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Ortopedia e Traumatologia – Bloco 2 Vitória Martins Castro Feitosa Definição É uma ruptura óssea com lacerações na pele e nos tecidos moles subjacentes, que faz uma comunicação direta com a fratura e seu hematoma fraturário. O contato com o meio externo não necessariamente precisa ser no foco de fratura, às vezes tem uma fratura da tíbia proximal, porém o foco de exposição é próximo ao tornozelo, devido a essa exposição do hematoma fraturário ao meio externo é considerada uma fratura exposta. As fraturas do anel pélvico que tem lesão de alça e lesão de bexiga também são consideradas fraturas expostas. ⅓ dos pacientes com fraturas expostas apresentam múltiplas lesões, já que são traumas decorrentes de alta energia. Qualquer ferida que ocorreu no mesmo segmento do membro que ocorreu uma fratura deve ser suspeita de ser consequência de uma fratura exposta. As fraturas expostas resultam da aplicação de uma força violenta, de um trauma de alta energia. A energia é dissipada pelos tecidos moles e pelas estruturas ósseas e o grau de desvio e cominuição é sugestivo do grau de lesão dos tecidos moles e proporcional à força aplicada. Então, quanto maior força aplicada, maior vai ser o desvio e a cominuição daquele segmento ósseo. Avaliação clínica As radiografias solicitadas no trauma são o perfil da coluna cervical, o tórax em AP e o AP da bacia, porque são locais que podem gerar lesões potencialmente fatais. Geralmente quem faz esse primeiro atendimento é o cirurgião geral e, quando chega na parte da exposição (E) e o paciente está bem, é que vai ser solicitado o parecer da traumatologia ou da ortopedia para tratar as eventuais lesões do esqueleto. Classificação de Gustilo e Anderson Ela é subdividida em três tipos (I, II e III, o qual é subdividido em IIIA, IIIB e IIIC) • Tipo I: ferida < 1cm, limpa, com lesões de partes moles mínimas e lesões ósseas simples. A energia de trauma é menor. • Tipo II: feridas > 1 cm e < 10 cm, de contaminação moderada, com lesão de partes moles moderada e lesão óssea moderada. A energia do trauma é de moderada força. • Tipo III: todas são > 10 cm, potencialmente contaminadas e com lesão óssea multifragmentária. - IIIA: lesão de partes moles é grave, com cobertura cutânea possível após fazer a lavagem mecânica, o desbridamento daquela lesão. - IIIB: lesão de partes moles graves e precisa de reconstrução (enxertos), pois perde a cobertura cutânea. - IIIC: lesão vascular que requer reparo. Antibioticoprofilaxia • Tipos I e II: cefalosporina de primeira geração (cefazolina e cefalotina). • Tipo III: cefalosporina de primeira geração + aminoglicosídeo e como opção pode utilizar uma cefalosporina de terceira geração. • Área rural, campo e fazenda: cefalosporina de primeira geração + aminoglicosídeo + penicilina e como opção pode utilizar uma cefalosporina de terceira geração. Esse paciente foi vítima de capotamento, em que foi arremessado do carro e caiu em cima de um pé de siri, quando esse galho da árvore entrou na sua coxa, ocasionando uma fratura exposta. Nesse caso, houve lesão da artéria femoral, portanto, classifica-se como tipo IIIC e utiliza, na antibioticoprofilaxia, uma cefalosporina de primeira geração + aminoglicosídeo. Por ter sido com uma árvore, ter terra, associa-se também penicilina. Nesse RX em AP e perfil do braço de uma criança, observa-se uma fratura dos ossos do antebraço (rádio e ulna). Cuidado para não confundir epífise de crescimento com fratura. As fraturas foram praticamente no mesmo nível - trauma axial - com ápice volar - provavelmente foi um trauma em hiper supinação. É possível observar também que essa pontinha do osso rompeu a pele do paciente, ocasionando uma lesão puntiforme (< 1 cm), pouco contaminada - tipo I. Essa imagem mostra uma fixação temporária com fixador externo, que tem como função ser um tutor extramedular para fixar provisoriamente a fratura, que vai servir para fazer o controle de danos para operar posteriormente (quando não tiver infecção, edema). Usada em pacientes que têm uma lesão grave de partes moles, uma fratura complexa de qualquer segmento. Esse paciente teve uma lesão por fogos de artifício no 