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1 2 AULA 1: CIÊNCIA COMO CONSTRUÇÃO 3 INTRODUÇÃO 3 CONTEÚDO 4 MÉTODO E METODOLOGIA CIENTÍFICA 4 TIPOS DE CONHECIMENTO 5 CONHECIMENTO POPULAR OU DO SENSO COMUM 6 CONHECIMENTO CIENTÍFICO 7 CONHECIMENTO FILOSÓFICO 9 CONHECIMENTO TEOLÓGICO 10 MÉTODO CIENTÍFICO 11 ATIVIDADE PROPOSTA 14 REFERÊNCIAS 14 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 15 CHAVES DE RESPOSTA 18 ATIVIDADE PROPOSTA 18 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 19 3 Introdução Nesta aula, você vai acompanhar o percurso da metodologia cuja base é a ciência, a partir dos pressupostos filosóficos para a consolidação do método científico. Para tal, apresentaremos o conceito de ciência, identificando suas características, os tipos de conhecimento e a importância desse método para a produção de trabalhos acadêmicos. Além disso, também é importante que você compreenda a noção de pesquisa, e saiba para que serve um trabalho investigativo, bem como quais são as fases que o constituem. Em resumo, através deste conteúdo, traçaremos um caminho em um movimento de troca constante, a fim de que você seja capaz de elaborar seu próprio estudo científico. Objetivo Reconhecer os aspectos formais da pesquisa científica. 4 Conteúdo Método e metodologia científica Você já se perguntou, alguma vez, sobre como o conhecimento é construído? De que forma ele vem se acumulando e sendo transmitido às pessoas ao longo dos anos? Disponível em: <http://www.sohistoria.com.br/resumos/iluminismo.php>. Acesso em: 31 mar. 2014. Para que possamos construir conhecimento, precisamos nos valer de algum método1, de um lugar pelo qual vamos transitar, com indicações, marcações, estratégias, enfim, tudo devidamente registrado para futuras consultas. Nesta aula, vamos nos aprofundar sobre o estudo do método científico. Quando falamos em metodologia científica, estamos pensando em estudar o método, isto é, os caminhos traçados em determinada pesquisa para que os resultados sejam entendidos. A partir desse momento, podemos, então: Generalizar (ou não) os resultados; Compreender os procedimentos de análise; 1 Método De acordo com Rampazzo (2013, p. 13), trata-se de uma palavra que vem do grego methodos, que significa “caminho para se chegar a um fim”. Os iluministas acreditavam que era possível conter todo o saber em uma enciclopédia, mas sabemos que ele nunca coube tampouco caberá em um conjunto de livros – principalmente se considerarmos o surgimento da internet. http://www.sohistoria.com.br/resumos/iluminismo.php 5 Repetir os passos do experimento e dos achados, revalidando os dados ou refutando-os. Esse é o grande legado da metodologia científica! Assista ao vídeo a seguir e entenda melhor como as teorias baseadas na ciência se constituem. Tipos de conhecimento Antes de nos aprofundarmos sobre o estudo do método científico para fins de construção do conhecimento, vamos identificar, primeiro, os tipos de saberes com os quais lidamos todos os dias. Para começar, precisamos entender que conhecer é um processo que não ocorre de forma imediata. O sujeito cognoscente – aquele que conhece – se apropria do objeto, que, nesse momento, passa a ser apreendido. Ao produzirmos conhecimento, mobilizamos nossos sentidos e nossas capacidades intelectuais, processando, de alguma forma, as informações absorvidas. Essas sensações são transformadas por nosso intelecto em ideias, reconstruindo as realidades com as quais lidamos e construindo outras tantas. Como afirma Rampazzo (2013, p. 18. Grifo do autor): “[...] a complexidade do real, objeto do conhecimento, ditará, necessariamente, formas diferentes de apropriação por parte do sujeito https://www.youtube.com/watch?v=3WL1Ybhs4C0#t=23 6 cognoscente. Essas formas darão os diversos níveis de conhecimento 2 [...]”. De acordo com o autor, de forma didática, o conhecimento pode ser estruturado e organizado nos seguintes níveis: Popular ou do senso comum; Científico; Filosófico; Teológico. Conhecimento popular ou do senso comum O conhecimento popular ou do senso comum é aquele construído no dia a dia, em nosso cotidiano. Por isso, também é conhecido como conhecimento empírico, pois são as experiências vivenciadas que vão consolidando os saberes construídos. Atualmente, esse tipo de saber tem sido alvo de interesse da ciência. Afinal, trata-se de um conhecimento historicamente construído antes da sistematização dos métodos, o que vem trazendo muitas pistas para investigações mais profundas e ordenadas. Como exemplo desse nível de conhecimento, Rampazzo (2013, p. 18) afirma: 2 Conhecimento racional No século VII a.C., o conhecimento racional foi denominado Filosofia e compreendia várias áreas do saber, tais como: Matemática; Física; Astronomia; Lógica; Ética etc. 7 “[...] não é necessário estudar Direito para saber que cada sociedade tem suas normas e suas leis”. Conhecimento científico O conhecimento científico é relativamente recente na história do mundo ocidental. Esse saber tem pouco mais de 400 anos e foi consolidado entre os séculos XVI e XVII, com Galileu Galilei3 (1564-1642). Contudo, conforme aponta Rampazzo (2013), isso não quer dizer que não havia conhecimento rigoroso e metódico antes desse período, pois, desde a Grécia Antiga (século VII a.C.), já se almejava um conhecimento racional4 que fosse diferente do mito e do saber comum ou empírico. 3 Galileu Galilei Grande físico, matemático e astrônomo que descobriu a lei dos corpos e enunciou o princípio da inércia. Foi um dos principais representantes do Renascimento Científico dos séculos XVI e XVII. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/biografias/galileu/>. Acesso em: 31 mar. 2014. 4 Conhecimento racional No século VII a.C., o conhecimento racional foi denominado Filosofia e compreendia várias áreas do saber, tais como: Matemática; Física; Astronomia; Lógica; Ética etc. http://www.suapesquisa.com/biografias/galileu/ 8 De certa forma, a ciência da Idade Antiga (4.000 anos a.C. – século V) e da Idade Média (séculos V-XV) tem estreitos laços com a Filosofia. Mas, somente na Idade Moderna (séculos XV-XVIII), essas vertentes de estudo começaram a se separar, principalmente por uma construção de métodos próprios de busca e validação de conhecimentos. O conhecimento científico apresenta as seguintes características: Regularidade Esse tipo de saber busca ser geral e generalizável, como leis que possam definir conceitos aplicáveis aos objetos, mesmo em situações diferenciadas. Objetividade Esse tipo de saber busca ser objetivo, de modo que as observações e os achados possam ser reproduzidos e testados por outros, seguindo os registros sistematizados. Disto resulta a importância do método: parte-se de um caminho bem organizado e relatado para chegar às descobertas e constatações (ou não). Rigor na investigação e na redação Para ser generalizável, a ciência tem de se pautar em caminhos claros e precisos durante as investigações, o que não quer dizer que os registros serão sempre escritos e apresentados na mesma linguagem. Por isso, é necessário rigor no desenvolvimento das pesquisas, ou seja, definir os conceitos de forma a reduzir ou mesmo eliminar a ambiguidade. Desse rigor pretendido, fazem parte a particularidade de cada campo disciplinar5 e suas formas de expressão – cada qual com seu método, seu vocabulário e seus termos específicos. 5 Campo disciplinar São exemplos de campos disciplinares as áreas de:9 Observação e experimentação Para diferenciar-se da Filosofia e de outras formas de conhecimento, a ciência pauta-se na observação e na experimentação, de forma controlada e rigorosa. Utilização de instrumentos A utilização de instrumentos permite que os achados científicos ultrapassem a subjetividade do cientista, visto que estes podem ser controlados e avaliados com rigor e precisão, o que possibilita uma verificação objetiva da realidade que se apresenta. Esses instrumentos devem ser usados de acordo com as especificidades de cada área do conhecimento. Comunicação Esse tipo de saber deve ser comunicável e aberto, visto que pode ser testado a qualquer instante por outros cientistas e, a partir desse momento, referendado ou refutado. As novas tecnologias, por exemplo, vão apontando novos caminhos e oferecem oportunidades de verificação dos conhecimentos já construídos, levando em conta novos instrumentos de testagem. Conhecimento filosófico Ao contrário das áreas específicas das ciências, a Filosofia é muito abrangente e preocupa-se com as inúmeras questões da realidade humana, seguindo à procura de respostas mais profundas que nos fazem refletir, mesmo amparados pela razão. De acordo com a origem da palavra: Medicina; Matemática; Pedagogia; Direito etc. 10 FILOSOFIA = AMOR À SABEDORIA Tal significado confirma sua vocação: a busca de um saber que transcende os aspectos verificáveis da vida, a partir de uma visão de conjunto. Por exemplo, o conhecimento filosófico quer entender: Por que a ciência existe? A quem atendem os achados e as descobertas obtidos através dos métodos científicos? Enfim, esse tipo de saber se sustenta com base nas perguntas e na constante interrogação sobre os fatos do mundo. Conhecimento teológico O conhecimento teológico pretende encontrar a verdade não pelo caminho da investigação, mas pela revelação. Em outras palavras, trata-se de um saber baseado na fé, mesmo partindo de reflexões racionais e sistemáticas. Dessa forma, os dados referendados por esse tipo de conhecimento não serão descobertos pelo senso comum, pela ciência nem pela filosofia, mas, sobretudo, pela experiência da crença. 11 Veja, aqui, uma Síntese dos níveis de conhecimento. Popular ou do senso comum Filosófico Teológico Científico • Valorativo; • Reflexivo; • Assistemático; • Verificável; • Falível; • Inexato. • Valorativo; • Racional; • Sistemático; • Não verificável; • Infalível; • Exato. • Valorativo; • Inspiracional; • Sistemático; • Não verificável; • Infalível; • Exato. • Real (factual); • Contingente; • Sistemático; • Verificável; • Falível; • Aproximadamente exato. Fonte: Freixo, 2010, p. 61. Método científico Entre os níveis de conhecimento que estudamos, o que mais nos interessa nesta disciplina é aquele que contempla o método científico. Conforme vimos anteriormente, suas bases foram firmadas a partir do final da Idade Média, com as novas descobertas feitas por Galileu Galilei. A partir de então, a busca de uma compreensão metódica dos fatos e de suas relações toma o centro da ciência como pesquisa, com a explicação dos acontecimentos pela observação científica atrelada ao raciocínio6. Assista ao vídeo a seguir e entenda como se começou a pensar nesse método. 6 Raciocínio O raciocínio é uma operação intelectual que tem início a partir de duas premissas conhecidas e que permite chegar a uma terceira que deriva, de forma lógica, das duas anteriores. De acordo com a lógica clássica, o fundamento interno do raciocínio é o princípio da razão. Um raciocínio pode ser usado para fazer uma inferência através de proposições supostamente válidas. Disponível em: <http://www.significados.com.br/raciocinio/>. Acesso em: 31 mar. 2014. http://www.youtube.com/watch?v=5WjZ0X_lBeU http://www.significados.com.br/raciocinio/ 12 Vamos conhecer, agora, as etapas do método científico e seu encadeamento para a obtenção de resultados claros e precisos. Veja: Disponível em: <http://evolucaoenergiaeolica.wordpress.com/metodo-cientifico/>. Acesso em: 31 mar. 2014. Observações Não se trata de verificações sem compromisso. Ao contrário, o método científico requer uma análise precisa, atenta, metódica e ética dos fatos. É através dos processos de observação que o cientista/pesquisador vai coletando os dados para futuramente analisá-los à luz das teorias já construídas. O aspecto ético é fundamental nesse processo e em todas as etapas da pesquisa. Problematização/perguntas Trata-se das perguntas que fazemos, levantando os problemas que pretendemos equacionar ou mesmo resolver ao longo da investigação. Formulação de hipóteses Com os problemas ou as questões elencadas, podemos propor hipóteses que serão confirmadas ou refutadas no decorrer do desenvolvimento da pesquisa. Verificação das hipóteses http://evolucaoenergiaeolica.wordpress.com/metodo-cientifico/ 13 Momento de testar as hipóteses empiricamente, ou seja, de experimentá-las para verificar sua validade ou inutilização. Conclusões Sistematização do caminho percorrido na investigação. Esse é o instante em que apresentamos as descobertas da pesquisa e a finalizamos, a partir da síntese de ideias. Documentação/registro e análise dos dados A documentação ou o registro bem como a análise dos dados devem perpassar todo o caminho da investigação, pois trazem ao cientista/pesquisador a necessária dúvida sobre seus achados, permitindo uma vigilância metodológica, o que, possivelmente, garantirá o rigor do método empregado. Generalização dos resultados/novas descobertas/novas perguntas A princípio, uma investigação científica rigorosa e metódica pretende generalizar suas conclusões como leis. Mas a diversidade do mundo contemporâneo e a visão de ciência atual alertam que nem todos os achados e as descobertas científicas são generalizáveis, pois há exceções em todos os campos do saber. Inclusive, os resultados de determinado trabalho acadêmico podem implicar outras interpretações que nos farão desenvolver novas pesquisas, pensar em novas perguntas sobre o mesmo tema e, por fim, chegar a novas descobertas. Continuar a aprender... SEMPRE continuamos a aprender. Afinal, o ciclo nunca para! 14 Aprenda mais Para saber mais sobre o assunto, leia o texto Definição de método científico. Atividade proposta Tomando por base o estudo do método científico, descreva as fases da pesquisa presentes no texto Ensino-pesquisa-extensão como fundamento metodológico da construção do conhecimento na universidade. Destaque as seguintes etapas: Problematização; Formulação/verificação das hipóteses; Referencial teórico; Instrumentos da pesquisa; Conclusões. Referências DEMO, P. Praticar ciência: metodologias do conhecimento científico. São Paulo: Saraiva, 2011. FREIXO, M. J. V. Metodologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. Lisboa: Instituto Piaget, 2010. RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. São Paulo: Loyola, 2013. http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Definicao_metodo_cientifico.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Definicao_metodo_cientifico.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Ensino_pesquisa_extensao.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Ensino_pesquisa_extensao.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Ensino_pesquisa_extensao.pdf 15 Exercícios de fixação Questão 1 As palavras sãomapas que nos indicam ideias e, em sua maioria, têm raízes bem distantes das quais acabam se distanciando por seu uso continuado. Pensando nisso e no que estudamos, a palavra método tem sua raiz no grego methodos e significa: a) Pesquisa b) Caminho c) Utilização d) Instrumento e) Iniciação científica Questão 2 De acordo com o que estudamos, são tipos de conhecimento: a) Simples e complexo. b) Local e internacional. c) Científico, abstrato e do senso comum. d) Restrito, abrangente e do senso comum. e) Científico, filosófico, teológico e popular ou do senso comum. 16 Questão 3 As características do conhecimento científico são: a) Regularidade e objetividade. b) Regularidade, objetividade, questionários e entrevistas. c) Regularidade, objetividade, rigor na investigação e comunicação. d) Regularidade, objetividade, rigor na investigação, redação com fórmulas e descrições detalhadas sem divulgação. e) Regularidade, objetividade, rigor na investigação e na redação, observação e experimentação, utilização de instrumentos e comunicação. Questão 4 O método científico segue determinadas etapas ou fases. São elas: a) Observação, temática e conclusões. b) Observação, tematização e formulação/verificação das hipóteses. c) Observação, problematização e formulação/verificação das hipóteses. d) Observação, problematização, formulação/verificação das hipóteses e conclusões. e) Observação, problematização, formulação/verificação das hipóteses, conclusões e generalização dos resultados. 17 Questão 5 A documentação ou o registro bem como a análise dos dados devem: a) Perpassar todo o caminho da investigação. b) Ser apresentados somente ao final da pesquisa. c) Figurar apenas como ponto de partida para a pesquisa. d) Ser redigidos em linguagem de difícil compreensão, pois são ciência. e) Deixar de acompanhar a pesquisa porque atrapalham e confundem o pesquisador. 18 Atividade proposta Neste texto, podemos destacar as seguintes fases do método científico: Problematização (p. 1) “Considerando os objetivos deste texto, não avançaremos análises referentes a modelos de educação superior em suas relações com a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, mas acreditamos importante registrar nossa adesão ao modelo que a toma como princípio básico, tanto por suas dimensões ético-políticas quanto por suas dimensões didático-pedagógicas. Neste sentido, sem preterir a importância da primeira dimensão, é sobre a segunda que discorreremos mais acuradamente. Para tanto, primeiramente, versaremos sobre alguns preceitos gerais acerca do ensino superior para, na sequência, focalizar a referida indissociabilidade com um de seus fundamentos metodológicos”. Formulação/verificação das hipóteses (p. 3-4) “Por tais razões, inclusive, a dupla função do ensino superior não pode ser dissociada. Se, por um lado, ele é via de formação profissional, implicando a aprendizagem de um conjunto de conhecimentos e domínios metodológico- técnicos, é, também, via estruturante de recursos afetivo-cognitivos imprescindíveis para que os educandos possam conhecer com o devido rigor, cientificidade e criticidade não apenas as dimensões técnicas de seu futuro exercício profissional como também as condições histórico-sociais nas quais este exercício ocorrerá, dado que reafirma a importância da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão”. Referencial teórico (p. 4-8) • Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996; • Phillipe Perrenoud; 19 • Vasquez (1968); • Duarte (1998); • Saviani (1984); • Vigevani (2001); • Rosemberg (2002); • Moraes (2001); • Resolução UNESP nº 102/00, que dispõe sobre o Regimento Geral da Extensão Universitária na UNESP; • Plano Nacional de Extensão (2000). Instrumentos da pesquisa Pesquisa bibliográfica baseada em literatura da área e na legislação. Conclusões (p. 9-10) Trecho do tópico “Considerações finais”. Exercícios de fixação Questão 1 – B Justificativa: O método corresponde a um caminho e é aplicado em pesquisas como o registro do percurso da investigação. Questão 2 – E Justificativa: De fato, lidamos com todos esses níveis de aprofundamento do saber, mas, conforme a tipologia apresentada e mais usualmente aceita, o conhecimento é classificado em, pelo menos, quatro tipos – popular ou do senso comum, científico, filosófico e teológico. 20 Questão 3 – E Justificativa: Para ser considerado como científico, o conhecimento precisa apresentar regularidade, objetividade, rigor na investigação e na redação, observação e experimentação, utilização de instrumentos e comunicação. Questão 4 – E Justificativa: De acordo com as normas aceitas, as etapas do método científico contemplam a observação, a problematização, a formulação/verificação das hipóteses, as conclusões e a generalização dos resultados. O não cumprimento de uma dessas fases poderá enviesar e falsear os dados e resultados obtidos. Questão 5 – A Justificativa: De acordo com o que estudamos, uma pesquisa que se pauta no método científico deve ser acompanhada do início ao fim pela documentação ou pelo registro, bem como pela análise sistemática dos dados e resultados. A documentação em forma de registro – escrito ou fotográfico, por exemplo – é muito importante, pois garante ao pesquisador o armazenamento do caminho/método percorrido na investigação, além de subsidiar futuras pesquisas. Também é pela documentação que a comunicação dos achados da investigação pode ser divulgada e confrontada pela comunidade científica e pela sociedade de maneira geral. Atualizado em: 25 abr. 2014 1 2 AULA 2: PLANEJANDO A PESQUISA 3 INTRODUÇÃO 3 CONTEÚDO 4 MÉTODO CIENTÍFICO 4 CONCEITO DE PESQUISA 5 ÁREA DO CONHECIMENTO DA PESQUISA 6 PESQUISA DOCUMENTAL E BIBLIOGRÁFICA 8 PESQUISA DESCRITIVA 9 PESQUISA EXPERIMENTAL 11 ABORDAGEM QUANTITATIVA 13 ABORDAGEM QUALITATIVA 13 ATIVIDADE PROPOSTA 15 REFERÊNCIAS 15 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 16 CHAVES DE RESPOSTA 19 ATIVIDADE PROPOSTA 19 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 20 3 Introdução Nesta aula, você vai conhecer os tipos de pesquisa e a natureza das abordagens de um trabalho científico. Para desenvolvê-lo com base no tema de sua escolha, é preciso seguir determinada linha teórica que sustente a investigação e uma metodologia específica que o auxilie a planejar a pesquisa de forma adequada. Vamos estudar melhor esses assuntos? Objetivo Identificar os tipos de pesquisa e os procedimentos metodológicos necessários ao planejamento de uma investigação. 4 Conteúdo Método científico Você se lembra da aula anterior, em que estudamos o método científico? Vamos retomar algumas de suas etapas a partir do esquema a seguir: Disponível em: <http://ciencia.hsw.uol.com.br/metodos-cientificos6.htm>. Acesso em: 15 abr. 2014. A escolha do método de investigação diz respeito ao tipo de pesquisa que pretendemos desenvolver. Muitas vezes, os resultados desse trabalho não são fidedignos porque o método escolhido para investigar determinado problema não condiz com o tema da pesquisa. Por isso, sua adaptação ao assunto pesquisado é de suma importância, pois pode ser uma garantia ou, pelo menos, uma tentativa de manter o rigor científico e alcançar bons resultados. Mas o que, de fato, significa pesquisar? Vamos descobrir? http://ciencia.hsw.uol.com.br/metodos-cientificos6.htm 5 Conceito de pesquisa Quem empreende uma pesquisa busca informações relevantes para desenvolver seu trabalho e procura organizá-las de forma cuidadosa e metódica. Alguns autores a definem da seguinte forma: Pesquisa = geração deconhecimento Como aponta Severino (2007, p. 34): “[...] a pesquisa é fundamental, uma vez que é através dela que podemos gerar o conhecimento, a ser necessariamente entendido como construção dos objetos de que se precisa apropriar humanamente”. Pesquisa = descoberta de novos fatos Para Rampazzo (2013, p. 49): “[...] a pesquisa é um procedimento reflexivo, sistemático, controlado e crítico que permite descobrir novos fatos ou dados, soluções ou leis, em qualquer área do conhecimento”. Sendo assim, um dos objetivos da pesquisa é buscar a solução de problemas por meio do método científico. Qualquer investigação se caracteriza por três elementos básicos: 1. O levantamento de algum problema; 2. O encaminhamento ou a solução a(o) qual se chega; 3. Os meios, ou seja, os instrumentos e procedimentos metodológicos adequados ao empreendimento em questão. 6 A partir desses elementos, o objeto a ser pesquisado pode tornar-se mais visível ao pesquisador, permitindo uma melhor escolha do método de investigação. Logo, o ato de pesquisar1 está cercado pelos seguintes questionamentos: Disponível em: <http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/05/20/como-elaborar- projeto-de-pesquisa/>. Acesso em: 15 abr. 2014. Para seguir esse percurso investigativo, é muito importante que você determine o tipo de pesquisa que desenvolverá. Vejamos o porquê... Área do conhecimento da pesquisa De acordo com Severino (2007, p. 108): “No caso das pesquisas realizadas no âmbito das Ciências Naturais, há, praticamente, um único paradigma [modelo] 1 Pesquisar Investigar com a finalidade de descobrir conhecimentos novos, recolher elementos para o estudo de algo. Disponível em: <http://www.significados.com.br/?s=pesquisar>. Acesso em: 16 abr. 2014. http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/05/20/como-elaborar-projeto-de-pesquisa/ http://fernandonogueiracosta.wordpress.com/2012/05/20/como-elaborar-projeto-de-pesquisa/ http://www.significados.com.br/?s=pesquisar 7 teórico-metodológico – aquele representado pelo positivismo2, coetâneo [da mesma época] à constituição da ciência. Mas, no caso da pesquisa em Ciências Humanas, além desse paradigma originário, constituíram-se paradigmas epistemológicos 3 alternativos, [o que nos remete], hoje, [ao] pluralismo paradigmático [...]”. Em outras palavras, ao tentar entender o que é ser humano, o pesquisador se dá conta de que há inúmeras possibilidades válidas de compreender e explicar essa construção – ou seja, o modo de ser e de agir do indivíduo. Dessa forma, o tipo de pesquisa do qual você lança mão é o que vai determinar a obtenção de resultados confiáveis que possam ser analisados e apreendidos. Partindo dessas ideias, vamos destacar, a seguir, as categorias investigativas mais utilizadas no meio acadêmico. 2 Positivismo Doutrina filosófica de Auguste Comte (1798-1857), que propõe fazer das ciências experimentais o modelo por excelência do conhecimento humano em substituição às especulações metafísicas ou teológicas. 3 Epistemológicos Palavra de origem grega que nos remete à ciência, ao conhecimento, ao estudo científico que trata dos problemas relacionados à natureza e às limitações de determinada crença ou determinado saber. Enfim, a epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento. Adaptado de: <http://www.significados.com.br/epistemologia/>. http://www.significados.com.br/epistemologia/ 8 Pesquisa documental e bibliográfica A pesquisa documental tem por base a procura de documentos de origem primária que podem ser encontrados em arquivos, fontes estatísticas e não escritas4. Esses arquivos podem ser: Públicos – a partir dos quais provavelmente vamos encontrar documentos oficiais5; Particulares – a partir dos quais encontramos documentos de natureza privada 6 (aqueles que pertencem, geralmente, a instituições7 desse tipo). 4 Não escritas Entre as fontes não escritas – oficiais ou não oficiais –, podemos destacar: As fotografias; As gravações; Os filmes e vídeos; Os CDs Rooms e DVDs; A imprensa falada – programas de rádio e TV; Os desenhos e as pinturas; Os objetos de arte etc. 5 Documentos oficiais São exemplos deste tipo de documentos: Anuários; Ordens régias e leis; Atas, relatórios e ofícios; Correspondências; Alvarás e registros diversos; Publicações de Diários Oficiais; Inventários, testamentos e escrituras; Certidões de cartórios – de nascimentos, de óbitos, de casamentos, de divórcios etc. 6 Documentos de natureza privada São exemplos deste tipo de documentos: Cartas; Memoriais; Atas e ofícios; Boletins e memorandos; Outras fontes de informação. 7 Instituições São exemplos de instituições privadas: 9 Já a pesquisa bibliográfica tem como objetivo a investigação de um problema a partir de referências teóricas publicadas em livros, periódicos etc. Essa pesquisa pode ser realizada de forma independente ou como parte de outros tipos de investigação. Todos eles necessitam, praticamente, de um levantamento bibliográfico prévio para situar e fundamentar o problema em questão, bem como para justificar os limites e as possíveis contribuições da própria pesquisa. Aprenda mais Para saber mais sobre a pesquisa bibliográfica, leia o texto A “revisão da bibliografia” em teses e dissertações: meus tipos inesquecíveis. Pesquisa descritiva A pesquisa descritiva observa, registra, analisa e correlaciona os fatos e dados pesquisados sem a interferência do pesquisador. Esse tipo de investigação procura descobrir e registra a frequência com que ocorrem os fenômenos, sua relação e a conexão com outros eventos, bem como sua natureza e suas principais características. Bancos; Igrejas; Indústrias; Partidos políticos; Sindicatos; Escolas; Hospitais etc. http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Revisao_bibliografia.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Revisao_bibliografia.pdf 10 De acordo com Rampazzo (2013), a pesquisa descritiva pode tomar a forma de: Estudo exploratório Passo inicial da pesquisa. Estudo descritivo Exame e descrição das características, das propriedades e das relações existentes entre a comunidade, o grupo ou a realidade da pesquisa. Pesquisa de opinião Análise dos pontos de vista e das preferências que as pessoas têm com relação a algum assunto antes de tomar decisões. Pesquisa de motivação Levantamento das razões que motivam as pessoas a escolherem determinada opção em situações preestabelecidas. Estudo de caso Observação particular de determinado indivíduo, grupo social, determinada família ou comunidade, cujo objetivo é investigar aspectos particulares de sua vida e de seus costumes. 11 Pesquisa experimental A pesquisa experimental depende do estabelecimento de hipóteses e variáveis8 que vão sendo progressivamente testadas em situações de controle e confirmadas (ou não). Essas situações são importantes, pois pretendem anular ou, até mesmo, minimizar a influência de variáveis que intervêm no processo da pesquisa. Disponível em: <http://olharbeheca.blogspot.com.br/2010/08/piada-do-dia-pesquisa-com- animais.html>. Acesso em: 16 abr. 2014. Rampazzo (2013, p. 56) aponta três tipos de variáveis: Variável independente (X) Fator, causa ou antecedente que determina a ocorrência de outro fenômeno, efeito ou de outra consequência. 8 Variáveis Conforme aponta Rampazzo (2013, p.55), trata-se de: “[...] propriedades, aspectos ou fatores reais potencialmente mensuráveis pelos valores que assumem e discerníveis em um objeto de estudo. São exemplos de variáveis o salário, a idade, o sexo, a profissão, a cor, a taxa de natalidade etc. – desde que se destaquem os valores que contêm”. Em outras palavras, as variáveis representam um valor, um traço de destaque que vai, mais ou menos, oscilando de acordo com cada caso particular. http://olharbeheca.blogspot.com.br/2010/08/piada-do-dia-pesquisa-com-animais.html http://olharbeheca.blogspot.com.br/2010/08/piada-do-dia-pesquisa-com-animais.html 12 Variável dependente (Y) Fator propriedade, efeito ou resultado decorrente da ação variável independente. Variável interveniente (W) Fator que modifica a variável dependente, sem que tenha havido modificação na independente. Analise o seguinte caso... Os alunos das escolas A e B obtêm diferentes resultados no processo seletivo de entrada na universidade por conta do estresse de alguns. Nesse exemplo, observamos as seguintes variáveis: Interveniente (W) – o estresse, que afeta diretamente a próxima variável; Dependente (Y) – o resultado dos alunos; Independente (X) – ambas as escolas. A pesquisa experimental tem a intenção de explicitar de que maneira ou por que razões o fenômeno observado é produzido. Dessa forma, o pesquisador busca as relações entre as variáveis envolvidas no objeto de estudo. Utilizando o mesmo exemplo e dando continuidade à investigação, poderíamos elaborar um questionário para aprofundar e analisar o nível de estresse desses alunos e suas causas. Em seguida, a partir dos resultados, seria possível propor uma intervenção para minimizar os fatores que geraram a situação. 13 Abordagem quantitativa Agora que você já conhece os tipos de pesquisa, vamos nos aprofundar sobre as abordagens que podemos agregar a eles, a fim de que possamos desenvolver a investigação. Vamos começar pela abordagem quantitativa. Para Rampazzo (2013, p. 58), esta: “[...] se inicia com o estudo de certo número de casos individuais, quantifica fatores segundo um estudo típico, servindo-se, frequentemente, de dados estatísticos, e generaliza o que foi encontrado nos casos particulares”. Sendo assim, um estudo de natureza quantitativa preocupa-se, sobretudo, com a quantidade de dados observados, a partir dos quais são elaborados mapas estatísticos que servem de referência para posteriores análises. De maneira geral, essa abordagem é mais utilizada nas ciências duras – as chamadas Ciências Exatas – e pretende a generalização dos achados na investigação. Abordagem qualitativa A abordagem qualitativa põe em xeque o valor da generalização, ou seja, não procura, de forma mais direta, as estatísticas para os casos pesquisados – como a anterior. Ao contrário, de acordo com Rampazzo (2013, p. 58-59), esta: “[...] busca uma compreensão particular daquilo que estuda – o foco de sua atenção é centralizado no específico, no peculiar, 14 no individual, almejando sempre a compreensão, e não a explicação dos fenômenos estudados. [...] A pesquisa é concebida como um empreendimento mais abrangente e multidimensional do que aquele comum na pesquisa quantitativa”. Procurando o específico de cada situação analisada, a abordagem qualitativa tem o objetivo de compreender os fenômenos com base nos contextos de tempo e espaço e nos sujeitos da pesquisa, sem deslocar os fatos da realidade investigada. O enfoque da pesquisa qualitativa tem seus fundamentos na fenomenologia de Edmund Husserl (1859-1938). Com base em sua teoria do conhecimento, o filósofo propôs que não há privilégio do sujeito que conhece nem do objeto a ser conhecido, mas das relações que se estabelecem entre ambos. Afinal, já dizia Rampazzo (2013, p. 59): “[...] há sempre uma dependência entre a consciência e o mundo”. Dessa forma, nessa abordagem de pesquisa, não existe uma resposta a priori, mas aquelas obtidas de acordo com a investigação desenvolvida, levando sempre em conta o contexto dos objetos e sujeitos da pesquisa. Conforme destaca Rampazzo (2013, p. 60): “[...] os dados da pesquisa qualitativa não são coisas isoladas, acontecimentos fixos, captados em um instante de observação. Eles se dão em um contexto fluente de relações [...]”. 15 Atenção A abordagem qualitativa é bastante utilizada nas Ciências Sociais e Humanas quando pretende investigar casos e situações peculiares e bastante característicos dessas ciências, não procurando reduzir o ser humano a números quantificáveis e sem a pretensão de generalizar os resultados em uma cartografia estatística. Atividade proposta Antes de finalizarmos esta aula, vamos fazer uma atividade! Leia o texto Do artesanato intelectual ao contexto virtual: ferramentas metodológicas para a pesquisa social. Em seguida, faça um quadro com os aspectos das abordagens qualitativa e quantitativa de pesquisa. Referências RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. São Paulo: Loyola, 2013. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007. http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Artesanato_intelectual.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Artesanato_intelectual.pdf 16 Exercícios de fixação Questão 1 Leia as seguintes afirmações: I. A adaptação do método ao assunto pesquisado é de suma importância, pois pode ser uma garantia ou, pelo menos, uma tentativa de manter o rigor científico e alcançar bons resultados. II. O método de pesquisa torna-se único frente aos tipos de investigação. III. O rigor científico não se alcança com o método utilizado na pesquisa. Entre os itens anteriores, está(ão) INCORRETO(S): a) I e II b) I e III c) II e III d) I, II e III e) Apenas I Questão 2 São componentes da pesquisa descritiva: a) Os estudos de caso e exploratório. b) As análises qualitativas. c) As análises quantitativas. d) As pesquisas de opinião e de motivação. e) Os estudos de caso e descritivo, e as pesquisas de opinião e de motivação. 17 Questão 3 Podemos considerar que a variável é um: a) Estudo de caso. b) Objeto de pesquisa. c) Valor fixo para todas as investigações. d) Valor agregado a um tipo de pesquisa. e) Traço de destaque que vai oscilando de acordo com cada situação particular. Questão 4 Podemos afirmar que as abordagens qualitativa e quantitativa de pesquisa: a) Excluem-se. b) Complementam-se. c) São percebidas facilmente em um estudo de caso. d) Representam um valor que varia em função do tipo de investigação. e) N.R.A. 18 Questão 5 São considerados como elementos básicos da pesquisa: I. O levantamento de algum problema. II. O encaminhamento ou a solução a(o) qual se chega. III. Os meios, ou seja, os instrumentos e procedimentos metodológicos adequados ao empreendimento da investigação. Entre os itens anteriores, está(ão) CORRETO(S): a) I e II b) I e III c) I, II e III d) Apenas III e) II e III 19 Atividade proposta Com base no texto lido, podemos destacar os seguintes aspectos das abordagens de pesquisa: Abordagem qualitativa Abordagem quantitativa “O que se perde em quantidade se ganha em profundidade”. (p. 7) “[...] tudo que não pode ser comprovado com dados numéricos se reduz a simples filosofia social”. (p. 2) “No entanto, quando neste tipo de pesquisa é adotado um elevado padrão científico, com utilização de técnicas de coleta de dados adequadamente escolhidas e testadas, aliado à incorporação de teorias explicativas substantivas, pode-sediminuir a possibilidade da nossa pesquisa qualitativa ser caracterizada como ‘exploratória’, comumente desqualificada pelos quantitativistas”. (p. 6-7) “A busca da quantificação nos estudos sobre a sociedade esteve relacionada, durante longo tempo, ao paradigma positivista”. (p. 6) “Ele é muito eficiente para traçar um perfil fidedigno de determinada população, caracterizando sua situação socioeconômica, pela utilização de técnicas de medida e controle de variáveis, mas quando se procura uma compreensão mais abrangente da estrutura discursiva dos atores sociais e seu comportamento, as técnicas qualitativas se tornam mais “Ao trabalhar com técnicas quantitativas, busca-se analisar o comportamento das variáveis individualmente, ou na sua relação de associação ou de dependência com outras variáveis (quando há causalidade)”. (p. 6) 20 apropriadas. Pesquisas que utilizam este tipo de técnica estão demonstrando crescente poder de precisão nos seus procedimentos metodológicos”. (p. 7) “Os números e [as] estatísticas podem não ser as ferramentas mais apropriadas para compreender ideologias e representações. Ou seja, o tratamento matemático nem sempre é adequado para pesquisas que têm como objetivo elucidar em profundidade motivações e ações”. (p. 7) “São elaborados diversos gráficos ou tabelas de frequências univariadas (uma variável), com cruzamentos de duas variáveis (bivariadas) ou mais (multivariadas), no intuito de identificar características ou fatores explicativos dos fenômenos em estudo”. (p. 6) “Com o acelerado desenvolvimento das TICs (Tecnologias da Informática e da Comunicação), é possível realizar pesquisas qualitativas com maior rigor científico e capacidade explicativa”. (p. 7) “Os dados podem apresentar diferentes níveis de medição, possibilitando trabalhar com estatísticas descritivas ou inferenciais, com probabilidades, proporções ou correlações entre variáveis”. (p. 6) Fonte SANTOS, T. S. Do artesanato intelectual ao contexto virtual: ferramentas metodológicas para a pesquisa social. In: Revista Sociologias, Porto Alegre, ano 11, n. 21, p. 120- 156, jan./jun. 2009. Exercícios de fixação Questão 1 – C Justificativa: É necessário escolher corretamente o método de pesquisa de acordo com o objeto investigado. 21 Questão 2 – E Justificativa: A pesquisa descritiva pode tomar a forma de estudos de caso, exploratório ou descritivo, bem como o formato de pesquisas de opinião ou de motivação. Questão 3 – E Justificativa: A variável é considerada um traço que se diversifica de acordo com cada caso de pesquisa. Questão 4 – B Justificativa: Atualmente, as abordagens qualitativa e quantitativa têm sido entendidas como complementares, e não excludentes, como destaca o paradigma positivista de ciência. Questão 5 – C Justificativa: As três etapas citadas são imprescindíveis para uma pesquisa rigorosa. Atualizado em: 21 mai. 2014 1 2 AULA 3: ELABORAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS 3 INTRODUÇÃO 3 CONTEÚDO 4 ESCOLHA E DELIMITAÇÃO DO TEMA DE PESQUISA 4 FASES PARA O AMADURECIMENTO DE UM TRABALHO CIENTÍFICO 4 REFERENCIAL TEÓRICO 6 ORGANIZAÇÃO DO REFERENCIAL TEÓRICO 7 PROBLEMATIZANDO O TEMA DE PESQUISA 9 FORMULAÇÃO DE OBJETIVOS E DE HIPÓTESES 12 JUSTIFICATIVA E CRONOGRAMA 12 NORMAS DA ABNT 13 ATIVIDADE PROPOSTA 14 REFERÊNCIAS 14 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 15 CHAVES DE RESPOSTA 18 ATIVIDADE PROPOSTA 18 EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 19 3 Introdução Nesta aula, vamos tratar da organização da pesquisa como um projeto. Logo, você vai identificar as etapas de uma investigação e as opções teóricas de que podemos nos valer para desenvolvê-la. Para isso, é importante conhecer as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que unificam a redação do trabalho, além de estabelecer princípios e diretrizes sobre a pesquisa científica. Então, aproveite este estudo para aperfeiçoar seus conhecimentos! Objetivo Praticar a elaboração de uma pesquisa de acordo com a ABNT. 4 Conteúdo Escolha e delimitação do tema de pesquisa Na aula anterior, estudamos os tipos de pesquisa e suas abordagens quantitativa e qualitativa. Mas, antes de optar por uma dessas abordagens, você deve escolher e delimitar seu tema de estudo, de modo que seja viável e condizente com o tipo de pesquisa que pretende desenvolver. Delimitar o assunto a ser tratado é como colocar uma lente sobre determinado objeto de pesquisa, na tentativa de focalizar os detalhes dentro de um grande campo do saber. Essa delimitação é fundamental para o adequado andamento da pesquisa, pois nos permite visualizar, com maior clareza, os aspectos que pretendemos investigar. Fases para o amadurecimento de um trabalho científico Para Severino (2007, p. 133), há três fases para o amadurecimento de um trabalho científico. São elas: Invenção Fase da intuição, da descoberta, da formulação de hipóteses, na qual o pensamento é provocado e questiona aspectos da realidade. Pesquisa Fase experimental – com trabalho de laboratório ou de campo – ou bibliográfica. 5 Aqui, começamos a comparar nossas intuições com as percepções dos outros, confrontando ideias, rejeitando-as, reformulando-as, enfim, formalizando uma concepção – mesmo provisória – que já nos aponta um caminho a seguir. Composição do trabalho Fase de desenvolvimento do trabalho investigativo. Após amadurecer a ideia inicial da pesquisa, já é possível seguir um caminho definitivo que poderá – ou não – confirmar essa ideia anterior, norteando o rumo do trabalho. Em outras palavras, o tema de pesquisa pode partir de uma intuição, que vai ganhando corpo e se formalizando com sua delimitação. Quer ver um exemplo? Suponhamos que você tenha a intenção de investigar a formação docente para o Ensino Superior. Esse é um ótimo tema de pesquisa, mas muito extenso. Por isso, é necessário que ele seja delimitado, para que você – como pesquisador – possa ajustar sua visão diante de alguns aspectos. Caso não o faça, é provável que você não consiga concluir sua pesquisa. Para ajudá-lo nessa delimitação, é interessante levantar algumas perguntas, tais como: Que aspectos da formação docente você deseja investigar – a formação tradicional, realizada nas instituições formais de ensino, ou a informal, realizada em cursos livres? Que tipo de formação docente é o foco de sua pesquisa – a inicial ou a continuada? Que documentos legais indicam essa formação? 6 O que os professores e os alunos entendem por formação docente para o Ensino Superior? Enfim, com a delimitação do tema, a pesquisa estará mais bem direcionada e, provavelmente, terá melhores resultados. Afinal, o pesquisador já sabe qual seu foco de estudo, o que evita desvios desnecessários que podem atrapalhar seu percurso investigativo. Referencial teórico Depois de empreender as etapas anteriores, é fundamental buscar o referencial teórico necessário para desenvolver a investigação com o rigor científico inerente a um trabalho acadêmico de boa qualidade. De acordo com Severino (2007, p. 133): “[...] o trabalho de pesquisa deverá dar conta dos elementos necessários para o desenvolvimento do raciocínio demonstrativo, recorrendo, assim, a um volume de fontes suficiente para cumprir essa tarefa – esteja ela relacionada com o levantamento de dados empíricos, com ideias presentes nos textos ou com intuições e raciocínios do próprio pesquisador”. Mas que fontes seriam essas? Trata-se de textos básicos1 para o tema que você pretende pesquisar: um material que pode ajudar a situar o assunto em um panorama mais geral nesseprimeiro momento. 1 Textos básicos Como exemplos de textos básicos para o desenvolvimento de uma pesquisa científica, podemos citar: 7 Atenção Conforme aponta Rampazzo (2013, p. 62), esses textos básicos têm como propósito: “[...] criar um contexto, um quadro teórico geral a partir do qual se pode desenvolver a aprendizagem, assim como a maturação do próprio pensamento”. O autor completa sua afirmação, chamando a atenção para a participação em seminários, congressos e eventos da área como formas de complementação e ampliação desse quadro teórico. Organização do referencial teórico A partir do estabelecimento de um aporte teórico inicial, você deve começar a explorar e a organizar o material de sua pesquisa, valendo-se da heurística2, a fim de ter em mãos o suporte necessário para empreender o estudo que pretende. Atualmente, essa busca também pode ser feita por meio dos recursos da internet, mas tanto o material físico quanto o virtual precisam ser checados em termos de seriedade e confiabilidade, até porque: Um dicionário especializado na área de estudo; Textos introdutórios ao assunto; Algum texto sobre a história do tema da investigação; Algumas revistas e alguns periódicos especializados. 2 Heurística De acordo com Severino (2007, p. 134), trata-se da “ciência, técnica e arte de localização e levantamento de documentos”. 8 Todo trabalho acadêmico-científico deve basear-se em fontes confiáveis3! Atenção Em suma, o referencial teórico é um elemento fundamental da pesquisa que permite a defesa do ponto de vista do estudo. Por isso, é importante que você escolha autores renomados e trabalhos atualizados que possam embasar com mais propriedade o tema de sua investigação. Vamos dar continuidade à elaboração da pesquisa-exemplo, com base no tema apresentado anteriormente: a formação docente para o Ensino Superior. Para organizar o quadro teórico referente a esse assunto, podemos nos perguntar: Que estudos já foram feitos a respeito dessa questão? Quais livros, artigos ou pesquisas científicas já foram publicados sobre o objeto de estudo? Dessa forma, você vai levantando a bibliografia específica sobre o assunto a ser investigado para formar um corpo teórico que será o pilar de sua pesquisa e referendará seus achados e pontos de vista. 