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Filosofia
André Puchalski
São Paulo
Rede Internacional de Universidades Laureate
2015
Filosofia
André Puchalski
São Paulo
Rede Internacional de Universidades Laureate
2015
© Copyright 2015 da Laureate. É permitida a reprodução total ou parcial, 
desde que sejam respeitados os direitos do Autor, conforme determinam 
a Lei n.º 9.610/98 (Lei do Direito Autoral) e a Constituição Federal, art. 5º, 
inc. XXVII e XXVIII, “a” e “b”. 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Sistema de Bibliotecas da UNIFACS Universidade Salvador - Laureate 
International Universities)
C416s
 Puchalski, André
Filosofia, Natureza e Cultura/ André Puchalski
Salvador: UNIFACS, 2015.
22 p.
ISBN 
1. Filosofia. 
André Puchalski. II. Título. 
 CDD: 326.3
CAPÍTULO 1 - Natureza e Cultura
Introdução................................................................................................................................. 09
1.1. Natureza e Cultura................................................................................................................09
1.1.1. Filosofia.............................................................................................................................10
1.1.2. Atitude Filosófica................................................................................................................11
1.1.3. Origem da Filosofia............................................................................................................12
Síntese.......................................................................................................................................21
Referências.................................................................................................................................22
Sumário
09
Imagine uma situação profissional em que você deve buscar informações para traçar as 
diretrizes do seu departamento. Você se orientaria pelo senso comum? Qual seria a sua 
fonte de conhecimento? Como os conhecimentos de Filosofia poderiam auxiliá-lo nesse 
trabalho? 
Senso comum, ciência e filosofia têm algo em comum, mas também apresentam diferenças. 
Quais? 
O que é passar de uma atitude ingênua do senso comum a uma atitude filosófica? 
Todos nós somos filósofos, somos conhecedores de teorias e preconceitos, e nos damos 
conta disso quando temos que analisar ou testar criticamente tais teorias.
Atitude filosófica é uma atitude crítica e criativa frente à realidade posta pelo mundo.
Você conhecerá o desenvolvimento da capacidade criadora e investigativa do homem 
entenderá a Filosofia a partir de seus fundamentos históricos, métodos e problemas.
Capítulo 1Natureza e Cultura
Introdução
1.1 Natureza e cultura
As diferenças entre o homem e o animal se situam no convívio com a natureza. Enquanto 
o homem, estando na natureza, é capaz de transformá-la, de adaptá-la segundo as suas 
necessidades, o animal vive adaptado. Adorno (1985) afirma que:
O mundo do animal é um mundo sem conceito. Nele, nenhuma palavra existe 
para fixar o idêntico no fluxo dos fenômenos, a mesma espécie na variação dos 
exemplos, a mesma coisa na diversidade das situações. Mesmo que a recognição 
seja possível, a identificação está limitada ao que foi predeterminado de maneira 
vital. No fluxo, nada se acha que se possa determinar como permanente e tudo 
permanece idêntico, porque não há nenhum saber sólido acerca do passado e 
nenhum olhar claro mirando o futuro. O animal responde ao nome e não tem 
um eu, está fechado em si mesmo e, no entanto, abandonado; a cada momento 
surge uma nova compulsão, nenhuma ideia a transcende. (...)
Adorno (1985) continua:
A transformação das pessoas em animais como castigo é um tema constante 
dos contos infantis de todas as nações. Estar encantado no corpo de um animal 
equivale a uma condenação. Para as crianças e os diferentes povos, a ideia de 
semelhantes metamorfoses é imediatamente compreensível e familiar. Também a 
crença na transmigração das almas, nas mais antigas culturas, considera a figura 
animal como um castigo e um tormento. A muda ferocidade no olhar do tigre 
dá testemunho do mesmo horror que as pessoas receavam nessa transformação. 
Todo animal recorda uma desgraça infinita ocorrida em tempos primitivos. O 
conto infantil exprime o pressentimento das pessoas (ADORNO, 1985, p. 
230-231).
O homem recria o seu mundo, fato que Paulo Freire denomina de cultura, ou seja, a 
10 Laureate- International Universities
Ebook - Filosofia
Para que Filosofia?
O homem é um ser social, transformador da natureza, destruidor de sua história e de suas 
relações, gerador de questionamentos a respeito de si e do lugar onde vive. O mundo globalizado 
o coloca diante dos problemas e provoca indagações, incertezas e contradições. Muitas vezes, os 
organismos internacionais buscam transmitir mensagens de paz, mas o que se percebe é que a 
paz tão almejada parece estar cada vez mais distante. Temas como solidariedade, união, defesa 
do meio ambiente etc. são slogans de nossa época. No entanto, o individualismo, a solidão, a 
morte da natureza, entre outras questões, assumem proporções cada vez maiores.
