de máquinas.
Nas Equações 4.73, 4.76 e 4.77, os campos foram
expressos em termos dos valores de pico de suas ondas
de FMM. Quando se despreza a saturação magnética, os
campos podem, naturalmente, ser expressos em termos
dos valores de pico de suas ondas de densidade de fluxo,
ou em termos do fluxo total por pólo. Assim, o valor de
pico B.de campo devido a uma onda de FMM distribuída
senoidalmente em um entreferro uniforme de máquina é
µ0Fg,pico/g, onde Fag,pico é o valor de pico da onda de FMM.
Por exemplo, a FMM resultante Fer produz uma onda
de densidade de fluxo resultante cujo valor de pico é
Ber= µ0Fer/g. Assim, Fer = g Ber/µ0 e substituindo na Equação
4.77, obtém-se
(4.78)
Uma das limitações inerentes ao projeto de aparelhos
eletromagnéticos é a densidade de fluxo de saturação dos
materiais magnéticos. Devido à saturação nos dentes da
armadura, o valor de pico Ber da onda de densidade de
fluxo resultante no entreferro é limitado a cerca de 1,5
a 2,0 T. O valor máximo admissível para a corrente de
enrolamento, e conseqüentemente a correspondente
ond a de FMM, é limitado pela elevação de temperatura
do enrolamento e por outros requisitos de projeto. Como
a densidade de fluxo resultante e a FMM aparecem
ex plicitamente na Equação 4.78, essa equação está em
uma forma conveniente aos propósitos de projeto. Ela
pode ser usada para estimar o conjugado máximo que
é possível de se obter com uma máquina de um dado
tamanho.
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Exemplo 4.8
Um motor síncrono de quatro pólos, operando a 1800 rpm
e 60 Hz, tem um entreferro de 1,2 mm. O diâmetro médio
do entreferro é 27 cm, e seu comprimento axial é 32 cm.
O enrola mento do rotor tem 786 espiras e um fator de
enrolamento de 0,976. Supondo que razões tér micas
limitem a corrente do rotor a 18 A, estime o conjugado e
a potência de saída máximos que se pode esperar obter
dessa máquina.
Solução
Primeiro, podemos determinar a FMM de rotor máxima a
partir da Equação 4.8
Supondo que o valor de pico do fluxo de entreferro
resultante esteja limitado a 1,5 T, podemos estimar o
conjugado máximo a partir da Equação 4.78 tornando ᴕr
igual a -π/2 (lembrando que valores negativos de ᴕr, com
a FMM do rotor atrasada em relação à FMM resultante ,
correspondem a um conjugado positivo, motor).
Para uma velocidade síncrona de 1800 rpm,
tem-se ωm = ns (π/30) = 1800 (π/30) rad/s, e as sim a
potência correspondente pode ser calculada como
Pmax = ωm Tmax = 337 kW.
Problema Prático 4.6
Repita o Exemplo 4.8 para um motor síncrono de dois
pólos e 60 HZ com um comprimento de entreferro de
1,3 mm, um diâmetro médio de entreferro de 22 cm e um
comprimento axi al de 41 cm. O enrolamento do rotor tem
900 espiras e um fator de enrolamento de 0,965. corrente
máxima de rotor é 22 A.
Solução
Tmax = 2585 N. m e Pmax = 975 kW
Formas alternativas da equação de conjugado surgem
quando se verifica que o fluxo re sultante por pólo é
ɸP= (valor médio de B em um pólo)(área do pólo) (4.79)
e que o valor médio de uma senóide no intervalo de meio
comprimento de onda é 2/π vezes o seu valor de pico.
Assim,
(4.80)
onde Bpico é o valor de pico da respectiva onda de
densidade de fluxo. Por exemplo, usando o valor de pico
do fluxo resultante Ber,e substituindo a Equação 4.80 na
Equação 4.78, obtém-se
(4.81)
onde ɸer é o fluxo por pólo resultante que é produzido
pelo efeito combinado das FMMs do estator e do rotor.
Recapitulando, temos agora diversas formas para
expressar o conjugadode uma máquina de entreferro
uniforme em termos de seus campos magnéticos.
Todas são simplesmente expressões de que o conjugado
é proporcional ao produto dos módulos dos campos
interatuantes, e ao seno do ângulo espacial elétrico entre
os seus eixos magnéticos. O sinal negativo indica que o
conjugado eletromecânico atua em um sentido tal que
a distância angular entre os campos diminui. Em nossa
discussão introdutória dos tipos de máquinas, a Equação
4.81 será a forma preferida.
Além disso, pode-se fazer um outro comentário relativo
às equações de conjugado ao processo de raciocínio que
leva a elas. Durante a dedução, não houve restrições em
rela ção a manter as ondas de FMM ou de densidade de
fluxo estacionárias no espaço. Elas po dem permanecer
estacionárias ou serem ondas em deslocamento, como
foi discutido na Se ção 4.5. Como vimos, se os campos
magnéticos do estator e do rotor forem constantes
e amplitude e se deslocarem ao redor do entreferro
na mesma velocidade, um conjugado constante será
produzido pela tendência dos campos do estator e do
rotor a se alinhar entre si de acordo com as equações do
conjugado.
Máquinas Lineares
Em geral, cada um dos tipos de máquinas discutidos neste
livro pode ser produzido em ver sões lineares além das
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versões rotativas que comumente são encontradas e que
serão extensi vamente discutidas nos próximos capítulos.
De fato, pela clareza da discussão, muitos dos ti pos de
máquinas discutidos neste livro são desenhados em
suas formas desenvolvidas ou pla nificadas (coordenadas
cartesianas), tal como na Fig. 5.19b.
Talvez o uso mais largamente conhecido dos motores
lineares seja no campo dos transportes. Nessas aplicações,
motores de indução lineares são usados. Tipicamente
o "estator" CA está no veículo em movimento, e um
"rotor'' estacionário condutor constitui os trilhos. Nesses
sistemas, além de propiciar a propulsão, as correntes
induzidas nos trilhos podem ser usadas para produzir
levitação, oferecendo assim um mecanismo de transporte
a alta velocidade, sem as dificuldades associadas com
as interações que ocorrem entre as rodas e os trilhos no
transporte mais convencional efetuado com trilhos.
Os motores lineares também encontraram aplicação na
indústria de máquinas ferramentas e em robótica onde o
movimento linear (necessário para o posicionamento e a
operação de manipuladore s) é um requisito comum. Além
disso, máquinas alternativas (recíprocas) lineares estão
sendo construídas para o acionamento de compressores
(4.82)
Se uma máquina real tiver um enrolamento distribuído
(similar a seu equivalente circu lar, mostrado na Fig. 5.20)
consistindo em um total de Nfase, espiras distribuídas em p
(4.83)
e alternadores recíprocos.
A análise de máquinas lineares é muito similar à das
máquinas rotativas. Em geral, dimensões e distâncias
lineares substituem as angulares, e forças substituem
os conjugados. Com essas exceções, as expressões
para os parâmetros de máquina são desenvolvidas de
modo análogo aos apresentados aqui para as máquinas
rotativas, e os resultados são semelhantes em forma.
Considere o enrolamento linear mostrado na Fig. 5.36.
Esse enrolamento, consistindo em N espiras por ranhura
e conduzindo uma corrente i, é diretamente análogo ao
enrolamento circular mostrado em forma desenvolvida
na Fig. 5.25. De fato, a única diferença é a substituição da
posição angular Ɵa pela linear z.
A componente fundamental da onda de FMM da
Fig. 5.36 pode ser encontrada diretamente da Equação
4.13 simplesmente verificando que esse enrolamento tem
um comprimento de onda igual a β e que a componente
fundamental dessa onda de FMM varia de acordo com
(2πz/β). Assim, substituindo o ângulo Ɵa, na Equação 4.13
por 2πz/β, podemos obter a componente fundamental da
onda de FMM diretamente como
períodos ao longo de z (isto é, em um comprimento de pβ),
a componente fundamental de Hg pode ser encontrada,
por analogia com a Equação 4.15, como sendo
onde kenr é o fator de enrolamento.
De modo análogo à discussão da Seção 4.5.2, um
enrolamento trifásico linear pode ser construído a partir
de três enrolamentos como os da Fig. 5.31. Cada fase está
deslocada em posi ção de uma distância β/3, e as fases
são excitadas por correntes trifásicas equilibradas de
freqüên cia angular ωe
ia = lm COS ωet (4.84)
ia = lm COS ωet (4.85)
ib = lm COS (ωet -120°) (4.86)
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Figura 5.36 - A FMM e o campo H de um enrolamento linear concentrado de passo pleno
Seguindo o desenvolvimento das Equações 4.26 até 4.38,
podemos ver que haverá uma única FMM progressiva
positiva que pode ser escrita diretamente da Equação
4.38, simplemente substituindo Ɵa por 2πz/β, obtendo-se
(4.87)
onde Fmax é dada por
(4.88)
Da Equação 4.87, podemos ver que o resultado é
uma onda de FMM que se desloca direção z com uma
velocidade linear
(4.89)
Onde fe é a frequencia de excitação em hertz.
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Exemplo 4.9
Um motor CA trifásico linear tem um enrolamento com
um comprimento de onda de β= 0,5m e um entreferro
com 1,0 cm de comprimento. Um total de 45 espiras, com
um fator de enrolamento de kenr = 0,92, é distribuído em
um comprimento total de enrolamento de 3β = 1,5m.
Suponha que os enrolamentos sejam excitados com
correntes trifásicas equilibradas de amplitude de pico de
700 A e freqüência de 25 Hz. Calcule (a) a amplitude da
onda de FMM resultante, (b) a densidade de fluxo de pico
correspondente no entreferro e (c) a velocidade dessa
onda progressiva de FMM.
Solução
a. Das Equações 4.87 e 4.88, a amplitude da onda de FMM
resultante é
b. A densidade de fluxo de pico no entreferro pode ser
obtida a partir do resultado da parte (a) dividindo pelo
comprimento do entreferro e multiplicando por µ0:
c. Finalmente, a velocidade da onda progressiva pode ser
determinada a partir da Equação 4.89:
v = feβ = 25 x 0,5 = 12,5 m/s
Problema Prático 4.7
Um motor síncrono trifásico linear tem um comprimento
de onda de 0,93 m. Observa-se que ele está se deslocando
a uma velocidade de 83 km/h. Calcule a freqüência da
excitação elétri ca necessária sob essas condições de
operação.
Solução
f = 24,8Hz
As máquinas lineares não são discutidas de forma
específica neste livro. No entanto, re comenda-se com
insistência que o leitor verifique a correspondência direta
existente entre os fundamentos do desempenho e da
análise das máquinas lineares e os de seus equivalentes
ro tativos. Uma diferença maior entre esses dois tipos
de máquinas é que as máquinas lineares têm efeitos de
extremidade*, correspondendo aos campos magnéticos
que se "dispersam" do entreferro à frente e atrás da
máquina. Esses efeitos estão além do escopo deste livro e
foram tratados em detalhe na literatura.3
Saturação Magnética
As características das máquinas elétricas dependem em
muito do uso de materiais magnéti cos. Esses materiais
são necessários para formar o circuito magnético e são
usados pelos projetistas de máquinas para obter as
características específicas das máquinas.
À medida que o fluxo magnético é aumentado, eles
começam a saturar, com o resultado de que suas
permeabilidades magnéticas começam a diminuir assim
como a sua efetividade em contribuir à densidade de
fluxototal da máquina.
O conjugado eletromecânico e a tensão gerada em todas
as máquinas dependem dos fluxos concatenados em seus
enrolamentos. Para FMMs específicas nos enrolamentos
os fluxos dependem das relutâncias das partes de ferro
dos circuitos magnéticos e das retulâncias dos entreferros.
