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LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO PROF. ME. MARCO ANTÔNIO SENA DE SOUZA Reitor: Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira Pró-Reitoria Acadêmica Maria Albertina Ferreira do Nascimento Diretoria EAD: Prof.a Dra. Gisele Caroline Novakowski PRODUÇÃO DE MATERIAIS Diagramação: Alan Michel Bariani Thiago Bruno Peraro Revisão Textual: Fernando Sachetti Bomfim Marta Yumi Ando Simone Barbosa Produção Audiovisual: Adriano Vieira Marques Márcio Alexandre Júnior Lara Osmar da Conceição Calisto Gestão de Produção: Cristiane Alves © Direitos reservados à UNINGÁ - Reprodução Proibida. - Rodovia PR 317 (Av. Morangueira), n° 6114 Prezado (a) Acadêmico (a), bem-vindo (a) à UNINGÁ – Centro Universitário Ingá. Primeiramente, deixo uma frase de Sócrates para reflexão: “a vida sem desafios não vale a pena ser vivida.” Cada um de nós tem uma grande responsabilidade sobre as escolhas que fazemos, e essas nos guiarão por toda a vida acadêmica e profissional, refletindo diretamente em nossa vida pessoal e em nossas relações com a sociedade. Hoje em dia, essa sociedade é exigente e busca por tecnologia, informação e conhecimento advindos de profissionais que possuam novas habilidades para liderança e sobrevivência no mercado de trabalho. De fato, a tecnologia e a comunicação têm nos aproximado cada vez mais de pessoas, diminuindo distâncias, rompendo fronteiras e nos proporcionando momentos inesquecíveis. Assim, a UNINGÁ se dispõe, através do Ensino a Distância, a proporcionar um ensino de qualidade, capaz de formar cidadãos integrantes de uma sociedade justa, preparados para o mercado de trabalho, como planejadores e líderes atuantes. Que esta nova caminhada lhes traga muita experiência, conhecimento e sucesso. Prof. Me. Ricardo Benedito de Oliveira REITOR 33WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 01 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ................................................................................................................................................................4 1. HISTÓRIA E CONCEITUAÇÃO DA LOGÍSTICA ........................................................................................................5 1.1 IMPORTÂNCIA DA LOGÍSTICA ...............................................................................................................................5 1.1.1 A LOGÍSTICA E O COMÉRCIO ELETRÔNICO .......................................................................................................8 1.2 HISTÓRIA E CONCEITUAÇÃO DA LOGÍSTICA ......................................................................................................9 1.2.1 UM POUCO DE HISTÓRIA DA LOGÍSTICA ......................................................................................................... 12 1.2.2 LOGÍSTICA NA CONTEMPORANEIDADE .......................................................................................................... 15 2. A LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO ........................................................................................................................... 16 2.1 LOGÍSTICA OUTBOUND E INBOUND .................................................................................................................... 18 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................................................................................22 BASES CONCEITUAIS SOBRE A LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO PROF. ME. MARCO ANTÔNIO SENA DE SOUZA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 4WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Entre os dias 21 e 31 de maio de 2018, uma greve da categoria dos caminhoneiros conseguiu paralisar por 11 dias a economia brasileira, impactando a distribuição de vários tipos de produtos e serviços em todo o território nacional, causando, por decorrência, prejuízos consideráveis nos mais diferentes setores produtivos. Também outra brutal redução de operações comerciais se iniciou em todo território brasileiro. Tal medida fora decretada por vários governadores em meados do mês de março de 2020 como uma das medidas de enfrentamento da epidemia do coronavírus, em seus respectivos Estados. Dentre as várias lições aprendidas com esses eventos, de fato, ele conseguiu fazer com que as autoridades e a sociedade em geral constatassem a falta de um olhar preocupado com os problemas do transporte. Mais recentemente, o temor em relação ao coronavírus impactou o setor de turismo de muitos países, cancelamento de megaeventos, viagens de negócios, comprometimento da logística de abastecimento de cadeias de suprimentos dos países, dentre outros impactos relacionados à área. A discussão sobre a falta de produtos em ambos os casos demonstra um cenário onde os personagens desempenham um papel dentro do ambiente ainda desconhecido, que é a logística. A logística envolve uma série de ações, desde a aquisição de atacadistas e fornecedores até a fabricação, armazenamento e entrega aos clientes de produtos e matérias-primas. É imperativo que todo empresário tenha um forte entendimento de seus sistemas de logística para garantir que ele esteja maximizando os lucros e seja capaz de oferecer aos clientes a experiência mais positiva possível. Assim, a gestão da logística leva em conta a ideia de que ela afeta as empresas a obter uma eficiência na relação fornecedor/cliente e, dessa forma, ajuda empresas a crescerem em seus mercados e vendas, e constroem fortes relações com seus clientes. Nesse primeiro módulo, estudaremos o conceito e a evolução da logística, lembrando que você deve buscar alinhar a teoria e a prática para privilegiar o melhor aprendizado das principais ideias sobre o tema “logística”, que, por sua vez, devem resultar no conhecimento e desenvolvimento de um futuro profissional. Bons estudos!!! 5WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. HISTÓRIA E CONCEITUAÇÃO DA LOGÍSTICA 1.1 Importância da Logística Concentre-se no fato de que você acabou de fazer a aquisição de um produto pela internet (comércio eletrônico). Para o momento, entenderemos que nada de excepcional há nessa operação, nem na operação de pagamento desse produto. Porém, vamos dar o destaque devido ao processo de como fazer esse produto chegar até você. Sejamos mais ambiciosos ainda e pensemos na situação desde o processo de obtenção da matéria-prima até a chegada do produto a suas mãos. Ao se perguntar sobre o porquê você faria isso, e arriscando fazê-lo, você simplesmente estará entrando no coração da logística. Em um primeiro momento, atenha-se ao fato de que há uma complexidade envolvida no processo de deslocar mercadorias, envolvendo, para isso, por exemplo, conhecimentos sobre gestão, economia, engenharia, geografia, e de várias ferramentas computacionais, para que todo o sistema de deslocamento não falhe, dado que há condicionantes como aspectos jurídicos envolvidos, bem como prazos estabelecidos. Que tal os desafios de como levar um rinoceronte- negro da República Checa para a Tanzânia; aspargos frescos do Peru para as mesas de requintados restaurantes brasileiros; e que tal lidar com a logística humanitária em desastres naturais? Você terá de reunir grandes capacidades e habilidades para esses e para tantos outros eventos que envolvem uma complexidade na gestão logística. O mundo contemporâneo é marcado pela agressividade concorrencial entre empresas, envolvendo muita criatividade em explorar novas oportunidades. No entanto, também há uma busca incessante e crescente em dar maior satisfação para empresas e clientes. Para isso, um serviço altamente valorizado e especializado será desenvolvido para gerar uma dinâmica distintiva na relação empresa/cliente. As mercadorias comercializadas terão de chegar a seus destinos, tendo sido asseguradas suas características e aspectos contratuais, lembrando que a concorrência aque nos referimos é global, e mais e mais empresas de variados portes ingressam nesse mercado. Segundo a Federação Internacional da Cruz Vermelha, a Logística humanitária consiste em um conjunto de processos e sistemas envolvidos na mobilização de pessoas, recursos e conhecimento para ajudar comunidades vulneráveis, afetadas por desastres naturais ou emergências complexas. Ela busca à pronta resposta, visando a atender o maior número de pessoas, evitar falta e desperdício, organizar as diversas doações que são recebidas nesses casos e, principalmente, atuar dentro de um orçamento limitado. 6WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Por conta desse imenso mercado e o desenvolvimento de tecnologias, chegamos a um nível em que concorremos com produtos de outros países. E nisso lhe pergunto: será que você não tem nenhum produto de origem chinesa em sua residência? Sem nos darmos conta, estamos utilizando lápis de escrever de origem alemã, camisetas de origem cambojana e até mesmo cabelos naturais para aumento do comprimento e volume nos cabelos de homens e mulheres, e que foram importados pela Índia. A Suíça não possui clima para plantar cacau, mas seus chocolates estão presentes em vários Duty Frees nos mais variados aeroportos internacionais, inclusive no Brasil. A Alemanha também não produz café, mas possui várias marcas de cafés comercializadas no mercado internacional. Estando por lá, peça um Schwarzkaffee (café preto), mas, a menos que você seja um(a) degustador(a) profissional, não saberá se esse café é brasileiro ou colombiano. Também em Apucarana – PR, conhecida como terra do boné, as empresas têm de concorrer com os bonés de origem chinesa que, por sua vez, também estão disponíveis nas várias cidades brasileiras. Realidades como essas nos inspiram a muitas outras discussões, mas novamente nos indagamos: como esses produtos chegam até o consumidor? Por fim, sendo algo comum a todos nós, fazer compras em um supermercado nos estimula a pensar no quanto a logística é uma parte indispensável das empresas fornecedoras, conferindo a elas competitividade e economia de custos, mas isso se efetivamente houver profissionais capacitados. É por isso que estudar logística implica habilidades necessárias para um profissional que irão muito além da visão limitada de simples deslocamentos de produtos de uma localidade a outra. Envolverá o controle de estoque da cadeia de distribuição, a colaboração do sistema de compras no plano estratégico da empresa, gerenciamento de bens intrínsecos através dos processos de armazenagem, lista das metas a serem alcançadas observando os processos de expedição e transporte, tomada de decisões sobre aspectos específicos de logística, como por exemplo, logística de hospitais, logística reversa, logística inbound/onbound; gestão financeira e planejamento logístico nacional e internacional. Ufa!!! São muitos aspectos e esteja certo de que tem muito mais a se explorar. Observe, no entanto, que tudo na logística afeta os resultados empresariais. Isso inclui deterioração, custos de combustível, taxas de remessa, armazenamento e qualquer outra coisa envolvida no trânsito do produto ao seu cliente. Se você pode reduzir a deterioração do produto ou reduzir os custos de logística, economizará dinheiro e aumentará suas margens de lucro. A lógica é muito simples, mas não o será se não houver uma profissionalização nesse sentido. Para Pozo (2019), a grande importância da logística é gerar um valor comprador para o cliente e um valor estratégico para a empresa. Antecipando ou melhor compreendendo as demandas e expectativas dos clientes, a empresa consegue se posicionar estrategicamente tendo a logística como uma ferramenta ou uma finalidade organizacional. E como você pode compreender, a logística transcende aquela visão imediatista e equivocada de ser tão somente um instrumento de movimentação de mercadorias. Ela está ligada ao gerenciamento de estoques e equilíbrio entre oferta e a demanda por produtos, também está presente na relação entre países, respeitando suas leis e tratados, bem como está desenvolvendo seus serviços para atendimento dos mercados e da satisfação dos clientes. 7WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA É importante, também, observarmos que, por conta do desenvolvimento das operações das empresas na melhoria de seus processos e atividades, essas demandam um perfil de profissionais cujas atribuições são as seguintes para o atual profissional de logística: • Formação profissional e cursos de especialização na área em que deseja atuar. • Capacidade de interagir com os mais variados níveis hierárquicos das organizações. • Ser uma pessoa que saiba trabalhar em equipe. • Possuir proatividade, não esperando que seja cobrado pelas suas tarefas, e multifuncionalidade, adaptando-se a outras funções correlatas sempre que necessário. • Vontade de aprender e crescer, responsabilidade e, principalmente, cumplicidade com o trabalho e com a organização, fidelidade não à chefia, mas à empresa e seus objetivos. • Conhecimento de tecnologias da informação que proporcione maior performance e rendimento aos processos logísticos. • Possuir resiliência para ser capaz de vencer as dificuldades e obstáculos, por mais fortes e traumáticos que eles sejam. • Possuir inteligência emocional para ter a capacidade de manipular as emoções de forma que elas trabalhem a favor e o conduzam mais próximo de seus objetivos. • Saber onde se deseja chegar, sempre respeitando o próximo e a si mesmo. De fato, as habilidades mais demandadas para a maioria das ocupações deve mudar com o advento da chamada Quarta Revolução Industrial, que corresponde à aplicação da robótica avançada, inteligência artificial e a automação dos processos. Vídeo comercial da Temp Log, intitulado Revolução Logística – veja os últimos 20 anos. Como item complementar, o vídeo traz um conceito aproximado ao conteúdo explicado até aqui, e que pode lhe descortinar uma nova visão sobre a logística. TEMP LOG. Revolução Logística – veja os últimos 20 anos, 2019. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=7PalRl6Ld9k . Acesso em: 14 abr. 2020. Logística 4.0, no sentido mais restrito, implica a criação de redes e a integração de processos logísticos dentro e fora das empresas comerciais e instalações de produção, até o controle descentralizado em tempo real das redes logísticas. As soluções incluem os sistemas ciberfísicos, que consistem em sistemas embarcados interconectados via redes de comunicação ou componentes como dispositivos com inteligência autônoma e recursos de tomada de decisão, como câmeras, detectores e carros autônomos. https://www.youtube.com/watch?v=7PalRl6Ld9k 8WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.1.1 A logística e o comércio eletrônico Estão se tornando muito comuns as compras em plataformas eletrônicas. Compras feitas na internet envolvem produtos de interesse e uma superplataforma de transações eletrônicas, mas se não houver meios de pagamento adequados aos clientes e um sistema de entrega satisfatório, o fracasso é iminente. Clientes que tenham uma boa experiência de compras em sites de vendas podem não se importar com a forma de como se fabrica o seu produto, mas com certeza o tem com o fato do prazo com que irão ter seus produtos entregues, sobretudo nas condições estabelecidas ou pactuadas. Portanto, esse é um grande problema para os fornecedores online. Quando sua logística não consegue preparar pedidos rapidamente para entrega, remessa ou entrega, o cliente fica esperando e provavelmente pode até estar comprando em outro site. Melhorar a experiência do cliente pode ser conseguido através do processo de automatização de muitas etapas de quem trabalha nessas organizações, incluindo o controle de estoque,o controle da sanidade ou condições físicas do produto, ou ainda se o mesmo está de acordo com as especificações técnicas envolvidas. Também em relação aos clientes, é importante fornecer constantemente atualizações e feedback a eles, o que lhes dá uma sensação de maior confiança no serviço prestado (TURCHI, 2019). O envio de números de rastreamento de entrega para que esse cliente acompanhe em tempo real o pedido formulado faz parte da moderna prestação de serviço. Importa lembrar que, segundo o Código de Defesa do Consumidor (Lei n° 8.078/90), o cliente comprador tem o direito de arrependimento em sua compra online no prazo de sete dias, em que esse passando a desistir da operação de compra não precisará explicar o motivo. Observe aqui o contexto que está relacionado à logística, dado que a devolução de compras feitas aos fornecedores dessa mercadoria envolverá uma operação cujo fluxo de etapas é invertido, ou seja, a mercadoria partirá do cliente em direção ao fornecedor. Percebe a dimensão que a logística começa a assumir? De fato, a dedicação e o aperfeiçoamento de profissionais da logística são necessários para lidar com esses desafios também, pois, por exemplo, no momento em que você faz a leitura desse texto, um gigantesco número de operações de compra de produtos pelos sites está sendo feito ao redor do mundo. E a lógica permanece igual: as empresas estarão acionando seus processos produtivos no sentido de fazer chegar ao cliente o produto solicitado, no tempo certo e com as características certas. Por outro lado, conforme citado anteriormente, muitos serão aqueles que estarão desistindo da sua intenção de compra, exigindo novos esforços das empresas envolvidas com a logística para o retorno dos produtos aos fornecedores. Da sua atuação no sistema de logístico de sua organização, um conjunto de atividades serão desenvolvidas para superar as barreiras no espaço e no tempo que possam ocorrer no período da Black Friday, ou no transporte e armazenamento dos veículos do circuito da Fórmula 1, como também na movimentação dos 19.224 contêineres que cabem no maior navio do mundo. 9WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Portanto, a logística vai lidar com o fluxo de armazenamento de mercadorias, como o desempenho de serviços, com terceirização, com o fluxo de informações dentro e fora das organizações nas mais diversas circunstâncias. 1.2 História e Conceituação da Logística Como dissemos preliminarmente, a logística pode ser definida como o conjunto de atividades e processos necessários para garantir a entrega da mercadoria ao seu cliente final. Envolve as atividades que garantem a entrega da mercadoria ao cliente, isto é, o processo de transporte de mercadorias do local de produção para o ponto em que o produto é comercializado ou entregue ao consumidor final. Mas ampliando a visão sobre esse importante segmento empresarial, e diante dos exemplos apresentados, veremos que a logística é um processo de coordenação e movimentação de recursos, como o de equipamentos, alimentos, líquidos (combustíveis, por exemplo), inventários, materiais de um local a outro onde se processará o armazenamento até o destino desejado desses itens. Um fluxo de materiais e informações percorre ao longo da cadeia de suprimentos (supply chain), funcionando como pontes entre fornecedores e clientes como veremos mais à frente. A Black Friday é uma das principais datas para os lojistas online em que, além de haver grande possibilidade de aumentar os rendimentos de micro e pequenas empresas, é uma época em que os Correios e transportadoras estão sobrecarregados, e os atrasos são frequentes. Segundo levantamento da Agência Brasil, em 2019, dos 1500 consumidores entrevistados no país, 76% entendem que essa é uma data de evento de preço, cuja atratividade pelo valor das mercadorias é um atributo reconhecido por 53% dos entrevistados, estando os homens (na média) dispostos, naquele ano, a gastar R$741,00 e as mulheres R$325,00. Vamos fazer um fechamento desse tópico, lidando com a questão da terceirização dentro do e-commerce. Uma palestra voltada para lojistas do mercado digital com uma empreendedora que faz a ligação da evolução da logística com a nova tendência chamada Fulfillment. LOGÍSTICA FULFILLMENT. Fulfiment – a evolução logística, 2018. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=mIpqwGOmQ0M . Acesso em: 14 abr. 2020. 10WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Tais afirmações apresentam clara relação com o conceito formulado pela principal entidade internacional que reúne profissionais na área da gestão logística de quase todos os setores da indústria, governo e universidades, que é o Council of Supply Chain Management Professional – “Conselho de profissionais de Supply Chain”, que diz que: a logística é o processo de planejar, implementar e controlar, eficientemente, o custo correto, o fluxo e armazenagem de matérias-primas, estoques durante a produção e produtos acabados, e as informações relativas a esta atividade, desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o propósito de atender aos requisitos do cliente. Considerando o significado do termo “conceito” ser uma “ideia, juízo ou opinião”, podemos observar que o conceito apresentado nos traz muitas opções para outras reflexões. Por exemplo, os proprietários de empresas que não têm uma boa noção de logística geralmente lutam para entender por que o roubo, a deterioração e as perdas por movimentação de mercadorias são altas em relação aos números do estoque. O estoque no fundo é um recurso que não está efetivamente sendo utilizado, mas potencialmente pode gerar mais recursos financeiros à empresa. Em outra situação, se o proprietário de uma empresa sabe que deve levar dois dias para levar um produto de um lado do país a outro, mas está levando três, ele precisará enfrentar e corrigir o problema junto ao fornecedor ou mesmo substituí-lo por um novo (GIACOMELLI; PIRES, 2016). Também é uma questão de a logística optar por ter muito estoque disponível. São decisões que envolvem riscos, pois, se ocorrer um incêndio no armazém, perdas consideráveis podem ter efeitos em curto, médio e longo prazos na confiança do consumidor. Os pedidos existentes resultariam atrasos no cumprimento e novos pedidos não teriam continuidade. A base de clientes pode pensar que a empresa não poderá mais atender aos pedidos se o problema persistir por um período de tempo muito prolongado. Além disso, os custos de seguro e o tratamento de sinistros são por demais impactantes, pois muitas empresas têm um seguro insuficiente quando se trata de inventário (bens e materiais disponíveis em estoque). Outra realidade é a de que há muitos caminhões trafegando nesse país sem que a carga esteja segurada. Sabemos que há uma questão de custos associada, mas pense nos riscos envolvidos novamente. As empresas precisam ter fornecedores confiáveis para garantir que não precisem absorver os custos e riscos do armazenamento, mantendo sob seu controle o excesso de estoque de produtos. Para que você possa ir lidando com essas possibilidades, com tomadas variadas de decisão, precisamos que compreenda que, nesse contexto, teremos as operações logísticas mantidas pela execução de três atividades logísticas primárias, que são fundamentais ao processo logístico. Segundo Ballou (2001 apud BLOCK et al., 2017), essas são: 1. Transporte – responsável pela obtenção de mercadorias, movimentação de matérias- primas e produtos para fornecedores e clientes, mas é responsável por 1/3 a 2/3 dos custos logísticos. 2. Estrutura e manutenção de estoques – responsável pela disponibilidade de produtos à demanda de clientes, exercendo efeito “amortecedor” entre oferta e demanda de produtos. 3. Processamento de pedidos – responsável pela dinâmica das atividades logísticas com o recebimentodo pedido, localização no estoque, armazenagem, separação e despacho desses itens aos clientes via transporte. Demais atividades indispensáveis às atividades primárias são denominadas de atividades logísticas de apoio, que incluem atividades de manuseio de materiais, embalagem de proteção dos produtos, obtenção, programação de produtos e manutenção de informações. Essas atividades ditas “primárias” não podem faltar, aliás, não há sentido ou propósito logístico sem elas. Elas ajudam no desenvolvimento dos objetivos logísticos, mas são apresentadas dessa forma para que, com esse entendimento, você elabore no ambiente de logística a estratégia pertinente a cada caso e que, notadamente, começa com o entendimento das atividades primárias, transcendendo imediatamente às atividades de apoio. 11WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Ainda que lhe sejam estimulantes os desafios a serem assumidos e que possam ser vislumbrados nos conceitos apresentados, vamos deixar mais interessantes, nessa parte introdutória, alguns outros problemas concretos que devem corroborar com suas análises e soluções eficazes, o que é esperado de você na qualidade de profissional dessa área. Vejamos: • Desenvolvimento Tecnológico – no trânsito de mercadorias dentro de um armazém, pode ocorrer do uso de novas tecnologias. O custo da adaptação às novas tecnologias usadas na cadeia de suprimentos é alto, mas é um requisito para sobreviver no setor competitivo. Algumas dessas tecnologias incluem identificação por radiofrequência para código de barras e escaneamento (RFID), tecnologia de comunicação como intercâmbio eletrônico de dados (EDI), GPS e tecnologia de manuseio de materiais. Provavelmente, você já tenha ouvido falar de entregas utilizando drones nos Estados Unidos. É uma inovação que chegará em breve. • Lógica reversa – é exigida por todos os negócios de comércio eletrônico. Como dissemos anteriormente, os clientes precisam de uma maneira de devolver os itens que compraram, caso estejam insatisfeitos, e esse processo precisa ser executado sem problemas. Uma estratégia de logística reversa pode ser desafiadora e dispendiosa, sem o suporte certo. Processar as devoluções de produtos em tempo hábil para satisfazer seus clientes pode incluir reembalar itens não utilizados para revenda ou pode incluir reformar itens a serem vendidos a um preço com desconto. Importa lembrar que a legislação ambiental do país é considerada uma das mais sofisticadas do mundo, porém atender a seus requisitos implica grande poder de visão. Aprofundaremos essa temática mais à frente. • Infraestrutura das estradas e segurança – Uma coisa é você trafegar por uma rodovia como no trecho Campinas-SP a Jacareí (SP-065 e SP-340), considerada, na pesquisa CNT/2019 (23ª Pesquisa Rodoviária da Confederação Nacional do Transporte), a melhor rodovia do país nessa ligação, e que está entre aquelas de menor índice de violência no trânsito. Outra coisa é você interligar transportadores de carnes da região sul para a região norte, que chegam a percorrer mais de 3823 km ou mais de 66h no trecho São Paulo-Manaus. Muitos riscos estão associados, mas o destaque está na qualidade dos pavimentos asfálticos das estradas, sinalização, pontos de apoio, pontos de fiscalização presentes ao longo de uma rota. No cenário atual de recuperação da economia global, a logística desempenha um papel fundamental na facilitação do comércio e, por extensão, na garantia do sucesso das operações comerciais. No entanto, mudanças nas demandas dos consumidores, modelos de negócios complexos, demandas crescentes dos clientes e tratamento específico para cada um, são apenas alguns dos principais fatores que caracterizam as relações de mercado com o gerenciamento de logística. Então, como o gerenciamento de logística pode personalizar um serviço convencionalmente padrão? Esse talvez seja o principal desafio que a indústria vem enfrentando nos últimos anos, dentre outros, aos quais você tem convite garantido para participar. 12WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.2.1 Um pouco de história da logística Para compreendermos as origens da logística, temos de nos voltar para a Grécia antiga, onde a palavra “logos” tinha um significado de razão/proporção. Decorreu uma evolução com essa palavra, surgindo então o termo logistiki que podia ser traduzido essencialmente por organização financeira. Agora, estamos em uma França napoleônica, onde os meios comuns de absorção de palavras ocorrem. Agora, logistiki se torna loger, compreendido como alojamento, mas logo assumiu o significado de transporte, abastecimento e alojamento de tropas. Já na Inglaterra, o termo Logistics irá ter significado por volta do século XVII. Não se pretende aqui com essa explicação que você tenha de se prender a uma informação sobre a evolução propriamente da palavra logística, mas sim de que, originalmente, como um termo militar usado para descrever como a força militar obtinha, armazenava e movia equipamentos e suprimentos, ele evoluiu acompanhando a dinâmica das atividades militares, porém, adaptadas ao conceito empresarial. Portanto, e de fato, os primeiros “logísticos” foram oficiais militares gregos cujo trabalho era garantir que alimentos, armas e suprimentos médicos chegassem ao lugar certo, na hora certa sob um planejamento ajustado às necessidades do momento futuro. A etimologia da palavra “logística”, cujo conceito apresentado anteriormente sobre o contexto de logística, versa sobre o gerenciamento do fluxo de coisas entre o ponto de origem e o consumo é feito para atender aos requisitos de consumidores ou corporações. Fixado o conceito, perceba, então, e volte seu olhar novamente para a importância da logística no mundo moderno. São muitos detalhes que fazem total diferença nos resultados das empresas, ou mesmo para você no seu cotidiano. Nas refeições que você faz, nos deslocamentos que você tem de fazer na sua cidade ou localidade, e até mesmo nas comunicações que você precisa estabelecer. Como sugestão de vídeo, poderemos apreciar a condição prática da logística na Primeira Guerra Mundial. Perceba a importância da logística avaliando as dificuldades das tropas portuguesas que não contaram com a eficiência logística como suporte de operações. DEFESA NACIONAL. Postal da Grande Guerra: partidas e logística. 2017. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=QDVdL9Pnc7k . Acesso em 12 mar.2020. Também é interessante avaliar uma parte da logística militar brasileira através da narrativa de um oficial que explana como é o funcionamento e peculiaridades da logística do exército. EXÉRCITO BRASILEIRO. A logística de uma operação militar. 2019. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sQkMmniIxLk . Acesso em: 12 mar. 2020. 13WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O mundo “respira e transpira” logística. Para além dos itens responsáveis pela dinâmica da logística dos recursos, ela envolverá também a integração de produção, embalagem, segurança de transporte, manuseio de materiais e fluxo de informações, itens considerados atividades de apoio. No entanto, logístico é eminentemente um termo militar; portanto, as primeiras aplicações foram em áreas militares. A principal importância da palavra foi entendida e aplicada durante a Segunda Guerra Mundial e depois passou a ser vista e também aplicada como um assunto científico (GIACOMELLI; PIRES, 2016). Antes, porém, vários são os pontos na história que consolidam as posições teóricas práticas da importância da logística. De fato, a humanidade sempre necessitou transportar itens de um local para outro, e logo o desenvolvimento adveio na medida em que melhores equipamentos e recursos ajudavam a obter mais itens para mais locais com menores esforços. Os avanços na tecnologianos permitiram levar esses itens muito mais rápido e distante. Imagine a construção das pirâmides do Egito antigo há quase 5.000 anos. Ainda que não fosse conhecida como tal, a logística utilizada nessa extraordinária edificação desempenhou um papel imprescindível. Estima-se que egípcios trabalharam ao longo de 20 anos para erguer tais monumentos, entre corte de blocos que pesavam em média 2,5 toneladas, apesar de que foram encontradas pedras gigantes estimadas em até 80 toneladas. Apesar de haver rochas calcárias próximas a essas edificações, de fato, os registros demonstram que alguns blocos vinham de até 800 quilômetros de distância do ponto onde seriam utilizados. Na verdade, não há um consenso sobre como os blocos gigantes foram transportados, mas, de toda forma, tal complexidade encontrou uma solução brilhante de cunho logístico. A pirâmide de Gizé tem 146 metros de altura e pesa 6 milhões de toneladas, e explicações sobre como um nível de precisão foi obtido naquela época (entre 2700 a.C. e 2300 a.C.) contrasta com os meios de transportes que auxiliavam nessa façanha, mas que viriam com esse sucesso ditar aspectos na fundação do comércio internacional com o uso dos navios de remos gregos. Agora, em um salto no tempo, imagine-se observando de perto o deslocamento das tropas de Alexandre o Grande, da Macedônia (356 a.C. a 323 a.C.). Imagine as campanhas junto a um exército de 35.000 homens que marchavam em média 32 quilômetros por dia, alcançando feitos como o percurso de 6.400 km do Egito à Pérsia e Índia sabendo que para isso um enorme suprimento logístico se faria necessário para essa empreitada. Como profissionais, deixaremos de lado as conquistas feitas, mas exaltaremos os feitos logísticos para um exército considerado o mais rápido em deslocamento para sua época. Também, outro feito anterior a Alexandre o Grande ocorreu em 481 a.C., no deslocamento das tropas de Xerxes na expedição de encontro aos gregos, onde cerca de 3.000 navios foram utilizados. Posterior a Alexandre o Grande, houve, em 218 a.C., a guerra entre Cartago e Roma (Segunda Guerra Púnica), onde o general Aníbal utilizou elefantes para o transporte de 60.000 homens e suprimentos na travessia dos Pirineus em direção à Itália. Um feito considerado extraordinário. A trajetória humana está repleta de feitos similares a esses, mas vamos a mais um salto na história, e veremos que, por volta de 1500, já havia um serviço postal na Europa com tempos de trânsito para a entrega postal, estritamente definidos. Cartas eram entregues em lugares como Paris, cidades da Espanha e a corte imperial de Viena. Esse correio atingia seu destino com muito pouco atraso. Por volta de 1800, o uso prático do motor a vapor, a invenção de veículos, ferrovias e navios, bem como a descoberta de petróleo bruto inauguraram uma nova era econômica que gerou novas missões, ferramentas e oportunidades para a logística. Mas o destaque vai para as locomotivas inglesas e americanas que começaram a deslocar mercadorias e passageiros em meados das décadas de 1820 e 1830. As máquinas, com o passar do tempo, evoluíam e se adaptavam melhor às curvas e desenvolviam maior velocidade. Seguiram-se rapidamente outras inovações e, por volta de 1850, locomotivas inglesas e americanas eram exportadas para nações em desenvolvimento. 14WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A logística também foi um tópico de interesse de filósofos militares e historiadores, como o filósofo chinês Sun Tzu (545 a.C. a 470 a.C.), e Carl Von Clausewitz (1790 a 1831) que retrataram a arte da logística em seus trabalhos. Von Clausewitz, em seu renomado texto “Da Guerra (1832)”, refere-se à logística e a linhas de suprimento como centros de gravidade, ou alvos que, se destruídos, podem derrotar o inimigo sem o embate direto. Durante a Primeira Guerra Mundial, a logística militar foi o elo vital na rede que forneceu tropas com rações, armas e equipamentos. Com o início da Segunda Guerra Mundial, a logística foi aperfeiçoada, porém, em novembro de 1941, o front de guerra alemão cai, vitimando 250 mil soldados da Wehrmacht (forças armadas da Alemanha) devido à imprevidência do comando alemão totalmente despreparado para lidar com temperaturas na casa de 10 ºC. O despreparo logístico na frente oriental da Segunda Guerra Mundial, como exemplo, sofreu uma guinada total quando analisamos o conflito chamado Guerra do Golfo. Ali, contrário ao ocorrido das cercanias da cidade de Stalingrado (atual Rússia), tropas de uma coalisão lideradas pelos Estados Unidos, demonstraram haver um excelente planejamento logístico; centralização do comando logístico; apoio de bases em território Saudita, com boa infraestrutura e superioridade militar e tecnológica para atuar em território iraquiano. Como resultado, não há como negar que a logística ganhou um lugar de maior importância ainda também no mundo dos negócios. A inspiração na disciplina e precisão foi disseminada em várias atividades. A partir de então, muitos dos logísticos militares continuaram suas trajetórias como gerentes de logística. O trabalho deles era garantir que houvesse uma empresa de transporte eficiente cuidando de todas as entregas, tanto estrangeiras quanto domésticas, além dos níveis de estoque e armazenamento. A entrega é apenas uma parte da equação logística. De fato, pode não ser a parte mais importante. Afinal, o que importa se uma organização estruturar um transporte que garanta a pronta entrega se não tiver os produtos certos em estoque? Razões como essas justificam o porquê de as empresas começarem a investir em logística a partir da década de 1950. Além disso, as empresas estavam se globalizando e essas agora prescindiriam de sistemas que as ajudasse a fornecer bens e serviços de forma rápida e acessível a todos os pontos do globo. Veja os aspectos de um projeto que dependeu de um grande esforço logístico e que teve a especificidade de atuar em um patrimônio ambiental da humanidade, que é a floresta amazônica. O projeto do gasoduto Urucu-Coari-Manaus foi outro feito inédito, pois foi desenvolvido em um local que não havia estradas ou portos para a condução de equipes e material; não havia fontes de energia instaladas; não havia infraestrutura de alojamentos, alimentação e comunicações. Vejamos o que efetivamente foi esse esforço logístico. ANDRADE GUTIERREZ. Andrade Gutierrez – Coari-Manaus. 2014. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ju-aee3RXmg&pbjreload=10 . Acesso em: 12 mar. 2020. 15WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.2.2 Logística na contemporaneidade É ao término da 2ª Guerra Mundial que empresas e negócios adotaram os fundamentos da logística e começaram a implementá-los nos processos comerciais, de forma mais específica por volta dos anos 60 e continua até a data de hoje, porém de forma inovadora e acelerada. Por volta de 1990, a logística dá uma especial atenção ao processo de distribuição. A resposta rápida e eficiente ao consumidor é agora possível pelo uso de tecnologias que foram desenvolvidas e aplicadas por muitos varejistas e empresas atacadistas. Através das ferramentas computacionais, os tempos de reação aos desenvolvimentos de mercados e ao fornecimento eficiente são uma realidade. Nesse período, as empresas começaram a exportar mais e, portanto, a transportar mais. A busca por inovações trouxe uma onda de concorrências nas empresas, e essa competição na era da globalização moldou a história da logística da maneira que é hoje. Outro aspecto interessante é o advento do container marítimo que impacta as condições de produção em quase todas as indústrias ao redor do mundo. É através dele e do comércio entre os países que novas regiões experimentam booms comerciais, contribuindo significativamente para a globalização. Nesse período, a logística dará uma especial atenção ao processode distribuição. Conforme dito anteriormente, a resposta rápida e eficiente ao consumidor é agora possível pelo uso de tecnologias que foram desenvolvidas e aplicadas por varejistas e empresas atacadistas. Os tempos de reação aos desenvolvimentos do mercado e o estabelecimento de fornecimento eficiente são uma realidade, dado que, nesse período, as empresas começaram a exportar mais e, assim, a transportar mais. A busca por inovações trouxe uma onda de concorrências nas empresas, e essa competição na era da globalização moldou a história da logística da maneira que é hoje. Muitos brasileiros, por conta da pandemia do coronavírus, não puderam seguir rotinas de fazer suas compras em shoppings ou em lojas de rua, favorecendo o comércio eletrônico, que registrou um aumento de demanda ante a essa restrição. E muitos não puderam contar com suas encomendas vindas do exterior. Uma dúvida surge a partir daí: a logística doméstica é diferente da logística internacional? Pois bem, apesar de a logística doméstica ser feita dentro das fronteiras de um país, ela não é tão trabalhosa como a logística internacional que prescinde de processos aduaneiros e de burocracias no trânsito de mercadorias. Além da distância onde se opera, o tempo para todo o trâmite, desde o embarque até a liberação da carga em um porto seco conta muito e mesmo o modal transporte que se utiliza, em boa medida, é feito com contêineres. É importante saber que o Regulamento Aduaneiro não prevê concessões ou tolerâncias aos erros, por menor ou mais insignificante que for, sendo necessárias permissões da autoridade aduaneira, pagamentos de tributos às esferas federais e estaduais. Muitos profissionais estão atuando no comércio exterior, e, por conta disso, muitos têm trajetória de suas carreiras em outras nações. 16WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Surge, então, o gerenciamento da cadeia de suprimentos que é visto como uma consideração holística dos principais processos de negócios que se estendem dos fornecedores aos consumidores e que pode alimentar o desenvolvimento de mercados globais. Decorrente a isso, as organizações logo percebem que a logística pode aumentar ou diminuir sua participação no mercado, envolvendo muitas empresas e etapas para a gestão do produto do fornecedor ao cliente final. A gestão da cadeia de suprimentos ou Supply Chain será objeto de estudo em próximo módulo. 2. A LOGÍSTICA DE DISTRIBUIÇÃO Como você pode perceber, muitas são as atividades presentes no gerenciamento da logística, nas quais, é normal envolver o gerenciamento de transporte inbound (de entrada), que é um processo de fazer o fluxo de matérias chegar do fornecedor até a unidade de processamento ou fábrica; e o transporte outbound (de saída), feito da unidade processadora ou fábrica em direção aos centros de distribuição (CDs), pontos de venda ou ao consumidor final. De várias formas e em vários graus, a logística fará os atendimentos aos clientes, influenciando direto ou indiretamente os pedidos de fornecimento e compras nas fábricas, o planejamento e programação da produção e a montagem que ocorrem dentro do gerenciamento da distribuição física. A distribuição física lida com a distribuição de produtos acabados de maneira a atender às necessidades e expectativas dos clientes ao menor custo possível, com a transferência do produto para o usuário final (GIACOMELLI; PIRES, 2016). É clara essa questão, mas o que está em jogo são os tipos de tarefas de logística que se aplicam àqueles que operam na última parte da cadeia de suprimentos. Não se esqueça de que o processo de distribuição começa quando um fornecedor recebe um pedido de um cliente. Vamos às principais etapas: 1.Gestão de transporte – é aqui onde você aplicará seus conhecimentos na escolha do meio de transporte (modal) para o transporte da carga, observando se isto lhe levará a contratação de frota terceirizada ou de veículos próprios. De maneira prática, utilizaremos a comparação do preço do uso de caminhões (modal rodoviário) que é 1,7 vezes superior ao do ferroviário, mas devemos considerar a velocidade, a disponibilidade e a frequência de trens para determinados locais. 2. Avaliação e expedição de mercadorias - envolve a separação de mercadorias que pode ser feita de forma manual ou com o uso de coletores de dados, voz (Picking by voice) ou através do uso de níveis de automação que reduz o contato do operador com mercadoria. Em boa medida, o que está em jogo é a velocidade de disponibilidade da carga para transporte. Não há como negar os impactos que a logística promove no meio social. Paulatinamente, as sociedades assimilam os propósitos vinculados a ela e conhecem sua importância. Assim, como leitura complementar, sugerimos a leitura de um texto que lhe ajudará a fixar vários conceitos. Acesse: OLIVEIRA, Luciel. Introdução à Logística. 2006. Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/introducao-a-logistica. 17WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. Administração de frete – o trabalho nessa etapa exige muita atenção e análise de mercado. É nessa etapa que o transporte de uma carga será feito mediante pagamento dos custos das empresas, tendo bases para cálculo diversas variáveis que são resolvidas, muitas vezes, pela presença de uma tabela de frete utilizada para cálculos pelas transportadoras e para conferência das faturas enviadas para pagamento por parte do embarcador. Envolve aspectos como peso, impostos, prazos de entregas, tipos de carga (fracionada? compacta?) etc. 4. Indicadores de desempenho – é por eles que você irá organizar melhor sua organização e irá fazer planejamentos, pois as métricas relevantes dos processos logísticos permitem tomadas de decisões ante a necessidade de previsão ou minimização de problemas. Os prazos cumpridos dentro do tempo previsto de entrega é um exemplo de indicador, além do número de incidentes como pedidos errados, mercadorias danificadas, custos de armazenagem, dentre outros. Como já é considerada uma ferramenta utilizada para separação de produtos por voz, é interessante você conhecer as atividades relacionadas à picking. Há vantagens de se utilizar o voice picking, aplicados em operações de envio de produtos ao varejo. Vamos ver isso no vídeo da Prática Logística. PRÁTICA LOGÍSTICA. Voice Picking. 2017. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=FvhPELZaom8 . Acesso em: 12 mar. 2020. Veja os principais tipos de fretes utilizados pelas empresas brasileiras que são os fretes CIF e FOB e que envolve a avaliação da qualidade do serviço, a reputação da empresa transportadora e as condições de pagamento, por exemplo. Vejamos isso no vídeo da Bluesoft ERP. BLUESOFT ERP. Diferença entre os fretes CIF e FOB. 2018. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=U_hWguVhmQQ. Acesso em: 12 mar. 2020. 18WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 5. Roteirização ou planejamento de rotas – aqui o trabalho está relacionado à economia de consumo de recurso (como combustível, desgaste do veículo etc.) e de tempo, pois se deve levar em consideração, na sua tomada de decisão, o trânsito das vias, condições da infraestrutura de transporte, restrições como alturas máximas dos veículos e/ou das cargas, pedágios, riscos e segurança dispensada ao processo de transporte. Provavelmente, você já tenha feito o uso de aplicativos para smartphones baseados em navegação por satélite para localização e rotas como os populares Waze ou Google Maps, que são exemplos de menor porte dentre uma grande variedade de softwares disponíveis no mercado, mas que servem e complementam o propósito da roteirização. Muitas funções de negócios se enquadram na categoria de logística, como você viu até agora. No entanto, o conceito de logística geralmente pode serdividido em logística de entrada (INBOUND) e logística de saída (OUTBOUND). Vejamos do que se trata. 2.1 Logística Outbound e Inbound Comecemos nosso assunto com um exemplo: a logística Inbound e Outbound de veículos acabados são gerenciadas separadamente em todo o mundo, oferecendo desafios distintos. Isso significa que a distribuição de veículos da fábrica para o revendedor é conhecida como logística Outbound ou logística de saída. A logística Inbound ou de entrada”, em contraste, compreende as operações logísticas entre os componentes fornecidos às montadoras de veículos, e representa uma parcela significativa do tempo de entrega total do pedido à entrega no setor automotivo (veja a Figura 1). Observe que o gerenciamento da logística está presente em todos os níveis de planejamento e execução: estratégico, operacional e tático. Figura 1 – Esquema gráfico da logística Inbound/Outbound. Fonte: O autor. 19WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA É uma função de integração que coordena e também integra atividades de logística com outras funções, incluindo marketing, fabricação e vendas, finanças e tecnologia da informação. A partir do exemplo apresentado, vamos conhecer um pouco mais a logística Outbound (de saída). Essa logística requer infraestrutura em termos de equipamento de transporte, como navios e caminhões especialmente projetados, equipamentos especializados de manuseio, instalações portuárias, armazéns, centros de distribuição e assim por diante. Então, a logística de distribuição outbound na prática administrativa envolverá um esforço de tentar gerenciar sistematicamente um conjunto de atividades inter-relacionadas, que ocorrem antes da entrega final (NOGUEIRA, 2018). Veja a Figura 2. Figura 2 – Detalhamento da logística Outbound. Fonte: O autor. Vale lembrar que o termo outbound significa saída; então poderemos considerar que a logística associada ao termo envolve todos os procedimentos que farão com que o cliente receba suas mercadorias. Ou seja, existem vários itens a serem compreendidos e administrados além dos acima mencionados, como: • Planejamento de rotas otimizadas. • Embalagem. • Endereçamento. • Emissão de documentos e notas fiscais. • Logística reversa. • Distribuição e movimentação de cargas. • Realocação de produtos para os centros de distribuição. • Rastreamento das mercadorias. • Contratação de transportadoras ou operadores logísticos. Todas essas áreas devem ser gerenciadas para que eles possam interagir entre si para fornecer o nível de serviços que o cliente exige e a um custo que a empresa possa pagar. Após isso, você pode se perguntar: mas o que eu teria de ganhos com essas atividades? Um conjunto de benefícios da logística outbound se apresenta a seguir: • Obtenção de maior giro de estoque – o que evita o excesso e falta de produtos. • Melhora da qualidade das remessas e atendimento ao cliente. • Redução de prazos de entrega. • Fidelização de clientes. • Controlar com maior eficácia a logística até o consumidor. https://dclogisticsbrasil.com/entenda-por-que-o-servico-de-rastreamento-de-carga-e-fundamental/ https://dclogisticsbrasil.com/como-otimizar-o-prazo-de-entrega-sem-aumentar-o-custo-logistico/ 20WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em contraste, a logística inbound, com significado de “entrada”, e, no caso, a entrada de componentes para a produção, envolverá assim as atividades relacionadas à aquisição, armazenamento e entrega de matérias-primas e peças ao departamento de produtos ou serviços. É parte integrante das operações, para uma empresa envolvida em negócios de manufatura, o que segue: Figura 3 – Detalhamento da logística Inbound. Fonte: O autor. Em termos mais simples, essa logística de entrada é uma atividade fundamental, que se concentra na compra e agendamento da entrada de materiais, ferramentas e bens finais disponibilizados pelos fornecedores à unidade de produção, armazém ou loja de varejo. Não é incomum ainda nos dias de hoje vermos empresas que não dão importância a ela, por pura negligência, e não por excesso de zelo, mas imagine se a matéria-prima necessária a seu processo produtivo não chegasse nos prazos estabelecidos. Pense agora que isso ocorreu com vários segmentos da indústria mundial, em especial com os importadores de produtos da China, quando houve a paralisação da produção nas empresas chinesas para conter a pandemia do coronavírus. Em nosso país, houve a necessidade de se realizarem férias coletivas em várias empresas, o que foi anunciado aos respectivos sindicatos das categorias. Mas, em épocas anteriores, já ocorreram fatos similares, como crises de abastecimento de alimentos, de medicamentos e a própria crise do petróleo ocorrida no Brasil entre os anos 1973 e 1974, quando o preço do petróleo importado aumentou 400%. Outra ideia sobre a inbound se dá quando uma rede varejista de eletrônicos e móveis precisa recompor seus estoques após o período compreendido entre a Black Friday e as festas natalinas. Desde a etapa de negociação e compra junto às fábricas, além da entrega dos produtos nos centros de distribuição (CD), esse acompanhamento é feito pela logística inbound. Como um ponto positivo, haverá a possibilidade de se analisar os custos do frete em suas várias modalidades. Sendo assim, façamos uma comparação da logística inbound e a outbound. Todas as etapas de gerenciamento realizadas na logística outbound devem ser observadas na inbound. Bases de comparação INBOUND OUTBOUND Conceito O fluxo de matéria-prima e peças, dos fornecedores à fábrica. Movimento de saída dos produtos acaba- dos, da empresa ao cliente final. Foca em Implantação de recursos e maté-rias-primas, dentro da fábrica. Movimenta produtos acabados ou pro- dutos da empresa para o cliente final. Interação Entre fornecedores e empresas. Entre empresas e consumidores. Quadro1 – Diferenças entre as logísticas Inbound e Outbound. Fonte: Ballou (2006 apud SIKILERO et al., 2014). 21WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Você faz, portanto, o gerenciamento distinto desses processos por conta de a gestão de prazos na entrega serem diferentes (entrega na empresa e para o cliente), dadas as distâncias envolvidas em um caso e em outro; os seus custos e suas estratégias de redução se dão também de forma diferente, além das especificidades encontradas em cada um dos processos. No entanto, esses processos devem trabalhar de forma controlada e integrada para o sucesso da gestão logística da organização. Por ser importante o conhecimento das melhores práticas dos processos logísticos de distribuição, sugerimos a leitura de um artigo que fará uma abordagem sobre o gerenciamento logístico em todo o canal de distribuição de bananas, tendo um estudo de caso como pano de fundo desse estudo. Acesse: NUNES, M. G. C. et al. Análise dos serviços logísticos de distribuição de bananas: um estudo de caso na empresa sítio Barreiras. Id on Line. Revista Multidisciplinar e de Psicologia, v. 12, n. 41, p. 266-293, 2018. Disponível em: https://idonline.emnuvens.com.br/id/article/view/1220 . 22WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 1 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS O papel da logística tem impactado muitos executivos de diversas organizações por ser essa uma atividade da qual todas as organizações do meio comercial necessita. Ter o produto certo para o lugar certo pelo menor custo se traduz numa sequência de ideias nas quais os profissionais do setor da logística de sucesso devem investir toda sua criatividade para o cumprimento de cada um desses aspectos, porém, sabendo da complexidade que cada um enseja, e o esforço criativo que deverá investir nas questões mais complexas da logística. Por serem atividades que envolvem umadose de complexidade e ainda que essencial para as empresas, a logística envolve uma síntese de muitos conceitos, princípios e métodos de alguns dos campos mais tradicionais como o de marketing, produção, prestação de serviços e transporte, e também das disciplinas mais variadas como as de matemática e economia, direito etc. No ambiente atual de profundas adaptações ou de reconfigurações de funcionamento das empresas pós-pandemia, mais e mais empresas tendem a examinar, reestruturar e reposicionar suas operações para obter vantagem competitiva e, nesse intento, a logística pode desempenhar um papel vital na integração e diferenciação para produzir uma vantagem competitiva desejada. Esses aspectos incluem também o transporte, estoque, processamento, compra, armazenamento, tratamento, embalagem, padrões diferenciados de atendimento ao cliente. Pode-se observar que o conceito de logística é baseado na visão total do sistema em materiais e mercadorias, desde as principais fontes até os consumidores ou usuários. Além disso, também é responsável por obrigar um gestor ou administrador a pensar em termos de gerenciamento de sistemas, em vez de participar apenas de uma parte. O estudo dos aspectos da Logística deve trazer benefícios em transporte mais rápido e barato, garantindo que os consumidores serão atendidos conforme preconizado no seu atendimento, pois isso estimula a demanda. No entanto, o principal desafio é lidar com um consumidor mais exigente e que não quer esperar muito pelos produtos adquiridos por ele. Portanto, as empresas precisam tentar implementar estratégias de distribuição baseada em suas prioridades competitivas e circunstâncias para atingir o nível desejável de desempenho. 2323WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 02 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................................................24 1. CADEIA LOGÍSTICA ..................................................................................................................................................25 1.1 AS ESTRUTURAS DOS CANAIS DE DISTRIBUIÇÃO E O SUPPLY CHAIN MANAGEMENT (SCM) ...................27 1.2 GERENCIAMENTO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS/SUPPLY CHAIN ...............................................................33 2 TERMINOLOGIA LOGÍSTICA ....................................................................................................................................35 3 ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS DE LOGÍSTICA: AQUISIÇÃO E LOCAÇÃO .....................................................40 4 ADMINISTRAÇÃO DE SUPRIMENTOS: INTEGRAÇÃO LOGÍSTICA ......................................................................44 4.1 PLANEJAMENTO DO SUPPLY CHAIN ................................................................................................................... 51 4.2 SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SUPPLY CHAIN ............................................................................................53 4.3 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS INTEGRADOS DE LOGÍSTICA ......................................................56 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................................................................................58 ASPECTOS DA CADEIA LOGÍSTICA PROF. ME. MARCO ANTÔNIO SENA DE SOUZA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 24WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Dentre as várias eras pelas quais a humanidade passa, considerando o seu processo de permanente evolução, muitas transformações ocorreram em caráter gradual e notadamente em contraposição a diversos aspectos de períodos históricos. Chegamos aos dias de hoje marcados pela necessidade de informações e de uso de tecnologias, que, de certa maneira, traduzem-se na moeda corrente (moeda de troca), ou mesmo em um ente de grande valor para a sociedade, estando esse valor arraigado ao comportamento da população e dos mercados. Deixamos para trás uma época movida pelo carvão e pelo vapor, de relações de trabalho rígidas, modelos de produção industrial como taylorismo e o fordismo, para passarmos a processos automatizados, otimizados e descentralizados. Essa valorização da informação e da tecnologia nos faz estar 24 horas próximos do centro da ação ou mesmo participando dela, graças, em boa medida, ao advento da internet. Pudemos acompanhar fatos recentes em tempo real, como as manifestações populares em diversos países, a exemplo de Chile (outubro de 2019), um presidente boliviano renunciar por meio do Twitter (10 de novembro de 2019), e nossos olhos e mentes ficaram presos à gigantesca quarentena imposta a uma parte do território chinês (23 de janeiro de 2020); além de acompanhar em um final de tarde a deflagração de uma guerra de preços do petróleo entre Arábia Saudita e Rússia (09 de abril de 2020). Ou seja, o “mundo está mais acelerado” e temos uma necessidade pelo imediatismo; coisa que só a Era da Informação, também chamada de Era Tecnológica ou Era Digital, proporciona- nos através do uso dos microprocessadores, computadores pessoais, fibra ótica, dentre outros; e nesse contexto em que também os mercados têm mudado, onde o que era uma concorrência feita de empresa para empresa passa agora a uma concorrência feita entre cadeias produtivas ou redes de organizações. A cadeia produtiva ou supply chain incluirá a relação entre empresas, seus fornecedores e clientes, e não apenas a relação em específico com os seus fornecedores. Vamos, nesta unidade, compreender melhor como esse processo “fornecedor-cliente” liga desde organizações produtoras de matérias-primas até o ponto de consumo de produtos finais, compreendendo seus aspectos concorrenciais que ainda estão em aperfeiçoamento nas cadeias logísticas. Bons estudos!!! 25WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. CADEIA LOGÍSTICA Um tópico importante no estudo da Logística é a compreensão do que seja a cadeia logística. A cadeia logística ou cadeia de suprimentos, ou ainda o Supply Chain, são termos sinônimos e, portanto, equivalentes. Porém, existem três pontos importantes que estão inseridos nesse termo, que são: • Logística de suprimento: é a logística necessária para levar a matéria-prima até o fornecedor que desenvolverá os primeiros passos com esse item, incluindo, por exemplo, o uso de estoque de matérias-primas. Aqui, são envolvidos itens como suprimentos, transporte, armazenagem e planejamento e controle de estoques. • Logística de Produção: aqui as matérias-primas são processadas, resultando produtos semiacabados ou acabados, havendo a necessidade de aplicação de planejamento e controle de estoques e da produção, estocagem, embalagem e planejamento dos recursos de distribuição. • Logística de Distribuição: como vimos no módulo 1, essa logística inclui uma ampla gama de atividades voltadas em obter uma distribuição e movimentação eficientes de produtos acabados. Isso leva as mercadorias do final de uma linha de produção para alcançar os consumidores. Decorre que há um equívoco quando se diz que esses termos são formas intercambiáveis e que não há diferenças práticas entre a cadeia de suprimentos e logística. Temos uma polêmica entre autores que argumentam que a cadeia de suprimento é o mesmo que a logística, com argumentações pertinentes daqueles que concordam e daqueles que não concordam. Para o desenvolvimento de nossos trabalhos e baseados no módulo anterior, frisamos que a logística faz parte do gerenciamento da cadeia de suprimentos, havendo relações claras com os processos de gerenciar compras, manuseio de materiais, embalagem, transporte, controle de estoque, armazenamento, estabelecendo uma dinâmica de movimentação e posicionamento de produtos, desenvolvendo um papel em termos de sincronizaçãoda cadeia de suprimentos. Não se esqueça de que a atividade logística tem por intenção primeira garantir que o produto solicitado estará no momento e local certo, com a qualidade e o preço certo. Podemos observar essas atividades através de duas subcategorias tratadas na Unidade 1: a logística inbound e a logística outbound. Com a evolução da concorrência empresarial mundial, há uma migração dessa concorrência para patamares mais arrojados, cujo cenário é o de fronteiras comerciais se liquefazendo, distâncias sendo reduzidas pela sofisticação dos meios de transporte e aproximação de fornecedores e clientes, fazendo com que relações muito mais estreitas fossem desenvolvidas desde as empresas fornecedoras de matérias-primas até os PDV´S (pontos de vendas). De outra forma, podemos entender que uma estratégia para um ambiente de negócios foi criada onde se faz necessário delimitar o mercado, a rede de distribuição, o processo de produção e a atividade de compra, resultando na prestação do melhor serviço a um custo total menor, através de processos de negócios que integram empresas. Portanto, o conceito de gerenciamento da cadeia logística de abastecimento ou, em inglês, Supply Chain Management, segundo RICE (2015), em publicação pela ASCM – Association for Suplly Chain Management/Associação para Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos, uma outra importante associação global para profissionais de gerenciamento da cadeia de suprimentos pode ser compreendida como: o design, planejamento, execução, controle e monitoramento das atividades da cadeia de suprimentos com o objetivo de criar valor líquido, construir uma infraestrutura competitiva, alavancar a logística mundial, sincronizar a oferta com a demanda e medir o desempenho globalmente. 26WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Existem muitas definições sobre gerenciamento da cadeia de suprimentos havendo elementos comuns nelas, porém, da mesma forma, existem muitos elementos incluídos em algumas outras definições. O objetivo perseguido é que qualquer uma das empresas da cadeia - intermediários, varejistas, fornecedores - podem acessar os dados necessários para se tomar as melhores decisões para justamente aumentar o atendimento ao cliente. Sem dúvida, quando as necessidades e suprimentos são sincronizados, todos os agentes do canal de logística vencem; os clientes obtêm o produto desejado mais cedo, os atacadistas e varejistas vendem os produtos recém-armazenados, os fabricantes fazem melhor uso de sua capacidade e os custos gerais diminuem como também há um aumento da satisfação no sistema como um todo. Figura 1 – Cadeia de suprimentos (Supply Chain) típica. Fonte: O autor. Na verdade, isso seria a condição ótima de trabalho, mas raramente acontece em ambientes de alta concorrência. Mediante o exposto, é interessante você ver essa questão de uma forma mais prática, observando as nuances que existem entre cadeias de diferentes produtos através do vídeo Agronegócio brasileiro e as cadeias produtivas. Após assisti-lo, você poderá ter condições de pensar nas variáveis que podem, de certa maneira, dificultar o pleno funcionamento dessas cadeias. Mas vamos ao vídeo. SCOT CONSULTORIA. Agronegócio brasileiro e as cadeias produtivas. 2013. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=1rlN2nanUCE . Acesso em: 18 abr. 2020. 27WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Para a colaboração entre empresas para conectar fornecedores, clientes e outros parceiros, como um meio de aumentar a eficiência e produzir valor para o consumidor final, são necessárias muitas decisões estratégicas dentro de uma estrutura operacional. 1.1 As Estruturas dos Canais de Distribuição e o Supply Chain Management (SCM) Para melhor compreensão sobre os aspectos práticos do supply chain management, há necessidade do conhecimento sobre canais de distribuição. Canais de distribuição são as maneiras pelas quais bens e serviços são disponibilizados para uso dos consumidores. Todas as mercadorias passam por canais de distribuição, e seu marketing dependerá da maneira como suas mercadorias são distribuídas. A rota que o produto leva da produção para o consumidor é importante porque um profissional de marketing deve decidir qual rota ou canal é melhor para seu produto específico. Assim, temos canais muito simples como é um canal direto, no qual o consumidor solicita diretamente ao produtor e o produtor envia a mercadoria ao consumidor. A internet e o comércio eletrônico popularizaram a distribuição direta. Figura 2 – Cadeia Direta. Fonte: O autor. Canais de distribuição indireta trazem outros participantes. Um produtor pode vender seus produtos a um atacadista, que os vende a um varejista, o qual os vende ao consumidor. Figura 3 – Cadeia Estendida. Fonte: O autor. 28WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Dependendo do que está sendo vendido, esses canais podem ser curtos ou longos (Figura 4). A implementação do gerenciamento da cadeia de suprimentos/supply chain envolve identificar os membros com os quais é fundamental fazer uma ligação, quais processos precisam ser conectados a cada um desses membros e qual o nível de integração a se aplicar a cada link de processo (PASSOS, 2016). Figura 4 – Cadeia Final. Fonte: O autor. As empresas também podem usar o termo “canais” para se referirem a diferentes maneiras de fazer a conexão de vendas com o consumidor - em lojas de varejo, por exemplo, ou através de telemarketing ou de pedidos através de um website. As compras são feitas pelo fabricante, pelo varejista e, em seguida, o vendedor vende a mercadoria ao consumidor. Esse canal é usado por fabricantes especializados na produção de produtos para compras. As companhias com quem uma empresa focal interage são os membros da cadeia de suprimentos/supply chain desde o ponto de origem até o ponto de consumo. As organizações de sucesso desenvolvem parcerias eficazes e respeitosas entre as equipes de marketing e da cadeia de suprimentos. Quando a equipe da cadeia de suprimentos entende a dinâmica do mercado e os pontos de flexibilidade em produtos e preços, eles podem otimizar o processo de distribuição. Também, quando o marketing tem o benefício de um gerenciamento eficaz da cadeia de suprimentos - que está analisando e otimizando a distribuição dentro e fora dos canais de marketing -, maior valor é entregue aos clientes. Portanto, numa estrutura de canal direto, como fabricantes de computadores têm feito em nosso país, o controle da função marketing é de extremo interesse, mas, associado a isso, está o custo de distribuição que tende a ser maior, dependendo a indústria, portanto, de um grande volume de vendas para que consiga competir com outras marcas. 29WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Mediante o exposto, tomemos agora o exemplo de um produto: um pacote de café moído. Temos o café, um invólucro plástico laminado e à prova de umidade. Esse pacote está em um supermercado ou em uma loja especializada (boutique de café). Supomos que o valor praticado na venda desse produto seja 5,00 Mixuco$ (moeda local). Quanto seria o ganho com a venda desse produto? Não faltarão pessoas que reagirão com o famoso “depende”. Mas independentemente da resposta em termos da indagação, haverá ainda muitos outros que dirão que os lucros serão em torno de 3,50 a 4,00 Mixuco$. Se isso for verdade, muitos estariam vendendo café e vivendo uma “vida de ostentação” em nosso país. Trata-se de um conceito equivocado, simplista e até muito comum que consumidores incautos têm. O custo de um produto não equivale ao custo de seus materiais, e, no nosso caso, devemos pensar nos processos de aquisição de cada um dos itens que estarão no produto final que é o pacote de1kg de café moído tipo premium. Também teremos de pensar nas caixas para transporte, filme plástico, estrados ou pallets para armazenar as caixas, uma empilhadeira (elétrica, a gás, à gasolina). Para transportar os pallets com as caixas, precisaremos de um operador de empilhadeira para colocar as caixas no caminhão, daí precisaremos de um motorista, combustível, veículo, seguro do veículo e da carga, um galpão de armazenagem e as instalações industriais para o empacotamento. O café cultivado e colhido, bem como a energia utilizada nas máquinas de empacotamento não serão fornecidos gratuitamente, ainda que se tenha a propriedade particular para explorar o cultivo. À medida que as etapas para esse pacote chegar até o ponto de venda, mais pessoas, materiais e processos vão se agregando à proposta de venda desse produto. E quem terá o trabalho de fazer com que essas etapas ocorreram sem falhas, ao menor custo, ao menor esforço? Isso mesmo, um gestor de Supply Chain. Vejamos uma cadeia de suprimento e tire outras conclusões do que é o Supply Chain. Figura 5 – Exemplo do Supply Chain. Fonte: Oliver Wyman (2017). Conheça os principais canais de distribuição que podem melhor atender a um varejista, o que deve lhe permitir conectar aspectos mercadológicos e aspectos logísticos. Acesse o vídeo. GRUPO ENOVA. 12 Canais de vendas e distribuição. 2016. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=VylGQ7uP4Co . Acesso em: 14 abr. 2020. 30WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Note dois aspectos nesse pequeno modelo que nos auxilia a entender as explicações até aqui apresentadas. Já havíamos falado dos fluxos logísticos, mas note que o fluxo de materiais se movimenta em um sentido (em direção ao cliente final), diferentemente do fluxo de informações (em direção aos fornecedores). A lógica do fluxo do produto é inequívoca, ressaltando que os esforços para atender os prazos para que sejam cada vez menores têm sido demandados e aumentados pelos consumidores finais. Por outro lado, o volume de informações que seguem do cliente para o fornecedor versa sobre itens como a qualidade dos produtos, nível da demanda, informações sobre a distribuição, sobre a produção, taxa de retorno de produtos, dados financeiros, dentre outras informações. Vejamos as características dos entes de uma cadeia de suprimento/supply chain: • Fornecedores/Produtores – empresas que exploram ou criam as matérias-primas ou ativos intangíveis (softwares, projetos etc.). • Distribuidores – patrocinam e sustentam a relação de fornecedores/produtores de matérias-primas aos atacadistas e varejistas. • Atacadistas/Varejistas – estando mais próximo do consumidor final, lidam com a demanda desses, armazenam estoques e comercializam tais produtos e serviços. • Cliente final – empresas ou mesmo os consumidores que adquirem ou utilizam o produto ou serviço. É importante gerenciar o fluxo de informações na cadeia, e para se fazer isso, uma das maneiras é fazer a medição de performance dos processos logísticos, como: nível de estocagem, trocas, descartes e outros processos logísticos. É comum o uso de KPIs (Key Performance Indicator – Indicador chave de performance, ou na prática, indicador de desempenho de processo) de logística que se utiliza para comparar inclusive sua posição com os concorrentes e o que pode ser alterado para trazer um impulso positivo aos índices de satisfação do cliente e manter os custos sob controle. Eles são responsáveis por responder questões comerciais relacionadas à porcentagem de clientes cujos prazos de entrega prometidos são perdidos, a pedidos que chegaram danificados por mês, a pedido errado, a pedidos que aguardaram longos períodos de tempo para receber seu pedido, dentre outros. 31WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Outra observação é de que entes da cadeia têm uma relação logística uns com os outros de tal forma que os atacadistas e varejistas são clientes da distribuição/transporte que, por sua vez, é cliente do distribuidor, que é cliente dos fornecedores/produtores de matéria-prima (Veja as Figuras 6 e 7). Cada um dos entes da cadeia desempenha papel específico, existindo, portanto, as seguintes categorias: Figura 6 – Relações do Supply chain. Fonte: O autor. Mediante o exposto, imagine que o produtor de café premium da cadeia de suprimentos/ supply chain se prepara, através de um conjunto de estratégias, para se voltar totalmente para o mercado internacional, projetando um crescimento de 10% no ano e que, por uma gigantesca coincidência, um grupo de varejistas que compra com esse fornecedor tem a intenção de crescer 20% no mesmo período em que o principal fornecedor está mudando seu foco de atuação no mercado. Embora os tamanhos e os sistemas de produção sejam distintos (de uma fábrica e de um varejista), é certo que uma das hipóteses aqui implícitas é a de que pode não haver mercadorias suficientes para abastecer um mercado. Você, então, estará no coração do supply chain. Vamos agora ver de outra forma essa cadeia, sob o prisma do fluxo financeiro, observando a Figura 7 que nos mostrará que as transações financeiras que ocorrem ao longo da cadeia identificam haver no sistema uma só entrada financeira (o dinheiro pago pelo usuário pelo produto final) e várias saídas: os custos operacionais e lucros de todos dependem do “pagante” da cadeia de suprimentos. Figura 7 - Cadeia de suprimentos simples. Fonte: Corrêa (2019). 32WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Segundo Corrêa (2019), o preço pago pelo cliente final (usuário) inclui o somatório de todo o custo operacional e de todo o lucro obtido por todos os nós da cadeia. Portanto, há necessidade de que a cadeia seja competitiva para que os entes ineficientes não acabem por onerar os produtos com preços mais altos ao cliente final, ou em margens de lucro menores, ou ambos, com consequentes níveis piores de competitividade da cadeia como um todo (CORRÊA, 2019). Assim, a comunicação e o relacionamento mais próximos dos entes da cadeia, permitindo o compartilhamento de metas e projeções, otimiza processos e custos. Dá-se aqui a visão de que cada um desses entes é uma engrenagem que trabalha para atender a demanda do mercado. Se o mercado dá sinais de que há espaço para aumentar vendas e, portanto, de crescimento, todas as engrenagens (entes da cadeia) agem juntas para aumentar a oferta e atender às demandas. Ao contrário, ou ocorrendo uma retração no consumo (em um mercado), novamente as engrenagens trabalharão no sentido de equilibrar essa oferta. O conhecimento das necessidades de uns e de outros entes permite cruzar crises com condições mais estruturadas. Entenda que isso não tem relação com uma formação de uma espécie de “cartel”, pois cada ente tem consciência comercial de seu papel na cadeia de suprimentos e se adapta de acordo com seus interesses, não havendo ou não se evitando uma concorrência mútua que é necessária, e tão pouco afasta competidores dos valores pragmáticos do mercado, dado a necessidade de cumprir os objetivos que cada membro da cadeia de suprimento tem em satisfazer suas intenções. E é nesse contexto que também compreendemos como se forma o preço de venda final e a importância dessa harmonia. Portanto, não é uma tarefa fácil de sincronizar e integrar muitas áreas das empresas pertencentes à cadeia de suprimentos com a finalidade de promover uma sinergia de suas atividades dentro de uma cadeia. Mas, ainda que em estado embrionário, estamos caminhando para isso, principalmente pela disseminação e uso de plataformas de tecnologia da informação. Os contratos de longo prazo e previsões muito mais estáveis hoje, por conta do avanço tecnológico, fazem com que as demandas sejam trabalhadas quase que instantaneamente. As empresas estão se conscientizandode que não é possível atender às exigências de serviço dos clientes e, simultaneamente, cumprir com os objetivos de custo da empresa, sem trabalhar de forma coordenada e integrada com outros participantes da cadeia de suprimento. A tecnologia nesse caso é uma aliada com grande potencial de atuação de equilíbrio no futuro. A construção conceitual de confiança entre parceiros de uma cadeia de suprimentos é um fato real ou só obedece ao protocolo de gentilezas entre empresas que possuem objetivos comuns? Pensar na questão de confiança entre parceiros comerciais é uma realidade hoje. É como se houvesse uma sociedade cujo intuito é comum aos dois (ou mais) parceiros comerciais, tornando-se um propósito também comum. Assim, os membros da cadeia de suprimentos devem se esforçar para reduzir os níveis de risco para criar confiança, em vez de se esforçar para criar confiança para reduzir os riscos que a atividade econômica possui. Em um nível mais pragmático, as novas tecnologias têm permitido consumidores adquirirem seus refrigeradores que possuem em seu interior sensores que avaliam a necessidade de um produto e dispara uma ordem de compra a um supermercado (fornecedor) previamente contratado para fornecimento delivery. O mesmo, em nível macro, já acontece entre algumas empresas e seus respectivos fornecedores. 33WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.2 Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos/Supply Chain Como um gerenciamento de relações, informações e fluxos de materiais, através das fronteiras da empresa, o supply chain tem a clara intenção de oferecer um atendimento distintivo na eficácia de abordagem ao cliente? Através da gestão sincronizada do fluxo de bens físicos e informações que vai desde o abastecimento até o consumo, distingue-se da logística, segundo alguns aspectos. Considerando que o supply chain vem evoluindo, muitas dessas áreas funcionais se cruzam de tal sorte que tudo resultou em definições sobrepostas para alguns desses termos, como logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos/ supply chain. Embora esses dois termos tenham algumas semelhanças, eles são, de fato, conceitos diferentes com significados diferentes. Como você pode perceber, o supply chain é um conceito abrangente que vincula vários processos para obter vantagem competitiva, enquanto a logística se refere ao movimento, armazenamento e fluxo de mercadorias, serviços e informações dentro da cadeia de suprimentos geral. Para que o supply chain tenha sucesso na sua implementação (GIACOMELLI; PIRES, 2016), alguns requisitos devem ser observados, segundo seus objetivos: 1. Relacionamento com os clientes – desenvolvimento da compreensão da atratividade de produtos e serviços para os clientes, como esforço das empresas. 2. Serviços aos clientes – dispor de ponto de atendimento das consultas e requisições para qualquer cliente. 3. Administração da demanda – aprimorar controles para manter o equilíbrio da oferta e da demanda. 4. Atendimento de pedidos – obedecendo a prazos e mantendo as especificações contratadas pelos clientes no processo de compra. 5. Administração do fluxo de produção – através de sistemas de resposta a alterações de fluxo de negócios no mercado. 6. Compras/suprimento – contando com sistemas de parcerias para assegurar desempenho das organizações. Com os avanços tecnológicos, o mundo passou a contar com operações na supply chain, com o uso de robôs na logística, Internet das Coisas (Iot - Internet of Things), por exemplo, simplificando processos e aumentando a velocidade das entregas e atendendo aos novos hábitos e expectativas dos consumidores. Acesse o vídeo da Accenture Brasil. ACCENTURE BRASIL. Como a Indústria 4.0 acelera a cadeia de suprimentos? 2019. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=0K3VCiZ-kGw . Acesso em: 15 abr. 2020. 34WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 7. Desenvolvimento de novos produtos – o qual deve contar com o envolvimento de fornecedores. Observando os itens acima, podemos observar que há um predomínio de atenção ao cliente nos itens de 1 a 4, sendo que hoje utilizamos dispositivos diversos para atendimento aos requisitos apresentados. Uma maneira advém do uso de sensores para sinalizar necessidades na gôndola do varejo, como também o uso de serviços on-site, ou check-outs automatizados e também o uso de programas de fidelidade acessados pelo celular do consumidor. Os itens de 5 a 7 dizem respeito ao processo de gerenciamento da cadeia de forma que todas as empresas agreguem valor ao cliente desde a fabricação dos materiais até a entrega final ao cliente. Cada um deles é objeto de análise no sentido de se conseguir um alinhamento de objetivos das estratégias competitivas e de suprimento, isto é, a compatibilidade entre as prioridades do cliente, satisfeito pela estratégia competitiva e as habilidades da cadeia de suprimento/supply chain. Como exemplo, apresentamos os problemas solucionados pela fábrica de caminhões e ônibus da Volkswagen do Brasil Ltda em Resende (RJ), em relação à gestão do supply chain e que envolvia a parceria com sete fornecedores. Espera-se que se possa exemplificar a integração entre participantes de uma cadeia de suprimentos. Segundo Di Serio et al. (2002), a parceria entre a VW e os fornecedores ainda não estava suficientemente solidificada para poder desenvolver novos modelos; problemas de falta de peças ou peças com baixa qualidade, além da insatisfação com o sistema de remuneração adotado pela VW no pagamento aos seus parceiros, eram questões que precisavam ser solucionadas. Isso foi se conseguido com o passar do tempo, gerando um ambiente melhor de negócios na parceria. Um outro exemplo, que também está focado no valor das relações em uma cadeia, é a pandemia 2020, sobre a qual ainda não se tem estudos suficientes sobre o impacto que o coronavírus provocou na gestão de cadeias, e que exigiu, até onde a prudência comercial permitiu, um regime especial de parcerias. Esses estudos ainda estão em andamento, pois as primeiras notícias vindas da China foram no início de dezembro de 2019. Em específico, a produção mundial e o comércio com a China foram impactados. Mas perceba a dimensão dessas dificuldades, considerando o fato de que o transporte marítimo da China para o Brasil leva, em média, 30 dias. Veja uma animação que demonstra as atividades em uma cadeia de suprimentos. Apesar da clareza da explicação, ao assistir esse vídeo, podemos consolidar algumas informações ao imaginarmos as adversidades que se somam à atividade da organização médico humanitária, Médicos Sem Fronteiras, em oferecer ajuda médica a populações em situações de emergência em meio a guerras, desastres naturais, epidemias, fome e exclusão social. Portanto, vamos acessar o vídeo: MSFBrasil. MSF BRASIL. Médicos Sem Fronteiras / Maio 2016 em foco/ Cadeia de Suprimentos. 2016. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZlbTulC8-_s . Acesso em: 15 abr. 2020. 35WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Com o fechamento das fábricas chinesas em 25 de janeiro, os últimos navios chegaram aqui na última semana de fevereiro. Muitos navios não saíram, e terminais ficaram lotados, cobrando inclusive sobretaxas, sem falar nos caminhões e ferrovias parados. Assim, o mundo começou a sofrer mais o impacto do vírus a partir de março de 2020. Um sistema de monitoramento e gestão de fornecedores se demonstrou extremamente necessário para uma reorganização do Supply Chain. Talvez essa seja uma das primeiras lições após os estudos que já estão em andamento. 2 TERMINOLOGIA LOGÍSTICA No mundo da logística, existem muitos termos e jargões do setor relacionados à conformidade ou que são essenciais no uso diário. Baseados em Giacomelli e Pires (2016), exploramos um pouco mais essestermos e definições essenciais aos sistemas e operações de cadeia de suprimentos. • Classificação ABC – permite uma categorização de inventário frequentemente usada no gerenciamento de materiais, entendendo que inventário é um rol descritivo dos itens disponíveis em estoque (também denominado de SKUs) da empresa. Para uma leitura complementar, que reforça o conteúdo ministrado nessa etapa, mas também esboça a vantagem competitiva da gestão da cadeia de suprimentos. Acesse: ASSUNÇÃO, S. Gestão da cadeia de suprimentos para a obtenção de vantagem competitiva. 2010. Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/gestao-da-cadeia- de-suprimentos-para-a-obtencao-de-vantagem-competitiva. Acesso em: 17 abr. 2020. Uma Unidade de Manutenção de Estoque, ou SKU (Stock Keeping Unit), é um código alfanumérico usado por lojas de varejo, por exemplo, para identificar um produto específico. Os SKUs geralmente estão em códigos de barras digitalizáveis e representam diferentes características do produto, como cor, tamanho e marca, e são usados para o gerenciamento de inventário. https://administradores.com.br/artigos/gestao-da-cadeia-de-suprimentos-para-a-obtencao-de-vantagem-competitiva https://administradores.com.br/artigos/gestao-da-cadeia-de-suprimentos-para-a-obtencao-de-vantagem-competitiva https://administradores.com.br/artigos/gestao-da-cadeia-de-suprimentos-para-a-obtencao-de-vantagem-competitiva 36WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A Classificação ABC fornece um mecanismo para identificar itens que terão um impacto significativo no custo geral do estoque, além de fornecer um mecanismo para identificar diferentes categorias de estoque que exigirão diferentes configurações de política e controle de estoque. Há uma flexibilidade no uso dessa ferramenta, e dentre as análises permitidas, você poderá distinguir produtos de grande importância para a empresa, pois, em função de sua demanda, não podem faltar sob pena de paralisar um processo produtivo; como também há aqueles que possuem “média” importância e aqueles que apresentam uma importância menor. Também pela curva você pode avaliar os custos de estocagem inerentes a eles. Figura 8 – Curva ABC. Fonte: O autor. Portanto, para itens com classificação “A” devido à alta demanda desses itens, é necessária uma análise frequente do valor. Esses são seus itens de movimentação rápida e normalmente de menor valor, que direcionam a maior porcentagem de seus níveis de serviço de destino e taxas de satisfação do cliente. Os itens da “Classificação “B” são importantes, mas são menos importantes do que os itens “A” e mais importantes do que os itens “C”. Normalmente, eles estão no intervalo médio do valor do estoque e da frequência do pedido. Os itens da “classificação C” são de importância marginal, e, normalmente, a frequência de pedido é muito baixa apesar do valor de estoque (ou seja, produto pode apresentar baixo giro ou utilidade, tendo um investimento neles que está parado). Esses itens geralmente são estocados com quantidades muito baixas, em parte pelo seu uso ou devido aos altos custos de transporte associados aos níveis de estoque que ele representa. Quando se trata de classificar seu inventário, geralmente é seguro seguir o Princípio de Pareto, também conhecido como regra 80/20. O Princípio de Pareto é a teoria de que a maioria das empresas vê 80% de suas vendas provenientes de aproximadamente 20% dos clientes, que devem se enquadrar na sua categoria de “classificação A”. Muitas empresas utilizam os sistemas de gerenciamento de estoque para dar suporte ao processo de reabastecimento de seus pedidos, mas descobrem que geralmente excedem o estoque ou os itens em estoque sem muita precisão, levando a vendas perdidas ou grandes quantidades de estoque em excesso em seus armazéns. 37WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Assumimos que há várias críticas sobre o uso desse sistema, mas ele se demonstra muito produtivo ao estimular o “olhar gerencial” sobre os itens que realmente podem impactar uma organização, estabelecendo elementos para melhor organizar parte do sistema logístico. • CRM – houve uma época em que as videolocadoras, antes mesmo de sucumbirem à época do Netflix, que orientou boa parte do consumo de cinema em casa, utilizavam de um sistema simples, no qual, era possível fazer um registro e controle dos títulos que os clientes escolhiam entre as prateleiras com filmes. Conseguia-se, com pouco esforço, identificar a linha de filmes (drama, ação etc.) da preferência do cliente, a frequência, e até mesmo associar à faixa de renda, dado que esses registros forneciam elementos para identificar um comportamento de consumo. Mas hoje o Customer Relationship Management – CRM, ou Gerenciamento de Relacionamento com o Cliente, atingiu um desenvolvimento que engloba vários processos e tarefas no sentido de gerenciar o relacionamento com o cliente de modo integrado. Assim, fidelizar o cliente com o objetivo de fazer crescer a rentabilidade das relações comerciais deve ocorrer segundo estratégias para isso. Portanto, algumas das empresas estão aproveitando a riqueza de dados de clientes coletados enquanto usam seus aplicativos para fazer pedidos. Considera-se também que essas empresas modelam as melhores práticas quando se trata de sistemas de gerenciamento da cadeia de suprimentos. As empresas podem rastrear dados como preferências do cliente, quais franquias eles visitam, padrões de compra e quais produtos estão em demanda. Essas informações se traduzem em informações valiosas para os sistemas da cadeia de suprimentos. Ela indica para onde enviar quais suprimentos, quais fornecedores estão fornecendo os produtos ou serviços mais demandados e o desempenho dos produtos e serviços. A integração de sistemas de CRM com o software da cadeia de suprimentos pode criar uma ferramenta poderosa. Assim, convido-lhe a observar os quadrantes do esquema da Figura 9, que relaciona um conjunto de variáveis que nos faz compreender estratégias de relacionamento. Os elementos do CRM variam desde um site da empresa e e-mails a correspondências em massa e telefonemas. A mídia social é uma outra maneira de as empresas se adaptarem às tendências mais recentes, por meio delas, há maior engajamento dos clientes, e obviamente, maiores resultados financeiros. Inventário logístico é uma lista de todos os bens e materiais disponíveis em estoque; podem estar armazenados nas próprias instalações das companhias ou fora delas (ENDEAVOR, 2015). O importante aqui é você evitar desperdícios, ou perdas de vendas, pois muitas são as organizações que não possuem exatamente a quantidade de produtos disponíveis para venda em estoque. Mas por que ocorre isso? Notadamente, porque empresas não possuem meios necessários para atualizar esse estoque, seja por falta de uma pessoa ou setor responsável, ou seja, porque a empresa agrega tanto valor aos produtos comercializados que itens de matérias-primas são mero detalhe, refletindo falta de profissionalização na gestão desse aspecto. 38WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O objetivo principal do CRM é criar experiências positivas com os clientes para mantê- los voltados à organização, criando uma base crescente de clientes recorrentes. Figura 9 - Diagnóstico e escolhas estratégicas possíveis. Fonte: Paulillo (2020). De fato, há cada vez mais uso do termo CRM para se referir aos sistemas de tecnologia e que as empresas podem opcionalmente contratar para gerenciar suas interações externas com os clientes em todos os pontos, até a compra e a pós-compra. Portanto, há um conjunto de funcionalidades que realmente importa para a logística, conforme segue: • Automação de processos de vendas e marketing. • Otimização dos fluxos de trabalho. • Gerenciamento de contatos. •Ferramenta de atendimento ao cliente e segmentação. • Análise em tempo real e relatórios personalizados. • Opções de colaboração e compartilhamento de documentos. 39WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Podemos dizer que o CRM também tem condições de fornecer as ferramentas necessárias para se calcular o Retorno sobre investimento - ROI de cada atividade executada, de modo que essas informações mais consistentes permitem detectar as áreas mais fracas de atuação e fazer melhorias quase que instantâneas nas transações com os clientes. • Just in Time – JIT - Esse termo pode ser compreendido como “bem em tempo/na hora certa”. Trata-se de uma técnica atribuída e desenvolvida na fábrica japonesa da Toyota Motor Co., cuja prática se demonstrou inovadora, rompendo com premissas básicas do gerenciamento convencional, e adotadas nos Estados Unidos e em outros países desenvolvidos a partir de meados de 1980. A ideia é a de que cada processo da linha de produção deve ser suprido com os itens e quantidades certas, no tempo e lugar certo. Ou seja, com o JIT se busca eliminar perdas como excesso de estoque, com tempos de produção, com paralisação de atividades etc. Nesse contexto, observa-se que a velocidade da entrega dos pedidos é um aspecto cada vez mais examinado no gerenciamento da cadeia de suprimentos, particularmente com a constante expansão das demandas dos consumidores por entrega no mesmo dia ou no dia seguinte. Daí, a convergência do processo de entrega e a filosofia do Just-In-Time (JIT) ser uma estratégia de gerenciamento de inventário que ajuda a facilitar o atendimento mais rápido de pedidos com aplicações específicas em pedidos de matérias-primas e fabricação. Assim, também podemos avaliar como se dará a produção para entrega Just-in-Time, onde devem ocorrer atividades específicas para pedidos específicos de clientes, o que pode demandar mais prazos e custos para esse atendimento. Pode ser que aconteçam atrasos ou mesmo descompassos entre produção e entrega. Como os serviços Just-in-Time não podem ser atrasados em relação ao atendimento normal da cadeia de suprimentos, as mercadorias são “puxadas” ou demandadas pela própria cadeia de suprimentos, o que é objeto de análises para que os recursos necessários sejam transferidos dentro de um contexto adequado. Portanto, o processo de produção começará quando um cliente faz um pedido e o setor do estoque faz a entrega conforme a necessidade for explicitada. Esse é o conceito de “puxar” que comentamos. Embora a aplicação do Just-in-Time tenha sido concentrada em operações de fabricação, manuseio e armazenamento de materiais e entregas de fornecedores, seus princípios podem ser estendidos por toda a cadeia de suprimentos. Os métodos Just-in-Time simplificam e racionalizam processos da cadeia de suprimentos de materiais e nos fluxos de informações que a planejam e a controlam. O sistema Just-in-time tem inúmeras implicações para os executivos de logística e, como fundamento, estaremos comprando ou produzindo apenas o que é necessário, e quando se torna necessário. Não se esqueça de que isso tem de ter uma cadência e prazos que resultem em boa performance organizacional, zelando pela inexistência de qualquer desperdício. O Just-in-time deixa isso muito claro. 40WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3 ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS DE LOGÍSTICA: AQUISIÇÃO E LOCAÇÃO O interessante em ser um(a) observador(a) da história é que assim você pode apreciar prazerosamente as mudanças que ocorrem na trajetória humana. Tivemos a experiência por longo tempo em ambientes de comerciais, em que predominava uma rivalidade até natural entre empresas, em especial, nos processos de negociação em que a ideia era de uma empresa ganhar vantagem financeira sobre a outra. Não que não exista esse procedimento hoje em dia, mas já há mudanças no horizonte, mudanças que dão espaço agora a ambientes cooperativos (de cooperação mútua), cujo interesse é garantir que as empresas estejam posicionadas para implementarem suas estratégias de produção e marketing com apoio da base de fornecedores (GIACOMELLI; PIRES, 2016). Essas relações de confiança em ambientes de negócios, desenvolvidas entre empresas parceiras, têm reflexos no fornecimento contínuo e manutenção dos estoques, e também apresenta uma contribuição muito positiva ao estímulo e desenvolvimento de fornecedores, melhoria da qualidade de produtos e prestação de serviços. A gestão da aquisição, popularmente conhecida pela atividade de compras tem relação direta com isso, revestindo-se de importância principalmente pelo volume de recursos investidos nela. Como toda atividade administrativa, para alcançar um grau de eficácia, precisa ser antecedida por um processo de planejamento, o que na área de aquisição não é diferente. Notadamente, tal orientação parte da consolidação dos dados de uma previsão de demanda para um dado período, ou seja, você projeta números baseados nos resultados anteriores e na experiência que o comportamento de consumo lhe diz. Incluem-se também os prazos e a confiabilidade das entregas, além de outros itens específicos e inerentes a cada tipo de empresa. Não faz sentido você tão somente produzir quando se tem algum pedido. Isso é bastante diferente, obviamente, no tipo de produção por projetos, onde atividades específicas são desenvolvidas. Produzir barcos, edifícios, plataformas para prospecção de petróleo, são exemplos que podem ilustrar a afirmação feita, pois não são produzidos todos os dias por uma empresa ou pool de empresas; porém, itens de moda, produtos lácteos, beneficiamento de grãos, dentre tantos outros exemplos de menor porte, possuem uma previsibilidade de consumo mais constante e, por isso, a necessidade da previsão de demanda. Ela tem impacto na função de compras que pode ser definida como uma função logística que lida com a aquisição e gerenciamento de materiais, equipamentos, peças e serviços que devem ser recebidos pela organização nas condições exigidas para realizar suas operações de maneira adequada, com o objetivo final de entregar as informações e serviços requeridos por seus clientes (BALLOU, 2006 apud SORG; SILVA; NOGUEIRA, 2019). Ou seja, a logística depende de informações para melhor equilibrar as relações de produção e consumo. Portanto, essa função tem como principal objetivo garantir o fluxo contínuo da produção, sem a interrupção por faltas, provendo o processo produtivo das quantidades necessárias, dentro das especificações de qualidade requeridas, e nos tempos certos (POZO, 2019). Portanto, o uso da tecnologia da informação contribui e muito. Diferentes sistemas informatizados permitem um fluxo de informações mais veloz e preciso, permitindo decisões mais apuradas no momento de comprar ou não de um fornecedor. Algumas decisões sobre a função compras são cruciais tais como: Comprar ou fabricar internamente? Comprar ou alugar? Centralizar ou descentralizar as compras? Que estrutura é requerida para o setor de compras? Manter-se fiel a um fornecedor ou desenvolver vários fornecedores? Essas são algumas questões para as quais só se pode encontrar resposta a partir de uma análise detalhada da situação de cada organização. Não há como ter uma resposta padrão, inclusive, podendo ser diferentes dentro de uma mesma empresa dependendo do material a ser adquirido (insumos e bens de capital, por exemplo). 41WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Mas saiba que, guardando-se as devidas proporções, temos essas mesmas indagações dentro de nossos lares. As famílias possuem suas predileções, por exemplo, por marcas de sabões em pó ou sabões lava-roupas concentrados. Existem aquelas famílias cuja prática é fazer sabões para uso na lavagem de roupas ou para lavar louças e panelas, como também há aquelas quetestam produtos alternativos, fornecedores alternativos. Então, uma nova indagação pode surgir: qual é a relação de compras com logística? Como você sabe, a área de aquisição/compras é uma área operacional em que estamos lidando com a ação de controlar e manter uma atividade produtiva abastecida. Porém, também é estratégica pelo auxílio à empresa em atingir seus objetivos de longo prazo, que é conseguida em boa medida nos processos de negociação de aquisição de produtos necessários. A logística, por sua vez, está planejando, implementando e controlando o fluxo de bens físicos. De outra maneira, você deve entender que, com o advento da importância do gerenciamento da cadeia de suprimentos, também houve uma crescente importância das atividades relacionadas à compra, onde a capacidade interna de fabricação de muitas empresas se viu muito mais vinculada à aquisição de peças justamente por estar dentro de uma cadeia de suprimento/Supply Chain. Muitas operações foram terceirizadas e, por exemplo, muitas delas foram terceirizadas para empresas, havendo muitas operações externas feitas em países diferentes, com leis diferentes e com governos diferentes. É o caso da própria China que se tornou um grande exportador de produtos de baixo custo. Assim, o gerenciamento de compras, que incluía preocupações com a definição de custos, com os preços finais do produto, incluindo-se as encomendas, o recebimento dos produtos e o pagamento por eles e, portanto, com tarefas não estratégicas, desdobrou-se saindo do gerenciamento convencional e passando para uma condição mais estratégica (Figura 10). Essa condição envolve o abastecimento de toda a cadeia, a gestão dos multivariados fornecedores e dos respectivos contratos. Figura 10 – Relações entre aquisição e logística. Fonte: Usefi (2016). 42WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Considerando a hipótese de que as empresas possuem uma configuração gráfica como a demonstrada na Figura 10, podemos perceber que todas as três áreas mencionadas de gerenciamento precisam cuidar para que o suprimento de uma organização continue funcionando (a coisa certa, no lugar certo, na qualidade certa, na hora certa e nos custos certos). Para isso, também surgiram várias empresas que prestam serviço com o intuito da manutenção do suprimento, havendo empresas que você conhece, como as fornecedoras de remessas e transportes (Empresa de Correios e Telégrafos - ECT), fornecedores locais de caminhões, transportadoras etc. Por conta disso, você percebe também que as funções de Logística, Aquisição, Compras e a Cadeia de Suprimentos são interdependentes e a interseção, conforme sugere a Figura 10, varia de acordo com o design da organização e o setor em que ela atua. Por exemplo, um hospital não pode deixar faltar materiais de consumo em seu estoque como compressa de gaze, que é muito utilizada para absorção de sangue, limpeza e cobertura de curativos em geral. Esses como também seringas, algodões, equipos para soro, dentre outros materiais precisam ser constantemente reabastecidos, daí a necessidade de se ter procedimentos nos quais se espera maior eficiência e eficácia dos serviços. Na maioria das vezes, os fornecedores são selecionados por empresas com base em três fatores básicos: a capacidade de cumprir com alguns padrões de qualidade, aspectos contratuais da entrega e o preço que eles oferecem. No entanto, no gerenciamento moderno, é preciso levar em consideração vários outros fatores para ter sucesso e estabelecer um relacionamento de longo prazo com seus fornecedores. Assim, os fornecedores se tornam os melhores ativos intangíveis da organização. De qualquer forma, organizações modernas precisam abraçar integralmente sua base de fornecedores. Os relacionamentos “fornecedor-cliente” constituem um sistema que otimiza o desempenho corporativo quando todos os envolvidos trabalharem para esse fim. Outra questão importante é que as empresas vêm implantando programas de desenvolvimento de fornecedores há décadas, bem como implementando iniciativas nesse sentido, pois sabem que aí está um meio de se conseguir vantagens, como os sugeridos por Giacomelli e Pires (2016): • Criar novas fontes de fornecimento para quando não existem fornecedores para a empresa. • Criar fontes de fornecimento mais convenientes e baratas. • Diminuir a dependência excessiva de um único fornecedor. • Melhorar as habilidades existentes no fornecedor para atender seus requisitos de qualidade, prazos. • Trabalhar o baixo desempenho do atual fornecedor. Conheça a realidade da logística hospitalar na atuação de garantir o produto certo, na hora certa, no momento certo, para o paciente certo. SILVA, R. Logística Hospitalar. 2016. Disponível em: https://administradores.com.br/artigos/logistica-hospitalar . 43WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Assim, conseguem-se vários benefícios conforme o que preconiza Moura (2009): • Parceiros mais fortes e foco comum na qualidade. • Confiabilidade de entregas e melhor controle de processo. • Dependência mútua e congruência de objetivos. • Redução no custo da cadeia logística. Uma das preocupações à medida que os custos de transporte relacionados à logística aumentam é em terceirizar os requisitos de serviço da logística para uma empresa confiável, reduzindo assim significativamente os custos. Você pode ver a menção a isso no artigo da logística hospitalar, anteriormente sugerido. A terceirização ou outsourcing dos requisitos de serviços de logística para um provedor de serviços externo de logística pode ser uma decisão sábia a longo prazo. Esses prestadores de serviços de logística lidam principalmente com serviços como transporte, armazenamento, entrega e outras operações relacionadas. Eles estão crescendo rapidamente a cada dia, oferecendo estratégias superiores de terceirização e planos de transição a taxas econômicas. Eles garantem serviços de logística personalizados, conforme desejado por seus clientes. É importante você lembrar com o exemplo do advento da pandemia da COVID-19, que além da rápida queda da demanda por produtos e serviços que provocou a diminuição da escala de produção de muitas empresas, também se romperam várias cadeias de suprimento dado terem sido interrompidas o abastecimento de componentes específicos que não foram entregues pontualmente às fábricas para elaboração de produtos finais. Portanto, o risco de manter a continuidade dos negócios e manter a produção em um nível ideal aumenta, sendo necessário recorrerem aos fornecedores pela parceria entre eles. Muitas empresas buscaram reagir aos problemas advindos, tomando a decisão de terceirizar sua produção ou mesmo de licenciar a marca para empresas terceirizadas, bem como de transferir a produção dos componentes e produtos semiacabados para outros países, para outras regiões econômicas do globo, a fim de encurtar e simplificar a logística internacional, mas fundamentalmente, cumprir com seus compromissos anteriormente pactuados. Nesse aspecto de simplificar a logística internacional, há uma convergência na tomada de decisão entre as condições de viabilidade do negócio, com as principais plataformas de aquisição de matérias-primas e de meios de exportar os produtos manufaturados. Por exemplo, a Samsung desistiu de fabricar celulares na China, transferindo sua produção de smartphones para a Tailândia. Recentemente, a fábrica de motores da MWM localizada em Córdoba, na Argentina, que produziu motores à diesel para modelos da Ford, GM e Mercedes-Benz, mudou suas operações para o Brasil. Como negócio, é verídico que o capital busque ambientes de prosperidade. Como ente social, é uma perda para a localidade e para o país em termos de desenvolvimento. Mas a discussão ficará no aspecto das mudanças que a produção assume nos dias de hoje, em que as distâncias entre países diminuemconsideravelmente, deixando de ser um impeditivo maior. E é nesse ambiente que os fornecedores são forjados. 44WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Diante dessa argumentação, podemos elaborar um rol contendo os muitos motivos para se terceirizar os serviços de logística, sendo que os principais motivos para terceirizar serviços de logística incluem (MOURA, 2009): • Liberdade para se concentrar em operações críticas: em vez de tentar executar serviços de logística internamente, terceirize-os para uma empresa, portanto, liberando tempo útil e aumentando a produtividade. • Satisfação aprimorada do cliente: a maioria dos provedores de serviços é especializada apenas em serviços de logística, o que pode aumentar a satisfação do cliente e criar parcerias que podem ser duradouras. • Economias de escala: um provedor de serviços de logística terceirizado pode ajudar a obter economias de escala, pois despesas como custos de seguro, custos de transporte ou custos fixos de armazém são atendidas pelos prestadores de serviços de logística. Depois de decidir terceirizar os serviços de logística, é necessário identificar o provedor de serviços certos. E, então, alguns dos fatores a serem considerados incluem: • Análise dos aspectos críticos como custos, operações da cadeia de suprimentos e viabilidade da terceirização, entre outros aspectos. • A experiência dos prestadores de serviços - número e capacidade de armazéns, sistema de transporte, processo de compras, canais de atendimento ao cliente etc. • Análise dos concorrentes em relação ao custo-benefício verificando o suporte administrativo, taxas de incidência excepcionais (eventos negativos ocorridos), índice de desempenho etc. Veja que é muito similar ao que um profissional de Recursos Humanos faz em um processo de seleção de colaboradores para ocupação de um cargo dentro de uma organização. Você elabora um conjunto de critérios e confirma se o perfil é o ideal para suas demandas. 4 ADMINISTRAÇÃO DE SUPRIMENTOS: INTEGRAÇÃO LOGÍSTICA O domínio de técnicas e de novos requisitos impostos principalmente pelo cenário virtual provoca mudanças nos processos logísticos, sendo visto agora como um fluxo integrado ou fluxo incorporado de materiais e informações. Estrategicamente, é importante o controle desses fluxos, ou ter meios para acompanhar, dado que as transações comerciais são muito rápidas hoje entre varejo e indústria para atendimento de demandas, o que faz com que a ideia de uma logística competitiva e integrada surja a partir de uma combinação de uma estratégia logística de negócios com teorias de estratégia competitiva. Sendo assim, compreenda que, se não houver uma união ou interatividade entre diversos setores e processos de uma empresa, não se conseguirá uma orientação para a logística integrada, que é concebida com foco na gestão e não no foco da operação. 45WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA “Aperte seus cintos”, pois o desafio só tende a aumentar! Então, considere haver uma visão holística onde conseguiremos enxergar todos os processos da origem do produto até a entrega do mesmo, porém compreendendo ser “algo único”. Não há aqui mais aquela visão fragmentada ou individualizada de partes de quando estudamos os processos logísticos, mas uma relação de importância onde não se pode alterar uma lógica ou os componentes do processo sem que o mesmo não altere seus resultados. A maneira como uma atividade é desempenhada afeta os custos ou a eficiência das outras atividades, pois elas criam, com frequência, um intercâmbio em relação a um conjunto de variáveis que recorrentemente devem ser avaliadas na sua dinâmica. Esse intercâmbio significa que setores das organizações para atuarem nas novas concepções da logística precisam trabalhar juntos, para que possam melhorar as ações que ajudam a mover o produto da fonte de matéria-prima para o cliente final. A logística integrada é uma prática gerencial surgida em meados dos anos 90 em um Brasil cuja economia alcançava uma estabilização com o advento do Plano Real. A partir desse período caracterizado pelo favorecimento de uma dinâmica de negócios, os mercados passaram a influenciar vigorosamente a formação de preço de produtos, pressionando assim as empresas a reduzirem seus custos olhando para a cadeia produtiva a que pertenciam. Decorre disto que houve uma elevação a outro patamar de importância do supply chain, pois na equação das vantagens competitivas que uma empresa possa ter com a logística, está inclusa uma ótima entrega de produtos aos clientes. A logística integrada é assim mais orientada para otimizar custos e tempos de produção, além de melhorar a qualidade. Perceba, por exemplo, que armazenar lotes de produtos para depois expedir produtos para armazenagem tem lógicas comuns no fluxo, mas é muito distinto na evidência dos custos envolvidos. Isso porque podem ocorrer muitos fatores incidentes que exercem variações nos custos, tempo e qualidade logística como o valor do câmbio do dólar, eventos climatológicos e tantos outros eventos que interferem nos itens logísticos, apontados anteriormente como variáveis. A definição de logística integrada, em alguns aspectos, parece idêntica à concepção do conceito de logística. No entanto, contém uma diferença fundamental: a integração de cada etapa, tanto na fase de planejamento quanto na fase de controle. Em outras palavras, a logística integrada, além de lidar com tudo relacionado à logística tradicional, também se conecta com os setores de produção, marketing e todos os outros setores da empresa, tendo como suporte para isso sistemas inteligentes para controlar o fluxo de logística e coordenar todas as atividades. Assim, integrar a cadeia de suprimentos significa melhorar e minimizar os custos, aumentando a competitividade do mercado como um todo, porém, você só consegue isso integrando as diferentes funções dos processos de negócios dentro das organizações participantes da cadeia de suprimento. O que tem sido comum na literatura disponível nesse assunto, conforme apontamos anteriormente, são as relações mais estreitas entre setor de produção, marketing, finanças e, por certo, o setor de logística, porque são esses os responsáveis pelas atividades relacionadas à aquisição, movimentação e estocagem de materiais. Também, com a integração se conseguirá melhor gerenciamento de armazéns, uso de transporte e de materiais. Por outro lado, se conseguirmos integrar empresas das cadeias de suprimentos, conseguiremos muitas vezes antecipar o que o cliente necessita e quer, além de fazer utilização de uma rede de trabalho para atendimento em tempo hábil às solicitações dos clientes, como também a aquisição de meios como informações para o atendimento ao cliente. 46WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Observe que os esforços vão no sentido do atendimento do cliente, o que é algo claramente compreensível, pois a satisfação desse se constitui em um dos principais propósitos dessa empreitada concorrencial. Segundo Vaz e Lotta (2011), espera-se que a integração logística produza benefícios como: aumento da capacidade de resposta e da velocidade das etapas da cadeia de suprimentos; redução ao mínimo da variância na oferta dos produtos e serviços; otimização de estoques e custos de transporte; melhoria da qualidade dos serviços. Duas atividades são fundamentais para determinar o perfil da logística integrada, definido por Wood (1998 apud CARLINI, 2002): • Identificação do ambiente competitivo (identificar e estabelecer comparações e direcionar ações de melhores clientes e fornecedores). • Determinação dos custos e valores da cadeia (determinar os custos e valores de cada atividade e de orientação das ações de otimização). Tais argumentos se espelham no conceito da logística integrada,tendo implícita a busca dos entes da cadeia por facilidades para que as operações logísticas ocorram da melhor forma possível, onde preexiste uma condição de parceria entre esses entes, principalmente pelo fato de haver necessidade de compartilhamento de informações sobre produtos e serviços. Segundo Petraglia et al. (2009), a logística integrada exige que os valores conceituais das atividades da empresa sejam administrados como um sistema, e não como uma coleção de partes separadas, motivo esse que justifica nossos apontamentos anteriores de maior proximidade entre setores internos das organizações e das próprias organizações da cadeia de suprimentos. Isso foi provado diante das dificuldades iniciais na questão de distribuição de alimentos, de medicamentos, de kits de testes do coronavírus, na crise pandêmica, que apresentou um conjunto de ações desconexas por conta do estado de emergência, pela súbita demanda de produtos, aliado à impossibilidade de a logística proceder o atendimento dessa emergência. Fronteiras terrestres tiveram seus acessos limitados (9 países limítrofes ao Brasil) como também o acesso aéreo de estrangeiros oriundos de países da Ásia e da Europa. A logística foi imensamente impactada. E o que dizer os exportadores e importadores do país? Toda a cadeia produtiva foi impactada de tal forma que, se não houvesse uma logística de contingência para esses problemas, o caos se instalaria. Analise os aspectos mais recentes que acarretaram uma interferência nas atividades logísticas que conseguiu romper várias cadeias de suprimento. Acesse: Máxima Tech. MÁXIMA TECH. O impacto do CORONAVÍRUS na logística brasileira. 2020. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=MMjRcG46NvM . Acesso em: 17 abr. 2020. 47WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Dentro de condições normais, pode ocorrer que produtos que são anunciados na mídia e que deverão estar disponíveis nos pontos de vendas estejam indisponíveis nas prateleiras, determinando além da perda de giro e margem pela frustração de vendas, o impacto à marca do produto. E também é fácil compreender essa situação quando se tem vários produtos equivalentes/similares para uso e consumo, que podem cair no gosto dos consumidores, tendo a logística um papel a desenvolver como um mecanismo de diferenciação baseadas em custos mais baixos e melhoria nos serviços prestados. Isso confere melhores possibilidades de se concorrer com determinado produto dentro do ambiente da logística integrada. Ok, mas como isso se daria nessa questão? Bem, você deve ter percebido que a rapidez na resposta às demandas é algo primordial nessa questão, bem como não se disponibilizar produtos. Simplesmente, o produto não pode faltar no ponto de venda. Igualmente é importante a confiabilidade do sistema logístico em entregar o que fora prometido. Para isso, por exemplo, para que haja a integração, poderão ser designadas pessoas ou equipes que atuem de ponta a ponta na cadeia de suprimento, ou seja, colaboradores que atuem junto ao ponto de venda, até aqueles que trabalham com os fornecedores. É importante destacar que os esforços dispendidos por esse pessoal se resumem na simplificação dos fluxos logísticos aos quais estão vinculados. Pessoas específicas ou as equipes serão responsáveis por liderar e gerenciar esses esforços na cadeia produtiva, podendo ser, como dissemos anteriormente, uma atividade interna ao ambiente das empresas ou mesmo externas, que seriam feitas através dos setores internos ou grupos de cada uma das organizações. É vital que cada participante da cadeia de suprimentos agregue valor à perspectiva do cliente final na cadeia de suprimentos, o que é conseguido através da transferência de informações que são geradas e compartilhadas ao longo da cadeia. Com essas informações, as decisões tomadas serão em menor tempo e de forma assertiva, conferindo assim maior capacidade de resposta às mudanças nas necessidades dos clientes. Isso decorre porque as empresas têm condições de reunir informações precisas com as quais programam suas operações com mais eficiência, antecipando-se aos interesses dos clientes. Por exemplo, um setor de compras de uma empresa recebe informações do setor de estoque de outra empresa, sabendo assim as condições dos seus fornecedores, dos estoques, do transporte. Ou, então, o setor de estoque, cujo acompanhamento em tempo real de suas informações determinará um tipo de desempenho na aquisição de futuros itens, assim como um setor de compras que pode identificar produtos desejados pelos clientes. Um sistema inteligente, capaz de monitorar cada etapa do fluxo, desde a criação de ordens de serviço até a reserva e envio dos produtos para o armazém ou entrega ao cliente, permitirá a coordenação dentre as várias partes interessadas ajudando a construir uma operação eficiente e sem complicações. Para otimizar e tornar os processos eficientes, as empresas precisam redefinir uma estratégia digital e a maneira como seu trabalho com processos internos estará conectado, o que irá abranger muitos dados, análises e conexões com vários entes da cadeia e argumentos para elaborarmos estratégias. Veja como a logística integrada proporciona o controle do fluxo dos produtos e processos: 48WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Chamamos sua atenção para a Figura 11, observando-a como um todo, imaginando os dados que cada etapa pode gerar e o que você pode administrar, considerando que cada item da figura é considerado uma empresa distinta. Figura 11 - Serviço logístico integrado. Fonte: Galarza (2015). Mas que tipos de dados são consultados? Vejamos um exemplo de grande envergadura e que nos inspira a buscar organizar dados conforme nossas realidades. Olhando o gráfico da Figura 12, podemos observar o tamanho do impacto às cadeias logísticas de exportação para a China, viabilizadas pelo modal de transporte aquaviário. Em azul, você pode observar a queda de programação de navios para lá e, em vermelho, o de containers até o dia primeiro de março de 2020, onde há clara ruptura de cadeias de suprimentos em empresas que operam a partir da China. Aqui, você pode imaginar questões como a ociosidade da capacidade de navios disponíveis, embarcadores, despachantes etc. Para as empresas que dependem das entregas pontuais de produtos, componentes e materiais, o controle desses riscos é uma preocupação estratégica essencial. 49WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Está se tornando ainda mais premente à medida que as expectativas de serviço dos clientes continuam a aumentar com o passar do tempo. Quando uma empresa descobre que houve um problema na cadeia, o dano já pode ter sido causado. Por exemplo, um fornecedor chinês desistiu de fornecer 15000 respiradores que haviam sido negociados pelo governo brasileiro alterando as expectativas e estratégias do Ministério da Saúde. Pode ocorrer também um problema em um porto, armazém ou, ainda, em outro continente, pode algum fato causar uma reação em cadeia de produção perdida, entregas atrasadas, vendas perdidas e clientes insatisfeitos em todo o mundo. Figura 12 - Efeitos a curto prazo do surto de coronavírus. Fonte: UNCTAD (2020). Outro exemplo mais recente que tem acelerado as relações tanto entes de cadeias produtivas como governos de quatro países (Canadá, China, Estados Unidos e Rússia) diz respeito às disputas em curso pelas rotas entre os portos do Extremo Oriente e a Europa, pelo tráfego através do oceano Ártico. Navegar por ali representa uma substancial economia para muitas empresas que precisam sair ou chegar na Ásia utilizando a rota do Canal de Suez. 50WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA É bem verdade que há um drama associado a essa questão,que é a diminuição das calotas polares do Polo Norte por conta do fenômeno do aquecimento global e por um clima imprevisível, porém, vamos nos deter exclusivamente ao nosso tema inicial. Figura 13 – Localização Yamal e Nansha. Fonte: Google Maps (2020). Hoje, embarcações russas têm condições de trafegar entre o porto chinês de Nansha, em Cantão (Guangzhou), cruzar o estreito de Behring em direção a Yamal, no norte da Sibéria Ocidental - Rússia. Essa era uma rota que só poderia ser utilizada no verão ou, de outra forma, deveriam passar pelo Canal de Suez para chegar a Yamal, o que atrai as atenções dos Estados Unidos, Canadá e de outros países, podendo haver desdobramentos por conta de um conflito de interesses comerciais. Certamente, a alteração de rota irá estabelecer uma vantagem competitiva no contexto da logística integrada das empresas chinesas e russas quanto aos tempos para disponibilidade do suprimento de matérias-primas e da distribuição física de produtos no futuro, conforme sugerimos anteriormente. 51WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 4.1 Planejamento do Supply Chain As cadeias de suprimentos são uma rede complexa de empresas, pessoas, recursos, sistemas e informações. O potencial de desconexões e subotimização entre todos esses diferentes elementos é significativo, conforme pudemos demonstrar, sendo necessário um planejamento eficiente da cadeia de suprimentos (Supply Chain). Integrar operacionalmente a cadeia de suprimentos implica três fatores de orientação ao planejamento da cadeia: 1. Visibilidade na cadeia de suprimentos – envolvendo acesso a dados relacionados a transações que envolvem informações desde a monitoração dos estoques e disponibilidade de recursos para a cadeia de suprimentos. 2. Aspectos relacionados aos recursos – informações sobre quantidades, prazos, localização para entrega, aspectos contratuais. 3. Utilização de recursos – identificando aspectos vinculados à máxima produtividade, como custos baixos e excelência na prestação de serviços. Tais orientações levam em consideração a frequência e velocidade de comunicação por meio da cadeia, o que afeta os níveis de estoques, eficiências, custos e tempos de preparação e expedição de produtos. Para tanto, a previsão de demanda (diária, semanal, mensal) é uma forma de estratégia de dar viabilidade técnica à produção e estoque, pois levará em consideração na análise do cálculo todos esses itens para que o exercício de “futurologia” seja o mais próximo de uma dada realidade. Notadamente, é um processo com base no histórico de vendas e na experiência do mercado, mas que tem relação com o planejamento logístico, envolvendo por sua vez ações relacionadas aos processos de transporte, de armazenamento e de estocagem dentro das organizações e mesmo entre os entes da cadeia de suprimento. Todo elemento de sucesso no planejamento da cadeia de suprimentos aumenta a perspectiva das margens de lucro, o que na prática é quase sempre apertado. Um planejador da cadeia de suprimentos deve não apenas se preparar para o que é previsível e conhecido, mas também deve se preparar para os momentos em que as coisas dão errado, ou mesmo os imprevistos. Para isso, um planejamento de vendas e operações será uma ferramenta importante para o processo de gerenciamento de negócios que possibilita maior foco nos principais fatores da cadeia de suprimentos, incluindo aspectos relacionados às vendas, marketing, gerenciamento de demanda, produção, gerenciamento de inventário e dados sobre a introdução de novos produtos (se for o caso). De olho no impacto financeiro e nos negócios, o objetivo do Planejamento de vendas e operações, enquanto um processo que coordena planos de oferta e demanda, é permitir que os executivos tomem decisões mais bem informadas por meio de uma conexão dinâmica de planos e estratégias nos negócios. 52WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Portanto, devemos casar planos de receita de vendas projetadas com os esforços de marketing e vendas, e também com os planos logísticos para superar restrições operacionais existentes na cadeia de suprimentos. Avalie essas informações conforme o esquema abaixo. Figura 14 – Conflitos no processo de planejamento. Fonte: Bowersox et al. (2014 apud GIACOMELLI; PIRES, 2016). Para se alcançar uma disponibilidade de estoques (inventário), deve-se esclarecer que se exigirá muito mais do planejamento, por incrível que pareça, e menos da alocação de estoque para armazéns, em um primeiro momento, com base nas informações das previsões de vendas. Nas operações logísticas e nos processos de vendas, um conjunto de informações precisa ser analisado, considerando os níveis de capital imobilizado nos estoques, o nível de serviço adotado pela organização, a qualidade dos produtos, bem como as margens financeiras de interesse. Na prática, temos visto que a chave é encontrar os pontos de disponibilidade de estoque para clientes selecionados ou principais clientes, mantendo o investimento total em estoques e instalações, no mínimo. Tal desempenho requer integração total de todos os recursos logísticos e das metas relacionadas a compromissos de crescimento da empresa no mercado. Com o vídeo Logística Empresarial – Previsão de demanda e planejamento de estoques, poderemos complementar e consolidar os argumentos sobre a utilização da previsão de demanda na gestão de estoques, dado ser um importante instrumento utilizado para reduzir o nível de incerteza da procura e melhoria dos indicadores de custos e nível de serviço. Acesse e assista. IDEL. Logística Empresarial – Previsão de demanda e planejamento de estoques. 2016. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=bHhV2s5Otxo. Acesso em: 19 abr. 2020. 53WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 4.2 Sistemas de Informação em Supply Chain Sabemos que na implantação de um sistema de informação, muitas vezes, ocorre um enrijecimento dos processos por conta da resistência de colaboradores às inovações, ou porque podem não estar engajados aos novos propósitos da organização. Contudo, um sistema (TI) é concebido para dar mais fluidez aos processos, sendo indispensável para se gerenciar um Supply Chain. Um bom profissional nessa área verá que é muito importante ter cadastros bem consolidados no sistema, sendo os mais comuns os cadastros de produtos, de fornecedores, de clientes, de veículos, dentre outros. Esse profissional compreende desde cedo o que o sistema faz e extrai daí as melhores análises das necessidades da empresa, sabendo que os custos de implantação de um sistema de informação normalmente são altos. Há também a necessidade de sistemas que possam trazer para as empresas a integração necessária de todas as informações. Novamente, observe que todos os departamentos devem ser capazes de compartilhar seus dados e repassar as informações vitais de forma organizada e eficiente. Vários são os sistemas de tecnologia de informações (TI) disponíveis auxiliando no intento de interligar o gerenciamento da logística (integrada). Os sistemas como o Enterprise Resources Planning (ERP) são muito utilizados por empresas de médio e grande porte. O ERP (Planejamento de Recursos da Empresa) pode combinar vários aplicativos que facilitam o fluxo de informações dentro de uma organização, tornando-o uma ferramenta poderosa para a logística, atuando desde operações mais elementares das empresas até os níveis estratégicos, incluindo questões fiscais. Esses softwares, portanto, possuem módulos que tratam das questões financeiras da organização, compras, vendas, gestão de pessoas, contabilidade para quem precisa dessas informações. Mais especificamente, ele permitirá que os operadores de frota, por exemplo, gerenciem funções de negócios, como distribuição de produtos e manutenção deequipe, e fornece às empresas dados valiosos em todas as etapas da cadeia de suprimentos. Também auxiliará no gerenciamento dos estoques permitindo visualizar pedidos, vendas e entregas, além de análises de dados em tempo real que fornecem às empresas uma valiosa inteligência comercial. Muitas ferramentas de ERP promovem a comunicação entre fornecedores, distribuidores e varejistas e permitem que as transportadoras enviem informações ao vivo para os motoristas, como relatórios de tráfego e endereços de clientes. 54WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Mas, sem um treinamento necessário para operar um sistema desses, o que você veria de imediato numa tela de computador? Suponha que você, acessando um desses sistemas, tenha dados dispostos similares aos das Figuras 15 e 16, conforme seguem: Figura 15 – Visualização de tela de um daschboard (painel de controle) ERP. Fonte: Softvar (2020). Figura 16 – Visualização de tela de um daschboard (painel de controle) ERP. Fonte: Ramco (2020). Produtos 55WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O cruzamento desses dados lhe dará uma informação de interesse. Essa é a sensação do gestor com esses sistemas. Pelo que você pode perceber, temos de imediato a possibilidade de: • Planejamento de capacidade. • Gestão de recursos (estoques com entradas e saídas de produtos). • Visibilidade em tempo real do que ocorre no fluxo de materiais. • Relatórios detalhados. • Análise em tempo real. • Envio em tempo real dos dados. No ambiente do supply chain, tudo tem urgência por conta das incertezas, apesar dos planejamentos e por se ter dados em tempos reais. E essa é considerada uma condição de normalidade. Para você participar dessa atmosfera de trabalho, por um momento, avalie que, enquanto você estiver estudando, certamente novas ferramentas computacionais estarão surgindo ou sendo aperfeiçoadas, simplificando operações, e dando mais agilidade a outras atividades. Por outro lado, várias sortes de sinistros podem estar se formando. 56WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 4.3 Empresas Prestadoras de Serviços Integrados de Logística Precisamos fazer um alerta, pois é possível que você encontre muitas organizações que se apresentarão aptas a prover o mercado com Serviços Integrados de Logística. Elas se apresentam através da informação de fazerem uma logística integrada de Manaus para São Paulo ou de Porto Alegre para Recife, por exemplo. Há uma diferença clara entre a integração logística que se dá através dos esforços dentro de uma organização e entre as organizações de uma cadeia com o fim de trabalharem conjuntamente, o que muito difere de outras organizações que se propõem a fazer a prestação de serviços de forma personalizada, totalmente adaptada às necessidades de cada cliente. Tomemos novamente o caso da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, ou simplesmente Correios. Essa organização goza de um monopólio nos serviços de entregas de correspondências, mas que paulatinamente tem desenvolvido novos serviços para que não fique obsoleta perante outras empresas concorrentes que na Era Digital oferecem serviços similares. Seu propósito na logística integrada é a busca da vantagem competitiva pela terceirização de atividades. Figura 17 – Correios LOG+. Fonte: Correios e Telégrafos (2020). Para tanto, oferece um conjunto de atividades como consultoria logística e gerenciamento completo da cadeia de valor, realizando atividades como: recepção, armazenamento, expedição, transporte, distribuição, logística reversa, totalmente harmonizada com a estratégia logística dos clientes. Funciona conforme o estabelecido pela ilustração. Os serviços são desenvolvidos para a comodidade da organização contratante (empresas de médio e grande porte), envolvendo os processos de negociação e indo até a implantação e gerenciamento de soluções logísticas. Pode-se observar que é uma empresa que realiza uma variedade de atividades de serviços relacionados à logística de ponta a ponta, como transporte aéreo, marítimo, rodoviário e ferroviário (itens 6 e 7 da Figura 17), armazenamento (item 3 da Figura 17) e outros serviços de valor agregado (itens 2, 4, 5 e 8 da Figura 17) que compõem um total pacote de serviços de logística. As empresas que fornecem esses serviços devem ter um entendimento das operações de seus clientes, e também de sua cultura e de seus objetivos comerciais. 57WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A economia de custos é um componente diretivo e ter o conhecimento e a experiência necessários para identificar pontos fracos na cadeia de suprimentos para fornecer soluções que agilizam os processos do cliente são os diferenciais dessas organizações. Em síntese, o que fazem empresas como a do exemplo em sua prestação de serviços? Retomemos os conceitos trabalhados nesta unidade e veremos que, além de analisarem todos os aspectos logísticos dos negócios de seus clientes, desenvolvem atividades desde o fornecimento de matérias-primas ou componentes da fabricação até o armazenamento e até a entrega final do produto acabado aos revendedores, distribuidores e usuários finais. Além dos aspectos contratuais entre contratante e contratado, deve-se ter em mente que relacionamentos são construídos sobre confiança e um profundo entendimento das operações, mercados, valores e cultura do cliente. 58WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 2 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Vimos que a cadeia de suprimentos ou supply chain se tornou uma estratégia vital para as operações de muitas empresas. Para tomar as melhores decisões, os gerentes precisam acessar dados em tempo real, sendo isso desenvolvido através das tecnologias digitais que favorecem a transparência de ponta a ponta da cadeia. É certo que futuramente a função da cadeia de suprimentos pode até se tornar obsoleta pelo surgimento de um outro nível de interação melhor do que há nas empresas de grande porte, dado que essas gerenciam de maneira ideal os fluxos de trabalho na cadeia, justamente por ter uma estrutura desenhada para requerer muito poucas intervenções. Elas possuem normalmente setores de compras, manufatura, planejamento e logística, o que, por sua vez, inexiste, em boa medida, nas micro e pequenas empresas. Seu dever de casa é unir inicialmente os setores internos dessas organizações para posteriormente unir os esforços das organizações de uma cadeia. Apesar de haver muitas iniciativas, as micro e pequenas empresas seguem uma trajetória de união, considerando possuírem objetivos comuns e articulação promovida por entidades (SEBRAE-SC) como no caso da cadeia produtiva da moda, joias e acessórios da grande Florianópolis. Ainda que haja espaço para muitas atividades desenvolvidas por empreendedores nessa área, a simples análise preditiva está ajudando as empresas a melhorar sua previsão de demanda, para que possam reduzir ou gerenciar melhor a volatilidade de modismos, aumentar a utilização de ativos e fornecer conveniência ao cliente a um custo otimizado. Como sabemos, estruturas de organizações logísticas variam significativamente, dependendo da missão específica, tipo de negócios e recursos humanos disponíveis. Assim, também sabemos que a logística é vista como uma competência que vincula uma empresa a seus clientes e fornecedores. Portanto, nada é mais interessante do que estimular todos os gestores de empresas a pensarem em agir em termos de recursos integrados, associando-se a uma tendência mundial. As informações sobre os clientes fluem através das empresas na forma de atividades de vendas, previsões e pedidos. E essas informações, uma vez refinadas, podem favorecer a aproximação dessas organizações no sentido de melhorintegrar as etapas envolvidas para obter um produto ou serviço para o cliente. As etapas incluem mover e transformar matérias-primas em produtos acabados, transportar esses produtos e distribuí-los ao usuário final. Lembre-se que o desafio é envolver as entidades envolvidas na cadeia de suprimentos que incluem produtores, vendedores, armazéns, empresas de transporte, centros de distribuição e varejistas. Vá pensando nisso! 5959WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 03 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ...............................................................................................................................................................60 1 LOGÍSTICA INTERNA: ARMAZENAMENTO ............................................................................................................ 61 1.1 RAZÕES PARA A ESTOCAGEM ..............................................................................................................................63 1.2 FUNÇÕES E OPERAÇÕES EM INSTALAÇÕES DE ARMAZENAGEM ..................................................................65 1.3 OS CUIDADOS DA ARMAZENAGEM .....................................................................................................................68 1.4 SISTEMAS DE ESTOCAGEM E SISTEMAS DE MOVIMENTAÇÃO ......................................................................69 2 LOGÍSTICA INTERNA: DISTRIBUIÇÃO .................................................................................................................... 73 3 MODAIS DE TRANSPORTE: CARACTERÍSTICAS E ADMINISTRAÇÃO ................................................................79 3.1 INTERMODALIDADE ..............................................................................................................................................86 CONSIDERAÇÕES FINAIS ...........................................................................................................................................88 LOGÍSTICA INTERNA E MODAIS DE TRANSPORTE PROF. ME. MARCO ANTÔNIO SENA DE SOUZA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 60WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Olá, pessoal! Estamos iniciando um conjunto de novos tópicos. Trataremos de algo que inevitavelmente tem relação com o que deve ter em sua casa, que são mantimentos estocados, em um sistema conhecido como armazenagem. Esses mantimentos chegaram ao aconchego do seu lar pela atividade da distribuição e, certamente, por algum modal de transporte. Estamos em uma sociedade na qual fatores oriundos de uma cultura comum propiciada pelo processo de globalização, pela necessidade incessante de crescimento de produtividade e pelas instantaneidades das relações comerciais, impactam a logística. Um cenário tão complexo originou um interesse considerável pelo planejamento e controle de sistemas de armazenamento como também sobre a distribuição interna às organizações e dos modais de transporte utilizados para a distribuição externa. Esta unidade, portanto, oferecerá um tratamento sobre o que seja o processo de armazenamento estratégico em todo o sistema logístico, sobre a essência e a importância do processo de distribuição interno e escolha dos modais. Observa-se que devido à demanda aprimorada dos clientes, para a maioria das indústrias de manufatura, tornou-se cada vez mais importante monitorar e progredir continuamente a logística interna. Se a definição de logística é o conjunto de atividades dentro da cadeia de valor que gerencia o fluxo de materiais, informações e capital por ela, veremos que a logística interna tem os mesmos objetivos, apenas “intramuros”. Um curso superior procura preparar o(a) aluno(a) a atuar em ambiente de uma logística da empresa na qual se sabe que atualmente muitas empresas estão organizadas com informações de baixa tecnologia e, portanto, precisa planejar, elaborar uma plataforma logística integrada que atenda às suas necessidades de crescimento. Condições caóticas não são a maneira como as fábricas modernas podem funcionar, devendo-se garantir que a armazenagem, a distribuição interna e todos os transportes sejam planejados em tempo real para um suprimento de produção seguro. A gestão eficaz desses itens aqui apresentados mostrará o que leva as empresas a obter uma eficiência no processo de armazenagem, na distribuição dos produtos e da escolha dos modais para fazer o produto sair da esfera do produtor e chegar até o último consumidor, estabelecendo, dessa forma, reflexões sobre as ações necessárias para as organizações crescerem em seus mercados e construírem fortes relações com seus clientes. Bons estudos!!! 61WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1 LOGÍSTICA INTERNA: ARMAZENAMENTO Você deve ter na sua casa um local em que armazena mantimentos por algum período. Às vezes, até pode ter se esquecido de algum produto que há muito passou do prazo de validade e entrou em um dilema sobre a possibilidade de ele poder ou não ser usado. Pois bem, esse conceito, em termos simples, é conhecido como armazenagem de mantimentos. Um armazém é normalmente visto como um local para armazenar o inventário. Contudo, muitas são as circunstâncias em que o papel do armazém é mais adequadamente visto como uma instalação de transferência, do que um recurso de armazenamento. Os produtos são armazenados em quase todas as instalações, como também na cadeia de suprimentos. O armazenamento garante também o preparo correto dos produtos para garantir que os pedidos possam ser atendidos e distribuídos. Independentemente do tamanho da instalação de armazenamento, desde um pequeno local de uma empresa até as instalações de um armazém central, as principais unidades operacionais de atividades de armazenamento são muito semelhantes. A complexidade dessas atividades varia com base no volume de produtos a serem gerenciados e o tamanho das instalações de armazenamento; bem como requisitos específicos, como armazenamento a frio. Assim, contrário ao que muitos pensam, a armazenagem é um processo que agrega valor ao produto e ao sistema logístico. Tal situação é similar ao caso das bebidas acondicionadas em tonéis, nos quais, quanto mais tempo são mantidas em ambientes especiais, melhor qualidade apresenta. Não é algo que se possa auferir senão a manutenção e cumprimento de uma conformidade do produto dentro de um processo logístico, pois estão presentes as atividades de guarda e movimentação de produtos em uma instalação antes de sua expedição. Lembre-se da distinção que existe da estocagem, que é um termo que está voltado à colocação de um produto acabado, semiacabado ou matéria-prima em um local, ainda que possa fazer a proteção do produto. A discussão é relevante, pois quanto menor a quantidade de informações das organizações em relação a suas demandas futuras, maior será sua necessidade de investimento em armazenagem. Uma empresa busca crescer e, trabalhando nesse sentido, fatalmente verá a realidade de não ter espaços para seus produtos e serviços no futuro. A armazenagem dá suporte para uma atividade primária da logística que é a manutenção de estoques. Quanto maior é a necessidade de se manter estoques, maior é a tensão na armazenagem. Muitas foram as vilas e cidades que surgiram pelas rotas dos tropeiros. Esses pequenos comerciantes condutores de mulas faziam negócios em pequenos comércios chamados de “Secos e Molhados” ou também de empórios que na verdade são os armazéns do Brasil no século XVIII. A história dos armazéns no Brasil pode ser contada a partir desse contexto. 62WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Como exemplificamos anteriormente, há que se considerar as necessidades específicas (manutenção de temperatura, de umidade etc.) de determinados materiais, como as características para a suamanutenção, a segurança necessária, eficiência da movimentação de entrada e de saída desses produtos, a localização do material que está armazenado, o número de docas para movimentar essa estrutura de armazenagem e assim por diante. Além disso, nem todas as empresas podem prestar serviços de armazenamento, pois, nesse caso, há tributação pelo serviço bem como necessidade de autorização para a prestação desses serviços por autoridade competente. Atente-se ao fato de que são pensamentos ou razões como essas que, uma vez consideradas, diferenciarão os profissionais dos amadores. Observe também que o que está em jogo não é tão somente a armazenagem em si, mas os motivos da necessidade de se armazenar. Segundo Moura (2005), uma definição abrangente para armazenagem é: [...] a denominação genérica e ampla que inclui todas as atividades de um ponto destinado à guarda temporária e à distribuição de materiais (depósitos, almoxarifados, centros de distribuição, etc.) e estocagem é uma das atividades do fluxo de materiais no armazém e o ponto destinado à locação estática dos materiais. Dentro de um armazém podem existir vários pontos de estocagem. A estocagem é uma parte da armazenagem (MOURA, 2005 apud MANGINI et al., 2019, p. 31). Portanto, entendemos o conceito de armazenagem como uma função em que o foco da atividade envolve as mercadorias que serão acomodadas num intervalo de tempo entre sua produção e demanda e será parte da estratégia de marketing, no sentido de oferecer o melhor atendimento ao cliente. Uma filosofia (e não técnica) utilizada em processos logísticos é a aplicação do conceito just-in-time, uma estratégia para evitar ou minimizar a necessidade de estoques/inventário ou mesmo de armazenagem. Se a ideia é diminuir também os estoques/inventário, por que manter estruturas de armazenamento à disposição das empresas? Decorre que a maneira como o inventário dentro dos armazéns é gerenciado, paulatinamente, vem sendo mudado. Como se tem muitos dados em tempo real obtidos através da conexão de sistemas de softwares corporativos, o uso dos armazéns passará a uma nova concepção. Por exemplo, o varejo de vestuário tem um custo muito alto com manuseio e armazenagem de peças de roupas, de tal sorte que uma vez conectados, a transparência das fontes de dados permitirá um envolvimento mais ativo, e uma coordenação entre os parceiros da cadeia de suprimentos deverá se manter. Dependendo do ramo e da estratégia mais interessante às empresas, os armazéns tenderão a aumentar se houver uma centralização de produtos para expedição, ou diminuir se a estratégia implicar mais unidades descentralizadas. Ou seja, a estratégia maior é valorizar cada metro quadrado dos espaços físicos e diminuir perdas de recursos financeiros e de tempo. 63WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A interrupção temporária da circulação de produtos faz com que seja necessário realizar muitas operações de armazém, ou seja, descarga, movimentação, armazenamento etc. Estes são muito importantes tanto para a coordenação da produção quanto para a continuidade de vendas. 1.1 Razões para a Estocagem Em conformidade com o que foi dito anteriormente, a ideia é evitar ter itens produzidos em estoque, uma vez que demandam uma série de recursos (serão vistos mais à frente), e o ideal é produzir e escoar a produção. Assim, o armazenamento se apresenta como uma opção de suporte da produção, ou seja, não podemos nos livrar completamente do armazenamento sendo, portanto, inevitáveis em alguma parte do processo produtivo. Segundo Giacomelli e Pires (2016), as causas para armazenamento incluem: • Atendimento ao cliente, garantindo a disponibilidade dos produtos, fazendo a coordenação dos níveis de oferta e demanda, exigidos por suas substanciais variações ou pelo apoio a processos de marketing, montando ou armazenando para realizar ações promocionais de campanha. • Fornecedor não confiável ou por conta de operações não confiáveis, como no caso de impedimentos de importação, não cumprimento de prazos de entrega, imprevisibilidade na produção de matérias-primas. • Minimização de custos de pedidos e suprimentos, em que os custos totais podem ser mais baixos com um pedido grande, ou também redução dos custos de transporte, obtidos pela diminuição da frequência de suprimentos e aumento simultâneo de tamanho. • Disponibilidade de matérias-primas apenas para uma parte do ano. • Armazenamento intermediário da produção. • Mercadorias importadas aguardam liberação sendo estocadas em entreposto aduaneiro. • Matérias-primas aumentam a pressão sobre o preço, pois apoiar os processos de produção garante a continuidade no fornecimento da produção nas matérias-primas e de produtos acabados. Condomínios logísticos são instalações destinadas à armazenagem e operações logísticas de e mpresas que têm nessas áreas uma infraestrutura flexível destinada a atender diversas atividades. Muitos são os empreendimentos que oferecem esses serviços através de empresas especializadas. É importante observar que elas se instalam em localidades estratégicas que permitem deslocamentos mais rápidos e em menor tempo como acesso a portos, aeroportos e grandes rodovias. Leia mais a esse respeito em: FLEURY, P. Análise dos condomínios logísticos no Brasil. ILOS – Especialistas em logísticas e Supply Chain. 2014. Disponível em: https://www.ilos.com.br/web/ analise-dos-condominios-logisticos-no-brasil/. Acesso em: 12 abr. 2020. https://www.ilos.com.br/web/analise-dos-condominios-logisticos-no-brasil/ https://www.ilos.com.br/web/analise-dos-condominios-logisticos-no-brasil/ 64WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Proteção física de estoques, incluindo as condições técnicas do armazém para operação dos equipamentos internamente e estrutura mínima para combate a incêndios, proteção contra roubo. • Manipulação facilitada para aceitação e retirada de produtos, identificação dos estoques no armazém e controle dos seus níveis de estoque. No entanto, para gerenciar esses itens presentes nos processos de armazenagem, devemos novamente nos ater aos pressupostos teóricos da logística, que dizem sobre os processos dinâmicos de fluxos de materiais e informações que transitam e devem ser utilizados por profissionais para otimizar a atividade diária de armazenagem. Veja a Figura 1. Figura 1 – A função armazenagem e os fundamentos da logística. Fonte: Rentizelas, Tolis e Tatsiopoulos (2009). Ou seja, há um fluxo de produtos em um sentido e um fluxo de informações em sentido inverso, e ambos devem ser operacionalizados da melhor maneira possível. Diante de tais argumentos em relação a se armazenar produtos, surge um questionamento: é interessante terceirizar o processo de armazenamento? Um ponto de vista que pode ser avaliado a esse respeito está no artigo de Cordova. CORDOVA, F. Vantagens e desvantagens de subcontratar a armazenagem. 2013. Disponível em: https://administradores. com.br/artigos/vantagens-e-desvantagens-de-subcontratar-a- armazenagem. Acesso em: 12 abr. 2020. https://administradores.com.br/artigos/vantagens-e-desvantagens-de-subcontratar-a-armazenagem https://administradores.com.br/artigos/vantagens-e-desvantagens-de-subcontratar-a-armazenagem https://administradores.com.br/artigos/vantagens-e-desvantagens-de-subcontratar-a-armazenagem 65WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1.2 Funções e Operações em Instalações de Armazenagem Como uma das áreas mais tradicionais da logística, as funções do sistema de armazenagem são apresentadas pela possibilidade de impactarem esse sistema que tem relação com a ação de coordenar o fluxo de produtos de vários fornecedores, determinando o sucesso de todos os processos logísticos. De certa maneira, as funções do sistema de armazenagem se sobrepõem ou semesclam aos motivos para se fazer a armazenagem. Dentro das operações das instalações de um armazém, quatro atividades são consideradas básicas: o recebimento, a estocagem, a administração de pedidos e de expedição. Assim, ao caracterizar cada uma dessas atividades básicas, um leque de opções pode se suceder. Esses elementos têm relação com os custos de armazenagem que não podem ser eliminados, senão minorados quando se consegue ganhar escala no uso dessas unidades de armazenamento. Assim, essas funções estão presentes desde quando se faz a compra de materiais e equipamentos até quando se faz, portanto, a expedição dos produtos. Segundo Giacomelli e Pires (2016) e Corrêa (2019), têm-se os seguintes itens: • Recebimento - como o próprio nome diz, envolve atividades de aceite adequado de todos os materiais que chegam ao armazém, assegurando a garantia de que a quantidade e a qualidade solicitadas e colocando os materiais para armazenamento ou para outras funções organizacionais que os exijam. Na função recebimento, estão afetas questões relacionadas à conferência fiscal, à própria avaliação dos fornecedores que acontece aqui (condições dos materiais entregues e os prazos), encaminhamento para o local de estocagem e a unitização de cargas através da separação em paletes ou mesmo nas próprias instalações nas estantes industriais e porta-paletes existentes. Estudos têm demonstrado que a armazenagem representa um custo logístico que pode variar de 12% a 40% (BALLOU, 2011 apud FILIPPI; GUARNIERI, 2019) em relação ao custo logístico total, sendo a segunda maior fonte de despesas logísticas, estando atrás apenas dos custos de transportes. No intuito de facilitar o manuseio de cargas, volumes fracionados são agrupados em um único palete ou unidade de carga. Daí, o termo unitização. Normalmente, ela respeita dimensões padronizadas para se adequar ao espaço que o modal de transporte disponibiliza. 66WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Manuseio e movimentação de materiais – inclui o carregamento e descarregamento de modais de transporte, bem como empilhamento de paletes e o transporte para a área produtiva. Há necessidade de habilidades técnicas para se fazer isso, pois não é incomum monumentais perdas (avarias ou inutilização) por conta da negligência pessoal dos operadores, como também no uso de máquinas e equipamentos de forma incorreta, como prateleiras industriais, carrinhos de movimentação e empilhadeiras por exemplo. • Carregamento e descarregamento – como ação de entrada ou saída de produtos de um armazém, não é incomum que seja feita nas empresas maiores em docas onde caminhões entregam ou carregam seus produtos. Sua importância reside nas velocidades aprimoradas, bem como no estudo e preparação do layout do armazém para que não se interrompa o fluxo de movimentação. • Estocagem – guardar o produto em seu ponto de guarda com a posse física desses produtos até serem demandados. Trata-se de um dos maiores custos dentro do negócio demandando de um planejamento para se evitar grandes prejuízos para a empresa. O método de armazenamento depende do tamanho e da quantidade dos itens no estoque e das características de manuseio do produto ou de seu recipiente. Ele pode ser controlado por um software como um WMS - Warehouse Management System (Sistema de Gerenciamento de Armazém), que é um sistema que controla a quantidade total de itens fragmentados ou separados em cada palete (ou endereço). O sistema também possui funcionalidades como a procura e a colocação de produtos similares próximos uns aos outros para minimizar os deslocamentos das cargas. O WMS é um sistema de gerenciamento de armazém. O intuito com o vídeo da Sankhya, intitulado Veja na Prática como o WMS da Sankhya funciona na empresa, oportuniza uma melhor visualização de como operam esses sistemas em auxílio ao controle logístico. Portanto, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=NnVRWw7dnmc . Acesso em: 15 abr. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=NnVRWw7dnmc 67WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A estocagem necessita hoje do uso de códigos de barras tendo todo o controle por endereço ou localização do produto dentro do armazém. Figura 2 - Atividade de um WMS. Fonte: Brandão (2020). Lembre-se de que, no processo de estocagem, há entradas e saídas dos produtos do armazém, e o sistema gerencia esse arranjo não deixando erros de contagem ocorrer. As principais atividades desenvolvidas pelo software podem ser avaliadas segundo o esquema da Figura 2. Administração de pedidos e de expedição – caracteriza-se por ser a fase que inicia a saída de um produto, ela inclui duas atividades: • Processamento do pedido – averiguação e emissão de lista ou autorização para separação de pedidos. • Separação de pedidos ou Picking – seleção física dos produtos em seus locais, nas variedades e quantidades após receber os pedidos dos clientes. Em outras palavras, processo pelo qual os itens são removidos do armazenamento para atender a uma demanda específica. Documentos ou etiquetas de identificação são confeccionados quando da movimentação da carga para a área de consolidação ou expedição. Em nosso material, temos uma sugestão de vídeo que falará sobre o sistema Picking Voice, futuramente. Por ora, mostraremos, através do vídeo Logística Operacional, separação de produtos com WMS (COSTA, 2017), um aspecto da logística operacional, que é a simples separação de produtos com uso do WMS. Acesse: https://www.youtube.com/watch?v=88aMDNVsYx8 . 68WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Você precisará observar uma fase burocrática e necessária na etapa da expedição, em que são conferidos e unidos ao produto os documentos necessários para sua expedição, como a nota fiscal eletrônica (NF-e), conhecimento de transporte eletrônico (CT-e) e manifesto eletrônico de documentos fiscais (MDF-e), com detalhe importante, dado que cada um dos documentos citados possui um documento de registro auxiliar. Porém, há necessidade de se consultar a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para conferir a documentação necessária para o caso de cargas não convencionais ou que exijam especificidades para serem transportadas. 1.3 Os Cuidados da Armazenagem Armazenar carga pode ser tão arriscado quanto transportá-la. Desde a sua chegada inicial às instalações, durante todo o período de armazenamento e até o ponto de expedição, mercadorias em armazéns e outras instalações de armazenamento podem ser facilmente perdidas ou danificadas, sendo frequentemente um alvo principal para o furto. De fato, armazéns e terminais de transportadoras são dois dos locais onde mais ocorre o roubo de carga, além, é claro, de algumas estradas, cujo cuidado deve ser redobrado. Atente ao fato de que o furto e o roubo de cargas está presente no mundo inteiro, e nosso país de dimensões continentais sofre com isso, a exemplo de outros países. Para além dessa consideração, na armazenagem, é importante estabelecer diretrizes para ajudar a garantir o armazenamento e manuseio adequados dos produtos, considerando os atributos físicos e as operações de manuseio que podem variar ligeiramente de acordo com o local de armazenamento e especificidades, para se evitar perdas futuras. Imagine, por exemplo, os cuidados com equipamentos importados, utilizados e armazenados no canteiro de obras da Central Nuclear Almirante Álvaro Alberto, onde fica Angra 3 - RJ. Procedimentos válidos em armazéns específicos determinam que os colaboradores que atuam nesses ambientes devem estar familiarizados com o cumprimento dos procedimentos para o bom funcionamento do armazenamento dos produtos. Muitos são os acidentes que podem ocorrer nos processos de armazenamento,pois há uma série de equipamentos que são utilizados. Casos como o armazenamento das commodities de grãos em silos, armazenamento de produtos químicos e combustíveis, por exemplo, ensejam a necessidade desses cuidados. A ordem é priorizar medidas preventivas e corretivas para minimizar a probabilidade de falhas. Tenho certeza de que você não gostará de ser o responsável por uma explosão de um tanque de armazenamento (exemplo), justamente por não ter checado as condições de uso de uma válvula, não é? Portanto, são considerados riscos para as cargas nas operações logísticas (CORRÊA, 2019): • Risco mecânico: o risco que causa atrito, compressão, impactos, sendo necessários engradados, embalagens etc. • Risco físico: risco por empilhamento, armazenamento e transporte inadequado. • Risco químico: risco por combustão espontânea, oxidação. • Risco climático: umidade, temperatura. • Risco contaminante: risco pelo odor dos produtos, pela infestação de pragas como ratos. • Risco humano: pela falta de treinamento e pela insatisfação e falta de engajamento. 69WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Risco imponderável: não há como prever tais riscos, sendo necessário dispor de seguros (dispendiosos) junto a companhias seguradoras para minimizar tal ocorrência. A importância do fator humano em todas as sequências dos possíveis acidentes implica a constante melhoria do treinamento dos colaboradores que atuam nessas instalações. Não se esqueça disso! Seguem duas indicações de vídeos para deixar mais claro o que estamos discutindo: Para além dessas orientações, também é importante na gestão do processo de armazenagem criar ou verificar os documentos internos da empresa na forma de ordens de direção, instruções ou regulamentos. Todo o conjunto de atos normativos é definido como base formal e legal para a organização dos estoques e o bom funcionamento do armazém. 1.4 Sistemas de Estocagem e Sistemas de Movimentação Em nossa casa, fazemos uso de uma série de itens para manter produtos ordenadamente guardados. Na verdade, assim como em um armazém, nós iremos possuir uma variedade de componentes e compartimentos de armazenamento, aproveitando ao máximo o espaço disponível, mantendo nossos bens seguros e organizados. Assim, também é a premissa para o inventário armazenado em uma organização. Em um armazém, a busca vai no sentido de se conseguir utilizar da melhor maneira possível cada metro quadrado disponível, de tal forma que esses sistemas sejam extremamente funcionais e fáceis de serem utilizados, ajudando os trabalhadores no armazém a realizar seus trabalhos com segurança e eficiência e que normalmente seguem o fluxo demonstrado na Figura 3. Considerando a necessidade de cuidados no armazenamento de produtos, trazemos para sua análise o vídeo Explosão silo de milho, que justamente contará como ocorre esse tipo de acidente. Existem outras ocorrências vinculadas ao uso de silos, mas através desse exemplo, você compreenderá a essência e o rigor para se trabalhar com riscos. Acesse e assista. OLIVEIRA, F. Explosão silo de milho. 1 vídeo. Disponível em: https:// www.youtube.com/watch?v=m7aEfc_w194&list=PLfw-U_lY1twX2XC39EA- oyBvHUmTyb6h7&index=9. Acesso em: 15 abr. 2020. Outro exemplo que mostra a responsabilidade direta do operador está no vídeo Acidente com empilhadeira, risco de morte, onde um operador de empilhadeira causa um prejuízo com a quebra de produtos, correndo o risco de cortes pelos cacos de vidros das garrafas. Acesse e assista. CORREIA CURSOS E TREINAMENTOS. Acidente com empilhadeira, risco de morte. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rra8BzcIzOA . Acesso em: 15 mar. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=m7aEfc_w194&list=PLfw-U_lY1twX2XC39EA-oyBvHUmTyb6h7&index=9 https://www.youtube.com/watch?v=m7aEfc_w194&list=PLfw-U_lY1twX2XC39EA-oyBvHUmTyb6h7&index=9 https://www.youtube.com/watch?v=m7aEfc_w194&list=PLfw-U_lY1twX2XC39EA-oyBvHUmTyb6h7&index=9 https://www.youtube.com/watch?v=rra8BzcIzOA 70WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Quanto à localização e o formato dessa localidade, não é uma escolha fácil de se fazer, pois há a necessidade, muitas vezes, de um grande investimento de capital que, dependendo do design e da forma como o projeto é concebido para ter um número de prateleiras e outros dispositivos de guarda, encaixam-se perfeitamente num primeiro momento na planta e nos processos do seu armazém, o que pode ajudar ou prejudicar a taxa de transferência das cargas. O uso de casas residenciais para fins de armazenagem industrial não é algo incomum, principalmente em municípios pequenos. Trata-se, obviamente, de um improviso, mas que precisa ser bem avaliado, até por conta da segurança do local. Figura 3 - Lógica no fluxo de armazenagem e principais áreas. Fonte: O autor. Esse tipo de investimento não pode ser pedido por um planejamento deficiente. Pense no fato de alguém que tenha feito um investimento pesado em um quarto para um adolescente de 14 anos. Apesar de agradar imensamente ao jovem naquele momento, não demorará muito para se constatar que o que foi planejado não servirá para uma pessoa adulta, pois as necessidades serão outras senão maiores. O primeiro móvel que se perde, por conta desse planejamento equivocado, é a cama. Em um armazém, as possibilidades imediatas são a de verticalizar a colocação dos produtos em prateleiras com maior número de bandejas. Como hoje existem diferentes categorias de sistemas operando em galpões de armazenagem, é fundamental não só se familiarizar com as opções existentes, mas compreender como tais opções podem não suportar as necessidades futuras. Não é demais lembrar que as estruturas para armazenagem dependem da topografia do terreno, das dimensões envolvidas na construção de um prédio e de outras especificidades que possam limitar as possibilidades de armazenagem. A estocagem de materiais mais comum é o empilhamento sobre prateleiras, principalmente para produtos fracionados, de baixo giro e pequeno volume. Existe o empilhamento sobre o piso, mas ele vai depender do tipo de produto, pois pode impedir ou bloquear passagens. Então as estantes antes nominadas serão chamadas doravante de “racks”. Esses racks são estruturas metálicas no formato de estantes e possibilitam verticalizar o armazém. Da mesma forma de um rack, mas com uma estrutura bem mais reforçada, encontramos os porta-paletes, que são projetados para suportar itens mais pesados. Esses itens são dispostos sobre esses paletes e movimentados através do uso de empilhadeiras para alcançar estruturas superiores. 71WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Um sistema de estantes dinâmicas de empilhamento de paletes como este é perfeito para uso quando há vários paletes do mesmo item sendo armazenados, havendo versões automatizadas. Também há o flow rack, onde as prateleiras estão dispostas de forma inclinada, propiciando que as cargas leves e pequenas possam deslizar para o nível para no qual se faz o manuseio. Você pode ter visto esse item em algum filme, provavelmente, ou também nos “Correios” e mesmo em terminais de aeroportos. Outro tipo em nossa lista é o uso de mezaninos que se assemelham a um segundo andar, pois se trata de uma elevação entre o térreo e o piso superior que pode ser utilizado para armazenagem vertical. Notadamente, muitos são os barracões industriais em nosso país que são construídos para aproveitar o máximo de espaços, onde dentro dessas estruturas pode-se projetar dependências para um escritório com banheiro e copa, ou uma área coberta para oficina e garagem para empilhadeiras, e, na parte superior, um espaço a mais espaço para armazenagem. Em relação à movimentação de cargas, essa pode ser feita por diferentes tipos de equipamentos, sendo que, dependendo da escolhae de como estarão organizados em seu armazém, afetarão esses mesmos processos. Por exemplo, o uso de uma ponte rolante para transferir produtos volumosos, pesados e desajeitados como os materiais a granel; ou então por esteiras transportadoras, que deverão ser consideradas, pois, para uma armazenagem de carga unitizada, ou paletizada ou conteinerizada, exigirá uma visão futura do negócio dada a dificuldade posterior de se fazer modificações na edificação após ter sido concluída. Vídeo sobre o Push-Back – Sistema de Armazenagem, que nada mais é do que um sistema de estante de paletes de empuxo que funciona dentro de um armazém. Os paletes são movimentados pela ação da gravidade, através de carrinhos ou roletes, o que agiliza uma série de operações internas da organização. Acesse o vídeo: LONGA INDUSTRIAL. Push-Back – Sistema de Armazenagem. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=F6vNW7kqpug . Acesso em: 15 mar. 2020. Outro vídeo que vem complementar a tratativa do conteúdo programático, intitulado de Armazém Automatizado Bertolini – Transelevador, trata de um sistema controlado por computador, que facilita a movimentação rápida dos itens do estoque, pois atua de forma automática, gerenciando a localização dos pallets, sendo guiado por sensores e por uma central computadorizada. Acesse e assista. BERTOLINI SISTEMAS DE ARMAZENAGEM. Armazém Automatizado Bertolini – Transelevador. 2012. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=qnRb90PGHY4 . Acesso em: 15 mar. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=F6vNW7kqpug https://www.youtube.com/channel/UCXlUTV1K4YpfYR4nTVdLq_w https://www.youtube.com/watch?v=qnRb90PGHY4 72WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Essa afirmação funciona também como um alerta, pois vários são os modismos, dentre eles, o de automatizar tudo, onde uma simples instalação de transferência por plano inclinado pode ser uma opção menos onerosa e que não inviabiliza o sistema de movimentação. O gestor tem de pensar em vários detalhes, não é pessoal? Assim, podemos citar que auxiliam na ação de movimentação de cargas: • Equipamento de armazenamento e manuseio: armazena mercadorias no tempo entre o recebimento e o envio. Exemplos de tais equipamentos são estruturas de empilhamento, prateleiras e prateleiras. • Sistemas de engenharia: unidades automatizadas que movem mercadorias de maneira eficiente através de um armazém e reduzem a necessidade de intervenção manual. Sistemas automatizados de armazenamento, sistemas de entrega robótica, veículos guiados automaticamente e sistemas de transporte são os exemplos mais comuns nessa classe. • Caminhões industriais: veículos motorizados que movimentam materiais em torno de um armazém. Aqui são incluídas as empilhadeiras, caminhões manuais, carregadeiras laterais e macacos para paletes. • Equipamento de manuseio de materiais a granel: equipamento que auxilia os trabalhadores no manuseio de grandes cargas. Aqui, são incluídos os elevadores de caçambas e silos. Mas nada como ter e poder operar uma empilhadeira, que é tão útil nas empresas. Elas são quase que indispensáveis! Sinceramente, não há nada como uma empilhadeira utilizada em um chão de fábrica. Ela é muito útil por conta da versatilidade que ela apresenta no nosso dia a dia. O vídeo Tipos de empilhadeiras e equipamentos de movimentação irá complementar sua visão sobre um dos equipamentos mais utilizados (conforme mencionamos anteriormente) além de outros utilizados na movimentação e elevação de paletes nos armazéns. Acesse: SISARTEX CONSULTORIA & ENGENHARIA. Tipos de empilhadeiras e equipamentos de movimentação. 2019. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=NU-xGhaBzIE . Acesso em: 15 mar. 2020. 73WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2 LOGÍSTICA INTERNA: DISTRIBUIÇÃO Na logística interna (ou intralogística), lidamos com as movimentações que ocorrem dentro da empresa em termos logísticos, ou seja, em estoques, centros de distribuição, expedição etc. Assim, toda a movimentação de cargas e operações que visam a prestar suporte a essa movimentação dentro de uma organização, compõe o rol de atividades da logística interna. Compreende diversos processos, como armazenagem, controle de estoque, sistemas de automação e armazenamento, manuseio de materiais, equipamentos e tecnologia da informação. A movimentação de produtos cria para a sociedade o “valor de lugar”, pois permite que os produtores coloquem o produto exatamente onde os consumidores desejam em curto espaço de tempo. Se um produto não estiver disponível na data exata em que se precisar dele, isso poderá gerar perdas em vendas, insatisfação do cliente ou parada da produção em caso mais extremo. E isso decorre, muitas vezes, por problemas no Picking do processo, na entrega das mercadorias, na produção dos produtos, por atrasos por conta de falhas em equipamentos de movimentação, dentre outros. Ao conhecer o problema, o gerente pode tomar alguma ação e, nesse caso, comprar mais empilhadeiras ou reorganizar a distribuição dos espaços ou das cargas no armazém, o que será uma ação para melhorar a logística interna. O que pode ser corriqueiro no cotidiano de uma organização, na verdade pode se tornar uma estratégia da organização em reduzir custo e ao mesmo tempo de aumentar o nível de serviço oferecido ao cliente. A ausência dos processos logísticos internos gera problemas no movimento do material que alimenta a linha de produção, justamente pela falta de um fluxo de materiais bem sincronizado, que, por sua vez, só existe com um bom gerenciamento de logística interna. O termo “nível de serviço” diz respeito à probabilidade esperada de não haver um estoque esgotado ou de não se perder vendas por conta disso. Ou seja, atender à demanda dos clientes diante de qualquer pedido pendente ou venda perdida. Embora um nível de serviço de 100% possa atender a todos os clientes o tempo todo, além de parecer desejável, geralmente não é uma opção viável, pois os mercados podem oscilar, os produtos podem ficar obsoletos etc. 74WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Se você já é um profissional da área ou irá se tornar, uma coisa é certa, a velocidade com que a movimentação deve acontecer e o uso de estoque mínimo possível, seja de matéria-prima, seja de produtos acabados, é uma realidade. Além dos aspectos negativos listados anteriormente, problemas com acidentes, roubos de cargas, desgaste dos veículos, são exemplos que compõem o rol dos custos de transporte, sendo muito expressivo e impactante no cômputo dos custos de distribuição. Seu dilema não estará em reconhecer o custo em separado de cada um, mas a forma com que irá dar prioridade ou articular atacar dois ou mais problemas ao mesmo tempo. Então, fica claro que o sistema de movimentação, também chamado de distribuição física, tem relação com esses custos. A esse respeito, tem-se que as principais funções da distribuição física incluem atendimento ao cliente, processamento de pedidos, controle de estoque, transporte e logística e embalagens. Como dito anteriormente, na sua leitura você irá perceber que muitas funções se sobrepõem umas às outras nessa discussão, por conta exatamente da dinâmica que existe, por exemplo, entre um conjunto de engrenagens. Assim, a distribuição física ao fazer o movimento de entrada e saída de produtos dita a dinâmica da ação da logística de negócios por tanto fazer o fornecimento físico quanto a distribuição física. Lembre-se, essa logística da movimentação é feita dentro do fluxo, nos armazéns, na fábrica ou nos centros de consolidação (logística interna). Eliminar movimentos desnecessários e reduzir os tempos de entrega internamente permite um aumento na produtividade, influenciando também nas atividades externas que dependem da logística comoé o caso da área de vendas (por exemplo). Atualmente, essa maior eficiência e precisão nos processos internos tem sido conseguida através do uso de um WMS para otimização da logística interna. Por outro lado, também há o uso de processos automatizados nas operações de movimentação de paletes e de picking, como também da carga e descarga dos processos logísticos. Há várias tecnologias que estão sendo paulatinamente aplicadas nos armazéns, como uso de IOT (Internet das Coisas), uso de drones (POZO, 2019), dentre outros. Esse movimento de acompanhamento do uso das tecnologias inovadoras nesse ambiente, de fato, torna essas operações cada vez mais competitivas, mas como alertado anteriormente, há que se conhecer a fundo tais tecnologias para que não seja um prejuízo por ser produto de um modismo. No sistema de separação de pedidos, podem ser utilizadas vias através de roletes e correias transportadoras. Apresentamos, para sua análise, o vídeo Linha de separação de pedidos para auxiliar na fixação dos conteúdos ministrados. Acesse: BRINT INTRALOGISTICS. Linha de separação de pedidos. 2016. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Qk2s1eY449M . Acesso em: 15 mar. 2020. 75WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E seu desafio tanto será maior quando você estiver à frente de uma empresa que tem dezenas de colaboradores e grande quantidade de mercadorias para lidar. Há uma complexidade nesse caso, principalmente quando a empresa de armazenamento não usar algum método automatizado. É uma lógica vigente. Aqui, é importante deixar claro ao aluno que o processo de automatização não necessariamente trará desemprego em massa, e a exemplo do computador, criou-se ou aperfeiçoou-se tantas outras oportunidades de emprego. Muito bem, retomando à ideia de otimização dos processos de distribuição. Giacomelli e Pires (2016, p. 88) apontam três etapas necessárias para que ocorra essa otimização da distribuição. São eles: 1. Estruturar e otimizar a rede, estabelecendo parâmetros-chave (onde e quanto espaço) para se proceder a entrega dos produtos aos clientes. 2. Projetar e automatizar as atividades do armazém. 3. Desenvolver e gerenciar os processos de negócio e as operações físicas dos centros de distribuição e da logística. Algumas vezes, é necessário que alguns centros de distribuição conectem os fabricantes e seus clientes para melhorar o fluxo de produtos. Aqui, você já deve ter pensado que há um conjunto de empresas fornecedoras que envia seus produtos para um armazém ou uma outra unidade de produção. Você tem razão! É o típico caso de organizações montadoras de produtos eletrônicos como aparelhos de som e TVs. Assim, surge também o problema de localização dos centros de distribuição, demandando um estudo das melhores opções de localização para esses centros de distribuição e de como transportar produtos da indústria ou do agronegócio para os clientes através dos CDs (centros distribuição). Nesse vídeo, há exemplos de tecnologia aplicada na logística. O vídeo O futuro da logística no E-Commerce: IoT e realidade aumentada demonstra como soluções de economia de tempo e redutores de erros no picking são utilizados. Essa constitui uma tendência futura, mas que já está a caminho de uso comum. Acesse: COMSCHOOL. O futuro da logística no E-Commerce: IoT e realidade aumentada. 2017. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=5NlV6EEEpv0 . Acesso em: 9 abr. 2020. Outros elementos que preconizam o futuro da logística é apresentado no vídeo IoT Place e Logística com drone. Já terminou a fase de testes do uso de drones, e agora vários países dependem de uma legislação para a utilização desse meio de transporte. A IoT é utilizada por meio da incorporação de sensores, que permitem fazer leitura de temperatura do produto, e vários outros fatores relevantes. Acesse: IOT PLACE. IoT Place e Logística. 2017. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=3smCp0cSwJo . Acesso em: 9 abr. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=3smCp0cSwJo 76WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Como isso encontra barreiras por conta de os custos totais serem relevantes, esse problema de localização da instalação recebe muita atenção, e profissionais se debruçam em frente a computadores para elaborar vários tipos de modelos, para que uma escolha seja feita. A localização estratégica do armazém oferece oportunidades interessantes para a utilização de serviços logísticos ainda mais dinâmicos, podendo aumentar a velocidade de entrega ao cliente final. A implementação de novos arranjos operacionais decorre de relacionamentos cooperativos entre aqueles que atuam na cadeia de abastecimento/supply chain, porém, as soluções mais adequadas dependem de características próprias de cada empresa e da estratégia logística adotada (FLEURY; WANKE; FIGUEIREDO, 2000 apud MORELLI; DIMON, 2012). Tem-se, assim, que os arranjos operacionais necessários são obtidos ou adaptados conforme a estratégia de distribuição logística que seja compatível com os interesses da organização. O tradicional ou o mais comum é a distribuição disponibilizar, via expedição, a transferência da carga para o envio ao cliente final (Figura 4). Figura 4 – Sistema do fornecedor ao cliente final. Fonte: Rodorei Transporte Rodoviário (2020). No vídeo Case de sucesso – Still e Havan, você verá a rotina e as tecnologias utilizadas em outro grande Centro de Distribuição. O gerente de célula faz a apresentação dessas atividades e dos detalhes da parceria com outra empresa fornecedora de sistemas de movimentação de produtos no CD. Acesse e assista. TECNOLOGÍSTICA. Case de sucesso – Still e Havan. 2019. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Wh95B_vkWvU. Acesso em: 6 abr. 2020. 77WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O Transit point é uma estratégia de distribuição na qual se utilizam instalações similares aos centros de distribuição, cuja diferença é a inexistência de estoque, dado que as operações ali desenvolvidas são tão somente de passagem, ou seja, as cargas já estão consolidadas, não existe o picking, porém são separadas para os pedidos já definidos anteriormente. Figura 5 – Sistema Cross-docking. Fonte: Rodorei Transporte Rodoviário (2020). O transit point opera em instalações simples e de baixo investimento, pois, como dito anteriormente, as cargas já estão consolidadas. A carga consolidada é obtida quando se agrupam várias cargas de diversas origens (de um ou de diferentes clientes) para um destino único com grande economia e menos burocracia. 78WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O cross docking é um procedimento de logística em que os produtos de um fornecedor ou fábrica são distribuídos diretamente a um cliente ou cadeia de varejo através de um terminal de distribuição; geralmente, consiste em caminhões e portas de doca nos dois lados (entrada e saída) com espaço de armazenamento mínimo (Figura 6). O nome “cross docking” explica o processo de recebimento de produtos por meio de uma doca de entrada, depois basta transferi-los para a doca de transporte de saída. Figura 6 – Sistema Cross docking. Fonte: Rodorei Transporte Rodoviário (2020). No caso, você tem as carretas que se posicionam nas docas e transferem suas cargas para o armazém, onde se desenvolve o processo de picking, sendo os pedidos posicionados agora na área da expedição, onde existem outros veículos aguardando os itens consolidados (diversos produtos de diferentes fornecedores são agrupados em uma mesmo lote), que podem ser caminhões pequenos, vans ou outros meios de transporte que farão a distribuição local. Podemos observar que a funcionalidade das instalações de armazenagem estará em consonância com amissão estratégica da armazenagem. 79WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3 MODAIS DE TRANSPORTE: CARACTERÍSTICAS E ADMINISTRAÇÃO Uma vez que as mercadorias são embaladas e sua inspeção pré-embarque for concluída, um plano de logística de distribuição das mercadorias deve ter sido idealizado para garantir a entrega programada. Isso envolve planejamento para o transporte dos bens e a decisão quanto ao modo de transporte a ser utilizado é, portanto, a essência da distribuição logística. Os modos alternativos de transporte e o que é ideal do ponto de vista do custo total de transporte serão determinantes na remessa da carga e na negociação com os clientes, e muitas vezes com governos em diferentes esferas. Por exemplo, navios ficaram aguardando desembarque de cargas até autoridades sanitárias se certificarem de que não havia nenhuma dúvida de contaminação no evento da pandemia 2020. Outro exemplo são as gigantescas estruturas como o transporte de partes de um aerogerador ou mesmo de cargas indivisíveis que demandam a interdição parcial ou total de estradas. Porém, no mundo do comércio, a empresa com a capacidade de transportar mercadorias da maneira mais econômica é a que mais se destacará no setor. Portanto, a existência de uma empresa em uma cadeia de suprimentos/supply chain eficiente dependerá da visão e domínio de conhecimento que o profissional (você) deverá ter sobre os principais modais de transporte, devendo compreender os pontos fortes e fracos de cada modal. Compreenda que o problema não reside no simplismo do conhecimento, mas na falta de percepção de que há possibilidades maiores na combinação de modais de transporte, e que há um movimento mais forte nesse sentido nos dias de hoje. A gestão de grandes cidades já trabalha com esses conceitos que é a mobilidade multimodal, que veremos mais à frente. Assim, as premissas que guiam um profissional da logística o motiva a trabalhar no sentido de poder mover o maior volume de produtos com a maior velocidade e a maior distância, com o menor custo. É como se fosse um padrão presente na tomada de decisão dos gestores, mas que, no geral, ainda que essas premissas sejam verdadeiras, nem sempre são facilmente alcançadas. Notadamente, é uma condição em detrimento da outra. Mas entenda também que isso não é taxativo ou uma regra imutável. Os modos pelos quais as empresas abordam o uso dos modos de transporte mudam e, com o tempo, soluções mais arrojadas irão substituindo as vigentes, como é o caso do uso de drones e a promessa de veículos autônomos que dispensam o motorista nas estradas brasileiras, e que está em franco desenvolvimento. No estudo dos modais de transporte, o vídeo Os motoristas do arriscado, bonito e complexo transporte de pás eólicas irá lhe dar a clara noção dos desafios que alguns modais de transporte precisam transpor. Aproveite e observe a importância das operações logísticas de grande porte. Acesse e assista. ALVES, J. Os motoristas do arriscado, bonito e complexo transporte de pás eólicas. 2014. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=rKI5KjyCuVQ . Acesso em: 12 mar. 2020. https://www.youtube.com/watch?v=rKI5KjyCuVQ 80WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Nesse ínterim, estão as políticas públicas para o transporte para que essa área seja fomentada propiciando o aumento do comércio e o menor custo de vida para a sociedade. Cada um dos principais modos ou modais de transporte aqui apresentados tem suas próprias vantagens e desvantagens para os gestores levarem em consideração. O primeiro passo para escolher o modo certo é entender os aspectos que tornam cada modo distinto um do outro: Modal Rodoviário, Modal Aéreo, Modal Ferroviário, Modal Marítimo, Modal Dutoviário. Vamos trabalhar as informações a respeito de cada um deles: Modal Rodoviário - Não é segredo que o transporte rodoviário seja o mais versátil dos modos principais de transporte, até porque sua flexibilidade não é tão impactada com restrições geográficas. A ressalva se encontra nas condições das estradas, mas o transporte a menores distâncias e de menores dimensões permite que sejam feitas entregas de porta a porta. Portanto, é o meio de transporte mais popular. O transporte por caminhão é o mais disponível e acessível dos modos porque os veículos não são restritos a terminais de operação, mas pode fornecer serviços a partir do carregamento de outros modais, o que quer dizer que os caminhões concluem as tarefas das remessas inicialmente transportadas por outro modal de transporte. A viabilidade técnica dos tipos de caminhões se dá pela relação das quantidades de produtos, sejam pequenas a médias, e pelas distâncias a serem percorridas por estradas, apesar de que esse modal é usado principalmente para viagens curtas para produtos manufaturados de alto valor, porque caminhões têm custos operacionais mais altos e, obviamente, menores capacidades de que os trens. As rotas como São Paulo-Manaus e Porto Alegre-Recife são muito conhecidas por suas histórias, muito pertinentes a um país de dimensões continentais. Mesmo assim, as três principais rodovias mais utilizadas segundo a CNT – Confederação Nacional do Transporte (2018) são a rodovia Washington Luís (SP-310), que liga a cidade de São Paulo a São José do Rio Preto; BR 369, que segue de Minas Gerais para o Paraná e que passa por São Carlos e Bauru (SP); e a rodovia Ayrton Senna (SP-70), que liga São Paulo a Guararema (SP). São estradas como essas que fazem valer uma máxima conhecida no meio logístico que diz que o transporte reflete a economia brasileira. Sabemos que inovações como a aplicação de drones na entrega de mercadorias bem como o uso de veículos autônomos (sem uso de motoristas) são exemplos de uma realidade que não há como voltar atrás. Essa afirmação nos leva a repensar questões de natureza social, ligadas ao contexto da logística, estando nos referindo à manutenção dos empregos de muitos profissionais. Será que, com a aplicação dessas inovações, haverá um espaço para utilização desses profissionais? Certo que a tecnologia e a automação trarão desafios cada vez maiores. Novos perfis de profissionais incluem ainda a visão geral de negócios e ter habilidades novas onde coadune as características dos profissionais com as novas demandadas. Já ouviu falar de piloto de drone? Pois bem, profissionais deixarão de fazer tarefas repetitivas e começarão a trabalhar nas partes estratégicas das empresas. 81WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Apesar de serem as mais movimentadas, o volume atual de cargas revela que o crescimento econômico do país esteja aquém do que precisa para ensaiar um crescimento sustentável. Mas para além da economia, a matriz de transporte sobre rodas, é impactada pela qualidade dos pavimentos das estradas, onde o asfalto ruim pode danificar os veículos e elevar o consumo de combustível, além do tempo das viagens. Outra questão para sua reflexão é apontada por Rebelo (2011 apud DEIMLING et al., 2016), que faz uma abordagem sobre o transporte por caminhões, onde aponta o fato de que este tem tarifas baixas devido à sobrecarga, sendo que na maioria dos casos não há inclusão do custo da depreciação dos veículos na tarifa, e por consequência faz com que a frota esteja em mau estado, e também por falta de recursos financeiros para renová-la. Considerando os pontos favoráveis, como a flexibilidade, agilidade e capacidade de atingir quase todos os locais do território nacional, também há as desvantagens no transporte rodoviário, que são as influências externas que atingem sua eficácia, principalmente o clima, o trânsito e as regulamentações rodoviárias, três fatores que geralmente não influenciam outros modais. Além dessas desvantagens, pode ocorrer que em dado momento se torne difícilencontrar motoristas de caminhão. Detalhe: o Brasil é o único país do mundo onde predomina o caminhão. Modal Aéreo – faz-se presente e necessário para muitas indústrias e serviços para completar sua cadeia de suprimentos e funções atreladas. Proporciona rapidez na entrega, menor risco de danos, segurança, flexibilidade, acessibilidade e boa frequência para destinos regulares, mas a desvantagem é o valor alto por unidade de peso das remessas. É uma tendência com a sinalização dos governos na ampliação do número de aeroportos que muitas empresas adquiram suas próprias frotas de aviões para obter uma vantagem competitiva no crescente mercado. Existem algumas desvantagens no transporte aéreo. Em seu estado atual, o transporte aéreo ainda é, de longe, a maneira mais cara de enviar produtos. Além disso, devido à natureza das viagens aéreas, o peso e o volume do frete precisam permanecer mínimos para garantir a segurança do voo. O nível de emissões de gases na atmosfera, produzidas pelo transporte aéreo também é o mais alto que qualquer modo, o que é alvo de alguns reclames de sociedades protetoras do meio ambiente contra companhias aéreas e o governo. Sabe-se de um movimento mais forte na Europa e alguns nos Estados Unidos e Canadá, mas ele está se espalhando tendo chegado ao Brasil. Os dados de várias pesquisas mostram que o mercado de transporte aéreo continua crescendo, dada a tendência dos mercados mundiais e as tendências futuras do desenvolvimento do transporte aéreo na integração com outros modos de transporte, além das alianças e fusões de companhias. Considere também que oportunidades ocorrem com o encerramento de operações de grandes companhias e o nascimento de outras no ambiente de transporte aéreo. Certamente, em decorrência do advento da pandemia de 2020, muitas alterações estão em curso, em função de que muitos voos foram suprimidos da rotina de trânsito nos países e entre países. Ainda que haja esses obstáculos, o futuro da logística de transporte aéreo é continuar a absorver novas tecnologias embarcadas nas aeronaves e a cooperar com outros modos de transporte de maneira cada vez mais otimizada para fornecer uma base de serviços cada vez mais rápida e de porta a porta. 82WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA E segundo o Ministério da Infraestrutura (2020), os cinco principais terminais de cargas no país são: Guarulhos, Viracopos, Manaus, Galeão e Brasília, mas que foram impactados em 2020 com a pandemia do COVID-19, devido à brusca redução da demanda e da comercialização entre países. Modal Ferroviário - os trens transportam a maior quantidade de produtos na logística terrestre, principalmente por causa dos volumes de minério de ferro, soja, açúcar, carvão mineral, milho, farelo de soja, óleo diesel, celulose, produtos siderúrgicos e ferro-gusa que são manuseados a grandes distâncias, compatíveis às dimensões do país, o qual, por sua vez, ainda possui um sistema ferroviário menor do que nossos vizinhos argentinos (MINISTÉRIO DA INFRAESTRUTURA, 2020). A grande maioria da infraestrutura ferroviária conecta áreas altamente povoadas com grandes faixas de terra não povoadas entre elas, tornando o transporte ferroviário ideal para viagens de longa distância. O transporte ferroviário está confinado a uma infraestrutura mais limitada que o transporte rodoviário, apesar de que um vagão permite atingir de 100 a 120 toneladas incluindo a tara do vagão e a carga. Como característica definidoras, as locomotivas estão confinadas a um caminho traçado que vai entre os pontos A e B com pouquíssimos pontos de parada. As ferrovias são caras e demoradas para serem construídas, e são limitadas a áreas geográficas que tornam a construção mais trabalhosa, o que no nosso caso dificulta, comparativamente, a chegarmos aos 7,3 km que tem uma composição de 682 vagões puxados por 8 locomotivas de trens na Austrália. “Convenhamos, é uma composição muito longa. Fantástico!” Uma outra curiosidade diz respeito ao túnel ferroviário de São Gotardo na Suíça, que tem 57,5 Km de extensão, e demorou 17 anos para ser concluído, seu propósito foi o de aumentar o transporte de cargas até o Mediterrâneo. Assim, as ferrovias são acessíveis principalmente em grandes áreas metropolitanas. Esse atributo faz do trilho um dos principais participantes do transporte intermodal. O que é interessante no vídeo Maior avião do mundo atrai curiosos em São Paulo 15/11/16 é exatamente o tamanho do maior avião de asa fixa ou a capacidade de transportar cargas que esse avião ainda em operação faz ao redor do mundo. Observe o quanto ele impacta a curiosidade das pessoas e em especial os colaboradores do aeroporto onde havia pousado. Acesse e assista. CANTOS DA MATA. MAIOR avião do mundo atrai CURIOSOS em SÃO PAULO 15/11/16. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=ZxQvqGZSjmM. Acesso em: 2 abr. 2020. 83WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Modal Marítimo - A indústria marítima desempenha um papel importante no transporte internacional. Pode fornecer um transporte barato e de alta capacidade de carga para os consumidores. Portanto, tem uma posição vital no transporte de mercadorias específicas, como petróleo e grãos. Sua desvantagem é que ele precisa de mais tempo de transporte e seu prazo é fortemente afetado pelos fatores climáticos. Por exemplo, navegar da China para o Brasil demandará em torno de 45 dias para uma carga estar disponível aqui. Mas existem outros prazos a serem observados: • Tempo de movimentação e espera no terminal. • Tempo de carga e descarga. • Tempo de desembaraço aduaneiro. Para economizar nos custos e aumentar a competitividade, as atuais empresas de logística marítima tendem a usar navios de grande porte e técnicas de operação cooperativas. Trata-se de um modal que precisa construir novos conceitos de logística para aumentar a satisfação do serviço, por exemplo, ter informações em tempo real, identificar de forma mais precisa as janelas de tempo e sistemas de rastreamento de mercadorias, dentre outros itens que efetivamente conferem uma tranquilidade e confiança comercial. A operação da indústria de transporte marítimo pode ser dividida em três tipos principais, apesar de que todo o transporte seja feito por barcos, navios ou balsas, via um corpo de água, é um transporte aquaviário: (1) Navegação marítima: o negócio é baseado nos mesmos navios, rotas, preço e viagens regulares. (2) Navegação fluvial: as rotas/hidrovias são determinadas pelos trechos em condição de navegabilidade dos rios que também são determinados pelo ciclo hidrológico e pela capacidade de escoamento do solo da bacia hidrográfica. (3) Navegação lacustre: sendo um transporte bastante restrito pelo número reduzido de lagos e pela sua profundidade, promove a ligação entre cidades e países limítrofes. Figura 7 - Principais hidrovias brasileiras. Fonte: Oliva (2009). 84WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em relação às hidrovias brasileiras (Figura 7), essas têm como principal o objetivo de garantir o fornecimento de matérias-primas, o que pode ser observado nos principais fluxos de mercadorias. Estudos promovidos pela CNT - Confederação Nacional do Transporte (NASCIMENTO, 2019) demonstram que o Brasil utiliza 31% dos 63 mil quilômetros da malha hidroviária para o transporte comercial (passageiros e cargas). Segundo a mesma entidade, somente o sistema Paraná-Tietê se aproxima de uma hidrovia. Observa-se haver um leque de oportunidades em que seu “faro empreendedor” lhe estimula a pensar mais a esse respeito, não é? Importa lembrar que algumas localidades têm nos rios sua principal via de transporte, sendo cruciais para o deslocamento e o abastecimento das comunidades ribeirinhas (NASCIMENTO, 2019). Cabem mais estudos, mas a oportunidade deexplorar esse modal nessas localidades é latente. Figura 8 – Exemplo do movimento e rotas de navios tanques. Fonte: O Investidor (2020). Portanto, intervenções necessitam ser feitas ao longo do tempo, como dragagens ou aumento das profundidades em alguns trechos, procedendo-se assim, a manutenção da hidrovia. Sobre o transporte marítimo (através dos oceanos), normalmente está associado ao uso de contêineres especializados, ressalvado outros tipos de cargas as quais podem contar com o uso de navios especialmente preparados para isso. É o caso dos navios petroleiros, de navios preparados para o transporte de gás liquefeito, para transporte de animais etc. O vídeo Por dentro do Triple-E: o maior navio do mundo trará informações sobre o navio que já foi o maior do mundo. Também é interessante observar a quantidade de contêineres que ele consegue transportar. Acesse o vídeo pelo endereço a seguir e assista. RICARDO VARGAS. Por dentro do Triple-E: o maior navio do mundo. 2013. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=wfklFmiDCyM&t=31s . Acesso em: 8 abr. 2020. 85WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Sobre o contêiner, é interessante fazer uma comparação a uma caixa metálica, cujas estruturas são padronizadas internacionalmente, possuindo proporções tais, apropriadas para o transporte de mercadorias com segurança. Em princípio, o contêiner serve para qualquer tipo de carga. Se para o armazém o palete é uma unidade de transporte, para o transporte marítimo internacional, o contêiner também o é, apresentando uma facilidade no empilhamento, o que resulta em menores custos de armazenamento e transporte. Você verá muitos desses se estiver passando na BR-101 na altura de Itajaí – SC, também em outras cidades litorâneas como Rio de Janeiro e Santos. Conforme o mapa (Figura 8), pode-se observar que o fluxo de navios é muito intenso no comércio internacional, havendo rotas perfeitamente conhecidas e usadas hoje como há séculos. No entanto, novas rotas, como a do Círculo Polar Ártico, ainda estão sendo procuradas e testadas para se verificar sua viabilidade. O trânsito de navios é tal que se pode praticamente desenhar no mapa os limites dos continentes, dado que cerca de 90% desse comércio é realizado por meio de navios cargueiros que viajam em quase todas as principais massas de água e têm capacidade para transportar o maior volume de carga pelo menor custo. Modal Dutoviário - O transporte por dutos não é um modo formal de transporte no sentido tradicional e podemos dizer que não é inovador também. Podemos relembrar que dentre as várias realizações da engenharia romana, estão os aquedutos. Como Roma aumentou consideravelmente o número de habitantes e da demanda por água, e, foram construídos, portanto, aquedutos. O primeiro foi construído em 312 a.C. No entanto, é importante reconhecer hoje sua importância no atual mercado de combustíveis. Os oleodutos transportam combustíveis fósseis não refinados, como gás e petróleo, do ponto de origem (poço) até o ponto em que podem ser transferidos para as refinarias ou outro meio de transporte. O custo do transporte reside principalmente em sua construção, no diâmetro da tubulação e na viscosidade do fluido que está sendo transportado. Eles podem ser construídos acima do solo, subterrâneos ou subaquáticos, tornando-os ideais para perfuração offshore ou plataforma de prospecção de petróleo. Por exemplo, as 16 unidades de produção do pré-sal da Bacia de Santos estão a 300 km da costa operando em águas profundas (PETROBRÁS, 2019). Um grande desafio logístico. O vídeo Gasoduto Présal – Plansal Comperj “Rota3” é um material complementar que lhe apresentará a rota de um gasoduto através de animação 3D. Acesse e assista. GB VÍDEO. Gasoduto Présal – Plansal Comperj “Rota3”. 2016. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=Fp1eXtULaRw . Acesso em: 7 abr. 2020. 86WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Figura 9 – Projeto Alcoolduto. Fonte: NovaCana (2013). E semelhante a um oleoduto, está em fase de implantação o etanolduto ou alcoolduto (Figura 9), que é uma rede de tubulação para o transporte de álcool. Os projetos buscam interligar usinas, levando o biocombustível para as distribuidoras. Dois projetos estão em andamento, um no Estado de São Paulo e outro no Paraná. 