Um dos maiores problemas das cidades 2 grandes é a solidão. Quanto maior a cidade, maior 3 o isolamento das pessoas de todas as idades, 4 principalmente as idosas, cujos filhos ou parentes 5 partiram em busca de suas próprias vidas. Os filhos 6 casam, os parceiros viajam antes do tempo normal, 7 ocorrem divórcios e separações pelo desgaste dos 8 relacionamentos, e assim por diante. Percebendo ou 9 não, sofrendo ou não, um dia a gente se surpreende 10 morando só.11 Todos conhecem as vantagens e desvantagens 12 da solidão. A liberdade, o direito de escolher o 13 livro, o programa de televisão, o filme, o que fazer 14 nas horas vagas, sem o inconveniente de outras 15 pessoas exercendo também o mesmo direito, num 16 mesmo ambiente, atrapalhando nosso desfrute. 17 As desvantagens são incontáveis, talvez em maior 18 número. Não ter com quem dividir os sentimentos é 19 o mais premente.20 Uma colega de trabalho me relatou que o maior 21 sonho de sua vida seria alugar alguns filmes e 22 passar uns três dias em casa. Marido e filha não 23 permitem. Fiz a experiência, ou melhor, tentei. 24 Uma coisa é ver um filme no cinema, em casa não 25 tem graça. E quando tentei a solidão experimental, 26 permanecendo um fim de semana em casa, foi 27 também a pior experiência. Caiu de vez a tese que 28 tentava defender que a gente pode viver bem, sem 29 depender de ninguém. Na verdade, a solidão é boa 30 em algumas circunstâncias, ruim em outras. Num 31 determinado momento pode ser conveniente, mas 32 já me convenci de que não deve ser adotada como 33 estilo de vida.TINÉ, Flávio. Solidão experimental.Disponível em: .Acesso em: 25 ago. 2015. Adaptado. Considerando-se os elementos que garantem a progressão textual, é correto afirmar:a) O conectivo presente em “Quanto maior a cidade” (Ref. 2) introduz uma ideia de comparação, que será concluída no fragmento “maior o isolamento das pessoas de todas as idades.” (Refs. 2-3).b) O pronome relativo “cujos”, em “cujos filhos” (Ref. 4), retoma a expressão “pessoas de todas as idades” (Ref. 3), estabelecendo uma ideia de posse.c) A expressão “ou melhor” (Ref. 23) dá progressão temática ao texto, indicando uma justificativa do que foi declarado anteriormente.d) O elemento coesivo “que”, nas duas ocorrências, em “que tentava defender que a gente pode viver bem” (Refs. 27-28), é um termo que apresenta diferentes funções, na medida em que o primeiro retoma o substantivo “tese” (Ref. 27), e o segundo introduz um complemento verbal, permitindo concluir que as classes gramaticais a que um e outro pertencem são distintas.e) A conjunção “mas” (Ref. 31) introduz uma informação contrária, rejeitando a afirmação anterior sobre a importância da solidão no cotidiano das pessoas que vivem na cidade grande.