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Norma Penal

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o 
preceito normativo da própria norma, estendendo-o a 
situações análogas. 
Os Estados Democráticos de Direito não podem 
conviver com diplomas legais que, de alguma forma, 
violem o princípio da reserva legal. Assim, é 
inadmissível que dela resulte a definição de novos 
crimes ou de novas penas ou, de qualquer modo, se 
agrave a situação do indivíduo. Dessa forma, as 
normas penais não incriminadoras, que não são 
alcançadas pelo princípio nullum crimen nulla poena 
sine lege, podem perfeitamente ter suas lacunas 
integradas ou complementadas pela analogia, desde 
que, em hipótese alguma, agravem a situação do 
infrator. Trata-se, nesses casos, da conhecida analogia 
in bonam partem. Concluindo, em nome do Direito 
Penal liberal e de um Estado Democrático de Direito, 
jamais se deve admitir qualquer violação ao primado 
do princípio da reserva legal. Permanece, contudo, a 
vedação absoluta do emprego da analogia, em razão 
do mesmo princípio da legalidade, salvo quando for 
para beneficiar a defesa. 
 
A maioria das normas penais incriminadoras compõe-
se de normas completas, possuindo preceitos e 
sanções; consequentemente, referidas, normas 
podem ser aplicadas sem a complementação de 
outras. Há, contudo, algumas normas incompletas, 
 
 
com preceitos genéricos ou indeterminados, que 
precisam da complementação de outras normas, 
sendo conhecidas como normas penais em branco. 
Trata-se de normas de conteúdo incompleto, por 
dependerem de complementação por outra norma 
jurídica (lei, decreto, regulamento...) para concluírem 
a descrição da conduta proibida. 
A doutrina tem distinguido a sua classificação em 
normas penais em branco, em sentido lato e em 
sentido estrito. Normas penais em branco em sentido 
lato são aquelas cujo complemento é originário da 
mesma fonte formal da norma incriminadora. Nessa 
hipótese, a fonte encarregada de elaborar o 
complemento é a mesma fonte da norma penal em 
branco. Normas penais em branco em sentido estrito, 
por sua vez, são aquelas cuja complementação é 
originária de outra instância legislativa, diversa da 
norma a ser complementada. Diz-se que há 
heterogeneidade de fontes, ante a diversidade de 
origem legislativa. No entanto, a fonte legislativa que 
complementa a norma penal em branco deve 
respeitar os limites que esta impõe, para não violar 
uma possível proibição de delegação de competência 
na lei penal material, definidora do tipo penal, em 
razão do princípio constitucional de legalidade, do 
mandato de reserva legal e do princípio da tipicidade 
estrita. 
Com efeito, as normas penais devem ser 
interpretadas de acordo com o bem jurídico protegido 
e o alcance de dita proteção, isto é, sempre levando 
em consideração a sua finalidade que deve ser 
estabelecida pelo legislador penal. A validez da norma 
complementar decorre da autorização concedida pela 
norma penal em branco, devendo-se observar os seus 
estritos termos, cuja desobediência ofende o princípio 
constitucional da legalidade. Por esse motivo também 
é proibido no âmbito das leis penais em branco o 
recurso a analogia, assim como a interpretação 
analógica. 
A lei penal nasce, vive e morre. Desde que uma lei 
entra em vigor, ela rege todos os atos abrangidos por 
sua destinação, até que cesse a sua vigência. A lei 
anterior, como regra, perde sua vigência quando 
entra em vigor uma lei nova regulando a mesma 
matéria. Entre estes dois limites, está a eficácia da 
norma. É uma garantia do cidadão: além da segurança 
jurídica, garante que ninguém será surpreendido por 
leis ad hoc, criminalizando condutas, inclusive a 
posteriori, que até então não eram tipificadas como 
crime. 
● Princípio da irretroatividade penal: em tese, 
as leis novas são melhores que as antigas e tem 
melhor condição para fazer justiça. Princípio corolário 
do princípio da anterioridade da lei penal, o qual 
afirma que uma lei penal incriminadora somente pode 
ser aplicada a determinado fato concreto, caso esteja 
em vigor antes da sua prática, também conhecido 
como nullum crimen, nulla poena sine praevia lege. 
Limita-se às normas penais de caráter material, entre 
as quais se incluem aquelas relativas às medidas de 
segurança, que, indiscutivelmente, integram a seara 
do direito penal material. 
● Princípio tempus regit actum: do latim tempo 
rege o ato, significa que uma lei posterior não 
influencia na relação firmada na época da lei anterior. 
Este princípio garante o negócio jurídico perfeito. 
● Princípio da retroatividade e ultratividade da 
lei penal mais benigna: determina que a lei penal não 
retroage, salvo para beneficiar o infrator. A lei 
anterior, quando for mais favorável ao infrator, terá 
ultratividade e prevalecerá mesmo ao tempo de 
vigência da lei nova, apesar de já estar revogada. 
Quando a lei posterior for mais benéfica, retroagirá 
para alcançar fatos cometidos antes de sua vigência. 
O princípio da irretroatividade vige, com efeito, 
somente em relação à lei mais severa. Esses efeitos - 
retroativo e ultrativo - aplicam-se às normas de 
Direito Penal material, tais como nas hipótese de 
reconhecimento de causas extintivas da punibilidade, 
tipificação de novas condutas, cominação de penas, 
alteração de regimes de cumprimento de penas, ou a 
qualquer norma penal que, de qualquer modo, agrave 
a situação jurídico-penal do indiciado, réu ou 
condenado. 
Conflito de leis penais no tempo 
A regra geral é a atividade da lei penal no período de 
sua vigência. A extra-atividade é exceção a essa regra, 
que tem aplicação quando, no conflito intertemporal, 
se fizer presente uma norma penal mais benéfica. São 
 
