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Apostila Teoria e Pratica da Redacao Juridica 2012 (2)

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que necessita do dinheiro”, lamentou Antônio Augusto. Dono de três veículos e de comércios na Baixada Fluminense, o empresário foi ainda mais generoso com o mecânico sortudo: alem de ter comprado o Santana novo por um valor abaixo do mercado, arrematou também um de seus carros usados. “Fiz um bom negócio”, garantiu.
 O mecânico só não foi feliz com o destino do dinheiro que recebeu do português. “Ganhei bastante dinheiro e um bom carro. Achei até que estava rico. Fiz obras em casa, emprestei dinheiro e cai na farra. Agora estou pobre de novo. Mas é melhor a Rogenas aplicar corretamente seu prêmio”, aconselhou Nilson. (Colaborou Álvaro Miranda)
Família diz que houve má-fé
 Acusada de agir com mesquinharia, a família do empresário Adelino Bulhosa, patrão de Rogenas, alega que tudo não passou de um mal-entendido. A doméstica, que já trabalhava na casa a cinco anos, estaria agindo de má-fé. “Nós sempre a tratamos como se fosse da família. Ela só pode estar sendo influenciada”, disse Sandra Conrado Nobre Bulhosa, mulher do empresário.
 Segundo familiares, Rogenas teria pedido demissão antes de avisar sobre a premiação. Junto com o dinheiro, ela também teria pedido um comprovante de residência para a retirada do Mercedes no supermercado Bon Marché. “Ninguém entendia por que ela precisava de um comprovante de residência. Quando a família soube, fez até festa. O carro ia ser dela”, contou uma sobrinha do casal. Rogenas nega e diz que, para retirar o seu prêmio, só precisou dos documentos. 
 Sandra se esquiva de explicar o motivo de ter entrado na Justiça e diz: “Essa não é a Rogenas que sempre cuidou bem dos meus filhos. Não é do coração dela agir assim”.
Caso 7)
O GLOBO, Segunda-feira, 23 de julho de 2001.
Helô Pinheiro reage e aciona as famílias de Tom e Vinícius por danos morais
(Germano Oliveira – São Paulo)
 Ela já não é tão garota. Fez 57 anos no último dia 7. e nem é mais de Ipanema. Mora a 25 anos em São Paulo, mas ainda é conhecida internacionalmente como a “Garota de Ipanema”, musa inspiradora de dois dos maiores compositores brasileiros, o maestro Tom Jobim e o poeta Vinícius de Moraes. Há 36 anos, Tom e Vinícius tomavam suas cervejinhas no bar Veloso e se encantaram com o rebolado de Heloísa Eneida Meneses Pais Pinto, uma normalista de corpo dourado, que passava pela Rua Montenegro a caminho do mar. Daí compuseram a música que é a segunda mais tocada no mundo todo. “Garota de Ipanema”, a canção, contabiliza 4,8 milhões de execuções por ano. E rende muito dinheiro.
 Os herdeiros de Tom, como a viúva Ana Beatriz Lontra, os filhos Maria Luiza Helena Lontra Jobim, Paulo e Elizabeth Ermany Jobim; e os de Vinícius, como os filhos Pedro, Luciana, Maria e Georgiana, entraram na Justiça para que Helô Pinheiro deixe de usar a marca Garota de Ipanema, nome de sua loja de roupas no Shopping Villa Lobos, em São Paulo.
 - Não sei por que a mulher do Tom e os filhos de Vinícius não gostam de mim. Se eles pensam que estou nadando em dinheiro por usar a marca Garota de Ipanema na minha lojinha em São Paulo, estão enganados. Ela foi aberta há oito meses e mal consigo pagar o aluguel do shopping e as três funcionárias. Montei a loja com R$ 100 mil emprestados, mas vou levar uns dois anos para ter lucro. Em 36 anos como a Garota de Ipanema, nunca tentei ganhar dinheiro com isso. 
Marca registrada e roupas cafonas.
 Helô Pinheiro registrou a marca Garota de Ipanema Comercio de Roupas no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), em 1988. Dez anos depois, ela conseguiu aprovação da marca. Mesmo assim, a viúva de Tom e os filhos de Vinícius entraram na 1a. Vara Cível do Fórum de Pinheiros, em São Paulo, com uma ação de protesto exigindo que ela deixe de usar a marca. Eles a consideram uma propriedade das famílias dos compositores. Querem que o juiz Pedro Luiz Baccarat da Silva estabeleça uma multa diária para Helô, caso ela não tire imediatamente as fotos de Tom e Vinícius que a Garota de Ipanema expôs em sua loja. 