Portanto, a saturação pode influenciar apreciavelmente
as caracteristicas das máquinas.
Um outro aspecto da saturação, mais sutil e difícil de
ser avaliado sem comparações experimentais e teóricas,
relaciona-se com a influência da saturação sobre as
premissas básica a partir das quais a abordagem analítica
das máquinas é desenvolvida. Especificamente, as relações
envolvendo a FMM de entreferro baseiam-se tipicamente
na suposição de que a retulância do ferro é desprezível.
Quando essas relações são aplicadas às máquinas na
prática com graus variados de saturação no ferro, erros
significativos nos resultados das análises podem ser
esperados. Por essas razões, para aperfeiçoar tais relações
analíticas, a máquina real pode ser substituída por uma
máquina equivalente, uma cujo ferro tem relutância
desprezível mas cujo entreferro é aumentado de um valor
suficiente para absorver a queda de potencial magnético
no ferro da máquina real.
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Do mesmo modo, os efeitos das não-uniformidades, tais
como as ranhuras e os condutos de ventilação, também
podem ser incorporados aumentando-se o comprimento
efetivo entreferro. No final, essas diversas técnicas
de aproximação devem ser verificadas e confirmadas
experimentalmente. Nos casos em que se constatar
que essas técnicas simples são inadequadas, análises
detalhadas, como as que empregam elementos finitos
ou outras técnicas numéricas, podem ser usadas. No
entanto, deve-se ter em mente que o uso dessas técnicas
representam um aumento significativo da complexidade
da modelagem.
As características de saturação das máquinas rotativas são
apresentadas tipicamente na forma de uma característica
de circuito aberto ou a vazio, também chamada curva de
magnetização ou curva de saturação. Um exemplo está
mostrado na Fig. 5.37. Essa característica representa a
curva de magnetização para a geometria do ferro e do ar
em particular da máquina sob análise. Para uma máquina
síncrona, a curva de saturação de circuito aberto é obtida
operando a máquina em velocidade constante e medindo
a tensão de armadura de circuito aberto em função da
corrente de campo. A linha reta tangente à porção inferior
da curva é a linha de entreferro, correspondendo aos
níveis baixos de fluxo dentro da máquina.
Figura 5.37 - Curva característica de circuito aberto típica e linha de entreferro.
Sob essas condições, a relutância do ferro da máquina é
tipicamente desprezível, e a FMM necessária para excitar
a máquina é simplesmente a necessária para superar a
relutância do ar. Se não fosse pelos efeitos da saturação,
a linha de entreferro e a característica de circuito aberto
iriam coincidir. Assim, o afastamento entre a curva e a
linha de entreferro é uma indicação do grau de saturação
presente. Em máquinas típicas, na tensão nominal, a razão
entre a FMM total e a requerida apenas pelo entreferro
está usualmente entre 1,1 e 1,25.
Na fase de projeto, a característica de circuito aberto pode
ser calculada a partir de técnicas de projeto de dados
como a análise de elementos finitos. Uma solução típica
de elementos finitos para a distribuição de fluxo ao redor
do pólo de uma máquina de pólos salientes está mostrada
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na Fig. 5.38. A distribuição do fluxo de entreferro obtida
com essa solução, junta mente com as componentes
fundamental e de terceira harmônica, está mostrada na
Fig. 5.39.
Além dos efeitos de saturação, a Fig. 5.39 ilustra
claramente o efeito de um entreferro não uniforme. Como
esperado, a densidade de fluxo ao redor da face polar,
onde o entreferro é peque no, é muito mais elevada que
nas regiões mais afastadas do pólo. Esse tipo de análise
detalhada é de grande utilidade para um projetista obter
as propriedades específicas de uma máquina.
Como vimos, a curva de magnetização de uma máquina
síncrona existente pode ser de terminada operando a
máquina como um gerador sem carga, e medindo os
valores da tensão terminais correspondentes a uma
série de valores de corrente de campo. Para um motor
de indução, a máquina é operada na, ou próxima da,
velocidade síncrona (caso em que uma corrente muito
baixa será induzida nos enrolamentos do rotor), e valores
de corrente de mag netização são obtidos para uma
série de valores aplicados de tensão de estator. Deve ser
enfa tizado, no entanto, que a saturação em uma máquina
totalmente sob carga ocorre como resul tado da FMM
total que atua no circuito magnético. Como a distribuição
de fluxo sob carga é diferente em geral de quando não
há carga, os detalhes das características de saturação da
má quina podem ser diferentes da curva de circuito aberto
da Fig. 5.37.
Figura 5.38 - Solução de elementos finitos para a distribuição de fluxo ao redor de um pólo saliente. (General Electric
Company)
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Figura 5.39 - Onda de densidade de fluxo correspondente à Fig. 5.38 com suas componentes fundamental e de terceira
harmônica.
Fluxos Dispersivos
Na Seção 2.4, mostramos que em um transformador de
dois enrolamentos, o fluxo criado por cada enrolamento
pode ser decomposto em dois componentes. Um dos
componentes consiste no fluxo que concatena ambos os
enrolamentos, e o outro consiste no fluxo que concatena
apenas o enrolamento que cria o fluxo. O primeiro
componente, chamado fluxo mútuo, é responsável pelo
acoplamento das duas bobinas. O segundo, conhecido
como fluxo dispersivo contribui apenas à indutância
própria de cada bobina.
Observe que o conceito de fluxos mútuo e dispersivo é
significativo apenas no contexto de sistemas de múltiplos
enrolamentos. Para sistemas de três ou mais enrolamentos
a contabilidade deve ser feita com muito cuidado.
Considere, por exemplo, o sistema de três enrolamentos
da Fig. 5.40. Os vários componentes de fluxo, criados
por uma corrente no enrolamento 1, estão mostrados
esquematicamente. Aqui, ϕ123 é claramente um fluxo
mútuo que concatena todos os três enrolamentos, e ϕ1d
é claramente um fluxo dispersivo porque ele concatena
apenas o enrolamento 1. Entretanto, ϕ12 é um fluxo
mútuo com respeito ao enrolamento 2 e fluxo dispersivo
em relação ao rolamento 3, ao passo que ϕ13 é fluxo
mútuo com respeito ao enrolamento 3 e dispersivo em
relação ao enrolamento 2.
Freqüentemente as máquinas elétricas contêm sistemas
com múltiplos enrolamentos, exigindo uma contabilidade
cuidadosa para explicar as contribuições de fluxo dos
vários enrolamentos. Embora os detalhes de tal análise
estejam além do escopo deste livro, é util discutir esses
efeitos de modo qualitativo e descrever como afetam as
indutâncias básicas da máquina.
Fluxos de Harmônicas Espaciais no Entreferro - N e s t e
capítulo, vimos que, embora as bobinas distribuídas
isoladamente produzam fluxo de entreferro com uma
quantidade significativa de conteúdo harmônico espacial,
é possível distribuir esses enrolamentos de modo
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componente fundamental espacial seja enfatizada ao
passo que os efeitos das harmônicassejam grandemente
reduzidos. Como resultado, podemos desprezar os
efeitos das harmônicas e considerar apenas os fluxos
das fundamentais espaciais ao deduzir as expressões de
indutâncias própria e mútua das Equações B.26 e B .27.
Figura 5.40 - Sistema de três bobinas mostrando os componentes de fluxo mútuo e dispersivo produzidos pela corrente
na bobina 1.
Mesmo sendo freqüentemente pequenas, as
componentes harmônicas espaciais existem de fato. Em
máquinas CC, elas constituem fluxos úteis produtores de
conjugado e, portanto, podem ser contabilizadas como
fluxo mútuo entre os enrolamentos do rotor e do estator.
Em máquinas CA, entretanto, elas podem gerar tensões
harmônicas no tempo ou ondas de fluxo que giram
assincronamente. Geralmente, não há como inclui-las
com rigor na maioria das analises comuns. No entanto,
é consistente com as suposições básicas dessas análises
consta tar que esses fluxos formam uma parte do fluxo
dispersivo dos enrolamentos individuais que os produzem.
Fluxo Dispersivo de Ranhura - A Fig. 5.41 mostra o fluxo
criado por um único lado de uma bobina em uma ranhura.
Observe que, além do fluxo que cruza o entreferro,
contribuindo para o fluxo de entreferro, há componentes
de fluxo que atravessam a ranhura. Como esse fluxo
concatena apenas a bobina que o está produzindo , ele se
constitui também em um compo nente da indutância de
dispersão do enrolamento que o produz.
Dispersão de Cabeça de Espira - A Fig. 5.42 mostra as
terminações dos enrolamentos (cabeça do estator em
uma máquina CA. A distribuição do campo magnético
criada pela cabeça das espiras é extremamente complexa.
Em geral, esses fluxos não contribuem para o fluxo mútuo
entre o rotor e o estator, contribuindo também desse
modo para a indutância de dispersão.
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Figura 5.41 - Fluxo criado por um lado de uma bobina em uma ranhura.
Figura 5.42 -Vista da extremidade do estator de um gerador a turbina de 26 kV, 908 MVA e 3600 rpm com enrolamentos
refrigerados a água. Conexões hidráulicas para o fluxo de refrigeração são fornecidas para cada espira determinação do
enrolamento. (General Elec Company)
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Dessa discussão vemos que a expressão da indutância
própria da Equação B.26 deve, em geral, ser modificada
por um termo adicional Ld, que representa a indutância de
dispersão do enrolamento. Essa indutância de dispersão
corresponde diretamente à indutância de dispersão de
um enrolamento de transformador. Embora indutância
de dispersão seja usualmente difícil de ser calculada
analiticamente e deva ser determinada por técnicas
aproximativas ou empíricas, ela desempenha um papel
importante no desempenho das máquinas.
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APANHADO GERAL
ASPECTOS CONSTRUTIVOS
A Fig. 15.1 mostra a secção transversal da parte útil de uma
máquina assíncrona enquanto que a Fig. 15.2 apresenta
uma vista geral da máquina. Suas partes constitutivas
são as seguintes: Estator Constituído de chapas de ferro-
silício laminado, com ranhuras uniformemente espaçadas
onde estão alojados os condutores de um enrolamento
polifásico (em geral trifásico), semelhante ao de uma
máquina síncrona. Em máquinas normais, esta parte é
fixa, podendo ser livre para girar em algumas máquinas
especiais. Rotor Constituído também de chapas de ferro-
silício laminado, com ranhuras uniformemente distribuídas,
onde estão alojados os condutores do enrolamento
do rotor (também denominado de enrolamento
rotórico). São dois os tipos de enrolamentos rotóricos.
CAPÍTULO 06
Fig. 15.1 Secção transversal de uma máquina assíncrona.
O primeiro deles, presente em aproximadamente 95%
das máquinas assíncronas, é construído com barras de
material condutor, em geral alumínio, que preenchem as
ranhuras do rotor em toda a sua extensão. As extremidades
destas barras são curto-circuitadas por um anel condutor,
perfazendo-se o que é convencionalmente denominado
de gaiola de esquilo.
A segunda forma construtiva do enrolamento rotórico
de uma máquina assíncrona consiste em alojar-se nas
ranhuras rotóricas um enrolamento polifásico (em geral
trifásico) semelhante ao do estator e com o mesmo
número de polos deste. Por esta razão, na extremidade do
seu eixo são colocados anéis deslizantes, conectados aos
terminais do enrolamento rotórico, para que através de
escovas os mesmos possam ser acessados externamente.
Quandoa máquina assíncrona opera como motor (sua
forma mais comum de trabalho), o motor de gaiola de
esquilo é denominado de motor de indução de gaiola,
ao passo que na segunda forma construtiva o motor é
denominado de motor de indução de anéis.
