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Motilidade do trato gastrointestinal- Letícia Moreira Dantas

Material sobre motilidade do trato gastrointestinal: aborda eletrofisiologia (ondas lentas/REB, células intersticiais de Cajal), contrações fásicas e tônicas, mecanismo de contração do músculo liso (cálcio/calmodulina), movimentos propulsivos e de mistura, regulação nervosa, mastigação, deglutição e esfíncteres.

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MOTILIDADE DO TRATO GASTROINTESTINAL
⇒A motilidade refere-se à contração e ao
relaxamento das paredes dos esfíncteres
do trato gastrointestinal;
⇒É devido à motilidade intestinal que o
alimento consegue ser propelido da boca
em direção ao ânus;
⇒Os movimentos do trato gastrointestinal
envolvem impulsos elétricos, ondas
lentas (são potenciais de membrana
que oscilam, mas não atingem o limiar
de excitabilidade, não promovendo
contração)-> a frequência dessas ondas
lentas é fundamental para determinar o
ritmo do peristaltismo e é diferente nos
diferentes órgãos;
⇒Quando existe estímulo (chegada de
alimento)-> essa onda lenta sofre uma
alteração, atinge o limiar de excitabilidade
e a contração começa a acontecer;
⇒O músculo liso, por si só, não
consegue gerar essa oscilação->ou
seja, não é o músculo liso que gera essa
onda lenta;
⇒Quem gera essa onda lenta são as
células intersticiais de Cajal (promovem
oscilações de íons no ambiente
intersticial, impactando no funcionamento
do músculo liso);
-Função: triturar, misturar e fragmentar ao
alimento ingerido, além de propeli-lo ao
longo do trato gastrointestinal;
-Os movimentos do trato gastrointestinal
são propulsivos;
-As células do músculo liso do trato
gastrointestinal estão eletricamente
acopladas- junções GAP;
-Importante saber que se uma pessoa
tiver uma mutação nas junções do tipo
GAP, por exemplo, ela vai apresentar uma
redução nas trocas iônicas, redução da
eficiência do perfil contrátil-> redução
na velocidade de propulsão do
alimento e dificuldade na digestão
mecânica.
-As contrações do músculo liso podem
ser:
⟹Fásicas: São contrações periódicas,
seguidas de relaxamento e resultam na
mistura e propulsão do alimento (esôfago,
antro gástrico e intestino delgado);
⟹Tônicas: contrações constantes
(região oral do estômago e nos
esfíncteres esofágico inferior, ileocecal e
anal interno.
ELETROFISIOLOGIA DO TRATO
GASTROINTESTINAL:
-As células musculares têm o potencial
de membrana estável-> não
conseguindo gerar ondas lentas;
-Já o potencial de membrana das
células intersticiais é instável;
-Essas ondas lentas (também conhecidas
como Ritmo Elétrico Básico- REB) têm
frequências diferentes em cada órgão,
como já vimos;
-Potencial de repouso: -40 a - 70 mV;
1
-O Ritmo elétrico básico (ondas lentas)
pode ser modulado-> pelo SNA e pelos
hormônios do trato gastrointestinal;
CONTRAÇÃO DA MUSCULATURA LISA
DO TGl:
1-Potencial de ação chega;
2-Canais de cálcio
voltagem-dependentes se abrem e o
cálcio entra na célula;
3-Além disso, o cálcio do retículo
sarcoplasmático também colabora->
esse cálcio não vai atuar diretamente,
então ele se liga a uma proteína
chamada CALMODULINA-> essa
calmodulina junto com o cálcio vai ativar
uma enzima que vai fosforilar um ADP,
que, por sua vez, vai permitir que um ATP
atinja a miosina, a qual vai se deslocar
sobre a actina-> ocorrendo a contração;
->Ação indireta do cálcio no processo
de contração da musculatura lisa do TGI;
Existem 2 tipos de movimentos funcionais:
1)Propulsivos:
-Conduz o alimento pelo trato
gastrointestinal-> auxiliam na digestão e
na absorção;
-Estímulo->distensão-> estimula o
Sistema Nervoso Entérico-> forma-se o
anel contrátil->início do peristaltismo;
-Reflexo mioentérico-lei do intestino
(quanto maior o estiramento que o
alimento promove->↑ força de contração).
OBS.: dieta rica em fibras aumenta a
motilidade do TGI;
2)Movimentos de mistura:
-Diferentes durante o TGI;
-Contrações peristálticas-> mistura;
↓
-Contrações constritivas locais->
segmentação.
COMO OS MOVIMENTOS DO TGI SÃO
REGULADOS?
-Células de Cajal determinam o ritmo
elétrico básico;
-O simpático e parassimpático podem
modular a atividade motora;
-O SNE possui o arranjo neuronal
apropriado:
2
-MASTIGAÇÃO:
-Apesar de a mastigação em algumas
situações ser um ato voluntário, ela é
considerada um ato reflexo;
-DEGLUTIÇÃO:
-Passagem do bolo alimentar em seu
trajeto da boca ao estômago, o que ocorre
através do esôfago;
-A deglutição é considerada um ato
parcialmente voluntário e parcialmente
reflexo;
ETAPAS:
1)Fase voluntária ou oral:
-Fase de compressão voluntária;
-Língua pressiona o palato;
-O alimento é transferido da boca para a
faringe;
2)Fase reflexa ou farìngea:
-Fase totalmente reflexa (fase
involuntária- arco reflexo);
-O alimento vai da faringe para o esôfago;
-O bolo alimentar, ao atingir a faringe, vai
atingir e estimular a área receptora da
deglutição, permitindo a contração
muscular para o fechamento da traquéia
(mecanismo de proteção para o alimento
não entrar no sistema respiratório),
abertura do esôfago e passagem do bolo
alimentar.
ATENÇÃO:
-O padrão contrátil do esôfago segue o
fluxo boca->estômago e esse fluxo é
controlado pelo padrão contrátil dos
esfíncteres:
-Esfíncter esofágico superior;
-Esfíncter esofágico inferior;
REFLUXO GASTROESOFÁGICO:
Retorno do conteúdo gástrico do
estômago para o esôfago;
-O tecido do esôfago não está adaptado
para acidez, portanto vai ser danificado,
gerando desconforto, dor e azia;
-Se esse refluxo ocorrer de maneira
crônica e sem tratamento, pode gerar uma
mudança no perfil histológico do tecido
esofágico;
-Uma das maneiras mais eficientes de
controlar o refluxo é a reeducação
alimentar.
ACALÁSIA:
-Esfíncter esofágico forte-> não permite,
inclusive, passagem do conteúdo do
esôfago para o estômago;
3) Fase esofágica:
-Controlada, principalmente, pelo centro
da deglutição;
-Função do esôfago-> condução do
alimento pro estômago;
-EXISTE DIGESTÃO QUÍMICA NO
ESÔFAGO? Resposta: Sim, o que não
existe é produção de enzimas pelo
esôfago;
3
-O esôfago tem o peristaltismo primário e
secundário:
- Peristaltismo primário é a continuação
da onda peristáltica iniciada na faringe;
- Peristaltismo secundário resulta da
distensão do esôfago pelo alimento retido;
-Quando o alimento vai se aproximando
do estômago, o estômago vai começando
a se relaxar pra receber este conteúdo
(neurônios inibitórios SNE produzem
ondas de relaxamento do esfíncter
gastroesofágico)-> Relaxamento
receptivo gástrico;
-Esfíncter gastroesofágico-> impede o
refluxo do suco gástrico.
ESTÔMAGO:
Funções motoras:
-Armazenamento de alimento;
-Mistura do alimento com as secreções
gástricas (QUIMO);
-Esvaziamento gástrico lento-> liberar pro
intestino;
ARMAZENAMENTO:
-O armazenamento ocorre no fundo do
estômago e serve para otimizar a digestão
e absorção do intestino delgado;
-O reflexo vagovagal permite que o
estômago relaxe e possa receber um
conteúdo de, em média, 1,5L;
-Existem 3 tipos de relaxamento:
RELAXAMENTO RECEPTIVO:
-É o que a gente acabou de ver->
estômago relaxa para receber o
conteúdo;
-O estímulo na faringe que promove esse
tipo de relaxamento;
RELAXAMENTO ADAPTATIVO:
-Acontece depois que o bolo alimentar
chega no estômago;
-Relaxa mais ou menos, dependendo do
volume de conteúdo que está chegando;
RELAXAMENTO POR FEEDBACK:
-Informações da relação entre intestino
e estômago-> se o conteúdo que está
chegando no intestino está muito ácido ou
mal digerido, por exemplo-> hormônios
vão atingir o estômago e sinalizar pra ele
relaxar e digerir mais lentamente.
