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Existe exceção quanto à retroatividade de ADI procedente?

Quando da procedência de uma ADI, em regra, o efeito para tal é o "ex tunc", ou seja, retroagirá e atingirá as decisões e atos atingidos por tal lei inconstitucional, porém, quero saber, há excessão para tal regra? Por que de tal exceção? Existe algum fundamento previsto na CF/88 para tal exceção? Cite um precedente.

 

Expliquem ai, dêem o seu melhor. As melhores respostas receberão aprovação com certeza.


3 resposta(s) - Contém resposta de Especialista

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DLRV Advogados Verified user icon

Há mais de um mês

Sim.

A exceção está prevista no artigo 27 da Lei 9.868/99.

"Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado."

Trata-se, portanto, da possibilidade da declaração de inconstitucionalidade produzir efeitos ex nunc, ou pro futuro.

Um exemplo se deu no julgamento da ADI 2501, na qual, segundo Anderson Passos, a Corte Suprema "decidiu pela inconstitucionalidade de dispositivos da Constituição Estadual de Minas Gerais (inciso II do parágrafo 1º do artigo 82 do ADCT, bem como os parágrafos 4º, 5º e 6º do mesmo artigo). Tais dispositivos permitiam que o conselho estadual de educação de Minas Gerais autoriza-se e credencia-se cursos de instituições privadas de ensino superior no Estado, usurpando, claramente, competência exclusiva da União. Com base neste artigo, cerca de 39 instituições privadas de ensino superior, que gerenciam mais de 800 cursos de graduação com mais de 120 mil alunos matriculados, estavam funcionando há anos. Declarada a inconstitucionalidade pelo STF, se o tribunal aplicasse plenamente o princípio da nulidade da lei inconstitucional, todos os cursos teriam que ser imediatamente fechados, além de que todos os ex-alunos das referidas instituições teriam seus diplomas anulados, posto que viciados de inconstitucionalidade. É óbvio que uma situação como esta geraria uma insegurança jurídica extrema, além de sérios prejuízos aos ex-alunos e a toda sociedade. No referido caso, afastando a teoria da nulidade da lei inconstitucional e aplicando a modulação de efeitos (efeitos pro futuro), o STF declarou a inconstitucionalidade dos dispositivos impugnados, mas determinou que ficariam mantidos os diplomas já expedidos pelas instituições, bem como os cursos que estão em andamento. Tal posicionamento da Corte Suprema preservou uma situação amparada por uma lei inconstitucional (algo impensável para a teoria da nulidade) em prol da segurança jurídica e da proporcionalidade". 

Sim.

A exceção está prevista no artigo 27 da Lei 9.868/99.

"Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado."

Trata-se, portanto, da possibilidade da declaração de inconstitucionalidade produzir efeitos ex nunc, ou pro futuro.

Um exemplo se deu no julgamento da ADI 2501, na qual, segundo Anderson Passos, a Corte Suprema "decidiu pela inconstitucionalidade de dispositivos da Constituição Estadual de Minas Gerais (inciso II do parágrafo 1º do artigo 82 do ADCT, bem como os parágrafos 4º, 5º e 6º do mesmo artigo). Tais dispositivos permitiam que o conselho estadual de educação de Minas Gerais autoriza-se e credencia-se cursos de instituições privadas de ensino superior no Estado, usurpando, claramente, competência exclusiva da União. Com base neste artigo, cerca de 39 instituições privadas de ensino superior, que gerenciam mais de 800 cursos de graduação com mais de 120 mil alunos matriculados, estavam funcionando há anos. Declarada a inconstitucionalidade pelo STF, se o tribunal aplicasse plenamente o princípio da nulidade da lei inconstitucional, todos os cursos teriam que ser imediatamente fechados, além de que todos os ex-alunos das referidas instituições teriam seus diplomas anulados, posto que viciados de inconstitucionalidade. É óbvio que uma situação como esta geraria uma insegurança jurídica extrema, além de sérios prejuízos aos ex-alunos e a toda sociedade. No referido caso, afastando a teoria da nulidade da lei inconstitucional e aplicando a modulação de efeitos (efeitos pro futuro), o STF declarou a inconstitucionalidade dos dispositivos impugnados, mas determinou que ficariam mantidos os diplomas já expedidos pelas instituições, bem como os cursos que estão em andamento. Tal posicionamento da Corte Suprema preservou uma situação amparada por uma lei inconstitucional (algo impensável para a teoria da nulidade) em prol da segurança jurídica e da proporcionalidade". 