O individual é todo poderoso, mas ao mesmo tempo é incapaz de assumir, por exemplo, o 
seu papel de cidadão nos fatos do cotidiano. Assim, o questionamento se torna um parceiro 
inseparável, para afirmar, negar, desejar, rejeitar ou aceitar as pessoas e as coisas. “O ser humano 
pode ajustar-se a um número maior de ambientes do que qualquer outra criatura, multiplicar-se 
infinitamente mais depressa do que qualquer mamífero superior e derrotar o urso polar, a lebre, 
o gavião e o tigre, em seus recursos especiais. Pelo controle do fogo e pela habilidade de fazer 
roupas e casas, o homem pode viver, vive e viceja, desde os polos da Terra até o Equador. Nos 
trens e automóveis que constrói, pode superar a mais rápida lebre ou avestruz. Nos aviões e 
foguetes, pode subir mais alto do que a águia. Com os telescópios, ver mais longe do que o 
gavião. Com armas de fogo, pode derrubar animais que nenhum tigre ousaria atacar” (COTRIM, 
1999, p.18-19).
A todo momento, o confronto com a realidade nos inquieta. Inquietam-nos os problemas 
sociais, inquietam-nos as questões relativas às causas e crenças religiosas. Inquietam-nos os 
posicionamentos políticos com os quais não concordamos, mas estamos sujeitos a aceitá-
los, mesmo vivendo em um regime que se autodenomina democrático. Estamos, portanto, 
constantemente avaliando, julgando e comparando fatos, pessoas e situações: tal pessoa é 
bondosa; o partido X é corrupto; os carros japoneses são melhores que os carros nacionais; 
aquela casa é feia; a honestidade é um valor importante e necessário para a sociedade ser mais 
justa. 
Na linguagem do cotidiano, ouvimos ou utilizamos expressões como “você está sonhando”, para 
estabelecer uma relação e uma diferença entre a ilusão, o sonho e a realidade. ”Ao diferenciarmos 
erro de mentira, considerando o primeiro uma ilusão ou um engano involuntários e a segunda 
uma decisão voluntária, manifestamos silenciosamente a crença de que somos seres dotados de 
vontade e que dela depende dizer a verdade ou a mentira” (CHAUÍ, 1994, p. 10).
1.1.1 Filosofia
capacidade de transformação do mundo, ou tudo aquilo que o homem faz. Enquanto o animal 
permanece mergulhado na natureza, guiado pelos seus instintos, satisfazendo-se em atender as 
necessidades básicas, o homem é capaz de transformar a natureza, produzir e construir a sua 
própria história, pois é dotado da razão. “O homem, como disse o escritor russo Dostoiévski, 
necessita do insondável e do infinito tanto quanto do pequeno planeta que habita” (COTRIM, 
1999, p.22). A racionalidade torna o homem construtor da história e da cultura do mundo em 
que vive, por meio do trabalho organizado nos diferentes grupos sociais. Esta organização em 
grupos exige a criação de regras de conduta e de valores para nortear a vida econômica e social.
11
1.1.1 FilosofiaQuem já não ficou surpreendido com as perguntas de uma criança? Para conhecer o seu 
espaço, a criança indaga. A indagação que surge de uma inquietação é o primeiro passo para 
a atitude filosófica. É a curiosidade de querer entender e querer saber. A criança pode perguntar, 
por exemplo, “de onde vem a chuva?” ou “de que é feito o sol?” Trata-se de uma atitude 
filosófica, que indica “em geral a orientação seletiva e ativa do homem em face de uma situação 
ou de um problema qualquer. As atitudes são disposições gerais, suscetíveis, ao menos em parte, 
de pesquisa objetiva, como as formas transcendentais no sentido kantiano. São as direções do 
sujeito e servem-se de uma determinada rede de formas transcendentais” (ABBAGNANO, 1970, 
p. 85).
Quando as nossas indagações fogem do senso comum e buscam o conhecimento sobre as nossas 
crenças, valores e sentimentos, adotamos uma atitude filosófica. Ou seja, não nos contentamos 
com as respostas óbvias dadas pelo senso comum e buscamos uma investigação criteriosa e 
racional dos fatos, crenças e sentimentos. A atitude filosófica não é adepta do conformismo, 
mas do questionamento. É uma atitude crítica ao senso comum, ao preconceito, às ideias que se 
concretizam no “todo mundo acha que é”.
