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elabore um comentário para o post abaixo, destacando a importância das parte interessadas em um projeto: Em minha avaliação, o aspecto mais relevante para a elaboração de um projeto público de grande magnitude é o planejamento orientado ao interesse público e às necessidades das partes interessadas, especialmente dos cidadãos que serão afetados pela intervenção. Isso significa compreender a necessidade social que justifica o projeto e considerar, desde sua concepção, quem será impactado, quais são suas demandas e quais resultados poderão gerar benefícios efetivos para a sociedade. Essa preocupação começa antes da definição da própria solução. O Tribunal de Contas da União (TCU) recomenda que a formulação de políticas públicas considere a identificação do problema, suas causas e efeitos, a população afetada e as evidências que demonstrem sua existência. O órgão também destaca a formação da agenda pública como etapa importante da formulação das políticas, recomendando transparência quanto aos agentes envolvidos e às decisões relacionadas à inclusão de determinado problema na agenda governamental (BRASIL, 2020). Dessa forma, um grande projeto público deve estar relacionado a uma necessidade devidamente identificada, e não apenas à decisão de executar determinada obra ou serviço. Na perspectiva da Gestão de Projetos, Carvalho (2015) e Newton (2011) apresentam a importância do planejamento e da organização das diferentes etapas do projeto. Considerando essa abordagem, decisões tomadas nas fases iniciais contribuem para orientar sua execução e o acompanhamento das entregas ao longo do desenvolvimento (CARVALHO, 2015; NEWTON, 2011). A consideração das partes interessadas complementa esse planejamento. O TCU recomenda mecanismos de participação social e das demais partes interessadas nos processos decisórios, inclusive por meio de espaços de interlocução para discutir diagnósticos, alternativas e prioridades. O órgão também destaca a importância de considerar as necessidades do público-alvo e os diferentes envolvidos na formulação das políticas públicas (BRASIL, 2014). Assim, conhecer os grupos afetados e suas demandas pode contribuir para que a solução escolhida esteja mais adequada à realidade que o projeto pretende transformar. Um exemplo dessa questão pode ser observado em Salvador, durante a implantação do BRT. Em 2021, audiência pública realizada na Câmara Municipal reuniu ativistas, representantes do poder público, Ministério Público, Iphan e Inema para discutir o empreendimento. Segundo a Câmara Municipal de Salvador, movimentos sociais e entidades apresentaram críticas relacionadas aos impactos financeiros, ambientais, urbanísticos, estéticos e paisagísticos da obra (CÂMARA MUNICIPAL DE SALVADOR, 2021). O caso demonstra que projetos de grande impacto urbano envolvem diferentes interesses e que a existência de espaços de diálogo pode ser importante para que os impactos e as preocupações dos grupos afetados sejam discutidos durante o processo de implantação. Outro exemplo é o VLT de Salvador que apresenta uma experiência de diálogo com a população diretamente envolvida. Em 2023, o Governo da Bahia participou de audiência pública no Subúrbio Ferroviário, com a presença de moradores e lideranças comunitárias, para discutir ações de mobilidade urbana na região (BAHIA, 2023). No ano seguinte, o Governo da Bahia também apresentou o projeto do VLT a moradores e lideranças do Subúrbio, destacando a importância de que a população conhecesse a proposta, pudesse esclarecer dúvidas e acompanhasse o desenvolvimento da obra (BAHIA, 2024). Essas iniciativas ilustram a participação das partes interessadas como elemento do planejamento e do acompanhamento de projetos que interferem diretamente na vida da população. A acessibilidade, por sua vez, deve integrar esse planejamento. A Lei nº 13.146/2015 estabelece a acessibilidade como condição para que pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida exerçam seus direitos de cidadania e participação social (BRASIL, 2015). Portanto, em projetos de mobilidade, por exemplo, não basta construir vias, estações ou terminais; é necessário considerar se essas estruturas poderão ser efetivamente utilizadas pelos diferentes grupos da população. Essa perspectiva também está presente no PlanMob-Brasil, apresentado pelo Ministério das Cidades como instrumento voltado à melhoria da mobilidade e da acessibilidade urbanas, com foco nas pessoas e na equidade de acesso às oportunidades oferecidas pelas cidades. O documento também prevê participação social e transparência no processo de planejamento (BRASIL, 2026). Assim, o exemplo reforça a necessidade de integrar as características técnicas da intervenção às necessidades daqueles que utilizarão seus resultados. Outro conceito que contribui para essa discussão é o de valor público. A Casa Civil define valor público como os produtos e resultados gerados, preservados ou entregues pelas organizações que representam respostas efetivas e úteis às necessidades ou demandas de interesse público e que beneficiam a sociedade ou grupos reconhecidos como destinatários legítimos dos serviços públicos (BRASIL, 2023). A partir desse conceito, considero que o sucesso de um grande projeto público não deve ser avaliado somente pela conclusão de uma obra ou pelo cumprimento de prazo e orçamento. Esses elementos são importantes para a gestão, mas também é necessário verificar se o resultado atende à necessidade que justificou a intervenção e produz benefícios efetivos para seus destinatários. Portanto, considero que o planejamento orientado ao interesse público e às partes interessadas deve ser o principal fundamento para a elaboração de projetos públicos de grande magnitude. A identificação da necessidade social, o diálogo com os envolvidos, a acessibilidade e a inclusão passam, nesse sentido, a integrar o próprio processo de planejamento.
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Maria José Brito

há 4 dias

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há 4 dias

A participação das partes interessadas é fundamental para o sucesso de qualquer projeto, especialmente os públicos de grande magnitude. Elas garantem que o planejamento seja alinhado às reais necessidades da sociedade, promovendo transparência, inclusão e legitimidade nas decisões. Ao envolver cidadãos, movimentos sociais, órgãos públicos e outros grupos impactados, o projeto se torna mais eficaz, pois considera diferentes perspectivas e demandas, reduzindo riscos e conflitos. Além disso, a participação ativa contribui para a acessibilidade e a equidade, assegurando que os benefícios sejam realmente percebidos por todos os envolvidos. Portanto, valorizar as partes interessadas é essencial para gerar valor público e resultados que atendam às expectativas sociais, fortalecendo a confiança e a responsabilidade na gestão pública.

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