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Direito Constitucional - Thiago Varella

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Direito Constitucional
Princípios básicos da Constituição:
Organizar o Estado
Limita o poder político
Direitos fundamentais
Conceito de Constituição
Sentido Sociológico
Sentido Político – diferença entre Constituição e lei constitucional. Aquilo que é decisão fundamental do poder constituinte originário, que toma as decisões políticas fundamentais: organização do estado, poderes políticos e debates fundamentais do cidadão. 
Sentido Jurídico – norma jurídica e deve ser compreendida dentro do sistema normativo com normas superiores e onde é valida se estiver de acordo com seu pressuposto de validade. É a última norma de fundamento de validade.
O objeto da Constituição é organizar o Estado, limitar o poder político e definir os direitos fundamentais. 
Elementos da Constituição
Orgânicos – definem a estrutura do Estado e do poder político quanto a sua organização. (Título 4º da CF)
Limitativos – limita o poder do Estado e seu poder político. A própria tripartição dos poderes e as cláusulas pétreas são elementos limitativos. (Título 2º da CF)
Socioideológicos – demonstram o compromisso da constituição com o Estado pessoal, os direitos sociais, dando mais direitos ao empregado para que ele esteja em condição próxima a do empregador. São direitos prestacionais, o Estado deve prestá-lo. (CF Art. 6º, por exemplo, como saúde, alimentação, moradia... e capítulo 2º do título 2º e título 8º).
Estabilização Constitucional – existem para garantir a defesa do Estado e das instituições e ordens democráticas. São exemplos as instituições de segurança pública o que envolve polícia federal, polícia rodoviária federal, polícia ferroviária federal, polícia civil, polícia militar e guardas municipais. As forças armadas podem servir tanto no momento de normalidade quanto de crise. Visam independência constitucional, garantia constitucional, manter a soberania estatal. Existe estado de defesa e estado de sítio, quando há uma perturbação que pode ameaçar a estabilização da ordem democrática. Nesses momentos é possível a suspensão de alguns direitos constitucionais, pois é a última “cartada” do Estado pra sua própria existência. Possui um efeito colateral péssimo, mas é necessário para se voltar à normalidade.
Formais de Aplicabilidade – existem para garantir que a constituição seja aplicada, para que ela ganhe as ruas, ganhe efetividade. Ação direta de inconstitucionalidade, mandado de segurança, habeas corpus, mandado de injunção (sujeito tem direito constitucional, mas não consegue exercer) são exemplos.
Tipologia das Constituições
Quanto ao conteúdo
Material – são constitucionais as normas que tem relação com o objeto da constituição, ou seja, organiza o estado, delimita o poder político e institui os direitos fundamentais. Portanto nessa classificação apenas isso é constituição, não sendo todo o resto. Não há nada que não esteja ligado a esses três na constituição. 
Formal – São as constituições que contém o conjunto de normas inserido no texto constitucional. Portanto abrangem não só os três fatores do conceito constitucional, mas também vários outros aspectos. O parâmetro de controle de constitucionalidade é a própria constituição formal, ou seja, para se saber se uma lei é constitucional ou não é princípio comparar essa lei com a constituição. O Brasil adota o critério formal. Alguns atribuem caráter misto à brasileira por causa do Art. 5º §3º , que diz que os tratados de direitos humanos assinados pelo Brasil se tornam constitucionais (normalmente os tratados entram com status de lei ordinária) se aprovados pelo Congresso, tendo caráter de emenda constitucional, que é norma constitucional derivado, quando altera-se a constituição e inclui determinado direito que antes nela não constava. Os tratados de DH, apesar do caráter de emenda e de serem considerados dessa forma, não são numerados como tratado.
Quanto à forma
Escrita – é aquela que é encontrada de forma escrita
Não escrita – existe, apenas não está posta a termo, mas é efetiva. É adota por países que possuem constituição, mas não a escrevem. A Inglaterra é um exemplo. Os poderes encontram seus limites no direito natural. Baseada no costume
Existe pequena corrente doutrinária que considera a constituição inglesa escrita pois, mesmo não tendo código unificado, há lei regulando todas as funções que uma constituição regularia. Logo, para essa corrente, a inglesa seria apenas não codificada, mas escrita.
A Inglaterra e seu direito, apesar de ter sido parte do império romano, não sofreu influência por questões estratégicas: como a Grã-Bretanha é uma ilha, não havia motivo para se destinar grande contingente militar pra para protegê-la, assim não influenciando.
Quanto ao modo de elaboração
Dogmáticas – Elaborada por órgão constituinte ou ditador. São sempre escritas.
Históricas – Formada ao longo das tradições históricas e do costume. Não escrita.
Quanto à origem
Outorgada – Imposta por um ditador/imperador
Promulgadas – Elaboradas por uma Assembleia Nacional Constituinte democrática legitimamente eleita
Cesaristas ou bonapartistas – Não é outorgada, pois o ditador não a impõe de cima pra baixo. É discutida em Assembleia, mas também não é promulgada. Nesse modelo, a Assembleia discute projeto elaborado pelo ditador, mas com poderes restritos. Geralmente partem para referendo.
Pactuadas ou dualistas – fracionamento do poder constituinte originário (quem faz a constituição). Dois órgãos capazes fazem um pacto e a constituição viria daí. Exe.: Magna carta de 1215
Quanto à extensão:
Analíticas – Grandes, com muitos artigos, parágrafos, alíneas etc.
Sintéticas – Menor e concisa (exe.: constituição americana)
Quanto à estabilidade
Flexível – Fácil de mudar. É mudada da mesma forma que qualquer outra norma ordinária naquele ordenamento jurídico.
Semirrígida – Tem partes flexíveis e partes rígidas, que precisam passar por processo diferenciado e específico.
Rígida – Difícil de alterar. Apesar de difícil, a alteração é possível, porém passa por um processo mais exigente que os normais a qualquer outra lei.
Superrígida – Pode ser modificado por processo difícil mas carrega maior quantidade de artigos imutáveis (cláusulas pétreas)
Fixas – Para serem alteradas é necessária a convocação de nova Assembleia Nacional Constituinte.
Imutáveis – Improvável, fadada à morte. Quando uma constituição é criada, o legislador tenta possibilitar que ela se encaixe na sociedade futura. Caso isso não ocorra, ela pode sofrer alterações. Nas imutáveis, isso é impossível.
Quanto à ideologia
Ortodoxa – aquela que tem uma única linha ideológica no seu texto. É muito comum nas constituições de modelo socialista. Exemplo: Constituição de Cuba, da China, da antiga URSS. A Constituição americana também segue e linha ortodoxa na medida em que adota o liberalismo.
Eclética – possui diversas linhas ideológicas no seu texto. É dita plural. É o caso da nossa Constituição de 1988. CF, art. 1º, IV - valores sociais do trabalho e da livre iniciativa. Livre iniciativa é uma questão liberal, mas os trabalhadores precisam de uma proteção. A Constituição trata da função social da propriedade logo abaixo do inciso que trata da propriedade privada. A Constituição de 1988 foi elaborada num ambiente plural. O Brasil rompia com uma ditadura militar e voltava a respirar ares de uma democracia. Assim, é normal que a Constituição possuísse diversas linhas. A Constituição é feita para uma sociedade necessariamente plural, pois assim é uma sociedade democrática.
 Quanto à correspondência com a realidade
Normativa – espécie de constituição que tem plena correspondência com a realidade. Ela deseja regular e organizar o poder político e efetivamente o faz.
Nominal – pretende organizar o poder e delimitá-lo, mas ainda não alcança essa finalidade.
Semântica – ao pretende organizar e delimitar o poder. Existe apenas para legitimar uma ordem política. Basicamente é uma constituição de ditaduras.
	A maioria da doutrina aponta que a Constituição de 1988 é normativa. Portanto, há quem defenda que é nominal. Mas não há quem defenda