4ª) O desenvolvimento de programas de prevenção aos déficits de aprendizagem, como disgrafia, disortografia e discalculia, pode, de acordo com Bos e Tijms (2012), evitar o surgimento de fragilidades na autoestima e nos vínculos sociais decorrentes do mau desempenho escolar. Para a realização de uma intervenção adequada, é fundamental a participação dos pais, dos professores e de profissionais que atuam na área, pois podem agir de modo a minimizar os déficits em um primeiro momento e auxiliarem na superação das dificuldades, com consequente domínio da escrita, da ortografia e do cálculo matemático. i) intervenção na disgrafia: uma intervenção adequada no plano da disgrafia envolve a valorização de todo acerto apresentado pela criança (mesmo que seu desempenho não seja pleno), pois a criança pode desmotivar-se para a realização das atividades de escrita. Deve-se buscar aspectos que contribuam para o interesse da criança em desenvolver um grafismo adequado nas tarefas escolares. Na intervenção com a criança disgráfica, devem ser trabalhados aspectos relacionados à espacialidade, com exercícios que envolvem o posicionamento das letras em direita e esquerda, bem como em cima e embaixo, e frente e atrás. À medida que os exercícios são realizados, o aluno começa a ter consciência do fonema isolado, na formação da palavra e na frase completa. ii) intervenção na disortografia: a intervenção com alunos que apresentam disortografia deve atuar em torno da percepção visual, auditiva, espacial e temporal para formação de uma memória adequada na escrita. A criança pode apresentar dificuldades nos registros ortográficos por fragilidade para a formação de uma memória visual adequada, conforme ressalta Coelho (2012), sendo necessária a estimulação através de exercícios que envolvam formas gráficas e o reconhecimento dos erros apresentados, com sua correção. A criança também necessita estimular sua audição através de exercícios que valorizem a memória de ritmos, de tons e de melodias. É fundamental a realização de uma avaliação consistente da linguagem escrita, com orientação à família e à escola. As intervenções devem ter um caráter lúdico, pois a criança deve sentir-se acolhida no processo gráfico da escrita. Schirmer, Fontoura e Nunes (2004) orientam que é fundamental estimular a descoberta e a lógica para a construção de palavras e fonemas; oportunizar o desenvolvimento da escrita e da leitura espontâneas; valorizar as diferentes formas de elaboração da escrita; e compreender os processos que envolvem a fala e a escrita. iii) intervenção na discalculia: para uma boa aplicação prática na solução de um problema matemático, alguns passos são necessários, destacando-se a tradução, a integração, a planificação e a execução. Cruz (2001) define a tradução como [...] a capacidade para traduzir cada proposição de um problema numa representação interna, verificando-se que para a realização da tradução das proposições é necessário tanto algum conhecimento da linguagem (i.e., conhecimento linguístico), como algum conhecimento do mundo (i.e., conhecimento factual) (Cruz, 2001, p. 205) O segundo passo, envolve a integração, que "consiste em juntar as proposições de um problema numa representação coerente, pelo que, para integrar e compreender um problema, o indivíduo tem de possuir algum conhecimento sobre o tipo de problemas (i.e., conhecimento esquemático)" (Cruz, 2001, p. 205). A planificação envolve "a idealização de um plano de "ataque" ao problema ou planificação da resolução, sendo para tal necessário que o indivíduo tenha algum conhecimento heurístico da resolução de problemas (i.e., conhecimento estratégico)" (Cruz, 2001, p. 205). . a) i e ii corretas b) ii e iii corretas c) i e ii incorretas d) ii e iii incorretas