Digest2_regul-neuro
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está relaxado, por neurônios inibitórios do plexo mioentérico. Os neurônios inibitórios do plexo mioentérico recebem junções sinápticas de outros neurônios cuja única função é produzir um ritmo elétrico básico capaz de manter os neurônios inibitórios atuando nas células lisas da musculatura circular a ponto de manter um tônus basal. Os neurônios inibitórios também recebem conexões sinápticas de outros neurônios que podem produzir uma hiperpolarização ou despolarização. No caso de haver hiperpolarização, estes neurônios param de liberam o neurotransmissor inibitório e o músculo liso se contrai. Caso o neurônio inibitório se despolarize a liberação do neurotransmissor inibitório aumenta e o músculo liso diminui seu tônus (relaxa).
	Desta forma, como veremos adiante, o movimento peristáltico, por exemplo, seria resultado de uma onda de hiperpolarização dos neurônios inibitórios, que cessariam de atuar sobre as células do músculo liso, causando conseqüente despolarização e contração dessas células por seus próprios potenciais miogênicos. Isto explica porque destruição de partes da inervação intrínseca leva a contração da camada circulas do segmento onde houve a lesão.
		Neurotransmissores e hormônios que participam do controle da motilidade
	Podemos dividir os hormônios e neurotransmissores envolvidos nas respostas motoras gastrointestinais em dois grupos: 1. Estimuladores e 2) Inibidores. Porém cabe aqui uma ressalva: a resposta de uma célula a um neurotransmissor depende da própria célula, através de proteínas receptoras de membrana plasmática (principalmente). Portanto nos referiremos aqui a estimuladores como aqueles que estimulam fenômenos motores como um todo, por exemplo: a colecistocinina estimula a contração da vesícula biliar (excitatória) e relaxa o esfíncter de Oddi (inibitória) para a liberação da bile; também aumenta a motilidade intragástrica, embora diminua a velocidade do esvaziamento do estômago, pelo aumento do tônus no esfíncter pilórico. Por isso ao falarmos em excitação ou inibição devemos ter cautela com aparentes paradoxos.
	Para ilustrar vamos citar alguns neurotransmissores encontrados no SNE.
Transmissores excitatórios:
- Acetilcolina (ACh)
- Serotonina (5-hidroxitriptamina, 5-HT)
- Histamina
- Colecistocinina (CCK)
- Motilina
- Gastrina
- Substância P
Transmissores inibitórios:
- Dopamina (DA)
- Noradrenalina (NA)
- Peptídeo Intestinal Vasoativo (VIP)
- Somatostatina
- Encefalinas (ENK)
- Óxido nítrico (NO)
Serotonina - largamente distribuída no trato gastrointestinal, e parece estar bem estabelecido que atua sobre os neurônios do plexo mioentérico, de forma estimulatória sobre a motilidade, atuando em nível neuro-neural.
Dopamina - Catecolamina largamente distribuída no SNE, é produzida e estocada em neurônios entéricos.
Encefalinas e endorfinas - Estes neuropeptídeos são opiáceos endógenos. A alteração da motilidade digestiva por encefalinas, endorfinas e drogas do tipo morfina está bem determinada. Opiáceos parecem inibir a liberação de acetilcolina do plexo mioentérico. Isto tem levado a especulação que opiáceos endógenos poderiam estar atuando como moduladores, e não como transmissores. Porém há evidências claras que os opiáceos alteram a excitabilidade do corpo celular dos neurônios mioentéricos, levando-os a hiperpolarização por aumento da condutância ao potássio. Isto seria devido a um efeito direto na membrana da célula post-sináptica, e não pela interferência com a transmissão sináptica entre neurônios. Esta evidência coloca estes neuropeptídeos como transmissores e não como moduladores apenas.
Substância P - Peptídeo com 11 aminoácidos que como as encefalinas apresenta-se amplamente distribuído. É encontrada principalmente no sistema nervoso entérico, embora também tenha sido encontrada em células endócrinas.
	A substância P apresenta vários efeitos biológicos. Na musculatura intestinal estimula a potência contrátil. A substância P pode despolarizar certos neurônios mioentéricos.
Somatostatina - Tetradecapeptídeo que se encontra dentro de neurônios mioentéricos (e de outras partes do sistema nervoso, como gânglios prevertebrais, e parte do encéfalo, como hipotálamo). Há sugestões de que os neurônios entéricos que possuem somatostatina sejam interneurônios.
Peptídeo Intestinal Vasoativo (VIP) - É um peptídeo de 27 aminoácidos estruturalmente relacionado a secretina, glucagon e peptídeo inibidor gástrico (que serão discutidos quando tratarmos da motilidade em cada segmento do tubo digestivo). É encontrado em neurônios ao longo do todo o trato digestivo, bem como gânglio paravertebral e muitas partes do cérebro. É forte estimulador das secreções, é dilatador de vasos esplâncnicos e salivares. Sua ação na musculatura lisa intestinal é inibitória, e seu papel em sinapses neuro-neurais não está ainda claro.
Colecistocinica-pancreozimina (CCK-PZ) - Peptídeo secretado pela mucosa duodenal que apresenta grande semelhança com a gastrina. Devido a essa semelhança estrutural tendem a atuar de forma parecida, com ação estimulatória, sobre a motilidade gastroduodenal como veremos adiante.
	A CCK-PZ é mais especificamente indutora da secreção pancreática (protéica) e da contração da vesícula biliar, enquanto a gastrina é especificamente indutora da secreção gástrica.
	A CCK-PZ também já foi encontrada em neurônios cerebrais, concentrada em vesículas sinápticas.
Motilina - Secretada pelo duodeno, estimula movimentos característicos da fase interdigestiva. Sua concentração sangüínea parece acompanhar as variações de movimento típicas dessa fase.
Secretina - Secretada pela mucosa duodenal, este hormônio protéico inibe contrações antrais e estimula a contração do esfíncter pilórico. Também estimula o pâncreas a secretar solução rica em bicarbonato.
	A secretina é liberada principalmente em resposta a presença de ácido no duodeno.
Óxido nítrico - O óxido nítrico é um gás que tem papel neurotransmissor no sistema nervoso e é conhecido relaxador (inibidor) de músculo liso em geral. Seu papel é mais óbvio como neurotransmissor inibitório no esôfago, onde juntamente com o VIP desempenha importante papel no transito esofágico, como veremos adiante.
	A atuação das principais substâncias transmissoras bem como outras não comentadas até aqui, serão discutidas ao longo do estudo da atividade motora de cada órgão.