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Fig. 15.2 Vista explodida de máquina assíncrona de gaiola de esquilo.
15.2 Princípio de funcionamento
A Fig. 15.3 mostra um estator elementar de uma máquina
assíncrona, com seis ranhuras uni formemente espaçadas,
onde estão alojadas 3 bobinas com o mesmo número de
espiras, conectadas em ligação estrela (poderia ser em
ligação triângulo). O rotor, nesta etapa do estudo, pode
ser suposto como sendo um ci l indro fer romagnét ico
laminado desprovido de qualquer enrolamento.
Fig. 15.3 Secção transversal de uma máquina assíncrona.
Suponhamos agora que as bobinas deste enrolamento
sejam percorridas por correntes trifásicas equilibradas,
isto é, correntes que tenham a mesma amplitude porém
defasadas de 1200 uma da outra. Temos portanto:
(15.1)
Como já foi discutido em experiência anterior, este
enrolamento, quando percorrido por estas correntes,
produz uma distribuição de campo magnético
(aproximadamente) senoidal no entreferro.
Esta distribuição de campo gira ao redor do estator com
uma rotação denominada de rotação síncrona, dada por:
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(15.2)
A distribuição de campo magnético, no instante (t=0) em
que a corrente pela fase A é máxima está mostrada na
Fig. 15.4. Note que nos instantes seguintes esta mesma
distribuição de campo se repete em posições diferentes
do estator.
Fig. 15.4 Distribuição de campo magnético.
Suponhamos agora que um enrolamento trifásico, semelhante ao do estator, seja alojado nas ranhuras da
superfície do rotor, como mostra a Fig. 15.5.
Fig. 15.5 Corte do motor mostrando de modo esquemáticos os
enrolamentos do estator e rotor.
Fig. 15.6
Enrolamentos do
estator e rotor.
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Suponhamos que os terminais do rotor estejam em aberto
e que o rotor esteja parado.
Alimentando-se o enrolamento do estator com correntes
trifásicas, o campo magnético produzido pelo estator
será “visto” pelos condutores do rotor como um campo
magnético rotativo girando a uma velocidade igual à
rotação sincrona. Por esta razão, um condutor do rotor
observa um máximo da onda de campo magnético
passando por ele em uma frequência idêntica à do
estator, provocando o aparecimento de uma tensão
induzida na mesma frequência do estator. Note que este
tipo de operação se assemelha muito a um transformador
operando em vazio.
Suponhamosagora que os terminais do rotor sejam
colocados em curto-circuito. Neste instante, correntes
induzidas trifásicas aparecem no rotor. Face as diferenças
construtivas existentes entre os dois enrolamentos
(materiais, número de espiras, etc), as correntes do
rotor estarão defasadas (no tempo, e por conseguinte,
também no espaço - de um ângulo α) das correntes do
estator, como é indicado na Fig. 15.7. Esta figura mostra
a distribuição de correntes no estator e no rotor de uma
máquina assíncrona com o rotor em curto-circuito. Nesta
condição, a máquina assíncrona pode ser analisada
como constituída de duas bobinas (rotativas) cujos eixos
magnéticos estão desalinhados de uma ângulo α.
Fig. 15.7 Esquerda: distribuiçao de correntes no estator e rotor (correntes induzidas).
Direita: representaçãoo na forma de bobinas equivalentes deslocadas de ângulo α.
Pelo princípio do conjugado de mútua indutância, é
desenvolvido um conjugado entre essas bobinas no
sentido do alinhamento entre elas, de modo que o rotor
começa a girar no sentido do campo girante. Desta forma,
a máquina assíncrona se comporta como motor com
conjugado de partida diferente de zero. Este conjugado de
partida atua no sentido de levar o rotor a girar no mesmo
sentido do campo girante estabelecido pelo estator.
15.3 Escorregamento
Saindo do repouso, o rotor atingirá uma rotação n[rpm].
Define-se nesta etapa uma grandeza denominada de
escorregamento, que mede a velocidade relativa entre
o campo girante e o rotor, como uma fração da rotação
síncrona:
(15.3)
Esta grandeza é de fundamental importância na operação
da máquina assíncrona e está diretamente associada à
frequência das tensões induzidas no rotor.Como exemplo,
suponhamos a máquina assíncrona de dois polos em
análise, alimentada por correntes de frequência 60
Hz. Quando o rotor está parado, um condutor do rotor
“enxerga” o máximo da onda de campo magnético
passando por ele com uma frequência idêntica à das
correntes do estator, ou seja, 60 vezes por segundo. Deste
modo, a frequência da f.e.m. induzida no rotor é idêntica
à frequência das correntes do estator, isto é, f2 = f1.
Suponhamos agora que o rotor está girando a uma rotação
de 20 rotações por segundo (rps), no mesmo sentido do
campo girante, correspondente a um escorregamento
de s=2/3. Neste caso, um condutor do rotor “enxerga”
o máximo da onda de campo passando por ele 40 vezes
por segundo, resultando no rotor uma f.e.m. induzida de
frequência 40 Hz, ou seja, 2/3 da frequência das correntes
do estator. Assim sendo, para um escorregamento
genérico, a frequência da f.e.m. rotórica f2 é dada por:
(15.4)
15.4 F.E.M induzidas
As f.e.m. induzidas no estator e rotor (à semelhança do
transformador) são dadas por:
(15.5)
(15.6)
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onde ϕM é o fluxo mútuo e são os fatores que dependem
dos enrolamentos do estator e (ke1, ke2) rotor.
Na medida em que o rotor está em movimento, a f.e.m.
induzida no rotor difere da tensão induzida quando o
mesmo está parado, devido à mudança da frequência
rotórica. Assim sendo, supondo o rotor em movimento
(caracterizado por um dado escorregamento s) e
lembrando que f2 = sf1, podemos escrever:
(15.7)
na qual é a tensão induzida no
enrolamento rotórico quando o rotor está travado.
Note que quando o rotor está parado (n=0), temos s=1,
implicando n f.e.m. induzida máxima no rotor (E2). À medida
que a rotação aumenta, o escorregamento diminui, com
uma consequente redução da f.e.m. induzida no rotor E.
Esta redução na f.e.m. induzida no rotor ocasiona uma
2 correspondente redução nas correntes induzidas no
enrolamento rotórico.
No limite, quando a rotação se aproxima da rotação
síncrona (n → ns), a f.e.m induzida e a s corrente do
enrolamento rotórico tendem a zero, implicando
produção de conjugado nulo. Como sempre existem
atritos mecânicos em qualquer sistema, o motor de
indução nunca opera precisamente na rotação síncrona.
15.5 Fluxo de potência no motor de indução
O motor elétrico de indução é um conversor
eletromecânico de energia que converte parte da energia
recebida da rede elétrica em energia mecânica disponível
em seu eixo.
A diferença entre a energia mecânica disponível no eixo
e a energia fornecida pela rede elétrica são as perdas
oriundas da conversão de energia. Tais perdas podem ser
classificadas emm três tipos:
a) Perdas Joule r I 2 , devidas à circulação de correntes nos
enrolamentos do estator e do rotor.
b) Perdas no material ferromagnético, que são as perdas
por histerese e Foucault nas chapas laminadas do estator
e do rotor, semelhante ao fenômeno presente nos
transformadores.
c) Perdas mecânicas, que estão associadas ao atrito
existente nos rolamentos e com o ar, além da parcela de
conjugado necessária para a ventilação do próprio motor.
Fig. 15.8 Fluxo de potência em máquina assíncrona.
O rendimento do motor de indução é dado pela relação:
(15.8)
Máquinas de indução pequenas (da ordem de dezenas
de HP) apresentam rendimentos na faixa de 70 a 85%,
nas condições nominais de operação. Máquinas de
maior potência podem atingir rendimentos consideráveis
(até 95%), evidenciando a importância dos motores de
indução nos acionamentos elétricos industriais. Tais
qualidades são acompanhadas de uma robustez mecânica
considerável e de um custo relativamente baixo.
15.6 A característica conjugado × rotação
A característica mais importante de um motor,
independentemente de seu tipo, é a característica
conjugado × rotação. Com esta característica, torna-se
possível projetar com precisão sistemas de acionamento
de cargas utilizando-se destes motores.
Para o motor de indução esta curva característica tem o
aspecto da Fig. 15.9:
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Fig. 15.9 Curva característica conjugado × rotação para
operação como motor.
Existem 3 pontos notáveis nesta curva:
• Ponto 1 = Conjugado de partida = conjugado desenvolvido
pelo motor com rotação nula;
• Ponto 2 = Conjugado máximo = conjugado máximo que
o motor consegue desenvolver;
• Ponto 3 = Conjugado nominal = máximo conjugado que
o motor pode desenvolver em regime contínuo.
Quando um motor elétrico é utilizado para o acionamento
de uma carga, é fundamental comparar as curvas
características conjugado×rotação do motor com a da
carga mecânica a ser acionada. A Fig. 15.10 mostra as
duas curvas características sobrepostas no caso típico do
acionamento de um ventilador.
Fig. 15.10 Sobreposição das curvas características
conjugado × rotação do motor e da carga.
Verifica-se que desde a partida (n=0) até a rotação final
(n=nf) o conjugado n desenvolvido pelo motor é superior
ao exigido pela carga, implicando em uma aceleração do
conjunto. No ponto P indicado, no qual (n=nf), o conjugado
desenvolvido pelo motor é igual ao exigido pela carga.
Neste ponto o conjugado acelerante (diferença entre o
conjugado motor e o conjugado resistente oferecido pela
carga) é nulo, implicando velocidade constante para o
conjunto. O ponto P é denominado de ponto de trabalho
do acionamento. Um acionamento bem dimensionado
apresenta um ponto de trabalho coincidente com as
condições nominais do motor.
15.7 Influência da tensão de alimentação
Uma das características relevantes a ser mencionada é
que a tensão de alimentação afeta de maneira
quadrática a característica conjugado × rotação do motor
de indução. Ou seja:
Conjugado α V2 (15.9)
Esta característica pode ser deduzida fisicamente a
partir da Fig. 15.11 ao lado. Se a tensão de alimentação
do estator fôr reduzida, as correntes no estator
diminuirão proporcionalmente, assim como o fluxo
visto pelo rotor. Por conseguinte, as tensões ecorrentes
induzidas no rotor também serão reduzidas na mesma
proporção. O conjugado depende do produto das forças
magnetomotrizes do estator e rotor. Assim, conclui-se
que a dependência do conjugado em relação à tensão é
quadrática, na forma indicada pela Eq. 15.9.
Fig. 15.11 Diagrama auxiliar do motor de indução para
mostrar a influência da tensão sobre o conjugado.
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CAPÍTULO 07
RELAÇÕES DE POTÊNCIA E ENERGIA;
RENDIMENTO, SELEÇÃO DA CAPACIDADE E
MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS ELÉTRICAS
GIRANTES
Generalidades
O capítulo ocupa-se principalmente de máquinas
elétricas girantes de vários tipos, quer genérica quer
especificamente. Como tal, elas servem como dispositivos
de conversão de energia, convertendo energia mecânica
em elétrica ou vice-versa. Em alguns casos, como no do
conversor síncrono ou dinamotor, a energia elétrica é
convertida em energia mecânica, que, por sua vez, produz
nova mente energia elétrica. Quando e se esta conversão
de energia ocorre numa relação uniforme, isto é, quando
a energia entregue à máquina por unidade de tempo e
Pin = �out + �perdas (12-1)
onde Pin é a potência total recebida por uma máquina
Pout é a potência útil entregue pela máquina para exe cutar o trabalho
Pperdas é a perda total produzida dentro de uma máquina, como resultado da conversão de energia, isto é,
�in- �out'
aquela entregue pela máquina na unidade de tempo forem
ambas uniformes e constantes, podemos considerar que
a máquina está atuando como dispositivo de conversão
de potência.