3.1 Intermodalidade Muitas vezes, na logística, uma remessa é concluída usando vários modais de transporte. O objetivo é aproveitar os pontos fortes individuais dos diferentes modais, reduzindo assim os custos na conexão entre regiões remotas do país. Essa prática é conhecida como transporte intermodal e geralmente é necessária em logística. O transporte multimodal oferece uma plataforma avançada para transporte de carga mais eficiente, confiável, flexível e sustentável. Planejar um sistema tão complicado fornece áreas interessantes de resposta aos requisitos de globalização, fabricação ágil e entrega rápida ao mercado. Portanto, segundo o site Portogente (2016), a intermodalidade caracteriza-se pela emissão individual de documento de transporte para cada modal, bem como pela divisão de responsabilidade entre os transportadores. Na multimodalidade, ao contrário, existe a emissão de apenas um documento de transporte, cobrindo o trajeto total da carga, do seu ponto de origem até o ponto de destino. Mediante a descrição dos pormenores dos modais de transporte, é interessante termos contato com as tecnologias que permitem processos mais baratos, rápidos e com alta precisão na perspectiva de que clientes de determinadas áreas de mercado possam ser atendidos. Acesse e veja. FERRAMENTAL. O papel da tecnologia em transporte de cargas. 2019. Disponível em: https://www.revistaferramental.com. br/?cod=artigo/papel-tecnologia-transporte-cargas/. Acesso em: 20 abr. 2020. https://www.revistaferramental.com.br/?cod=artigo/papel-tecnologia-transporte-cargas/ https://www.revistaferramental.com.br/?cod=artigo/papel-tecnologia-transporte-cargas/ 87WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Para tanto, exige-se um grande trabalho para que haja esse “casamento” entre um modal e outro ocorra, considerando questões como prazos, facilidades logísticas, documentação e burocracia envolvida. A multimodalidade tende a se tornar um aumento nos custos de movimentação, pois o transbordo de uma carga precisa de uma infraestrutura como armazém, uma área para movimentação e elevação de contêineres e outros equipamentos. Além disso, deve haver uma continuidade no trânsito dessas cargas para que não haja ociosidade no sistema, o que prejudicaria em muito um ou outro modal. Por exemplo, os produtores de algodão usam cada vez mais a ligação ferroviária entre Rondonópolis-MT e o maior porto da América Latina, Santos – SP, onde é finalizado o beneficiamento da matéria-prima, antes do embarque para exportação. E equipamentos para isso são desenvolvidos no sentido dessa integração. Outro exemplo são as composições ferroviárias que possuem pranchas para transportar os semirreboques, a exemplo de um contêiner. Os caminhões ficam na localidade, e os semirreboques percorrem o trajeto até seu destino, onde serão recepcionados na localidade por outro caminhão, ou ainda despachado de retorno. Até mesmo a intermodalidade se apresenta como solução para a mobilidade urbana. Os usuários de patinete e bicicleta que se deslocam pela cidade, combinam a continuação de sua viagem com metrô, ônibus, trem, mas precisam de infraestrutura para que a integração seja uma realidade. Uma segunda razão para se utilizar essa modalidade é usufruir as vantagens dos dois modais de forma agregada, podendo estar relacionadas aos custos quanto aos serviços e considerando o valor agregado dos produtos que serão transportados ou a comodidade da população, levando em contaquestões como a segurança. Como você pode observar pelo que foi apresentado, deve haver algo mais para que tudo isso ocorra, que é fomentar um sistema de parcerias dos entes comerciais e não tão somente relações comerciais unilaterais. 88WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 3 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS Para esse módulo, vimos que a logística interna é uma das seções mais importantes nas empresas, especialmente nas empresas de grande porte. Ele gerencia, organiza, planeja e entrega os produtos acabados. É uma parte indispensável da cadeia de suprimentos, além de refletir o resultado da implementação da estratégia da empresa. O armazenamento é um dos processos no qual três funções principais são realizadas: recebimento de produtos de uma fonte, armazenamento de produtos pelo tempo que for necessário até que sejam executados ou solicitadas (interna ou externamente) e recuperação dos produtos quando é exigida. É um dos níveis mais importantes da cadeia de suprimentos, embora seja uma atividade de alto custo financeiro para as empresas. As iniciativas atuais de eliminar o armazenamento como um nível na cadeia de suprimentos é algo por demais difícil de ser alcançado, dado sua missão de compensar desequilíbrios na cadeia de suprimentos. Outra área especializada é a logística de distribuição, que inclui uma ampla gama de atividades. Todos eles se concentram em obter uma distribuição e movimentação eficientes de produtos acabados. Isso leva as mercadorias do final de uma linha de produção para alcançar os consumidores. Além disso, fornece um amplo conjunto de ferramentas de otimização. Eles são usados em áreas que incluem o atendimento de pedidos e gerenciamento de transporte. E estudar os modos de transporte de produtos nos leva a buscar compreender além das características de cada modal, o porquê de não conseguirmos ainda a combinação de fatores positivos, presente em cada modal de transporte. É certo que a intermodalidade ainda não pode atender as necessidades do mercado nacional. O país precisa criar condições ao aumento da competitividade desde a recuperação da marinha mercante brasileira, passando por portos brasileiros que têm de se tornar mais eficientes e competitivos, chegando a especificidades como a criação de áreas específicas para cargas e a instalação de centros de distribuição em áreas próximas aos cais, dado que nessa localidade o volume de cargas é muito superior a outros que servem demais modais de transporte. Precisamos aproveitar essa imensa costa marítima que temos e avançar no desenvolvimento das hidrovias. 8989WWW.UNINGA.BR U N I D A D E 04 SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO ............................................................................................................................................................... 90 1. LOGÍSTICA REVERSA...............................................................................................................................................91 1.1 PREÂMBULO SOBRE A GESTÃO AMBIENTAL ......................................................................................................91 1.2 A LOGÍSTICA REVERSA ......................................................................................................................................... 93 2 EMBALAGEM LOGÍSTICA ........................................................................................................................................101 2.1 USO DE SÍMBOLOS ................................................................................................................................................104 3. ESTRATÉGIA EM LOGÍSTICA ..................................................................................................................................106 CONSIDERAÇÕES FINAIS ........................................................................................................................................... 113 A ESTRATÉGIA LOGÍSTICA PROF. ME. MARCO ANTÔNIO SENA DE SOUZA ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: LOGÍSTICA E DISTRIBUIÇÃO 90WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Olá, amigos!!! Para esse último módulo, estaremos lidando com a informação de que a capacidade suporte de nosso planeta dá sinal de que estamos chegando a limites de tolerância ou de intolerância na quantidade de resíduos gerados pelo ser humano, descartados em boa medida, de forma incorreta. Apesar dos conhecidos lixões estarem migrando para o status de aterros sanitários, dado que nessas localidades se consegue fazer o controle e tratamento dos resíduos sólidos descartados, ainda assim a quantidade e o tempo para que esse resíduo seja disponibilizado adequadamente é curto, sob pena, por exemplo, de maiores localidades degradadas e inóspitas às atividades humanas. As primeiras teorias organizacionais não levavam em consideração questões relacionadas com os desperdícios de recursos naturais, mesmo que primassem pela minimização de recursos e tempos dentro das suas instalações produtivas. Mas, com o passar do tempo, muitas se alteraram, havendo hoje uma consciência ambiental, onde uma lógica biológica está associada agora às ações das organizações. Essa visão sobre a gestão ambiental, por sua vez, torna-se reflexo da melhoria da qualidade dos procedimentos fabris, porém, também justifica a qualidade de vida do cidadão comum, que não quer a poluição das águas, desertificação de grandes áreas, efeito estufa, poluição sonora... ou seja, o indivíduo tem direito e quer um ambiente ecologicamente equilibrado. A logística reversa entra nesse contexto ao auxiliar no controle dos itens que são consumidos e que podem ser descartados erroneamente, o que sugere haver um ganho duplo, pois através dessa logística, empresas poderão cumprir os requisitos de legislação existente em nosso país como em outros, além de ser uma atividade que traz benefícios na apropriação desse processo, como é o caso da reciclagem de materiais e a associação da marca a práticas sustentáveis em relação ao meio ambiente. Com a responsabilização dos fabricantes e do poder público, a atenção às embalagens se tornou muito mais forte, pois além da função precípua da embalagem de fazer a proteção do produto, permite o seu armazenamento e manuseio, e ainda de levar informações ao consumidor por meio de símbolos e cores. Dentro da proposta do módulo, também desenvolveremos reflexões sobre a estratégia em logística. É muito importante compreendermos o alcance de decisões como níveis de estoques, localizações de instalações, dentre outros itens que exercem impactos na empresa e na percepção da empresa pelo mercado. Vamos em frente! 91WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 1. LOGÍSTICA REVERSA Logística reversa diz respeito a todas as operações relacionadas à reutilização de produtos e materiais. Baseado em Wille e Born (2012), define-se como o processo de planejar, implementar e controlar o fluxo eficiente e econômico de matérias-primas, estoque em processo, produtos acabados e informações relacionadas, do ponto de consumo ao ponto de origem, com o objetivo de recuperar valor adequado. Figura 1 - Fluxo genérico da logística reversa de resíduos pós-consumo. Fonte: Tecnologística (2019). Há um forte contexto vinculado à gestão ambiental e, mais especificamente, com a proteção do meio ambiente e ao atendimento às normativas que obrigam a sociedade a esse propósito comum, e que é feito na logística através de um fluxo reverso, conforme a Figura 1. Para isso, alguns tópicos precisam ser trabalhados para que o objetivo maior seja alcançado. Vamos a eles! 1.1 Preâmbulo sobre a Gestão Ambiental Você provavelmente deve ter tido contato com alguma notícia que narrava sobre um acidente ambiental. Muitos causaram não só um dano ao meio ambiente,mas danos a terceiros em decorrência da atividade poluidora resultante de seu processo produtivo, e também dano à imagem institucional (marca) da empresa, pois é motivo de reprovação pela sociedade. Alguns exemplos históricos facilitam essa tarefa. Vejamos alguns: • Em 1984, um desastre químico ocorrido na cidade de Bophal, na Índia, liberou numa madrugada 40 toneladas de gás isocianato de metila, matando mais de 8000 pessoas. • Em 1986, também numa madrugada, um reator nuclear da usina de Chernobyl explodiu, lançando uma nuvem radioativa de iodo-131 e césio-137, resultando em milhares de pessoas desenvolvendo graves doenças e entrando em óbitos. 92WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Em 2019, você pode testemunhar desastres de grande impacto como o rompimento da barragem de Brumadinho-MG, as gigantescas queimadas na floresta amazônica brasileira e boliviana e o vazamento de óleo que atingiu as praias da região nordeste do país. Esses acidentes que promoveram grandes impactos (degradação) na natureza reiteram a compreensão de que os recursos do meio ambiente são finitos. Grupos da sociedade civil organizada pressionam empresas e governos em relação às causas ambientais, e passando mais recentemente a pressionar a sociedade por comportamentos individuais mais respeitosos ao meio ambiente. Através da previsão legal que fez com que fabricantes e poder público sejam responsáveis pelo gerenciamento de resíduos, o consumidor é um dos atores mais importante, pois depende dele a atitude de encaminhar o retorno dessas embalagens à empresa de origem. Mas antes precisamos nos indagar sobre uma questão: o que é lixo? É tudo o que não serve mais? As tarefas e responsabilidade no setor ambiental tem, portanto, uma relação direta com o direito ambiental, dado que há um aumento da complexidade dos problemas ambientais, que gera dificuldades de orientação até mesmo para especialistas. Mas olhando para uma questão mais básica, precisamos saber que ações de redução de resíduos perpassam inicialmente pelos seguintes conceitos (VGRESÍDUOS, 2020): • Lixo: os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis, podendo se apresentar no estado sólido e líquido, desde que não seja passível de tratamento. • Resíduo: tudo aquilo que pode ser reutilizado e reciclado e, para isso, este material precisa ser separado por tipo, o que permite a sua destinação para outros fins. • Rejeito: tipo específico de resíduo, em que todas as possibilidades de reaproveitamento ou reciclagem já tiverem sido esgotadas devendo ser encaminhado para um aterro sanitário licenciado ambientalmente ou para incineração. Assim, o primeiro item, o lixo, apresenta alguma possibilidade para ser utilizado; o segundo, o resíduo tem total condição de ser utilizado e o terceiro item, o rejeito, não tem mais como ser utilizado. Um outro conceito que deve ser considerado é o de ciclo de vida do produto. Consiste em estágios consecutivos e interligados de um processo de existência de um determinado produto, desde a aquisição da matéria-prima ou geração de recursos naturais até sua disposição final. Isso tem uma importância porque há uma relação com a destinação final de resíduos. Mais à frente, você perceberá que a logística reversa pode reduzir significativamente a quantidade de resíduos gerados, mas o importante mesmo é que se deve ter em mente a questão da destinação final. O controle dos efeitos ambientais de suas próprias atividades com a redução dos impactos ambientais permite que essas organizações possam buscar sua certificação segundo a norma ISO 14001 de Sistema de Gestão Ambiental (SGA) vigente mundialmente. Essa norma orienta as práticas das empresas industriais e de prestação de serviços de qualquer tamanho e auxilia as organizações e seus responsáveis a cumprirem a missão de proteger o meio ambiente. 93WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Dentre os vários benefícios dessa certificação, estão: • Prevenção de riscos e cumprimentos de obrigações previstas nas leis (brasileiras, mas podem ser utilizado para leis de outros países). • Identificação de potenciais de redução de custos. • Melhoria da imagem pública. • Facilidades junto a bancos e seguradoras. • Facilidades nas relações com órgãos ambientais. 1.2 A Logística Reversa A Logística Reversa é uma questão que tem recebido crescente atenção, sobretudo, na última década, dada a confluência de diversas situações. Por um lado, existe uma preocupação verificável sobre questões ambientais e desenvolvimento sustentável. Por outro lado, razões econômicas também tiveram sua contribuição nessa crescente importância das questões de Logística Reversa. De acordo com o conceito de logística, podemos ver um fluxo de materiais que segue do produtor ou da indústria e segue até a entrega do produto ao consumidor final. Contrariamente, segue-se um fluxo de informações que gera um feedback a todos os membros da cadeia produtiva, de tal sorte que possam rever seus planos, melhorar o contexto da produção e melhor se posicionarem no mercado concorrencial. Importa lembrar que, dentre essas atividades, há uma grande geração de rejeitos, sejam eles sólidos, líquidos ou emissão de gases que precisam ser mitigados (diminuídos) como parte de um esforço maior da sociedade em não degradar as condições ambientais do planeta. Sobre o ciclo de vida do produto, um vídeo intitulado Resíduos sólidos – ciclo de vida de produtos e logística reversa, lhe apresenta uma parte de uma palestra como material complementar, cujo conteúdo relaciona aspectos da lei de Política Nacional de Resíduos Sólidos, como também apresenta mais um pouco sobre o ciclo de vida e potenciais de geração de renda com esse vídeo. Acesse e assista. GLEYSSON. Resíduos sólidos: ciclo de vida de produtos e logística reversa. 2014. 1 vídeo. Disponível em: https://portalresiduossolidos.com/ciclo-de-vida-do- produto/. Acesso em: 11 abr. 2020. https://portalresiduossolidos.com/ciclo-de-vida-do-produto/ https://portalresiduossolidos.com/ciclo-de-vida-do-produto/ 94WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Assim, a proposta que ainda não alcança totalmente a gama de produtos no Brasil é a de que fluxos de retorno de bens manufaturados, materiais ou equipamentos retornem dos compradores para a rede logística. Por exemplo, os produtos manufaturados podem ir do cliente ao distribuidor ou ao fabricante. Esses bens materiais e/ou equipamentos podem ser remanufaturados, reutilizados, recuperados ou reciclados. Pense na imensa quantidade de computadores pessoais existentes no mundo e que se tornam obsoletos mediante as novas tecnologias que surgem. O que dizer dos celulares, considerando que no Brasil, no ano de 2020, havia 107,39 celulares para cada 100 brasileiros, ou 1,07 celulares/habitante. Se considerarmos que esses celulares terão um prazo de validade de uso, seja para sua bateria, ou seja, para uso dos seus sistemas operacionais que se tornam obsoletos ante as inovações que surgem, de fato eles serão descartados. As opções são a do descarte simples, de tal sorte que esses aparelhos serão parte integrante do resíduo controlado em um aterro sanitário por não ter sido dado uma destinação adequada (na pior das hipóteses), ou seguirá para uma unidade de desmonte, sendo suas partes reprocessadas para servir em outros fins. Obviamente, existem grandes oportunidades para se reutilizar esses computadores, celulares, por exemplo, e criar novos valores reutilizando componentes ou transformando em matérias primas. Além desses, existem os aparelhos de TV, equipamentos de áudio, baterias etc., que compõem o chamado lixo eletrônico que é uma grande fonte matérias-primas (após reprocessamento) de alumínio, chumbo, cobre, plástico, vidroetc. Na indústria automotiva, os resíduos podem incluir motores, alternadores, motores de partida, transmissões etc. Perceba que os fluxos logísticos reversos, ou seja, esses produtos, ao serem utilizados, retornam agora do consumidor ou do ponto de recolhimento do produto utilizado e segue em direção ao fabricante. No caso, o fluxo de informações segue no sentido contrário, sendo útil àqueles que necessitarem de tais informações para uso em seus planejamentos. O vídeo Logística reversa: lixos eletrônicos velhos viram novos equipamentos tratará de uma reportagem que destaca a transformação em filamentos para impressão 3D. Observando esse conteúdo, não só você verá a rotina de uma empresa que trabalha com esses produtos reciclados, mas também um contexto empreendedor, que estimule essa prática no nível comercial. Acesse e assista. PROGRAMA SC NO AR. Logística reversa: lixos eletrônicos velhos viram novos equipamentos. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=z_nW2vxLQZ0 . Acesso em: 10 abr. 2020. 95WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Apesar dos vários caminhos visualizados através dos fluxos, vários também são os motivos para que ocorram os fluxos de retorno de parte desses produtos aos fornecedores. Há uma previsão legal, estabelecida pela Lei n°12.305/2010, na qual, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, têm obrigação de orientar o retorno para as origens de produtos. Ou seja, ao varejista e atacadista, o dever de ter locais para a coleta desses resíduos; a indústria deve criar o sistema logístico para reutilização e reuso dos recursos, e o Governo a responsabilidade pela conscientização da população e a fiscalização dos entes da cadeia de suprimentos. Acrescenta- se aqui, que a legislação ambiental brasileira traz o princípio do poluidor-pagador em um de seus artigos, pela qual será responsabilizado quem causa um prejuízo ao meio ambiente, arcando com as despesas de prevenção de danos ambientais ou então, como consequência de um dano causado, sendo obrigado a reparar o dano através de atos impostos ao poluidor (Lei 6.938/81). Além disso, o Código de Defesa do Consumidor (CDC), em seu artigo 49, prevê, em compras feitas longe do estabelecimento comercial (internet, telefone etc.), a garantia ao consumidor do direito de se arrepender de uma compra e devolver o produto no prazo de 7 dias a contar da sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço. Figura 2 - Fluxos logísticos e logísticos reversos. Fonte: Teodorovic e Janic (2017). 96WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Assim, há previsão legal para setores prioritários na logística reversa dos seguintes produtos utilizados: • Embalagens e resíduos de agrotóxicos. • Pilhas e baterias. • Pneus, lâmpadas fluorescentes, de vapor de sódio e mercúrio e de luz mista. • Embalagens e óleos lubrificantes. • Produtos e componentes eletrônicos. Recuperar materiais constituintes de máquinas e equipamentos ou resultante de outros usos que permita economias relacionadas à compra de materiais ou de reutilização de produtos mediante prévio tratamento pode interessar a várias empresas, dado que de fato o material reciclável não flui necessariamente para trás através do mesmo canal, conforme pode ser visto na Figura 2. Por exemplo, no Brasil, 97% das latinhas de alumínio são recicladas. No entanto, somente material reciclável pode usar canais diferentes para retroceder? O item a ser “repatriado” pode ser feito de várias maneiras pelo consumidor. Você já deve ter visto o recolhimento de pilhas e baterias em bancos e cooperativas de créditos. Campanhas de recolhimento de equipamentos e de componentes eletrônicos são feitas em escolas, supermercados, lojas de materiais de construção, sendo ainda assim uma atividade considerada atividade de Logística Reversa. Gerenciar a logística reversa não é como gerenciar a logística direta, pois ela possui seus próprios desafios, como sua imprevisibilidade onde a logística direta é muito intencional. Por isso, é quase unânime que as empresas terceirizem essa atividade. O vídeo Como funciona a reciclagem de latinhas de alumínio irá demonstrar como as latas de refrigerantes e de cervejas são recicladas. O importante é a mensagem que consolida a necessidade e a oportunidade de atuar num mercado como esse, que tem crescido paulatinamente. Acesse e assista. MANUAL DO MUNDO. Como funciona a reciclagem de latinhas de alumínio. 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=wgPn3kZZtIY . Acesso em: 11 abr. 2020. 97WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Portanto, os produtos e materiais podem ser devolvidos ao fabricante original (na mesma cadeia de negócios) ou a outras empresas envolvidas em outras cadeias de negócios, desde que a atividade dessas empresas seja de fabricação. Conforme essas informações, você percebeu que as empresas podem se tornar mais ambientalmente eficientes através da reciclagem, mas também pela reutilização e redução da quantidade de materiais utilizados, o que pode ser pensado no processo da distribuição reversa de materiais entre os membros do canal. Aqui, é interessante esclarecer que a coleta de lixo municipal não é aceita dentro da definição de logística reversa, pois não diz respeito a fluxos opostos à direção tradicional da cadeia de suprimentos. Assim, a essência estratégica da logística reversa no macroambiente empresarial envolve características garantidoras da competitividade e da sustentabilidade às empresas, podendo ser observado no esquema da Figura 3 quais ideias são aglutinadas na competitividade empresarial. Figura 3 - Estratégia empresarial e a logística reversa. Fonte: Leite (2017). Além dos produtos de fim de vida no contexto do uso do cliente ou pela sua obsolescência, também há o retorno de produtos que apresentaram algum tipo de defeito, como por erro de emissão de pedido (por exemplo, a cor da camiseta errada), avarias no produto durante o transporte, ou até mesmo transformação do produto (por exemplo, o envio de flores) enquanto a caminho do consumidor. É um típico assunto que impacta principalmente os operadores de canais de e-commerce e em menor escala as lojas físicas. Parece um movimento exagerado das organizações, mas a qualidade é um atributo que está vinculado à experiência de compra, que, por sua vez, impacta diretamente a imagem da empresa e as vendas do produto. 98WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Assim, você também encontrará o que chamamos de outlet premium, que são estruturas no formato de um shopping center, muitas vezes, distantes dos grandes centros urbanos, onde se faz a venda de produtos que apresentaram algum tipo de defeito na fabricação, coleções com padronagens ultrapassadas, peças com pequenos defeitos que o cliente devolveu, recuperando parte do valor das mercadorias dado poderem ser vendidas nesses locais a preços promocionais. Esse é o contexto da logística reversa pós-venda. Porém, também existe a logística pós-consumo. Como o próprio nome induz a compreender, o produto é consumido e a sua vida útil (do produto) se encerra, apesar de poder ser aproveitado para algum fim específico. A vida útil de um bem é entendida como o tempo decorrido desde a sua produção original até o momento em que o primeiro possuidor se desembaraça dele (LEITE, 2017). São casos facilmente verificáveis em produtos como os priorizados pela Lei n°12.305/2010, envolvendo artefatos plásticos, garrafas de vidro, livros e revistas, artefatos metálicos, dentre outros. No canal reverso de reuso, você encontrará como exemplo o mercado de segunda mão, sendo um dos melhoresexemplos o comércio de automóveis usados, televisores e equipamentos de som. Um último item importante para você na qualidade de gestor, é compreender também os desdobramentos de um trade-off entre a sustentabilidade econômica de uma organização e a sustentabilidade ambiental da mesma. Não estaremos discutindo nada além do contexto de duas decisões que são inversamente proporcionais, mas que o gestor terá de tomar uma delas. O que chamamos de “meio termo”, dificilmente pode ser construído diante de um trade-off. Um trade- off, segundo Diniz Júnior (2011), pode ser definido como a relação negativa ou antagonismos de efeitos em um “caminho” que se apresenta em um processo de decisão. Veja dois exemplos propostos no estudo de Diniz Júnior (2011), avaliando o que está em jogo, considerando a necessidade da empresa, a necessidade do mercado e considerando o fato de que novos interesses acarretam novos trade-offs: • Se de um lado a empresa pode rapidamente obter a oportunidade de se inserir em nichos “verdes”, por outro lado, a má gestão das diferenças culturais entre a empresa compradora e adquirida durante o processo de fusão, pode, a médio e longo prazos, diminuir a credibilidade da marca “verde”. • Ao adotar critérios de sustentabilidade ambiental no desenvolvimento de produtos, a empresa pode estar se diferenciando em seu mercado de atuação ao mesmo tempo em que pode estar perdendo a oportunidade de maximização de lucratividade. Trata-se de um vídeo com o título de Pós-consumo, que tem o intuito de demonstrar o exemplo de uma empresa, no caso o Walmart, no qual um projeto de reciclagem é desenvolvido com itens descartados. Observe que junto ao interesse de demonstrar ações de destinação de resíduos, há uma abordagem vinculada à responsabilidade social. Acesse e assista. WALMART BRASIL. Pós-consumo. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=BVMhssZcJG4 . Acesso em: 11 abr. 2020. 99WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em uma breve conclusão, aponta-se que a estratégia de uma empresa não é tarefa fácil de ser construída, dado que efeitos positivos poderão ocorrer em detrimento de efeitos negativos, e vice-versa, mas sempre deverá ser guiada no sentido de propiciar oportunidades de melhoria às operações da organização. Mas isso não exclui a percepção sobre a sustentabilidade que distingue as atividades logísticas, que devem ser desenvolvidas sobre bases ambientalmente corretas. Nas suas reflexões, sugiro incluir o fato de que um sistema capitalista funciona através de contínua necessidade de consumo. Mas se hoje eu consumo indefinidamente, só terei como manter essa tendência se minha atitude como a dos demais for a de preservarmos os recursos ambientais para que, no futuro, continuemos a consumir. Observe que a definição de desenvolvimento sustentável trata exclusivamente de consumo, de tal sorte que a sociedade pede que as empresas se envolvam mais no apoio a causas sociais e ambientais, e que possam estar atuando de acordo com a abordagem do Triple Bottom Line. O Triple Bottom Line, ou também conhecido em português como Tripé da Sustentabilidade, é um conceito adotado por empresas que desejavam mudar sua forma de fazer negócios. Cunhado pelo sociólogo e consultor John Elkington, esse conceito engloba três fatores voltados à sustentabilidade e envolve 3 dimensões: social, ambiental e econômica, ou seja, se as empresas quiserem se manter no mercado, também deverão pensar no bem-estar da sociedade, o que inclui preservar os recursos naturais, usá-los de maneira adequada e sem comprometer o bem-estar. A lógica reversa para um varejista de roupas pode ser demonstrada no exemplo de como se aceitam as devoluções. O cliente traz de volta a calça jeans. O varejista garante que eles não estejam danificados ou desgastados. Se não estiverem, o jeans será recolocado e rearranjado para venda. Se esse jeans ainda estiver na temporada de estação, ou em condição de venda no momento atual, provavelmente ainda poderá ser vendido pelo preço total. Esse cenário tem suas próprias complexidades: transferência de itens entre lojas, envio de pedidos on- line de itens devolvidos nas lojas etc. Também possui suas próprias oportunidades para aumentar a lucratividade. O projeto TEDx traz uma série de profissionais que apresentam seus pontos de vista através de palestras de curta duração, normalmente. O vídeo O que é essa tal de sustentabilidade? é lhe apresentado com interesse provocativo quanto a uma quebra de paradigma e uma abordagem do Triple Bottom Line. Acesse e assista. TEDX TALKS. O que é essa tal de sustentabilidade? 1 vídeo. Disponível em: https://www.youtube.com/results?search_ query=sustentabilidade+enraizando&sp=eAE%253D. Acesso em: 19 abr. 2020. https://www.youtube.com/results?search_query=sustentabilidade+enraizando&sp=eAE%253D https://www.youtube.com/results?search_query=sustentabilidade+enraizando&sp=eAE%253D 100WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Algumas abordagens, de acordo com Giacomelli e Pires (2016), podem ser apontadas como elementos para melhorar a sustentabilidade nas cadeias de suprimentos. Para os compradores e investidores preocupados com a sustentabilidade dos produtos que compram de organizações que buscam desenvolver políticas ambientalmente corretas, consideram como sendo de grande importância um conjunto de itens responsáveis por garantir que suas cadeias de suprimentos sejam bem gerenciadas. É bom lembrar que essas empresas também estão em uma posição forte para influenciar seus fornecedores. Essa abordagem é apresentada por Giacomelli e Pires (2016) como elementos para melhorar a sustentabilidade nas cadeias de suprimentos para que sejam mais sustentáveis: • Dimensão ambiental: embora os custos sempre tenham sido um importante impulsionador das estratégias de gerenciamento da cadeia de suprimentos (supply chain), aspectos como consumo de energia e aspectos ambientais negativos de muitas cadeias de suprimentos têm sido um forte incentivo para melhorar o que é conhecido como gerenciamento da cadeia de suprimentos ecológica. • Dimensão ética: nos últimos anos, as empresas foram pressionadas a praticarem atividades ambientalmente coerentes. Muitas se apresentaram como tais, mas, por trás dessa imagem, pouco ou quase nada foi feito para estarem verdadeiramente conectadas com o consumidor que demanda por essa postura das empresas. Essa dimensão também inclui a ética e desempenho no trabalho, relações com a comunidade, transparência em suas atividades e rastreabilidade dos produtos. • Dimensão educacional: garantia de ações educativas e preparatórias dos colaboradores visando a estabelecer a sustentabilidade educacional. • Dimensão econômica: na sustentabilidade, essa dimensão se relaciona à melhoria na performance dos custos totais da cadeia de suprimentos, à eficiência e à confiabilidade que direcionam os investimentos da empresa. Embalagens de agrotóxicos e artefatos pneumáticos foram considerados símbolos da vilania perpetrada contra o meio ambiente. Veja no artigo sugerido o que tem sido feito para lidar com esses itens e que tem atraído a atenção para a mudança de sua perspectiva. WROBLESKI, A. Logística reversa: o exemplo das embalagens de agrotóxicos. 