Senso comum é o conhecimento adquirido por tradição, aquele que herdamos dos nossos 
antepassados e para o qual acrescentamos os resultados de nossa experiência. É um conhecimento 
não refletido, que se mistura às crenças e aos preconceitos. Já o bom senso “é uma elaboração 
coerente do saber e a explicitação das intenções conscientes dos indivíduos livres. Segundo o 
filósofo Gramsci, o bom senso é o núcleo sadio do senso comum” (ARANHA, 1993, p.35).
Outra característica da atitude filosófica, segundo Marilene Chauí, é a atitude positiva, “uma 
interrogação sobre o que são as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os comportamentos, os 
valores, nós mesmos... O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da 
atitude filosófica” (CHAUI, 1994. p.12). É o pensamento crítico.
Já a atitude filosófica é a disposição de indagação, que assumimos diante da realidade que 
nos cerca e nos coloca diante do pensar sobre o pensamento – a reflexão, ou seja, a volta do 
pensamento sobre si mesmo. O que é o pensamento? O que é o pensar? 
 
A filosofia é uma reflexão radical, que vai às origens da questão. A reflexão filosófica deve ser 
rigorosa e questionar as “verdades” populares, como fizeram Sócrates ou Galileu Galilei, por 
exemplo.
A reflexão filosófica deve ser de conjunto, examinando o problema em sua totalidade e não de 
modo fragmentado e parcial. ”É neste ponto que a filosofia se distingue da ciência de um modo 
mais marcante. Ao contrário da ciência, a filosofia não tem objeto determinado, ela se dirige a 
qualquer aspecto da realidade, desde que seja problemático; seu campo de ação é o problema, 
O que é que as pessoas comuns pensam quando as palavras “ciência” ou “cientista” são 
mencionadas? Pense você! O que vêm em sua cabeça? Cientista, aquele gênio “tipo” 
Einstein, que inventa coisas e teorias, o individuo mais inteligente da face da Terra. Mito 
ou verdade? Isto é um mito. O fato de uma pessoa ser muito boa em matemática, não 
quer dizer que ela é mais inteligente do que outra pessoa que não entende do assunto, 
mas é especialista em português, por exemplo, então podemos concluir que a ciência é 
uma especialização, um refinamento de potenciais comuns a todos.
NÓS QUEREMOS SABER!
1.1.2 Atitude filosófica
12 Laureate- International Universities
Ebook - Filosofia
esteja onde estiver” (SAVIANI, 1984, p.24).
O que é Filosofia? Como podemos defini-la? Quando estudamos Filosofia, a nossa primeira 
preocupação é saber o que ela é. Mas, à medida que nos aprofundamos em busca de definições, 
percebemos que, às vezes, os conceitos parecem ser até contraditórios. No entanto, podemos 
reunir todas estas definições em quatro grupos.
O primeiro diz respeito ao conjunto de valores, ideais e práticas de um povo, isto é, o modo pelo 
qual determinada sociedade analisa e interpreta o mundo, sua vida, seus valores. É a filosofia de 
visão de mundo.
O segundo grupo relaciona a definição de Filosofia ao princípio de vida: seu pensamento sobre 
a vida moral; a dedicação à vida contemplativa , como, por exemplo, o Budismo e outras 
religiões que buscam uma vida justa. É a Filosofia ou sabedoria de vida. 
O terceiro grupo é o esforço racional para conceber o Universo como uma totalidade 
ordenada e dotada de sentido. Nesse momento, a Filosofia distingue-se da religião, 
por utilizar o esforço racional para compreender o Universo, enquanto a religião busca esta 
compreensão pela fé.
A palavra Filosofia vem do grego e em sua etimologia, aborda o significado sintético: Philo e 
sophia. Philia = amizade, amor fraterno. Sophia = sabedoria. Filósofo é a pessoa que busca o 
conhecimento, que respeita o conhecimento.
A civilização grega se desenvolveu na península balcânica. Os antigos helenos possuíam grande 
sensibilidade artística e transformavam as belezas naturais em seres misteriosos, objetos de 
contemplação e adoração. 
Nos tempos homéricos, a religião acenava aos gregos com uma série de utilidades. Os 
helenos procuravam na mitologia e no ritual diversas vantagens e compensações: simpatia 
e proteção dos deuses; identificação com o mundo físico e com o destino da humanidade; 
explicação da natureza e eliminação dos seus mistérios assustadores; justificação das 
paixões e desvarios humanos (considerados graves defeitos para o guerreiro); obtenção 
de favores materiais (saúde, habilidade profissional, boas colheitas, lucros nos negócios, 
êxito na guerra, acerto nas decisões políticas); convencimento da superioridade helênica 
sobre os demais povos, isto é, sobre os povos bárbaros (BECKER,1985, p. 99).