Uma máquina é um dispositivo dinâmico. Não desenvolverá
uma conversão de potência (ou energia) quando não há
movimento, ou seja, num estado estático. Ela deve estar
funcionando ou operando a fim de converter energia. Por
esta razão, é incapaz de contar com a propriedade de
armazenar energia. Por esta razão, também, de acordo
com a lei da conservação de energia, a potência total
recebida por uma máquina a qualquer instante deve
igualar a potência por ela entregue naquele instante. A
potência total recebida por uma máquina deve igualar
sua potência de saída (útil) e sua perda total de potência,
de acordo com a lei de conservação de potência, ou
É evidente, da Eq. (12-1), que a potência entregue a uma
máquina deve ser sempre maior que a potência de saída
ou a potência transformada pela máquina em trabalho útil.
Isto significa que um motor ou um gerador nunca podem
converter toda a potência recebida em potência de saída
útil, elétrica ou mecânica. Como também estabelece a
Eq. (12-1), a diferença entre a potência de entrada e a
de saída da máquina é a sua perda de potência, que não
realiza trabalho útil. Desde que esta perda de potência
não produz nem energia elétrica nem mecânica (ambas
úteis à máquina), ela pode apenas produzir calor, luz
ou energia química. Quase toda a perda aparece como
energia ou potência térmica.1
Quanto maior for a perda de potência, na Eq. (12-1), em
percentagem da potência total de entrada, maior será a
potência térmica e mais quente a máquina funcionará, ou
seja, maior será o seu aumento de temperatura.
O rendimento da máquina pode ser definido em função
da Eq. (12-1), portanto, como a relação, η onde
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Como se verá abaixo, a Eq. (12-2b) leva ao rendimento do
motor, enquanto a Eq. (12-2c) ao do gerador.
A relação da Eq. (12-2a), expressa percentualmente, é
também uma medida da quantidade de potência térmica
produzida em relação à potência de entrada total. Uma
máquina que funcione a um alto rendimento ou uma
relação elevada da potência de saída para a potência
de entrada, produz, comparativamente, pouco calor em
proporção às suas potências de entrada ou de saída.
Inversamente, uma máquina que funciona a um baixo
rendimento produz uma grande quantidade de calor
em proporção à sua saída.
Dependendo da capacidade termodinâmica da máquina
de dissipar o calor internamente gerado, a temperatura
da máquina tenderá a aumentar até que seja atingida
uma temperatura na qual a potência dissipada sob a
forma de calor iguale o calor internamente gerado. Se esta
temperatura final de equilíbrio for excessiva ou seja, se
ultrapassar o limite que os materiais isolantes utilizados
na máquina podem suportar, requerer-se-á a utilização
de uma das, seguintes alternativas:
(1) devem-se empregar dispositivos de ventilação externa,
a fim de que a capacidade nominal da máquina (potência
de saída) permaneça a mesma: ou (2) a saída deve ser
reduzida (reduzindo a entrada e as perdas) a valores tais
em que as perdas e o aumento de temperatura não sejam
excessivos (V. Seçs. 12-16 e 12-19).
No caso de um motor, é mais fácil medir a potência elétrica
de entrada que a potência mecânica de saída, donde o uso
da Eq. (12-2b). No caso de um gerador, é mais fácil medir
a potência elétrica de saída que a potência mecânica de
entrada, donde o uso da Eq. (12-2c). Em ambos os casos,
pois, as perdas devem ser avaliadas.
É precisamente devido à capacidade de saída (expressa
em HP para um motor ou em kW ou kVA para um gerador)
que se fará uma tentativa de estudar os fatores que
afetam o rendimento de uma máquina, para assegurar
que as perdas e a potência térmica sejam reduzidas e o
rendimento seja elevado. Primeiramente, consideraremos
os fatores que afetam os diferentes tipos de perdas
térmicas e, então, consideraremos os fatores que afetam
a capacidade da máquina e a seleção das máquinas a
partir destas perdas.
PERDAS DE POTÊNCIA DAS MÁQUINAS
As perdas de potência çlas máquinas podem ser divididas
em duas grandes classes: (1) as que são produzidas
pela circulação de corrente pelas diferentes partes do
enrolamento da máquina, chamadas perdas elétricas;
e (2) as que são função direta do movimento dinâmico
da máquina, chamadas perdas rotacionais (ou potência
extraviada). Estas últimas, as perdas rotacionais (ou
potência extra viada) são normalmente divididas em duas
categorias: (a) as perdas mecânicas resultantes da rotação,
e (b) as perdas no ferro ou no núcleo, que resuitam da
rotação.
A análise das perdas revela que algumas delas são o
resultado direto da carga (e variam com ela), enquanto
que outras são independentes da carga. A Tabela 12-1
é, pois, um quadro-levantamento das perdas elétricas e
rotacionais, alistando as perdas a vazio e as perdas sob
carga, e dando as fórmulas e equações que contêm
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TABELA 12-1
DISTRIBUIÇÃO DAS PERDAS DE POTÊNCIA DAS MÁQUINAS
A. PERDAS ELÉTRICAS
Descrição e fórmulas para as perdas compo nentes
1. Perda no circuito de excitação CC do campo
No reostato, I2∫R, } V∫1∫
No enrolamento de campo, I2∫R∫
2. Perda no enrolamento da armadura, I2aRa
3. Perda na excitação CA do estator, I2aRa
4. Perda no enrolamento do rotor, I2rRr
5. Perda na escova ou na resistência do contato tecla-escova (ou perda nos anéis), VcIa
6. Perdas nos interpolos enrolamentos de com pensação, campos-série, campos de controle, etc.
Efeitos da aplicação de carga
1. Razoavelmente constante com a carga mas pode aumentar um pouco, dependendo da regulação requerida
e do fator de potência - uma função de I∫
2. Aumenta com o quadrado da carga.3. Aumenta com o quadrado da carga.
4. Aumenta com o quadrado da carga.
5. Aumenta com a carga.
6. Aumentam com o quadrado da carga.
B. PERDAS ROTACIONAIS (POTÊNCIA EXTRAVIADA)
Descrição e fórmulas para as componentes das perdas
Perdas mecânicas
1. Atrito nos rolamentos
2. Ventilação (atrito com o ar) no rotor
3. Atrito nas escovas
4. Perda no ventilador
5. Perdas na bomba de resfriamento efou de óleo dos rolamentos (se montada no eixo do rotor)
Perdas no núcleo (ou no ferro)
1. Perdas por histerese, Ph= KhBxfV
2. Perdas por correntes parasitas
Pe= K1 B2 f2t2 V
Efeitos da aplicação de carga
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Efeitos da aplicação de carga
Estas perdas são constantes a uma velocidade constante; variam apenas na proporção direta da variação
da velocidade.
Estas perdas são constantes a uma velocidade constante; variam na proporção direta das va riações do fluxo e
da velocidade (freqüência).
C. PERDAS ADICIONAIS SOB CARGA
Fluxo disperso nos dentes, cantos de ranhuras, estrutura-suporte, faces polares, etc.
Fluxo de reação da armadura nos dentes, cantos de ranhuras, estrutura-suporte, faces polares, etc. As perdas
adicionais são usualmente estabelecidas como sendo de 1 por cento da potência de saída de geradores
acima de 150 kW e de motores acima de 200 HP; são consideradas desprezíveis para máquinas abaixo destas
potências.
os fatores que contribuem para as perdas. Desta tabela,
é possível generalizar as perdas que são função da carga
e as que são independentes dela.
As perdas elétricas, mostradas na Tabela 12-1, são
aquelas que resultam pri mariamente da circulação da
corrente elétrica. Se, por exemplo, o campo-série de um
gerador compound CC é curto-circuitado (mantendo-se
inalteradas todas as demais condições), as perdas totais
serão reduzidas do valor das perdas no co bre para o
campo-série e o rendimento aumentará (embora possa
piorar a regu lação em tensão, como conseqüência). As
perdas elétricas são, algumas vezes, citadas como perdas
no "cobre", mas nem as escovas nem as resistências de
contato das escovas são feitas de cobre. Mais ainda, os
enrolamentos do rotor e da arma dura são ocasionalmente
construídos de alumínio fundido, e o termo "enrolamento"
é mais descritivo e tecnicamente mais correto que o termo
"cobre". Todas estas perdas elétricas tendem a variar com
o quadrado da corrente de carga, exceto aque las, tais
como a perda no campo, que é independente da carga, e
a perda nas escovas que varia diretamente com a carga.
As perdas rotacionais são subdivididas naquelas que
são função apenas da velocidade (as chamadas perdas
mecânicas, que são essencialmente perdas por atrito)
e nas que são função de ambos, o fluxo e a velocidade
las chamadas perdas no núcleo). Estas perdas ocorrem
quando uma estrutura de ferro de armadura ou rotor
gira num campo magnético, ou quando ocorre uma
variação do fluxo concatenado numa estrutura de ferro.
A perda por histerese Ph é uma medida da energia
elétrica necessária para superar a retentividade do ferro
no caminho do fluxo magnético; usando o watt como
unidade,
Ph = KhBx f V (12-3)
onde V é o volume de ferro da máquina sujeita à variação de fluxo
Kh é uma constante para o tipo de ferro empregado
B é a densidade de fluxo elevada ao expoente de Steinmetz. Para os tipos atualmente usados de ligas para
máquinas, x não é mais 1,6, mas sim um valor próximo a 2,0 (Isto não implica em que, para um dado volume, V,
as perdas no ferro tenham aumentado, uma vez que Kh foi reduzido consideravelmente.)
e
F é a freqüência, em Hz, correspondente ao inverso do fluxo.
As perdas por correntes parasitas ocorrem não apenas no núcleo da máquina, mas em todos os materiais
condutivos situados no caminho do fluxo associado ao campo magnético girante ou variável da máquina. As perdas
por correntes parasitas, Pe, em watts são:
Pe = K1 t2 B2f2V (12-4)
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onde K1 é uma constante para correntes parasitas relativa ao material condutivo
t é a espessura do material condutivo
B é a densidade de fluxo
f é a freqüência, em Hz, do inverso do fluxo
V é o volume do material sujeito à variação de fluxo.
Para uma máquina CC, a freqüência, f, do inverso do fluxo varia com a velo cidade. Assim, as perdas por histerese
variam diretamente com a velocidade, enquanto que as perdas por correntes parasitas variam com o quadrado da
velocidade. Ambas variam aproximadamente com o quadrado da densidade de fluxo. Por esta razão, as perdas no
núcleo são consideradas como função tanto da velocidade como do fluxo. As perdas no núcleo são essencialmente
as que ocorrem no ferro da máquina, donde a denominação de perdas no ferro.
As perdas adicionais sob carga representam, como o nome indica, as perdas adicionais devidas à carga e descritas
na Tabela 12-1C. Estas perdas são maiores em motores de indução e outras máquinas de pequeno entre ferro. Elas
representam:
( 1) as perdas no ferro devidas à distorção de fluxo (reação da armadura) em máquinas CC e às harmônicas do fluxo
em máquinas CA
(2) as perdas por efeito pelicular na armadura ou nos condutores do estator
(3) as perdas no ferro nos elementos estruturais das máquinas.
12-3. DIAGRAMAS DE FLUXO DE POTÊNCIA
Uma visão mais clara da máquina, operando quer como
motor, quer como gerador, é dada pelos diagramas de
fluxo de potência da Fig. 12-1. À esquerda do diagrama
está a potência mecânica, e à direita a potência elétrica.
