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Prof. Me. Marcelo Almeida UNIDADE II Sociologia e Educação O estudo sociológico da escola A imaginação e os futuros possíveis: três cenários recorrentes quando se discute sociedade do futuro, globalização e diversidade cultural. - A visão do caos apocalíptico; - A visão da utopia tecnológica; - A visão da utopia verde. Unidade II A educação e sua complexidade. Alguns dos elementos e contradições que envolvem a Educação. Os limites da Educação: aquilo que não é de sua alçada. A amplitude do estudo sociológico da escola: para refletirmos... A educação é um processo complexo e conflituoso de construção do sujeito que envolve: Indivíduo e coletividade; Objetividade e subjetividade; Servidão e liberdade; Alienação e autoconsciência; Soma-se a isto o fato de se atribuir à Educação diversas “missões” talvez muito maiores do que é capaz de realizar; exemplo: a transformação da sociedade e dos modos de produção, a eliminação da miséria. A amplitude do estudo sociológico da escola: para refletirmos... Veremos as teorias “pessimistas” e as teorias “otimistas”. Seus maiores representantes. As tradições sociológicas aplicadas à educação: os significados Teorias pessimistas: pessimistas no sentido de que não vislumbram alternativas possíveis ao papel da educação na sociedade. Atribuem à escola uma função predeterminada e fechada. De um modo geral, elas seguem o pressuposto de que a função da educação é determinada por uma lógica superior (estrutura ou necessidade social) e a mudança dessa lógica não é possível, dado o poder ou o sentido da referida lógica superior. As tradições sociológicas aplicadas à educação: os significados Teorias otimistas: otimistas porque vislumbram e propõem a mudança, a transformação social, incluindo a mudança na (e por meio da) educação. Reconhecem o peso que as estruturas sociais exercem para predeterminar o papel da educação, mas tendem a não reconhecê-las como justas, por isso buscam sua superação. As tradições sociológicas aplicadas à educação: os significados a) Teorias otimistas: Marx, Gramsci, Mannheim e Snyders. b) Teorias pessimistas: Weber, Althusser e Bourdieu. c) Teorias do consenso/da conservação: Comte e Durkheim. d) Teorias contemporâneas (complexas): Michael Young, Mannheim e Snyders. As tradições sociológicas aplicadas à educação e seus autores Veremos a influência dos teóricos da sociologia clássica sobre os autores mais contemporâneos Fernando Azevedo, Paulo Freire, Bourdieu, Althusser, Weber e Paulo Freire A influência de Durkheim na sociologia de Fernando Azevedo: otimismo! Relembrando: na visão durkheimiana, o papel da escola é o de fazer com que o indivíduo se socialize, apreendendo os valores sociais passados pela escola, ou seja, o trabalho de socialização dos imaturos pelos maduros. Educação moral! Durkheim serviu de inspiração para Fernando Azevedo, um dos pioneiros nos estudos sociológicos da Educação no Brasil, ainda que este tenha ido além de Durkheim, ao considerar que o aluno não age passivamente diante dos comportamentos e saberes que lhe são passados – antes, reage de acordo com sua história e o conjunto de suas experiências de vida. A influência de Durkheim na sociologia de Fernando Azevedo: otimismo! Relembrando a teoria reprodutivista da escola: O fracasso escolar é o resultado das relações de classe; A escola é uma instituição burguesa a excluir os filhos das camadas populares; A realidade estaria previamente dada; é um círculo vicioso. Bourdieu – A escola exerce a violência simbólica (capital cultural dominante); Althusser – A escola como aparelho ideológico de Estado; Weber – A escola foi transformada em uma fábrica de mão de obra para alimentar uma administração que se racionaliza; pedagogia do treinamento. A influência da visão marxista na obra de Bourdieu, Althusser e Weber: pessimismo! A teoria reprodutivista se caracteriza por entender que a escola é uma instituição que reproduz as injustiças sociais. Os teóricos dessa corrente podem ser entendidos como: a) Pessimistas. b) Interacionistas. c) Contemporâneos. d) Ideológicos. e) Otimistas. Interatividade A teoria reprodutivista se caracteriza por entender que a escola é uma instituição que reproduz as injustiças sociais. Os teóricos dessa corrente podem ser entendidos como: a) Pessimistas. b) Interacionistas. c) Contemporâneos. d) Ideológicos. e) Otimistas. Resposta Os anos 1960 e o pensamento de Paulo Freire: um caso emblemático Fonte: http:// www.brasildefato.com.br/content/ ideal-de-ensino-libert%C3%A1rio-continua-contribuindo-com-aprendizagem Para Paulo Freire: A educação devia partir do conhecimento do educando, para daí construir um conhecimento mais teórico e abstrato. Acolher a cultura originária do educando. Privilegiar o conhecimento universalmente reconhecido seria uma atitude de opressão aos alunos de classes menos favorecidas. Não acreditava em um conhecimento desvinculado da prática e em uma prática que não implica reflexão, postura oriunda do conceito marxista de práxis. A educação poderia possibilitar aos menos favorecidos romper com a dominação e a visão de mundo ingênua. A superação da consciência ingênua, a libertação da condição de oprimido. A influência da visão marxista na obra de Paulo Freire: otimismo! Para Paulo Freire: A educação no Brasil estava organizada de modo a eternizar a oposição entre dominantes e dominados e reproduzir as desigualdades existentes na sociedade. Apesar de ter incorporado em seu pensamento as ideias dos teóricos reprodutivistas, Freire não assumiu uma postura pessimista, mas optou por acreditar na possibilidade de mudanças. A influência dos teóricos reprodutivistas na obra de Paulo Freire: otimismo! Adotar as teorias pessimistas ou as teorias otimistas: uma questão de conceber o educador como detentor ou não de uma autonomia relativa no ato de educar... O educador deve escolher o pessimismo ou o otimismo... O educador deve levar em conta que: O comportamento humano é tão rico e diverso que escapa a qualquer esquema teórico. O conhecimento é “mágico” e capaz de operar transformações na vida das pessoas. A leitura e a escrita nos humaniza, nos faz melhores, faz um mundo melhor. Uma formação sólida, inclusive na disciplina de Sociologia da Educação, possibilita ao educador trilhar caminhos que se voltem para a realidade dos alunos e tornar a vida escolar mais feliz, profícua e com mais significado para toda a comunidade escolar. O educador deve escolher o pessimismo ou o otimismo... Ao defender que o conhecimento tem potencial transformador e é capaz de operar mudanças na vida das pessoas e na sociedade, Paulo Freire demonstrou que o pensamento educacional marxista assumiu no Brasil uma perspectiva: a) Otimista, por acreditar na possibilidade de mudanças. b) Pessimista, por acreditar que a reprodução das desigualdades é um fato consumado. c) Providencialista, por acreditar no poder de providência do Estado. d) Radical, por acreditar que não há nada que se possa fazer para mudar o estado de coisas. e) Elitista, por defender a continuidade do padrão de ensino dos grupos dominantes. Interatividade Ao defender que o conhecimento tem potencial transformador e é capaz de operar mudanças na vida das pessoas e na sociedade, Paulo Freire demonstrou que o pensamento educacional marxista assumiu no Brasil uma perspectiva: a) Otimista, por acreditar na possibilidade de mudanças. b) Pessimista, por acreditar que a reprodução das desigualdades é um fato consumado. c) Providencialista, por acreditar no poder de providência do Estado. d) Radical, por acreditar que não há nada que se possa fazer para mudar o estado de coisas. e) Elitista, por defender a continuidade do padrão de ensino dos grupos dominantes. Resposta Projetando o futuro... Uma questão de coerência e compreensão da realidade.O jovem, o mundo atual e a educação Quando um jovem estudante se vê diante do desafio da escolha de uma carreira profissional, muitas perguntas passam pela sua cabeça: Qual a carreira mais promissora? O que vai me render mais dinheiro e prestígio social? Qual carreira me trará mais realização pessoal e felicidade? De quais profissionais o mercado está precisando? Quais são as carreiras do futuro? O jovem, o mundo atual e a educação Pensar em Educação é pensar em uma visão de futuro que projetamos; por