3 Fontes confiáveis Veja alguns exemplos de fontes confiáveis de pesquisa virtual: Portal do Ministério da Educação (MEC); Portal de periódicos da Scientific Electronic Library Online (SciELO); Portal de teses e dissertações da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES); Portal de acesso a bibliotecas da Universidade de São Paulo (USP); Portal do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). http://www.mec.gov.br/ http://www.scielo.br/ http://www.capes.gov.br/ http://www.capes.gov.br/ http://www.usp.br/sibi/ http://www.ibge.gov.br/home/ 9 Atenção Com o aporte teórico já organizado, podemos pensar nos próximos tópicos desse trabalho acadêmico: A definição do problema; A formulação dos objetivos e das hipóteses; A elaboração de um plano para o estudo. Aprenda mais Para saber mais sobre a importância da participação em congressos e eventos científicos, leia o texto Por que participar de congressos, feiras e palestras?. Para saber mais sobre a relevância do referencial teórico em uma pesquisa, leia o texto A teoria em pesquisa: o lugar e a importância do referencial teórico na produção em educação. Problematizando o tema de pesquisa Toda investigação parte de um problema. Para elaborá-lo, você precisa responder as seguintes perguntas: O que quero pesquisar? Que questão pretendo responder com minha pesquisa? http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Por_que_participar_congressos.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Por_que_participar_congressos.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Teoria_pesquisa.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Teoria_pesquisa.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Teoria_pesquisa.pdf 10 Como afirma Freixo (2010, p. 157): “[...] neste processo de formulação de uma questão de investigação mais precisa, é importante que se enuncie a interrogação sobre sua pertinência, seu valor teórico e prático, e suas dimensões metodológicas, sem esquecer, evidentemente, suas implicações éticas”. Sendo assim, ao formular um problema de pesquisa, é fundamental apontar, de modo transparente e explícito, o que você planeja resolver, delimitando o campo do saber em que se enquadra seu trabalho e apresentando suas principais características. Por exemplo, no filme O óleo de Lorenzo, o pai de um menino portador de doença rara decide realizar um trabalho científico para descobrir uma forma de prolongar a vida do filho. Galeria de vídeos Assista ao trailler e entenda melhor o assunto. Diante do diagnóstico negativo dado pelos médicos, ele resolve, por conta própria, pesquisar em diversas fontes como estabilizar os níveis de gordura no sangue da criança. Essa questão constitui um problema de pesquisa! https://www.youtube.com/watch?v=DVglxC31t-g 11 Atenção Para Freixo (2010, p. 158), o problema de pesquisa tem de ser: Pensado de forma clara e sem ambiguidade; Redigido em formato de pergunta ou questão implícita; Testável por métodos empíricos, de maneira que possamos recolher os dados que correspondam à questão formulada. Além disso, ele não deve representar qualquer atitude moral ou ética. Gil (2008, p. 49-50) aponta que: “[...] um problema é testável cientificamente quando envolve variáveis que podem ser observadas ou manipuladas. As proposições que se seguem podem ser tidas como testáveis: • Em que medida a escolaridade determina a preferência político-partidária? • A desnutrição determina o rebaixamento intelectual? • Técnicas de dinâmica de grupo facilitam a interação entre os alunos? Todos esses problemas envolvem variáveis suscetíveis à observação ou à manipulação.” 12 Formulação de objetivos e de hipóteses Após a questão-problema da pesquisa ser anunciada, é necessário formular os objetivos do estudo e algumas hipóteses que serão confrontadas com os dados colhidos. Qual a importância de tal formação para esse nível de ensino? Os objetivos têm de ser elaborados de maneira direta e compreensível, a fim de que se explicite o que a pesquisa pretende alcançar. Sem objetivos claros e precisos, será difícil analisar e entender os dados da investigação. Já as hipóteses devem garantir a orientação do trabalho. De acordo com Freixo (2010, p. 165), elas constituem: “[...] uma sugestão de resposta para o problema, [...] que assumirá a condição de uma predição e consistirá em uma (ou mais) resposta(s) plausível(is) para o problema que orientará a investigação”. Justificativa e cronograma Para além das hipóteses, que podem – ou não – ser confirmadas ao longo da investigação, a pesquisa necessita de uma justificativa plausível que explique sua validade e fundamente os argumentos do pesquisador. É através desse elemento que você fará sua argumentação quanto à importância do desenvolvimento do trabalho científico e de seus resultados. Também é fundamental que você organize um cronograma que lhe indique o andamento da investigação e as etapas que têm de ser alcançadas nos 13 prazos estabelecidos. Trata-se de uma espécie de calendário, no qual marcamos as fases da pesquisa e o tempo estimado para que sejam cumpridas. Atenção O fato é quetodos os tópicos apresentados até o momento precisam ser desenvolvidos com base em algumas normas direcionadas à elaboração de trabalhos acadêmicos. Vamos conhecê-las? Normas da ABNT Até agora, pautamos nosso estudo na confiabilidade e no rigor científico da pesquisa, mas não podemos deixar de expor as normas para a elaboração de trabalhos acadêmicos, tais como: • Trabalho de Conclusão de Curso (TCC); • Dissertações; • Teses; • Artigos; • Pôsteres. Estamos nos referindo às regras que garantem a normatização/unificação na apresentação de investigações cuja base é a ciência, assegurando que os procedimentos sejam padronizados – inclusive na redação do estudo. No Brasil, o órgão responsável por essa padronização é a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Lidar com essas normas é comum na vida acadêmica, universitária e de alguns cursos técnicos, mas aplicá-las demanda tempo e paciência. http://www.abnt.org.br/ http://www.abnt.org.br/ 14 As universidades e entidades educacionais fazem adaptações da ABNT de acordo com sua própria normatização. Dessa forma, para desenvolver seu trabalho, consulte, antes, o manual de normas da universidade em que estuda. Atenção Em muitos países – até mesmo no Brasil –, os pesquisadores se fundamentam nas normas da American Psychological Association (APA) para adequar padrões de citações e referências. A normatização é parecida, mas há algumas diferenças que marcam um e outro estilo. Atividade proposta Antes de finalizarmos esta aula, vamos praticar o que aprendemos? Para complementar o estudo, assista a um vídeo que explica os diversos tipos de pesquisa. Com base nas especificidades apresentadas no vídeo e no que vimos ao longo do conteúdo, monte, agora, seu próprio trabalho científico! Para isso: • Escolha um tema e delimite-o; • Elabore um problema para a investigação; • Formule uma hipótese para a pesquisa. Referências FREIXO, M. J. V. Metodologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. Lisboa: Instituto Piaget, 2010. http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Normas_APA.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Normas_APA.pdf https://www.youtube.com/watch?v=edb_NsJ3-CQ 15 GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008. RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. São Paulo: Loyola, 2013. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007. Exercícios de fixação Questão 1 Leia as seguintes afirmações: I. Logo após a escolha do tema da pesquisa, é necessário delimitá-lo. II. A delimitação do tema não é tão fundamental à pesquisa qualitativa. III. A delimitação do tema é uma das fases da pesquisa que pode ser ignorada. Entre os itens anteriores, está(ão) INCORRETO(S): a) I e II b) I e III c) II e III d) I, II e III e) Apenas I 16 Questão 2 De acordo com Severino (2007), as fases para o amadurecimento de um trabalho científico incluem: a) As análises qualitativas, e a elaboração de gráficos e tabelas. b) A invenção, o momento da pesquisa e a composição do trabalho. c) O estudo exploratório, a revisão bibliográfica e a escrita do resumo. d) A coleta de dados empíricos, a pesquisa qualitativa e a análise dos gráficos. e) As análises quantitativas, a elaboração de quadros teóricos e a introdução. Questão 3 No momento da organização do quadro teórico da investigação, o pesquisador deve: a) Estabelecer o objeto de estudo. b) Levar em conta todas as investigações pesquisadas. c) Consultar somente um tipo de pesquisa. d) Considerar as várias fontes de busca de material. e) Empreender uma pesquisa reduzida, com apenas uma visão sobre o assunto. 17 Questão 4 De acordo com Freixo (2010), a hipótese é uma sugestão que: a) Não se concretiza. b) Serve de resposta para o problema. c) Indica a possibilidade de invalidação da pesquisa. d) Resolve os impasses da pesquisa em seu curso. e) Anula toda a pesquisa se não for confirmada. Questão 5 No Brasil, a ABNT é responsável por: I. Padronizar a elaboração de trabalhos acadêmicos. II. Ditar as normas técnicas de vários setores de produção. III. Normatizar os aspectos da produção técnica brasileira em diversas áreas do conhecimento e da produção de bens e serviços. Entre os itens anteriores, está(ão) CORRETO(S): a) I e II b) I e III c) I, II e III d) Apenas III e) Apenas I 18 Atividade proposta Para montar sua investigação científica, você deve levar em consideração os seguintes tópicos: • Escolha do tema – assunto amplo que corresponde à grande área que pretende pesquisar; • Delimitação do tema – restrição/especificação do assunto a ser tratado dentro dessa grande área de pesquisa; • Problema – foco da investigação elaborado em forma de pergunta; • Hipóteses – teorias testadas no trabalho que apontam possíveis respostas ao problema da pesquisa. Veja um exemplo de organização de determinada pesquisa com base nesses tópicos: Tema Delimitação do tema Problema Hipóteses Educação do Ensino Superior, ensino jurídico e especializado. Diretrizes Curriculares Nacionais de determinado Curso Superior; Relação entre professor e aluno em sala de aula; Formação do professor do Ensino Superior; Sistemas de avaliação no/do Ensino Superior; Competências básicas para o professor do Ensino Superior; Aspectos históricos, sociais e legais do Ensino Superior. Como as Diretrizes Curriculares do Curso de Direito foram elaboradas e como tem sido sua aplicação? Como essas Diretrizes influenciam os currículos dos Cursos Superiores? Como se vêm estabelecendo as relações entre professores e alunos na sala de aula de cursos do Ensino Superior? Como a avaliação contribui para a melhoria da qualidade desses cursos em determinada área do conhecimento? As Diretrizes Curriculares Nacionais tiveram impacto na composição dos currículos do Curso Superior; As relações entre alunos e professores influenciam a aprendizagem em sala de aula; O professor do Ensino Superior tem-se formado na prática de sala de aula; Os sistemas de avaliação não têm sido eficazes para a qualidade dos cursos de Ensino Superior. 19 Exercícios de fixação Questão 1 – C Justificativa: A delimitação do tema da pesquisa é necessária logo após sua escolha, a fim de que haja maior rigor e centralidade na investigação. Questão 2 – B Justificativa: As fases de amadurecimento da pesquisa são a invenção/opção pelo assunto a ser investigado, o momento da pesquisa – que inclui as alternativas metodológicas e as etapas de elaboração do estudo e de coleta de dados –, e a composição do trabalho – que formaliza as análises do material colhido e nos permite chegar às considerações finais da pesquisa. Questão 3 – D Justificativa: Na fase de organização do referencial teórico da pesquisa, é muito importante buscar materiais a partir de várias fontes, valendo-se de inúmeros recursos – como a internet, por exemplo. Questão 4 – B Justificativa: Freixo (2010) define, de maneira sucinta, a hipótese como a sugestão de uma resposta para o problema da pesquisa, considerada a priori na investigação. Questão 5 – C Justificativa: No Brasil, a ABNT é o órgão responsável por normatizar e padronizar a produção acadêmica e de bens e serviços da indústria e do comércio. Atualizado em: 3 jun. 2014 METODOLOGIA DA PESQUISA 1 Aula 4: Tópicos especiais de pesquisa ........................................... 2 Introdução ..................................................................................................2 Conteúdo ..................................................................................................... 2 Levantamento bibliográfico .............................................................................. 2 Apontamentos na bibliografia .......................................................................... 3 Pesquisa bibliográfica x Pesquisa documental .................................................... 4 Técnicas e instrumentos para coleta de dados................................................... 5 Entrevista ...................................................................................................... 5 Observação .................................................................................................... 6 Questionário .................................................................................................. 8 Tipos de questões .......................................................................................... 9 Vantagens do uso do questionário .................................................................. 10 Argumentação científica ................................................................................. 11 Uso de citações ............................................................................................. 14 Resumo e palavras-chave ............................................................................... 16 Atividade proposta ......................................................................................... 17 Aprenda Mais ............................................................................................ 18 Referências ............................................................................................... 18 Exercícios de fixação ................................................................................. 19 Notas .................................................................................................. 22 Chaves de resposta .......................................................................... 23 Atividade proposta ......................................................................................... 23 Exercícios de fixação ...................................................................................... 23 METODOLOGIA DA PESQUISA 2 Introdução Nesta aula, você conhecerá os instrumentos que auxiliam a pesquisa bibliográfica – tais como o fichamento de leituras, a análise e a revisão de textos –, além de técnicas para a coleta de dados. Você também aprenderá a utilizar citações diretas e indiretas em seu texto acadêmico. Aproveite essas dicas para construí-lo da melhor forma possível! Objetivo: Identificar os instrumentos de pesquisa e as formas de redação do texto acadêmico-científico. Conteúdo Levantamento bibliográfico Na aula anterior, estudamos as fases de elaboração e de desenvolvimento de pesquisas acadêmicas, bem como as regras da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que emite a padronização de trabalhos científicos. Agora, daremos continuidade a esse estudo, conhecendo os instrumentos de investigação e as formas de redação desse tipo de texto. Vamos começar com o levantamento bibliográfico, que reúne dados disponíveis sobre o assunto da pesquisa. METODOLOGIA DA PESQUISA 3 Atenção De acordo com Freixo (2010, p. 226): “[...] escolhido o tema, o aluno deve informar-se, tanto quanto possível, sobre o assunto, começando por fazer um balanço dos conhecimentos de que dispõe sobre a temática [...] e, ao mesmo tempo, reunir todo o material que [encontrar] sobre a área onde o estudo se insere [...]”. Essa é uma das principais etapas do trabalho, pois, a partir desse recolhimento inicial, você pode ter ideia de como desenvolver o tema que delimitou para seu estudo. Apontamentos na bibliografia Após o levantamento bibliográfico, você deve iniciar uma nova etapa em seu trabalho: a leitura desse material, produzindo fichamentos, anotações e observações sobre ele. Essas anotações são uma estratégia para iniciar o trabalho de pesquisa. Por exemplo, se seu objetivo é realizar uma pesquisa documental, tais registros podem servir como resultado de sua investigação. Por meio deles, você lista os pontos que mais lhe chamaram a atenção nos textos selecionados e que, possivelmente, esclarecerão seu objeto de estudo. Mas NÃO confunda pesquisa bibliográfica com pesquisa documental. METODOLOGIA DA PESQUISA 4 Pesquisa bibliográfica x Pesquisa documental Galeria de Vídeos Para entender a distinção entre as pesquisas bibliográfica e documental, assista ao vídeo, que trata dessas e de outras modalidades de pesquisa em Educação. Fonte: TOZONI-REIS, M. F. de C. Modalidades de pesquisa em Educação. UNIVESP TV, 2010. Independente do tipo de pesquisa que pretende desenvolver, ao tomar notas sobre os textos investigados ou sobre um evento programado, você ganha tempo para escrever seu trabalho. Se for preciso examinar determinada obra, por exemplo, basta consultar suas anotações a respeito dela – e não lê-la por completo novamente. Dessa forma, você terá acesso ao conteúdo que julgou mais importante para o desenvolvimento de seu tema de investigação. Atenção Para encontrar os textos que mais o interessam em relação ao recorte de sua pesquisa, é interessante elaborar um roteiro de trabalho, já pensando nos instrumentos que serão utilizados para a coleta de dados – alvo de posterior análise. http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/videos/a04_t04.mp4 METODOLOGIA DA PESQUISA 5 Técnicas e instrumentos para coleta de dados A escolha dos instrumentos de coleta de dados é fundamental para o objeto de estudo e o tipo de pesquisa que desenvolvemos. Afinal, determinados temas de investigação implicam o uso de ferramentas específicas. Por exemplo, para obter melhores resultados, uma pesquisa de orientação quantitativa vai se valer de mecanismos de coleta que possam dar conta de uma grande quantidade de dados, os quais serão, posteriormente, analisados e interpretados com base na fundamentação teórica do trabalho. Conforme nos lembra Freixo (2010), os principais meios para a coleta de dados são: Entrevista Observação Questionário Entrevista A entrevista é uma técnica de pesquisa que permite uma maior aproximação entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa. É nesse espaço que serão travadas relações de interação com a implicação do entrevistador e do entrevistado. De acordo com Freixo (2010), as entrevistas podem ser: Estruturadas Entrevista realizada a partir de perguntas formuladas e padronizadas antecipadamente. Aqui, não há espaço para a alteração dos tópicos elencados de forma prévia. A intenção dessa padronização é obter respostas que poderão ser analisadas e comparadas depois. METODOLOGIA DA PESQUISA 6 Semiestruturadas Entrevista que segue um roteiro prévio, mas, nesse caso, o pesquisador tem a liberdade de incluir nela outros itens que, porventura, apareçam ao longo do evento. Não estruturadas Entrevista realizada livremente a partir da escolha de um tema. Trata-se de uma espécie de conversa com o entrevistado. Atenção Cabe ao pesquisador selecionar o melhor tipo de entrevista para desenvolver seu trabalho: aquele que esteja de acordo com o tema investigado. Ele também deve estar atento à posterior categorização e análise dos dados, que se pode tornar mais ou menos trabalhosa em função do objetivo da pesquisa e da quantidade de entrevistados. Observação A observação é uma técnica de pesquisa que permite a constatação – ou não – de um fato ou fenômeno, quer se trate de uma observação planejada ou ocasional. De acordo com Freixo (2010), as observações podem ser classificadasde uma forma mais geral e mais específica – quanto à forma de participação do observador. Vejamos: METODOLOGIA DA PESQUISA 7 Natural Observação não planejada. Experimental ou científica Observação planejada, na qual são estabelecidas variáveis previamente elencadas. Não participante Neste caso, o observador permanece fora da realidade que se propôs a observar como objeto de estudo e não interfere na situação, assumindo o papel de espectador. Participante Neste caso, o observador participa da situação observada e incorpora-se ao grupo como um elemento da comunidade estudada. METODOLOGIA DA PESQUISA 8 Atenção As observações não participante e participante fazem o pesquisador entrar em contato com os vários aspectos da realidade e dão a ele a oportunidade de ver e ouvir os fatos, bem como de atentar para os fenômenos na interação dos acontecimentos. Entretanto, para tornar-se produtiva, a observação precisa ser bem planejada e articulada com os aspectos que você quer investigar. Logo, como pesquisador, dê atenção às irregularidades – ou seja, ao inesperado –, pois, em alguns casos, esses desvios são importantes para a pesquisa. Questionário O questionário é um conjunto de questões que permitem reunir informações e opiniões dos sujeitos da pesquisa dentro do tema recortado para o estudo. Usualmente, os questionários são preenchidos por escrito pelos próprios participantes da pesquisa, o que possibilita ao pesquisador ter um controle maior dos dados coletados em sua posterior análise. Assim que determinar o que deseja alcançar, você deve elaborar as questões de forma clara e objetiva, de modo que os sujeitos da pesquisa possam respondê-las sem qualquer tipo de intervenção ou explicação sua. Dessa forma, é interessante que, antes de desenvolver a pesquisa, você valide esse instrumento de estudo, realizando um pré-teste dos questionários com um grupo menor de pessoas. METODOLOGIA DA PESQUISA 9 Atenção Talvez, o questionário seja o instrumento mais utilizado na coleta de dados para a investigação. Tipos de questões As perguntas do questionário devem estar de acordo com as hipóteses iniciais que o pesquisador estabeleceu para seu estudo, mas os achados da pesquisa também são muito promissores. Eles podem aparecer nas respostas dos participantes e gerar resultados e indicações não previstas inicialmente na investigação. De maneira geral, as questões podem ser categorizadas em dois grandes blocos, conforme apresenta o quadro a seguir: Além das questões apresentadas anteriormente, temos também: QUESTÕES ABERTAS As perguntas abertas são mais livres e permitem que os respondentes utilizem seu próprio vocabulário para expressar mais espontaneamente suas opiniões. Entretanto, esse tipo de questionamento produz respostas que serão mais trabalhosas na ocasião da análise. METODOLOGIA DA PESQUISA 10 QUESTÕES FECHADAS Nas perguntas fechadas, o pesquisador estabelece, a priori, as opções das questões. Esse tipo de questionamento é mais fácil de analisar, mas dispensa alguns achados nas respostas dos participantes. Para minimizar esse possível engessamento, você pode apresentar como alternativa um campo – denominado OUTROS – para os respondentes completarem as questões livremente, caso não encontrem nas opções listadas sua escolha. Vantagens do uso do questionário Uma das vantagens do uso do questionário como instrumento de pesquisa é a liberdade do respondente: ele pode escrever sua opinião sobre o que é solicitado sem, muitas vezes, precisar se identificar. Nesse sentido, as respostas poderão revelar aspectos que, provavelmente, não viriam à tona em uma entrevista, por exemplo. Além disso, quando bem organizados visualmente – com formatação adequada e aplicação planejada –, os questionários permitem a diminuição dos custos da investigação. Isso acontece porque, através dessa ferramenta, você pode obter um bom número de respostas em um curto espaço de tempo e sem a necessidade de vários deslocamentos sucessivos ao local dos respondentes. Atualmente, existem ferramentas virtuais que: • Possibilitam a elaboração de questionários online – como o Google Drive, por exemplo; • Fazem a tabulação dos dados; • Constroem gráficos com resultados. METODOLOGIA DA PESQUISA 11 Entretanto, o papel do pesquisador é fundamental na interpretação desses dados coletados no questionário, pois cabe a ele compreender, de forma mais apurada, os aspectos que se revelam nas respostas e indicações dos respondentes. Com os resultados em mãos, você já pode redigir seu texto acadêmico, valendo- se da argumentação científica. Atenção Através dos instrumentos de pesquisa, somos capazes de analisar os dados coletados e de chegar a determinados resultados. Alguns já são esperados e podem ser comprovados; outros, nem tanto, e nos impulsionam para novas investigações. Argumentação científica Como você viu nas aulas anteriores, a redação científica tem de seguir certos padrões, normas e regras. O trabalho dever ser escrito em linguagem clara, precisa e lógica, sem dar margem a dúvidas e a interpretações equivocadas. A correção gramatical também é imprescindível à redação. Dessa forma, os leitores poderão compreender os resultados de seu estudo. Por isso, é importante definir os conceitos e dar ao leitor a exata localização de onde se está falando, indicando quais os princípios, as definições e os critérios utilizados em sua pesquisa e sob que ponto de vista eles foram desenvolvidos. Isso é fundamental, pois um mesmo aspecto pode ser conceituado de maneira distinta nas diversas áreas do conhecimento. Quer ver um exemplo? METODOLOGIA DA PESQUISA 12 Suponha que o tema principal de sua investigação esteja voltado para a educação infantil e de jovens e adultos, e que, de certo modo, você precise, ao longo de seu texto, definir criança e jovem. Logo, é necessário se ancorar em determinados princípios que estejam de acordo com o assunto a ser tratado. Mas existem inúmeras formas de conceituarmos esses termos, com base em diferentes campos do saber. Cabe a você, como pesquisador, identificar a definição que melhor se enquadra a seu objeto de estudo. Em função de tudo o que apontamos anteriormente, observamos que a redação do texto acadêmico requer um pouco mais de cuidado e de formalidade. METODOLOGIA DA PESQUISA 13 Por isso, evite o verbalismo, a prolixidade, gírias, palavras e expressões vulgares. Opte sempre pela norma culta da língua portuguesa, visando à clareza na leitura de sua pesquisa. Fuja, também, do emprego de expressões taxativas, tais como “afirma-se”, “conclui-se” etc. Em um trabalho científico, é mais adequado utilizar sentenças flexíveis, que trazem, em si, a relatividade da ciência – objeto sempre em posição transitória justamente por sua cientificidade. Veja alguns exemplos: “os resultados sugerem que...”, “os dados parecem apontar para...”. Além disso, para garantir a compreensão efetiva do leitor, seu texto deve ser objetivo e de fácil leitura. Veja, das duas opções abaixo, qual seria a mais adequada para ser utilizada na argumentação científica? Foi um resultado que não esperávamos, mas fizemos tudo para merecê- lo e estamos muito satisfeitos com isso. Esperava-se que nessa segunda rodada de debates alguma solução concreta fosse apresentada. A opção mais adequada seria a segunda, pois, além do que foi dito anteriormente, você deve preocupar-se também com o fato da sua escrita ser impessoal. Nesse caso, a opção mais comum é o uso da voz passiva ou da terceira pessoa do singular e, em alguns casos, da primeira pessoa do plural. METODOLOGIA DA PESQUISA 14 Veja o Quadro-síntesede recomendações para a redação do texto acadêmico. Atenção Atualmente, em projetos mais específicos, é permitido redigir textos acadêmicos na primeira pessoa do singular, mas esse caso ainda não foi tomado como convenção e é adotado apenas em algumas ocasiões e em determinados programas científicos. Uso de citações Na escrita de seu trabalho acadêmico-científico, você também pode – e DEVE – fazer citações que possam confirmar ou se contrapor ao ponto de vista defendido em seu estudo. Elas devem ter sempre sua fonte divulgada no corpo do texto e, também, ao final do trabalho, na seção REFERÊNCIAS. Dessa forma, você dá o crédito das ideias a seus devidos autores, sem se apropriar indevidamente dos conceitos do outro. METODOLOGIA DA PESQUISA 15 De acordo com Freixo (2010), as citações podem ser: Diretas – formais ou textuais Nas citações diretas, as palavras do autor são transcritas com fidelidade e vêm entre aspas. Nesse caso, são indicados o ano e a página da obra citada. Exemplo: “Este tipo de citação será sempre colocado entre aspas” (FREIXO, 2010, p. 235). Indiretas – conceituais Nas citações indiretas, as ideias do autor são reproduzidas, mas através da paráfrase. Nesse caso, não indicamos a página da obra citada - apenas o ano -, pois reescrevemos um conceito com nossas próprias palavras. Exemplo: Todos nós lemos o mundo em que viemos antes da leitura das palavras (FREIRE, 1989). As normas da ABNT também permitem que a referência de uma citação seja indicada por notas de rodapé. Essas notas são utilizadas para acrescentar maiores detalhes à pesquisa e complementar sua ideia central, permitindo ao leitor a verificação das informações ali veiculadas, além de ampliar a argumentação do texto principal. Sendo assim, esse conjunto de recursos de estilo permite que a redação dos trabalhos acadêmicos assuma uma característica diferenciada, com o rigor e a disciplina exigidos pela escrita científica. METODOLOGIA DA PESQUISA 16 Atenção Como as normas da ABNT servem de guia para a uniformização de trabalhos acadêmicos, se você optar por um tipo de referenciação, ele deverá ser utilizado em todo o seu trabalho, garantindo a referida padronização. Resumo e palavras-chave O resumo de seu trabalho tem de ser breve e trazer as informações mais relevantes da pesquisa. As normas da ABNT (NBR 6028, nov. 2003) apontam que esse tópico, presente em relatórios técnico-científicos e em trabalhos acadêmicos – tais como Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs), teses e dissertações –, deve apresentar de 150 a 500 palavras. Na maioria das vezes, o resumo vem acompanhado de 3 a 5 palavras-chave: os termos que se destacam ao longo da investigação, indicando seu foco. Como você pôde observar, o trabalho científico é composto de uma série de passos que precisam ser sistematizados, consolidados e revistos periodicamente frente a novos dados e a novas investigações. Afinal: Na ciência, a única certeza é a mudança! METODOLOGIA DA PESQUISA 17 Atividade proposta Agora que você já conhece os tópicos de um texto acadêmico-científico, vamos fazer uma atividade! Faça o fichamento do texto Pesquisa em educação: buscando rigor e qualidade (acesso em 01 de fevereiro de 2010) seguindo os passos sugeridos: I. Dados de referência 1. Indique a referência completa do artigo, conforme as normas da ABNT; 2. Identifique a instituição em que foi elaborado e o endereço eletrônico em que foi publicado – se for o caso; 3. Destaque o resumo apresentado pelos autores; II. Compreensão 4. Aponte o objetivo do texto; 5. Evidencie suas partes principais; III. Interpretação 6. Defina, conforme a visão do autor, os conceitos-chave do texto, indicando as páginas em que eles se encontram; 7. Assinale as questões principais apontadas pelo autor; IV. Críticas e observações 8. Determine, de acordo com seu ponto de vista, as questões principais do texto; 9. Informe se sua escrita é lógica ou não; 10. Especifique os aspectos apresentados pelo autor com os quais você concorda e discorda. Adaptado de: http://grumeufpr.files.wordpress.com/2012/04/anexo06-roteirofichamentotextotec3b3rico.pdf http://www.scielo.br/pdf/cp/n113/a03n113.pdf http://grumeufpr.files.wordpress.com/2012/04/anexo06-roteirofichamentotextotec3b3rico.pdf METODOLOGIA DA PESQUISA 18 Aprenda Mais Para saber mais sobre como fazer anotações, leia o texto 7 dicas para tomar notas de aulas, apresentações ou reuniões com efetividade. Para saber mais sobre a elaboração de questionários online, leia o tutorial Criar um formulário do Google. Referências FREIXO, M. J. V. Metodologia científica: fundamentos, métodos e técnicas. Lisboa: Instituto Piaget, 2010. RAMPAZZO, L. Metodologia científica: para alunos dos cursos de graduação e pós-graduação. São Paulo: Loyola, 2013. SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho científico. São Paulo: Cortez, 2007. http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/7_dicas_notas_aulas.pdf http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/7_dicas_notas_aulas.pdf https://support.google.com/docs/answer/87809?rd=1 https://support.google.com/docs/answer/87809?rd=1 METODOLOGIA DA PESQUISA 19 Exercícios de fixação Questão 1 De acordo com o que estudamos ao longo desta aula, as notas ou os fichamentos devem ser tomados no(s) seguinte(s) momento(s) da pesquisa: I. Apenas no final. II. Desde o início. III. Apenas no início. Entre os itens anteriores, está(ão) INCORRETO(S): a) I e II b) I e III c) II e III d) I, II e III e) Apenas I Questão 2 De acordo com Freixo (2010), o(s) principal(is) meio(s) para a coleta de dados é(são): a) O método exploratório. b) A conversa descompromissada. c) A entrevista, a observação e as perguntas abertas. d) A entrevista, a observação e as perguntas fechadas. e) A entrevista, a observação e o questionário. METODOLOGIA DA PESQUISA 20 Questão 3 De maneira geral, as entrevistas são classificadas em: a) Estruturadas e desestruturadas. b) Estruturadas e semiestruturadas. c) Estruturadas, semiestruturadas e observativas. d) Estruturadas, semiestruturadas e não estruturadas. e) Semiestruturadas e desestruturadas. Questão 4 De acordo com o que estudamos ao longo desta aula sobre os instrumentos de coleta de dados de pesquisa, é possível afirmar que: I. A observação natural não é planejada. II. A observação experimental ou científica, na qual são estabelecidas variáveis previamente elencadas, é planejada. III. A observação não é válida como método de pesquisa. Entre os itens anteriores, está(ão) CORRETO(S): a) I, II e III b) I e II c) Apenas I d) Apenas II e) I, II e III METODOLOGIA DA PESQUISA 21 Questão 5 Na redação do trabalho acadêmico-científico, as citações são utilizadas: a) Para confundir o leitor. b) Apenas para confirmar os achados da pesquisa. c) Para confirmar ou confrontar os achados da pesquisa. d) Apenas para negar os achados da pesquisa. e) N.R.A. METODOLOGIA DA PESQUISA 22 Entrevista: De acordo com Freixo (2010, p. 192), trata-se da junção de duas palavras: Entre = “relação de lugar ou de estado no espaço que separa duas pessoas ou coisas”; Vista = “ato de ver, de preocupar-se com algo”. Fichamentos: Anotar, por escrito, os pontos principais do texto ou mesmo de uma exposição oral para reelaborá-los mais adiante. Palavras-chave: De acordo com as normas da ABNT (NBR 6028, nov. 2003), trata-se das “palavras representativas do conteúdo do documento, escolhidas, preferentemente, em vocabulário controlado” – aquele que expressa a ideia do estudo sem se distanciar muito de seu campo de trabalho. Resumo: De acordo com as normas daABNT (NBR 6028, nov. 2003), trata- se da “apresentação concisa dos pontos relevantes de um documento”. METODOLOGIA DA PESQUISA 23 Atividade proposta Clique aqui para ver a Chave de resposta. Exercícios de fixação Questão 1 - B Justificativa: É necessário tomar notas e elaborar fichamentos dos textos lidos desde o início da pesquisa. Questão 2 - E Justificativa: Os três principais meios para a coleta de dados em uma pesquisa são a entrevista, a observação e o questionário, que permitem que o pesquisador opte, de acordo com o objeto investigado, por uma ou várias ferramentas que possam coletar dados o mais fidedignamente possível. Questão 3 - D Justificativa: Conforme aponta Freixo (2010), as entrevistas podem ser estruturadas, semiestruturadas e desestruturadas. Questão 4 - A Justificativa: A observação é um método válido de coleta de dados que segue os protocolos do rigor científico. Questão 5 - C Justificativa: As citações devem ser utilizadas no texto acadêmico-científico tanto para confirmar quanto para confrontar os dados da pesquisa. http://pos.estacio.webaula.com.br/Cursos/POS452/docs/Chave%20de%20resposta_%20aula%204_%20tela14.pdf ENSINO–PESQUISA-EXTENSÃO COMO FUNDAMENTO METODOLÓGICO DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA UNIVERSIDADE Lígia Márcia Martins1 Unesp - Universidade Estadual Paulista Apresentação Ensino - Pesquisa - Extensão apresentam-se, no âmbito das universidades públicas brasileiras, como uma de suas maiores virtudes e expressão de compromisso social. O exercício de tais funções é requerido como dado de excelência no ensino superior, fundamentalmente voltado para a formação profissional à luz da apropriação e produção do conhecimento científico; não obstante algumas idéias defensoras da flexibilização da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão terem se anunciado com relativo destaque pós- L.D.B/96, tendo em vista que, ao dispor sobre a Educação Superior em seu capítulo IV, a referida lei omitiu este princípio, não podemos perder de vista que as universidades continuam imbuídas dessas funções. Considerando os objetivos deste texto, não avançaremos análises referentes a modelos de educação superior em suas relações com a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, mas acreditamos importante registrar nossa adesão ao modelo que a toma como princípio básico, tanto por suas dimensões ético-políticas quanto por suas dimensões didático- pedagógicas. Neste sentido, sem preterir a importância da primeira dimensão, é sobre a segunda que discorreremos mais acuradamente. Para tanto, primeiramente versaremos sobre alguns preceitos gerais acerca do ensino superior para, na seqüência, focalizar a referida indissociabilidade com um de seus fundamentos metodológicos. À guisa de introdução Consideramos que a educação é uma das condições fundamentais pelas quais os indivíduos desenvolvem suas capacidades ontológicas essenciais e assim sendo, a função 1 Professora do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências. UNESP, campus de Bauru. Doutora em Educação pela UNESP. Email: ligiamar@fc.unesp.br. 2 básica do processo educativo é a humanização plena, no sentido da consolidação dessas propriedades. Dentre elas, destaca-se a capacidade de projetar (dimensão teleológica) e implementar operacionalmente o projeto, dado distintivo da atividade especificamente humana das demais formas vivas de atividade. Toda ação verdadeiramente humana pressupõe a consciência de uma finalidade que precede a transformação concreta da realidade natural ou social. Deste modo a atividade vital humana é ação material, consciente e objetiva, ou seja: é práxis. A práxis compreende a dimensão autocriativa do homem, manifestando-se tanto em sua ação objetiva sobre a realidade quanto na construção de sua própria subjetividade. A título apenas de esclarecimento geral, cumpre-nos apontar que a subjetividade humana (já superadas as concepções essencialistas, metafísicas e a-históricas) é um sistema de sentidos construído afetiva e emocionalmente nas experiências de vida. Assim, nada existe que não seja um espaço formador de sentidos e, conseqüentemente, de subjetividade. Todos os contextos experienciais, por sua vez, são construídos pelo trabalho dos homens, que como práxis encerram uma tríplice orientação: o que fazer; para que fazer e como fazer. É por esta via que o homem pode transformar a matéria em idéia e a idéia em nova matéria.Tais afirmações permitem-nos deduzir que o desenvolvimento das capacidades ontológicas essenciais requer a construção e consolidação das propriedades, dos atributos humanos imprescindíveis à práxis. Ocorre porem que, no modelo de organização social vigente impera, dentre outras cisões, a ruptura entre trabalho intelectual e trabalho manua l. Fazer referência a esta ruptura pode parecer à primeira vista, algo um tanto fora de moda. Entretanto, em debates bastante atuais sobre a Reforma Universitária vimos em cena uma decorrência desta ruptura, ao aventar-se uma suposta necessidade de criação de alternativas para o modelo de ensino superior fundado no tripé ensino-pesquisa-extensão. Para tanto, urgiria a necessidade de distinção entre universidade de ensino (centros universitários!) e universidade de ensino- pesquisa-extensão. As primeiras destinadas à preparação de profissionais e técnicos executores do conhecimento e as segundas, à formação das elites “pensantes”, aptas para a produção científica e tecnológica. Portanto, a afirmação da indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão remete-nos ao modelo de universidade e objetivos do ensino superior que defendemos. Concordamos com Severino (2002, p. 11) ao afirmar: (...) numa sociedade organizada, espera-se que a educação, como prática institucionalizada, contribua para a integração dos homens no tríplice 3 universo das práticas que tecem sua existência histórica concreta: no universo do trabalho, âmbito da produção material e das relações econômicas; no universo da sociabilidade, âmbito das relações políticas, e no universo da cultura simbólica, âmbito da consciência pessoal, da subjetividade e das relações intencionais. Educar para as três esferas acima referidas nas quais, em última instância, é construída a existência de todos os indivíduos, implica ter-se o desenvolvimento do sujeito práxico como objetivo educacional. Nesta mesma orientação de pensamento, Saviani (2004), apelando por políticas educaciona is que assegurem ensino superior de qualidade e para todos, aponta o quanto, em estreita relação com a política econômica, a política educacional nos países em desenvolvimento sofre influências de agências internacionais que perpetuam estes países em condições de dependência não apenas econômica, mas também científica e tecnológica. (...) delineando-se uma distribuição de papéis em que se reserva para os países centrais o conhecimento de ponta e o desenvolvimento científico- tecnológico de longo alcance, relegando aos demais países a absorção da ciência e tecnologia, produzidas fora, e o preparo de técnicos limitados a manipular resultados (p. 35). As citações acima referidas, externando o pensamento de educadores profundamente implicados com a educação brasileira, permitem-nos reafirmar o caráter práxico da educação (em especial, superior) posto que ela, mais do que se refletir na formação dos indivíduos particulares,revela-se fator estratégico de desenvolvimento social. Não obstante sua juventude, se comparadas a algumas universidades norte-americanas e européias, as universidades públicas brasileiras, enfrentando inúmeros desafios, têm desempenhado ativamente suas funções aliando ensino, atividades criadoras e engajamento social. Responsabilizam-se, hoje, por mais de 90% (noventa por cento) da produçãoda ciência no país, operando decisivamente na construção de sua identidade cultural, científica e tecnológica. Por sua grande importância, tal como acontece nos países culturalmente avançados, as universidades; mas especificamente, as atividades nelas realizadas; precisam ser freqüentemente analisadas tendo em vista a compreensão das transformações sociais (quais são as transformações em pauta, quais as suas causas e formas de expressão, a serviço do que, se colocam etc.) e das suas possíveis influências sobre tais transformações. No âmbito dessas influências a pesquisa, indiscutivelmente, tem sido base de legitimação da excelência universitária. Porém, consideramos que essa constatação não pode preterir que um dos fundamentos da pesquisa é o ensino de qualidade. Por tais razões inclusive, a dupla função do ensino superior não pode ser dissociada. Se por um lado ele é via de formação profissional, implicando a aprendizagem de um conjunto 4 de conhecimentos e domínios metodológico-técnicos é também, via estruturante de recursos afetivo-cognitivos imprescindíve is para que os educandos possam conhecer com o devido rigor, cientificidade e criticidade não apenas as dimensões técnicas de seu futuro exercício profissional como também as condições histórico-sociais nas quais este exercício ocorrerá, dado que reafirma a importância da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão. A indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão como um dos fundamentos metodológicos do ensino superior Nas duas últimas décadas, especialmente após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases Nacionais – L.D.B. em 1996, acompanhamos entre os educadores um forte sentido de urgência na revisão dos processos de ensino-aprendizagem. Conclama-se que as aprendizagens associem-se cada vez mais às ações dos alunos a partir da e sobre a realidade, tanto experiencial cotidiana quanto referente ao futuro exercício profissional. Instala-se uma relação de condicionabilidade da construção de conhecimentos ao meio, determinante para a construção de competências. O pedagogo Phillipe Perrenoud, principal referência na disseminação desta noção no ideário pedagógico brasileiro, anuncia a competência como uma qualidade desenvolvida no indivíduo por meio daquilo que ele faz. Sua construção vincula-se, portanto, à prática social. O eixo estruturante desse processo formativo se define na articulação indivíduo-situação. A construção de competências tornou- se objetivo nuclear nas reformulações curriculares dos cursos de graduação, identificados fortemente com a referida construção. Entendemos, porém, que os modelos pedagógicos que apregoam essa identificação merecem especial atenção. À luz de uma análise imediata dos mesmos pode-se depreender que eles encerram as condições ideais para a almejada indissociabilidade ensino-pesquisa- extensão. Entretanto, acreditamos que para tanto, primeiramente, há a necessidade de uma revisão das concepções valorativas sobre o ensino, a pesquisa e a extensão. Consideramos que um dos maiores entraves para a concretização desta indissociabilidade resida na visão dicotômica, taylorista, dos processos nela envolvidos, pela qual ensino, pesquisa e extensão convertem-se em atividades em si mesmas, dotadas inclusive, de distintos status acadêmicos. Enquanto não for afirmada teórica e praticamente a organicidade desses processos como fundamento metodológico do ensino superior, pouco avançaremos na direção de reais transformações neste nível educacional. 