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Pessoal me ajuda com essa questão sobre o êxito da lei Eusébio de Queiroz. e o fracasso da lei de 1831.

Em 1850 foi promulgada a lei Eusébio de Queiroz que aboliu definitivamente o tráfico de escravos da África para o Brasil.Todavia,esta não foi a única lei destinada a combater o tráfico de africanos para o Brasil.Em novembro de 1831 entrou em vigor uma lei que procurava dar andamento a um tratado firmado em 1826 entre a Inglaterra e o Brasil o qual três anos após a sua ratificação(que se deu em 1827) declararia como ilegal o comércio de escravos para o Brasil.Esta lei,contudo,não produziu os efeitos desejados.Desenvolva considerações acerca do que contribuiu para o fracasso da lei de 1831 e das condições que possibilitaram o êxito da lei Eusébio de Queiroz.


2 resposta(s)

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Paulo

Há mais de um mês

Vejamos, O que contribui para o fracasso da lei de 1831. Preliminarmente, tenho que falar de um pouco antes, e depois decorrer dos motivos que fizeram ocorrer este fracasso. Assim, em 1826, o Brasil assumiu com os ingleses o compromisso de tornar o tráfico ilegal num prazo de três anos e incorporar as cláusulas dos antigos tratados firmados entre as Coroas da Grã-Bretanha e Portugal. O acordo foi ratificado pelas partes em 13 de março de 1827, porém a insatisfação de alguns deputados com a atitude do governo de firmar acordos internacionais sem consultá-los, desrespeitando a Constituição, ficou evidenciada nos discursosregistrados em atas durante esses anos. Além desse fator, assinalavam os parlamentares três conseqüências básicas prejudiciais ao Estado brasileiro: primeiro, a ameaça à soberania nacional,ao se absorver de antigos acordos portugueses a competência de comissões mistas para julgar navios brasileiros apreendidos com cargas ilegais; segundo, o risco de arruinar a nossa economia de base agrícola, que tinha como principal mão-de-obra o escravo proveniente do tráfico;finalmente, a redução das lucrativas divisas comerciais decorrentes das transações de compra e venda de africanos. Alegavam ainda que, na verdade, as intenções inglesas não primavam pela filantropia, mas pelo desejo de afastar a influência brasileira na África, visando obter o domínio da região com a finalidade de transformá-la num mercado para seus produtos manufaturados e numa fonte de matérias primas.

As condições que favoreceram o êxito da lei Eusébio de Queiroz foi porque foram vencendo pouco a pouco as resistências a favor do tráfico tanto na sociedade quanto dentro do próprio parlamento. Eusébio de Queirós argumentava que muitos fazendeiros estavam endividados com traficantes, e que um número muito grande de escravos poderia abalar a segurança da sociedade. Uma diferença na Lei Eusébio de Queirós era que, além da legislação, outros mecanismos de poder pudessem gradualmente ser utilizados contra os contrabandistas, como o apoio dos chefes de polícia e o fortalecimento das instituições responsáveis pela fiscalização. Além de agir tanto sobre navios brasileiros quanto navios estrangeiros que atracassem no solo do Brasil, a Lei Eusébio de Queirós era fortemente apoiada na Lei de 7 de novembro de 1831, que já previa o contrabando como crime. A lei ainda previa que os navios encontrados em território brasileiro que fossem considerados importadores de escravos deveriam ser vendidos, podendo haver uma quantia destinada ao denunciante e que os escravos seriam devolvidos as suas terras natais.

Espero que tenha ajudado, se gostou da resposta não deixe de aprová-la!

Boa Sorte!

Vejamos, O que contribui para o fracasso da lei de 1831. Preliminarmente, tenho que falar de um pouco antes, e depois decorrer dos motivos que fizeram ocorrer este fracasso. Assim, em 1826, o Brasil assumiu com os ingleses o compromisso de tornar o tráfico ilegal num prazo de três anos e incorporar as cláusulas dos antigos tratados firmados entre as Coroas da Grã-Bretanha e Portugal. O acordo foi ratificado pelas partes em 13 de março de 1827, porém a insatisfação de alguns deputados com a atitude do governo de firmar acordos internacionais sem consultá-los, desrespeitando a Constituição, ficou evidenciada nos discursosregistrados em atas durante esses anos. Além desse fator, assinalavam os parlamentares três conseqüências básicas prejudiciais ao Estado brasileiro: primeiro, a ameaça à soberania nacional,ao se absorver de antigos acordos portugueses a competência de comissões mistas para julgar navios brasileiros apreendidos com cargas ilegais; segundo, o risco de arruinar a nossa economia de base agrícola, que tinha como principal mão-de-obra o escravo proveniente do tráfico;finalmente, a redução das lucrativas divisas comerciais decorrentes das transações de compra e venda de africanos. Alegavam ainda que, na verdade, as intenções inglesas não primavam pela filantropia, mas pelo desejo de afastar a influência brasileira na África, visando obter o domínio da região com a finalidade de transformá-la num mercado para seus produtos manufaturados e numa fonte de matérias primas.

