Na Unidade III, estudamos a classificação das disfonias e vimos que a categoria mais comum na clínica é a Disfonia Orgânico-Funcional. Nela, uma lesão na laringe não surge “do nada”, mas é consequência direta de um comportamento vocal inadequado (hiperfunção) mantido ao longo do tempo. Para diagnosticar corretamente, o fonoaudiólogo precisa unir as pontas: analisar o comportamento do paciente, identificar as características auditivas da voz (como visto na Unidade II) e correlacionar tudo isso com a imagem laríngea (estudada na Unidade IV). Entender essa cadeia de eventos é fundamental para tratar a causa e não apenas o efeito. Você recebe em seu consultório Marta, 32 anos, professora de ensino fundamental há 8 anos. Com a queixa: “minha voz vive rouca, falha no final do dia e tenho que fazer força para falar. Antes melhorava no fim de semana, agora a rouquidão é constante”. Histórico: Marta relata falar alto em sala ruidosa, não beber água durante a aula e gritar frequentemente no recreio. Exames e Avaliação: Avaliação Perceptivo-Auditiva: voz rouco-soprosa, com tensão cervical visível ao falar. Videolaringoestroboscopia: o laudo médico descreve “espessamento bilateral na junção do terço anterior com o médio das pregas vocais, associado à fenda em ampulheta”. Com base no caso de Marta e nos conhecimentos das Unidades III e IV, responda: Como você classifica essa disfonia? (orgânica, funcional ou orgânico-funcional?). Explique a fisiopatologia do caso: qual é a relação entre o comportamento da paciente (gritar/falar alto) e o surgimento da lesão descrita no exame? Faça a correlação anatomofisiológica: por que a presença dessa lesão específica (espessamento bilateral) gera a qualidade vocal soprosa que você ouviu na avaliação?