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Psicologia se instituiu na sociedade como uma profissão 
basicamente corretiva, utilizada apenas quando desvios ou patologias fossem 
detectados. Caso tudo esteja bem, é sinal de que a natureza fez o seu trabalho e não há 
necessidade da contribuição da área. A Psicologia nasce, então, associada a patologias, 
desvios, doenças, conflitos, desequilíbrios e desajustes, pouco contribuindo para a 
qualidade de vida ou mesmo promoção de saúde da maioria da população.
As coisas começam a mudar no final da década de 70 diante dos novos 
acontecimentos sociopolíticos, como a luta pela redemocratização do país, as 
grandes greves operárias e a ascensão dos movimentos sociais, sobretudo como 
forma de protesto à ditadura militar. 
Na Psicologia ocorre a criação de vários sindicatos e os conselhos da 
categoria passam a ser ocupados por grupos mais progressistas. A partir desse 
momento é dada a largada para um período em que a Psicologia e os próprios 
psicólogos se perguntarão sobre a relação de seu trabalho ou do próprio fenômeno 
psicológico com a realidade social. A preocupação e a importância dadas à 
realidade social passam a ser algo inusitado, o que impulsiona o desenvolvimento 
da Psicologia social de forma importante. Nessa perspectiva, a grande divergência 
está em defini-la enquanto uma área ou campo da Psicologia ou uma perspectiva 
em disputa com a própria Psicologia, pressupostos e fazeres predominantes.
UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
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Assim, como afirmam Bock, Furtado e Teixeira (2002), a Psicologia 
Social, como área do conhecimento, passa a estudar o psiquismo humano, objeto 
da Psicologia, agora por uma nova ótica, tentando compreender como se dá a 
construção da subjetividade a partir das relações sociais vividas pelo homem. 
O mundo objetivo passa a ser visto como um fator a ser levado em conta 
ao buscar compreender o psiquismo humano. Esse enfoque, distinto da Psicologia 
“tradicional”, justificou o surgimento dessa nova área da Psicologia: a Psicologia 
Social, que no Brasil, principalmente na década de 80, buscou autonomia científica, 
com um aumento significativo de estudos realizados. Nessa década, ainda, foram 
criados os primeiros cursos de doutorado específicos na área, várias associações 
científicas, dentre elas a Associação Brasileira de Psicologia Social (ABRAPSO), 
em julho de 1980.
Segundo Bomfim (2003), muitos são os fatores relacionados ao surgimento 
e à produção de conhecimento em Psicologia Social no Brasil. A autora destaca 
três: o progresso de áreas afins, como: Sociologia, Antropologia, Educação, dentre 
outras; o avanço da Psicologia Social em países da Europa, nos Estados Unidos 
e, mais recentemente, na América Latina; e, ainda, as condições nacionais que, 
aliadas às novas demandas, abriram caminho nesse campo do conhecimento, 
agora um enfoque psicossocial.
TÓPICO 2 | A INVENÇÃO DA PSICOLOGIA SOCIAL
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LEITURA COMPLEMENTAR
Por que a Psicologia Social é considerada uma subdisciplina da Psicologia? 
Questão importante, sim, pois como uma especialidade pode ser entendida na 
diversidade a partir de um tronco comum. Se voltarmos ao seu desenvolvimento, 
descobriremos que no seu início, não só na Europa ou nos Estados Unidos, mas 
também em diversos países latino-americanos, as menções de algo como uma 
Psicologia Social ou que represente temas considerados como próprios a ela, era 
produzida por pessoas que pertenciam não só à Psicologia, mas também e com 
muita frequência à Sociologia, à Filosofia Social, ao campo da Ciência política ou 
da História e da Antropologia. 
Sociólogos como Gabriel Tarde e Émile Durkheim, na França do final do 
século XIX e início do século XX, fizeram importantes contribuições à Psicologia 
coletiva. No entanto, para muitos, Augusto Comte ainda é considerado o 
antecessor. 