Usaremos este diagrama como meio de analisar o
rendimento de motores e geradores.
Fig. 12.1 - Diagrama combinado de circulação de potência para ação motora e ação geradora.
12-3.1 Fluxo de Potência do no Gerador
Se uma potência mecânica é aplicada ao eixo de
uma máquina, como a entrada, a potência no eixo é:
TN/5.252 HP. Uma máquina acionada mecanicamente
como gerador tem algumas perdas rotacionais. A diferença
entre a potência mecâ nica de entrada e as perdas
rotacionais representa a potência mecânica líquida,
que é convertida em potência elétrica pela conversão
eletromecânica (EgIa). Mas o gerador tem também perdas
elétricas internas, que devem ser subtraídas da po tência
elétrica desenvolvida. A potência elétrica líquida de saída
é, assim, EgIa menos as perdas elétricas, ou a tensão nos
terminais vezes a corrente total entregue à carga, VtIt,
representada à direita na Fig. 12-1.
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Em suma, para uma máquina operando como gerador ou como alternador:
Potência elétrica de saída = Potência mecânica de entrada _ (Perdas rotacionais)
+ Perdas elétricas
EgIa = Potência mecânica de entrada - Perdas rotacionais
= Potência elétrica de saída + Perdas elétricas
Fluxo de Potência no Motor
A potência elétrica aplicada aos terminais (lado direito da
Fig. 12-1) de um motor, VtIt , é imediatamente reduzida
por certas perdas elétricas dentro do motor. A diferença
aparece como potência elétrica, EcIa, que é convertida
em potência mecânica pela conversão eletromecânica.
A potência mecânicadisponível, produzida pelo torque
interno do motor (EcIa/746) deve também suprir algumas
perdas mecânicas internas. A diferença entre estas
perdas mecânicas e a potência mecânica, produzida pela
conversão eletromecânica, é a potência mecânica de
saída.
Em suma, para uma máquina funcionando como motor:
Potência mecânica de saída = Potência elétrica de entrada _ ( Perdas elétricas )
+ Perdas rotacionais
EcIa = Potência elétricas de entrada - Perdas elétricas
= Potência mecânica de saída + Perdas mecânicas
Assim, a máquina é, realmente, muito simples e sóbria,
como mostra a Fig.12-1. A área da potência mecânica
está à esquerda da linha pontilhada vertical, e a área
da potência elétrica está à direita dela. A área central é
representada pela mudança de estado de energia, ou
conversão eletromecânica (desde que não se pode criar ou
destruir energia) onde não ocorrem perdas. A introdução
de potência elétrica nrma máquina acarreta perda de
potência elétrica, mudança de estado da energia, perda
de potência mecânica e potência elétrica de saída. O leitor
deve estudar com muito cuidado a Fig. 12-1, uma vez que
ela é fundamental para a com preensão do assunto.
Determinação das Perdas
Seria (e é) assunto relativamente simples (1) medir-se
a entrada mecânica da máquina, e (2) usarem-se
instrumentos elétricos para medir sua saída elétrica;
e chegar-se assim ao rendimento da máquina como
gerador. No caso de máquinas menores (abaixo de
1.000 W), o rendimento, seguidamente, é determinado
diretamente, isto é, por medidas diretas da entrada e
da saída, usando-se dinamômetros ou freios de Prony e,
algumas vezes, máquinas calibradas cujo rendimento é
conhecido previamente.
No caso de máquinas maiores, entretanto, não é nem
economicamente possível, nem mesmo conveniente, a
determinação do rendimento através do carregamento
direto.2 É, entretanto, possível determinar as perdas (agora
que sabemos quais são elas) ou simular as condições
de perdas através de certos métodos convencionais
(funcionamento a vazio) ou por testes de rotor bloqueado,
e usar estas informações na Eq. (12-2) para determinar o
rendimento. O valor do rendimento de todas as grandes
máquinas elétricas rotativas é invariavelmente um valor
cal culado com base em medidas a vazio (convencionais)
específicas. Consideraremos, primeiramente, a
determinação do rendimento das máquinas CC, seguida
da consideração das máquinas síncronas CA e, então,
das máquinas de indução, usando-se os métodos
convencionais em todos os casos.
Rendimento das Máquinas CC
Independentemente do fato da máquina CC operar como
motor ou como gerador, suas perdas rotacionais podem
ser determinadas fazendo-as funcionar como motor sem
qualquer carga mecânica (a vazio), à sua velocidade
nominal e com uma tensão aplicada à armadura (que
corresponda à sua fcem induzida ou gerada a plena
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carga). As ligações dos instrumentos elétricos para um tal
ensaio a vazio são mostradas na Fig. 9-12a. A tensão nos
terminais CC, Vt, é neste caso ajustada (1) à fcem de plena
carga computada, [Ec na Eq. (1-9)], se se quer determinar
o rendimento de um motor; ou (2) à fcem gerada a
plena carga [Eg na Eq. (1-10)], se se quer determinar o
rendimento de um gerador.
Fig. 12-2 - Métodos par a determinação de perdas rotacionais de máquinas 'CC.
Fazer uma máquina funcionar como motor a vazio
significa não retirar po tência mecânica da mesma. Se a
potência elétrica de entrada for medida e compu tadas
as perdas elétricas, a diferença entre a potência elétrica
total de entrada e as perdas elétricas computadas deve
Perdas rotacionais = Potência elétrica de entrada - Perdas elétricas
Potência elétrica de entrada - (Perdas no circuito do campo + Perdas com binadas no circuito da
armadura)
Perdas rotacionais= VaIL- (VaIf + I2 aRa)
VaIL - VaIf - I2 aRa
Va(IL- If) - I2 aRa
representar as perdas rotacionais do motor à velocidade
nominal, como mostra a Fig. 12-1. Estabelecendo isto
(para a má quina CC funcionando como motor) em função
de uma equação:
Perdas rotacionais (potência extraviada) =
= Vala - I2a Ra≈ VaIa (12-5)
A Eq. (12-5) é uma verificaÇão da Fig. 12-1, uma vez
que estabelece que as perdas rotacionais de um motor
funcionando a vazio (sem saída mecânica) são iguais à
potência elétrica de entrada ao circuito da armadura
menos as perdas elétricas na armadura ( I2aRa). Como se
verá no Exemplo 12-1a, as perdas elétricas na armadura,
a vazio, são tão pequenas que podem ser desprezadas, e
as perdas rotacionais podem então ser imaginadas iguais
a VaIa, como estabelece a Eq. 12-5.
EXEMPLO
Um gerador-derivação de 10 kW, 230 V, 1.750 rpm foi posto
a funcionar como 12-1: motor, a vazio, para determinar
suas perdas rotacionais à carga nominal. A tensão aplicada
aos terminais da armadura, Va, para o ensaio foi de 245
V, e a corrente solicitada pela armadura 2A. A resistência
do campo do gerador é 230 � e a resistência medida do
circuito da armadura 0,2 �. Calcule:
a. As perdas rotacionais (potência extraviada) a plena
carga
b. As perdas do circuito da armadura, a plena carga, e as
perdas no campo
c. O rendimento do gerador a 1/4, 1/2 e 3/4 da carga
nominal; à carga nominal e a 1114 dela.
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Solução:
a. Perdas rotacionais = VaIa - I2aRa [da Eq. (12-5)]
= (245 X 2) - (22 X 0,2) = 490 - 0,8 = 489,2 W
Note-se que se pode usar 490 W com um erro desprezível, devido à pequena perda elétrica na armadura.
b. À carga nominal,
IL = W = 10.000 w - 43,5 A
Vt 230 V
Ia = If + IL = 230 V + 43,5 = 44,5 A
230�
A perda da armadura a plena carga
I2a Ra = (44,5)2 X 0,2 = 376 w
A perda no campo
VfIf = 230 V x 1 A = 230 w
c. O rendimento, a qualquer carga, do gerador, usando a Eq. (12-2c) é
ᶯ = Potência de saída para aquela carga
P. saída para aquela carga + Perdas rotacionais + Perdas elétricas àquela carga
Rendimento a 1/4 da carga = 10.000/4
(10.000/4) + 489,2 + [(376/16) + 230] x
x 100 = 77 por cento
Rendimento a 1/2 carga = 10.000/2
(10.000/2) + 489,2 + [(376/4) + 230] x
x 100 = 86,2 por cento
Rendimento a 3/4 de carga = 10.000 X (3/4)
[10.000 (3/4)] + 489,2 + ([376 (91/6)] + 230) X
x 100 = 89 por cento
Rendimento a plena carga= 10.000X 100
10.000 + 489,2 + [ 376 + 230]
= 90,1 por cento
Rendimento a 11/4 da carga nominal (ou 5/4 da carga nominal)
= 10.000 X (5/4)
[10.000 (5/4)] + 489,2 + ([376 (25/16)] + 230)
= 90,6 por cento
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Deve-se notar que o rendimento parece aumentar com
a carga, no exemplo acima. Deve-se também notar que
há uma perda fixa (invariável), que consiste (1) da perda
no campo de 230 W e (2) da perda rotacional de 489,2
W, ou seja, um total de 719,2 W. Esta perda fixa existe
mesmo quando o gerador tem um rendimento nulo, isto
é, quando ele não está entregando qualquer corrente
à carga e a sua saída é zero. Há também uma perda
variável, a perda no cobre da armadura I2aRa, que varia
com o quadrado da corrente da armadura. Mesmo a 125
por cento da carga nominal, este componente da perda
variável no cobre, no Exemplo 12-1, é 588 W e ainda não é
suficientemente grande para igualar a perda fixa- total de
719,2 W. Em que ponto ocorrerá o rendimento máximo?
Rendimento Máximo
Uma análise da Tabela 12-1 revela que, para a máquina
CC, a soma das perdas no campo (VfIf) e das perdas
rotacionais (determinadas a partir do ensaio a vazio
como sendo VaIa) pode ser considerada como um valor
combinado de perdas fixas que não variam com a
corrente de carga, Ia. (O Exemplo 12-1 ignorou as perdas
nas escovas e nos contatos das escovas VeIa, para maior
simplicidade do problema que ilustra a determinação
do rendimento.) As perdas variáveis, então, consistem
nas perdas combinadas do enrolamento da armadura e
da corrente associada à armadura, I2aRa e VeIa, a primeira
variando com o quadrado da cor rente de armadura e a
segunda em proporção direta com aquela corrente.
O rendimento do gerador, para qualquer carga, pode ser
expresso como 3
onde K representa as perdas no campo mais as perdas rotacionais, portanto, as perdas fixas.
A fim de determinar o rendimento máximo, é necessário derivar esta expressão em relação a Ia e igualar a primeira
derivada a zero:
o que leva a
simplificando
K - IaR2a ₌ 0
ou
K = I2aRa (12-6)
A Eq. (12-6) estabelece, pois, que o rendimento máximo
é obtido quando as perdas fixas, K, são iguais àquelas
que variam com o quadrado da corrente de carga. Desde
que, na maioria das máquinas (quer de CC, quer de CA),
estas perdas que variam diretamente com a corrente de
carga são pequenas (mesmo incluindo as perdas em anéis
coletores e escovas), podemos concluir que o rendimento
máximo ocorre quando as perdas fixas são iguais a todas
as perdas variáveis. Esta relação aplica-se igualmente a
todas as máquinas rotativas, independentemente do tipo;
aplica-se às máquinas mecânicas e também às turbinas,
bem como a todas as máquinas elétricas abordadas neste
livro e também a dispositivos não rotativos, como sejam
transformadores, amplificadores de potência, fontes
de suprimento, etc.4 No Exemplo 12-1 mostrou-se que,
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a meia carga, o rendimento era 86,2 e que, a 125 por
cento de carga, o rendimento era 90,6 por cento e ainda
em crescimento. Aparentemente, as perdas variáveis
crescentes ainda não eram iguais às perdas fixas, mesmo
para esta carga de 125 por cento. Na gama das
cargas próximas do rendimento máximo, o rendimento
não parece variar muito, de modo que não é importante
tentar obter-se o rendimento máximo para a carga
nominal. A maioria das máquinas comerciais, de fato,
apresenta o rendimento máximo a uma carga algo menor
que a nominal. O método usado para encontrar aquele
valor da carga nominal correspondente ao rendimento
máximo, para a máquina do Exemplo 12-1, é ilustrado no
Exemplo 12-2.