Esta visão mítica de mundo, chamada cosmogonia, dá lugar à cosmologia, que rompe com visão 
mítica e busca uma compreensão racional dos fenômenos. É o surgimento dos princípios da 
ciência. A busca pela razão é marcada por diferentes correntes ou tendências filosóficas.
Os primeiros filósofos gregos surgiram por volta do século VI a.C. Posteriormente, foram 
denominados de pré-socráticos.
1.1.3 Origem da Filosofia
No século V a.C., com o apogeu da democracia, a 
Grécia viveu um intenso desenvolvimento cultural 
e artístico. Muitos filósofos promoveram discussões 
referentes à natureza, à moral e à política.
A divisão da filosofia grega se centraliza na figura 
de Sócrates. A partir dele, estão agrupados outros 
pensadores, que formam escolas distintas: Escola 
Jônica - Tales, Anaximandro, Anaxímenes, Heráclito e 
Empédocles; Escola Itálica – Pitágoras; Escola Eleática 
- Xenófanes, Parmênides e Zenão; e Escola Atomista - 
Demócrito e Leucipo. Figura 1: Sócrates (470-399 a.C.) não deixa 
nada escrito, mas tem suas ideias divulga-
das por discípulos como Platão. Fonte: www.
shutterstock.com.br,2015
13
1.1.3 Origem da Filosofia
Tales de Mileto (623-546 a.C.) é considerado o pai da filosofia, pelo fato de ser um dos 
primeiros grandes pensadores gregos. Foi astrônomo, chegando a prever o eclipse total do sol 
ocorrido em 585 a.C. Procura explicações racionais sobre a criação do mundo, desapegando-
se da mitologia tão difundida na cultura grega. Para ele, o princípio unificador, a substância 
primordial, é a água.
Anaximandro (610-547 a.C.) aprofunda as concepções de Tales sobre a origem do universo. 
Segundo ele, não é possível eleger uma matéria como princípio do mundo. Este princípio é algo 
que transcende os limites do observável, ou seja, o ápeiron (o indeterminado, o infinito, a 
massa geradora).
Heráclito (544-484 a.C.) afirma que nada é estático e tudo flui. O que mantém o fluxo do 
movimento não é o simples aparecer de novos seres, mas a luta dos contrários, pois a guerra, 
segundo ele, é o pai de todos, o rei de todos. E é da luta que nasce a harmonia, como síntese 
dos contrários” (ARANHA, 1993). Como veremos mais parafrente, o pensamento de Heráclito 
foi retomado por Engels e Marx.
Parmênides (540-470 a.C.) elaborou uma teoria filosófica que influenciou muito o pensamento 
ocidental. Ele critica o “tudo flui”, de Heráclito, e defende a imobilidade do ser. Segundo 
Parmênides, há dois caminhos para compreensão da realidade: o primeiro é através da Filosofia, 
da razão; o segundo é através da opinião pessoal, da crendice, da aparência ingênua e enganosa. 
Parmênides formula os princípios lógicos da identidade e da não contradição, concluindo que o 
ser é eterno, imóvel, único e ilimitado. 
Parmênides negou-se a reconhecer como verdadeiros os testemunhos ilusórios dos 
sentidos e a constatar a existência do ser no mundo: o ser que se exprime de diversos 
modos, os seres múltiplos e mutáveis. Mas, o filósofo sabia que o mundo é uma ilusão 
das aparências e das sensações que os homens vivem em seu cotidiano. Então, “o mundo 
da ilusão não é uma ilusão de mundo”, mas uma manifestação da realidade que cabe 
à razão interpretar, explicar e compreender até que alcance a essência dessa realidade. 
Não podemos confiar nas aparências, nas incoerências, na visão enganadora. Pela razão, 
devemos buscar a essência, a coerência e a verdade (COTRIM, 1999, p. 91-92).
O que sugere a famosa frase de Heráclito, “é da luta que nasce a harmonia, como 
síntese dos contrários”? Que leitura você pode fazer de si e da sociedade a partir desta 
afirmação? Heráclito busca compreender a multiplicidade do real, para ele o ser é 
múltiplo por ser constituído de oposições internas.
NÓS QUEREMOS SABER!
A filosofia grega que sucede Heráclito e Parmênides acaba por vê-los como opostos. Esta 
oposição aparece claramente no diálogo platônico Sofista, no qual o filósofo ateniense 
mostra a impossibilidade de reduzir o ser ao movimento (como queriam, segundo Platão, 
os discípulos de Heráclito) ou ao repouso (como queriam os eleatas). Na realidade, Platão 
apresenta a oposição entre Heráclito e Parmênides para poder superá-la através de sua 
própria filosofia, algo que já fora tentado, antes dele, por Empédocles, Anaxágoras e 
Demócrito. Para saber mais não deixe de ler: “A OPOSIÇÃO ENTRE HERÁCLITO E 
PARMÊNIDES E SUA “RESOLUÇÃO” EM EMPÉDOCLES, ANAXÁGORAS E DEMÓCRITO”, do 
Prof. Nazareno Almeida, disponível no link: https://moodle.ufsc.br/pluginfile.php/1063272/
mod_resource/content/1/a%20oposi%c3%87%c3%83o%20entre%20her%c3%81clito%20
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14 Laureate- International Universities
Ebook - Filosofia
Demócrito de Abdera (460-370 a.C.) foi o responsável pelo desenvolvimento do atomismo. 
Segundo ele, todas as coisas são formadas por partículas invisíveis e indivisíveis, os átomos (a 
= negação em grego; tomo = divisível). 
 
Pitágoras (século V a.C.) concebeu o célebre Teorema de Pitágoras. Segundo ele, a essência 
das coisas reside nos números, porque a matemática representa a harmonia, a ordem. As 
contribuições de Pitágoras estão presentes na matemática, na música, na astronomia, mas 
também em uma série de crenças místicas relativas à imortalidade da alma, à reencarnação dos 
pecadores, etc.
Os pitagóricos também acreditavam que as relações numéricas se encontravam ilustradas 
e representadas, de forma paradigmática, na música. Eles realizaram, por exemplo, 
experimentos para determinar as relações numéricas entre a tensão e o comprimento 
de cordas instrumentais e a altura dos sons emitidos. Dentro desta visão de mundo, a 
harmonia musical e as relações musicais são entidades homogêneas. A matemática se 
transforma, assim, em Kepler, na chave para se ouvir a harmonia inaudível dos planetas 
(ALVES, 1990, p.75).
Sofistas – A palavra “sofista” significa “sábio” ou “professor da sabedoria”. Posteriormente, 
este termo passou a ser utilizado também de forma pejorativa. No senso comum, um “homem 
que utiliza sofismas” é alguém que empreende um raciocínio capcioso. Isso ocorreu porque 
os sofistas cobravam pelas suas aulas e foram acusados, por Sócrates, de “prostituição”. Na 
verdade, os sofistas eram professores viajantes, que vendiam seus ensinamentos e tinham por 
objetivo desenvolver o poder da argumentação. Os sofistas deram importantes contribuições 
para a organização do ensino, criando o currículo de estudos e desenvolvendo a gramática, a 
retórica, a dialética, a aritmética, a geometria, a astronomia e a música. Esta sistematização foi 
retomada na Idade Média.
Sócrates (470-399 a.C.) não deixou nada escrito e teve a sua filosofia divulgada por dois 
discípulos, Platão e Xenofonte. Podemos destacar as seguintes contribuições de Sócrates:
Ironia - Em grego, “ironizar” significa perguntar, interrogar. Sócrates interrogava seus discípulos 
sobre o que pensavam saber. O que é justiça? O que é poder? O que é coragem? O objetivo 
era levar o interlocutor às contradições e fazê-lo adquirir consciência da própria ignorância.
Maiêutica – Significa “dar à luz às ideias”. O objetivo de Sócrates, depois das discussões da 
Ironia, era incentivar os discípulos para que concebessem ideias próprias. Da mesma que a sua 
mãe, que era parteira, ajudava trazer as crianças ao mundo.
Figura 2: O Teorema de Pitágoras (571-495 a.C.) é uma relação matemática entre os comprimentos dos lados 
de qualquer triângulo retângulo. Fonte: www.shutterstock.com.br,2015
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O pensamento de Platão (428-347 a.C) pode ser ilustrado na alegoria do Mito da Caverna. 
Em uma enorme caverna escura, encontram-se homens desde a infância, que não conhecem a 
luz. Se algum desses homens consegue deixar a caverna e chegar ao mundo luminoso, pode sair 
do mundo da ilusão. Ele teria, evidentemente, que acostumar os seus olhos à claridade do real, 
contemplando paulatinamente um novo mundo.
Com esta alegoria, Platão explica a evolução do processo do conhecimento. Segundo o filósofo, 
o conhecimento, para ser autêntico, deve ultrapassar a esfera das impressões sensoriais. Podemos 
entrar no mundo das ideias através do conhecimento filosófico, racional. No mundo das ideias, 
encontramos com plenitude a beleza, a justiça, a bondade, a sabedoria, a coragem etc.
Aristóteles (384-322 a.C.) criou, em homenagem ao deus Apolo Lício, a sua própria escola 
filosófica, o Liceu. Sendo um grande apaixonado pela natureza, desenvolveu inúmeros estudos de 
biologia. Suas pesquisas acerca de temas diversos propiciaram uma visão científica da realidade, 
levando-o a desenvolver a Lógica, a parte da filosofia que trata das formas do pensamento 
em geral e das operações intelectuais que visam determinar o que é, de fato, verdadeiro. 
Para Aristóteles, observar a realidade é essencial para conhecê-la. Por isso, ele rejeita a teoria 
platônica, segundo a qual os dados transmitidos pelos sentidos não passam de distorções da 
realidade. O criador do Liceu afirma, por exemplo, que a observação nos leva à constatação da 
existência dos seres, e esta realidade é captada pelos sentidos.
Aristóteles foi o primeiro a estabelecer um método para a argumentação, para um bom 
pensamento. Além da Lógica, ele desenvolveu regras para distinguir os argumentos válidos dos 
mal construídos, chamados falácias ou sofismas.
Ao analisar o pensamento de Pitágoras, dos Sofistas e de Sócrates, você identifica 
contribuições para o mundo moderno? Quais são essas contribuições?
As contribuições vão da astronomia, a educação básica, da política à moral e ética. 
As linhas filosóficas apresentadas estão presentes na nossa língua e em muitos dos 
conceitos/conhecimentos que usamos no nosso dia-a-dia.
NÓS QUEREMOS SABER!
Como a Lógica de Aristóteles pode ser uma ferramenta para garantir menos esforço e 
mais êxito nos procedimentos do dia a dia, em sua vida pessoal e profissional? Como 
perceber e entender quando um argumento é falso?
NÓS QUEREMOS SABER!
16 Laureate- International Universities
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Legado de Aristóteles: sofismas e lógica!
O sofisma é a reflexãobaseada em argumentos falsos. Observe este diálogo cotidiano:
- Por que você não deixa de fumar? Não sabe que o cigarro faz mal à saúde?
- Isso é bobagem. Meu avô fumou a vida inteira e morreu com 87 anos. E tem mais, ele morreu 
em um acidente e não por causa do cigarro!
Esta resposta é um sofisma. Realmente, existem pessoas que fumam a vida inteira e morrem em 
decorrência de outros fatores, mas não é lógico concluir, a partir desses casos, que o cigarro não 
faz mal à saúde!
Figura 3: Aristóteles (384-322 a.C.) desenvolveu a Lógica e criou a sua própria escola filosófica, o Liceu. 
Fonte:www.shutterstock.com.br, 2015
17
Este desafio foi extraído de um livro de lógica e sua conclusão começa assim; são 2 (dois) 
guardas; um mentiroso (M) e um que só fala a verdade (V); se perguntássemos em qual cabana 
Masófis está?; o (M) mentiria e o (V) falaria a cabana certa; então este não é o caminho.
E se Totelesáris fizesse a seguinte pergunta a cada um deles:
“Se eu perguntasse ao seu colega qual a cabana de Masófis, o que ele responderia?”
Observe as respostas abaixo:
a) Se a pergunta fosse feita ao mentiroso ele pensaria: “(V) indicará a cabana correta, mas eu 
direi a cabana contraria, indicando a dos jacarés”.
b) Se a pergunta fosse feita ao guarda que só diz a verdade, ele indicaria a cabana que 
localizava os jacarés, pois (M) mentiria.
Com essa pergunta a qualquer um dos guardas, obteremos sempre uma única indicação: a 
cabana dos jacarés. E não será necessário saber qual está mentindo.
Um desafio para testar o seu pensamento lógico:
Segundo a tradição da tribo dos logicaetés, ao atingirem a idade adequada para o 
casamento, os homens devem submeter-se a uma prova de competência lógica. Somente 
os que superarem este obstáculo têm permissão para casar-se. A prova é sempre decisiva: 
vencê-la é a certeza da glória; perdê-la significa o fim das esperanças.
Totelesáris, um jovem índio desta tribo, caiu de amores pela bela Masófis. Desejando 
casar-se com ela, viu chegar a sua vez de enfrentar a prova pré-nupcial. A ele foi proposto 
o seguinte desafio:
“No meio da aldeia, há duas cabanas rigorosamente idênticas”. Dentro de uma delas o 
espera a bela Masófis. A outra, no entanto, apenas recobre o poço habitado por jacarés 
ferozes, capazes de devorar qualquer um que ultrapassar a entrada.