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Lucas Rafael

Há mais de um mês

Oi Ivan, existe sim exceções a esta regra, como sempre no Direito. Via de regra espera-se que a Declaração de Inconstitucionalidade acarrete efeitos ex tunc, como você bem citou, ocorre que pode ocorrer o efeito ex nunc e ainda a modulação dos efeitos da Declaração de Incosntitucionalidade. Como procedente da ADI julgada procedente, mas com efeitos ex nunc ventilo a ADI 4546489 PR 0454648-9, de relatoria do Ministro  José Mauricio Pinto de Almeida, em 03 de julho de 2009. Vejamos:

 

AÇÃO DECLARATÓRIA DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI MUNICIPAL. ILEGITIMIDADE ATIVA. INOCORRÊNCIA. DEMANDA INICIADA POR DEPUTADO ESTADUAL. LEGITIMIDADE CONFERIDA NA CONSTITUIÇÃO ESTADUAL, ART. 111. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 98 DA LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE NOVA CANTU E ART. 10 DO REGIMENTO INTERNO DA CÂMARA MUNICIPAL DO MESMO MUNICÍPIO. PRAZO DO MANDATO DA MESA DIRETIVA DA CÂMARA MUNICIPAL FIXADO EM 1 (UM) ANO. CONFLITO COM O DISPOSTO NA CONSTITUIÇÃO FEDERAL E A CONSTITUIÇÃO ESTADUAL. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA SIMETRIA. APLICAÇÃO DE EFEITOS EX NUNC A PRESENTE DECISÃO. ART. 27, DA LEI9.868/99. DEMANDA JULGADA PROCEDENTE.

1.Fixando os dispositivos da lei orgânica municipal e do regimento interno da Câmara Municipal de Nova Cantu, prazo de mandato dos seus membros, de modo diverso daquele estabelecido para o mandato da mesa diretiva da Assembléia Legislativa do Estado, (art. 61, § 3º, CE), evidente é a sua inconstitucionalidade material, por ofensa ao principio constitucional da simetria (art. 29 da CF).

2. "(...) Princípio da segurança jurídica. Situação excepcional em que a declaração de nulidade, com seus normais efeitos ex tunc, resultaria grave ameaça a todo o sistema legislativo vigente. Prevalência do interesse público para assegurar, em caráter de exceção, efeitos pro futuro à declaração incidental de inconstitucionalidade. Recurso extraordinário conhecido e em parte provido". (RE 197917, Relator (a): Min. MAURÍCIO CORRÊA, Tribunal Pleno, julgado em 06/06/2002, DJ 07-05-2004 PP-00008 EMENT VOL-02150-03PP-00368) .

 

Já a Inconstitucionalidade Progressiva se dá quando o Supremo considera a Lei como inconstitucional, mas modula os efeitos da declaração de incompatibilidade com a Constituição. Isto é, via de regra a declaração de inconstitucionalidade deveria produzir seus efeitos de imediato, no entanto pode o STF determinar (modular) os efeitos de sua declaração com o decorrer temporal, assim a Lei se torna, aos poucos, inconstitucional. Logo, há circunstâncias fáticas, vigentes naquele momento, que justificam a manutenção da norma dentro do ordenamento jurídico, no entanto em tempo futuro, uma vez corrigida a situação observada na circunstancia fará com que a norma prega sua validade. Cita-se como a lei 1060/50 , art. 5º, parágrafo 5º, vejamos:

 

§ 5° Nos Estados onde a Assistência Judiciária seja organizada e por eles mantida, o Defensor Público, ou quem exerça cargo equivalente, será intimado pessoalmente de todos os atos do processo, em ambas as Instâncias, contando-se-lhes em dobro todos os prazos. (Incluído pela Lei nº 7.871, de 1989)

O STF entendeu no Habeas Corpus nº. 70514/SP que se justifica o prazo maior em razão das Defensorias Públicas não estarem aparelhadas como o Ministério Público atualmente está. A inconstitucionalidade progressiva nesse caso consubstancia-se no fato de que a norma somente é constitucional enquanto a defensoria carecer de aperfeiçoamento e aparelhamento. No momento em que o objetivo for alcançado instalar-se-á a inconstitucionalidade do dispositivo supracitado.

Outro exemplo de "inconstitucionalidade Progressiva" é o artigo 68 CPP, senão vejamos:

Art. 68. Quando o titular do direito à reparação do dano for pobre (art. 32, §§ 1o e 2o), a execução da sentença condenatória (art. 63) ou a ação civil (art. 64) será promovida, a seu requerimento, pelo Ministério Público.

O Ministério Público defende que a atribuição de ingressar com a ação correspondente é da Defensoria Pública. No entanto, o STF decidiu mediante o RE 147.776, que enquanto não forem criadas Defensorias Públicas em todos os Estados da Federação o dispositivo continua constitucional, caso que o prejuízo será maior que o benefício. Dar-se-á a inconstitucionalidade progressiva, logicamente, quando a criação de Defensorias Públicas abranger todos os Estados. Espero ter ajudado. Abraços.

 

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Ivan Mateus

Há mais de um mês

Muito bem, obrigado Lucas.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas