Análise das Demonst Financeiras - APOSTILA  introdução
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Análise das Demonst Financeiras - APOSTILA introdução


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o banco comercial preocupa-se bastante com o endividamento do cliente, o que já não ocorre, por exemplo, com a análise do fornecedor.
Um fornecedor participa com uma cota pequena do total do endividamento do cliente que, em geral, dispõe de muitos fornecedores e trabalha, em média, com três a seis bancos. Com os bancos isso não acontece, e sua participação no endividamento total da empresa é, com frequência, considerável. Essa a razão por que é muito importante para o banco comercial saber como está o endividamento de seu cliente. Os bancos sabem que o grau de endividamento é forte indicador de insolvência.
Através de análise meticulosa do balanço pode o banco perceber que seu cliente atual ou potencial tem condições de receber determinados créditos e antes mesmo que a empresa manifeste o desejo de fazer um empréstimo, o banco pode oferecê-lo. Apesar de apresentar melhor liquidez e menor endividamento, a empresa 1 não está sozinha na preferência do banco. É de se notar que a empresa 2 consegue maior rentabilidade que a empresa 1, e esta maior rentabilidade pode, dentro de alguns anos, não só torná-la melhor (ou melhorar sensivelmente a sua situação econômico-financeira), como também fazer com que sobrepuje em muito a empresa 1.
No cômputo geral, a empresa 1 é um cliente melhor para o banco, mas a 2 também não deixa ser interessante. Essa visão é diferente da que tinham o fornecedor e o comprador.
Bancos de Investimentos (ou Carteira de Investimentos no Banco Múltiplo)
Diferentemente dos bancos comerciais, os de investimentos concedem financiamentos a um número menor de empresas, porém a um prazo mais longo. Nesse caso, o financiamento concedido depende da situação futura do cliente. Por isso, o risco assumido pelo banco de investimento precisa ser rigorosamente calculado. Ele só receberá de seus clientes se a situação futura deles for boa. Exige-se, por essa razão, análise cuidadosa da futura capacidade do cliente. Sem dúvida nenhuma, analisar a tendência e fazer previsões é muito mais importante para o banco de investimento do que fazer análise da atual situação do cliente. Nos casos de financiamentos de vulto concedidos a prazo de cinco, oito ou dez anos, faz-se necessária a elaboração de projetos em que a Análise de Balanços é apenas uma parte. Isso, porém, não significa que a Análise de Balanços ocupe lugar secundário no projeto.
Se confirmado que a empresa 2 é mais lucrativa, ou seja, vem obtendo maior rentabilidade em relação ao capital próprio já há alguns exercícios e que a tendência é manter-se a maior rentabilidade, a empresa 2 estará em melhor situação para o banco de investimento. É um investimento mais atrativo num financiamento a longo prazo. 
Concorrentes 
A análise dos concorrentes de uma empresa é de vital importância: o conhecimento profundo da situação de seus concorrentes pode ser fator de sucesso ou de fracasso da empresa no mercado. A grosso modo, decisões como lançar novos produtos, construir uma fábrica ou conceder prazos de financiamentos são decisões muitas vezes tomadas em função da situação do balanço mostrado pelos concorrentes. Além disso, a empresa deve saber qual sua posição em relação a seus concorrentes e como se situa quanto à liquidez e à rentabilidade.
Os concorrentes fornecem os padrões para a empresa auto-avaliar-se.
É fundamental analisar empresa concorrente
Suponha-se que a empresa 1 seja concorrente da empresa 2 e esteja planejando ampliar o mercado, ou seja, a empresa 1 vislumbra diversos pontos de venda ainda não cobertos.
Em função da situação da empresa 2, a 1 se lançaria o mais rápido possível a um plano de expansão, porque a 2 está atualmente com grande volume de investimentos e praticamente já não suportaria outros.
Se a empresa 1 não aproveitar o momento atual, dentro de, digamos , três anos, a empresa 2 poderá gerar lucros suficientes e partir para investimentos.
