Leia um excerto do texto de autoria de Pablo Villaça, extraído do site Cinema em cena:
Cidade de Deus é o filme certo no momento certo. Lançado em meio a uma das maiores crises de violência da história de nosso país (mesmo se considerarmos a violência patrocinada pelo Estado na época da ditadura), a produção retrata de forma realista - e, consequentemente, chocante - o terrível universo do tráfico que é, sem dúvida, o maior responsável pelas barbaridades que todos enfrentamos atualmente. [...]
Produzido a partir do livro homônimo de Paulo Lins, o filme narra uma série de casos verídicos que fazem parte da história de Cidade de Deus, uma das favelas mais perigosas do Rio de Janeiro. Criado na década de 60 para servir como lar de desabrigados (eliminando, com isso, as 'imperfeições' na paisagem da Cidade Maravilhosa), o local passou a ser palco de batalhas violentas entre diferentes gangues que disputam a supremacia no tráfico – e o roteiro (brilhantemente escrito por Bráulio Mantovani) se concentra especialmente na rivalidade entre o perigoso Zé Pequeno e o trágico Mané Galinha, que entra na guerra para vingar a morte do irmão. Ao mesmo tempo, somos apresentados ao jovem Buscapé, cujo grande objetivo é tornar-se um fotógrafo profissional e fugir daquela triste vida. [...]
Dirigido de forma magistral por Fernando Meirelles (que divide os créditos com Kátia Lund), Cidade de Deus impressiona em seu aspecto técnico: trabalhando com diferentes estilos de fotografia para cada uma das décadas retratadas ao longo da história, o cineasta faz uma ótima recriação de época e emprega a trilha sonora de forma eficaz (a sequência em que o traficante Bené se 'transforma' em playboy ao som de Metamorfose Ambulante é genial). Além disso, o filme conta com uma edição enérgica e impactante: as passagens de tempo, em particular, impressionam por sua agilidade (observe, por exemplo, a forma como Meirelles mostra o envelhecimento de Zé Pequeno e sua crescente crueldade ao exibir uma sequência de tiros). Para completar, a estrutura narrativa da história é interessantíssima, mostrando incidentes a partir de vários pontos de vista, apresentando personagens importantes de maneira casual e utilizando freeze-frames e telas divididas em vários momentos.
A partir da leitura do texto, avalie as asserções a seguir e a relação proposta entre elas.
I. Por se tratar de uma resenha, o autor apresenta uma avaliação do filme Cidade de Deus. Essa avaliação pode ser considerada depreciativa.
PORQUE
II. Conforme apresentado pelo autor ao longo da resenha, as cenas apresentam a hierarquia da cruel indústria do crime instalada nas favelas, o que contribui para o aumento da criminalidade no país.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
Opções de pergunta 5:
As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I.
As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I.
A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
As asserções I e II são proposições falsas.
A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
Ed
há 2 anos
Vamos analisar as asserções: I. Por se tratar de uma resenha, o autor apresenta uma avaliação do filme Cidade de Deus. Essa avaliação pode ser considerada depreciativa. Essa afirmação é falsa. O texto apresenta uma avaliação positiva do filme, destacando suas qualidades técnicas e narrativas, portanto, não é depreciativa. II. Conforme apresentado pelo autor ao longo da resenha, as cenas apresentam a hierarquia da cruel indústria do crime instalada nas favelas, o que contribui para o aumento da criminalidade no país. Essa afirmação é verdadeira. O texto menciona a violência e o tráfico de drogas, que são aspectos centrais do filme e refletem a realidade das favelas. Agora, vamos às opções: 1. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa correta da I. (FALSO, pois I é falsa) 2. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa correta da I. (FALSO, pois I é falsa) 3. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira. (VERDADEIRO) 4. As asserções I e II são proposições falsas. (FALSO, pois II é verdadeira) 5. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa. (FALSO, pois I é falsa e II é verdadeira) Portanto, a alternativa correta é: 3. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
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