David Sousa
há 2 semanas
Resposta: B) Deve ser gradual, de modo a propiciar tempo para elaboração.
A fase de término não é um evento súbito, é um processo. Precisa de tempo para que o analisando elabore o fim — lute com o luto da separação, consolide as mudanças, trabalhe os restos transferenciais. Por isso a gradualidade: o encerramento se constrói, não se decreta de uma hora para outra.
Por que as outras caem:
A) “Uma análise nunca termina.” — Incorreta. Confunde duas coisas. Há, sim, a ideia de que o inconsciente não se esgota e de que sempre resta algo (o interminável de Freud em “Análise terminável e interminável”), mas isso não significa que o processo analítico concreto não tenha fim. Ele tem término — a questão inclusive trata justamente da fase de término. Afirmar que “nunca termina” contradiz o próprio enunciado.
C) “Deve se encerrar quando o analista define, unilateralmente.” — Incorreta. O “unilateralmente” denuncia o erro. O término não é decisão autoritária do analista; é algo que se constrói na relação analítica.
D) “Sempre de forma abrupta, como um corte lacaniano.” — Incorreta, e é um distrator capcioso. O “corte” lacaniano refere-se à pontuação/escansão da sessão (o tempo lógico, a sessão de duração variável), não ao encerramento abrupto de uma análise inteira. A questão mistura dois conceitos distintos para confundir. O “sempre” também já condena a frase.
E) “O analista deve acatar a decisão do analisando, sempre, sem contestações ou questões.” — Incorreta. O “sempre, sem contestações ou questões” torna a frase falsa. Uma demanda de término pode ser resistência, fuga, passagem ao ato — cabe ao analista escutar e interrogar o que está em jogo nessa decisão, não simplesmente homologá-la.
A única sem absolutos distorcidos e coerente com a necessidade de elaboração é B.