5 Esta organicidade pressupõe a formação superior como síntese de três grandes processos, quais sejam: processos de transmissão e apropriação do saber historicamente sistematizado, a pressupor o ensino ; processos de construção do saber, a pressupor a pesquisa e os processos de objetivação ou materialização desses conhecimentos, a pressupor a intervenção sobre a realidade e que, por sua vez, retornam numa dinâmica de retro- alimentação do ensino e da pesquisa. Pelos processos de transmissão e apropriação do conhecimento coloca-se o formando em relação com o produto da ciência, com as teorias e tecnologias historicamente elaboradas. Nesses processos, o professor desempenha o papel insubstituível de ensinar, conduzindo os alunos em assimilações cada vez mais complexas do acervo científico-cultural e metodológico-técnico necessários aos domínios da realidade da qual faz parte como ser social, e sobre a qual irá intervir. Assim, o bom ensino é aquele que promove a construção de conhecimentos (que não se identificam apenas com informações) convertidos em capacidade de atuação, pois, como bem afirma Vasquez (1968, p. 206): A teoria em si não transforma o mundo. Pode contribuir para a sua transformação, mas para isso tem que sair de si mesma, e em primeiro lugar tem que ser assimilada pelos que vão ocasionar, com seus atos reais, efetivos, tal transformação. É também por meio das aprendizagens sustentadas pelo ensino que; para além do saber- fazer; o educando alçará o nível de desenvolvimento psíquico relativo a muitos outros saberes. Conhecimento, desenvolvimento de capacidades intelectuais e ensino são fenômenos inter-relacionados e neste sentido, o ensino escolar, em todos os níveis, deve estar orientado ao desenvolvimento desses processos. Obviamente, o ensino pressupõe muito mais que a aula, entretanto, é importante reiterá- la como um dos espaços imprescindíveis na promoção da aprendizagem. Julgamos importante esta observação, considerando algumas críticas proferidas à transmissão do conhecimento particularmente por meio de aulas expositivas, e que acabam por secundarizar procedimentos didáticos centrados no professor e na socialização de conhecimentos, sobre a qual ele é um dos principais responsáveis2. Organicamente unidas ao ensino é que a pesquisa e a extensão terão, certamente, a máxima expressão na formação superior. Se por um lado, o ensino coloca o aluno em relação com o produto da ciência, a pesquisa o coloca em relação com o seu desenvolvimento, instrumentalizando-o para produzir conhecimentos a partir de sua futura atuação profissional 2 Sobre a importância do ato de ensinar sugerimos a leitura de: Duarte, N. (1998) Concepções afirmativas e negativas sobre o ato de ensinar. Cadernos Cedes, Campinas, vol. 44, p. 85-106. 6 ou em situações planejadas especificamente para este fim. Reafirmando a interdependência entre ensino e pesquisa Saviani (1984) alerta-nos em relação às suas especificidades, que não podem ser preteridas a custa de se enfraquecer tanto um processo quanto o outro. O autor considera a pesquisa uma incursão no desconhecido, que só se define por confronto com o conhecido; assim sendo, sem o domínio do conhecido não é possível incursionar no desconhecido. Portanto, “(...) ninguém chega a ser pesquisador, a ser cientista, se ele não domina os conhecimentos já existentes na área em que ele se propõe a ser investigador, a ser cientista” (SAVIANI, 1984, p. 51). Deste modo, apenas um ensino sólido poderá sustentar pesquisas relevantes, que sejam verdadeiramente acréscimos de valor ao patrimônio científico e tecnológico já existente. Nesta direção de pensamento, Vigevani (2001) estabelece, também, relações bastante estreitas entre a produção científica e o desenvolvimento das capacidades especulativas do ser humano, reafirmando os vínculos entre ensino de qualidade e criatividade intelectual. É conhecida a lenda segundo a qual Galileu fez suas descobertas, no início do século XVII, sobre o movimento dos corpos, depois de observar a oscilação de um lustre na catedral de Pisa. No entanto, se não fosse professor de matemática na universidade da mesma cidade, dificilmente poderia provar cientificamente a correção de suas idéias. Assim como Newton, no final do mesmo século, teria desenvolvido a teoriada gravidade depois de observar a queda de uma maçã de uma árvore. Se não tivesse estudado em Cambridge, provavelmente não teria adquirido a metodologia necessária para sistematizar as leis da gravidade. (p. 61) Vigevani destaca, ainda, outro importante aspecto da produção científica na formação das futuras gerações, qual seja, o conhecimento do método científico como via permanente de conversão da reflexão abstrata em novos saberes, e aponta que, para tanto, é fundamental o atendimento à exigência de liberdade de pensamento e experimentação requeridas na atividade investigativa e de criação. A produção científica, cultural e artística exige a possibilidade de reflexão não ligada imediatamente à produção e a resultados concretos. (...) Um ambiente intelectualmente adequado, um meio apto à produção de conhecimento, não pode estar condicionado pelo imediatismo de lógicas produtivistas (2001, p. 61). O texto acima citado convida-nos ao questionamento de modelos que promovem, às vezes sub-repticiamente, a mercantilização do conhecimento gerado na pesquisa em nome de uma produtividade eqüidistante das reais funções da universidade (no caso, da universidade pública) e determinante de uma sobreposição mecânica da pesquisa sobre o ensino e sobre a extensão, que certamente impede a necessária indissociabilidade entre eles. Os processos de ensino e de produção de conhecimentos possibilitam que professores e alunos interfiram direta e indiretamente sobre a realidade social a partir de necessidades nela 7 identificadas, numa dinâmica que reconhece a prática social como importante critério valorativo do que se produz, tanto em relação aos conhecimentos, bens e serviços, quanto em relação às capacidades desenvolvidas nos formandos. Não se trata, porém, de conceber a intervenção ou extensão apenas como uma oportunidade de treinamento no qual o aluno realizará gratuitamente o que executará futuramente mediante honorários ou ainda, promovê- la com caráter eminentemente retributivo e assistencialista. Tais preceitos extensionistas devem ser superados e para tanto acreditamos importantes algumas reflexões sobre a história da extensão universitária no Brasil. As origens da extensão universitária reportam-nos ao regime militar, à ditadura, e ao papel que as universidades públicas foram “conclamadas” a assumir naquele momento. A retórica em torno da qual se afirmava a extensão versava sobre o dever da universidade em retornar à população, em especial à população carente, suas produções, seus conhecimentos. Tratava-se de um processo de mão única (universidade → sociedade) imbuído de inúmeros preconceitos ideologicamente criados e reforçadores da sociedade de classes. Sabidamente, as tensões políticas e econômicas que marcaram as décadas de 70 e 80 ampliaram os espaços de influência de organismos internacionais nos países do terceiro mundo. Os mais diversos modos de combate à pobreza passaram a integrar a agenda das políticas de desenvolvimento econômico e social elaborada pelos organismos vinculados particularmente à O.N.U. e destinadas aos países subdesenvolvidos. Segundo Rosemberg (2002), tais preocupações sociais e o destaque conferido às diferentes vias de combate à pobreza não tinham nenhum cunho humanizador, pelo contrário. Tratava-se de intervenções preferencialmente nos bolsões de pobreza, como estratégias de maior e melhor controle social, entendendo-se que eles eram terrenos férteis para a violência e para a subversão comunista. Neste contexto foi instituída a extensão universitária, com objetivos voltados à classe dominada, mas atendendo aos interesses da classe dominante. Lamentavelmente, ainda hoje, início do terceiro milênio, não vimos totalmente superados alguns dos princípios fundantes da extensão universitária no Brasil. Concordamos que a universidade deva retornar à sociedade o saber que dela se origina, mas numa busca incessante pela profunda compreensão da realidade social que a comporta; compreensão esta factível apenas, pela mediação do pensamento abstrato construído e retro- alimentado pelo ensino e pela pesquisa. Neste sentido, a extensão ocupa lugar tão importante quanto ensino e pesquisa, pois é, sobretudo, por meio dela que os dados empíricos imediatos e 8 teóricos se confrontam, gerando as permanentes reelaborações que caracterizam a construção do conhecimento científico. Por outro lado, não podemos perder de vista que uma formação universitária sólida é um dos maiores contributos da universidade para a sociedade, e neste sentido, concordamos com Moraes (2001) ao afirmar: Extensão deve ser entendida, precisamente, como extensão de pesquisa e ensino. Não o contrário: devemos vigiar para que a pesquisa e o ensino não se transformem em uma extensão de serviços e convênios, sendo por eles determinados, no conteúdo, na forma e... nos recursos e manutenção, (p. 70) Em todas as suas dimensões, a formação universitária deve orientar-se pelo objetivo de desenvolver a capacidade de análise, o raciocínio abstrato, elemento vital na aquisição, construção e operacionalização relevantes do conhecimento. Para tanto, não é suficiente que o aluno esteja em contextos práticos pela via de ações reprodutivistas mecânicas, ainda que as mesmas se justifiquem em nome de futuras oportunidades de emprego ou inserção no mercado de trabalho. Concordamos que esta demanda deve ser sim, reconhecida e integrada aos compromissos educacionais; entretanto, condicionar a formação e particularmente, a extensão, ao mercado, implica grande empobrecimento de seus fins maiores. Importante destacar o disposto no Regimento Geral da Extensão Universitária na UNESP, Resolução UNESP n.102, de 29 de novembro de 2000, que em seu artigo 1º define a extensão como “um processo educativo, cultural e científico, que se articula ao ensino e à pesquisa de forma indissociável, e que viabiliza a relação transformadora entre a Universidade e a sociedade”. Para tanto, ela representa um trabalho que prioriza o intercâmbio universidade - professor-aluno–sociedade numa dinâmica de transformações mútuas, pela via da aprendizagem, produção e socialização de conhecimentos. Assim entendida, ela é a prática acadêmica que, por excelência, articula ensino-pesquisa-sociedade na relação ensino– aprendizagem; operando inclusive, no âmbito da criação de novas demandas técnico– científicas (a se reverterem em transformação/ampliação do próprio mercado de trabalho). Conforme proposto no Plano Nacional de Extensão elaborado pelo Fórum de Pró- Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras e pela Secretaria de Ensino Superior do Ministério da Educação e do Desporto (2000), este modelo de extensão (...) vai além de sua compreensão tradicional de disseminação de conhecimentos [cursos, conferências, seminários], prestação de serviços [assistências, assessorias e consultorias], e difusão cultural [realização de eventos ou produções artístico-culturais] (...). Portanto, objetiva-se retirar da extensão o caráter de “terceira função” para (...) dimensioná-la como filosofia, ação vinculada, política, estratégia democratizante, metodologia, sinalizando para uma universidade voltada para os problemas socia is com o objetivo de encontrar soluções através das pesquisas básicas e aplicadas, 9 visando realimentar o processo ensino-aprendizagem como um todo e intervindo na realidade concreta (...) Consideramos que o saber científico em sua máxima abrangência - as formas mais elaboradas de conhecimento - devam ser exigências nucleares em todas as ações pedagógicas, e deste ponto de vista, as aprendizagens não podem estar circunscritas e subordinadas às ações dos alunos a partir da realidade imediata, apreendida quer pela pesquisa quer pela extensão. Se por um lado, o conhecimento não pode ser identificado apenas como um recurso cognitivo para a resolução deproblemas concretos e imediatos apresentados pelo contexto, por outro, a imersão, a captação da realidade por si mesma não assegura o seu real conhecimento, dado que exige a construção da inteligibilidade sobre a realidade captada, isto é, a realidade precisa ser conhecida e explicada. Apenas assim, pelas mediações filosóficas e teórico-práticas, é que a percepção empírica da realidade pode estar a serviço de sua real transformação. É como possibilidade explicativa, como abstração mediadora na análise do real, que o conhecimento sistematizado e sua transmissão assumem a máxima relevância, possibilitando o estabelecimento de relações causais inteligíveis entre os fenômenos. Esta afirmação recorda-nos o ocorrido em dezembro de 2004, quando uma jovem estudante moradora no interior da França, graças às suas aulas de geografia, foi capaz de reconhecer alterações no mar precedentes ao fenômeno das tsunamis, alertando e salvando, por seu conhecimento, centenas de pessoas que como ela, estavam na praia. Com certeza, se a formação desta pessoa fosse circunscrita ao seu entorno imediato tal feito teria poucas probabilidades de ocorrência. Assim, o modelo pedagógico identificado com o princípio da indissociabilidade ensino- pesquisa e extensão afirma uma aproximação mais orgânica da universidade com a sociedade como condição para uma formação teórico-crítica indispensável ao sujeito práxico. Mas uma formação que implique o questionamento da realidade, isto é, o exercício permanente do raciocínio pelo qual se extrai, de relações inteligíveis já alcançadas, uma nova relação. Que apreenda os desafios epistemológicos em unidade com a realidade histórico-social que os sustenta e na qual seus fundamentos devem ser desvelados. Portanto, uma formação que privilegie e sustente ações intencionalmente efetivas de transformação tendo em vista acréscimos de valor a todos os segmentos sociais. Considerações finais Julgamos que a temática abordada neste texto requer ainda, algumas observações: 10 * A indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão como fundamento metodológico do ensino superior, nos moldes aqui expressos, identifica-se com a afirmação de uma universidade pública, gratuita e de qualidade, comprometida com a luta contra as injustiças sociais que marcam nossa sociedade. * Ensino, pesquisa e extensão são atividades constitutivas do ensino superior e devem ser contempladas nos Projetos Político-Pedagógicos dos cursos, norteadores do trabalho coletivo de formação. Não as compreendemos como tarefas individualizadas requeridas em todas as disciplinas, dado que empobreceria a própria construção de conhecimentos, limitando-a ao que é aplicável imediatamente. * O acima exposto aponta que a referida indissociabilidade determina uma formação interdisciplinar pautada na superação das fragmentações gestadas pelo pensamento cartesiano. A apreensão dos fenômenos em suas múltiplas determinações não implica o abandono da delimitação de problemas eles dispensados. * Dispositivos organizacionais vigentes, a exemplo de modelos avaliativos que reproduzem a lógica mercantil quantitativista operam a serviço da dissociação ensino-pesquisa-extensão, convertendo ensino e extensão em epifenômenos da pesquisa. Para que a universidade pública preserve a qualidade de todas as atividades realizadas no desempenho de suas funções basilares, em especial, de ensino, urge o enfrentamento desta questão. Referências BRASIL. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO E DO DESPORTO E FÓRUM DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS. Plano Nacional de Extensão. 2000. Disponibilizado no site www.renex.br. DUARTE, N. Concepções afirmativas e negativas sobre o ato de ensinar. Cadenos Cedes. Campinas, n. 44, p. 85-106, 1998 (Duarte, N. [org.]. O professor e o ensino: novos olhares). FACCI, M. Valorização ou esvaziamento do trabalho do professor? Campinas: Autores Associados, 2004. MORAES, R.C.C A universidade e seu espaço. In: LOUREIRO, I, DEL-MASSO, M.C. (orgs) Tempos de greve na universidade pública. Marília: UNESP Marília Publicações, 2001. ROSEMBERG, F. Organizações multilaterais, estado e políticas de educação infantil: history repeats. Cad. Pesqui., n. 115, p.25-63, mar 2002. 11 OLIVEIRA, M.B. A ciência que queremos e a mercantilização da universidade. LOUREIRO, I, DEL-MASSO, M.C. (orgs). Tempos e greve na universidade pública. Marília: UNESP Marília Publicações, 2001. SAVIANI, D. Escola e democracia. 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Eu acompanhei o trabalho desenvolvido neste semestre pelo grupo do qual ela faz parte e deixei passar uma nota de rodapé no artigo! As normas da ABNT não são leis, e portanto diferentes organizações podem definir normas próprias para a produção de artigos científicos, que devem então obviamente ser seguidas. Nas normas para artigos enviadas para congressos ou revistas científicas, muitas vezes realmente há indicação de que não devem ser utilizadas notas de rodapé. Aqui, procurarei esclarecer a dúvida em função das normas da ABNT. Ao contrário do que muita gente acredita, existe uma norma da ABNT específica para artigos científicos: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6.022: informação e documentação: artigo em publicação periódica científica impressa: apresentação. Rio de Janeiro, maio 2003. De acordo com a NBR 6.022, as notas explicativas realmente não devem aparecer no rodapé, mas no final do texto, após a conclusão e antes das referências. A NBR 6.022 define nota explicativa como: “nota usada para comentários, esclarecimentos ou explanações, que não possam ser incluídos no texto.” (p. 2) Entretanto, a NBR 6.022 também prescreve que as citações em artigos científicos devem ser apresentadas conforme as orientações de outra norma: ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10.520: informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, ago. 2002. A NBR 10.520 define, além de notas explicativas (com as mesmas palavras da definição da NBR 6.022), dois outros tipos de notas: Notas de referência: notas que indicam fontes consultadas ou remetem a outras partes da obra onde o assunto foi abordado. Notas de rodapé: indicações, observações ou aditamentos ao texto feitos pelo autor, tradutor ou editor, podendo também aparecer na margem esquerda ou direita da mancha gráfica. Nos exemplos da NBR 10.520, as notas explicativas aparecem em rodapé, mas como já vimos, no caso de artigos científicos devem aparecer no final do texto, após a conclusão e antes das referências, seguindo as orientações da NBR 6.022. Entretanto, a NBR 10.520 possibilita ainda que outros tipos de notas, que não explicativas, apareçam em rodapé. No caso de dados obtidos por informação verbal (palestras, debates, comunicações etc.) e na citação de trabalhos em fase de elaboração, após a citação deve-se indicar (informação verbal) ou (em fase de elaboração), e utilizar o rodapé para mencionaros dados disponíveis. Portanto, ligando-se as duas normas, é possível observar aqui uma indicação para o uso de notas de rodapé (que não seriam, nesses exemplos, explicativas) em artigos científicos. Mas além disso, a NBR 10.520 indica também a possibilidade de utilizar notas de referência no rodapé, com vários exemplos. Depois de tanta essa bagunça, é portanto possível concluir o seguinte, em função das orientações da ABNT: 1. Se você não utilizar notas explicativas no seu artigo científico, a ABNT possibilita a utilização de notas de referência no rodapé, assim orienta que apareçam no rodapé observações em relação a informação verbal e trabalhos em fase de elaboração. Essas informações, aliás, quando utilizadas no rodapé, facilitam a vida do leitor, que não precisa ficar virando páginas para encontrar as informações que deseja. 2. O problema surge se você utilizar notas explicativas no seu artigo científico. 2a. Uma opção seria colocar as notas de referência (se houver), incluindo as complementações dos exemplos de informação verbal e trabalhos em fase de elaboração (também se houver), juntas com as notas explicativas no final do artigo, após a conclusão e antes das referências, usando para isso um único sistema númerico de chamada. Ou seja, no final do texto, aparecerão juntas notas explicativas, notas de referências e outras notas cabíveis. 2b. Outra opção seria adotar 2 sistemas de chamada (com letras e números, ou algarismos romanos). Isso não está previsto na ABNT, mas não há nenhum impedimento nas normas para que você utilize um sistema de chamadas para as notas explicativas no final do artigo, e outro sistema de chamada para as notas de rodapé (já vi isso em inúmeros artigos). Portanto, não me parece que seja correto afirmar que em artigos científicos não podemos utilizar notas de rodapé, pelo menos de acordo com a ABNT. Se não houver nenhuma orientação do evento, da instituição ou da revista para a qual você estiver produzindo seu artigo, sinta-se à vontade para usar notas de referência, ou não-explicativas, no rodapé. Ufa, será que valeu para alguma coisa!? Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 4, Educação, p. 33-38, 2005. 33 A teoria em pesquisa: o lugar e a importância do referencial teórico na produção em educação Ester Buffa Ufscar/PPGE-Uninove São Paulo – SP [Brasil] ester@power.ufscar.br Este texto que é transcrição de minha fala no II Encontro de Pesquisa Discente, realizado, em 2005, na Uninove, focaliza a importância do referencial teórico-metodológico na realização de pesquisas educacionais. Iniciando pela distinção entre opinião e conhecimento, procura mostrar a necessida- de de construção do objeto de investigação, as diretrizes teóricas gerais, as categorias de análise, os procedimentos e as fontes de investigação. Estes pontos são abordados a partir de experiências de pesquisa, sobretudo de instituições escolares. Palavras-chave: Conhecimento. Pesquisa. Referencial teórico. Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 4, Educação, p. 33-38, 2005.34 1 Introdução Gostaria de agradecer o convite para falar a respeito de uma questão que considero bas- tante espinhosa e que sempre me preocupou. Muito do que direi, já foi abordado por meus colegas. Certamente, direi de um outro jeito, mas vocês verão que, no fundo, são variações em torno de um mesmo tema. A primeira coi- sa que gostaria de abordar é o próprio conceito de pesquisa. É muito comum, alunos do ensi- no fundamental e médio dizerem que o pro- fessor mandou fazer uma pesquisa, como, por exemplo, dizer quais os países que compõem a América do Sul e suas respectivas capitais. Eles procurarão tais informações em livros, em atlas, na internet. Pode-se afirmar, no sen- tido do senso comum, que se trata de uma pes- quisa, mas é uma pesquisa no sentido de uma busca, de uma procura por um conhecimento que eu posso não ter, mas que já está produzi- do, sedimentado. No caso da pós-graduação, quando se diz fazer uma pesquisa, o que se quer é produzir um conhecimento que ainda não existe. Esta produção de conhecimento tem algumas ca- racterísticas que é preciso entender para não fazer uma coisa pensando que está fazendo outra. As palavras são polissêmicas, isto é, podem significar várias coisas, tais como as palavras força, matéria, estrutura que, em di- ferentes ciências, significam coisas diferentes. O conhecimento que se quer obter por meio da pesquisa é o científico, que é racional con- ceitual, e difere da opinião, que remete sempre ao enunciador. O conhecimento conceitual é autolegitimado, isto é, independe de quem o enunciou. As opiniões são muito importantes na nossa vida diária, sobretudo as de pessoas que conhecem o assunto, têm formação, são respeitadas por seu conhecimento e postura. No entanto, a ciência é outra coisa: um con- ceito, por exemplo, o de círculo, de triângulo ou de classe social, numa determinada teoria, tem um só significado. O conceito não tem a riqueza de uma palavra poética, mas, em com- pensação, é rigoroso. Assim, a distinção entre conhecimento e opinião é fundamental para se entender o que é a pesquisa científica: é a pro- dução de um conhecimento a respeito de um objeto, conhecimento que deve ser rigoroso e que independa de quem o enunciou. A construção do objeto de pesquisa – sua delimitação no tempo e no espaço – é funda- mental. Para isso, é imprescindível começar por realizar um levantamento sobre o conhe- cimento produzido a respeito do objeto que se pretende investigar. Esse levantamento, além de fornecer informações a respeito do que já se produziu sobre o tema, ainda indica aquilo que precisa ser investigado. Nesta etapa do traba- lho, penso que não há como fugir da história, mesmo porque tentar resolver um problema é verificar o que os homens fizeram até hoje para resolvê-lo. Se o objetivo é inventar uma vacina contra a Aids, o que se precisa fazer, em primeiro lugar, é verificar o que já foi feito, o que já foi tentado, o que deu certo, o que deu em nada. Por isso mesmo, não se pode che- gar para uma pessoa qualquer e pedir-lhe que apresente um objeto de pesquisa em física, se ela não entende nada do assunto. Então, para construir um objeto de investigação, é neces- sário saber quais os conhecimentos existentes e o que ainda falta conhecer. Na verdade, com isso, tentamos encontrar um nicho para nossas pesquisas. É certo que o tema que nos atrai vem da nossa própria ex- periência, daquilo que estudamos, das coisas que observamos, mas o importante é que pos- Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 4, Educação, p. 33-38, 2005. 35 samos perceber qual é a situação real daquele estudo, daquele tema na atualidade. Isso não significa que tenhamos de estudar tudo. Ao contrário, é preciso circunscrever, delimitar o objeto. Nesse processo, já estamos elaborando o que se pode chamar, num sentido amplo, de referencial teórico-metodológico. Hoje, já não se aceita mais um dos preceitos propostos pelo positivismo, o de que os dados falam por si. Sabemos que não, que os dados não falam por si mesmos, eles falam desde que os interrogue- mos e, para fazê-lo, é necessário estar de pos- se de algumas ferramentas que, em no nosso caso, são conceituais. Como a dissertação de mestrado é o pri- meiro exercício de fôlego do estudante em sua vida escolar e é diferente dos “trabalhos” que, até então, elaborou, é preciso aprender como se faz isso. Uma boa pista é verificar como outros já fizeram o que se pretende realizar. O mestrando já passou daquela fase de ler um texto apenas para conhecer as informa- ções que ele contém, os conceitos que o au- tor utiliza. Agora, é preciso perceber não só a casa pronta, mas também os andaimes da construção, ou seja, tem de estar atento para perceber como o autor realizou sua pesquisa, de onde partiu, que passos deu, quais ferra- mentas usou. Esse é um excelente exercício para quem está começando a ser “aprendiz de feiticeiro”. É muito comum que mestrandos,ao terminarem a dissertação, digam: “agora é que seria bom começar”. Isso se deve ao fato de terem adquirido conhecimento do assunto, que lhes permite, com muito mais clareza, sa- ber as questões que ainda estão descobertas e como investigá-las. Com relação ao referencial teórico-meto- dológico, de um modo muito simples, pode-se dizer que o autor da dissertação ou tese deve deixar claras as diretrizes gerais do método que orienta a pesquisa, as categorias de aná- lise, os procedimentos e as fontes utilizadas. Para tornar tudo isso menos abstrato, gostaria de dar alguns exemplos de como temos reali- zado nossas investigações no âmbito da his- tória da educação brasileira, particularmente da história e da filosofia das instituições es- colares. Antes, porém, é preciso dizer alguma palavras sobre o próprio desenvolvimento dos estudos históricos da educação, pelo menos nos últimos 40 anos, para melhor situar nos- sas preocupações. Nos anos 1970, quando começou a pós- graduação no Brasil, estruturada em termos de mestrado e doutorado (eu sou dessa geração), e mesmo nos anos 1980, os estudos e pesquisas em educação, diferentemente do período ante- rior, caracterizavam-se por uma preocupação metodológica que era a de estudar as relações entre educação e sociedade, considerando-se a sociedade nos seus aspectos econômicos, políticos e sociais. Eram privilegiadas, então, visões gerais, paradigmáticas, panorâmicas da educação e da sociedade. Tentava-se compre- ender as características fundamentais de uma sociedade capitalista e, no caso da sociedade brasileira, capitalista periférica, o papel que aí era destinado à educação. Foi a época em que se estudaram as chamadas teorias reproduti- vistas que diferem entre si, mas que entendem que a escola, numa sociedade capitalista, re- produz as relações sociais dominantes. Havia também teorias que enfatizavam essa relação mostrando, porém, que ela não acontecia de forma mecânica e unilateral. Se vocês lerem uma dissertação ou tese dos anos 1970, 1980, será comum encontrar uma primeira parte em que o autor mostrava o que era uma sociedade capitalista, as classes sociais fundamentais, o Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 4, Educação, p. 33-38, 2005.36 papel do estado, os conceitos de sociedade po- lítica e sociedade civil, para depois, numa se- gunda parte, tratar das questões educacionais. Às vezes, acontecia, e estou falando das me- lhores teses, que as duas partes ficavam justa- postas, e o referencial teórico pouco iluminava os aspectos da educação que se queria investi- gar, ou seja, não conseguíamos usar o referen- cial teórico para compreender os dados empí- ricos que tínhamos coletado. Para superar esse impasse, muitos de nós foram (re)estudar os clássicos da filosofia: quem sabe, assim, com fundamentos mais sólidos, conseguiríamos colocar o “guizo no gato”, ou seja, adotar um referencial teórico que fosse adequado para compreender os dados empíricos. É preciso lembrar que a empiria não é todo o real, e sim uma parte (importante) dele. A partir dos anos 1990, por uma série de razões, entre as quais destaco o desencanto com o socialismo real, a inf luência da Escola dos Annales, da nova história, da sociologia francesa, da nova sociologia inglesa, os estudos mais panorâmicos foram sendo deixados de lado e os historiadores da educação preferiram privilegiar temas mais pontuais, circunscritos, singulares da escola que passou a ser encarada de vários pontos de vista: da cultura escolar considerada também na sua materialidade, das disciplinas escolares, das práticas educa- tivas, das questões de gênero, de infância, dos ritos e cerimônias, das instituições escolares, da arquitetura, da organização do espaço es- colar etc. O aspecto positivo dessa pluralidade temática e epistemológica diz respeito à am- pliação das linhas de investigação, à diversifi- cação teórico-metodológica e à utilização das mais variadas fontes de pesquisa. Para reali- zar essas pesquisas, categorias, procedimen- tos e fontes sofreram uma transformação. O conceito de fonte foi ampliado, passando a in- cluir não apenas a legislação e o pensamento educacional de grandes educadores como se fazia outrora, mas, principalmente, cadernos de alunos, livros didáticos, impressos escola- res, fotografias, plantas etc. Em suma, hoje há uma profusão de temas, de objetos de investi- gação, de fontes, de procedimentos metodoló- gicos. Os mais céticos afirmam que todas essas pesquisas têm revelado aspectos singulares de nossa escolarização, mas pouco têm contribu- ído para uma compreensão mais adequada da totalidade da educação brasileira. Paolo Nosella e eu também enveredamos por essa linha de investigação mais pontual so- bre a escola, utilizando novas metodologias e referenciais, porém sem desprezar as conquis- tas anteriores. Assim, dedicamos bom tempo a investigar a história e a filosofia de consa- gradas instituições escolares da cidade de São Carlos, tais como a Escola Normal, a Escola Industrial e a Escola de Engenharia de São Carlos/USP. Para tanto, coletamos muitos da- dos empíricos sobre essas escolas, mas, dada nossa própria formação, não nos satisfizemos apenas com uma história narrativa sobre um objeto particular, com o estudo do particular por si mesmo. Assim, a questão do referencial teórico- metodológico aparecia com toda a força. Para o estudo dessas instituições escolares, estabele- cemos algumas diretrizes gerais que orientam nossas investigações e que balizam as relações entre trabalho e educação, entre o estudo do singular e do geral e referem-se, ainda, ao nos- so intento de escrever uma história da escola não apenas narrativa, mas também interpreta- tiva. Como entender o enorme crescimento da demanda por educação infantil, se não enxer- garmos as transformações do mundo do tra- Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 4, Educação, p. 33-38, 2005. 37 balho em nossa sociedade que levou mulheres, também as da classe média, a trabalhar fora de casa, restringindo a família ao plano conjugal, e a conseqüente necessidade de uma institui- ção que se ocupasse das crianças pequenas? Quando apenas as mães mais pobres trabalha- vam, foram criadas as creches. Depois, surgiu a pré-escola e, mais recentemente, fala-se em educação da criança de zero a seis anos. Tudo isso ref lete as transformações do trabalho e da sociedade. Da mesma forma, tínhamos de enfren- tar o debate entre visões paradigmáticas e as descrições do singular. Nestes tempos difíceis, marcados pelo individualismo, pelo subjetivis- mo, pela perda de confiança na razão humana como capaz de compreender e, menos ainda, de transformar a realidade, é possível entender por que muitos intelectuais desistem de uma compreensão mais global da sociedade e pri- vilegiem aspectos particulares. Sintoma disso parece ser o uso excessivo, nos trabalhos aca- dêmicos, da expressão olhar: o meu olhar, o seu olhar, o que significa que todos os olhares são possíveis, são bons, são equivalentes, são pertinentes. É preciso lembrar que, nesse caso, a palavra olhar significa, na verdade, opinião, a que já me referi no início. Quando estuda- mos a Escola Normal de São Carlos, pudemos verificar que ela apresenta certas característi- cas específicas que a diferem das outras, mas constatamos que há muitos traços comuns a outras escolas normais do período. Criadas para formar professores, essas escolas privile- giavam outros objetivos de acordo com a clien- tela que recebiam: as moças bem-nascidas, por exemplo, adquiriam, no curso, o ornamento cultural do dote matrimonial e não, necessa- riamente, seriam professoras. Em seguida, é preciso “arrumar” a profu- são dos dados empíricos; para isso, o estabele- cimento de categorias de análise é fundamen- tal. De fato, categorias aglutinam informações e permitem uma análise mais apropriada. Inspirados no livro de André Petitat, intitu- lado Produção da escola, produção da sociedade,temos utilizado as categorias de espaço, tem- po, saberes escolares, professores e alunos e a administração do poder na escola. Essas ca- tegorias têm-nos permitido dar conta da pro- fusão dos dados empíricos de realidades tão complexas como as escolas. Finalmente, umas duas ou três palavras sobre as fontes de investigação. É claro que essas fontes a serem utilizadas dependem do referencial, das categorias estabelecidas. Para a concepção positivista de história, a fonte, por excelência, é o documento escrito: a história se faz com documentos; onde não há documentos não há história. Hoje, com a proposta de novos objetos de investigação, novos enfoques, novas metodologias, o conceito de fonte foi ampliado. Assim, em nossas investigações, além da legis- lação e das idéias pedagógicas predominantes, temos utilizado, principalmente, currículos dos cursos e programas das disciplinas, livro de ouro, de matrícula, impressos, fotografias, entrevistas que nos permitam recompor o cli- ma da escola. Nas pesquisas sobre arquitetura e educação, realizadas em parceria com o ar- quiteto e professor Gelson de Almeida Pinto, ao procedermos à leitura arquitetônica e peda- gógica dos edifícios escolares, utilizamos como fontes não só a legislação e documentos, mas também jornais, cadernos, fotografias, plan- tas, croquis, perspectivas, maquetes etc., en- contradas nas próprias escolas ou nos órgãos responsáveis pela guarda e conservação desse material. Muito obrigada pela atenção. Cadernos de Pós-Graduação, São Paulo, v. 4, Educação, p. 33-38, 2005.38 Referência É o único autor e obra citados no texto. Confirmar informação em azul. PETITAT, André. Produção da escola, produção da sociedade. Porto alegre: Artes Médicas, 1994. ??? The theory in researching: the place and the importance of the theoretical referential in educational production Beginning by the distinction between the opinion and the knowledge this paper is a transcription of mine speech by the time of the II Encontro de Pesquisa Discente per- formed in the year of 2005 at the Centro Universitário Nove de Julho (Uninove) and it focuses the importance of the theoretical- methodological referential for accomplishing educational researches. Therein it tries to show the need of constructing the aim for the investigation, the general theoretical li- nes, the category analysis, the proceedings and the source of investigation. These points are broached from practical researches main- ly from scholastics institutions. Key words: Knowledge. Research. Theoretical referential. Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990. Texto compilado Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente edá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei: Título I Das Disposições Preliminares Art. 1º Esta Lei dispõe sobre a proteção integral à criança e ao adolescente. Art. 2º Considera-se criança, para os efeitos desta Lei, a pessoa até doze anos de idade incompletos, e adolescente aquela entre doze e dezoito anos de idade. Parágrafo único. Nos casos expressos em lei, aplica-se excepcionalmente este Estatuto às pessoas entre dezoito e vinte e um anos de idade. Art. 3º A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facultar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e de dignidade. Art. 4º É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. Parágrafo único. A garantia de prioridade compreende: a) primazia de receber proteção e socorro em quaisquer circunstâncias; b) precedência de atendimento nos serviços públicos ou de relevância pública; c) preferência na formulação e na execução das políticas sociais públicas; d) destinação privilegiada de recursos públicos nas áreas relacionadas com a proteção à infância e à juventude. Art. 5º Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em desenvolvimento. Título II Dos Direitos Fundamentais Capítulo I Do Direito à Vida e à Saúde Art. 7º A criança e o adolescente têm direito a proteção à vida e à saúde, mediante a efetivação de políticas sociais públicas que permitam o nascimento e o desenvolvimento sadio e harmonioso, em condições dignas de existência. Art. 8º É assegurado à gestante, através do Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal. § 1º A gestante será encaminhada aos diferentes níveis de atendimento, segundo critérios médicos específicos, obedecendo-se aos princípios de regionalização e hierarquização do Sistema. § 2º A parturiente será atendida preferencialmente pelo mesmo médico que a acompanhou na fase pré- natal. § 3º Incumbe ao poder público propiciar apoio alimentar à gestante e à nutriz que dele necessitem. § 4o Incumbe ao poder público proporcionar assistência psicológica à gestante e à mãe, no período pré e pós-natal, inclusive como forma de prevenir ou minorar as consequências do estado puerperal. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o A assistência referida no § 4o deste artigo deverá ser também prestada a gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 9º O poder público, as instituições e os empregadores propiciarão condições adequadas ao aleitamento materno, inclusive aos filhos de mães submetidas a medida privativa de liberdade. Art. 10. Os hospitais e demais estabelecimentos de atenção à saúde de gestantes, públicos e particulares, são obrigados a: I - manter registro das atividades desenvolvidas, através de prontuários individuais, pelo prazo de dezoito anos; II - identificar o recém-nascido mediante o registro de sua impressão plantar e digital e da impressão digital da mãe, sem prejuízo de outras formas normatizadas pela autoridade administrativa competente; III - proceder a exames visando ao diagnóstico e terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém- nascido, bem como prestar orientação aos pais; IV - fornecer declaração de nascimento onde constem necessariamente as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato; V - manter alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a permanência junto à mãe. Art. 11. É assegurado atendimento médico à criança e ao adolescente, através do Sistema Único de Saúde, garantido o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. Art. 11. É assegurado atendimento integral à saúde da criança e do adolescente, por intermédio do Sistema Único de Saúde, garantido o acesso universal e igualitário às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação da saúde. (Redação dada pela Lei nº 11.185, de 2005) § 1º A criança e o adolescente portadores de deficiência receberão atendimento especializado. § 2º Incumbe ao poder público fornecer gratuitamente àqueles que necessitarem os medicamentos, próteses e outros recursos relativos ao tratamento, habilitação ou reabilitação. Art. 12. Os estabelecimentos de atendimento à saúde deverão proporcionar condiçõespara a permanência em tempo integral de um dos pais ou responsável, nos casos de internação de criança ou adolescente. Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. Art. 13. Os casos de suspeita ou confirmação de castigo físico, de tratamento cruel ou degradante e de maus-tratos contra criança ou adolescente serão obrigatoriamente comunicados ao Conselho Tutelar da respectiva localidade, sem prejuízo de outras providências legais. (Redação dada pela Lei nº 13.010, de 2014) Parágrafo único. As gestantes ou mães que manifestem interesse em entregar seus filhos para adoção serão obrigatoriamente encaminhadas à Justiça da Infância e da Juventude. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 14. O Sistema Único de Saúde promoverá programas de assistência médica e odontológica para a prevenção das enfermidades que ordinariamente afetam a população infantil, e campanhas de educação sanitária para pais, educadores e alunos. Parágrafo único. É obrigatória a vacinação das crianças nos casos recomendados pelas autoridades sanitárias. Capítulo II Do Direito à Liberdade, ao Respeito e à Dignidade Art. 15. A criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas leis. Art. 16. O direito à liberdade compreende os seguintes aspectos: I - ir, vir e estar nos logradouros públicos e espaços comunitários, ressalvadas as restrições legais; II - opinião e expressão; III - crença e culto religioso; IV - brincar, praticar esportes e divertir-se; V - participar da vida familiar e comunitária, sem discriminação; VI - participar da vida política, na forma da lei; VII - buscar refúgio, auxílio e orientação. Art. 17. O direito ao respeito consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, idéias e crenças, dos espaços e objetos pessoais. Art. 18. É dever de todos velar pela dignidade da criança e do adolescente, pondo-os a salvo de qualquer tratamento desumano, violento, aterrorizante, vexatório ou constrangedor. Art. 18-A. A criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto, pelos pais, pelos integrantes da família ampliada, pelos responsáveis, pelos agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, tratá-los, educá-los ou protegê- los. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) Parágrafo único. Para os fins desta Lei, considera-se: (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) I - castigo físico: ação de natureza disciplinar ou punitiva aplicada com o uso da força física sobre a criança ou o adolescente que resulte em: (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) a) sofrimento físico; ou (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) b) lesão; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) II - tratamento cruel ou degradante: conduta ou forma cruel de tratamento em relação à criança ou ao adolescente que: (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) a) humilhe; ou (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) b) ameace gravemente; ou (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) c) ridicularize. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) Art. 18-B. Os pais, os integrantes da família ampliada, os responsáveis, os agentes públicos executores de medidas socioeducativas ou qualquer pessoa encarregada de cuidar de crianças e de adolescentes, tratá-los, educá-los ou protegê-los que utilizarem castigo físico ou tratamento cruel ou degradante como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto estarão sujeitos, sem prejuízo de outras sanções cabíveis, às seguintes medidas, que serão aplicadas de acordo com a gravidade do caso: (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) II - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) III - encaminhamento a cursos ou programas de orientação; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) IV - obrigação de encaminhar a criança a tratamento especializado; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) V - advertência. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) Parágrafo único. As medidas previstas neste artigo serão aplicadas pelo Conselho Tutelar, sem prejuízo de outras providências legais. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) Capítulo III Do Direito à Convivência Familiar e Comunitária Seção I Disposições Gerais Art. 19. Toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. § 1o Toda criança ou adolescente que estiver inserido em programa de acolhimento familiar ou institucional terá sua situação reavaliada, no máximo, a cada 6 (seis) meses, devendo a autoridade judiciária competente, com base em relatório elaborado por equipe interprofissional ou multidisciplinar, decidir de forma fundamentada pela possibilidade de reintegração familiar ou colocação em família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o A permanência da criança e do adolescente em programa de acolhimento institucional não se prolongará por mais de 2 (dois) anos, salvo comprovada necessidade que atenda ao seu superior interesse, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o A manutenção ou reintegração de criança ou adolescente à sua família terá preferência em relação a qualquer outra providência, caso em que será esta incluída em programas de orientação e auxílio, nos termos do parágrafo único do art. 23, dos incisos I e IV do caput do art. 101 e dos incisos I a IV do caput do art. 129 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Será garantida a convivência da criança e do adolescente com a mãe ou o pai privado de liberdade, por meio de visitas periódicas promovidas pelo responsável ou, nas hipóteses de acolhimento institucional, pela entidade responsável, independentemente de autorização judicial. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014) Art. 20. Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação. Art. 21. O pátrio poder poder familiar será exercido, em igualdade de condições, pelo pai e pela mãe, na forma do que dispuser a legislação civil, assegurado a qualquer deles o direito de, em caso de discordância, recorrer à autoridade judiciária competente para a solução da divergência. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 22. Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda e educação dos filhos menores, cabendo-lhes ainda, no interesse destes, a obrigação de cumprir e fazer cumprir as determinações judiciais. Art. 23. A falta ou a carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou a suspensão do pátrio poder poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretação da medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio. § 1o Não existindo outro motivo que por si só autorize a decretaçãoda medida, a criança ou o adolescente será mantido em sua família de origem, a qual deverá obrigatoriamente ser incluída em programas oficiais de auxílio. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014) § 2o A condenação criminal do pai ou da mãe não implicará a destituição do poder familiar, exceto na hipótese de condenação por crime doloso, sujeito à pena de reclusão, contra o próprio filho ou filha. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014) Art. 24. A perda e a suspensão do pátrio poder poder familiar serão decretadas judicialmente, em procedimento contraditório, nos casos previstos na legislação civil, bem como na hipótese de descumprimento injustificado dos deveres e obrigações a que alude o art. 22. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Seção II Da Família Natural Art. 25. Entende-se por família natural a comunidade formada pelos pais ou qualquer deles e seus descendentes. Parágrafo único. Entende-se por família extensa ou ampliada aquela que se estende para além da unidade pais e filhos ou da unidade do casal, formada por parentes próximos com os quais a criança ou adolescente convive e mantém vínculos de afinidade e afetividade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 26. Os filhos havidos fora do casamento poderão ser reconhecidos pelos pais, conjunta ou separadamente, no próprio termo de nascimento, por testamento, mediante escritura ou outro documento público, qualquer que seja a origem da filiação. Parágrafo único. O reconhecimento pode preceder o nascimento do filho ou suceder-lhe ao falecimento, se deixar descendentes. Art. 27. O reconhecimento do estado de filiação é direito personalíssimo, indisponível e imprescritível, podendo ser exercitado contra os pais ou seus herdeiros, sem qualquer restrição, observado o segredo de Justiça. Seção III Da Família Substituta Subseção I Disposições Gerais Art. 28. A colocação em família substituta far-se-á mediante guarda, tutela ou adoção, independentemente da situação jurídica da criança ou adolescente, nos termos desta Lei. § 1º Sempre que possível, a criança ou adolescente deverá ser previamente ouvido e a sua opinião devidamente considerada. § 2º Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as conseqüências decorrentes da medida. § 1o Sempre que possível, a criança ou o adolescente será previamente ouvido por equipe interprofissional, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida, e terá sua opinião devidamente considerada. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Tratando-se de maior de 12 (doze) anos de idade, será necessário seu consentimento, colhido em audiência. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o Na apreciação do pedido levar-se-á em conta o grau de parentesco e a relação de afinidade ou de afetividade, a fim de evitar ou minorar as consequências decorrentes da medida. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Os grupos de irmãos serão colocados sob adoção, tutela ou guarda da mesma família substituta, ressalvada a comprovada existência de risco de abuso ou outra situação que justifique plenamente a excepcionalidade de solução diversa, procurando-se, em qualquer caso, evitar o rompimento definitivo dos vínculos fraternais. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o A colocação da criança ou adolescente em família substituta será precedida de sua preparação gradativa e acompanhamento posterior, realizados pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com o apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o Em se tratando de criança ou adolescente indígena ou proveniente de comunidade remanescente de quilombo, é ainda obrigatório: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - que sejam consideradas e respeitadas sua identidade social e cultural, os seus costumes e tradições, bem como suas instituições, desde que não sejam incompatíveis com os direitos fundamentais reconhecidos por esta Lei e pela Constituição Federal; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - que a colocação familiar ocorra prioritariamente no seio de sua comunidade ou junto a membros da mesma etnia; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - a intervenção e oitiva de representantes do órgão federal responsável pela política indigenista, no caso de crianças e adolescentes indígenas, e de antropólogos, perante a equipe interprofissional ou multidisciplinar que irá acompanhar o caso. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 29. Não se deferirá colocação em família substituta a pessoa que revele, por qualquer modo, incompatibilidade com a natureza da medida ou não ofereça ambiente familiar adequado. Art. 30. A colocação em família substituta não admitirá transferência da criança ou adolescente a terceiros ou a entidades governamentais ou não-governamentais, sem autorização judicial. Art. 31. A colocação em família substituta estrangeira constitui medida excepcional, somente admissível na modalidade de adoção. Art. 32. Ao assumir a guarda ou a tutela, o responsável prestará compromisso de bem e fielmente desempenhar o encargo, mediante termo nos autos. Subseção II Da Guarda Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros, inclusive aos pais. (Vide Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por estrangeiros. § 2º Excepcionalmente, deferir-se-á a guarda, fora dos casos de tutela e adoção, para atender a situações peculiares ou suprir a falta eventual dos pais ou responsável, podendo ser deferido o direito de representação para a prática de atos determinados. § 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários. § 4o Salvo expressa e fundamentada determinação em contrário, da autoridade judiciária competente, ou quando a medida for aplicada em preparação para adoção, o deferimento da guarda de criança ou adolescente a terceiros não impede o exercício do direito de visitas pelos pais, assim como o dever de prestar alimentos, que serão objeto de regulamentação específica, a pedido do interessado ou do Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 34. O poder público estimulará, através de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente órfão ou abandonado. Art. 34. O poder público estimulará, por meio de assistência jurídica, incentivos fiscais e subsídios, o acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente afastado do convívio familiar. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o A inclusão da criança ou adolescente em programas de acolhimento familiar terá preferência a seu acolhimento institucional, observado, em qualquer caso, o caráter temporário e excepcional da medida, nos termos desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) § 2o Na hipótese do § 1o deste artigo a pessoa ou casal cadastrado no programa de acolhimento familiar poderá receber a criança ou adolescente mediante guarda, observado o disposto nos arts. 28 a 33 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 35. A guarda poderá ser revogada a qualquer tempo, mediante ato judicial fundamentado, ouvido o Ministério Público. Subseção III Da Tutela Art. 36. A tutela será deferida, nos termos dalei civil, a pessoa de até vinte e um anos incompletos. Art. 36. A tutela será deferida, nos termos da lei civil, a pessoa de até 18 (dezoito) anos incompletos. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. O deferimento da tutela pressupõe a prévia decretação da perda ou suspensão do pátrio poder poder familiar e implica necessariamente o dever de guarda. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 37. A especialização de hipoteca legal será dispensada, sempre que o tutelado não possuir bens ou rendimentos ou por qualquer outro motivo relevante. Parágrafo único. A especialização de hipoteca legal será também dispensada se os bens, porventura existentes em nome do tutelado, constarem de instrumento público, devidamente registrado no registro de imóveis, ou se os rendimentos forem suficientes apenas para a mantença do tutelado, não havendo sobra significativa ou provável. Art. 37. O tutor nomeado por testamento ou qualquer documento autêntico, conforme previsto no parágrafo único do art. 1.729 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, deverá, no prazo de 30 (trinta) dias após a abertura da sucessão, ingressar com pedido destinado ao controle judicial do ato, observando o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Na apreciação do pedido, serão observados os requisitos previstos nos arts. 28 e 29 desta Lei, somente sendo deferida a tutela à pessoa indicada na disposição de última vontade, se restar comprovado que a medida é vantajosa ao tutelando e que não existe outra pessoa em melhores condições de assumi-la. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 38. Aplica-se à destituição da tutela o disposto no art. 24. Subseção IV Da Adoção Art. 39. A adoção de criança e de adolescente reger-se-á segundo o disposto nesta Lei. Parágrafo único. É vedada a adoção por procuração. § 1o A adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa, na forma do parágrafo único do art. 25 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o É vedada a adoção por procuração. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 40. O adotando deve contar com, no máximo, dezoito anos à data do pedido, salvo se já estiver sob a guarda ou tutela dos adotantes. Art. 41. A adoção atribui a condição de filho ao adotado, com os mesmos direitos e deveres, inclusive sucessórios, desligando-o de qualquer vínculo com pais e parentes, salvo os impedimentos matrimoniais. § 1º Se um dos cônjuges ou concubinos adota o filho do outro, mantêm-se os vínculos de filiação entre o adotado e o cônjuge ou concubino do adotante e os respectivos parentes. § 2º É recíproco o direito sucessório entre o adotado, seus descendentes, o adotante, seus ascendentes, descendentes e colaterais até o 4º grau, observada a ordem de vocação hereditária. Art. 42. Podem adotar os maiores de vinte e um anos, independentemente de estado civil. Art. 42. Podem adotar os maiores de 18 (dezoito) anos, independentemente do estado civil. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1º Não podem adotar os ascendentes e os irmãos do adotando. § 2º A adoção por ambos os cônjuges ou concubinos poderá ser formalizada, desde que um deles tenha completado vinte e um anos de idade, comprovada a estabilidade da família. § 2o Para adoção conjunta, é indispensável que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável, comprovada a estabilidade da família. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3º O adotante há de ser, pelo menos, dezesseis anos mais velho do que o adotando. § 4º Os divorciados e os judicialmente separados poderão adotar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas, e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância da sociedade conjugal. § 5º A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação de vontade, vier a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença. § 4o Os divorciados, os judicialmente separados e os ex-companheiros podem adotar conjuntamente, contanto que acordem sobre a guarda e o regime de visitas e desde que o estágio de convivência tenha sido iniciado na constância do período de convivência e que seja comprovada a existência de vínculos de afinidade e afetividade com aquele não detentor da guarda, que justifiquem a excepcionalidade da concessão. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o Nos casos do § 4o deste artigo, desde que demonstrado efetivo benefício ao adotando, será assegurada a guarda compartilhada, conforme previsto no art. 1.584 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o A adoção poderá ser deferida ao adotante que, após inequívoca manifestação de vontade, vier a falecer no curso do procedimento, antes de prolatada a sentença.(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 43. A adoção será deferida quando apresentar reais vantagens para o adotando e fundar-se em motivos legítimos. Art. 44. Enquanto não der conta de sua administração e saldar o seu alcance, não pode o tutor ou o curador adotar o pupilo ou o curatelado. Art. 45. A adoção depende do consentimento dos pais ou do representante legal do adotando. § 1º. O consentimento será dispensado em relação à criança ou adolescente cujos pais sejam desconhecidos ou tenham sido destituídos do pátrio poder poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2º. Em se tratando de adotando maior de doze anos de idade, será também necessário o seu consentimento. Art. 46. A adoção será precedida de estágio de convivência com a criança ou adolescente, pelo prazo que a autoridade judiciária fixar, observadas as peculiaridades do caso. § 1º O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando não tiver mais de um ano de idade ou se, qualquer que seja a sua idade, já estiver na companhia do adotante durante tempo suficiente para se poder avaliar a conveniência da constituição do vínculo. § 2º Em caso de adoção por estrangeiro residente ou domiciliado fora do País, o estágio de convivência, cumprido no território nacional, será de no mínimo quinze dias para crianças de até dois anos de idade, e de no mínimo trinta dias quando se tratar de adotando acima de dois anos de idade. § 1o O estágio de convivência poderá ser dispensado se o adotando já estiver sob a tutela ou guarda legal do adotante durante tempo suficiente para que seja possível avaliar a conveniência da constituição do vínculo. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o A simples guarda de fato não autoriza, por si só, a dispensa da realização do estágio de convivência. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o Em caso de adoção por pessoa ou casal residente ou domiciliado fora do País, o estágio de convivência, cumprido no território nacional, será de, no mínimo, 30 (trinta) dias. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o O estágio de convivência será acompanhado pela equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política de garantia do direito à convivência familiar, que apresentarão relatório minucioso acerca da conveniência do deferimento da medida. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 47. O vínculo da adoção constitui-se por sentença judicial, que será inscrita no registro civil mediante mandado do qual não se fornecerá certidão. § 1º A inscrição consignará o nome dos adotantes como pais, bem como o nome de seus ascendentes. § 2º O mandado judicial, que será arquivado, cancelará o registrooriginal do adotado. § 3º Nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões do registro. § 4º A critério da autoridade judiciária, poderá ser fornecida certidão para a salvaguarda de direitos. § 5º A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e, a pedido deste, poderá determinar a modificação do prenome. § 6º A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença, exceto na hipótese prevista no art. 42, § 5º, caso em que terá força retroativa à data do óbito. § 3o A pedido do adotante, o novo registro poderá ser lavrado no Cartório do Registro Civil do Município de sua residência. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Nenhuma observação sobre a origem do ato poderá constar nas certidões do registro. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o A sentença conferirá ao adotado o nome do adotante e, a pedido de qualquer deles, poderá determinar a modificação do prenome. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o Caso a modificação de prenome seja requerida pelo adotante, é obrigatória a oitiva do adotando, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 7o A adoção produz seus efeitos a partir do trânsito em julgado da sentença constitutiva, exceto na hipótese prevista no § 6o do art. 42 desta Lei, caso em que terá força retroativa à data do óbito. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 8o O processo relativo à adoção assim como outros a ele relacionados serão mantidos em arquivo, admitindo-se seu armazenamento em microfilme ou por outros meios, garantida a sua conservação para consulta a qualquer tempo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 9º Terão prioridade de tramitação os processos de adoção em que o adotando for criança ou adolescente com deficiência ou com doença crônica. (Incluído pela Lei nº 12.955, de 2014) Art. 48. A adoção é irrevogável. Art. 48. O adotado tem direito de conhecer sua origem biológica, bem como de obter acesso irrestrito ao processo no qual a medida foi aplicada e seus eventuais incidentes, após completar 18 (dezoito) anos. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. O acesso ao processo de adoção poderá ser também deferido ao adotado menor de 18 (dezoito) anos, a seu pedido, assegurada orientação e assistência jurídica e psicológica. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 49. A morte dos adotantes não restabelece o pátrio poder poder familiar dos pais naturais. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 50. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas interessadas na adoção. (Vide Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1º O deferimento da inscrição dar-se-á após prévia consulta aos órgãos técnicos do juizado, ouvido o Ministério Público. § 2º Não será deferida a inscrição se o interessado não satisfazer os requisitos legais, ou verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 29. § 3o A inscrição de postulantes à adoção será precedida de um período de preparação psicossocial e jurídica, orientado pela equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude, preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Sempre que possível e recomendável, a preparação referida no § 3o deste artigo incluirá o contato com crianças e adolescentes em acolhimento familiar ou institucional em condições de serem adotados, a ser realizado sob a orientação, supervisão e avaliação da equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude, com apoio dos técnicos responsáveis pelo programa de acolhimento e pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o Serão criados e implementados cadastros estaduais e nacional de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e de pessoas ou casais habilitados à adoção. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o Haverá cadastros distintos para pessoas ou casais residentes fora do País, que somente serão consultados na inexistência de postulantes nacionais habilitados nos cadastros mencionados no § 5o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 7o As autoridades estaduais e federais em matéria de adoção terão acesso integral aos cadastros, incumbindo-lhes a troca de informações e a cooperação mútua, para melhoria do sistema. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 8o A autoridade judiciária providenciará, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, a inscrição das crianças e adolescentes em condições de serem adotados que não tiveram colocação familiar na comarca de origem, e das pessoas ou casais que tiveram deferida sua habilitação à adoção nos cadastros estadual e nacional referidos no § 5o deste artigo, sob pena de responsabilidade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 9o Compete à Autoridade Central Estadual zelar pela manutenção e correta alimentação dos cadastros, com posterior comunicação à Autoridade Central Federal Brasileira. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 10. A adoção internacional somente será deferida se, após consulta ao cadastro de pessoas ou casais habilitados à adoção, mantido pela Justiça da Infância e da Juventude na comarca, bem como aos cadastros estadual e nacional referidos no § 5o deste artigo, não for encontrado interessado com residência permanente no Brasil. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 11. Enquanto não localizada pessoa ou casal interessado em sua adoção, a criança ou o adolescente, sempre que possível e recomendável, será colocado sob guarda de família cadastrada em programa de acolhimento familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 12. A alimentação do cadastro e a convocação criteriosa dos postulantes à adoção serão fiscalizadas pelo Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 13. Somente poderá ser deferida adoção em favor de candidato domiciliado no Brasil não cadastrado previamente nos termos desta Lei quando: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - se tratar de pedido de adoção unilateral; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - for formulada por parente com o qual a criança ou adolescente mantenha vínculos de afinidade e afetividade; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - oriundo o pedido de quem detém a tutela ou guarda legal de criança maior de 3 (três) anos ou adolescente, desde que o lapso de tempo de convivência comprove a fixação de laços de afinidade e afetividade, e não seja constatada a ocorrência de má-fé ou qualquer das situações previstas nos arts. 237 ou 238 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 14. Nas hipóteses previstas no § 13 deste artigo, o candidato deverá comprovar, no curso do procedimento, que preenche os requisitos necessários à adoção, conforme previsto nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 51 Cuidando-se de pedido de adoção formulado por estrangeiro residente ou domiciliado fora do País, observar-se-á o disposto no art. 31. § 1º O candidato deverá comprovar, mediante documento expedido pela autoridade competente do respectivo domicílio, estar devidamente habilitado à adoção, consoante as leis do seu país, bem como apresentar estudo psicossocial elaborado por agência especializada e credenciada no país de origem. § 2º A autoridade judiciária, de ofício ou a requerimento do Ministério Público, poderá determinar a apresentação do texto pertinenteà legislação estrangeira, acompanhado de prova da respectiva vigência. § 3º Os documentos em língua estrangeira serão juntados aos autos, devidamente autenticados pela autoridade consular, observados os tratados e convenções internacionais, e acompanhados da respectiva tradução, por tradutor público juramentado. § 4º Antes de consumada a adoção não será permitida a saída do adotando do território nacional. (Revogado pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 51. Considera-se adoção internacional aquela na qual a pessoa ou casal postulante é residente ou domiciliado fora do Brasil, conforme previsto no Artigo 2 da Convenção de Haia, de 29 de maio de 1993, Relativa à Proteção das Crianças e à Cooperação em Matéria de Adoção Internacional, aprovada pelo Decreto Legislativo no 1, de 14 de janeiro de 1999, e promulgada pelo Decreto no 3.087, de 21 de junho de 1999. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o A adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro ou domiciliado no Brasil somente terá lugar quando restar comprovado: (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - que a colocação em família substituta é a solução adequada ao caso concreto; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - que foram esgotadas todas as possibilidades de colocação da criança ou adolescente em família substituta brasileira, após consulta aos cadastros mencionados no art. 50 desta Lei; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - que, em se tratando de adoção de adolescente, este foi consultado, por meios adequados ao seu estágio de desenvolvimento, e que se encontra preparado para a medida, mediante parecer elaborado por equipe interprofissional, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 desta Lei. (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Os brasileiros residentes no exterior terão preferência aos estrangeiros, nos casos de adoção internacional de criança ou adolescente brasileiro. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o A adoção internacional pressupõe a intervenção das Autoridades Centrais Estaduais e Federal em matéria de adoção internacional. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 52. A adoção internacional poderá ser condicionada a estudo prévio e análise de uma comissão estadual judiciária de adoção, que fornecerá o respectivo laudo de habilitação para instruir o processo competente. Parágrafo único. Competirá à comissão manter registro centralizado de interessados estrangeiros em adoção. Art. 52. A adoção internacional observará o procedimento previsto nos arts. 165 a 170 desta Lei, com as seguintes adaptações: (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - a pessoa ou casal estrangeiro, interessado em adotar criança ou adolescente brasileiro, deverá formular pedido de habilitação à adoção perante a Autoridade Central em matéria de adoção internacional no país de acolhida, assim entendido aquele onde está situada sua residência habitual; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - se a Autoridade Central do país de acolhida considerar que os solicitantes estão habilitados e aptos para adotar, emitirá um relatório que contenha informações sobre a identidade, a capacidade jurídica e adequação dos solicitantes para adotar, sua situação pessoal, familiar e médica, seu meio social, os motivos que os animam e sua aptidão para assumir uma adoção internacional; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - a Autoridade Central do país de acolhida enviará o relatório à Autoridade Central Estadual, com cópia para a Autoridade Central Federal Brasileira; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IV - o relatório será instruído com toda a documentação necessária, incluindo estudo psicossocial elaborado por equipe interprofissional habilitada e cópia autenticada da legislação pertinente, acompanhada da respectiva prova de vigência; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência V - os documentos em língua estrangeira serão devidamente autenticados pela autoridade consular, observados os tratados e convenções internacionais, e acompanhados da respectiva tradução, por tradutor público juramentado; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VI - a Autoridade Central Estadual poderá fazer exigências e solicitar complementação sobre o estudo psicossocial do postulante estrangeiro à adoção, já realizado no país de acolhida; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VII - verificada, após estudo realizado pela Autoridade Central Estadual, a compatibilidade da legislação estrangeira com a nacional, além do preenchimento por parte dos postulantes à medida dos requisitos objetivos e subjetivos necessários ao seu deferimento, tanto à luz do que dispõe esta Lei como da legislação do país de acolhida, será expedido laudo de habilitação à adoção internacional, que terá validade por, no máximo, 1 (um) ano; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VIII - de posse do laudo de habilitação, o interessado será autorizado a formalizar pedido de adoção perante o Juízo da Infância e da Juventude do local em que se encontra a criança ou adolescente, conforme indicação efetuada pela Autoridade Central Estadual. (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o Se a legislação do país de acolhida assim o autorizar, admite-se que os pedidos de habilitação à adoção internacional sejam intermediados por organismos credenciados. (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Incumbe à Autoridade Central Federal Brasileira o credenciamento de organismos nacionais e estrangeiros encarregados de intermediar pedidos de habilitação à adoção internacional, com posterior comunicação às Autoridades Centrais Estaduais e publicação nos órgãos oficiais de imprensa e em sítio próprio da internet. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o Somente será admissível o credenciamento de organismos que: (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - sejam oriundos de países que ratificaram a Convenção de Haia e estejam devidamente credenciados pela Autoridade Central do país onde estiverem sediados e no país de acolhida do adotando para atuar em adoção internacional no Brasil; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - satisfizerem as condições de integridade moral, competência profissional, experiência e responsabilidade exigidas pelos países respectivos e pela Autoridade Central Federal Brasileira; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - forem qualificados por seus padrões éticos e sua formação e experiência para atuar na área de adoção internacional; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IV - cumprirem os requisitos exigidos pelo ordenamento jurídico brasileiro e pelas normas estabelecidas pela Autoridade Central Federal Brasileira. (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Os organismos credenciados deverão ainda: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - perseguir unicamente fins não lucrativos, nas condições e dentro dos limites fixados pelas autoridades competentes do país onde estiverem sediados, do país de acolhida e pela Autoridade Central Federal Brasileira; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - ser dirigidos e administrados por pessoas qualificadas e de reconhecida idoneidade moral, com comprovada formação ou experiência para atuar na área de adoção internacional, cadastradas pelo Departamento de Polícia Federal e aprovadas pela Autoridade Central Federal Brasileira, mediante publicação de portaria do órgão federal competente; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - estar submetidos à supervisão das autoridades competentes do país onde estiverem sediados e no país de acolhida, inclusive quanto à sua composição, funcionamentoe situação financeira; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IV - apresentar à Autoridade Central Federal Brasileira, a cada ano, relatório geral das atividades desenvolvidas, bem como relatório de acompanhamento das adoções internacionais efetuadas no período, cuja cópia será encaminhada ao Departamento de Polícia Federal; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência V - enviar relatório pós-adotivo semestral para a Autoridade Central Estadual, com cópia para a Autoridade Central Federal Brasileira, pelo período mínimo de 2 (dois) anos. O envio do relatório será mantido até a juntada de cópia autenticada do registro civil, estabelecendo a cidadania do país de acolhida para o adotado; (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VI - tomar as medidas necessárias para garantir que os adotantes encaminhem à Autoridade Central Federal Brasileira cópia da certidão de registro de nascimento estrangeira e do certificado de nacionalidade tão logo lhes sejam concedidos. (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o A não apresentação dos relatórios referidos no § 4o deste artigo pelo organismo credenciado poderá acarretar a suspensão de seu credenciamento. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o O credenciamento de organismo nacional ou estrangeiro encarregado de intermediar pedidos de adoção internacional terá validade de 2 (dois) anos. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 7o A renovação do credenciamento poderá ser concedida mediante requerimento protocolado na Autoridade Central Federal Brasileira nos 60 (sessenta) dias anteriores ao término do respectivo prazo de validade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 8o Antes de transitada em julgado a decisão que concedeu a adoção internacional, não será permitida a saída do adotando do território nacional. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 9o Transitada em julgado a decisão, a autoridade judiciária determinará a expedição de alvará com autorização de viagem, bem como para obtenção de passaporte, constando, obrigatoriamente, as características da criança ou adolescente adotado, como idade, cor, sexo, eventuais sinais ou traços peculiares, assim como foto recente e a aposição da impressão digital do seu polegar direito, instruindo o documento com cópia autenticada da decisão e certidão de trânsito em julgado. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 10. A Autoridade Central Federal Brasileira poderá, a qualquer momento, solicitar informações sobre a situação das crianças e adolescentes adotados. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 11. A cobrança de valores por parte dos organismos credenciados, que sejam considerados abusivos pela Autoridade Central Federal Brasileira e que não estejam devidamente comprovados, é causa de seu descredenciamento. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 12. Uma mesma pessoa ou seu cônjuge não podem ser representados por mais de uma entidade credenciada para atuar na cooperação em adoção internacional. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 13. A habilitação de postulante estrangeiro ou domiciliado fora do Brasil terá validade máxima de 1 (um) ano, podendo ser renovada. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 14. É vedado o contato direto de representantes de organismos de adoção, nacionais ou estrangeiros, com dirigentes de programas de acolhimento institucional ou familiar, assim como com crianças e adolescentes em condições de serem adotados, sem a devida autorização judicial. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 15. A Autoridade Central Federal Brasileira poderá limitar ou suspender a concessão de novos credenciamentos sempre que julgar necessário, mediante ato administrativo fundamentado. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 52-A. É vedado, sob pena de responsabilidade e descredenciamento, o repasse de recursos provenientes de organismos estrangeiros encarregados de intermediar pedidos de adoção internacional a organismos nacionais ou a pessoas físicas. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Eventuais repasses somente poderão ser efetuados via Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente e estarão sujeitos às deliberações do respectivo Conselho de Direitos da Criança e do Adolescente. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 52-B. A adoção por brasileiro residente no exterior em país ratificante da Convenção de Haia, cujo processo de adoção tenha sido processado em conformidade com a legislação vigente no país de residência e atendido o disposto na Alínea “c” do Artigo 17 da referida Convenção, será automaticamente recepcionada com o reingresso no Brasil. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o Caso não tenha sido atendido o disposto na Alínea “c” do Artigo 17 da Convenção de Haia, deverá a sentença ser homologada pelo Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o O pretendente brasileiro residente no exterior em país não ratificante da Convenção de Haia, uma vez reingressado no Brasil, deverá requerer a homologação da sentença estrangeira pelo Superior Tribunal de Justiça. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 52-C. Nas adoções internacionais, quando o Brasil for o país de acolhida, a decisão da autoridade competente do país de origem da criança ou do adolescente será conhecida pela Autoridade Central Estadual que tiver processado o pedido de habilitação dos pais adotivos, que comunicará o fato à Autoridade Central Federal e determinará as providências necessárias à expedição do Certificado de Naturalização Provisório. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o A Autoridade Central Estadual, ouvido o Ministério Público, somente deixará de reconhecer os efeitos daquela decisão se restar demonstrado que a adoção é manifestamente contrária à ordem pública ou não atende ao interesse superior da criança ou do adolescente. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Na hipótese de não reconhecimento da adoção, prevista no § 1o deste artigo, o Ministério Público deverá imediatamente requerer o que for de direito para resguardar os interesses da criança ou do adolescente, comunicando-se as providências à Autoridade Central Estadual, que fará a comunicação à Autoridade Central Federal Brasileira e à Autoridade Central do país de origem. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 52-D. Nas adoções internacionais, quando o Brasil for o país de acolhida e a adoção não tenha sido deferida no país de origem porque a sua legislação a delega ao país de acolhida, ou, ainda, na hipótese de, mesmo com decisão, a criança ou o adolescente ser oriundo de país que não tenha aderido à Convenção referida, o processo de adoção seguirá as regras da adoção nacional. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Capítulo IV Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I - igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II - direito de ser respeitado por seus educadores; III - direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores; IV - direito de organização e participação em entidades estudantis; V - acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais. Art. 54. É dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, inclusive para os quea ele não tiveram acesso na idade própria; II - progressiva extensão da obrigatoriedade e gratuidade ao ensino médio; III - atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino; IV - atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de cada um; VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições do adolescente trabalhador; VII - atendimento no ensino fundamental, através de programas suplementares de material didático- escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. § 1º O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito público subjetivo. § 2º O não oferecimento do ensino obrigatório pelo poder público ou sua oferta irregular importa responsabilidade da autoridade competente. § 3º Compete ao poder público recensear os educandos no ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos pais ou responsável, pela freqüência à escola. Art. 55. Os pais ou responsável têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino. Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I - maus-tratos envolvendo seus alunos; II - reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; III - elevados níveis de repetência. Art. 57. O poder público estimulará pesquisas, experiências e novas propostas relativas a calendário, seriação, currículo, metodologia, didática e avaliação, com vistas à inserção de crianças e adolescentes excluídos do ensino fundamental obrigatório. Art. 58. No processo educacional respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade da criação e o acesso às fontes de cultura. Art. 59. Os municípios, com apoio dos estados e da União, estimularão e facilitarão a destinação de recursos e espaços para programações culturais, esportivas e de lazer voltadas para a infância e a juventude. Capítulo V Do Direito à Profissionalização e à Proteção no Trabalho Art. 60. É proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz. (Vide Constituição Federal) Art. 61. A proteção ao trabalho dos adolescentes é regulada por legislação especial, sem prejuízo do disposto nesta Lei. Art. 62. Considera-se aprendizagem a formação técnico-profissional ministrada segundo as diretrizes e bases da legislação de educação em vigor. Art. 63. A formação técnico-profissional obedecerá aos seguintes princípios: I - garantia de acesso e freqüência obrigatória ao ensino regular; II - atividade compatível com o desenvolvimento do adolescente; III - horário especial para o exercício das atividades. Art. 64. Ao adolescente até quatorze anos de idade é assegurada bolsa de aprendizagem. Art. 65. Ao adolescente aprendiz, maior de quatorze anos, são assegurados os direitos trabalhistas e previdenciários. Art. 66. Ao adolescente portador de deficiência é assegurado trabalho protegido. Art. 67. Ao adolescente empregado, aprendiz, em regime familiar de trabalho, aluno de escola técnica, assistido em entidade governamental ou não-governamental, é vedado trabalho: I - noturno, realizado entre as vinte e duas horas de um dia e as cinco horas do dia seguinte; II - perigoso, insalubre ou penoso; III - realizado em locais prejudiciais à sua formação e ao seu desenvolvimento físico, psíquico, moral e social; IV - realizado em horários e locais que não permitam a freqüência à escola. Art. 68. O programa social que tenha por base o trabalho educativo, sob responsabilidade de entidade governamental ou não-governamental sem fins lucrativos, deverá assegurar ao adolescente que dele participe condições de capacitação para o exercício de atividade regular remunerada. § 1º Entende-se por trabalho educativo a atividade laboral em que as exigências pedagógicas relativas ao desenvolvimento pessoal e social do educando prevalecem sobre o aspecto produtivo. § 2º A remuneração que o adolescente recebe pelo trabalho efetuado ou a participação na venda dos produtos de seu trabalho não desfigura o caráter educativo. Art. 69. O adolescente tem direito à profissionalização e à proteção no trabalho, observados os seguintes aspectos, entre outros: I - respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento; II - capacitação profissional adequada ao mercado de trabalho. Título III Da Prevenção Capítulo I Disposições Gerais Art. 70. É dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente. Art. 70-A. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios deverão atuar de forma articulada na elaboração de políticas públicas e na execução de ações destinadas a coibir o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e difundir formas não violentas de educação de crianças e de adolescentes, tendo como principais ações: (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) I - a promoção de campanhas educativas permanentes para a divulgação do direito da criança e do adolescente de serem educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante e dos instrumentos de proteção aos direitos humanos; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) II - a integração com os órgãos do Poder Judiciário, do Ministério Público e da Defensoria Pública, com o Conselho Tutelar, com os Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente e com as entidades não governamentais que atuam na promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) III - a formação continuada e a capacitação dos profissionais de saúde, educação e assistência social e dos demais agentes que atuam na promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente para o desenvolvimento das competências necessárias à prevenção, à identificação de evidências, ao diagnóstico e ao enfrentamento de todas as formas de violência contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) IV - o apoio e o incentivo às práticas de resolução pacífica de conflitos que envolvam violência contra a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) V - a inclusão, nas políticas públicas, de ações que visem a garantir os direitos da criança e do adolescente, desde a atenção pré-natal, e de atividades junto aos pais e responsáveis com o objetivo de promover a informação, a reflexão, o debate e a orientação sobre alternativas ao uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante no processo educativo; (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) VI - a promoção de espaços intersetoriais locais para a articulação de ações e a elaboração de planos de atuação conjunta focados nas famílias em situação de violência, com participação de profissionais de saúde, de assistência social e de educação e de órgãos de promoção, proteção e defesa dos direitos da criança e do adolescente. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) Parágrafo único. As famílias com crianças e adolescentes com deficiência terão prioridade de atendimento nas ações e políticas públicas de prevenção e proteção. (Incluído pela Lei nº 13.010, de 2014) Art. 71. A criança e o adolescente têm direito a informação, cultura, lazer, esportes, diversões, espetáculos e produtos e serviços que respeitem sua condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. Art. 72. As obrigações previstas nesta Lei não excluem da prevenção especial outras decorrentes dos princípios por ela adotados. Art. 73. A inobservância das normas de prevenção importará em responsabilidade da pessoa física ou jurídica, nos termos desta Lei. Capítulo II Da Prevenção Especial Seção I Da informação, Cultura, Lazer, Esportes, Diversões e Espetáculos Art. 74. O poder público, através do órgão competente, regulará as diversões e espetáculospúblicos, informando sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada. Parágrafo único. Os responsáveis pelas diversões e espetáculos públicos deverão afixar, em lugar visível e de fácil acesso, à entrada do local de exibição, informação destacada sobre a natureza do espetáculo e a faixa etária especificada no certificado de classificação. Art. 75. Toda criança ou adolescente terá acesso às diversões e espetáculos públicos classificados como adequados à sua faixa etária. Parágrafo único. As crianças menores de dez anos somente poderão ingressar e permanecer nos locais de apresentação ou exibição quando acompanhadas dos pais ou responsável. Art. 76. As emissoras de rádio e televisão somente exibirão, no horário recomendado para o público infanto juvenil, programas com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas. Parágrafo único. Nenhum espetáculo será apresentado ou anunciado sem aviso de sua classificação, antes de sua transmissão, apresentação ou exibição. Art. 77. Os proprietários, diretores, gerentes e funcionários de empresas que explorem a venda ou aluguel de fitas de programação em vídeo cuidarão para que não haja venda ou locação em desacordo com a classificação atribuída pelo órgão competente. Parágrafo único. As fitas a que alude este artigo deverão exibir, no invólucro, informação sobre a natureza da obra e a faixa etária a que se destinam. Art. 78. As revistas e publicações contendo material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes deverão ser comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo. Parágrafo único. As editoras cuidarão para que as capas que contenham mensagens pornográficas ou obscenas sejam protegidas com embalagem opaca. Art. 79. As revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não poderão conter ilustrações, fotografias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, e deverão respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família. Art. 80. Os responsáveis por estabelecimentos que explorem comercialmente bilhar, sinuca ou congênere ou por casas de jogos, assim entendidas as que realizem apostas, ainda que eventualmente, cuidarão para que não seja permitida a entrada e a permanência de crianças e adolescentes no local, afixando aviso para orientação do público. Seção II Dos Produtos e Serviços Art. 81. É proibida a venda à criança ou ao adolescente de: I - armas, munições e explosivos; II - bebidas alcoólicas; III - produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica ainda que por utilização indevida; IV - fogos de estampido e de artifício, exceto aqueles que pelo seu reduzido potencial sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida; V - revistas e publicações a que alude o art. 78; VI - bilhetes lotéricos e equivalentes. Art. 82. É proibida a hospedagem de criança ou adolescente em hotel, motel, pensão ou estabelecimento congênere, salvo se autorizado ou acompanhado pelos pais ou responsável. Seção III Da Autorização para Viajar Art. 83. Nenhuma criança poderá viajar para fora da comarca onde reside, desacompanhada dos pais ou responsável, sem expressa autorização judicial. § 1º A autorização não será exigida quando: a) tratar-se de comarca contígua à da residência da criança, se na mesma unidade da Federação, ou incluída na mesma região metropolitana; b) a criança estiver acompanhada: 1) de ascendente ou colateral maior, até o terceiro grau, comprovado documentalmente o parentesco; 2) de pessoa maior, expressamente autorizada pelo pai, mãe ou responsável. § 2º A autoridade judiciária poderá, a pedido dos pais ou responsável, conceder autorização válida por dois anos. Art. 84. Quando se tratar de viagem ao exterior, a autorização é dispensável, se a criança ou adolescente: I - estiver acompanhado de ambos os pais ou responsável; II - viajar na companhia de um dos pais, autorizado expressamente pelo outro através de documento com firma reconhecida. Art. 85. Sem prévia e expressa autorização judicial, nenhuma criança ou adolescente nascido em território nacional poderá sair do País em companhia de estrangeiro residente ou domiciliado no exterior. Parte Especial Título I Da Política de Atendimento Capítulo I Disposições Gerais Art. 86. A política de atendimento dos direitos da criança e do adolescente far-se-á através de um conjunto articulado de ações governamentais e não-governamentais, da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios. Art. 87. São linhas de ação da política de atendimento: I - políticas sociais básicas; II - políticas e programas de assistência social, em caráter supletivo, para aqueles que deles necessitem; III - serviços especiais de prevenção e atendimento médico e psicossocial às vítimas de negligência, maus- tratos, exploração, abuso, crueldade e opressão; IV - serviço de identificação e localização de pais, responsável, crianças e adolescentes desaparecidos; V - proteção jurídico-social por entidades de defesa dos direitos da criança e do adolescente. VI - políticas e programas destinados a prevenir ou abreviar o período de afastamento do convívio familiar e a garantir o efetivo exercício do direito à convivência familiar de crianças e adolescentes; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VII - campanhas de estímulo ao acolhimento sob forma de guarda de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar e à adoção, especificamente inter-racial, de crianças maiores ou de adolescentes, com necessidades específicas de saúde ou com deficiências e de grupos de irmãos. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 88. São diretrizes da política de atendimento: I - municipalização do atendimento; II - criação de conselhos municipais, estaduais e nacional dos direitos da criança e do adolescente, órgãos deliberativos e controladores das ações em todos os níveis, assegurada a participação popular paritária por meio de organizações representativas, segundo leis federal, estaduais e municipais; III - criação e manutenção de programas específicos, observada a descentralização político-administrativa; IV - manutenção de fundos nacional, estaduais e municipais vinculados aos respectivos conselhos dos direitos da criança e do adolescente; V - integração operacional de órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Segurança Pública e Assistência Social, preferencialmente em um mesmo local, para efeito de agilização do atendimento inicial a adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional; VI - mobilização da opinião pública no sentido da indispensável participação dos diversos segmentos da sociedade. VI - integração operacional de órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria, Conselho Tutelar e encarregados da execução das políticas sociais básicas e de assistência social, para efeito de agilização do atendimento de crianças e de adolescentes inseridos em programas de acolhimento familiar ou institucional, com vista na sua rápida reintegração à família de origem ou, se tal solução se mostrar comprovadamente inviável, sua colocação em família substituta, em quaisquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VII - mobilização da opinião pública para a indispensável participação dos diversos segmentos da sociedade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 89. A função de membro do conselho nacional e dos conselhos estaduais e municipais dos direitos da criança e do adolescente é considerada de interesse público relevante e não será remunerada. Capítulo II Das Entidades de Atendimento Seção I Disposições Gerais Art. 90. As entidades de atendimento são responsáveis pela manutenção das próprias unidades, assim como pelo planejamento e execução de programas de proteção e sócio-educativos destinados a criançase adolescentes, em regime de: (Vide) I - orientação e apoio sócio-familiar; II - apoio sócio-educativo em meio aberto; III - colocação familiar; IV - abrigo; IV - acolhimento institucional; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência V - liberdade assistida; VI - semi-liberdade; VII - internação. V - prestação de serviços à comunidade; (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) VI - liberdade assistida; (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) VII - semiliberdade; e (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) VIII - internação. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Parágrafo único. As entidades governamentais e não-governamentais deverão proceder à inscrição de seus programas, especificando os regimes de atendimento, na forma definida neste artigo, junto ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual manterá registro das inscrições e de suas alterações, do que fará comunicação ao Conselho Tutelar e à autoridade judiciária. § 1o As entidades governamentais e não governamentais deverão proceder à inscrição de seus programas, especificando os regimes de atendimento, na forma definida neste artigo, no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual manterá registro das inscrições e de suas alterações, do que fará comunicação ao Conselho Tutelar e à autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Os recursos destinados à implementação e manutenção dos programas relacionados neste artigo serão previstos nas dotações orçamentárias dos órgãos públicos encarregados das áreas de Educação, Saúde e Assistência Social, dentre outros, observando-se o princípio da prioridade absoluta à criança e ao adolescente preconizado pelo caput do art. 227 da Constituição Federal e pelo caput e parágrafo único do art. 4o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o Os programas em execução serão reavaliados pelo Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, no máximo, a cada 2 (dois) anos, constituindo-se critérios para renovação da autorização de funcionamento: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - o efetivo respeito às regras e princípios desta Lei, bem como às resoluções relativas à modalidade de atendimento prestado expedidas pelos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os níveis; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - a qualidade e eficiência do trabalho desenvolvido, atestadas pelo Conselho Tutelar, pelo Ministério Público e pela Justiça da Infância e da Juventude; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - em se tratando de programas de acolhimento institucional ou familiar, serão considerados os índices de sucesso na reintegração familiar ou de adaptação à família substituta, conforme o caso. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 91. As entidades não-governamentais somente poderão funcionar depois de registradas no Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, o qual comunicará o registro ao Conselho Tutelar e à autoridade judiciária da respectiva localidade. Parágrafo único. Será negado o registro à entidade que: § 1o Será negado o registro à entidade que: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência a) não ofereça instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança; b) não apresente plano de trabalho compatível com os princípios desta Lei; c) esteja irregularmente constituída; d) tenha em seus quadros pessoas inidôneas. e) não se adequar ou deixar de cumprir as resoluções e deliberações relativas à modalidade de atendimento prestado expedidas pelos Conselhos de Direitos da Criança e do Adolescente, em todos os níveis. (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o O registro terá validade máxima de 4 (quatro) anos, cabendo ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, periodicamente, reavaliar o cabimento de sua renovação, observado o disposto no § 1o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 92. As entidades que desenvolvam programas de abrigo deverão adotar os seguintes princípios: I - preservação dos vínculos familiares; II - integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família de origem; Art. 92. As entidades que desenvolvam programas de acolhimento familiar ou institucional deverão adotar os seguintes princípios: (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - preservação dos vínculos familiares e promoção da reintegração familiar; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família natural ou extensa; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - atendimento personalizado e em pequenos grupos; IV - desenvolvimento de atividades em regime de co-educação; V - não desmembramento de grupos de irmãos; VI - evitar, sempre que possível, a transferência para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados; VII - participação na vida da comunidade local; VIII - preparação gradativa para o desligamento; IX - participação de pessoas da comunidade no processo educativo. Parágrafo único. O dirigente de entidade de abrigo e equiparado ao guardião, para todos os efeitos de direito. § 1o O dirigente de entidade que desenvolve programa de acolhimento institucional é equiparado ao guardião, para todos os efeitos de direito. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Os dirigentes de entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional remeterão à autoridade judiciária, no máximo a cada 6 (seis) meses, relatório circunstanciado acerca da situação de cada criança ou adolescente acolhido e sua família, para fins da reavaliação prevista no § 1o do art. 19 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o Os entes federados, por intermédio dos Poderes Executivo e Judiciário, promoverão conjuntamente a permanente qualificação dos profissionais que atuam direta ou indiretamente em programas de acolhimento institucional e destinados à colocação familiar de crianças e adolescentes, incluindo membros do Poder Judiciário, Ministério Público e Conselho Tutelar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Salvo determinação em contrário da autoridade judiciária competente, as entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional, se necessário com o auxílio do Conselho Tutelar e dos órgãos de assistência social, estimularão o contato da criança ou adolescente com seus pais e parentes, em cumprimento ao disposto nos incisos I e VIII do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o As entidades que desenvolvem programas de acolhimento familiar ou institucional somente poderão receber recursos públicos se comprovado o atendimento dos princípios, exigências e finalidades desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o O descumprimento das disposições desta Lei pelo dirigente de entidade que desenvolva programas de acolhimento familiar ou institucional é causa de sua destituição, sem prejuízo da apuração de sua responsabilidade administrativa, civil e criminal. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 93. As entidades que mantenham programas de abrigo poderão, em caráter excepcional e de urgência, abrigar crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fato até o 2º dia útil imediato. Art. 93. As entidades que mantenham programa de acolhimento institucional poderão, em caráter excepcional e de urgência, acolher crianças e adolescentes sem prévia determinação da autoridade competente, fazendo comunicação do fatoem até 24 (vinte e quatro) horas ao Juiz da Infância e da Juventude, sob pena de responsabilidade. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Recebida a comunicação, a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público e se necessário com o apoio do Conselho Tutelar local, tomará as medidas necessárias para promover a imediata reintegração familiar da criança ou do adolescente ou, se por qualquer razão não for isso possível ou recomendável, para seu encaminhamento a programa de acolhimento familiar, institucional ou a família substituta, observado o disposto no § 2o do art. 101 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 94. As entidades que desenvolvem programas de internação têm as seguintes obrigações, entre outras: I - observar os direitos e garantias de que são titulares os adolescentes; II - não restringir nenhum direito que não tenha sido objeto de restrição na decisão de internação; III - oferecer atendimento personalizado, em pequenas unidades e grupos reduzidos; IV - preservar a identidade e oferecer ambiente de respeito e dignidade ao adolescente; V - diligenciar no sentido do restabelecimento e da preservação dos vínculos familiares; VI - comunicar à autoridade judiciária, periodicamente, os casos em que se mostre inviável ou impossível o reatamento dos vínculos familiares; VII - oferecer instalações físicas em condições adequadas de habitabilidade, higiene, salubridade e segurança e os objetos necessários à higiene pessoal; VIII - oferecer vestuário e alimentação suficientes e adequados à faixa etária dos adolescentes atendidos; IX - oferecer cuidados médicos, psicológicos, odontológicos e farmacêuticos; X - propiciar escolarização e profissionalização; XI - propiciar atividades culturais, esportivas e de lazer; XII - propiciar assistência religiosa àqueles que desejarem, de acordo com suas crenças; XIII - proceder a estudo social e pessoal de cada caso; XIV - reavaliar periodicamente cada caso, com intervalo máximo de seis meses, dando ciência dos resultados à autoridade competente; XV - informar, periodicamente, o adolescente internado sobre sua situação processual; XVI - comunicar às autoridades competentes todos os casos de adolescentes portadores de moléstias infecto-contagiosas; XVII - fornecer comprovante de depósito dos pertences dos adolescentes; XVIII - manter programas destinados ao apoio e acompanhamento de egressos; XIX - providenciar os documentos necessários ao exercício da cidadania àqueles que não os tiverem; XX - manter arquivo de anotações onde constem data e circunstâncias do atendimento, nome do adolescente, seus pais ou responsável, parentes, endereços, sexo, idade, acompanhamento da sua formação, relação de seus pertences e demais dados que possibilitem sua identificação e a individualização do atendimento. § 1º Aplicam-se, no que couber, as obrigações constantes deste artigo às entidades que mantêm programa de abrigo. § 1o Aplicam-se, no que couber, as obrigações constantes deste artigo às entidades que mantêm programas de acolhimento institucional e familiar. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2º No cumprimento das obrigações a que alude este artigo as entidades utilizarão preferencialmente os recursos da comunidade. Seção II Da Fiscalização das Entidades Art. 95. As entidades governamentais e não-governamentais referidas no art. 90 serão fiscalizadas pelo Judiciário, pelo Ministério Público e pelos Conselhos Tutelares. Art. 96. Os planos de aplicação e as prestações de contas serão apresentados ao estado ou ao município, conforme a origem das dotações orçamentárias. Art. 97. São medidas aplicáveis às entidades de atendimento que descumprirem obrigação constante do art. 94, sem prejuízo da responsabilidade civil e criminal de seus dirigentes ou prepostos: I - às entidades governamentais: a) advertência; b) afastamento provisório de seus dirigentes; c) afastamento definitivo de seus dirigentes; d) fechamento de unidade ou interdição de programa. II - às entidades não-governamentais: a) advertência; b) suspensão total ou parcial do repasse de verbas públicas; c) interdição de unidades ou suspensão de programa; d) cassação do registro. Parágrafo único. Em caso de reiteradas infrações cometidas por entidades de atendimento, que coloquem em risco os direitos assegurados nesta Lei, deverá ser o fato comunicado ao Ministério Público ou representado perante autoridade judiciária competente para as providências cabíveis, inclusive suspensão das atividades ou dissolução da entidade. § 1o Em caso de reiteradas infrações cometidas por entidades de atendimento, que coloquem em risco os direitos assegurados nesta Lei, deverá ser o fato comunicado ao Ministério Público ou representado perante autoridade judiciária competente para as providências cabíveis, inclusive suspensão das atividades ou dissolução da entidade. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o As pessoas jurídicas de direito público e as organizações não governamentais responderão pelos danos que seus agentes causarem às crianças e aos adolescentes, caracterizado o descumprimento dos princípios norteadores das atividades de proteção específica. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Título II Das Medidas de Proteção Capítulo I Disposições Gerais Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; III - em razão de sua conduta. Capítulo II Das Medidas Específicas de Proteção Art. 99. As medidas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo. Art. 100. Na aplicação das medidas levar-se-ão em conta as necessidades pedagógicas, preferindo-se aquelas que visem ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. Parágrafo único. São também princípios que regem a aplicação das medidas: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos: crianças e adolescentes são os titulares dos direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na Constituição Federal; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - proteção integral e prioritária: a interpretação e aplicação de toda e qualquer norma contida nesta Lei deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos direitos de que crianças e adolescentes são titulares; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - responsabilidade primária e solidária do poder público: a plena efetivação dos direitos assegurados a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal, salvo nos casos por esta expressamente ressalvados, é de responsabilidade primária e solidária das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização do atendimento e da possibilidade da execução de programas por entidades não governamentais; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IV - interesse superior da criança e do adolescente: a intervenção deve atender prioritariamente aos interesses e direitos da criança e do adolescente, sem prejuízo da consideração que for devida a outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso concreto; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência V - privacidade: a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescente deve ser efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VI - intervenção precoce: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetuada logo que a situação de perigo seja conhecida; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VII - intervenção mínima: a intervençãodeve ser exercida exclusivamente pelas autoridades e instituições cuja ação seja indispensável à efetiva promoção dos direitos e à proteção da criança e do adolescente; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VIII - proporcionalidade e atualidade: a intervenção deve ser a necessária e adequada à situação de perigo em que a criança ou o adolescente se encontram no momento em que a decisão é tomada; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IX - responsabilidade parental: a intervenção deve ser efetuada de modo que os pais assumam os seus deveres para com a criança e o adolescente; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência X - prevalência da família: na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se isto não for possível, que promovam a sua integração em família substituta; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência XI - obrigatoriedade da informação: a criança e o adolescente, respeitado seu estágio de desenvolvimento e capacidade de compreensão, seus pais ou responsável devem ser informados dos seus direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma como esta se processa; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência XII - oitiva obrigatória e participação: a criança e o adolescente, em separado ou na companhia dos pais, de responsável ou de pessoa por si indicada, bem como os seus pais ou responsável, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição da medida de promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devidamente considerada pela autoridade judiciária competente, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 101. Verificada qualquer das hipóteses previstas no art. 98, a autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: I - encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; II - orientação, apoio e acompanhamento temporários; III - matrícula e freqüência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental; IV - inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente; V - requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; VI - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; VII - abrigo em entidade; VIII - colocação em família substituta. Parágrafo único. O abrigo é medida provisória e excepcional, utilizável como forma de transição para a colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade. VII - acolhimento institucional; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VIII - inclusão em programa de acolhimento familiar; (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IX - colocação em família substituta. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o O acolhimento institucional e o acolhimento familiar são medidas provisórias e excepcionais, utilizáveis como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo esta possível, para colocação em família substituta, não implicando privação de liberdade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Sem prejuízo da tomada de medidas emergenciais para proteção de vítimas de violência ou abuso sexual e das providências a que alude o art. 130 desta Lei, o afastamento da criança ou adolescente do convívio familiar é de competência exclusiva da autoridade judiciária e importará na deflagração, a pedido do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse, de procedimento judicial contencioso, no qual se garanta aos pais ou ao responsável legal o exercício do contraditório e da ampla defesa.(Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o Crianças e adolescentes somente poderão ser encaminhados às instituições que executam programas de acolhimento institucional, governamentais ou não, por meio de uma Guia de Acolhimento, expedida pela autoridade judiciária, na qual obrigatoriamente constará, dentre outros: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - sua identificação e a qualificação completa de seus pais ou de seu responsável, se conhecidos; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - o endereço de residência dos pais ou do responsável, com pontos de referência; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - os nomes de parentes ou de terceiros interessados em tê-los sob sua guarda; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IV - os motivos da retirada ou da não reintegração ao convívio familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Imediatamente após o acolhimento da criança ou do adolescente, a entidade responsável pelo programa de acolhimento institucional ou familiar elaborará um plano individual de atendimento, visando à reintegração familiar, ressalvada a existência de ordem escrita e fundamentada em contrário de autoridade judiciária competente, caso em que também deverá contemplar sua colocação em família substituta, observadas as regras e princípios desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o O plano individual será elaborado sob a responsabilidade da equipe técnica do respectivo programa de atendimento e levará em consideração a opinião da criança ou do adolescente e a oitiva dos pais ou do responsável. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o Constarão do plano individual, dentre outros: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - os resultados da avaliação interdisciplinar; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - os compromissos assumidos pelos pais ou responsável; e (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - a previsão das atividades a serem desenvolvidas com a criança ou com o adolescente acolhido e seus pais ou responsável, com vista na reintegração familiar ou, caso seja esta vedada por expressa e fundamentada determinação judicial, as providências a serem tomadas para sua colocação em família substituta, sob direta supervisão da autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 7o O acolhimento familiar ou institucional ocorrerá no local mais próximo à residência dos pais ou do responsável e, como parte do processo de reintegração familiar, sempre que identificada a necessidade, a família de origem será incluída em programas oficiais de orientação, de apoio e de promoção social, sendo facilitado e estimulado o contato com a criança ou com o adolescente acolhido. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 8o Verificada a possibilidade de reintegração familiar, o responsável pelo programa de acolhimento familiar ou institucional fará imediata comunicação à autoridade judiciária, que dará vista ao Ministério Público, pelo prazo de 5 (cinco) dias, decidindo em igual prazo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 9o Em sendo constatada a impossibilidade de reintegração da criança ou do adolescente à família de origem, após seu encaminhamento a programas oficiais ou comunitários de orientação, apoio e promoção social, será enviado relatório fundamentado ao Ministério Público, no qual conste a descrição pormenorizada das providências tomadas e a expressa recomendação, subscrita pelos técnicos da entidade ou responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar, para a destituição do poder familiar, ou destituição de tutela ou guarda. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 10. Recebido o relatório, o Ministério Público terá o prazo de 30 (trinta) dias para o ingresso com a ação de destituição do poder familiar, salvo se entender necessáriaa realização de estudos complementares ou outras providências que entender indispensáveis ao ajuizamento da demanda. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 11. A autoridade judiciária manterá, em cada comarca ou foro regional, um cadastro contendo informações atualizadas sobre as crianças e adolescentes em regime de acolhimento familiar e institucional sob sua responsabilidade, com informações pormenorizadas sobre a situação jurídica de cada um, bem como as providências tomadas para sua reintegração familiar ou colocação em família substituta, em qualquer das modalidades previstas no art. 28 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 12. Terão acesso ao cadastro o Ministério Público, o Conselho Tutelar, o órgão gestor da Assistência Social e os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente e da Assistência Social, aos quais incumbe deliberar sobre a implementação de políticas públicas que permitam reduzir o número de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar e abreviar o período de permanência em programa de acolhimento. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 102. As medidas de proteção de que trata este Capítulo serão acompanhadas da regularização do registro civil. (Vide Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1º Verificada a inexistência de registro anterior, o assento de nascimento da criança ou adolescente será feito à vista dos elementos disponíveis, mediante requisição da autoridade judiciária. § 2º Os registros e certidões necessários à regularização de que trata este artigo são isentos de multas, custas e emolumentos, gozando de absoluta prioridade. § 3o Caso ainda não definida a paternidade, será deflagrado procedimento específico destinado à sua averiguação, conforme previsto pela Lei no 8.560, de 29 de dezembro de 1992. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o Nas hipóteses previstas no § 3o deste artigo, é dispensável o ajuizamento de ação de investigação de paternidade pelo Ministério Público se, após o não comparecimento ou a recusa do suposto pai em assumir a paternidade a ele atribuída, a criança for encaminhada para adoção. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Título III Da Prática de Ato Infracional Capítulo I Disposições Gerais Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou contravenção penal. Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos às medidas previstas nesta Lei. Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do adolescente à data do fato. Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas previstas no art. 101. Capítulo II Dos Direitos Individuais Art. 106. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. Parágrafo único. O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis pela sua apreensão, devendo ser informado acerca de seus direitos. Art. 107. A apreensão de qualquer adolescente e o local onde se encontra recolhido serão incontinenti comunicados à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada. Parágrafo único. Examinar-se-á, desde logo e sob pena de responsabilidade, a possibilidade de liberação imediata. Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo máximo de quarenta e cinco dias. Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios suficientes de autoria e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da medida. Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para efeito de confrontação, havendo dúvida fundada. Capítulo III Das Garantias Processuais Art. 110. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido processo legal. Art. 111. São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes garantias: I - pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante citação ou meio equivalente; II - igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e testemunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa; III - defesa técnica por advogado; IV - assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei; V - direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente; VI - direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer fase do procedimento. Capítulo IV Das Medidas Sócio-Educativas Seção I Disposições Gerais Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas: I - advertência; II - obrigação de reparar o dano; III - prestação de serviços à comunidade; IV - liberdade assistida; V - inserção em regime de semi-liberdade; VI - internação em estabelecimento educacional; VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI. § 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração. § 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de trabalho forçado. § 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições. Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. 99 e 100. Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112 pressupõe a existência de provas suficientes da autoria e da materialidade da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127. Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova da materialidade e indícios suficientes da autoria. Seção II Da Advertência Art. 115. A advertência consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a termo e assinada. Seção III Da Obrigação de Reparar o Dano Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima. Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser substituída por outra adequada. Seção IV Da Prestação de Serviços à Comunidade Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais. Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não prejudicar a freqüência à escola ou à jornada normal de trabalho. Seção V Da Liberdade Assistida Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente. § 1º A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento. § 2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor. Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade competente, a realização dos seguintes encargos, entre outros: I - promover socialmente o adolescente e sua família, fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social; II - supervisionar a freqüência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula; III - diligenciar no sentidoda profissionalização do adolescente e de sua inserção no mercado de trabalho; IV - apresentar relatório do caso. Seção VI Do Regime de Semi-liberdade Art. 120. O regime de semi-liberdade pode ser determinado desde o início, ou como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades externas, independentemente de autorização judicial. § 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade. § 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à internação. Seção VII Da Internação Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento. § 1º Será permitida a realização de atividades externas, a critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário. § 2º A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses. § 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três anos. § 4º Atingido o limite estabelecido no parágrafo anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado em regime de semi-liberdade ou de liberdade assistida. § 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade. § 6º Em qualquer hipótese a desinternação será precedida de autorização judicial, ouvido o Ministério Público. § 7o A determinação judicial mencionada no § 1o poderá ser revista a qualquer tempo pela autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando: I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a pessoa; II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves; III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente imposta. § 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a três meses. § 1o O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser superior a 3 (três) meses, devendo ser decretada judicialmente após o devido processo legal. (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida adequada. Art. 123. A internação deverá ser cumprida em entidade exclusiva para adolescentes, em local distinto daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração. Parágrafo único. Durante o período de internação, inclusive provisória, serão obrigatórias atividades pedagógicas. Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os seguintes: I - entrevistar-se pessoalmente com o representante do Ministério Público; II - peticionar diretamente a qualquer autoridade; III - avistar-se reservadamente com seu defensor; IV - ser informado de sua situação processual, sempre que solicitada; V - ser tratado com respeito e dignidade; VI - permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou responsável; VII - receber visitas, ao menos, semanalmente; VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos; IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal; X - habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade; XI - receber escolarização e profissionalização; XII - realizar atividades culturais, esportivas e de lazer: XIII - ter acesso aos meios de comunicação social; XIV - receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim o deseje; XV - manter a posse de seus objetos pessoais e dispor de local seguro para guardá-los, recebendo comprovante daqueles porventura depositados em poder da entidade; XVI - receber, quando de sua desinternação, os documentos pessoais indispensáveis à vida em sociedade. § 1º Em nenhum caso haverá incomunicabilidade. § 2º A autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita, inclusive de pais ou responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua prejudicialidade aos interesses do adolescente. Art. 125. É dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos, cabendo-lhe adotar as medidas adequadas de contenção e segurança. Capítulo V Da Remissão Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão do processo, atendendo às circunstâncias e conseqüências do fato, ao contexto social, bem como à personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional. Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela autoridade judiciária importará na suspensão ou extinção do processo. Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes, podendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer das medidas previstas em lei, exceto a colocação em regime de semi-liberdade e a internação. Art. 128. A medida aplicada por força da remissão poderá ser revista judicialmente, a qualquer tempo, mediante pedido expresso do adolescente ou de seu representante legal, ou do Ministério Público. Título IV Das Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsável Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável: I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família; II - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico; IV - encaminhamento a cursos ou programas de orientação; V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e aproveitamento escolar; VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento especializado; VII - advertência; VIII - perda da guarda; IX - destituição da tutela; X - suspensão ou destituição do pátrio poder poder familiar. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Na aplicação das medidas previstas nos incisos IX e X deste artigo, observar-se-á o disposto nos arts. 23 e 24. Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum. Parágrafo único. Da medida cautelar constará, ainda, a fixação provisória dos alimentos de que necessitem a criança ou o adolescente dependentes do agressor. (Incluído pela Lei nº 12.415, de 2011) Título V Do Conselho Tutelar Capítulo I Disposições Gerais Art. 131. O Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, definidos nesta Lei. Art. 132. Em cada Município haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar composto de cinco membros, eleitos pelos cidadãos locais para mandato de três anos, permitida uma reeleição. Art. 132. Em cada Município haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar composto de cinco membros, escolhidos pela comunidade local para mandato de três anos, permitida uma recondução. (Redação dada pela Lei nº 8.242, de 12.10.1991) Art. 132. Em cada Município e em cada Região Administrativa do Distrito Federal haverá, no mínimo, 1 (um) Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, composto de 5 (cinco) membros, escolhidos pela população local para mandato de 4 (quatro) anos, permitida 1 (uma) recondução, mediante novo processo de escolha. (Redação dada pela Lei nº 12.696, de 2012) Art. 133. Para a candidatura a membro do Conselho Tutelar, serão exigidos os seguintes requisitos: I - reconhecida idoneidade moral; II - idade superior a vintee um anos; III - residir no município. Art. 134. Lei municipal disporá sobre local, dia e horário de funcionamento do Conselho Tutelar, inclusive quanto a eventual remuneração de seus membros. Parágrafo único. Constará da lei orçamentária municipal previsão dos recursos necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar. Art. 134. Lei municipal ou distrital disporá sobre o local, dia e horário de funcionamento do Conselho Tutelar, inclusive quanto à remuneração dos respectivos membros, aos quais é assegurado o direito a: (Redação dada pela Lei nº 12.696, de 2012) I - cobertura previdenciária; (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) II - gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de 1/3 (um terço) do valor da remuneração mensal; (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) III - licença-maternidade; (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) IV - licença-paternidade; (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) V - gratificação natalina. (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) Parágrafo único. Constará da lei orçamentária municipal e da do Distrito Federal previsão dos recursos necessários ao funcionamento do Conselho Tutelar e à remuneração e formação continuada dos conselheiros tutelares. (Redação dada pela Lei nº 12.696, de 2012) Art. 135. O exercício efetivo da função de conselheiro constituirá serviço público relevante, estabelecerá presunção de idoneidade moral e assegurará prisão especial, em caso de crime comum, até o julgamento definitivo. Art. 135. O exercício efetivo da função de conselheiro constituirá serviço público relevante e estabelecerá presunção de idoneidade moral. (Redação dada pela Lei nº 12.696, de 2012) Capítulo II Das Atribuições do Conselho Art. 136. São atribuições do Conselho Tutelar: I - atender as crianças e adolescentes nas hipóteses previstas nos arts. 98 e 105, aplicando as medidas previstas no art. 101, I a VII; II - atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas previstas no art. 129, I a VII; III - promover a execução de suas decisões, podendo para tanto: a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança; b) representar junto à autoridade judiciária nos casos de descumprimento injustificado de suas deliberações. IV - encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente; V - encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência; VI - providenciar a medida estabelecida pela autoridade judiciária, dentre as previstas no art. 101, de I a VI, para o adolescente autor de ato infracional; VII - expedir notificações; VIII - requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário; IX - assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente; X - representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação dos direitos previstos no art. 220, § 3º, inciso II, da Constituição Federal; XI - representar ao Ministério Público, para efeito das ações de perda ou suspensão do pátrio poder. XI - representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Se, no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará incontinenti o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 137. As decisões do Conselho Tutelar somente poderão ser revistas pela autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse. Capítulo III Da Competência Art. 138. Aplica-se ao Conselho Tutelar a regra de competência constante do art. 147. Capítulo IV Da Escolha dos Conselheiros Art. 139. O processo eleitoral para a escolha dos membros do Conselho Tutelar será estabelecido em Lei Municipal e realizado sob a presidência de Juiz eleitoral e a fiscalização do Ministério Público. Art. 139. O processo para a escolha dos membros do Conselho Tutelar será estabelecido em lei municipal e realizado sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a fiscalização do Ministério Público. (Redação dada pela Lei nº 8.242, de 12.10.1991) § 1o O processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar ocorrerá em data unificada em todo o território nacional a cada 4 (quatro) anos, no primeiro domingo do mês de outubro do ano subsequente ao da eleição presidencial. (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) § 2o A posse dos conselheiros tutelares ocorrerá no dia 10 de janeiro do ano subsequente ao processo de escolha. (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) § 3o No processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, é vedado ao candidato doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive brindes de pequeno valor. (Incluído pela Lei nº 12.696, de 2012) Capítulo V Dos Impedimentos Art. 140. São impedidos de servir no mesmo Conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhadio, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado. Parágrafo único. Estende-se o impedimento do conselheiro, na forma deste artigo, em relação à autoridade judiciária e ao representante do Ministério Público com atuação na Justiça da Infância e da Juventude, em exercício na comarca, foro regional ou distrital. Título VI Do Acesso à Justiça Capítulo I Disposições Gerais Art. 141. É garantido o acesso de toda criança ou adolescente à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos. § 1º. A assistência judiciária gratuita será prestada aos que dela necessitarem, através de defensor público ou advogado nomeado. § 2º As ações judiciais da competência da Justiça da Infância e da Juventude são isentas de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé. Art. 142. Os menores de dezesseis anos serão representados e os maiores de dezesseis e menores de vinte e um anos assistidos por seus pais, tutores ou curadores, na forma da legislação civil ou processual. Parágrafo único. A autoridade judiciária dará curador especial à criança ou adolescente, sempre que os interesses destes colidirem com os de seus pais ou responsável, ou quando carecer de representação ou assistência legal ainda que eventual. Art. 143. E vedada a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional. Parágrafo único. Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco e residência. Parágrafo único. Qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome. (Redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) Art. 144. A expedição de cópia ou certidão de atos a que se refere o artigo anterior somente será deferida pela autoridade judiciária competente, se demonstrado o interesse e justificada a finalidade. Capítulo II Da Justiça da Infância e da Juventude Seção I Disposições Gerais Art. 145. Os estados e o Distrito Federal poderão criar varas especializadas e exclusivas da infância e da juventude, cabendo ao Poder Judiciário estabelecer sua proporcionalidade por número de habitantes, dotá-las de infra-estrutura e dispor sobre o atendimento, inclusive em plantões. Seção II Do Juiz Art. 146. A autoridade a que se refereesta Lei é o Juiz da Infância e da Juventude, ou o juiz que exerce essa função, na forma da lei de organização judiciária local. Art. 147. A competência será determinada: I - pelo domicílio dos pais ou responsável; II - pelo lugar onde se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável. § 1º. Nos casos de ato infracional, será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão, observadas as regras de conexão, continência e prevenção. § 2º A execução das medidas poderá ser delegada à autoridade competente da residência dos pais ou responsável, ou do local onde sediar-se a entidade que abrigar a criança ou adolescente. § 3º Em caso de infração cometida através de transmissão simultânea de rádio ou televisão, que atinja mais de uma comarca, será competente, para aplicação da penalidade, a autoridade judiciária do local da sede estadual da emissora ou rede, tendo a sentença eficácia para todas as transmissoras ou retransmissoras do respectivo estado. Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para: I - conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de ato infracional atribuído a adolescente, aplicando as medidas cabíveis; II - conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo; III - conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes; IV - conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao adolescente, observado o disposto no art. 209; V - conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento, aplicando as medidas cabíveis; VI - aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção à criança ou adolescente; VII - conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar, aplicando as medidas cabíveis. Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98, é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de: a) conhecer de pedidos de guarda e tutela; b) conhecer de ações de destituição do pátrio poder poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda; (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento; d) conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao exercício do pátrio poder poder familiar; (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais; f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação, ou de outros procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança ou adolescente; g) conhecer de ações de alimentos; h) determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento e óbito. Art. 149. Compete à autoridade judiciária disciplinar, através de portaria, ou autorizar, mediante alvará: I - a entrada e permanência de criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou responsável, em: a) estádio, ginásio e campo desportivo; b) bailes ou promoções dançantes; c) boate ou congêneres; d) casa que explore comercialmente diversões eletrônicas; e) estúdios cinematográficos, de teatro, rádio e televisão. II - a participação de criança e adolescente em: a) espetáculos públicos e seus ensaios; b) certames de beleza. § 1º Para os fins do disposto neste artigo, a autoridade judiciária levará em conta, dentre outros fatores: a) os princípios desta Lei; b) as peculiaridades locais; c) a existência de instalações adequadas; d) o tipo de freqüência habitual ao local; e) a adequação do ambiente a eventual participação ou freqüência de crianças e adolescentes; f) a natureza do espetáculo. § 2º As medidas adotadas na conformidade deste artigo deverão ser fundamentadas, caso a caso, vedadas as determinações de caráter geral. Seção III Dos Serviços Auxiliares Art. 150. Cabe ao Poder Judiciário, na elaboração de sua proposta orçamentária, prever recursos para manutenção de equipe interprofissional, destinada a assessorar a Justiça da Infância e da Juventude. Art. 151. Compete à equipe interprofissional dentre outras atribuições que lhe forem reservadas pela legislação local, fornecer subsídios por escrito, mediante laudos, ou verbalmente, na audiência, e bem assim desenvolver trabalhos de aconselhamento, orientação, encaminhamento, prevenção e outros, tudo sob a imediata subordinação à autoridade judiciária, assegurada a livre manifestação do ponto de vista técnico. Capítulo III Dos Procedimentos Seção I Disposições Gerais Art. 152. Aos procedimentos regulados nesta Lei aplicam-se subsidiariamente as normas gerais previstas na legislação processual pertinente. Parágrafo único. É assegurada, sob pena de responsabilidade, prioridade absoluta na tramitação dos processos e procedimentos previstos nesta Lei, assim como na execução dos atos e diligências judiciais a eles referentes. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 153. Se a medida judicial a ser adotada não corresponder a procedimento previsto nesta ou em outra lei, a autoridade judiciária poderá investigar os fatos e ordenar de ofício as providências necessárias, ouvido o Ministério Público. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica para o fim de afastamento da criança ou do adolescente de sua família de origem e em outros procedimentos necessariamente contenciosos. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 154. Aplica-se às multas o disposto no art. 214. Seção II Da Perda e da Suspensão do Pátrio Poder Poder Familiar (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 155. O procedimento para a perda ou a suspensão do pátrio poder poder familiar terá início por provocação do Ministério Público ou de quem tenha legítimo interesse. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 156. A petição inicial indicará: I - a autoridade judiciária a que for dirigida; II - o nome, o estado civil, a profissão e a residência do requerente e do requerido, dispensada a qualificação em se tratando de pedido formulado por representante do Ministério Público; III - a exposição sumária do fato e o pedido; IV - as provas que serão produzidas, oferecendo, desde logo, o rol de testemunhas e documentos. Art. 157. Havendo motivo grave, poderá a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, decretar a suspensão do pátrio poder poder familiar, liminar ou incidentalmente, até o julgamento definitivo da causa, ficando a criança ou adolescente confiado a pessoa idônea, mediante termo de responsabilidade. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 158. O requerido será citado para, no prazo de dez dias, oferecer resposta escrita, indicando as provas a serem produzidas e oferecendo desde logo o rol de testemunhas e documentos. Parágrafo único. Deverão ser esgotados todos os meios para a citação pessoal. § 1o A citação será pessoal, salvo se esgotados todos os meios para sua realização. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014) § 2o O requerido privado de liberdade deverá ser citado pessoalmente. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014) Art. 159. Se o requerido não tiver possibilidade de constituir advogado, sem prejuízo do próprio sustento e de sua família, poderá requerer, em cartório, que lhe seja nomeado dativo, ao qual incumbirá a apresentação de resposta, contando-se o prazo a partir da intimação do despacho de nomeação. Parágrafo único. Na hipótese de requerido privado de liberdade, o oficial de justiça deverá perguntar, no momento da citação pessoal, se deseja que lhe seja nomeado defensor. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014) Art. 160. Sendo necessário, a autoridade judiciária requisitará de qualquer repartição ou órgão público a apresentação de documento que interesse à causa, de ofício ou a requerimento das partes ou do Ministério Público. Art. 161. Não sendocontestado o pedido, a autoridade judiciária dará vista dos autos ao Ministério Público, por cinco dias, salvo quando este for o requerente, decidindo em igual prazo. § 1º Havendo necessidade, a autoridade judiciária poderá determinar a realização de estudo social ou perícia por equipe interprofissional, bem como a oitiva de testemunhas. § 1o A autoridade judiciária, de ofício ou a requerimento das partes ou do Ministério Público, determinará a realização de estudo social ou perícia por equipe interprofissional ou multidisciplinar, bem como a oitiva de testemunhas que comprovem a presença de uma das causas de suspensão ou destituição do poder familiar previstas nos arts. 1.637 e 1.638 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 - Código Civil, ou no art. 24 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2º Se o pedido importar em modificação de guarda, será obrigatória, desde que possível e razoável, a oitiva da criança ou adolescente. § 2o Em sendo os pais oriundos de comunidades indígenas, é ainda obrigatória a intervenção, junto à equipe profissional ou multidisciplinar referida no § 1o deste artigo, de representantes do órgão federal responsável pela política indigenista, observado o disposto no § 6o do art. 28 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o Se o pedido importar em modificação de guarda, será obrigatória, desde que possível e razoável, a oitiva da criança ou adolescente, respeitado seu estágio de desenvolvimento e grau de compreensão sobre as implicações da medida. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o É obrigatória a oitiva dos pais sempre que esses forem identificados e estiverem em local conhecido. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o Se o pai ou a mãe estiverem privados de liberdade, a autoridade judicial requisitará sua apresentação para a oitiva. (Incluído pela Lei nº 12.962, de 2014) Art. 162. Apresentada a resposta, a autoridade judiciária dará vista dos autos ao Ministério Público, por cinco dias, salvo quando este for o requerente, designando, desde logo, audiência de instrução e julgamento. § 1º A requerimento de qualquer das partes, do Ministério Público, ou de ofício, a autoridade judiciária poderá determinar a realização de estudo social ou, se possível, de perícia por equipe interprofissional. § 2º Na audiência, presentes as partes e o Ministério Público, serão ouvidas as testemunhas, colhendo-se oralmente o parecer técnico, salvo quando apresentado por escrito, manifestando-se sucessivamente o requerente, o requerido e o Ministério Público, pelo tempo de vinte minutos cada um, prorrogável por mais dez. A decisão será proferida na audiência, podendo a autoridade judiciária, excepcionalmente, designar data para sua leitura no prazo máximo de cinco dias. Art. 163. A sentença que decretar a perda ou a suspensão do pátrio poder poder familiar será averbada à margem do registro de nascimento da criança ou adolescente. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 163. O prazo máximo para conclusão do procedimento será de 120 (cento e vinte) dias. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. A sentença que decretar a perda ou a suspensão do poder familiar será averbada à margem do registro de nascimento da criança ou do adolescente. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Seção III Da Destituição da Tutela Art. 164. Na destituição da tutela, observar-se-á o procedimento para a remoção de tutor previsto na lei processual civil e, no que couber, o disposto na seção anterior. Seção IV Da Colocação em Família Substituta Art. 165. São requisitos para a concessão de pedidos de colocação em família substituta: I - qualificação completa do requerente e de seu eventual cônjuge, ou companheiro, com expressa anuência deste; II - indicação de eventual parentesco do requerente e de seu cônjuge, ou companheiro, com a criança ou adolescente, especificando se tem ou não parente vivo; III - qualificação completa da criança ou adolescente e de seus pais, se conhecidos; IV - indicação do cartório onde foi inscrito nascimento, anexando, se possível, uma cópia da respectiva certidão; V - declaração sobre a existência de bens, direitos ou rendimentos relativos à criança ou ao adolescente. Parágrafo único. Em se tratando de adoção, observar-se-ão também os requisitos específicos. Art. 166. Se os pais forem falecidos, tiverem sido destituídos ou suspensos do pátrio poder poder familiar, ou houverem aderido expressamente ao pedido de colocação em família substituta, este poderá ser formulado diretamente em cartório, em petição assinada pelos próprios requerentes. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Na hipótese de concordância dos pais, eles serão ouvidos pela autoridade judiciária e pelo representante do Ministério Público, tomando-se por termo as declarações. Art. 166. Se os pais forem falecidos, tiverem sido destituídos ou suspensos do poder familiar, ou houverem aderido expressamente ao pedido de colocação em família substituta, este poderá ser formulado diretamente em cartório, em petição assinada pelos próprios requerentes, dispensada a assistência de advogado. (Redação dada pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o Na hipótese de concordância dos pais, esses serão ouvidos pela autoridade judiciária e pelo representante do Ministério Público, tomando-se por termo as declarações. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o O consentimento dos titulares do poder familiar será precedido de orientações e esclarecimentos prestados pela equipe interprofissional da Justiça da Infância e da Juventude, em especial, no caso de adoção, sobre a irrevogabilidade da medida. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 3o O consentimento dos titulares do poder familiar será colhido pela autoridade judiciária competente em audiência, presente o Ministério Público, garantida a livre manifestação de vontade e esgotados os esforços para manutenção da criança ou do adolescente na família natural ou extensa. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 4o O consentimento prestado por escrito não terá validade se não for ratificado na audiência a que se refere o § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o O consentimento é retratável até a data da publicação da sentença constitutiva da adoção. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 6o O consentimento somente terá valor se for dado após o nascimento da criança. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 7o A família substituta receberá a devida orientação por intermédio de equipe técnica interprofissional a serviço do Poder Judiciário, preferencialmente com apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 167. A autoridade judiciária, de ofício ou a requerimento das partes ou do Ministério Público, determinará a realização de estudo social ou, se possível, perícia por equipe interprofissional, decidindo sobre a concessão de guarda provisória, bem como, no caso de adoção, sobre o estágio de convivência. Parágrafo único. Deferida a concessão da guarda provisória ou do estágio de convivência, a criança ou o adolescente será entregue ao interessado, mediante termo de responsabilidade. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 168. Apresentado o relatório social ou o laudo pericial, e ouvida, sempre que possível, a criança ou o adolescente, dar-se-á vista dos autos ao Ministério Público, pelo prazo de cinco dias, decidindo a autoridade judiciária em igual prazo. Art. 169. Nas hipóteses em que a destituição da tutela, a perda ou a suspensãodo pátrio poder poder familiar constituir pressuposto lógico da medida principal de colocação em família substituta, será observado o procedimento contraditório previsto nas Seções II e III deste Capítulo. (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. A perda ou a modificação da guarda poderá ser decretada nos mesmos autos do procedimento, observado o disposto no art. 35. Art. 170. Concedida a guarda ou a tutela, observar-se-á o disposto no art. 32, e, quanto à adoção, o contido no art. 47. Parágrafo único. A colocação de criança ou adolescente sob a guarda de pessoa inscrita em programa de acolhimento familiar será comunicada pela autoridade judiciária à entidade por este responsável no prazo máximo de 5 (cinco) dias. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Seção V Da Apuração de Ato Infracional Atribuído a Adolescente Art. 171. O adolescente apreendido por força de ordem judicial será, desde logo, encaminhado à autoridade judiciária. Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado à autoridade policial competente. Parágrafo único. Havendo repartição policial especializada para atendimento de adolescente e em se tratando de ato infracional praticado em co-autoria com maior, prevalecerá a atribuição da repartição especializada, que, após as providências necessárias e conforme o caso, encaminhará o adulto à repartição policial própria. Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos arts. 106, parágrafo único, e 107, deverá: I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente; II - apreender o produto e os instrumentos da infração; III - requisitar os exames ou perícias necessários à comprovação da materialidade e autoria da infração. Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada. Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o adolescente será prontamente liberado pela autoridade policial, sob termo de compromisso e responsabilidade de sua apresentação ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo impossível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública. Art. 175. Em caso de não liberação, a autoridade policial encaminhará, desde logo, o adolescente ao representante do Ministério Público, juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência. § 1º Sendo impossível a apresentação imediata, a autoridade policial encaminhará o adolescente à entidade de atendimento, que fará a apresentação ao representante do Ministério Público no prazo de vinte e quatro horas. § 2º Nas localidades onde não houver entidade de atendimento, a apresentação far-se-á pela autoridade policial. À falta de repartição policial especializada, o adolescente aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em qualquer hipótese, exceder o prazo referido no parágrafo anterior. Art. 176. Sendo o adolescente liberado, a autoridade policial encaminhará imediatamente ao representante do Ministério Público cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência. Art. 177. Se, afastada a hipótese de flagrante, houver indícios de participação de adolescente na prática de ato infracional, a autoridade policial encaminhará ao representante do Ministério Público relatório das investigações e demais documentos. Art. 178. O adolescente a quem se atribua autoria de ato infracional não poderá ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial, em condições atentatórias à sua dignidade, ou que impliquem risco à sua integridade física ou mental, sob pena de responsabilidade. Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente à sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas. Parágrafo único. Em caso de não apresentação, o representante do Ministério Público notificará os pais ou responsável para apresentação do adolescente, podendo requisitar o concurso das polícias civil e militar. Art. 180. Adotadas as providências a que alude o artigo anterior, o representante do Ministério Público poderá: I - promover o arquivamento dos autos; II - conceder a remissão; III - representar à autoridade judiciária para aplicação de medida sócio-educativa. Art. 181. Promovido o arquivamento dos autos ou concedida a remissão pelo representante do Ministério Público, mediante termo fundamentado, que conterá o resumo dos fatos, os autos serão conclusos à autoridade judiciária para homologação. § 1º Homologado o arquivamento ou a remissão, a autoridade judiciária determinará, conforme o caso, o cumprimento da medida. § 2º Discordando, a autoridade judiciária fará remessa dos autos ao Procurador-Geral de Justiça, mediante despacho fundamentado, e este oferecerá representação, designará outro membro do Ministério Público para apresentá-la, ou ratificará o arquivamento ou a remissão, que só então estará a autoridade judiciária obrigada a homologar. Art. 182. Se, por qualquer razão, o representante do Ministério Público não promover o arquivamento ou conceder a remissão, oferecerá representação à autoridade judiciária, propondo a instauração de procedimento para aplicação da medida sócio-educativa que se afigurar a mais adequada. § 1º A representação será oferecida por petição, que conterá o breve resumo dos fatos e a classificação do ato infracional e, quando necessário, o rol de testemunhas, podendo ser deduzida oralmente, em sessão diária instalada pela autoridade judiciária. § 2º A representação independe de prova pré-constituída da autoria e materialidade. Art. 183. O prazo máximo e improrrogável para a conclusão do procedimento, estando o adolescente internado provisoriamente, será de quarenta e cinco dias. Art. 184. Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará audiência de apresentação do adolescente, decidindo, desde logo, sobre a decretação ou manutenção da internação, observado o disposto no art. 108 e parágrafo. § 1º O adolescente e seus pais ou responsável serão cientificados do teor da representação, e notificados a comparecer à audiência, acompanhados de advogado. § 2º Se os pais ou responsável não forem localizados, a autoridade judiciária dará curador especial ao adolescente. § 3º Não sendo localizado o adolescente, a autoridade judiciária expedirá mandado de busca e apreensão, determinando o sobrestamento do feito, até a efetiva apresentação. § 4º Estando o adolescente internado, será requisitada a sua apresentação, sem prejuízo da notificação dos pais ou responsável. Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária, não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional. § 1º Inexistindo na comarca entidade com as características definidas no art. 123, o adolescente deverá ser imediatamente transferido para a localidade mais próxima. § 2º Sendo impossível a pronta transferência, o adolescente aguardará sua remoção em repartição policial, desde que em seção isolada dos adultos e com instalações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo máximo de cinco dias, sob pena de responsabilidade. Art. 186. Comparecendo o adolescente, seus pais ou responsável, a autoridade judiciária procederá à oitiva dos mesmos, podendo solicitar opinião de profissional qualificado. § 1º Se a autoridade judiciária entender adequada a remissão, ouvirá o representante do Ministério Público, proferindo decisão. § 2º Sendo o fato grave, passívelde aplicação de medida de internação ou colocação em regime de semi- liberdade, a autoridade judiciária, verificando que o adolescente não possui advogado constituído, nomeará defensor, designando, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências e estudo do caso. § 3º O advogado constituído ou o defensor nomeado, no prazo de três dias contado da audiência de apresentação, oferecerá defesa prévia e rol de testemunhas. § 4º Na audiência em continuação, ouvidas as testemunhas arroladas na representação e na defesa prévia, cumpridas as diligências e juntado o relatório da equipe interprofissional, será dada a palavra ao representante do Ministério Público e ao defensor, sucessivamente, pelo tempo de vinte minutos para cada um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade judiciária, que em seguida proferirá decisão. Art. 187. Se o adolescente, devidamente notificado, não comparecer, injustificadamente à audiência de apresentação, a autoridade judiciária designará nova data, determinando sua condução coercitiva. Art. 188. A remissão, como forma de extinção ou suspensão do processo, poderá ser aplicada em qualquer fase do procedimento, antes da sentença. Art. 189. A autoridade judiciária não aplicará qualquer medida, desde que reconheça na sentença: I - estar provada a inexistência do fato; II - não haver prova da existência do fato; III - não constituir o fato ato infracional; IV - não existir prova de ter o adolescente concorrido para o ato infracional. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, estando o adolescente internado, será imediatamente colocado em liberdade. Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida de internação ou regime de semi-liberdade será feita: I - ao adolescente e ao seu defensor; II - quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável, sem prejuízo do defensor. § 1º Sendo outra a medida aplicada, a intimação far-se-á unicamente na pessoa do defensor. § 2º Recaindo a intimação na pessoa do adolescente, deverá este manifestar se deseja ou não recorrer da sentença. Seção VI Da Apuração de Irregularidades em Entidade de Atendimento Art. 191. O procedimento de apuração de irregularidades em entidade governamental e não-governamental terá início mediante portaria da autoridade judiciária ou representação do Ministério Público ou do Conselho Tutelar, onde conste, necessariamente, resumo dos fatos. Parágrafo único. Havendo motivo grave, poderá a autoridade judiciária, ouvido o Ministério Público, decretar liminarmente o afastamento provisório do dirigente da entidade, mediante decisão fundamentada. Art. 192. O dirigente da entidade será citado para, no prazo de dez dias, oferecer resposta escrita, podendo juntar documentos e indicar as provas a produzir. Art. 193. Apresentada ou não a resposta, e sendo necessário, a autoridade judiciária designará audiência de instrução e julgamento, intimando as partes. § 1º Salvo manifestação em audiência, as partes e o Ministério Público terão cinco dias para oferecer alegações finais, decidindo a autoridade judiciária em igual prazo. § 2º Em se tratando de afastamento provisório ou definitivo de dirigente de entidade governamental, a autoridade judiciária oficiará à autoridade administrativa imediatamente superior ao afastado, marcando prazo para a substituição. § 3º Antes de aplicar qualquer das medidas, a autoridade judiciária poderá fixar prazo para a remoção das irregularidades verificadas. Satisfeitas as exigências, o processo será extinto, sem julgamento de mérito. § 4º A multa e a advertência serão impostas ao dirigente da entidade ou programa de atendimento. Seção VII Da Apuração de Infração Administrativa às Normas de Proteção à Criança e ao Adolescente Art. 194. O procedimento para imposição de penalidade administrativa por infração às normas de proteção à criança e ao adolescente terá início por representação do Ministério Público, ou do Conselho Tutelar, ou auto de infração elaborado por servidor efetivo ou voluntário credenciado, e assinado por duas testemunhas, se possível. § 1º No procedimento iniciado com o auto de infração, poderão ser usadas fórmulas impressas, especificando-se a natureza e as circunstâncias da infração. § 2º Sempre que possível, à verificação da infração seguir-se-á a lavratura do auto, certificando-se, em caso contrário, dos motivos do retardamento. Art. 195. O requerido terá prazo de dez dias para apresentação de defesa, contado da data da intimação, que será feita: I - pelo autuante, no próprio auto, quando este for lavrado na presença do requerido; II - por oficial de justiça ou funcionário legalmente habilitado, que entregará cópia do auto ou da representação ao requerido, ou a seu representante legal, lavrando certidão; III - por via postal, com aviso de recebimento, se não for encontrado o requerido ou seu representante legal; IV - por edital, com prazo de trinta dias, se incerto ou não sabido o paradeiro do requerido ou de seu representante legal. Art. 196. Não sendo apresentada a defesa no prazo legal, a autoridade judiciária dará vista dos autos do Ministério Público, por cinco dias, decidindo em igual prazo. Art. 197. Apresentada a defesa, a autoridade judiciária procederá na conformidade do artigo anterior, ou, sendo necessário, designará audiência de instrução e julgamento. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Colhida a prova oral, manifestar-se-ão sucessivamente o Ministério Público e o procurador do requerido, pelo tempo de vinte minutos para cada um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade judiciária, que em seguida proferirá sentença. Seção VIII (Incluída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Da Habilitação de Pretendentes à Adoção Art. 197-A. Os postulantes à adoção, domiciliados no Brasil, apresentarão petição inicial na qual conste: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - qualificação completa; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - dados familiares; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - cópias autenticadas de certidão de nascimento ou casamento, ou declaração relativa ao período de união estável; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IV - cópias da cédula de identidade e inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência V - comprovante de renda e domicílio; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VI - atestados de sanidade física e mental; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VII - certidão de antecedentes criminais; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VIII - certidão negativa de distribuição cível. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 197-B. A autoridade judiciária, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, dará vista dos autos ao Ministério Público, que no prazo de 5 (cinco) dias poderá: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência I - apresentar quesitos a serem respondidos pela equipe interprofissional encarregada de elaborar o estudo técnico a que se refere o art. 197-C desta Lei; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência II - requerer a designação de audiência para oitiva dos postulantes em juízo e testemunhas; (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência III - requerer a juntada de documentos complementares e a realização de outras diligências que entender necessárias. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 197-C. Intervirá no feito, obrigatoriamente, equipe interprofissional a serviço da Justiça da Infância e da Juventude, que deverá elaborar estudo psicossocial, que conterá subsídios que permitam aferir a capacidade e o preparo dos postulantes para o exercício de uma paternidade ou maternidade responsável, à luz dos requisitos e princípios desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o É obrigatória a participação dos postulantes em programa oferecido pela Justiça da Infância e da Juventude preferencialmentecom apoio dos técnicos responsáveis pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar, que inclua preparação psicológica, orientação e estímulo à adoção inter-racial, de crianças maiores ou de adolescentes, com necessidades específicas de saúde ou com deficiências e de grupos de irmãos. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o Sempre que possível e recomendável, a etapa obrigatória da preparação referida no § 1o deste artigo incluirá o contato com crianças e adolescentes em regime de acolhimento familiar ou institucional em condições de serem adotados, a ser realizado sob a orientação, supervisão e avaliação da equipe técnica da Justiça da Infância e da Juventude, com o apoio dos técnicos responsáveis pelo programa de acolhimento familiar ou institucional e pela execução da política municipal de garantia do direito à convivência familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 197-D. Certificada nos autos a conclusão da participação no programa referido no art. 197-C desta Lei, a autoridade judiciária, no prazo de 48 (quarenta e oito) horas, decidirá acerca das diligências requeridas pelo Ministério Público e determinará a juntada do estudo psicossocial, designando, conforme o caso, audiência de instrução e julgamento. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Caso não sejam requeridas diligências, ou sendo essas indeferidas, a autoridade judiciária determinará a juntada do estudo psicossocial, abrindo a seguir vista dos autos ao Ministério Público, por 5 (cinco) dias, decidindo em igual prazo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 197-E. Deferida a habilitação, o postulante será inscrito nos cadastros referidos no art. 50 desta Lei, sendo a sua convocação para a adoção feita de acordo com ordem cronológica de habilitação e conforme a disponibilidade de crianças ou adolescentes adotáveis. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 1o A ordem cronológica das habilitações somente poderá deixar de ser observada pela autoridade judiciária nas hipóteses previstas no § 13 do art. 50 desta Lei, quando comprovado ser essa a melhor solução no interesse do adotando. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2o A recusa sistemática na adoção das crianças ou adolescentes indicados importará na reavaliação da habilitação concedida. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Capítulo IV Dos Recursos Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude fica adotado o sistema recursal do Código de Processo Civil, aprovado pela Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e suas alterações posteriores, com as seguintes adaptações: Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da Juventude, inclusive os relativos à execução das medidas socioeducativas, adotar-se-á o sistema recursal da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), com as seguintes adaptações: (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - os recursos serão interpostos independentemente de preparo; II - em todos os recursos, salvo o de agravo de instrumento e de embargos de declaração, o prazo para interpor e para responder será sempre de dez dias; II - em todos os recursos, salvo nos embargos de declaração, o prazo para o Ministério Público e para a defesa será sempre de 10 (dez) dias; (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) III - os recursos terão preferência de julgamento e dispensarão revisor; IV - o agravado será intimado para, no prazo de cinco dias, oferecer resposta e indicar as peças a serem trasladadas; (Revogado pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência V - será de quarenta e oito horas o prazo para a extração, a conferência e o conserto do traslado; (Revogado pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VI - a apelação será recebida em seu efeito devolutivo. Será também conferido efeito suspensivo quando interposta contra sentença que deferir a adoção por estrangeiro e, a juízo da autoridade judiciária, sempre que houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação; (Revogado pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência VII - antes de determinar a remessa dos autos à superior instância, no caso de apelação, ou do instrumento, no caso de agravo, a autoridade judiciária proferirá despacho fundamentado, mantendo ou reformando a decisão, no prazo de cinco dias; VIII - mantida a decisão apelada ou agravada, o escrivão remeterá os autos ou o instrumento à superior instância dentro de vinte e quatro horas, independentemente de novo pedido do recorrente; se a reformar, a remessa dos autos dependerá de pedido expresso da parte interessada ou do Ministério Público, no prazo de cinco dias, contados da intimação. Art. 199. Contra as decisões proferidas com base no art. 149 caberá recurso de apelação. Art. 199-A. A sentença que deferir a adoção produz efeito desde logo, embora sujeita a apelação, que será recebida exclusivamente no efeito devolutivo, salvo se se tratar de adoção internacional ou se houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação ao adotando. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 199-B. A sentença que destituir ambos ou qualquer dos genitores do poder familiar fica sujeita a apelação, que deverá ser recebida apenas no efeito devolutivo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 199-C. Os recursos nos procedimentos de adoção e de destituição de poder familiar, em face da relevância das questões, serão processados com prioridade absoluta, devendo ser imediatamente distribuídos, ficando vedado que aguardem, em qualquer situação, oportuna distribuição, e serão colocados em mesa para julgamento sem revisão e com parecer urgente do Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 199-D. O relator deverá colocar o processo em mesa para julgamento no prazo máximo de 60 (sessenta) dias, contado da sua conclusão. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. O Ministério Público será intimado da data do julgamento e poderá na sessão, se entender necessário, apresentar oralmente seu parecer. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 199-E. O Ministério Público poderá requerer a instauração de procedimento para apuração de responsabilidades se constatar o descumprimento das providências e do prazo previstos nos artigos anteriores. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Capítulo V Do Ministério Público Art. 200. As funções do Ministério Público previstas nesta Lei serão exercidas nos termos da respectiva lei orgânica. Art. 201. Compete ao Ministério Público: I - conceder a remissão como forma de exclusão do processo; II - promover e acompanhar os procedimentos relativos às infrações atribuídas a adolescentes; III - promover e acompanhar as ações de alimentos e os procedimentos de suspensão e destituição do pátrio poder poder familiar, nomeação e remoção de tutores, curadores e guardiães, bem como oficiar em todos os demais procedimentos da competência da Justiça da Infância e da Juventude; (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência IV - promover, de ofício ou por solicitação dos interessados, a especialização e a inscrição de hipoteca legal e a prestação de contas dos tutores, curadores e quaisquer administradores de bens de crianças e adolescentes nas hipóteses do art. 98; V - promover o inquérito civil e a ação civil pública para a proteção dos interesses individuais, difusos ou coletivos relativos à infância e à adolescência, inclusive os definidos no art. 220, § 3º inciso II, da Constituição Federal; VI - instaurar procedimentos administrativos e, para instruí-los: a) expedir notificações para colher depoimentos ou esclarecimentos e, em caso de não comparecimento injustificado, requisitar condução coercitiva, inclusive pela polícia civil ou militar; b) requisitar informações, exames, perícias e documentos de autoridades municipais, estaduais e federais,da administração direta ou indireta, bem como promover inspeções e diligências investigatórias; c) requisitar informações e documentos a particulares e instituições privadas; VII - instaurar sindicâncias, requisitar diligências investigatórias e determinar a instauração de inquérito policial, para apuração de ilícitos ou infrações às normas de proteção à infância e à juventude; VIII - zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados às crianças e adolescentes, promovendo as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis; IX - impetrar mandado de segurança, de injunção e habeas corpus, em qualquer juízo, instância ou tribunal, na defesa dos interesses sociais e individuais indisponíveis afetos à criança e ao adolescente; X - representar ao juízo visando à aplicação de penalidade por infrações cometidas contra as normas de proteção à infância e à juventude, sem prejuízo da promoção da responsabilidade civil e penal do infrator, quando cabível; XI - inspecionar as entidades públicas e particulares de atendimento e os programas de que trata esta Lei, adotando de pronto as medidas administrativas ou judiciais necessárias à remoção de irregularidades porventura verificadas; XII - requisitar força policial, bem como a colaboração dos serviços médicos, hospitalares, educacionais e de assistência social, públicos ou privados, para o desempenho de suas atribuições. § 1º A legitimação do Ministério Público para as ações cíveis previstas neste artigo não impede a de terceiros, nas mesmas hipóteses, segundo dispuserem a Constituição e esta Lei. § 2º As atribuições constantes deste artigo não excluem outras, desde que compatíveis com a finalidade do Ministério Público. § 3º O representante do Ministério Público, no exercício de suas funções, terá livre acesso a todo local onde se encontre criança ou adolescente. § 4º O representante do Ministério Público será responsável pelo uso indevido das informações e documentos que requisitar, nas hipóteses legais de sigilo. § 5º Para o exercício da atribuição de que trata o inciso VIII deste artigo, poderá o representante do Ministério Público: a) reduzir a termo as declarações do reclamante, instaurando o competente procedimento, sob sua presidência; b) entender-se diretamente com a pessoa ou autoridade reclamada, em dia, local e horário previamente notificados ou acertados; c) efetuar recomendações visando à melhoria dos serviços públicos e de relevância pública afetos à criança e ao adolescente, fixando prazo razoável para sua perfeita adequação. Art. 202. Nos processos e procedimentos em que não for parte, atuará obrigatoriamente o Ministério Público na defesa dos direitos e interesses de que cuida esta Lei, hipótese em que terá vista dos autos depois das partes, podendo juntar documentos e requerer diligências, usando os recursos cabíveis. Art. 203. A intimação do Ministério Público, em qualquer caso, será feita pessoalmente. Art. 204. A falta de intervenção do Ministério Público acarreta a nulidade do feito, que será declarada de ofício pelo juiz ou a requerimento de qualquer interessado. Art. 205. As manifestações processuais do representante do Ministério Público deverão ser fundamentadas. Capítulo VI Do Advogado Art. 206. A criança ou o adolescente, seus pais ou responsável, e qualquer pessoa que tenha legítimo interesse na solução da lide poderão intervir nos procedimentos de que trata esta Lei, através de advogado, o qual será intimado para todos os atos, pessoalmente ou por publicação oficial, respeitado o segredo de justiça. Parágrafo único. Será prestada assistência judiciária integral e gratuita àqueles que dela necessitarem. Art. 207. Nenhum adolescente a quem se atribua a prática de ato infracional, ainda que ausente ou foragido, será processado sem defensor. § 1º Se o adolescente não tiver defensor, ser-lhe-á nomeado pelo juiz, ressalvado o direito de, a todo tempo, constituir outro de sua preferência. § 2º A ausência do defensor não determinará o adiamento de nenhum ato do processo, devendo o juiz nomear substituto, ainda que provisoriamente, ou para o só efeito do ato. § 3º Será dispensada a outorga de mandato, quando se tratar de defensor nomeado ou, sido constituído, tiver sido indicado por ocasião de ato formal com a presença da autoridade judiciária. Capítulo VII Da Proteção Judicial dos Interesses Individuais, Difusos e Coletivos Art. 208. Regem-se pelas disposições desta Lei as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos assegurados à criança e ao adolescente, referentes ao não oferecimento ou oferta irregular: I - do ensino obrigatório; II - de atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência; III - de atendimento em creche e pré-escola às crianças de zero a seis anos de idade; IV - de ensino noturno regular, adequado às condições do educando; V - de programas suplementares de oferta de material didático-escolar, transporte e assistência à saúde do educando do ensino fundamental; VI - de serviço de assistência social visando à proteção à família, à maternidade, à infância e à adolescência, bem como ao amparo às crianças e adolescentes que dele necessitem; VII - de acesso às ações e serviços de saúde; VIII - de escolarização e profissionalização dos adolescentes privados de liberdade. IX - de ações, serviços e programas de orientação, apoio e promoção social de famílias e destinados ao pleno exercício do direito à convivência familiar por crianças e adolescentes. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência X - de programas de atendimento para a execução das medidas socioeducativas e aplicação de medidas de proteção. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Parágrafo único. As hipóteses previstas neste artigo não excluem da proteção judicial outros interesses individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da adolescência, protegidos pela Constituição e pela lei. § 1o As hipóteses previstas neste artigo não excluem da proteção judicial outros interesses individuais, difusos ou coletivos, próprios da infância e da adolescência, protegidos pela Constituição e pela Lei. (Renumerado do Parágrafo único pela Lei nº 11.259, de 2005) § 2o A investigação do desaparecimento de crianças ou adolescentes será realizada imediatamente após notificação aos órgãos competentes, que deverão comunicar o fato aos portos, aeroportos, Polícia Rodoviária e companhias de transporte interestaduais e internacionais, fornecendo-lhes todos os dados necessários à identificação do desaparecido. (Incluído pela Lei nº 11.259, de 2005) Art. 209. As ações previstas neste Capítulo serão propostas no foro do local onde ocorreu ou deva ocorrer a ação ou omissão, cujo juízo terá competência absoluta para processar a causa, ressalvadas a competência da Justiça Federal e a competência originária dos tribunais superiores. Art. 210. Para as ações cíveis fundadas em interesses coletivos ou difusos, consideram-se legitimados concorrentemente: I - o Ministério Público; II - a União, os estados, os municípios, o Distrito Federal e os territórios; III - as associações legalmente constituídas há pelo menos um ano e que incluam entre seus fins institucionais a defesa dos interesses e direitos protegidos por esta Lei, dispensada a autorização da assembléia, se houver prévia autorização estatutária. § 1º Admitir-se-á litisconsórcio facultativo entre os Ministérios Públicos da União e dos estados na defesa dos interesses e direitos de que cuida esta Lei. § 2º Em caso de desistência ou abandono da ação por associação legitimada, o Ministério Público ou outro legitimado poderá assumir a titularidade ativa. Art. 211. Os órgãos públicos legitimados poderão tomar dos interessados compromisso de ajustamento de sua conduta às exigências legais, o qual terá eficácia de título executivo extrajudicial. Art. 212. Para defesa dos direitos e interesses protegidos por esta Lei, são admissíveis todas as espécies de ações pertinentes. § 1º Aplicam-se às ações previstas nesteCapítulo as normas do Código de Processo Civil. § 2º Contra atos ilegais ou abusivos de autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de atribuições do poder público, que lesem direito líquido e certo previsto nesta Lei, caberá ação mandamental, que se regerá pelas normas da lei do mandado de segurança. Art. 213. Na ação que tenha por objeto o cumprimento de obrigação de fazer ou não fazer, o juiz concederá a tutela específica da obrigação ou determinará providências que assegurem o resultado prático equivalente ao do adimplemento. § 1º Sendo relevante o fundamento da demanda e havendo justificado receio de ineficácia do provimento final, é lícito ao juiz conceder a tutela liminarmente ou após justificação prévia, citando o réu. § 2º O juiz poderá, na hipótese do parágrafo anterior ou na sentença, impor multa diária ao réu, independentemente de pedido do autor, se for suficiente ou compatível com a obrigação, fixando prazo razoável para o cumprimento do preceito. § 3º A multa só será exigível do réu após o trânsito em julgado da sentença favorável ao autor, mas será devida desde o dia em que se houver configurado o descumprimento. Art. 214. Os valores das multas reverterão ao fundo gerido pelo Conselho dos Direitos da Criança e do Adolescente do respectivo município. § 1º As multas não recolhidas até trinta dias após o trânsito em julgado da decisão serão exigidas através de execução promovida pelo Ministério Público, nos mesmos autos, facultada igual iniciativa aos demais legitimados. § 2º Enquanto o fundo não for regulamentado, o dinheiro ficará depositado em estabelecimento oficial de crédito, em conta com correção monetária. Art. 215. O juiz poderá conferir efeito suspensivo aos recursos, para evitar dano irreparável à parte. Art. 216. Transitada em julgado a sentença que impuser condenação ao poder público, o juiz determinará a remessa de peças à autoridade competente, para apuração da responsabilidade civil e administrativa do agente a que se atribua a ação ou omissão. Art. 217. Decorridos sessenta dias do trânsito em julgado da sentença condenatória sem que a associação autora lhe promova a execução, deverá fazê-lo o Ministério Público, facultada igual iniciativa aos demais legitimados. Art. 218. O juiz condenará a associação autora a pagar ao réu os honorários advocatícios arbitrados na conformidade do § 4º do art. 20 da Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil), quando reconhecer que a pretensão é manifestamente infundada. Parágrafo único. Em caso de litigância de má-fé, a associação autora e os diretores responsáveis pela propositura da ação serão solidariamente condenados ao décuplo das custas, sem prejuízo de responsabilidade por perdas e danos. Art. 219. Nas ações de que trata este Capítulo, não haverá adiantamento de custas, emolumentos, honorários periciais e quaisquer outras despesas. Art. 220. Qualquer pessoa poderá e o servidor público deverá provocar a iniciativa do Ministério Público, prestando-lhe informações sobre fatos que constituam objeto de ação civil, e indicando-lhe os elementos de convicção. Art. 221. Se, no exercício de suas funções, os juízos e tribunais tiverem conhecimento de fatos que possam ensejar a propositura de ação civil, remeterão peças ao Ministério Público para as providências cabíveis. Art. 222. Para instruir a petição inicial, o interessado poderá requerer às autoridades competentes as certidões e informações que julgar necessárias, que serão fornecidas no prazo de quinze dias. Art. 223. O Ministério Público poderá instaurar, sob sua presidência, inquérito civil, ou requisitar, de qualquer pessoa, organismo público ou particular, certidões, informações, exames ou perícias, no prazo que assinalar, o qual não poderá ser inferior a dez dias úteis. § 1º Se o órgão do Ministério Público, esgotadas todas as diligências, se convencer da inexistência de fundamento para a propositura da ação cível, promoverá o arquivamento dos autos do inquérito civil ou das peças informativas, fazendo-o fundamentadamente. § 2º Os autos do inquérito civil ou as peças de informação arquivados serão remetidos, sob pena de se incorrer em falta grave, no prazo de três dias, ao Conselho Superior do Ministério Público. § 3º Até que seja homologada ou rejeitada a promoção de arquivamento, em sessão do Conselho Superior do Ministério público, poderão as associações legitimadas apresentar razões escritas ou documentos, que serão juntados aos autos do inquérito ou anexados às peças de informação. § 4º A promoção de arquivamento será submetida a exame e deliberação do Conselho Superior do Ministério Público, conforme dispuser o seu regimento. § 5º Deixando o Conselho Superior de homologar a promoção de arquivamento, designará, desde logo, outro órgão do Ministério Público para o ajuizamento da ação. Art. 224. Aplicam-se subsidiariamente, no que couber, as disposições da Lei n.º 7.347, de 24 de julho de 1985. Título VII Dos Crimes e Das Infrações Administrativas Capítulo I Dos Crimes Seção I Disposições Gerais Art. 225. Este Capítulo dispõe sobre crimes praticados contra a criança e o adolescente, por ação ou omissão, sem prejuízo do disposto na legislação penal. Art. 226. Aplicam-se aos crimes definidos nesta Lei as normas da Parte Geral do Código Penal e, quanto ao processo, as pertinentes ao Código de Processo Penal. Art. 227. Os crimes definidos nesta Lei são de ação pública incondicionada Seção II Dos Crimes em Espécie Art. 228. Deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, na forma e prazo referidos no art. 10 desta Lei, bem como de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento, onde constem as intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. Se o crime é culposo: Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. Art. 229. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como deixar de proceder aos exames referidos no art. 10 desta Lei: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. Se o crime é culposo: Pena - detenção de dois a seis meses, ou multa. Art. 230. Privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Parágrafo único. Incide na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância das formalidades legais. Art. 231. Deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Art. 232. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Art. 233. Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a tortura: Pena - reclusão de um a cinco anos. § 1º Se resultar lesão corporal grave: Pena - reclusão de dois a oito anos. § 2º Se resultar lesão corporal gravíssima: Pena - reclusão de quatro a doze anos. § 3º Se resultar morte: Pena - reclusão de quinze a trinta anos. (Revogado pela Lei nº 9.455, de 7.4.1997: Art. 234. Deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de criança ou adolescente, tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Art. 235. Descumprir, injustificadamente, prazo fixado nesta Lei em benefício de adolescente privado de liberdade: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Art. 236. Impedirou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista nesta Lei: Pena - detenção de seis meses a dois anos. Art. 237. Subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar substituto: Pena - reclusão de dois a seis anos, e multa. Art. 238. Prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa: Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa. Parágrafo único. Incide nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a paga ou recompensa. Art. 239. Promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro: Pena - reclusão de quatro a seis anos, e multa. Parágrafo único. Se há emprego de violência, grave ameaça ou fraude: (Incluído pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) Pena - reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência. Art. 240. Produzir ou dirigir representação teatral, televisiva ou película cinematográfica, utilizando-se de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica: Pena - reclusão de um a quatro anos, e multa. Parágrafo único. Incorre na mesma pena quem, nas condições referidas neste artigo, contracena com criança ou adolescente. Art. 240. Produzir ou dirigir representação teatral, televisiva, cinematográfica, atividade fotográfica ou de qualquer outro meio visual, utilizando-se de criança ou adolescente em cena pornográfica, de sexo explícito ou vexatória: (Redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. § 1o Incorre na mesma pena quem, nas condições referidas neste artigo, contracena com criança ou adolescente. (Renumerado do parágrafo único, pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) § 2o A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos: (Incluído pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) I - se o agente comete o crime no exercício de cargo ou função; II - se o agente comete o crime com o fim de obter para si ou para outrem vantagem patrimonial. Art. 240. Produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente: (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) § 1o Incorre nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas no caput deste artigo, ou ainda quem com esses contracena. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) § 2o Aumenta-se a pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime: (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) I – no exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la; (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) II – prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade; ou (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) III – prevalecendo-se de relações de parentesco consangüíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Art. 241. Fotografar ou publicar cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: Pena - reclusão de um a quatro anos. Art. 241. Apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente: (Redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) Pena - reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa. § 1o Incorre na mesma pena quem: (Incluído pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) I - agencia, autoriza, facilita ou, de qualquer modo, intermedeia a participação de criança ou adolescente em produção referida neste artigo; II - assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou imagens produzidas na forma do caput deste artigo; III - assegura, por qualquer meio, o acesso, na rede mundial de computadores ou internet, das fotografias, cenas ou imagens produzidas na forma do caput deste artigo. § 2o A pena é de reclusão de 3 (três) a 8 (oito) anos: (Incluído pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) I - se o agente comete o crime prevalecendo-se do exercício de cargo ou função; II - se o agente comete o crime com o fim de obter para si ou para outrem vantagem patrimonial. Art. 241. Vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) Pena – reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. (Redação dada pela Lei nº 11.829, de 2008) Art. 241-A. Oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por meio de sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Pena – reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) § 1o Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) I – assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo; (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) II – assegura, por qualquer meio, o acesso por rede de computadores às fotografias, cenas ou imagens de que trata o caput deste artigo.(Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) § 2o As condutas tipificadas nos incisos I e II do § 1o deste artigo são puníveis quando o responsável legal pela prestação do serviço, oficialmente notificado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito de que trata o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Art. 241-B. Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Pena – reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) § 1o A pena é diminuída de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se de pequena quantidade o material a que se refere o caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) § 2o Não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades competentes a ocorrência das condutas descritas nos arts. 240, 241, 241-A e 241-C desta Lei, quando a comunicação for feita por: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) I – agente público no exercício de suas funções; (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) II – membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades institucionais, o recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos crimes referidos neste parágrafo; (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) III – representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de rede de computadores, até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) § 3o As pessoas referidas no § 2o deste artigo deverão manter sob sigilo o material ilícito referido. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Art. 241-C. Simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeoou qualquer outra forma de representação visual: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui, publica ou divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material produzido na forma do caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Art. 241-D. Aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Pena – reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Parágrafo único. Nas mesmas penas incorre quem: (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) I – facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com o fim de com ela praticar ato libidinoso; (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) II – pratica as condutas descritas no caput deste artigo com o fim de induzir criança a se exibir de forma pornográfica ou sexualmente explícita. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Art. 241-E. Para efeito dos crimes previstos nesta Lei, a expressão “cena de sexo explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais. (Incluído pela Lei nº 11.829, de 2008) Art. 242. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente arma, munição ou explosivo: Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa. Pena - reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos. (Redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) Art. 243. Vender, fornecer ainda que gratuitamente, ministrar ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente, sem justa causa, produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica, ainda que por utilização indevida: Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. Pena - detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. (Redação dada pela Lei nº 10.764, de 12.11.2003) Art. 244. Vender, fornecer ainda que gratuitamente ou entregar, de qualquer forma, a criança ou adolescente fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida: Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa. Art. 244-A. Submeter criança ou adolescente, como tais definidos no caput do art. 2o desta Lei, à prostituição ou à exploração sexual: (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000) Pena - reclusão de quatro a dez anos, e multa. § 1o Incorrem nas mesmas penas o proprietário, o gerente ou o responsável pelo local em que se verifique a submissão de criança ou adolescente às práticas referidas no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000) § 2o Constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. (Incluído pela Lei nº 9.975, de 23.6.2000) Art. 244-B. Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) § 1o Incorre nas penas previstas no caput deste artigo quem pratica as condutas ali tipificadas utilizando- se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) § 2o As penas previstas no caput deste artigo são aumentadas de um terço no caso de a infração cometida ou induzida estar incluída no rol do art. 1o da Lei no 8.072, de 25 de julho de 1990. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) Capítulo II Das Infrações Administrativas Art. 245. Deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 246. Impedir o responsável ou funcionário de entidade de atendimento o exercício dos direitos constantes nos incisos II, III, VII, VIII e XI do art. 124 desta Lei: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 247. Divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou judicial relativo a criança ou adolescente a que se atribua ato infracional: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. § 1º Incorre na mesma pena quem exibe, total ou parcialmente, fotografia de criança ou adolescente envolvido em ato infracional, ou qualquer ilustração que lhe diga respeito ou se refira a atos que lhe sejam atribuídos, de forma a permitir sua identificação, direta ou indiretamente. § 2º Se o fato for praticado por órgão de imprensa ou emissora de rádio ou televisão, além da pena prevista neste artigo, a autoridade judiciária poderá determinar a apreensão da publicação ou a suspensão da programação da emissora até por dois dias, bem como da publicação do periódico até por dois números. (Expressão declara inconstitucional pela ADIN 869-2). Art. 248. Deixar de apresentar à autoridade judiciária de seu domicílio, no prazo de cinco dias, com o fim de regularizar a guarda, adolescente trazido de outra comarca para a prestação de serviço doméstico, mesmo que autorizado pelos pais ou responsável: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência, independentemente das despesas de retorno do adolescente, se for o caso. Art. 249. Descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres inerentes ao pátrio poder poder familiar ou decorrente de tutela ou guarda, bem assim determinação da autoridade judiciária ou Conselho Tutelar: (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 250. Hospedar criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou responsável ou sem autorização escrita destes, ou da autoridade judiciária, em hotel, pensão, motel ou congênere: Pena - multa de dez a cinqüenta salários de referência; em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até quinze dias. Art. 250. Hospedar criança ou adolescente desacompanhado dos pais ou responsável, ou sem autorização escrita desses ou da autoridade judiciária, em hotel, pensão, motel ou congênere: (Redação dada pela Lei nº 12.038, de 2009). Pena – multa. (Redação dada pela Lei nº 12.038, de 2009). § 1º Em caso de reincidência, sem prejuízo da pena de multa, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até 15 (quinze) dias. (Incluído pela Lei nº 12.038, de 2009). § 2º Se comprovada a reincidência em período inferior a 30 (trinta) dias, o estabelecimento será definitivamente fechado e terá sua licença cassada. (Incluído pela Lei nº 12.038, de 2009). Art. 251. Transportar criança ou adolescente, por qualquer meio, com inobservância do disposto nos arts. 83, 84 e 85 desta Lei: Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 252. Deixar o responsável por diversão ou espetáculo público de afixar, em lugar visível e de fácil acesso, à entrada do local de exibição, informação destacada sobre a natureza da diversão ou espetáculo e a faixa etária especificada no certificado de classificação:Pena - multa de três a vinte salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Art. 253. Anunciar peças teatrais, filmes ou quaisquer representações ou espetáculos, sem indicar os limites de idade a que não se recomendem: Pena - multa de três a vinte salários de referência, duplicada em caso de reincidência, aplicável, separadamente, à casa de espetáculo e aos órgãos de divulgação ou publicidade. Art. 254. Transmitir, através de rádio ou televisão, espetáculo em horário diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação: Pena - multa de vinte a cem salários de referência; duplicada em caso de reincidência a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão da programação da emissora por até dois dias. Art. 255. Exibir filme, trailer, peça, amostra ou congênere classificado pelo órgão competente como inadequado às crianças ou adolescentes admitidos ao espetáculo: Pena - multa de vinte a cem salários de referência; na reincidência, a autoridade poderá determinar a suspensão do espetáculo ou o fechamento do estabelecimento por até quinze dias. Art. 256. Vender ou locar a criança ou adolescente fita de programação em vídeo, em desacordo com a classificação atribuída pelo órgão competente: Pena - multa de três a vinte salários de referência; em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até quinze dias. Art. 257. Descumprir obrigação constante dos arts. 78 e 79 desta Lei: Pena - multa de três a vinte salários de referência, duplicando-se a pena em caso de reincidência, sem prejuízo de apreensão da revista ou publicação. Art. 258. Deixar o responsável pelo estabelecimento ou o empresário de observar o que dispõe esta Lei sobre o acesso de criança ou adolescente aos locais de diversão, ou sobre sua participação no espetáculo: Pena - multa de três a vinte salários de referência; em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até quinze dias. Art. 258-A. Deixar a autoridade competente de providenciar a instalação e operacionalização dos cadastros previstos no art. 50 e no § 11 do art. 101 desta Lei: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00 (três mil reais). (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Incorre nas mesmas penas a autoridade que deixa de efetuar o cadastramento de crianças e de adolescentes em condições de serem adotadas, de pessoas ou casais habilitados à adoção e de crianças e adolescentes em regime de acolhimento institucional ou familiar. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Art. 258-B. Deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de efetuar imediato encaminhamento à autoridade judiciária de caso de que tenha conhecimento de mãe ou gestante interessada em entregar seu filho para adoção: (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Pena - multa de R$ 1.000,00 (mil reais) a R$ 3.000,00 (três mil reais). (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Parágrafo único. Incorre na mesma pena o funcionário de programa oficial ou comunitário destinado à garantia do direito à convivência familiar que deixa de efetuar a comunicação referida no caput deste artigo. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência Disposições Finais e Transitórias Art. 259. A União, no prazo de noventa dias contados da publicação deste Estatuto, elaborará projeto de lei dispondo sobre a criação ou adaptação de seus órgãos às diretrizes da política de atendimento fixadas no art. 88 e ao que estabelece o Título V do Livro II. Parágrafo único. Compete aos estados e municípios promoverem a adaptação de seus órgãos e programas às diretrizes e princípios estabelecidos nesta Lei. Art. 260. Os contribuintes do imposto de renda poderão abater da renda bruta 100% (cem por cento) do valor das doações feitas aos fundos controlados pelos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, observado o seguinte: I - limite de 10% (dez por cento) da renda bruta para pessoa física; II - limite de 5% (cinco por cento) da renda bruta para pessoa jurídica. Art. 260. Os contribuintes poderão deduzir do imposto devido, na declaração do Imposto sobre a Renda, o total das doações feitas aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente - nacional, estaduais ou municipais - devidamente comprovadas, obedecidos os limites estabelecidos em Decreto do Presidente da República. (Redação dada pela Lei nº 8.242, de 12.10.1991) (Vide) Art. 260. Os contribuintes poderão efetuar doações aos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, distrital, estaduais ou municipais, devidamente comprovadas, sendo essas integralmente deduzidas do imposto de renda, obedecidos os seguintes limites: (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - 1% (um por cento) do imposto sobre a renda devido apurado pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real; e (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apurado pelas pessoas físicas na Declaração de Ajuste Anual, observado o disposto no art. 22 da Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 1º - As deduções a que se refere este artigo não estão sujeitas a outros limites estabelecidos na legislação do imposto de renda, nem excluem ou reduzem outros benefícios ou abatimentos e deduções em vigor, de maneira especial as doações a entidades de utilidade pública. (Revogado pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 1o-A. Na definição das prioridades a serem atendidas com os recursos captados pelos Fundos Nacional, Estaduais e Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente, serão consideradas as disposições do Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa dos Direitos de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar, bem como as regras e princípios relativos à garantia do direito à convivência familiar previstos nesta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 2º Os Conselhos Municipais, Estaduais e Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente fixarão critérios de utilização, através de planos de aplicação das doações subsidiadas e demais receitas, aplicando necessariamente percentual para incentivo ao acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou adolescente, órfãos ou abandonado, na forma do disposto no art. 227, § 3º, VI, da Constituição Federal. § 3º O Departamento da Receita Federal, do Ministério da Economia, Fazenda e Planejamento, regulamentará a comprovação das doações feitas aos fundos, nos termos deste artigo. (Incluído pela Lei nº 8.242, de 12.10.1991) § 4º O Ministério Público determinará em cada comarca a forma de fiscalização da aplicação, pelo Fundo Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, dos incentivos fiscais referidos neste artigo. (Incluído pela Lei nº 8.242, de 12.10.1991) § 5o A destinação de recursos provenientes dos fundos mencionados neste artigo não desobriga os Entes Federados à previsão, no orçamento dos respectivos órgãos encarregados da execução das políticas públicas de assistência social, educação e saúde, dos recursos necessários à implementação das ações, serviços e programas de atendimento a crianças, adolescentes e famílias, em respeito ao princípio da prioridade absoluta estabelecido pelo caput do art. 227 da Constituição Federal e pelo caput e parágrafo único do art. 4o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência § 5o Observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a dedução de que trata o inciso I do caput: (Redação dada pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - será considerada isoladamente, não se submetendo a limite em conjunto com outras deduções do imposto; e (Incluído pelaLei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - não poderá ser computada como despesa operacional na apuração do lucro real. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-A. A partir do exercício de 2010, ano-calendário de 2009, a pessoa física poderá optar pela doação de que trata o inciso II do caput do art. 260 diretamente em sua Declaração de Ajuste Anual. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 1o A doação de que trata o caput poderá ser deduzida até os seguintes percentuais aplicados sobre o imposto apurado na declaração: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - (VETADO); (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) III - 3% (três por cento) a partir do exercício de 2012. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 2o A dedução de que trata o caput: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - está sujeita ao limite de 6% (seis por cento) do imposto sobre a renda apurado na declaração de que trata o inciso II do caput do art. 260; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - não se aplica à pessoa física que: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) a) utilizar o desconto simplificado; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) b) apresentar declaração em formulário; ou (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) c) entregar a declaração fora do prazo; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) III - só se aplica às doações em espécie; e (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) IV - não exclui ou reduz outros benefícios ou deduções em vigor. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 3o O pagamento da doação deve ser efetuado até a data de vencimento da primeira quota ou quota única do imposto, observadas instruções específicas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 4o O não pagamento da doação no prazo estabelecido no § 3o implica a glosa definitiva desta parcela de dedução, ficando a pessoa física obrigada ao recolhimento da diferença de imposto devido apurado na Declaração de Ajuste Anual com os acréscimos legais previstos na legislação. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 5o A pessoa física poderá deduzir do imposto apurado na Declaração de Ajuste Anual as doações feitas, no respectivo ano-calendário, aos fundos controlados pelos Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente municipais, distrital, estaduais e nacional concomitantemente com a opção de que trata o caput, respeitado o limite previsto no inciso II do art. 260. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-B. A doação de que trata o inciso I do art. 260 poderá ser deduzida: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - do imposto devido no trimestre, para as pessoas jurídicas que apuram o imposto trimestralmente; e (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - do imposto devido mensalmente e no ajuste anual, para as pessoas jurídicas que apuram o imposto anualmente. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Parágrafo único. A doação deverá ser efetuada dentro do período a que se refere a apuração do imposto. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-C. As doações de que trata o art. 260 desta Lei podem ser efetuadas em espécie ou em bens. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Parágrafo único. As doações efetuadas em espécie devem ser depositadas em conta específica, em instituição financeira pública, vinculadas aos respectivos fundos de que trata o art. 260. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-D. Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais devem emitir recibo em favor do doador, assinado por pessoa competente e pelo presidente do Conselho correspondente, especificando: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - número de ordem; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - nome, Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e endereço do emitente; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) III - nome, CNPJ ou Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) do doador; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) IV - data da doação e valor efetivamente recebido; e (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) V - ano-calendário a que se refere a doação. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 1o O comprovante de que trata o caput deste artigo pode ser emitido anualmente, desde que discrimine os valores doados mês a mês. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) § 2o No caso de doação em bens, o comprovante deve conter a identificação dos bens, mediante descrição em campo próprio ou em relação anexa ao comprovante, informando também se houve avaliação, o nome, CPF ou CNPJ e endereço dos avaliadores. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-E. Na hipótese da doação em bens, o doador deverá: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - comprovar a propriedade dos bens, mediante documentação hábil; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - baixar os bens doados na declaração de bens e direitos, quando se tratar de pessoa física, e na escrituração, no caso de pessoa jurídica; e (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) III - considerar como valor dos bens doados: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) a) para as pessoas físicas, o valor constante da última declaração do imposto de renda, desde que não exceda o valor de mercado; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) b) para as pessoas jurídicas, o valor contábil dos bens. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Parágrafo único. O preço obtido em caso de leilão não será considerado na determinação do valor dos bens doados, exceto se o leilão for determinado por autoridade judiciária. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-F. Os documentos a que se referem os arts. 260-D e 260-E devem ser mantidos pelo contribuinte por um prazo de 5 (cinco) anos para fins de comprovação da dedução perante a Receita Federal do Brasil. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-G. Os órgãos responsáveis pela administração das contas dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais devem: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) I - manter conta bancária específica destinada exclusivamente a gerir os recursos do Fundo; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - manter controle das doações recebidas; e (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) III - informar anualmente à Secretaria da Receita Federal do Brasil as doações recebidas mês a mês, identificando os seguintes dados por doador: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) a) nome, CNPJ ou CPF; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) b) valor doado, especificando se a doação foi em espécie ou em bens. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-H. Em caso de descumprimento das obrigações previstas no art. 260-G, a Secretaria da Receita Federal do Brasil dará conhecimento do fato ao Ministério Público. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-I. Os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais divulgarão amplamente à comunidade: (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012)(Vide) I - o calendário de suas reuniões; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) II - as ações prioritárias para aplicação das políticas de atendimento à criança e ao adolescente; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) III - os requisitos para a apresentação de projetos a serem beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital ou municipais; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) IV - a relação dos projetos aprovados em cada ano-calendário e o valor dos recursos previstos para implementação das ações, por projeto; (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) V - o total dos recursos recebidos e a respectiva destinação, por projeto atendido, inclusive com cadastramento na base de dados do Sistema de Informações sobre a Infância e a Adolescência; e (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) VI - a avaliação dos resultados dos projetos beneficiados com recursos dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, estaduais, distrital e municipais. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-J. O Ministério Público determinará, em cada Comarca, a forma de fiscalização da aplicação dos incentivos fiscais referidos no art. 260 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Parágrafo único. O descumprimento do disposto nos arts. 260-G e 260-I sujeitará os infratores a responder por ação judicial proposta pelo Ministério Público, que poderá atuar de ofício, a requerimento ou representação de qualquer cidadão. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-K. A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) encaminhará à Secretaria da Receita Federal do Brasil, até 31 de outubro de cada ano, arquivo eletrônico contendo a relação atualizada dos Fundos dos Direitos da Criança e do Adolescente nacional, distrital, estaduais e municipais, com a indicação dos respectivos números de inscrição no CNPJ e das contas bancárias específicas mantidas em instituições financeiras públicas, destinadas exclusivamente a gerir os recursos dos Fundos. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 260-L. A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá as instruções necessárias à aplicação do disposto nos arts. 260 a 260-K. (Incluído pela Lei nº 12.594, de 2012) (Vide) Art. 261. A falta dos conselhos municipais dos direitos da criança e do adolescente, os registros, inscrições e alterações a que se referem os arts. 90, parágrafo único, e 91 desta Lei serão efetuados perante a autoridade judiciária da comarca a que pertencer a entidade. Parágrafo único. A União fica autorizada a repassar aos estados e municípios, e os estados aos municípios, os recursos referentes aos programas e atividades previstos nesta Lei, tão logo estejam criados os conselhos dos direitos da criança e do adolescente nos seus respectivos níveis. Art. 262. Enquanto não instalados os Conselhos Tutelares, as atribuições a eles conferidas serão exercidas pela autoridade judiciária. Art. 263. O Decreto-Lei n.º 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal), passa a vigorar com as seguintes alterações: 1) Art. 121 ............................................................ § 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de um terço, se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as conseqüências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de catorze anos. 2) Art. 129 ............................................................... § 7º Aumenta-se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, § 4º. § 8º Aplica-se à lesão culposa o disposto no § 5º do art. 121. 3) Art. 136................................................................. § 3º Aumenta-se a pena de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de catorze anos. 4) Art. 213 .................................................................. Parágrafo único. Se a ofendida é menor de catorze anos: Pena - reclusão de quatro a dez anos. 5) Art. 214................................................................... Parágrafo único. Se o ofendido é menor de catorze anos: Pena - reclusão de três a nove anos.» Art. 264. O art. 102 da Lei n.º 6.015, de 31 de dezembro de 1973, fica acrescido do seguinte item: "Art. 102 .................................................................... 6º) a perda e a suspensão do pátrio poder. " Art. 265. A Imprensa Nacional e demais gráficas da União, da administração direta ou indireta, inclusive fundações instituídas e mantidas pelo poder público federal promoverão edição popular do texto integral deste Estatuto, que será posto à disposição das escolas e das entidades de atendimento e de defesa dos direitos da criança e do adolescente. Art. 266. Esta Lei entra em vigor noventa dias após sua publicação. Parágrafo único. Durante o período de vacância deverão ser promovidas atividades e campanhas de divulgação e esclarecimentos acerca do disposto nesta Lei. Art. 267. Revogam-se as Leis n.