-O estômago produz um hormônio
chamado de GRELINA, que estimula a
sensação de fome;
-O trânsito intestinal pode ser mais rápido
dependendo da consistência do alimento:
● Líquido: esvaziamento mais
rápido;
● Sólidos: esvaziamento mais lento;
MISTURA DO ALIMENTO COM AS
SECREÇÕES GÁSTRICAS:
-Mistura do alimento com o suco gástrico;
-Bolo alimentar chega no corpo-> ondas
peristálticas fracas surgem-> quando vai
se deslocando em direção ao antro,
ondas de mistura começam a surgir->
ondas lentas;
-Mistura-> quimo;
-Corpo-> antro: ↑ frequência de contração;
-As ondas peristálticas vão ficando mais
fortes (anéis constritores) e o piloro com
uma pequena abertura;
-Bomba pilórica: estômago contraindo,
levando o alimento em direção ao
intestino-> piloro não deixa passar tudo de
4
uma vez, então boa parte do alimento
volta e fica acontecendo esse processo
de ida e volta;
-Retropulsão: movimento de mistura;
ESVAZIAMENTO GÁSTRICO:
-Passagem doquimo do estômago para o
intestino;
-Ocorrem ondas peristálticas de alta
intensidade do antro;
-Quanto maior o tônus do esfíncter
pilórico-> menor o esvaziamento (se o
estímulo contrai o piloro-> esvaziamento
diminui / Se o estímulo relaxa o piloro→
esvaziamento aumenta);
-Como já vimos, o esvaziamento é mais
fácil para líquidos;
-O grau de constrição depende de sinais
nervosos e humorais-> provenientes do
estômago e do intestino;
REGULAÇÃO DO ESVAZIAMENTO
GÁSTRICO:
-É regulado por sinais do estômago e do
duodeno;
-Fatores gástricos:
● 1) Volume gástrico, pois quanto
maior o volume gástrico, maior o
estiramento da parede, maiores os
reflexos vagais e locais e,
consequentemente, maior a
intensidade da bomba pilórica, o
que aumenta o esvaziamento;
● 2) Gastrina, pois, diante do
estiramento e da presença de
alimentos ricos em proteínas no
estômago, o teor de gastrina
aumenta-> aumentando a bomba
pilórica;
-Fatores duodenais:
● 1) Reflexos enterogástricos:
↑ quimo vai estimular o SNE e o SNA, o
que reduz a bomba pilórica e aumenta o
tônus pilórico, reduzindo o esvaziamento
gástrico;
•Fatores de inibição:
-Grau de distensão duodenal;
-Irritação da mucosa duodenal;
-Grau de acidez do quimo;
-Grau de osmolaridade do quimo;
-Produtos da degradação de proteínas e
gorduras;
● 2) Fatores hormonais:
- ↑ quimo-> produção de alguns
hormônios, os quais vão atingir o
estômago→ diminuindo a bomba pilórica
e aumentando o tônus pilórico;
-Gorduras→ CCK E GIP (JEJUNO)->
Diminuem bomba e aumentam tônus;
-Ácido no duodeno-> secretina-> diminui a
força de contração gástrica;
-Soluções hiperosmóticas-> diminuem a
velocidade de esvaziamento gástrico;
-Peptídeos e aminoácidos no duodeno->
aumentam a gastrina-> aumentam a
bomba pilórica;
VÔMITO:
-Reversão do peristaltismo> contrações
do estômago no sentido oral;
-A diferença da ânsia de vômito para o
vômito é que o esfíncter esofágico
superior fica contraído;
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MOVIMENTOS DO INTESTINO
DELGADO:
-Podem ser de 2 tipos:
● SEGMENTAÇÕES:
-Lentas, concêntricas, localizadas e
espaçadas;
-Causadas pelo estiramento do duodeno;
-Promove a mistura do quimo com
secreções do intestino delgado;
-O grau de estiramento que vai determinar
a intensidade dessas contrações;
● PERISTALTISMO:
-O movimento de peristaltismo vai permitir
que ocorra o surgimento dos complexos
de movimentos migratórios, que têm a
função de propulsionar e espalhar o
quimo sobre a mucosa intestinal;
-A velocidade é maior no duodeno e
menor no íleo;
REGULAÇÃO DO PERISTALTISMO:
-Reflexos gastroentéricos;
Refeição-> distensão do estômago->
SNE-> reflexos gastroentéricos (RGE)->
estimula a secreção de gastrina, CCK,
insulina e serotonina (que aumentam a
motilidade) e de secretina e glucagon
(que diminuem a motilidade);
REFLEXOS MIOENTÉRICO
MIGRATÓRIO:
-Ondas de faxina;
-Em um indivíduo comum, após algumas
horas, ocorrem surtos de atividade elétrica
contrátil, seguidos de períodos
quiescentes;
-Começa no estômago e segue no
intestino
-Se repetem entre 75 e 90 minutos até
atingir o íleo;
VÁLVULA ILEOCECAL:
-Evita o refluxo de conteúdos fecais do
cólon para o íleo;
-Esfíncter ileocecal-> diminui o
esvaziamento do íleo e aumenta a
absorção;
Regulação do esfíncter ileocecal:
MOVIMENTOS DO INTESTINO
GROSSO:
->Funções do cólon: absorção de água
e eletrólitos (na porção proximal) e
armazenamento de material fecal (na
porção distal);
->Movimentos do cólon:
1) HAUSTRAÇÕES:
-Movimentos lentos de mistura;
-Constrições circulares + longitudinais->
protusões saculares;
-Semelhante a segmentações;
-Ocorre no ceco e cólon ascendente;
2) MOVIMENTOS DE MASSA:
-Propulsivos-> peristaltismo
-Cólon transverso e sigmóide;
-Reflexos gastrocólucos e duodenocólicos
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