isso, quando pensamos na Educação, fazemos os mesmos tipos de pergunta: Que tipo de ser humano queremos formar para o futuro? Como será esse futuro? A imaginação e os futuros possíveis Sobretudo em uma perspectiva sociológica: Como formar o cidadão crítico e autônomo? Como esse cidadão pode contribuir para a melhoria da sociedade e para a erradicação das desigualdades? Se o ser humano não for ético, consciente e solidário, não haverá o “bem comum”, mesmo que a sociedade produza muita riqueza. A imaginação e os futuros possíveis Um exemplo de análise sociológica da escola é entender que: a) A escola é sinônimo de educação. b) A verdadeira educação não é aquela que acontece na escola. c) Preparar para o mundo do trabalho é o objetivo maior da educação escolar. d) A visão comum geralmente não é capaz de refletir a realidade da escola. e) A educação informal não exerce impacto significativo sobre o aluno. Interatividade Um exemplo de análise sociológica da escola é entender que: a) A escola é sinônimo de educação. b) A verdadeira educação não é aquela que acontece na escola. c) Preparar para o mundo do trabalho é o objetivo maior da educação escolar. d) A visão comum geralmente não é capaz de refletir a realidade da escola. e) A educação informal não exerce impacto significativo sobre o aluno. Resposta Segundo Whitaker (2000), todas as visões de futuro projetadas pela imaginação humana recaem sobre três visões: Caos apocalíptico; Utopia tecnológica; Utopia verde. Um dos propósitos do estudo das visões de futuro é nos permitir enxergar e perceber as motivações que podem tornar- se a base de ações dos educadores em suas relações com as escolas e os alunos. Visões de futuro É uma visão de futuro pautada na desesperança e no pessimismo. O “fim está próximo e nada adianta”. Esta postura é muito conveniente para a manutenção do “sistema”, pois gera paralisia, conformismo, acomodação, indisciplina etc., o que é péssimo para a sociedade e a Educação. Comentários muito comuns nas salas de aula do Brasil: Os alunos não querem saber de nada! Não adianta ensinar nada, pois os alunos não aprendem mesmo... A escola e a educação estão falidas! O aquecimento global vai acabar com tudo, a água está acabando, não há futuro! A visão do caos apocalíptico É uma visão de futuro pautada em um otimismo ingênuo em relação à tecnologia, como se todos os problemas da escola fossem desaparecer com o emprego de tecnologias e computadores nas escolas. Sem professores bem formados, remunerados e com a autoestima em dia, as tecnologias pouco (ou nada) contribuirão para a Educação. A educação é uma atividade essencialmente humana e, por isso, intransferível. As tecnologias devem ser usadas como “ferramentas” para tal atividade, jamais substituindo-a. A visão da utopia tecnológica Atualmente esta utopia faz parte do importante processo de conscientização do homem moderno. Consiste na ideia de que temos de nos desenvolver como civilização técnico-científica, mas em equilíbrio com o meio ambiente. A visão da utopia verde Reflexão sobre esta utopia: Não se resume em plantar árvores ou admirar o marketing de empresas que se dizem “verdes” ou preocupadas com o meio ambiente. Deixará de ser utopia a partir do momento em que questionarmos o modelo de desenvolvimento adotado pela nossa sociedade urbanocêntrica, pautada na acumulação e exploração desenfreadas da natureza e das pessoas. A visão da utopia verde As questões abaixo denunciam que tipo de visão de futuro? “Os alunos não querem saber de nada!” “Não adianta ensinar nada, pois os alunos não aprendem mesmo...” “A escola e a educação estão falidas!” a) Utopia tecnológica. b) Utopia verde. c) Caos tecnológico. d) Caos apocalíptico. e) Utopia do caos. Interatividade As questões abaixo denunciam que tipo de visão de futuro? “Os alunos não querem saber de nada!” “Não adianta ensinar nada, pois os alunos não aprendem mesmo...” “A escola e a educação estão falidas!” a) Utopia tecnológica. b) Utopia verde. c) Caos tecnológico. d) Caos apocalíptico. e) Utopia do caos. Resposta WHITAKER, D. Escolha da carreira e globalização. 11. ed. São Paulo: Moderna, 2000. Referências ATÉ A PRÓXIMA!