A maior rede de estudos do Brasil

O reexame necessário é um recurso? Quando ele é aplicável?

Sobre este instituto qual o motivo de ele ser ou não um recurso? Poderia exemplificar e me dizer quando é aplicável, para melhor esclarecimento.


2 resposta(s)

User badge image

Carlos Henrique Panhan

Há mais de um mês

Apesar do Reexame Necessário ser caracterizado pela remessa dos autos no juízo a quo, para instância superior, não é considerado como sendo um recurso, haja vista que não é composto pelas características necessárias de admissibilidade dos recursos (voluntariedade, a tipicidade, o interesse em recorrer, a legitimidade, a dialeticidade, ect.), bem como, não se fazer presente no rol do art. 496 do CPC - artigo este, que arrola, de maneira taxativa, quais são os recursos previstos em nosso ordenamento jurídico.

Sendo então, o reexame encontrado no art. 475 do CPC, bem como em outras leis que possuem seus respectivos ritos processuais específicos, como a Lei da Ação Popular (Lei n. 4717/65, art. 19), Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 1533/51, art. 12), etc.

A natureza jurídica do Reexame Necessário é de condição de eficácia de sentença.

Veja o que Didier Jr. e Cunha dizem acerca disto: "(...) o reexame necessário condiciona a eficácia da sentença à sua reapreciação pelo tribunal ao qual está vinculado o juiz que a proferiu. Enquanto não for procedida à reanálise da sentença, esta não transita em julgado, não contendo plena eficácia. Desse modo, não havendo o reexame e, consequentemente, não transitando em julgado a sentença, será incabível a ação rescisória.". [1]

Cabe o Reexame SOMENTE quando houver SENTENÇAS (não cabe quando se tratar de despachos saneadores, decisão interlocutórias, antecipação de pretensão...) e esta for CONTRÁRIA à União, Estados, DF, municípios, autarquias e fundações de Direito Público. Não haverá a aplicação deste dispositivo no caso de estar o Estado figurando como assistente simples de ente que não se caracteriza como Fazenda Pública, (sociedade de economia mista, por exemplo [ex. Banco do Brasil S/A]). Também não é cabível em ações que não excedam o valor de 60 salários mínimos da condenação e nos casos de procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa, também até 60 salários mínimos, bem como quando a sentença for fundada jurisprudência do plenário do STF ou do Tribunal que for competente.

Encontramos também do 475, a condição de cabimento nos casos que forme julgadas procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa. No entanto, o inciso II, que faz essa garantia, é omisso no que diz respeito às demais hipóteses em que há extinção da execução da dívida ativa por motivos alheios à procedência dos embargos à execução. Nesse aspecto há divergência por parte da doutrina, se será obrigatório ou não a remessa dos autos ao juízo ad quem. Enquanto uma corrente de pensamento afirma que sim, levando em consideração o texto do artigo onde expressa que é cabível nas “decisões contrárias” à Fazenda Pública, outra corrente de pensamento afirma que não, concluindo que não se trata de decisão contra a Fazenda porque seria apenas o reconhecimento judicial de que não se podia examinar a questão.

Penso que seja tudo, não me recordo de mais nada a passar assim de plano. Algo a mais, somente com uma pesquisa mais aprofundada no assunto.

Abraços!

Apesar do Reexame Necessário ser caracterizado pela remessa dos autos no juízo a quo, para instância superior, não é considerado como sendo um recurso, haja vista que não é composto pelas características necessárias de admissibilidade dos recursos (voluntariedade, a tipicidade, o interesse em recorrer, a legitimidade, a dialeticidade, ect.), bem como, não se fazer presente no rol do art. 496 do CPC - artigo este, que arrola, de maneira taxativa, quais são os recursos previstos em nosso ordenamento jurídico.

Sendo então, o reexame encontrado no art. 475 do CPC, bem como em outras leis que possuem seus respectivos ritos processuais específicos, como a Lei da Ação Popular (Lei n. 4717/65, art. 19), Lei do Mandado de Segurança (Lei n. 1533/51, art. 12), etc.

A natureza jurídica do Reexame Necessário é de condição de eficácia de sentença.

Veja o que Didier Jr. e Cunha dizem acerca disto: "(...) o reexame necessário condiciona a eficácia da sentença à sua reapreciação pelo tribunal ao qual está vinculado o juiz que a proferiu. Enquanto não for procedida à reanálise da sentença, esta não transita em julgado, não contendo plena eficácia. Desse modo, não havendo o reexame e, consequentemente, não transitando em julgado a sentença, será incabível a ação rescisória.". [1]

Cabe o Reexame SOMENTE quando houver SENTENÇAS (não cabe quando se tratar de despachos saneadores, decisão interlocutórias, antecipação de pretensão...) e esta for CONTRÁRIA à União, Estados, DF, municípios, autarquias e fundações de Direito Público. Não haverá a aplicação deste dispositivo no caso de estar o Estado figurando como assistente simples de ente que não se caracteriza como Fazenda Pública, (sociedade de economia mista, por exemplo [ex. Banco do Brasil S/A]). Também não é cabível em ações que não excedam o valor de 60 salários mínimos da condenação e nos casos de procedência dos embargos do devedor na execução de dívida ativa, também até 60 salários mínimos, bem como quando a sentença for fundada jurisprudência do plenário do STF ou do Tribunal que for competente.

Encontramos também do 475, a condição de cabimento nos casos que forme julgadas procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução de dívida ativa. No entanto, o inciso II, que faz essa garantia, é omisso no que diz respeito às demais hipóteses em que há extinção da execução da dívida ativa por motivos alheios à procedência dos embargos à execução. Nesse aspecto há divergência por parte da doutrina, se será obrigatório ou não a remessa dos autos ao juízo ad quem. Enquanto uma corrente de pensamento afirma que sim, levando em consideração o texto do artigo onde expressa que é cabível nas “decisões contrárias” à Fazenda Pública, outra corrente de pensamento afirma que não, concluindo que não se trata de decisão contra a Fazenda porque seria apenas o reconhecimento judicial de que não se podia examinar a questão.

Penso que seja tudo, não me recordo de mais nada a passar assim de plano. Algo a mais, somente com uma pesquisa mais aprofundada no assunto.

Abraços!

User badge image

Ana Carolina

Há mais de um mês

Não se confunde com os recursos, seja pelo fato de a lei não ter considerado como e também por não possuir as características destes.

Só faz sentido a sua manutenção em casos excepcionais, para salvaguardar o interesse público,

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos estudantes