 
espécie dessa atividade estendida a retroatividade e a 
ultratividade. 
Art 2º: Ninguém pode ser punido por fato que lei 
posterior deixa de considerar crime, cessando em 
virtude dela a execução e os efeitos penais da 
sentença condenatória. [...] 
➔ Abolitio criminis: a lei nova deixa de 
considerar crime fato anteriormente tipificado como 
ilícito penal. Ela retroage para afastar as 
consequências jurídico-penais a que estariam sujeitos 
os autores. 
➔ Novatio legis incriminadora: considera crime 
fato anteriormente não incriminador. É irretroativa e 
não pode ser aplicada a fatos praticados antes da sua 
vigência. 
➔ Novatio legis in pejus: Lei posterior que de 
qualquer modo agrave a situação do sujeito não 
retroagirá. Se houver um conflito entre duas leis, a 
anterior, mais benigna, e a posterior, mais severa, 
aplicar-se-á a mais benigna. 
➔ Novatio legis in mellius: Pode ocorrer quando 
a lei nova, mesmo sem descriminalizar, dê tratamento 
mais favorável ao sujeito. 
A LEI PENAL NÃO RETROAGIRÁ, SALVO PARA 
BENEFICIAR O RÉU 
Competência da autoridade judiciária que deve 
aplicar a lei penal mais benéfica: 
A. Juiz de primeiro grau: quando o processo criminal 
encontrar-se em andamento, até a prolatação da 
sentença respectiva. 
B. Fase recursal: encontrando-se o processo em grau 
de recurso, a competência para examinar a 
hipótese de lei penal mais benéfica, anterior ou 
posterior, é do Tribunal ao qual se destina o 
recurso. 
C. Fase executória: compete ao juiz da execução 
criminal e/ou ao Tribunal conhecer, decidir e 
aplicar, por meio da revisão criminal. 
Leis excepcionais e temporárias 
São leis que vigem por período predeterminado, pois 
nascem com a finalidade de regular circunstâncias 
transitórias especiais que, em situação normal, seriam 
desnecessárias. Leis temporárias são aquelas cuja 
vigência vem previamente fixada pelo legislador. Leis 
excepcionais são as que vigem durante situações de 
emergência. Nos termos do art. 3º do CP, elas têm 
ultratividade. Em razão de o fato ter sido praticado 
durante o prazo fixado pelo legislador (temporária) ou 
durante situação de emergência (excepcional), 
constitui elemento temporal do próprio fato típico. 
Uma exceção ao princípio da retroatividade