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Dissertação_Auriedia M. Costa

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS – UFAM 
PRO-REITORIA DE PESQUISA E PÓS-GRADUAÇÃO 
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ANTROPOLOGIA SOCIAL – PPGAS 
 
 
 
 
 
 
 
AURIEDIA MARQUES DA COSTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
A FACE OCULTA DO CONFLITO: 
DESMATAMENTO, AVANÇO DA FRONTEIRA AGROPECUÁRIA E 
EXPROPRIAÇÃO DE EXTRATIVISTAS DE LÁBREA - SUL DO AMAZONAS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MANAUS 
2016 
 
 
AURIEDIA MARQUES DA COSTA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A FACE OCULTA DO CONFLITO: 
DESMATAMENTO, AVANÇO DA FRONTEIRA AGROPECUÁRIA E 
EXPROPRIAÇÃO DE EXTRATIVISTAS DE LÁBREA - SUL DO AMAZONAS 
 
 
 
 
 
 
 
Dissertação de Mestrado apresentada ao 
Programa de Pós-Graduação em Antropologia 
Social – PPGAS, da Universidade Federal do 
Amazonas – UFAM, para obtenção do título de 
mestre em Antropologia Social 
 
Orientador(a): Profª Drª Thereza Cristina 
Cardoso Menezes 
 
 
 
 
MANAUS 
2016 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
TERMO DE APROVAÇÃO 
 
 
 
AURIEDIA MARQUES DA COSTA 
 
 
 
A FACE OCULTA DO CONFLITO: 
DESMATAMENTO, AVANÇO DA FRONTEIRA AGROPECUÁRIA E 
EXPROPRIAÇÃO DE EXTRATIVISTAS DO SUL DE LÁBREA/AM 
 
 
 
 
Texto da Dissertação apresentado à Banca Examinadora do Mestrado 
aprovada em 08/08/16 
 
 
Profª Drª Thereza Cristina Cardoso Menezes – UFRRJ/PPGAS/UFAM 
Orientadora 
 
Profª. Drª Ana Carla dos Santos Bruno- INPA/PPGAS/UFAM 
Membro 
 
Profª Drª Katiane Silva- UFPA 
Membro 
 
 
Manaus, 08 de 08 de 2016 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
 
 
À minha mãe Cecídia (In Memoriam), ao meu pai Francisco (In Memoriam), 
cuja dissertação me fez recordar suas trajetórias de vida. Partilhando da vida e 
destino de quem vivia no interior, zona rural do Estado do Amazonas, buscaram na 
“cidade grande”, entre outros motivos, o caminho para que seus filhos e filhas 
usufruíssem do que consideravam importante: poder estudar. Sou muito agradecida 
pois, na simplicidade de suas vidas ensinaram e mostraram com seus atos o que de 
valioso existe na alma humana: o bem, a solidariedade, o amor, a compaixão pelo 
outro. Por tudo o que me oportunizaram na vida em sacrifício das suas, minha eterna 
gratidão. 
 
A cada agente social (in memoriam), trajetórias expressas ao longo do 
trabalho, Gedeão, Irmã Angélica, Gêneses, Francisco, Adelino (Dinho), Indio, 
Dinhana, Chalub; aqueles que nem chegaram a entrar para as estatísticas, que 
tiveram suas vidas, arrancadas de seu chão e enterrados seus gritos de indignação; 
vidas assassinadas, tombadas, vítimas de planos e projetos pensados como 
desenvolvimento, da concentração fundiária e da exploração da floresta. Tombaram, 
precocemente, como muitos trabalhadores do Campo neste Brasil, em nossa 
Amazônia, no sul de Lábrea. Tombaram como tombam castanheiras e seringueiras 
nas mãos impiedosas de quem encontra no lucro a motivação única para seus atos. 
 
