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DERRAME PLEURAL (EMPIEMA) AULA 7 – PEDIATRIA II INFECÇÕES DE VIAS AÉREAS INFERIORES3 É a principal complicação da pneumonia. Pleurisia, Pleurite ou “Inflamação da Pleura” é muitas vezes acompanhada por um derrame (Derrame Pleural). Podemos ter uma inflamação da pleura – pleurisia com ou sem derrame. A causa mais comum de derrame pleural em crianças é a pneumonia bacteriana. Insuficiência cardíaca, causas reumatológicas e neoplasias malignas vêm depois da PNM como outras causas prováveis. OS PROCESSOS INFLAMATÓRIOS NA PLEURA GERALMENTE SÃO DIVIDIDOS EM TRÊS TIPOS: → Pleurisia Seca ou Plástica - sem derrame. → Pleurisia Serofibrinosa ou Serossanguinolenta – secreção intermediaria. → Pleurisia Purulenta ou Empiema – derrame de maior volume. O espaço pleural é um espaço virtual, que em condições de normalidade, a cavidade pleural que está entre a pleura visceral e parietal é virtual porque não conseguimos identificar. Para ser identificado, ele precisa ter um conteúdo e um volume acima de um certo valor. Nessa condição da imagem, conseguimos ver o pulmão comprimido, com a pleura visceral deslocada. PLEURISIA SECA OU PLÁSTICA ETIOLOGIA: A pleurisia seca ou plástica pode estar associada a infecções bacterianas ou virais agudas, ou pode se desenvolver durante o curso de uma doença do trato respiratório superior. Portanto, podemos estar diante de uma pleurisia seca ou plástica em um processo de pneumonia viral ou bacteriana ou até mesmo o curso de infecção de via aérea superior com comprometimento do pulmão. Há uma confusão no diagnostico com e pleurisia com pneumonia. Como o tto é o mesmo, leva o paciente a cura. Na pleurisia seca ou plástica é limitado a pleura visceral – interna, que está em contato íntimo com o pulmão. E uma pequena quantidade de liquido, normalmente seroso, amarelo com adesões entre as superfícies pleurais. Portanto, no raio x não observamos pequena quantidade de liquido seroso amarelado. A clínica é igual da pneumonia, a ausculta, laboratório, portanto passa despercebido. PATOLOGIA E PATOGÊNESE: O processo geralmente se limita à pleura visceral, com pequena quantidade de líquido seroso amarelo e adesões entre as superfícies pleurais. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Os sinais e sintomas geralmente estão poucos evidentes, predominando os da doença primária, que normalmente é a pneumonia. O principal sintoma é a dor torácica, que é intensificada com a respiração profunda, tosse e os esforços respiratórios. A dor associada à respiração é responsável por gemidos e defesa respiratória, e a criança geralmente se deita sobre o lado afetado, tentando diminuir os movimentos torácicos. Isso é um sinal que nos ajuda a indicar o lado acometido. EXAMES Pleurisia plástica pode ser detectada em radiografias como uma opacificação difusa na superfície pleural ou uma imagem densa, nitidamente demarcada. Radiografia de tórax pode ser normal, mas Ultrassonografia ou TC serão positivas. No caso de uma pneumonia viral temos aquela imagem característica de infiltrado intersticial bilateral e na bacterina aquela densa com processo pneumônico localizado. Portanto, na questão de imagem, é a imagem da doença de base. – Radiografia simples de tórax. Já no ultrassom ou TC, ou RNM conseguimos identificar que o processo inflamatório está na cavidade pleural. Na pleurisia seca, na visceral com secreção em pouca quantidade. DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL Pacientes com pleurisia e pneumonia sempre devem ser avaliados quanto à tuberculose. Na criança é menos comum. TRATAMENTO → A terapia deve ser direcionada para a doença primária. – Pneumonia. → A analgesia com AINES pode ser útil. → A imobilização do tórax para restringir a expansão pode aliviar a dor, porém só em casos onde a PNM esteja sob controle, ou sem PNM associada. Se tiver pneumonia associada em tratamento, não é indicado restringir o tórax para aliviar a dor. Acometeu a pleura visceral e como na respiração, a pleura vai expandir junto, a dor é muito mais intensa que na pneumonia sem a pleurisia associada. PLEURISIA SEROFIBRINOSA OU SEROSSANGUINOLENTA Há um exsudato fibrinoso na superfície pleural acompanhado de um derrame exsudativo de liquido seroso dentro da cavidade pleural. ETIOLOGIA: Pleurisia serofibrinosa é definida por um exsudato fibrinoso na superfície pleural e um derrame exsudativo de líquido seroso dentro da cavidade pleural. É mais frequentemente associada a infecções pulmonares ou doenças inflamatórias do abdome ou do mediastino, principalmente pneumonia. PATOGÊNESE: Em condições fisiológicas, o líquido pleural origina-se dos capilares da pleura parietal, sendo absorvido do espaço pleural por meio de aberturas pleurais e os linfáticos da pleura parietal. Geralmente, somente 4 a 12 ml de líquido estão presentes no espaço pleural, mas se a formação exceder à remoção, o líquido acumula-se. Inflamação pleural aumenta a permeabilidade da superfície pleural, com formação aumentada de líquido rico em proteínas, pode haver também alguma obstrução à absorção linfática. – Superfície pleural aumentada, aumentando a permeabilidade da superfície pleural, formação aumentada de liquido rico em proteínas e obstrução da absorção linfática. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS Como a pleurisia serofibrinosa geralmente é precedida pelo tipo plástico, os sinais e sintomas iniciais podem ser os encontrados na pleurisia plástica. Conforme o líquido se acumular, a dor pleurítica pode desaparecer, e o paciente se tornar assintomático se o derrame permanecer pequeno, ou podem ser encontrados somente os sinais e sintonias da doença primária. Grandes quantidades de líquido pleural podem produzir tosse, dispneia, retrações, taquipneia, ortopneia ou cianose. Os achados físicos dependem da extensão ou quantidade do derrame. Observam-se diminuição ou abolição dos sons respiratórios, diminuição do frêmito ao tato, desvio do mediastino para o lado afetado. Os sinais físicos podem ser menos definidos em lactentes (em vez de diminuição ou abolição dos sons respiratórios, pode ser auscultada respiração brônquica) – som mais audível na projeção dos brônquios maiores. EXAMES O exame radiográfico mostra uma densidade geralmente homogênea, apagada preenchendo os limites normais do pulmão subjacente. Como há uma compressão do pulmão acometido pela pleurisia, vai haver uma compressão do pulmão, a densidade é homogênea, preenchendo a imagem onde o pulmão deveria estar. Os exames devem ser efetuados com o paciente supino e ereto, para demonstrar uma mudança do derrame com a posição, pode ser útil a posição de decúbito lateral. Exames ultrassonográficos são úteis e podem guiar toracocentese se o derrame for loculado. Exame do líquido é essencial para diferenciar exsudatos de transudatos e para determinar o tipo de exsudato. DIAGNÓSTICO E DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL A menos que o derrame seja pequeno e o paciente apresente pneumonia pneumocócica lobar clássica, a toracocentese deve ser realizada na presença ou na suspeita de líquido pleural. A toracocentese pode diferenciar pleurisia serofibrinosa, empiema, hidrotórax (acumulo de liquido aquoso), hemotórax e quilotórax. Exsudatos geralmente estão associados aos processos infecciosos. A diferenciação entre a pleurisia serofibrinosa e a purulenta é impossível sem o exame microscópico do líquido. COMPLICAÇÕES A menos que o líquido se torne purulento (pus), em geral desaparece de maneira rápida, particularmente com o tratamento apropriado da pneumonia bacteriana (doença de base). Ele persiste por mais algum tempo nos casos de tuberculose e colagenoses, pode recorrer ou persistir durante longos períodos quando associado às neoplasias. Conforme o derrame é absorvido, surgem em geral adesões entre as duas camadas da pleura –visceral e parietal, mais essas adesões raramente causam danos funcional. Conseguimos ver isso apenas na TC e RNM. TRATAMENTO A terapia deve ser direcionada para a doença primária - pneumonia, embora, nos grandes derrames, a drenagem do líquido deixe o paciente mais confortável. A remoção rápida de 1 L de líquido pleural ou mais, geralmente está associada ao desenvolvimento de edema pulmonar ligado à reexpansão. Grandes volumes demanda uma remoção lenta para que o pulmão vá se adequando a essa nova condição. Se fizer remoção rápida, vai desenvolver edema pulmonar. Se uma quantidade suficiente de líquido se acumula, causando desconforto respiratório, a repetição da toracocentese ou a colocação de dreno torácico deve ser realizada. Há a possibilidade de drenar por toracocentese e horas/dias evolui com uma nova quantidade de acumulo de liquido, portanto, uma colocação do dreno é importante. Os pacientes com derrames pleurais podem necessitar de analgesia, particularmente após a toracocentese ou a colocação de um dreno torácico. É possível que pacientes com pneumonia aguda necessitem de suplementação com oxigênio, além do tratamento antibiótico específico. PLEUSISIA PURULENTA OU EMPIEMA ETIOLOGIA: Empiema é um acúmulo de pus no espaço pleural. O laboratório que vai dizer se aquele liquido é pus. Geralmente, está associado à pneumonia bacteriana por Streptococcus pneumoniae (principal etiologia). O Staphylococcus aureus é mais frequentemente encontrado no empiema pós-traumático (principalmente traumas com feridas “abertas”), mas em geral é menos comum que o Streptococcus pneumoniae. A doença também pode ser produzida pela ruptura de um abscesso pulmonar para o espaço pleural, pela contaminação decorrente de trauma ou cirurgia torácica. O empiema é fruto principalmente de complicação de pneumonia bacteriana por pneumococo. EPIDEMIOLOGIA: O empiema é encontrado com mais frequência em lactentes e crianças em idade pré-escolar. Ocorre em 5 a 10% das crianças com pneumonia bacteriana. PATOLOGIA O empiema tem 3 fases: → Exsudativa: exsudato fibrinoso se forma sobre as superfícies pleurais. → Fibrinopurulenta: formam-se septos fibrinosos, causando loculação do líquido, com espessamento da pleura parietal. → Organização: há proliferação fibroblástica, e coleções de pus loculado podem se desenvolver formando abscesso cavitários de parede espessa, ou o pulmão pode colabar e tornar-se rodeado por um invólucro grosso, inelástico (casca). Portanto, são três fases até a formação do empiema. MANIFESTAÇÕES CLINICAS Os sinais e sintomas iniciais são primariamente os da pneumonia bacteriana. Crianças tratadas inadequadamente com antibióticos não apropriados podem apresentar intervalo de alguns dias 5- 10 dias entre a fase de pneumonia clínica e a evidência de empiema. A maioria dos pacientes apresenta-se febril. Em neonatos, pode haver somente uma exacerbação da angústia respiratória moderada. A criança mais velha tem a possibilidade de apresentar-se mais toxemiada e com maior dificuldade respiratória. Os achados físicos podem ser idênticos aos descritos para a pleurisia serofibrinosa, e as duas condições somente são diferenciadas pela toracocentese, que sempre deve ser realizada nos casos suspeitos de empiema, deixar o paciente com conforto respiratório e levar o conteúdo desse derrame para o laboratório definir e diferenciar. EXAMES Do ponto de vista radiológico, todos os derrames pleurais parecem semelhantes, mas nenhum deslocamento do líquido com as mudanças de posição indica empiema loculado, esse pode ser confirmado por ultrassonografia ou imagem de TC. Um modo de diferenciar um do outro no raio-X é quando na mudança de posição do paciente para nova incidência radiografia, fala a favor de empiema loculado – concentrado. Portanto, o empiema loculado tem a falta de deslocamento do liquido com a mudança de posição do paciente. O derrame é empiema se bactérias forem identificadas na coloração por Gram, o pH for <7,20 e houver mais de 100.000 neutrófilos/microlitro. As culturas sempre devem ser realizadas para identificar o germe. COMPLICAÇÕES Com as infecções estafilocócicas, podem se desenvolver fístulas broncopleurais e piopneumotórax, é mais raro. Tem que ficar mais alerta em causa de traumas e pós cirúrgicos. Outras complicações locais incluem pericardite purulenta, abscesso pulmonar, peritonite secundária à ruptura através do diafragma e osteomielite das costelas. Complicações sépticas, como meningite, artrite e osteomielite também podem ocorrer. – mais graves. TRATAMENTO As opções de tratamento incluem antibióticos, toracocentese, drenagem do tórax com ou sem um agente fibrinolítico, “cirurgia toracoscópica videoassistida” (CTVA) ou descorticação aberta (abrir o tórax do paciente para uma ‘limpeza’). O tto da empiema é mais complexo. Isso tudo depende da evolução do paciente. Se o empiema for diagnosticado precocemente, a toracocentese e tratamento antibiótico determinam uma cura completa. Quando é obtido pus pela toracocentese, drenagem fechada com dreno de tórax deve ser instituída imediatamente. – Obrigatoriamente. É necessária a terapia antibiótica sistêmica. Administração de agentes fibrinolíticos dentro da cavidade pleural pode promover a drenagem, diminuir a febre, diminuir a necessidade de intervenção cirúrgica e encurtar a hospitalização (Estreptoquinase, Uroquinase, etc). Na criança que permanece febril e dispneica >72 horas após o início da terapia com antibióticos intravenosos e drenagem por toracotomia, a descorticação cirúrgica por meio de CTVA (cirurgia toracoscópica videoassistida) ou, menos frequentemente, toracotomia aberta pode acelerar a recuperação. A partir do 3° dia com antibiótico e drenagem, toracotomia, e o paciente permanecer com dificuldade respiratória e febre, tem necessidade da descorticação. O prognóstico clínico a longo prazo do empiema adequadamente tratado é excelente, e estudos de acompanhamento da função pulmonar sugerem que doença restritiva residual é incomum, com ou sem intervenção cirúrgica. pleurisia seca ou plástica manifestações clínicas exames diagnóstico diferencial tratamento pleurisia serofibrinosa ou serossanguinolenta manifestações clínicas exames diagnóstico e diagnóstico diferencial complicações tratamento pleusisia purulenta ou empiema manifestações clinicas exames complicações tratamento