Ainda na análise concorrencial, se a empresa 1 pudesse hoje conceder maior prazo a seus clientes, não deveria esperar muito para fazer uso dessa política, pois a empresa 2 hoje não possui muito boa liquidez. Para cada R$ 1,00 de dívida a curto prazo, a empresa 2 possui apenas R$ 1,10; portanto, os prazos de recebimento de suas vendas não podem ser muito esticados, sob pena de se tornar insolvente.
Isso não acontece com a empresa 1 que possui índice de liquidez que lhe proporciona bastante folga: para cada R$ 1,00 de dívida a curto prazo a empresa possui R$ 2,50 de ativo circulante. Por essa razão, a empresa 1 pode oferecer prazos maiores para seus clientes.
Dirigentes 
A Análise de Balanços, para os administradores da empresa 1, é instrumento complementar para a tomada de decisões. Ela será utilizada como auxiliar na formulação de estratégia da empresa, e tanto pode fornecer subsídios úteis como informações fundamentais sobre a rentabilidade e a liquidez da empresa hoje em comparação com as dos balanços orçados. Qual será a liquidez da empresa, no próximo ano, obtida a partir do balanço orçado? Essa liquidez permitirá folga suficiente? Dará flexibilidade aos administradores financeiros? Qual será o índice de rotação de estoques que a empresa deverá ter nos próximos exercícios, comparando-se o índice de rotação que tem hoje? Como pode ser alterado? Como, a partir de modificações nos índices de rotação, pode a empresa alterar sua estrutura de capitais? Além disso, através da Análise de Balanços, os bancos comerciais, os fornecedores ficam conhecendo a liquidez da empresa. Nada mais justo do que a administração preocupar-se, portanto, em saber como está sua liquidez para saber o que os bancos comerciais vão pensar dela.
Dizendo isso de outra forma, a liquidez é uma preocupação para os administradores da empresa, pois, se for muito baixa, ainda que dê condições de a empresa operar, pode representar sério entrave para a obtenção do crédito bancário.
A Análise de Balanços pode servir de guia para os dirigentes.
Considere-se que existem certas relações entre as contas do balanço que servem de guia para os próprios administradores financeiros.
Exemplifica-se isso com os balanços de empresa 1 e 2, da seguinte forma: para os administradores da empresa 2 o índice de imobilização hoje atingido pode representar uma preocupação: a empresa imobilizou recursos superiores ao seu patrimônio líquido; portanto, depende hoje de capital de terceiros de longo prazo, não só para financiar esse excesso de imobilizado em relação ao patrimônio líquido, como também para assegurar liquidez, pelo menos, razoável.
O relacionamento da empresa com instituições financeiras é importante. Ela precisa o mais rápido possível liberar-se dessa situação de dependência a capital de terceiros e de longo prazo. Isso, porém, só será possível com lucros: entre as opções de hoje investir mais para obter lucros no futuro ou ter mais lucro hoje, provavelmente a empresa 2 optará por ter mais lucro hoje para alcançar rapidamente melhor situação financeira.
Provavelmente na empresa 1 as decisões seriam exatamente inversas a essas.
Governo 
O governo utiliza intensamente a Análise de Balanços em diversas situações. Por exemplo, numa concorrência aberta, provavelmente escolherá, entre duas propostas semelhantes, apresentadas por empresas em determinada concorrência, aquela que estiver em melhor situação financeira. 
Além disso, o governo acompanhará a situação financeira da empresa vencedora da concorrência ao longo do desenvolvimento dos trabalhos para obter informações sobre a possibilidade de a empresa continuar os trabalhos para os quais se candidatou.
Em virtude de os serviços públicos serem de interesse nacional, o governo acompanha o desempenho de empresas concessionárias de serviços públicos para saber como andam sua rentabilidade e suas políticas de desenvolvimento. Igualmente controla empresas públicas e autarquias e estabelece níveis de investimentos e índices de desempenho. Além disso, através da análise de balanços, acompanham os setores da economia, como o financeiro, de seguros etc.
O governo