º 4.513, de 1964, e 6.697, de 10 de outubro de 1979 (Código de Menores), e as demais disposições em contrário. Brasília, 13 de julho de 1990; 169º da Independência e 102º da República. FERNANDO COLLOR Bernardo Cabral Carlos Chiarelli Antônio Magri Margarida Procópio Este texto não substitui o publicado no DOU 16.7.1990 e retificado em 27.9.1990 * Para iniciar uma pesquisa é preciso determinar um caminho(registrado para futuras consultas). Estamos o tempo todo construindo e reconstruindo algumas noções. Lidamos todo tempo com todos os tipos(níveis-Empírico/senso comum/experiências vivenciadas, científico, filosófico e teológico) de conhecimento. Método científico exige que cada área do saber tenha seu instrumento específico. Cada área tem suas especificidades. Não adianta fazer pesquisa com instrumentos inadequados. O instrumento de pesquisa é importantíssimo. A pesquisa necessita de embasamento, de etapas. Ter o olhar crítico, agudo. Quais os autores serão utilizados para nossa base.http://pos.estacio.webaula.com.br/Recursos/CaixaMensagem/imagens/fecha.gif Tipos de pesquisa(não pode ser engessada, pode/deve usar vários tipos) Levantamento: O que estamos encontrando sobre esse assunto? Método=“caminho para se chegar a um fim”. conhecer é um processo que não ocorre de forma imediata. Ao produzirmos conhecimento, mobilizamos nossos sentidos e nossas capacidades intelectuais, processando, de alguma forma, as informações absorvidas. Essas sensações são transformadas por nosso intelecto em ideias, reconstruindo as realidades com as quais lidamos e construindo outras tantas. O conhecimento científico é relativamente recente na história do mundo ocidental. Esse saber tem pouco mais de 400 anos e foi consolidado entre os séculos XVI e XVII, com Galileu Galilei (1564-1642). FILOSOFIA = AMOR À SABEDORIA Tal significado confirma sua vocação: a busca de um saber que transcende os aspectos verificáveis da vida, a partir de uma visão de conjunto. Em geral, cientistas recolhem dados tanto qualitativos quanto quantitativos que contribuem igualmente para o conhecimento aglomerado de determinado tópico. Em outras palavras, os dados quantitativos não são mais importantes ou mais valiosos porque se baseiam em medições precisas. nem todos os achados e as descobertas científicas são generalizáveis, pois há exceções em todos os campos do saber. _____________________________________________________________________________________________ (fazer) Atividade aula 01: Tomando por base o estudo do método científico, descreva as fases da pesquisa presentes no texto Ensino- pesquisa-extensão como fundamentometodológico da construção do conhecimento na universidade. Destaque as seguintes etapas: Problematização; Formulação/verificação das hipóteses; Referencial teórico; Instrumentos da pesquisa; Conclusões. CHAVE DE RESPOSTA: Neste texto, podemos destacar as seguintes fases do método científico: Problematização (p. 1) “Considerando os objetivos deste texto, não avançaremos análises referentes a modelos de educação superior em suas relações com a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, mas acreditamos importante registrar nossa adesão ao modelo que a toma como princípio básico, tanto por suas dimensões ético-políticas quanto por suas dimensões didático-pedagógicas. Neste sentido, sem preterir a importância da primeira dimensão, é sobre a segunda que discorreremos mais acuradamente. Para tanto, primeiramente, versaremos sobre alguns preceitos gerais acerca do ensino superior para, na sequência, focalizar a referida indissociabilidade com um de seus fundamentos metodológicos”. Formulação/verificação das hipóteses (p. 3-4) “Por tais razões, inclusive, a dupla função do ensino superior não pode ser dissociada. Se, por um lado, ele é via de formação profissional, implicando a aprendizagem de um conjunto de conhecimentos e domínios metodológico- técnicos, é, também, via estruturante de recursos afetivo-cognitivos imprescindíveis para que os educandos possam conhecer com o devido rigor, cientificidade e criticidade não apenas as dimensões técnicas de seu futuro exercício profissional como também as condições histórico-sociais nas quais este exercício ocorrerá, dado que reafirma a importância da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão”. Referencial teórico (p. 4-8) Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) de 1996; Phillipe Perrenoud; Vasquez (1968); Duarte (1998); Saviani (1984); Vigevani (2001); Rosemberg (2002); Moraes (2001); Resolução UNESP nº 102/00, que dispõe sobre o Regimento Geral da Extensão Universitária na UNESP; Plano Nacional de Extensão (2000). Instrumentos da pesquisa Pesquisa bibliográfica baseada em literatura da área e na legislação. Conclusões (p. 9-10) Trecho do tópico “Considerações finais”. __________________________________________________________________ aula 02 A escolha do método de investigação diz respeito ao tipo de pesquisa que pretendemos desenvolver. sua adaptação ao assunto pesquisado é de suma importância, pois pode ser uma garantia ou, pelo menos, uma tentativa de manter o rigor científico e alcançar bons resultados. Quem empreende uma pesquisa busca informações relevantes para desenvolver seu trabalho e procura organizá- las de forma cuidadosa e metódica. um dos objetivos da pesquisa é buscar a solução de problemas por meio do método científico. a epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do conhecimento. ao tentar entender o que é ser humano, o pesquisador se dá conta de que há inúmeras possibilidades válidas de compreender e explicar essa construção – ou seja, o modo de ser e de agir do indivíduo. a pesquisa bibliográfica tem como objetivo a investigação de um problema a partir de referências teóricas publicadas em livros, periódicos etc. um estudo de natureza quantitativa preocupa-se, sobretudo, com a quantidade de dados observados, a partir dos quais são elaborados mapas estatísticos que servem de referência para posteriores análises. a abordagem qualitativa tem o objetivo de compreender os fenômenos com base nos contextos de tempo e espaço e nos sujeitos da pesquisa, sem deslocar os fatos da realidade investigada. Aula 03 você deve escolher e delimitar seu tema de estudo, de modo que seja viável e condizente com o tipo de pesquisa que pretende desenvolver. Delimitar o assunto a ser tratado é como colocar uma lente sobre determinado objeto de pesquisa, na tentativa de focalizar os detalhes dentro de um grande campo do saber. há três fases para o amadurecimento de um trabalho científico. Invenção, Pesquisa e Composição do trabalho. o tema de pesquisa pode partir de uma intuição, que vai ganhando corpo e se formalizando com sua delimitação. com a delimitação do tema, a pesquisa estará mais bem direcionada e, provavelmente, terá melhores resultados. Afinal, o pesquisador já sabe qual seu foco de estudo, o que evita desvios desnecessários que podem atrapalhar seu percurso investigativo. Exemplo: Suponhamos que você tenha a intenção de investigar a formação docente para o Ensino Superior. Esse é um ótimo tema de pesquisa, mas muito extenso. Por isso, é necessário que ele seja delimitado, para que você – como pesquisador – possa ajustar sua visão diante de alguns aspectos. Caso não o faça, é provável que você não consiga concluir sua pesquisa. Para ajudá-lo nessa delimitação, é interessante levantar algumas perguntas, tais como: Que aspectos da formação docente você deseja investigar – a formação tradicional, realizada nas instituições formais de ensino, ou a informal, realizada em cursos livres? Que tipo de formação docente é o foco de sua pesquisa – a inicial ou a continuada? Que documentos legais indicam essa formação? O que os professores e os alunos entendem por formação docente para o Ensino Superior? Depois de empreender as etapas anteriores, é fundamental buscar o referencial teórico necessário para desenvolver a investigação com o rigor científico inerente a um trabalho acadêmico de boa qualidade. Os referenciais teóricos são os textos básicos para o tema que você pretende pesquisar: um material que pode ajudar a situar o assunto em um panorama mais geral nesse primeiro momento. Heurística De acordo com Severino (2007, p. 134), trata-se da “ciência, técnica e arte de localização e levantamento de documentos”. Todo trabalho acadêmico-científico deve basear-se em fontes confiáveis! Em suma, o referencial teórico é um elemento fundamental da pesquisa que permite a defesa do ponto de vista do estudo. Por isso, é importante que você escolha autores renomados e trabalhos atualizados que possam embasar com mais propriedade o tema de sua investigação. ao formular um problema de pesquisa, é fundamental apontar, de modo transparente e explícito, o que você planeja resolver, delimitando o campo do saber em que se enquadra seu trabalho e apresentando suas principais características. Filme: O Óleo de Lorenzo Após a questão-problema da pesquisa ser anunciada, é necessário formular os objetivos do estudo e algumas hipóteses que serão confrontadas com os dados colhidos. Os objetivos têm de ser elaborados de maneira direta e compreensível, a fim de que se explicite o que a pesquisa pretende alcançar. Sem objetivos claros e precisos, será difícil analisar e entender os dados da investigação. Já as hipóteses devem garantir a orientação do trabalho. De acordo com Freixo (2010, p. 165), elas constituem: “[...] uma sugestão de resposta para o problema, [...] que assumirá a condição de uma predição e consistirá em uma (ou mais) resposta(s) plausível(is) para o problema que orientará a investigação”. Atividade Proposta: monte, agora, seu próprio trabalho científico! Para isso: Escolha um tema e delimite-o; Elabore um problema para a investigação; Formule uma hipótese para a pesquisa. ___________________________________________________________________________ minha resposta: (publicar no fórum) Informática na 3ª Idade Falta de interesse pela tecnologia/dificuldade em lidar com a informática/tecnologia Como a informática/tecnologia pode ajudar para melhoria de vida das pessoas/idosos? Como a informática melhora a memória e o raciocínio? Praticar os recursos da informática/tecnologia trazendo muitos benefícios para os idosos, como a melhora na coordenação motora, melhora na memória e na capacidade de raciocinar, melhora sua percepção de associação das coisas/problemas/situações. __________________________________________________________________ Aula 04 levantamento bibliográfico, que reúne dados disponíveis sobre o assunto da pesquisa. Essa é uma das principais etapas do trabalho, pois,a partir desse recolhimento inicial, você pode ter ideia de como desenvolver o tema que delimitou para seu estudo. De acordo com Freixo (2010, p. 226): “[...] escolhido o tema, o aluno deve informar-se, tanto quanto possível, sobre o assunto, começando por fazer um balanço dos conhecimentos de que dispõe sobre a temática [...] e, ao mesmo tempo, reunir todo o material que [encontrar] sobre a área onde o estudo se insere [...]”. Após o levantamento bibliográfico, você deve iniciar uma nova etapa em seu trabalho: a leitura desse material, produzindo fichamentos, anotações e observações sobre ele. Por exemplo, se seu objetivo é realizar uma pesquisa documental, tais registros podem servir como resultado de sua investigação. Por meio deles, você lista os pontos que mais lhe chamaram a atenção nos textos selecionados e que, possivelmente, esclarecerão seu objeto de estudo. Mas NÃO confunda pesquisa bibliográfica com pesquisa documental. Fichamentos Anotar, por escrito, os pontos principais do texto ou mesmo de uma exposição oral para reelaborá-los mais adiante. os principais meios para a coleta de dados são: Entrevista, Observação e Questionário. A entrevista é uma técnica de pesquisa que permite uma maior aproximação entre o pesquisador e os sujeitos da pesquisa. É nesse espaço que serão travadas relações de interação com a implicação do entrevistador e do entrevistado. A observação é uma técnica de pesquisa que permite a constatação – ou não – de um fato ou fenômeno, quer se trate de uma observação planejada ou ocasional. As observações não participante e participante fazem o pesquisador entrar em contato com os vários aspectos da realidade e dão a ele a oportunidade de ver e ouvir os fatos, bem como de atentar para os fenômenos na interação dos acontecimentos. Entretanto, para tornar-se produtiva, a observação precisa ser bem planejada e articulada com os aspectos que você quer investigar. Logo, como pesquisador, dê atenção às irregularidades – ou seja, ao inesperado –, pois, em alguns casos, esses desvios são importantes para a pesquisa. O questionário é um conjunto de questões que permitem reunir informações e opiniões dos sujeitos da pesquisa dentro do tema recortado para o estudo. é interessante que, antes de desenvolver a pesquisa, você valide esse instrumento de estudo, realizando um pré- teste dos questionários com um grupo menor de pessoas. Uma das vantagens do uso do questionário como instrumento de pesquisa é a liberdade do respondente: ele pode escrever sua opinião sobre o que é solicitado sem, muitas vezes, precisar se identificar. os questionários permitem a diminuição dos custos da investigação. através dessa ferramenta, você pode obter um bom número de respostas em um curto espaço de tempo e sem a necessidade de vários deslocamentos sucessivos ao local dos respondentes. Atualmente, existem ferramentas virtuais que: Possibilitam a elaboração de questionários online – como o Google Drive, por exemplo; Fazem a tabulação dos dados; Constroem gráficos com resultados. a redação científica tem de seguir certos padrões, normas e regras. O trabalho dever ser escrito em linguagem clara, precisa e lógica, sem dar margem a dúvidas e a interpretações equivocadas. A correção gramatical também é imprescindível à redação. é importante definir os conceitos e dar ao leitor a exata localização de onde se está falando, indicando quais os princípios, as definições e os critérios utilizados em sua pesquisa e sob que ponto de vista eles foram desenvolvidos. é necessário se ancorar em determinados princípios que estejam de acordo com o assunto a ser tratado. evite o verbalismo, a prolixidade, gírias, palavras e expressões vulgares. Opte sempre pela norma culta da língua portuguesa, visando à clareza na leitura de sua pesquisa. Fuja, também, do emprego de expressões taxativas, tais como “afirma-se”, “conclui-se” etc. Em um trabalho científico, é mais adequado utilizar sentenças flexíveis, que trazem, em si, a relatividade da ciência – objeto sempre em posição transitória justamente por sua cientificidade. Veja alguns exemplos: “os resultados sugerem que...”, “os dados parecem apontar para...”. seu texto deve ser objetivo e de fácil leitura. preocupar-se também com o fato da sua escrita ser impessoal. a opção mais comum é o uso da voz passiva ou da terceira pessoa do singular e, em alguns casos, da primeira pessoa do plural. você também pode – e DEVE – fazer citações que possam confirmar ou se contrapor ao ponto de vista defendido em seu estudo. Elas devem ter sempre sua fonte divulgada no corpo do texto e, também, ao final do trabalho, na seção REFERÊNCIAS. Dessa forma, você dá o crédito das ideias a seus devidos autores, sem se apropriar indevidamente dos conceitos do outro. As normas da ABNT também permitem que a referência de uma citação seja indicada por notas de rodapé. Atividade proposta Faça o fichamento do texto Pesquisa em educação: buscando rigor e qualidade (acesso em 01 de fevereiro de 2010) seguindo os passos sugeridos: I. Dados de referência 1. Indique a referência completa do artigo, conforme as normas da ABNT; 2. Identifique a instituição em que foi elaborado e o endereço eletrônico em que foi publicado – se for o caso; 3. Destaque o resumo apresentado pelos autores; II. Compreensão 4. Aponte o objetivo do texto; 5. Evidencie suas partes principais; III. Interpretação 6. Defina, conforme a visão do autor, os conceitos-chave do texto, indicando as páginas em que eles se encontram; 7. Assinale as questões principais apontadas pelo autor; IV. Críticas e observações 8. Determine, de acordo com seu ponto de vista, as questões principais do texto; 9. Informe se sua escrita é lógica ou não; 10. Especifique os aspectos apresentados pelo autor com os quais você concorda e discorda. Modelo de Pesquisa de Projeto Completo ESTRUTURA DE PROJETO DE PESQUISA 1. ELEMENTOS PRÉ-TEXTUAIS Capa Folha de Rosto Sumário 2. ELEMENTOS TEXTUAIS 1. TÍTULO DO PROJETO 2. IDENTIFICAÇÃO Coordenador/Executor: Local de desenvolvimento do projeto: Período de realização: População-alvo: Equipe de trabalho (nomes e cargos): 3. JUSTIFICATIVA: deve primar pela clareza e concisão, redigida em texto sem tópicos. Delimitação: área específica do conhecimento; espaço geográfico de abrangência da pesquisa; período estabelecido para sua realização. Relevância: contribuição do projeto para subsidiar o conhecimento científico já existente e a sociedade de modo geral ou específico. Viabilidade: financeira, material (recursos) e temporal. 4. PROBLEMA: interrogação que o pesquisador faz à realidade, fruto de leitura e/ou observação do que deseja pesquisar. 5. FORMULAÇÃO DE HIPÓTESES: possíveis respostas ao problema da pesquisa e orientam para a busca de outras informações. 6. OBJETIVOS: pretensões com a pesquisa. Gerais: define e esclarece os focos de interesse da pesquisa de maneira ampla. (Geralmente redigido em uma frase, com verbo no infinitivo). Específicos: definem os diferentes pontos a serem abordados, visando confirmar as hipóteses e concretizar o objetivo geral. (verbos no infinitivo: avaliar, analisar, compreender, constatar, demonstrar, descrever, elaborar, estudar, examinar, explicar, identificar, inferir, mensurar, verificar). 7. REVISÃO DE LITERATURA (BIBLIOGRÁFICA): análise de obras científicas recentes que tratem do assunto ou que dêem embasamento teórico e metodológico para o projeto; explicação dos principais conceitos e termos do projeto. Tudo isso demonstra que o pesquisador está atualizado nas últimas discussões no campo de conhecimento em investigação. Observar que a redação desse tópico não deve se constituir em simples resumos ou citações colocados juntos, em seqüência, mas deve ser resultado de reflexão do pesquisador sobre as obras relacionadas. 8. METODOLOGIA: conjunto de métodos e técnicas usados na realização da pesquisa. Há duas abordagens de pesquisa, que podem ser feitas ao mesmo tempo ou separadamente: Qualitativa: aborda o objeto de pesquisa sem apreocupação de enumerar ou medir os dados coletados. Há a obtenção de dados descritivos mediante contato direto e interativo do pesquisador com a situação que é objeto de estudo. O pesquisador procura entender os fenômenos segundo a perspectiva dos participantes da situação estudada e a partir daí vai elaborando sua interpretação dos fenômenos estudados. Quantitativa: realizada para medir ou quantificar dados coletados. Faz uso de técnicas estatísticas. É a dimensão mensurável da realidade. Método: caminho a ser seguido na pesquisa. De acordo com João Álvaro Ruiz em Metodologia científica. Guia para eficiência nos estudos (13. ed. São Paulo: Atlas, 1985, p.131) é “o conjunto de etapas e processos a serem vencidos ordenadamente na investigação dos fatos ou na procura da verdade”. Em uma pesquisa existem métodos de abordagem e métodos de procedimento. Aabordagem: concepções teóricas usadas pelo pesquisador. Ex.: psicanálise, antropologia, fenomenologia, estruturalista. Procedimentos: relaciona-se à maneira específica pela qual o objeto será trabalhado durante o processo de pesquisa. São eles: histórico, estatístico, comparativo, observação, monográfico, econométrico e experimental. Os métodos de pesquisa e sua definição dependem do objeto e do tipo da pesquisa. Os tipos mais comuns de pesquisa são: de campo, bibliográfica (somente com leituras), descritiva, experimental. Os instrumentos mais comuns usados nas pesquisas são questionários, formulários, entrevistas, levantamento documental, observacional (participante ou não participante), estatísticas. Também devem ser indicados na Metodologia as amostragens (população a ser pesquisada), o local, os elementos relevantes, o planejamento do experimento, os materiais a serem utilizados,a análise dos dados, enfim, tudo aquilo que detalhe o trabalho a ser percorrido para concretizar a pesquisa. 9. RESULTADOS ESPERADOS: resultados práticos esperados com a pesquisa (mais solicitado para projetos com financiamento. Nesse caso podem ser exigidos: números e características de publicações (artigos, livros etc.), comunicações em eventos, registro de patentes, exposição, criação ou industrialização de produtos). 10. CRONOGRAMA: estabelecimento de datas (dias, meses, anos) para cada uma das etapas do desenvolvimento da pesquisa, no tempo disponível para sua execução. Geralmente os cronogramas são divididos em meses. Exemplo: DESCRIÇÃO DAS ETAPAS 2002 / 2003 MESES 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 Revisão bibliográfica x x x x x x x Coleta de dados x x x Coleta de amostras x x x x x x Análise das amostras x x x x x x Entrevistas x x Sistematização das das entrevistas x x x x Análise dos dados e elaboração da síntese x x Primeira redação e correção x Entrega do relatório final x O cronograma fica mais fácil de ser visualizado se estiver em uma tabela. O número de etapas do cronograma deve estar de acordo com o que foi proposto no projeto, especialmente na parte da metodologia. 11. ORÇAMENTO: indicação de materiais ou equipamentos necessários para o desenvolvimento da pesquisa, tais como: despesas de custeio (remuneração de serviços pessoais, materiais de consumo, outros serviços de terceiros e encargos), despesa de capital (equipamentos e material permanente). 12. REFERÊNCIA: indicação das obras e outras fontes (documentos, arquivos antigos, sites) usadas para a elaboração do projeto e necessárias à pesquisa. Devem ser indicadas em ordem alfabética e de acordo com as normas técnicas (as normas mais aceitas são as estabelecidas pela ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas). Há diferenças entre referências, referências bibliográficas e bibliografia. Referências: indica as obras que foram citadas no trabalho em questão. Pode indicar diferentes tipos de obras, como livros, periódicos ou documentos, sejam manuscritos, impressos ou em meio eletrônico. Referências bibliográficas: quando o trabalho apresentar somente citações de obras publicadas em papel. Bibliografia: indica todas as leituras feitas pelo pesquisador durante o processo de pesquisa. 13. ELEMENTOS PÓS-TEXTUAIS 13.1. Apêndice: elementos complementares ao projeto que foram elaborados pelo pesquisador. (Ex:: questionários, formulários de pesquisa de campo ou fotografias). Devem ser incluídos somente se extremamente necessários. 13.2. Anexos: também só devem aparecer nos projetos de pesquisa se forem extremamente necessários. São textos de autoria de outra pessoa e não do pesquisador. Por exemplo: mapas, documentos originais, fotografias tiradas por outra pessoa que não o pesquisador. Algumas referências usadas na elaboração desse roteiro de projeto http://www.univille.br/arquivos/2340_LV_Guiaprojeto_2006digital.pdf. Guia para elaboração de projetos de pesquisa. Universidade da Região de Joinville. Acesso em 31/05/2007 http://www.ead.fea.usp.br/cad-pesq/arquivos/C03-art06.pdf - Pesquisa qualitativa: características, usos e possibilidades. José Luis Neves/ FEA/USP. Acesso em 31/05/2007 http://www.comitepaz.org.br/download//PESQUISA%20QUALITATIVA.pdf. Fernando A C Bignardi. Reflexões sobre a Pesquisa Qualitativa & Quantitativa: maneiras complementares de apreender a Realidade. Acesso em 08/05/2007. Algumas referências bibliográficas para pesquisadores: ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith; GEWANDSZNAJDER. O método nas ciências naturais e sociais. Pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo:Pioneira, 1998. ANDRADE, Maria Margarida. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na graduação. São Paulo: Atlas, 1993. CERVO, Amado L.; BERVIAN, P. A metodologia científica. 3. ed. São Paulo: McGraw-Hill, 1983. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 1985. SANTOS, Antonio Raimundo dos. Metodologia científica: a construção do conhecimento. 3. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2000. TRIVIÑOS, Augusto N. S. Introdução à pesquisa em ciências sociais: a pesquisa qualitativa em educação. São Paulo: Atlas, 1987. VISUALIZAÇÃO DOS ELEMENTOS DO PROJETO DE PESQUISA Fonte: Universidade da Região de Joinville/SC 304-P02 A B R I L 1 6 , 2 0 0 2 ________________________________________________________________________________________________________________ Caso LACC # 304-P02 é a versão traduzida para Português do caso # 9-376-241 da HBS. Os casos da HBS são desenvolvidos somente como base para discussões em classe. Casos não devem servir como aprovação, fonte primária de dados ou informação, ou como ilustração de um gerenciamento eficaz ou ineficaz. Copyright 2006 President and Fellows of Harvard College. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, armazenada em um sistema de dados, usada em uma tabela de dados, ou transmitida de qualquer forma ou por qualquer meio - eletrônico, mecânico, fotocopiada, gravada, ou qualquer outra - sem a permissão da Harvard Business School. J O H N S . H A M M O N D Aprendizado pelo Método de Casos O método de casos é não somente a maneira mais prática e apropriada para o aprendizado de habilidades gerenciais, mas é também divertido e estimulante. Porém, também pode ser muito confuso se você não conhecê-lo bem. Esta síntese foi planejada com o intuito de eliminar a confusão, explicando como o método de casos funciona e sugerindo maneiras pelas quais você pode absorver o máximo dele. Resumidamente, o método de casos traz à discussão situações da vida real vivenciadas pelos executivos. Os autores dos casos, como bons repórteres, descrevemestas situações para propiciar ao aluno as mesmas informações disponíveis aos executivos envolvidos. Por meio do exame dos casos, você se colocará no lugar dos administradores, analisará a questão, proporá decisões, e virá para a aula preparada para apresentar e sustentar seus argumentos. Como os Casos Ajudam o Aprendizado Os casos ajudarão a aprimorar suas habilidades analíticas, pois você poderá produzir argumentos quantitativos e qualitativos para sustentar suas recomendações. Em discussões de casos, os instrutores desafiarão você e seus colegas de classe a defender seus argumentos e análises. Você irá aprimorar tanto a sua capacidade de solucionar problemas quanto a habilidade de pensar e raciocinar com rigor. Como os estudos de casos abrangem diferentes organizações e situações, eles proporcionarão contatos com situações reais muito maiores do que aquela que provavelmente você vivenciaria no seu dia-a-dia. Eles também propiciam uma acumulação de conhecimento em várias disciplinas relacionadas à administração, por meio do contato seletivo e intensivo com os problemas de cada área. Você irá rapidamente perceber que os problemas com os quais se depara não são específicos de sua organização ou de seu setor. Dessa forma, você desenvolverá uma abordagem mais profissional da administração. Nas discussões em classe, os participantes demonstram sua perícia, experiência, observações, análises e regras práticas. A contribuição de cada participante da aula para a identificação dos problemas centrais de um caso, analisando-os e propondo soluções, é tão importante quanto o próprio conteúdo do caso. As lições de cada experiência são testadas na medida em que os diferentes participantes apresentam e defendem suas análises, resultado de diferentes experiências e atitudes adquiridas no exercício de diferentes funções. Você e seus colegas de classe irão divergir This document is authorized for use only in 2014-03-12 by ESTACIO_SC1 at Estacio de Sa University from March 2014 to September 2014. 304-P02 Método de Aprendizado por Casos 2 significativamente sobre o que é mais importante e como lidar com os problemas comuns, interdependências, necessidades organizacionais e o impacto de decisões de um setor de uma organização sobre os outros setores. Talvez o maior benefício da utilização dos casos é o fato de que eles auxiliam os administradores a aprender como determinar qual é o problema real e a fazer as perguntas certas. Certa vez, um competente executivo observou: “Noventa por cento da tarefa de um administrador de alto nível consiste em elaborar perguntas úteis. As respostas são relativamente fáceis de encontrar, mas formular boas perguntas é a habilidade mais crucial”. As perguntas para a discussão de cada caso são sugeridas exatamente para ajudá-lo a focalizar certos aspectos do caso. Ao apresentá-las, os instrutores não estão antecipando a sua tarefa de identificar os problemas do caso, pois você ainda deverá se perguntar: “Quais são realmente os problemas que este administrador tem de solucionar?” Em situações da vida real, com muita freqüência, administradores lidam com fatos e números sem que os problemas tenham sido especificamente definidos. Uma última vantagem que os instrutores buscam é revigorar o sentido de diversão e empolgação inerentes à função do administrador. Você irá compreender, mais uma vez, que ser um administrador é um grande desafio — tanto intelectual, como político e social. Como Preparar um Caso O uso do método de aprendizado por meio de casos exige que, em primeiro lugar, você trabalhe individualmente, lendo e pensando cuidadosamente sobre cada caso (em média, aproximadamente duas horas de tempo de estudo são reservadas para cada caso). Não há um procedimento uniforme que funcione para todos. No entanto, apresentamos aqui algumas instruções gerais que podem ser adaptadas para criar um método que funcione melhor para você. 1. Leia os primeiros parágrafos, depois leia o caso até o final quase tão rapidamente quanto se estivesse folheando as páginas, perguntando a si mesmo: “De que trata, em linhas gerais, este caso e que tipo de informação eu estou recebendo para analisar?” 2. Leia o caso com muita atenção, sublinhando as questões principais e escrevendo notas à margem do texto. Em seguida, pergunte a si próprio: “Quais são os problemas básicos que estes administradores precisam solucionar?” Empenhe-se em se colocar no lugar dos administradores descritos no caso. Faça com que os problemas deles sejam os seus problemas. 3. Anote os problemas ou assuntos principais num papel de rascunho. Após isso, releia todo o caso novamente. 4. Separe as reflexões pertinentes para cada problema específico. 5. Faça as análises quantitativas e qualitativas apropriadas. 6. Desenvolva um conjunto de recomendações, apoiado pelas suas análises dos dados presentes no caso. Até aqui, os melhores resultados virão de seu esforço individual. No entanto, se tiver tempo antes da aula, será útil participar de discussões informais com alguns de seus colegas sobre as questões apresentadas no caso. Isso pode ser feito nas horas livres, durante os intervalos para refeições ou em reuniões informais. Na verdade, algumas pessoas gostam de formar grupos para promover tais discussões. (Grupos de discussão são suficientemente importantes para se tornarem atividades obrigatórias em muitos programas de formação de executivos). O propósito dessas discussões não é This document is authorized for use only in 2014-03-12 by ESTACIO_SC1 at Estacio de Sa University from March 2014 to September 2014. Método de Aprendizado por Casos 304-P02 3 chegar a um consenso ou a uma posição “do grupo”; o objetivo é auxiliar cada membro a apurar, ajustar e ampliar seu próprio raciocínio. Para maximizar o seu benefício deste processo em grupo é muito importante não pular e dar a atenção devida à preparação antecipada. Se você percorrer o caminho mais fácil, e só se familiarizar com os fatos deixando a preparação para a discussão em grupos, você deixará de desfrutar da oportunidade de praticar as habilidades que você desejava adquirir ao se matricular no programa. O que Acontece na Aula Na aula, de modo geral, seu instrutor permitirá que os membros discutam quaisquer aspectos que desejarem sobre o caso. A tarefa do instrutor é facilitar a discussão, propor questões, estimular e instigar o raciocínio das pessoas, atuar como o “advogado do diabo” e destacar os aspectos importantes. Disso resultará um debate e uma discussão saudáveis. Você tirará o máximo proveito se participar deles ativamente. Em algumas ocasiões, os instrutores apresentarão outros arcabouços conceituais e o incentivará a utilizá-los para organizar seus pensamentos e criar novas formas de compreensão. Em outros momentos, eles irão sistematizar a discussão ou apresentar situações correlatas de outras empresas. Eles irão manter o foco e fazer avançar a discussão. Para tanto, é habitual que organizem previamente o debate no quadro-negro. Embora os instrutores possam sugerir argumentos favoráveis ou contrários a uma questão específica, só eventualmente apresentarão seus próprios pontos de vista. Sua tarefa não é ajudar a classe a atingir um consenso; na verdade, o processo de análise é freqüentemente muito mais importante do que as conclusões. Próximo ao término da aula, os instrutores sistematizarão as discussões e destacarão as lições e observações mais proveitosas, introduzidas pela situação apresentada e que emergiram da discussão do caso. Uma questão típica ao final de uma discussão é: “Qual é a resposta?” O método de aprendizado através de casos não proporciona a resposta. Em vez disso, os vários participantes da discussão terão desenvolvido e sustentado diversas “respostas” viáveis. A atividade empresarial não é, ao menos não ainda, uma ciência exata. Não se pode provar a existência de uma única resposta correta para um problema empresarial. Paraum aluno ou executivo, não há a possibilidade de conferir a “resposta certa” no fim do livro. Em cada questão relacionada à administração, há sempre a possibilidade de que a melhor solução ainda não tenha sido encontrada — nem mesmo pelos professores. 1 Algumas vezes, quando os instrutores conhecem a solução do caso, podem compartilhá-la ao final da discussão. Mesmo sendo fascinante aprender como as coisas aconteceram na prática, a solução também não é a resposta. É simplesmente mais uma resposta, que você pode considerar melhor ou pior que a sua. O importante é que você saiba o que faria em situações semelhantes e, principalmente, por que faria, e que sua habilidade em desenvolver tais conclusões foi aperfeiçoada. Não é possível, somente por meio da leitura de livros ou do comparecimento a palestras, adquirir mais discernimento e habilidade gerencial, assim como não é lendo um livro sobre natação que você se torna um grande nadador. Se o conhecimento adquirido dos livros e palestras pode ser valioso, os benefícios reais provêm da prática em analisar situações reais de administração. 1 Charles I. Gragg, Because Wisdom Can�t Be Told, Caso HBS No. 9-451-005. This document is authorized for use only in 2014-03-12 by ESTACIO_SC1 at Estacio de Sa University from March 2014 to September 2014. 304-P02 Método de Aprendizado por Casos 4 Como Beneficiar-se ao Máximo do Processo Há uma série de procedimentos que podem auxiliá-lo a extrair o máximo benefício do método: 1. Prepare-se. A preparação individual e exaustiva de cada caso não é apenas uma experiência de aprendizado, mas também a base para uma participação ativa na discussão do caso. 2. Discuta o caso com outras pessoas previamente. Como já mencionado, isso irá aperfeiçoar seu raciocínio. Contudo, você estará enganando a si mesmo se não se preparar exaustivamente antes de tais discussões. 3. Participe. Em aula, expresse ativamente seus pontos de vista e desafie os colegas. Aprender conversando pode parecer contraditório em relação ao aprendizado em outras situações. Na sua vida escolar, você deve ter sido obrigado a permanecer em silêncio e ouvir os outros, especialmente os instrutores. Nas discussões de caso, quando você expressa suas opiniões, se compromete a permanecer envolvido e a ouvir os outros. Isso é exatamente o mesmo que apostar numa corrida; sua aposta é um compromisso que o mantém envolvido na disputa. Debater obriga-o a decidir: você não pode se eximir da responsabilidade. 4. Compartilhe sua experiência. Durante as aulas, se você conhecer uma experiência relacionada ao tema em questão, que enriqueça a discussão, narre o fato. Experiências práticas aprimoram a pertinência do assunto. 5. Relacione sempre o tema da discussão às suas atividades, mesmo que a relação possa aparecer distante à primeira vista. Não se importe com uma possível falta de conexão. Você pode aprender muito sobre marketing de seguros estudando um caso sobre marketing de lâminas de barbear e vice-versa. A questão não é se elas se relacionam, mas como se relacionam. 6. Aplique seu aprendizado às situações de sua vida profissional, passada e futura, isso a aperfeiçoará muito. Ainda melhor é selecionar uma situação que você sabe que terá de enfrentar no futuro e utilizar algumas boas idéias de forma original. Por exemplo, como posso fazer meu negócio prosperar? Tome notas de cada boa idéia surgida no processo. Tais idéias não somente aperfeiçoarão os resultados, como permanecerão em sua mente para sempre, porque elas foram assimiladas no contexto de algo que era importante para você. 7. Repare no que lhe chama a atenção. Pessoas com experiências, habilidades e estilos diferentes tomarão diferentes atitudes diante das discussões. As anotações que você fizer serão naturalmente diferentes das de seus colegas. 8. Combine pontos de vista. Utilize as discussões como oportunidade para descobrir pessoas instigantes, com diferentes opiniões. Procure encontrá-las fora das aulas para continuar seu aprendizado. 9. Tente entender melhor e aperfeiçoar seu estilo de administrar. Ao ouvir tantas outras abordagens sobre uma dada situação você estará exposto a muitos estilos e, por meio disso, compreenderá o seu próprio estilo. Esta compreensão o colocará numa melhor posição para aperfeiçoá-lo. Discussões e controvérsias rigorosas e responsáveis farão você aprender melhor. Cada participante da aula – além do instrutor – assumirá o compromisso de ser responsável por preparar o caso e pela contribuição com idéias para o debate. As retribuições para essas responsabilidades são experiências educacionais altamente empolgantes e orientadas para a prática, que expõem um vasto conjunto de temas e pontos de vista. This document is authorized for use only in 2014-03-12 by ESTACIO_SC1 at Estacio de Sa University from March 2014 to September 2014. ENSINO–PESQUISA-EXTENSÃO COMO FUNDAMENTO METODOLÓGICO DA CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO NA UNIVERSIDADE Lígia Márcia Martins1 Unesp - Universidade Estadual Paulista Apresentação Ensino - Pesquisa - Extensão apresentam-se, no âmbito das universidades públicas brasileiras, como uma de suas maiores virtudes e expressão de compromisso social. O exercício de tais funções é requerido como dado de excelência no ensino superior, fundamentalmente voltado para a formação profissional à luz da apropriação e produção do conhecimento científico; não obstante algumas idéias defensoras da flexibilização da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão terem se anunciado com relativo destaque pós- L.D.B/96, tendo em vista que, ao dispor sobre a Educação Superior em seu capítulo IV, a referida lei omitiu este princípio, não podemos perder de vista que as universidades continuam imbuídas dessas funções. Considerando os objetivos deste texto, não avançaremos análises referentes a modelos de educação superior em suas relações com a indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão, mas acreditamos importante registrar nossa adesão ao modelo que a toma como princípio básico, tanto por suas dimensões ético-políticas quanto por suas dimensões didático- pedagógicas. Neste sentido, sem preterir a importância da primeira dimensão, é sobre a segunda que discorreremos mais acuradamente. Para tanto, primeiramente versaremos sobre alguns preceitos gerais acerca do ensino superior para, na seqüência, focalizar a referida indissociabilidade com um de seus fundamentos metodológicos. À guisa de introdução Consideramos que a educação é uma das condições fundamentais pelas quais os indivíduos desenvolvem suas capacidades ontológicas essenciais e assim sendo, a função 1 Professora do Departamento de Psicologia da Faculdade de Ciências. UNESP, campus de Bauru. Doutora em Educação pela UNESP. Email: ligiamar@fc.unesp.br. 2 básica do processo educativo é a humanização plena, no sentido da consolidação dessas propriedades. Dentre elas, destaca-se a capacidade de projetar (dimensão teleológica) e implementar operacionalmente o projeto, dado distintivo da atividade especificamente humana das demais formas vivas de atividade. Toda ação verdadeiramente humana pressupõe a consciência de uma finalidade que precede a transformação concreta da realidade natural ou social. Deste modo a atividade vital humana é ação material, consciente e objetiva, ou seja: é práxis. A práxis compreende a dimensão autocriativa do homem, manifestando-se tanto em sua ação objetiva sobre a realidade quanto na construção de sua própria subjetividade. A título apenas de esclarecimento geral, cumpre-nos apontar que a subjetividade humana (já superadas as concepções essencialistas, metafísicas e a-históricas) é um sistema de sentidos construído afetiva e emocionalmente nas experiências de vida. Assim, nada existe que não seja um espaço formadorde sentidos e, conseqüentemente, de subjetividade. Todos os contextos experienciais, por sua vez, são construídos pelo trabalho dos homens, que como práxis encerram uma tríplice orientação: o que fazer; para que fazer e como fazer. É por esta via que o homem pode transformar a matéria em idéia e a idéia em nova matéria.Tais afirmações permitem-nos deduzir que o desenvolvimento das capacidades ontológicas essenciais requer a construção e consolidação das propriedades, dos atributos humanos imprescindíveis à práxis. Ocorre porem que, no modelo de organização social vigente impera, dentre outras cisões, a ruptura entre trabalho intelectual e trabalho manua l. Fazer referência a esta ruptura pode parecer à primeira vista, algo um tanto fora de moda. Entretanto, em debates bastante atuais sobre a Reforma Universitária vimos em cena uma decorrência desta ruptura, ao aventar-se uma suposta necessidade de criação de alternativas para o modelo de ensino superior fundado no tripé ensino-pesquisa-extensão. Para tanto, urgiria a necessidade de distinção entre universidade de ensino (centros universitários!) e universidade de ensino- pesquisa-extensão. As primeiras destinadas à preparação de profissionais e técnicos executores do conhecimento e as segundas, à formação das elites “pensantes”, aptas para a produção científica e tecnológica. Portanto, a afirmação da indissociabilidade entre ensino-pesquisa-extensão remete-nos ao modelo de universidade e objetivos do ensino superior que defendemos. Concordamos com Severino (2002, p. 11) ao afirmar: (...) numa sociedade organizada, espera-se que a educação, como prática institucionalizada, contribua para a integração dos homens no tríplice 3 universo das práticas que tecem sua existência histórica concreta: no universo do trabalho, âmbito da produção material e das relações econômicas; no universo da sociabilidade, âmbito das relações políticas, e no universo da cultura simbólica, âmbito da consciência pessoal, da subjetividade e das relações intencionais. Educar para as três esferas acima referidas nas quais, em última instância, é construída a existência de todos os indivíduos, implica ter-se o desenvolvimento do sujeito práxico como objetivo educacional. Nesta mesma orientação de pensamento, Saviani (2004), apelando por políticas educaciona is que assegurem ensino superior de qualidade e para todos, aponta o quanto, em estreita relação com a política econômica, a política educacional nos países em desenvolvimento sofre influências de agências internacionais que perpetuam estes países em condições de dependência não apenas econômica, mas também científica e tecnológica. (...) delineando-se uma distribuição de papéis em que se reserva para os países centrais o conhecimento de ponta e o desenvolvimento científico- tecnológico de longo alcance, relegando aos demais países a absorção da ciência e tecnologia, produzidas fora, e o preparo de técnicos limitados a manipular resultados (p. 35). As citações acima referidas, externando o pensamento de educadores profundamente implicados com a educação brasileira, permitem-nos reafirmar o caráter práxico da educação (em especial, superior) posto que ela, mais do que se refletir na formação dos indivíduos particulares,revela-se fator estratégico de desenvolvimento social. Não obstante sua juventude, se comparadas a algumas universidades norte-americanas e européias, as universidades públicas brasileiras, enfrentando inúmeros desafios, têm desempenhado ativamente suas funções aliando ensino, atividades criadoras e engajamento social. Responsabilizam-se, hoje, por mais de 90% (noventa por cento) da produção da ciência no país, operando decisivamente na construção de sua identidade cultural, científica e tecnológica. Por sua grande importância, tal como acontece nos países culturalmente avançados, as universidades; mas especificamente, as atividades nelas realizadas; precisam ser freqüentemente analisadas tendo em vista a compreensão das transformações sociais (quais são as transformações em pauta, quais as suas causas e formas de expressão, a serviço do que, se colocam etc.) e das suas possíveis influências sobre tais transformações. No âmbito dessas influências a pesquisa, indiscutivelmente, tem sido base de legitimação da excelência universitária. Porém, consideramos que essa constatação não pode preterir que um dos fundamentos da pesquisa é o ensino de qualidade. Por tais razões inclusive, a dupla função do ensino superior não pode ser dissociada. Se por um lado ele é via de formação profissional, implicando a aprendizagem de um conjunto 4 de conhecimentos e domínios metodológico-técnicos é também, via estruturante de recursos afetivo-cognitivos imprescindíve is para que os educandos possam conhecer com o devido rigor, cientificidade e criticidade não apenas as dimensões técnicas de seu futuro exercício profissional como também as condições histórico-sociais nas quais este exercício ocorrerá, dado que reafirma a importância da indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão. A indissociabilidade ensino-pesquisa-extensão como um dos fundamentos metodológicos do ensino superior Nas duas últimas décadas, especialmente após a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases Nacionais – L.D.B. em 1996, acompanhamos entre os educadores um forte sentido de urgência na revisão dos processos de ensino-aprendizagem. Conclama-se que as aprendizagens associem-se cada vez mais às ações dos alunos a partir da e sobre a realidade, tanto experiencial cotidiana quanto referente ao futuro exercício profissional. Instala-se uma relação de condicionabilidade da construção de conhecimentos ao meio, determinante para a construção de competências. O pedagogo Phillipe Perrenoud, principal referência na disseminação desta noção no ideário pedagógico brasileiro, anuncia a competência como uma qualidade desenvolvida no indivíduo por meio daquilo que ele faz. Sua construção vincula-se, portanto, à prática social. O eixo estruturante desse processo formativo se define na articulação indivíduo-situação. A construção de competências tornou- se objetivo nuclear nas reformulações curriculares dos cursos de graduação, identificados fortemente com a referida construção. Entendemos, porém, que os modelos pedagógicos que apregoam essa identificação merecem especial atenção. À luz de uma análise imediata dos mesmos pode-se depreender que eles encerram as condições ideais para a almejada indissociabilidade ensino-pesquisa- extensão. Entretanto, acreditamos que para tanto, primeiramente, há a necessidade de uma revisão das concepções valorativas sobre o ensino, a pesquisa e a extensão. Consideramos que um dos maiores entraves para a concretização desta indissociabilidade resida na visão dicotômica, taylorista, dos processos nela envolvidos, pela qual ensino, pesquisa e extensão convertem-se em atividades em si mesmas, dotadas inclusive, de distintos status acadêmicos. Enquanto não for afirmada teórica e praticamente a organicidade desses processos como fundamento metodológico do ensino superior, pouco avançaremos na direção de reais transformações neste nível educacional. 5 Esta organicidade pressupõe a formação superior como síntese de três grandes processos, quais sejam: processos de transmissão e apropriação do saber historicamente sistematizado, a pressupor o ensino ; processos de construção do saber, a pressupor a pesquisa e os processos de objetivação ou materialização desses conhecimentos, a pressupor a intervenção sobre a realidade e que, por sua vez, retornam numa dinâmica de retro- alimentação do ensino e da pesquisa. Pelos processos de transmissão e apropriação do conhecimento coloca-se o formando em relação com o produto da ciência, com as teorias e tecnologias historicamente elaboradas. Nesses processos, o professor desempenha o papel