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Mito do anel de Giges?

Filosofia

PUC-RIO


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Há mais de um mês

Em A Republica Platão pretende compreender o que é justiça, e para tal trata de diversos aspecto interconectado (ética, política, metafisica, etc.), e por fim determina um ideal de Cidade. Segundo Platão, “a justiça ou virtude, no homem, é o governo dos apetites e da cólera pela razão; essa mesma teoria, antes de ser aplicada ao indivíduo, é aplicada à Cidade, concebida como um conjunto hierarquizado de funções, cada qual com sua dýnamis e sua araté’ (CHAUI, 2002: 305-306). Para o filósofo, as classes sociais [“a economica (agricultores, comerciantes e artesões), a militar ou dos guerreiros e a legislativa ou dos demais magistrados” (CHAUI, 2002: 306)] da cidade eram pouco definidas, confundiam-se, e com isso quedavam “injustas ou mal governadas” (CHAUI, 2002: 306). A solução proposta por Platão, em sua cidade ideal era a organização das classes de acordo com suas potencialidades, dessa forma estabelece para:

1) A classe dos magistrados: “Se a justiça – dike – e a virtude – areté – existem somente quando a razão governa a concupiscência e a cólera, então a Cidade deve ser governada somente pelos magistrados. Mas, por isso, várias condições devem ser preenchidas e a primeira delas é que a Cidade se encarregue da educação de todas as crianças, mesmo quando algumas permanecerem com suas famílias. Essa educação deve ter como objetivo deter determinar as capacidades e os limites de cada uma das classes sociais.” (CHAUI, 2002: 307). “a classe dos magistrados deve ser a classe dos governantes propriamente ditos. Sua função é promover e manter a justiça, tanto pela qualidade das leis como pelo controle que exercem sobre as outras duas classes. Por esse motivo, a seleção dos magistrados e sua educação é a mais importante e a mais rigorosa, se compara à das duas outras classes, pois ela inclui, até certa etapa, a dos agricultores-comerciantes-artesões, prossegue com a dos guardiães e segue sozinha para a formação do político propriamente dito.” (CHAUI, 2002: 308).

2) A classe econômica: “Assim, a classe econômica dos agricultores-comerciantes-artesões deve ser educada para ter como função exclusiva a sobrevivência da Cidade e viver de acordo com limites estabelecidos pelo magistrado, impedindo que a busca das riquezas luxos e prazeres perverta a Cidade. Para isso, deverá ser educada para a frugalidade e a temperança, que se tornam, portanto, virtudes cívicas. Como essa classe é muito apegada aos bens materiais, convém que ela os tenha, pois do contrário lutará para consegui-los e trará desordem à Cidade. O magistrado deve fixar por lei que a classe econômica tenha o direito à propriedade privada (com limites) e a constituir família. Em lugar de tentar inutilmente extirpar o egoísmo e os apetites dessa classe, o governo deve apenas moderá-los por meio das leis e usá-los para o bem da Cidade.” (CHAUI, 2002: 307).

3) A classe dos guerreiros: “Por seu turno, a classe militar ou dos guerreiros terá como função exclusiva a proteção da Cidade contra perigos internos e externos. Essa classe será formada a partir de um exame de seleção, feito após um período em que a mesma educação foi dada a todas as crianças da Cidade. Nessa seleção, os menos dotados irão ser membros da classe econômica, enquanto os mais dotados receberão a educação dos guardiães. Numa grande inovação, Platão afirma que a educação inicial será dada igualmente aos meninos e às meninas, e que as crianças dos dois sexos passarão pela seleção, de sorte que poderá haver mulheres na classe militar. O argumento platônico é claro: um Estado que não usa as aptidões das mulheres é um Estado pela metade, incompleto. Aos guardiães é dada a educação tradicional dos guerreiros gregos: ginastica para o corpo, música (poema, harmonia) para o espírito, dança e artes marciais. Os guardiães devem considerar que sua casa é a Cidade, por isso não terão casa própria, nenhuma propriedade privada, nem família: homens e mulheres viverão em comunidade, seus bens serão comuns, o sexo será livre (não havendo casamento) e as crianças deverão ser consideradas filhas da comunidade inteira, de modo que qualquer adulto deve tratar toda criança como seu filho, e cada criança tratar quaisquer adultos como seus pais. Em outras palavras, Platão elimina a causa que dá origem à aristocracia de sangue e hereditária, impedindo que os guardiães constituam linhagens e que estas rivalizem. A educação dos guardiães é propriamente uma educação cívica, pois eles só existem como pessoas públicas para o bem público. Desta maneira, a razão (o magistrado) impõe aos guerreiros as virtudes que lhes são próprias: coragem e honradez. Os guerreiros devem ser semelhantes a um cão de guarda: carinhosos para os seus, terríveis para o inimigo.” (CHAUI, 2002: 307-308).