3º dedo com praticamente amputação da ponta do dedo e comprometimento vascular - tipo IIIC. Foi realizada a regularização do coto de amputação Nesse caso, o paciente colocou a mão numa forrageira e teve uma lesão grave dos ossos do carpo com esmagamento e estrangulamento dessa região, que necessitou também realizar amputação do 4º e 5º arcos e fixação do 3º dedo. Observa-se também uma lesão grave de partes moles. Aqui é um desenluvamento com perda da cobertura cutânea, é uma lesão grave, onde há exposição de tendões, ligamentos, músculos e ossos, com maior risco de infecção. Esse paciente que foi vítima de acidente de moto e o macaco da moto entrou na perna dele, funcionando como um anzol. Se esse paciente teve lesão da artéria tibial posterior, é uma fratura IIIC, mas se fosse da tibial anterior, como ela não é a principal, não precisa de reparo, classificaria só por essa lesão e esqueceria a lesão vascular. A antibioticoprofilaxia desse paciente foi feita com cefalosporina de terceira geração (ceftriaxone). Nesse caso, tem uma fratura com uma deformidade na coxa do paciente, teve uma lesão grave e articular do joelho. Na radiografia, encontra uma fratura do platô tibial lateral, que se estende para região metafisediafisária da tíbia (particularmente grave), além de uma fratura do colo da cabeça da fíbula. O paciente também tem uma fratura diafisária do fêmur, pela classificação AO é uma 32A3. Quando tem fratura diafisária do fêmur e tem fratura da tíbia ipsilateralmente, considera joelho flutuante. Esse paciente tem uma lesão de partes moles grave, ocasionada por um trauma de alta energia. Além disso, esse mesmo paciente tem uma fratura diafisária da tíbia. Foi feita uma fixação com fixador externo (faz essa montagem rapidamente - 15 min) para estabilizar o paciente e fazer o controle de danos dessa região. Quando passar os fatores inflamatórios, faz a fixação definitiva (cirurgia) Tratamento Pré-hospitalar Cuidados imediatos, como a cobertura da ferida com curativo estéril, isolando-a do meio externo. Se tiver à disposição, pode fazer uma imobilização provisória com tala, órtese ou algo similar. Hospitalar Normalmente são os politraumatizados, que possuem quadro clínico instável. Quando descartar todas aquelas lesões que podem gerar o óbito do paciente, trata a fratura do paciente. Desbridamento cirúrgico Vai ser realizado de maneira precoce, é importante no tratamento das fraturas expostas e vai ser o ato mais eficaz para o controle de infecção daquela fratura. Tem como objetivo remover qualquer corpo estranho, remover todos os tecidos desvitalizados que conseguir enxergar no momento da cirurgia (se for preciso pode reavaliar em 48h). Com isso, reduz a contaminação bacteriana e vai cria uma ferida vascularizada, para melhorar a cicatrização. Irrigação Realizada de maneira exaustiva com no mínimo 10L de solução salina (soro fisiológico), não pode utilizar produtos de antissepsia e sistemas de lavagem sob pressão são mais efetivos, mas alguns artigos na literatura hoje falam que a irrigação normal, sem alta pressão também é bastante eficaz. Fixação das fraturas Após a irrigação, a limpeza e o desbridamento da ferida, está indicada a estabilização da fatura. Pode fazer uma fixação definitiva até IIIA/IIIB, depende da literatura. Normalmente, quando tem uma fratura com alto grau de contaminação, utiliza fixador externo para fazer o controle de danos e melhorar condições de partes moles para fazer a fixação definitiva. No tratamento cirúrgico, vai restaurar o comprimento do membro, realizar o alinhamento e a rotação (deixar visualmente anatômico), evitara perpetuação de lesões nas partes moles produzida pelos fragmentos ósseos, diminuir a formação do espaço morto e hematoma e, consequentemente, diminuir a chance de proliferação bacteriana e de infecção, além de melhorar o conforto e a mobilização do paciente. Fechamento das fraturas O fechamento primário se a ferida foi limpa (não ocorrida em ambientes contaminados), todos os tecidos necróticos e corpos estranhos removidos, tecidos viáveis. A sutura é sempre sem tensão (se for com tensão vai infeccionar também) e sempre evitar deixar aquele espaço morto dentro da sua ferida.