As condições que favoreceram o êxito da lei Eusébio de Queiroz foi porque foram vencendo pouco a pouco as resistências a favor do tráfico tanto na sociedade quanto dentro do próprio parlamento. Eusébio de Queirós argumentava que muitos fazendeiros estavam endividados com traficantes, e que um número muito grande de escravos poderia abalar a segurança da sociedade. Uma diferença na Lei Eusébio de Queirós era que, além da legislação, outros mecanismos de poder pudessem gradualmente ser utilizados contra os contrabandistas, como o apoio dos chefes de polícia e o fortalecimento das instituições responsáveis pela fiscalização. Além de agir tanto sobre navios brasileiros quanto navios estrangeiros que atracassem no solo do Brasil, a Lei Eusébio de Queirós era fortemente apoiada na Lei de 7 de novembro de 1831, que já previa o contrabando como crime. A lei ainda previa que os navios encontrados em território brasileiro que fossem considerados importadores de escravos deveriam ser vendidos, podendo haver uma quantia destinada ao denunciante e que os escravos seriam devolvidos as suas terras natais.

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Márcia

Há mais de um mês

Devido à pressão inglesa, o Império brasileiro estava baseado na ordem escravocrata. Nesse sentido, em termos práticos, era temerária qualquer atitude mais consistente em relação ao tráfico de negros, pois isso colocaria em risco a própria base do sistema que se procurava construir. E quanto às condições que possibilitaram o êxito da lei Eusébio de Queiroz podemos citar que após 1822, a Inglaterra estabeleceu o fim do tráfico negreiro como uma das exigências para o reconhecimento da emancipação do Brasil. Assim, o tratado de 3 de novembro de 1826 fixou o prazo de três anos para a sua completa extinção. O tráfico passou a ser considerado, a partir de então, ato de pirataria, sujeito às punições previstas no tratado. Finalmente, a 7 de novembro de 1831 - com atraso de dois anos em relação ao estipulado pelo tratado de 1826 -, uma lei formalizou esse compromisso. Apesar das crescentes pressões britânicas, o tráfico continuou impune no Brasil. E a razão era simples: toda a economia brasileira, desde a época colonial, estava assentada no trabalho escravo. Em tal circunstância, a abolição do tráfico criaria enormes dificuldades à economia, comprometendo as suas bases produtivas. A Inglaterra, por sua vez, esforçou-se para fazer cumprir os termos dos tratados, de modo unilateral. E o fez em meio a dificuldades, pois os traficantes, cercados em alto mar, atiravam os negros ao oceano, atados a uma pedra que os impedia de vir à tona. Além disso, o tráfico, ao invés de se extinguir, continuou a crescer incessantemente. A passividade do governo brasileiro ante o tráfico e, portanto, o não cumprimento dos compromissos assumidos através de vários tratados fez a Inglaterra tomar uma atitude extrema. Em 8 de agosto de 1845, o Parlamento britânico aprovou uma  lei, chamada Bill Aberdeen, conferindo à Marinha o direito de aprisionar qualquer navio negreiro e fazer os traficantes responderem diante do almirantado ou de qualquer tribunal do vice almirantado dos domínios britânicos. A repressão ao tráfico foi assim intensificada, e os navios britânicos chegaram a apreender navios em águas territoriais brasileiras, até mesmo entrando em seus portos. Com isso em março de 1850, o todo-poderoso primeiro-ministro Gladstone obrigou o Brasil ao cumprimento dos tratados, ameaçando-o com uma guerra de extermínio. O governo brasileiro finalmente se curvou ante as exigências britânicas e em 4 de setembro de 1850 promulgou a lei de extinção do tráfico pelo ministro Eusébio de Queiróz.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes