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uma lei ordinária pode revogar uma lei complementar fundamento e jurisprudência?


7 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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DLRV Advogados Verified user icon

Há mais de um mês

Sim.

Segundo o STF, não existe hierarquia entre leis complementares e ordinárias. Desta forma, a distinção entre elas deve ser aferida em face da Constituição, considerando o campo de atuação de cada uma.

No caso de veiculação de matéria reservada a lei ordinária via lei complementar, tal lei complementar poderá ser revogada por uma lei ordinária, vez que nesse caso, o importante é observar o campo de atuação.

Sim.

Segundo o STF, não existe hierarquia entre leis complementares e ordinárias. Desta forma, a distinção entre elas deve ser aferida em face da Constituição, considerando o campo de atuação de cada uma.

No caso de veiculação de matéria reservada a lei ordinária via lei complementar, tal lei complementar poderá ser revogada por uma lei ordinária, vez que nesse caso, o importante é observar o campo de atuação.

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Claudio

Há mais de um mês

As leis complementares apresentam processo legislativo próprio, mais dificultoso que o das leis ordinárias, porém mais fácil que o de reforma à Constituição. Isso porque o legislador constituinte entendeu que certas matérias, embora de extrema relevância, não deviam ser regulamentadas pela própria Constituição Federal, mas também não poderiam se sujeitar à possibilidade de constantes alterações pelo processo legislativo ordinário. 

Diante disso, tem-se que as leis complementares se diferenciam das ordinárias em dois aspectos: o material e o formal

A diferença do ponto de vista material consiste no fato de que os assuntos tratados por lei complementar estão expressamente previstos na Constituição, o que não acontece com as leis ordinárias. Estas têm campo material residual. 

Já a diferença do ponto de vista formal diz respeito ao processo legislativo. Enquanto o quórum para a aprovação da lei ordinária é de maioria simples (art. 47, CF), o da lei complementar é de maioria absoluta (art. 69), ou seja, o primeiro número inteiro subsequente à metade dos membros da Casa Legislativa. As demais fases do procedimento de elaboração da lei complementar seguem o processo ordinário.

As leis ordinárias não podem tratar de tema reservado às leis complementares. Caso isso ocorra, estaremos diante de um caso de inconstitucionalidade formal.

As leis complementares, no entanto, podem tratar de tema reservado às leis ordinárias. Esse entendimento deriva da ótica do “quem pode mais, pode menos”. Ora, se a CF/88 exige lei ordinária (cuja aprovação é mais simples) para tratar de determinado assunto, não há óbice a que uma lei complementar regule o tema. No entanto, caso isso ocorra, a lei complementar será considerada materialmente ordinária; essa lei complementar poderá, então, ser revogada ou modificada por simples lei ordinária. Diz-se que, nesse caso, a lei complementar irá subsumir-se ao regime constitucional da lei ordinária. 

"Contribuição social (CF, art.  195, 1):  legitimidade da revogação pela L. 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão  regulamentada  pela  Lei  Complementar 70/91,  dado que essa lei, formalmente complementar, é, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída, materialmente ordinária;  ausência  de  violação ao princípio da  hierarquia das  leis,  cujo respeito exige  seja observado o  âmbito material reservado às espécies normativas previstas na Constituição Federal.  Precedente: ADC l, Moreira Alves, RTJ l56n21'' (RE 457.884-AgR, Rel. Min.Sepúlveda Pertence, j. 21.02.2006, DJ de 17.03.2006). No mesmo sentido:  RE 419.629, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, j. 23.05.2006, DJ de 30.06.2006; AI 637.299-AgR, Rel. Min. Celso de Mello, j. 18.09.2007, DJ de 05.10.2007. Cf., também, lnf 459/STF.

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Claudio

Há mais de um mês

Dyego, via de regra, a lei ordinária não pode mesmo revogar uma lei complementar. No entanto, se a lei complementar vier a tratar de alguma matéria reservada às leis ordinárias, essa lei complementar será considerada materialmente uma lei ordinária, podendo, neste caso, ser revogada ou modificada por simples lei ordinária.

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Dyego de Freitas

Há mais de um mês

Sendo objetivo, NÃO! Lei ordinária não pode revogar lei complementar. Isso por que a lei complementar tem um procedimento mais dificultoso para sua aprovação. Há duas diferenças substanciais entre ambas as leis: material e formal. A Constituição reservou matérias específicas de maior relevância à lei complementar, e por isso, a lei ordinária não poderá regulamentar essas matérias. Quanto à diferença formal, esta refere-se ao modo de aprovação diferenciado entre as citadas leis. Vale destacar alguns pontos: não há hierarquia entre lei ordinária e lei complementar; lei complementar poderá regular qualquer matéria legal; algumas leis foram recepcionadas pela CF/88 com estatus de lei ordinária, sendo que parte de seu texto é reservado à lei complementar (a exemplo do Código Eleitoral).

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