2012. Disponível em: https://www.awro.com. br/post/16902813056/log%C3%ADstica-reversa-o-exemplo-das-embalagens-de. Acesso em: 21 abr. 2020. https://www.awro.com.br/post/16902813056/log%C3%ADstica-reversa-o-exemplo-das-embalagens-de https://www.awro.com.br/post/16902813056/log%C3%ADstica-reversa-o-exemplo-das-embalagens-de 101WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2 EMBALAGEM LOGÍSTICA Na prática logística, a eficiência em movimentar mercadorias na cadeia de suprimentos depende, dentre outras coisas, de embalagens. Essas são consideradas,em meio a outras, uma atividade de apoio da logística, que precisa ser projetada adequadamente, adotados os requisitos técnicos, tipo de transporte, identificação e regulamentação do cliente aplicável a esse campo. Como nem todos os produtos têm formato de cubo e máxima densidade possível, o que facilitaria muito a todos que fazem o manuseio de cargas, do ponto de vista logístico, a embalagem deve cumprir as seguintes funções: • Função de proteção – a embalagem deve ser totalmente adaptada às especificações técnicas e funcionais características do produto, bem como seu “valor”. • Função de armazenamento, transporte e manuseio – estão associadas à suscetibilidade da embalagem aos processos de mecanização e automação (a embalagem deve ser adaptada para o sistema dimensional padronizado existente; facilitando o armazenamento, facilita a formação de unidades cargas vendáveis em termos de tamanho ou peso ou qualquer outra dimensão relevante para o produto). • Função informativa – a embalagem é um portador de informações usadas na identificação, manuseio (incluindo complementação dinâmica) e processos de armazenamento, também úteis no controle ao longo de toda a cadeia de suprimentos. Apesar de a logística reversa se apresentar como uma solução a um grave problema ambiental do cotidiano, que são os resíduos resultantes de atividades produtivas, indaga-se sobre o porquê de mesmo com o aparato legal, ações nesse sentido não estejam em plena utilização. Isso, por óbvio, não se aplica aos segmentos de empresas que já são obrigadas por lei a fazer a logística reversa (baterias, pneus etc.). Nas demais, podemos observar que a prática não é integrante da sua filosofia de trabalho, que aliado à falta de uma economia de escala suficiente, promove grande desinteresse pela causa. Sabe-se que existem custos associados à prática da logística reversa, mas que podem ser encarados por empresas como sendo um custo duplicado e que, por decorrência, irá provocar uma ineficiência de algumas cadeias reversas. Então, se a rentabilidade for baixa nesses elos da cadeia, será difícil alcançar valores relativos no comércio do que seriam as novas matérias- primas recicladas, e também pela concorrência entre materiais descartados pela sociedade. Uma proposta que fora suscitada diz respeito à criação de um imposto com a finalidade de mitigar o problema, porém, sabe-se que ele fatalmente será repassado à sociedade. O problema por si necessita de vários pontos de vistas, porém, é um passo dado refletirmos a partir dessas ideias. 102WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Função reciclagem – algumas embalagens podem ser reutilizadas. Sob uma dada perspectiva, um contêiner, enquanto desenvolvendo as funções de proteção e armazenagem, é reutilizado muitas vezes. Porém, com a busca dos fornecedores por embalagens reutilizáveis, cresce paralelamente a condição de reciclagem também, em que polímeros usados em embalagens plásticas podem se tornar matéria-prima para a fabricação de outro produto. Apesar dos itens apresentados e que lhe permite várias considerações, na prática, fixe-se em dois princípios básicos do design de embalagens: 1. Os custos das embalagens não podem ser proibitivos. A maioria das embalagens de preços mais acessíveis já são consagradas há muitos anos, e, em boa medida, são compostas por papel e papelão, seguidos dos plásticos (filmes, sacos, tubos, engradados, frascos, baldes, tambores); embalagens laminadas, Tetra Pak, embalagens vítreas, embalagens metálicas que incluem desde as latas comuns até os contêineres e tanques metálicos. Também há produtos que são transportados utilizando-se de filmes de óleos aplicados sobre a superfície do produto, bem como o uso de parafina como selante de alguns embutidos e a cobertura de queijos. Portanto, saiba qual é o melhor meio de proteção do produto sem descuidar dos custos inerentes. 2. Embalagens devem ser concebidas segundo a coerente relação de design e materiais. Assim, pensando em seu manuseio no depósito, é interessante buscar desenvolver embalagens para que quantidades múltiplas sejam adquiridas pelos varejistas, respeitando as dimensões do meio de transporte que será utilizado na movimentação da carga ao PDV. Também, aqui, é importante minimizar a deterioração do produto embalado, que pode ocorrer através de mecanismos de reação biológica ou físico-química. A deterioração biológica pode resultar do ataque de insetos, como ocorre, por exemplo, em alimentos, peles e tecidos. Temperaturas e umidades elevadas aumentam a taxa de atividade em vários estágios dos ciclos de vida de insetos. A fumigação química é possível em alguns casos, mas está se tornando mais rigorosamente controlada, respeitando a legislação do país ou de cada país na qual for objeto de exportação. Como uma regra do mundo da logística, um veículo transportador ou contêiner não pode transitar “ocupado com ar”, sendo desejoso o estudo e até a substituição do item de embalagem convencional por outro, para que se enquadre nos quesitos técnicos estabelecidos em normas e nos custos desse transporte. Assim, se um contêiner trouxer um carro importado, não seria de mau tom tentar compartilhar o mesmo contêiner com outros materiais muito mais leves, respeitando o que preconiza a legislação para esse trânsito de mercadoria internacional. Veja um exemplo de uma tecnologia que deve se expandir dentro da cadeia produtiva de frutas através de um pequeno texto, que tem relação com a questão das embalagens. Acesse e leia. ABRE. EMBRAPA desenvolve sensor que avalia grau de maturação de frutas. 2020. Disponível em: https://www.abre. org.br/tecnologia/embrapa-desenvolve-sensor-que-avalia-grau- de-maturacao-de-frutas/. Acesso em: 17 ago. 2020. https://www.abre.org.br/tecnologia/embrapa-desenvolve-sensor-que-avalia-grau-de-maturacao-de-frutas/ https://www.abre.org.br/tecnologia/embrapa-desenvolve-sensor-que-avalia-grau-de-maturacao-de-frutas/ https://www.abre.org.br/tecnologia/embrapa-desenvolve-sensor-que-avalia-grau-de-maturacao-de-frutas/ 103WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Outra regra prática diz respeito ao cuidado que se deve ter para se transportar variedades de caixas compatíveis (Figura 4). Figura 4 - Benefícios da Embalagem Modular. Fonte: Bowesox et al. (2014 apud GIACOMELLI; PIRES, 2016). É importante também trazer a essa discussão o fato de que os comerciantes devem trazer valor a potenciais compradores. Eles podem obter vantagem sobre seus concorrentes e garantir negócios se houver alguma oferta melhor do que a da concorrência, mesma no sistema de proteção da carga. Parece óbvia demais essa afirmação, mas não é. Muitos são aqueles que assumem uma estratégia de reduzir muito os custos relacionados à proteção dos produtos comercializados, ou mesmo de copiar os concorrentes, tornando determinados ambientes de negócio uma commoditie. Um diferencial requer criatividade na formulação da oferta, o que pode ser avaliado segundo o mix de marketing, também chamado de 4 Ps (produto, preço, praça e promoção) do marketing, que fornece a estrutura de decisões variadas para formular uma oferta rica em valor. Em relação ao produto, a criatividade não se refere apenas ao design básico do produto, acabamento, uso de vários materiais, especificações de qualidade, mas também em termos de rotulagem e embalagem do produto. Além dessas questões, considerando as pressões exercidas pela necessidade de proteção ao meio ambiente e o crescente nível de conscientização das pessoas em relação aos níveis de poluição, a embalagem pode se tornar uma ferramenta promocional muito eficaz no mercado. As questões relacionadas à proteção ambiental, uso de rótulos ecológicos e embalagens ecológicas formaram uma atmosfera comercial, inclusive na área de negócios internacionais a partir de meados dos anos 90, que potencializaa aceitação do produto. Isso justifica eventos como a PackFair, a maior feira da América do Sul, feita anualmente no Brasil, e a Propak, que é uma feira que já possui mais de 20, destinada a vários itens como segmentos agrícolas, química e industrial, dentre outros, e que é realizada em Xangai, na China. 104WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 2.1 Uso de Símbolos Muitos são os fabricantes que precisam fazer uso de marcações e símbolos estampados nas caixas para que essas sejam manuseados. Essa informação é similar ao que é necessário para que um pacote ou uma carga chegue a seu destino final correto. Essas marcações, como dissemos, devem ser estampadas nas caixas e são, portanto, essenciais, devendo-se evitar e, na ausência de uma etiqueta padronizada, o giz de cera, canetas de marcação e cartões. Isso porque elas podem ser borradas, apagadas, ou mesmo descolar da carga, causando estragos comerciais por conta do extravio de mercadorias, além de danos imensuráveis e de caráter psicológico ao cliente. Em relação às marcas estampadas nas caixas, essas devem ser grandes, claras e aplicadas ao lado da caixa de preferência por onde não se fará a abertura, contendo peso necessário e as informações de dimensão que devem ser claras. Assim, pode-se utilizar o seguinte exemplo para explicitação: Figura 5 - Atribuição de marcas de código para remessa. Fonte: O autor. Em um cenário de transporte e logística terrestre internacional, muitas vezes, é difícil para um expedidor e um destinatário conhecer a localização física em tempo real da carga após a sua remessa a um provedor de serviços de transporte e logística. Quando uma carga é transferida de um transportador para outro, é difícil obter informações do manifesto em um nível detalhado. Verificar o conteúdo real de uma remessa em rota e monitorar as informações de medição de tensão da carga durante o transporte rodoviário também é difícil, especialmente no caso de transportes terrestres selados, como contêineres. É uma tarefa diferente da administração de ordens em andamento, de expedidor para destinatário. 105WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Quanto aos símbolos que auxiliam a proteger as embalagens e proteger no transporte, deve-se respeitar critérios estabelecidos na norma NBR 7500, podendo ser por meio de etiquetas adesivas de alta qualidade, de cor preta, sendo apresentados os mais utilizados (Figura 6): 1. A taça significa haver um conteúdo frágil ou que pode ser quebrado. 2. O uso de setas se faz necessário para indicar que a caixa deve estar com a face superior acomodada em tal direção. 3. O gancho riscado com um “x” diz respeito à proibição de uso de gancho para trabalhar com essa caixa ou de furar ou ainda manusear com guincho. 4. O guarda-chuva indica que a caixa não pode ser molhada ou ser acomodada em lugar úmido. 5. A corrente diz respeito ao içamento de mercadoria pesada. 6. A proteção contra radiação solar é um símbolo designado também para qualquer outra fonte de luz, mesmo a artificial. Figura 6 - Símbolos de manuseio de caixas. Fonte: Norma NBR 7500 (2017). Esse artigo trabalhará o contexto de armazenagem em um varejo de produtos veterinários. Seu título Armazenagem de rações secas: estudo de caso pet shop irá demonstrar como é trabalhar com produtos de embalagens variadas, bem como a dinâmica da armazenagem. Acesse: SANTOS, J. M. et al. Armazenagem de rações secas: estudo de caso pet shop. 2013. Disponível em: http://www.fatecguaratingueta. edu.br/fateclog/artigos/Artigo_51.PDF Acesso em: 10 abr. 2020. http://www.fatecguaratingueta.edu.br/fateclog/artigos/Artigo_51.PDF http://www.fatecguaratingueta.edu.br/fateclog/artigos/Artigo_51.PDF 106WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Em relação ao contexto ambiental, as empresas estão engajadas em buscar minimizar os impactos ambientais promovidos por suas embalagens, seja essa ação motivada pela tutela jurídica ou por uma tendência moderna de incluir a sustentabilidade em seus negócios. Isso significa que os impactos ambientais causados não devem afetar suas estratégias operacionais, o que, portanto, implica o desenvolvimento de embalagens retornáveis e/ou recicláveis ou que essas não deixem resíduos após sua utilização. Por isso é que a rastreabilidade de embalagens é algo de interesse, pois pode auxiliar na mitigação (minimização) de danos ambientais. Decorre que muitas embalagens podem ser contaminadas com resíduos, como, por exemplo, com óleos ou graxas. Essas embalagens precisam ser segregadas adequadamente, além do que as demais precisam ser destinadas corretamente ao descarte. Uma outra opção é que esse descarte seja feito por organizações competentes ou órgãos públicos em ambiente controlado. 3. ESTRATÉGIA EM LOGÍSTICA De forma sucinta, se algo é definido como estratégico, é porque irá impactar toda a empresa. Em um mundo onde um dos fundamentos da concorrência é a busca pela distinção de uma organização em relação a outra, embora desempenhem a prestação de serviços similares, não entregar um produto deve ser o exemplo mais simples e danoso que possa ocorrer com as organizações que estão em um supply chain. Porém, se esse produto for uma matéria-prima, isso poderá impactar a produção e por certo o fluxo de caixa de uma empresa, pois se pressupõe que a empresa receberá quando da entrega do pedido. Não se trata de um alarmismo exagerado, mas é algo explicado até em nível sensorial. Por exemplo, pense no fato de você ter sido multado por estacionar em local proibido, ou quando você teve de pagar juros pelo atraso de uma determinada conta mesmo tendo passado um dia do vencimento; ou ainda a possibilidade de ter comprado um produto e esquecido no lugar onde foi armazenado, para posteriormente dando falta dele, você constatar que ele está deteriorado para o uso. Esse e tantos outros exemplos demonstram o que é uma sensação de perda, e evitar esse tipo de sensação ou esse prejuízo em escala variada é o objetivo do esforço de se antecipar a esses fatos. Mas não nos esqueçamos de que a estratégia é “principalmente” um meio para que as empresas ganhem competitividade; desenvolvam-se e possam alcançar níveis de melhoria em todos os campos de sua atuação. É fácil compreender isso, mas elaborar todas as ações na forma como devem acontecer e no que deve resultar é uma ação que não só demanda tempo, mas um grande esforço de observação. Vamos nos servir de uma analogia nesse ponto. Uma estratégia auxilia a entender e mapear o que é claro e muitas vezes o que não é. Há que se vislumbrar todos os passos e saber que há, metaforicamente falando, a possibilidade de perder batalhas, porém, com enorme possibilidade de ganhar uma grande guerra. Sun Tzu, considerado um cientista militar que escreveu A arte da Guerra há 2.400 anos, tem sido utilizado no sentido de preparar gestores nas mais diversas áreas. Isso porque tem inspirado muitos a princípios vinculados a estratégias em que, segundo ele, deve-se procurar evitar conflitos, e mesmo que estes sejam inevitáveis, deve-se procurar vencê-los sem precisar lutar, ou seja, a guerra não deve ser física, mas de inteligência e estratégia. Assim, “a mente” estrategista necessita olhar e reflexionar sobre os elementos presentes nesse campo. 107WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A estratégia empresarial é compreendida como o conjunto dos propósitos, objetivos, metas, políticas e dos planos para concretizar uma situação anteriormente planejada, considerando as oportunidades existentes (BERTON; FERNANDES, 2005; apud CONCEIÇÃO; SILVA; SARRACENI, 2009). Então, estratégia é um conjunto de escolhas (e não escolhas) claramente definidas e implementadas que geram uma distinção da organização no mercado, e estabeleceas principais rupturas que a organização deverá realizar para promover um crescimento sustentável e conquistar sua visão, de forma consistente com a missão e os valores da organização (LUZIO, 2010). Sem uma estratégia eficaz em andamento, não se saberá se a cadeia de suprimentos/Supply Chain está com baixo desempenho e impactando os resultados da sua empresa. Em níveis menores, por onde devemos começar nossas análises, precisamos ter em mente que o gerenciamento de um depósito ou centro de distribuição (CD) é muito complexo, dado que envolve muitas operações como recebimento, estocagem, movimentação interna, inventário, preparação de pedido, picking, conferência, embarque, devoluções, controle de avarias, e uma grande quantidade de pessoas envolvidas nessas operações, e aplicação de tecnologias para auxílio às operações, que, mesmo assim, não deixam de lado essa complexidade, até porque há as tradicionais pressões de fornecedores, de clientes e de concorrentes que estão buscando se diferenciar. Diante desse contexto, estabelecer uma estratégia logística é importante. Tomemos alguns elementos comuns que influenciam ou sugerem a formação de uma estratégia logística, dado que a sustentabilidade de um negócio depende delas baseados nas informações de Giacomelli e Pires (2016), Corrêa (2019) e de Pozo (2019). 1. O mercado - por exemplo, entre 2015 e 2016, a indústria de bebidas não só diminuiu suas vendas, mas viu uma transformação no padrão de consumo de seus produtos. Os consumidores diminuíram o consumo em PDVs (pontos de vendas) como bares e restaurantes, o que diminuiu a rentabilidade das operações de empresas do ramo, pois os preços praticados são diferentes para segmentos diferentes de PDVs (como supermercados). Esses consumidores passaram a consumir o produto em casa, e de garrafas de vidros comuns servidas em bares, as vendas de latinhas e de produtos engarrafados nas chamadas long neck se tornaram mais apropriadas a quem consome em casa esses produtos, o que, por sua vez, significa que a forma com que se transporta e se armazena essa mercadoria mudou. Assim, o mercado impacta as empresas e as cadeias produtivas (supply chain). Também, com o advento da pandemia global, produtos essenciais foram muito mais consumidos, e os produtos não essenciais foram muito menos consumidos. Portanto, é esse impacto que o mercado pode causar, uma mudança na lógica de trabalho da organização. 2. O produto - sendo outro fator estratégico no ambiente de logística, podemos identificar 3 tipos de produtos trabalhados na logística com produtos. O primeiro são os bens de conveniência (alimento, produtos de higiene pessoal, produtos de compra de produtos acostumados a comprar). Esse tipo de produto tende a ser intensificado na sua distribuição, estando presente em vários tipos de PDVs. Também há os bens de comparação (automóveis, eletrodomésticos, móveis) que podem ser adquiridos em lojas especializadas com seus mostruários, ou compradas por catálogos, ou ainda produtos customizados e adequados a seu gosto. E também há os bens especiais, como produtos exclusivos ou produtos de luxo (uma Ferrari, motos de competição, joias etc.), que demandam uma logística diferenciada. 108WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA 3. Canais de distribuição (também chamado de canal de marketing ou canal comercial) - são os intermediários que irão fazer chegar os produtos às mãos do consumidor, sendo eles: • Canal Direto: catálogos, venda porta a porta. • Canal Indireto: atacadistas, varejistas, distribuidores ou corretores. • Canal Híbrido: (misto dos canais direto e indireto) marcas que utilizam da internet para divulgar seus produtos, não entregando tais produtos via distribuidores autorizados. Observa-se que a internet se encaixa tanto como canal direto ou canal híbrido. 4. Os processos – as atividades desenvolvidas no interior das organizações devem estar padronizadas, porém, devem ser revistos considerando a possibilidade de aprimoramento. 5. Equipe de colaboradores – as funções de cada um devem estar atreladas aos processos, estando cada colaborador treinado e engajado com o desempenho de sua função, devendo ser medidos seus desempenhos para que posteriormente possa ser dado um feedback da sua atuação dentro da organização. 6. Aplicação de Tecnologias – softwares e equipamentos aplicados na movimentação (plataformas de elevação, empilhadeiras, leitores de dados, etc.), bem como no processamento de dados, devem ser compatíveis com as necessidades da organização ou com as pretensões futuras. O que não pode ser admitido são sistemas que ficam ociosos e sem previsão de uso pleno na sua função. 7. Estrutura física e a localização – envolve todas as políticas, procedimentos e ferramentas organizacionais necessárias para manter as operações do armazém funcionando sem problemas. As ligações rodoviárias são também consideradas um fator muito importante no processo de decisão de localização das empresas e de suas filiais, bem como a qualidade das instalações (citadas anteriormente). Isso requer primeiro a definição de critérios quantitativos ou qualitativos nos estudos feitos, para a melhor decisão da localização que pode ser tomada em diferentes níveis geográficos (países ou regiões). 8. Nível de serviço ao cliente e desempenho logístico – feito através de um contrato entre um fornecedor de serviços de logística e um cliente, determinada em termos quantificáveis, quais serviços o fornecedor de serviços de logística o cliente contratará, ou seja, a qualidade com que o fluxo de bens ou serviço é gerido. Em geral, os indicadores de serviço logístico refletem a performance, sendo os mais importantes a percentagem de entregas realizadas dentro do prazo acordado; o tempo decorrido entre o recebimento do pedido até a data efetiva de entrega; a capacidade de estoque para atender a demanda, dentre outros. 9. Modificação do estoque de segurança - o inventário que é realizado para evitar a falta de estoque, muitas vezes, está diante de um cenário com fatores como flutuação da demanda do cliente e variabilidade nos prazos de entrega de matérias-primas. Nesse caso, as determinações do estoque de segurança não se destinam a eliminar todos os estoques, apenas a maioria deles. O estoque de estoque de segurança, às vezes, chamado de estoque tampão, é o nível de estoque extra que é mantido para reduzir o risco de esgotamento de matérias-primas ou produtos acabados devido a incertezas na oferta ou na demanda. O objetivo do estoque de segurança é garantir que, depois de analisar seu estoque de ciclo (o que você esperava vender durante um determinado período de tempo), você ainda esteja preparado para qualquer pedido, se houver uma mudança inesperada na demanda ou no fornecimento. Embora possamos projetar um nível de serviço muito elevado para termos menos interrupções nos processos produtivos, isso irá requerer (significativamente) mais estoque de segurança. Deve haver um equilíbrio entre custos de estoque e atendimento ao cliente. 109WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Na prática, muitas empresas analisam suas próprias flutuações de demanda e assumem que não há como prever variabilidade futura. Recorrem a tentativas e erros ou abordagens baseadas em regras para estoque de segurança, como manter um certo número de semanas de demanda média histórica para fazer o atendimento de seus clientes por conta dessa variabilidade. Figura 7 - Equilíbrio entre custos de estoque e atendimento ao cliente. Fonte: O autor. Observe as curvas da Figura 7 e veja as relações que podemos tirar olhando para elas. Nessa figura, a curva de demanda pressupõe que, se os custos de transporte forem altos, a demanda será baixa, pois os consumidores de um serviço de transporte (de carga ou de passageiros) têm menos probabilidade de usá-lo. Se os custos detransporte forem baixos, a demanda será alta, pois os usuários receberão mais serviços pelo mesmo custo. A curva de oferta se comporta inversamente. Se os custos forem altos, os fornecedores de transporte estariam dispostos a fornecer grandes quantidades de serviços, uma vez que é provável que haja altos lucros nessas circunstâncias. Se os custos forem baixos, a quantidade de serviços de transporte seria baixa, pois muitos fornecedores teriam poucos benefícios operando com prejuízo. O ponto de equilíbrio representa um compromisso entre o que os usuários estão dispostos a pagar e o que os fornecedores de serviços estão dispostos a oferecer. Observe também que quanto maior o nível de demanda esperado, maior deverá ser o nível de estoques para fornecimento e atendimento dessa demanda. De outra maneira, quanto maior a demanda, maior serão os custos de manutenção dos estoques para fornecimento. A oscilação dos estoques de segurança ocorrerá na medida em que se queira o máximo de paridade com a intenção estratégica decidida. A estratégia é decorrente à necessidade de se dar um rumo à empresa, sendo extremamente necessário aos sistemas logísticos. Muitas são as empresas que ainda não possuem uma estratégia documentada para cadeias de suprimento/Supply Chain. Nessas empresas, muitas vezes não se consegue alinhar a estratégia da cadeia de suprimentos/Supply Chain à sua estratégia de negócios. Em situações de alto crescimento, as empresas precisam de uma cadeia de suprimentos flexível para garantir que seus planos de crescimento possam ser absorvidos. 110WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Esse trabalho geralmente apresenta: • Alinhamento de clientes e fornecedores às operações internas da empresa. • Alinhamento dos planos de marketing e vendas à estratégia da cadeia de suprimentos. • Alinhamento das despesas de capital às operações da cadeia de suprimentos. • Alinhamento da estratégia de RH às operações da cadeia de suprimentos. • Alinhamento da estratégia da cadeia de suprimentos para atender aos objetivos de investimento. • Alinhamento da estratégia da cadeia de suprimentos para atender às metas de crescimento. • Otimização da cadeia de suprimentos para atender a objetivos de negócios mais amplos. Isso fomenta ideias no sentido de que gestores responsáveis por diversas funções logísticas devem ser capazes de estabelecer estratégias segundo amplo questionamento de vários fatores que impactam a atividade logística. Aqueles que não participaram da formulação das estratégias formuladas pela alta gerência correm o risco de ter objetivos e visões não estratégicas. Ironicamente, a menor participação deles poderá gerar um maior impacto de longo prazo no desempenho logístico da organização, conforme sugerido no quadro a seguir. A formulação da estratégia implica um nível adequado de conscientização, percepção e de iniciativa ante as pressões inerentes ao mercado. O gerenciamento da cadeia de suprimentos está se transformando continuamente e, no nível do setor, pode afetar qualquer negócio. Portanto, as organizações devem projetar uma estratégia logística abrangente que as ajude a entender como as mudanças que se aproximam influenciarão seus negócios, para que possam alterar seu fluxo organizacional para garantir que o atendimento ao cliente não seja afetado adversamente. Desde os preços das commodities às exigências dos clientes e a ameaça dos concorrentes, adicionados a uma redução continuada dos ciclos de vida dos produtos, tornam evidentes a necessidade de maior flexibilidade. Ou seja, a habilidade de responder rapidamente às demandas e às oportunidades determina o nível de flexibilidade da cadeia de suprimentos. 111WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA A estratégia e qualquer ajuste da estratégia corporativa servirão para alinhar os esforços de logística às necessidades corporativas, mas desde que haja um engajamento dos gestores, e desdobramento, por todos os colaboradores. Há necessidade de formalização das estratégias dentro de um planejamento, pois do contrário haverá pouca garantia de que prioridades logísticas continuem sendo levadas em consideração no processo de formulação da estratégia. Quadro 1 - Participação na tomada de decisão estratégica. Fonte: Heskett (2007). Assim, podemos apresentar os seguintes exemplos de estratégias utilizadas na gestão logística: • Terceirização - contratam-se empresas para que atividades que não fazem parte do escopo dos seus objetivos estratégicos sejam realizadas. São casos como a contabilidade, algumas atividades da área de recursos humanos são exemplos clássicos de terceirizações e que são os mais praticados. Nas atividades logísticas, as principais atividades terceirizadas são o desembaraço aduaneiro e o transporte (distribuição, transferência e suprimento), havendo para isso o respaldo de um enorme contingente de caminhoneiros autônomos em exercício. A logística reversa, armazenagem, gerenciamento do transporte intermodal, cross-docking e auditoria de frete são outras atividades que despontam em pesquisas como sendo de interesse da terceirização. 112WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA • Contratação de operadores logísticos - trata-se de um fornecedor de serviços logísticos integrados, capaz de atender a todas ou quase todas as necessidades logísticas de seus clientes, de forma personalizada. Provedores de serviços logísticos terceirizados (third- party logistcs providers ou 3PL), provedores de logística integrada (integrated logistics providers), empresa de logística contratada (contract logistics companies) e operadores logísticos (logistics operators) são alguns dos termos comumente usados na literatura internacional para denominar empresas prestadoras de serviços logísticos, sendo 3PL a denominação mais comum. • Quick Response (Resposta Rápida) - é uma estratégia de ajuste da logística para que o consumidor (ou fornecedor) tenha os produtos em prateleira (ou linha de montagem), nem antes nem depois da hora em que deseja. É um estado de capacidade de resposta e flexibilidade em que uma organização procura fornecer uma gama altamente diversificada de produtos e serviços a um consumidor na quantidade, variedade e qualidade exatas, e no momento, local e preço certos, conforme determinado pela realidade da demanda do cliente. Isso é feito para melhorar a eficiência em todas as suas cadeias de suprimentos, onde algumas empresas adotaram processos de resposta rápida. O método permite que fabricantes ou varejistas comuniquem as necessidades de estoque de suas prateleiras ou linhas de montagem em tempo quase real. Tradicionalmente, essas empresas se comunicam com parceiros de negócios sobre reposição de estoque por meio de sistemas de intercâmbio eletrônico de dados (EDI) ou telefone. Mas com o advento da Internet, um número crescente de organizações vem se voltando para sistemas baseados na Web. Não é uma tecnologia, mas uma nova maneira de fazer negócios, exigindo para tanto de computadores e redes de telecomunicações para funcionar, onde a resposta rápida é tecnicamente descomplicada. A dificuldade em adotá-la tem sido em relação à criação de padrões de informações em todos os setores, pois a comunicação automatizada dentro de uma organização é uma coisa e dentro de uma indústria ou setor da economia é algo totalmente diferente. 113WWW.UNINGA.BR LO GÍ ST IC A E DI ST RI BU IÇ ÃO | U NI DA DE 4 EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA CONSIDERAÇÕES FINAIS A logística reversa é uma parte do processo de negócios inerente a qualquer empresa que fabrica ou vende um produto. Durante o processo de logística reversa, um cliente retorna um produto para a empresa por vários motivos. Embora esse processo geralmente resulte em prejuízo para os negócios, os pequenos empresários podemajudar a reduzir os custos associados ao processo de logística reversa por meio de um gerenciamento eficaz. Por outro lado, a maioria das grandes empresas de nosso país está incorporando a prática da logística reversa em sua cadeia de valor. Nos processos de fabricação, o conceito de logística reversa desempenha um papel vital na melhoria da margem de lucro da empresa para o crescimento sustentável dos negócios. Chama-nos a atenção para a crescente popularidade na adaptação das melhores práticas de logística reversa entre as diferentes indústrias. Em que pese as ideias aqui concebidas, o mundo das embalagens de uso industrial ou comercial participa desse contexto. Existem diferentes tipos de materiais de embalagem disponíveis para a fabricação de caixas para transporte de mercadorias, que dependendo do uso e localidade na qual irá transitar, sofrerão a ação de uma padronização. Mas alguns aspectos são comuns em âmbito internacional, dado que normas como a ASTM D6198-18 (ASTM – Sociedade Americana de Testes e Materiais) são seguidas por definir um padrão para o design de embalagens em relação a riscos de manuseio, armazenamento e transporte. No nosso caso, foi apresentado uma norma brasileira NBR 7500 que traz a simbologia inequívoca e compreensível em qualquer parte do planeta. Porém, é importante reconhecer que embalagens podem variar consideravelmente, sem diminuir o valor do processo de proteção e de identificação. Existe também uma crescente conscientização entre os consumidores nos mercados consumidores do mundo, em particular, para proteger seu meio ambiente dos efeitos nocivos da poluição. Eles são da opinião de que devem cuidar de seus ambientes para que as gerações futuras possam desfrutar de uma vida decente. Consequentemente, há uma atmosfera na qual os consumidores exigem produtos ambientais, a depender de responsabilizar os fabricantes por suas ações e produtos. Avaliando essa preocupação, os fabricantes começaram a encontrar maneiras e meios de satisfazer os clientes a esse respeito. Perceba que há uma vastidão de detalhes que devem ser estudados conforme a estratégia logística adotada. Os planos estratégicos de logística definem como um negócio planeja entregar produtos ou serviços aos clientes. Algumas empresas não exigem tantas etapas na entrega do produto, enquanto outras têm muitos estágios e etapas. Esperamos que, nesse final de módulo, você possa encarar a logística de maneira metódica e, se estiver em uma organização com essa responsabilidade, que dimensione para sua empresa as operações ou aumente a longevidade operacional dela através de uma visão criativa e comprometida com a melhoria contínua. Embora toda empresa tenha necessidades diferentes, observar exemplos de planos de logística ajudará você a desenvolver a estratégia certa para o desenvolvimento dos negócios. 114WWW.UNINGA.BR ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS ABRE – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EMBALAGEM. EMBRAPA desenvolve sensor que avalia grau de maturação de frutas. Disponível em: https://www.abre.org.br/tecnologia/ embrapa-desenvolve-sensor-que-avalia-grau-de-maturacao-de-frutas/. 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