 - Eles querem que eu e minha família passemos fome? A loja Garota de Ipanema foi a forma que encontrei para garantir a sobrevivência da minha família. Dos quatro filhos que tenho, dois ainda moram comigo. Um deles, o Fernandinho, de 22 anos, é deficiente, não fala direito, não lê, não escreve e depende de mim. Quando ele nasceu, sofreu falta de oxigenação no cérebro. Minha filha mais nova, Ticiane, de 23 anos, só agora está fazendo uns trabalhos no programa “Zorra Total”, na Globo. Meu marido Fernando, que é engenheiro metalúrgico e com quem estou casada a 35 anos, está desempregado a cinco anos. Ninguém dá emprego para um homem de 60 anos – desabafa Helô Pinheiro, em seu apartamento de classe média, na Zona Oeste de São Paulo, decorado com inúmeras fotos dela ao lado de Tom e Vinícius, além de recortes de jornais e revistas emoldurados com frase dos compositores sobre as razões que os levaram a se inspirar em Helô para compor o mais famoso de todos os sucessos da bossa nova.
 Além de Fernandinho e Ticiane, Helô tem outros dois filhos com Fernando: Kiki, de 29 anos (que também já foi eleita Garota de Ipanema em concurso) e Georgeane, de 27 anos, que trabalha como psicóloga numa empresa de recursos humanos.
 - Passei muitas dificuldades para criar essas meninas. A empresa de metalurgia do meu marido faliu em 78 e sobrevivi com uma agência de modelos. Mas, depois, vieram as grandes multinacionais, como a Ford, e acabaram com meu negócio. Fiz algumas novelas, como “Cara a cara”, na Bandeirantes, “Água viva” e “Coração alado”, na Globo. 
 Além dos problemas judiciais com as famílias de Tom e Vinícius em torno da loja em São Paulo, o que mais irritou a Garota de Ipanema foi uma das filhas de Vinícius ter comentado em um jornal que deseja que a Justiça determine que Helô retire as fotos de seu pai que decoram a loja. 
 - A Maria disse que não queria ver fotos do pai decorando uma loja de roupas cafonas. Ora, ela nem conhece minha loja. Não viu as roupas que eu vendo! Fiquei revoltada e acho que isso já é o suficiente para que eu a processe por danos morais. Mas não quero confusão. Só quero vender minhas roupas e sustentar meus filhos. Os filhos de Vinícius já ganham milhões com o direito autoral das músicas do pai. Podiam me deixar em paz aqui com minha loja. Afinal, eu sou a Garota de Ipanema. Não há dinheiro que tire esse título de mim. Quando vou à loja Toca do Vinícius, no Rio, onde vendem camisetas com a estampa Garota de Ipanema e a letra da música que inspirei, os turistas pedem para eu autografar. Faço com o maior orgulho, pois ser Garota de Ipanema foi uma dádiva de Deus. 
Tudo começou com troféu de “Caras”
 Logo que recebeu a intimação da Justiça, no dia 10 de julho, Helô Pinheiro contratou o advogado Paulo Cremonese para impedir que a loja seja fechada. 
 - Nesta segunda-feira, vou entrar na Justiça com uma ação para mostrar que Helô tem o direito de usar a marca Garota de Ipanema. Não há como divorciar Helô da Garota de Ipanema. Vou provar que, desde que as famílias de Tom e Vinícius entraram na Justiça contra Helô, ela já está sofrendo danos morais e materiais, que devem ser ressarcidos – diz Cremonese.
 Na ação impetrada pelos herdeiros dos compositores, a advogada Eni Moreira diz que Helô está utilizando indevidamente a imagem e a obra dos compositores.
 “Apesar de ser reconhecidamente a musa inspiradora da obra literomusical” “Garota de Ipanema”, ela não tem legitimidade para dispor, a seu bel prazer, da obra e das imagens de Tom Jobim e Vinícius de Moraes como vem fazendo, em prejuízo de seus herdeiros. Ela compareceu a evento em homenagem à memória dos dois grandes artistas para recebimento de troféus oferecidos pela revistas “Caras” a Ayrton Senna, Charles Chaplin, Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Além disso, ela utiliza-se de fotografias de Tom e Vinícius para fins de comércio, vez que reproduziu exuberantemente