EXEMPLO Usando os dados do Exemplo 12-1, calcule:
12-2: a. a percentagem da carga nominal para a qual ocorre o
rendimento máximo
b. o rendimento máximo em percentagem
c. o rendimento a 1,5 vezes a carga nominal.
Solução
a. I2aRa = K = VIf + VaIa [a partir da Eq. 12-6; K = perdas no
campo + perdas rotacionais]
I2aRa = 230 + (245 x 2) = 720 w
Ia = = 60 A; IL = Ia - If = 60-01 = 59 A
Percentagem da carga nominal : IL = 59 A = 135,5%
IL nominal 43,5A
b. Rendimento máximo
= 230 X 59 X 100 = 90,75%
(230 X 59) + 720 + 720
c. Rendimento a 1,5 da carga nominal
= 10.000 X (3/2) =100 = 90,55%
[10.000 (3/2)] + 489,2 + (376 (9/4)] + 230
Deve-se notar que a relação acima, com respeito ao
rendimento máximo, é verdadeira porque as perdas
rotacionais manti eram-se constantes, isto é, o gerador
ou máquina é imaginado como sendo acionado a uma
velocidade constante. No caso de motores de velocidade
constante, como sejam os síncronos, ou aqueles que têm
uma boa regulação em velocidade, como os de indução
ou os motores- derivação de corrente contínua, a relação
pode ainda ser usada. No caso de motores de velocidade
variável, entretanto, é necessário levar a um gráfico os
rendimentos calculados versus as correntes de carga,
e determinar graficamente o valor da carga para a qual
ocorre o rendimento máximo. O cálculo da variação das
perdas rotacionais baseia-se na hipótese de que a perda
é uma função direta da variação da velocidade. Isto é
ilustrado no Exemplo 12-3.
EXEMPLO Um motor composto de 150 HP, 600 V tem
12-3: 250 A de corrente nominal para a velocidade
nominal de 1.500 rpm. A resistência do
circuito do campo-derivação 300 ohms; a
resistência total do circuito da armadura é
0,05 ohm; e a resis tência do campo-série
é 0,1 ohm. Quando foi posto a girar a
vazio, como motor, à velocidade nominal
e com uma tensão aplicada, Va, de 570 V,
a armadura soli citou 6 A. A velocidade; a
vazio, do motor foi 1.800 rpm. Calcule:
a. As perdas rotacionais a plena carga e para 1/4, 1/2, 3/4
e 11/4 da plena carga.
b. As perdas elétricas variáveis a plena carga e também as
perdas elétricas variá veis para as cargas do item (a).
c. O rendimento do motor para as cargas do item (a).
Solução:
a. Perdas rotacionais = Va�a = 570 V x 6 A=
= 3.420 W a 1.500 rpm (carga nominal) (12-5)
Velocidade a 1/4 da carga =
= 1.800 - 300 = 1.800 - 75 = 1.725 rpm
4
Perdas rotacionais a 1.725 rpm =
= 1.725 x 3.420 W = 3.930 W
1.500
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Perdas rotacionais a 1.425 rpm = 1.425 x 3.420 W = 3.250 W
1.500
b. I2a(Ra + Rs) = (203)2 (0,05 + 0,1) = 6.150 W a plena carga
= perda variável a plena carga
Perdas variáveis a 1/4 da carga= 6.150 W x (1/4)2 = 384 W
Perdas variáveis a 1/2 da carga= 6.150 W x (1/2)2 =1.535W
Perdas variáveis a 3/4 da carga= 6.150 W x (3/4)2 =3.450W
Perdas variáveis a 5/4 da carga = 6.150W x (5/4)2= 9.600W
c.
Rendimento do motor = Potência de entrada - Perdas (12-2b)
Potência de entrada
onde Potência de entrada = volts x amperes x fração de carga
Perdas = perdas no campo+perdas rotacionais+perdas eletricas
variáveis
Entrada a 1/4 da carga = 600 x 205 x 1/4 = 30.750 W (em
números redondos)
Entrada a 1/2 da carga = 600 x 205 x 1/2 = 61.500 W
Entrada a 3/4 da carga= 600 x 205 x 3/4 = 92.250 W
Entrada a 4/4 da carga = 600 x 205 x 4/4 = 123.000 W
Entrada a 5/4 da carga = 600 x 205 x 5/4 = 153.750 W
Perdas no campo, para cada uma das condições de carga =
= 600 V X 2 A = 1.200 W
As perdas rotacionais foram calculadas, para cada condição,
no item (a)
As perdas elétricas variáveis, para cada condição, foram
calculadas no item (b)
Rendimento a 1/4 da carga = 30.750- (1.200 + 3.930 + 384)=
30.750
= 0,826 ou 82,6 %
Rendimento a 1/2 a carga = 61.500- (1.200 + 3.760 +1.535)
61.500
= 0,894 ou 89,4 %
Rendimento a 3/4 a carga = 92.250 - (1.200 +3.590 + 3.450)
92.250
=0,912 ou 91,2%
Rendimento a 4/4 a carga = 123.000 - (1.200 + 3.420 + 6.150)
123.000
= 0,9125 ou 91,25 %
Rendimento a 5/4 a carga = 153.750 + (1.200 + 3.250 + 9.600)
153.750
=0,909 ou 90,9%
Os resultados estão tabelados na pagma seguinte.
O Exemplo 12-3 indica que, embora a perda no campo
seja substancialmente constante, as perdas rotacionais
decrescem na mesma proporção da velocidade.
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Ao mesmo tempo, as perdas variáveis aumentam com o
quadrado da corrente da armadura. A fim de determinar
(com alguma exatidão) o ponto para o qual ocorre o
rendimento máximo, é necessário escolher vários valores
de Ia imediatamente acima e abaixo do ponto da carga
nominal e plotar no gráfico os dados resultantes do
rendimento versus a corrente da armadura. O valor de Ia,
para o qual ocorre o rendimento máximo, pode então ser
determinado graficamente.
Um método alternativo é plotar ambas no gráfico, as
perdas rotacionais e as perdas elétricas variáveis, em
ordenadas, contra Ia em abscissas. O ponto para o qual as
perdas se cruzam revela exatamente o valor de Ia para o
rendimento máximo, determinado por via gráfica.
PERDAS EXPRESSAS EM WATTS
ITEM 1/4 DA CARGA 1/2 DA CARGA 3/4 DA CARGA 4/4 DA CARGA 5/4 DA CARGA
Perdas de entrada 30.750 61.500 91.150 113.000 153.750
Perdas no campo 1.200 1.200 1.200 1.200 1.200
Perdas rotacionais, do item
(a)
3.930 3.760 3.590 3.420 3.250
Perdas elétricas variáveis, do
item (b)
484 1.535 3.450 6.150 9.600
Total das perdas 5.514 6.495 8.140 10.770 14.050
η, Rendimento em
porcentagem
81,6% 89,4% 91,1% 91,15% 90,9%
Os Exemplos 12-1 e 12-3 indicam que os dados obtidos
do ensaio a vazio (no qual a máquina CC gira a vazio,
como motor) podem ser usados na determinação do
rendimento, tanto do gerador como do motor. Os cálculos
para o rendimento do motor são algo mais complexos,
devido à variação da velocidade.
Duplicação do Fluxo e da Velocidade
Uma análise das perdas indicadas na Tabela 12-1 indicará
que a suposição feita nos Exemplos 12-1 e 12-3 não é
absolutamente correta no que diz respeito às perdas
rotacionais, isto é, que as perdas rotacionais variem
apenas com a velocidade se a excitação da máquina
(corrente de campo) for mantida cons tante. Conforme
aumenta a carga da máquina, aumenta a reação da
armadura, produzindo uma alteração na densidade do
fluxo que afeta as perdas no núcleo. Ao mesmo tempo, há
também uma alteração da fem gerada ou fcem (da qual de
pende a potência mecânica desenvolvida pela armadura)
com o acréscimo da carga.
A fem gerada ou fcem varia diretamente com o fluxo e
com a velocidade, e as perdas rotacionais também variam
diretamente com o fluxo e a velocidade. Por tanto, para
uma máquina cuja velocidade varia (Exemplo 12-3)
ou cuja fem gerada. pode variar (Exemplo 12-1), seria
melhor repetir o ensaio a vazio sob várias con dições de
funcionamento, que reproduzam as condições de fluxo e
velocidade da máquina. Como mostra a Fig. 12-2b, uma
resistência é ligada em série com o circuito da armadura,
a fim de reduzir a tensão aplicada à armadura até o
valor calculado da fem gerada ou fcem para a velocidade
requerida (ou reduzida).
Como o ensaio é realizado a vazio, a queda de tensão
no circuito da armadura é muito pequena, e a tensão
v. aplicada à armadura pode ser tomada como a fem
gerada ou a fcem para quaisquer condições dadas. Para
qualquer valor predeterminado de velocidade, portanto,
a perda rotacional é igual à leitura de Va Xa, menos as
pequenas perdas no cobre a vazio, que podem também
ser desprezadas. Assim, ao duplicar-se a fcem, também
são duplicadas as condições de fluxo e velocidade.
O Exemplo 12-4 ilustra o método no caso da determinação
do rendimento do motor, mas ele pode igualmente ser
utilizado para o rendimento do gerador.
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EXEMPLO Um motor composto de 150 HP, 600 V tem a
12-4: velocidade nominal de 1.500 rpm e a corrente
nominal de 205 A. A resistência do campo-derivação é 300
ohms, a do circuito da armadura é 0,05 ohm e a do campo
série 0,1 ohm. Para a carga nominal, calcule:
a. A fcem a ser aplicada à armadura quando funcionando
a vazio, nas mesmas condições de fluxo e velocidade.
b. As perdas rotacionais, se a corrente da armadura é 6
A quando se aplica a tensão apropriada e a velocidade é
1.500 rpm.
Solução:
A plena carga, Ia= IL- If= 205 A - 600 V = 203 A
300 Ω
a. A plena carga, Ec = Vt - Ia (Ra + Rs) = 600 - 203 (0,15) =
600 - 30,5 =
= 569,5 V
b. Pperdas= Va Ia= 569,5 x 6 = 3.410W = perdas rotacionais
Note-se que o valor das perdas rotacionais, obtido em (b)
no Exemplo 12-4, compara-se de maneira favorável com o
obtido à carga nominal em (a), no Exemplo 12-3.
Rendimento da Máquina Síncrona CA
Essencialmente, a única diferença real entre um
alternador síncrono e um ge rador CC é o fato de que,
no primeiro, a armadura é estacionária e o campo está
girando a uma velocidade constante. A resistência
efetiva (CA) da armadura, por fase, do alternador é
obtida normalmente da mesma maneira que a utilizada
no método da impedância síncrona para determinação
da regulação do alternador (Seç. 6-10, Fig. 6-7a) através
da medição da resistência a CC. A perda do cobre no
circuito do campo-derivação VfIf é também determinada
por medição em CC.