Cada cabana tem apenas uma porta, permanentemente fechada e vigiada por um índio, 
que conhece perfeitamente o conteúdo da cabana que vigia. 
Totelesáris deve escolher uma das cabanas e entrar: se encontrar sua amada, poderá 
casar-se com ela; se entrar na dos jacarés, será devorado instantaneamente. Antes de 
realizar sua escolha, ele terá permissão de fazer uma única pergunta ao índio que guarda 
a porta de uma das cabanas. 
Mas, Totelesáris deve ainda levar em conta outro pormenor: um dos guardas mente 
sempre, enquanto o outro, só fala a verdade.
Baseada na resposta de um desses guardas, Totelesáris deverá decidir-se por uma das 
cabanas.
Como ele deve proceder para não ser devorado pelos jacarés? 
(MACHADO, 1990, p.34-36). 
PRATIQUE!
18 Laureate- International Universities
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É lógico, então, que Totelesáris deverá entrar na outra cabana para encontrar sua Masófis.
Aristóteles define o homem como um ser racional, sendo a capacidade de pensar a essência 
humana: “(...) o que é próprio de cada coisa é, por natureza, o que há de melhor e de aprazível 
para ela. (...) Para o homem, a vida conforme a razão é a melhor e a mais aprazível, já que a 
razão, mais que qualquer outra coisa, é o homem. Donde se conclui que essa vida é também a 
mais feliz” (ARISTÓTELES, 1985, p.97).
Portanto, a felicidade consiste em viver de acordo com a razão, com a sua consciência reflexiva. 
Devemos dirigir a nossa vida segundo uma conduta ética. A razão nos leva à prática da virtude, 
isto é, ao meio-termo, ao equilíbrio entre os extremos. 
Ainda merecem destaques as seguintes escolas filosóficas, que surgiram na Grécia e influenciaram 
diferentes momentos históricos:
Estoicismo - É uma das grandes escolas filosóficas, fundada por Zenão por volta de 300 a.C. 
Os estóicos defendiam a total austeridade física e moral, demonstrando, assim, a resistência 
humana perante os males do mundo. Vimos este pensamento ser praticado principalmente na 
Idade Média, por membros da Igreja (Silícios, por exemplo). 
Os fundamentos do estoicismo são:
• Divisão da filosofia em três partes: a Lógica, a Física e a Ética;
• Concepção da Lógica como Dialética (ciência de raciocínios hipotéticos);
• O conceito de uma Razão divina que rege o mundo e todas as coisas, segundo uma origem 
perfeita;
• A doutrina segundo a qual o homem é guiado infalivelmente pela razão, assim como o animal 
é guiado infalivelmente pelo instinto. A razão fornece ao homem normas infalíveis de ação, que 
constituem o direito natural.
• Condenação total de todas as emoções e a exaltação da apatia como ideal do sábio.
Figura 4: Epicuro (342-271 a.C.) prega que os prazeres moderados permitem um estado de tranquilidade e de 
libertação do medo. Fonte: www.shutterstock.com.br
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Hedonismo – A escola filosófica fundada por Epicuro (342-271 a.C.) defende que, para ter 
uma conduta virtuosa, o homem deve buscar o prazer da vida. Desta maneira, estará no caminho 
do bem. A dor representa o mal e, por isso, devemos sempre procurar o prazer e fugir da dor.
Pirronismo – Escola filosófica de Pirro de Élida (365-275 a.C.). Segundo essa escola, não há 
conhecimento seguro, tudo é incerto. A vida deve ser vivida da maneira como é captada pelos 
sentidos.
É necessário destacar também a importância de dois grandes filósofos e teólogos da Idade Média: 
Santo Agostinho (354-430) e Santo Tomás de Aquino (1226-1274). Esses dois pensadores foram 
responsáveis pelo resgate dos pensamentos de Platão e Aristóteles.
Santo Agostinho teve influências do Maniqueísmo, seita persa que afirmava que o universo é 
dominado por dois princípios opostos: o bem e o mal, que mantém uma luta constante entre si.
Ele abandonou o maniqueísmo e aderiu ao Neoplatonismo, cuja característica na época era o 
Ceticismo, doutrina filosófica baseada na dúvida sistemática e na renúncia a qualquer certeza. 
Defendeu a superioridade da alma sobre o corpo, logo, a submissão do espírito à matéria. Ser 
livre é servir a Deus.
Santo Tomás de Aquino cristianizou Aristóteles. No pensamento de Aristóteles, buscou elementos 
racionais para explicar os principais aspectos da fé cristã. A partir do pensamento do filósofo 
grego, Aquino levantou cinco provas da existência de Deus:
1. O primeiro motor - Tudo o que se move é movido por outro ser até chegar ao primeiro 
movente, que é Deus.