Na história da Psicologia Social estadunidense, aparecem como fundadores 
um psicólogo, W. McDougall, e um sociólogo, E. Ross. O interacionismo 
simbólico tem início com a obra de um filósofo: G. H. Mead; e na segunda metade 
do século XX, Stryker já alardeava a existência social de uma Psicologia social 
psicológica e outra sociológica. Para fazer uma história breve, cabe dizer que 
quase todos os temas abordados pela Psicologia Social se enriquecem com os 
aportes provenientes de outras ciências sociais, com as quais mantém diálogos 
frutíferos, ou seja, é certo que a história dessa disciplina pode ser contada desde 
dentro, mas também de fora dela mesma. Se as origens da Psicologia social são 
pluridisciplinares, então, como são suas fronteiras? São claras essas fronteiras?
FONTE: Montero apud Mayorga; Prado (2007, p. 8)
UNI
No texto a seguir, você perceberá que a Psicologia Social não é uma área 
totalmente nova, mas sim um novo recorte feito e com semelhanças e diferenças um 
tanto confusas em relação a outras ciências humanas. Fique atento a esta peculiaridade da 
Psicologia Social e que servirá como uma primeira reflexão do que trataremos no próximo 
tópico, em que procuraremos conceituá-la, diferenciá-la de áreas afins, assim como delimitar 
seu objeto de estudo.
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RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico são trazidas algumas informações a respeito da origem 
da Psicologia Social, sendo que as informações mais significativas podem ser 
resumidas nos seguintes itens:
l	A Psicologia Social tal qual a conhecemos hoje surge a partir de uma necessidade 
histórica.
l	Tem-se como marco inaugural da Psicologia Social a publicação, em 1908, de 
“Social psychology”, pelo sociólogo Edward A. Ross, e “An introduction to social 
psychology”, pelo psicólogo William McDougall.
l	A Psicologia social cognitiva, assim como a Psicologia social moderna, é 
principalmente um produto do após-guerra.
l	No Brasil, a primeira obra em Psicologia Social data de 1921, embora a Psicologia 
Social enquanto área do conhecimento tenha crescido e se desenvolvido de 
forma significativa na década de 70, a partir da vinculação do fenômeno 
psicológico com a realidade social.
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1 A partir do que foi colocado até então, relate os marcos de início da Psicologia 
Social no mundo e no Brasil. Feito isso, exponha os momentos históricos 
que alavancaram seu desenvolvimento e acabaram por contribuir para seu 
formato atual.
AUTOATIVIDADE
DICAS
Para um aprofundamento destes temas, sugiro que você leia o seguinte livro:
BRAGHIIROLLI, E. Psicologia geral. Petrópolis: Vozes, 2004.
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TÓPICO 3
A PSICOLOGIA SOCIAL COGNITIVA
UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
FIGURA 8 – PSICOLOGIA SOCIAL COGNITIVA
FONTE: Disponível em: <http://carlospsicologo.blogspot.com/>. Acesso em: 1 nov. 2011.
O estudo dos processos mentais (cognição) se dá em várias áreas da 
Psicologia e inclusive na Psicologia Social. De base norte-americana, a Psicologia 
social cognitiva é a primeira vertente de Psicologia Social existente, tendo como 
principal representante, no Brasil, Aroldo Rodrigues. A seguir, compreenderemos 
melhor as características desta Psicologia Social, origem, principais conceitos e 
sobre que tipo de questões ela vem se preocupando recentemente. 
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UNIDADE 1 | PSICOLOGIA SOCIAL: ORIGEM E DEFINIÇÃO
2 O MODELO ESTADUNIDENSE DE PSICOLOGIA SOCIAL
FIGURA 9 – REESTRUTURAÇÃO COGNITIVA
FONTE: Disponível em: <http://psicomental.com/category/emocoes/page/4/>. Acesso em: 1 
nov. 2011.
Em se tratando de Psicologia, não só Psicologia Social, é fato que o modelo 
estadunidense influenciou significativamente a Psicologia brasileira a partir de 
1930, buscando dar a ela um caráter de neutralidade e, com isso, automaticamente, 
levou-a a certo afastamento da realidade social, o que mais tarde inclusive será 
alvo de críticas ferrenhas.
ESTUDOS FU
TUROS
A chamada crise da relevância da Psicologia Social será aprofundada no tópico 
seguinte, ao entrarmos em contato com a outra vertente

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