Como no caso das máquinas CC, independentemente
de ser o rendimento de um motor síncrono ou de
um alternador o que se quer determinar, a máquina
síncrona CA é posta a funcionar como motor síncrono
a vazio, à velocidade sín crona (o método convencional
de funcionamento a vazio). A corrente de campo é
normalmente ajustada ao valor da placa correspondente
ao fator de potência para o qual ocorre a operação
normal ou, no caso de um motor síncrono, para prover
a corrente mínima (fator de potência unitário). Ligam-se
os instrumentos conforme a Fig. 12-3a, para se lerem as
correntes de armadura trifásicas balanceadas, à tensão de
linha nominal, e determina-se ainda a potência de entrada
(usando o método de um, dois ou três wattímetros).
As perdas rotacionais, como no caso das máquinas CC,são iguais à potência de entrada na armadura menos as
perdas no cobre a vazio, ou
Fig. 12-3 - Métodos para determinação do rendimento de máquinas síncronas CA.
Perdas rotacionais de máquinas síncronas CA (P,) =
= Potência de entrada a vazio na armadura - Perdas no
cobre da armadura
(12-7)
onde Ia é a corrente da armadura de fase ou de linha e Ra
é a resistência efetiva da armadura por fase.
Uma vez que ambos, motor síncrono e alternador, são
operados à velocidade constante a uma freqüência fixa,
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as perdas rotacionais podem ser consideradas constantes.
O rendimento à plena carga, para o fator de potência
unitário ou qualquer outro, é então calculado como
mostra o Exemplo 12-5.
EXEMPLO
12-5:
O alternador trifásico, ligação em estrela, testado pelo
método da impedância síncrona no Exemplo 6-4 é posto
a girar a vazio como um motor síncrono ali mentado à sua
tensão nominal, para determinar suas perdas rotacionais.
A corrente da armadura a vazio é 8 A e a potência de
entrada é 6 kW. Uma tensão de linha a circuito aberto de
1.350 V é obtida com uma excitação CC de 18 A a 125 V no
campo. Supondo que não variem as perdas no núcleo e a
excitação CC, desde a vazio até a carga nominal, calcule:
a. as perdas rotacionais da máquina síncrona
b. a perda no cobre do campo
c. as perdas elétricas na armadura para 1/4, 1/2, 3/4,
e para a plena carga
d. o rendimento para estas cargas a um fator de
potência de 0,9 em atraso.
Solução:
A partir do Exemplo 6-4,
Ra = 0,45 Ω/fase; Ia(n) = 52,5 A
a. Da Eq. (12-7), Pr = 6.000- (3 x 82 x 0,45)
= 6.000 - 86,4 = 5.914 W (perdas rotacionais)
b. Perdas no campo = 125 V x 18 A = 2.250 W
c. Perdas elétricas no cobre da armadura =
= 3I2anRa = 3 x (52,5)2 x 0,45 = 3.725 W
Perdas no cobre da armadura
a 1/4 da plena carga = 3.725 = 233w
16
a 1/2 da plena carga = 3.725 = 932w
4
a 4 da plena carga = 3.725 x 16 = 2.100 W
d. Rendimento em percentagem
= (potência nominal x a carga) x 100
(potência nominal x a carga)+ perdas
Nota: A capacidade é dada como 100 kVA, o que é igual a 100.000
VA e, a um fator de potência de 0,9 em atraso, a potência se torna
90.000 watts. Este valor será o utilizado nos cálculos a seguir. As perdas
rotacionais determinadas em (a) eram 5.914 W e as perdas no campo
determinadas em (b) eram 2.250 W. As perdas elétricas variáveis
na armadura (no cobre) foram determinadas em (c). No cálculo
do rendimento para as várias cargas, as perdas totais aparecem no
denominador, em cada caso, como se verá abaixo. Assim, o rendimento
per centual η é
a 1/4 da carga =
= (100.000 x 0,9) x 1/4 x 100
[(100.000 x 0,9) x (1/4)] + (5.914 +2.250) + 233
= 90.000 x (1/4) x 100 = 22.500 x 100
[90.000 x (1/4)] + 8.164 + 233 30.897
= 72,7%
a 1/2 da carga =
= 90.000 x (1/2) x 100 = 83,2%
[90.000 x (1/2)] + 8.164 + 932
a 3/4 da carga =
= 90.000 x (3/4) x 100 = 86,8%
[90.000 x (3/4)] + 8.164 + 2.100
a plena carga ou 4/4 da carga
ᶯ = 90.000 x (4/4) x 100 = 88,25%
[90.000 x (4/4)] + 8.164 + 3.725
Ventilação dosAlternadores
Uma porção das perdas rotacionais do Exemplo 12-5
corresponde ao deslocamento de ar criado pelo
movimento do rotor e pelo ventilador montado no
eixo do alternador. O resfriamento a ar por meio de
ventiladores internos é normalmente inadequado para
alternadores de tamanhos maiores, entretanto, para
os quais se utilizam métodos de ventilação confinada e
forçada, a fim de: ( 1) remover o calor produzido com uma
razoável elevação da temperatura tanto do alternador
como do gás refrigerante empregado; (2) utilizar um gás
refrigerante com uma perda por circulação de ar menor,
e, possivelmente, com um calor específico maior que o
do ar; (3) confinar o sistema de ventilação do alternador
para manter afastadas sujeiras e umidade (elementos
estranhos estes que encurtariam a vida do alternador);
(4) aumentar o rendimento e (5) aumentar a capacidade
do alternador.
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Em turboalternadores modernos, que giram a altas
velocidades e que utilizam sistemas confinados de
ventilação forçada a ar, a metade ou mais das perdas
rotacionais totais à plena carga (V. Exemplo 21-5)
resulta normalmente do ar forçado através dos dutos
axiais praticados no rotor e na armadura do estator. O
hidrogênio tem menos viscosidade que o ar, cerca de oito
vezes a sua condutividade térmica e aproximadamente
a mesma capacidade calorífica por volume, de modo
que a refrigeração com um dado fluxo de hidrogênio,
em relação ao ar (1) é mais eficiente no abaixamento da
temperatura do alternador e (2) requer menos perdas
por deslocamento gasoso do meio refrigerante. Duas
vantagens adicionais do uso do hidrogênio são (3) não se
produz oxidação no isolamento, porque há efeito corona
com o hidrogênio, e (4) é necessário um potencial mais
elevado para a perduração do corona numa atmosfera de
hidrogênio-ar do que numa atmosfera comum de ar.
Algumas misturas de ar e hidrogênio são, entretanto,
extremamente explosivas, mas a experiência tem
demonstrado que as explosões serão inibidas numa gama
de 6 por cento de hidrogênio e 94 por cento de ar até
71 por cento de hidrogênio e 29 por cento de ar. Quando
há mais que 71 por cento de hidrogênio, a quantidade de
oxigênio no gás é insuficiente para manter a combustão.
Como resultado, empregam-se misturas com 90 por cento
de hidrogênio, não havendo perigo de explosão, mesmo
em altas temperaturas de ignição.
Quando o hidrogênio é usado como meio refrigerante, o
sistema deve ser completamente vedado. O hidrogênio é
posto a circular por ventiladores, através do estator e do
rotor, passando após sobre serpentinas de resfriamento
dentro da carcaça hermética; as serpentinas contêm um
meio refrigerante-normalmente óleo ou água-para trocar
calor com o hidrogênio circulante. O gás é mantido a uma
pressão maior que a atmosférica, para impedir prováveis
ingressos no sistema de ar, que o contaminaria, e a pressão
é medida cuidadosamente para permitir a detecção de
vazamentos, e evitá-los.
A refrigeração por meio de hidrogênio aumenta o
rendimento total à plena carga de aproximadamente 1
por cento, mas aumenta a capacidade do alternador de
25 por cento. Este último é o principal fator que justifica
a sua utilização.
Rendiemnto de Máquinas Síncronas CA através do
Métododo Motor CC Calibrado
Um procedimento recomendado pelo AIEE (agora IEEE)
para determinar o rendimento do alternador (ou motor)
síncrono CA, e simultaneamente a regu lação em tensão
daquele, é ilustrado na Fig. 12-3b, na qual um motor
CC é aco plado ao alternador, e é descrito através dos
passos seguintes. O motor é um motor calibrado, cujo
rendimento é conhecido em toda a gama, desde a vazio
até a plena carga.
Procedimento
1. Acione o alternador à velocidade síncrona, sem
excitação no circuito de campo, através do motor CC
calibrado.
2. Repita o procedimento 1, mas excite o campo do
alternador com a excitação normal, isto é, a exci tação a
circuito aberto que produ zirá a tensão nominal à carga
nominal.5
3. Reduza a excitação do campo a zero, curto-circuitea
armadura do alternador e execute o ensaio de curto-circuito
ou de impedância da máquina síncrona (Seç. 6-10), isto é,
eleve a corrente de campo até que a corrente nominal da
armadura seja produzida a velo cidade nominal.
4. Remova o curto-circuito dos ter minais da armadura e
meça a ten são a circuito aberto da armadura, para esta
excitação do circuito de campo (ensaio a circuito aberto).
Finalidade
1. A potência de entrada do motor CC vezes o seu
rendimento (co nhecido) é a potência de entrada do
alternador, que representa as suas perdas por atrito e
desloca mento de ar.
2. O acréscimo na potência de en trada do motor vezes
o seu rendi mento representa o acréscimo da potência
de entrada do alternador ou as perdas no núcleo (por
his terese ou por correntes parasitas). As perdas no cobre
do campo CC são também obtidas (ou seja, VfIf), bem
como são incluídas também as perdas nas escovas. Todas
estas perdas são perdas fixas.
3. As perdas no cobre são conside radas desprezáveis
por ser tão baixa a excitação. A potência de entrada do
motor vezes o seu rendimento representa agora as perdas
totais à plena carga no enrolamento da armadura, mais as
perdas por atrito e ventilação (procedimento 1 acima). A
dife rença entre os valores obtidos em 3 e 1 é a perda no
cobre à plena carga.
4. Este passo permite determinar-se a impedância e
a reatância sín crona por fase (esta última cal culada da
forma normal).
A vantagem óbvia do método do AIEE, que usa o motor
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CC calibrado, é que o rendimento de um alternador (ou
motor) síncrono, bem como a regulação de tensão (pelo
método da impedância síncrona) são determinados
simultanea mente. Dadas as perdas por corrente contínua
no campo, as perdas à plena carga no cobre da armadura,
e as perdas rotacionais (atrito, ventilação e perdas
no núcleo) à velocidade nominal, a determinação do
rendimento é feita da mesma maneira que se procedeu
no Exemplo 12-5.
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CAPÍTULO 08
RENDIMENTO DAS MÁQUINAS
ASSÍNCRONAS DE INDUÇÃO
A máquina de indução quer funcionando como motor,
quer como gerador, experimenta uma variação na
velocidade do rotor com a carga, bem como uma variação
na freqüência do rotor resultante desta variação da
velocidade.
De maneira distinta às máquinas síncronas, nem as
perdas rotacionais (que são função da velocidade e
da freqüência), nem as perdas elétricas do rotor e
do estator (que são função da carga) são constantes.
Devem, portanto, ser empregados outros métodos para
determinar-se o rendimento das máquinas de indução
síncronas CA. Uma vez que raramente interessa conhecer
o rendimento dos geradores de indução, a discussão
que se segue limitar-se-á principalmente a máquina de
indução funcionando como motor tanto monofásica,
como polifasicamente alimentado.
