Apostila Dir Adm e Constit - Univ. Estacio
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Apostila Dir Adm e Constit - Univ. Estacio


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CURSO DE DIREITO 
DISCIPLINA: CONCURSO T.R.E./2005 
 
Universidade Estácio de Sá Marcelo Carneiro 
Campus Resende - Direito Professor 
 
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NOÇÕES DE DIREITO CONSTITUCIONAL E 
ADMINISTRATIVO 
CONCURSO T.R.E.-RJ/2005 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROFESSOR MARCELO CARNEIRO 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO DE DIREITO 
DISCIPLINA: CONCURSO T.R.E./2005 
 
Universidade Estácio de Sá Marcelo Carneiro 
Campus Resende - Direito Professor 
 
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DIREITO CONSTITUCIONAL 
 
 
CONTEÚDOS: 
 
 Noções de Direito Constitucional 
 Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5º) 
 Da Nacionalidade (arts. 12 e 13) 
 Dos Direitos Políticos (arts. 14 a 16) 
 Noções de Direito Administrativo 
 Disposições Gerais Sobre Administração Pública (arts. 37, incisos I a XVII) 
 Servidores Públicos (arts. 39 a 41) 
 
 
 
 Noções de Direito Constitucional 
 
 Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos (art. 5º) 
 
 A Carta Magna estabeleceu direitos e deveres, individuais e coletivos, bem como as 
garantias constitucionais. O Art. 5º, na prática trata de valores humanos em quatro 
áreas de delimitação: a) O chamados direitos personalíssimos; b) disposições sobre o 
Poder Judiciário; c) normas de Direito Penal, e d) os chamados remédios 
constitucionais (compreendidos entre as chamadas garantias constitucionais). 
 
Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, 
garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a 
inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à 
propriedade, nos termos seguintes: 
 
 O artigo 5º, com seus 77 incisos, retrata a própria essência do pós-positivismo, ou 
seja, os valores típicos do Direito Natural, devidamente protegidos pelo Direito 
Positivo. Ao inferir que todos são iguais perante a lei, o legislador constituinte, 
preconiza a existência do princípio da isonomia. 
 
I - homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta 
Constituição; 
 
 Desdobramento natural do princípio da isonomia, temos aqui o chamado princípio da 
igualdade. Tal avanço extinguiu, por exemplo, o domicílio necessário da mulher e, 
pela, primeira vez, a mulher adquiriu igualdade legal em relação ao homem. 
 
II - ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em 
virtude de lei; 
 
 Princípio da legalidade ou da reserva legal. O enunciado é claro, somente a lei pode 
determinar que alguém faça ou deixe de fazer algo, ainda que contra sua vontade. 
 
 
III - ninguém será submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante; 
 
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 Reflexo dos traumas da ditadura militar, onde direitos fundamentais quanto à 
integridade física eram desrespeitados pelo próprio Estado. Cabe lembrar que a 
questão do tratamento desumano está intrinsecamente atada à aplicação de penas.1 
 
IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; 
 
 É lícito a qualquer pessoa manifestar seu pensamento, cabendo responsabilidade 
pelos excessos. Isso justifica, portanto, a vedação do anonimato, pois se assim não 
fosse, prevaleceria a leviandade de se levantar calúnias, injúrias e difamações, sem 
que se pudesse alcançar o autor. 
 
V - é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da 
indenização por dano material, moral ou à imagem; 
 
 Continuação lógica do inciso precedente, garante ao ofendido o direito de resposta. É 
comum em relação a citação de personalidades em noticiários e em campanhas 
eleitorais. 
 
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre 
exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais 
de culto e a suas liturgias; 
 
 O Brasil adota a forma de Estado laico, porém garante a todos o direito de livre 
escolha a crença, ou como pretendem alguns autores a livre ideologia filosófica e 
política. 
 
VII - é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas 
entidades civis e militares de internação coletiva; 
 
 A Carta garante a faculdade de se obter serviço religioso nas entidades de internação 
coletiva, independentemente da sua natureza (quartéis, presídios, hospitais, etc). 
 
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de 
convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação 
legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei; 
 
 É garantido ao cidadão escusar-se de cumprir obrigação legal (servir exército, por 
exemplo), desde que cumpra uma prestação alternativa (serviços comunitários). Não 
pode, contudo, se escusar de cumprir tal obrigação quando não haja possibilidade da 
prestação alternativa. 
 
IX - é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de 
comunicação, independentemente de censura ou licença; 
 
 Outro dispositivo que reflete o repúdio ao período da Ditadura Militar que precedeu à 
Carta de 88. A censura é a limitação prévia de determinado pensamento antes de sua 
divulgação. Da mesma forma, não se admite prévia autorização para divulgação de idéia. 
 
 
 
1 ver Art. 5º, XLVII. 
 
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X - são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, 
assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua 
violação; 
 
 Este dispositivo protege alguns dos chamados direitos personalíssimos que, 
qualificados como absolutos, merecem proteção especial. O desrespeito de terceiros gera 
a obrigação de indenizar o ofendido. Destarte, ninguém pode publicar foto de outrem 
sem a devida autorização. 
 No direito à imagem, é de importância basilar a questão do consentimento, pois o 
que se pretende evitar é o uso indevido, ou mesmo não consentido da imagem de uma 
pessoa. Aliás, nem o consentimento permite abuso, caso típico do direito de arena.2 
 
XI - a casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem 
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para 
prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial; 
 
 Inicialmente, cabe lembrar que o domicílio, na ótica do Direito Constitucional coaduna 
com a linha adotada pelo novo CC, por sua vez, inspirado no Direito Germânico que 
permite a pluralidade de domicílios. Isso importa dizer que tanto a doutrina quanto a 
jurisprudência apontam no sentido de que o conceito de domicílio abrange, inclusive, o 
local onde se exerce a profissão ou atividade laborativa.3 
 O STF vem garantindo a inviolabilidade do domicílio profissional do profissional liberal. 
 Nos casos de dengue, por exemplo, ou nos demais casos de saúde pública, o STF 
admite a entrada arbitrária nos quintais, preservando a residência. 
 A Carta Magna garante a inviolabilidade do domicílio, permitindo a violação sem 
consentimento apenas nas seguintes hipóteses: 4 
 
 Dia: Flagrante delito ou desastre para prestar socorro, ou, ainda, por determinação