A todos os agentes sociais, que dependem de seu território, para se 
manterem vivos (por este Brasil, Amazônia, Lábrea, região sul do Amazonas) que, 
ao permanecerem num grito silencioso, buscam se manter fortes e resistentes, 
mesmo quando insistem em tirar-lhes a vida e a capacidade de acreditar. Por nos 
ensinar que o mais pequeno gesto de resistência nos possibilita a seguir em frente 
com esperança. 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Ao Deus de Jesus Cristo, fonte de inspiração que alimenta a mística que nos 
faz construir, lutar e acreditar em “novos céus e novas terras”, crer no “outro mundo 
possível”. 
 Aos Agentes Sociais, do Riozinho, moradores do entorno, PDS Gedeão, que 
possibilitaram conhecer com maior profundidade suas histórias e confiaram muito de 
suas vidas. 
A Nilcilene, agente social de Lábrea, que a vida me presenteou com sua 
amizade, com quem tive a oportunidade de conviver em momentos tão difíceis de 
sua trajetória, mas também em acompanhar o tempo de reconstrução da vida em 
outro espaço e a partir do “nada”, apesar das muitas dificuldades e sofrimento que 
continuou enfrentando. Com ela aprendi muito do significado da resistência e do 
recomeçar (...). Ao seu Raimundo, esposo de Nilce, sobrevivente daquele espaço de 
conflito, que aceitou viver a aventura de reconstruir o campo da existência noutro 
espaço. 
 À dona Felicidade, minha companheira de andanças entre rios e ramais no 
período em que permaneci em campo, que encorajava a ir além do medo, com o fim 
de registrar em filmagens e fotografias, num espaço um tanto movediço, o que 
constantemente fazia parte de suas denuncias e de suas indignações. Deseja tão 
somente a felicidade, como seu nome refere, de permanecer em seu espaço de 
vida. 
 À Rosana, da CUT/Acre, que, com tamanha disposição e generosidade, 
deixando seus afazeres, seguiu comigo para o início da jornada. Agradecimento ao 
Cosmo, que dirigiu aquele veiculo, com tanta segurança, enfrentando os transtornos 
dos ramais. 
 Ao Castro e seu imão Aldo que me acolheram em sua casa, no período inicial 
da pesquisa, servindo como lugar de suporte para a visita às Colocações, bem como 
às pessoas que encontrei no espaço desta aconchegante casa: Raimundinha, 
Celestino (violeiro), Tião, Rosa, Israel, Gilson, Francisco, Mateus, Moisés. 
 Ao Israel, nos seus doze anos de idade, meu guia por entre o rio, fazenda e 
ramal. Ele estava lá como protetor. Ao Moisés, também como guia, ao adentrarmos 
o ramal da Mococa e pelas vezes que precisou, com sua motocicleta, me transportar 
entre o ramal e BR. 
 
 
Às Irmãs Religiosas de Nova Califórnia/RO que me acolheram em sua casa, 
onde encontrei um porto seguro, como o é também para tantas pessoas. Sem este 
apoio, a pesquisa, da forma como foi realizada, teria sido inviabilizada. Irmãs 
Gracilete, Joanice e Tarcísia, serei sempre grata pela oportunidade de ver e conviver 
com vocês nesta tão desafiante realidade. 
As Irmãs Religiosas de Rio Branco/AC, que me abrigaram, sempre que 
precisava passar por esta região para ir ao campo. Em nome da Irmã Inês, meu 
agradecimento as demais irmãs que formavam a fraternidade religiosa. 
Ao Roni Lira que, com tamanha disposição, interesse e cuidado elaborou o 
mapa da região de pesquisa, recebendo-o como presente. 
Aos amigos e amigas de caminhada, de lutas, de idas e vindas, obrigada por 
poder compartilhar da vida e do trabalho e que também foram ouvindo minhas 
duvidas, angustias e lamentações, incluindo aqui, vocês Maria, Francisco (meu 
irmão), Ulisses, Mario e minha sempre presente família. 
À Comissão Pastoral da Terra, Regional Amazonas que, através de seus 
agentes, me oportunizou adentrar na vida e realidade dos conflitos de terra por este 
Estado e me desafiou a assumí-los enquanto parte da missão-serviço da entidade. 
Agradecimento estendido a cada agente da CPT, da sede, em Manaus e áreas de 
atuação, que juntos compartilhamos das lutas diárias dos trabalhadores e que 
recebiam de vocês acolhida ao escutar suas historias. Agradecimento à Marta 
Cunha, com quem compartilhamos por longos anos o trabalho na CPT. Aprendemos 
muito e nos apoiamos nos embates e enfrentamentos necessários em cada conflito 
que se apresentava, fora e dentro da Entidade. E olha que foram muitos. 
Ao CIMI, na pessoa do Chico, coordenador da Entidade, que gentilmente 
cedeu o espaço do Xare, favorecendo maior concentração para o processo de 
escrita. Ao Naldo, Cristina e seus dois filhos que neste espaço foram companhia e 
colaboração. 
A Coordenação e aos Professores do Curso de Pós-Graduação em 
Antropologia Social que trabalharam as diferentes disciplinas ao longo do curso: Ana 
Carla, Maria Helena, Frantomé, Carlos, Sergio Ivan, Myrtle, Marcovani, Thereza e, 
posteriormente João Pacheco. Ao professor Alfredo Wagner, que não tive uma 
disciplina específica, mas foi sempre uma referência de pesquisa e de vida para 
pensar territórios, comunidades tradicionais, desde sua assessoria em encontros na 
Comissão Pastoral da Terra.

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