Referência bibliográfica:

CHAUI, Marilena. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles, volume 1. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

Em A Republica Platão pretende compreender o que é justiça, e para tal trata de diversos aspecto interconectado (ética, política, metafisica, etc.), e por fim determina um ideal de Cidade. Segundo Platão, “a justiça ou virtude, no homem, é o governo dos apetites e da cólera pela razão; essa mesma teoria, antes de ser aplicada ao indivíduo, é aplicada à Cidade, concebida como um conjunto hierarquizado de funções, cada qual com sua dýnamis e sua araté’ (CHAUI, 2002: 305-306). Para o filósofo, as classes sociais [“a economica (agricultores, comerciantes e artesões), a militar ou dos guerreiros e a legislativa ou dos demais magistrados” (CHAUI, 2002: 306)] da cidade eram pouco definidas, confundiam-se, e com isso quedavam “injustas ou mal governadas” (CHAUI, 2002: 306). A solução proposta por Platão, em sua cidade ideal era a organização das classes de acordo com suas potencialidades, dessa forma estabelece para:

1) A classe dos magistrados: “Se a justiça – dike – e a virtude – areté – existem somente quando a razão governa a concupiscência e a cólera, então a Cidade deve ser governada somente pelos magistrados. Mas, por isso, várias condições devem ser preenchidas e a primeira delas é que a Cidade se encarregue da educação de todas as crianças, mesmo quando algumas permanecerem com suas famílias. Essa educação deve ter como objetivo deter determinar as capacidades e os limites de cada uma das classes sociais.” (CHAUI, 2002: 307). “a classe dos magistrados deve ser a classe dos governantes propriamente ditos. Sua função é promover e manter a justiça, tanto pela qualidade das leis como pelo controle que exercem sobre as outras duas classes. Por esse motivo, a seleção dos magistrados e sua educação é a mais importante e a mais rigorosa, se compara à das duas outras classes, pois ela inclui, até certa etapa, a dos agricultores-comerciantes-artesões, prossegue com a dos guardiães e segue sozinha para a formação do político propriamente dito.” (CHAUI, 2002: 308).

2) A classe econômica: “Assim, a classe econômica dos agricultores-comerciantes-artesões deve ser educada para ter como função exclusiva a sobrevivência da Cidade e viver de acordo com limites estabelecidos pelo magistrado, impedindo que a busca das riquezas luxos e prazeres perverta a Cidade. Para isso, deverá ser educada para a frugalidade e a temperança, que se tornam, portanto, virtudes cívicas. Como essa classe é muito apegada aos bens materiais, convém que ela os tenha, pois do contrário lutará para consegui-los e trará desordem à Cidade. O magistrado deve fixar por lei que a classe econômica tenha o direito à propriedade privada (com limites) e a constituir família. Em lugar de tentar inutilmente extirpar o egoísmo e os apetites dessa classe, o governo deve apenas moderá-los por meio das leis e usá-los para o bem da Cidade.” (CHAUI, 2002: 307).

3) A classe dos guerreiros: “Por seu turno, a classe militar ou dos guerreiros terá como função exclusiva a proteção da Cidade contra perigos internos e externos. Essa classe será formada a partir de um exame de seleção, feito após um período em que a mesma educação foi dada a todas as crianças da Cidade. Nessa seleção, os menos dotados irão ser membros da classe econômica, enquanto os mais dotados receberão a educação dos guardiães. Numa grande inovação, Platão afirma que a educação inicial será dada igualmente aos meninos e às meninas, e que as crianças dos dois sexos passarão pela seleção, de sorte que poderá haver mulheres na classe militar. O argumento platônico é claro: um Estado que não usa as aptidões das mulheres é um Estado pela metade, incompleto. Aos guardiães é dada a educação tradicional dos guerreiros gregos: ginastica para o corpo, música (poema, harmonia) para o espírito, dança e artes marciais. Os guardiães devem considerar que sua casa é a Cidade, por isso não terão casa própria, nenhuma propriedade privada, nem família: homens e mulheres viverão em comunidade, seus bens serão comuns, o sexo será livre (não havendo casamento) e as crianças deverão ser consideradas filhas da comunidade inteira, de modo que qualquer adulto deve tratar toda criança como seu filho, e cada criança tratar quaisquer adultos como seus pais. Em outras palavras, Platão elimina a causa que dá origem à aristocracia de sangue e hereditária, impedindo que os guardiães constituam linhagens e que estas rivalizem. A educação dos guardiães é propriamente uma educação cívica, pois eles só existem como pessoas públicas para o bem público. Desta maneira, a razão (o magistrado) impõe aos guerreiros as virtudes que lhes são próprias: coragem e honradez. Os guerreiros devem ser semelhantes a um cão de guarda: carinhosos para os seus, terríveis para o inimigo.” (CHAUI, 2002: 307-308).

Referência bibliográfica:

CHAUI, Marilena. Introdução à história da filosofia: dos pré-socráticos a Aristóteles, volume 1. São Paulo: Companhia das Letras, 2002.

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Natália Santos

Há mais de um mês

O mito do anel de Giges narra a história de um pastor que, ao encontrar um anel que lhe fornecia o dom da invisibilidade, usou desses poderes para obter riquezas e se tornar soberno do reino. Esse mito conta como todos nós temos mais propensão a ser corruptos quando ninguém está nos olhando, quando não há ninguém para nos punir. No caso do trecho, ele narra um esquema de corrupção que acontecia de forma sigilosa até ser denunciado. Isso evidencia a propensão a injustiças narrada no mito platônico.

Essa pergunta já foi respondida por um dos nossos especialistas