Dois são os métodos geralmente empregados. O primeiro
é um método convencional, no qual não se envolve
carregamento do motor de indução, chamado método
dos ensaios a circuito aberto e de curto-circuito (rotor
bloqueado). Este método é normalmente empregado
para motores de indução extremamente grandes, para
os quais o carregamento direto seria pouco prático,
inconveniente ou anti econômico.
O segundo método é o indicado pelo AIEE, a partir
do escorregamento em função da carga e do circuito
equivalente. Este método é geralmente mais preciso
que o método convencional do rotor bloqueado, mas
requer a medida do escorregamento para várias cargas,
desde a situação a vazio até a plena carga (nominal) do
motor de indução. É normalmente aplicado a pequenos
motores de indução, que podem ser carregados por freios
de Prony ou a geradores elétricos. Isto sugere, é claro,
que, se o carregamento é possível, um gerador calibrado
pode ser usado para determinar o rendimento. Este é
evidentemente um terceiro processo, e o rendimento pode
ser eletricamente calculado como a relação da potência
de entrada do gerador calibrado (potência de saída do
motor) para a potência elétrica de entrada do motor, para
uma dada carga. Como se estabeleceu previamente, o
rendimento de pequenos motores de indução polifásicos
pode também ser determinado (um quarto método) por
meio de um dinamômetro ou freio de Prony que tenha os
valores das potências de saída do motor medidos, para
determinadas cargas, enquanto as potências de entrada
são medidas eletricamente. Os três últimos métodos são
apenas aplicáveis a pequenos motores de indução. O
primeiro método se aplica a qualquer tipo de motores de
indução, grandes ou pequenos.
Deter-nos-emos mais detidamente apenas no método
convencional (Seç. 12-13) e no método do AIEE
(Seç. 12-14).
Resistência Equivalente de um Motor de Indução
Ambos os testes acima descritos para a determinação do
rendimento do motor de indução requerem uma expressão
da resistência equivalente entre os terminais de linha do
motor, relativa aos circuitos do rotor e do estator, referida
ao estator, nas condições de rotor' bloqueado. É, pois,
necessário derivar esta expressão. A Fig. 12-4a mostra
um motor de indução com o estator ligado em delta e
o rotor bloqueado. No momento da partida, ou seja,
com o rotor bloqueado, o estator ligado em delta pode
ser considerado como o primário de um transformador,
cujo secundário é o rotor em curto-circuito. A resistência
equivalente total entre linhas Rel, referida a qualquer
dos terminais do estator na Fig. 12-4a, é, pela teoria do
circuito paralelo:
e também (12-8)
Ra = 3 Rel
2
Se o rotor está bloqueado, uma tensão de excitação de
menos de 10 por cento da nominal pode ser aplicada
ao estator, de modo a desenvolver a corrente nominal
da armadura no estator, Ia, uma vez que a tensão
corresponderá à queda na resistência do rotor Rr,
produzida pela corrente de carga nominal. A esta excitação
reduzida, as perdas no núcleo são desprezíveis, Wc x B2
( 1 )2 uma vez que
10
uma vez que representam menos de um centésimo de seu
valor da tensão nominal.6
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A potência de entrada no estator representa, em repouso,
apenas as perdas no cobre equivalentes do rotor e do
estator combinadas, Pc, na Fig. 12-4a, ou
Substituindo, nesta equação, Ra por seu valor tirado da
Eq. (12-8), temos
Pc = 3 I2l �el (12-9)
Fig. 12-4 - Determinação da resistência equivalente do
estator (e rotor), através de medição entre linhas do
estator.
onde Il é a corrente de linha de um motor de indução
trifásico é Re1 é a resistência equivalente total entre linhas
de um tal motor (representando as resistências combina-
das do estator e do rotor), referida ao estator.
Semelhantemente, imaginando que o estator do motor é
ligado em estrela, como mostra a Fig. 12-4b:
Rel = 2Ra e Ra = Rel (para um estator ligado em estrela)
2
A potência de entrada ou perda equivalente no cobre,
para um estator ligado em estrela, à tensão reduzida, é
Pc = 3 I2a�a = 3 I2l�a = 3 I2l � el (12-9a)
Note-se que esta expressão é a mesma da Eq. (12-9)
para um estator ligado em delta. É assim completamente
desnecessário saber se o estator está ligado em estrela ou
em delta. A perda no cobre equivalente pode ser medida
entre linhas, e a resistência equivalente total entre linhas
podeser determinada a partir da Eq. (12-9) para os valores
da resistência total doestator e rotor combinados e
referidos ao estator. Isto será bem ilustrado no Exemplo
12-6.
Rendimento do Motor de Indução a partir dos
Ensaios a Circuito Aberto e de Curto-Circuito (Rotor
Bloqueado)
O circuito de um motor de indução funcio nando sob carga
(bem como no instante da partida) pode ser representado
como o de um transformador [V. Fig. 9-11 e Eqs. (9-9a) e
(9-16)]. Os métodos convencionais para a determinação
do rendimento do transformador 7, usando os ensaios
a Circuito aberto (a vazio) e em curto-circuito (rotor
bloqueado) do transformador, aplicam-se também,
convenientemente, ao motor de indução. Como no
transformador8, a determinação do rendimento é
processada em duas etapas:
Ensaio a Vazio, a Circuito Aberto
O motor de indução é ligado a uma linha, que o alimenta à
sua tensão nominal, e é posto a girar sem carga acoplada
ao seu eixo. Sob estas condições, como no caso dos ensaios
"a vazio" já vistos, a potência de entrada no estator de
um motor de indução representa (1) as perdas rotacionais
(no núcleo e perdas mecânicas), e (2) uma pequena perda
equivalente a vazio, no cobre do esiator e do rotor. (A
última não é desprezível, como mostra o Exemplo 12-6b.)
Ensaio de Curto-Circuito a Rotor Bloqueado
O motor é desligado da alimentação e seu rotor é
bloqueado, de modo que não possa girar. Uma tensão
trifásica, cujo valor possa ser gradativamente aumentado,
é aplicada (a partir de um variac trifásico ou de um
regulador de indução polifásico) ao estator, até que
circule a corrente de linha nominal de placa. Como no
ensaio de curto-circuito do transformador, e pelas razões
demonstradas na Seç. 12-11, as perdas no núcleo (ferro)
são desprezáveis, e não há perdas mecânicas, uma vez
que o motor está parado. A potência total solicitada pelo
motor representa, pois, as perdas elétricas no cobre,
a plena carga, correspondendo ao estator e ao rotor. A
resistência total equivalente (entre linhas) do motor é
calculada pela Eq. (12-9). Este valor é então usado no
cálculo das perdas rotacionais, a partir do ensaio a vazio
do item anterior, como na determinação do rendimento.
O Exemplo 12-6 ilustra o tratamento dos dados e a
determinação do rendimento por este método.
EXEMPLO
12-6:
Um motor de indução trifásico, de 5 HP, 60Hz, 220 V,
fator de potência 0,9 tem uma corrente nominal de placa
de 16 A, correspondendo à corrente de linha, e uma
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velocidade de 1.750 rpm. Os dados obtidos pelos ensaios de circuito aberto e de curto-circuito são:
Ensaio de circuito aberto Ensaio a curto-circuito
Corrente de linha 6,5 A 16 A
Tensão de linha 220 V 50 V
Wattímetro polifásico 300 W 800 W (perdas no cobre equivalentes,
à plena carga)
Calcule:
a. A resistência total equivalente, entre linhas, do motor de indução.
b. As perdas rotacionais.
c. As perdas equivalentes no cobre a 1/4, 1/2, 3/4 e 11/4
d. O rendimento para estas cargas.
e. A potência de saída em HP para estas cargas.
f. O torque de saída à plena carga.
Solução:
a. Rel = P� = 800 x 2 = 2,08Ω
(3/2) I2 = 162 x 3
b. Perdas rotacionais = Pr - I2l Rel = 300 - 6,52 x 2,08 = 300 - 132 = 168 W
c. Perdas equivalentes no cobre para as várias frações de carga
A 1/4 da carga = 800 W x (1/4)2 = 50 W
A 1/2 da carga = 800 x (1/2)2 = 200 W
A 3/4 da carga = 800 x (3/4)2 = 450 W
A plena carga = 800 W, conforme indicaram os dados do ensaio a curto circuito
A 1/4 da carga = 800 x (5/4)2 = 1.250 W
d. O rendimento em percentagem, para o motor é, pela Eq. (12-2b)
ɳ = (P. de entrada à plena carga vezes a fração da carga) menos as perdas x 100
(Potência de entrada à plena carga vezes a fração da carga)
A potência de entrada à plena carga = √3 x 220 x 16 x 0,9 = 5.480 W
As perdas rotacionais, da parte (b) = 168 W
As perdas equivalentes no cobre foram calculadas em (c)
O rendimento percentual
A 1/4 da carga = (5.480/4) - (168 + 50) x 100 = 1.370 - 218 x 100 = 84,2%
(5.480/4) 1.370
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A 1/2 da carga= ( 5.480/2) - (168+200) x 100 = 86,5%
(5.480/2)
A 3/4 da carga= [( 5.480(3/4)] - (168+450) x 100 = 84,9%
5.480 (3/4)
A 4/4 da carga= [( 5.480(4/4)] - (168+800) x 100 = 82,1%
5.480 (4/4)
A 5/4 da carga= [( 5.480(5/4)] - (168+1250) x 100 = 79,3%
5.480 (5/4)
e. Potencia e saída em HP = Potência de entrada - Perdas
746 W/HP
Potência de saída em HP
A 1/4 da carga = (5.480/4) - 218 = 1,545 HP
746
A 1/2 da carga = (5.480/2) - 368 = 3,18 HP
746
A 3/4 da carga = [5.480 X (3/4)] - 618 = 4,68 HP
746
A 4/4 da carga = [5.480 X (4/4)] - 968 = 6,04 HP
746
A 5/4 da carga = [5.480 X (5/4)] - 1.418 = 7,28 HP
746
f. Torque de saída = HP x 5.252
Velocidade
A plena carga, o torque de saída
T= 6,04 x 5.252 = 18,1 1b- pé
1,750
Foram feitas várias hipóteses para a determinação
do rendimento do motor de indução pelos ensaios a
circuito aberto e a curto-circuito ou rotor bloqueado,
pelo método visto no Exemplo 12-6. Como se mostrou
na solução, imaginou-se uma perda rotacional constante
para todos os pontos de carga. A Tabela 12-1 indica que
as perdas mecânicas, tais como atritos nos mancais e
deslocamento de ar são função da velocidade. Além
disto, as perdas no núcleo, ou no ferro, são função da
velocidade e (parcialmente) da freqüência do rotor, que
aumenta com o escorregamento. A freqüência algo maior
tende a contrabalançar o decréscimo da velocidade, de
modo que a suposição é justificada. Mais ainda, desde
que o escorregamento à plena carga raramente excede
5 por cento, e, desde que as perdas rotacionais são uma
pequena parcela das perdas totais à medida que aumenta
a carga, este erro introduzido no rendimento não é muito
significativo.
O ensaio a rotor bloqueado, além disto, supôs as perdas
no núcleo desprezáveis. Estas variam com a tensão de
excitação aplicada ao estator nas condições de rotor
bloqueado. Se a tensão de excitação é uma pequena
percentagem da tensão nominal, isto é, menos de 10 por
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cento, a hipótese é justificada. Mas alguns motores de
indução, devido à elevada reatância a rotor bloqueado,
reque rem tensões que chegam a 33% da nominal, para
que a corrente nominal de linha circule no estator. Nestas
circunstâncias, as perdas no núcleo a rotor bloqueado
não são 1/100 das perdas com excitação nominal, mas
1/9 delas. O valor não é mais desprezável, devendo