2. A causa eficiente - Todas as coisas possuem uma causa eficiente. Portanto, também é 
preciso admitir a existência de uma primeira causa eficiente, responsável pelos seus efeitos.
3. Ser necessário e ser contingente - Todas as coisas que existem, podem deixar de existir. 
É necessário admitir a existência de uma primeira causa eficiente, que é Deus.
4. Os graus de perfeição - No mundo, existem diferentes graus de perfeição, mais ou menos 
determinados. Assim, deve existir alguém totalmente perfeito, o criador destas perfeições. Este 
ser é Deus.
5. A finalidade do ser - Todos os seres e as coisas brutas têm uma função. Portanto, deve ter 
alguém que dirige todas as coisas da natureza (COTRIM, 1999, p.135-136).
Santo Tomás de Aquino enfatiza a importância da realidade sensorial. No processo do 
conhecimento da realidade, ele destaca os seguintes princípios:
• Princípio da contradição - O ser é ou não é. Não existe nada que possa ser e não ser ao 
mesmo tempo e sob o mesmo ponto de vista;
• Princípio da substância - Nos seres, há a essência e o acidente. A essência é o elemento 
que define uma coisa ou um ser. O acidente é uma qualidade não essencial. Qual é a essência 
de uma árvore? E o acidente de uma árvore? Posso cortar os galhos de uma árvore e, mesmo 
assim, ela continuará árvore.Mas, e se eu cortar o seu tronco?
• Princípio da causa eficiente - Todos os seres que captamos pelos sentidos são seres 
contingentes, porque dependem de outro ser. Portanto, para existir, o ser contingente depende de 
outro ser, que representa a sua causa eficiente. Este outro ser é chamado de Ser necessário. 
• Princípio da finalidade - Todo ser contingente existe em função de uma finalidade, tem 
uma razão de ser.
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• Princípio do ato e da potência - Todo ser contingente possui estes dois princípios. O ato é 
a existência atual do ser. A potência representa a capacidade real de ser, de mudar. “A mudança 
é explicada pela passagem da potência para o ato” (COTRIM, 1999, p.134) .
A Filosofia, como conhecemos, teve origem na Grécia Antiga como resultado de uma 
intensa mudança de pensamento. Para saber mais sobre a origem da filosofia e a 
civilização grega, não deixe de ler o: PINSENT, John Prisma. Mitos e Lendas da Grécia 
Antiga. São Paulo: Melhoramentos Edusp, 1976.
NÃO DEIXE DE LER...
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Neste capítulo, foi destacada a diferença entre NATUREZA e CULTURA.
Observe que NATUREZA é tudo o que existe independente da ação do HOMEM e CULTURA é a 
transformação da NATUREZA realizada pelo homem.
O homem cria o seu mundo, transformando a natureza.
Você viu que o comportamento animal é instintivo, não criativo e o homem é um ser investigativo 
e quer compreender a si e ao mundo. Afasta-se das interpretações míticas e encontra na razão, 
cujo instrumento é a Filosofia, um caminho para as suas investigações – a busca dos porquês.
O homem cria um método investigativo rigoroso, com fundamento racional, que permite a 
compreensão e o entendimento dos seus propósitos, este caminho investigativo é iniciado pelos 
filósofos gregos, capazes de ampliar o conhecimento do mundo e do homem.
SínteseSíntese
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Ebook - Filosofia
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins Fontes, 1970.
ADORNO, Theodor W.; HORKHEIMER Max. Dialética do conhecimento. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar, 1985.
ALVES, Rubem. Filosofia da Ciência – introdução ao jogo e suas regras. 13ª ed. São 
Paulo: Editora Brasiliense,1990.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; PIRES, M. Helena. Filosofando -Introdução à Filosofia. 
2ª ed. São Paulo: Moderna, 1993.
ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. Brasília: Editora de Brasília, 1985.
BECKER, Idel. Pequena História da Civilização Ocidental. São Paulo: Companhia 
Nacional,1985.
CHAUI, Marilena. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1994.
COTRIM, Gilberto. Fundamentos da Filosofia – Ser, Saber e Fazer. São Paulo: Saraiva, 
1999.
MACHADO, Nilson José. Lógica? É Lógico!. São Paulo: Editora Scipione, 1990.
SAVIANI, Dermeval. Educação: do senso comum à consciência filosófica. São Paulo: 
Cortez Editora: Autores Associados, 1984. 
ReferênciasBibliográficas
Referências
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